O Vantuir estava na janela brincando com uma pedra amarrada na linha. Era um sobradinho. Lá embaixo, eu tentava pegar a pedra.
A linha estava amarrada em uma lata, era como a gente fazia pra soltar pipas.
Naquele dia, o garoto mais novo que eu estava brincando com a lata de linha balançando uma pedra na janela.
A casa do Vantuir era a segunda depois da minha, no sentido da casa da esquina, a do Nenê, outro colega da vizinhança.
O Vantuir balançava a pedra pra lá e pra cá, e eu embaixo tentando pegá-la. Quando conseguia, soltava ela e a brincadeira recomeçava.
Uma hora, eu peguei e pedra e fiquei puxando ela da mão do moleque. Ele fez força pra não soltar e eu fiz força puxando a linha.
Pow! Foi só aquela dor aguda no topo da cabeça... lógico que a lata escapou da mão do moleque em um puxão meu...
Mãos na cabeça, dor aguda, tentei disfarçar que não havia sido nada, agachei no quintal... mas quando tirei as mãos da cabeça, aquela sangueira toda, pescoço melado de sangue.
Lá ia eu de novo pra casa todo ensanguentado dar um susto na minha mãe e ficar de castigo.
Com a latada, eu já acumulava três cortes na cabeça antes dos dez anos. Pedrada, dentada e latada.
Minha primeira infância foi vivida nas ruas do Rio Pequeno.
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Instantes de uma vida

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