quarta-feira, 29 de julho de 2026

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 29 de julho de 2026. Quarta-feira. 


10h15

Novamente, dormi menos que o suficiente. Estou madrugando sem ser esse meu hábito. Sinal ruim. O catarro e as tosses já encheram o saco. É hora de acabar essa porra de gripe.

Ainda não fiz meu exercício de memorização. Deixei pra mais tarde. O objetivo do dia é continuar a leitura da peça O pão e a pedra, que ganhei de presente de Sérgio de Carvalho e Marili Santos. O ideal é terminar a peça hoje. 

O ano é 1979, os trabalhadores voltam ao trabalho após 15 dias de greve. Foi Lula quem propôs a volta ao trabalho por 45 dias após negociar com os patrões. Os metalúrgicos aprovaram a proposta, dando um voto de confiança ao líder sindical. 

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"Arantes 

Toma seu café, rapaz. Faz como a Luísa e vira outra coisa. O contrário de nós não é o sindicato. Inimigo é quem me obriga a empilhar pedra e não me deixa ouvir música." (p. 144)

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No Segundo ato, vejo uma cena que vi por décadas no movimento sindical. Um rapaz do movimento estudantil, de um desses grupos revolucionários, se interessou por um metalúrgico - Arantes - da oposição ao Sindicato dos Metalúrgicos, do Lula, e o trabalhador o dispensou assim que ouviu o blá-blá-blá do sujeito.

Entra ano, sai ano, década, século, a gente que vive a realidade da classe trabalhadora, que já militou, que já dirigiu e estudou o movimento sindical vai adquirindo certa experiência na leitura de mundo que não nos permite ilusões e tentativas de disfarçar a realidade material e objetiva: essas divisões infinitas na esquerda só favorecem nossos inimigos. Só.

No momento, para qualquer lugar que olho e observo, só vejo o que vi por décadas: divisões, futricas, vaidades, personalismos, e foco nos defeitos do nosso lado fragmentado. Os meios para a nossa derrota são praticamente todos do inimigo. Ele tem bombas, big techs, imprime dólar, e a burguesia mais canalha e vira-lata do planeta, em espaços de poder. Nenhum país tem uma tropa quinta-coluna como a direita tem no Brasil. 

Impressões que me vieram à mente ao ler a peça do Sérgio de Carvalho e da Companhia do Latão.

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23h59

E o dia terminou. 

Acabei a leitura da peça O pão e a pedra, do dramaturgo Sérgio de Carvalho. 

Sigo catarrento, tossindo, estressado com essa gripe que não acaba, não termina.

O app WhatsApp sugeriu aos usuários que não souberem falar, não tiverem palavras, quando forem de vocabulário precário, que peça para a sua "IA" (nem inteligente, nem artificial) que escreva e fale pelo usuário de fala empobrecida...

Eu fiquei pensando nos personagens humanos de Vidas secas, que quase não falavam por outros motivos, que o romance denuncia. 

Agora não. As big techs têm um projeto de emburrecimento e estupidificação da espécie humana, que vem perdendo sua capacidade de linguagem, e aí sugerem o remédio de usar suas "IA" para tentar se comunicar com outras pessoas humanas...

Acaba logo com isso ("IA"), senão isso acaba com o mundo.

William

Post Scriptum: nenhuma porcaria de "IA" escreve o texto que eu criei, com as palavras com sentidos denotativos e conotativos como usei. Como pode a humanidade cair numa manipulação idiota como essa?

2 comentários:

  1. Ah! Que legal.... sabia que você se acharia nisso! Fico feliz. Mega abraço em todos!

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    1. Amiga, que leitura interessante! Obrigado, mais uma vez. Nossos sentimentos pela perda do seu amigo. Abraços fraternos a todos aí!

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