Refeição Cultural
LEITURAS
Estou lendo a História em Quadrinhos (HQ) de Marjane Satrapi, uma autobiografia de uma mulher que nasceu no mesmo ano em que nasci: 1969.
Ela nasceu no Irã, país bombardeado pelos Estados Unidos este ano. O governo norte-americano bombardeou uma escola de meninas e matou mais de 160 crianças em fevereiro.
Quando criança, Marjane viu sua vida transformada drasticamente após a Revolução Islâmica em 1979. Também perdeu uma amiga criança num bombardeio da guerra entre o Irã e o Iraque.
Marjane Satrapi faleceu faz poucas semanas, em 4 de junho de 2026. Soube de sua morte através da imprensa. Minha solidariedade à família e às pessoas de sua convivência.
Marjane se estabeleceu na França e teve uma carreira reconhecida como ilustradora gráfica, desenhista, escritora, pintora, diretora e roteirista de cinema e, pelo que li, sempre foi uma mulher engajada em causas relacionadas às mulheres e às liberdades.
Me chamou a atenção a notícia de que ela havia morrido de tristeza ou algo assim. Pelo que pesquisei, ela enfrentou uma forte depressão após a perda de seu companheiro, vítima de câncer.
Estou lendo sua obra mais famosa e reconhecida, Persépolis, quadrinhos lançados entre os anos de 2000 e 2003, em 4 volumes. Quero ler mais obras de mulheres e estou gostando muito de sua autobiografia.
Enquanto mergulho nos quadrinhos de Marjane Satrapi, viajo pela história dela e das mulheres do Irã (e sinto a violência do mundo dos homens), viajo pela história do Irã e do mundo no qual também vivi, dos anos setenta pra cá.
Ler é uma viagem. A gente viaja com Marjane até o passado no qual eu mesmo vivi, num outro canto do mesmo e único mundo.
Me lembro das notícias da Guerra Irã-Iraque como se fosse hoje. Enquanto eu menino andava pelas ruas do Marta Helena, em Uberlândia, os meninos iranianos da minha idade eram explodidos lá no Oriente Médio.
Lendo, viajo ao meu passado e ao passado de nosso mundo.
Enquanto viajo nas minhas memórias, muitas delas com momentos duros e ruins, vejo através das memórias de Marjane que todos nós somos sobreviventes e que muitos, muitos, tiveram veredas mais ou tão difíceis quantos muitos de nós.
Que bom estar podendo ler e escrever. Enquanto lemos, refletimos e, quiçá, nos modificamos, afinal de contas, não estamos terminados, somos incompletos, como ensina o mestre Paulo Freire.
William
14/07/26


Realmente muito triste tudo o que ela vivenciou e vc relatou aqui através da sua leitura. E vemos diariamente toda essa guerra insana e cruel com tantas mortes de mulheres, crianças e idosos. E aqui no Brasil o aumento diário de feminícidios e misoginia crescente. Esses "Red Pills" incentivando e dando "aulas" de como tratar as mulheres e colocá-las no seu "devido lugar". Um absurdo tanta monstruosidade que estamos vivenciando ultimamente. Que horror! Que tristeza! 😔
ResponderExcluirComentário profundo, e muito pertinente! Quando é que vamos interromper e reverter esses ataques às mulheres e aos diferentes dos donos do poder? Sigamos conscientizando as pessoas e lutando por um mundo diferente desse que temos no momento, sob o jugo dos homens violentos e destruidores da paz no planeta.
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