domingo, 5 de julho de 2026

A morte do beija-flor (18)


Estávamos no fim da rua, perto da casa do Júnior e do Peninha, e os moleques estavam à toa, molecando. Alguns, de estilingue na mão. 

A lembrança que tenho é daquelas que ficaram pra sempre na memória. Eu tinha menos de dez anos de idade. 

Eu estava olhando o beija-flor no fio, num daqueles instantes que o bichinho para pra descansar e seguir na busca do néctar das flores. 

Desde muito pequeno desenvolvi apreço pelas coisas da natureza. Flora e fauna e os fenômenos naturais sempre capturaram a minha atenção. 

Acho que estava num desses encantamentos, capturado pela beleza do beija-flor no fio do poste de luz.

No instante em que apreciava o beija-flor, a pedrada explodiu seu peito, vinda de um moleque atrás de mim com seu estilingue na mão...

Nós seres humanos somos isso, uma imensidade de possibilidades desde a mais tenra idade. 

Uns apreciam passarinhos, outros apedrejam passarinhos, só pelo gosto de ver o bichinho cair morto.

Imagino que a criação que tive de meus pais, mais de minha mãe, desde pequeno, tenha me salvado de ser um caçador e assassinato de animais. 

Há pessoas que acabam por ter uma maldade gratuita dentro de si. Ruindade. Temos que organizar a sociedade para frear gente assim. 

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Instantes de uma vida

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