Estávamos no fim da rua, perto da casa do Júnior e do Peninha, e os moleques estavam à toa, molecando. Alguns, de estilingue na mão.
A lembrança que tenho é daquelas que ficaram pra sempre na memória. Eu tinha menos de dez anos de idade.
Eu estava olhando o beija-flor no fio, num daqueles instantes que o bichinho para pra descansar e seguir na busca do néctar das flores.
Desde muito pequeno desenvolvi apreço pelas coisas da natureza. Flora e fauna e os fenômenos naturais sempre capturaram a minha atenção.
Acho que estava num desses encantamentos, capturado pela beleza do beija-flor no fio do poste de luz.
No instante em que apreciava o beija-flor, a pedrada explodiu seu peito, vinda de um moleque atrás de mim com seu estilingue na mão...
Nós seres humanos somos isso, uma imensidade de possibilidades desde a mais tenra idade.
Uns apreciam passarinhos, outros apedrejam passarinhos, só pelo gosto de ver o bichinho cair morto.
Imagino que a criação que tive de meus pais, mais de minha mãe, desde pequeno, tenha me salvado de ser um caçador e assassinato de animais.
Há pessoas que acabam por ter uma maldade gratuita dentro de si. Ruindade. Temos que organizar a sociedade para frear gente assim.
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Instantes de uma vida

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