sábado, 27 de março de 2010

Uma semana correndo...

Foto William Mendes: paisagem de onde corri em Nazaré Paulista mar/10. (fora o som dos pássaros!)
Viajei no domingo passado à noite. Já havia conseguido emplacar 3 dias de corridas.

Durante a semana toda, corri ou nadei quase todos os dias. fiz duas corridas de 30' e duas menores.

Hoje corri uns 4km e caminhei mais uns 3km.

Tenho muito que treinar para melhorar meu condicionamento físico e para desentupir minhas veias e artérias.

domingo, 21 de março de 2010

Pois é, consegui correr pelo 3o dia seguido...

foto: William Mendes, CUT RN em fev/10.
Como a agenda me permitiu, emplaquei uma sequência de 3 dias correndo um pouco. Mas vamos ver se em Nazaré Plta, onde estarei até sexta-feira, consigo me salvar da morte física praticando atividades físicas pela manhã.

Ontem limpei meus aquários, ouvi um pouco de música - The Smashing Pumpkins, Red Hot Chili Peppers, e Carl Orff com Carmina Burana.

Corri hoje uns 4,5km.

Meu computador manual bichou. E sinceramente, enquanto corria, refletia, não quero tentar fuçar nele porque eu não entendo de informática e não quero perder tempo com isso.

Quero usar o tempo que tenho de existência para ser menos ignorante em sociologia, história, linguística, literatura, política, antropologia.

Não quero saber nada de informática que tome meu precioso e parco tempo livre.

É isso.

sábado, 20 de março de 2010

Fui correr... estou cansado de estar cansado!

foto: William Mendes, RN em fev/10.
Como previ na passagem-de-ano-civil, não estou com tempo nem para correr ou caminhar. Isso tem me estressado muito.

O resultado é cansaço físico e mental e 3 quilos a mais - acumulados em uma certa protuberância entre o plexo solar e o púbis. Acredito que até esses tais triglicerídeos e o colesterol ruim devam estar altos em meu corpo. Dane-se!

Depois de dias fora de casa, ontem saí para dar uma caminhada e corrida (6km e 2km). Hoje fiz o mesmo, caminhei e corri (4km e 3km).

Amanhã, quem sabe?

terça-feira, 9 de março de 2010

A saúde pública no Brasil - e o meu cansaço por excesso de trabalho


Wmofox, desenho 1 (em parede)

Cheguei há pouco em casa. Estive em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, no planejamento de trabalho da minha confederação. Antes, estive em Uberlândia (MG) visitando meus pais e minha família.

Já viajo depois de amanhã para Belo Horizonte (MG), onde ficarei até domingo no Coletivo Nacional de Formação da CUT.

Estou bem cansado. E não tenho nem tempo para pensar nisso.


SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL

Quando estive em Uberlândia, fiquei com minha avó algumas horas no corredor do Hospital Universitário da Medicina - UFU/SUS. Havia dezenas de pessoas internadas nos corredores. Era o caos.

É muito triste ver o tratamento que os cidadãos brasileiros têm na questão da saúde, que deveria ser um dos direitos mais sagrados das pessoas. Eu sei que estava pior antes do governo do PT, mas temos muito que avançar em relação à saúde pública.

Eu sinto muita falta de leitura para ganhar novos conhecimentos culturais. Sei que neste ano será bem difícil conseguir tempo para o meu conhecimento pessoal.


COMENTÁRIO POST SCRIPTUM (12/2/2012):

Passei uma semana com o meu pai internado após um infarto no mesmo hospital, no mesmo local, e posso afirmar que meu velho foi salvo lá e bem atendido pelos médicos e enfermeiras de toda aquela longa semana que tivemos.

Minha mãe ficou no mesmo corredor em que minha avó estava. Precisou ser atendida durante umas seis horas de exames.

O corredor do Pronto Socorro não esteve tão cheio como ocorreu em 2010 em nenhum dos sete dias que estive lá com o meu pai.

domingo, 7 de março de 2010

No Ceiling - Eddie Vedder (Into the wild)




Comes the morning
When i can feel
That there's nothing
Left to be concealed

Moving on,
A scene surreal
Know my heart will never
Never be far from here

Sure as i'm leaving
Sure as i'm sad
I'll keep this wisdom
In my flesh

I leave here believing
More than i had
And there's a reason i'll be
Reason i'll be back

As i walk
The hemisphere
Got my wish
To up and disappear

I been wounded
i been healed
Now for landing i been
Landing i been cleared

Sure as i'm leaving
Sure as i'm sad
I'll keep this wisdom
In my Flesh

I leave here believing
More than i had
This love has got
No ceiling

quinta-feira, 4 de março de 2010

Setting forth - Eddie Vedder (interpretação)


Estou relembrando o meu inglês, que deixei de usar há bastante tempo. Uma boa maneira de estudá-lo é com música, pois na adolescência isso foi decisivo para conhecer esta língua.

As músicas da trilha sonora do filme Na Natureza Selvagem - Into the Wild - que conta a história do jovem Chris McCandless - me tocaram profundamente. Na época, vi o filme, li o livro e ouvi o cd dezenas de vezes.

As letras têm ligação íntima com a história.



Aqui não faço uma tradução; faço a minha interpretação livre.


Setting forth
(cenário, ambiente: adiante... pra longe)

Be it no concern
estar só, sem inquietações, sem âncoras...
Point of no return
o contexto: sem volta...
Go foward in reverse
avançar, ir rumo ao avesso, ao contrário (da sociedade)

This i will recall
é disto que estou falando: ir ao princípio, ao começo
Everytime i fall
E toda vez... eu me deixo cair...

Ahh - oohhh
Setting forth in the Universe
indo adiante... into the wild (e no meu mundo)

Out here, realigned
aqui (fora daquele mundo urbano) estou realinhado
A planet out of sight
um mundo fora da vista (do bicho urbano)

Nature drunk and high
natureza incontrolável e avassaladora...
Ahh - oohhh

segunda-feira, 1 de março de 2010

Refeição Cultural 47 - Limpando hemerotecas

foto: William Mendes
Comecei esta manhã pela leitura de um caderno do Estadão de 7.dez.08, que fala sobre os 70 anos do lançamento da obra Vidas Secas de Graciliano Ramos. Eu já li o romance quatro vezes e o acho fantástico.

Li uma matéria muito boa a respeito da dor e do não-tratamento adequado dos pacientes que sofrem dores. Não existe uma cultura do combate à dor. O que ocorre é a desumanização do tratamento: ao invés de cuidar do senhor João, diz-se que estão tratando a doença tal do senhor João. A matéria é do Estadão de 12.out.08.

Em 2009 passei por problemas do tipo em minha família (que persistem), pois meu pai sofre de uma doença nos rins que não tem cura e que traz sequelas nas juntas e membros inferiores que causam muita dor e ele passou meses sem achar um médico que lhe receitasse algo que amenizasse o seu sofrimento.

É isso. Também já escrevi esta manhã para o movimento sindical a respeito de vários sindicatos estarem "terceirizando" a luta ao entupir a justiça com demandas de sétima e oitava horas de trabalho na categoria bancária, que tem jornada de seis horas conquistada desde 1933.

A minha casa segue entupida de papeis e mais papeis...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Limpando hemerotecas


Wmofox, desenho 2 (em parede).

Refeição Cultural


Estou em casa, em um domingo qualquer, limpando e expurgando meus nacos de cadernos de jornais.

Caderno de esportes do final de 2008, anunciando o hexacampeonato do São Paulo Futebol Clube: fala sério, para que guardar isso? Fora!

Caderno Ilustrada da Folha com capa de Tarsila do Amaral. O texto anuncia que saiu um catálogo da dita cuja. Não tem necessidade de guardar isso, pois existe um bom acesso ao tema em mundo virtual.

Lendo um texto no caderno Mundo, da Folha de 7.dez.2008, sobre Noam Chomsky, linguista que completou 80 anos em 2008 e que dizia não se iludir com a eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA (hoje, podemos dizer que ele tem uma excelente leitura de contexto e conjuntura política).

Quem é o cara? “Nascido na Filadélfia e professor emérito do MIT, onde leciona há 53 anos, Chomsky é considerado o pai da linguística moderna. De acordo com sua teoria, chamada gramática transformacional, toda sentença inteligível contém não só suas regras gramaticais peculiares como o que batiza de ‘estruturas profundas’, uma gramática universal que serve a todas as línguas”.

Chomsky diz ser mais importantes as eleições de Evo Morales e Lula da Silva, na Bolívia e Brasil respectivamente, que a de Obama nos EUA. Diz também que a democracia americana é muito mais uma construção não-democrática, “um tipo de ditadura por escolha”, via marketing, do que uma democracia real, que conte com a “participação” do povo e não com a encenação de uma peça teatral, onde o povo só assista ao espetáculo.

Li uma entrevista de novembro de 2008, no caderno Mais da Folha, com o “medievalista” Hilário Franco Jr. sobre a ascensão do São Paulo Futebol Clube e do futuro do futebol. A teoria dele é de que o futebol é o retrato da sua sociedade. Aqui no Brasil, nós torcedores não teríamos a arrogância de uma nação vitoriosa ou imperialista como têm os torcedores ingleses ou argentinos.

Para mim, o mais "hilário" de tudo é o jornal ou o próprio dito-cujo chamar o "Hilário" de “medievalista”. É... tipo assim, bem pós-moderno e... medieval ao mesmo tempo!

É isso! Aprendi que guardar papeis para outra hora é algo ao menos hilário!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Meu filho colocou brinco

foto: Exposição Aeroporto de Confins MG - pintura rupestre Lagoa Santa. William Mendes
Meu filho colocou um brinco nesta quarta-feira. Ele tem 13 anos.

Eu coloquei brinco com uns 19 anos. Os tempos eram outros. Não era a maioria que usava brinco na minha época. Eram os anos oitenta.

É, o mundo anda acelerado em tudo. Mas as pessoas nunca desperdiçaram tanto conhecimento disponível com uma vida cotidiana repleta de tanta bobagem e inutilidades.

Isso me preocupa nos jovens de hoje. Não aproveitar o conhecimento para serem um pouco mais inteligentes no sentido pleno do ser humano.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

NOVILÍNGUA CRIADA PELO PIG NA GESTÃO LULA/PT: quando a linguagem é usada para destruir

Foto de William Mendes: fev/2010 (ao fundo, meu pangassius).
(Atualizado em 3/6/10)

"O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases impostas pela repetição, milhares de vezes, e aceitas inconsciente e mecanicamente" (Victor klemperer)

(Lembrei-me dos termos criados pela oposição e pela midiaelite - PIG - no período da crise em 2005 e que estarão muito presentes em 2010. Se tornaram comuns os chavões "mensalão", "petismo", "petralhas", "lulla", "república dos sindicalistas", "CUT pelega", "CUT chapa branca" e outras construções para "acabar com essa raça por uns 30 anos" como disse um ex-senador da direita)

É PRECISO VENCER A IMAGEM DESVIRTUADA CRIADA PELA ELITE GOLPISTA EM 2005 sobre o PT e a CUT e que afeta ainda hoje a militância espalhada pelo país.

Eu insisto: usem diariamente a marca CUT e a estrela do PT, além da camisa do clube de futebol e da marca do jacarezinho (que ninguém deixa de usar mesmo).

Este BRASIL QUE AVANÇA como "nunca antes na história deste país" é fruto do projeto da classe trabalhadora, projeto gestado principalmente através da CUT e do PT desde os anos 80!

Nós temos que TER ORGULHO do que somos e não continuar aceitando a construção imbecil do PIG de que ser PETISTA ou SINDICALISTA ou CUTISTA seja algo ruim, pelo contrário. O PT e a CUT têm lado - ESTAMOS DO LADO DA CLASSE TRABALHADORA - e contra os patrões e a elite conservadora e golpista.

Estou lendo um livro LTI, a linguagem do Terceiro Reich - de Victor Klemperer, sobre a linguagem criada pelo nazismo e o efeito dela sobre os alemães durante o período de 1933 a 1945 e no pós-guerra. Estou me lembrando de vários filmes ou livros que falam sobre a questão da dominação imposta através da linguagem, no caso, linguagem visual ou linguística.

No filme Arquitetura da destruição, por exemplo, existem imagens das propagandas nazistas pregando contra os judeus e ficamos enojados quando as vemos. Mas isso continua tão comum e tão contemporâneo hoje quanto o foi desde que se passaram a usar os veículos de comunicação de massa do século XIX para o XX. São vários os exemplos TOTALITÁRIOS do uso dos meios de comunicação, tanto à esquerda, ao centro, ou à direita.

A dominação pelo uso dos meios de comunicação foi usada por Hitler no nazismo, como também o foi no fascismo, no stalinismo, no macarthismo da "democracia americana", nas ditaduras militares do Brasil e demais países latino-americanos. A própria REDE GLOBO NASCEU ACOBERTANDO A DITADURA. O GRUPO FOLHA cedia seus carros para SEQUESTRAR MILITANTES CONTRÁRIOS AO REGIME DE EXCEÇÃO DA DITADURA e por aí vai.

A minha lembrança DA CRISE DE 2005 é clara e cristalina quando recordo o PIG - Partido da Imprensa Golpista - tentando derrubar o governo Lula e massacrando diariamente EM UNÍSSONO o governo e o PT - Partido dos Trabalhadores - e a CUT - Central Única dos Trabalhadores.

Foram meses e meses em que todos os militantes sofriam diariamente só de pensarem nas capas que seriam criadas em todos os jornais e revistas semanais com mentiras e afirmações estapafúrdias e sem nenhuma prova factual, criadas sob medida para derrubar o governo do metalúrgico Lula da Silva, sindicalista CUTista e petista, legitimamente eleito pelo povo brasileiro. Foram campanhas golpistas como as que o PIG fizera outras vezes no século XX.

Aqueles donos do poder - os Frias do Grupo Folha, os Mesquitas do Grupo Estado, os Marinhos das Organizações Globo, os Civita do Grupo Abril e os coronéis que detêm TODOS os meios de comunicação regionais - criaram formas de ATAQUES CONCATENADOS E ORGANIZADOS contra o PT, a CUT e o GOVERNO LULA, ataques insuportáveis, que deixam sequelas na militância até hoje, INFELIZMENTE.

O BRASIL DE HOJE É FRUTO DE NOSSO PROJETO CUTISTA E PETISTA

-o maior salário mínimo da história
-mais servidores públicos concursados em todas as áreas
-mais vagas em educação pública em todos os níveis
-forte combate à corrupção
-respeito às instituições da democracia
-foco principal do Governo Federal nas classes mais humildes
-maior programa de inclusão social do mundo
-espaço para negociação com todos os segmentos da sociedade: sindicatos, associações, grupos temáticos

É por isso que estou em franca missão, desde o final de 2009, para que meus companheiros militantes, tanto CUTISTAS quanto PETISTAS, passem a brilhar a ESTRELA DO PT no peito e a MARCA CUT todos os dias do ano de 2010.

Como secretário de formação sindical dos bancários, convoco também nossos sindicatos a realizarem ações sindicais CUTistas todos os dias, estando NA BASE e ORGANIZANDO os trabalhadores para LUTAREM por MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO E SALÁRIOS.

A CUT não é “movimento” nem é “panfletária”.

A CUT É SINDICAL, nós temos que organizar a classe trabalhadora e trazer conquistas arrancadas na mobilização!

SOMOS FORTES, SOMOS CUT!

William Mendes, sec. form. Contraf-CUT

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Corrida e caminhada carnavalesca

Foto de William Mendes, março de 2010. Ao fundo, meu pangassius preto.
Ontem caminhei uns 7 km e hoje corri 4 km na porta de casa.

Relembrando minhas aulas de educação física, avalio que preciso aumentar o meu metabolismo basal e para isso é necessário aumentar um pouco a massa muscular para queimar mais calorias diariamente sem alterar a dieta alimentar cotidiana.

E aí, eis a questão! Com a irregularidade que terei este ano em termos de rotina, como farei para aumentar minha massa muscular? Abdominais, flexões e coisas do gênero feitas em qualquer lugar em que estiver durante as semanas? E o cansaço diário que tenho sentido após minhas militâncias sindicais?

Não é mole não!

Leitura: Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado



Estudar nas horas vagas, um ato de prazer! (2015)

Iniciamos a leitura da segunda parte do livro de Furtado com Os Lusíadas, de Camões, porque estamos assistindo em panorama à Formação Econômica do Brasil, que tem relação umbilical com a nação portuguesa e os feitos iniciados com as grandes navegações.


CANTO SEGUNDO

32

"E, se se move tanto a piedade
Desta mísera gente peregrina,
Que, só por tua altíssima bondade,
Da gente a salvas pérfida e malina,
Nalgum porto seguro de verdade
Conduzir-nos já agora determina,
Ou nos amostra a terra que buscamos,
Pois só por teu serviço navegamos."

(Os Lusíadas, Luís de Camões)


Reli toda a segunda parte e a sensação foi a mesma da primeira leitura em 2009. Celso Furtado descreve como num filme, dois séculos brasileiros. Vemos a monocultura do açúcar nas regiões litorâneas, principalmente do Nordeste, vemos o início e avanço da pecuária para dentro do continente. Vamos comparando e observando as diferentes formas e consequências da colonização nas Américas por parte de portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, holandeses.

Um aviso que acho importante. Furtado é um intelectual progressista e sua vida foi voltada para a busca de soluções econômicas e políticas para amenizar as agruras e misérias de seu povo brasileiro e sul-americano. Ao lermos os capítulos descrevendo a escravidão de índios e africanos, ficamos chocados com a descrição fria de números e modus operandi do processo econômico na colônia portuguesa. Mas não recrimino Furtado porque seu papel aqui é descrever os fatos históricos e econômicos.

Após a leitura, fiquei um instante na janela da sala, olhando para as árvores lá fora, e refleti que a formação ética, social e política dos cidadãos necessita de matérias voltadas para isso. Se lermos somente amontoados de leituras, com descrição da história mundial, dos povos, guerras, conquistas, massacres etc e não formos colocados a pensar a respeito das opções tomadas nesses episódios, algo estará faltando na formação política e ética das pessoas.


SEGUNDA PARTE

Economia escravista de agricultura tropical (séculos XVI e XVII)


VIII. Capitalização e nível de renda na colônia açucareira


Excertos e, quando necessário, alguns comentários.

"O rápido desenvolvimento da indústria açucareira, malgrado as enormes dificuldades decorrentes do meio físico, da hostilidade do silvícola e do custo dos transportes, indica claramente que o esforço do governo português se concentrara nesse setor".


ESCRAVIDÃO "JUSTIFICADA"

"A escravidão demonstrou ser, desde o primeiro momento, uma condição de sobrevivência para o colono europeu na nova terra. Como observa um cronista da época, sem escravos os colonos 'não se podem sustentar na terra' (Gandavo)."


ESCRAVIDÃO INDÍGENA

"O fato de que desde o começo da colonização algumas comunidades se hajam especializado na captura de escravos indígenas põe em evidência a importância da mão-de-obra nativa na etapa inicial de instalação da colônia".


RENDA DO SISTEMA FICAVA COM PROPRIETÁRIOS E COMERCIANTES

"Tudo indica, destarte, que pelo menos 90 por cento da renda gerada pela economia açucareira dentro do país se concentrava nas mãos da classe de proprietários de engenhos e de plantações de cana."

Porém, após Furtado compreender a importância central das etapas comerciais para colocar o produto açúcar nos mercados mundiais, evitando superproduções e esgotamento das demandas, ele revê sua tese dos 90 por cento da renda para os proprietários e afirma que parte da renda deva ter ficado com os comerciantes não residentes na colônia.

"Sendo assim, que não se haja repetido a dolorosa experiência de superprodução que tiveram as ilhas do Atlântico, confirma que houve excepcional habilidade na etapa de comercialização, e que era desta última que se tomavam as decisões fundamentais com respeito a todo o negócio açucareiro."

E conclui sobre a repartição das rendas entre proprietários e comerciantes:

"A explicação mais plausível para esse fato talvez seja que parte substancial dos capitais aplicados na produção açucareira pertencesse aos comerciantes. Sendo assim, uma parte da renda, que antes atribuímos à classe de proprietários de engenhos e de canaviais, seria o que modernamente se chama renda de não-residentes, e permanecia fora da colônia."


IX. Fluxo de renda e crescimento

Neste novo capítulo, o autor nos informa que desde o início da colonização de exploração em nosso país, "o empresário açucareiro teve, no Brasil, desde o começo, que operar em escala relativamente grande" e que "nas primeiras fases da operação, muito provavelmente coube ao trabalho indígena um papel igualmente importante".


FLUXO DE RENDA MONETÁRIA (uma aula de economia)

"Numa economia industrial a inversão faz crescer diretamente a renda da coletividade em quantidade idêntica a ela mesma. Isto porque a inversão se transforma automaticamente em pagamento a fatores de produção. Assim, a inversão em uma construção está basicamente constituída pelo pagamento do material nela utilizado e da força de trabalho absorvido. A compra do material de construção, por seu lado, não é outra coisa senão a remuneração da mão-de-obra e do capital utilizados em sua fabricação e transporte. Estes pagamentos a fatores, que são uma criação de renda monetária ou de poder de compra, somados, reconstituem o valor inicial da inversão".

E nos explica que "A inversão feita numa economia exportadora-escravista é fenômeno inteiramente diverso..."


ENTENDO PORQUE PARTE DA BURGUESIA TUPINIQUIM É TÃO RIDÍCULA

A elite brasileira, que considero uma das mais vira-latas do planeta, tem uma razão de ser. É a origem também vira-latas que ela tem.

"Vejamos agora, em seu conjunto, o funcionamento dessa economia. Como os fatores de produção em sua quase totalidade pertenciam ao empresário, a renda monetária gerada no processo produtivo revertia em sua quase totalidade às mãos desse empresário. Essa renda - a totalidade dos pagamentos a fatores de produção mais os gastos de reposição do equipamento e dos escravos importados - expressava-se no valor das exportações. É fácil compreender que, se a quase totalidade da renda monetária estava dada pelo valor das exportações, a quase totalidade do dispêndio monetário teria de expressar-se no valor das importações".

E explica uma possível vinculação até hoje dessa mania de relação com as metrópoles que a parte vira-latas da burguesia brasileira tem.

"O fluxo de renda se estabelecia, portanto, entre a unidade produtiva, considerada em conjunto, e o exterior. Pertencendo todos os fatores a um mesmo empresário, é evidente que o fluxo de renda se resumia na economia açucareira a simples operações contábeis, reais ou virtuais."


COMENTÁRIO:

A despeito das tentativas de industrialização, produção de valor agregado aos produtos brasileiros, as poucas tentativas de sair do estágio de exportador de commodities, tentativas estas realizadas em sua amplíssima maioria com Getúlio Vargas e Lula da Silva, criando um processo de distribuição de renda a partir do trabalho assalariado e o fortalecimento de um mercado interno no país, quase sempre, o que predomina no Brasil, é a visão tacanha de importar tudo de fora dos Estados Unidos e Europa, e mais recentemente da China, ao invés de valorizar o produto nacional.
NÃO HOUVE FEUDALISMO BRASILEIRO

Já li em diversos estudos, leituras diferentes entre estudiosos e historiadores, sobre ter havido ou não no Brasil algo como o feudalismo. Celso Furtado dá a opinião dele.

"O feudalismo é um fenômeno de regressão que traduz o atrofiamento de uma estrutura econômica (...). Ao inverso da unidade feudal, ela (a unidade escravista) vive totalmente voltada para o mercado externo. A suposta similitude deriva da existência de pagamentos in natura em uma e outra. Mas ainda aqui existe um total equívoco, pois na unidade escravista os pagamentos a fatores são todos de natureza monetária, devendo-se ter em conta que o pagamento ao escravo é aquele que se faz no ato de compra deste. O pagamento corrente ao escravo seria o simples gasto de manutenção, que, como o dispêndio com a manutenção de uma máquina, pode ficar implícito na contabilidade, sem que por isso perca sua natureza monetária".


ECONOMIA ESCRAVISTA AÇUCAREIRA RESISTIU ECONOMICAMENTE POR SÉCULOS

"A renda monetária da unidade exportadora, praticamente constituíam os lucros do empresário, sendo sempre vantajoso para este continuar operando qualquer que fosse a redução ocasional dos preços (...). A unidade exportadora estava assim capacitada para preservar a sua estrutura. A economia açucareira do Nordeste brasileiro, com efeito, resistiu mais de três séculos às mais prolongadas depressões, logrando recuperar-se sempre que o permitiam as condições do mercado externo, sem sofrer nenhuma modificação estrutural significativa".


COMENTÁRIO:

Com custo fixo baixo é que o sistema escravista se perpetuou por tantos séculos. Hoje, com processos de terceirização e uso de mão-de-obra quase escrava, empresas globais fazem exatamente o mesmo. tem empresa que produz tênis de marca por 1 (um) dólar e vende por centenas de vezes o valor de custo.


Bibliografia:

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. In: Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Publifolha 2000.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

No extremo do país levando as bandeiras da CUT

Cara! Estou no extremo do nosso país, Natal - RN, trazendo as bandeiras da Central Única dos Trabalhadores para os meus colegas bancários.

Estou na eleição dos bancários potiguares. Eu estou aqui porque acredito nos princípios da CUT como os melhores para a categoria que represento.

Estou cansado e com sono. Fui...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Corridinha domingal

Foto de William Mendes: minhas lindas mamãe e vovó, mar/10.
Hoje, corri um pouco novamente e caminhei um bom percurso. Andei uns 7 km. Corri só 2 km com um ritmo firme.

Eu iria explicar um pouco sobre um estudo que li falando da composição de nossas fibras musculares, que se diferenciam entre haver mais fibras brancas em algumas pessoas e mais fibras vermelhas em outras.

As brancas são mais apropriadas a potência e velocidade e as vermelhas mais aptas à resistência. Mas, em geral, a diferença entre as pessoas não passa de cerca de 10%.

Mas, estou cansado e com sono, então... fica pra outra hora.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Corridinha sabadina

Foto de William Mendes: com meu sobrinho e afilhado em nov/09.
Com pouquíssima frequência - o que não é bom - corri hoje depois de dias parado. Mas, corri pouco, pois estou fora de forma.

Estou com "barriga de tanquinho" - só que tanquinho antigo, daqueles que têm a cuba além do batedor de roupa. Minha barrida é a cuba antiga (rsrs). Convexa, sabe?, a partir de quem vê. Côncava, pelo menos, a partir dos órgãos internos. Que maus!!