domingo, 11 de janeiro de 2009

Leitura: Pedro Páramo, de Juan Rulfo, de 1955




Este texto é um trabalho feito na USP a respeito do livro do autor e de matéria de literatura hispano-americana.

A REPRODUÇÃO SÓ É PERMITIDA MEDIANTE A CITAÇÃO DA FONTE.


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Universidade de São Paulo
Literatura Hispano-americana Contemporânea
Professora: Ana Cecília Olmos

Aluno: William Mendes de Oliveira
2º semestre de 2007

Pedro Páramo – Juan Rulfo
Narrativas da vida e da morte



Este trabalho tem como objetivo abordar questões como o foco narrativo e o ponto de vista das personagens do romance. A técnica de Rulfo, de deixar os personagens falarem por si mesmos, é uma inovação importante no século XX. Este livro todo enunciação foi algo que despontava por aqui na América.

A permissão dada aos campesinos de falarem daquilo que lhes vem à cabeça, suas recordações, angústias e tristezas, ainda mais depois de mortos, onde nem ali naquele não-mundo encontraram paz é a chave para estudar as possibilidades do romance moderno na América Latina no século XX com todos os seus problemas de transculturação e de embate entre o regional e o universal.


Centralidade cultural da narrativa


No século XX, o romance eclipsou a poesia, tanto como o que os escritores escreviam quanto como o que os leitores liam e, desde os anos 60, a narrativa passou a dominar também a educação literária.

As narrativas, as histórias, argumentam as teorias literária e cultural, são as principais maneiras pelas quais entendemos as coisas, quer ao pensar em nossas vidas como uma progressão que conduz a algum lugar, quer ao dizer a nós mesmos o que está acontecendo no mundo.

Entendemos os acontecimentos através de histórias possíveis, quer dizer, através de uma lógica da história e não da causalidade científica.

Além da teoria da narrativa ser um ramo da teoria literária, a narrativa não é apenas uma matéria acadêmica. Há um impulso humano de ouvir e narrar histórias. Muito cedo, as crianças desenvolvem o que se poderia chamar de uma competência narrativa básica.

O que Juan Rulfo faz de forma excepcional e inovadora é colocar seus personagens narrando suas histórias e ouvindo os demais narrarem também as suas.

Rulfo não foi o primeiro a fazer isso, haja vista que poderíamos dar alguns exemplos dessa técnica com variações no estilo já desde 1880, quando o “defunto-autor” Brás Cubas, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, vem do “outro lado”, ou seja, do outro mundo, para fazer um balanço terrível de que no “mundo terreno” prevalecem os jogos de interesse e o egoísmo sobre todos os sistemas da organização social – amor, religião, política etc. Começava ali uma série de vozes latino-americanas a denunciar e refletir os males das sociedades burguesas da época – que começavam a se firmar por esses lados do Atlântico de modo paradoxo e heterogêneo.

Depois disso, do outro lado do Atlântico, um irlandês - James Joyce - em Ulisses, aparece mesclando todas as possibilidades narrativas. Revolucionaria a história da literatura mundial ao colocar vozes em primeira pessoa até em objetos inanimados mostrando seus pontos de vista. Mais ainda, quando a voz não era própria, era em um fabuloso discurso indireto livre, onde o fluxo de pensamento superou os já modernos solilóquios e monólogos interiores. Agora, eram torrentes de ideias sem lógica e razão, reproduzindo-se todos os instantes cerebrais da personagem.

Outro exemplo fabuloso de nossas terras americanas e contemporâneo a Rulfo é o estupendo monólogo do sertanejo e jagunço aposentado Riobaldo Tatarana, em Grande Sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, personagem que pôs-se a narrar sua vida e suas angústias e incertezas sem intervalo ao longo de quase mil páginas a um forasteiro ouvinte, e consequentemente, a nós leitores do mundo.

Pedro Páramo inova, porém, ao deixar que os mortos falem por si mesmos. Mais que isso: deixa-nos ouvir os murmúrios dolorosos de vidas mal-vividas e de mortes “mal-vividas” pois, agora no reino dos mortos, descobrimos que as almas penam por aí e que não há sequer a salvação esperada, e os sofrimentos seguem até nos corpos, inclusive, com as águas das chuvas:

“...Lo que pasa con estos muertos viejos es que en cuanto les llega la humedad comienzan a removerse. Y despiertan.”

Descobrimos na morte a constatação da desesperança em vida quando até na religião se nos fecham as portas da salvação:

“... Hacía tantos años que no alzaba la cara, que me olvidé del cielo. Y aunque lo hubiera hecho, ¿qué habría ganado? El cielo está tan alto, y mis ojos tan sin mirada, que vivía contenta con saber donde quedaba la tierra. Además, le perdí todo mi interés desde que el padre Rentería me aseguró que jamás conocería la gloria. Que ni siquiera de lejos la vería... Fue cosa de mis pecados; pero él no debía habérmelo dicho. Ya de por sí la vida se lleva con trabajos. Lo único que la hace a una mover los pies es la esperanza de que al morir la lleven a una de un lugar a otro; pero cuando a una le cierran una puerta y la que queda abierta es nomás la del infierno, más vale no haber nacido... El cielo para mí, Juan Preciado, está aquí donde estoy ahora.”


A obra é diferente de tudo, até então, no que dizia respeito às técnicas de narrativa e ponto de vista na literatura mundial. Ler Juan Rulfo é algo ímpar.


Técnica Narrativa: as vozes, os murmúrios


As inovações narrativas explodem por aqui entre o fim do século XIX e meados do XX. É um período marcado pelo aparecimento de novos narradores nos romances e nos contos. É o momento de permitir novos pontos de vista. Tempo de aparecimento de obras que mudariam a maneira de ser da literatura latino-americana e mundial.

Meu primeiro contato com a estética de Rulfo foi marcante. Algumas obras se nos encaixam, parecem que foram feitas para pôr em palavras aquilo que nos escapam a competência e a técnica de o fazer ou de o dizer.

Pedro Páramo é uma torrente de murmúrios, uma chance dada – e não desperdiçada - aos campesinos, às pessoas comuns e não-letradas (representadas na obra) de soltar a voz e expor toda dor, melancolia, desesperança e os rancores de um povo. São os ecos de uma América que busca se compreender, se encontrar; definir sua identidade.


Como está dito por Jorge Ruffinelli em 1988, no prólogo da antologia (feita pelo próprio Rulfo) a respeito de sua técnica narrativa:

“No empleaba toda la voz sino el murmullo. La suya, paradójicamente, era una estética del silencio y de la alusividad... la razón es que aborrecía la verbalización vacía, la retórica”

No primeiro capítulo, que demarcaria uma das linhas temporais da narração, o narrador em primeira pessoa nos conta que foi a Comala em busca de seu pai, depois de morta sua mãe. E que foi devido às ilusões – forte temática da obra. Ele nos conta através de um presente narrativo, pois usa um dêitico em sua fala (sublinhado):

“Pero no pensé cumplir mi promesa. Hasta que ahora pronto comencé a llenarme de sueños, a darle vuelo a las ilusiones.”

A obra será composta de 70 fragmentos, sendo que em 29 deles, essa voz que pertence a Juan Preciado está em diálogo, não conosco – leitores -, senão com Dorotea (em brilhante técnica, pois só no capítulo 37 (fragmento) é que descobrimos que o diálogo é com ela e não conosco e que estão ambos mortos e enterrados).

“,... y se ha admirado la habilidad con que Rulfo mantuvo su novela, hasta casi mediarla, sin que el lector pueda descubrir que la está narrando un muerto, y que el que narra no es él, sino el cadáver de Dorotea enterrado en la misma fosa que el narrador...”

Dois núcleos centrais marcam a história, com conflitos que giram ao redor: os tormentos de consciência religiosa e pessoal do Padre Rentería e a história de amor (e desamor) do cacique Pedro Páramo e Susana San Juan.


Transculturação


Rulfo é um escritor que exemplifica bem aquilo que Ángel Rama chama de transculturação, pois atua em duas direções aparentemente opostas. “el cosmopolitismo de las nuevas formas literarias y el localismo de la provincia, de la ‘tierra’”.


Rama afirma: “la presencia activa en una literatura, no sólo de asuntos sino de formas culturales específicas de una determinada región cultural americana y al mismo tiempo la tarea descubridora, inventiva y original del escritor situado en el conflicto modernizador”

Dentro das inovações buscadas pelos autores transculturadores, destacamos alguns latino-americanos que encontraram soluções próprias muito interessantes como Gabriel García Márquez, Juan Rulfo e João Guimarães Rosa. Cada um buscou dar respostas a problemáticas comuns nessa América que se erguia.

“También aquí el repliegue dentro del venero cultural tradicional ha de surtir de respuestas: en vez del fragmentario monólogo interior en la línea del stream of conscioussnes que salpicó imitativamente mucha narrativa modernizada, se logró reconstruir un género tan antiguo como el monólogo discursivo (Grande Sertão: veredas) cuyas fuentes están no sólo en la literatura clásica sino en las del narrar espontáneo; o se encontró la solución al relato episódico y dividido a través del contar dispersivo de “las comadres”, sus voces susurrantes (Pedro Páramo) también transpuesto de fuentes orales aunque pueda rastreárselo hasta en textos del Renacimiento...”

Como o próprio Rama assinala, será no nível dos significados aonde as operações narrativas da transculturação mais trarão novidades consideráveis nessa literatura latino-americana que explode em meados do século XX.


Vozes e murmúrios - impressões e pontos de vista de mortos e vivos

A obra apresenta dois eixos temporais bem característicos: vozes, murmúrios e reflexões em um presente enunciativo intercalado por diversas outras do e sobre o passado.

Rulfo permite em sua novela que os campesinos falem por si, vivos ou mortos.

Apresento aqui, uma leitura breve, através dos 70 fragmentos, de pequenas falas, reflexões, sentimentos e sensações das personagens que destacam as impressões e pontos de vista sobre as temáticas discutidas na obra e que marcam toda a narrativa.

Em linhas gerais, veremos nestas falas questões como o preço de uma ilusão – Juan Preciado e Dorotea; o tema da nostalgia a um passado muitas vezes irreal, mas, idealizado – em várias personagens como em Dolores Preciado, Susana San Juan, Pedro Páramo em sua infância com Susana etc; forte temática do ódio e do rancor – principalmente em Pedro Páramo; a desilusão referente às questões da fé e o uso político e de domínio da religião – Padre Rentería - e em todas as suas vítimas (os campesinos).


Em cena


Juan Preciado: “...no pensé cumplir mi promesa (de ir a Comala em busca do pai). Hasta que ahora pronto comencé a llenarme de sueños, a darle vuelo a las ilusiones...”


Juan Preciado: “Yo imaginaba ver aquello (Comala) a través de los recuerdos de mi madre; de su nostalgia, entre retazos de suspiros... yo vengo en su lugar. Traigo los ojos con que ella miró estas cosas...”


Dolores Preciado: “Hay allí (região de Comala) la vista muy hermosa de una llanura verde, algo amarilla por el maíz maduro...” (visão idealizada)

Abundio: “Aquello (Comala) está sobre las brasas de la tierra, en la mera boca del infierno...”


Abundio: “-Un rencor vivo (falando quem era Pedro Páramo)”


Abundio: “... aqui no vive nadie... Pedro Páramo murió hace muchos años.”

Juan Preciado: “Ahora estaba aquí, en este pueblo sin ruidos... Y aunque no había niños jugando, ni palomas, ni tejados azules, sentí que el pueblo vivía. Y que si yo escuchaba solamente el silencio, era porque aún no estaba acostumbrado al silencio; tal vez porque mi cabeza venia llena de ruidos y de voces...”

Dolores Preciado: “Allá me oirás mejor... encontrarás más cercana la voz de mis recuerdos...”

Eduviges Dyada: “... la madre de usted no me avisó sino hasta ahora (Juan Preciado avisa que sua mãe morreu há sete dias) ... entonces ésa fue la causa de que su voz se oyera tan débil, como si hubiera tenido que atravesar una distancia muy larga...”


Eduviges Dyada: “... sólo yo entiendo lo lejos que está el cielo de nosotros; pero conozco cómo acortar las veredas. Todo consiste en morir, Dios mediante, cuando uno quiera y no cuando Él lo disponga.”


Pedro Páramo (lembrando): “... Al recorrerse las nubes, el sol sacaba luz a las piedras, irisaba todo de colores, se bebía el agua de la tierra...” (em certos momentos, Pedro Páramo vê o passado como em um filme e, em outros, ele tece comentários e pensa a respeito)

Pedro Páramo (refletindo): “Pensaba en ti, Susana... en la época del aire. Oíamos allá abajo el rumor viviente del pueblo... el aire nos hacía reír... en el verdor de la tierra.”


Pedro Páramo (refletindo): “A centenares de metros, encima de todas las nubes, más, mucho más allá de todo, estás escondida tú, Susana. Escondida en la inmensidad de Dios, detrás de su Divina Providencia, donde yo no puedo alcanzarte ni verte y adonde no llegan mis palabras.”

Pedro Páramo (lembrando): “Había chuparrosas. Era la época. Se oía el zumbido de sus alas entre las flores del jazmín que se caía de flores.”

Pedro Páramo (lembrando): “... el siseo de la lluvia como un murmullo de grillos... Entonces ella (sua mãe) se dio vuelta... y abrió sus sollozos, que se siguieron oyendo confundidos con la lluvia.” (quando morreu seu avô)

Eduviges Dyada: “Ahora, desventuradamente, los tiempos han cambiado... ya nadie se comunica con nosotros...” (fala com Juan Preciado)

Juan Preciado: “Sin dejar de oírla, me puse a mirar a la mujer que tenia frente a mí (Eduviges). Pensé que debía haber pasado por años difíciles. Su cara se transparentaba como si no tuviera sangre, y tus manos estaban marchitas...”

Dolores Preciado: “... Llanuras verdes... Un pueblo que huele a miel derramada...” (sempre a visão nostálgica de uma Comala maravilhosa)

Dolores Preciado: “Quisiera ser zopilote para volar a donde vive mi hermana (quando perguntada sobre por que suspirava)”


Pedro Páramo (refletindo): “El día que te fuiste (pensa em Susana San Juan) entendí que no te volvería a ver. Ibas teñida de rojo por el sol de la tarde, por el crepúsculo ensangrentado del cielo... "


Padre Rentería: “-Son tuyas. (falando ao Senhor sobre as moedas dadas por Pedro Páramo para comprar a salvação de seu filho Miguel Páramo) Él puede comprar la salvación. Tú sabes si éste es el precio... Por mí, condénalo, Señor... Está bien, Señor, tú ganas.”


Ana (sobrinha do Padre): “... Sé que ahora debe estar (Miguel Páramo) en lo mero hondo del infierno; porque así se lo he pedido a todos los santos con todo mi fervor.” (ele assassinou o pai dela e depois a violentou)

Padre Rentería: “No estés tan convencida de eso, hija. ¡Quién sabe cuántos estén rezando ahora por él! Tú estás sola. Un ruego contra miles de ruegos... (pensa: ‘Además, yo le he dado el perdón’)”


Padre Rentería: “Todo esto que sucede es por mi culpa. El temor de ofender a quienes me sostienen... De los pobres no consigo nada; las oraciones no llenan el estómago... mi culpa... He traicionado a aquellos que me quieren... tengo frente a mis ojos la mirada de María Dyada, que vino pedirme salvara a su hermana Eduviges... pero ella suicidó. Obró contra la mano de Dios... Dejemos las cosas como están. Esperemos en Dios... este valle de lágrimas (o mundo)” (com dinheiro se compra a salvação; sem ele, não há portas, não há saídas na religião)

Juan Preciado: “No, no era posible calcular la hondura del silencio que produjo aquel grito. Como si la tierra se hubiera vaciado de su aire...” (ecos de um assassinato)

Damiana Cisneros: “-Pobre Eduviges. Debe de andar penando todavía.”

Fulgor Sedano: “De no haber sido porque estaba tan encariñado con la Media Luna... le tenía aprecio a aquella tierra; a esas lomas pelonas tan trabajadas y que todavía seguían aguantando el surco, dando cada vez más de sí... La querida Media Luna...” (a nostalgia também nos brutos)

Dolores Preciado: “... ¡Qué felicidad! ¡Oh, qué felicidad! Gracias, Dios mío, por darme a don Pedro... Aunque después me aborrezca.” (as ilusões...)

Juan Preciado: “-No supe de qué (causa da morte da mãe). Tal vez de tristeza. Suspiraba mucho.”


Damiana Cisneros: “-Eso es malo. Cada suspiro es como un sorbo de vida del que uno se deshace...”


Juan Preciado: “Oía de vez en cuando el sonido de las palabras, y notaba la diferencia. Porque las palabras que había oído hasta entonces, hasta entonces lo supe, no tenían ningún sonido, no sonaban; se sentían; pero sin sonido, como las que se oyen durante los sueños.”


Irmã de Donis: “- ¿No me ve el pecado?. ¿No ve esas manchas moradas como de jiote que me llenan de arriba abajo? Y eso es sólo por fuera; por dentro estoy hecha un mar de lodo... Si usted viera el gentío de ánimas que andan sueltas por la calle...”


Irmã de Donis: “... Estábamos tan solos aquí, que los únicos éramos nosotros. Y de algún modo había que poblar el pueblo... (mito de adão e eva)”


Irmã de Donis: “... Y ésa es la cosa por la que esto está lleno de ánimas; un puro vagabundear de gente que murió sin perdón y que no lo conseguirá de ningún modo, mucho menos valiéndose de nosotros...”


Juan Preciado: “... Cada vez entiendo menos... Quisiera volver al lugar de donde vine...”


Juan Preciado: “- ¿No me oyes? (pergunta a sua mãe) - ¿Dónde estás? (sua mãe responde) –Estoy aquí, en tu pueblo. Junto a tu gente. ¿No me ves? (diz) -No hijo, no te veo... No te veo.”


Juan Preciado: “No había aire. Tuve que sorber el mismo aire que salía de mi boca, deteniéndolo con las manos antes de que se fuera. Lo sentía ir y venir, cada vez menos; hasta que se hizo tan delgado que se filtró entre mis dedos para siempre... (morte de Juan Preciado)”


Dorotea: “-¿Quieres hacerme creer que te mató el ahogo, Juan Preciado?... De no haber habido aire para respirar esa noche de que hablas, nos hubieran faltado las fuerzas para llevarte y contimás para enterrarte. Y ya ves, te enterramos.” (leitor se dá conta de que o diálogo não era com ele e sim entre mortos)

Juan Preciado: “-Es cierto, Dorotea. Me mataron los murmullos...” (murmúrios que matam...)

Dolores Preciado: “Allá hallarás mi querencia. El lugar que yo quise... donde hemos guardado nuestros recuerdos... donde se ventila la vida como si fuera un murmullo; como si fuera un puro murmullo de la vida...” (murmúrios que dão vida...)

Dorotea: “Mejor no hubieras salido de tu tierra. ¿Qué viniste a hacer aquí?”

Juan Preciado: “-Ya te lo dije en un principio. Vine a buscar a Pedro Páramo, que según parece fue mi padre. Me trajo la ilusión.” (ilusões que levam adiante...)

Dorotea: “-¿La ilusión? Eso cuesta caro. A mí me costo vivir más de lo debido. Pagué con eso la deuda de encontrar a mi hijo, que no fue, por decirlo así, sino una ilusión más...” (ilusões que retêm...)

Dorotea: “... Haz por pensar en cosas agradables porque vamos a estar mucho tiempo enterrados.”


Juan Preciado: “-Allá afuera debe estar variando el tiempo... Mi madre, que vivió su infancia y sus mejores años en este pueblo y que ni siquiera pudo venir a morir aquí. Hasta para eso me mandó a mí en su lugar...”


Padre Rentería: “El asunto comenzó cuando Pedro Páramo, de cosa baja que era, se alzó, a mayor. Fue creciendo como una mala yerba. Lo malo de esto es que todo lo obtuvo de mí...” (é a igreja endossando o poder local)

El cura de Contla: “... No, padre (a Rentería), mis manos no son lo suficientemente limpias para darte la absolución. Tendrás que buscarla en otro lugar...”

El cura de Contla: “... Vivimos en una tierra en que todo se da, gracias a la providencia; pero todo se da con acidez. Estamos condenados a eso.”

Padre Rentería: “(perguntado pela sobrinha se sentia-se mal) –Mal no, Ana. Malo. Un hombre malo. Eso siento que soy.”


Susana San Juan: “... Estoy aquí, boca arriba, pensando en aquel tiempo para olvidar mi soledad. Porque no estoy acostada sólo por un rato. Y ni en la cama de mi madre, sino dentro de un cajón negro como el que se usa para enterrar a los muertos. Porque estoy muerta...”

Dorotea: “... Lo que pasa con estos muertos viejos es que en cuanto les llega la humedad comienzan a removerse. Y despiertan.” (essa é uma das imagens mais fortes do livro!)

Dorotea: “(uma vítima de Pedro Páramo resmunga em alguma cova)... Algunos de tantos. Pedro Páramo causó tal mortandad después que le mataron a su padre, que se dice casi acabó con los asistentes a la boda en la cual don Lucas Páramo iba a fungir de padrino...”

Dorotea: “(falando do amor de Pedro Páramo por Susana San Juan)... Estoy por decir que nunca quiso a ninguna mujer como a ésa... Tan la quiso, que se pasó el resto de sus años aplastado en un equipal, mirando el camino por donde se la habían llevado al camposanto. Le perdió interés a todo... porque le agarró la desilusión... ‘Desde entonces la tierra se quedó baldía y como en ruinas... Y todo por las ideas de don Pedro, por sus pleitos de alma. Nada más porque se le murió la mujer, la tal Susanita. Ya te has de imaginar se la quería’.”

Pedro Páramo (refletindo): “Esperé treinta años a que regresaras, Susana. Esperé a tenerlo todo. No solamente algo, sino todo lo que se pudiera conseguir de modo que no nos quedara ningún deseo...”


Pedro Páramo (refletindo): “... Y lloré, Susana, cuando supe que al fin regresarías.”

Bartolomé San Juan: “... y en cuanto sale a relucir tu nombre (de Susana), cierra los ojos. Es, según yo sé, la pura maldad. Eso es Pedro Páramo.”


Tartamudo: “-Necesito hablar directamente cocon el patrón (Pedro Páramo)... yo soy. ¿Qué quieres?... nanada más esto. Mataron a don Fulgor Sesedano...” (Rulfo reproduz língua oral – aqui um gago fala)

Susana San Juan: “Mi cuerpo se sentía a gusto sobre el calor de la arena... apenas restos de espuma en mis pies al subir de su marea... En el mar sólo me sé bañar desnuda... Entregándome a sus olas.” (devaneios, ilusões de Susana)

Esta segunda parte da novela é basicamente contada por um narrador em terceira pessoa, como se fosse um filme, recordações de Pedro Páramo, intercalado por poucos fragmentos de vozes a partir do local dos mortos.

Pedro Páramo (lembrando): “(após a morte de Susana San Juan – contrasta a tristeza em La Media Luna e o festejo em Comala)...-Me cruzaré de brazos y Comala se morirá de hambre...” (e assim o fez)

Pedro Páramo: “Ésta es mi muerte.” (aqui, desmorona como se fora um monte de pedras e morre, assassinado por Abundio)


Conclusão


Quanto mais leio Pedro Páramo, mais compreendo a temática abrangida por Juan Rulfo, mais admiro sua capacidade inovadora na questão da transculturação.

Ao mesmo tempo em que lemos, estamos vivenciando a problemática do campesinato mexicano. O tempo todo, porém, estamos vendo também a dicotomia dos embates locais nessa América que busca se formar, firmar e afirmar enquanto um "conjunto de nações independentes" em todos os sentidos, mas que não abandonam a busca da sua identidade latino-americana.

Ademais, e sobretudo, quanto mais releio Pedro Páramo, mais nítido fica seu caráter universal, posto que poderíamos nos deslocar ao longo das sociedades em suas mais diversas culturas e encontraríamos as temáticas abordadas na obra como as consequências do amor e do ódio, o rancor, o preço das ilusões, a questão sempre recorrente da nostalgia nos humanos (formas de visão do ontem, do passado, do lugar perdido) e da relação sempre problemática entre a igreja e os poderes locais constituídos.

É uma obra ímpar. Vozes e murmúrios de gente simples; narrativas da vida e da morte; fragmentos que levam ao todo, que conduzem às grandes reflexões. É a literatura em um de seus grandes momentos.


Um poema - Impressões

Comala
Terra que se esvazia.
Se esvazia em gentes.
Se esvazia em vidas.

Terra que se enche.
Se enche de pó,
de tristeza,
de solidão.

E no contraste ao pó: chuva.
Chuva, chuva e mais chuva.
A terra chora.
O céu chora.
As personagens choram.

Tanta frustração, desilusão,
desesperança...
Tanta miséria, carência.
Carência de vida.
Carência de amor.

Fome. Fome.
Fome de roer estômagos,
Fome de viver.
Fome de esperança.”


William Mendes


Bibliografía:

BOIXO, José Carlos González. Pedro Páramo. In: “Introducción, Análisis de Pedro Páramo y Estructura”. Edición de José Carlos González Boixo. Catedra – Letras Hispánicas. 13ª edición 1998.
CULLER, Jonathan. Teoria Literária – Uma Introdução. Beca Prod. Literárias Ltda – 1999
NATALI, Marcos Piason. A Política da Nostalgia: um estudo das formas do passado. Ed. Nankin, 2006.
RAMA, Angel. La Novela en America Latina: panoramas 1920-1980. Instituto Colombiano de Cultura. Procultura SA
RUFFINELLI, Jorge. In: “prólogo”, San Francisco, 1988. Antología Personal de Juan Rulfo...
RULFO, Juan. Antología Personal. Ediciones Era.
RULFO, Juan. Pedro Páramo. Edición de José Carlos González Boixo. Catedra – Letras Hispánicas. 13ª edición 1998.


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