domingo, 30 de agosto de 2015
O prazer e a felicidade pessoal através das corridas
Refeição Cultural
A corrida de rua é um dos esportes mais democráticos do mundo. É uma das atividades físicas mais acessíveis a qualquer pessoa, de qualquer classe social e para pessoas com qualquer tipo de constituição física, guardados os cuidados e acompanhamentos necessários para os inícios de jornadas.
Voltei a correr com regularidade em outubro do ano passado, ao começar meu treinamento para a São Silvestre daquele ano.
Iniciei o ano corrente com alguns objetivos pessoais nas corridas. Aliás, essa é uma das características mais legais das corridas: corremos para nós mesmos, para nos superarmos, superarmos nossos limites físicos, nossos tempos nos percursos. Tirando algumas dezenas de corredores profissionais nas provas oficiais, as multidões correm por prazer e por superação pessoal.
Como ia dizendo, meus objetivos pessoais nas corridas para 2015 são bem definidos por mim: um deles é ganhar resistência e condições físicas mais adequadas para suportar meu trabalho. É sério! Percebi que sem uma preparação física e psicológica especial, eu quebraria no meio do caminho (mandato).
Em relação aos objetivos específicos de provas de ruas, meu objetivo no ano é correr a primeira meia maratona (21,1k), superando meus limites de 15 km de distância nas São Silvestres.
Ao entrar o segundo semestre deste ano, decidi me inscrever na Meia Maratona de Florianópolis em 11 de outubro. Preparei um treinamento possível para minha rotina de trabalho e estou focado nele. Serão 18 treinos entre 12 de agosto e a semana da prova.
10k no Eixão foi de felicidade pura!
Acordei bem cedo neste domingo para cumprir meu treinamento. Hoje foi dia do treino 7/18 e no meu programa estava lá o longão de 10 km.
No sábado fiz alimentação um pouco mais adequada para quem vai correr no domingo e também decidi levar água desta vez.
Acordei 6:30h, fiz uma refeição e saí uma hora depois.
Iniciei a corrida muito concentrado na passada e na respiração. Eu nunca uso aparelho com música porque sou contrário a isso. Os corredores devem se concentrar em si mesmos e no espaço ao redor.
Passei pelo Bacen (de onde voltei no treino 3 - 6k), passei pelo BB e BRB (de onde voltei no treino 5 - 8k) e fui pro lado Norte do Eixão. Dei meia volta lá no prédio dos Correios. Moro na 110 Sul, de onde saí.
Fiz 30' de ida e 30' de volta. Meu ritmo nos 10k está muito, mas muito bom para mim e para meu histórico. Não senti fadiga. Não faltou energia. O Tendão de Aquiles voltou a ficar sensível só ao final do percurso.
Foi uma corrida de muito prazer e muita felicidade!
Estamos firmes para nossos desafios...
Marcadores:
Brasília,
Cassi,
Curiosidades,
Dica cultural,
Esporte e saúde,
Instantes,
Política,
Refeição Cultural,
São Silvestre,
William Mendes
domingo, 23 de agosto de 2015
Caminhamos para a incomunicabilidade
Refeição Cultural
Tenho vontade e até me sinto na obrigação de falar o que penso a respeito de muitas coisas e acontecimentos que se passam ao meu redor. Quis ser alguém em alguma área do conhecimento humano e atuar em função daquilo como, por exemplo, dar aulas, porque sempre gostei de estudar e aprender, e acabei sendo o que sou: trabalhador bancário, escriturário concursado do Banco do Brasil.
Me interessavam muitas áreas do conhecimento humano e quis me aventurar nelas: literatura e linguagem, história, geografia, filosofia, ciências, humanidades, matemática, áreas de esporte e saúde, áreas jurídicas e econômicas. Se as veredas que andei por necessidade tivessem coincidido, teria passado a vida lendo, produzindo conhecimento e tentando passá-lo adiante.
Já as representações políticas e sociais foram mais por acaso. Me parece que é assim com quase todos que se pegam eleitos em algo. Querendo ou não, nos pegamos envolvidos em questões sociais quando não aguentamos ver injustiças e coisas erradas acontecendo ao nosso redor: foi assim comigo e com boa parte dos militantes de algum movimento social: quando vemos, estamos no movimento estudantil, no movimento no seu bairro, na sua igreja, no seu condomínio, no local onde trabalha, e por aí vamos.
Hoje gostaria de falar sobre alguns temas, mas não vou: os riscos na política em meu país e os riscos de quebra nas regras democráticas; sobre a questão do domínio das máquinas sobre os seres humanos, que estão virando gado ou baterias como no filme "Matrix"; sobre o quanto eu me incomodo (ia falar odeio) em depender de qualquer tipo de tecnologia ou informática, bem ao estilo do personagem do filme "Eu, robô".
Mas ao mesmo tempo que queria escrever, falar minha opinião sobre várias questões sérias para a humanidade e para o povo do meu país e do meu mundo, eu sinto um desejo imenso de não falar nada. De ficar em silêncio e dizer só o necessário, só o que for de minha obrigação pelos contratos sociais que tenho.
O mundo caminha para uma incomunicabilidade que nos levará a barbáries e guerras. O mundo das redes sociais que substituíram as relações ancestrais de humano/humano e o toque e olho no olho por mundo virtual é o caminho da degradação do gênero humano.
Preferiria só me comunicar ao vivo, como fiz em meu trabalho no último mês, quando viajei milhares de quilômetros para estar frente a frente com algumas dezenas de associados que represento em três estados brasileiros (quatro, na verdade), mas infelizmente é no inverso que viveremos todos: estamos na dependência de alguma rede de comunicação controlada por uma máquina ou alguém.
Somado à incomunicabilidade humana, estaremos todos individualmente catalogados por empresas e governos. Somos bilhões catalogados...
É assustador para quem já tomou consciência disso.
William
Marcadores:
Antropologia,
Banco do Brasil,
Cassi,
Comunicação,
Crônicas e textos meus,
Distopia,
Educação e formação,
Ética,
Filologia,
Humanismo,
Política,
Refeição Cultural,
Sociologia,
William Mendes
domingo, 16 de agosto de 2015
Diário - 160815 (treinos para Meia Maratona)
(releitura em 16/12/17, sábado)
Refeição Cultural - Correr... porque a vida deve ser boa
Fim de semana em Brasília, Capital de nosso País. Domingo de Sol.
Hoje, saí para correr pela primeira vez no Eixão - rodovia principal que corta o Plano Piloto de Brasília de uma ponta a outra (as Asas Sul e Norte). Aos domingos, ele fica fechado para o lazer dos cidadãos. Corri 6 km e gostei do local.
Para cumprir meu planejamento lá do início do ano, quando defini que neste ano correria minha primeira meia maratona, não restou outra opção que não fosse escolher uma prova neste semestre e me inscrever. Vou correr a Meia Maratona de Florianópolis em outubro. O tempo não é muito longo para adaptar meu condicionamento para isso, mas vamos conseguir.
Vou montar minha planilha "do possível" para conseguir chegar ao condicionamento apropriado no dia 11 de outubro.
Já mudei algumas coisas neste ano. Faz uns dois meses que mexi um pouco na alimentação, cortando alguns alimentos fritos e gordurosos e escolhendo outros. O resultado esperado foi atingido em semanas. Estava com quase 75 kg em junho e hoje estou com pouco mais de 70 kg.
Agora, é manter a disciplina porque isso fará diferença em meu condicionamento físico para corridas. E também porque a disciplina me fará aguentar a carga violenta de estresse na área em que atuo como representante eleito pelos trabalhadores.
Fiquei com uma boa esperança no treinamento de longão aos domingos no Eixão, porque ele tem a característica dos locais de meia maratona. Será muita transpiração nas horas de folga e foco nos objetivos, já que nada é tão fantástico quanto a capacidade de superação de nós seres humanos.
A ideia da preparação física para suportar minha primeira meia maratona, e com as dificuldades cotidianas por minha agenda de trabalho muito intensa, é dar resistência ao meu corpo com longão aos domingos e um treino mais leve durante a semana, no dia e hora que der. Alimentação adequada e espero que possa dormir minimamente neste período.
TREINAMENTO PESSOAL PARA MEIA MARATONA
Quarta 12/08 treino 1 (DF)............ 4k 25' 19º
Sexta 14/08 treino 2 (DF)...............5k 31'30" (noturna)
Domingo 16/08 treino 3 (DF).....longão 6k 38' 23º
Quarta 19/08 treino 4 (DF).............5k 28'40" - (noturna)
(cara, depois de três dias de muito trabalho, cheguei depois das 21h e saí decidido a manter minha meta. A corrida foi muito importante! Fiz o menor tempo até hoje no percurso)
Domingo 23/08 treino 5 (DF)....... longão 8k 48' 23º
(Felicidade pura! Acordei cedo, escolhi o tênis; lanche leve e ida pro Eixão. Saí concentrado para correr. Na primeira vez, semana passada, corri até o prédio do Bacen. Hoje, passei por ele com tempo menor 1'30". Corri até depois do BB e BRB. Voltei concentrado na respiração e pisada. Calor aumentando. Correu tudo bem! Estou leve! Fechei com uma deliciosa água de coco. Estamos no caminho!)
Terça 25/08 treino 6 (DF)............... 5k 32' (noturna)
(Ufa! Não foi mole, mas é transpiração... depois de um longo dia de trabalho na Cassi, e sabendo da agenda da semana, optei por fazer uma corrida regenerativa com trote leve, e quase às 23h. Meus tendões de aquiles estão sensíveis. Estou de olho neles. Mas beleza! Vamos adiante)
Domingo 30/08 treino 7 (DF)........ longão 10k 60' (Calor)
(Treino fantástico! Fiz em 60' a corrida, indo pelo Eixão de casa até os Correios. Veja matéria aqui)
Quinta 3/09 treino 8 (SP)............ 5K 30' Pq. Continental
(Corrida em Osasco. Foi para matar saudades de correr no parque. Aliás, passei muito estresse no dia anterior em reuniões de trabalho e acordei travado pela manhã e com dor de cabeça. A solução foi por um calção e ir correr. Estou com ritmo bom. Voltei bem melhor para casa e saí para mais um dia de tensões. Mas o dia foi bem melhor)
Domingo 6/09 treino 9 (SP)........... longão 12k 74' (Frio)
(Treino realizado com sucesso! Muito feliz! Acordei no frio de SP e fui para o Pq. Continental. Decidi correr no circuito de 500 metros. Seriam 24 voltas. Concentração total lembrando da matéria que li dias atrás. Em corridas longas é fundamental manter ritmo constante e economizar energia. Desde o início, concentração total na respiração e na passada. Fora de mim mesmo, só a curtição do canto dos pássaros: muitos sabiás, bem-te-vis, periquitos e maritacas. Doze voltas pra um lado, com subidas, doze voltas pro outro. 37' e mais 37'. Acho que estou conseguindo o melhor ritmo em minha vida. Descansar e pensar o próximo treino :^)
Quarta 9/09 treino 10 (DF)................. 5k 32' (trote leve)
(Transpiração e determinação: esse é o meu lema! Vamos combinar, heim! Como é difícil vencer o cansaço e a preguiça para levantar cedo depois de trabalhar até meia-noite... mas cumprir meu treinamento é vital. Se eu não cuidar dessa morada que me carrega, lascou-se! Coloquei tênis e saí para uma corrida regenerativa de 5k na manhã fria e nublada de Brasília. Vamos pra luta!)
Domingo 13/09 treino 11 (DF)...... longão 13k 81' 23º
(Manhã de domingo após sábado chuvoso em Brasília. Acordei um pouco cansado porque a semana foi estressante. Tinha na planilha um longão de 10k, mas resolvi tentar correr mais porque está chegando o dia da prova e estou longe do percurso necessário. Cheguei ao Eixão às 10h e saí para correr. Pensei em correr 13 ou 14k. Ainda na ida comecei a sentir o Tendão de Aquiles do pé direito incomodando. Resolvi virar lá no quilômetro 6 e voltar. Mentalizei muito para estabilizar a pisada, a passada e manter o ritmo e a economia de energia. Foi difícil, mas consegui passar da linha de chegada e correr mais 1k para superar limite. Preciso me cuidar esta semana para recuperar o tendão. MESMO ASSIM, FIZ O MELHOR TEMPO DE MINHA VIDA PARA OS 13K 81' (6'14"/km)). Falta pouco para 11/10 e ainda estou em dúvidas sobre conseguir percorrer os 21k lá na prova. Para dificultar, meu trabalho está mais estressante que nunca... PERSISTIR, TRANSPIRAR E SER SÁBIO NA LEITURA DE MEU CORPO)
Domingo 20/09 treino 12 (DF)............5k 32' 27º
(Não corri no meio de semana por dois motivos: meu Tendão de Aquiles doeu a semana toda e fiquei muito preocupado em não haver tempo para a recuperação. Cheguei a mancar uns dois dias; e porque a semana de trabalho foi de só não trabalhar ao dormir umas 5 horas/dia. Cheguei a Brasília na manhã de sábado tão cansado que não poderia correr neste fim de semana. Acabei só tendo coragem no domingo à tarde em arriscar correr um trote de 5k para sentir se meu Tendão está um pouco melhor. Deste jeito que tenho trabalhado, não vai dar... que fazer? Pelo menos deu certo a corrida e vamos ver se na semana de trabalho toda em Brasília, a rotina melhora e consigo dormir mais e me alimentar melhor. PERSISTENTE EU SOU, MAS ESTOU ULTRAPASSANDO OS LIMITES FÍSICOS NO TRABALHO...)
Quarta 23/09 treino 13 (DF).........7k 44' 27º (noturna)
(Cheguei do trabalho bem estressado. Coloquei tênis e saí para correr, apesar da sensibilidade e dor do tendão do pé direito. Leia AQUI postagem do dia)
Quinta 24/09 treino 14 (DF)..........4k caminhada (noturna)
(Novo dia de estresse necessitando sair e ao menos andar. Andei uns 45' concentrado em meu calcanhar para não forçar a barra e torcer por uma melhora gradativa. Estou fazendo muito alongamento no tendão para ver se melhora)
Sexta 25/09 treino 15 (DF).......... 5,5k 32' 28º (noturna)
(Foi algo diferente. Meu filho e eu saímos para uma corridinha leve. Aproveitei o convite e fizemos uma volta no local onde corro. Após a companhia de meu filho, acabei seguindo e dando mais duas voltas. Meu tendão estava bem estabilizado. Que legal! Estou treinando meio baleado, e no ritmo de "cada dia com sua agonia". Se tudo correr bem e eu lá no dia da meia maratona correr e completar, será meu maior feito no ano)
Segunda 28/09 treino 16 DF....... 3k 21' 21º (manhã)
(Depois de um fim de semana sem desejo de correr, por causa do tendão e cansaço, acordei e saí para correr um trote leve e caminhar um pouco)
NA MANHÃ DE 29/09 ao acordar, tomei uma decisão difícil, ouvi os sinais de meu corpo e abortei o treinamento e a tentativa de correr a meia maratona. Leia aqui a postagem.
William Mendes
Post Scriptum:
Ao reler e diagramar novamente a postagem, senti emoção ao recordar o quanto foi difícil atingir o objetivo de correr a minha primeira e única meia maratona, em SC.
Ao final da postagem, declaro inclusive que havia desistido da corrida dias antes porque eu havia sofrido muito durante a preparação. Eu vivia um tempo complicado no trabalho, não dormia, estresse nas alturas, e com dores nos tendões.
Fui para Florianópolis mais por ir e porque já tinha feito programação inclusive de trabalho na Cassi SC e acabou que fui para a prova e completei.
Foi um momento de super-homem.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Diário - 120815
Hoje terminaram minhas férias de dez dias. Foram tão curtas!
Não li livro algum, só algumas dezenas de páginas de Las venas abiertas de América Latina, de Eduardo Galeano.
O alumbramento possível nestes dias foi visitar e conhecer as ma-ra-vi-lho-sas Cataratas do Iguaçu. É algo para poucas palavras e muitas sensações no momento, no instante. Foi uma excelente ideia de minha esposa e companheira. Fui conhecer as Cataratas aos 46 anos de idade. Foram somente 4 dias, mas valeram a pena. Recomendo a tod@s.
Após cumprir neste mês de agosto minha caminhada anual (Romaria) de Uberlândia até Água Suja (75 km) e já ter andado uns 100 km até agora, retomei hoje o treinamento de corrida.
Como é importante termos na vida desafios pessoais no horizonte, para nos ajudar a ter equilíbrio nos problemas do dia a dia, lembrando que temos coisas a cumprir, tanto no campo profissional, de militância, bem como pessoal, me inscrevi para a minha primeira meia maratona neste semestre.
A partir de hoje, tenho dois desafios pessoais a vencer na área das atividades físicas: treinar para conseguir correr 21 km da Meia Maratona Caixa de Florianópolis em outubro e fechar o ano com a participação em mais uma São Silvestre, onde meu objetivo será fazer o melhor tempo em minhas oito participações.
E olha que os desafios como gestor eleito em uma entidade de saúde que vive um momento difícil, como todo o setor de saúde enfrenta, exigirá muito de mim em todos os sentidos. Mesmo assim, eu tenho que cuidar de minha saúde para estar disponível para minhas tarefas como ser humano e cidadão envolvido em muitas frentes.
É isso. Vou buscar equilíbrio na alimentação, nos exercícios físicos sempre que sobrar um tempinho, vou estar muito centrado no emocional e no racional e faremos o bom combate.
William Mendes
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Romaria de Uberlândia a Água Suja 2015
| Momento final de caminhada. Falta pouco pra cidade. |
Refeição Cultural
Tenho que escrever um pouco sobre a minha caminhada de Uberlândia até a cidade de Água Suja, realizada na última sexta-feira, 7 de agosto.
Estou dando um tempo com redes sociais, rede mundial de computadores e postagens já faz alguns dias. Estou precisando desses instantes de recolhimento dessa loucura que virou o nosso mundo real, sendo pautado, manipulado e destruído por alguns donos de tudo nos meios de comunicação, meios que têm a capacidade de alterar a vida real por um mundo virtual (dizem que a internet é um meio caótico, mas é bem menos do que pensam por aí - na verdade, tudo no mundo virtual é muito bem planejado e direcionado).
A Romaria 2015
Fiz a caminhada novamente sozinho neste ano. A exceção boa e diferente em minha vida de caminhante foi em 2014, quando meu filho decidiu ir comigo.
Meu filho fez também a Romaria neste ano, pela segunda vez. Veio a Uberlândia com um amigo e depois ouvirei dele o que ele sentir desejo de narrar.
Saí do bairro Alvorada às 17 horas para fazer os cerca de 75 km. Faz muito tempo que não saía tão tarde. Mas foi tudo devidamente planejado. Dormi um pouco, logo após almoçar. A estratégia deste ano era não ter sono durante as 12 horas noturnas e caminhar bem para faltar pouco ao amanhecer.
Não foi noite de Lua boa. Foi Lua Minguante, que apareceu lá pelas duas horas da manhã.
Preparei bem meus pés com esparadrapos, porque o receio era grande. Não trocava o tênis da Romaria desde 2013, porque em 2012 usei outro e me arrebentei todo. Em 2011, 2013 e 2014 foi incrível não ter bolhas.
A estrada estava com um bom volume de gente ao longo da caminhada e tinha muitas barracas de ajuda. Ano passado, fiz com a estrada deserta e foi bem tenso.
Faz tempo que não caminhava por tantas horas ao ritmo de minhas músicas antigas gravadas em fitas cassete. Meu aikman é um aparelho trambolhão de 1987 e funciona com pilhas. Nunca o troquei pelas mídias modernas, pois ele é um marcador de tempo porque tem que virar a fita a cada lado (30 minutos). Além disso, me tira do automatismo ao andar cansado. Ele me faz sair do estado catatônico. (lembram de Lawrence da Arábia e os beduínos atravessando o deserto... caiu do camelo, já era...)
| Raras fotos desta vez. Esta é da Alvorada, na estrada, por volta de 6:30h da manhã de sábado. |
- De Uberlândia ao Rio Araguari (16 km)
Foi tranquilo. Escureceu cedo. Parei em uma barraca e comi um lanche. Cheguei à ponte às 20:15h. O tênis que escolhi se mostrou um pouco duro, mas por sorte protegi bem os pés.
- Do Rio Araguari ao antigo Posto Triângulo (+ 11,5 km = 27,5 km)
Também caminhei bem. Estava muito focado. Céu estreladíssimo! Pés em bom estado. Cheguei na referência às 23h. Coloquei blusa. Sem ouvir música até ali.
Preparei meu aikman e duas fitas cassete para andar até o próximo ponto madrugada adentro.
- Do Posto Triângulo (desativado) até o Posto N. Sra. da Guia (+ 10 km = 37,5 km)
Andei num ritmo muito bom. Não tive sono. Os pés estavam estabilizados. Quase não parei em barraca de ajuda. Calculei chegar umas duas horas e cheguei à 1:20h. Ouvi música da boa: Cranberries, Aerosmith, Metallica, The Verve, Rolling Stones, AC/DC, Deep Purple etc...
Meu ritmo estava bom, mas na parada senti leve queda de pressão. Passou.
| O amanhecer foi emocionante. Eu estava bem. |
- Do Posto N. Sra. da Guia até a Barraca de Ajuda na Antena (+ 11 km = 48,5 km)
Troquei as fitas cassete, concentração total, e peguei a estrada para andar até a Antena. Saí às 2h e calculei chegar depois das 5h (cheguei 4:45h). Caminhei bem, não tive sono. A luz vermelha da Antena estava desligada e isso, psicologicamente, fez um efeito incrível. Todo ano, sabemos que quando se avista a luz ao longe, se anda anda e anda e gasta mais de uma hora para chegar. Com a luz apagada, eu estava num ritmo esperando a visão da luz e quando dei por mim, lá estava a barraca. Foi legal.
Ao chegar, ao invés de entrar na fila para tomar a famosa sopa, acabei procurando um canto para deitar alguns minutos em meio à multidão, porque a pressão baixou de novo. Fiquei na Antena até às 6h da manhã. Não passei frio este ano. Tomei a sopa reconfortante e saí para outra caminhada mais longa ainda. Os pés estavam muito bons e não estava sentindo cansaço muscular!
- Da Antena até o Posto Santa Fé (+ 12,5 km = 61 km)
Saí da Antena antes do amanhecer e calculei que chegaria depois das 9h da manhã. Com fitas novas, ouvi a trilha sonora do filme Forrest Gump e muito mais rock do bom: The doors, Pink Floyd, U2, Kiss, Van Halen, The Cure, The Cult (Edie) etc...
Caminhei bem pacas! Cheguei ao Posto Santa Fé às 8:30h. Sem sono, sem bolha. O amanhecer foi lindo!
Este ano, não estive muito pra fotos e vídeos. Não tirei a máquina da mochila até que vi a Alvorada e então decidi registrar.
| Foto: Alvorada no caminho de Água Suja. William Mendes |
- Do Posto Santa Fé até o Atalho nos Eucaliptos (+ 6 km = 67 km)
E, de repente, o cansaço bateu pesado! Sol fortíssimo no rosto... Saí às 9h do posto para caminhar até o Atalho. O corpo sentiu.
Por um lado, realizei o planejado de pela primeira vez não reduzir tanto o ritmo de caminhada entre a saída e a chegada, porque saio andando uns 5,5 a 6 km por hora e termino andando a 3 km por hora, todo estropiado; desta vez, andei no mesmo ritmo da saída, depois de percorridos 50 km. Por outro lado, deu uma quebrada geral indo para o Atalho. Custei a chegar.
Cheguei ao Atalho às 10:40h e a pressão caiu de novo. Tive que deitar uns 30 minutos para me recuperar e sair para o último trecho.
Neste último trecho ouvindo minhas velhas fitas cassete, fechei com chave de ouro: Dire Straits - Sultans of Swing, The Verve - Bittersweet Synphony, Metallica - Mama Said, Smashing Pumpkins - Tonight, Tonight etc...
- Do Atalho até a Cidade (+ 8 km = 75 km)
Cheguei por volta de meio-dia e meia à cidade. Fiz um tempo muito bom neste ano: 19 horas e meia. Não tive bolhas, não tive sono. Dei sorte em pegar o ônibus logo para voltar à Uberlândia. E mesmo assim, fui chegar quase às 17 horas para descansar.
| A chegada à cidade e à Igreja de N. Sra. da Abadia de Água Suja - MG. |
Reflexão final
Fiz um planejamento ousado, mas consciente, para a caminhada. Fiz uma caminhada concentrada, firme e exigente. Meu corpo e mente responderam. Lidei com os momentos difíceis na caminhada como consequência do que defini. Foi duro. Fui duro.
Refleti muita coisa, muita coisa mesmo. Os tempos estão e serão duros em minha vida pessoal, profissional e para o meu querido e amado país. Estou firme para cumprir meus desígnios e não tombarei fácil para nenhuma dificuldade.
Meu coração está leve. Não tenho ódio como tinha no passado. Mas sou feito do mesmo barro de sempre. Meus valores seguem os mesmos. Sou a favor dos pobres, da classe trabalhadora. Este é o meu lado, é de onde sou.
Seguimos.
William
Marcadores:
Água Suja,
Comunicação,
Curiosidades,
Esporte e saúde,
Ética,
Filosofia,
Ideologia,
Instantes,
Refeição Cultural,
Romarias,
Uberlândia,
William Mendes
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Treinei o que pude em julho, agora é a Romaria...
Diário - 310715
Hoje termina o mês de julho de 2015. O mês de agosto que chega exigirá sabedoria, resistência e capacidade de superação. É o que eu acho.
Procurei neste mês, conciliar alguns treinamentos físicos com longas jornadas de trabalho. Busquei não comer os excessos de gordura, açúcar e sal que destrói a saúde das populações do mundo. Fiz o mesmo com bebidas: quase zero de álcool. Quero e devo me cuidar pra resistir aos desafios que tenho e cuidar dos meus entes queridos.
Agosto é o mês que pego a estrada para fazer minha caminhada anual lá em Minas Gerais. São cerca de 75 km andando, refletindo e testando meus limites. Vai dar tudo certo, acredito.
CORRIDAS POSSÍVEIS EM JULHO
1. Quarta 1º (DF)..............5k 30' 15 graus, noturna
2. Domingo 5 (DF)...........5,5k 35' calor, muito seco
3. Terça 7 (DF)..................7k 42' 15 graus, ritmo intenso
4. Quinta 9 (DF).................4k 25' 15 graus, trote
5. Domingo 12 (DF)............4k 25' 24 graus
6. Quinta 16 (DF).............7,5k 47' 18 graus, boa corrida
7. Domingo 19 (DF).........5k 32' 22 graus, trote preguiça
8. Domingo 26 (DF)..........5,2k 34' 28 graus, calor
9. Segunda 27 (DF).............4k 26' alguns exercícios
10. Sexta 31.......................8k caminhada fecha o mês
Corri no mês 47,2 km em 9 saídas e fechei hoje com uma caminhada de 8 km. Julho foi difícil como têm sido todos os meses anteriores. É o que virou minha vida de longas jornadas de trabalho como Diretor de Saúde da Cassi.
Ter feito esse percurso de corridas no mês foi por ser obstinado e para cuidar do nível de meu colesterol ruim (LDL) que aumentou um pouco depois de um ano de estresse no trabalho atual.
Em compensação, passei a escolher melhor, pela primeira vez na vida, as coisas que como: evito algumas e pego outras, para cumprir as sugestões do programa de Estratégia Saúde da Família, que participo pela nossa Caixa de Assistência. O resultado foi diminuir meu peso, depois de muitos anos tentando em vão.
É cuidar de mim mesmo o mínimo possível porque os tempos já estão sendo e serão duros para todos nós num mundo em crise de valores e movido a ódios.
William
terça-feira, 28 de julho de 2015
"Confesso. Eu cá não madruguei em ser corajoso..." (Riobaldo Tatarana)
Refeição Cultural
"Eu estava meio dúbito. Talvez, quem tivesse mais receio daquilo que ia acontecer fosse eu mesmo. Confesso. Eu cá não madruguei em ser corajoso; isto é: coragem em mim era variável. Ah, naqueles tempos eu não sabia, hoje é que sei: que, para a gente se transformar em ruim ou em valentão, ah basta se olhar um minutinho no espelho - caprichando de fazer cara de valentia; ou cara de ruindade! Mas minha competência foi comprada a todos custos, caminhou com os pés da idade..." (pág. 62)
(Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa. 1956. Edição 19ª, Editora Nova Fronteira)
Meu filho, esta postagem é pra dizer que te amo. É pra dizer que o amor que sabemos que sua mãe tem por ti é a maior coisa do mundo: é amor de mãe. Porque é incondicional. Amamos você e isso deve valer para superarmos cada estresse diário que temos nessa vida de veredas várias.
Filho, peço desculpas a você! Porque você está naquela idade dura e boa da adolescência e minha ausência devido ao meu trabalho e minha militância prejudica meu estar-à-disposição para você e para sua mãe, mesmo sabendo que jovem não quer saber muito dos pais. Temos que estar disponíveis física e psicologicamente.
Filho, tivemos uma noite intranquila, mas superamos ela (tão comum na vida!). Peço perdão a você porque na noite anterior, ao invés do abraço inicial, eu usei o olhar que construí desde pequeno no mundo duro em que me criei. E fui rude com quem só merecia o abraço naquele instante, não o olhar (que precisei recuperar para os inimigos, os adversários, porque estou enfrentando o mundo mais duro que já vivi).
Filho, a vida é dura. Quando cheguei menino em terra estranha tive que me transformar, "fazer cara de valentia, ou cara de ruindade". Imagina, então, para entrar para o trabalho braçal menino! Depois na adolescência de volta à São Paulo, a mesma coisa, ao andar nas madrugadas paulistas para trabalhar ou voltar para casa.
Sei o quão é intensa a sua juventude, porque vejo a minha juventude. O mundo mudou. A vida dos jovens de hoje é claro que não é a vida dos jovens de ontem. Mas os jovens são sempre os jovens. Intensidade. Explosão!
Filho, por fim, perdoe minha ausência e dedicação excessiva à missão que me deram. Acredito que filhos de militantes como nós tem uma vida diferente. Perdoe por transtornar a sua vida e a de sua mãe, tirando vocês do mundo de vocês por causa da missão que me deram. Estou fazendo o que posso para remediar.
Só mais uma coisa, filho: eu apóio que você seja o que você quiser ser. Nunca pensei diferente. Mas conversamos pouco. Se precisar de seu pai e de sua mãe, conte conosco nos repentes da juventude. Você é uma pessoa muito especial.
Me perdoe quando não conseguir desarmar minha armadura da luta quando olhar pra ti em algum instante. É que minha vida está muito dura, mesmo com a idade avançando nos tempos.
A diferença, hoje, é que meu coração não tem mais lugar pra ódio, como foi ao longo de boa parte da minha vida.
Um abraço apertado, filho.
William Mendes
Marcadores:
Amor,
Brasília,
Cartas de pai pra filho,
Cassi,
Ética,
Frases,
Guimarães Rosa,
Infância,
Instantes,
Intolerância,
Literatura Brasileira,
Política,
Refeição Cultural
domingo, 26 de julho de 2015
"Que eu não desejava arreglórias..." (Riobaldo Tatarana)
![]() |
| Este é o céu que me protege, visto de minha vereda atual. |
Refeição Cultural - Diário 260715
"Todos estavam lá, os brabos, me olhantes - tantas meninas-dos-olhos escuras repulavam: às duras - grão e grão - era como levando eu, de milhares, uma carga de chumbo grosso ou chuvas-de-pedra. Aprovavam. Me queriam governando. Assim estremeci por inteiro, me gelei de não poder palavra. Eu não queria, não queria. Aquilo revi muito por cima de minhas capacidades. A desgraça, de João Goanhá não ter vindo! Rentemente, que eu não desejava arreglórias, mão de mando. Enguli cuspes. Avante por fim, como que respondi às gagas, isto disse: - 'Não posso... Não sirvo...'
- 'mano velho, Riobaldo, tu pode!' ". (Pág. 96)
(Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa. Editora Nova Fronteira, 19ª Edição)
Domingo. Acordei depois das nove horas da manhã. Quebrado fisicamente. Corpo talhado. Foi a primeira noite de sono completo na madrugada desde a terça-feira passada.
No sábado, não consegui dormir durante o dia. Tentei duas vezes. A adrenalina e a energia que mentalizei em mim para dar conta da agenda de trabalho intelectual e político que teria na semana me deixou pilhado feito um homem-máquina-de-guerra para suportar dias que sabia que seriam intensos.
Passei a madrugada de sábado em viagem de Manaus a Brasília. Passei a madrugada de sexta em viagem de Boa Vista a Manaus. Passei a madrugada de quinta em viagem de Brasília a Boa Vista. E nos outros dias da semana já havia dormido muito pouco porque a segunda, terça e quarta haviam sido de dezenas de horas internas de deliberações e debates acalorados na entidade de saúde em que sou gestor eleito.
Enfim, estou fisicamente quebrado, mas a semana foi vencida com humildade e flexibilidade nas táticas e muita firmeza nos propósitos, pois na posição de comando em que nos colocaram, sabemos bem o que queremos e vamos perseguir os objetivos até o último instante de nossa missão.
Um sentimento e uma certeza sobre a jornada da semana
Quando insistiram por tempos para aceitar o desafio da nova posição de representação, sabiam que eu não pleiteava nada disso. Ao final, veredas me fizeram aceitar. Sabia que seriam jornadas duras porque o meu jeito é o conciliar do saber e do fazer, e um só eu sou. Mas estamos firmes do jeito que somos.
A certeza que tenho é que só sei fazer minha missão assim, sem virar burocrata, indo falar com gente. Por mais que isso me consuma, por jornadas casadas de estudos e bases.
Um sentimento que tenho é de gratidão. Já fui em lugares onde não me conheciam e, quiça, alhures, não me queriam, mas me ouviram e ao final tudo ficou bem. Somos da mesma comunidade humana: comunidade BB. Agradeço as acolhidas respeitosas por onde tenho passado, independente das divergências políticas, tão comuns pelo que somos.
Dias que virão
Os embates e momentos de grandes decisões na vida de representação e trabalho nos trarão ainda grande obrigação de sermos resistentes e inteligentes porque os tempos são duros e duros temos que ser, mas como somos o que somos, nossa dureza nos propósitos deve ainda ter suas pitadas de solidariedade, amor, amizade e fraternidade. Nosso lado é o da esquerda e da classe trabalhadora. Insisto na Unidade!
Romaria
Na vida pessoal, tenho um desafio de resistência física daqui a poucos dias. Vou fazer em agosto minha caminhada na Romaria de Uberlândia a Água Suja, lá em Minas Gerais. Com o desgaste físico que temos tido pela intensidade da dedicação ao trabalho, estou só o "caquinho". Mas vou sair, caminhar com firmeza meus 75 km e chegar ao destino. Acredito nisso, e se acredito, minha mente levará meu corpo até lá.
Vamos viver os momentos deste domingo, que são raros e estou em casa para os instantes de mim mesmo.
William Mendes
Marcadores:
Articulação Sindical,
Banco do Brasil,
Cassi,
CEM Clássicos,
Diário,
Esquerda,
Ética,
excertos,
Guimarães Rosa,
Ideologia,
Instantes,
Literatura Brasileira,
OLT,
Refeição Cultural,
Romarias,
William Mendes
quarta-feira, 22 de julho de 2015
"Vida devia de ser como na sala do teatro..." (Riobaldo Tatarana)
"- 'Você tem saudade de seu tempo de menino, Riobaldo?" - ele me perguntou, quando eu estava explicando o que era o meu sentir. Nem não. Tinha saudade nenhuma. O que eu queria era ser menino, mas agora, naquela hora, se eu pudesse possível. Por certo que eu já estava crespo da confusão de todos. Em desde aquele tempo, eu já achava que a vida da gente vai em êrros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia de ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho. Era o que eu acho, é o que eu achava". (pág. 260/261)
(Riobaldo Tatarana, in: Grande Sertão: Veredas. Guimarães Rosa. Editora Nova Fronteira, 19ª edição)
Refeição Cultural
Reflexão profunda do personagem Riobaldo Tatarana, jagunço aposentado, em confissão ao visitante que lhe ouve.
"Vida devia de ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho".
Fico pensando minha vida, hoje. Eu inteiro, com forte gosto, fazendo meu papel, cumprindo meu desempenho na Cassi.
Comecei a trabalhar nesta semana no domingo às 19 horas: leitura da pauta semanal para a reunião da Diretoria Executiva da Caixa de Assistência em que sou gestor eleito pelo corpo social. De domingo à noite até a terça-feira 22 horas, investi umas 30 horas na gestão da entidade. Meu papel no teatro mundo, papel que exerço no inteiro, com forte gosto e senso de responsabilidade.
Quando miro e vejo meu viver, pensando em meu eu menino, naquele tempo, que foi depois dos dez anos, de quando não fui mais feliz, "Nem não. Tinha saudade nenhuma. O que eu queria era ser menino, mas agora, naquela hora, se eu pudesse possível".
Viver é muito perigoso...
Meus dias têm me testado de forma impressionante. Como suportar alguma gente em papeis no teatro em que estamos, gente fanfarrona!? Gente que acho que nem num se estressa, porque tá fazendo papel de faz-de-conta de ser gente de desempenho... bizarrice, como diz na literatura em questão.
Enfim, encontrar a serenidade no papel da gente, nesse teatro, é necessário. E, nesta semana, ainda vou até sábado, numa jornada que terá voos longos, três madrugadas seguidas acordado. Vou lá na ponta de nosso país mundo. Vou no Norte: Roraima e Amazonas.
Tentar fazer meu papel com desempenho.
Seguimos. Se a vida é um teatro ou não, nós temos papel a desempenhar. O meu, não quero falhar.
William Mendes
Marcadores:
Banco do Brasil,
Cassi,
CEM Clássicos,
Ética,
excertos,
Filosofia,
Fotografias,
Frases,
Guimarães Rosa,
Ideologia,
Infância,
Instantes,
Literatura Brasileira,
Política,
Refeição Cultural,
William Mendes
domingo, 19 de julho de 2015
"mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter" (Riobaldo Tatarana)
![]() |
| O caminho do nosso viver é como cada ramificação nas coisas da natureza, como vemos nas árvores, nas artérias, nos vales, nos relevos, na vida. Basta escolhermos bem o caminho. |
Refeição Cultural
"Do que de uma feita, por me valer, eu entendi o casco de uma coisa. Que, quando eu estava assim, cada de-manhã, com raiva de uma pessoa, bastava eu mudar querendo pensar em outra, para passar a ter raiva dessa outra, também, igualzinho, soflagrante. E todas as pessoas, seguidas, que meu pensamento ia pegando, eu ia sentindo ódio delas, uma por uma, do mesmo jeito, ainda que fossem muito mais minhas amigas e eu em outras horas delas nunca tivesse tido quizília nem queixa. Mas o sarro do pensamento alterava as lembranças, e eu ficava achando que, o que um dia tivessem falado, seria por me ofender, e punha significado de culpa em todas as conversas e ações. O senhor me crê? E foi então que eu acertei com a verdade fiel: que aquela raiva estava em mim, produzida, era minha sem outro dono, como coisa solta e cega. As pessoas não tinham culpa de naquela hora eu estar passeando pensar nelas. Hoje, que enfim eu medito mais nessa agenciação encoberta da vida, fico me indagando: será que é a mesma coisa com a bebedice de amor? Toleima. O senhor ainda me releve. Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho que Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é. Zé Bebelo falava sempre com a máquina de acerto - inteligência só. Entendi. Cumpri. Digo: reniti, fazendo finca-pé, em força para não esparramar raivas..."
(Riobaldo Tatarana, em Grande Sertão: Veredas. Guimarães Rosa, 1956. Editora Nova Fronteira, edição
Muitas reflexões, muitas.
A obra Grande Sertão: Veredas é atemporal, universal, porque aborda os grandes dilemas e agruras da natureza humana. Amor e ódio. Amor proibido. Medo. Matar ou morrer. O homem e o viver em meio à natureza hostil, dura. As encruzilhadas, veredas, na vida de cada um de nós, e as decisões a serem tomadas o tempo todo em nossa existência; que pode ser breve, brevíssima; pode ser longa. Pode ser longa em tempo breve (o sofrer), ou breve em tempo longo.
O que é uma vida humana em relação ao tempo de nosso planeta, de nosso mundo próprio?
Nossa natureza arrogante insiste em afirmar o tempo todo que somos donos de nosso destino e tudo planejamos e prevemos. Toleima. Somos escolhidos e pegos o tempo todo, quando vimos, já era!
Este que vos fala, autor deste modesto blog, já antigo e obsoleto pro tempo curto das coisas com atualizações instantâneas de tudo, enfim, grande parte de minha vida de proletário ou subproletário foi vivida alimentada por sentimentos de raiva e ódio. Desde a mais tenra adolescência.
Como diz o sábio Zé Bebelo, as raivas e ódios todos que senti faziam com que os alvos de minhas raivas - pessoas, grupos sociais ou pessoas jurídicas e sistemas -, fossem governantes de minhas ideias e tivessem soberania de meus objetivos, e então, de meu destino.
Depois de uma parte de minha vida assim, a vida me pescou e me vi em outra função social, representando gente: classe trabalhadora. Passei mais de uma década com muita soberania de minhas ideias. Delas pensei ações para liderar os trabalhadores e as lutas. Mas sem ódio, só determinação nas ideias.
Em 2014, ano deveras tumultuado no meu ser, por breves instantes, muitas raivas senti. Elas dominaram minhas ideias algumas semanas. Com apoio de ombros amigos, voltei o foco pras tarefas a seguir.
Hoje estou com total soberania das ideias, muito foco no fazer. Ciente que as tarefas são duras. Ganhar ou perder. Mas não tenho raiva nenhuma dominando minhas ideias. Isso é muito bom.
Mas lá fora, no meu país, no meu mundo, nos meios onde transito, no meu espaço dos movimentos sociais, tem muito ódio e muitas raivas nos destruindo, destruindo nossos focos na luta de classe contra os verdadeiros inimigos. Destruindo nossos laços de família e de amigos e conhecidos.
É pena, é triste! Minha gente pode voltar a ter soberania nas ideias a qualquer instante, basta querer. Juro pra vocês que fiz isso em poucos dias em um único mês, tempos atrás. E estou de coração leve e dono de minhas ideias.
William Mendes
Marcadores:
Brasil,
Cassi,
CEM Clássicos,
Ética,
excertos,
Fotografias,
Frases,
Guimarães Rosa,
Ideologia,
Instantes,
Intolerância,
Literatura Brasileira,
Política,
Refeição Cultural,
William Mendes
sábado, 18 de julho de 2015
Formação Econômica do Brasil - Economia escravista séc. XVI e XVII
Refeição Cultural
Comecemos a saga da colonização portuguesa em nossas terras com uma estrofe do épico poema português Os Lusíadas, de Luís de Camões.
CANTO SEGUNDO
111
"E não menos co'o tempo se parece
O desejo de ouvir-te o que contares;
Que quem há que por fama não conhece
As obras portuguesas singulares?
Não tanto desviado resplandece
De nós o claro Sol, para julgares
Que os Melindanos têm tão rudo peito,
Que não estimem muito um grande feito."
SEGUNDA PARTE DO LIVRO
Economia escravista de agricultura tropical (séculos XVI e XVII)
XII. Contração econômica e expansão territorial
Alguns excertos e comentários do capítulo que fecha a segunda parte do livro.
Com a queda da comercialização da produção açucareira, pela quebra do monopólio português, amenizada pelo aumento da produção pecuária de subsistência no Nordeste, outros fatos vieram a ampliar os problemas da metrópole portuguesa em relação à sua colônia: as invasões holandesas.
"A administração holandesa se preocupou em reter na colônia parte das rendas fiscais proporcionadas pelo açúcar, o que permitiu um desenvolvimento mais intenso da vida urbana." (pág. 67)
POVOAMENTO PORTUGUÊS NO MARANHÃO
"A ocupação foi seguida de decisões objetivando a criação de colônias permanentes. Ao Maranhão foram enviados de uma feita - no segundo decênio do século XVII - trezentos açorianos. Ao iniciar-se a etapa de dificuldades políticas e econômicas para o governo português, essas colônias da região norte ficaram abandonadas aos seus próprios recursos e as vicissitudes que tiveram de enfrentar demonstram vivamente o quão difícil era a sobrevivência de uma colônia de povoamento nas terras da América". (pág. 68)
A produção de açúcar não deu certo no Maranhão: "Os solos do Maranhão não apresentavam a mesma fecundidade que os massapês nordestinos para a produção de açúcar". (pág. 68)
A situação na segunda metade do século XVII e a primeira do XVIII foi dramática para os colonos daquela região. Até para produção de subsistência, houve grande dificuldade com o abandono da metrópole.
Novamente alega-se ser a escravidão uma questão de sobrevivência (dos portugueses): "A inexistência de qualquer atividade que permitisse produzir algo comercializável obrigava cada família a abastecer-se a si mesma de tudo, o que só era praticável para aquele que conseguia por as mãos num certo número de escravos indígenas. A caça ao índio se tornou, assim, condição de sobrevivência da população". (pág. 69)
JESUÍTAS ATUAM PARA FAZER ÍNDIOS TRABALHAREM
"Na primeira metade do século XVIII a região paraense progressivamente se transforma em centro exportador de produtos florestais: cacau, baunilha, canela, cravo, resinas aromáticas. A colheita desses produtos, entretanto, dependia de uma utilização intensiva da mão-de-obra indígena, a qual, trabalhando dispersa na floresta, dificilmente poderia submeter-se às formas correntes de organização do trabalho escravo". (pág. 69)
ATUAÇÃO DA IGREJA NO PAPEL DA ESCRAVIDÃO DO ÍNDIO FOI IMPLACÁVEL
"Não se dependia de nenhum sistema coercitivo. Uma vez suscitado o interesse do silvícola, a penetração se realizava sutilmente, pois, criada a necessidade de uma nova mercadoria, estava estabelecido um vínculo de dependência do qual já não podiam desligar-se os indígenas". (pág. 69).
COMENTÁRIOS:
- entra século, sai século, e o papel da religião é sempre o mesmo, apesar de haver exceções em relação à fé pessoal. A promiscuidade das várias igrejas com a política e os Estados sempre foi forte no sentido de "pacificar" a massa explorada pelos donos do poder.
- os jesuítas foram a semente da manipulação no colonialismo que seria o neoliberalismo do século XXI, cuja técnica da criação do desejo, do fetiche imbecilizante e domesticável, segue desde então até os dias atuais.
CRISE DO FIM DO MONOPÓLIO DA CANA DE AÇÚCAR TAMBÉM TRAZ REPERCUSSÕES NA REGIÃO SUL
"O empobrecimento da região açucareira, ao reduzir o mercado de escravos da terra, repercutiu igualmente na região sulina, escassa de toda mercadoria comercial. Os couros, que de há muito se exportavam também pelos portos do sul, aumentaram então sua importância relativa e os negócios de criação passaram a preocupar os governantes portugueses em forma crescente" (pág. 70)
Colônia do Sacramento: "A penetração dos portugueses em pleno estuário do Prata, onde em 1680 fundaram a Colônia do Sacramento, constitui assim outro episódio da expansão territorial do Brasil ligada às vicissitudes da etapa de decadência da economia açucareira. A Colônia do Sacramento, que esteve em mãos portuguesas com interrupções durante quase um século, permitiu a Portugal reforçar enormemente sua posição nos negócios do couro, demais de constituir um entreposto para o contrabando com um dos principais portos de entrada da América espanhola, numa etapa em que a Espanha perdera praticamente a sua frota e persistia em manter o monopólio do comércio com suas colônias" (pág. 70)
O aumento do câmbio arrebentou as regiões de pouca exportação e que careciam muito das importações para sobreviverem.
Celso Furtado termina assim a segunda parte do livro: "o encarecimento das manufaturas importadas chegou a extremos e nas regiões mais pobres, como Piratininga, uma simples roupa de fazenda importada ou uma espingarda podiam valer mais que uma casa residencial"
E por fim:
"Esses fatores contribuíram para a reversão cada vez mais acentuada a formas de economia de subsistência, com atrofiamento da divisão do trabalho, redução da produtividade, fragmentação do sistema em unidades produtivas cada vez menores, desaparição das formas mais complexas de convivência social, substituição da lei geral pela norma local etc". (pág. 71)
COMENTÁRIO FINAL
Quando olhamos a história de nosso país, olhando qualquer de nossas regiões como o Estado do Maranhão, tão pobre e tão sem políticas públicas universalizantes; o Nordeste inteiro que foi quase que grandes capitanias hereditárias até bem entrado o século XX; o Sul com sua cultura típica; o Estado de São Paulo, onde impera uma ideia (ideologia) que afirma haver um "espírito bandeirante"... enfim, vemos como é importante conhecer a história de nosso povo, nossa terra, nossa cultura, para inclusive desfazer mitos e construir estradas para um futuro mais equânime e solidário para todo o povo tão igual e tão diferente, o povo brasileiro.
Bibliografia:
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. In: Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Publifolha 2000.
Marcadores:
Brasil,
Celso Furtado,
CEM Clássicos,
Economia,
Geografia,
História,
Ideologia,
Leituras de livros,
Literatura Brasileira,
Luís de Camões,
Portugal,
Questões internacionais,
Refeição Cultural
Assinar:
Postagens (Atom)








