Refeição Cultural
Uberlândia, 17 de maio de 2026. Domingo.
A paisagem diante de meus olhos me leva ao passado, às memórias da existência.
À esquerda, onde hoje é um galpão, morei em 1980 aos 11 anos de idade. Era uma casinha de fundo no terreno da Dona Nenzinha, benzedeira do bairro Marta Helena: na Av. Comendador Alexandrino Garcia. Lá adiante, fica o Hortêncio Diniz, onde estudei da 5a à 8a série.
Olhando para frente, vejo no horizonte a Av. Antônio Thomaz Ferreira de Rezende, na qual corria quando era um garoto, um adolescente. Eu ia correndo até o Cruzeiro do Sul ou seguia até a fábrica da Souza Cruz. Isso foi há mais de quarenta anos.
Ontem corri 5 Km no Parque do Sabiá, um paraíso, na minha opinião. Estou insistindo em correr e caminhar porque sou teimoso e disciplinado. Imagino que a maioria das pessoas com desgastes e dores no sistema de locomoção não faria o esforço para a atividade física.
Por me conhecer, para combater colesterol alto, pressão alta e para ser feliz por alguns minutos, preciso correr. Correr é viver. E aprendi nas leituras que viver é bom.
Cada um sabe de si mesmo. Quer dizer, deveria saber de si e ter noções gerais das coisas do mundo e da vida. Desconfio que a maioria, neste momento, não saiba muita coisa nem de si, nem do mundo. As pessoas são levadas a seguir modas. A moda, me parece, é ser ignorante, é se vangloriar de não saber quase nada.
Eu tenho noções de algumas coisas. Tenho consciência que não sei quase nada, mas não me orgulho disso. Gostaria de saber mais, de ser um sábio. Mas mesmo não sabendo de quase nada, desconfio de muita coisa (como disse um personagem de Guimarães Rosa). Sei, por exemplo, que tudo muda o tempo todo. Tenho consciência e percepção das mudanças.
Sinto as mudanças em andamento. Antes não pensava nisso. Agora penso. Sinto as mudanças em mim. Vejo as mudanças ao meu redor. Sinto as mudanças de forma mais clara. Por ter um pouco de noção do que sou, fui, poderia ser, entendo que nós existimos interagindo com o mundo ao redor. Modificamos o mundo ou somos modificados por ele.
Nós humanos estamos destruindo o planeta Terra, estamos permitindo que alguns humanos predominem modificando a maioria dos humanos, mudando para pior as pessoas ao nosso redor. Uma parte de nós tem consciência disso. Outra parte não tem. A ignorância pode ser por escolha ou por falta de oportunidade.
Entretanto, tenho consciência que por saber disso não tenho o direito de não fazer nada. Quem sabe dessa merda toda ao redor tem a obrigação moral de fazer algo para mudar a realidade coletiva para melhor.
Tenho noção das mudanças que estão ocorrendo em mim. Muito disso é natural, é a natureza, pois sou natureza. Em alguns momentos, quase cedo ao meu lado animal, quase cedo ao cansaço, ao desânimo, ao querer me encostar num canto e esperar o fim. No instante seguinte, felizmente, prevalece minha porção vivência, experiência e conhecimento acumulado. Ufa!
Sigamos lutando da forma possível para interferir nas mudanças porque temos inteligência para mudar a realidade em benefício da vida coletiva. É possível salvar a humanidade e a vida no planeta da destruição provocada por uma parcela de nossa espécie. Mesmo quando um de nós fica pelo caminho, outro está na luta.
Seguirei lendo, e não está fácil ler como antes (vou ler livros e terminá-los por mais difícil que seja o ato: visão não é mais a mesma, dores no corpo ao ler sentado ou em pé etc), mas persistirei na leitura e na escritura, mesmo com meu corpo me atrapalhando fazer o que me motiva a vida: correr, ler, escrever.
Me desculpem a ausência nas ruas em eventos nos quais atualmente vou pra somar e fazer volume (não lidero nem represento ninguém), estou escolhendo onde posso contribuir com as mudanças. Tenho que focar minha energia em alguma coisa que possa agregar algo nas lutas de definição do presente e futuro. Vou ler e escrever, tentar defender ideias para a coletividade.
William
11h47


Adorei seu texto William Mendes ,você tem crescido muito ,no seu pessoal e no intelectual,!
ResponderExcluirParabéns e obrigada por nos passar a ideia de que vale a pena lutar pelo que queremos e gostamos!!
Obrigada! Boa-noite!!
Com o passar do tempo, com as vivências que vão se acumulando, e com as perdas que vão se acumulando, vamos percebendo ensinamentos de mestres como Paulo Freire e tantas pessoas. Somos seres incompletos e podemos mudar a nós, aos outros, ao mundo. Sigamos aos amanheceres.
ExcluirCom o passar do tempo, com as vivências que vão se acumulando, e com as perdas que vão se acumulando, vamos percebendo ensinamentos de mestres como Paulo Freire e tantas pessoas. Somos seres incompletos e podemos mudar a nós, aos outros, ao mundo. Sigamos aos amanheceres.
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