segunda-feira, 11 de maio de 2026

Instantes (11h32)



Refeição Cultural

LEITURA 

"(...) Todos os animais que vivem juntos precisam coordenar suas ações, e a sincronia é o elemento-chave para isso. Trata-se da forma mais antiga de ajustamento aos membros do grupo..." (p. 81)

Comprei o livro do biólogo Frans de Waal assim que o vi no longínquo ano de 2010. O livro havia sido publicado por ele no ano anterior. O tema "A era da empatia" me interessou na hora. 

Como a maioria de minhas leituras à época, cheguei a ler uma centena de páginas e não fui até o fim. Eu lia dezenas de textos ao mesmo tempo. Era assim que tinha que ser naquele momento. 

Pouco tempo atrás, reli a centena de páginas e parei de novo. Isso faz mais de um ano. O tema segue interessantíssimo, na minha opinião. 

Ontem, após terminar a leitura de um livro (leitura difícil), peguei de novo Frans de Waal na estante. Ao pesquisar sobre o autor na rede mundial, descobri que ele faleceu em 2024, vítima de um câncer de estômago. Que foda isso. 

Não li meu livro do Mino Carta antes dele falecer. Agora vejo que quase duas décadas depois de adquirir o livro do biólogo Frans de Waal, ele faleceu e eu ainda não li sua obra. 

Vou ler "A era da empatia". Livros de ciências mudam nossas percepções e compreensões do mundo, da vida e das pessoas. Foi assim comigo após ler "O verdadeiro criador de tudo", do neurocientista Miguel Nicolelis. Nunca mais vi o mundo da mesma forma que antes. 

Quer outro exemplo? Após ler o livro de Aline Marcondes Miglioli, sobre Cuba e a questão da propriedade e uso da terra, citando a Teoria da Renda da Terra, de Karl Marx, e explicando o papel da indústria do turismo na atual fase do capitalismo, nunca mais verei os lugares e passeios turísticos da mesma forma. 

Enfim, a soma do conhecimento de Frans de Waal e Miguel Nicolelis me dará mais condições de compreender por que as coisas são como são neste momento da história humana. 

Isso não quer dizer que eu concorde ou aceite as coisas como são, pois compreender não quer dizer concordar ou aceitar, como disse Eric Hobsbawm na introdução do clássico "Era dos extremos". Apenas compreender. 

O que as big techs permitiram aos seus donos neste momento da história humana foi sincronizar milhões de pessoas em frações de segundos para determinadas ideias, ações ou coisas. Bilhões de humanos estão à mercê de pouquíssimos humanos... isso pode ser o nosso fim enquanto espécie. 

É a impressão que tenho.

William 

11/05/26

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