"Nunca confiei em homens que rezam. As mulheres não têm escolha, claro, mas no que os homens pensam, quando estão de joelhos? Não acho que esteja na natureza deles, rezar: são muito orgulhosos." (Veronica Hegarty, personagem de O Encontro, de Anne Enright, escritora irlandesa)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
Artigo - Atenção para a semana Kassab, Folha, Estadão, Uol e Globo
Não tenham dúvidas. A turma do PSDB/DEM/PIG já sentiu que a candidatura de Marta, da coligação de esquerda PT, PCdoB, PSB e PDT está subindo nas pesquisas e que a capa que cobre o vazio-engodo-Kassab já caiu.
Nós vamos vencer nesta semana a máquina dos demo/tucanos de Kassab, e também o que a mídia-elite vai expor e criar a favor do candidato deles nestes próximos dias.
Agora há pouco, antes do debate da TV Record, que por sinal Marta se saiu muito bem, o portal Uol tinha chamada que favorecia Kassab - "Kassab diz que Marta não vai ganhar no tapetão" (!?) - e quando o usuário clicava era a matéria que anunciava o debate (!?).
Marta é a candidata que mudou a cidade de São Paulo em sua gestão. Mudou para melhor. Criou todos os programas sociais que aí estão e melhorou o trânsito que, agora na gestão Kassab, voltou a ser o Kassaos.
Fiquemos todos atentos aos jornais e revistas que não terão nenhum pudor de tentar desviar a atenção do eleitorado a favor de Kassab como tentaram fazer em 2006 contra Lula.
Cada um de nós deve se encher de ânimo e dialogar com as pessoas na cidade, na escola, no bairro, em família, na igreja, no trabalho.
A população paulistana merece ter uma nova administração petista, voltada para as melhorias do povo, como foi no governo de Marta Suplicy, e que acabaram beneficiando a todos os cidadãos, inclusive os da classe média.
A esperança vai vencer de novo!!
Marta, prefeita de São Paulo!!
Nós vamos vencer nesta semana a máquina dos demo/tucanos de Kassab, e também o que a mídia-elite vai expor e criar a favor do candidato deles nestes próximos dias.
Agora há pouco, antes do debate da TV Record, que por sinal Marta se saiu muito bem, o portal Uol tinha chamada que favorecia Kassab - "Kassab diz que Marta não vai ganhar no tapetão" (!?) - e quando o usuário clicava era a matéria que anunciava o debate (!?).
Marta é a candidata que mudou a cidade de São Paulo em sua gestão. Mudou para melhor. Criou todos os programas sociais que aí estão e melhorou o trânsito que, agora na gestão Kassab, voltou a ser o Kassaos.
Fiquemos todos atentos aos jornais e revistas que não terão nenhum pudor de tentar desviar a atenção do eleitorado a favor de Kassab como tentaram fazer em 2006 contra Lula.
Cada um de nós deve se encher de ânimo e dialogar com as pessoas na cidade, na escola, no bairro, em família, na igreja, no trabalho.
A população paulistana merece ter uma nova administração petista, voltada para as melhorias do povo, como foi no governo de Marta Suplicy, e que acabaram beneficiando a todos os cidadãos, inclusive os da classe média.
A esperança vai vencer de novo!!
Marta, prefeita de São Paulo!!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Crônica - Instantes... Felicidade na Greve... Raiva...
Extremos...
FELICIDADE
Feliz de ver a catarse dos bancários em greve na hora que nós indicamos na assembleia a continuidade da greve da categoria. Foi lindo ver a quadra dos bancários com mais de 2.200 pessoas.
Foi lindo ver a Oposição Bancária/PSTU ser desmascarada por nós, pois eles passaram o dia mentindo para os bancários que nós iríamos suspender a greve.
Foi lindo ver um monte de fura-greves e gestores que lotaram a assembleia acharem que poderiam interromper a greve da categoria.
RAIVA
Estou cheio de ódio contra a sacanagem e pela impotência de não poder desmentir ou fazer justiça até com as próprias mãos.
Meu pai tem 66 anos e muitos problemas de saúde. Não é que um desgraçado de um advogado faltou com a ética profissional e estava sacaneando meu pai ao usar a procuração de seu cliente para favorecer o réu - uma construtora picareta que lesou meu pai e dezenas de pessoas. Após anos de espera, meu pai foi até Brasília reclamar seus direitos após perceber que havia algum tipo de conluio da empresa com as autoridades na cidade de Uberlândia e no Estado de Minas Gerais. Descobriu que o cara (pseudoadvogado e canalha) estava enganando ele em prol da empresa ré no processo!
A vontade é de ir lá e esfolar o canalha e esquecer esse negócio de humanismo. O que é barbárie? É descer a porrada num cara desses ou o que ele fez com um idoso a troco de grana e corrupção em prol de bandidos de colarinho branco?
Mais raiva ao ver o canalha José Serra, que manda na imprensa paulista, inventar que o embate entre suas polícias civil e militar é coisa daquele povo da CUT. Meu, o que se faz com um picareta mentiroso desse? E olha que, no passado, pegavam caras como eu, sindicalista, e colocavam a foto na TV e jornais e diziam que era terrorista e muita gente acreditava. Conhecendo minha família - parte é de direita - não tenho dúvida de que eles acreditariam nessas invenções dos donos do poder.
E o que fazer com o Lalau, que se faz de doente, e com o senhor Gilmar Mendes, como denunciado pela revista Carta Capital? Este senhor trata a coisa pública no Brasil como se ainda fôssemos colônia. O pior, colônia dele!! É brincadeira!!
Como suportar tentando ser "gente boa"? O que é afinal gente boa? Vai à merda com esses conceitos hipócritas de nossa hipócrita sociedade.
(Registro de minha ira feito sob o embalo de um Pearl Jam Live On Two Legs)
Coisas sonoras como Black, Do The Evolution, Daughter, Given to fly, Even Flow...
Acho que eu mereço ao menos um som desses!
William
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William Mendes
domingo, 12 de outubro de 2008
A Montanha Mágica + Bob Dylan = Emotionally Yours
(atualizado em junho/2012)
Domingão...
Lendo a montanha... A Montanha Mágica...
De novo, curtindo Bob Dylan... Tight connection to my heart... Lay lady lay... Jokerman... Emotionally yours... Knocking on a heavens door...
E, algo mais de bom: sair pra minha corrida (já não corro há dias)...
Emotionally Yours
Bob Dylan
Come baby, find me, come baby, remind me of where I once begun.
Come baby, show me, show me you know me, tell me you're the one.
I could be learning, you could be yearning to see behind closed doors.
But I will always be emotionally yours.
Come baby, rock me, come baby, lock me into the shadows of your heart.
Come baby, teach me, come baby, reach me, let the music start.
I could be dreaming but I keep believing you're the one I'm livin' for.
And I will always be emotionally yours.
It's like my whole life never happened,
When I see you, it's as if I never had a thought.
I know this dream, it might be crazy,
But it's the only one I've got.
Come baby, shake me, come baby, take me, I would be satisfied.
Come baby, hold me, come baby, help me, my arms are open wide.
I could be unraveling wherever I'm traveling, even to foreign shores.
But I will always be emotionally yours.
sábado, 11 de outubro de 2008
Livro: O menino no espelho - Fernando Sabino
O MENINO NO ESPELHO - FERNANDO SABINO
"The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind" (Bob Dylan)
Buscando alguma sobremesa cultural para dar mais sentido à pasta alimentícia diária e necessária (o trabalho, é o trabalho!), li o livro de Fernando Sabino O menino no espelho (1982), que comprei para meu filho usar na escola no bimestre escolar.
Li o livro no intervalo possível, durante a greve dos bancários. Comecei quinta à noite, depois da assembleia, e terminei agora à noite após a reunião do Comando Nacional dos bancários. (Ao som de Bob Dylan... "It ain't me babe"... "Mr. Tambourine man"... "Like a Rolling Stone"... "I want you"... "Just like a woman"... "Blown' in the wind"... )
Que leitura leve e agradável. Me fez chorar de rir. (e isso é bastante raro!)
Foram tantas lembranças de peraltices de infância, algumas nem tão inocentes, outras até bem maldosas.
"O menino é o pai do homem" (William Wordsworth). De novo esta frase tão aclaradora.
Aliás, já confessei humildemente que, em matéria de literatura brasileira e mundial, sou todo lacunas. Eu nunca tinha lido nada de Fernando Sabino. Nem sabia que ele já havia morrido em 2004.
A vida é uma colcha de retalhos como aquela que uso, feita especialmente para mim por minha avozinha Cornélia. A vida é uma colcha de imagens e instantes que guardamos do ontem.
É impressionante! Nunca me esqueci da cena do Rener, amigo da infância, rindo de chorar com o livro em mãos, citando partes em voz alta de O grande mentecapto (1979) - livro que, por sinal, até hoje não li! (sem dúvida, agora eu quero lê-lo - leitura feita em 2013)
Quem sabe naquele momento em que eu era um moleque maloqueiro em meus 12 ou 13 anos não tive naquela imagem do Rener um empurrãozinho para começar a pegar livros do meu primo Jorge Luiz para ler? Livros tipo best sellers, que a tia Lúcia comprava para ele, afinal, ela era funcionária pública e tinha um pouco mais de recursos que o restante da família. (meu primo me explicou depois que era ele quem comprava os livros porque já trabalhava e gostava de ler)
Durante as aventuras do livro, fui vendo em flash backs as várias cenas que estão em minha colcha de retalhos: o professor de Física Jaime, que era gago e que eu tinha a cara de pau de sacaneá-lo; minha primeira briga na escola, de rolar no chão com outro moleque e depois a libertação, quando bati no moleque que mais aterrorizava a meninada da rua; dos primeiros deslumbramentos com as garotas; das casas que morei e do barracão com trocentas goteiras pingando água da chuva e meus pais correndo com os baldes pra lá e pra cá; lembrança até da única vez em que matei um passarinho, igualzinho ao personagem do livro - até hoje me aperta o peito só de lembrar o caso.
Olha, o livro me foi muito bem.
O menino no espelho (1982)
Fernando Sabino (1923-2004)
Editora Record - 82a edição
The answer is blowin' in the wind" (Bob Dylan)
Buscando alguma sobremesa cultural para dar mais sentido à pasta alimentícia diária e necessária (o trabalho, é o trabalho!), li o livro de Fernando Sabino O menino no espelho (1982), que comprei para meu filho usar na escola no bimestre escolar.
Li o livro no intervalo possível, durante a greve dos bancários. Comecei quinta à noite, depois da assembleia, e terminei agora à noite após a reunião do Comando Nacional dos bancários. (Ao som de Bob Dylan... "It ain't me babe"... "Mr. Tambourine man"... "Like a Rolling Stone"... "I want you"... "Just like a woman"... "Blown' in the wind"... )
Que leitura leve e agradável. Me fez chorar de rir. (e isso é bastante raro!)
Foram tantas lembranças de peraltices de infância, algumas nem tão inocentes, outras até bem maldosas.
"O menino é o pai do homem" (William Wordsworth). De novo esta frase tão aclaradora.
Aliás, já confessei humildemente que, em matéria de literatura brasileira e mundial, sou todo lacunas. Eu nunca tinha lido nada de Fernando Sabino. Nem sabia que ele já havia morrido em 2004.
A vida é uma colcha de retalhos como aquela que uso, feita especialmente para mim por minha avozinha Cornélia. A vida é uma colcha de imagens e instantes que guardamos do ontem.
É impressionante! Nunca me esqueci da cena do Rener, amigo da infância, rindo de chorar com o livro em mãos, citando partes em voz alta de O grande mentecapto (1979) - livro que, por sinal, até hoje não li! (sem dúvida, agora eu quero lê-lo - leitura feita em 2013)
Quem sabe naquele momento em que eu era um moleque maloqueiro em meus 12 ou 13 anos não tive naquela imagem do Rener um empurrãozinho para começar a pegar livros do meu primo Jorge Luiz para ler? Livros tipo best sellers, que a tia Lúcia comprava para ele, afinal, ela era funcionária pública e tinha um pouco mais de recursos que o restante da família. (meu primo me explicou depois que era ele quem comprava os livros porque já trabalhava e gostava de ler)
Durante as aventuras do livro, fui vendo em flash backs as várias cenas que estão em minha colcha de retalhos: o professor de Física Jaime, que era gago e que eu tinha a cara de pau de sacaneá-lo; minha primeira briga na escola, de rolar no chão com outro moleque e depois a libertação, quando bati no moleque que mais aterrorizava a meninada da rua; dos primeiros deslumbramentos com as garotas; das casas que morei e do barracão com trocentas goteiras pingando água da chuva e meus pais correndo com os baldes pra lá e pra cá; lembrança até da única vez em que matei um passarinho, igualzinho ao personagem do livro - até hoje me aperta o peito só de lembrar o caso.
Olha, o livro me foi muito bem.
O menino no espelho (1982)
Fernando Sabino (1923-2004)
Editora Record - 82a edição
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Alencar, o escravista (2)
Análise/livro/"Cartas a Favor da Escravidão"
Esforço letrado de Alencar é chocante
Textos publicados revelam um escritor admirável e ao mesmo tempo execrável, que faz pensar nos novos senhores do Brasil
Tales Ab'Sáber
Especial para a Folha
Quem ler as "Cartas a Favor da Escravidão", de José de Alencar, que a editora Hedra publica após 140 anos de sua primeira aparição, deve se espantar. De fato, o livro tende para o inacreditável.
Há muito que circula a percepção em círculos progressistas de que as elites nacionais poderiam funcionar por princípios pré-modernos em plena modernidade, diante dos quais o horizonte real de desenvolvimento social do país não é um móvel histórico forte.
A vida ideológica estável de nossa época nos impede de checarmos as concepções de mundo do poder e seu controle do corpo e destino no mundo do trabalho. Em um tempo em que todo poder emana do capital, e a crítica da violência no espaço do trabalho está vedada por princípio, apesar da virtual escravidão, a verdade é que a violência contra o trabalho continua aí, presente, configurando amplos setores da economia. No entanto, tais novos senhores do trabalho do outro estão justificados a priori.
Afinal, imensas empresas, como as grandes marcas esportivas ocidentais, não exploram também ao extremo o trabalho, até mesmo o infantil, no sudoeste asiático, ao mesmo tempo em que terceirizam as responsabilidades, como se nada tivessem a ver com essa ordem de iniquidades, mesmo quando ganham tudo com ela?
Clareza e astúcia
Em uma certa passagem de nossa modernidade, José de Alencar se pôs a defender, com seu estilo transparente e elegante, a posição do Partido Conservador pela manutenção da escravidão no Brasil. A instituição estava abalada, pois fora abolida no império inglês (1833), nas colônias francesas (1848) e nos EUA (1863).
As pressões sobre o Brasil eram grandes, e d. Pedro 2º sinalizava, mesmo que de modo muito lento e gradual, para o horizonte de supressão do trabalho escravo. Então Alencar escreve essas peças execráveis, mas, paradoxalmente, admiráveis pela clareza e pela astúcia, sustentando a necessidade civilizatória da escravidão.
Fundado em um princípio de violência inconciliável da civilização com a natureza e com o outro humano - o bárbaro -, que seria civilizado pela força avançada que o poria como escravo, mas força que também o tornava um virtual sujeito para ele próprio, Alencar se utiliza de todos os argumentos imagináveis em seu tempo para justificar o modernamente injustificável, do risco de crise social à necessidade econômica fatalista e até mesmo um desenho de amálgama de raças pela miscigenação e pela cultura, que faria da escravidão a mãe da cultura nacional.
Hoje, o esforço letrado e frio do escritor é chocante e nos parece vazado de desfaçatez. Algo parece ter mudado no valor dos fatos e da história.
Mas o que podemos dizer dos neo-senhores, que mantêm condições de terror e ignomínia no mundo do trabalho? Se eles fossem obrigados a falar, como recentemente os neocons americanos o fizeram para justificar a ilegítima invasão no Iraque, seu sistema de razões e sofismas soaria semelhante ao do elegante e culto senhor de escravo e romancista brasileiro, como toda ordem de razão que emana da pura força.
De modo algum é acaso que este tenha sido o único trabalho publicado do autor no século 19 ausente das obras completas de 1959. Tal voz conservadora é de fato mais poderosa quando silenciosa, quando não mais necessita se justificar. Por isso o livro de Alencar é importante. Ele dá voz e configuração ao que silencia, pois não necessita justificativa, e pode apenas agir, tão sistematicamente no Brasil.
------------------------------
TALES AB'SÁBER é psicanalista, membro do Instituto Sedes Sapientiae e autor de "O Sonhar Restaurado" (ed. 34)
Fonte: FSP 8/10/08
Esforço letrado de Alencar é chocante
Textos publicados revelam um escritor admirável e ao mesmo tempo execrável, que faz pensar nos novos senhores do Brasil
Tales Ab'Sáber
Especial para a Folha
Quem ler as "Cartas a Favor da Escravidão", de José de Alencar, que a editora Hedra publica após 140 anos de sua primeira aparição, deve se espantar. De fato, o livro tende para o inacreditável.
Há muito que circula a percepção em círculos progressistas de que as elites nacionais poderiam funcionar por princípios pré-modernos em plena modernidade, diante dos quais o horizonte real de desenvolvimento social do país não é um móvel histórico forte.
A vida ideológica estável de nossa época nos impede de checarmos as concepções de mundo do poder e seu controle do corpo e destino no mundo do trabalho. Em um tempo em que todo poder emana do capital, e a crítica da violência no espaço do trabalho está vedada por princípio, apesar da virtual escravidão, a verdade é que a violência contra o trabalho continua aí, presente, configurando amplos setores da economia. No entanto, tais novos senhores do trabalho do outro estão justificados a priori.
Afinal, imensas empresas, como as grandes marcas esportivas ocidentais, não exploram também ao extremo o trabalho, até mesmo o infantil, no sudoeste asiático, ao mesmo tempo em que terceirizam as responsabilidades, como se nada tivessem a ver com essa ordem de iniquidades, mesmo quando ganham tudo com ela?
Clareza e astúcia
Em uma certa passagem de nossa modernidade, José de Alencar se pôs a defender, com seu estilo transparente e elegante, a posição do Partido Conservador pela manutenção da escravidão no Brasil. A instituição estava abalada, pois fora abolida no império inglês (1833), nas colônias francesas (1848) e nos EUA (1863).
As pressões sobre o Brasil eram grandes, e d. Pedro 2º sinalizava, mesmo que de modo muito lento e gradual, para o horizonte de supressão do trabalho escravo. Então Alencar escreve essas peças execráveis, mas, paradoxalmente, admiráveis pela clareza e pela astúcia, sustentando a necessidade civilizatória da escravidão.
Fundado em um princípio de violência inconciliável da civilização com a natureza e com o outro humano - o bárbaro -, que seria civilizado pela força avançada que o poria como escravo, mas força que também o tornava um virtual sujeito para ele próprio, Alencar se utiliza de todos os argumentos imagináveis em seu tempo para justificar o modernamente injustificável, do risco de crise social à necessidade econômica fatalista e até mesmo um desenho de amálgama de raças pela miscigenação e pela cultura, que faria da escravidão a mãe da cultura nacional.
Hoje, o esforço letrado e frio do escritor é chocante e nos parece vazado de desfaçatez. Algo parece ter mudado no valor dos fatos e da história.
Mas o que podemos dizer dos neo-senhores, que mantêm condições de terror e ignomínia no mundo do trabalho? Se eles fossem obrigados a falar, como recentemente os neocons americanos o fizeram para justificar a ilegítima invasão no Iraque, seu sistema de razões e sofismas soaria semelhante ao do elegante e culto senhor de escravo e romancista brasileiro, como toda ordem de razão que emana da pura força.
De modo algum é acaso que este tenha sido o único trabalho publicado do autor no século 19 ausente das obras completas de 1959. Tal voz conservadora é de fato mais poderosa quando silenciosa, quando não mais necessita se justificar. Por isso o livro de Alencar é importante. Ele dá voz e configuração ao que silencia, pois não necessita justificativa, e pode apenas agir, tão sistematicamente no Brasil.
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TALES AB'SÁBER é psicanalista, membro do Instituto Sedes Sapientiae e autor de "O Sonhar Restaurado" (ed. 34)
Fonte: FSP 8/10/08
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Tales Ab'Sáber
Alencar, o escravista
Cartas do autor a d. Pedro 2º, nas quais defendia o cativeiro no país, são pela 1ª vez publicadas em livro, 140 anos depois
Reprodução
![]() |
| Quadro "Loja de Rapé", aquarela inacabada em que o pintor Jean-Baptiste Debret retrata escravos urbanos no Brasil do século 19. |
Rafael Cariello
Da reportagem local
"A escravidão caduca, mas ainda não morreu; ainda se prendem a ela graves interesses de um povo. É quanto basta para merecer o respeito."
Quem vinha a público, em 1867, desejoso de ser ouvido na defesa do cativeiro no país era o romancista José de Alencar (1829-1877). A memória histórica no Brasil, no entanto, silenciaria seus argumentos no século seguinte.
A frase aparece numa das sete cartas públicas em que, naquele ano, o autor de "Iracema" criticou o imperador d. Pedro 2º por propor que o país começasse a pôr fim gradual à escravidão. Só agora, 140 anos depois, elas ganham uma edição em livro, "Cartas a Favor da Escravidão" (ed. Hedra), que chega nesta semana às livrarias.
Embora diversos pesquisadores tivessem conhecimento de sua existência - que era citada em alguns trabalhos - e das posições políticas de Alencar, o conteúdo das cartas não chegou a ser reimpresso. O conjunto não aparece, por exemplo, nas obras completas do autor romântico, organizadas em 1959 pela editora José Aguilar (hoje Nova Aguilar).
No final dos anos 90, a historiadora Silvia Cristina Martins de Souza encontrou as cartas na Biblioteca Nacional, no Rio.
Republicou parte delas numa revista especializada da Unicamp. "Elas não haviam sido reproduzidas no século 20", diz a pesquisadora, que atribui o "esquecimento" do material ao "desconhecimento e desinteresse" sobre a obra de Alencar.
O organizador do livro que vem agora a público, Tâmis Parron, tem opinião diferente.
Ele escreve na introdução aos textos de Alencar que se trata de uma "provável tentativa de expurgar sua memória artística de uma posição moralmente insustentável para os padrões culturais hegemônicos desde o final do século 19".
"É um expurgo? Pode ser. É provável, mas não tenho acesso a documentos que provem essa hipótese", disse o historiador, em entrevista à Folha.
Procurada, a Nova Aguilar não respondeu aos questionamentos sobre a lacuna e sobre a possibilidade de inclusão das cartas em edições futuras (a última, esgotada, saiu em 1965).
As "Novas Cartas Políticas de Erasmo", como foram denominadas, numa referência ao pensador holandês, apareceram num momento de crise internacional da escravidão. Com o fim da Guerra Civil Americana (1861-1865) e da servidão nos EUA, aumentaram as pressões internacionais para que o Brasil, como último país independente da América a mantê-la, pusesse fim à instituição.
No princípio de 1867, o imperador pede que seu gabinete encaminhe ao Legislativo uma proposta de discussão que resulte num prazo para o fim da escravidão.
Instituição necessária
É em reação a essa movimentação de d. Pedro que Alencar argumenta, em suas cartas, contra a extinção por lei de uma instituição que, para ele, deveria acabar como resultado de um processo "natural" de maturação -processo que na Europa, ele diz, levou séculos.
O escritor e político -falava como integrante do Partido Conservador- reconhece que a escravidão já se apresentava "sob um aspecto repugnante", mas completava que "ainda mesmo extintas e derrogadas, as instituições dos povos são coisa santa, digna de toda veneração". "Nenhum utopista, seja ele um gênio, tem o direito de profaná-las. A razão social condena uma tal impiedade."
As "razões sociais" do cativeiro no Brasil eram muitas, segundo o autor. Em primeiro lugar, de ordem econômica, já que era pelo trabalho escravo que se mantinha a produtividade das unidades agroexportadoras do século 19. Depois, política, já que era daí que o Estado tirava recursos para existir.
Mas também "social", já que, segundo Alencar, a instituição no Brasil trazia a promessa de inserção, como cidadão (ainda que parcial), do escravo alforriado e de seus filhos.
Finalmente, num raciocínio pouco usual na época, Alencar, de certa forma prefigurando Gilberto Freyre, autor de "Casa Grande & Senzala", afirmava que a escravidão permitia a existência de uma cultura original no Brasil, fruto da "miscigenação" de costumes entre "brasileiros" e negros africanos.
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CARTAS A FAVOR DA ESCRAVIDÃO
Autor: José de Alencar
Organizador: Tâmis Parron
Editora: Hedra
Quanto: preço a definir (160 págs.)
Fonte: FSP, 8/10/08
Leia aqui a segunda matéria sobre o mesmo tema.
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
História dos Bancários - Registros após 2002
(PRODUÇÃO DE TEXTO EM ANDAMENTO)
2006
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Contraf-CUT, foi criada em janeiro de 2006 pelos trabalhadores e suas entidades sindicais para suceder a Confederação Nacional dos Bancários, CNB-CUT, pela necessidade de organizar e representar o conjunto dos trabalhadores que atuavam para os bancos no Brasil, reorganizados em holdings e corporações nacionais e internacionais.
O primeiro congresso da Confederação ocorreu ao final de abril de 2006 e fui eleito secretário de imprensa para o período de 2006 a 2009.
O foco das matérias que vou replicar e organizar aqui será prioritariamente em relação ao Banco do Brasil. Como responsável pela imprensa da entidade, eu acompanhava tudo que era publicado sobre o maior banco público do país, empresa para a qual trabalho desde 9 de setembro de 1992.
William Mendes
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CONTRAF-CUT: REPRESENTAR TRABALHADORES DO RAMO FINANCEIRO
01/5/2006
(São Paulo) A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) realizou nesta terça e quarta-feira seu primeiro congresso, em Nazaré Paulista (SP). O objetivo foi eleger a direção da entidade e aprovar seus estatutos. O evento reuniu cerca de 300 delegados de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal.
Criada em janeiro deste ano (2006), em uma assembleia ocorrida no Paraná, a nova entidade já nasceu representativa e possui registro sindical desde março. Aglutina nove federações, com 110 sindicatos filiados, cuja base é composta por 360 mil trabalhadores do ramo financeiro.
A Contraf-CUT foi criada para atender a uma demanda das diversas categorias envolvidas em atividades do sistema financeiro. Muitas delas permanecem à margem da Convenção Coletiva Nacional dos bancários, embora realizem serviços contratados por empresas que fazem parte das holdings controladas por bancos.
Entre esses profissionais, além de bancários e financiários, encontram-se promotores de vendas, securitários, especialistas em tecnologia da informação, funcionários de bolsas de valores, entre outros. Estima-se que essas categorias ultrapassem um milhão de empregados, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) realizada em 2004.
AMPLIAÇÃO DE CONQUISTAS
Segundo Vagner Freitas, eleito presidente da Contraf-CUT, um dos objetivos da criação da entidade é incluir no debate e nas negociações sindicais todos os trabalhadores que fazem parte do processo de intermediação financeira com o intuito de equiparar seus direitos e ampliar suas conquistas.
"Estamos num momento histórico, em que nasce uma Confederação ampla, representante de diversos segmentos sociais. E dentro da estratégia da CUT, de ampliar a representação dos trabalhadores, enfrentando os diversos artifícios usados pelas empresas, como a terceirização e segmentação de atividades", afirma.
A pulverização dos trabalhadores brasileiros em cerca de 18 mil sindicatos nos últimos anos tornou obsoleta a organização por categoria profissional, uma vez que eles se relacionam por ramo de atividade e estão envolvidos no mesmo processo.
Os próprios bancos reconheceram essa mudança e a necessidade de criar uma entidade sindical patronal do ramo para representá-los: a Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif).
Vejam abaixo a composição eleita da direção da entidade:
PRESIDÊNCIA E SECRETARIAS
Vice-Presidente - Milton dos Santos Rezende (Banco do Brasil/RJ)
Secretaria Geral - Carlos Alberto Cordeiro da Silva (Itaú/SP)
Secretaria de Finanças - Miguel Pereira (HSBC/RJ)
Secretaria de Imprensa - William Mendes de Oliveira (Banco do Brasil/SP)
Secretaria de Relações Internacionais - José Ricardo Jacques (Bradesco/SC)
Secretaria de Saúde - Plínio José Pavão de Carvalho (Caixa Econômica Federal/SP)
Secretaria de Formação - Deise Aparecida Recoaro (ABN Real/SP)
Secretaria de Organização do Ramo Financeiro - Carlindo Dias de Oliveira (Bradesco/MG)
Secretaria de Políticas Sociais - Maria Arlene Montanari Leme (Caixa Econômica Federal/SP)
Secretaria de Assuntos Socioeconômicos - Luciana Duarte Lopes (Unibanco/MG)
Secretaria de Políticas Sindicais - Eduardo Celso Bastos Navarro de Andrade (Bradesco/BA)
Secretaria de Assuntos Jurídicos - Sonia Aparecida Aoki Zaia (Nossa Caixa/SP)
DIRETORES EXECUTIVOS
Antonio Ferreira Vale de Freitas Lima (Unibanco/RJ)
Eduardo Araújo de Souza (Banco do Brasil/DF)
Jorge Geraldo Palermo Ferraz (Bradesco/RJ)
Leoni Teresinha Philippsen (Banco do Brasil/MT)
Maria Salete Gomes de Souza (Banpará/PA)
Neemias Souza Rodrigues (Bradesco/MG)
Paulo Roberto Stekel (Santander Meridional/RS)
Sérgio Braga Vilas Boas (Banco do Brasil/AL)
SUPLENTES
Douglas Garcia dos Reis (Bradesco/ES)
Emanoel Souza de Jesus (Caixa Econômica Federal/BA)
José Ailson Duarte (Santander/CE)
Luis Augusto Monteiro Fernandes (Bradesco/SP)
Marcos Benedito da Silva (Santander/SP)
Paula Virginia Souza Oliveira (Itaú/RJ)
Sérgio Ricardo Nunes Siqueira (HSBC/SP)
Wanderley Antonio Crivellari (Itaú/PR)
CONSELHO FISCAL
EFETIVOS
Ernesto Humberto dos Santos (Unibanco/RS)
Gilmar Carneiro dos Santos (Itaú/SP)
Neide Aparecida Fonseca (Nossa Caixa/SP)
SUPLENTES
Bárbara Peixoto de Oliveira (Caixa Econômica Federal/DF)
Marcos Vandai Tavares Rolim (Bradesco/MA)
Rubens José Branquinho dos Santos (HSBC/RJ)
CONSELHO DIRETIVO
Afonso Lopes da Silva (Bradesco/SP)
Alberto Gomes Maranho (Santander Banespa/SP)
Alexander Alves de Oliveira (Itaú/RJ)
Anderson Peçanha de Siqueira (Unibanco/RJ)
Carlos Alberto Garcia (Unibanco/SP)
Celsius Descartes da Conceição Andrade (CEF/SE)
Cícero Ferreira Matheus (Rural/AL)
Denílson Machado (Santander/SC)
Érica de Oliveira Batista Simões (Bradesco/SP)
Francisco Cezar Bernardo de Lima (Itaú/SP)
José Carlos Alonso Gonçalves (CEF/SP)
José Carlos Garcia (Santander/SP)
José Ferreira Pinto (CEF/RJ)
Kardec de Jesus Bezerra (CEF/SP)
Lessivan Marcos de Oliveira Pacheco (Banco do Brasil/DF)
Lídia Pinto Ribeiro, (Unibanco/RJ)
Luís Volnei Diogo, (ABN/REAL/RS)
Márcio Benedito Monzani, (ABN/SP)
Maria Rosani Gregorutt Akiyama Hashizumi, (Santander/SP)
Marilza Speroto (HSBC/ES)
Marinaldo Soares Barbosa (ABN/Real/PB)
Maurício Honorato (Banespa/SP)
Moacir Carneiro da Costa (CEF/BA)
Nilson Alexandre de Moura Júnior (CEF/SP)
Nilton Damião Esperança (Bradesco/RJ)
Raimundo Walter Luz Júnior (BASA/PA)
Raquel Rothgangr (Banco do Brasil/SP)
Rosalina do Socorro Ferreira Amorim (Banco do Brasil/PA)
Silvio Takashi Aragusuku (Santander/SP)
Walter Antônio Alves Oliveira (Santander/SP)
Welff Madruga Povoa (Santander/RS)
Fonte: site da Contraf-CUT
Denílson Machado (Santander/SC)
Érica de Oliveira Batista Simões (Bradesco/SP)
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Márcio Benedito Monzani, (ABN/SP)
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Nilson Alexandre de Moura Júnior (CEF/SP)
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Ilustração real do "Ensaio sobre a lucidez"
"Passava da meia-noite quando o escrutínio terminou. Os votos válidos não chegavam a vinte e cinco por cento, distribuídos pelo partido da direita, treze por cento, pelo partido do meio, nove por cento, e pelo partido da esquerda, dois e meio por cento. Pouquíssimos os votos nulos, pouquíssimas as abstenções. Todos os outros, mais de setenta por cento da totalidade, estavam em branco." (José Saramago, Ensaio sobre a lucidez, 2004)
"Prefeito de Maribondo (AL) é eleito com 99,98% dos votos; segundo lugar obteve apenas um voto
Do UOL Notícias
Em Maribondo, Alagoas, o candidato do PSC, Zé Márcio se elegeu prefeito com 99,98% dos votos, ou 5.167 votos válidos.
Reneide Vieira (PHS) conseguiu ficar em segundo lugar com apenas um voto, na frente de Roberto Sapucaia (PSDB), que não obteve nenhum voto.
A cidade alagoana foi a que registrou maior diferença entre o primeiro e o segundo lugar na disputa municipal.
Mais da metade dos eleitores votou nulo (4.056 ou 43%), branco (159 ou 1%) ou se absteve (1.897 ou 16%) das eleições."
COMENTÁRIO DO BLOG:
Vejam esse caso da cidade de Maribondo, no interior de Alagoas, nas eleições municipais de 2008. Ele ilustra bem os fatos narrados no livro de José Saramago.
A única diferença é que no "Ensaio" foi maioria os votos em branco, ou seja, dos brancosos, e na cidade alagoana foram minoria os votos válidos, sendo os nulos a maioria dos votos não-válidos.
Do UOL Notícias
Em Maribondo, Alagoas, o candidato do PSC, Zé Márcio se elegeu prefeito com 99,98% dos votos, ou 5.167 votos válidos.
Reneide Vieira (PHS) conseguiu ficar em segundo lugar com apenas um voto, na frente de Roberto Sapucaia (PSDB), que não obteve nenhum voto.
A cidade alagoana foi a que registrou maior diferença entre o primeiro e o segundo lugar na disputa municipal.
Mais da metade dos eleitores votou nulo (4.056 ou 43%), branco (159 ou 1%) ou se absteve (1.897 ou 16%) das eleições."
COMENTÁRIO DO BLOG:
Vejam esse caso da cidade de Maribondo, no interior de Alagoas, nas eleições municipais de 2008. Ele ilustra bem os fatos narrados no livro de José Saramago.
A única diferença é que no "Ensaio" foi maioria os votos em branco, ou seja, dos brancosos, e na cidade alagoana foram minoria os votos válidos, sendo os nulos a maioria dos votos não-válidos.
Martín Fierro - Um clássico argentino
![]() |
| Imagem de divulgação do filme. |
MARTÍN FIERRO, EL AVE SOLITARIA
Argentina / Drama / 108 min / 2005
Dirección: Gerardo Vallejo
Elenco: Alejandro García, Juan Palomino, Norma Argentina, Ricardo Galli
Sinopsis: Alrededor de 1870, el gaucho Martín Fierro es obligado a unirse al ejército argentino para pelear contra los indios en la conquista del desierto. Martín logra escapar del ejército, pero su vida ya no volverá ser la misma.
Ontem, assisti ao filme argentino baseado na obra de José Hernández e gostei da adaptação. Aproveitei para gravá-lo em VHS.
Já li a primeira parte da obra, pois ela é parecida com a de Dom Quixote de La Mancha, que saiu em dois tomos com um intervalo de tempo.
Li El Gaucho Martín Fierro, de José Hernández, publicado em 1872. É belíssimo!
"Aquí me pongo a cantar
al compás de la vigüela,
que el hombre que lo desvela
una pena estrordinaria
como la ave solitaria
con el cantar se consuela.
Pido a los santos del cielo
que ayuden mi pensamiento:
les pido en este momento
que voy a cantar mi historia
me refresquen la memoria
y aclaren mi entendimiento."
Bibliografia:
HERNÁNDEZ, José. Martín Fierro. 1ª ed. - La Plata: Terramar, 2007.
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domingo, 5 de outubro de 2008
Sobre lucidez, corporações e o que será de mim...
Refeição Cultural
Acabei a leitura há pouco do livro de José Saramago, Ensaio sobre a lucidez, publicado em 2004. Estou passado até agora pelo final da história.
Ontem, fiquei também muito perplexo pelas verdades que nos são lembradas no filme The Corporation, vencedor do Sundance Film Festival em 2004, filme dirigido por Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan. Saí para dar uma caminhada à noite para aliviar as ideias.
Ontem, fiquei também muito perplexo pelas verdades que nos são lembradas no filme The Corporation, vencedor do Sundance Film Festival em 2004, filme dirigido por Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan. Saí para dar uma caminhada à noite para aliviar as ideias.
Estou um pouco cansado neste fim de semana. Acabei não correndo e estou meio-que igual ao clima: nublado e cinza.
Do filme, gostei de uma verdade: é preciso impor uma filosofia de futilidade ao consumidor. Não é que as corporações mundiais conseguiram isso!
Estamos vivendo hoje o dia nobre do regime democrático: as eleições. Eu espero que os candidatos e partidos de esquerda e com programas a favor do povo e do bem público sejam os grandes vencedores.
Algo que não consigo deixar de pensar: será que serei alguma coisa diferente de bancário e sindicalista no amanhã?
Estou bem desanimado para acreditar que ainda serei professor universitário e um conhecedor de literatura, porque comecei muito tarde e não tenho muito tempo hábil para correr atrás do prejuízo.
Sei não. Acho que não serei mais nada além disso que está aí.
--------------
Post Scriptum (26/2/20):
Poxa, que dizer doze anos depois? Os pressentimentos que tinha se realizaram, a respeito da não realização dos meus desejos de mudanças na vida pessoal e intelectual. Não fui nada! Não fui professor. Não fui nada mais que um sindicalista, um bancário. Segui dirigente até o último momento de minha vida nos quadros da ativa do Banco do Brasil. Meu último papel como representante dos bancários foi um mandato eletivo de diretor de saúde na Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, a Cassi. Mesmo assim, isso não quer dizer que eu não era um bancário e um sindicalista. E assim terminei minha vida de trabalhador.
A respeito do título da postagem, que fala de lucidez e de corporações, que poderia dizer do contexto em que escrevo, o mais trágico da história do Brasil. As corporações norte-americanas e seus governos, aquelas que o filme aborda, organizaram um golpe de Estado no Brasil (2016) e após a destruição da frágil democracia brasileira chegou ao poder um demente escroto e sua família, gente do submundo do crime organizado. O país está destruído e neste momento caminhamos para um golpe dentro do golpe, com risco de recrudescimento do novo regime e mais quebra das garantias constitucionais mínimas...
Do filme, gostei de uma verdade: é preciso impor uma filosofia de futilidade ao consumidor. Não é que as corporações mundiais conseguiram isso!
Estamos vivendo hoje o dia nobre do regime democrático: as eleições. Eu espero que os candidatos e partidos de esquerda e com programas a favor do povo e do bem público sejam os grandes vencedores.
Algo que não consigo deixar de pensar: será que serei alguma coisa diferente de bancário e sindicalista no amanhã?
Estou bem desanimado para acreditar que ainda serei professor universitário e um conhecedor de literatura, porque comecei muito tarde e não tenho muito tempo hábil para correr atrás do prejuízo.
Sei não. Acho que não serei mais nada além disso que está aí.
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Post Scriptum (26/2/20):
Poxa, que dizer doze anos depois? Os pressentimentos que tinha se realizaram, a respeito da não realização dos meus desejos de mudanças na vida pessoal e intelectual. Não fui nada! Não fui professor. Não fui nada mais que um sindicalista, um bancário. Segui dirigente até o último momento de minha vida nos quadros da ativa do Banco do Brasil. Meu último papel como representante dos bancários foi um mandato eletivo de diretor de saúde na Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, a Cassi. Mesmo assim, isso não quer dizer que eu não era um bancário e um sindicalista. E assim terminei minha vida de trabalhador.
A respeito do título da postagem, que fala de lucidez e de corporações, que poderia dizer do contexto em que escrevo, o mais trágico da história do Brasil. As corporações norte-americanas e seus governos, aquelas que o filme aborda, organizaram um golpe de Estado no Brasil (2016) e após a destruição da frágil democracia brasileira chegou ao poder um demente escroto e sua família, gente do submundo do crime organizado. O país está destruído e neste momento caminhamos para um golpe dentro do golpe, com risco de recrudescimento do novo regime e mais quebra das garantias constitucionais mínimas...
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William Mendes
Artigo - A importância do voto naqueles que representam os trabalhadores
Os interesses de classe em jogo nas eleições
Por William Mendes*
No próximo domingo, dia 5 de outubro (2008), o povo brasileiro vai às urnas para eleger seus representantes nas câmaras de vereadores e os prefeitos dos municípios. É um momento ímpar, único, para o chamado "povo". Não falo aqui no sentido lato sensu e sim no stricto sensu.
No sentido lato sensu o povo equivale aos 185 milhões de brasileiros. No stricto sensu retiro certos grupos constituintes da sociedade como banqueiros, rentistas, grandes empresários e os grandes "coronéis" que dominam este país há mais de cinco séculos.
É o dia em que o voto dos bancários, dos desempregados, dos professores, dos auxiliares de limpeza vale o mesmo que o dos presidentes do Bradesco, Itaú e demais bancos da Fenaban. Dia em que o voto dos trabalhadores vale o mesmo que o do dono da Rede Globo, da Editora Abril, da Folha e do Estadão. (todos esses donos detestam essa igualdade)
Esse poder do voto é referente ao conceito que a filósofa Marilena Chauí muito bem explica no livro Leituras da Crise, onde cita Aristóteles:
"Aristóteles também distinguiu entre virtudes privadas e virtudes públicas, isto é, pensou numa ética pública, na qual a virtude central é a justiça. Distinguiu entre justiça do partilhável ou distributiva - que se refere à distribuição dos bens e ao problema da desigualdade - e justiça do participável ou participativa - que se refere ao exercício do poder e à igualdade (...) a justiça participativa, se refere ao que só pode ser participado, ou seja, ao poder político, que pertence a todos os cidadãos igualmente".
O povo percorreu um longo tempo para poder exercer esse direito de igualdade.
No início só votavam os abastados (e só os homens). Com a luta pela verdadeira democracia, fomos incluindo os grandes segmentos de excluídos da sociedade até chegarmos ao voto universal.
Após a direita capitalista nas Américas (Central e do Sul) ter sofrido tantas derrotas na última década, sua grande mídia tem começado a dar vazão novamente às teses de que o povo não sabe votar e que isso tem sido responsável por candidatos de esquerda ou centro-esquerda estarem vencendo as eleições aqui nos trópicos. A elite e a grande mídia têm insinuado que "é um absurdo gente pobre e analfabeta decidir os rumos do país".
O embate eleitoral de classes - todos têm lado
O melhor momento para se desmascarar a falácia do conceito de "imparcial", "isento" e "neutro" é em períodos eleitorais. Fica-se evidente que todos têm lado.
E é natural que todos o tenham.
Afinal de contas o desempregado, o bancário, o sem-terra não deve ter o mesmo interesse que o dono de banco, que o dono de multinacional, que o dono de jornal e TV.
Sendo assim, o voto deve significar representação de classe. Tanto nas legendas partidárias como nos candidatos dentro das legendas.
É aqui que o povo a que me refiro ganha força. No dia da eleição, podemos eleger para as câmaras e para as prefeituras, partidos e pessoas que pensam em fazer um governo para o povo.
A grande mídia e a elite têm trabalhado incansavelmente para desqualificar a política e os parlamentos (Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras de vereadores). O interesse por trás disso é vender a ideia de que política é coisa de profissional, de gente técnica, de gente "competente".
Não podemos cair nessa lógica elitista e conservadora.
O povo tem que eleger para os parlamentos os seus representantes. Há que se atentar para os partidos destes candidatos porque há partidos como, por exemplo, DEM, PSDB, PPS e PP que defendem políticas que privilegiam os mais ricos e o Estado mínimo, Estado focado só na segurança para as propriedades deles e há partidos como PT, PCdoB e PSB, dentre outros de esquerda que defendem a coisa pública e a melhor distribuição de renda e os direitos de todos.
É evidente que não preciso citar aqui as dezenas de partidos existentes hoje (a maioria é legenda de aluguel). Há partidos como o PMDB que é um balaio de gato e que acaba tendo por linha estar sempre ao lado de quem está no poder.
Vejam o Brasil que temos hoje, administrado por um governo democrático-popular: a administração do PT mudou a história deste país. Todas as classes sociais têm essa leitura, pois os índices de aprovação do governo Lula chegam a 80%.
O papel da classe trabalhadora (o povo) nestas eleições
Temos um compromisso neste domingo, 5 de outubro. Eleger partidos e candidatos com políticas de inclusão social, defesa da coisa pública e ampliação do foco na saúde e segurança pública.
Os números nacionais dos últimos 6 anos do país estão aí. Redução da pobreza, inflação baixa, milhões de empregos gerados, praticamente 100% dos trabalhadores brasileiros conseguindo aumento real em seus acordos coletivos e, muito importante, tratamento de forma muito mais justa para os servidores do Estado em todos os níveis com o fim do congelamento salarial e contratação por concurso público para melhorar as condições de trabalho e atendimento à Nação. Reestruturação do Estado Brasileiro que permitiu maior combate à corrupção, maiores programas sociais da história do Brasil como o Bolsa Família e ProUni - que está permitindo a centenas de milhares de jovens das classes C, D e E (povo) fazerem suas faculdades etc.
O ideal para os trabalhadores seria atingir maioria de candidatos ligados ao povo, ou seja, termos nas câmaras municipais 50% mais 1 para aprovação de leis a favor das mudanças sociais necessárias, sem grandes dependências de acordos com a direita e representação dos empresários e demais da elite.
Neste domingo, não deixemos que a minoria elitista e reacionária nos engane. Vamos fazer o bom embate de classes e eleger os nossos candidatos de esquerda, ou seja, os candidatos do povo.
* William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf-CUT e funcionário do Banco do Brasil
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Poema - Que venham mais partículas de água nas coisas...
Umidade...
Humidade...
Humedad...
Não importa como escrevem os brasileiros.
Não importa como escrevem os portugueses.
Não importa como escrevem os espanhóis.
Pra mim o que realmente importa é a essência das coisas.
É a essência dos sentidos.
Aqui, a umidade me convém...
Esses olhos tão secos...
Que venham mais partículas de água nas coisas...
(Tem uns engraçadinhos acadêmicos que inventaram que a partir de 1.1.2009 novas regras ortográficas mudam a palavra "humidade" portuguesa para "umidade" portuguesa. Fora mais um monte de regramentos absurdos que desrespeitam as peculiaridades de cada falar português)
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O caminho de Santiago de Compostela
É... Semanas atrás, o dólar estava a R$1,57 e agora está a R$1,96.
Não sei como, mas vou desembarcar na Espanha de alguma forma ano que vem para caminhar pelo norte do país até chegar a Santiago de Compostela.
Não me preparei para chegar aos 40 anos ganhando um bom salário, pois nunca fui apegado a dinheiro. Sei que está fazendo falta agora (o dinheiro), até porque tenho agregados que precisam de mim e essa é a regra por viver em sociedade.
Que diacho de vida embrejada!
Belo episódio de Arquivo X (Libertação) e leituras reflexivas
| Arquivo X - episódios do 7º ano da série. |
Refeição Cultural
A decisão é sempre difícil: sair pra minha caminhada ou ler? Correr ou escrever? O tempo é tão escasso e todas as ações me convêm!
Acabei deixando a caminhada ou corrida e fiquei com as demais atividades de leitura e escrita.
Li Saramago - um capítulo do Ensaio sobre a lucidez; fiz uma leitura sobre o decreto que altera regras ortográficas da língua portuguesa; também exercitei a própria ação de rabiscar nesta folha em branco (quero dizer, clicar letras do teclado nesta tela em branco).
Ontem, cheguei a casa (no Brasil é comum dizer em casa) muito cansado. Resolvi no caminho que precisava ficar à toa para tentar relaxar um pouco. Que fiz? Assisti a dois episódios da série Arquivo X, do sétimo ano (tenho a coleção completa).
Episódios que se chamam "Libertação", parte 1 e parte 2. Como ocorreu anos atrás, me emocionei de novo com o tema, que trata de crianças desaparecidas, que trata de viver em busca de algo, que trata de manter a esperança mesmo quando o motivador pode ser uma ilusão. O episódio é muito triste, mas traz reflexão.
Quanto à discussão das mudanças ortográficas, estou do lado dos que são contrários a ela. Não vejo como isso possa melhorar a língua nem a dificuldade do povo em lidar com ela (digo a dificuldade de lidar com as regras da forma escrita, pois na falada quem manda é o povo).
Fim.
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