domingo, 11 de abril de 2010

Caminhada de domingo - confesso que movida à preguiça

Foto de William Mendes. Anoitecer em Madri, em tarde fria de set/2009.
Caminhei hoje uns 7,5 km pela manhã. Estava com uma preguiça desgraçada! Mas... caminhei.


Bom, para embelezar meu blog, postei aqui uma bela imagem do anoitecer de um dia muito frio em Madri, estava me despedindo de meu curso na OIT e iria embora dois dias depois.

Fala que a foto não está bonita, heim! Estou no segundo andar de um ônibus de turismo que fazia um passeio pelo roteiro da cidade antiga.

sábado, 10 de abril de 2010

Refeição Cultural 48 - O resgate do soldado Ryan, 1998, Spielberg

Foto de William Mendes abr/10.
(atualizado em 11/04/10)

Cheguei a casa nesta sexta-feira, cansadaço da semana de trabalho e acabei colocando o filme de Spielberg sobre um evento real da 2a GM - o desembarque na Normandia, em 6 de junho de 1944 - e sobre um evento ficcional - o resgate de um soldado americano, cujos três irmãos haviam morrido no mesmo conflito.

A opção pelo filme foi meio circunstancial, pois meu filho o assistiu com os amigos para fazer um trabalho de escola. Como eu não via o filme há muito tempo, resolvi dar uma olhada.

Aliás, dar uma olhada é modo de dizer porque na verdade são quase três horas de sofrimento na cadeira, pois além do martírio dos 2o minutos iniciais - o banho de sangue na tela reproduzindo o desembarque na praia dos soldados americanos sob fogo cruzado dos alemães - o restante do filme segue com a tensão do cotidiano da guerra, de não saber sobre o minuto seguinte.

Destaco a excelente interpretação do ator Tom Hanks. É impressionante como grandes filmes que marcaram uma geração - a minha - têm a interpretação desse ator, filmes como Forrest Gump e O Náufrago.

Após o filme, li um pouco sobre a 2a GM. Foram 20 páginas de uma velha apostila do Anglo sobre o conflito.

REFLEXÃO
Terminado o filme, fiquei pensando sobre a guerra e sobre nós, humanos de ontem e de sempre.

Não tenho uma visão otimista dos humanos quando olho as crianças e a juventude ao meu redor. Eu os acho deprimentes e vazios. Não existem mais valores como respeito ao próximo, ética, caráter, solidariedade e noção de justiça coletiva. Não existe!

O que fazer? Penso que devemos insistir na educação, mas primeiro deveríamos educar os adultos para então ser possível somar a educação em casa com a educação na escola.

Como os adultos estão deseducando seus filhos, dizendo que eles mandam no mundo e mandam nas pessoas que prestam serviços pagos por seus pais - educação, saúde, limpeza, transporte etc - não tem sido possível conjugar a liberdade que as gerações anteriores pensaram e conquistaram com a ideia de ética e de valores humanos como caráter, solidariedade e senso do respeito ao coletivo e ao próximo, que são tão necessários nas liberdades democráticas.

Pensar um mundo mais justo e igualitário, com menos guerras e intolerâncias, que conjugue democracia e liberdade, passa necessariamente por mudar os adultos que estão criando seres egoístas, egocêntricos e individualistas que não conseguem perceber sequer que todos vivem no mesmo espaço-mundo e que dependem uns dos outros para tudo, desde o pãozinho que comem até o ar que respiram.

Estamos atentos a isso? O que eu e você estamos fazendo neste momento, neste dia, em relação a isso?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Fuçando em meus guardados de latim

Foto de William Mendes: Praça São Marcos, Veneza - Itália, set/09(atualizado 13/04/10)

Acordei esses dias fuçando em meu velho livrinho de gramática do latim.

Quando estudei dois semestres na faculdade, espaçados uns três anos um do outro, fiquei com uma sensação de frustração muito grande porque não aprendi nada da língua.

E, na verdade, eu acho o latim muito interessante. Além disso, acho importante o seu conhecimento pois ele é raiz das línguas românicas ou neolatinas como o português, o italiano, o espanhol, o francês, dentre outras.

Autores como Lima Coutinho afirmam ser o português o próprio latim modificado, pois "80,7% do léxico comum a Portugal e Brasil vertem do latim; 16%, do grego pelo latim; 4%, de outras línguas" (Bussarello, 2002).

"ADMIROR TE PARIES NON CECIDISSE (RUINIS) QUI TOTT SCRIPTORUM TAEDIA SUSTINEAS" (grafite de Pompeia)

"Admiro, parede, não teres caído em ruínas, tu que suportas tantos tédios dos escritores".

COMENTÁRIO:
Um leitor pediu-me que falasse um pouco melhor sobre ter dito que não aprendi nada da língua latina.

É que eu considero que tenho algumas incompletudes ou lacunas culturais tremendas. Uma grande área de lacunas de conhecimento que tenho é com relação às letras. Entrei na Usp em 2001 e logo depois no movimento sindical. Isso fez meu foco de responsabilidade se voltar para a representação de meus colegas bancários e o curso de letras ficou em segundo plano. Tanto que ainda devo 3 matérias obrigatórias para completar o bacharelado.

Acabei não explorando todas as possibilidades que a faculdade de letras me daria. Não melhorei o meu parco conhecimento em literatura. Não consegui fixar as estruturas básicas da língua latina - tão úteis para compreender as línguas portuguesa, espanhola, italiana e francesa - e, o pior de tudo, continuo ignorante em gramatiquês. É UMA PENA!


Bibliografia:
FURLAN, Oswaldo A. e BUSSARELLO, Raulino. Gramática Básica do Latim. Editora DAUFSC, 3a edição, 1997.
BUSSARELLO, Raulino. Dicionário Básico Latino-Português. Editora da UFSC, 2002.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cartas de filho pra pai


Com meu pai em novembro de 2009.

Pois é meu pai querido, cá estamos para uma troca de palavras ou talvez de impressões.

Estou ficando velho. Maduro. Tenho sofrido muito com os problemas que você e mamãe estão enfrentando com a morte recente na família, de nossa tia, e a fragilidade de nossa avozinha.

Também me angustia muito saber de seus problemas de saúde e não ter me preparado na vida para ter suporte financeiro para cuidar melhor de vocês. Talvez tenha feito opções erradas ao não pensar em dinheiro durante a minha vida.

Essa carta é para dizer por escrito a você e ao mundo o quanto vocês são minhas referências e meu cais. Como vivo sem uma âncora rija e sólida, até hoje vocês e minha família de Uberlândia, que está se esfarelando, são o cais mais apropriado para atracar vez por outra de minhas jornadas nesta sobrevida.

Vocês sabem o quanto preciso de vocês vivos. A verdade é que preciso de vocês vivos inclusive de maneira egoísta, é por mim, é para mim mesmo, porque eu levo a minha vida com pouco apego a quase tudo da existência, mas sempre que caio... tenho vocês.

Pai, o que sou hoje em termos de princípios e atitudes de lutar pelo que acho correto e justo, não praticar o mal a ninguém, não querer aos outros o que não quero para os meus é fruto da educação e criação consistentes que você e minha mãezinha me deram naqueles tempos difíceis dos anos oitenta.

Amo você pai, e amo a minha mãe.

Espero longa vida a vocês e soluções para seus problemas de saúde, e de falta de atendimento público para seu tratamento.

Um beijo de seu filho.

William Mendes


Post Scriptum (9/08/15):

Anos depois, felizmente tenho você comigo pai. E tenho minha mãe também. Já não temos a tia Alice e a vovó Cornélia. Os problemas de saúde de vocês, até pela idade que avança, persistem. Felizmente e por uma casualidade, minha nova tarefa de representação dos trabalhadores me permite pagar um plano de saúde para vocês. O Brasil, com toda a crise mundial após 2008 (crise do sub-prime) criou o Programa Mais Médicos, que completou dois anos, e o programa já atende a 67 milhões de pessoas. Mas é evidente que estamos longe do ponto ideal na saúde pública, até porque não se faz mudanças nesta área em curto prazo, ainda mais em um país continental. Enquanto eu puder, investirei na saúde de vocês porque os amo e porque é meu dever de filho.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sarcopenia, esportes e alimentação após os 35 anos


Foto de William Mendes em fevereiro de 2010.

"EXPERIENTIA DOCET" (Tácito)
"A experiência ensina"


Corri e caminhei um pouco no domingo. Depois disso foi só chuva em São Paulo.

Li um texto sobre esporte e saúde e relembrei muito de meu curso inacabado de educação física, feito na década de noventa. Eu tenho certeza que seria um excelente profissional da área. Foi uma pena não ter terminado!

O texto que li explica um pouco sobre esporte, alimentação e perda de massa muscular na idade adulta - após 35 anos.

Sarcopenia: é o processo de redução de massa muscular depois dos 35 anos.

Ciclo vicioso de alimentação inadequada com falta de exercícios acelera o processo de sarcopenia.

1. A partir de certa idade, em geral após os 30 anos, o metabolismo corporal fica mais lento. Se fica mais lento, quer dizer que passa a consumir menos energia para se manter as funções normais do corpo, ou seja, sem carga extra de consumo de energia - exercícios físicos, por exemplo - as pessoas deveriam passar a ingerir menos calorias diárias.

2. Para complicar mais a situação, após os 30 anos as pessoas começam a perder massa muscular. Vale lembrar que os músculos precisam de muita energia para manter suas funções normais. Se diminuem os tecidos musculares no corpo, diminuem também os gastos de energia basilar.

Muita gente consegue unir o ruim ao desagradável quando se trata de cuidar da saúde do corpo após entrar na fase adulta posterior aos 35 anos. Além de serem sedentárias, começam a fazer regimes de cortar carboidratos da alimentação diária.

RECEITA TERRÍVEL PARA O SISTEMA MUSCULAR E EQUILÍBRIO CORPORAL

Ao invés de se fazer atividades físicas e continuar comendo alimentos ricos em carboidratos, que liberam energia fácil, as pessoas fazem o contrário: cortam o carboidrato e não fazem exercícios físicos.

RESULTADO: o corpo começa a ter sobra de calorias por gastar menos energia basilar diária, o que faz o organismo acumular essa sobra em forma de gordura. Além disso, como a pessoa troca o carboidrato por outro alimento como proteínas, o corpo vai buscar a energia que precisa justamente na energia disponível nos músculos que já estão sofrendo redução natural.

Eu já havia aprendido há bastante tempo uma formulazinha de ordem de consumo de energia do corpo.

Primeiro, o corpo consome a glicose que está disponível no sangue; depois recorre ao fígado que acumula glicose na forma de glicogênio; em seguida... vai buscar energia nos músculos! Só depois é que começa a consumir aquela energia que está acumulada na forma de gordura.

RESULTADO DA FALTA DE EXERCÍCIO, REDUÇÃO DA MASSA MUSCULAR E DE MENOS CONSUMO DE CARBOIDRATO: BOMBA!!

Pensem nisso e comecem a caminhar, correr, nadar, fazer musculação (é muito importante) e continuem consumindo moderadamente todos os tipos de alimentos. É a velha concepção budista de seguir o caminho do meio - nem um extremo, nem outro!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O porquê de "Esaú e Jacó", de Machado de Assis, ser bibliografia básica da carreira diplomática

Foto de William Mendes: pôr do sol no Palácio Real de Madri - Espanha (a partir da fachada sul, vendo o Pátio de Honra).
(atualizado em 4/4/10)

Estou pensando no porquê de o romance de Machado ser leitura obrigatória para o concurso da carreira diplomática do Itamarati.

Acredito que seja por se tratar a personagem de um diplomata aposentado que, ao falecer, deixa um conjunto de sete tomos sendo os seis primeiros do Memorial e um sétimo chamado de Último, que o narrador viria a chamar de Esaú e Jacó.

Machado descreve aquelas que seriam as características necessárias a um funcionário da carreira diplomática até à contemporaneidade dele.

"Não me demoro em descrevê-lo. Imagina só que trazia o calo do ofício, o sorriso aprovador, a fala brande a cautelosa, o ar da ocasião, a expressão adequada, tudo tão bem distribuído que era um gosto ouvi-lo e vê-lo".

Talvez o Ministério das Relações Exteriores veja também no conselheiro Aires as características básicas para um diplomata. O jeito de não pender apaixonadamente nem para um lado nem para o outro, de maneira a tentar conciliar os lados em qualquer tipo de pendenga internacional.

"Era cordato, repito, embora esta palavra não exprima exatamente o que quero dizer. Tinha o coração disposto a aceitar tudo, não por inclinação à harmonia, senão por tédio à controvérsia. Para conhecer esta aversão, bastava tê-lo visto entrar, antes, em visita ao casal Santos. Pessoas de fora e da família conversavam da cabocla do Castelo..."

E segue o conselheiro sem entrar em "bola dividida":

"-Chega a propósito, conselheiro, disse Perpétua. Que pensa o senhor da cabocla do Castelo?

Aires não pensava nada, mas percebeu que os outros pensavam alguma cousa, e fez um gesto de dous sexos. Como insistissem, não escolheu nenhuma das duas opiniões, achou outra, média, que contentou a ambos os lados, cousa rara em opiniões médias. Sabes que o destino delas é serem desdenhadas. Mas este Aires, - José da Costa Marcondes Aires, - tinha que nas controvérsias uma opinião dúbia ou média pode trazer a oportunidade de uma pílula, e compunha as suas de tal jeito, que o enfermo, se não sarava não morria, e é o mais que fazem pílulas. (...)"

MAS atenção, não quer dizer que o diplomata não tinha opinião e não a manifestava:

"Não cuides que não era sincero, era-o. Quando não acertava de ter a mesma opinião, e valia a pena escrever a sua, escrevia-a".

Bibliografia:

ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. In: Obras Completas. Editora Globo, 1997.

Leitura de Esaú e Jacó, de Machado de Assis

Foto de William Mendes: Palácio Real de Madri - Espanha (vista da fachada sul, a partir da Plaza de la Armería).

(atualizado em 29/8/11)

Ó céus! Ó vida! Como faz falta poder ler diariamente e alimentar minh'alma (cérebro) com o saber, da mesma forma que se alimentam os humanos que têm acesso à comida que alimenta o corpo e comem, comem, comem... (e olha que os humanos vivem para comer, e não o contrário, ou seja, deveriam comer para viver - como disseram os bichinhos no filme "Os sem floresta").

Peguei novamente para ler o livro Esaú e Jacó, penúltimo romance do mestre Machado de Assis, de 1904 (antes, havia começado a lê-lo em 2008 e depois em 2009).

Toda vez que leio com atenção, como diz o narrador da história "O melhor é ler com atenção", fico espantado e admirado com o quanto é ferina e constante a ironia machadiana. Cada frase de cada obra sua é uma construção que fala ou critica algo de nosso mundo - ou, do mundo de seu tempo e do seu passado.

E fico às vezes pensando se o professor Hansen (Usp) tem razão ou não quando dizia que é uma tremenda covardia pedir para um adolescente ler Machado de Assis pela dificuldade de compreender e captar toda a ironia e figuras de linguagem lançadas em cada parágrafo de sua arquitetura literária.

Já o professor Antonio Candido diz o contrário em algum texto seu, que não me lembro o nome, ou seja, que devemos deixar a literatura a disposição das pessoas de qualquer nível intelectual ou idade ou condição social pois elas sempre saberão captar o que há de bom na boa literatura.

Bom, o que eu sei é que ler Machado é diferente de tudo. A vontade é de ficar lendo e relendo algumas frases e de ler para as pessoas que estão em nosso entorno para dividir tanta maravilha.

A NECESSÁRIA ACUIDADE RACIONAL PARA NÃO ERRAR NA INTERPRETAÇÃO

Li certa vez uma frase nesta obra onde eu havia erroneamente interpretado que o narrador dizia mal dos banqueiros, algo como denunciá-los de levar vida vadia.

É um problema muito recorrente com a leitura de grandes autores. O maior exemplo da história talvez seja o velho Karl Marx. Cada um o lê como quer, com a passionalidade peculiar a cada cabeça e saem por aí dizendo que o coitado do Marx afirmou isso ou aquilo...

Como eu odeio banqueiro, quando li da outra vez não tive a capacidade de entender a frase inteira. Acusei Machado, na margem da página, de afirmar o que ele não afirmou. Vejamos o caso:

CAPÍTULO VIII - Nem casal, nem general

(O casal está elucubrando sobre o destino profissional que darão aos seus dois rebentos, os gêmeos Pedro e Paulo. O pai é de origem humilde mas se deu bem na vida e trabalha em algum posto importante em banco)

"Pedro seria médico, Paulo advogado; tal foi a primeira escolha das profissões. Mas logo depois trocaram de carreira. Também pensaram em dar um deles à engenharia. A marinha sorria à mãe, pela distinção particular da escola. Tinha só o inconveniente da primeira viagem remota; mas Natividade pensou em meter empenhos com o ministro. Santos falava em fazer um deles banqueiro, ou ambos. Assim passavam as horas vadias. Íntimos da casa entravam nos cálculos. Houve quem os fizesse ministros, desembargadores, bispos, cardeais..."

Vejam o meu comentário: "Banqueiros! Vadios já no século XIX".

Na leitura de hoje, mais atenta como sugere o próprio autor, foi simples perceber que a expressão "Assim passavam as horas vadias" não está se referindo ao modo de vida dos banqueiros.

É uma frase que faz referência às horas vadias passadas pelas personagens em casa, ali onde estavam naquele momento da história, fazendo elucubrações sobre o futuro dos filhos. Aquele momento é a referência das horas vadias.

MAS o meu ódio aos banqueiros não me permitiu sequer ler corretamente uma obra literária...

É sobre isso que o bom leitor tem que fijarse, estar atento, be atencion etc, sob pena de ler ler ler e não entender nada que se quis dizer e ainda sair por aí dizendo que o autor afirmou isso ou aquilo sem o coitado nunca ter ensinuado tal coisa.

Para finalizar, posso agora, tranquilamente, afirmar aquilo que eu, leitor, penso e que achei que o Machado havia sugerido. EU AFIRMO: os banqueiros são uns vadios!!

É ISSO!

Bibliografia:
ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. In: Obras Completas. Editora Globo, 1997.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Literatura e sociedade - Antonio Candido (leituras)

Foto de William Mendes: Noturnas de Brasília em mar/10 - ao fundo, Explanada dos Ministérios.
Apesar de meu parco tempo para o ócio e a refeição cultural neste ano decisivo para o povo brasileiro, peguei por instantes (na estante) o livro do mestre Antonio Candido que analisa a literatura e suas relações com as sociedades.

Os estudos do mestre são antigos e datam de décadas atrás - antes de 1965 - e "procuram focalizar vários níveis da correlação entre literatura e sociedade".

CRÍTICA E SOCIOLOGIA

Já no primeiro texto que li aprendi conceitos claros sobre a diferença que existe entre fazer uma leitura crítica de uma obra e fazer uma leitura sociológica da mesma.

Antonio Candido nos ensina que nenhum dos extremos que existem na crítica literária são satisfatórios. Não é o ideal adotar a tese de que toda obra está condicionada ao seu meio e contexto externo, bem como também não é satisfatório dizer o inverso, que toda obra deve ser analisada sem qualquer consideração ao contexto externo e tempo histórico e considerando somente sua estrutura e economia interna.

"Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo."

Conceitos esclarecedores:

Sociologia da literatura: "É uma disciplina de cunho científico, sem a orientação estética necessariamente assumida pela crítica".

Critica melhorou visão interpretativa: "E nós verificamos que o que a crítica moderna superou não foi a orientação sociológica, sempre possível e legítima, mas o sociologismo crítico, a tendência devoradora de tudo explicar por meio dos fatores sociais".

O autor nos explica que "o perigo, tanto na sociologia quanto na crítica, está em que o pendor pela análise oblitere a verdade básica, isto é, que a precedência lógica e empírica pertence ao todo, embora apreendido por uma referência constante à função das partes".

Bibliografia:
CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. In: Grandes nomes do pensamento brasileiro. Publifolha, 2000.

sábado, 27 de março de 2010

Uma semana correndo...

Foto William Mendes: paisagem de onde corri em Nazaré Paulista mar/10. (fora o som dos pássaros!)
Viajei no domingo passado à noite. Já havia conseguido emplacar 3 dias de corridas.

Durante a semana toda, corri ou nadei quase todos os dias. fiz duas corridas de 30' e duas menores.

Hoje corri uns 4km e caminhei mais uns 3km.

Tenho muito que treinar para melhorar meu condicionamento físico e para desentupir minhas veias e artérias.

domingo, 21 de março de 2010

Pois é, consegui correr pelo 3o dia seguido...

foto: William Mendes, CUT RN em fev/10.
Como a agenda me permitiu, emplaquei uma sequência de 3 dias correndo um pouco. Mas vamos ver se em Nazaré Plta, onde estarei até sexta-feira, consigo me salvar da morte física praticando atividades físicas pela manhã.

Ontem limpei meus aquários, ouvi um pouco de música - The Smashing Pumpkins, Red Hot Chili Peppers, e Carl Orff com Carmina Burana.

Corri hoje uns 4,5km.

Meu computador manual bichou. E sinceramente, enquanto corria, refletia, não quero tentar fuçar nele porque eu não entendo de informática e não quero perder tempo com isso.

Quero usar o tempo que tenho de existência para ser menos ignorante em sociologia, história, linguística, literatura, política, antropologia.

Não quero saber nada de informática que tome meu precioso e parco tempo livre.

É isso.

sábado, 20 de março de 2010

Fui correr... estou cansado de estar cansado!

foto: William Mendes, RN em fev/10.
Como previ na passagem-de-ano-civil, não estou com tempo nem para correr ou caminhar. Isso tem me estressado muito.

O resultado é cansaço físico e mental e 3 quilos a mais - acumulados em uma certa protuberância entre o plexo solar e o púbis. Acredito que até esses tais triglicerídeos e o colesterol ruim devam estar altos em meu corpo. Dane-se!

Depois de dias fora de casa, ontem saí para dar uma caminhada e corrida (6km e 2km). Hoje fiz o mesmo, caminhei e corri (4km e 3km).

Amanhã, quem sabe?

terça-feira, 9 de março de 2010

A saúde pública no Brasil - e o meu cansaço por excesso de trabalho


Wmofox, desenho 1 (em parede)

Cheguei há pouco em casa. Estive em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, no planejamento de trabalho da minha confederação. Antes, estive em Uberlândia (MG) visitando meus pais e minha família.

Já viajo depois de amanhã para Belo Horizonte (MG), onde ficarei até domingo no Coletivo Nacional de Formação da CUT.

Estou bem cansado. E não tenho nem tempo para pensar nisso.


SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL

Quando estive em Uberlândia, fiquei com minha avó algumas horas no corredor do Hospital Universitário da Medicina - UFU/SUS. Havia dezenas de pessoas internadas nos corredores. Era o caos.

É muito triste ver o tratamento que os cidadãos brasileiros têm na questão da saúde, que deveria ser um dos direitos mais sagrados das pessoas. Eu sei que estava pior antes do governo do PT, mas temos muito que avançar em relação à saúde pública.

Eu sinto muita falta de leitura para ganhar novos conhecimentos culturais. Sei que neste ano será bem difícil conseguir tempo para o meu conhecimento pessoal.


COMENTÁRIO POST SCRIPTUM (12/2/2012):

Passei uma semana com o meu pai internado após um infarto no mesmo hospital, no mesmo local, e posso afirmar que meu velho foi salvo lá e bem atendido pelos médicos e enfermeiras de toda aquela longa semana que tivemos.

Minha mãe ficou no mesmo corredor em que minha avó estava. Precisou ser atendida durante umas seis horas de exames.

O corredor do Pronto Socorro não esteve tão cheio como ocorreu em 2010 em nenhum dos sete dias que estive lá com o meu pai.

domingo, 7 de março de 2010

No Ceiling - Eddie Vedder (Into the wild)




Comes the morning
When i can feel
That there's nothing
Left to be concealed

Moving on,
A scene surreal
Know my heart will never
Never be far from here

Sure as i'm leaving
Sure as i'm sad
I'll keep this wisdom
In my flesh

I leave here believing
More than i had
And there's a reason i'll be
Reason i'll be back

As i walk
The hemisphere
Got my wish
To up and disappear

I been wounded
i been healed
Now for landing i been
Landing i been cleared

Sure as i'm leaving
Sure as i'm sad
I'll keep this wisdom
In my Flesh

I leave here believing
More than i had
This love has got
No ceiling

quinta-feira, 4 de março de 2010

Setting forth - Eddie Vedder (interpretação)


Estou relembrando o meu inglês, que deixei de usar há bastante tempo. Uma boa maneira de estudá-lo é com música, pois na adolescência isso foi decisivo para conhecer esta língua.

As músicas da trilha sonora do filme Na Natureza Selvagem - Into the Wild - que conta a história do jovem Chris McCandless - me tocaram profundamente. Na época, vi o filme, li o livro e ouvi o cd dezenas de vezes.

As letras têm ligação íntima com a história.



Aqui não faço uma tradução; faço a minha interpretação livre.


Setting forth
(cenário, ambiente: adiante... pra longe)

Be it no concern
estar só, sem inquietações, sem âncoras...
Point of no return
o contexto: sem volta...
Go foward in reverse
avançar, ir rumo ao avesso, ao contrário (da sociedade)

This i will recall
é disto que estou falando: ir ao princípio, ao começo
Everytime i fall
E toda vez... eu me deixo cair...

Ahh - oohhh
Setting forth in the Universe
indo adiante... into the wild (e no meu mundo)

Out here, realigned
aqui (fora daquele mundo urbano) estou realinhado
A planet out of sight
um mundo fora da vista (do bicho urbano)

Nature drunk and high
natureza incontrolável e avassaladora...
Ahh - oohhh

segunda-feira, 1 de março de 2010

Refeição Cultural 47 - Limpando hemerotecas

foto: William Mendes
Comecei esta manhã pela leitura de um caderno do Estadão de 7.dez.08, que fala sobre os 70 anos do lançamento da obra Vidas Secas de Graciliano Ramos. Eu já li o romance quatro vezes e o acho fantástico.

Li uma matéria muito boa a respeito da dor e do não-tratamento adequado dos pacientes que sofrem dores. Não existe uma cultura do combate à dor. O que ocorre é a desumanização do tratamento: ao invés de cuidar do senhor João, diz-se que estão tratando a doença tal do senhor João. A matéria é do Estadão de 12.out.08.

Em 2009 passei por problemas do tipo em minha família (que persistem), pois meu pai sofre de uma doença nos rins que não tem cura e que traz sequelas nas juntas e membros inferiores que causam muita dor e ele passou meses sem achar um médico que lhe receitasse algo que amenizasse o seu sofrimento.

É isso. Também já escrevi esta manhã para o movimento sindical a respeito de vários sindicatos estarem "terceirizando" a luta ao entupir a justiça com demandas de sétima e oitava horas de trabalho na categoria bancária, que tem jornada de seis horas conquistada desde 1933.

A minha casa segue entupida de papeis e mais papeis...