quarta-feira, 28 de maio de 2025

Livro: Coração de vidro - José Mauro de Vasconcelos



Refeição Cultural

A edição que li do livro de José Mauro de Vasconcelos é uma edição bem antiga, provavelmente de 1970 (não tem a data). O autor publicou a obra em 1964. Acho que tinha lido suas estórias quando era criança ou adolescente. Peguei o livro na casa de meus pais.

As histórias das personagens são bem tristes. Sempre tento imaginar a recepção da obra em sua época de lançamento. Estávamos sob ditadura nos anos sessenta e setenta e boa parte da elite era mancomunada com os milicos e tirava proveito da violência contra o povo e a classe trabalhadora. Os leitores devem ter se sensibilizado com as personagens.

O livro retrata a história do pássaro Azulão (A Missa do Sol), do peixinho Clóvis (O Aquário), do cavalo Saturno (O Cavalo de Ouro) e da mangueira Candoca (A Árvore), todos personagens oriundos da mesma fazenda, uma propriedade secular da época da escravidão brasileira, que vigorou até o século XIX.

Ler os microcontos de José Mauro de Vasconcelos neste momento brasileiro não deixa de ser interessante. Nossa história é triste como a história de Candoca, Clóvis, Saturno e Azulão. O povo brasileiro é nada para os herdeiros das capitanias hereditárias como nada é a fauna e a flora deste belo país.

Passado mais de meio século da enunciação das histórias daquelas personagens numa antiga fazenda de exploração de monocultura de commodities tocada por herdeiros dos escravocratas, estamos hoje na mesma, na mesmíssima condição político-econômico-social. O agro dos coronéis ruralistas ainda manda no Brasil. 

Esses sujeitos e seus herdeiros estão nos parlamentos, estão em milhares de prefeituras de antigas fazendas chamadas de cidades. Estão na máquina estatal, dominam o orçamento público e secreto. Mandam nas decisões do judiciário e nos capitães do mato das forças de repressão estatais. Mandam nas casas que manipulam a fé do povo.

No fundo, no fundo, somos quase como as personagens da fazenda do livro Coração de Vidro

William


Bibliografia:

VASCONCELOS, José Mauro de. Coração de Vidro. Desenhos em preto do autor. Ilustrações em cores de Gioconda Uliana Campos. 6ª edição. Edições Melhoramentos.


Instantes (15h44)


Era uma palmeira linda...

Refeição Cultural 

Foi só o vento aumentar um pouco por causa da frente fria e ficamos sem energia elétrica no condomínio. Mais uma vez, uma folha de palmeira caiu sobre os fios e o transformador explodiu. Os homens, irados, deram o troco na natureza e arrancaram todas as folhas da palmeira. É mais fácil eliminar a árvore que fazer manutenção. 

Enquanto estamos sem luz elétrica, e a vida conectada parada por algumas horas, vejo a dificuldade que as pessoas têm de manter a calma e o controle básico psicológico para lidar com mudanças na rotina de suas vidas digitais. 

O humano, principalmente o urbano, não tem estrutura psicológica para suportar uma interrupção de serviços públicos essenciais (privatizados em benefício do lucro de alguns) como energia, água, internet, transporte etc.

Neste momento desconectado e sem energia elétrica, estou pensando em nossas irmãs e irmãos da Faixa de Gaza, Palestina, sem água, comida, Internet, energia, casa, hospitais... e sob ataques assassinos para roubarem sua terra, seu chão. 

William

Poema 30: Oração como utopia


ORAÇÃO COMO UTOPIA


Enquanto me banhava

meus pensamentos oravam

pedindo ajuda e proteção:

aos palestinos violentados,

aos viciados em drogas, 

aos imigrantes sem chão, 

às mulheres sem liberdade, 

às vítimas da depressão, 

aos odiados e perseguidos,

a quem falta o pão. 


Ateu não fala com deuses,

mas a razão consciente

sabe ser possível a mudança 

pela inteligência humana. 


Falemos de mudança!

Sejamos sonhadores!

Esperancemos!

Utopia, já!

Amém!


William 

28/05/25


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Instantes (23h10)


Com Marcos Martins em 29/03/25.

Refeição Cultural

Um dia triste. Estive no velório do querido companheiro Marcos Martins, liderança histórica de Osasco e do Partido dos Trabalhadores. Fui prestar minha homenagem ao político que foi inspiração e referência para mim desde que o conheci no final dos anos oitenta, época na qual ele organizava os bancários como funcionário do nosso Sindicato. Eu trabalhava no Centro Administrativo do Unibanco (CAU) na Rodovia Raposo Tavares e por influência do Marcão e sua equipe me envolvi com o Sindicato.

Um dia triste pela partida de um líder popular que inspirou e agregou pessoas para as causas de nossa gente, um povo explorado e sofrido, povo de um país desigual, com uma elite má, perversa e canalha. Marcos Martins era um político diferente da maioria que conhecemos por aí. Era um cara simples, solidário, preocupado com o próximo. Transmitia uma humildade e uma firmeza de propósito que encantava a gente. Eu sempre vi o Marcão como via minha tia Alice, minha mãe e as pessoas simples que conheço. 

Até a forma simples de se vestir no dia a dia nas bases sociais que representava foi uma referência para mim quando fui sindicalista. Não é a roupa que define as pessoas e sim suas ações, pensamentos e práticas.

Companheiro Marcos Martins, presente! Obrigado por tudo!

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Mais um dia de mortes de crianças, mulheres, de um povo sendo trucidado pelo exército assassino de Israel. O que fazer para parar o genocídio do povo palestino? Só nesta semana os sionistas massacraram mais de setecentas pessoas na Faixa de Gaza! O mundo humano do século XXI assiste sem tomar uma atitude que faça parar o morticínio dos irmãos e irmãs tão humanos como qualquer um de nós.

É insuportável passar o dia sabendo que estão matando um povo e não podermos fazer nada!

Essa miséria toda da humanidade só faz aumentar meu sentimento de privilégio por estar em um teto, com comida disponível, num lugar sem a guerra acontecendo. E olha que a extrema-direita quer fazer a guerra chegar até onde estou. Mas ainda estamos aqui!

Sinto vergonha como ser humano. Mas sinto que como ser humano podemos mudar o mundo. Só nós podemos fazer isso! 

Gostaria que a gente da minha classe parasse de defender o capitalismo e se propor a administrar a manutenção do regime de destruição do mundo, regime dos capitalistas. 

A única chance para o mundo é lutar pelo fim do capitalismo e dos capitalistas! Olho ao meu redor e sinto uma solidão profunda! Não vejo as pessoas de meu meio querendo mudar o mundo.

Parem de matar o povo palestino!

William

26/05/25

domingo, 25 de maio de 2025

Instantes (15h46)



Refeitório Cultural

Quando fui comer um pão de queijo que trouxe da padaria para o café, fiz uma prece ao Deus dos palestinos para que ele interceda por seu povo que está morrendo de fome neste momento na Faixa de Gaza sendo ocupada pelo exército de Israel, que mata crianças, mulheres, idosos e civis diariamente e o mundo não faz nada para interromper esse genocídio. Mais cedo, ao tomar um copo de iogurte e comer uma banana, também me senti mal ao pensar na fome dos palestinos em Gaza. Que mundo é esse? O que posso fazer para mudar essa realidade? Estou com vergonha da minha espécie animal.

Ao caminhar no Parque Continental, uma região ainda arborizada da cidade e do Estado governados por dois humanos que representam a morte e a destruição da natureza em benefício de seus parças capitalistas, minha mente esperançava utopias contrariando minha razão que me deixa com cara de cu para a existência humana. Na caminhada com dores no quadril esperançava que ainda posso melhorar minha condição física, quase acreditando em milagres. Ao redor a natureza: que insiste em viver, mesmo sob ataque feroz dos humanos, que insistem em matar a vida de tudo. Até borboletas e flores multicores enfeitaram meu caminho.

Os filhotes da fauna e os brotos da flora são sempre a esperança da vida. Sempre. Sementes da esperança os filhotes, as crianças e as plantas. Até o quentinho do sol insiste em fazer a gente acreditar no amanhã.

Que o Deus dos palestinos e os deuses de todos os povos (os que pregam o amor e não o ódio) prevaleçam e a gente possa ter um amanhã.

William

25/05/25

sábado, 24 de maio de 2025

Instantes (14h45)



Refeição Cultural

Acabei de voltar de uma manifestação em defesa da natureza, denunciando o corte de mais de 6 mil árvores da área do Instituto Butantan, dentro da cidade universitária da USP. Dói muito saber que aquela pequena floresta por onde caminhei tantos anos vai ser assassinada pelos capitalistas. Quanta fauna e flora destruída em nome do capital e em benefício de alguns fdp! Sempre isso!

Enquanto perdemos a batalha pela vida, enquanto os poucos donos do capital vencem e destroem tudo, vamos perdendo seres humanos que ainda sensibilizavam de alguma forma as pessoas, numa luta inglória contra a normalização da morte do mundo (a Terra) e da sociedade (coisificação do ser humano) em benefício de alguns. Ontem faleceu o fotógrafo Sebastião Salgado. Dias atrás faleceram Pepe Mujica e o Papa Francisco. São insubstituíveis pelo que fizeram e pelo que significaram para a ideia de um mundo alternativo ao capitalismo.

Neste momento, o maior partido de esquerda do Brasil está em movimentação intensa para definir seu processo eleitoral. Apesar de algumas candidaturas alternativas à corrente hegemônica, a tendência é a manutenção do status quo partidário. Já ouvi da boca de candidatos que serão vitoriosos que a luta pelo socialismo acabou, que agora é aceitar o capitalismo mesmo... e enquanto o maior partido de esquerda do país deixou de lutar contra o capitalismo, a gente fica igual idiota lutando contra a privatização da água, da energia, dos parques, lutando para defender árvores atrapalhando o lucro.

Tá foda! Se o meu lado é a favor do capitalismo e das consequências dessa desgraça, o que posso fazer? Que solidão! Não pertenço a isso que meu lado da classe está defendendo.

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Parem de matar o povo palestino! Parem de matar o povo palestino! Parem de consumir qualquer mercadoria produzida pelos assassinos do povo palestino!

William

24/05/25

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Instantes (11h09)



Refeição Cultural

Uma pessoa de esquerda, costuma-se dizer em nossos espaços de lutas, não pode deixar de acreditar na mudança e não pode perder a esperança de um amanhã melhor. Tendo a concordar com isso, pois muito da ação humana é atitude. Enquanto representei milhares de pessoas fui atento a isso e chacoalhava a desesperança no chuveiro de casa, antes de sair para as lutas.

Estando nos aposentos de casa, aposentado da representação, tenho mais dificuldade de chacoalhar a desesperança ao ver as notícias seja de onde elas vierem, são só notícias que pioram a condição humana em geral e as chances do planeta Terra de sobreviver à espécie animal que somos.

Idiotização humana acelerada... devastação da natureza e esgotamento dos biomas sem freio... acumulação de tudo na mão de poucos humanos fdp e miséria generalizada... genocídio do povo palestino ao vivo e à cores: vermelho e cinza, de sangue e fogo... a autocensura se estabelecendo pela fragilidade real para qualquer pessoa que questione essa merda toda ou pelo risco do cancelamento (uma morte em vida num mundo onde só se existe se houver reconhecimento dos outros)... 

Solidão... não sinto pertencimento a quase nada. Me agarro à minha racionalidade, enquanto a tenho.

William

22/5/25

domingo, 18 de maio de 2025

O Hamas conta seu lado da história (3)

 

Refeição Cultural 

Osasco, 18 de maio de 2025. Domingo.


"(...) Hoje é a Palestina, e amanhã será algum outro país ou países, pois o plano sionista não tem limites, e depois da Palestina pretenderão se expandir do Nilo até o Eufrates, e quando terminarem de devorar uma área, estarão famintos por novas expansões, e assim por diante, indefinidamente. O plano deles está exposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, e o comportamento deles, no presente, é a melhor prova daquilo que lá está dito." (A Constituição do Hamas, de 1988, um documento histórico, e que foi atualizado em 2017, hoje menos rígido em algumas questões políticas. p. 131)


O exército sionista do Estado de Israel segue com o assassinato e expulsão dos árabes palestinos de suas terras na Palestina. 

É insuportável para qualquer pessoa decente e com princípios éticos aceitar o massacre de um povo com o intuito de roubar suas terras.

O que posso fazer a respeito estando do outro lado do mundo? 

Protestar, denunciar e me indignar a respeito desse crime bárbaro de lesa-humanidade. Não devemos pactuar com aquilo que fazem aos outros que não gostaríamos que fizessem a nós. 

O que os imperialistas dos Estados Unidos apoiadores do regime sionista de Netanyahu estão fazendo pode acontecer a qualquer um de nós. A QUALQUER UM DE NÓS!

Se decidirem roubar à força de armas as terras aqui do Parque Continental (Butantã, São Paulo) e Vila Yara (Osasco), onde estou há 25 anos, estaremos na mesma condição dos árabes palestinos de toda a Palestina, como fizeram em 1948 e seguem fazendo até hoje na Faixa de Gaza e Cisjordânia. 

Pensem nisso! O imperialismo é assim!

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O livro que estou lendo "O Hamas conta seu lado da história" foi adquirido no Grito dos Excluídos, em 7 de setembro de 2024. É bem atualizado e nos conta um pouco da luta de um povo por sua vida e seu lugar no mundo.

A postagem anterior com informações sobre essa história pode ser lida aqui.

William 


sábado, 17 de maio de 2025

Dom Quixote de La Mancha - Cervantes (6)


Dom Quixote, de Gustave Doré.


Refeição Cultural

"Causó risa al licenciado la simplicidad del ama, y mandó al barbero que le fuese dando de aquellos libros uno a uno, para ver de qué trataban, pues podía ser hallar algunos que no mereciesen castigo de fuego." (El ingenioso caballero don Quijote de la Mancha. Parte 1. Miguel de Cervantes)


Nosso valoroso e bem-intencionado Alonso Quijana, um aficionado leitor de livros de cavalaria da região castelhana de La Mancha (no ano 1605), está dormindo em sua cama, após sofrer as primeiras desventuras como cavaleiro andante. Ele foi encontrado por um vizinho, Pedro Alonso, após uma surra que levou de mercadores de Toledo (leitura anterior aqui).

Enquanto dorme e se recupera, seus amigos - o sacerdote Pero Pérez (el cura) e o barbeiro maese Nicolás -, e sua ama e sobrinha, decidem queimar os livros do fidalgo leitor. Vão seguir a cartilha da "santa inquisição" e meter no fogo tudo o que cause transtorno à ordem vigente, no caso, os livros que mexeram com as ideias do pacato leitor.

A cena é perturbadora. Enquanto o leitor apaixonado por seus livros dorme e se recupera de suas aventuras com pauladas, socos e pontapés, as pessoas de sua confiança tacam fogo em seu bem mais precioso: sua biblioteca.

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CAPÍTULO 6

"Del donoso y grande escrutinio que el cura y el barbero hicieron en la librería de nuestro ingenioso hidalgo"


O escrutínio dos livros de nosso fidalgo leitor começa por "Los cuatro", de Amadís de Gaula, o primeiro livro do gênero de cavalarias impresso na Espanha. O inquisidor - o cura - o condenou ao fogo... e o salvou da fogueira o auxiliar do "licenciado", o barbeiro, que clamou pela vida do livro de Amadís.

Na inquisição dos livros de Alonso Quijana, tem uma passagem interessante: o cura fala sobre a questão da tradução, ao falar das obras do poeta italiano Ludovico Ariosto (1474-1533), afirmando que só salvará da fogueira os livros dele na língua original, pois a versão para outro idioma como, por exemplo, o castelhano, "tirava muito do valor natural da obra".

“y aquí le perdonáramos al señor capitán que no le hubiera traído a España y hecho castellano, que le quitó mucho de su natural valor; y lo mesmo harán todos aquellos que los libros de verso quisieron volver en otra lengua; que, por mucho cuidado que pongan y habilidad que muestren, jamás llegarán al punto que ellos tienen en su primer nacimiento.” (de “El ingenioso caballero don Quijote de la Mancha. Parte 1 [Spanish Edition]” por Miguel de Cervantes)

O que os leitores verão é que poucos livros de cavalaria se salvarão da condenação à fogueira. Os de poesia terão o mesmo destino, tirando um ou outro que os inquisidores vão pegar para si mesmos (roubo, né?), privando o senhor Alonso de sua biblioteca.

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LA GALATEA se salvou...

“- La Galatea, de Miguel de Cervantes - dijo el barbero. 

- Muchos años ha que es grande amigo mío ese Cervantes, y sé que es más versado en desdichas que en versos. Su libro tiene algo de buena invención, propone algo, y no concluye nada; es menester esperar la segunda parte, que promete; quizá con la enmienda alcanzará del todo la misericordia que ahora se le niega; y entre tanto que esto se ve, tenedle recluso en vuestra posada.”

Cervantes tinha uma obra publicada ainda no século anterior, o XVI. A novela pastoril "Primera parte de la Galatea", que foi publicada em 1585, em Alcalá de Henares (Wikipedia). 

A professora Maria Augusta da Costa Vieira, da FFLCH, diz que a publicação é de 1581, logo após Cervantes retornar dos 5 anos de cativeiro em Argel. Fui aluno dela na Letras.

O inquisidor, o sacerdote Pero Pérez, disse ser amigo do escritor Cervantes e livrou La Galatea do expurgo e da fogueira por acreditar que a segunda parte da obra, nunca publicada, poderia salvá-la da danação. (A novela pastoril é inacabada)

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COMENTÁRIO FINAL

As aventuras e desventuras do engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha estão entre nós há mais de quatro séculos. Elas nos inspiram há muito tempo.

O livro e os personagens começaram como uma crítica aos livros de cavalaria, os best sellers da época, e foram ganhando outras leituras ao longo de sua história de vida, de leituras e de leitores.

Ao ler qualquer capítulo dos dois volumes de Dom Quixote, e a qualquer tempo, a leitora e o leitor acabam por encontrar acontecimentos, conceitos e reflexões que valem para si e que podem contextualizar o momento da leitura. Essa é a magia de uma obra universal!

Ao longo de quatro séculos, livros foram expurgados e lançados ao fogo. 

Ao longo desses últimos quatro séculos, pessoas idealizaram e saíram por aí para desfazer injustiças e mudar o mundo para honra de si próprias e para o bem de suas comunidades.

O personagem Dom Quixote de La Mancha inspira seres humanos há mais de quatro séculos.

Leiam, leiam, amigas e amigos leitores, se desconectem por algumas horas das redes das big techs e salvemos a humanidade.

William


terça-feira, 13 de maio de 2025

Poema 29: Pepe Mujica, presente!


PEPE MUJICA, PRESENTE!


Hoje nos deixou Pepe Mujica.

Mujica nos deixou o exemplo,

nos deixou sábias palavras,

ensinamentos sobre a vida.


Papa Francisco e Mujica se foram.

Segue a luta pela paz e contra a fome:

temos Lula, Claudia Sheinbaum e mais.

Temos a juventude chegando e agindo.


Minha esperança não se apaga

ao ver a luta de Luna Zarattini,

a juventude do Coletivo JuntOz:

Heber, Gabi e Matheus em Osasco.


Mujica, és inspiração para os jovens.

O presidente Lula defende noite e dia

um mundo mais justo e solidário, sem fome.

Esperanço com a juventude! Sigamos!


Companheiro Pepe Mujica, presente!


William

13/05/25


domingo, 11 de maio de 2025

Poema 28: Igualdade às mães e mulheres do mundo


IGUALDADE ÀS MÃES E MULHERES DO MUNDO


O domingo foi de homenagem às mães

em várias comunidades humanas do mundo.

As homenagens são justas e necessárias

e deveriam vir com mudanças culturais.

Só existimos por causa das mães do mundo:

somos todos filhos das mães, filhos das mulheres. 

Do passado remoto aos dias atuais da humanidade,

toda cria humana foi cuidada pelas mulheres

e muitas vezes, criadas só pelas mulheres.

E até hoje a manutenção da espécie humana

não é reconhecida economicamente

pelas sociedades dos machos ignorantes.

Dizem por aí que "não fazem nada" as mães dos lares.

Toda a produção de riqueza humana deve ser

distribuída igualitariamente entre mulheres e homens.

E todos os direitos civis, sociais e políticos

criados pela espécie humana em sociedade

devem ser absolutamente iguais entre as pessoas,

sejam elas mulheres ou homens na biologia

e ou nas suas diversas identidades de gênero.

A desigualdade entre mulheres e homens

não pode seguir existindo na humanidade.

O corpo de uma mulher pertence a ela

assim como o de um homem a si pertence.

A violência contra as mulheres do mundo

não pode ser tolerada, sequer normalizada.

Compete à política e às leis das sociedades

assegurar condições iguais de existência às mães,

e às pessoas nas suas diversidades humanas.

Igualdade às mães e mulheres do mundo!


William 

11/05/25

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 9 de maio de 2025. Sexta-feira.


O tempo para os seres vivos segue correndo. A cada segundo, o tempo de vida de qualquer organismo vivo diminui. É a natureza, é o ciclo da vida.

Essa questão temporal independe do fato de um ser vivo ter acabado de chegar à sua forma de vida ou não. Uma tartaruguinha, um bebê humano, um burrinho pedrês, um velho felino sem chão, uma pessoa com décadas de vida. O tempo está correndo para todos eles. E está diminuindo. Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

Acordei me lembrando dessa questão temporal. E me quedei cismando com as ideias em minha mente. Faz um tempo que percebi a urgência do tempo para mim. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. 

Que tenho que fazer para esses dias? A declaração do imposto de renda. Uns exames médicos de rotina, preventivos, que o relapso não os fez no tempo ideal.

Eu tenho que resolver a questão de incluir ou não imagens para finalizar a edição impressa de minhas memórias da vida sindical, as "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT". Para impressão, as imagens precisam de boa resolução e aí complica. Preciso finalizar esse trabalho realizado. O livro não será vendido. Vou presentear pessoas com aquelas histórias. 

E o tempo segue acelerado. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. Não é só o meu tempo que está correndo. É o de todos os seres vivos que está diminuindo. 

O que fazer primeiro? O que priorizar neste instante? O imposto, os exames, sei. Esse bendito livro.

Meus textos de vinte anos de blogs... acho que tenho que seguir fuçando nisso. Lendo, diagramando, encadernando. 

Tive um tipo de vida até a confecção desses milhares de textos e outra vida durante aquele período de representação política da classe trabalhadora. Tenho que deixar esses cadernos numa estante, mesmo que seja para alimentar cupins ou o fogo.

Ao reler as postagens, vejo não só a vida do escritor delas, mas do povo brasileiro, do país e do mundo, uma época. 

E tenho que fazer outra coisa também. Os textos do meu pai e da minha mãe precisam ser preservados, organizados, quiçá publicados e encadernados. 

Meus pais têm pouca instrução formal, duas pessoas muito inteligentes! Dois sobreviventes pobres deste país miserável e violento. E meus pais escreveram suas histórias, seus sentimentos, reflexões e orações. Seus amores e pesares. Tenho que preservar essas histórias humanas.

O tempo corre... tic-tac, tic-tac, tic-tac. 

William 


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Leituras Capitais - Camarada Trump



Refeição Cultural 

CartaCapital n° 1357


CAMARADA TRUMP

O adiamento do tarifaço reduz, mas não dissipa a tensão nos mercados globais. Aliados dos EUA preparam retaliações e o mundo se volta para a China


Durante décadas neoliberais, vimos as empresas capitalistas norte-americanas fecharem suas fábricas no país e ferrar o povo com desemprego em benefício dos donos das fábricas, os fdp do 1%. O lucro do acionista acima de tudo, claro! Levaram as plantas fabris para a China e outros países do Sul com "mão de obra barata".

Agora o presidente deles (condenado, nos lembremos disso) quer dar um cavalo de pau na economia mundial achando que da noite para o dia vai reverter o que seus magnatas e políticos fizeram em décadas. Taxar os produtos de fora vai ferrar de novo o povão, com inflação e piora de vida.

Vamos ver até quando os norte-americanos aguentam o "gênio" e condenado presidente do "MAGA" (seria Make America Grotesque Again?).

Republicanos e democratas vão resolver as coisas no diálogo, deixando as armas no armário? (Lembremos: são as guerras que salvam o capitalismo, os magnatas)

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CAPA

As matérias da seção estão ótimas. Além da primeira "Pato com laquê", de Carlos Drummond, os textos do professor Belluzzo "Trump e a história" e de Clarissa Carvalhaes "Quinta série" são esclarecedores sobre a história capitalista do pós guerra e da loucura que virou os States da atualidade.

Valem a leitura!

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SEU PAÍS

LIRA SAI DA SOMBRA 

CONGRESSO: O deputado fica com a relatoria da isenção do IR, opera a cassação de Glauber Braga e ostenta um novo casarão 

Por André Barrocal

Boa matéria. Não posso dizer o que penso desse féla...

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NO BASTIÃO LULISTA 

2026 - A abrupta queda da popularidade do presidente Lula no Nordeste acende sinal de alerta no Palácio do Planalto 

Por Fabíola Mendonça 

Ao ler a matéria, os depoimentos dos eleitores nordestinos ouvidos e o gráfico à página 27, sobre cenários eleitorais para 2026 (Datafolha), acho relevante no 3° cenário Bolsonaro ter 30% das intenções de voto contra 36% de Lula. É praticamente empate técnico e sem campanha alguma. 

Bolsonaro tem 30% só por disponibilizarem seu nome na pesquisa. Foda! E real! Isso é o povo brasileiro que muitos não querem ver. Uma gente crédula e facilmente manipulada por sofistas que abusam da ignorância das pessoas. 

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CARROÇA NA FRENTE DOS BOIS 

8 DE JANEIRO - Reivindicar o perdão de crimes antes mesmo do julgamento é uma aberração, avalia Técio Lins e Silva

Entrevista a Maurício Thuswohl

Gostei das reflexões do entrevistado. Sobre a visão punitivista de aumentar penas, defendida pela direita, Técio explica a respeito, dizendo não ser remédio eficaz:

"Nenhum criminoso consulta o Código Penal para ver se vai ou não praticar o crime."

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ANISTIA E ECOS DE PREUSSENSCHLAG

Pedro Serrano 

"Ao judiciário cabe, nas democracias contemporâneas, a última palavra em termos de interpretação da ordem jurídica" 

Os artigos do professor Serrano são sempre muito esclarecedores, trazem a história para explicar o sentido das coisas. 

Se o "acordão" entre o Judiciário, o Executivo e o Legislativo saírem do papel, anistiando ou reduzindo as penas que a lei já definiu antes, estaremos mais próximos do que vimos acontecer nas primeiras décadas do século passado em relação ao nazismo e fascismo. Hitler suplantou o Judiciário à época. 

Opinião minha: o pior é que vai sair a conciliação "por cima", aqui é o Brasil! Estamos fodidos!

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TRINCHEIRA ABERTA

CONGRESSO - Bolsonaristas se armam contra a PEC da Segurança, a principal aposta de Lula para deter o avanço do crime organizado no País

Por Maurício Thuswohl 

O governo apresentou a PEC que consolida o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A oposição fará de tudo para que o país não resolva o problema da segurança e dane-se o povo.

Estamos num momento falimentar da sociedade humana, francamente. 

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CONSERVAR O QUÊ?

"O que realmente significa pedir a manutenção da ordem social em nosso país?"

Artigo de Maria Rita Kehl

É sempre um alento ler os textos da psicanalista e escritora Kehl. Ela nos deixa pensativos. 

Comentários a partir do artigo: 

Até antes das guerras híbridas do império do Norte - os EUA desenvolveram métodos de desestabilizar governos de outros países -, era impensável no Brasil uma pessoa sair-se com a afirmação "sou conservador" e menos ainda "sou de direita". Nenhum idiota falava uma merda dessas! Nem as pessoas que tinham grana ou se achavam "das elites".

Agora, até os remediados (classe média), os pobres e os miseráveis arrotam essa estupidez: sou conservador...

Os ricos de verdade gostariam de ter seus escravizados, talvez. Por isso a referência nostálgica dos "bons e velhos tempos".

Mas e essa gente entre nós da classe trabalhadora? O pobre conservador quer conservar a má distribuição de renda e a injustiça social?

Pra vocês verem como idiotizaram as pessoas ao nosso redor. Foda isso!

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ECONOMIA

NA CORDA-BAMBA

ENTREVISTA - O Supremo precisa garantir o mínimo de proteção aos trabalhadores plataformizados, afirma presidente da ANPT

A Rodrigo Martins

A entrevista a Adriana Augusta de Moura Souza, presidenta da Associação Nacional das Procuradoras e Procuradores do Trabalho, deixa claro o que está acontecendo com o direito social e constitucional ao trabalho após a reforma do golpista Temer: o fim dos direitos sociais no Brasil. 

Na minha opinião, tínhamos que reagir nem que fosse com uma revolução contra o 1% que bancou toda a destruição de nosso mundo.

A distopia está dada. Ou eles ou nós 99% (e a natureza acaba junto com a gente).

Estamos no limiar do fim da civilidade humana. 

Vamos permitir o que alguns mortais estão fazendo com a vida e o planeta?

Que desgraça!

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QUE A DINAMARCA SEJA AQUI

Artigo de Adalberto Viviani

Apesar do artigo ter um tom positivo, sugerindo que o Brasil está na rota de grandes investimentos de conglomerados capitalistas chineses e outros, o que sei é que estão apostando alto que vamos ter mais obesos e diabéticos para faturarem 2 bilhões de dólares com nossos doentes...

PQP!

Viva o consumismo, a destruição da natureza e as doenças!!!

Viva o capitalismo! (Foda-se o mundo e os humanos...)

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NOSSO MUNDO

SER OU NÃO QUINTAL

EQUADOR - Daniel Noboa curva-se a Washington, enquanto Luisa González defende a identidade local no acirrado segundo turno

Por Gilberto Maringoni

O articulista explicou bem o ambiente do 2o turno das eleições no Equador. Mesmo tendo a máquina, o opositora de esquerda, González, era ligeiramente favorita.

Lendo a reportagem após as eleições, sei que o direitista bilionário "ganhou". A oposição contesta e declara fraude na cara dura.

O presidente Lula, do Brasil, diferente do caso da Venezuela de Maduro, reconheceu o resultado horas depois... que merda decepcionante essa questão diplomática do nosso país... que merda!

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SEM MÁSCARAS

GAZA - Diante da indecisão dos EUA, Israel avança nos planos de ocupação definitiva do território palestino 

Por Arturo Hartmann

A matéria nos conta com detalhes o que as pessoas conscientes sempre souberam. O genocídio do povo palestino é para ocupar a Palestina. O governo de Israel e seus soldados são assassinos, ladrões de terras e um regime odiento.

O mundo assiste sem frear o genocídio e o roubo da Palestina.

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DE MÃOS ATADAS 

JUSTIÇA - Criminosos de guerra desafiam o Tribunal Penal Internacional com o apoio de Estados omissos ou hostis às leis 

Por João Paulo Charleaux

O articulista até fez um bom histórico do TPI, mas a própria matéria demonstra que o tribunal só serve para os bagres e não para os peixes grandes. Serviu pra prender "criminosos" do continente africano, mas não serve pra figuras como Netanyahu.

Enfim, voltamos ao estado de barbárie histórica da civilização humana. 

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PLURAL

CRIMES SEM FIM

STREAMING - O True Crime, género que veio para ficar, passa a abarcar também acidentes marcantes e casos menos célebres

Por Ana Paula Sousa 

Pensando sobre esse estilo de programa, eu não perderia um minuto com essas coisas. 

Se for para comparar, diria que esses programas querem parecer aqueles jornais de "Notícias populares", que "escorriam sangue" nas capas expostas nas bancas de jornais e revistas de antigamente. 

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DEITADO NUMA CAMA DE PREGOS

MEMÓRIA - Silki, o maior - e talvez o único - faquir do Brasil, fez do jejum um meio de vida. Agora sua história virou um livro 

Por Carlos Minuano

Matéria excelente! A história de Adelino João da Silva, o faquir Silki, que passava mais de 100 dias sem comer, é extraordinária!

Em outra época de minha vida, colocaria o livro na minha lista de leituras.

Silki faleceu em 1998, perto de completar 79 anos. Vivia em Poa, na grande São Paulo, e morreu pobre como viveu a vida toda.

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CASA TOMADA

LIVRO - Por meio de um romance gótico feminino, Layla Martínez narra os horrores da Guerra Civil Espanhola 

Por Paula Sperb

Da mesma forma, sempre estive aberto a novas leituras a partir de sugestões de CartaCapital. Leria de boa o romance "Cupim", de Layla Martínez. 

É que meu momento é de sistematização do ontem. 

O romance me pareceu bem interessante. 

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MEMÓRIAS DE UM CRAQUE 

Afonsinho

"O goleiro Manga, que morreu aos 88 anos, possuía uma inteligência admirável e sempre conseguia se encaixar nas equipes campeãs"

Bonita lembrança do goleiro Manga.

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PASSOS ANTIDEPRESSIVOS 

Drauzio Varella

"Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association comprova que, quanto mais se caminha, menor o risco de desenvolver depressão"

Como sempre, o artigo do Doutor Varella traz estudos esclarecedores sobre temas de saúde. 

Ao ler o artigo, interpretei como instinto protetivo involuntário, meu hábito de toda uma vida de sair e andar andar andar sempre que algo catalisa em mim uma crise depressiva. As centenas de milhares de passos que dei como andarilho pesaram positivamente para ter chegado até aqui, neste 56° outono da existência. 

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COMENTÁRIO FINAL

A leitura integral de uma edição da revista CartaCapital, mesmo fora do tempo da notícia, é uma prática sistematizadora da compreensão do mundo atual. Um mundo foda!

Duas semanas após a edição que li, sei das muitas merdas que aconteceram após as matérias lidas. E compreendo as coisas. 

É isso. É melhor ler que não ler. Italo Calvino fala isso sobre os clássicos, mas aproprio o conceito para outras leituras como a revista do Mino Carta.

William 


sábado, 3 de maio de 2025

Livro: Primeiras Estórias - João Guimarães Rosa



Refeição Cultural

"Sua mulher, Tia Liduína, então morreu, quase de repente, no entrecorte de um suspiro sem ai e uma ave-maria interrupta..." (Nada e a nossa condição, Rosa, p. 74)


Sabadão... eu indeciso se sigo lendo mais uns contos de Rosa, se me perco na política - meu tempo tá encurtando à jato (e já não apito nada) -, se pego firme na sistematização de meus textos de uma vida, ameaçados de inexistir nas nuvens inimigas. Dilemas de quem tem a noção do tempo indo.

Quisera eu, quando meu fim chegar, daqui a um minuto ou vinte anos, que fosse ao modo de dona Liduína. Sonho de consumo daqueles que sabem da morte como parte da vida.

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NADA E A NOSSA CONDIÇÃO

Eu fiquei pensando no nome do conto de Rosa... "Nada e a nossa condição".

No fim, o nada é algo que faz parte do todo. Os nadas fazem parte do todo. Eu sou nada. E, no entanto, pertenço ao todo. Natureza...

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UM MOÇO MUITO BRANCO

"Ela, que, a partir dessa hora, despertou em si um enfim de alegria, para todo o restante de sua vida, donde um dom..." (p. 94)

Alegria

Ao ler o conto, me lembrei da resposta de Rubem Alves ao entrevistador Abujamra, que lhe perguntou certa vez "A vida é uma causa perdida?", e Alves responde que sim por sabermos que vamos morrer, mas cita Guimarães Rosa que falava da alegria nos momentos de distração. 

A moça do conto, ganhou em sua vida, o dom da alegria.

Profundo isso!

Gostaria de ter tido esse dom.

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LUAS-DE-MEL

"No mais, mesmo, da mesmice, sempre vem a novidade. Naquela véspera, eu andava meio relaxo, fraco; eu já declinava para nãoezas? Nos primeiros de novembro. Sou quase de paz, o quanto posso..." (p. 96)

É sempre isso. Quando leio Guimarães Rosa, automaticamente me vem à cabeça Uberlândia, me vem o Mato Grosso, anos oitenta, minha família e o mundo onde cresci.

Apesar de ser, em suas narrativas, uma língua inventada pelo escritor, em grande parte, relembro a língua de onde vivi nos anos oitenta.

Guimarães Rosa me transporta ao passado do Brasil onde vivi.

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Comecei a ler esse pequeno livro de contos de Guimarães Rosa há mais de vinte anos. Nunca terminei.

Li pela primeira vez "As margens da alegria" em 2003. Alguns contos eu já li várias vezes nesse tempo todo. 

Agora, decidi ler os contos que não havia lido ainda. 

Uma vez, li em voz alta, na cozinha da casa de meus pais em Uberlândia, o conto "A terceira margem do rio". De repente, comecei a chorar, soluçar... e quase não consegui acabar a estória. 

Com "Sorôco, sua mãe, sua filha" a emoção também é no limite.

"Famigerado" é um dos contos mais marcantes do livro.

E assim, vou finalizar minha leitura do Primeiras Estórias (1962), do mestre Guimarães Rosa. Já é tempo de finalizar coisas antigas não concluídas.

Retomarei o trabalho de sistematização dos meus textos em seguida.

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Post Scriptum:

DARANDINA

"Pois, de repente, sem espera, enquanto o outro perorava, ele se despia. Deu-se à luz, o fato sendo, pingo por pingo. Sobre nós, sucessivos, esvoaçantes - paletó, cueca, calças - tudo a bandeiras despregadas. retombando-lhe a camisa, por fim, panda, aérea, aeriforme, alva. E feito o forró! - foi - balbúrdias. Na multidão havia mulheres, velhas, moças, gritos, mouxe-trouxe, e trouxe-mouxe, desmaios. Era, no levantar os olhos, e o desrespeitável público assistia - a ele in puris naturalibus..." (p. 132)

A gente sabe tão pouca coisa nesta vida, tão nada, que às vezes até se surpreende, mesmo entrado décadas na existência.

Após ler este conto de Guimarães Rosa, Darandina, eu fui pesquisar alguma coisa sobre ele e me surpreendi com a grandeza da estória. Tem revista universitária com o nome do conto, tem diversos trabalhos acadêmicos e ensaios muito interessantes sobre ele. O texto é gigante! Eu nunca tinha me dado conta dele... tão nada, tão pequeno somos quando se trata de conhecer literatura... (eu, né, eu, não falo pelos outros, só por mim).

Teria que renascer e ter foco na literatura desde que me entendesse por gente para poder dar conta de um mínimo que queria conhecer sobre literatura... (mas como não há mágica na vida, minha única unicazinha vida foi essa que já se vai definhando...)

Li um estudo acadêmico analisando o conto "Darandina" e o conto "O alienista", do bruxo do Cosme Velho. A temática da loucura, ou da razão, ou da "desrazão", e fiquei encantado com o texto e as interpretações do autor.

Fiquei pensando uns instantes sobre os 21 contos do livro Primeiras Estórias, de 1962. Muitos personagens e casos contados no livro são exatamente essa questão da razão e "desrazão" das coisas humanas.

Olha, nenhuma frase ou texto comentando obras como essa de Guimarães Rosa dá conta da imensidão de coisas contidas ali. Dá não!

Temos que lidar com humildade com o nosso pouco saber das coisas.

Sigamos lendo alguma coisinha enquanto somos, estamos.

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É isso! 

Will i am 


Bibliografia:

ROSA, Guimarães. Primeiras Estórias. Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1988.

Poema 27: Degenerescência


DEGENERESCÊNCIA


Veias e artérias sob pressão.

Vasos capilares pedem ar e nutrição. 

Da ciência, veio a salvação:

Losartana potássica na mão. 


Na ingestão de proteínas e gorduras,

e no excesso de carboidratos,

a corrida e o esporte de ação

fechavam a equação: vida saudável.


O tempo foi passando no viver,

na intensidade dura do viver.

Noites sem dormir, lutas sem fim.


Sem quadril, correr mais não posso.

Me exercito, então, de outros modos.

Nutro assim meu cérebro: meu Logos.


William 

03/05/25