Refeição Cultural
LEITURAS
"Foi nesse momento crucial que um dilema existencial se impôs, deixando marcas profundas e atormentando-me: dedicar-me aos estudos e alcançar o título de doutor para, assim, libertar minha família da labuta rural e da pobreza, ou trilhar o caminho da política, visando o bem-estar da sociedade como um todo?" (José Genoino, em Uma Vida Entrevista, p. 22)
Me identifiquei com essa passagem das memórias do companheiro José Genoino. Na hora, me lembrei dos momentos de angústia pessoal que viveria a partir de 2002, quando virei dirigente sindical dos bancários e um ano antes havia me tornado aluno da Universidade de São Paulo.
Ao mesmo tempo, me peguei na condição de realizar um sonho antigo de me tornar um intelectual, um acadêmico, quiçá um professor, e me vi eleito dirigente político de um dos maiores sindicatos do país, me sentindo com a responsabilidade de ser o melhor representante que pudesse ser de meus colegas bancários que estavam sofrendo péssimas condições de trabalho na categoria.
Somente meus diários antigos, minhas lembranças e algumas pessoas próximas sabem o quanto sofria por não conseguir conciliar todo estudo que teria que fazer para ser um bom aluno de Letras e para ser um bom dirigente de classe.
Prevaleceu o compromisso com a classe trabalhadora e com a coletividade, com a luta pela mudança social da classe à qual sempre pertenci na sociedade brasileira. Não fui professor. Tentei ser um bom dirigente sindical.
Felizmente, tive o privilégio e a sorte de ter boas referências como, por exemplo, essa figura extraordinária de nossa história, José Genoino.
William
10/01/26


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