domingo, 28 de junho de 2015

Junho de longas jornadas e viagens, e pouca corrida



Entardecer em Brasília - Planalto Central.

Refeição Cultural

28 de junho. Domingo acabando. Estou em Brasília, Capital do Brasil.

Neste fim de semana fui ao cinema com minha esposa assistir ao filme Jurassic World, o 4º da série. O filme nos põe tensos, mas não assusta. O que me assusta mesmo são os filmes sobre Inteligência Artificial e domínio das máquinas sobre os humanos, mortais que somos. Em relação a uma provável volta dos dinossauros, eu não tenho dúvida alguma que nós humanos exterminaríamos eles novamente, assim como exterminamos qualquer espécie que tente disputar espaço conosco no planeta. Somos os animais mais destrutivos do planeta Terra, quiça do Universo.

Depois de três anos na caixa com o plástico, presente da esposa, resolvi tirar da embalagem a minissérie Grande Sertão Veredas, gravada e exibida em 1985 pela Rede Globo. 

Eu tenho grande crítica à sacanagem que a tevê dos Marinho fez com a obra de Guimarães Rosa, ao denunciar logo de cara para o público, o segredo do jagunço Riobaldo Tatarana, que na obra original, narra a um estranho por dias a fio, sua vida de jagunço, seus medos, sua relação com o parceiro Reinaldo e seus sentimentos estranhos em relação a ele.

A Globo colocou no papel de Reinaldo (Diadorim) a atriz Bruna Lombardi. Este é o segredo que Guimarães Rosa mantém para os leitores durante o longo monólogo do jagunço ao visitante. Mas fazer o que? Assisti ao primeiro DVD com mais de 3 horas de duração. Faltam mais três partes do mesmo tamanho. Vale pela beleza das interpretações, pela fotografia e paisagens e pelo que significa a obra de Guimarães em si.

Li o poema O Rio, de João Cabral de Melo Neto, de 1953. Que coisa deslumbrante! Que emoção ouvir o Rio Capibaribe contar em primeira pessoa suas impressões e seus encontros desde sua nascente até Recife e o encontro com o mar. Demais!

Também assisti ao Planeta Terra. Tenho assistido semanalmente aos episódios sobre os locais mais inóspitos do mundo e as relações do mundo natural. O programa tem feito com que eu pense muito em minha vida e na vida humana em sociedade.


CORRER O POSSÍVEL É MELHOR QUE NÃO CORRER NADA

Bom, correndo neste domingo à tarde, encerrei o mês sabendo que foi muito difícil correr devido à agenda que tive e, ao fim e ao cabo, valeu ter conseguido correr 33 km em seis treinos e ainda fazer uma caminhada de uns 7,5 km. Saí para correr em condições duríssimas de cansaço e isso me faz ter orgulho pelo esforço feito.

Meu trabalho em junho foi muito difícil em termos de agenda. Viajei o tempo todo em pouco mais de vinte dias úteis: fui de Brasília a São Paulo SP, Rio de Janeiro RJ, Belo Horizonte MG, Vitória ES, São Paulo SP, Curitiba PR, Uberlândia MG e fecho o mês indo amanhã 29 trabalhar em Campinas SP. Foi um mês de muito trabalho pela entidade de saúde em que sou gestor eleito pelos trabalhadores.

Em meu caminhar neste mês, pude ver em meu contato com a natureza, um belo tucano em Uberlândia, um casal de pica-paus de crista vermelha em Brasília, e muitos muitos beija-flores, sabiás, bem-te-vis, pássaros pretos, rolinhas, pardais, tizius, anus, periquitinhos... e mais uns que não me lembro o nome. Enfim, vi muitos pássaros neste mês de junho. E muitas flores também!


CORRIDAS EM JUNHO

1. Sábado 6 DF........................ 4k em 24'
2. Domingo 7 DF......................5k em 30'
3. Segunda 15 DF....................4k em 25' 26 graus
4. Sábado 20 MG....................7,5k em 80' - caminhada em Uberlândia
5. Domingo 21 MG...................8k em 49' - Parque do Sabiá
6. Quarta 24 DF.......................6k em 38' - Noturna 19 graus
7. Domingo 28 DF....................5k em 29' - 20 graus

Fim do fim de semana, fim do mês de corrida, fim do 1º semestre de trabalho.

Estou lutando por minhas tarefas e por minha vida e saúde.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Bloomsday!!! (16 de junho)


Refeição Cultural

Essa terça-feira 16 de junho foi mais um dia de teste de paciência em meu trabalho. Saí bastante estressado da Cassi. Precisei deitar uma hora e relaxar um pouco lá pelas oito da noite.

Às 21 horas da terça-feira 16 de junho, venci toda a moleza, o cansaço e a preguiça e decidi calçar um tênis e sair na noite fresquinha de Brasília para correr e salvar a mim mesmo. Não nasci para seguir o fluxo fácil e contínuo das coisas, inclusive das tendências humanas.






16 de junho - Bloomsday

Ao sair para correr, não cruzei com praticamente ninguém em meia hora de corrida pelas alamedas escuras da Asa Sul.

Já na primeira volta, avistei no relógio da rua a data 16/06 e na hora a visão me chamou a atenção. A data é uma efeméride: Bloomsday.

Eu sou uma das pessoas que conseguiu vencer as centenas de páginas da odisseia de leitura de "Ulisses" de James Joyce. Foi uma das leituras mais importantes de minha vida literária.

Ulisses, de Joyce, se trata de um livro de quase mil páginas que contém todos os gêneros literários e narra um dia da vida do personagem irlandês Leopold Bloom, do amanhecer até a madrugada seguinte.

A linguagem é tão hermética e tão difícil que eu comecei a ler e parei quase uma dezena de vezes. Cheguei a ler até a página 300 e recomecei porque não tinha sido do jeito que eu queria.

Enfim, um dia comecei a ler, peguei o ritmo, entrei na história e fui adiante até o fim. A leitura é uma epopeia cerebral, linguística e literária.

Considero uma de minhas façanhas literárias, assim como foram as leituras de A montanha mágica - de Mann, Don Quijote de La Mancha - Cervantes, Os lusíadas - Camões e Irmãos Karamazov - Dostoievisk.

Tem tantas passagens marcantes que é difícil escolher uma que seja mais diferente para citar. Imaginem um livro escrito no início do século vinte, publicado em 1922, que tinha tanta coisa diferente que escandalizou meio mundo.

Há passagens com linguagem sexual e termos chulos. Há poesia. Há dramaticidade. É demais.

A obra faz um paralelo da vida dos personagens irlandeses, retratados como pessoas comuns vivendo uma vida medíocre, com os personagens do clássico grego A Odisseia, de Homero. Leopold Bloom é Odisseu. Sua esposa é Penélope e Stephen Dedalus é o jovem Telêmaco.

Imaginem vocês como voltei eufórico e com a energia melhor após minha meia hora de corrida na noite fresca de 16º do dia 16/06.

A vida é uma experiência única! A gente nunca poderia imaginar onde iríamos parar.

Vamos continuar porque eu quero sobreviver a tudo e quero poder experimentar muita coisa ainda e testar minhas possibilidades intelectuais, literárias e me lapidar como ser humano nos próximos tempos.

Viva o Bloomsday!

Foi o momento...

domingo, 14 de junho de 2015

Diário - 140615




Jura que amanhã não é sábado?

Fim de semana acabou. Amanhã é segunda-feira e cheguei no fim da tarde a Brasília.

Tudo o que pude fazer foi chegar a tempo de assistir ao programa Planeta Terra, que me põe a pensar no mundo e na existência.

Liguei para os meus pais. Comi uma pizza com minha esposa e acabou o domingo...

Só vou pra Cassi na parte da tarde nesta segunda.

A SEMANA

Completei uma semana de muito trabalho, mas vou dormir com a consciência leve de dever cumprido (diria até comprido...).

Participei neste domingo 14 e sábado 13 do 26º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil em SP. Fui para contribuir sobre o tema saúde e sobre nossa Caixa de Assistência.

Cheguei ao congresso em SP, vindo de Vitória ES, onde realizamos na sexta 12 a VIII Conferência de Saúde da Cassi ES. Na quinta 11 realizamos também a VIII Conferência de Saúde da Cassi MG em Belo Horizonte.

Na quarta 10 e terça 9 trabalhei em Brasília DF. Na segunda 8, abri a semana de périplo pelos estados do Sudeste indo ao Rio de Janeiro RJ para a 3ª mesa de negociação sobre a Cassi entre o BB e uma comissão de representação das entidades do funcionalismo.

Concluo dizendo que estamos com o coração leve porque falamos com centenas de trabalhadores e lideranças sobre as nossas propostas para fortalecer a Caixa de Assistência e o seu modelo assistencial de Atenção Integral à Saúde, pensado e definido para atender ao conjunto dos participantes do Plano de Associados e do Cassi Família. O modelo foi definido desde a Reforma Estatutária de 1996 e precisa ser plenamente implantado.

É isso. Agradeço à Anabb, Contraf-CUT, sindicatos dos bancários de Belo Horizonte, Espírito Santo e de São Paulo, Osasco e região, Aafbb e Afabb ES pelo apoio logístico e financeiro para que eu pudesse estar em todos os locais desta agenda no RJ, DF, MG, ES e SP usando menos recursos próprios para trabalhar (600 reais) porque o BB e sua representação não nos liberaram recursos para realizar esses trabalhos em nome da Cassi.

William Mendes

sábado, 6 de junho de 2015

Diário - 060615 (Dia D, ontem e hoje)



Dia D (6 de junho) - desembarque na Praia de Omaha, 
Normandia - França.
Foto: Wikipedia.

Refeição Cultural - o Dia D

6 de junho de 1944 ficou conhecido na história como o Dia D na Segunda Guerra Mundial. Os alemães nazistas já haviam dominado praticamente todo o continente europeu. O nazismo avançou de forma avassaladora após o início da guerra entre 1939 e 1944 conquistando e subjugando os povos do velho continente.

Um dos episódios mais cultuados em filmes, livros e iconografia em geral é o desembarque na Praia de Omaha, na Normandia. A praia faz parte de um conjunto de praias na Normandia onde desembarcaram os aliados para tentar recuperar o território francês, invadido e sob domínio de Hitler quase que desde o início da 2ª GM. O desembarque foi um banho de sangue com milhares de soldados aliados sendo triturados pelas metralhadoras alemãs.

Cada vez que vejo as cenas originais daquele banho de sangue e extermínio de pessoas nos campos de batalha e nos campos de concentração - no front -, jovens de diversas partes do mundo, e nos campos de concentração, os humanos escolhidos pelo nazismo e fascismo como gente a ser exterminada do Planeta - judeus, comunistas, pessoas com deficiência (PcD), ciganos, enfim, gente não ariana - cada vez que relembro a nossa história real, fico pensando porque nossa sociedade humana permite que continuemos em nome do capitalismo, do elitismo, da discriminação de classes, da intolerância ao diferente... porque a sociedade humana está sempre a semear a próxima tragédia humana da próxima guerra - civil ou não.

Hoje faz 71 anos que os países aliados buscaram toda a união global possível para vencer o nazi-fascismo. O risco totalitário do Nazismo era tão grande que foi preciso unir os adversários políticos socialistas e capitalistas. A Caixa de Pandora fora aberta quando os alemães ascenderam ao poder Adolf Hitler e teve início o 3º Reich em 1933.

Durante os seis anos civis de ascensão dos ideais nazistas e convencimento de toda uma nação alemã, do médico ao metalúrgico, dos jovens aos idosos, dos padres aos acadêmicos, entre 1933 e 1939, todos os atos fascistas cometidos pelo 3º Reich contra o povo judeu, contra os adversários políticos, contra as minorias, contra os países vizinhos, foram TOLERADOS pelos demais países do mundo, mais distantes do dia a dia alemão. Foram TOLERADOS pelas pessoas desses países. Foram TOLERADOS até pelos alemães e judeus que viviam na Alemanha e achavam que aquilo era daquele jeito mesmo, era como tinha que ser.

A 2ª Guerra Mundial, a ascensão do Nazismo e a quase conquista de todo o continente europeu pelo nazi-fascismo começou com a tolerância a todos os atos e fatos fascistas tolerados pela população comum, pela legislação instituída, pelos países e por seus líderes e instituições.


6 de junho de 1944 (Dia D) - jovens como nós unidos contra o Nazismo,
que após 5 anos de guerra, já dominava todo o território europeu.
Por não conhecer a história, as pessoas de hoje acham que não
é nada deixar as ideias fascistas germinarem em nosso país.

Estamos no dia 6 de junho de 2015. 

Parabéns aos meus três familiares que fazem aniversário nesta data. Parabéns aos meus amigos e conhecidos que fazem aniversário nesta data.

Infelizmente, perdi a relação próxima que tinha com um de meus familiares que completam anos hoje. Desejo-lhe saúde e paz.

Na minha leitura de observador da história das sociedades humanas, estamos vivendo a ascensão dos ideais fascistas plantados pelos donos do poder capitalista. 

No nosso caso brasileiro, pelas famílias donas das mídias monopolizadas, pela pequena elite centenária que sempre usurpou o povo brasileiro e pela oposição partidária ao governo do Partido dos Trabalhadores, oposição que sem ter projeto para o país que convencesse o povo pelo voto, aderiu aos ideais fascistas e golpistas dos grandes donos do poder centenário na ex-colônia Brasil.

Neste contexto e nessa fase da construção golpista e fascista em nosso país, a imprensa cínica e canalha mudou o perfil das novas gerações de brasileiros. Foram 13 anos atacando o governo de Lula e de Dilma e os governos do PT de forma parcial, cínica, canalha. Exponencia erros do PT e esconde todos os erros e corrupções de governos aliados a eles, imprensa partidária. 

O chavão da "corrupção" sempre foi o mote ao longo da história da luta entre Capital versus Trabalho quando essa luta se expressa em governos eleitos democraticamente com características mais populares contra governos mais à direita, aliados aos capitalistas e donos das imprensas monopolizadas.

Eu sei que tenho que ter humildade para me relacionar com os estranhos que não me conhecem e não sabem pelo que luto e o que represento, por ser liderança eleita pelos trabalhadores. Mas tenho dificuldades em ter a mesma tolerância com as pessoas mais próximas que sabem o que sou, o que represento e pelo que luto. 

Já vimos na história dos momentos de golpes e quebras institucionais que os regimes totalitários quando implantados não perdoam ninguém. A cisão é total entre amigos, conhecidos e familiares. Eu tenho tentado avisar isso nos últimos anos o tempo todo às pessoas comuns que conheço.

Enfim, desejo de verdade que não tenhamos que ter daqui a alguns anos um novo "Dia D" de união global contra um gigante totalitário nazi-fascista a dominar quase que o mundo todo.

Desejo que cada cidadão brasileiro, meus colegas bancários, meus familiares, meus amig@s, que cada pessoa reaja com firmeza aos ataques incentivados pela oposição ao governo federal e pela imprensa das famílias bilionárias do PIG (Partido da Imprensa Golpista). 

Se as pessoas e as instituições legais e formais não reagirem a essa liberalização "informal" dos atos criminosos racistas, xenófobos, contra liberdade de opinião política e de caça a militantes e lideranças do PT ou aos militantes de esquerda e de movimentos sociais, nós vamos reviver o que a história nos mostra de ascensão totalitária do fascismo.

William Mendes

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Ideologia - As razões de ser das leis e dos discursos




"Toda lei, toda constituição e todo discurso político têm, para Montesquieu, a sua razão de ser. As instituições não nascem nem se mantêm por acaso, fora do seu tempo e lugar, sem que os costumes de um povo ou de um grupo social as produzam e reproduzam." (Alfredo Bosi, in Ideologia e Contraideologia)

COMENTÁRIO

A corrosão do caráter e a degeneração da ética e dos princípios na vida cotidiana e em todos os espaços de sociabilidade no Brasil e no mundo atual têm uma razão de ser e não são por acaso. É evidentemente uma questão ideológica.

Vivemos no mundo da internet e das redes sociais e quem domina estas ferramentas de formação ideológica, domina a mente e o pensamento dos humanos atuais... 

Sem uma reação impactante e contraideológica do pequeno segmento humano progressista e humanista, nós todos estaremos fodidos com mais alguns ciclos lunares.

William

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Diário - 020615 (A vida como uma partida de xadrez)



Cena clássica de O sétimo Selo, de Ingmar Bergman.

Jogo de Xadrez - Quase tudo na vida se parece com uma partida

Finalizei nesta terça-feira a agenda paulista de trabalho. Abordei o tema Sustentabilidade da Cassi no encontro dos dirigentes dos sindicatos da Fetec SP. No sábado já havia participado da Assembleia do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região que elegeu a delegação para o 26º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil.

E por estar em São Paulo no fim de semana, aproveitei para fazer um longão de 10k pelas ruas de nossa cidade de Osasco.



Primeira vitória no Xadrez

Eu sempre quis aprender a jogar xadrez. A imagem iconográfica que influenciou esse meu desejo tem relação com a cena do jogo entre o cavaleiro medieval e a Morte, no clássico filme O Sétimo Selo, do sueco Ingmar Bergman.

Estava voando de São Paulo para Brasília agora à noite e acabei jogando uma partida de xadrez com a máquina (a telinha) no voo da Avianca.

Já faz alguns anos que li em um livro de xadrez como se movimentam as peças e quais são as regras mais simples. Mas nunca peguei para jogar com ninguém e, jogando algumas vezes com os programas dos computadores, eu sempre perdi ou larguei antes.

Ao iniciar a partida, no voo de hora e meia, fui relembrando as estratégias básicas nas mexidas das peças - a cada movimento, observar se você não expõe suas peças ao adversário, sem contar é claro o objetivo principal - o rei.

Acabei fazendo uma analogia da partida e do jogo com a situação vivida pela Cassi e sua relação difícil com um dos patrocinadores: O Banco do Brasil. Juro que pensei nisso na hora do jogo!

Não é que eu ganhei a partida! Que show! Viva a Cassi!

William

terça-feira, 2 de junho de 2015

Instantes - Reflexões sobre futuro (dos humanos e da Cassi)




Fiquei nesses dias pensando na questão da Inteligência Artificial. Vi um programa que nos alerta para o risco real da AI colocar em risco a vida humana, como organismo que controla o planeta. Assisti no fim de semana ao filme "Eu, robô" (2004). Continuei pensando... Não gosto do uso e do efeito da tecnologia nos seres humanos. Aliás, os capitalistas detêm os meios, mas qualquer hora, os meios (AI, por exemplo) podem subverter até esses capitalistas de m...

Tenho uma leitura de que as pessoas estão virando umas coisas meio estranhas. Ou diria que os seres humanos estão regredindo quase que só a mamíferos mesmo (é o que somos), sem os atributos culturais e de inteligência e razão construídos a milhares de anos de acúmulo.


SOBRE A CASSI - também estava aqui elucubrando após responder a uma reflexão de uma jovem companheira de luta do movimento. Eu vou gastar até a última fagulha de energia para convencer pessoas e entidades a lutar pela nossa Caixa de Assistência da forma como ela foi concebida por nossos antepassados. 

A proposta do Banco desfaz a Cassi que construímos, solidária e que também responsabiliza o patrão pelas consequências de seus atos de gestão. 

A proposta que apresentamos para seguir implantando o modelo assistencial da Cassi é possível, viável e o Banco tem obrigações com a saúde de seus funcionários da ativa e aposentados. 

Mais que isso: o Banco tem dinheiro, recursos, e isso tem que servir para alguma coisa boa e coletiva e de efeito para as pessoas e não somente para detentores de papeis do Banco ($). 

Vamos ver o que a maioria vai decidir sobre essas coisas...

William

domingo, 31 de maio de 2015

Corridas - A saúde do Diretor de Saúde



Um ano à frente da Cassi.
Vamos correndo e lutando pela saúde
da entidade e nossa também.

Fechei o mês de maio com uma corrida de 10 km pelas ruas de Osasco (SP) neste domingo frio e de garoa.

Estou completando um ano de mandato na Cassi neste fim de semana. Minha vida teve uma mudança radical de 2014 para cá.

Passei a ter uma rotina de trabalho com um estresse maior ainda do que já tinha como dirigente nacional dos bancários.

Por entender a importância de minha tarefa durante este período de mandato na Cassi, tenho feito mudanças necessárias para tentar reequilibrar minha energia vital e minhas forças. 

Voltei a correr desde novembro do ano passado. No fim dos longos dias de trabalho e poucas horas de sono, quase parei de tomar cerveja e também optei por não cair prostrado no sofá ao chegar em casa, e decidi estabelecer uma rotina de colocar um tênis e sair para correr.

Sempre quis ser cadastrado na Estratégia Saúde da Família (ESF/CliniCassi), mas nunca deu certo quando vivia em Osasco com a família. Agora em Brasília, estamos cadastrados e já fiz dois exames de saúde no último ano.

Enfim, estou fazendo a minha parte porque isso é importante para minha família e para o trabalho que confiaram a mim.

Seguimos firmes encontrando energia para vencer os dias e lutar pelos projetos de saúde da classe trabalhadora que represento.

TREINAMENTO EM MAIO

1. Domingo 3 (DF).........................4,8 km / 30' com sol

2. Quarta 6 (DF)............................5,0 km / 30' noturna

3. Sábado 9 (DF)...........................3,0 km / 25' leve

4. Domingo 10 (DF).......................5,0 km / 29' baixei meu tempo

5. Terça 12 (DF)............................5,0 km / 28' baixei mais ainda meu tempo - show (noturna)

6. Domingo 17 (SP).......................4,0 km / 23'30" Pq. Continental

7. Quinta 21 (PE)...........................5,0 km / 32' Praia de Boa Viagem: noturna

8. Domingo 24 (DF).......................6,0 km / 37' de tarde

9. Segunda 25 (DF).......................5,0 km / 32' noturna

10. Domingo 31 (SP).....................10 km / 63' longão com muita subida, frio e garoa

O mês de maio foi diferente do anterior. Corri neste mês dez vezes, mas percursos menores. O longão deste domingo foi para não diminuir meus limites de distância. Neste mês corri em Brasília, Osasco e Recife.

Como foi um mês de muitas jornadas longas de trabalho e viagens, optei por não alongar as corridas. No entanto, fiquei muito feliz por fazer um percurso que estimo em 5k com o menor tempo dos últimos anos: 28'. Essa melhora tem sentido, porque no mês passado fiz um tempo muito bom para meu histórico na distância: foi na AABB SP.

No mês de abril corri sete vezes, mas fiz o maior longão do ano - 12 km em Uberlândia.

TREINAMENTO REALIZADO NO ÚLTIMO ANO

Novembro/2014 - 41,5 km em 9 corridas.

Dezembro/2014 - 62,5 km em 9 corridas, participei da 90ª Corrida de São Silvestre (15k).

Janeiro/2015 - 48,7 km em 9 corridas e participei da Night Run 10k do Costão do Santinho SC.

Fevereiro/2015 - 42,5 km em 8 corridas com um longão de 10k no fim do mês.

Março/15 - 51,59 km em 8 corridas, incluindo o 9º Circuito de Corridas AABB SP de 5,34k.

Abril/2015 - 46 km em 7 corridas, incluindo o longão de 12k em Uberlândia MG.

Maio/2015 - 52,8 km em 10 corridas, tendo feito uma 5k em 28' e um longão de 10k.

POR MINHA SAÚDE

Percorri correndo nos últimos 7 meses 345,59 km. No mínimo, isso me fez manter um pouco da condição cardio-respiratória e muscular nos membros inferiores, melhorei o sistema digestório e circulatório, mantive bons níveis de HDL no sangue e devo ter dormido um pouco melhor por isso. 

Se estou bem ou não de saúde, é coisa a se avaliar. Por exemplo, estou com o ombro esquerdo com muitas dores. Mas sem dúvidas, estaria pior se não fosse essa agenda de corridas que forcei acontecer até agora.

domingo, 24 de maio de 2015

Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?



Desenhos... num momento, decidi ver como estava esse dom
que também tive em certo tempo em meu eu.

Refeição Cultural - Será que vamos voltar ao Estado de Natureza?

Fim de dia. Fim do domingo. Estou meio-que... o tempo necessário para descansar não foi suficiente. Cheguei ontem à noite do trabalho e vou madrugar para trabalhar. Mas... a vida é assim. Vou me concentrar em economizar energia porque a semana será longa até o fim do próximo sábado.

Corri pela tarde com temperatura de 24º e percebo a mudança do clima brasiliense em fim de maio; está ficando mais seco. Fiz um trote de 6k em 37'.

Reflexões a partir da observação da vida animal em estado natural

Faz algumas semanas que tenho assistido aos domingos programas abordando a vida na natureza. Isso me leva a reflexões constantes sobre a nossa vida humana neste momento em que estamos de nossa história.

A vida em estágio natural é uma eterna luta pela sobrevivência. Se mata para viver a todo instante. E sobrevivendo com água e comida, alguns seguem, outros viram comida do outro na cadeia alimentar. Nós humanos conceituamos a natureza de "bela" por suas cores, tons, animais, plantas, formações geológicas etc. Viver na natureza, sem regramento que limite ações, necessidades e desejos individuais, sem espírito de proteção e apoio coletivo em sua espécie, ou até em parceria com outras espécies, é muito difícil e com probabilidades bem menores.

Somos animais mamíferos. Simples assim. Como diz o documentário "Ilha das Flores" somos mamíferos bípedes, com polegar e telencéfalo altamente desenvolvido. Saímos do puro estado de natureza há alguns milhares de anos e paramos de viver como os animais vivem em meio à natureza selvagem.

A necessidade de proteção grupal, estabilidade, provisão de víveres e o desejo de amor e companhia nos fez construir espaços comuns e estabelecer regras e limites individuais para o bem coletivo. Desenvolvemos tecnologia ao longo de nossa história para nos ajudar a dominar o espaço e prover todas as necessidades que tínhamos e as que fomos criando.

Nessa história ao longo do tempo e por todo o globo terrestre sempre houve momentos de ruptura dos contratos sociais que definiam regras e limites. As rupturas levaram a guerras e extermínios entre nós da mesma espécie. Não podemos esquecer que nossa espécie humana também teve e segue tendo uma capacidade impressionante de extermínio de todas as demais espécies por onde quer que decidamos nos instalar. Nós destruímos e alteramos tudo ao nosso redor.

Construímos ao longo de nossa história, várias experiências positivas e negativas de sociedades com mais igualdades de direitos e com menos igualdades de direitos entre todos os participantes dessa sociedade.

Ao estudar nossa história humana, ser participante da sociedade contemporânea e olhar ao meu redor, fico assustado com o rumo que estamos tomando, nós animais mamíferos que somos. Vejo que nosso futuro está em risco e tenho uma leitura de que estamos caminhando para voltar ao Estado de Natureza, sem regras e limites definidos para termos segurança, provimento, amor e melhor perspectiva de paz.

Inteligência Artificial pode por em risco a raça humana?

Vi também um programa que mostra a preocupação de grandes mentes do ramo dizendo que há sim um risco de alcançarmos nas próximas décadas um salto tecnológico que pode fazer com que a Inteligência Artificial se torne independente de nossas ordens e autônoma enquanto espécie. Ela teria a capacidade de se estabelecer no planeta Terra exatamente como nós fizemos até hoje e nós nos tornaríamos apenas mais uma raça animal sem estar no domínio das coisas.

E a pergunta que parte dos cientistas está fazendo é qual a necessidade de se seguir nessas pesquisas? Eu não vejo nenhum sentido nisso, francamente.

Qualquer tecnologia pode ser usada para o bem e para o mal. Desde sempre. Mas ela pode ameaçar a existência humana e de outras espécies também.

Eu tenho a preferência por tentar me manter humano, utilizando meu cérebro e minha capacidade acumulada de me importar mais com a vida em coletividade e com a busca de amor e felicidade para o conjunto dos animais mamíferos humanos em suas comunidades. E logicamente isso só é possível para a raça humana se nos atentarmos também para a conservação do planeta que nos abriga e sua biodiversidade, que é um achado no cosmos, com uma multiplicidade de casualidades naturais que geraram as condições de vida como a conhecemos.

É isso!

William Mendes

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Diário - 130515


Brasília!

Madrugada de quarta-feira 13.

Mas vamos falar da terça-feira 12, que foi o dia da primeira mesa de negociação entre o Banco do Brasil e os representantes das entidades sindicais e associativas do funcionalismo para debater soluções para a sustentabilidade da Cassi - Caixa de Assistência, maior entidade de saúde no modelo de autogestão do país.

Como as partes definiram que os eleitos não estariam nesta primeira mesa, segui minha rotina de trabalho. Terça é dia de reunião da Diretoria Executiva da Cassi. Ou seja, saí de casa cedo e voltei cerca de 21h, seguindo a rotina de umas 12 horas de trabalho diário.

Eu teria ainda uma reunião com companheiros de trabalho e aliados a respeito da agenda da quarta-feira, quando realizaremos a Conferência de Saúde da Cassi no DF.

Me veio o convite: vamos conversar tomando uma cerveja e comendo alguma coisa? Meu organismo foi rápido na reflexão e na resposta. Me desculpei e preferi ir para casa descansar um pouco para a semana que ainda terá uma longa jornada com eventos públicos e viagens na quarta, quinta e sexta.

Enfim, cheguei quase 21:30h e o que decidi? Quedar no sofá ou sair para correr?

Coloquei um tênis, um calção e fui pra rua correr. Acho que estamos em um dia considerado frio para o pessoal de Brasília: 16º.

Corpo quebrado nos primeiros passos... fui aquecendo, as dores no corpo foram sumindo.

Fiz o circuito que calculo de uns 5k. Já fiz em até 36' o percurso. Nesta terça foi fan-tás-ti-co meu ritmo pós jornada de 12 horas de trabalho.

Fiz os 5k em 28'30". Acho que foi o meu melhor tempo para esse percurso em muitos, muitos anos.

Legal! Ainda mais considerando que comecei o mês de maio todo alquebrado fisicamente. Fiz um esforço tremendo para obter bom ritmo na corrida cada vez que fui pra rua.

Já corri 5 vezes nestes 12 dias do mês.

Estou me virando como posso para me fortalecer, não quebrar e ter estrutura para enfrentar a jornada física e psicológica que tenho tido desde que iniciei a nova missão de representação.

Vou dormir agora, quase duas da manhã e acordar às sete e meia para nossa Conferência de Saúde.

Mas tudo vai dar certo. Estamos no caminho com coração forte e firme nas convicções.

William Mendes

domingo, 3 de maio de 2015

Para sempre Alice - O risco de não sermos mais nós mesmos


Julianne Moore interpreta linguista com Alzheimer
no auge da carreira. Poster do filme (2014).

Refeição Cultural

Sinopse do filme:

A história aborda o surgimento precoce da doença de Alzheimer numa professora de linguística ainda no auge de sua carreira, aos 50 anos de idade, e os espectadores acompanham o drama que ela e a família vivem com o avanço da doença.

Comentário e reflexões

Ver esse filme me deixou muito reflexivo. Fiquei pensando sobre a vida e sobre a minha vida. 

Em relação à existência das pessoas, pensei o quanto nós somos frágeis e o quanto pode ser em vão, de certa forma, todos os nossos planejamentos, previsões e provisões para o amanhã. Por outro lado, não podemos abrir mão disso porque o que nos caracterizou como animais racionais tem muita relação com a questão do planejamento e da previsibilidade do amanhã para a comunidade e para seus indivíduos. Um dos males da atual fase do Capitalismo, a "flexível", é justamente a perda do conceito de "tempo longo" para as coisas. Richard Sennet aborda isso em seu ensaio "A corrosão do caráter".

Em relação à minha vida, ufa, fiquei durante todo o feriado pensando sobre o meu amanhã incerto e a quantidade de coisas que eu me programei para fazer em relação aos desejos de meu próprio ser. Aquilo que não tenho conseguido fazer ao longo das décadas de minha vida por ser um proletário que vive da venda da força de trabalho desde os onze, doze anos de idade. Como, por exemplo, as dezenas de livros que sonho em ler e os desafios de esporte e viagens.

Estou com 46 anos e sei que não farei nada até próximo dos 50 anos em relação aos meus desejos e realizações pessoais, além do trabalho que estou destacado a fazer que me consome a vida diária, semanal e integral. Mas cumpro minha missão com diligência e dedicação, pois sei da importância coletiva dela.

Ver o filme e lembrar das casualidades da vida me assustou. E se amanhã acontecer comigo algo do gênero e eu deixar de ser eu mesmo? O que vai ficar?

Nesta semana, durante minhas jornadas extensas de trabalho com nível de estresse nas alturas, acabei tendo algum colapso físico que me deixou uma madrugada toda mal fisicamente, com o meu corpo cobrando os excessos de dedicação ao trabalho e o estresse gerado e estive mais frágil fisicamente os dias seguintes. Agora estou só resfriado e me recuperando, mas sei que fui alertado.

Tenho uma certeza e uma clareza como a água de Bonito (MS). Sei que somos hoje o que sobrou de ontem, com toda a carga de investimentos em saúde e excessos contra o corpo e mente que fizemos, ou que nos fizeram, desde que fomos gerados. Esse corpo e mente, além das cargas genéticas, traz muita carga de trabalho pesado, hormônios mil por raivas, tristezas e outros jorros hormonais de sentimentos extremados.

A história da professora de linguística Alice Howland (Julianne Moore) me serviu para pensar por esses dias em como devo tentar fazer a minha parte em cuidar de mim mesmo porque a carga genética e os acúmulos e excessos que já trago de meu duro percurso existencial podem me pegar a qualquer momento.

Se no trabalho político, fazendo o melhor de mim até o limite, já senti a diferença absurda em relação ao apoio, companheirismo e envolvimento coletivo de quase todos que me colocaram nesta missão - porque o cenário é de dificuldades - imaginemos se eu quebrar no caminho, com quantas pessoas vou poder contar além de três ou quatro que hoje dependem de mim como esteio de família?

O filme teve neste espectador o efeito catártico que se espera da sétima arte.

Vale a pena ver.

William

domingo, 26 de abril de 2015

Diário - 260415 (Preservando o caráter)





Refeição Cultural - Preservando o caráter

"Como se podem buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter relações sociais duráveis? Como pode um ser humano desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida numa sociedade composta de episódios e fragmentos? As condições da nova economia alimentam, ao contrário, a experiência com a deriva no tempo, de lugar em lugar, de emprego em emprego. Se eu fosse explicar mais amplamente o dilema de Rico, diria que o capitalismo de curto prazo corrói o caráter dele, sobretudo aquelas qualidades de caráter que ligam os seres humanos uns aos outros, e dão a cada um deles um senso de identidade sustentável"

(A corrosão do caráter - consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Richard Sennett)


Domingo à noite. Acabou o fim de semana em Osasco SP.

Cheguei muito cansado de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na sexta-feira à noite. Estive lá para a primeira Conferência de Saúde da Cassi deste ano. A semana foi extremada no trabalho e o desgaste psicológico me exauriu as energias.

No sábado pela manhã foi muito difícil levantar-me. Mas depois o corpo "pegou no tranco" (a frase tende a virar relíquia na língua portuguesa porque não se pode dar tranco nos carros atuais). Encontramos alguns amigos à tarde em um churrasco. Uma das coisas que fiquei pensando após isso foi no livro de Richard Sennett falando sobre a questão do caráter.

SENSO DE IDENTIDADE SUSTENTÁVEL

"O termo caráter concentra-se sobretudo no aspecto a longo prazo de nossa experiência emocional. É expresso pela lealdade e pelo compromisso mútuo, pela busca de metas a longo prazo, ou pela prática de adiar a satisfação em troca de um fim futuro..." (Sennett).

Eu sei que deveria investir um pouco mais na sanidade advinda da convivência social nas horas de lazer. Eu quase nunca vou a eventos sociais porque estou sempre escolhendo o parco tempo que me resta do trabalho (militância) para mim mesmo. Faz muitos anos que tenho jornadas de 12 horas ou mais desde que fui para a Contraf-CUT e atualmente como diretor eleito da Cassi. Quando sobra alguns minutos, durmo... tento descansar em casa com a família.

CORRENDO PARA NÃO ADOECER

Ao correr neste domingo 5 km no Parque Continental, ao lado de onde moro em Osasco, percebi que se eu ficar sem correr algumas semanas ficarei doente. O estresse que tenho durante a semana vai fazendo meu corpo pedrar, cheio de hormônios ruins, e começo a ter dores nos músculos, tendões, costas etc. Ao correr, desopilo o fígado e sai a carga ruim e oxigena a vida. Não dá pra ficar sem correr mais não, com essa vida que estou levando para cumprir até o fim a missão que me designaram...

LEITURAS QUE ALIMENTAM E ENRIJECEM O CARÁTER

Fui ler um pouquinho neste domingo. Além de umas dezenas de páginas do Sennett, li a citação do dia no livro do Eduardo Galeano, "Los hijos de los días", que ganhei do companheiro Carlão.

Vi que neste dia 26 de abril ocorreu em 1986 a catástrofe nuclear em Chernobyl, Ucrânia. Eu me lembro disso e tinha 17 anos de idade. Naquele ano, decidi deixar meus pais em Minas Gerais e voltar sozinho para São Paulo para tentar trabalhar e fazer a minha vida. 

Eu estava cansado de ser trabalhador braçal, de trabalhar sem carteira assinada, fazendo bicos, eu queria um emprego mais estável, queria uma vida que me permitisse uma narrativa, como diz Sennett. Quando passei em dois concursos ao mesmo tempo - Banco do Brasil e CET da Prefeitura de SP -, escolhi o que tinha jornada de 6 horas...

Minha nossa! Nunca quis trabalhar tanto em minha vida... olha como está a minha vida hoje... as coisas são assim!

Todos somos filhos dos dias...

SENSO DE COMUNIDADE (AO VIVO)

"Rico me disse que ele e Jeannette fizeram amizade sobretudo com pessoas que viam no trabalho, e perderam muitas delas nas mudanças dos últimos doze anos, 'embora continuemos em rede'. Ele busca nas comunicações eletrônicas o senso de comunidade  que Enrico (seu pai) mais apreciava quando assistia às reuniões do sindicato dos faxineiros, mas o filho acha as comunicações on line breves e apressadas." (Sennett)

Por fim, queria deixar registrado que foi uma vitória poder falar com quase cinquenta pessoas em Campo Grande sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. O Banco e seus representantes na Cassi não me liberaram a verba para realizar as conferências de saúde. Mas eu não aceitei isso e busquei na persistência pessoal e no apoio das entidades associativas do BB, como a Anabb e o Sindicato local, a forma de realizar o evento. Valeu a pena!

Eu disse para cada um dos colegas lá da nossa comunidade do funcionalismo, que eu posso até entender a importância das redes sociais virtuais, mas que nada substitui o olho no olho, o gesto, o tom de voz, a postura corporal de falar com as pessoas.

A humanidade vai sofrer muito com as consequências do esfriamento humano advindo com a vida virtual e o fim dos abraços, dos falares olho no olho. O mundo vai sofrer nas próximas décadas... (já está sofrendo).

Aos poucos que lerem essas palavras, deem um abraço humano nos seus próximos quando os encontrarem. Olhe para eles, ande olhando para a frente e não para a tela de seu mundo virtual.

William Mendes

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Esporte e Saúde - Novos limites físicos em abril nas corridas de rua





Refeição Cultural

Voltei ao Parque do Sabiá, em Uberlândia, para correr meu longão do mês de abril. Retomei as corridas de rua em outubro de 2014 e prometi a mim mesmo que não quero e não posso parar mais.

Minha saúde tem sido destruída com velocidade crescente devido à rotina que passei a ter na minha função atual como gestor eleito pelos trabalhadores na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a maior entidade de autogestão em saúde do Brasil.

Cheguei à gestão em 2014 num momento difícil da entidade, pois a empresa passa por desequilíbrio financeiro em seu principal plano de saúde e isso nos tem feito trabalhar muito desde junho do ano passado. Quando não são dezenas de horas de jornada semanal trabalhando sentado, estudando e lendo súmulas e documentos, escrevendo e em reuniões de trabalho, são viagens e horas e horas mal dormidas e alimentação irregular.

A volta às corridas de rua tem feito com que eu suporte a carga de trabalho. Tem a vantagem de melhorar minha circulação, respiração, diminui meu estresse, ajuda no sono reparador e evita que eu afunde de vez nos principais problemas de saúde da contemporaneidade: diabetes, pressão e colesterol altos. Estas são as chamadas doenças crônicas responsáveis por quase 80% dos agravamentos nas condições de saúde das populações.

Evidente que, mesmo correndo, começo a ter o problema clássico de volume abdominal irregular, tão preocupante para o coração e coluna. Como seria diferente para quem passa umas 14 a 16 horas sentado?

PENSEI EM CORRER 15K E ENTENDI QUE OS 12K QUE FIZ FORAM FANTÁSTICOS

Meu planejamento de corridas para 2015 prevê atingir o objetivo de estabelecer novos limites físicos e correr minha primeira meia-maratona (21k). Depois das reflexões e interpretações de meu corpo, já tenho claro que só no segundo semestre é que terei melhores perspectivas de treinamentos para tal percurso.

Estou correndo entre 40 e 50 km por mês em 8 a 10 treinos.

Cheguei ao parque neste domingo para correr 15k. Era algo meio ousado e exagerado. Percebi isso assim que comecei a corrida. Estava muito calor (28º) e senti cansaço na primeira volta de 5 km.

Não é sem motivo porque estou com um cansaço interior intenso. O trabalho intelectual é algo muito desgastante. E eu insisto em conciliar o esforço mental com o esforço físico. Isso vale a pena, mas tenho que ter a sabedoria e autoconhecimento dos meus limites.

Durante a segunda volta percebi que deveria reconsiderar o percurso de três voltas. Para estabelecer novo limite em treinos no ano, corri os 12 km e fiquei muito feliz porque me superei. Fiz os 12k em 80’.

Se pensar bem, o percurso do mês foi intenso porque com as corridas até hoje, já fiz 41 km em 6 treinamentos. Seguindo no ritmo em que estou, posso até fazer o meu melhor tempo na São Silvestre de 2015.

Eu estou fazendo o meu melhor, tanto na minha tarefa profissional à frente da Cassi, quanto no cuidado com minha saúde física e também mental, porque diariamente medito para suportar tudo quanto é situação limite sem me alterar ao extremo. 

Sigo firme!

Post Scriptum

TREINAMENTO EM ABRIL

1. sexta 3 (DF).............. 5k 32' (noturna)


2. domingo 5 (DF)..........8K 51' (com chuva)


3. quinta 9 (DF)..............5k 30' (noturna, feliz: tirei 1')


4. domingo 12 (DF)........6K 40' (noturna)


5. quinta 16 (DF)............5k 31' (noturna)


6. domingo 19 (MG).......12k 80' (Parque do Sabiá)


7. domingo 26 (SP).........5k (Pq. Continental: trote lento)


O mês foi difícil no trabalho. Consegui correr 46 km no mês e estabelecer o melhor longão do ano já em abril. Estou fazendo o possível por minha saúde.


sábado, 18 de abril de 2015

Sobre injustiças, ingratidões e oportunistas


O mínimo que um companheiro deve receber de outro
ao ser atacado é solidariedade e não o inverso.
Toda a minha solidariedade ao companheiro João
Vaccari Neto, preso sem provas e com critérios
estranhos perante outros suspeitos. (e isso não quer
dizer que eu pactue com irregularidades) Foto: 
William, Deli, Vaccari, Marcolino e Sasseron (2003, Pepe)

Lendo um excelente artigo do jornalista PML e alguns outros sobre o mesmo tema, me senti mais uma vez na obrigação de dizer algumas palavras do que penso a respeito do conjunto de fatos que têm acontecido na política brasileira e que têm sido responsáveis por atitudes injustas, ingratas e que são ótimas para identificar oportunistas de plantão dentro do movimento social dos trabalhadores.

O caso em questão é sobre os critérios diferentes de tratamento por parte de um certo juiz responsável por uma operação da PF de cunho político-eleitoral e com características de golpe institucional contra a presidenta Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores para os casos de denúncias de supostas ilegalidades financeiras e políticas, mandando prender o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e não mandando prender o presidente do PSDB, Aécio Neves. Ambos são citados por bandidos confessos que estão fazendo as chamadas delações premiadas. É mais ou menos assim, os ladrões presos falam nas “delações” o que algumas autoridades querem que eles falem, e então eles poderão ser liberados de seus crimes e podem até ficar com parte de seus produtos de roubos. É só devolver uma parte e dizer as palavras certas. 

Outra coisa cínica: ou a lei de financiamento eleitoral privado atual é válida ou não é (devolve aí, Gilmar Mendes!). Se os dinheiros oficiais doados por empresas são motivo de suspeição de crime para o tesoureiro do PT, que essa regra valha para TODOS os partidos e se coloque na mesma cela no Paraná os tesoureiros de TODOS os outros partidos que receberam os dinheiros oficiais doados. É brincadeira uma coisa dessas!

João Vaccari Neto (a Geni da vez)

Em 2002, fui convidado a participar de uma chapa na eleição do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e fomos eleitos. O presidente eleito na chapa foi João Vaccari Neto. Neste mesmo mandato (2002/05) a diretoria do Sindicato me convidou para assumir função na executiva do Sindicato e convivi com o companheiro Vaccari. A mim não importa se ele simpatizava comigo ou não e o mesmo de mim para com ele. Aprendi a respeitá-lo e aprendi muito com ele em relação a estar numa posição de tomada de decisões em nome de dezenas de milhares de trabalhadores. Quem me conhece sabe o que penso sobre isso: na luta de classes, é até mais legal se os combatentes ao nosso lado forem amigos, mas eu defendo o meu lado do front contra os adversários e inimigos, gostando ou não dos combatentes do meu lado, meus companheiros.

Foi assim que sempre defendi meus companheiros perante os trabalhadores que representei, principalmente do Banco do Brasil. Tive o privilégio de atuar no movimento sindical tendo como presidentes Vaccari, Luiz Cláudio Marcolino e Juvandia Moreira Leite (Sindicato), Vagner Freitas e Carlos Cordeiro (Contraf-CUT). Repito: não importa as rusgas que tenha tido com eles. Em caso de ataques a eles por parte da direita, dos desgraçados da imprensa golpista - lacaios do sistema e integrantes do “clube”, processos judiciais estranhos e parciais contra meus companheiros de luta e outros líderes dos trabalhadores, independente do partido ou da corrente política, na dúvida e sem “provas”, estarei ao lado deles contra meus verdadeiros inimigos, a direita fascista instalada nas estruturas de poder. 

Caso se prove algo contra eles, que se aplique a lei (mas até isso caiu por terra depois da mentira e picaretagem da invenção “Mensalão” e aquela invenção burlesca chamada “domínio dos fatos” – só para inventar crime contra o PT, após não haver provas formais como o caso de Genoino e Dirceu, e que se apague a corrupção ou suspeição sobre os partidos da direita, como o PSDB). Covas, Fernando Henrique, Serra e Alckmin não sabiam de nada no caso trensalão. Por que não se aplica a teoria do "domínio dos fatos"?

Melhor que ser oportunista de plantão, é definir de que lado está na luta de classes

Eu venho do seio da classe trabalhadora, fui trabalhador braçal na adolescência até virar bancário em 1988, primeiro no Unibanco e depois no Banco do Brasil em 1992, por concurso público. Foi nessa época que conheci o pessoal combativo do Sindicato, meus companheiros, porque eles eram bancários como eu e estavam do meu lado como trabalhador. Conheci muita gente boa ainda no Unibanco como, por exemplo, o funcionário do Sindicato e atual Deputado Estadual por São Paulo, Marcos Martins, do Partido dos Trabalhadores. Eu me apaixonei pela profissão de fé que é ser dirigente sindical e pelo significado das organizações criadas pelos trabalhadores e para organizar as lutas dos trabalhadores contra o sistema desgraçado de exploração dos capitalistas. Exemplos dessas organizações: os sindicatos e os partidos de esquerda como o PT.

Eu tirei meu título de eleitor em 1987 e meu primeiro voto como trabalhador braçal foi no Partido dos Trabalhadores. Eu descarregava caminhões de cargas e era entregador de caixas de palmito numa empresa lá na Barra Funda, bairro paulista. Votei na Luiza Erundina. Acertei meu primeiro voto porque o mandato dela na prefeitura mudou a minha vida como trabalhador. A imprensa golpista já fazia lavagem cerebral nas pessoas como faz hoje. Disseram nas “pesquisas” que ela era a 4ª nas opções dos paulistas... 

A lembrança que eu tenho e que me emociona até hoje quando lembro, como agora que escrevo, é que eu não conseguia entrar nos ônibus lotados nas manhãs porque era muita gente trabalhadora para poucos ônibus. Morria muita gente que caía porque nos pendurávamos nas portas e janelas. Com a eleição da prefeita do PT, eu passei a entrar no ônibus e, pode parecer uma bobagem, mas isso foi tão bom e nunca me esqueci disso.

Eu só me filiei ao Partido dos Trabalhadores em 2002 quando o movimento sindical e os movimentos de esquerda fizeram campanha com o fim de fortalecer o partido, após a eleição do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Todos sabíamos que a direita secular brasileira, patriarcal, branca, escravagista, burguesia vira-latas que gosta de ser cachorra de imperialista americano e inglês, enfim, o movimento dos trabalhadores brasileiros sabia que seria dureza o governo de Lula do PT chegar ao fim dos 4 anos de mandato.

Não deu outra. Em 2004 apareceu o primeiro “escândalo” sobre as lotéricas da Caixa Federal. Depois criaram o “mensalão” porque era o ano anterior às eleições presidenciais de 2006. Toda a farra, o rega bofe do ataque ao PT foi baseado no apoio das famílias da imprensa, que apoiaram a ditadura civil-militar de mais de duas décadas. Naquela época, um senador de direita disse que o objetivo dos ataques conjuntos da direita e imprensa era “extinguir aquela raça” se referindo ao PT nos mesmos padrões do Nazismo de Adolf Hitler em relação aos judeus. E assim seguiu, de “escândalo” em “escândalo” contra Lula, contra o PT... depois vieram os “aloprados” e a combinação do delegado com a Globo e a pilha de dinheiro na mesa na véspera da eleição 2006.

Durante todos esses anos de “escândalos” contra o partido “demoníaco” do PT, a imprensa golpista foi escondendo merdas e mais merdas envolvendo os governos e as famílias seculares da burguesia vira-latas. Os ataques contra o PT foram ocorrendo, independentemente de qualquer acerto do governo e, principalmente, porque ao mesmo tempo a classe trabalhadora foi mudando de patamar, saindo da miséria e ascendendo aos bens de consumo e oportunidades antes somente dos filhos dos ricos brancos, da burguesia chinfrim brasileira. Foram dezenas de milhões de gente como eu e minha classe que mudaram de patamar.

Odeio oportunismo, injustiças e ingratidões

Acabei fazendo esse histórico do País, do PT, da classe trabalhadora nestes últimos 13 anos porque eu os vivi como ator. 

Eu posso ter sido maltratado por lideranças do movimento dos trabalhadores no último período. Posso até estar sentindo que recebo pouco apoio na tarefa que estou desempenhando porque as mesmas lideranças do movimento insistiram para que eu aceitasse participar do processo que me levou à tarefa atual de gerir a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil em um momento que culmina em crise em 2015 após mais de uma década de acúmulos de problemas não resolvidos na entidade de saúde. 

Mas eu jamais vou concordar com a postura desprezível de lideranças do PT ou do movimento social e de esquerda em colocar primeiro sob suspeição seus companheiros quando sofrem ataques de nossos inimigos de classe. 

Eu disse o mesmo quando fizeram isso com Genoino e Dirceu. Isso não é papel de liderança verdadeira do movimento social. Há que se ver como liderança e saber o que a direita está fazendo com o maior cinismo de classe (dominante). Sinto nojo disso!

Finalizo citando trecho da música de Chico Buarque “Geni e o Zepelim”:

"Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos..."

Mensagem final aos oportunistas: 

Eu prefiro amar e estar ao lado dos bichos do que as globos, folhas, vejas, estadões, juízes parciais pró-burgueses, burgueses vira-latas, fascistas, patrões e outros lixos, partidos de direita tipo PSDB, aécios, bolsonaros, caiados, gilmares, barbosas e lixos do tipo...


William Mendes
Cidadão da classe trabalhadora brasileira