sábado, 31 de março de 2018

Jesus não morreu pelos "nossos pecados" e sim por enfrentar o sistema


Comentário do Blog

Olá prezad@s leitores e amig@s.

Apresento abaixo um artigo que li e me identifiquei bastante com ele. Nesta Sexta-Feira Santa, 30/3/18, assisti ao filme A Paixão de Cristo (2004), com direção de Mel Gibson, e relembrei a sensação horrível da violência praticada contra o judeu Jesus Cristo, Na época, saí do cinema chocado (ler artigo AQUI).

Estou em um momento de "passagem" em minha vida. Vou começar outra vida após quatro anos vivendo em Brasília (DF), após viver cada segundo de minha existência me dedicando à defesa dos direitos dos associados da Caixa de Assistência (Cassi) e ao seu modelo assistencial. Isso também me deixa mais sensível ao tema "Páscoa", "Pessach" dos judeus. Terei meus ritos de passagem de uma vida para outra.

Em meus quase 49 anos de idade, será a primeira vez em quase duas décadas que não serei um representante da classe trabalhadora eleito em algum mandato. Foram 16 anos como dirigente eleito; antes disso, havia sido eleito para o 1º Conselho de Usuários da Cassi SP. A vida será bem diferente daqui adiante. Como disse, viverei minha passagem de um tipo de vida para outro.

Não me alongo. Sugiro a leitura do texto abaixo porque ele nos põe a refletir.

William

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(reprodução de matéria da Rede Brasil Atual)


O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado,
mas o interesse, a conveniência e a cobiça.
Obra: Prisão de Cristo, 1621, de Guercino.


Jesus não morreu pelos “nossos pecados” e sim por enfrentar o sistema

Os Evangelhos são claríssimos: Jesus morreu porque confrontou o Templo, um sistema de dominação e exploração dos pobres de Israel



Por: Alberto Maggi 
Tradução: Francisco Cornélio
Publicado: 31/03/2018, 10h11


Caminho pra Casa, Outras Palavras - Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Essa é a resposta que normalmente se dá para aqueles que perguntam por que o Filho de Deus terminou seus dias na forma mais infame para um judeu, o patíbulo da cruz, a morte dos amaldiçoados por Deus (Gl 3,13).

Jesus morreu pelos nossos pecados. Não só pelos nossos, mas também por aqueles homens e mulheres que viveram antes dele e, portanto, não o conheceram e, enfim, por toda a humanidade vindoura. Sendo assim, é inevitável que olhando para o crucifixo, com aquele corpo que foi torturado, ferido, riscado de correntes e coágulos de sangue expostos, aqueles pregos que perfuram a carne, aqueles espinhos presos na cabeça de Jesus, qualquer um se sinta culpado … o Filho de Deus acabou no patíbulo pelos nossos pecados! Corre-se o risco de sentimentos de culpa infiltrarem-se como um tóxico nas profundezas da psiquê humana, tornando-se irreversíveis, a ponto de condicionar permanentemente a existência do indivíduo, como bem sabem psicólogos e psiquiatras, que não param de atender pessoas religiosas devastadas por medos e distúrbios.

No entanto, basta ler os Evangelhos para ver que as coisas são diferentes. Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.

A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.

A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria” (Is 56, 11).

Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, veem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14). A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor. E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.

Perdoai e sereis perdoados” (Lc 6,37) é, de fato, o chocante anúncio de Jesus: apenas duas palavras que, no entanto, ameaçaram desestabilizar toda a economia de Jerusalém. Para obter o perdão de Deus, não havia mais necessidade de ir ao templo levando ofertas, nem de submeter-se a ritos de purificação, nada disso. Não, bastava perdoar para ser imediatamente perdoado…

O alarme cresceu, os sumos sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus ficaram todos inquietos, sentiram o chão afundar sob seus pés, até que, em uma reunião dramática do Sinédrio, o mais alto órgão jurídico do país, o sumo sacerdote Caifás tomou a decisão. “Jesus deve ser morto”, e não apenas ele, mas também todos os discípulos porque não era perigoso apenas o Nazareno, mas a sua doutrina, e enquanto houvesse apenas um seguidor capaz de propagá-la, as autoridades não dormiriam tranquilas (“Se deixarmos ele continuar, todos acreditarão nele …“, Jo 11,48). Para convencer o Sinédrio da urgência de eliminar Jesus, Caifás não se referiu a temas teológicos, espirituais; não, o sumo sacerdote conhecia bem os seus, então brutalmente pôs em jogo o que mais estava em seu coração, o interesse: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?” (Jo 11,50).

Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.

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Alberto Maggi, biblista italiano, frade da Ordem dos Servos de Maria, estudou nas Pontifícias Faculdades Teológicas Marianum e Gregoriana de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversos livros, como A loucura de Deus: o Cristo de João, Nossa Senhora dos heréticos

Francisco Cornélio, sacerdote e biblista brasileiro, é professor no curso de Teologia da Faculdade Diocesana de Mossoró (RN). Fez seu bacharelado no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma. Atualmente, está em Roma novamente, para o doutorado no Angelicum (Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino), onde fez seu mestrado

Fonte: Rede Brasil Atual

domingo, 25 de março de 2018

250318 - Diário e reflexões - O que o futuro me reserva?



Refeição Cultural

Domingo ensolarado em Brasília. Estou sozinho há semanas, longe da família. Estou aqui pensando na vida. Já li mais um pouco da história de Nelson Mandela, autobiografia de um grande líder do povo sul-africano. Ouvindo Pink Floyd, Metallica e outras bandas que gosto.

Estive envolvido nas últimas semanas na campanha das eleições da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, a maior autogestão em saúde do país. Coloquei meu nome à disposição para o processo democrático, juntamente com outras lideranças que compõem a nossa Chapa 1 Em Defesa da Cassi. As votações vão até quarta-feira, dia 28 de março, e o resultado sai após as 18 horas desse dia.

Estou terminando um mandato de quatro anos à frente da Diretoria de Saúde da entidade, e minha vida mudou completamente nesse período. Nunca me dediquei de forma tão intensa e integral ao longo de anos por uma causa como esta de defender os direitos em saúde dos associad@s e o modelo assistencial de Atenção Primária e Medicina de Família. 

Não que eu não me dedicasse com a mesma intensidade quando fui dirigente sindical eleito pelos trabalhadores, mas é que para ser o melhor representante que eu pudesse ser, sabia que teria que estudar e mergulhar nas questões técnicas da área, além de manter o punho firme que sempre tive para enfrentar patrões e capitalistas e seus representantes. A intensidade do esforço ao longo do mandato foi semelhante a tocar uma greve de 30 dias ininterruptamente por quatro anos. Minha luta foi de manhã, tarde, noite, madrugadas e finais de semana. Não poderia ser de outra forma.

O período foi de tantas mudanças que quando começamos o mandato o Brasíl não havia sofrido o golpe de Estado, as condições econômicas, políticas e sociais do país eram outras. O setor de saúde suplementar tinha mais de 52 milhões de usuários de planos de saúde. Hoje tem pouco mais de 47 milhões. Grandes do setor faliram, como a Unimed Paulistana, ou estão mal das pernas. As despesas com a compra de serviços de saúde no mercado quase cartelizado crescem cerca de 15% ao ano. As receitas dos planos de saúde não acompanham nem de perto essa conta de despesa operacional. Os patrões tentam repassar os custos somente aos trabalhadores beneficiários dos planos, tentam se ver livres dos aposentados (aqueles planos que ainda incluem aposentados), se aproveitam do desconhecimento técnico da área para estimular lugares comuns e informações equivocadas sobre a eficiência das entidades de saúde de autogestão.

No entanto, os associad@s da Cassi não perderam nenhum direito histórico em saúde. A Cassi não fez reduções de sua estrutura própria de atenção à saúde, o que seria um erro fatal, porque provamos que a estrutura própria de Atenção Primária e Medicina de Família faz mais com menos. Todo o mercado está tentando fazer o que a Cassi faz. A solução para usar melhor os recursos arrecadados pelo sistema de saúde Cassi é investir mais em promoção e prevenção, programas de saúde e monitoramento de populações assistidas ao longo do tempo. Desfizemos interpretações equivocadas e lugares comuns faladas sobre a Caixa de Assistência por total desconhecimento da área. Incomodamos bastante o outro lado da representação, a patronal.

Bom, minhas reflexões não são sobre o que fizemos pela Cassi e pelos associad@s. Estou aqui pensando no momento seguinte após o resultado das eleições. Estarei à frente da Diretoria de Saúde da Cassi no período mais desafiador de sua história ou não estarei.

Fico pensando em minha família, fico pensando em minha visão de mundo social mais justo e solidário, voltado para o povo brasileiro e não para uma pequena parcela de privilegiados (o 1% dono de tudo). Fico pensando em como aguentar tanta iniquidade, tanta injustiça contra o povo. A Cassi foi minha cachaça nestes últimos 4 anos. Não fiz outra coisa que lutar para defender a entidade e seus associados.

Amanhã cedo estarei junto aos associad@s nas bases fortalecendo a democracia na Cassi e estimulando tod@s a votarem porque a participação massiva vai fortalecer as negociações sobre o futuro da entidade e dos direitos dos trabalhadores associados.

Quinta-feira 29 verei minha família. Depois vem o feriado (ufa!). Depois vem a segunda-feira 2 de abril. E depois vêm os meses seguintes. Meu futuro será de lutas, isso eu sei, afinal de contas eu pertenço à classe trabalhadora. O que não faltam são frentes de lutas, a da Cassi que estamos preparados, e as diversas frentes de lutas por uma vida melhor das pessoas.

Boa semana a todas e todos.

William

sábado, 24 de março de 2018

Povo brasileiro terá longa caminhada até a liberdade, pela democracia e justiça social


A natureza brilha com a
chuva outonal em Brasília.

Refeição Cultural

"Comecei a suspeitar de que tanto os protestos legais como os extraconstitucionais seriam impossíveis em breve. Na Índia, Gandhi havia lidado com um poder estrangeiro que em última instância era mais realista e previdente. Esse não era o caso com os africânderes na África do Sul. Resistência pacífica e não violenta é eficiente à medida que o seu oponente respeita as mesmas regras que você. Mas se um protesto pacífico é recebido com violência, sua eficácia chega ao fim. Para mim, a não violência não era um princípio moral, mas uma estratégia; não há bondade moral em se utilizar uma arma ineficiente. Mas meus pensamentos sobre este assunto ainda não haviam tomado forma, e eu havia falado cedo demais." (Nelson Mandela, sobre eventos de 1953)


Me peguei neste sábado pela manhã, 24 de março, olhando a chuva cair lá fora. Iria à padaria, mas desisti e fiquei em casa. A natureza em Brasília é exuberante nesta época do ano. Verde, verde.

Assim que a chuva passou, fiquei olhando uma revoada de andorinhas circulando pelo ar, os beija-flores nos flamboyants e patas de vaca e uma curicaca com seu longo bico fuçando na grama.

Retomei a leitura de Mandela. Sem pressa alguma. Reli os dois primeiros capítulos da parte I, Uma Infância no Interior, e depois fui dar sequência onde havia parado, lá na parte IV, A Luta é a Minha Vida. É inevitável não pensar no nosso querido país Brasil, sob novo golpe de Estado desde 2016.

Estou cansado para fazer postagens mais trabalhadas com citações e interpretações e opiniões, mas pensando a situação do país e do povo brasileiro, no meu ponto de vista haverá um recrudescimento da violência por parte daqueles que tomaram o poder, e o povo terá uma longa caminhada até a liberdade e a volta da democracia.

Desde as tais manifestações de junho de 2013, que incendiaram o país e passaram a ser manipuladas pelos donos do poder econômico, liderados pelos meios de comunicação golpistas (PIG), a repressão do Estado contra manifestações identificadas com a esquerda e os movimentos populares passou a ferir seriamente os participantes. 

O ódio foi incentivado pela mídia canalha, e percebe-se a tendência a se aceitar como "normais" milícias fascistas armadas financiadas pela direita (como nesta semana no RS, durante as caravanas do presidente Lula) para impor o terror ao povo, para acuá-lo e convencê-lo a não sair às ruas e manifestar mudanças e apoio político a líderes e causas populares.

SOLUÇÃO PACÍFICA DAS CONTROVÉRSIAS... Eu me formei politicamente no movimento sindical cutista, que me convenceu que as melhores saídas para mudar a condição de vida do povo trabalhador e mais humilde é organizá-lo para conquistar direitos nos locais de trabalho em negociações com patrões, e para disputar os processos democráticos nas estruturas do Estado burguês (com eleições para executivos e legislativos, e com muito poder concentrado no judiciário).

Me formei para acreditar em mudanças através do mundo sindical e partidário - dentro da lógica do one man, one vote -, como já pregava Mandela nos anos 50. (apesar da história da luta de classes demonstrar que a democracia só é aceita pela Casa-grande enquanto lhe é conveniente).


Na companhia de Nelson Mandela, já que
não vejo a família há semanas.

Aí veio o novo golpe em 2016 e colocou por terra todos os avanços sociais que vinham sendo conquistados pelo povo brasileiro através de processos democráticos de organização de massas, processos liderados pela CUT e demais centrais sindicais, pelo Partido dos Trabalhadores e demais partidos do campo da esquerda e popular e por movimentos progressistas em geral.

Neste momento, o brazil do golpe passa por um processo de retrocessos dos direitos do povo semelhante ao que viveu a África do Sul por décadas sob o regime nacionalista dos africânderes e o Apartheid. As injustiças do Estado (da casta que domina os poderes do Estado) já não são sequer disfarçadas. Impunidade aos amigos, a força repressora e injusta do Estado aos inimigos deles.

Sugiro a leitura deste livro autobiográfico de Nelson Mandela porque ele é inclusive muito bonito, ao conhecer a história dos povos sul-africanos.

Bom fim de semana aos amig@s,

William

segunda-feira, 19 de março de 2018

Eleições Cassi - Diário de Campanha (III)



Um olhar para este banco público tão importante para o Brasil.
Os trabalhadores têm uma obrigação histórica de fortalecer a
democracia, e os processos eleitorais nas entidades associativas
como Cassi, Previ e sindicais são exemplos de cidadania.

Olá prezad@s leitores amigos.

Nestas últimas semanas, estamos envolvidos com o processo eleitoral da maior autogestão em saúde do país, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, onde estou terminando um mandato eletivo como Diretor de Saúde e Rede de Atendimento e estou compondo uma das chapas que concorrem para o mandato para a mesma diretoria. Somos a Chapa 1 Em Defesa da Cassi.

Durante o período de campanha, tive a oportunidade de visitar diversas cidades e conversar com muitos associados da Cassi. Meus companheiros e companheiras de chapa também estiveram em diversas cidades na agenda da campanha.

Estive em Fortaleza, Teresina, Brasília, Goiânia (e falei com lideranças de Goiás e Tocantins), João Pessoa, Recife, São Paulo, Campo Grande, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Florianópolis. Em todas essas agendas, tive a companhia de lideranças sindicais e representativas que nos apoiam. Essa é uma característica forte de nossa Chapa 1 Em Defesa da Cassi, ser a chapa que representa a unidade das principais entidades de luta dos trabalhadores.

Também tive a oportunidade de participar de 3 debates entre as chapas, e outros companheir@s da nossa chapa também estiveram em alguns debates. Estive no Rio de Janeiro, a convite do Conselho de Usuários; em Brasília, a convite da Anabb e da AABB.

Já estamos em processo de votação desde sexta-feira 16 e os associad@s têm até dia 28 de março para participarem do processo democrático. É uma das maiores eleições de entidades de trabalhadores do país. Participam do processo mais de 170 mil sócios da autogestão em saúde.

Hoje, segunda-feira 19, seguimos fazendo campanha e dialogando com os colegas do Banco do Brasil. Foram diversas reuniões com dezenas e dezenas de trabalhadores. Agradeço ao conjunto dos sindicatos que nos apoiam nas cinco regiões do país. 

Nosso compromisso com os associad@s e com suas entidades representativas é defender a nossa Cassi e os direitos dos trabalhadores associados, lutar pela manutenção da solidariedade na Caixa de Assistência, seguir fortalecendo o modelo de promoção e prevenção, através de Atenção Primária e Estratégia Saúde da Família, lutar pela manutenção do poder na gestão paritária entre associados e patrão e seguir fortalecendo a participação social e a transparência no mandato. Os trabalhadores das estatais federais precisam lutar unidos para reverterem as medidas autoritárias do governo ilegítimo, editadas em janeiro para inviabilizarem as autogestões e o acesso dos trabalhadores à saúde (Resoluções CGPAR).

Calculo que já fizemos por volta de 200 reuniões com associad@s neste período. Pedi que todos votem e fortaleçam o processo democrático. O nível de respeito entre nós nas reuniões presenciais demonstra que a comunidade BB em sua expressiva maioria é um exemplo de participação social e maturidade nas discussões do futuro das entidades que nós mesmos construímos em mais de dois séculos de existência deste banco público.

Por fim, eu desejo que o processo eleitoral na Caixa de Assistência desperte a consciência da comunidade Banco do Brasil para a necessidade de envolvimento com a política, com a boa política, porque as ameaças aos direitos históricos dos trabalhadores seguem colocando em risco um patrimônio de décadas de lutas por direitos em todas as áreas e só a luta unitária e a participação de todos poderá manter para as próximas gerações o maior banco público do país, as nossas caixas de saúde e previdência e o conjunto de direitos coletivos que bancários e trabalhadores brasileiros construíram em nossa história de classe.

Entendo que nossa participação neste processo democrático fortaleceu a Cassi e a lutas dos cidadãos trabalhadores. Daqui alguns dias, estaremos todos unidos em defesa da saúde de mais de 700 mil participantes Cassi da comunidade Banco do Brasil.

Nós da Chapa 1 Em Defesa da Cassi pedimos o voto a cada associado e associada e nos colocamos à disposição para os desafios que vêm por aí.

William


Post Scriptum (I) - Saudades da família que já não vejo há semanas. Agradeço a compreensão dela por me apoiar nas ausências por causa de minha militância política em defesa das causas que defendemos. Amo vocês.

Post Scriptum (II) - É tão triste ver a violência vencendo em nosso país. O fascismo e a intolerância dominando os espaços sociais nas cidades brasileiras. É duro ver morrerem pessoas que lutam e defendem um mundo mais justo e solidário. Não podemos desistir de lutar por democracia, justiça, igualdade, liberdade, fraternidade e oportunidades a todos, com mais distribuição de renda. E temos que insistir num mundo onde caibam todos, sem exclusão de nenhum segmento social e que todos tenham acesso aos bens comuns produzido por nós humanos.

sábado, 10 de março de 2018

Eleições Cassi - Diário de campanha (II)



Veredas candangas: às vezes, os caminhos são verdejantes;
mas onde nos levarão as veredas?
Cada escolha, um destino; cada caminho, um caminhar.
Veredas candangas: às vezes, os caminhos são secos e gris.
A vida é assim.
Caminhos a seguir, em contextos diferentes, sempre.
Onde vão nos levar os caminhos? Eis a questão!


Sábado, Brasília, DF.

Acordei com o corpo tão quebrado de cansaço que só um banho quente para me recolocar em pé. Faz parte.

Estamos no meio do processo de consulta ao corpo social da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil para eleger um(a) dos quatro diretor@s da autogestão em saúde e parte dos conselheiros deliberativos e fiscais. Faço parte de uma das quatro chapas inscritas no processo democrático da comunidade de trabalhadores do maior banco público do país.

Já foram três semanas de campanha. Fizemos um percurso grande e o corpo começa a sentir o roteiro, porque todo dia tem o cansativo ir e vir de viagem e se dorme pouco também. Já conversamos com trabalhadores associados à Cassi de diversas partes do país: Ceará, Piauí, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro.

A política e a democracia são meios desejáveis como forma de solução pacífica das controvérsias, como mediadoras para a convivência das opiniões diferentes, estabelecendo decisões que definem os rumos das coisas de interesse coletivo, e também definindo maiorias e minorias, que devem ser respeitadas, mesmo após as definições dos processos democráticos.

Eu aprendi a fazer política quando conheci o movimento estudantil e depois o movimento sindical. Minha formação política no movimento foi algo marcante em minha vida porque eu tinha pouca tolerância ao diferente, ao outro. A política melhorou a minha pessoa ao longo de duas décadas de participação no movimento dos trabalhadores.

Um dos ensinamentos da formação política que tive foi orientar minha energia e inteligência para construir unidade e consenso entre os pares da classe trabalhadora, e depois buscar conciliar saídas que trouxessem avanços para aqueles que representamos nas mesas de negociações. 

Do nosso lado, o dos trabalhadores, quanto mais se investisse tempo para construir consensos, melhor. Melhor inclusive do que simplesmente ver qual argumento/tese teria maioria e votar (ou qual "líder" tinha mais "garrafinhas"), porque se não fosse feito um esforço de convencimento do grupo, ganhava-se a votação, mas perdiam todos, pela desagregação do grupo político, pela desunião de classe. Boa parte do que tenho visto no último período tem sido isso. Sem unidades, perdem os trabalhadores.

Ao aprender essa forma de fazer política buscando o consenso progressivo ou a inclusão dos diferentes nos mesmos processos políticos para estabelecer unidade de nosso lado, o lado da classe trabalhadora, aprendi que fazer política assim nos dá melhores perspectivas para enfrentar os grandes, os maiores desafios, que estão na disputa entre capital versus trabalho, entre o 1% que manda em tudo versus os 99% que são explorados e vítimas de um mundo injusto para o lado mais fraco do estrato social.

Eu estou muito tranquilo com o resultado que for apontado nas eleições Cassi no dia 28 de março. Fiz um mandato republicano e inclusivo que está terminando no dia 31 de maio, onde atuei exatamente como aprendi a fazer política. Busquei a todos e todas durante o exercício de representação dos associados da Caixa de Assistência. Nunca discriminei ou tratei diferente nenhuma força política, liderança ou entidade representativa que existe no espectro político da comunidade Banco do Brasil. Aliás, discordei das teses dos representantes do patrão com urbanidade, porque somos colegas de banco, mas eu represento os interesses do outro lado, os trabalhadores.

O desafio daqueles que estiverem na direção da Cassi nos próximos anos será maior do que aquele que enfrentamos nos últimos quatro, que já foram desafios existenciais, porque foram quatro anos impedindo que os associados perdessem direitos, que a Cassi se desfizesse de sua essência de Caixa de Assistência solidária e inclusiva para o conjunto de trabalhadores da ativa, aposentados, pensionistas e dependentes. E ainda colocamos em alta o modelo assistencial da entidade - Atenção Integral à Saúde via Atenção Primária, Estratégia Saúde da Família, programas de saúde e CliniCassi -, modelo que vinha desacreditado em anos anteriores.

É isso, já falei demais para o cansaço que estou.

Bom fim de semana aos leitores que leram essas breves reflexões.

William


Post Scriptum: saudades da família que só verei ao final desse processo.

Post Scriptum II: Diário de campanha I (AQUI)

segunda-feira, 5 de março de 2018

Eleições Cassi - Diário de campanha


Imagem que vi nos últimos anos
trabalhando em Brasília.

Amanheci em Belo Horizonte, Minas Gerais, nesta segunda-feira 5 de março. Vamos conversar com os trabalhadores sobre as eleições na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Estamos participando do processo em uma das quatro chapas inscritas.

Março é o mês que nos faz lembrar das lutas das mulheres. Há muito que avançar e desejo sucesso na luta pela igualdade de direitos em um mundo vivendo retrocessos políticos e sociais.

Não tenho feito outra coisa nas últimas semanas que não seja conversar com bancários e bancárias da ativa e aposentados associados à Caixa de Assistência, antes de tudo pedindo que todos se envolvam no processo de consulta ao corpo social para renovação de parte da governança da Cassi, que é a única entidade de autogestão em saúde que tem a magnitude de eleger a metade da direção, sendo a outra metade indicada pelo patrão, no caso o patrocinador Banco do Brasil.

Até o momento, a campanha tem sido muito positiva com um processo de apresentação de propostas por parte das quatro chapas inscritas. Isso é fundamental porque a Cassi e os associados precisarão de muita unidade logo após as eleições para enfrentarem o momento mais difícil de sua existência de 74 anos.

Gostaria de escrever mais algumas reflexões, mas meu tempo já se esgotou e tenho que sair correndo para o café e para a rua. 

Termino essa curta postagem dizendo que estou muito tranquilo em relação ao processo eleitoral. Estamos terminando um mandato na Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi onde colocamos toda a nossa energia, inteligência e combatividade para enfrentar os desafios em fortalecer o modelo assistencial de Atenção Primária e Estratégia Saúde da Família, as políticas e programas de saúde da entidade e a participação social via conselhos de usuários e entidades representativas. Fizemos isso em meio a maior crise de sustentabilidade do setor de saúde e a Cassi está inserida nesta crise.

O que fizemos? Fizemos a Cassi seguir neste período, os associados não perderam nenhum direito e envolvemos o conjunto dos associados e suas entidades nas discussões sobre o futuro da entidade. Já é alguma coisa. Além de fazer o modelo assistencial ser reconhecido como o caminho a seguir.

O fato é que são imensas as dificuldades que a chapa eleita e os demais membros da governança, e sobretudo os trabalhadores associados, vão enfrentar nos próximos anos. São dificuldades existenciais porque as autogestões correm o risco de desaparecerem por causa das medidas autoritárias impostas pelo governo que ocupa a presidência do país.

Desejo boa campanha aos colegas inscritos nas quatro chapas e que a equipe eleita se integre aos que lá estão para buscarem soluções para os desafios colocados à Cassi (a eleição é de uma das 4 Diretorias e de parte dos Conselhos Deliberativo e Fiscal).

Uma coisa eu afirmo em relação ao que penso sobre a Cassi: nossa Chapa 1 Em Defesa da Cassi defende a solidariedade como princípio porque antes da Cassi para os associados existe os associados para a Cassi. Se a solidariedade for quebrada, onerando cada vez mais o trabalhador e excluindo ele do sistema Cassi (por não dar conta de pagar), o sistema vai diminuir a população que atende, que deve ser toda a população de ativos, aposentados, dependentes e pensionistas, como reza o estatuto social. E sua sinistralidade vai aumentar ficando inviável o custeio.

O governo ilegítimo editou medidas que já começam o trabalho de inviabilizar a Cassi não permitindo a entrada de novos no Plano de Associados com os direitos históricos que a comunidade de trabalhadores do Banco do Brasil conquistou em décadas de lutas. Ou derrubamos essas medidas ou fica difícil para a sustentabilidade da Cassi.

Tenho que sair e não posso continuar escrevendo. É isso!

William

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Diário e reflexões - 260218 (Com Brecht, pensando a vida)




Refeição Cultural


"Não desperdicem um só pensamento

1

Não desperdicem um só pensamento
Com o que não pode mudar!
Não levantem um dedo
Para o que não pode ser melhorado!
Com o que não pode ser salvo.
Não vertam uma lágrima! Mas
O que existe distribuam aos famintos
Façam realizar-se o possível e esmaguem
Esmaguem o patife egoísta que lhes atrapalha 
                             [os movimentos
Quando retiram do poço seu irmão, com as cordas 
                            [que existem em abundância.
Não desperdicem um só pensamento com o que 
                           [não muda!
Mas retirem toda a humanidade sofredora do poço
Com as cordas que existem em abundância!

(...)"

(Bertolt Brecht, Poemas 1913-1956, Editora 34)


Já é madrugada de segunda-feira, 26 de fevereiro. Estou em João Pessoa, Paraíba. 

Saí de Brasília, onde mal parei no sábado à noite, para dormir. Passei o dia na estrada, indo e voltando a Goiânia, onde fui falar sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e nossas propostas para ela. Estamos em processo eleitoral.

A semana foi de muito esforço físico e mental e pouco dormir. Não me alimentei adequadamente também. Visitei e conversei com centenas de bancários do Ceará, Piauí, Brasília, Goiás, Tocantins. Serão umas quatro semanas assim.

Isso que relatei da agenda e da rotina, eu levo de boa. Estou acostumado a atuar assim na minha vida de lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores. Vejam cada palavra do poema de Brecht acima: eu luto e ponho meu pensamento naquilo que acredito que pode ser mudado, melhorado.

O triste é ver a degeneração dos valores humanos nos últimos anos, tanto no Brasil sob golpe de Estado, como no mundo todo. O triste é ver a destruição de meu país e das oportunidades de melhoria de vida para o povo brasileiro que amo e respeito.

Após o golpe é nítido como o país foi destruído em dois anos e a volta da miséria para o povo ao qual pertenço, o povo da classe trabalhadora, me entristece profundamente. Me dá raiva!

Algo tem que ser feito contra os poucos que destruíram os avanços, as oportunidades e as perspectivas de dias melhores para o povo brasileiro que depende do trabalho e dos direitos sociais, que precisa de um Estado forte e acolhedor para o povo.

Eu estou triste e revoltado com o que vejo. O que me coloca no centro do equilíbrio ainda é ter uma causa pela qual venho dedicando minha vida no último período. Sou movido por causas a defender. Nos últimos anos, foram os direitos dos trabalhadores bancários e as melhorias do país para o povo.

Vamos dormir um pouco e conversar com os trabalhadores nesta semana em algumas regiões do país. A causa que representei neste período que se encerra, direitos em saúde, abrange quase um milhão de vidas. Eu estou me colocando à disposição dos associados da entidade que defendi neste período.

Vim para a Paraíba lendo no voo os poemas de Bertolt Brecht. Nesta fase em que estou de sua obra, os poemas entre 1926-1933, encontrei diversos poemas que refletem fortemente a realidade e o momento por que passam o mundo, o Brasil, o povo brasileiro, o Banco do Brasil, a Cassi, nossas famílias (todos nós ainda temos as dificuldades e tristezas na família).

O poeta e dramaturgo é muito bom. Está valendo a pena conhecer sua obra.

Vamos dormir...

William

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Vamos viajar pelo país na companhia de Bertolt Brecht


Vamos viajar o país na companhia de Brecht.

Refeição Cultural

"Quem se defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar

Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come 
                     [o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que 
                     [morre
Não lhe é permitido se defender."

(Bertolt Brecht, Poemas 1913-1956. Editora 34)


Noite de domingo. Cheguei há pouco em Osasco, São Paulo, para pernoitar e começar uma jornada de mais ou menos cinco semanas de viagens pelo Brasil para participar do processo democrático de consulta aos associados de nossa querida Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, que vai renovar parte da governança da entidade de saúde, que pertence aos trabalhadores associados.

Ao mesmo tempo em que ficamos tristes ao ver o nosso país passando por uma de suas piores crises políticas na história, ficamos esperançosos em participar de um processo democrático que envolve quase duzentos mil cidadãs e cidadãos brasileiros. Somos oriundos e formados no movimento social desde muito jovem e acreditamos na democracia e na solução pacífica das controvérsias e divergências.

Serão semanas em que dormiremos pouco e viajaremos muito. Correria total. No entanto, eu já exerço um mandato de representação no qual procurei estar presente nas bases sociais ao longo desses quatro anos. Para mim é sempre uma alegria conversar com os trabalhadores. Vamos com o coração leve para o bom debate de ideias. Se depender de nós, o nível da campanha será alto, porque é nossa forma de fazer política.

Nestas primeiras semanas vou levar comigo Bertolt Brecht, o dramaturgo e poeta alemão que viveu um dos períodos mais conturbados do século vinte: as duas Grandes Guerras Mundiais e as crises políticas e econômicas da primeira metade do século passado. 

Eu não sou conhecedor de sua obra. Achei então que ele seria uma boa companhia de viagem, Brecht e sua vasta poética. O contexto que vivemos no Brasil e no mundo é complexo e de grandes riscos e ameaças aos povos como foi a primeira metade do século vinte, que gerou aquelas tragédias humanitárias.

O livro que adquiri tem 260 poemas de Brecht e já estou lendo. Conheci poemas interessantes.

É isso. Vamos seguir em frente e conversar com as pessoas, conversar com nossos colegas da ativa e aposentados da comunidade de trabalhadores a qual pertencemos. 

Eu terminei hoje um conjunto de textos de balanço do mandato que estamos encerrando em maio na gestão da nossa entidade de saúde. Publiquei os textos entre o fim de dezembro e hoje. 

Percorremos um período turbulento no setor de saúde e na própria Caixa de Assistência (e no Brasil), mas fizemos um mandato de resistência e manutenção dos direitos, e atuamos para fortalecer o modelo assistencial da entidade e a participação social. 

Quem se interessar em ler os textos de balanço é só clicar AQUI.

Abraços aos leitores amig@s.

William

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Leitura: Nada de novo no front (1929) - Erich Maria Remarque



Refeição Cultural

"Dois homens morrem de tétano. A pele fica lívida, os membros enrijecem e, por fim, só os olhos teimam em viver. Muitos têm o membro atingido suspenso no ar por uma espécie de roldana; embaixo, colocam uma bacia, para onde escorre o pus. De duas em duas, ou três em três horas, eles esvaziam-na. Outros ficam em tração, com pesados sacos de areia que pendem da cama. Vejo ferimentos nos intestinos, que estão constantemente cheios de fezes. O auxiliar do médico mostra-me radiografias com ossos do quadril, joelhos e ombros totalmente esmagados.

Não se consegue compreender como, em corpos tão dilacerados, ainda há rostos de seres humanos, em que a evolução da vida prossegue normalmente. E, contudo, isto aqui é um único hospital, uma única enfermaria. Na Alemanha, há cem mil, cem mil na França, cem mil na Rússia. Como é inútil tudo quanto já foi escrito, feito e pensado, mentiras e insignificâncias, quando a cultura de milhares de anos não conseguiu impedir que se derramassem esses rios de sangue, e que existam aos milhares estas prisões, onde se sofrem tantas dores. Só o hospital mostra realmente o que é a guerra.

Sou jovem, tenho vinte anos, mas na vida conheço apenas o desespero, o medo, e a mais insana superficialidade que se estende sobre um abismo de sofrimento. Vejo como os povos são insuflados uns contra os outros, e como se matam em silêncio, ignorantes, tolos, submissos e inocentes. Vejo que os cérebros mais inteligentes do mundo inventam armas e palavras para que tudo isto se faça com mais requintes e maior duração. E, como eu, todos os homens da minha idade, tanto deste quanto do outro lado, no mundo inteiro, veem isto; toda a minha geração sofre comigo. Que fariam nossos pais se um dia nós nos levantássemos e nos apresentássemos a eles, para exigir que nos prestassem contas? Que esperam de nós, se algum dia a guerra terminar? Durante todos estes anos, nossa única preocupação foi matar. Nossa primeira profissão na vida. Nosso conhecimento da vida limita-se à morte. Que se pode fazer, depois disto? Que será de nós?"

(Nada de novo no front, Erich M. Remarque, 1929)


Reflexões como essa do jovem personagem Paul Bäumer, personagem inspirado nos jovens dilacerados na realidade bárbara dos campos de batalha da 1ª Guerra Mundial, são as reflexões que têm permeado meus pensamentos já faz algum tempo, principalmente depois que se desenhou a estratégia vitoriosa da direita capitalista de desestabilização dos governos democrático-populares da América do Sul dos anos 2010 adiante, incluindo o gigante Brasil, que sucumbiu a Golpe de Estado em 2016 e que vai se desfazendo enquanto país soberano nas mãos de uns quinhentos humanos lesas-pátrias (e os 200 milhões de cidadãos não fazem nada contra eles!)

Com a nova etapa de crise do sistema capitalista, com um marco importante a partir das consequências do crash das bolsas no evento subprime em 2008, e somando a secular questão da disputa de hegemonia e domínio da produção e distribuição de petróleo no mundo, tenho a impressão que não passaremos sem algum tipo de conflito armado de escala mundial ainda na primeira metade do século 21.

Um século atrás, homens de Estado (os "impérios") definiam as guerras, definiam as fronteiras, organizavam e distribuíam as colônias e humanos de exploração no tabuleiro mundial e colocavam seus jovens filhos, os proletários e os despossuídos nos fronts de batalha.

Um século depois, pátria e países são questões secundárias. Homens e suas corporações definem as guerras, o destino do mundo; definem os orçamentos públicos; definem as fronteiras, regiões e humanos a serem explorados no tabuleiro mundial. Patrocinam mercenários de ternos e camisas de marca nos espaços da burocracia estatal para darem canetadas com efeitos de bombas na vida de milhões de cidadãos civis.

O mundo pertence a algumas corporações da indústria armamentista, farmacêutica e de ciências, de tecnologia, do entretenimento, das comunicações. Além dos bancos e banqueiros, Google, Microsoft, Facebook, Aple, Amazon e mais algumas corporações detêm as ações mais valiosas da história.

Em um mundo de mais de 7 bilhões de humanos, poucas corporações e seus donos, acionistas, CEOs ou seja lá que nome que adotem têm o poder de decidir sobre a vida e a morte (por miséria) do conjunto da população global e decidem sobre destruir mais rápido ou não o único planeta habitável para nossa espécie e milhões de outras.

Que chato ficar repetindo isso! É provável que os leitores digam que sabem disso. Então, pra que gastar tempo escrevendo isso, se dá tanto trabalho produzir um texto reflexivo sobre essas questões? Gasto tempo nisso porque se eu desistir de alertar e levar minhas reflexões para uns poucos que consiga acessar, a vida não terá sentido. Se não houver esperança e resistência na luta por um mundo melhor para todos, não valerá a pena viver. Mas, desistir não é uma opção!

Tenho atualmente pouquíssimo tempo livre para estudos e reflexões sobre os temas políticos que definem o mundo, o nosso mundo da classe trabalhadora. Consumo meu tempo integral na defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores associados à entidade de autogestão em que atuo como representante eleito. Não deixa de ser um fragmento da luta maior da classe trabalhadora, mas meu front é esse e envolve quase um milhão de vidas humanas.

VOLTANDO AO LIVRO de Remarque que nos coloca no meio das trincheiras, lama, sangue, ratos, bombas, gás mortal, hospitais com gente dilacerada pela guerra, eu recomendo a leitura porque esse cenário não é uma estória da carochinha. A crise que o mundo enfrenta por causa de poucos donos do mundo que decidem sobre a vida de bilhões, e em benefício de alguns milhares deles, é uma crise que pode nos levar a guerras mais sangrentas que as já conhecidas na história.

A crise em que os golpistas colocaram o Brasil tem efeitos semelhantes à clássica abertura da Caixa de Pandora. Todos os males e demônios foram soltos e não se volta para a situação anterior com um aperto de botão. Eu não acredito que haverá solução institucional e democrática em 2018. Não há mais democracia no país, e as instituições da República fizeram e fazem parte do golpe de uma casta contra o povo todo. Por mais que haja gente correta e decente nos aparelhos do Estado, um conceito de casta/corporação tomou conta deles. Me parece que são eles contra o povo, e estão fazendo chacota do povo, por não verem reação alguma à altura.

Termino citando um trecho de excelente artigo de Maria da Conceição Tavares, no site Carta Maior, pois felizmente ainda temos fonte de qualidade para dar subsídios aos militantes por um mundo justo e solidário e que não concordam com o que está aí:

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"O Estado sempre foi a nobreza do capital intelectual, da qualidade técnica, da capacidade de formular políticas públicas transformadoras. O que se fez no Brasil é assustador, uma calamidade. É necessário um profundo plano de reorganização do Estado até para que se possa fazer políticas sociais mais agudas. Chegamos, a meu ver, a um ponto de bifurcação da história: ou temos um movimento reformista ou uma revolução. A primeira via me soa mais eficiente e menos traumática. Ainda assim, reconheço, precisaremos de doses cavalares do medicamento para enfrentarmos tão grave enfermidade. Os sintomas são de barbárie. Parece um fim de século, embora estejamos no raiar de um. Em uma comparação ligeira, lembra o começo do século XX. Os fatos levaram às duas Guerras Mundiais. Aliás, a guerra, ainda que indesejável, é uma maneira de sair do impasse..."

(Restaurar o Estado é preciso, ler artigo AQUI). O destaque sublinhado é meu.

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O que falta ainda para os jovens, que têm a energia vital em suas veias, e o povo trabalhador e simples, lesado pelo Golpe, acordarem para o fato que uns poucos humanos estão em alguns postos chaves do Estado nacional destruindo o passado, o presente e o futuro do Brasil?

Neste momento, passados quase dois anos de domínio dos golpistas, não vejo "nada de novo no front". Mas alimento a esperança de ver uma reação popular logo ali, na próxima batalha. E que não demore dezenas de anos, porque acho que não vai sobrar nada do país.

Abraços aos valoros@s leitores que conseguimos acessar, enquanto os donos das ferramentas de estabelecimento de ideologias das classes dominantes acessam milhões de leitores em suas plataformas de comunicação de massa.

William

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Diário e reflexões - 040218 (Alguns serão lixo na história)


Meu mundo, Osasco.

Domingo. Brasil. Osasco.

Estou quase terminando a releitura do livro "Nada de novo no front", publicado em 1929 pelo alemão Erich Maria Remarque. Quando o li na adolescência, fiquei muito impactado pelo relato do dia a dia da 1ª Guerra Mundial. Que merda de guerra imbecil que ainda duraria décadas considerando um intervalo de vinte anos de crises e a 2ª Guerra Mundial.

Aí volto para a nossa realidade num mundo em crise, num país sob Golpe de Estado desde 2016, num momento em que os golpistas que destroem o presente e o futuro do Brasil e do povo brasileiro ainda estão vencendo as batalhas travadas contra a classe trabalhadora. Uma quadrilha com membros em todos os espaços de poder da República derrubou um governo eleito pelo povo, sem crime algum, e agora avança com todo tipo de arbitrariedade contra o povo e seus representantes com abusos de poder por parte do Legislativo, Executivo e Judiciário.

Lendo várias matérias na revista Carta Capital nº 988, de 31/1/18, ficou-me uma esperança ao ler o artigo de Nirlando Beirão "O fascismo não acaba bem - Eles que não se iludam. A História pertence a outros protagonistas", que fala sobre como terminaram os líderes fascistas e totalitários e como a história os tratou. O duce Benito Mussolini e sua trupe justiçados pelo povo e pendurados de cabeça para baixo em praça pública. O nazismo e seus líderes como Hermann Göring, Rudolf Hess e mais uma dezena condenados à morte no julgamento de Nuremberg. Ditadores em diversas partes do mundo como o nicaraguense Anastasio Somoza justiçados pelo povo... 

Nós o povo da classe trabalhadora já sofremos diariamente a violência desses governos ilegítimos ou comprometidos com a elite através das injustiças diárias, através do desemprego, da miséria, da violência das forças repressivas do Estado que só abusam de pobres, estudantes, pessoas simples e representações populares, segmentos discriminados como, por exemplo, a comunidade negra, dentre outros segmentos sociais. Morremos todo dia nas periferias do Brasil. Morremos de morte morrida ou de morte matada. O mundo dos 99% é o da exposição à insegurança, às doenças oriundas da não intervenção do Estado no saneamento e na atenção básica.


Matéria de Carta Capital sobre o fim que tiveram alguns
fascistas pelo mundo. E o livro de Remarque sobre
a imbecilidade da guerra.

Que saco! Vivi para ver a miséria na minha infância, depois na adolescência. Depois vivi a esperança de um futuro melhor com a ascensão de forma democrática dos governos do PT e o Brasil deu um salto para melhor justamente para o povo sofrido e miserável e para milhões de remediados que melhoraram em mais de uma década de governos progressistas e com foco naqueles que mais precisam das políticas do Estado, o povo foi incluído no orçamento público nos governos do PT. 

Vivi para ver um golpe destruir décadas e décadas de avanços e lutas sociais em praticamente dois anos. Nossas riquezas sendo entregues. Nossos direitos sendo eliminados por uns 400 lesas-pátrias. E até agora não vi a reversão do processo de destruição de nosso país e de nosso povo.

Minha esperança fica ao olhar a história que conta que alguns casos de regimes de exceção e abusos de castas contra o povo podem ter finais felizes, com os desgraçados sendo justiçados pelo povo após o processo de destruição e abuso e violência que esses poucos cometeram contra os muitos, o povo todo.

Eu não posso aceitar os abusos que vejo ao meu redor, a tristeza que sentimos com as injustiças quase nos mata, mas não mata. Estou com energia para lutar por um mundo diferente desse que os golpistas, fascistas, capitalistas e lixos do tipo estão impondo ao povo ao qual pertenço.

William


Post Scriptum:

Como um soldado do povo trabalhador, tenho a noção exata que não posso quebrar nem fisicamente nem psicologicamente. Os assédios que tenho sofrido não vão me quebrar. As dores e efeitos físicos das batalhas que enfrentamos diariamente pelos direitos dos trabalhadores que representamos também não podem me quebrar. Acordei tão dolorido neste domingo pelo estresse ininterrupto de semanas e saí para correr, após perceber que não era dor muscular nem nos tendões. Talvez fosse efeito da tristeza de ver o que temos visto ao nosso redor. Resisti às dores e corri meus 5,5 km. Foi importante. 

Conversando com lideranças sindicais nesta semana, sugeri que as entidades sindicais deveriam pensar em programas de atenção à saúde e atividades físicas para o nosso pequeno exército de representantes dos trabalhadores, porque o que todos estão sofrendo para resistir aos ataques aos direitos do povo o tempo todo não está sendo fácil. É o que eu penso. Temos que estar firmes para resistir nas batalhas entre o povo e os golpistas encastelados nas estruturas do Estado.

Solidariedade e unidade entre nós do movimento social e popular são fundamentais para defender o povo e os trabalhadores. O momento não é de divisão entre nosso lado por divergências que eventualmente existam. O foco é enfrentar a destruição do Brasil e dos direitos sociais dos trabalhadores.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Ligando os pontos do que parecia ser teoria da conspiração, por Florestan Fernandes Jr.


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores e amig@s.

Compartilho com vocês excelente texto de Florestan Fernandes Jr. que "liga os pontos" de eventos ocorridos na última década e dão fortes indícios sobre o que temos defendido aqui neste espaço. O Golpe de Estado contra nós povo brasileiro foi projetado dentro de um cenário internacional de disputa de hegemonia por petróleo e contra a soberania e altivez conquistadas pelo Brasil com a chegada do PT à presidência do país. Só foi preciso por parte do imperialismo comprar alguns brasileiros vira-latas e lesas-pátrias para destruir uma nação. 

Sem reação do povo, o Brasil terá o destino que teve o México, um país gigante com 120 milhões de pessoas que desapareceu do cenário político após ser subjugado pelos Estados Unidos e por esse 1% de humanos que destrói tudo. Alguém lembra do México hoje nas políticas internacionais? Ou virou quase que uma colônia de passeio de gringos como vários países da América Central? Não que esses povos não tenham lutado, mas suas lideranças e resistências foram eliminadas pelos imperialistas, eliminadas moralmente e fisicamente.

A dor sentida é imensa por aquel@s como eu que atuam com política, com organização social, com a luta e a resistência em defesa do povo trabalhador. Ter conhecimento dessa engrenagem global de como poucos donos do mundo manuseiam e manipulam as classes alienadas e desinformadas politicamente dói profundamente. Os que não quebram psicologicamente e fisicamente é por alguma coisa que carregam dentro de si de não desistir nunca e saber que não resta outra alternativa que acordar, levantar e sair para enfrentar toda essa merda contra nós o povo trabalhador.

Como diz o presidente Lula só vamos parar de lutar pelo povo e por um mundo mais justo e solidário para o povo se morrermos. Enquanto estamos vivos e vendo toda essa destruição e injustiça é obrigação nossa sentir aversão a essa desigualdade e injustiça que vendem ideologicamente como "natural". As instituições formais do Estado brasileiro hoje estão tomadas pelas forças que aplicaram o golpe contra o povo. Ao mesmo tempo que neste instante vejo a burocracia do Estado ser usada como força repressora contra o povo, vejo que o povo pode reverter isso com a ocupação das ruas.

Quero acreditar que cada pessoa manipulada e enganada ontem pelos meios midiáticos dos donos do mundo pode acordar hoje para a realidade de sua situação de classe e se somar com aqueles que estão chamando o povo para a luta contra essa injustiça de alguns seres humanos (o 1%), que são humanos e não imortais, porque esses poucos estão destruindo as perspectivas de vida e felicidade dos 99% dos demais humanos do mundo, nós.

Seguimos com desejo de lutar por um mundo melhor para tod@s.

William


(reprodução de artigo do Viomundo)


Ligando os pontos

Em 2007 a Petrobras descobre campos enormes de petróleo em águas ultra-profundas do nosso litoral. Uma reserva de mais de 80 bilhões de barris de petróleo.

Um ano depois, em janeiro de 2008 foram roubados 4 laptops e 2 HDs com informações sigilosas da bacia de Santos.

Dados de 30 anos de pesquisas da Petrobras no valor estimado de 2 bilhões de dólares.

Em 30 de outubro de 2009, o WikiLeaks uma organização transnacional com sede na Suécia publica em sua página informações “vazadas” de governos e empresas assuntos estratégicos de interesse público.

No documento, o nome do juiz Sérgio Moro é citado como participante de uma conferência promovida pelo programa Bridges Project (“Projeto Pontes”), vinculado ao Departamento de Estado Norte-Americano, cujo objetivo era “consolidar o treinamento bilateral [entre Estados Unidos e Brasil] para aplicação da lei”.

Em 2013, uma semana após notícias de que a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi espionada pela CIA, o ex-consultor da agência de inteligência americana Edward Snowden indicou que os EUA espionavam também a Petrobras.

Em junho de 2013 a “Operação Lava Jato” tem início com o monitoramento das conversas de doleiros no Paraná.

Em março de 2014 é deflagrada a primeira fase ofensiva da operação que iria derrubar a presidente da República, paralisar a Petrobras, a economia do país e, sucatear os estaleiros responsáveis pela construção de plataformas e as fabricas de sondas de perfuração.

Tudo com a cobertura massificante dos nossos meios de comunicação.

Lá se vão 4 anos de uma lavagem que levou para o ralo, milhões de empregos, milhares de empresas públicas e privadas e quase todos os avanços sociais e econômicos.

O “novo” velho governo já extingue uma reserva ambiental em território de quase quatro milhões de hectares para atividades privadas de mineração. Anunciou a venda da gigante de energia elétrica Eletrobras, da Casa da Moeda e pasmem, vai oferecer ao mercado em leilões que pretende realizar a partir de 2018 campos de óleo e gás da Petrobras.

Ao todo, 21 áreas, com descobertas de petróleo e gás serão liberadas para petroleiras internacionais.

Parte destes poços estão localizados nas três bacias produtoras mais nobres da empresa brasileira — Campos, Santos e Espírito Santo.

Nesta quarta-feira 6*, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro que a descoberta do pré-sal fez mal para o Brasil.

Como o pré-sal, responsável por mais da metade da produção brasileira poderia fazer mal ao país?

A afirmação é um claro sinal de submissão aos interesses estratégicos das forças que patrocinam a venda da empresa brasileira.

Para que o Brasil permaneça de joelhos é necessário agora impedir a chegada ao poder de grupos desenvolvimentistas comprometidos com a defesa das nossas riquezas. Por isso a eleição de 2018 é incerta e temerosa.

Como disse está semana o ex-ministro Bresser Pereira: “O Brasil está se condenando a ser uma economia de propriedade dos países ricos. E nós seremos todos empregados”.

(*Não dá para saber ao certo a qual data Florestan se refere)

Fonte: Viomundo