Corrida "desafogadora", leituras escolares and things like that...
Cara, ando cansado pacas!
Quase depressivo pelo não-fazer o que gostaria e pelo que-fazer que virá nos próximos dias.
Hoje, após um momento de estresse logo pela manhã, por ter muitos textos por ler e escrever e por não conseguir descansar faz tempo, saí para correr. Foi uma saída para a corrida como se estivesse me afogando no apartamento e precisasse emergir a cabeça d'água e puxar o ar.
Corri uns 6 km e foi muito importante para mim essa meia hora de esporte. I ran and breathed!
Que estou fazendo de minha vida? A pessoal, digo?
Que fiz de meu curso de letras? Entrei na Universidade de São Paulo em 2001 porque queria ser professor. Eu acho que seria um bom professor. Além do que, eu receberia para me dedicar em tempo integral a ler e escrever, além de partilhar o conhecimento. Mas, não serei professor pois acabei focando em ser um sindicalista ao menos dedicado.
E agora, José? Já se passaram 9 anos que entrei na Usp e ainda devo matérias e já se passaram 8 anos de representação sindical e está na hora de pensar em fazer outra coisa...
Assisti ontem ao filme "Bastardos Inglórios" e não gostei do filme. Não tenho muito a comentar, não.
A refeição cultural fica por conta das leituras do fim de semana. Li um pouco de Saramago e um pouco de António Lobo Antunes. São textos e estilos muito bons.
Li hoje dois textos para escrever comentários sobre eles. Se trata de textos críticos sobre a obra "Lazarillo de Tormes". Os textos são muito herméticos e o livro, que li o ano passado e que fiz um trabalho sobre ele este ano, é muito bom.
Falta-me tempo para me dedicar a algo que gosto muito e pouco tenho de chance de usufruir - a leitura mais reflexiva.
Vamos agora para um período duro, falando como sindicalista e em termos de tempo disponível, que é a greve nacional dos bancários.
Não gostaria que ocorresse o que ocorreu nos últimos anos - interrromper as matérias que faço na Usp - mas, ao fim e ao cabo, eu acabo fazendo isso (aunque nadie tenga reconocimiento de esto, es algo necesario pero invisible. Nada más).
domingo, 26 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Leitura de "Os cus de Judas" de António Lobo Antunes, de 1979
Este é um dos livros que constam de nosso programa de Literatura Portuguesa deste semestre na Usp. Como tenho comentado neste blog, o difícil será ter tempo para a leitura completa das obras.
EXCERTOS
O estilo de Lobo Antunes é muito interessante. Estou gostando.
Os capítulos são divididos em ordem alfabética.
Como tenho feito na leitura de livros, grifo algumas frases ou construções sintáticas que me agradam.
CAPÍTULO B
"... E em Santa Margarida, aguardando o embarque, pastoreei longas bichas de soldados a caminho de um dentista demente que despovoava gengivas uivando de felicidade assassina..." p.17
"As senhoras do Movimento Nacional Feminino vinham por vezes distrair os visons da menopausa distribuindo medalhas da Senhora de Fátima e porta-chaves com a efígie de Salazar, acompanhadas de Padre Nossos nacionalistas e de ameaças do inferno bíblico de Peniche, onde os agentes da Pide superavam em eficácia os inocentes diabos de garfo em punho do catecismo. Sempre imaginei que os pêlos dos seus púbis fossem de estola de raposa, e que das vaginas lhes escorressem, quando excitadas, gotas de Ma Griffe e baba de caniche, que abandonavam rastros luzidios de caracol na murchidão das coxas..." p.17
Cara! Que descrição ácida e maravilhosa das velhas da burguesia portuguesa apoiadoras do regime de Salazar!
Eu li os primeiros 5 capítulos entre madrugadas em aeroportos e noites mal dormidas e não havia captado a acidez da linguagem de Lobo Antunes.
Hoje reli em voz alta trechos deste livro também (como fiz com um capítulo de "A jangada de pedra" de Saramago) e foi uma descoberta.
QUE LÁSTIMA ESTAR SEMPRE CANSADO E SEMPRE SEM TEMPO PARA LER...
EXCERTOS
O estilo de Lobo Antunes é muito interessante. Estou gostando.
Os capítulos são divididos em ordem alfabética.
Como tenho feito na leitura de livros, grifo algumas frases ou construções sintáticas que me agradam.
CAPÍTULO B
"... E em Santa Margarida, aguardando o embarque, pastoreei longas bichas de soldados a caminho de um dentista demente que despovoava gengivas uivando de felicidade assassina..." p.17
"As senhoras do Movimento Nacional Feminino vinham por vezes distrair os visons da menopausa distribuindo medalhas da Senhora de Fátima e porta-chaves com a efígie de Salazar, acompanhadas de Padre Nossos nacionalistas e de ameaças do inferno bíblico de Peniche, onde os agentes da Pide superavam em eficácia os inocentes diabos de garfo em punho do catecismo. Sempre imaginei que os pêlos dos seus púbis fossem de estola de raposa, e que das vaginas lhes escorressem, quando excitadas, gotas de Ma Griffe e baba de caniche, que abandonavam rastros luzidios de caracol na murchidão das coxas..." p.17
Cara! Que descrição ácida e maravilhosa das velhas da burguesia portuguesa apoiadoras do regime de Salazar!
Eu li os primeiros 5 capítulos entre madrugadas em aeroportos e noites mal dormidas e não havia captado a acidez da linguagem de Lobo Antunes.
Hoje reli em voz alta trechos deste livro também (como fiz com um capítulo de "A jangada de pedra" de Saramago) e foi uma descoberta.
QUE LÁSTIMA ESTAR SEMPRE CANSADO E SEMPRE SEM TEMPO PARA LER...
Diferenças entre liberdade de Imprensa e de Expressão. Em artigo de Mino Carta
![]() |
| Jornalista Mino Carta |
Cureau, a censora
Mino Carta 24 de setembro de 2010 às 10:00h
(fonte: Carta Capital)
Conta-se aqui uma história insolitamente verdadeira de uma tentativa de assalto à liberdade de imprensa. Vale insistir: esta é autêntica. Por Mino Carta
Permito-me sugerir à doutora Sandra Cureau, vice-procuradora-geral da Justiça Eleitoral, que volte a se debruçar sobre os alfarrábios do seu tempo de faculdade, livros e apostilas, sem esquecer de manter à mão os códigos, obras de juristas consagrados e, sobretudo, a Constituição da República. O erro que cometeu ao exigir de CartaCapital, no prazo de cinco dias, a entrega da documentação completa do nosso relacionamento publicitário com o governo federal nos leva a duvidar do acerto de quem a escolheu para cargo tão importante.
Refiro-me, em primeiro lugar, ao erro, digamos assim, técnico. Aceitou uma denúncia anônima para proceder contra a revista e sua editora. Diz ela conhecer a identidade do denunciante, acoberta-o, porém, sob o manto do sigilo condenado pelo texto constitucional e por decisões do Supremo Tribunal Federal. Protege quem, pessoa física ou jurídica, condiciona a denúncia ao silêncio sobre seu nome. Ou seja, a vice-procuradora comete uma clamorosa ilegalidade.
Há outro erro, ideológico. Quem deveria zelar pela lisura do embate eleitoral endossa a caluniosa afronta que há tempo é cometida até por colegas jornalistas ardorosamente empenhados na campanha do candidato tucano à Presidência. A ilação desfraldada a partir do apoio declarado, e fartamente explicado por CartaCapital, à candidatura- de Dilma Rousseff revela a consistência moral e ética, democrática e republicana dos acusadores, ou por outra, a total inconsistência. A tigrada não concebe adesão a uma candidatura sem a contrapartida em florins, libras, dracmas. Reais justificados por abundante publicidade governista.
Sabemos ser inútil repetir que a publicidade governista premia mais fartamente outras publicações. Sabemos que José Serra, ainda governador, mas de mira posta na Presidência, assinou belos contratos de compra de assinaturas com todas as maiores empresas jornalísticas do País, com exceção, obviamente, da editora de CartaCapital. Sabemos que não é o caso de esperar pela solidariedade- dos patrões da mídia e dos seus empregados, bem como das chamadas entidades de classe, sem falar da patética Sociedade Interamericana de Imprensa. Estas, aliás, se apressam a apoiar a campanha midiática que aponta em Lula o perigo público número 1 para a democracia e a liberdade de imprensa.
Nem todos os casos denunciados pela mídia nativa merecem as manchetes de primeira página, um e outro nem mesmo um pálido registro. É inegável, contudo, que dentro do PT há uma lamentável margem de manobra para aloprados de extrações diversas. CartaCapital tem dado o devido destaque a crimes como a quebra de sigilo fiscal e a deploráveis fenômenos de nepotismo e clientelismo, embora não deixe de apontar a ausência das provas sofregamente buscadas pelos perdigueiros da informação, em vão até o momento, de ligações com a campanha de Dilma Rousseff.
Vale, porém, discutir as implicações da liberdade de imprensa, e de expressão em geral. É do conhecimento até do mundo mineral que a liberdade de informar encontra seus limites no Código Penal. Se o jornalista acusa, tem de provar a acusação. E informar significa relatar fatos. Corretamente. Quanto à opinião, cada um tem direito à sua.
Muito me agrada que o Estadão e o Globo em editoriais e, se não me engano,- um colunista, tenham aproveitado a sugestão feita por mim na semana passada. Por que não comparar Lula a Luís XIV, além de Mussolini e Hitler? Compararam, para ampliar o espectro da evocação. De ditadores de extrema-direita a um monarca por direito divino, aprazível passeio pela história. Volto à carga: sinto a falta de Stalin, talvez fosse personagem mais afinada com a personalidade de Lula, aquele que ia transformar o Brasil em república socialista. Quem sabe, a tarefa fique para a guerrilheira terrorista, assassina de criancinhas.
Espero ter sido útil, com uma contribuição aos delírios de quem percebe o poder a lhe escorrer entre os dedos. A campanha midiática a favor do candidato tucano não é digna do país que o Brasil merece ser, e sim adequada ao manicômio. Aumenta o clamor de grupelhos de inconformados de uma velha-guarda que não dispensa militares de pijama, todos protagonistas de um espetáculo que fica entre a ópera-bufa e o antigo Pinel. Que tem a ver com liberdade de imprensa acusar Lula e Dilma de pretenderem “mexicanizar”, ou “venezuelizar” o Brasil? Ou enterrar a democracia?
Mesmo que o presidente não pronuncie sempre palavras irretocáveis, onde estão as provas desse terrificante projeto? Temos, isto sim, as provas em sentido contrário: os golpistas arvoram-se a paladinos de uma legalidade que eles somente ameaçam. A união da mídia já produziu alguns entre os piores momentos da história brasileira. A morte de Getúlio Vargas, presidente eleito, a resistência a Juscelino, o golpe de 1964 e suas consequências 21 anos a fio, sem contar com a oposição à campanha das Diretas Já. Ou com o apoio maciço à candidatura de Fernando Collor, à reeleição de Fernando Henrique, às privatizações vergonhosamente manipuladas.
É possível perceber agora que este congraçamento nunca foi tão compacto. Surpreende-me, por exemplo, o aproveitamento que o Estadão faz das reportagens de Veja, citada com todas as letras. Em outros tempos não seria assim, a família Mesquita tachava os Civita de “argentários” em editoriais da terceira página. As relações entre os mesmos Mesquita, os Frias e os Marinho não eram também das melhores. Hoje não, hoje estão mais unidos do que nunca. Pelo desespero, creio eu.
A união, apesar das divergências, sempre os trouxe à mesma frente quando o risco foi comum. Ameaça ardilosamente elevada à enésima potência para justificar o revide pronto e imediato. E exorbitante. A aliança destes dias tem uma peculiaridade porque o risco temido por eles é real, a figurar uma situação muito pior do que aquela imaginada até o começo de 2010. Desespero rima com conselheiro, mas como tal é péssimo. De sorte que estão a se mover para mais uma Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade. A derradeira, esperamos. Não nos iludamos, no entanto. São capazes de coisas piores.
Otimista em relação ao futuro, na minha visão vivemos os estertores de um sistema, mudança essencial ao sabor de um confronto social em andamento, sem violência, sem sangue. Diria natural, gerado pelo desenvolvimento, pelo crescimento. Donde, por mais sombrios que sejam os propósitos dos verdadeiros inimigos da democracia, eles, desta vez, no pasaran. Eles próprios se expõem a risco até ontem inimaginável. Se houver chance para uma tentativa golpista, desta vez haverá reação popular, com consequências imprevisíveis.
Episódio representativo da situação, conquanto não o mais assombroso, longe disso, é a demanda da vice-procuradora da Justiça Eleitoral para averiguar se vendemos, ou não, a nossa alma. Falo em nome de uma pequena redação que não desiste há 16 anos na prática do jornalismo honesto, pasma por estar sob suspeita ao apoiar às claras a candidatura Dilma.
Sugiro à doutora Sandra que, de mão na massa, verifique também se a revista IstoÉ recebeu lauta compensação do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema quando o acima assinado em companhia do repórter Bernardo Lerer, escreveu uma reveladora, ouso dizer, reportagem sobre Luiz Inácio da Silva, melhor conhecido como Lula, publicada em fevereiro de 1978. Ou se acomodou-se em uma espécie de mensalão ao publicar oito capas a respeito da ação de Lula à frente de uma sequência de greves entre 1978 e 1980. Ou se me locupletei pessoalmente por ter estado ao lado dele na noite de sua prisão, e da sua saída da cadeia, quando enquadrado pela ditadura na Lei de Segurança Nacional, bem como nas suas campanhas como candidato à Presidência da República. Desde o dia em que conheci o atual presidente da República, pensei: este é o cara.
Mino Carta
Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redação@cartacapital.com.br
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
SABEDORIAS EM "A JANGADA DE PEDRA" - JOSÉ SARAMAGO
O livro de Saramago é um dos quatro livros que devo (deveria) ler para o meu semestre de Literatura Portuguesa na Usp.
Como a vida não é exatamente como gostaríamos, não terei condições de ler as obras indicadas no programa.
No entanto, ao chegar do trabalho hoje, li o primeiro capítulo do livro A jangada de pedra, li em voz alta, e adorei algumas frases com observações de Saramago, às vezes, até desconcertantes.
FRASES E PENSAMENTOS...
SUPERSTIÇÃO = "CONVICÇÃO FIRME"
"Como se teria formado a arreigada superstição, ou convicção firme, que é, em muitos casos, a expressão alternativa paralela..." pag.7
Nunca havia pensado nisso. Que interessante a ideia explicativa da superstição.
O SEMPRE NÃO PODE DURAR PARA SEMPRE!
"Mas não podendo o sempre durar para sempre, como explicitamente nos tem ensinado a idade moderna..." pag. 7
Que expressão bárbara!
ATOS SEM SENTIDO SÃO OS MAIS PERIGOSOS
"... um acto que parecia não ter sentido, e esses, recordai-vos, são os que mais perigo comportam..." pag. 8
Lembrei-me de uma frase que sempre digo a respeito do ser humano. Somos imbecis por natureza. Uma hora ou outra fazemos imbecilidades. Não tem como evitar. E, muitas vezes, uma imbecilidade por nós cometida pode trazer consequências que nunca mais têm volta.
O QUE TEM DE SER, TEM DE SER...
"...O que tem de ser, tem de ser, e tem muita força, não se pode resistir-lhe, mil vezes o ouvi à gente mais velha, Acredita na fatalidade, Acredito no que tem de ser" pag.8
OS REMORSOS NÃO MORREM...
"... como um remorso vivo, que é o que são os remorsos mesmo depois de mortos" pag.9
RUMOR COMO UM SUSPIRO SEM CAUSA
"... andava um homem a passear na praia, era isto ao entardecer, quando o rumor das ondas mal se ouve, breve e contido, como um suspiro sem causa" pag. 9
NÃO FALAM DO PRÓPRIO ATO OS QUE NASCEM E OS QUE MORREM
"Quem nasce não vem a falar da barriga da mãe e quem morre não fala depois de ter entrado na barriga da terra"
É isso!
Bibliografia
SARAMAGO, José. A jangada de pedra. Companhia de Bolso. Edição 2010. (livro de 1986)
Como a vida não é exatamente como gostaríamos, não terei condições de ler as obras indicadas no programa.
No entanto, ao chegar do trabalho hoje, li o primeiro capítulo do livro A jangada de pedra, li em voz alta, e adorei algumas frases com observações de Saramago, às vezes, até desconcertantes.
FRASES E PENSAMENTOS...
SUPERSTIÇÃO = "CONVICÇÃO FIRME"
"Como se teria formado a arreigada superstição, ou convicção firme, que é, em muitos casos, a expressão alternativa paralela..." pag.7
Nunca havia pensado nisso. Que interessante a ideia explicativa da superstição.
O SEMPRE NÃO PODE DURAR PARA SEMPRE!
"Mas não podendo o sempre durar para sempre, como explicitamente nos tem ensinado a idade moderna..." pag. 7
Que expressão bárbara!
ATOS SEM SENTIDO SÃO OS MAIS PERIGOSOS
"... um acto que parecia não ter sentido, e esses, recordai-vos, são os que mais perigo comportam..." pag. 8
Lembrei-me de uma frase que sempre digo a respeito do ser humano. Somos imbecis por natureza. Uma hora ou outra fazemos imbecilidades. Não tem como evitar. E, muitas vezes, uma imbecilidade por nós cometida pode trazer consequências que nunca mais têm volta.
O QUE TEM DE SER, TEM DE SER...
"...O que tem de ser, tem de ser, e tem muita força, não se pode resistir-lhe, mil vezes o ouvi à gente mais velha, Acredita na fatalidade, Acredito no que tem de ser" pag.8
OS REMORSOS NÃO MORREM...
"... como um remorso vivo, que é o que são os remorsos mesmo depois de mortos" pag.9
RUMOR COMO UM SUSPIRO SEM CAUSA
"... andava um homem a passear na praia, era isto ao entardecer, quando o rumor das ondas mal se ouve, breve e contido, como um suspiro sem causa" pag. 9
NÃO FALAM DO PRÓPRIO ATO OS QUE NASCEM E OS QUE MORREM
"Quem nasce não vem a falar da barriga da mãe e quem morre não fala depois de ter entrado na barriga da terra"
É isso!
Bibliografia
SARAMAGO, José. A jangada de pedra. Companhia de Bolso. Edição 2010. (livro de 1986)
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
FLC0383 - Literatura Portuguesa IV - Texto "O labirinto da saudade"
Classe de 17/09/10 do professor Helder
Texto: O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço
Anotações em tópicos e comentários
ORIGEM DE PORTUGAL = do tipo traumática
OS LUSÍADAS = um poema épico, via de regra, é enaltecedor. No entanto, aqui é algo que enaltece e entristece ao mesmo tempo, pois o poema fala da glória e do fim dela. Sinfonia e Requiem...
Portugal = eterno destino de SUBALTERNIDADE
Século XIX = o século da esquizofrenia portuguesa total, devido às crises insolúveis...
AS CRISES levam AO SAUDOSISMO que leva AO MISTICISMO...
"MENSAGEM" de Fernando Pessoa é a expressão mais radical desse IRREALISMO PORTUGUÊS (Lourenço e prof. Helder afirmam isso)
NEO-REALISMO (segundo Lourenço)
Eles vão inventar uma nova utopia sem partilhar as ideias com o povo. Os neo-realistas enaltecem o povo, mas não o faz compreender o seu papel.
Havia uma ideologia revolucionária, mas, não tinha uma forma revolucionária.
O surrealismo teria conseguido bater nessa mesmice portuguesa, mas talvez com resultado um pouco diferente.
SALAZAR = viveu de maneira simplória para buscar uma imagem idealizada do português comum, apesar de atender sempre à elite e à burguesia.
O texto de Lourenço é de 1977/78, ou seja, depois da Revolução dos Cravos (1974).
Como sempre ao longo dos séculos, após suas crises, Portugal fica sem nada. Não tem comércio, não tem nada o que fazer.
A guerra trouxe novamente traumatismo profundo em Portugal.
Segundo Lourenço, Portugal seria sempre um "Imperialismo de 2a categoria".
Lourenço fala de um "sonambulismo incurável português".
O texto comenta a questão dos retornados das colônias, após a libertação das mesmas, porém ao chegarem em Portugal, não havia o que fazer, como manter economicamente uma população daquela.
IDEIA DO ENCOLHIMENTO DO IMAGINÁRIO
Imaginar Portugal após a perda de suas colônias e algo como imaginar São Paulo se tornando independente do Brasil. Imaginem o paulista, antigo "brasileiro", não poder dizer mais que o samba, o chimarrão, a Amazônia, o Pantanal etc pertencem ao seu imaginário, que tudo aquilo não é mais de seu pertencimento...
O que ficaria no imaginário paulista como república? Pagode e rodeio?
O IMPÉRIO PORTUGUÊS QUE FICA
A solução portuguesa para as constantes perdas de suas colônias foi a criação do conceito de "IMPÉRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA". A promoção da LUSOFONIA pelo mundo.
Ou seja, buscar o seu lugar ao sol no plano da cultura, já que sempre há problemas no campo econômico.
O prof. Helder comenta um pouco os problemas de obras e autores que trabalham com projetos de descrever povos e nações, do tipo Sérgio Buarque de Holanda, Darci Ribeiro, e os autores portugueses que fazem o mesmo.
O mecanismo corre sempre o risco de se criar estereótipos, de ser discriminatório e gerar preconceito.
Texto: O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço
Anotações em tópicos e comentários
ORIGEM DE PORTUGAL = do tipo traumática
OS LUSÍADAS = um poema épico, via de regra, é enaltecedor. No entanto, aqui é algo que enaltece e entristece ao mesmo tempo, pois o poema fala da glória e do fim dela. Sinfonia e Requiem...
Portugal = eterno destino de SUBALTERNIDADE
Século XIX = o século da esquizofrenia portuguesa total, devido às crises insolúveis...
AS CRISES levam AO SAUDOSISMO que leva AO MISTICISMO...
"MENSAGEM" de Fernando Pessoa é a expressão mais radical desse IRREALISMO PORTUGUÊS (Lourenço e prof. Helder afirmam isso)
NEO-REALISMO (segundo Lourenço)
Eles vão inventar uma nova utopia sem partilhar as ideias com o povo. Os neo-realistas enaltecem o povo, mas não o faz compreender o seu papel.
Havia uma ideologia revolucionária, mas, não tinha uma forma revolucionária.
O surrealismo teria conseguido bater nessa mesmice portuguesa, mas talvez com resultado um pouco diferente.
SALAZAR = viveu de maneira simplória para buscar uma imagem idealizada do português comum, apesar de atender sempre à elite e à burguesia.
O texto de Lourenço é de 1977/78, ou seja, depois da Revolução dos Cravos (1974).
Como sempre ao longo dos séculos, após suas crises, Portugal fica sem nada. Não tem comércio, não tem nada o que fazer.
A guerra trouxe novamente traumatismo profundo em Portugal.
Segundo Lourenço, Portugal seria sempre um "Imperialismo de 2a categoria".
Lourenço fala de um "sonambulismo incurável português".
O texto comenta a questão dos retornados das colônias, após a libertação das mesmas, porém ao chegarem em Portugal, não havia o que fazer, como manter economicamente uma população daquela.
IDEIA DO ENCOLHIMENTO DO IMAGINÁRIO
Imaginar Portugal após a perda de suas colônias e algo como imaginar São Paulo se tornando independente do Brasil. Imaginem o paulista, antigo "brasileiro", não poder dizer mais que o samba, o chimarrão, a Amazônia, o Pantanal etc pertencem ao seu imaginário, que tudo aquilo não é mais de seu pertencimento...
O que ficaria no imaginário paulista como república? Pagode e rodeio?
O IMPÉRIO PORTUGUÊS QUE FICA
A solução portuguesa para as constantes perdas de suas colônias foi a criação do conceito de "IMPÉRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA". A promoção da LUSOFONIA pelo mundo.
Ou seja, buscar o seu lugar ao sol no plano da cultura, já que sempre há problemas no campo econômico.
O prof. Helder comenta um pouco os problemas de obras e autores que trabalham com projetos de descrever povos e nações, do tipo Sérgio Buarque de Holanda, Darci Ribeiro, e os autores portugueses que fazem o mesmo.
O mecanismo corre sempre o risco de se criar estereótipos, de ser discriminatório e gerar preconceito.
domingo, 19 de setembro de 2010
FLC0383 - Literatura Portuguesa IV - Neo-realismo Português
Ainda a classe de 20/08/10 sobre NEO-REALISMO PORTUGUÊS
(Atualizado em 20/09/10 - com menos sono)
Texto de Carlos Reis
DO REALISMO AO NEO-REALISMO PORTUGUÊS
Anotações em forma de tópicos e itens importantes.
O período abrangido pelo texto vai mais ou menos de 1938-1948
Reis nega que haja semelhança entre o Realismo e o Neo-realismo. Segundo ele, os autores neo-realistas propunham inovações literárias e motivações históricas.
Professor Helder já comenta que há aqui uma contradição no que Reis diz, pois se os autores querem melhorar deficiências do Realismo do passado, então Reis já admite relação entre um movimento e outro.
Porém, mesmo admitindo relação entre os movimentos, são apresentadas diferenças entre um e outro.
O Realismo era paternalista com o leitor. Queria educar e explicar os acontecimentos. Também no Realismo, o "não engajamento" era o lugar do escritor realista.
A literatura de Eça de Queirós, por exemplo, cutucava a burguesia, mas ele não era sujeito de partido.
No Neo-realismo, o escritor assume um lugar social, todos são marxistas. Eles assumem essa posição. A intenção deles é evitar a subjetividade de julgamentos do personagem.
O Neo-realismo vai jogando informações e o leitor deve tirar as suas conclusões.
Reis diz que os Neo-realistas até conseguem não serem paternalistas (o professor Helder tem dúvidas), mas não conseguem ser menos subjetivistas.
Diferenças destacadas entre um movimento e outro:
REALISMO SÉCULO XIX
-materialismo
-o mundo é visto a partir do material, do físico, sem transcendência.
-positivismo
NEO-REALISMO SÉCULO XX
-materialismo histórico
-o mundo é visto a partir do materialismo histórico
-a história é movida pelas forças produtivas e pela luta de classes
-as lutas de classes condicionam as relações sociais
-as relações sociais e a luta de classes definem o presente e o futuro
Em síntese, a LUTA DE CLASSES move tudo.
Quando vamos ler textos neo-realistas não podemos esquecer da perspectiva marxista dos autores.
Ao escritor neo-realista cabe desalienar os leitores.
A literatura é uma forma de chamar a atenção das pessoas para as contradições sociais.
O NEO-REALISMO surge em contraste e oposição ao PRESENCISMO (Revolução presencista)
(só para recordar, tivemos no período anterior)
MODERNISMO PORTUGUÊS:
1o Orfismo (Pessoa) de 1915 a 1927
2o Presencismo de 1927 a 1939 (autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Miguel Torga, Adolfo Monteiro.
3o Neo-realismo de 1940 até hoje.
PRESENCISMO
Grupo pensa para dentro do sujeito, dão valor à tradição poética.
(voltando ao Neo-realismo)
Enquanto isso, o Neo-realismo cria a Revista Seara Nova (1921 - até hoje) vai atraindo os autores neo-realistas.
Oposição estética (mais que ideológica) com o Orfismo e o Presencismo.
A geração foi marcada fortemente pela 2a Guerra Mundial. Foi marcada por fortes ditaduras na Europa.
Os autores optam por modelo de fora - o comunismo da Rússia.
Falam de Máximo Gorki, Steinbach, Hemingway, Graciliano Ramos, Jorge Amado etc.
O Neo-realismo português tomou como referência a literatura brasileira. Principalmente a questão do Regionalismo Brasileiro.
(Atualizado em 20/09/10 - com menos sono)
Texto de Carlos Reis
DO REALISMO AO NEO-REALISMO PORTUGUÊS
Anotações em forma de tópicos e itens importantes.
O período abrangido pelo texto vai mais ou menos de 1938-1948
Reis nega que haja semelhança entre o Realismo e o Neo-realismo. Segundo ele, os autores neo-realistas propunham inovações literárias e motivações históricas.
Professor Helder já comenta que há aqui uma contradição no que Reis diz, pois se os autores querem melhorar deficiências do Realismo do passado, então Reis já admite relação entre um movimento e outro.
Porém, mesmo admitindo relação entre os movimentos, são apresentadas diferenças entre um e outro.
O Realismo era paternalista com o leitor. Queria educar e explicar os acontecimentos. Também no Realismo, o "não engajamento" era o lugar do escritor realista.
A literatura de Eça de Queirós, por exemplo, cutucava a burguesia, mas ele não era sujeito de partido.
No Neo-realismo, o escritor assume um lugar social, todos são marxistas. Eles assumem essa posição. A intenção deles é evitar a subjetividade de julgamentos do personagem.
O Neo-realismo vai jogando informações e o leitor deve tirar as suas conclusões.
Reis diz que os Neo-realistas até conseguem não serem paternalistas (o professor Helder tem dúvidas), mas não conseguem ser menos subjetivistas.
Diferenças destacadas entre um movimento e outro:
REALISMO SÉCULO XIX
-materialismo
-o mundo é visto a partir do material, do físico, sem transcendência.
-positivismo
NEO-REALISMO SÉCULO XX
-materialismo histórico
-o mundo é visto a partir do materialismo histórico
-a história é movida pelas forças produtivas e pela luta de classes
-as lutas de classes condicionam as relações sociais
-as relações sociais e a luta de classes definem o presente e o futuro
Em síntese, a LUTA DE CLASSES move tudo.
Quando vamos ler textos neo-realistas não podemos esquecer da perspectiva marxista dos autores.
Ao escritor neo-realista cabe desalienar os leitores.
A literatura é uma forma de chamar a atenção das pessoas para as contradições sociais.
O NEO-REALISMO surge em contraste e oposição ao PRESENCISMO (Revolução presencista)
(só para recordar, tivemos no período anterior)
MODERNISMO PORTUGUÊS:
1o Orfismo (Pessoa) de 1915 a 1927
2o Presencismo de 1927 a 1939 (autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Miguel Torga, Adolfo Monteiro.
3o Neo-realismo de 1940 até hoje.
PRESENCISMO
Grupo pensa para dentro do sujeito, dão valor à tradição poética.
(voltando ao Neo-realismo)
Enquanto isso, o Neo-realismo cria a Revista Seara Nova (1921 - até hoje) vai atraindo os autores neo-realistas.
Oposição estética (mais que ideológica) com o Orfismo e o Presencismo.
A geração foi marcada fortemente pela 2a Guerra Mundial. Foi marcada por fortes ditaduras na Europa.
Os autores optam por modelo de fora - o comunismo da Rússia.
Falam de Máximo Gorki, Steinbach, Hemingway, Graciliano Ramos, Jorge Amado etc.
O Neo-realismo português tomou como referência a literatura brasileira. Principalmente a questão do Regionalismo Brasileiro.
sábado, 18 de setembro de 2010
Não-comentários sobre o filme 300
Cheguei a casa nesta sexta-feira cansadaço e decidi sentar-me frente a tevê e assistir a algum filme que fosse começar às 22h.
Às vezes dá certo, às vezes dá errado essas escolhas aleatórias de filmes. Outro dia fiz isso e acabei assistindo ao filme Lemon Tree e gostei muito. Dessa vez foi o filme 300 e achei o filme muito ruim! Só acabei de assistir por teimosia.
Para não ficar sem alguma digestão cultural do momento (para não dizer indigestão), acabei relendo hoje pela manhã o conto de Machado de Assis - Lágrimas de Xerxes - e a leitura e discussão em sala de aula de literatura sobre o conto. Já valeu a pena.
Quem quiser dar uma olhada no conto e no post da aula é só clicar aqui no blog mesmo.
Às vezes dá certo, às vezes dá errado essas escolhas aleatórias de filmes. Outro dia fiz isso e acabei assistindo ao filme Lemon Tree e gostei muito. Dessa vez foi o filme 300 e achei o filme muito ruim! Só acabei de assistir por teimosia.
Para não ficar sem alguma digestão cultural do momento (para não dizer indigestão), acabei relendo hoje pela manhã o conto de Machado de Assis - Lágrimas de Xerxes - e a leitura e discussão em sala de aula de literatura sobre o conto. Já valeu a pena.
Quem quiser dar uma olhada no conto e no post da aula é só clicar aqui no blog mesmo.
Lágrimas de Xerxes (1899) - Conto de Machado de Assis
Leitura de contos machadianos
Além do conto postado abaixo, tenho uma postagem analisando o conto em sala de aula com o professor Hansen (FFLCH-USP). A análise é muito legal. Leitura de Lágrimas de Xerxes, M.Assis.
Publicado originalmente em 1899
Lágrimas de Xerxes
Suponhamos (tudo é de supor) que Julieta e Romeu, antes que Frei Lourenço os casasse, travavam com ele este diálogo curioso:
JULIETA. Uma só pessoa?
FREI LOURENÇO. Sim, filha, e, logo que eu houver feito de vós ambos uma só pessoa, nenhum outro poder vos desligará mais. Andai, andai, vamos ao altar, que estão acendendo as velas... (Saem da cela e vão pelo corredor).
ROMEU. Para que velas? Abençoai-nos aqui mesmo. (Pára diante de uma janela). Para que altar e velas? O céu é o altar: não tarda que a mão dos anjos acenda ali as eternas estrelas; mas, ainda sem elas, o altar é este. A igreja está aberta; podem descobrir-nos. Eia, abençoai-nos aqui mesmo.
FREI LOURENÇO. Não, vamos para a igreja; daqui a pouco estará tudo pronto. Curvarás a cabeça, filha minha, para que olhos estranhos, se alguns houver, não cheguem a reconhecer-te...
ROMEU. Vã dissimulação; não há, em toda Verona, um talhe igual ao da minha bela Julieta, nenhuma outra dama chegaria a dar a mesma impressão que esta. Que impede que seja aqui? O altar não é mais que o céu.
FREI LOURENÇO. Mais eficaz que o céu.
ROMEU. Como?
FREI LOURENÇO. Tudo o que ele abençoa perdura. As velas que lá verás arder hão de acabar antes dos noivos e do padre que os vai ligar; tenho-as visto morrer infinitas; mas as estrelas...
ROMEU. Que tem? arderão ainda, nem ali nasceram senão para dar ao céu a mesma graça da terra. Sim, minha divina Julieta, a Via-Láctea é como o pó luminoso dos teus pensamentos, todas as pedrarias e claridades altas e remotas, tudo isso está aqui perto e resumido na tua pessoa, porque a lua plácida imita a tua indulgência, e Vênus, quando cintila, é com os fogos da tua imaginação. Aqui mesmo, padre. Que outra formalidade nos pedes tu? Nenhuma formalidade exterior, nenhum consentimento alheio. Nada mais que amor e vontade. O ódio de outros separa-nos, mas o nosso amor conjuga-nos.
FREI LOURENÇO. Para sempre.
JULIETA. Conjuga-nos, e para sempre. Que mais então? Vai a tua mão fazer com que parem todas as horas de uma vez. Em vão o sol passará de um céu a outro céu, e tornará a vir e tornará a ir, não levará consigo o tempo que fica a nossos pés como um tigre domado. Monge amigo, repete essa palavra amiga.
FREI LOURENÇO. Para sempre.
JULIETA. Para sempre! amor eterno! eterna vida! Juro-vos que não entendo outra língua senão essa. Juro-vos que não entendo a língua de minha mãe.
FREI LOURENÇO. Pode ser que tua mãe não entendesse a língua da mãe dela. A vida é uma Babel, filha; cada um de nós vale por uma nação.
ROMEU. Não aqui, padre; ela e eu somos duas províncias da mesma linguagem, que nos aliamos para dizer as mesmas orações, com o mesmo alfabeto e um só sentido. Nem há outro sentido que tenha algum valor na terra. Agora, quem nos ensinou essa linguagem divina não sei eu nem ela; foi talvez alguma estrela. Olhai, pode ser que fosse aquela primeira que começa a cintilar no espaço.
JULIETA. Que mão celeste a terá acendido? Rafael, talvez, ou tu, amado Romeu. Magnífica estrela, serás a estrela da minha vida, tu, que marcas a hora do meu consórcio. Que nome tem ela, padre?
FREI LOURENÇO. Não sei de astronomias, filha.
JULIETA. Hás de saber por força. Tu conheces as letras divinas e humanas, as próprias ervas do chão, as que matam e as que curam... Dize, dize...
FREI LOURENÇO. Eva eterna!
JULIETA. Dize o nome dessa tocha celeste, que vai alumiar as minhas bodas, e casai-nos aqui mesmo. Os astros valem mais que as tochas da terra.
FREI LOURENÇO. Valem menos. Que nome tem aquele? Não sei. A minha astronomia não é como a dos outros homens. (Depois de alguns instantes de reflexão) Eu sei o que me contaram os ventos, que andam cá e lá, abaixo e acima, de um tempo a outro tempo, e sabem muito, porque são testemunhas de tudo. A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietação a constância.
ROMEU. E que vos disseram eles?
FREI LOURENÇO. Coisas duras. Heródoto conta que Xerxes um dia chorou; mas não conta mais nada. Os ventos é que me disseram o resto, porque eles lá estavam ao pé do capitão, e recolheram tudo... Escutai; aí começam eles a agitar-se; ouviram-nos falar e murmuram... Uivai, amigos ventos, uivai como nos jovens dias das Termópilas.
ROMEU. Mas que te disseram eles? Contai, contai depressa.
JULIETA. Fala a gosto, nós te esperaremos.
FREI LOURENÇO. Gentil criatura, aprende com ela, filho, aprende a tolerar as demasias de um velho lunático. O que é que me disseram? Melhor fora não repeti-lo; mas, se teimais em que vos case aqui mesmo, ao clarão das estrelas, dir-vos-ei a origem daquela, que parece governar todas as outras... Vamos, ainda é tempo, o altar espera-nos... Não? teimosos que sois... Contar-vos-ei o que me disseram os ventos, que lá estavam em torno de Xerxes, quando este vinha destruir a Hélade com tropas inumeráveis. As tropas marchavam diante dele, a poder de chicote, porque esse homem cru amava particularmente o chicote e empregava-o a miúdo, sem hesitação nem remorso. O próprio mar, quando ousou destruir a ponte que ele mandara construir, recebeu em castigo trezentas chicotadas. Era justo; mas para não ser somente justo, para ser também abominável, Xerxes ordenou que decapitassem a todos os que tinham construído a ponte e não souberam fazê-la imperecível. Chicote e espada; pancada e sangue.
JULIETA. Oh! abominável!
FREI LOURENÇO. Abominável, mas forte. Força vale alguma coisa; a prova é que o mar acabou aceitando o jugo do grande persa. Ora, um dia, à margem do Helesponto, curioso de contemplar as tropas que ali ajuntara, no mar e em terra, Xerxes trepou a um alto morro feitiço, de onde espalhou as vistas para todos os lados. Calculai o orgulho que ele sentiu. Viu ali gente infinita, o melhor leite mungido à vaca asiática, centenas de milhares ao pé de centenas de milhares, várias armas, povos diversos, cores e vestiduras diferentes, mescladas, baralhadas, flecha e gládio, tiara e capacete, pelo de cabra, pele de cavalo, pele de pantera, uma algazarra infinita de coisas. Viu e riu; farejava a vitória. Que outro poder viria contrastá-lo? Sentia-se indestrutível. E ficou a rir e a olhar com longos olhos ávidos e felizes, olhos de noivado, como os teus, moço amigo...
ROMEU. Comparação falsa. O maior déspota do universo é um miserável escravo, se não governa os mais belos olhos femininos de Verona. E a prova é que, a despeito do poder, chorou.
FREI LOURENÇO. Chorou, é certo, logo depois, tão depressa acabara de rir. A cara embruscou-se-lhe de repente, e as lágrimas saltaram-lhe grossas e irreprimíveis. Um tio do guerreiro, que ali estava, interrogou-o espantado; ele respondeu melancolicamente que chorava, considerando que de tantos milhares e milhares de homens que ali tinha diante de si, e às suas ordens, não existiria um só ao cabo de um século. Até aqui Heródoto; escutai agora os ventos. Os ventos ficaram atônitos. Estavam justamente perguntando uns aos outros se esse homem feito de ufania e rispidez teria nunca chorado em sua vida, e concluíam que não, que era impossível, que ele não conhecia mais que injustiça e crueldade, não a compaixão. E era a compaixão que ali vinha lacrimosa, era ela que soluçava na garganta do tirano... Então eles rugiram de assombro; depois pegaram das lágrimas de Xerxes... Que farias tu delas?
ROMEU. Secá-las-ia, para que a piedade humana não ficasse desonrada.
FREI LOURENÇO. Não fizeram isso; pegaram das lágrimas todas e deitaram a voar pelo espaço fora, bradando às considerações: Aqui estão! olhai! olhai! aqui estão os primeiros diamantes da alma bárbara! Todo o firmamento ficou alvoroçado; pode crer-se que, por um instante, a marcha das coisas parou. Nenhum astro queria acabar de crer nos ventos. Xerxes! Lágrimas de Xerxes eram impossíveis; tal planta não dava em tal rochedo. Mas ali estavam elas; eles as mostravam, contando a sua curiosa história, o riso que servira de concha a essas pérolas, as palavras dele, e as constelações não tiveram remédio, e creram finalmente que o duro Xerxes houvesse chorado. Os planetas miraram longo tempo essas lágrimas inverossímeis; não havia negar que traziam o amargo da dor e o travo da melancolia. E quando pensaram que o coração que as brotara de si tinha particular amor ao estalido do chicote, deitaram um olhar oblíquo à terra, como perguntando de que contradições era ela feita. Um deles disse aos ventos que devolvessem as lágrimas ao bárbaro, para que as engolisse; mas os ventos responderam que não e detiveram-se para deliberar. Não cuideis que só os homens dissentem uns dos outros.
JULIETA. Também os ventos?
FREI LOURENÇO. Também eles. O Aquilão queria convertê-las em tempestades do mundo, violentas e destruidoras, como o homem que as gerara; mas os outros ventos não aceitaram a ideia. As tempestades passam ligeiras; eles queriam alguma coisa que tivesse perenidade, um rio, por exemplo, ou um mar novo; mas não combinaram nada e foram ter com o sol e a lua. Tu conheces a lua, filha.
ROMEU. A lua é ela mesma; uma e outra são a plácida imagem da indulgência e do carinho; é o que eu te disse há pouco, meu bom confessor.
JULIETA. Não, não creias nada do que ele disser, frei amigo; a lua é a minha rival, é a rival que alumia de longe o belo rosto do galhardo Romeu, que lhe dá um resplendor de opala, à noite, quando ele vem pela rua...
FREI LOURENÇO. Terão ambos razão. A lua e Julieta podem ser a mesma pessoa, e é por isso que querem o mesmo homem. Mas, se a lua és tu, filha, deves saber o que ela disse ao vento.
JULIETA. Nada, não me lembra nada.
FREI LOURENÇO. Os ventos foram ter com ela, perguntaram-lhe o que fariam das lágrimas de Xerxes, e a resposta foi a mais piedosa do mundo. Cristalizemos essas lágrimas, disse a lua, e façamos delas uma estrela que brilhe por todos os séculos, com a claridade da compaixão, e onde vão residir todos aqueles que deixarem a terra, para achar ali a perpetuidade que lhes escapou.
JULIETA. Sim, eu diria a mesma coisa. (Olhando pela janela) Lume eterno, berço de renovação, mundo do amor continuado e infinito, estávamos ouvindo a tua bela história.
FREI LOURENÇO. Não, não, não.
JULIETA. Não?
FREI LOURENÇO. Não, porque os ventos foram também ao sol, e tu que conheces a lua, não conheces o sol, amiga minha. Os ventos levaram-lhe as lágrimas, contaram a origem delas e o conselho do astro da noite, e falaram da beleza que teria essa estrela nova e especial. O sol ouviu-os e redarguiu que sim, que cristalizassem as lágrimas e fizessem delas uma estrela; mas nem tal como o pedia a lua, nem para igual fim. Há de ser eterna e brilhante, disse ele, mas para a compaixão basta a mesma lua com a sua enjoada e dulcíssima poesia. Não; essa estrela feita das lágrimas que a brevidade da vida arrancou um dia ao orgulho humano ficará pendente do céu como o astro da ironia, luzirá cá de cima sobre todas as multidões que passam, cuidando não acabar mais e sobre todas as coisas construídas em desafio dos tempos. Onde as bodas cantarem a eternidade, ela fará descer um dos seus raios, lágrima de Xerxes, para escrever a palavra da extinção, breve, total, irremissível. Toda epifania receberá esta nota de sarcasmo. Não quero melancolias, que são rosas pálidas da lua e suas congêneres; — ironia, sim, uma dura boca, gelada e sardônica...
ROMEU. Como? Esse astro esplêndido...
FREI LOURENÇO. Justamente, filho; e é por isso que o altar é melhor que o céu; no altar a benta vela arde depressa e morre às nossas vistas.
JULIETA. Conto de ventos!
FREI LOURENÇO. Não, não.
JULIETA. Ou ruim sonho de lunático. Velho lunático disseste há pouco; és isso mesmo. Vão sonho ruim, como os teus ventos, e o teu Xerxes, e as tuas lágrimas, e o teu sol, e toda essa dança de figuras imaginárias.
FREI LOURENÇO. Filha minha...
JULIETA. Padre meu, que não sabes que há, quando menos, uma coisa imortal, que é o meu amor, e ainda outra, que é o incomparável Romeu. Olha bem para ele; vê se há aqui um soldado de Xerxes. Não, não, não. Viva o meu amado, que não estava no Helesponto, nem escutou os desvarios dos ventos noturnos, como este frade, que é a um tempo amigo e inimigo. Sê só amigo, e casa-nos. Casa-nos onde quiseres, aqui ou além, diante das velas ou debaixo das estrelas, sejam elas de ironia ou de piedade; mas casa-nos, casa-nos, casa-nos...
FIM
Fonte: UOL
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
FLM0617 - Literatura Espanhola: Século XVI
LOS 1001 AÑOS DE LA LENGUA ESPAÑOLA – ANTONIO ALATORRE
CAPÍTULO IX. EL APOGEO DEL CASTELLANO (segunda parte)
APUNTAMIENTOS DE LECTURA – William Mendes, alumno Usp 3504053
HUMANISMO Y ANTIHUMANISMO
La cultura hispánica fue una de las más controvertidas de todas las de la era moderna y apasionante por los extremos, o sea, tanto en la lucha por las luces - el ansia de libertad, la apertura a todo lo que es humano, la fe en la civilización y el progreso -, como en las tinieblas – el absolutismo, el rechazo de lo nuevo, la defensa encarnizada de los derechos creados.
El humanismo renacentista español contiene rasgos de expresiones nórdicas (erasmiana) e italianas.
Grandes nombres como Juan de Valdés y Garcilaso trajeron en sus obras rasgos de las letras griegas y latinas. “Juan de Valdés tradujo del griego partes de la Biblia; Garcilaso compuso poemas en latín”.
Alatorre nos dice que “los ideales del Renacimiento y del humanismo penetraron en América en la misma medida que en España. Fernández de Oviedo, imbuido de italianismo y lector de Erasmo, es en Santo Domingo uno de los monumentos del humanismo, entendido éste en su sentido más amplio y generoso”.
Con la muerte de Carlos V (1558) empezó Felipe II un “nuevo estilo” nacional de gobierno, absolutista e intolerante, campeón de la ortodoxia católica, aunque el Santo Oficio ya en el siglo XV haya sido muy hostil con humanistas como Nebrija, fray Luis de León y Francisco Sánchez.
El año 1559 es el del triunfo definitivo del absolutismo y del oscurantismo sobre el deseo de libertad y de progreso. Con apoyo de Felipe II triunfaron los contrarreformistas que decían que el rey podía hacer todo lo que quisiera.
“Pocas veces en la historia de los pueblos modernos ha habido una coalición tan íntima, y tan duradera además, entre Iglesia y Estado”.
Alatorre nos aclara que a partir de Felipe II, el solo deseo de enterarse de las novedades europeas era peligroso.
FELIPE II – EL IMPERIO DEL OBSCURANTISMO
“El liderazgo intelectual quedó definitivamente en otras naciones. Un Galileo, un Descartes, un Newton hubieran sido imposibles en los dominios de Felipe II y su dinastía”.
Durante su reinado España perdió el liderazgo del conocimiento de dos importantes lenguas y culturas: el árabe y el hebraísmo.
Su gobierno es responsable por la persecución desatada contra grandes hebraístas en España. Uno de ellos, Gudiel, murió trágicamente en la cárcel.
Una manera de hacer críticas en la época era el arte de la reticencia, es decir, “el arte de decir cosas sin decirlas”.
“La represión convirtió a los escritores de lengua española en grandes maestros del arte de la reticencia, de la cautela, de cierta ‘hipocresía heroica’, como alguien la ha llamado. Y el más grande de esos maestros fue Cervantes”.
LA HISTORIA DE LA LENGUA (hacia 1615)
“Es como si la obra de quienes escribían en España hacia 1615, hombres criados bajo el austero régimen de Felipe II, fuera producto, más que de genios individuales, de una como necesidad social, colectiva, de hallar nuevas entradas y salidas en un edificio cuyas puertas estaban tapiadas”.
Bibliografía:
ALATORRE, Antonio. Los 1001 años de la lengua española. Fondo de Cultura Económica. México.
CAPÍTULO IX. EL APOGEO DEL CASTELLANO (segunda parte)
APUNTAMIENTOS DE LECTURA – William Mendes, alumno Usp 3504053
HUMANISMO Y ANTIHUMANISMO
La cultura hispánica fue una de las más controvertidas de todas las de la era moderna y apasionante por los extremos, o sea, tanto en la lucha por las luces - el ansia de libertad, la apertura a todo lo que es humano, la fe en la civilización y el progreso -, como en las tinieblas – el absolutismo, el rechazo de lo nuevo, la defensa encarnizada de los derechos creados.
El humanismo renacentista español contiene rasgos de expresiones nórdicas (erasmiana) e italianas.
Grandes nombres como Juan de Valdés y Garcilaso trajeron en sus obras rasgos de las letras griegas y latinas. “Juan de Valdés tradujo del griego partes de la Biblia; Garcilaso compuso poemas en latín”.
Alatorre nos dice que “los ideales del Renacimiento y del humanismo penetraron en América en la misma medida que en España. Fernández de Oviedo, imbuido de italianismo y lector de Erasmo, es en Santo Domingo uno de los monumentos del humanismo, entendido éste en su sentido más amplio y generoso”.
Con la muerte de Carlos V (1558) empezó Felipe II un “nuevo estilo” nacional de gobierno, absolutista e intolerante, campeón de la ortodoxia católica, aunque el Santo Oficio ya en el siglo XV haya sido muy hostil con humanistas como Nebrija, fray Luis de León y Francisco Sánchez.
El año 1559 es el del triunfo definitivo del absolutismo y del oscurantismo sobre el deseo de libertad y de progreso. Con apoyo de Felipe II triunfaron los contrarreformistas que decían que el rey podía hacer todo lo que quisiera.
“Pocas veces en la historia de los pueblos modernos ha habido una coalición tan íntima, y tan duradera además, entre Iglesia y Estado”.
Alatorre nos aclara que a partir de Felipe II, el solo deseo de enterarse de las novedades europeas era peligroso.
FELIPE II – EL IMPERIO DEL OBSCURANTISMO
“El liderazgo intelectual quedó definitivamente en otras naciones. Un Galileo, un Descartes, un Newton hubieran sido imposibles en los dominios de Felipe II y su dinastía”.
Durante su reinado España perdió el liderazgo del conocimiento de dos importantes lenguas y culturas: el árabe y el hebraísmo.
Su gobierno es responsable por la persecución desatada contra grandes hebraístas en España. Uno de ellos, Gudiel, murió trágicamente en la cárcel.
Una manera de hacer críticas en la época era el arte de la reticencia, es decir, “el arte de decir cosas sin decirlas”.
“La represión convirtió a los escritores de lengua española en grandes maestros del arte de la reticencia, de la cautela, de cierta ‘hipocresía heroica’, como alguien la ha llamado. Y el más grande de esos maestros fue Cervantes”.
LA HISTORIA DE LA LENGUA (hacia 1615)
“Es como si la obra de quienes escribían en España hacia 1615, hombres criados bajo el austero régimen de Felipe II, fuera producto, más que de genios individuales, de una como necesidad social, colectiva, de hallar nuevas entradas y salidas en un edificio cuyas puertas estaban tapiadas”.
Bibliografía:
ALATORRE, Antonio. Los 1001 años de la lengua española. Fondo de Cultura Económica. México.
domingo, 12 de setembro de 2010
Corrida da Paz - 8km
Madruguei hoje para correr com meus primos lá na Marginal Pinheiros e na ponte estaiada. Foi muito prazeroso!
Quando meu primo me convidou, eu estava no maior desânimo, mas acabei me inscrevendo e correndo os 8km.
A manhã estava bem agradável e eu não corria um percurso desses há bastante tempo.
Não tenho conseguido correr com frequência, apesar de pelo menos estar caminhando alguns dias por semana.
Beleza! Inaugurei hoje o treinamento para a SÃO SILVESTRE de 2010.
Quando meu primo me convidou, eu estava no maior desânimo, mas acabei me inscrevendo e correndo os 8km.
A manhã estava bem agradável e eu não corria um percurso desses há bastante tempo.
Não tenho conseguido correr com frequência, apesar de pelo menos estar caminhando alguns dias por semana.
Beleza! Inaugurei hoje o treinamento para a SÃO SILVESTRE de 2010.
sábado, 11 de setembro de 2010
FLM0617 - Literatura Espanhola: Século XVI
LOS 1001 AÑOS DE LA LENGUA ESPAÑOLA – ANTONIO ALATORRE
CAPÍTULO IX. EL APOGEO DEL CASTELLANO (segunda parte)
APUNTAMIENTOS DE LECTURA – William Mendes, alumno Usp 3504053
MOROS Y MORISCOS
Con la expulsión del rey moro de Granada en 1492, no hubo por parte de los cristianos la tolerancia con los árabes (mudéjares) que hubo por parte de los árabes cuando los cristianos (mozárabes) vivían entre ellos.
¿Qué hacer con los moros poco o nada cristianizados – ahora “moriscos” – después de la expulsión de ellos de la península ibérica?
- convertirlos al cristianismo y presionarlos para que aprendieran la lengua castellana.
Pero ni todos los frailes tenían concordancia con la conversión forzada de los árabes al cristianismo. Fray Antonio de Talavera era uno de los que creían que la conversión debería ser por la razón y no por la fuerza.
Al fin y al cabo, miles de árabes fueron expulsados entre 1609 y 1614.
“(Uno de ellos, retratado con mucha simpatía por Cervantes, es el morisco Ricote, que, ‘sin tropezar nada en su lengua morisca’, sabe expresarse muy bien ‘en la pura castellana’)”.
JUDÍOS Y SEFARDÍES
Los judíos españoles (sefardíes) fueron expulsados mucho antes de los moros por puro antisemitismo (1492). “y así la mayor ocupación de los inquisidores vino a ser la persecución de las ideas y prácticas ‘judaizantes’ ”.
Pero la vida de aquellos que quedaron nunca les fue fácil. Aunque hayan aceptado la conversión al cristianismo “el hecho es que la palabra misma converso acabó por ser, en la lengua castellana, un verdadero insulto, al igual que sus equivalentes confeso y cristiano nuevo (cuya carga negativa consistía en el contraste con su antónimo, el orgulloso cristiano viejo: cualquier cristiano viejo, y no se diga si era montañés o vizcaíno, se creía un hidalgo o un noble frente al ‘vil’ judío)”.
Una certeza nos da Alatorre: “No cabe duda de que la expulsión de los judíos significó una gran pérdida para la cultura hispánica”.
Hoy “la lengua de los sefardíes que escaparon del holocausto se conserva en el moderno estado de Israel y en muchas ciudades de los Estados Unidos, pero parece destinada a desaparecer, a causa de la presión del hebreo y del inglés”.
EL NUEVO MUNDO
Otro acontecimiento importante del año 1492 para los españoles fue el hallazgo del Nuevo Mundo.
“Colón hubiera sido el menos indicado para propagar la lengua entre los ‘pueblos bárbaros y naciones de peregrinas lenguas’ con que se topó. Hablaba mejor el portugués que el castellano”.
Para las nuevas tierras el fraile-obispo Talavera tenía la misma idea que antes. Que “los pueblos conquistados tendrían ‘necesidad de recibir’ las leyes del conquistador, y ‘con ellas’ su lengua”.
Pero la manera de llegar de los conquistadores a cada pueblo o lugar fue la peor posible. La no aceptación por parte de los indios confería automáticamente carácter de “justa guerra” a la matanza y al saqueo.
Muchos españoles no tuvieron concordancia con esta matanza y violencia
“Y con Oviedo están no sólo Las Casas y los muchos españoles que defendieron a los indios, afirmando categóricamente, por principio de cuentas, su dignidad de seres humanos contra quienes encontraban más expedito tratarlos como animales, sino también los muchos frailes que, casi desde el primer momento, se pusieron a hacer aquello que fray Hernando de Talavera había sentido como la tarea humana más urgente de todas, en vista de los hechos consumados: aprender la lengua de los vencidos y así comunicarse con ellos para enseñarles el cristianismo. A esta tarea se dedicaron en especial los franciscanos y los dominicos, y más tarde también los agustinos y los jesuitas”.
Ya en 1532 se publicó varias Doctrinas de Fray Juan de Zumárraga en español en México. También hubo gramáticas, diccionarios y doctrinas de los franciscanos Alonso de Molina y Maturino Gilberti, especializados en la lengua “mexicana” y en la “mechuacana”.
MESTIZAJE Y SU INFLUENCIA EN LA DIFUSIÓN DE LA LENGUA Y CULTURA ESPAÑOLA
Alatorre defiende la idea de que los conquistadores y pobladores españoles se mezclaron racialmente desde un principio con los conquistados y que “este mestizaje de sangre fue, desde luego, el factor que más contribuyó a la difusión de la lengua y cultura española”.
La comparación que se hace para la difusión de la lengua castellana en el Nuevo Mundo es la misma que se hace de la romanización de Hispania e de la arabización de España.
“Abundan los testimonios de la facilidad y la gracia con que los niños indios, en escuelas fundadas para ellos, aprendían la lengua española (…) A fines del siglo XVI ya estaban echadas en todo el nuevo continente las raíces de la lengua nacional de los países hispanoamericanos”.
Pero la tarea de cristianización e hispanización en América no fue nada fácil porque diferente de las tierras de reconquista, donde había una lengua que convivir y traducir – el árabe -, en el Nuevo Mundo había centenares de lenguas distintas.
El hecho es que si en España sobrevive una lengua prerromana, el vasco, en Hispanoamérica sobreviven innumerables lenguas prehispánicas, concluye Alatorre. También los topónimos españoles llenaron las Américas con nombres de lugares y santos, así como ocurrió en la península ibérica con los nombres romanos y árabes.
Bibliografía:
ALATORRE, Antonio. Los 1001 años de la lengua española. Fondo de Cultura Económica. México.
CAPÍTULO IX. EL APOGEO DEL CASTELLANO (segunda parte)
APUNTAMIENTOS DE LECTURA – William Mendes, alumno Usp 3504053
MOROS Y MORISCOS
Con la expulsión del rey moro de Granada en 1492, no hubo por parte de los cristianos la tolerancia con los árabes (mudéjares) que hubo por parte de los árabes cuando los cristianos (mozárabes) vivían entre ellos.
¿Qué hacer con los moros poco o nada cristianizados – ahora “moriscos” – después de la expulsión de ellos de la península ibérica?
- convertirlos al cristianismo y presionarlos para que aprendieran la lengua castellana.
Pero ni todos los frailes tenían concordancia con la conversión forzada de los árabes al cristianismo. Fray Antonio de Talavera era uno de los que creían que la conversión debería ser por la razón y no por la fuerza.
Al fin y al cabo, miles de árabes fueron expulsados entre 1609 y 1614.
“(Uno de ellos, retratado con mucha simpatía por Cervantes, es el morisco Ricote, que, ‘sin tropezar nada en su lengua morisca’, sabe expresarse muy bien ‘en la pura castellana’)”.
JUDÍOS Y SEFARDÍES
Los judíos españoles (sefardíes) fueron expulsados mucho antes de los moros por puro antisemitismo (1492). “y así la mayor ocupación de los inquisidores vino a ser la persecución de las ideas y prácticas ‘judaizantes’ ”.
Pero la vida de aquellos que quedaron nunca les fue fácil. Aunque hayan aceptado la conversión al cristianismo “el hecho es que la palabra misma converso acabó por ser, en la lengua castellana, un verdadero insulto, al igual que sus equivalentes confeso y cristiano nuevo (cuya carga negativa consistía en el contraste con su antónimo, el orgulloso cristiano viejo: cualquier cristiano viejo, y no se diga si era montañés o vizcaíno, se creía un hidalgo o un noble frente al ‘vil’ judío)”.
Una certeza nos da Alatorre: “No cabe duda de que la expulsión de los judíos significó una gran pérdida para la cultura hispánica”.
Hoy “la lengua de los sefardíes que escaparon del holocausto se conserva en el moderno estado de Israel y en muchas ciudades de los Estados Unidos, pero parece destinada a desaparecer, a causa de la presión del hebreo y del inglés”.
EL NUEVO MUNDO
Otro acontecimiento importante del año 1492 para los españoles fue el hallazgo del Nuevo Mundo.
“Colón hubiera sido el menos indicado para propagar la lengua entre los ‘pueblos bárbaros y naciones de peregrinas lenguas’ con que se topó. Hablaba mejor el portugués que el castellano”.
Para las nuevas tierras el fraile-obispo Talavera tenía la misma idea que antes. Que “los pueblos conquistados tendrían ‘necesidad de recibir’ las leyes del conquistador, y ‘con ellas’ su lengua”.
Pero la manera de llegar de los conquistadores a cada pueblo o lugar fue la peor posible. La no aceptación por parte de los indios confería automáticamente carácter de “justa guerra” a la matanza y al saqueo.
Muchos españoles no tuvieron concordancia con esta matanza y violencia
“Y con Oviedo están no sólo Las Casas y los muchos españoles que defendieron a los indios, afirmando categóricamente, por principio de cuentas, su dignidad de seres humanos contra quienes encontraban más expedito tratarlos como animales, sino también los muchos frailes que, casi desde el primer momento, se pusieron a hacer aquello que fray Hernando de Talavera había sentido como la tarea humana más urgente de todas, en vista de los hechos consumados: aprender la lengua de los vencidos y así comunicarse con ellos para enseñarles el cristianismo. A esta tarea se dedicaron en especial los franciscanos y los dominicos, y más tarde también los agustinos y los jesuitas”.
Ya en 1532 se publicó varias Doctrinas de Fray Juan de Zumárraga en español en México. También hubo gramáticas, diccionarios y doctrinas de los franciscanos Alonso de Molina y Maturino Gilberti, especializados en la lengua “mexicana” y en la “mechuacana”.
MESTIZAJE Y SU INFLUENCIA EN LA DIFUSIÓN DE LA LENGUA Y CULTURA ESPAÑOLA
Alatorre defiende la idea de que los conquistadores y pobladores españoles se mezclaron racialmente desde un principio con los conquistados y que “este mestizaje de sangre fue, desde luego, el factor que más contribuyó a la difusión de la lengua y cultura española”.
La comparación que se hace para la difusión de la lengua castellana en el Nuevo Mundo es la misma que se hace de la romanización de Hispania e de la arabización de España.
“Abundan los testimonios de la facilidad y la gracia con que los niños indios, en escuelas fundadas para ellos, aprendían la lengua española (…) A fines del siglo XVI ya estaban echadas en todo el nuevo continente las raíces de la lengua nacional de los países hispanoamericanos”.
Pero la tarea de cristianización e hispanización en América no fue nada fácil porque diferente de las tierras de reconquista, donde había una lengua que convivir y traducir – el árabe -, en el Nuevo Mundo había centenares de lenguas distintas.
El hecho es que si en España sobrevive una lengua prerromana, el vasco, en Hispanoamérica sobreviven innumerables lenguas prehispánicas, concluye Alatorre. También los topónimos españoles llenaron las Américas con nombres de lugares y santos, así como ocurrió en la península ibérica con los nombres romanos y árabes.
Bibliografía:
ALATORRE, Antonio. Los 1001 años de la lengua española. Fondo de Cultura Económica. México.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
FLM0617 - Literatura Espanhola: Século XVI
LOS 1001 AÑOS DE LA LENGUA ESPAÑOLA – ANTONIO ALATORRE
CAPÍTULO IX. EL APOGEO DEL CASTELLANO (segunda parte)
APUNTAMIENTOS DE LECTURA – William Mendes, alumno Usp 3504053
ATENCIÓN AL IDIOMA
Aunque ya hubiera sido posible escribirse una gramática del castellano al tiempo de Alfonso el Sabio, la primera auténtica gramática de lengua “vulgar” o moderna es la Gramática castellana de 1492 de Antonio de Nebrija.
Nebrija, un hombre de humilde origen, fue a Italia para impregnarse de cultura y traer a España los estudios humanísticos, como él mismo nos dijo en un prólogo suyo.
Entusiasta del castellano, Nebrija tenía la idea siguiente: “si el conocimiento del latín era expresable en una gramática, no tenía por qué no serlo también el del castellano”.
NEBRIJA: IMPORTANCIA PARA LA GRAMÁTICA Y EL HUMANISMO CASTELLANOS
Alatorre nos aclara de la importancia de Nebrija no solamente para la gramática castellana sino también para el humanismo ibérico.
“La importancia de Nebrija es mucho mayor que la de un simple gramático (…) él sentó en el mundo hispánico las bases del humanismo, movimiento paneuropeo, búsqueda colectiva del saber emprendida por un grupo numeroso de personas a quienes unía el conocimiento de las dos lenguas internacionales, el griego y el latín…”
LENGUA CASTELLANA: COMPAÑERA DEL IMPERIO Y LENGUA DE ARTE
Nebrija tenía dos ideas muy interesantes para hacer con el castellano lo mismo que había ocurrido con el latín y el griego para asegurar sus permanencias por todos los tiempos:
1.“reducir en artificio”, “poner debajo de arte” la lengua de España.
2.”siempre la lengua fue compañera del imperio”, subrayó en el prólogo de su gramática, meses antes que Colón descubriera los nuevos mundos. Nebrija tenía más en cuenta las expansiones en el mundo árabe después de la reconquista de Granada que otra cosa.
Aunque la gramática de Nebrija haya sido muy importante, ella no tuvo el provecho que debería a lo largo de los tres siglos que duró el imperio español. Ni la gramática de Nebrija ni otras.
Alatorre nos señala que “puede decirse que, durante los tres siglos del imperio, los pobladores del mundo hispánico hablaron y escribieron la lengua castellana sin ninguna necesidad de gramática impresa”.
EL LATÍN VULGAR DE ESPAÑA SE VA CAMBIANDO EN CASTELLANO
Otros autores compusieron en estos siglos XVI y XVII escritos notables, no de gramáticas pero elogios y estudios sobre la lengua castellana.
-Bernardo de Aldrete – Del origen y principio de la lengua castellana o romance que oi se usa en España, impreso en Italia en 1606.
-Juan de Valdés – Diálogo de la lengua, compuesto en el siglo XVI (1536) pero que se publicó solamente dos siglos después. Es una especie de introducción general al idioma castellano: su origen latino, las influencias que ha sufrido, sus diferencias con el catalán y el portugués, sus refranes, su literatura, nos dice Alatorre.
-Gonzalo Correas – Arte grande de la lengua española castellana, escrita en 1626 y no publicada hasta 1903. Correas era catedrático de Salamanca e su obra fue “escrita no para que ‘naciones de peregrinas lenguas’ aprendieran el castellano, sino para que los hablantes de castellano se enteraran de sus ‘reglas’ ”.
IMPORTANCIA DE LA LITERATURA DEL SIGLO DE ORO EN LA FIJACIÓN DE LA LENGUA
Alatorre hace un comentario muy interesante acerca de no haberse tenido muchas gramáticas y reglas normativas establecidas en estos siglos porque la literatura pudo seguir libre para la creación.
“La consolidación de nuestra lengua, su fijación, la fuerza cohesiva que impidió su fragmentación, fue en buena parte obra de la literatura, entendiendo por tal todo lo difundido mediante la letra impresa. Sin necesidad de Academia, los hispanohablantes hicieron espontáneamente sus normas gramaticales”.
ESCRITOS Y TRATADOS PARA EL LENGUAJE POÉTICO
Además de las gramáticas para la fijación de la lengua castellana hubieron muchas obras y tratados para el lenguaje poético.
Alatorre nos dice que la obra de Herrera es una de las más “hermosas”.
“El más hermoso de estos tratados, escrito en forma de Anotaciones a las poesías de Garcilaso, es el de Fernando de Herrera, que no se imprimió sino una sola vez (en 1580)”.
LA ORTOGRAFÍA CASTELLANA
La primera ortografía es la de Nebrija, publicada en 1517.
Una de las más revolucionarias fue la de Gonzalo Correas (1630) que defendía “Eliminemos, pues, las letras inútiles ‘para ke eskrivamos komo se pronunzia i pronunziemos komo se eskrive, kon deskanso i fazilidad, sonando kada letra un sonido no más’ “. Pero la obra de Correas fue rechazada por el licenciado Juan de Robles por tener tamañas innovaciones.
Es importante notar que el gran período de las disputas ortográficas va de 1580 a 1614.
“Vale la pena notar que las mencionadas ortografías se concentran sobre todo en los treinta y cinco años que van de 1580 a 1614. Estos años son el momento culminante de la revolución fonética de nuestra lengua”.
Los impresores fueron quienes se encargaron de la unificación y conservación de la ortografía en estos tiempos.
LOS DICCIONARIOS CASTELLANOS
Hubo diccionarios importantes desde 1492 como el Diccionario de Nebrija (latín-español) o el Universal vocabulario en latín y en romance de Alonso de Palencia.
Pero, lo más importante y avanzado diccionario con descripción y definición en castellano de las palabras fue el Tesoro de la lengua castellana de Sebastián de Covarrubias Orozco (1611).
“Este inestimable Tesoro, que haría bien en tener al alcance de la mano todo lector de literatura de los siglos de oro, es ya un diccionario moderno, abundante en detalles, en ejemplos, y aun en información enciclopédica. Covarrubias se atuvo fundamentalmente a la lengua castellana hablada en sus tiempos, sin ocuparse gran cosa de la traducción de las voces al latín, pero prestando, en cambio, mucha atención a la etimología”.
LAS SENTENCIAS Y REFRANES CASTELLANOS
Alatorre nos dice que “el número de refranes publicados en los siglos XVI y XVII excede al de gramáticas y de diccionarios”.
En verdad, refranes, apotegmas y adagios tienen en común el servir como de "esmalte de la lengua en la conversación", nos dice el autor.
Mal Lara (1568) en su La philosofía vulgar nos da un buen resumen de la temática: “Mal Lara no sólo pone por encima de la sabiduría libresca la ‘filosofía vulgar’ de estas breves sentencias, que es la más alta, la que vive en el corazón y en la lengua del pueblo, sino que llega a afirmar que ‘antes que oviesse philósophos en Grecia, tenía España fundada la antigüedad de sus refranes’ “.
Bibliografía:
ALATORRE, Antonio. Los 1001 años de la lengua española. Fondo de Cultura Económica. México. 3a edición.
CAPÍTULO IX. EL APOGEO DEL CASTELLANO (segunda parte)
APUNTAMIENTOS DE LECTURA – William Mendes, alumno Usp 3504053
ATENCIÓN AL IDIOMA
Aunque ya hubiera sido posible escribirse una gramática del castellano al tiempo de Alfonso el Sabio, la primera auténtica gramática de lengua “vulgar” o moderna es la Gramática castellana de 1492 de Antonio de Nebrija.
Nebrija, un hombre de humilde origen, fue a Italia para impregnarse de cultura y traer a España los estudios humanísticos, como él mismo nos dijo en un prólogo suyo.
Entusiasta del castellano, Nebrija tenía la idea siguiente: “si el conocimiento del latín era expresable en una gramática, no tenía por qué no serlo también el del castellano”.
NEBRIJA: IMPORTANCIA PARA LA GRAMÁTICA Y EL HUMANISMO CASTELLANOS
Alatorre nos aclara de la importancia de Nebrija no solamente para la gramática castellana sino también para el humanismo ibérico.
“La importancia de Nebrija es mucho mayor que la de un simple gramático (…) él sentó en el mundo hispánico las bases del humanismo, movimiento paneuropeo, búsqueda colectiva del saber emprendida por un grupo numeroso de personas a quienes unía el conocimiento de las dos lenguas internacionales, el griego y el latín…”
LENGUA CASTELLANA: COMPAÑERA DEL IMPERIO Y LENGUA DE ARTE
Nebrija tenía dos ideas muy interesantes para hacer con el castellano lo mismo que había ocurrido con el latín y el griego para asegurar sus permanencias por todos los tiempos:
1.“reducir en artificio”, “poner debajo de arte” la lengua de España.
2.”siempre la lengua fue compañera del imperio”, subrayó en el prólogo de su gramática, meses antes que Colón descubriera los nuevos mundos. Nebrija tenía más en cuenta las expansiones en el mundo árabe después de la reconquista de Granada que otra cosa.
Aunque la gramática de Nebrija haya sido muy importante, ella no tuvo el provecho que debería a lo largo de los tres siglos que duró el imperio español. Ni la gramática de Nebrija ni otras.
Alatorre nos señala que “puede decirse que, durante los tres siglos del imperio, los pobladores del mundo hispánico hablaron y escribieron la lengua castellana sin ninguna necesidad de gramática impresa”.
EL LATÍN VULGAR DE ESPAÑA SE VA CAMBIANDO EN CASTELLANO
Otros autores compusieron en estos siglos XVI y XVII escritos notables, no de gramáticas pero elogios y estudios sobre la lengua castellana.
-Bernardo de Aldrete – Del origen y principio de la lengua castellana o romance que oi se usa en España, impreso en Italia en 1606.
-Juan de Valdés – Diálogo de la lengua, compuesto en el siglo XVI (1536) pero que se publicó solamente dos siglos después. Es una especie de introducción general al idioma castellano: su origen latino, las influencias que ha sufrido, sus diferencias con el catalán y el portugués, sus refranes, su literatura, nos dice Alatorre.
-Gonzalo Correas – Arte grande de la lengua española castellana, escrita en 1626 y no publicada hasta 1903. Correas era catedrático de Salamanca e su obra fue “escrita no para que ‘naciones de peregrinas lenguas’ aprendieran el castellano, sino para que los hablantes de castellano se enteraran de sus ‘reglas’ ”.
IMPORTANCIA DE LA LITERATURA DEL SIGLO DE ORO EN LA FIJACIÓN DE LA LENGUA
Alatorre hace un comentario muy interesante acerca de no haberse tenido muchas gramáticas y reglas normativas establecidas en estos siglos porque la literatura pudo seguir libre para la creación.
“La consolidación de nuestra lengua, su fijación, la fuerza cohesiva que impidió su fragmentación, fue en buena parte obra de la literatura, entendiendo por tal todo lo difundido mediante la letra impresa. Sin necesidad de Academia, los hispanohablantes hicieron espontáneamente sus normas gramaticales”.
ESCRITOS Y TRATADOS PARA EL LENGUAJE POÉTICO
Además de las gramáticas para la fijación de la lengua castellana hubieron muchas obras y tratados para el lenguaje poético.
Alatorre nos dice que la obra de Herrera es una de las más “hermosas”.
“El más hermoso de estos tratados, escrito en forma de Anotaciones a las poesías de Garcilaso, es el de Fernando de Herrera, que no se imprimió sino una sola vez (en 1580)”.
LA ORTOGRAFÍA CASTELLANA
La primera ortografía es la de Nebrija, publicada en 1517.
Una de las más revolucionarias fue la de Gonzalo Correas (1630) que defendía “Eliminemos, pues, las letras inútiles ‘para ke eskrivamos komo se pronunzia i pronunziemos komo se eskrive, kon deskanso i fazilidad, sonando kada letra un sonido no más’ “. Pero la obra de Correas fue rechazada por el licenciado Juan de Robles por tener tamañas innovaciones.
Es importante notar que el gran período de las disputas ortográficas va de 1580 a 1614.
“Vale la pena notar que las mencionadas ortografías se concentran sobre todo en los treinta y cinco años que van de 1580 a 1614. Estos años son el momento culminante de la revolución fonética de nuestra lengua”.
Los impresores fueron quienes se encargaron de la unificación y conservación de la ortografía en estos tiempos.
LOS DICCIONARIOS CASTELLANOS
Hubo diccionarios importantes desde 1492 como el Diccionario de Nebrija (latín-español) o el Universal vocabulario en latín y en romance de Alonso de Palencia.
Pero, lo más importante y avanzado diccionario con descripción y definición en castellano de las palabras fue el Tesoro de la lengua castellana de Sebastián de Covarrubias Orozco (1611).
“Este inestimable Tesoro, que haría bien en tener al alcance de la mano todo lector de literatura de los siglos de oro, es ya un diccionario moderno, abundante en detalles, en ejemplos, y aun en información enciclopédica. Covarrubias se atuvo fundamentalmente a la lengua castellana hablada en sus tiempos, sin ocuparse gran cosa de la traducción de las voces al latín, pero prestando, en cambio, mucha atención a la etimología”.
LAS SENTENCIAS Y REFRANES CASTELLANOS
Alatorre nos dice que “el número de refranes publicados en los siglos XVI y XVII excede al de gramáticas y de diccionarios”.
En verdad, refranes, apotegmas y adagios tienen en común el servir como de "esmalte de la lengua en la conversación", nos dice el autor.
Mal Lara (1568) en su La philosofía vulgar nos da un buen resumen de la temática: “Mal Lara no sólo pone por encima de la sabiduría libresca la ‘filosofía vulgar’ de estas breves sentencias, que es la más alta, la que vive en el corazón y en la lengua del pueblo, sino que llega a afirmar que ‘antes que oviesse philósophos en Grecia, tenía España fundada la antigüedad de sus refranes’ “.
Bibliografía:
ALATORRE, Antonio. Los 1001 años de la lengua española. Fondo de Cultura Económica. México. 3a edición.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Refeição Cultural 56 - O SOM DO CORAÇÃO
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| foto divulgação do filme |
O som do coração, a música e as vidas
Assisti ao filme “August Rush” ou na versão em português – O som do coração –, filme de 2007. Adorei o filme.
Enquanto você está dentro do filme, viajando, não dá muito tempo de assistir ao outro filme, o da sua vida. Às vezes dá e vamos vendo os dois filmes ao mesmo tempo.
Quando o filme acabou, fui procurar um texto que fiz há quase uma década, onde eu declarava o quanto a música mexia comigo, com meu estado de ânimo, com meus impulsos. Achei o texto. Ele é de 2001, da época em que eu não era sindicalista, porque mudei muito depois de 2002, me freei demais, acho.
Toda a minha vida, ao menos aquela que aparece desde as lembranças mais remotas, toda ela foi perpassada ao som de alguma música ou banda que a marcou. A vida toda, toda a vida. Cada momento feliz, triste, duro... cada momento.
Vou vendo meu filme e lembrando cada fase.
Quando mudei para Uberlândia aos 10 anos e trabalhei em vários serviços braçais e morava em um barracão com meus pais...
Quando gostava de alguma garota...
Quando ouvia rock para estudar matemática sozinho...
Quando brigava com meus pais...
Quando fui embora de casa aos 17 anos...
Quando vim para São Paulo e morei com minha avó e primos...
Quando morei sozinho em vários lugares...
Quando juntei... quando separei... quando escureceu... quando veio a luz...
Sempre houve uma música que marcou certa época da minha vida.
De certa forma, quase não ouvi mais música na última década. Quando raramente ouço, algo em mim aflora e a vontade é de sair fora e sumir por aí. Esse é o receio.
Hoje sou uma pessoa, digamos, formatada socialmente. Cidadão adequado ao contrato social, no que diz respeito à família, porque em relação ao status quo sou sindicalista e quero quebrar toda a ordem burguesa que aí está.
Mas, sou cidadão ordeiro no quesito família e agregados.
De vez em quando, saio para uma introspecção, sozinho, e aí curto um som e curto o silêncio e me ouço. É o que faço quando saio para fazer uma romaria como recentemente em Minas Gerais. Andei um dia e uma noite, ao som de muita música e me ouvi muito.
O que importa, é ouvir o som do coração, porque sem dúvida, se ficarmos em silêncio ou se ouvirmos as músicas que aí estão e que nos dão sintonia, acessaremos o nosso som, o som do nosso coração!
domingo, 5 de setembro de 2010
FLC0383 - Literatura Portuguesa IV
Neo-realismo Português
Leitura do texto DO REALISMO AO NEO-REALISMO (português) de Carlos Reis.
Excertos e comentários:
NEO-REALISMO NÃO É REEDIÇÃO DO REALISMO (português do século XIX)
"Com efeito, só de forma muito genérica e pouco rigorosa pode dizer-se que o neo-realismo é um prolongamento ou uma simples reedição do realismo, tal como o praticaram autores como Balzac, Flaubert e Eça de Queirós, entre outros".
Apesar de ambos focarem a REPRESENTAÇÃO DO REAL, são DIVERSAS AS RAÍZES IDEOLÓGICAS, as PREFERÊNCIAS TEMÁTICAS e as TÉCNICAS LITERÁRIAS utilizadas.
REALISMO
= teria um posicionamento paternalista do escritor que observava a realidade
= teria excessos subjetivos da representação realista apesar da busca por objetividade "quase científica"
NEO-REALISMO
= teria conseguido eliminar o paternalismo referido mas não o subjetivismo.
OBJETIVOS DO NEO-REALISMO por Rodrigo Soares:
"Para o realismo e para o naturalismo a arte deve dar as características naturais das coisas e das pessoas. Para o neo-realismo, a arte deve dar da realidade uma visão social, quer dizer, uma visão em que as características 'naturais' das coisas sejam explicadas pela vida social, pela prática, pelas lutas de interesses, etc"
FORTE DIFERENÇA DE CUNHO IDEOLÓGICO
REALISMO oitocentista = "se ligava, em termos globais, a um pensamento de tipo materialista (positivista, no caso do naturalismo, que foi a sua extensão literária) ou genericamente anti-idealista"
NEO-REALISMO = baseia-se numa concepção marxista do fenômeno literário. "Daí que o escritor comece por afirmar a sua condição de entidade socialmente posicionada e, por isso, sintonizada com os problemas sociais, políticos e econômicos do seu tempo"
O escritor teria uma intervenção sociopolítica à luz dos princípios fundamentais do materialismo histórico.
Essa concepção neo-realista faz com que seja importante a TEMÁTICA como um domínio fundamental nas obras.
TEMÁTICA REALISTA = modo de vida e preocupações da burguesia: usura, adultério, educação, ambição etc.
TEMÁTICA NEO-REALISTA = "os temas mais visados serão aqueles que se ligam ao proletariado e à sua condição econômica: conflito social, alienação e consciência de classe, posse da terra, opressão, decadência dos estratos dominantes, etc"
Bibliografia:
REIS, Carlos. Textos teóricos do neo-realismo português. Seara Nova, Editorial Comunicação, 1981.
Leitura do texto DO REALISMO AO NEO-REALISMO (português) de Carlos Reis.
Excertos e comentários:
NEO-REALISMO NÃO É REEDIÇÃO DO REALISMO (português do século XIX)
"Com efeito, só de forma muito genérica e pouco rigorosa pode dizer-se que o neo-realismo é um prolongamento ou uma simples reedição do realismo, tal como o praticaram autores como Balzac, Flaubert e Eça de Queirós, entre outros".
Apesar de ambos focarem a REPRESENTAÇÃO DO REAL, são DIVERSAS AS RAÍZES IDEOLÓGICAS, as PREFERÊNCIAS TEMÁTICAS e as TÉCNICAS LITERÁRIAS utilizadas.
REALISMO
= teria um posicionamento paternalista do escritor que observava a realidade
= teria excessos subjetivos da representação realista apesar da busca por objetividade "quase científica"
NEO-REALISMO
= teria conseguido eliminar o paternalismo referido mas não o subjetivismo.
OBJETIVOS DO NEO-REALISMO por Rodrigo Soares:
"Para o realismo e para o naturalismo a arte deve dar as características naturais das coisas e das pessoas. Para o neo-realismo, a arte deve dar da realidade uma visão social, quer dizer, uma visão em que as características 'naturais' das coisas sejam explicadas pela vida social, pela prática, pelas lutas de interesses, etc"
FORTE DIFERENÇA DE CUNHO IDEOLÓGICO
REALISMO oitocentista = "se ligava, em termos globais, a um pensamento de tipo materialista (positivista, no caso do naturalismo, que foi a sua extensão literária) ou genericamente anti-idealista"
NEO-REALISMO = baseia-se numa concepção marxista do fenômeno literário. "Daí que o escritor comece por afirmar a sua condição de entidade socialmente posicionada e, por isso, sintonizada com os problemas sociais, políticos e econômicos do seu tempo"
O escritor teria uma intervenção sociopolítica à luz dos princípios fundamentais do materialismo histórico.
Essa concepção neo-realista faz com que seja importante a TEMÁTICA como um domínio fundamental nas obras.
TEMÁTICA REALISTA = modo de vida e preocupações da burguesia: usura, adultério, educação, ambição etc.
TEMÁTICA NEO-REALISTA = "os temas mais visados serão aqueles que se ligam ao proletariado e à sua condição econômica: conflito social, alienação e consciência de classe, posse da terra, opressão, decadência dos estratos dominantes, etc"
Bibliografia:
REIS, Carlos. Textos teóricos do neo-realismo português. Seara Nova, Editorial Comunicação, 1981.
sábado, 4 de setembro de 2010
Videoclipe Romaria 2010 ao som de Pink Floyd "Take it back"
Montei um videoclipe com as imagens que fiz de minha Romaria deste ano.
Eu não sabia mexer nem com programas de fazer vídeos e nem com postagem de vídeos na internet.
Vendo o vídeo pronto, até que dá para ter uma ideia do que é a caminhada de um dia lá em Minas Gerais, Brasil.
E aproveitei para pôr uma música do Pink Floyd, banda que gosto, mas que ainda tenho muito por conhecer.
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