domingo, 29 de junho de 2014
Viver pela essência ou pela aparência das coisas?
Refeição Cultural
A dureza da tarefa de despertar as pessoas levadas ao sabor da ideologia da classe dominante
Um dos grandes empecilhos para uma vida melhor e sensação maior de felicidade nas sociedades contemporâneas é definir o que serve o que, ou melhor dizendo, se as pessoas servem às coisas ou se as coisas servem às pessoas.
É um pouco da velha discussão da natureza ontológica do ser e das coisas.
Um relógio deveria servir para ver a hora naquela posição geográfica em que a pessoa está, para saber se situar entre o passar de um dia no planeta Terra. O mesmo para as roupas que deveriam servir para tapar a nudez das pessoas.
Um aparelho telefônico, grande invento humano, deveria servir para fazer e receber ligações e falar com as pessoas não presencialmente. Depois foi possível também escrever mensagens substituindo a própria voz... Mas a natureza ontológico do telefone segue sendo falar com as pessoas não presencialmente.
Eu não tenho nada contra a moda, modismo, estilos etc. Mas é deprimente as pessoas viverem em função das coisas e não o inverso, colocando as coisas no seu devido lugar ontológico.
No mundo totalitário do capitalismo, hegemônico na sociedade humana, existe uma construção ideológica que transformou tudo em mercadoria e estabeleceu uma lógica de que só se é alguém ou alguma coisa só tem valor se tiver valor econômico e for passível de ser propriedade de alguém para se medir em relação às propriedades de outro alguém.
Um tênis não é uma coisa que se põe nos pés para praticar atividade física ou para proteger o pé do contato com os diversos tipos de solo. A roupa tem que ter combinações e marcas, muitas marcas, senão não serve para nada.
Praticar atividades físicas poderia ser uma forma fundamental de dar longevidade às pessoas, ou seja, melhorar suas condições cardiorrespiratórias, melhorar os aparelhos digestórios, circulatórios e outras melhorias várias na saúde dos seres humanos. Ao invés disso, praticar esportes na sociedade em que estamos é para ficar no modelo estético determinado pela ditadura da moda e estética que transforma as pessoas que não se encaixam no "padrão" em pessoas feias, derrotadas, meio monstros, e horrores do gênero (não concordo com esses conceitos do sistema). Muitas pessoas para buscarem escapar desse massacre, se submetem a processos cirúrgicos perigosos à própria vida e ou a dietas que transformam a vida dessas pessoas (não necessariamente com ganho de saúde).
Então chegamos à atualidade onde as pessoas vivem em função de estampar no peito ou na cabeça uma marca de uma empresa onde o dono ganha bilhões e bilhões de dinheiros. A pessoa não ganha nenhum centavo para fazer a propaganda e márquetim para o dono da marca. Pior, a marca fabrica aquelas coisas que vestem o corpo e a cabeça das pessoas usando mão de obra escrava e destruindo seres humanos em diversas partes do mundo... Não tem problema, as pessoas se acham o máximo usando aquela porcaria!
Isso vale para qualquer coisa. Carro não é feito para transportar as pessoas, é feito para exibir a posição na escala social em que aquele ser está situado. O mais comum é termos várias pessoas que mentem socialmente sua posição na escala social para exibir posses não condizentes com os ganhos auferidos pela venda de sua força de trabalho ao dono do capital. Mas o indivíduo está tão cego que ele defende os interesses do seu quase dono, o capitalista...
É uma loucura! É uma loucura para aqueles que conseguem despertar desse sono profundo, mas que veem ao seu redor a multidão de pessoas que continuam defendendo a lógica dos donos do capital e dos meios de produção e de lavagem cerebral nos explorados, através das empresas de comunicação desses donos do capital, e lá vai a roda funcionando.
Isso foi um pouco do que refleti ao sair para correr uns 7 km em 46 minutos neste domingo. Estava chateado com essa coisa das pessoas viverem em função das coisas e não o inverso, as coisas servirem às pessoas.
É isso!
William
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William Mendes
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Copa do Mundo de Futebol no Brasil
Refeição cultural
Copa do Mundo de Futebol no Brasil
Eu não uso
comentar muito coisas do futebol, mas vou expressar a minha opinião aos amigos
e leitores do Blog - direto de "long beach" (Praia Grande SP) após
assistir aos jogos da Colômbia e do Uruguai... (dá-lê, América do Sul!)
Faz muitos anos que torço contra o time da CBF (que oficialmente é o time da seleção brasileira). Isso por causa do antro de corrupção e desmandos que são há dezenas de anos as coisas do futebol... séculos 19, 20 e 21 pelo menos... FIFA, CBF, clubes de futebol... parece que as pessoas se esquecem que o evento é privado e visa lucro dos donos... apesar da paixão inexplicável que carrega... rimos, choramos e brigamos pelo nosso time de futebol (alguns matam)... sejamos de esquerda, direita, conservadores, liberais, progressistas, religiosos, intelectuais e letrados, gente simples etc etc.
Como acredito que a vida em sociedade é política pura, inclusive os eventos culturais, não poderia ser diferente com o evento Copa do Mundo de Futebol no Brasil. (olha, não vou nem dizer o que acho dessas posições "políticas" de quem se diz ser apolítico, neutro, imparcial, isento (essa é ótima) não ligar pra política etc... como se o/a ser fosse um baobá no deserto...)
Faz muitos anos que torço contra o time da CBF (que oficialmente é o time da seleção brasileira). Isso por causa do antro de corrupção e desmandos que são há dezenas de anos as coisas do futebol... séculos 19, 20 e 21 pelo menos... FIFA, CBF, clubes de futebol... parece que as pessoas se esquecem que o evento é privado e visa lucro dos donos... apesar da paixão inexplicável que carrega... rimos, choramos e brigamos pelo nosso time de futebol (alguns matam)... sejamos de esquerda, direita, conservadores, liberais, progressistas, religiosos, intelectuais e letrados, gente simples etc etc.
Como acredito que a vida em sociedade é política pura, inclusive os eventos culturais, não poderia ser diferente com o evento Copa do Mundo de Futebol no Brasil. (olha, não vou nem dizer o que acho dessas posições "políticas" de quem se diz ser apolítico, neutro, imparcial, isento (essa é ótima) não ligar pra política etc... como se o/a ser fosse um baobá no deserto...)
Feliz com o sucesso do evento no
Brasil
Estou muito feliz com o sucesso da Copa no Brasil! Os estádios são lindos! As partidas de futebol estão num nível impressionante! Nosso país está fazendo bonito (como sempre acreditei que faria bonito - a esperança e a razão venceram o medo, de novo!) porque o Brasil é primeiro mundo!
É aqui que
tem emprego, é aqui que se aumenta e constrói universidades públicas, é aqui
que se distribui renda do trabalho há mais de uma década (sem um ditador de
esquerda ou direita), é aqui que se vive inclusive a tal da "liberdade de
expressão" disfarçada de "liberdade de publicação" (da imprensa
golpista que passa 25 horas por dia destruindo toda a beleza de avanços que o Brasil
conseguiu)... como diz o professor Nicolelis (numa aula inaugural da UNB
falando do impossível)- o antigo
primeiro mundo ruiu, foi pro saco, depois da crise de 2008! (e tem gente que
acha legal ficar falando merda de nosso país!)
Por isso, por essa construção desgraçada que a oposição e a imprensa fizeram de que a Copa seria o caos, que o Brasil era um Iraque, uma Ucrânia... que eu estou torcendo muito pra seleção da CBF - vulgo seleção brasileira - e para os países hermanos!!!! (porque até agora, dos sul-americanos, os que jogaram pior foram Brasil e Argentina).
Temos problemas importantes pra resolver como qualquer grande país do mundo na área de educação, saúde, transportes, segurança etc. O nojo que dá é ver trabalhadores e gente "esperta" sendo manipulada por meia dúzia de donos de TV e jornais dizendo que o Brasil é uma merda! Merda é essa pequena burguesia e oposição que não gostaram de ver o povo ascender e frequentar aeroportos (que estão melhorando mesmo!), ver o povo em restaurantes, viajar pra Nova Iorque ou Orlando nas férias proletárias... ter carros na garagem da casa própria...
O governo do Partido dos Trabalhadores, principalmente o Lula da Silva, conseguiu a façanha de acabar com o complexo de vira-latas do povo brasileiro construído em 5 séculos de dominação e exploração estrangeira, inclusive com os seus descendentes seculares que vivem de renda (sugando o Estado) e que são donos dos veículos de comunicação. A estratégia da direita midiática e da oposição ao governo do PT é convencer o povo que o Brasil seria lixo... é destruir a autoestima do povo, que passou a ter autoestima durante os últimos anos. (isso é política, stupid!)
É por isso que se criou o conceito recente que ter Copa é ruim, é merda! No entanto, todos os países do mundo querem a Copa... porque qualquer grande evento gera renda, gera emprego, gera divisas para o país ou cidade que organiza, gera dinamismo na economia por muitos anos (antes, durante e depois)... (será que tem que desenhar?) Ah, mas teve superfaturamento... sei, sabemos... a culpa não é da elite empresarial branca... porque ela é super-santinha!!!!!!!!
Os espertos que se consideram classe média (porque têm algum negócio de pequeno e médio porte ou são funcionários públicos - quase extintos sob governos tucanos) acham que são espertos em replicar e papaguear as merdas que o Jornal Nacional, Veja, Folha e Estadão falam de mal do Brasil e do governo... sinceramente, não são espertos... esse pessoal (ou os pais deles) quebraram nos anos 90 sob administrações dos tucanos (PSDB) e agora se acham espertos... francamente!
Chega vai... senão eu exagero! Bom feriado a tod@s e viva a Copa do Mundo no Brasil... tá muito legal e muito bonito!!!!!
Vai ter copa!!!!!!! Tá tendo Copa!!!!!!! Tá lindo e o povo brasileiro merece!!!! E os turistas também!!!!!!
Dá uma vontade de falar "chupa imprensa golpista!!!"... mas não vou falar não (kkkkkkk).
Por isso, por essa construção desgraçada que a oposição e a imprensa fizeram de que a Copa seria o caos, que o Brasil era um Iraque, uma Ucrânia... que eu estou torcendo muito pra seleção da CBF - vulgo seleção brasileira - e para os países hermanos!!!! (porque até agora, dos sul-americanos, os que jogaram pior foram Brasil e Argentina).
Temos problemas importantes pra resolver como qualquer grande país do mundo na área de educação, saúde, transportes, segurança etc. O nojo que dá é ver trabalhadores e gente "esperta" sendo manipulada por meia dúzia de donos de TV e jornais dizendo que o Brasil é uma merda! Merda é essa pequena burguesia e oposição que não gostaram de ver o povo ascender e frequentar aeroportos (que estão melhorando mesmo!), ver o povo em restaurantes, viajar pra Nova Iorque ou Orlando nas férias proletárias... ter carros na garagem da casa própria...
O governo do Partido dos Trabalhadores, principalmente o Lula da Silva, conseguiu a façanha de acabar com o complexo de vira-latas do povo brasileiro construído em 5 séculos de dominação e exploração estrangeira, inclusive com os seus descendentes seculares que vivem de renda (sugando o Estado) e que são donos dos veículos de comunicação. A estratégia da direita midiática e da oposição ao governo do PT é convencer o povo que o Brasil seria lixo... é destruir a autoestima do povo, que passou a ter autoestima durante os últimos anos. (isso é política, stupid!)
É por isso que se criou o conceito recente que ter Copa é ruim, é merda! No entanto, todos os países do mundo querem a Copa... porque qualquer grande evento gera renda, gera emprego, gera divisas para o país ou cidade que organiza, gera dinamismo na economia por muitos anos (antes, durante e depois)... (será que tem que desenhar?) Ah, mas teve superfaturamento... sei, sabemos... a culpa não é da elite empresarial branca... porque ela é super-santinha!!!!!!!!
Os espertos que se consideram classe média (porque têm algum negócio de pequeno e médio porte ou são funcionários públicos - quase extintos sob governos tucanos) acham que são espertos em replicar e papaguear as merdas que o Jornal Nacional, Veja, Folha e Estadão falam de mal do Brasil e do governo... sinceramente, não são espertos... esse pessoal (ou os pais deles) quebraram nos anos 90 sob administrações dos tucanos (PSDB) e agora se acham espertos... francamente!
Chega vai... senão eu exagero! Bom feriado a tod@s e viva a Copa do Mundo no Brasil... tá muito legal e muito bonito!!!!!
Vai ter copa!!!!!!! Tá tendo Copa!!!!!!! Tá lindo e o povo brasileiro merece!!!! E os turistas também!!!!!!
Dá uma vontade de falar "chupa imprensa golpista!!!"... mas não vou falar não (kkkkkkk).
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Refeição Cultural
sábado, 14 de junho de 2014
Filme: A culpa é das estrelas - Reflexões...
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| Poster do filme. |
Refeição Cultural
Fiz algo raro atualmente devido à falta de tempo e excesso de trabalho: fui ao cinema com minha esposa assistir ao filme que aborda a questão do câncer em crianças e adolescentes. O filme é muito bonito, emotivo, mostra a dura realidade da contemporaneidade e nos coloca a pensar - pelo menos foi o que aconteceu comigo durante todo o filme e após também.
Foram tantas coisas que se passaram por minhas reflexões acerca da vida e da morte, do amor e ódio, do que vale a pena. Fiquei pensando no que eu e nós todos estamos fazendo no que diz respeito ao mundo que estamos construindo (ou destruindo) e pensei muito a respeito das relações sociais.
A vida humana pode ser bela e bem assistida, se a inteligência humana for (fosse) utilizada para o bem coletivo. O ser humano é a coisa mais fantástica que existe no planeta. Eu não tenho dúvida disso. Cada pessoa é um universo de possibilidades, basta oportunidades iguais. Se houver condições materiais, culturais e educacionais é possível se alcançar um bom grau de felicidade ou satisfação em viver.
Alcançado este estágio em uma determinada sociedade, poderíamos dedicar o nosso tempo e a nossa psique para lidar melhor com questões que estão fora de nosso alcance como, por exemplo, as catástrofes naturais e as doenças que acometem os seres humanos.
Ao ver a história dramática dos adolescentes Hazel e Augustus (Gus), bem como dos demais jovens com diversos tipos de câncer, não tive como evitar pensar na vida que está levando uma grande parte dos jovens em nosso mundo contemporâneo. A mim me parece quase uma vida de faz de conta, um fake do que poderia ser a vida real. Aliás, a vida que os jovens estão levando também tem relação com a tecnologia e com a ideologia que move o mundo (ideologia da classe dominante do poder econômico e de produção material e intelectual geral).
A casca, a imagem é tudo. A roupa, o boné, o eu-mesmo-S.A.-e-dane-se-o-resto... são assustadores!
Mas também fiquei pensando muito nos valores que têm balizado a relação humana. Ao invés do respeito e da tolerância ao outro e ao diferente, da busca de consensos para se construir coisas boas ou achar objetivos coletivos comuns, o que temos é a pregação do ódio, da eliminação do outro ou da posição diferente, da prevalência absoluta do pessoal e individual sobre o bem comum.
No meio desta guerra instalada em nosso meio estão pessoas, seres humanos carentes de atenção, amor, um gesto de respeito e fraternidade.
Cinema, filmes, músicas, pinturas e arte em geral são feitos humanos para nos despertar instantes de reflexão, para emocionar, para sentir, para divertir e dar prazer. Os gregos já faziam teatro há milhares de anos para se atingir a catarse com a exponenciação dos defeitos e dos vícios nas tragédias e nas comédias... as pessoas saíam diferentes das apresentações. Este filme gerou em mim essas ações e sensações.
Eu vivi um período muito duro em minha vida neste semestre. Vivi sensações de amor e ódio exponenciadas e isso me afetou profundamente, mesmo contra a minha vontade. Mas eu busquei em mim uma energia profunda para estar agora em uma nova tarefa determinada pelos trabalhadores que represento. Estou de coração aberto para fazer a vida valer a pena, principalmente de forma coletiva. Estou em novos espaços disposto a buscar consensos em prol do bem comum, sem perder o foco do que represento e dos projetos que devo defender.
Vendo uma história que aborda jovens lutando para viverem e serem felizes, mesmo com o acaso determinando o oposto, me peguei refletindo e penso que estou no caminho correto em buscar apagar os rancores e não perder o rumo das coisas boas que quero fazer para ajudar a coletividade e fazer a vida humana valer a pena. Não quero saber de desânimo e negativas preguiçosas dizendo que "isso não é possível..." ou coisas do gênero.
O filme atinge a cada um de uma maneira. Meu contexto me fez sentir que temos que trabalhar para o mundo ser um lugar melhor, com estrutura social pública e coletiva para as demandas gerais dos seres humanos a fim de termos um foco de atenção constante às questões de saúde porque sem saúde a vida é muito, mas muito mais difícil do que em qualquer outra circunstância.
É isso!
PS: a passagem do filme por Amsterdam e a casa onde ficou escondida a família de Anne Frank até serem pegos pela Gestapo é um momento de muita emoção!!!!
PS2: os momentos de silêncio e de olhares entre Hazel e Gus, a descoberta do amor, a superação e companheirismo nos momentos de dor e sofrimento são cativantes para todos nós.
PS3: fiquei pensando também na questão das marcas e da história que deixamos em nossa passagem pela vida. Espero estar fazendo o meu papel tanto para as pessoas que amo quanto para a coletividade.
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domingo, 1 de junho de 2014
Cassi - Novas tarefas pela frente na representação dos trabalhadores
Refeição Cultural
Neste mês de junho de 2014 começo uma nova função de representação da classe trabalhadora. Serei diretor de Saúde e Rede de Atendimento na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi).
Terei uma vida tão atribulada quanto já tinha em minhas tarefas no movimento sindical como secretário de formação da Contraf-CUT e como coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil.
Vou me dedicar com muita gana e muita responsabilidade em melhorar a gestão de nossa Cassi e trabalhar para que a nossa entidade consiga atuar melhor na prevenção das doenças, no atendimento aos associados e na busca pela Atenção Integral à Saúde de nossos trabalhadores e suas famílias.
Este blog de cultura sempre foi desde o seu nascedouro a minha válvula de escape para a dimensão humana que fica em segundo plano quando estamos constantemente focados e tensos na luta de classes. Aqui reflito sobre literatura, cultura em geral e faço comentários sobre a vida, o dia a dia, esportes e saúde, filmes, dentre outras áreas da cultura.
Não pretendo abandonar este Refeitório Cultural nunca. Mesmo que o tempo seja escasso. Vamos ver como fazemos para seguir escrevendo este meu livro on line.
Afinal de contas, se eu não cuidar de minha saúde integral, o que inclui minha condição física e minha psique, eu não estarei disponível para lutar pelo que acredito.
É isso. Vamos dormir umas quatro horas e madrugar para uma nova fase de minha vida.
William Mendes
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Lula, o filho do Brasil - Aula de comunicação sindical
| Esse trabalhador metalúrgico usou muito da criatividade para organizar, mobilizar e trazer as massas para a luta sindical. |
Capítulo: "E Luiz Inácio tornou-se Lula" parte III
COMUNICAÇÃO
Aqui nesta postagem sobre este capítulo do livro em que Denise Paraná entrevistou Lula em 1993 vai agora uma aula de como lidar com os trabalhadores nos locais de trabalho, como ser criativo para mudar hábitos e costumes de uma instituição que já não corresponde aos anseios de seus representados.
Lula vira presidente do sindicato dos metalúrgicos entre 1975 e 1981 e decide dar uma chacoalhada na diretoria e no dia a dia do sindicato. Leva a diretoria para a porta das fábricas, começa a fazer assembleias ali mesmo, percebe que ninguém lia o boletim sindical, mas o boletim era horrível, não aguçava a curiosidade do trabalhador em querer lê-lo.
Na atualidade (2014) vivemos algo muito parecido. Estamos hoje no mundo da rede mundial de computadores, a internet, e apesar de todo mundo viver plugado ou conectado como dizem, a classe trabalhadora é extremamente mal informada e, pelo contrário, é fortemente influenciada pela comunicação hegemônica da mídia dos donos do capital. Aliás, existe uma construção social do capital para que os trabalhadores odeiem ou não liguem para os seus sindicatos de categoria.
Hoje vivemos um contexto em que ninguém quer ler nada que tenha mais que alguns toques ou linhas de texto. O mundo é o da imagem, é o do vídeo curto. As pessoas leem através de telas de celulares.
O desafio do movimento sindical CUTista ou mesmo o meu desafio a partir do início do meu mandato como diretor eleito de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), entre junho/14 a maio/18, é criar interesse na comunicação e no conteúdo do que informamos aos nossos representados.
Por outro lado, não podemos também deixar de incentivar leituras mais formativas para a classe trabalhadora. Eu faço mea culpa porque não produzo textos curtos. Na Contraf-CUT, por exemplo, faço textos bem completos porque o leitor principal deveria ser o dirigente sindical - são milhares no Brasil. O texto da confederação é informativo e formativo.
Enfim... este blog de cultura, por exemplo, é lido por poucas pessoas... há anos. Mas não tem problema, nunca busquei neste espaço volume e sim qualidade nos leitores.
Com a palavra, Lula da Silva:
SINDICATO MUDOU LINGUAGEM E FOI PRA PORTA DAS FÁBRICAS
"A eleição de 1978 foi muito importante porque a gente estava realmente com um pique muito interessante no sindicato. Nós já tínhamos inclusive mudado a linguagem do sindicato. A gente já não ficava mais esperando o trabalhador vir no sindicato para fazer assembleia. A gente ia para a porta de fábrica de manhã, de tarde e de noite fazer assembleia. Ao invés de fazer aqueles boletins chatos, a gente fazia história em quadrinhos, que era para o trabalhador ler."
TRABALHADOR JOGAVA BOLETIM FORA SEM LER
"Eu fui um dia numa porta de fábrica e eu descobri... A gente pegava o boletim e entregava para o trabalhador e o trabalhador jogava fora. Não é que ele jogava fora na hora. Eu percebi que ele andava um pouco com o boletim na mão e depois jogava fora. Então eu peguei o boletim e fui andando e lendo para ver se dava tempo de terminar de ler até onde ele chegava (carregando o boletim, antes de jogar fora). E não dava tempo para acabar de ler. Ele só esperava ficar um pouco distante da gente para jogar fora. Ou seja: o boletim não trazia nenhuma esperança para ele, não trazia nenhuma motivação para ele.
O que nós começamos a perceber? Primeiro, a gente fazia um boletim [e perguntava]: 'O que que a gente queria? Queria convocar uma assembleia para o dia 24, por exemplo. Para que horas? Para as 19 horas. Só que isso a gente não dizia no começo, a gente dizia no final. Então para o cidadão saber que hora era a assembleia, o dia e o local ele tinha que ler o boletim inteiro. Como ele não estava habituado a ler, ele não lia. Jogava fora. Não ficava nem sabendo nem do dia, nem da hora, nem do objetivo do boletim."
COMECE DIZENDO O QUE QUER COMUNICAR AOS TRABALHADORES
"Eu fui andando atrás e percebi que não dava tempo de ler. Eles jogavam fora. Aí então nós resolvemos: primeiro, o que nós queremos dizer para o cara? Nós não queremos entregar boletim por entregar. Nós queremos dizer que tem uma assembleia. Então isto tem que estar em primeiro lugar no boletim. Segundo lugar: para ele ir na assembleia ele tem que saber o dia e o local, então nós temos que colocar: 'Dia tal, assembleia no sindicato às 19 horas'. Aí, embaixo, a gente coloca o assunto, porque se ele se interessar pela assembleia ele vai se interessar pelo assunto."
"DENISE: Seu sindicato tinha jornalistas contratados para fazer o boletim oficial da entidade. Eram profissionais. Descobrindo os furos de comunicação existentes no jornal, você acredita que 'deu um baile' nos jornalistas?
LULA: [rindo] Não. Foi só uma questão de constatação. O jornalista pode ficar dentro do sindicato... Não sei se por falta de hábito, às vezes não sai para ver se estão lendo o que ele escreve. O que eu sei é que isso era um equívoco nosso. Até hoje tem algumas coisas assim. Você pega o boletim do sindicato e o objetivo está colocado lá no final. A coisa principal é dita somente quando o cara já enjoou de ler."
COMENTÁRIO DO SINDICALISTA WILLIAM
Depois fui cuidar do Complexo São João (2004/05), com 22 dependências do BB e mais de 1.500 bancários. Também chamava a atenção do bancário ao invés de só deixar a Folha na mesa. Digo a vocês que o retorno é muito bom e dali surge o diálogo e a formação sindical para ambos - o dirigente e o trabalhador.
HISTÓRIA EM QUADRINHO - PERSONAGEM JOÃO FERRADOR
"E aí nós resolvemos fazer a história em quadrinhos. Vamos ver se a gente consegue despertar no povo o interesse de ler alguma coisa! O João Ferrador já existia. Mas ele não existia como história em quadrinhos, ele existia só enquanto personagem. Então ele virou uma espécie de 'Monica' dos metalúrgicos. Tudo o que a gente queria fazer girava em torno do João Ferrador. Artigos, editoriais... Nós começamos a bolar uma espécie de gibizinho, história em quadrinhos, para contar as coisas. Tivemos a participação do Laerte, do Henfil, foi muito importante. Tem até um material bom (que eu quero que você veja) que foi a cartilha que nós produzimos no III Congresso dos Metalúrgicos. Foi uma coisa fantástica, isso revolucionou a forma de ser do pessoal."
FAZENDO A CATEGORIA LER
"Nós ainda criamos uma coisa, isso foi sugestão do companheiro Gilson Meneses, em 1976. Nós sabíamos que o trabalhador não podia ler jornal porque não tinha dinheiro para comprar jornal. Então o máximo que ele fazia era ler as manchetes dos jornais pendurados nas bancas. A pedido do Gilson, a gente criou uma coisa chamada Boletim Diário em que a gente fazia em uma ou duas páginas um xerox das matérias mais importantes, a gente rodava [esse material] e os dirigentes levavam para dentro das fábricas. Então a gente estava reproduzindo aos milhares as notícias de jornal que nos interessavam...
E naquele tempo as empresas não deixavam o material entrar, então os trabalhadores amarravam na meia, na barriga, para entrar dentro da fábrica. E distribuíam milhares de materiais. Foi uma coisa muito importante também, foi uma coisa que... Na verdade a gente estava fazendo os trabalhadores lerem os jornais, mas era uma coisa em que nós estávamos dando uma certa direção. Era uma coisa bem-feita, que também mexeu muito com a categoria."
COMENTÁRIO DO SINDICALISTA WILLIAM:
A criatividade aqui no fazer o trabalhador ler foi fantástica. Reparem que os jornais da época já eram das mesmas famílias de hoje (alguns fecharam e eram melhores), mas a ideia de fazer clipping com assuntos de interesse dos trabalhadores foi muito importante. Quando chegou a campanha salarial de 1978, o pessoal estava bem mais informado e mais politizado pelo sindicato.
Outra coisa: olha como é engraçado. Na atualidade, o Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.) atua com a ideia de criar pauta e influenciar os trabalhadores a as massas com a criação de títulos e manchetes porque sabe que muito pouca gente lê as matérias em si. Então criam páginas e rostos nos jornais e nas revistas (nas bancas) e nos sites e páginas virtuais com manchetes escabrosas contra o governo do PT e contra os movimentos sociais e temos que alertar nossos trabalhadores contra essa lavagem cerebral e desinformação.
BASE E CONTATO COM TRABALHADORES - E como podemos fazer isso? Antes de mais nada, só é possível fazer algo se estivermos em contato com os trabalhadores... básico, não?
Temos que combater a pauta manipulada da grande imprensa da direita com informação de qualidade fornecida por nós que temos o viés da classe trabalhadora. Não é impossível, é só ter inventividade, algumas técnicas e gana em comunicar.
É isso! Espero estar contribuindo com os dirigentes sindicais e alguns militantes sociais e leitores que gostam do tema comunicação e que estão engajados nas lutas por um mundo mais justo e solidário.
William
Bibliografia:
PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
Corrida do 1º de Maio - VI Desafio do Trabalhador
| Olha minha medalhinha da corrida dos trabalhadores em Osasco. |
Refeição Cultural
Depois de três dias trabalhando em Brasília (DF), cheguei tarde ontem à minha querida cidade de Osasco (SP) e, hoje bem cedinho, levantei-me para fazer uma coisa muito prazerosa: participar da corrida do trabalhador em homenagem ao 1º de Maio.
A corrida é promovida pela Prefeitura Municipal de Osasco em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, que inscreve 700 bancários sindicalizados. A prova contou com a participação de mais de dois mil corredores e caminhantes. Ela tem um percurso completamente plano, agradável e não teve nenhum problema de organização, não faltou água e correu tudo bem.
Corri 8 k em 50 minutos e para a minha condição física atual, fiquei muito feliz com a minha performance. Tenho tido muita dificuldade de rotina de treinamento em corrida já faz tempo, porque nosso mandato sindical é sempre de viagens. Adotei a alternativa - não ideal - de correr aos finais de semana um longa (longa pra mim). Fui fazendo isso nas últimas semanas, mesmo durante aquele período em que viajei de segunda a sexta pelo país em campanha pelas eleições da Cassi.
O treinamento que adotei deu certo porque nas últimas semanas acabei correndo entre 30 a 70 minutos, num ritmo de 7 minutos o Km e meu corpo foi suportando o aumento de percurso aos poucos. Na prova de hoje fiz o Km em 6'15". Olha, estou muito feliz com isso!
Não fui para as atividades da CUT em homenagem e reflexão sobre o 1º de Maio. Primeiro, porque o esforço físico e a concentração que fiz não me permitiria muitas horas fora de casa; segundo, porque sempre faço uma opção no movimento de luta que participo de estar com a família os poucos minutos em que tenho possibilidade, já que não é fácil levar uma vida de grande ausência em casa.
O pessoal mais próximo já sabe que, em geral, eu opto por estar com a família em casa ao invés de participar das atividades mais sociais (festas, confraternizações, cervejadas etc). Explico, minha família não é do movimento e ir sozinho é ter menos tempo ainda com ela.
1º de Maio - Dia d@s Trabalhadores
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| Atividade do 1º de Maio da CUT e demais centrais no Vale do Anhangabaú SP. Foto: Vitor Nuzzi, da RBA. |
Faço rápido comentário porque há excelentes textos nos sites progressistas como Carta Maior, Carta Capital, CUT, Rede Brasil Atual, dentre outros sites com o viés da classe trabalhadora, e com ponto de vista diferente da lavagem cerebral e da palhaçada que são os veículos de comunicação do P.I.G. das famílias midiáticas bilionárias do país (Marinho/Globos, Civita/Abril, Frias/Grupo Folha, Mesquitas/Estadão e porcarias do gênero) que fazem a vez de oposição partidária ao governo do PT já que os partidos de oposição são totalmente incompetentes e não têm programa algum ou não têm coragem de dizer que o programa deles é foder a classe trabalhadora e o povão (Desculpem, mas não tem palavra mais clara).
O 1º de Maio no mundo foi de luta e de reflexão do momento mundial de crise no emprego, nos direitos sociais para a classe trabalhadora e nos valores da democracia, da liberdade e da igualdade. Há um desemprego em massa nos países do mundo. No Brasil governado pelo Partido dos Trabalhadores não há...
Engraçado né! Existem problemas verdadeiros em nosso país como crise na segurança pública (que é responsabilidade principal dos Estados); temos o eterno problema em melhorar a saúde pública através do SUS - que é um Sistema Único de Saúde previsto na Constituição Federal de 1988 e que prevê atenção integral à saúde para a população. No entanto, o SUS tem muitos problemas porque os liberais vivem tirando ou desviando recursos deste setor para pagar juros aos rentistas (MAS não existe saúde pública gratuita, por exemplo, nos EUA e os capitalistas estão destruindo a que existe na Europa, em nome dos rentistas).
Bom, como disse no início, tem bons artigos nos sites progressistas para reflexão política sobre o 1º de Maio de 2014 no Brasil - governado nos últimos 12 anos pelo governo democrático e popular de coalizão liderado pelo PT - e o 1º de Maio no mundo, onde se esfacelam os direitos sociais e o emprego, principal fonte de cidadania e direitos sociais da classe trabalhadora.
Falo isso porque este é um ano de eleições em outubro e não há ninguém nem nada isento, neutro, imparcial ou bobagem parecida. Tudo são interesses e eu espero que vocês tenham posição política e participem porque já tenho visto conhecidos, leitores, colegas representados por mim e amigos dizendo que "estão de saco cheio de toda a nojeira da política e que vão votar nulo"... É tudo o que a direita e os rentistas querem... gente bem despolitizada, ou politizada mas muito frustrada, e a juventude e as novas classes B, C, D e E "não participando" da política!
É importante que aqueles e aquelas que têm mais de 30 anos falem aos mais jovens o que é viver num país sem emprego e sem perspectivas como era aquele que nós da casa dos 40 anos ou mais vivemos nos anos 90, 80 e 70. País que na época estava sob as administrações golpistas dos militares (com a elite) nos anos oitenta e setenta e estava sob administração dos partidos hoje claramente de direita PSDB, DEM, PPS da atual oposição ao governo federal sob administração do Partido dos Trabalhadores entre 2003/14. Inclusive parte do PMDB que é partido aliado ao projeto atual está sempre com a oposição.
Já disse algumas vezes, tenho muitas críticas à pusilanimidade do PT em não enfrentar com mais firmeza essa corja do P.I.G. - Partido da Imprensa Golpista - e dos rentistas, mas eu não sou alienado politicamente para não saber a diferença dos DOIS projetos que estarão em jogo nas eleições 2014. A oposição está defendendo redução de salários, corte nos empregos, privatizar e desfazer o Estado Nacional novamente (o que sobrou dos anos 90 e que foi revigorado nestes 12 anos de PT) e coisas do gênero... Fala sério!
Quem são os pulhas da oposição e do P.I.G. para falar da Petrobras que já estaria privatizada em mais um crime de lesa pátria como foi a doação da Vale, das elétricas, da Embraer etc. Quem são esses pulhas?
É isso!
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domingo, 27 de abril de 2014
Lula, o filho do Brasil - Fazer política aberta e com a massa
Capítulo: "E Luiz Inácio tornou-se Lula" parte II
Aqui vou destacar as inovações que Lula trouxe para o Sindicato dos Metalúrgicos quando lá chegou nos anos 70. Primeiro Lula entrou no sindicato e depois virou presidente em 1975 e foi reeleito em 1978.
O contexto da época era de Ditadura Civil-Militar desde 1964. Recessão pesada para a classe trabalhadora. Salários de miséria que não davam sequer para alimentar a família. Frei Chico era do Partidão e Lula não tinha envolvimento com correntes políticas.
Se, por um lado, há um exagero do Lula em falar pra fazer tudo aberto e público quando os milicos e DOI-CODI e DOPS estavam de olho, por outro lado, a crítica que o Lula faz é ao modo dos comunistas e classistas de fazer tudo em cúpula ao invés de fazer o diálogo aberto e franco com a massa.
"E aí na minha cabeça começou a vir a seguinte questão: qual era a lógica de prender um cara como o Frei Chico? Qual era a lógica de prender um trabalhador pelo simples fato de ele ser contra as injustiças sociais do país? E aí, quando eu fiquei sabendo que o Frei Chico tinha sido torturado, tinha sido massacrado, aí deu até uma revolta por dentro! Um pai de família, um cara que trabalhou desde os 10 anos de idade, se ferrou a vida inteira, um cara que não tinha nada a não ser a família dele e as ideias dele, de repente chega um troglodita de um milico qualquer e manda prender esse cara? E tortura esse cara? Em nome do quê? Em nome de que ordem? Isso me criou uma revolta interior!"
"Aí eu passei a não ter medo mais. Porque se eu tivesse que ser preso pelo que eu pensava, então que eu fosse!"
DAR PUBLICIDADE, CONVERSAR COM A MASSA
"Denise: Você soube de detalhes da tortura sofrida pelo Frei Chico?
Lula: Ele me contou. Agora eu também fiquei puto com o Frei Chico. Porque o cara era vice-presidente de um sindicato, tudo o que eu fazia em São Bernardo ele poderia fazer em São Caetano. Faz uma assembleia e fala as coisas na frente de 500 pessoas, na frente de mil pessoas, na frente de 2.000! Ele não, ele preferia fazer reuniãozinha no fundo do quintal, com duas pessoas e de preferência numa sala escura para ninguém ver. Sabe aquela mania de perseguição política? Eu falava: 'Faz as coisas abertas, Frei Chico! Faz a coisa aberta: abre o salão do sindicato, convoca mil trabalhadores e esculhamba com quem tiver que esculhambar! Pelo menos, se der alguma coisa, todo mundo está vendo por que você está sendo preso'. Eu tinha divergência com ele por isso. Eles gostavam de uma reunião escondida. Eu não gostava."
FAZER AS COISAS ABERTAMENTE AJUDOU FORMAÇÃO DE LULA
"Um dia, o pessoal da oposição lá de São Bernardo me convidou para uma reunião na casa de um companheiro. Era a casa do Mário Ladeia, que depois foi vice-prefeito de São Bernardo. A gente estava reunido de noite, todo mundo assustado. Aí de repente vem um carro e pára perto do portão. Aí tem sempre alguns doentes mentais e começam: 'É a polícia! Não sei o quê, não sei o que lá...'. Todo mundo ficou deitado no chão... e nem respirava! Sabe, diziam que era a polícia... E o táxi estava descarregando passageiro e não desligava o motor do carro, obviamente. Aí, a partir daquele dia eu falei: 'O que é que eu estou fazendo para me submeter a isso? Vou ficar com essa psicose, esse medo? Assim ninguém consegue viver, me desculpem!'. Nego andava assustado na rua. Eu falava: 'Não, se eu tiver que ser preso eu vou ser preso pelo o que eu faço publicamente, abertamente. Os negos me pegam logo no sindicato'. Essas coisas ajudaram muito na minha formação."
FAZER POLÍTICA NO SINDICATO E COM OS TRABALHADORES
"O Frei Chico já me convidava para ir em reunião. Ele dizia: 'Vamos lá num apartamento em São Paulo, vai vir um companheiro do Rio de Janeiro fazer uma palestra para nós... Vamos em tal lugar...'. E eu respondia: 'Frei Chico, eu vou fazer reunião em um apartamento escondido? Para ser preso sem saber por quê? Não, Frei Chico! Se seu amigo quer conversar comigo, manda ele vir no sindicato. Eu sou o presidente do sindicato e eu atendo quem quiser falar comigo, não tem nenhum segredo'."
CHEGA DE REUNIÃO DISFARÇADA COM JORNAL EM BANCO DE PRAÇA
"Uma vez, em 1974, eu fui na praça da Matriz encontrar com um cara chamado Emílio Bonfante, ele tinha o codinome de Ivo. Era o momento das eleições de 1974. Aí eu chego na praça e sento de um lado do banco, o cara senta do outro. Cada um com um jornal na cara... [ri]. Aí o cara perguntava: 'Como é que você está vendo a situação do país?'. Eu respondia: 'Estou vendo assim, assim e assado.'. E ele: 'O que é que você acha do Marcelo Gato?'. E eu: 'Eu acho que o Marcelo Gato é um cara legal.'. E aí ficava naquela conversa, e eu dizia que também achava o outro legal. Aí, passada uma meia hora, o cara foi embora eu esperei um pouco e depois fui embora. Então eu falei para o Frei Chico: 'Frei Chico, eu não tenho a minha mãe na zona! Nem meu pai é corno!... Eu vou ficar fazendo essas reuniões assim? Não tem essa, não, Frei Chico, a partir de agora em diante quem quiser fazer reunião comigo é pública e não tem segredo'."
LULA AFIRMA QUE EXPERIÊNCIAS COM O PARTIDÃO MUDARAM SUA CABEÇA
"Tudo isso mudou a minha vida. Essas coisas e a prisão do Frei Chico para mim mudaram a minha cabeça para melhor. Até porque alguns companheiros que foram presos eu conhecia. E, do ponto de vista da agitação, eles não faziam muita coisa. Talvez tivessem feito no passado, mas não faziam nada naquele instante. Então eu ficava pensando: 'O que estas pessoas fizeram para serem presas?'. Sabe, então isso para mim foi muito bom, foi muito bom isso."
COMENTÁRIO
Este capítulo é muito interessante porque enquanto vemos Lula falar em 1993 retrospectivamente aos anos 70/80, ele está descrevendo e fazendo uma espécie de referência ao que seria a gênese de concepção e prática do movimento sindical organizado a partir da criação da Central Única dos Trabalhadores (1983), que seria criada após a Conclat (1981) como um Novo Sindicalismo de massa, classista, democrático, autônomo e organizado a partir da base.
Fazer um sindicalismo mais no dia a dia nos locais de trabalho, falando abertamente com os trabalhadores em assembleias e na porta das fábricas, é a melhor opção para politizá-los sobre todos os temas do mundo do trabalho e da vida política e cidadã como um todo.
Eu acredito muito nisso enquanto dirigente sindical e secretário de formação. Busquei fazer isso até de forma intuitiva desde que cheguei ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2002. Se o sindicalista está constantemente em diálogo com os trabalhadores, ele tem respaldo e representatividade para organizar, para concordar e até para discordar da posição dos seus representados.
Pra ver como são as coisas e os contextos históricos... Hoje, 2014, temos uma democracia em construção no Brasil. Temos as mesmas conversas pequenas aqui a ali. Uma central sindical buscando tomar espaço de outra. Uma corrente tentando derrubar a outra. Grupos rivais se organizando uns contra os outros dentro das centrais e sindicatos... gente que se diz de "esquerda" aliada a grupos ultraconservadores e reacionários. Gente que se diz "combativa" e que faz cada coisa pelega que assustaria os antigos pelegos. E La Nave Va...
E também temos gente defendendo que deveria voltar a ditadura... é mole? Assisti ao depoimento do coronel reformado Malhães, que confessou para a Comissão da Verdade que eles matavam e torturavam mesmo. É chocante vê-lo falando. Ele apareceu morto nesta semana após as confissões que fez...
É isso. Na próxima postagem sobre este capítulo, irei abordar as mudanças na comunicação com os trabalhadores feita por Lula no Sindicato dos Metalúrgicos após virar presidente entre 1975 e 1981.
Tchau!
William
Bibliografia:
PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.
Post Scriptum (21/10/17):
Oh vida dura! Ao reler esta postagem do primeiro semestre de 2014, o mundo desabou, virou do avesso. O país sofreu um golpe de Estado, os golpistas tomaram praticamente os 3 poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Os empresários mandam no país, a começar pelos da comunicação como os Marinho, Frias, Civita, Mesquita e gente do tipo. Os direitos em geral do povo já foram eliminados. O patrimônio público está sendo extinto e doado para corporações estrangeiras de países que apoiaram o golpe como, por exemplo, os Estados Unidos. Que coisa, heim!
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Lula, o filho do Brasil - "E Luiz Inácio tornou-se Lula" (I)
| Lula é uma referência importante para a Concepção e Prática Sindical da CUT. |
Este capítulo do livro de Denise Paraná, com uma entrevista do Lula em dezembro de 1993, é para mim um capítulo muito especial. Desde que o li pela primeira vez, pensei nele como um texto teórico para debater formação sindical com dirigentes e trabalhadores sobre ser um militante CUTista e também da Articulação Sindical.
O ideal é ler o capítulo todo. Aqui na postagem tenho que escolher frases e algumas partes e nunca é a mesma coisa. Apesar do trabalho que dá, quero deixar registrado no Blog alguns excertos desta entrevista do presidente Lula da Silva e alguns comentários meus.
QUE TIPO DE SINDICATO?
Lula: "Há uma dinâmica na categoria. À medida que a categoria ia exigindo, você ia... Na medida em que nós fizemos uma opção de que o sindicato não seria o tutor da categoria, mas seria uma espécie de caixa de ressonância da categoria, cada vez que os trabalhadores exigiam, ao invés da gente represá-los, a gente soltava. Então eles queriam mais boletim; era mais boletim, mais atividade, era mais atividade, mais curso de formação política, era mais curso de formação política. Eles queriam que a gente radicalizasse mais, a gente radicalizava mais. A gente passou a viver muito por conta do próprio crescimento da própria categoria. Por isso que eu digo sempre que eu sou o fiel resultado do crescimento da minha categoria. Nem mais nem menos. À medida que ela avançava, eu avançava, na medida em que ela não avançava, eu não avançava. Eu não era representante de mim mesmo, era representante deles. No mínimo eu teria que ser fiel àquilo que eles queriam..."
PRIMEIRO DE MAIO
Lula: "A gente fez um grande Primeiro de Maio. Em 1976 a gente já começou a fazer os primeiros Primeiros de Maio de protesto. Porque antes os Primeiros de Maio eram quase que festa. Em 1977 o pessoal trotskista ligado à Libelu, ou sei lá se a própria Convergência, chamava a gente de 'neopelego'. Esse termo 'neopelego' queria dizer que a gente era um tipo de pelego novo, que era pelego, só que não era o tradicional. Mas com este tipo de comportamento a gente nunca se preocupou..."
OPOSIÇÕES E CORRENTES POLÍTICAS NO SINDICATO
Lula: "A gente tinha oposição dentro das fábricas. Nesta época, em 1976, 1977, começaram a vir grupos de esquerda para dentro da categoria: eram estudantes que se disfarçavam de trabalhadores e vinham para dentro da categoria. Era da Universidade de São Carlos, gente que vinha da Universidade do Paraná... Foi um momento em que os estudantes começaram a imaginar que poderiam, entrando numa categoria importante como a nossa, que eles poderiam liderar a classe operária brasileira.
E os estudantes encontraram uma categoria disposta a brigar inclusive com eles..."
(Lula fala de um militante da Convergência preso ao fazer atividade para a corrente e não para o sindicato):
Lula: "Mas aí o pessoal da Convergência vinha conversar comigo para fazer uma nota de solidariedade. Eu falava: 'Olha, a gente faz a nota de solidariedade. Agora, é importante a gente frisar na nota que ele não estava cumprindo a atividade sindical. É importante para não confundir. Eu não vou passar por mentiroso'...
(...) E naquela época a Convergência começou a aparecer muito fortemente na categoria, empregando gente em várias empresas para tentar ter uma atuação no sindicato. O pessoal do MR-8, o pessoal do 'Partidão' começou a levar gente para São Bernardo. E outras organizaçõezinhas de esquerda, a Ala Vermelha, estava todo mundo lá. Virou uma 'federaçãozinha de esquerda'.
E é engraçado porque a diretoria nunca perdeu o controle. A gente se relacionava bem com todos eles, mas nunca perdemos o controle, todos eles acatavam as decisões da categoria, da diretoria. A gente às vezes ia para o enfrentamento com eles nas assembleias porque eles radicalizavam e sectarizavam e a gente ia duro para cima deles. Mas a gente sempre manteve uma relação política respeitosa."
APRENDIZADO NA CONVIVÊNCIA COM AS CORRENTES POLÍTICAS
Lula: "Aí eles tiveram um papel importante nesse processo todo. Eu acho que a gente não pode dizer que não tiveram. Tiveram um papel importante no aumento do nível de consciência desse pessoal, dos operários. Acho que várias pessoas da Convergência tiveram essa participação. Tudo isso foi evoluindo para aprimorar a minha cabeça política..."
FALHAS NA QUESTÃO DA IGUALDADE DE GÊNERO
Lula: (falando dos problemas ocorridos no Congresso da Mulher Metalúrgica e das feministas):
"O pessoal era muito radical, muito radical. E esse foi um congresso muito importante. É uma pena que a gente não deu sequência ao trabalho na questão da mulher como merecia. Às vezes a gente relaxava e não compreendia as dificuldades [da mulher]. Não basta aprovar num documento que a mulher é igual e não sei o quê... É preciso saber se a gente cria condições para que a diversidade do mundo da mulher possa ser assimilada. Quando você fala: 'Tem que participar de uma assembleia homem e mulher...', se é um casal que tem três ou quatro filhos e alguém tem que fazer a janta para as crianças e [o casal] não pode ter empregada, alguém vai ter que ficar em casa. Então os dois não podem ir. É preciso saber como é que compatibiliza isso. No PT, por exemplo, eu tenho dito: 'Não adianta dizer que a mulher tem que participar. Quando a gente faz um encontro e passa o domingo inteiro juntos, a gente estabeleceu condições de ter creche para os casais deixarem as crianças? Alguém vai cuidar de fazer almoço para estas crianças? Porque é assim que a gente vai dar condições'.
Então, eu acho que a gente falhou. Essa é uma das coisas em que nós falhamos: não dar sequência a esse trabalho com as companheiras mulheres, que na época chegavam a ser 20 e poucos por cento da categoria. A gente não soube trabalhar corretamente isso. É um dado concreto, eu assumo a responsabilidade. Apesar desse congresso ter sido um grande sucesso, a gente não deu uma sequência do ponto de vista de trazer a mulher para dentro do sindicato mesmo. Agora, obviamente que melhorou muito a participação [das mulheres] nas assembleias. Mas a gente não conseguiu o grau de militância que a gente imaginava que poderia conseguir."
COMENTÁRIO RÁPIDO
O capítulo é longo e tem muitos ensinamentos. De maneira geral, nascia ali no período em que Lula está falando (entre anos 70 e 80), nossas concepções e práticas da Central Única dos Trabalhadores.
Alguns trechos que sublinhei considero importantes. Nós não somos representantes de nós mesmos quando estamos em um sindicato de trabalhadores. O sindicato não é prestador de serviço, é local de organização e ressonância dos trabalhadores.
Na medida do possível, um dirigente e uma categoria têm que evoluir juntos, ou então partilharem e viverem juntos os mesmos dramas. O dirigente deve estar ao lado de seus representados.
Ter uma convivência respeitosa com as correntes políticas que militam no movimento é importante e traz crescimento político para todo mundo.
Não adianta falar de igualdade de oportunidades sem criar as oportunidades para a igualdade.
É isso. Seguimos depois com o capítulo.
William Mendes
Secretário de Formação da Contraf-CUT
Bibliografia:
PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.
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Pensando a CUT a partir do filme "ABC da Greve" - Leon Hirszman
A fonte do vídeo é um canal
no youtube chamado caovidaloca.
O FILME É UMA LIÇÃO PARA SINDICALISTAS CUTISTAS
Lendo o capítulo "E Luiz Inácio tornou-se Lula", do livro de Denise Paraná - Lula, o filho do Brasil, acabei por buscar o filme de Leon Hirszman porque ele aborda o mesmo período que o capítulo do livro aborda. O filme nos apresenta cenas e momentos da greve de 1979 dos metalúrgicos do ABC Paulista.
A leitura do capítulo do livro, seguida do filme, é uma aula emocionante e contextualizada do que são as dificuldades enfrentadas pelas lideranças sindicais em momentos cruciais do embate entre o capital e os trabalhadores. Aqui estava nascendo o que seria a concepção e prática sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - ser classista, de massas e democrática. Principalmente no que balizou a forma de atuação da Articulação Sindical.
Aqui nascia a característica de um sindicato cutista que é pensar a categoria acima de tudo porque fazer greve pela própria greve e não pensar a consequência dela para os trabalhadores não é papel de um dirigente sindical cutista.
Eu me emocionei muito com as imagens do filme. Muitos de nós que nos tornamos sindicalistas cutistas temos momentos em nossa vida militante e de liderança que nos deixaram em situações como essa de avaliar se devemos continuar na greve ou se devemos proteger os trabalhadores e encerrar o movimento sob risco de derrota.
O contexto do que vocês vão ver no filme é que Lula e a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos precisaram defender o fim da greve por ter a real noção de que seguir naquela greve a partir da segunda-feira seria uma derrota fragorosa para a categoria.
LEMBREI-ME DO CONTEXTO DA GREVE 2003 NO BB
É evidente que nada é comparado ao que foi o movimento de massas e o nascimento do Novo Sindicalismo surgido no ABC Paulista entre os anos 70 e 80. Mas a nossa geração viveu um momento de ressurgimento do movimento de massas no início dos anos dois mil, após a eleição de Lula da Silva e após uma década de massacre neoliberal aos trabalhadores e aos seus sindicatos.
Eu vivi um contexto parecido ao ter que falar com os trabalhadores em assembleia que precisávamos aceitar a proposta e finalizar a greve do Banco do Brasil em 2003, após conquistar várias propostas com a primeira greve forte em mais de uma década.
Era meu primeiro ano liderando os bancários em uma greve e eu estava aprendendo a ser um dirigente sindical e após uma forte mobilização em 3 dias de greve, com crescimento diário do movimento e conquista de vários direitos em nova proposta patronal após esses dias de greve, tivemos que ir para uma assembleia lotada na quadra dos bancários e dizer a eles que era a hora de encerrar a greve porque havíamos conquistado muitas das reivindicações que nos levaram à greve e que continuar nela poderia nos levar à derrota com consequências para as próximas lutas.
Uma das pessoas que seria grande referência para mim naquele início de vida sindical foi Deli Soares. Naquele dia, ele me disse que começar greve era fácil, o difícil era liderar os trabalhadores e lhes dizer quando era a hora de parar. Ali comecei meus onze anos liderando as assembleias do Banco do Brasil no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região entre 2003 e 2013.
A proposta foi aprovada pela massa e após a assembleia caí em choro pela emoção que acabava de viver naquele momento. Muitos bancários que estiveram comigo naqueles dias de greve não compreenderam na hora e ficaram chateados com a minha posição de direção do movimento e após o calor daquele momento me procuraram e elogiaram a minha postura no diálogo travado na assembleia.
A proposta conquistada no BB naquele ano era a seguinte, se não me falha a memória:
- o cumprimento da proposta de índice conquistada pelos bancários em geral (Fenaban) porque o governo tinha proposto menos;
- um acordo de PLR nos moldes do da categoria (não havia no BB);
- a conquista do abono de 5 dias para os colegas que entraram no BB a partir de 1998 (isonomia);
- aumento na cesta alimentação, vale refeição e auxílio creche, igualando com os da categoria (isonomia, pois eram menores);
- a volta do direito de eleger delegados sindicais (perdido desde o governo do PSDB), e
- anistia dos dias parados.
O filme é emocionante e nós não podemos nunca perder as nossas referências e princípios, estejamos onde estivermos fazendo a luta.
É isso!
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Feriado de corridas, filmes e leituras
Refeição Cultural
Neste feriado de Páscoa, de Dia do Índio, de Tiradentes, aproveitei para descansar, refletir, e curtir coisas que gosto como correr, ler e ver alguns filmes. Joguei videogame com o filho e fiquei com a família.
Estou relendo a parte que já havia lido do livro sobre a história de vida de Lula. Li cento e poucas páginas em 2011 e estou relendo agora no feriado.
Minha esposa tem um pouco de razão quando diz que eu deveria ter lido outra coisa que não fosse política. Mas fazer o que, né? Estou vivendo o fim de semana que antecede o resultado das eleições da Cassi e, após o ano tumultuado que tive, nada mais será o mesmo. Vou pra Cassi ou vou fazer outra coisa da vida porque não tenho mais mandato no meu Sindicato de base.
É um fim de semana diferente neste sentido da política, da minha vida política.
Em relação às corridas, corri e caminhei todos os dias do feriado, a começar pela quinta-feira. Corri na quinta uns 2k, corri na sexta 3k, andei no sábado uns 6k e no domingo, fiz um longão muito importante para restabelecer limites ao meu corpo. Corri mais de uma hora. Fiz 72' de corrida em trote, com muitas subidas e administrando as dores que sinto faz tempo em meus tendões de Aquiles. Fiquei muito feliz de ultrapassar meus limites atuais em corrida. Isso dá uma energia de poder pessoal interessante!
Assisti filmes também. Dois do Hitchcock, ontem, que foram fantásticos: Os pássaros (1963) e Janela indiscreta (1954). Os filmes do cara são diferentes do que estamos acostumados. Também assisti ao filme Amigo Oculto (2005). O filme aborda questões de psicologia. Os filmes foram muito bons.
É isso. Estou com vontade de escrever sobre um capítulo inteiro do livro sobre o Lula, abordando o quanto se é possível tirar lições de um bom sindicalismo daquele capítulo, principalmente em relação à forma CUTista de ser e da Articulação Sindical. Mas fico pensando também em pra que escrever? Pra quem? De certa forma, acho que seriam palavras ao vento, como o que estou fazendo agora.
Escrever no Blog ou no meu diário dá quase que no mesmo. É lógico que no Blog é confissão pública e no diário é coisa só minha.
Sei lá, quando vejo política e quando vejo sindicalismo e lembro do quanto vivi nele estes 12 anos, dá uma gana tão grande de continuar... Mas em momentos seguintes, dá vontade de ir fazer outra coisa. Vamos ver o que me reserva a vida a partir de quarta-feira (23), após o resultado das eleições da nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do BB.
William
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