sábado, 19 de julho de 2014

Vivendo os dias que correm... e uma reflexão sobre idosos!





Refeição Cultural

Tirei a semana que passou para ficar com a família. Era para ser uma semana de descanso tradicional, daquelas a qual chamamos de "férias". Eu devo confessar que apesar de não estar fisicamente na Caixa de Assistência dos Funcionários do BB - Cassi, onde sou diretor eleito de saúde, passei a semana toda administrando questões importantes da nova gestão, na qual estamos inseridos. Mas tive a compreensão de minha esposa e isso foi importante.

Nós fomos para um lugar que adoramos porque é perto de SP e é bastante simples e confortável. Estivemos na Colônia de Férias do Sinpro SP na Praia Grande. Pude levar meus sobrinhos de Uberlândia (MG) conosco e proporcionar a eles uma semana agradável com o primo deles e na praia. Foi muito legal e até o tempo ajudou, pois apesar do inverno fez sol todos os dias.

Em um dos dias, subi para São Paulo para participar de um debate no movimento sindical. Nos outros, apesar de ficar resolvendo questões do trabalho, pude ficar com a família, fomos andar na praia, almoçamos e jantamos juntos por uma semana. Não tenho o que reclamar, como disse.


Filhão, Victor Hugo, Noni e Stefani.

Em breve, farei minha romaria anual

Aproveitei para correr quase todos os dias. Tenho menos de um mês para voltar um pouco à forma física porque no mês de agosto farei a minha romaria anual de 75 km lá em Minas Gerais. É um momento importante pra mim, de introspecção e de testes de autocontrole e resistência física, mental e para as dificuldades. A caminhada é sempre muito dolorosa, mas após a chegada estamos prontos para mais um ano de luta pelo que acreditamos. Vou fazer uma boa caminhada neste ano, acredito nisto.


Leitura agora precisa ser mais focada

Em relação ao meu desejo de leitura na área da literatura, mais uma vez eu me convenci de que devo me conformar em não ler literatura e cultura nos próximos anos. Todas as vezes que tentei ler contos ou textos de cultura, me peguei com remorso porque tenho que estudar temas da área onde estou militando agora. Não dá mais e eu estou me adaptando a isso para não sofrer sem necessidade. É a vida!


Reflexão sobre os idosos e o movimento de esquerda

Que mais refleti nessa semana de refeição cultural?

Durante algumas corridas na praia, uma coisa me veio à cabeça. Lá no litoral paulista, na Praia Grande ao menos, não é um lugar de badalação de jovens. Tem muitos idosos.

Fiquei pensando na questão política que vigora atualmente. Existe uma construção da direita liberal de influenciar fortemente os idosos contra os sindicatos e contra os partidos de esquerda. É algo extremamente lesivo. O pior é que tem dado certo.

A separação política entre os idosos e o movimento sindical é ruim para os dois lados. É preciso que ambos vejam isso e se aproximem e se unifiquem contra o verdadeiro inimigo: os capitalistas e liberais de direita. 

Os idosos e o movimento sindical têm algo em comum: a necessidade de atuar no campo da solidariedade. O capitalismo não é solidário. O sistema busca conquistar os jovens para pensar neles mesmos e que se dane o resto. É a lógica do individualismo. Se os idosos e suas entidades de classe passarem a defender essa ideia de pensar só neles mesmos, eles afastarão os jovens de si e estarão ferrados no futuro.

Recentemente, a questão do ódio contra o movimento sindical e a esquerda foi utilizado na campanha das eleições da Previ e da Funcef. Além de outros fatores comuns nas eleições, este foi um dos que levaram à derrota das chapas vinculadas às entidades dos trabalhadores.

Novamente, acho preocupante os idosos se oporem aos movimentos sociais organizados, principalmente o sindical.

Ao longo da história do mundo capitalista, todas as vezes que há fortes crises do capital, os primeiros a se ferrarem e terem seus direitos cortados são os trabalhadores e os idosos porque os liberais capitalistas os consideram estorvos ao sistema porque eles não estão mais vendendo sua força de trabalho a preço baixo para alimentarem a máquina da mais valia do capitalismo. Pelo contrário, dizem que eles dão gastos para o Estado com os benefícios sociais dantes conquistados.

Na década de noventa, os governos liberais nas Américas destruíram os sistemas previdenciários nacionais. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ficou famoso por chamar os aposentados de vagabundos. Eles ficaram todo aquele período sem reajustes sequer da inflação em suas aposentadorias. Agora no pós crise de 2008 os estados europeus estão atacando e reduzindo os direitos dos aposentados na Europa.

Mesmo assim, a direita brasileira tem conseguido convencer grande segmento de aposentados e idosos de que o Partido dos Trabalhadores e os sindicatos são ruins para eles. E olha que durante os 12 anos de governos do PT eles voltaram a ter reajustes nas aposentadorias e houve inclusive ganho real para milhões de aposentados que ganham o salário mínimo. Que triste ver esse segmento se voltando contra as esquerdas...

O prejuízo para eles será imenso ali na frente. Também o é para as entidades sindicais e dos partidos de esquerda que precisam do apoio e do voto dos idosos e aposentados.

É preciso alertar nossos queridos idosos para não caírem no conto do vigário das TVs, jornais, rádios e revistas de direita, dos capitalistas, que querem mais é que os idosos não estorvem o pagamento de juros da dívida pública (o famoso rentismo de 5% da elite que suga o Estado).

É essa minha reflexão cultural da semana para os poucos e nobres que me leem. Abraços

William Mendes

domingo, 6 de julho de 2014

A gravidade da tolerância às iniquidades



Em reunião com participantes da 
Caixa de Assistência (Cassi).
Foto: Guina, em 11.6.14.

Refeição Cultural



Iniquidade - É o ato de transgredir a lei ou os bons costumes, ato de mau caratismo, sacanagem, ação que desagrade alguém ou a muitas pessoas, ato malvado, transgressão às leis. A iniquidade vem sempre associada ao cinismo, ou seja, é a prática do mau ato sem que a pessoa que o comete assuma ou reconheça aquela ação como ato errado ou cruel. Iniquidade é o reconhecimento de normalidade em uma ação que é descabida e agressiva. (Fonte: dicionário informal - Franzé Lage)


Minha reflexão deste fim de semana é sobre a questão da permissividade às iniquidades diárias, do papel social de cada pessoa em processos que envolvem questões de intolerância, ódio, discriminação, falta de democracia e iniquidades várias.

Nesta semana fiz uma boa conversa com uma companheira dirigente sindical da base de São Paulo sobre a importância do papel do representante dos trabalhadores, do militante social, de não pactuar e não ser tolerante com os vícios e pequenos desvios diários no seio de qualquer espaço social, inclusive do próprio movimento.

A famosa assertiva da prática como critério da verdade deve ser perseguida diuturnamente por um militante de esquerda, sob risco de sua representação ser uma verdadeira fraude se ele pactuar com as iniquidades ou fazer de conta que não é com ele as coisas erradas e injustas que fazem com as pessoas ao redor dele.

Os textos que descrevem o papel dos estudiosos e intelectuais também falam muito sobre essa temática - gosto muito de Edward Said, por exemplo. 

À medida que a pessoa vai tomando consciência do que é certo e do que é errado, maior será a sua responsabilidade de tomar posição e não se esconder atrás de "neutralidades", "imparcialidades" ou dizer que ele ou o grupo dele não vai tomar "partido" em uma polêmica ou situação porque o lado de maior poder, o grandão, é quem está praticando a iniquidade etc.

Peguemos o exemplo da escravidão, prática social formal e "legal" que prevaleceu por séculos nas sociedades humanas. Poderíamos aceitar um militante dos direitos humanos, um dirigente de entidade da classe trabalhadora, um intelectual no sentido verdadeiro da palavra, concordar com a escravidão como algo correto, aceitável e que já que fazia parte da cultura ou do sistema era melhor deixar quieto e não tomar partido das vítimas - as pessoas privadas do direito à liberdade e tidas como gado e propriedade?




Assisti novamente ao filme Amistad (1997) nesta madrugada e fiquei pensando muito sobre a questão da posição das pessoas nos contextos sociais que preferem não tomar partido algum para não terem problemas e ficarem ali nas suas vidinhas cotidianas.

O filme é baseado em um fato real ocorrido entre 1839 e 1842 nos Estados Unidos da América. Um grupo de africanos de Serra Leoa é sequestrado, traficado como escravos e conseguem tomar o navio Amistad sob a liderança de um homem comum em seu país, pai de família, Sengbe Pieh (nominado Cinqué pelos traficantes de humanos). Eles acabam recapturados pela marinha americana e daí começa o julgamento com vários envolvidos reivindicando a posse do grupo, reivindicando a condenação do grupo por assassinar seus algozes no navio e para decidir o que fazer com aquelas pessoas (tratadas como mercadorias).

Após eles conseguirem vencer duas etapas jurídicas, o caso vira um problema político nacional porque os EUA aceitam a escravidão como sistema social necessário para a economia do país. A decisão de libertá-los pode iniciar o processo abolicionista e contrariar os interesses dos sulistas, inclusive levando o país para uma guerra civil. E aí, vocês acham que o ex-presidente John Quincy Adams, chamado para intervir no caso na última instância, tomou qual posição na Corte? Deixa o grupo de escravos à própria sorte e evita-se o conflito político de repercussões gigantes para os EUA ou não?

Fiquei pensando aqui no meu mundo onde temos divergências internas nos movimentos sociais e muitas vezes acaba-se permitindo iniquidades e vícios a troco de não se posicionar e tomar "partido" do lado que pode ser o correto, apesar de minoritário...




Assisti a outro filme nestes dias que também vai no mesmo sentido - 12 anos de escravidão. O caso de um homem livre enganado (negro), sequestrado e vendido como escravo nos Estados Unidos. Novamente, a mesma questão de tomar ou não tomar partido como cidadão e levar a vidinha tranquila de sempre, ou se meter naquilo que é errado e assumir a responsabilidade de lutar pelo que é justo e contra a iniquidade.

O filme é baseado na autobiografia (de 1853) do violinista Solomon Northup. 

Novamente, terminada a história fiquei pensando no papel de cada pessoa entre fazer de conta que não é com ela e interceder de alguma forma para mudar a situação de iniquidade que está ocorrendo ali naquele contexto.


É importante tomar partido nas coisas da vida, ter lado

Certa vez, logo que cheguei ao movimento sindical, vi uma situação que me pareceu errada, injusta e que era fruto de certa burocracia comum nas grandes estruturas. Um grupo de trabalhadores estava reunido em um espaço social e não tinha permissão para usar a máquina do cafezinho porque na requisição do espaço ela não havia sido descrita para uso. Eu não aceitei a proibição e fui na hora buscar solução com a dirigente responsável pela estrutura, a que estava na posição de liberar ou não as coisas naquele espaço social. Era o mínimo que minha consciência cobrava que eu fizesse. Aquela posição que tomei (partido) marcou minha chegada e assim fiz durante todos os anos de representação dos trabalhadores.

Um representante da classe trabalhadora, uma pessoa que se diz humanista, um estudioso que tem a informação do que é certo ou errado em relação às questões de igualdade, liberdade, democracia, cidadania, direitos humanos, jamais poderá fazer de conta que uma situação iníqua não é com ele e que o melhor é deixar como está. E não estou dizendo aqui que a pessoa também tenha que intervir em tudo que está errado ao seu redor porque senão ela não conseguiria fazer sua representação bem feita.

É importante que as pessoas fiquem alertas para a tomada de posição nas questões de iniquidade porque isso é o que diferencia o pequeno grupo das pessoas que lutam para construir um mundo mais justo e igualitário da grande massa de pessoas que ainda não se libertou da ideologia da classe dominante e que vive no entorpecimento das pequenas guloseimas e migalhas cedidas pelo status quo.

William

domingo, 29 de junho de 2014

Viver pela essência ou pela aparência das coisas?



É preciso luz no caminho daqueles que dormem no sono profundo
da ideologia da classe dominante. Foto em um centro de compras
do sistema. Ao invés de plantas e flores, vitrines e
"praça de alimentação", local para comer e beber
sal, açúcar, álcool e gordura saturada...

Refeição Cultural

A dureza da tarefa de despertar as pessoas levadas ao sabor da ideologia da classe dominante


Um dos grandes empecilhos para uma vida melhor e sensação maior de felicidade nas sociedades contemporâneas é definir o que serve o que, ou melhor dizendo, se as pessoas servem às coisas ou se as coisas servem às pessoas.

É um pouco da velha discussão da natureza ontológica do ser e das coisas.

Um relógio deveria servir para ver a hora naquela posição geográfica em que a pessoa está, para saber se situar entre o passar de um dia no planeta Terra. O mesmo para as roupas que deveriam servir para tapar a nudez das pessoas.

Um aparelho telefônico, grande invento humano, deveria servir para fazer e receber ligações e falar com as pessoas não presencialmente. Depois foi possível também escrever mensagens substituindo a própria voz... Mas a natureza ontológico do telefone segue sendo falar com as pessoas não presencialmente.

Eu não tenho nada contra a moda, modismo, estilos etc. Mas é deprimente as pessoas viverem em função das coisas e não o inverso, colocando as coisas no seu devido lugar ontológico.

No mundo totalitário do capitalismo, hegemônico na sociedade humana, existe uma construção ideológica que transformou tudo em mercadoria e estabeleceu uma lógica de que só se é alguém ou alguma coisa só tem valor se tiver valor econômico e for passível de ser propriedade de alguém para se medir em relação às propriedades de outro alguém.

Um tênis não é uma coisa que se põe nos pés para praticar atividade física ou para proteger o pé do contato com os diversos tipos de solo. A roupa tem que ter combinações e marcas, muitas marcas, senão não serve para nada.

Praticar atividades físicas poderia ser uma forma fundamental de dar longevidade às pessoas, ou seja, melhorar suas condições cardiorrespiratórias, melhorar os aparelhos digestórios, circulatórios e outras melhorias várias na saúde dos seres humanos. Ao invés disso, praticar esportes na sociedade em que estamos é para ficar no modelo estético determinado pela ditadura da moda e estética que transforma as pessoas que não se encaixam no "padrão" em pessoas feias, derrotadas, meio monstros, e horrores do gênero (não concordo com esses conceitos do sistema). Muitas pessoas para buscarem escapar desse massacre, se submetem a processos cirúrgicos perigosos à própria vida e ou a dietas que transformam a vida dessas pessoas (não necessariamente com ganho de saúde). 

Então chegamos à atualidade onde as pessoas vivem em função de estampar no peito ou na cabeça uma marca de uma empresa onde o dono ganha bilhões e bilhões de dinheiros. A pessoa não ganha nenhum centavo para fazer a propaganda e márquetim para o dono da marca. Pior, a marca fabrica aquelas coisas que vestem o corpo e a cabeça das pessoas usando mão de obra escrava e destruindo seres humanos em diversas partes do mundo... Não tem problema, as pessoas se acham o máximo usando aquela porcaria!

Isso vale para qualquer coisa. Carro não é feito para transportar as pessoas, é feito para exibir a posição na escala social em que aquele ser está situado. O mais comum é termos várias pessoas que mentem socialmente sua posição na escala social para exibir posses não condizentes com os ganhos auferidos pela venda de sua força de trabalho ao dono do capital. Mas o indivíduo está tão cego que ele defende os interesses do seu quase dono, o capitalista...

É uma loucura! É uma loucura para aqueles que conseguem despertar desse sono profundo, mas que veem ao seu redor a multidão de pessoas que continuam defendendo a lógica dos donos do capital e dos meios de produção e de lavagem cerebral nos explorados, através das empresas de comunicação desses donos do capital, e lá vai a roda funcionando.

Isso foi um pouco do que refleti ao sair para correr uns 7 km em 46 minutos neste domingo. Estava chateado com essa coisa das pessoas viverem em função das coisas e não o inverso, as coisas servirem às pessoas.

É isso!

William

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Copa do Mundo de Futebol no Brasil





Refeição cultural

Copa do Mundo de Futebol no Brasil

Eu não uso comentar muito coisas do futebol, mas vou expressar a minha opinião aos amigos e leitores do Blog - direto de "long beach" (Praia Grande SP) após assistir aos jogos da Colômbia e do Uruguai... (dá-lê, América do Sul!)

Faz muitos anos que torço contra o time da CBF (que oficialmente é o time da seleção brasileira). Isso por causa do antro de corrupção e desmandos que são há dezenas de anos as coisas do futebol... séculos 19, 20 e 21 pelo menos... FIFA, CBF, clubes de futebol... parece que as pessoas se esquecem que o evento é privado e visa lucro dos donos... apesar da paixão inexplicável que carrega... rimos, choramos e brigamos pelo nosso time de futebol (alguns matam)... sejamos de esquerda, direita, conservadores, liberais, progressistas, religiosos, intelectuais e letrados, gente simples etc etc.

Como acredito que a vida em sociedade é política pura, inclusive os eventos culturais, não poderia ser diferente com o evento Copa do Mundo de Futebol no Brasil. (olha, não vou nem dizer o que acho dessas posições "políticas" de quem se diz ser apolítico, neutro, imparcial, isento (essa é ótima) não ligar pra política etc... como se o/a ser fosse um baobá no deserto...)


Feliz com o sucesso do evento no Brasil

Estou muito feliz com o sucesso da Copa no Brasil! Os estádios são lindos! As partidas de futebol estão num nível impressionante! Nosso país está fazendo bonito (como sempre acreditei que faria bonito - a esperança e a razão venceram o medo, de novo!) porque o Brasil é primeiro mundo!

É aqui que tem emprego, é aqui que se aumenta e constrói universidades públicas, é aqui que se distribui renda do trabalho há mais de uma década (sem um ditador de esquerda ou direita), é aqui que se vive inclusive a tal da "liberdade de expressão" disfarçada de "liberdade de publicação" (da imprensa golpista que passa 25 horas por dia destruindo toda a beleza de avanços que o Brasil conseguiu)... como diz o professor Nicolelis (numa aula inaugural da UNB falando do impossível)- o antigo primeiro mundo ruiu, foi pro saco, depois da crise de 2008! (e tem gente que acha legal ficar falando merda de nosso país!)

Por isso, por essa construção desgraçada que a oposição e a imprensa fizeram de que a Copa seria o caos, que o Brasil era um Iraque, uma Ucrânia... que eu estou torcendo muito pra seleção da CBF - vulgo seleção brasileira - e para os países hermanos!!!! (porque até agora, dos sul-americanos, os que jogaram pior foram Brasil e Argentina).

Temos problemas importantes pra resolver como qualquer grande país do mundo na área de educação, saúde, transportes, segurança etc. O nojo que dá é ver trabalhadores e gente "esperta" sendo manipulada por meia dúzia de donos de TV e jornais dizendo que o Brasil é uma merda! Merda é essa pequena burguesia e oposição que não gostaram de ver o povo ascender e frequentar aeroportos (que estão melhorando mesmo!), ver o povo em restaurantes, viajar pra Nova Iorque ou Orlando nas férias proletárias... ter carros na garagem da casa própria...

O governo do Partido dos Trabalhadores, principalmente o Lula da Silva, conseguiu a façanha de acabar com o complexo de vira-latas do povo brasileiro construído em 5 séculos de dominação e exploração estrangeira, inclusive com os seus descendentes seculares que vivem de renda (sugando o Estado) e que são donos dos veículos de comunicação. A estratégia da direita midiática e da oposição ao governo do PT é convencer o povo que o Brasil seria lixo... é destruir a autoestima do povo, que passou a ter autoestima durante os últimos anos. (isso é política, stupid!)

É por isso que se criou o conceito recente que ter Copa é ruim, é merda! No entanto, todos os países do mundo querem a Copa... porque qualquer grande evento gera renda, gera emprego, gera divisas para o país ou cidade que organiza, gera dinamismo na economia por muitos anos (antes, durante e depois)... (será que tem que desenhar?) Ah, mas teve superfaturamento... sei, sabemos... a culpa não é da elite empresarial branca... porque ela é super-santinha!!!!!!!!

Os espertos que se consideram classe média (porque têm algum negócio de pequeno e médio porte ou são funcionários públicos - quase extintos sob governos tucanos) acham que são espertos em replicar e papaguear as merdas que o Jornal Nacional, Veja, Folha e Estadão falam de mal do Brasil e do governo... sinceramente, não são espertos... esse pessoal (ou os pais deles) quebraram nos anos 90 sob administrações dos tucanos (PSDB) e agora se acham espertos... francamente!

Chega vai... senão eu exagero! Bom feriado a tod@s e viva a Copa do Mundo no Brasil... tá muito legal e muito bonito!!!!!

Vai ter copa!!!!!!! Tá tendo Copa!!!!!!! Tá lindo e o povo brasileiro merece!!!! E os turistas também!!!!!!

Dá uma vontade de falar "chupa imprensa golpista!!!"... mas não vou falar não (kkkkkkk).

sábado, 14 de junho de 2014

Filme: A culpa é das estrelas - Reflexões...



Poster do filme.

Refeição Cultural


Fiz algo raro atualmente devido à falta de tempo e excesso de trabalho: fui ao cinema com minha esposa assistir ao filme que aborda a questão do câncer em crianças e adolescentes. O filme é muito bonito, emotivo, mostra a dura realidade da contemporaneidade e nos coloca a pensar - pelo menos foi o que aconteceu comigo durante todo o filme e após também.

Foram tantas coisas que se passaram por minhas reflexões acerca da vida e da morte, do amor e ódio, do que vale a pena. Fiquei pensando no que eu e nós todos estamos fazendo no que diz respeito ao mundo que estamos construindo (ou destruindo) e pensei muito a respeito das relações sociais.

A vida humana pode ser bela e bem assistida, se a inteligência humana for (fosse) utilizada para o bem coletivo. O ser humano é a coisa mais fantástica que existe no planeta. Eu não tenho dúvida disso. Cada pessoa é um universo de possibilidades, basta oportunidades iguais. Se houver condições materiais, culturais e educacionais é possível se alcançar um bom grau de felicidade ou satisfação em viver.

Alcançado este estágio em uma determinada sociedade, poderíamos dedicar o nosso tempo e a nossa psique para lidar melhor com questões que estão fora de nosso alcance como, por exemplo, as catástrofes naturais e as doenças que acometem os seres humanos.

Ao ver a história dramática dos adolescentes Hazel e Augustus (Gus), bem como dos demais jovens com diversos tipos de câncer, não tive como evitar pensar na vida que está levando uma grande parte dos jovens em nosso mundo contemporâneo. A mim me parece quase uma vida de faz de conta, um fake do que poderia ser a vida real. Aliás, a vida que os jovens estão levando também tem relação com a tecnologia e com a ideologia que move o mundo (ideologia da classe dominante do poder econômico e de produção material e intelectual geral).

A casca, a imagem é tudo. A roupa, o boné, o eu-mesmo-S.A.-e-dane-se-o-resto... são assustadores!

Mas também fiquei pensando muito nos valores que têm balizado a relação humana. Ao invés do respeito e da tolerância ao outro e ao diferente, da busca de consensos para se construir coisas boas ou achar objetivos coletivos comuns, o que temos é a pregação do ódio, da eliminação do outro ou da posição diferente, da prevalência absoluta do pessoal e individual sobre o bem comum.

No meio desta guerra instalada em nosso meio estão pessoas, seres humanos carentes de atenção, amor, um gesto de respeito e fraternidade.

Cinema, filmes, músicas, pinturas e arte em geral são feitos humanos para nos despertar instantes de reflexão, para emocionar, para sentir, para divertir e dar prazer. Os gregos já faziam teatro há milhares de anos para se atingir a catarse com a exponenciação dos defeitos e dos vícios nas tragédias e nas comédias... as pessoas saíam diferentes das apresentações. Este filme gerou em mim essas ações e sensações.

Eu vivi um período muito duro em minha vida neste semestre. Vivi sensações de amor e ódio exponenciadas e isso me afetou profundamente, mesmo contra a minha vontade. Mas eu busquei em mim uma energia profunda para estar agora em uma nova tarefa determinada pelos trabalhadores que represento. Estou de coração aberto para fazer a vida valer a pena, principalmente de forma coletiva. Estou em novos espaços disposto a buscar consensos em prol do bem comum, sem perder o foco do que represento e dos projetos que devo defender.

Vendo uma história que aborda jovens lutando para viverem e serem felizes, mesmo com o acaso determinando o oposto, me peguei refletindo e penso que estou no caminho correto em buscar apagar os rancores e não perder o rumo das coisas boas que quero fazer para ajudar a coletividade e fazer a vida humana valer a pena. Não quero saber de desânimo e negativas preguiçosas dizendo que "isso não é possível..." ou coisas do gênero.

O filme atinge a cada um de uma maneira. Meu contexto me fez sentir que temos que trabalhar para o mundo ser um lugar melhor, com estrutura social pública e coletiva para as demandas gerais dos seres humanos a fim de termos um foco de atenção constante às questões de saúde porque sem saúde a vida é muito, mas muito mais difícil do que em qualquer outra circunstância.

É isso!


PS: a passagem do filme por Amsterdam e a casa onde ficou escondida a família de Anne Frank até serem pegos pela Gestapo é um momento de muita emoção!!!!

PS2: os momentos de silêncio e de olhares entre Hazel e Gus, a descoberta do amor, a superação e companheirismo nos momentos de dor e sofrimento são cativantes para todos nós.


PS3: fiquei pensando também na questão das marcas e da história que deixamos em nossa passagem pela vida. Espero estar fazendo o meu papel tanto para as pessoas que amo quanto para a coletividade.

domingo, 1 de junho de 2014

Cassi - Novas tarefas pela frente na representação dos trabalhadores




Refeição Cultural

Neste mês de junho de 2014 começo uma nova função de representação da classe trabalhadora. Serei diretor de Saúde e Rede de Atendimento na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi).

Terei uma vida tão atribulada quanto já tinha em minhas tarefas no movimento sindical como secretário de formação da Contraf-CUT e como coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil.

Vou me dedicar com muita gana e muita responsabilidade em melhorar a gestão de nossa Cassi e trabalhar para que a nossa entidade consiga atuar melhor na prevenção das doenças, no atendimento aos associados e na busca pela Atenção Integral à Saúde de nossos trabalhadores e suas famílias.

Este blog de cultura sempre foi desde o seu nascedouro a minha válvula de escape para a dimensão humana que fica em segundo plano quando estamos constantemente focados e tensos na luta de classes. Aqui reflito sobre literatura, cultura em geral e faço comentários sobre a vida, o dia a dia, esportes e saúde, filmes, dentre outras áreas da cultura.

Não pretendo abandonar este Refeitório Cultural nunca. Mesmo que o tempo seja escasso. Vamos ver como fazemos para seguir escrevendo este meu livro on line.

Afinal de contas, se eu não cuidar de minha saúde integral, o que inclui minha condição física e minha psique, eu não estarei disponível para lutar pelo que acredito.

É isso. Vamos dormir umas quatro horas e madrugar para uma nova fase de minha vida.

William Mendes

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Lula, o filho do Brasil - Aula de comunicação sindical



Esse trabalhador metalúrgico usou muito da criatividade para
organizar, mobilizar e trazer as massas para a luta sindical.

Capítulo: "E Luiz Inácio tornou-se Lula" parte III


COMUNICAÇÃO

Aqui nesta postagem sobre este capítulo do livro em que Denise Paraná entrevistou Lula em 1993 vai agora uma aula de como lidar com os trabalhadores nos locais de trabalho, como ser criativo para mudar hábitos e costumes de uma instituição que já não corresponde aos anseios de seus representados.

Lula vira presidente do sindicato dos metalúrgicos entre 1975 e 1981 e decide dar uma chacoalhada na diretoria e no dia a dia do sindicato. Leva a diretoria para a porta das fábricas, começa a fazer assembleias ali mesmo, percebe que ninguém lia o boletim sindical, mas o boletim era horrível, não aguçava a curiosidade do trabalhador em querer lê-lo.

Na atualidade (2014) vivemos algo muito parecido. Estamos hoje no mundo da rede mundial de computadores, a internet, e apesar de todo mundo viver plugado ou conectado como dizem, a classe trabalhadora é extremamente mal informada e, pelo contrário, é fortemente influenciada pela comunicação hegemônica da mídia dos donos do capital. Aliás, existe uma construção social do capital para que os trabalhadores odeiem ou não liguem para os seus sindicatos de categoria.

Hoje vivemos um contexto em que ninguém quer ler nada que tenha mais que alguns toques ou linhas de texto. O mundo é o da imagem, é o do vídeo curto. As pessoas leem através de telas de celulares.

O desafio do movimento sindical CUTista ou mesmo o meu desafio a partir do início do meu mandato como diretor eleito de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), entre junho/14 a maio/18, é criar interesse na comunicação e no conteúdo do que informamos aos nossos representados.

Por outro lado, não podemos também deixar de incentivar leituras mais formativas para a classe trabalhadora. Eu faço mea culpa porque não produzo textos curtos. Na Contraf-CUT, por exemplo, faço textos bem completos porque o leitor principal deveria ser o dirigente sindical - são milhares no Brasil. O texto da confederação é informativo e formativo. 

Enfim... este blog de cultura, por exemplo, é lido por poucas pessoas... há anos. Mas não tem problema, nunca busquei neste espaço volume e sim qualidade nos leitores.


Com a palavra, Lula da Silva:



SINDICATO MUDOU LINGUAGEM E FOI PRA PORTA DAS FÁBRICAS

"A eleição de 1978 foi muito importante porque a gente estava realmente com um pique muito interessante no sindicato. Nós já tínhamos inclusive mudado a linguagem do sindicato. A gente já não ficava mais esperando o trabalhador vir no sindicato para fazer assembleia. A gente ia para a porta de fábrica de manhã, de tarde e de noite fazer assembleia. Ao invés de fazer aqueles boletins chatos, a gente fazia história em quadrinhos, que era para o trabalhador ler."


TRABALHADOR JOGAVA BOLETIM FORA SEM LER

"Eu fui um dia numa porta de fábrica e eu descobri... A gente pegava o boletim e entregava para o trabalhador e o trabalhador jogava fora. Não é que ele jogava fora na hora. Eu percebi que ele andava um pouco com o boletim na mão e depois jogava fora. Então eu peguei o boletim e fui andando e lendo para ver se dava tempo de terminar de ler até onde ele chegava (carregando o boletim, antes de jogar fora). E não dava tempo para acabar de ler. Ele só esperava ficar um pouco distante da gente para jogar fora. Ou seja: o boletim não trazia nenhuma esperança para ele, não trazia nenhuma motivação para ele.

O que nós começamos a perceber? Primeiro, a gente fazia um boletim [e perguntava]: 'O que que a gente queria? Queria convocar uma assembleia para o dia 24, por exemplo. Para que horas? Para as 19 horas. Só que isso a gente não dizia no começo, a gente dizia no final. Então para o cidadão saber que hora era a assembleia, o dia e o local ele tinha que ler o boletim inteiro. Como ele não estava habituado a ler, ele não lia. Jogava fora. Não ficava nem sabendo nem do dia, nem da hora, nem do objetivo do boletim."


COMECE DIZENDO O QUE QUER COMUNICAR AOS TRABALHADORES

"Eu fui andando atrás e percebi que não dava tempo de ler. Eles jogavam fora. Aí então nós resolvemos: primeiro, o que nós queremos dizer para o cara? Nós não queremos entregar boletim por entregar. Nós queremos dizer que tem uma assembleia. Então isto tem que estar em primeiro lugar no boletim. Segundo lugar: para ele ir na assembleia ele tem que saber o dia e o local, então nós temos que colocar: 'Dia tal, assembleia no sindicato às 19 horas'. Aí, embaixo, a gente coloca o assunto, porque se ele se interessar pela assembleia ele vai se interessar pelo assunto."


"DENISE: Seu sindicato tinha jornalistas contratados para fazer o boletim oficial da entidade. Eram profissionais. Descobrindo os furos de comunicação existentes no jornal, você acredita que 'deu um baile' nos jornalistas?

LULA: [rindo] Não. Foi só uma questão de constatação. O jornalista pode ficar dentro do sindicato... Não sei se por falta de hábito, às vezes não sai para ver se estão lendo o que ele escreve. O que eu sei é que isso era um equívoco nosso. Até hoje tem algumas coisas assim. Você pega o boletim do sindicato e o objetivo está colocado lá no final. A coisa principal é dita somente quando o cara já enjoou de ler."


COMENTÁRIO DO SINDICALISTA WILLIAM


Quando eu comecei a fazer base no Sindicato dos Bancários, eu pegava as Folhas Bancárias, lia completamente antes de ir para os locais de trabalho, e em cada banco que eu entrava, eu chamava a atenção do bancário para tal assunto antes de ele pegar a Folha, fazia isso mesa a mesa. Fiz isso nas três regionais do Sindicato por onde atuei - na Oeste, em Osasco e na Centro. Eu lidava com todos os bancários de todos os bancos.

Depois fui cuidar do Complexo São João (2004/05), com 22 dependências do BB e mais de 1.500 bancários. Também chamava a atenção do bancário ao invés de só deixar a Folha na mesa. Digo a vocês que o retorno é muito bom e dali surge o diálogo e a formação sindical para ambos - o dirigente e o trabalhador.


HISTÓRIA EM QUADRINHO - PERSONAGEM JOÃO FERRADOR

"E aí nós resolvemos fazer a história em quadrinhos. Vamos ver se a gente consegue despertar no povo o interesse de ler alguma coisa! O João Ferrador já existia. Mas ele não existia como história em quadrinhos, ele existia só enquanto personagem. Então ele virou uma espécie de 'Monica' dos metalúrgicos. Tudo o que a gente queria fazer girava em torno do João Ferrador. Artigos, editoriais... Nós começamos a bolar uma espécie de gibizinho, história em quadrinhos, para contar as coisas. Tivemos a participação do Laerte, do Henfil, foi muito importante. Tem até um material bom (que eu quero que você veja) que foi a cartilha que nós produzimos no III Congresso dos Metalúrgicos. Foi uma coisa fantástica, isso revolucionou a forma de ser do pessoal."


FAZENDO A CATEGORIA LER

"Nós ainda criamos uma coisa, isso foi sugestão do companheiro Gilson Meneses, em 1976. Nós sabíamos que o trabalhador não podia ler jornal porque não tinha dinheiro para comprar jornal. Então o máximo que ele fazia era ler as manchetes dos jornais pendurados nas bancas. A pedido do Gilson, a gente criou uma coisa chamada Boletim Diário em que a gente fazia em uma ou duas páginas um xerox das matérias mais importantes, a gente rodava [esse material] e os dirigentes levavam para dentro das fábricas. Então a gente estava reproduzindo aos milhares as notícias de jornal que nos interessavam...

E naquele tempo as empresas não deixavam o material entrar, então os trabalhadores amarravam na meia, na barriga, para entrar dentro da fábrica. E distribuíam milhares de materiais. Foi uma coisa muito importante também, foi uma coisa que... Na verdade a gente estava fazendo os trabalhadores lerem os jornais, mas era uma coisa em que nós estávamos dando uma certa direção. Era uma coisa bem-feita, que também mexeu muito com a categoria."


COMENTÁRIO DO SINDICALISTA WILLIAM: 


A criatividade aqui no fazer o trabalhador ler foi fantástica. Reparem que os jornais da época já eram das mesmas famílias de hoje (alguns fecharam e eram melhores), mas a ideia de fazer clipping com assuntos de interesse dos trabalhadores foi muito importante. Quando chegou a campanha salarial de 1978, o pessoal estava bem mais informado e mais politizado pelo sindicato.

Outra coisa: olha como é engraçado. Na atualidade, o Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.) atua com a ideia de criar pauta e influenciar os trabalhadores a as massas com a criação de títulos e manchetes porque sabe que muito pouca gente lê as matérias em si. Então criam páginas e rostos nos jornais e nas revistas (nas bancas) e nos sites e páginas virtuais com manchetes escabrosas contra o governo do PT e contra os movimentos sociais e temos que alertar nossos trabalhadores contra essa lavagem cerebral e desinformação.



BASE E CONTATO COM TRABALHADORES - E como podemos fazer isso? Antes de mais nada, só é possível fazer algo se estivermos em contato com os trabalhadores... básico, não?

Temos que combater a pauta manipulada da grande imprensa da direita com informação de qualidade fornecida por nós que temos o viés da classe trabalhadora. Não é impossível, é só ter inventividade, algumas técnicas e gana em comunicar.

É isso! Espero estar contribuindo com os dirigentes sindicais e alguns militantes sociais e leitores que gostam do tema comunicação e que estão engajados nas lutas por um mundo mais justo e solidário.

William


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Corrida do 1º de Maio - VI Desafio do Trabalhador



Olha minha medalhinha da corrida
dos trabalhadores em Osasco.

Refeição Cultural

Depois de três dias trabalhando em Brasília (DF), cheguei tarde ontem à minha querida cidade de Osasco (SP) e, hoje bem cedinho, levantei-me para fazer uma coisa muito prazerosa: participar da corrida do trabalhador em homenagem ao 1º de Maio.

A corrida é promovida pela Prefeitura Municipal de Osasco em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, que inscreve 700 bancários sindicalizados. A prova contou com a participação de mais de dois mil corredores e caminhantes. Ela tem um percurso completamente plano, agradável e não teve nenhum problema de organização, não faltou água e correu tudo bem.

Corri 8 k em 50 minutos e para a minha condição física atual, fiquei muito feliz com a minha performance. Tenho tido muita dificuldade de rotina de treinamento em corrida já faz tempo, porque nosso mandato sindical é sempre de viagens. Adotei a alternativa - não ideal - de correr aos finais de semana um longa (longa pra mim). Fui fazendo isso nas últimas semanas, mesmo durante aquele período em que viajei de segunda a sexta pelo país em campanha pelas eleições da Cassi.

O treinamento que adotei deu certo porque nas últimas semanas acabei correndo entre 30 a 70 minutos, num ritmo de 7 minutos o Km e meu corpo foi suportando o aumento de percurso aos poucos. Na prova de hoje fiz o Km em 6'15". Olha, estou muito feliz com isso!


Não fui para as atividades da CUT em homenagem e reflexão sobre o 1º de Maio. Primeiro, porque o esforço físico e a concentração que fiz não me permitiria muitas horas fora de casa; segundo, porque sempre faço uma opção no movimento de luta que participo de estar com a família os poucos minutos em que tenho possibilidade, já que não é fácil levar uma vida de grande ausência em casa. 

O pessoal mais próximo já sabe que, em geral, eu opto por estar com a família em casa ao invés de participar das atividades mais sociais (festas, confraternizações, cervejadas etc). Explico, minha família não é do movimento e ir sozinho é ter menos tempo ainda com ela.


1º de Maio - Dia d@s Trabalhadores


Atividade do 1º de Maio da CUT e demais
centrais no Vale do Anhangabaú SP.
Foto: Vitor Nuzzi, da RBA.

Faço rápido comentário porque há excelentes textos nos sites progressistas como Carta Maior, Carta Capital, CUT, Rede Brasil Atual, dentre outros sites com o viés da classe trabalhadora, e com ponto de vista diferente da lavagem cerebral e da palhaçada que são os veículos de comunicação do P.I.G. das famílias midiáticas bilionárias do país (Marinho/Globos, Civita/Abril, Frias/Grupo Folha, Mesquitas/Estadão e porcarias do gênero) que fazem a vez de oposição partidária ao governo do PT já que os partidos de oposição são totalmente incompetentes e não têm programa algum ou não têm coragem de dizer que o programa deles é foder a classe trabalhadora e o povão (Desculpem, mas não tem palavra mais clara).

O 1º de Maio no mundo foi de luta e de reflexão do momento mundial de crise no emprego, nos direitos sociais para a classe trabalhadora e nos valores da democracia, da liberdade e da igualdade. Há um desemprego em massa nos países do mundo. No Brasil governado pelo Partido dos Trabalhadores não há...

Engraçado né! Existem problemas verdadeiros em nosso país como crise na segurança pública (que é responsabilidade principal dos Estados); temos o eterno problema em melhorar a saúde pública através do SUS - que é um Sistema Único de Saúde previsto na Constituição Federal de 1988 e que prevê atenção integral à saúde para a população. No entanto, o SUS tem muitos problemas porque os liberais vivem tirando ou desviando recursos deste setor para pagar juros aos rentistas (MAS não existe saúde pública gratuita, por exemplo, nos EUA e os capitalistas estão destruindo a que existe na Europa, em nome dos rentistas).

Bom, como disse no início, tem bons artigos nos sites progressistas para reflexão política sobre o 1º de Maio de 2014 no Brasil - governado nos últimos 12 anos pelo governo democrático e popular de coalizão liderado pelo PT - e o 1º de Maio no mundo, onde se esfacelam os direitos sociais e o emprego, principal fonte de cidadania e direitos sociais da classe trabalhadora.

Falo isso porque este é um ano de eleições em outubro e não há ninguém nem nada isento, neutro, imparcial ou bobagem parecida. Tudo são interesses e eu espero que vocês tenham posição política e participem porque já tenho visto conhecidos, leitores, colegas representados por mim e amigos dizendo que "estão de saco cheio de toda a nojeira da política e que vão votar nulo"... É tudo o que a direita e os rentistas querem... gente bem despolitizada, ou politizada mas muito frustrada, e a juventude e as novas classes B, C, D e E "não participando" da política!

É importante que aqueles e aquelas que têm mais de 30 anos falem aos mais jovens o que é viver num país sem emprego e sem perspectivas como era aquele que nós da casa dos 40 anos ou mais vivemos nos anos 90, 80 e 70. País que na época estava sob as administrações golpistas dos militares (com a elite) nos anos oitenta e setenta e estava sob administração dos partidos hoje claramente de direita PSDB, DEM, PPS da atual oposição ao governo federal sob administração do Partido dos Trabalhadores entre 2003/14. Inclusive parte do PMDB que é partido aliado ao projeto atual está sempre com a oposição.

Já disse algumas vezes, tenho muitas críticas à pusilanimidade do PT em não enfrentar com mais firmeza essa corja do P.I.G. - Partido da Imprensa Golpista - e dos rentistas, mas eu não sou alienado politicamente para não saber a diferença dos DOIS projetos que estarão em jogo nas eleições 2014. A oposição está defendendo redução de salários, corte nos empregos, privatizar e desfazer o Estado Nacional novamente (o que sobrou dos anos 90 e que foi revigorado nestes 12 anos de PT) e coisas do gênero... Fala sério!

Quem são os pulhas da oposição e do P.I.G. para falar da Petrobras que já estaria privatizada em mais um crime de lesa pátria como foi a doação da Vale, das elétricas, da Embraer etc. Quem são esses pulhas?

É isso!

domingo, 27 de abril de 2014

Lula, o filho do Brasil - Fazer política aberta e com a massa





Capítulo: "E Luiz Inácio tornou-se Lula" parte II

Aqui vou destacar as inovações que Lula trouxe para o Sindicato dos Metalúrgicos quando lá chegou nos anos 70. Primeiro Lula entrou no sindicato e depois virou presidente em 1975 e foi reeleito em 1978.

O contexto da época era de Ditadura Civil-Militar desde 1964. Recessão pesada para a classe trabalhadora. Salários de miséria que não davam sequer para alimentar a família. Frei Chico era do Partidão e Lula não tinha envolvimento com correntes políticas.

Se, por um lado, há um exagero do Lula em falar pra fazer tudo aberto e público quando os milicos e DOI-CODI e DOPS estavam de olho, por outro lado, a crítica que o Lula faz é ao modo dos comunistas e classistas de fazer tudo em cúpula ao invés de fazer o diálogo aberto e franco com a massa.


"E aí na minha cabeça começou a vir a seguinte questão: qual era a lógica de prender um cara como o Frei Chico? Qual era a lógica de prender um trabalhador pelo simples fato de ele ser contra as injustiças sociais do país? E aí, quando eu fiquei sabendo que o Frei Chico tinha sido torturado, tinha sido massacrado, aí deu até uma revolta por dentro! Um pai de família, um cara que trabalhou desde os 10 anos de idade, se ferrou a vida inteira, um cara que não tinha nada a não ser a família dele e as ideias dele, de repente chega um troglodita de um milico qualquer e manda prender esse cara? E tortura esse cara? Em nome do quê? Em nome de que ordem? Isso me criou uma revolta interior!"


"Aí eu passei a não ter medo mais. Porque se eu tivesse que ser preso pelo que eu pensava, então que eu fosse!"



DAR PUBLICIDADE, CONVERSAR COM A MASSA

"Denise: Você soube de detalhes da tortura sofrida pelo Frei Chico?

Lula: Ele me contou. Agora eu também fiquei puto com o Frei Chico. Porque o cara era vice-presidente de um sindicato, tudo o que eu fazia em São Bernardo ele poderia fazer em São Caetano. Faz uma assembleia e fala as coisas na frente de 500 pessoas, na frente de mil pessoas, na frente de 2.000! Ele não, ele preferia fazer reuniãozinha no fundo do quintal, com duas pessoas e de preferência numa sala escura para ninguém ver. Sabe aquela mania de perseguição política? Eu falava: 'Faz as coisas abertas, Frei Chico! Faz a coisa aberta: abre o salão do sindicato, convoca mil trabalhadores e esculhamba com quem tiver que esculhambar! Pelo menos, se der alguma coisa, todo mundo está vendo por que você está sendo preso'. Eu tinha divergência com ele por isso. Eles gostavam de uma reunião escondida. Eu não gostava."


FAZER AS COISAS ABERTAMENTE AJUDOU FORMAÇÃO DE LULA

"Um dia, o pessoal da oposição lá de São Bernardo me convidou para uma reunião na casa de um companheiro. Era a casa do Mário Ladeia, que depois foi vice-prefeito de São Bernardo. A gente estava reunido de noite, todo mundo assustado. Aí de repente vem um carro e pára perto do portão. Aí tem sempre alguns doentes mentais e começam: 'É a polícia! Não sei o quê, não sei o que lá...'. Todo mundo ficou deitado no chão... e nem respirava! Sabe, diziam que era a polícia... E o táxi estava descarregando passageiro e não desligava o motor do carro, obviamente. Aí, a partir daquele dia eu falei: 'O que é que eu estou fazendo para me submeter a isso? Vou ficar com essa psicose, esse medo? Assim ninguém consegue viver, me desculpem!'. Nego andava assustado na rua. Eu falava: 'Não, se eu tiver que ser preso eu vou ser preso pelo o que eu faço publicamente, abertamente. Os negos me pegam logo no sindicato'. Essas coisas ajudaram muito na minha formação."


FAZER POLÍTICA NO SINDICATO E COM OS TRABALHADORES

"O Frei Chico já me convidava para ir em reunião. Ele dizia: 'Vamos lá num apartamento em São Paulo, vai vir um companheiro do Rio de Janeiro fazer uma palestra para nós... Vamos em tal lugar...'. E eu respondia: 'Frei Chico, eu vou fazer reunião em um apartamento escondido? Para ser preso sem saber por quê? Não, Frei Chico! Se seu amigo quer conversar comigo, manda ele vir no sindicato. Eu sou o presidente do sindicato e eu atendo quem quiser falar comigo, não tem nenhum segredo'."


CHEGA DE REUNIÃO DISFARÇADA COM JORNAL EM BANCO DE PRAÇA

"Uma vez, em 1974, eu fui na praça da Matriz encontrar com um cara chamado Emílio Bonfante, ele tinha o codinome de Ivo. Era o momento das eleições de 1974. Aí eu chego na praça e sento de um lado do banco, o cara senta do outro. Cada um com um jornal na cara... [ri]. Aí o cara perguntava: 'Como é que você está vendo a situação do país?'. Eu respondia: 'Estou vendo assim, assim e assado.'. E ele: 'O que é que você acha do Marcelo Gato?'. E eu: 'Eu acho que o Marcelo Gato é um cara legal.'. E aí ficava naquela conversa, e eu dizia que também achava o outro legal. Aí, passada uma meia hora, o cara foi embora eu esperei um pouco e depois fui embora. Então eu falei para o Frei Chico: 'Frei Chico, eu não tenho a minha mãe na zona! Nem meu pai é corno!... Eu vou ficar fazendo essas reuniões assim? Não tem essa, não, Frei Chico, a partir de agora em diante quem quiser fazer reunião comigo é pública e não tem segredo'."


LULA AFIRMA QUE EXPERIÊNCIAS COM O PARTIDÃO MUDARAM SUA CABEÇA

"Tudo isso mudou a minha vida. Essas coisas e a prisão do Frei Chico para mim mudaram a minha cabeça para melhor. Até porque alguns companheiros que foram presos eu conhecia. E, do ponto de vista da agitação, eles não faziam muita coisa. Talvez tivessem feito no passado, mas não faziam nada naquele instante. Então eu ficava pensando: 'O que estas pessoas fizeram para serem presas?'. Sabe, então isso para mim foi muito bom, foi muito bom isso."


COMENTÁRIO

Este capítulo é muito interessante porque enquanto vemos Lula falar em 1993 retrospectivamente aos anos 70/80, ele está descrevendo e fazendo uma espécie de referência ao que seria a gênese de concepção e prática do movimento sindical organizado a partir da criação da Central Única dos Trabalhadores (1983), que seria criada após a Conclat (1981) como um Novo Sindicalismo de massa, classista, democrático, autônomo e organizado a partir da base.

Fazer um sindicalismo mais no dia a dia nos locais de trabalho, falando abertamente com os trabalhadores em assembleias e na porta das fábricas, é a melhor opção para politizá-los sobre todos os temas do mundo do trabalho e da vida política e cidadã como um todo.

Eu acredito muito nisso enquanto dirigente sindical e secretário de formação. Busquei fazer isso até de forma intuitiva desde que cheguei ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2002. Se o sindicalista está constantemente em diálogo com os trabalhadores, ele tem respaldo e representatividade para organizar, para concordar e até para discordar da posição dos seus representados.

Pra ver como são as coisas e os contextos históricos... Hoje, 2014, temos uma democracia em construção no Brasil. Temos as mesmas conversas pequenas aqui a ali. Uma central sindical buscando tomar espaço de outra. Uma corrente tentando derrubar a outra. Grupos rivais se organizando uns contra os outros dentro das centrais e sindicatos... gente que se diz de "esquerda" aliada a grupos ultraconservadores e reacionários. Gente que se diz "combativa" e que faz cada coisa pelega que assustaria os antigos pelegos. E La Nave Va...

E também temos gente defendendo que deveria voltar a ditadura... é mole? Assisti ao depoimento do coronel reformado Malhães, que confessou para a Comissão da Verdade que eles matavam e torturavam mesmo. É chocante vê-lo falando. Ele apareceu morto nesta semana após as confissões que fez...

É isso. Na próxima postagem sobre este capítulo, irei abordar as mudanças na comunicação com os trabalhadores feita por Lula no Sindicato dos Metalúrgicos após virar presidente entre 1975 e 1981.

Tchau!

William


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.


Post Scriptum (21/10/17):

Oh vida dura! Ao reler esta postagem do primeiro semestre de 2014, o mundo desabou, virou do avesso. O país sofreu um golpe de Estado, os golpistas tomaram praticamente os 3 poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Os empresários mandam no país, a começar pelos da comunicação como os Marinho, Frias, Civita, Mesquita e gente do tipo. Os direitos em geral do povo já foram eliminados. O patrimônio público está sendo extinto e doado para corporações estrangeiras de países que apoiaram o golpe como, por exemplo, os Estados Unidos. Que coisa, heim!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Lula, o filho do Brasil - "E Luiz Inácio tornou-se Lula" (I)



Lula é uma referência importante para a
Concepção e Prática Sindical da CUT.

Este capítulo do livro de Denise Paraná, com uma entrevista do Lula em dezembro de 1993, é para mim um capítulo muito especial. Desde que o li pela primeira vez, pensei nele como um texto teórico para debater formação sindical com dirigentes e trabalhadores sobre ser um militante CUTista e também da Articulação Sindical.

O ideal é ler o capítulo todo. Aqui na postagem tenho que escolher frases e algumas partes e nunca é a mesma coisa. Apesar do trabalho que dá, quero deixar registrado no Blog alguns excertos desta entrevista do presidente Lula da Silva e alguns comentários meus.


QUE TIPO DE SINDICATO?

Lula: "Há uma dinâmica na categoria. À medida que a categoria ia exigindo, você ia... Na medida em que nós fizemos uma opção de que o sindicato não seria o tutor da categoria, mas seria uma espécie de caixa de ressonância da categoria, cada vez que os trabalhadores exigiam, ao invés da gente represá-los, a gente soltava. Então eles queriam mais boletim; era mais boletim, mais atividade, era mais atividade, mais curso de formação política, era mais curso de formação política. Eles queriam que a gente radicalizasse mais, a gente radicalizava mais. A gente passou a viver muito por conta do próprio crescimento da própria categoria. Por isso que eu digo sempre que eu sou o fiel resultado do crescimento da minha categoria. Nem mais nem menos. À medida que ela avançava, eu avançava, na medida em que ela não avançava, eu não avançava. Eu não era representante de mim mesmo, era representante deles. No mínimo eu teria que ser fiel àquilo que eles queriam..."


PRIMEIRO DE MAIO

Lula: "A gente fez um grande Primeiro de Maio. Em 1976 a gente já começou a fazer os primeiros Primeiros de Maio de protesto. Porque antes os Primeiros de Maio eram quase que festa. Em 1977 o pessoal trotskista ligado à Libelu, ou sei lá se a própria Convergência, chamava a gente de 'neopelego'. Esse termo 'neopelego' queria dizer que a gente era um tipo de pelego novo, que era pelego, só que não era o tradicional. Mas com este tipo de comportamento a gente nunca se preocupou..."


OPOSIÇÕES E CORRENTES POLÍTICAS NO SINDICATO

Lula: "A gente tinha oposição dentro das fábricas. Nesta época, em 1976, 1977, começaram a vir grupos de esquerda para dentro da categoria: eram estudantes que se disfarçavam de trabalhadores e vinham para dentro da categoria. Era da Universidade de São Carlos, gente que vinha da Universidade do Paraná... Foi um momento em que os estudantes começaram a imaginar que poderiam, entrando numa categoria importante como a nossa, que eles poderiam liderar a classe operária brasileira.

E os estudantes encontraram uma categoria disposta a brigar inclusive com eles..."

(Lula fala de um militante da Convergência preso ao fazer atividade para a corrente e não para o sindicato):

Lula: "Mas aí o pessoal da Convergência vinha conversar comigo para fazer uma nota de solidariedade. Eu falava: 'Olha, a gente faz a nota de solidariedade. Agora, é importante a gente frisar na nota que ele não estava cumprindo a atividade sindical. É importante para não confundir. Eu não vou passar por mentiroso'...

(...) E naquela época a Convergência começou a aparecer muito fortemente na categoria, empregando gente em várias empresas para tentar ter uma atuação no sindicato. O pessoal do MR-8, o pessoal do 'Partidão' começou a levar gente para São Bernardo. E outras organizaçõezinhas de esquerda, a Ala Vermelha, estava todo mundo lá. Virou uma 'federaçãozinha de esquerda'.


E é engraçado porque a diretoria nunca perdeu o controle. A gente se relacionava bem com todos eles, mas nunca perdemos o controle, todos eles acatavam as decisões da categoria, da diretoria. A gente às vezes ia para o enfrentamento com eles nas assembleias porque eles radicalizavam e sectarizavam e a gente ia duro para cima deles. Mas a gente sempre manteve uma relação política respeitosa."


APRENDIZADO NA CONVIVÊNCIA COM AS CORRENTES POLÍTICAS

Lula: "Aí eles tiveram um papel importante nesse processo todo. Eu acho que a gente não pode dizer que não tiveram. Tiveram um papel importante no aumento do nível de consciência desse pessoal, dos operários. Acho que várias pessoas da Convergência tiveram essa participação. Tudo isso foi evoluindo para aprimorar a minha cabeça política..."


FALHAS NA QUESTÃO DA IGUALDADE DE GÊNERO

Lula: (falando dos problemas ocorridos no Congresso da Mulher Metalúrgica e das feministas):

"O pessoal era muito radical, muito radical. E esse foi um congresso muito importante. É uma pena que a gente não deu sequência ao trabalho na questão da mulher como merecia. Às vezes a gente relaxava e não compreendia as dificuldades [da mulher]. Não basta aprovar num documento que a mulher é igual e não sei o quê... É preciso saber se a gente cria condições para que a diversidade do mundo da mulher possa ser assimilada. Quando você fala: 'Tem que participar de uma assembleia homem e mulher...', se é um casal que tem três ou quatro filhos e alguém tem que fazer a janta para as crianças e [o casal] não pode ter empregada, alguém vai ter que ficar em casa. Então os dois não podem ir. É preciso saber como é que compatibiliza isso. No PT, por exemplo, eu tenho dito: 'Não adianta dizer que a mulher tem que participar. Quando a gente faz um encontro e passa o domingo inteiro juntos, a gente estabeleceu condições de ter creche para os casais deixarem as crianças? Alguém vai cuidar de fazer almoço para estas crianças? Porque é assim que a gente vai dar condições'.

Então, eu acho que a gente falhou. Essa é uma das coisas em que nós falhamos: não dar sequência a esse trabalho com as companheiras mulheres, que na época chegavam a ser 20 e poucos por cento da categoria. A gente não soube trabalhar corretamente isso. É um dado concreto, eu assumo a responsabilidade. Apesar desse congresso ter sido um grande sucesso, a gente não deu uma sequência do ponto de vista de trazer a mulher para dentro do sindicato mesmo. Agora, obviamente que melhorou muito a participação [das mulheres] nas assembleias. Mas a gente não conseguiu o grau de militância que a gente imaginava que poderia conseguir."


COMENTÁRIO RÁPIDO


O capítulo é longo e tem muitos ensinamentos. De maneira geral, nascia ali no período em que Lula está falando (entre anos 70 e 80), nossas concepções e práticas da Central Única dos Trabalhadores.

Alguns trechos que sublinhei considero importantes. Nós não somos representantes de nós mesmos quando estamos em um sindicato de trabalhadores. O sindicato não é prestador de serviço, é local de organização e ressonância dos trabalhadores.

Na medida do possível, um dirigente e uma categoria têm que evoluir juntos, ou então partilharem e viverem juntos os mesmos dramas. O dirigente deve estar ao lado de seus representados.

Ter uma convivência respeitosa com as correntes políticas que militam no movimento é importante e traz crescimento político para todo mundo.

Não adianta falar de igualdade de oportunidades sem criar as oportunidades para a igualdade.

É isso. Seguimos depois com o capítulo.

William Mendes
Secretário de Formação da Contraf-CUT


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.