sábado, 19 de setembro de 2020

Sábado de histórias


Leituras de história do Brasil e do mundo.

Refeição Cultural

Hoje é dia 19 de setembro do ano da desgraça da pandemia de Covid-19. Ano sob a influência das desgraças de trumps e bolsonaros. Ano de 2020, um ano para entrar para a história do planeta Terra e da sociedade humana. O necrocapitalismo já era no início de 2020 uma desgraça para a classe trabalhadora mundial, concentrando quase toda a riqueza do mundo nas mãos de 1% de humanos. Com a pandemia do novo coronavírus, o que já era ruim ficou ainda pior para os 99% de humanos. A natureza está sendo destruída rapidamente e a vida na Terra está fadada a se tornar inviável.

Estudar história é importante por causa dessas coisas que descrevi acima. Toda essa desgraça poderia ser evitada porque ela não é natural, ela é uma opção da humanidade que, sozinha, sem catástrofes naturais, resolveu inviabilizar a vida por pura burrice e egoísmo. E assim caminhamos para o fim. O aparecimento do vírus pandêmico até pode ser natural, mas a forma como cada país e seu povo e cada governo lidou com ele é opção, é política, é visão de mundo.

Na Era dos extremos (1994), de Eric Hobsbawm, li a respeito da China. Quase nada sabia sobre o que li a respeito da história do povo chinês. A leitura de hoje me ajudou a entender um pouco o motivo de a China de hoje ter o número de vítimas que teve em relação à pandemia de Covid-19. Neste momento, o mundo contabiliza 30.666.122 pessoas contaminadas pelo vírus e 954.905 pessoas morreram. Desse número absurdo, temos 90.324 chineses contaminados e 4.737 cidadãos chineses mortos pelo vírus. Estudar história me permite compreender um pouco melhor a forma como o governo chinês lidou com a pandemia de Covid-19.

Conhecer um pouco de história e política me permite também compreender um pouco melhor porque que das 954.905 vítimas fatais 335.790 são norte-americanos e brasileiros (199.258 e 136.532, respectivamente). Esses dois países governados por dois extremistas de direita contabilizam 12.072.383 contaminados pelo vírus. Ou seja, sozinhos, os dois países governados por fascistas e suas não-medidas para combater o avanço da pandemia do novo coronavírus concentram 39,37% dos contaminados por covid-19 no mundo. Vale lembrar que só a China concentra 1,4 bilhão de pessoas, enquanto Estados Unidos e Brasil têm juntos 541 milhões (329,6 e 211,7 milhões, respectivamente). Repito, na China morreram 4.737 cidadãos e nos Estados Unidos morreram 199.258. No Brasil morreram 136.532. Isso é política, não é coisa da natureza. Não é natural.

É isso. Como escrevo praticamente para mim mesmo, como registro de um tempo, de uma vida, a minha própria, por exemplo, não vou me alongar não. A leitura de Hobsbawm me trouxe muito conhecimento até agora sobre o povo chinês, ao ler o capítulo 16 - "Fim do socialismo". 

Aliás, neste capítulo, o historiador nos conta sobre um correspondente do Times de Londres (Wu Han) que surpreendeu estudiosos com sua opinião: "na década de 1950, ao afirmar, chocando os que o ouviram na época, como este autor, que não restaria comunismo algum no século XXI a não ser na China, onde sobreviveria como a ideologia nacional" (HOBSBAWM, 2006, p. 451).

Sobre história do Brasil, li matérias interessantes também, mas não carece de mencionar aqui.

Ao olhar para trás na rede social onde tenho um perfil, escrevi nos meses passados comentários sobre história e sobre a pandemia de Covid-19 (logo abaixo).

William

Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

Informações sobre Covid-19: Johns Hopkins University.

Informações sobre países e populações na Wikipedia: aqui.

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12/6/20

POR QUE LER HISTÓRIA?

Porque temos que lembrar que o nazismo e o fascismo de Hitler e Mussolini existiram e fizeram o que fizeram por causa do cotidiano de ódio na Alemanha e na Itália que permitiu a eles se beneficiarem daquele "clima", daquela barbárie que passou a ser o "normal" como disse Eichmann ao mundo em depoimentos em seu julgamento em Israel. 

Ontem, ao ver bolsonaristas desrespeitando um ato pacífico nas areias do Rio de Janeiro, retirando as cruzes em homenagem aos mortos pela Covid-19 eu dei um meio grito em casa de raiva, de indignação. Em mais de 20 anos de movimento social eu nunca tinha visto adversários passarem dos limites assim, de desrespeito aos outros. Quem estimula isso é o líder fascista deles. À noite, soube que esse desgraçado inflamou seu bando de seguidores fascistas a invadir hospitais... Francamente! 

E relembro aqui, como deve acontecer aos que respeitam a história, que o fascista inumano e o ódio e o bolsonarismo são frutos e consequências do processo de ódio criado no Brasil para interromper os mandatos populares (democráticos) e mais voltados ao povo brasileiro que democraticamente vinha elegendo o Partido dos Trabalhadores para governar o país. As emissoras e jornais e revistas dos barões e suas ferramentas criminosas de fake news e interferência na política incentivando o processo de destruição de mandatos e governos via lawfare (tipo Lava Jato) são as responsáveis por esse mal que enfrentamos e que pode não ter mais volta antes de uma guerra ou destruição do que era o antigo país chamado Brasil. A extração do ódio que existe nas pessoas foi um projeto da elite tacanha e desgraçada deste país. A consequência está aí, um novo regime de ódio nazifascista em pleno século 21.

(postei o comentário acima após ver um vídeo do youtuber Henry Bugalho. O vídeo, com o título de "O vídeo mais difícil que já fiz" (12/6/20) é muito tocante para qualquer pessoa que ainda tenha traços humanos e não inumanos como estão se tornando os zumbis do novo fascismo)

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7/6/20

ERA DOS EXTREMOS

Ler a Era dos extremos é uma viagem ao passado pra um cinquentenário que estudou nos últimos 35 anos... (o ser humano não aprendeu nada com a história).

A leitura é triste. No meu caso, me deixa deprê...

Se um dia acabar esse livro, vou beber algo pra comemorar a missão, uma garrafa de vinho, cachaça, sei lá...

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5/6/20

COVID-19

1.473 pessoas mortas em 24h... quanto sofrimento! E pensar que se o governante fosse outro, se os brasileiros não fossem o povo mais ignorante do planeta Terra, as coisas seriam completamente diferentes. Povo e país miseráveis! (e neste país único, a curva de contágio e morte está em ascensão e os miseráveis no poder vão flexibilizar a quarentena para matarem os miseráveis miseráveis)

Mesmo sendo as vítimas dessa miséria toda as responsáveis por essa miséria toda, eu me compadeço com elas e conosco. Meus sinceros sentimentos pelas mortes ocorridas e pelas que virão nos próximos minutos horas dias semanas meses... anos (o que vocês fizeram ao votarem e colocarem no poder essas centenas de canalhas não se desfaz em um ou dois anos. Vocês estragaram tudo!)

4/6/20

COVID-19

Instantes... meus sentimentos sinceros pela morte de mais 1.349 brasileir@s vitimados pela pandemia de Covid-19. Essa tragédia era evitável, não fosse a pandemia de ódio bolsonarista no seio do povo brasileiro. Isso também era evitável, não fosse o Partido da Imprensa Golpista (PIG) ter estragado o povo brasileiro, feito ele um povo vil, como disse Pulitzer sobre o risco de uma imprensa canalha e vil.

Seguimos na resistência do sobreviver, pois tem horas que é o que podemos fazer.

29/5/20

COVID-19

País jabuticaba e a pandemia de Covid-19

Mortes e contaminação em crescimento, hospitais lotados, muita morte a caminho, e o almofadinha de SP vai flexibilizar a partir de agora... tudo respeitando a "ciência"... deve ser a merda da ciência olavista-bolsonarista... (você venceu, presidente!).

Vamos ter que ver cansativamente mortes mortes mortes...

Isso porque testamos menos pessoas que o Iraque e Ruanda, segundo o jornal local de agora.

Povo e país miseráveis!

27/5/20

COVID-19

MAIS 1.086 vítimas fatais do vírus Covid-19. A tragédia está só começando. Cada brasileiro vai sofrer com alguma morte por causa da expansão do vírus. A expansão e as mortes de pessoas de nossa relação é porque o povo brasileiro colocou o MAL no poder. Todo ato e toda decisão na vida têm consequência. Vai morrer muita muita gente. E pior: vem algum tipo de guerra civil por aí. Nós pacifistas estamos desarmados. Os que estão do lado do MAL estão armados até os dentes e estão CUSPINDO ÓDIO.

Povo e país miseráveis!

MEUS PÊSAMES aos familiares das mais de 25 mil vítimas da pandemia do vírus. 

MEUS PÊSAMES aos familiares do jovem David Nascimento dos Santos, 23 anos, que saiu pra receber a entrega de comida aqui na região do Jaguaré SP, foi levado pela polícia e morto. Era preto. MEUS PÊSAMES aos familiares do jovem João Pedro, 14 anos, morto no Rio de Janeiro, em evento que também envolveu a polícia. Era preto.

Estamos morrendo, não de morte morrida. De morte matada, de uma vez ou de forma lenta. A morte está nos comendo por dentro ao ver tudo isso que fizeram com a nossa vida, com o nosso mundo. Pode ser morte por vírus. Pode ser por bala. Pode ser por ódio gratuito de algum zumbi desses que andam babando por aí e que agora estão ou ainda estarão armados, incentivados por aqueles que foram colocados nos poderes do Estado.

Morremos, é verdade. Mas temos que dizer isso, nem que seja pra uma ou duas pessoas que nos leem. Morremos.

Não há nada, NADA na história que vá apagar, limpar, desinfetar as mãos cheias de morte de cada pessoa que votou ou que se omitiu de evitar que O MAL chegasse ao poder. O MAL não vai querer sair de lá.

Nossos conhecidos que fizeram isso em outubro de 2018 destruíram nosso mundo e nossa vida. Alguns dos que já sentem na pele os ataques do MAL, também foram responsáveis por tudo isso, como os grandes veículos de comunicação, os jornalistas deles, e os isentões, zilhões de "isentões" são responsáveis por tirar o partido que fez o povo brasileiro viver a melhor fase de sua história.

Chega por hoje. A verdade é que morremos, estamos morrendo...

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Nos meses anteriores, podíamos ver que a desgraça iria longe no Brasil, estando nós sob golpe de Estado e estado de exceção...


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Revoluções ainda são possíveis?





Refeição Cultural

Se revoluções ainda são possíveis, eu não sei. Mas sei que elas são necessárias.

Eric Hobsbawm escreveu o clássico Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991 em 1994. A edição que tenho foi impressa pela Companhia das Letras em 2006. Os primeiros registros de minhas leituras no livro foram feitos em março de 2009. O historiador faleceu em 2012. Eu nunca li o livro até o fim. Sempre fiquei nas releituras da primeira parte "A era da catástrofe". Estamos em 2020 e o mundo está o caos.

Terminei a leitura do capítulo "Terceiro mundo e revolução", já na terceira parte do livro. A descrição dos fatos ocorridos no mundo da segunda metade do século XX por Hobsbawm é incrível. A parte que ele descreve dos anos 70 e 80 já aparece na minha memória de infância. E as palavras dele ao se referir ao final do século e o que poderia vir no seguinte são impressionantes. Não viria nada de bom para nós...

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"Revoluções continuarão ocorrendo? As quatro grandes ondas do século XX, de 1917-20, 1944-62, 1974-8 e 1989- , poderão ser seguidas de outras rodadas de colapso e derrubada? Ninguém que olhe em retrospecto um século em que não mais que um punhado de Estados hoje existentes passou a existir, ou sobreviveu, sem passar por revolução, contra-revolução armada, golpes militares ou conflito civil armado apostaria seu dinheiro no triunfo universal da mudança pacífica e constitucional, como previsto em 1989 por alguns eufóricos crentes na democracia liberal. O mundo que entra no terceiro milênio não é um mundo de Estados ou sociedades estáveis." (HOBSBAWM, 2006, p. 446)
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O historiador marxista não era vidente ou astrólogo, era simplesmente uma pessoa inteligente, preparada e acostumada a fazer leituras da história, era alguém que sabia de causas e consequências de atos e fatos políticos e sociais. 

Os 25 anos que separam a publicação da Era dos extremos e o momento atual estão vivos em minha memória de cidadão militante social. Vivi o boom de governos democráticos populares na América Latina do final do século passado em diante, vi governos que tiveram um olhar para as classes populares em quase toda a América do Sul e vi todos serem derrubados por golpes de Estado com o apoio dos Estados Unidos e suas agências. 

Os processos de desestabilização dos governos não alinhados ao império foram fundamentais para os golpes por lawfare ou revoltas populares manipuladas por meios de comunicação de massa. Sites e jornalistas hoje perseguidos implacavelmente denunciaram ao mundo os métodos de espionar, desestabilizar e derrubar governos não alinhados ao Norte.

Vi entrar em ação uma nova forma de derrubar governos populares, uma forma com menos sangue espirrando em paredes brancas. Lawfare e manipulação maciça de populações através de ferramentas de redes sociais são as novas balas de fuzis e canhões. Uns bostas engravatados com diplomas de direito e colocados nos locais adequados substituem os aviões bombardeiros que matam presidentes como no caso chileno do Palácio de La Moneda (11 de setembro de 1973).

Enfim, em tempos de governos bárbaros, de canalhas e bandidos no poder, termino com as palavras de Hobsbawm sobre o que poderia vir no início do século XXI. Até parece profecia, mas não é.

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"O mundo do terceiro milênio portanto quase certamente continuará a ser de política violenta e mudanças políticas violentas. A única coisa incerta nelas é aonde irão levar." (HOBSBAWM, 2006, p. 446)
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Os novos golpes de Estado através de lawfare podem até não estar espirrando sangue nas paredes, mas estão derramando muito sangue das classes populares, como sempre foi. Mas o derramamento de sangue popular através do assalto ao Estado e aos direitos dos cidadãos é invisibilizado pelos meios de comunicação dos golpistas, a classe dominante que detém todos os meios.

Como disse no início, as revoluções seguem mais necessárias que nunca!

William


Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

À la Benjamin Button... (9)



Refeição Cultural

Olhar para trás...


O país está o caos. As instituições não funcionam mais. Estão por sua conta e risco os cidadãos que precisariam dos órgãos estatais para resolver qualquer questão cotidiana da vida cidadã. É o preço que estamos pagando pelo golpe de Estado iniciado por aquele desgraçado tucano que perdeu a eleição presidencial em 2014.


Só uma revolução traria alguma perspectiva de mudança, que poderia ser para pior ainda ou para uma guinada na situação atual, em que o país foi tomado pelo mal literalmente. As instituições estatais de todos os poderes foram tomadas por quadrilhas de milicianos, aproveitadores, estelionatários, sofistas que fazem lavagem cerebral em milhões de pessoas através de religiões fajutas.

Só uma guerra para alterar a situação. Só uma revolta dessa massa miserável e ignorante que assiste à destruição de seus próprios direitos básicos de sobrevivência sem reação alguma. 

Enquanto isso, a pandemia de Covid-19 caiu dos céus diretamente no colo da elite tacanha e exploradora (o 1%) e foi a melhor ferramenta de destruição em massa da classe trabalhadora. Os capitalistas já faziam o que bem queriam com esse povo brasileiro que lambia as botas de seus algozes da casa grande. Depois da pandemia, a situação só piorou.

Chega de escrever hoje. Abaixo, ao olhar para trás, comentei algumas coisas na rede social semanas atrás sobre pandemia, política, literatura. Já era chocante lidar com 51 mil mortes por Covid-19 em 21/6/20 e agora temos 133 mil mortos no Brasil. E o povo está em festa nas praias e parques das cidades. O governo fascista ri de tudo. É só alegria.

Aumentou a aprovação do lixo que está no governo por fraudes e pela destruição do país. Amazônia e Pantanal estão virando deserto. Fim da educação e saúde pública. Fim das empresas públicas. Propostas de congelamento das aposentadorias dos miseráveis aposentados. Bilionários que patrocinaram o golpe estão 177 bilhões de reais mais ricos durante a pandemia.

Chega, né! Só uma revolução alteraria a situação. E a esquerda segue toda dividida pensando em eleições municipais. Vão pra pqp! Os segundos turnos onde a esquerda está dividida serão entre direita x direita, direita x extrema direita... É muito egoísmo, burrice e pensamento suicida da esquerda.

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07/7/20:

LITERATURA: 97 dias, 97 novelas... vamos chegando ao fim do Decameron... a Peste do novo coronavírus avança sem parar, são quase 67 mil mortes nesta terra miserável em que habito... quis a Fortuna que eu chegasse até aqui.


23/6/20:

PANDEMIA - Lamento com tristeza a morte de 52.645 pessoas no Brasil por Covid-19 (gente, não é uma gripezinha!). Lamento a situação em que nos colocaram os meios de comunicação empresariais e da elite e a própria elite tacanha deste país, destruindo a cultura do povo brasileiro e transformando mais de 1/3 do povo em gente que só existe em função do ódio e destruição. Me solidarizo com as vítimas da pandemia, da violência e do ódio, bem como me solidarizo com a situação de miséria de dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras. Nós temos que superar essa tragédia, esse fascismo que está aí! É começar por nós mesmos, agindo por amor, com esperança e não sendo complacente com o mal.


A mudança é possível, porque somos humanos!


23/6/20:


PANDEMIA - 51.271 pessoas mortas pelo vírus Covid-19. Cada vida perdida importa. O pai de nosso companheiro de lutas aqui de Osasco; a mãe de nossa amiga gestora de saúde em Brasília; nosso companheiro bancário do Rio de Janeiro; cada vida perdida importa... boa parte das perdas poderia ser evitada, se o país não tivesse mergulhado na tragédia bolsonarista.

Meus sinceros sentimentos pelas perdas das pessoas queridas. Nós temos que nos unir por uma vida melhor para todos neste país chamado Brasil.

#ForaBolsonaro
#QueroMeuPaísDeVolta


20/6/20:


DECAMERON: volta ao mundo da Idade Média italiana em 80 novelas...

E pensar que o PIG e os tucanos nos enfiaram nas trevas do bolsonarismo e em uma Idade Média ou pior ainda, dos primitivos bárbaros antes dos sapiens. (somos todos uns bárbaros)


19/6/20:

DECAMERON - 79 dias, 79 novelas... 600 páginas.

Um homem que se acha esperto tenta enganar e é enganado, parando literalmente na merda...

Nossa, parece o povo no país jabuticaba...

Agora faltam 21...


17/6/20:

NOVO REGIME

35% de ótimo + bom... com tudo que vemos todo dia! As pessoas foram hipnotizadas, lobotomizadas... e ou 35% das pessoas nesta terra miserável são canalhas, cínicas e inumanas.

Deu certo o processo iniciado pelos meios de comunicação (PIG) durante os governos do PT de intensificar o processo histórico de coisificação dos seres humanos pobres, pretos e das classes populares (só é ser humano e vale o branco com sobrenome estrangeiro e "ricos").

E tem gente que acha que o novo regime não está avançando...

E as chamadas forças "progressistas" ou "democráticas" inventam codinomes e nominatas tipo "somos 70%"... isso é um processo de tapar o sol com a peneira.

Esses 70% estão divididos em 70 grupinhos de 1%, no máximo 35 grupinhos de 2%... teremos uma longa noite nessa terra que era conhecida como Brasil...

E mesmo assim, apelo para que vocês que me leem sobrevivam, não caiam na depressão, não se embebedem, não desistam ao menos de viver; mesmo sem esperança alguma, há sempre a possibilidade do imponderável e a mudança repentina...

Tudo na vida, no planeta, no universo é MUDANÇA, INCERTEZA, NÃO PERMANÊNCIA.

Então, levantem a cabeça, queridos lutadores e opositores ao novo regime e sobrevivam.

Quem sabe amanhã, um dia, até unidade seja possível entre esses grupinhos de 1% ou 2% contrários ao regime.


16/6/20:

LITERATURA - A Fortuna já me permitiu 75 dias de leitura do Decameron. Permita-me ela mais 25 dias e terminarei mais um clássico da literatura mundial...


12/6/20:

CARMINA BURANA... (poucas músicas batem tão forte num momento como esse que vivemos)

Certa vez, ainda jovem, vivendo um processo de humanização, tive a oportunidade de estar no Teatro Municipal de São Paulo e apreciar a apresentação de Carmina Burana. Foi um dos momentos mais emocionantes de minha vida musical. Me lembro como hoje, que fiquei arrepiado e com lágrimas nos olhos os 65 minutos da apresentação... as lágrimas nos olhos e os arrepios se repetem sempre, como agora.

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Esses foram instantes dos últimos meses deste ano coronavirótico e bolsonaristrágico.

William


terça-feira, 15 de setembro de 2020

À la Benjamin Button... (8)


Neste dia, eu chegava ao conto 98...


Refeição Cultural

Olhar para trás...

Essa postagem se dá na madrugada de terça-feira, 15 de setembro do ano em que a pandemia de Covid-19 alterou o dia a dia da humanidade. Além da pandemia, temos mais desgraças acontecendo no Brasil e no mundo. Os seres humanos aceleram a destruição da natureza e da vida no planeta. Queimadas assolam biomas importantes como Amazônia e Pantanal. Califórnia está em chamas na terra dos imperialistas.


Olhando para trás em minha conta da rede social que passou a dominar a mente das pessoas no mundo, havia postado os comentários abaixo:

08/7/20:

98 NOVELAS DO DECAMERON, DE BOCCACCIO...


Ufa! Hoje li uma das maiores novelas do livro. O tema tratado foi a amizade. E que tema! Tanto no passado quanto no presente! Que sacrifício você estaria disposto a fazer por um amigo?

Faz 98 dias que decidi ler o Decameron... faltam 2 dias pra terminar a missão! Já começo a me emocionar...


28/6/20:

PANDEMIAS


1109 mortes no dia. 57 mil mortes. O domingo será de mais mortes causadas pelo vírus Covid-19. Dezenas de milhares de pessoas são infectadas diariamente. Parte delas vai agravar e parte das agravadas vai morrer. As sequelas da Covid-19 são terríveis em algumas vítimas.
O recorde de infectados e mortos é porque não temos um governo preocupado com a vida das pessoas, as pobres principalmente. 

Bolsonaro tem 30% de apoio do povo deste país...

Que vou dizer?


27/6/20:

LAWFARE - UMA ARMA DE GUERRA

Comentário (post scriptum após assistir a um debate online do Grupo Prerrogativas: Lawfare e o sistema de justiça do Brasil)

Vale a pena que a militância de esquerda e progressista, que defende a justiça e a democracia, ouçam esse debate e compreendam o poder destruidor dessa arma de guerra dos poderosos contra os líderes populares através de máquinas do Estado e também de máquinas burocráticas das empresas estatais de administração pública direta e indireta contra as pessoas que se colocam contra os abusos cometidos em prejuízo da classe trabalhadora. (eu vivi processo parecido em meu mandato de gestor de saúde)


26/6/20:

PANDEMIA

700.000 casos a mais de Covid-19 em 25 dias, chegando a 55 mil mortes, e o Brasil pondo o povo na rua pra morrer... é ou não é um país jabuticaba? Onde no mundo dá um fruto desse?

Mesmo assim, me solidarizo com as vítimas e com o povo que está sofrendo.

Isso não precisa ser assim, é só querermos mudar. Afinal, somos humanos e para o ser humano nada é impossível!


25/6/20:

PRIVATIZAÇÕES ACONTECEM PELA IGNORÂNCIA DO POVO

Lamento mais uma perda de direito do povo brasileiro com a entrega da água à privatização. Quem depende da coisa pública, do Estado, é o povo, os 99%, não o 1%. A ignorância do povo é um fim em si mesmo por parte dos capitalistas. Só um ser ignorante vota naquele que vai defender seu inimigo na luta de classes.

Nosso país jabuticaba é assim. Pobres votam em ricos, pretos em racistas, mulheres em machistas e sexistas, funcionários públicos em privatistas, crentes em defensores do mal, da morte, da violência e do ódio. Ignorância de ignorantes!

Obrigado PT! O Partido dos Trabalhadores votou contra a entrega de nosso patrimônio público e um direito do povo: a água.


24/6/20:

PANDEMIA avança no Brasil. Governantes de/da direita brasileira são indiferentes aos mortos e infectados. Indiferentes! Os capitalistas sabem que os mortos são pobres, pretos e sem renda. Tudo seria melhor para o povo sofredor se nossos governos fossem de/da Esquerda como foi nos tempos de Lula e Dilma do PT.

Isso É FATO!

Minha solidariedade e meus pêsames a tod@s que estão sofrendo por estarmos nessa condição miserável de governos de/para os ricos e contra nós, o povo.

- Unidade popular para mudar isso!

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Registros quase inúteis. Na rede social onde postei eles, os algoritmos não permitem que ninguém veja os registros. Nossos perfis só servem para que manipulem nossas informações e dados, inclusive os dos nossos contatos.

William

domingo, 13 de setembro de 2020

À la Benjamin Button... (7)


Era dos Extremos, Hobsbawm.

Refeição Cultural

Olhar para trás...


Domingo, 13 de setembro. O mal avança no país, avança das mais diversas formas. Amazônia e Pantanal queimam, acabam. Pandemia de Covid-19 contamina e mata brasileiros com incentivo do novo regime nazifascista - já são 4,3 milhões de infectados e 131.210 mortos. Entramos na fase das censuras e bloqueios formais, por parte do Estado, aos oponentes do regime. Popularidade do líder fascista aumenta e bolsonarismo vai longe.


Apesar disso, vamos olhar para trás, mesmo sabendo que o tempo não volta mais e caminhamos para o fim e não para o começo. Mas como tudo começou? Onde foi que erramos e permitimos este estado de coisas?


Postei na rede social em julho de 2020:

14/7/20:

"INSTANTES COM A HISTÓRIA

Reforço a importância da história e do conhecimento para a formação de cidadãos conscientes: hoje dediquei algum tempo do dia à história. Fiz um breve artigo para lembrar da importância das lutas sindicais na defesa dos direitos dos trabalhadores, como é o caso dos bancários da comunidade do Banco do Brasil. 

Finalizei a leitura de mais um capítulo do livro de Hobsbawm, A era dos extremos (1994). Foi um capítulo que retratou os anos de crise após o período de maiores conquistas para a classe trabalhadora mundial, período que durou cerca de 3 décadas após o fim da 2ª GM - o egoísmo foi um dos fatores do período de cisões e secessões ocorridas em diversos países e comunidades após os anos 70 (a gente não aprende mesmo!). 

Li também sobre história do Brasil, leitura feita através de uma revista editada pela Biblioteca Nacional; eu adquiri a coleção que tenho entre 2003 e 2006, comprei as primeiras 36 revistas. Ler história é sempre algo proveitoso. A gente pelo menos fica mais consciente e menos ignorante. Chega por hoje.

PS: hoje faltei pela 1ª vez em minha aula (virtual) de língua japonesa, matéria que faço na USP. Não entrei na aula online por vergonha de não ter conseguido fazer todas as tarefas e sentir que estou atrasado com a disciplina. Nos últimos dias tenho estado com a cabeça voltada para as questões da política (como sempre). Durante toda a minha vida sindical, carreguei um certo sentimento de culpa em relação à faculdade de Letras porque a prioridade era sempre o compromisso com a militância sindical... por isso fiquei tanto tempo deixando matérias no meio do caminho na graduação, principalmente as matérias de 2º semestre, período das campanhas dos bancários. Nossa cabeça e nossa atenção não mudam em relação a isso. Mesmo retirado, somos pessoas preocupadas com as coisas do mundo do trabalho e do povo trabalhador, somos militantes de esquerda... (vida que segue)"


07/7/20:

"COVID-19 E O SUJEITO QUE OCUPA A CADEIRA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Soube que o sujeito inumano que colocaram por fraude na presidência do nosso país está com o coronavírus.

Expresso meu desejo de pronta recuperação desse senhor e que não fique nenhuma sequela em sua saúde. É o que desejo a todas as pessoas vítimas desta doença terrível e pandêmica.

Registro aqui que desejo com toda a minha energia que esse senhor esteja bem vivo e que um dia ele possa responder por todos os crimes que comete diariamente contra o povo brasileiro e a humanidade. 

#ForaBolsonaro


05/7/20:

O CAPITALISMO É INCOMPATÍVEL COM A VIDA


"Os seres humanos não foram projetados para um sistema capitalista de produção..."

Escrevi isso ao lado da página em que Hobwbawm disse:

"(...) De qualquer modo, o custo do trabalho humano não pode, por nenhum período de tempo, ser reduzido abaixo do custo necessário para manter seres humanos vivos num nível mínimo aceitável como tal em sua sociedade, ou na verdade em qualquer nível. Os seres humanos não foram eficientemente projetados para um sistema capitalista de produção. Quanto mais alta a tecnologia, mais caro o componente humano de produção comparado com o mecânico." (HOBSBAWM, 2006, p. 404)


03/7/20:

"Era dos extremos (1994), Hobsbawm, cita o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo. A melhora só ocorreu durante os governos do PT, o Índice de Gini avançou de 58,6 para 52,9 (entre 2002 e 2013, segundo matéria que havia lido. Quanto menor, melhor, como me alertou o mestre Carlindo R. de Oliveira, em seu comentário)... por isso o GOLPE de 2016... e o bolsonarismo..."

William


Bibliografia:

HOBWBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Leitura: Eichmann em Jerusalém - Hannah Arendt



"Resta, porém, um problema fundamental, que está implicitamente presente em todos esses julgamentos pós-guerra e que tem de ser mencionado aqui porque toca uma das grandes questões morais de todos os tempos, especificamente a natureza e a função do juízo humano. O que exigimos nesses julgamentos, em que os réus cometeram crimes 'legais' é que os seres humanos sejam capazes de diferenciar o certo do errado mesmo quando tudo o que têm para guiá-los seja apenas seu próprio juízo, que, além do mais, pode estar inteiramente em conflito com o que eles devem considerar como opinião unânime de todos a sua volta (...) Desde que a totalidade da sociedade respeitável sucumbiu a Hitler de uma forma ou de outra, as máximas morais que determinam o comportamento social e os mandamentos religiosos - 'Não matarás!' - que guiam a consciência virtualmente desapareceram. Os poucos ainda capazes de distinguir certo e errado guiavam-se apenas por seus próprios juízos, e com toda liberdade; não havia regras às quais se conformar, às quais se pudessem conformar os casos particulares com que se defrontavam. Tinham de decidir sobre cada caso quando ele surgia, porque não existiam regras para o inaudito." (ARENDT, 2019, p. 318) 


Refeição Cultural

Terminei a leitura do livro Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal (1963), de Hannah Arendt, livro que ela diz ser uma reportagem sobre o julgamento de Adolf Eichmann. Comecei a lê-lo em 18 de julho deste ano e a leitura se deu num dos momentos mais tristes da história do Brasil, um país dominado hoje pela banalidade do mal, expressão que faz parte do subtítulo do livro de Arendt.

Ao longo das trezentas páginas de relatos e reflexões de Arendt pensei muito em nosso cotidiano em meio ao regime nazifascista e totalitário que se apossou do país após o golpe de Estado de 2016. Neste momento, segundo semestre de 2020, percebo que as coisas vão piorar muito para o povo e para a parte da população que não compartilha dos ideais de maldade e corrupção do regime em vigor.

Estamos sós e sob ameaças diversas de arbitrariedades, já que não há mais instituições às quais recorrer em busca de justiça e de apoio para as coisas básicas da vida em sociedade, porque as principais instituições do Estado estão corrompidas e fizeram parte do golpe contra o povo e as melhorias que se desenvolviam após séculos de falta de oportunidades para os descendentes de escravos, a imensa maioria do povo mestiço brasileiro.

Mandam no país os poderes executivos, poderes judiciários e repressivos, poderes legislativos, imprensa comercial hegemônica concentrada nas mãos de poucas oligarquias e poderes de igrejas, esses poderes todos interligados e compostos por cerca de 1% a 5% do povo, enfim, pouquíssima gente que se apossou do Brasil no pós-golpe de 2016, talvez de forma mais concentrada que antes, se olharmos os quinhentos anos para trás. Estamos nas mãos deles. Se isso não for totalitarismo e se isso não for o mal banal e real para nós 95%, eu não sei mais nada deste mundo.

E este cenário catastrófico para o povo e para o Brasil já se dava desde o golpe, sob Temer, sob Lava Jato e sob Bolsonaro. A destruição se deu independente da pandemia de coronavírus, que veio para terminar com as parcas mobilizações que ainda ocorriam por parte do povo, em espasmos de revoltas quando o necrocapitalismo tinha algum evento mais visual como um cidadão negro assassinado à la George Floyd ou uma criança vitimada por alguma coisa. 

O fato concreto é que o 1% vive a paz dos cemitérios. E o sistema do mal vai agregando a massa servidora à normalidade bolsonarista, neoliberal e necrocapitalista. Quem não for aderente, que se cale, se mude ou desapareça.

É isso!

William


Bibliografia:

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal. Companhia das Letras, São Paulo, 2019.


Decepção com os seres humanos e a sociedade




Não desisti da vida. Não sou ou serei suicida. Nem me deixaria matar. Ao mesmo tempo, acho que a vida tem que valer a pena. Sendo assim, temos que buscar a cada amanhecer as razões para a vida valer a pena.

Estou sem palavras. Já sentei em frente ao editor de textos algumas vezes e tive dificuldades para escrever o que estou sentindo em relação aos seres humanos e à sociedade humana.

Estou de saco cheio de hipocrisia, de saco cheio da passividade da classe trabalhadora e dos pobres perante os abusos e injustiças cometidos contra a imensa maioria da população do mundo.

Estou de saco cheio da manipulação dos seres humanos por parte de charlatães usando sua oratória para falar de deuses. Que miséria humana! Milhões de anos de sobrevivência entre as espécies para terminarmos como vacas em pasto.

E por falar em pasto, conseguiram estupidificar o povo brasileiro de uma forma tão exitosa que vão transformar toda a extensão de terra do Brasil, incluindo Amazônia, Pantanal e demais biomas em um imenso pasto e terras de grãos para alimentar o mundo desenvolvido. Povo miserável!

A tecnologia que inventamos acabou com séculos de organização social e com as democracias, democracias de faz de conta, mas que aprendemos a valorizar, mesmo sabendo que eram democracias controladas pelos donos do poder.

Não há mais democracia depois da criação das redes sociais e dos sistemas de algoritmos que transformaram a sociedade humana num jogo de cartas marcadas e de roletas viciadas num cassino. Antes do início do jogo, já sabemos que a banca vai ganhar.

Os mais fortes vencem. Os mais espertos vencem. Estamos miseravelmente sozinhos na natureza.

Estou muito decepcionado com os seres humanos. Muito. Perdi a fé no ser humano enquanto espécie. 

Quando estudei anatomia e o corpo humano mudei o meu conceito sobre os seres humanos. Passei a ter um respeito incrível por cada ser vivo, pelo quanto é fantástico um organismo vivo.

Quando me envolvi com os movimentos populares, principalmente o estudantil e sindical, me tornei uma pessoa mais humana, mais integrada à sociedade. As causas sociais, solidárias e civilizatórias, me salvaram de ter sido um adulto de merda, um bolsonarista, um lixo de direita.

E no fim, uns poucos humanos, bilionários e seus ideólogos (capitães do mato), gente que odeia o Brasil e os brasileiros, acabaram com décadas de avanços populares. E o povo não reagiu. Pelo contrário: aplaudiu! Gente miserável!

Estou decepcionado com tudo aquilo que me fez evoluir e ser uma pessoa melhor na vida adulta. Decepcionado com a esquerda, com o movimento sindical, com a classe trabalhadora que se deixa enganar e não reage para retomar seus direitos, com as pessoas crédulas que aceitam ser manipuladas por sujeitos que não valem absolutamente nada, canalhas sofistas.

Estou de saco cheio. A espécie humana não está merecendo durar muito tempo neste pálido ponto azul no Universo, como diz Carl Sagan. Se a ignorância, o ódio, a violência, o egoísmo venceram, e a maioria esmagadora dos 8 bilhões de animais humanos não reage contra os poucos humanos que nos dominam, então não merecemos nada melhor do que estamos tendo.

Saco cheio de farsas. Não há democracia e meus pares ficam de blá blá blá falando de democracias. Chega a ser ofensivo participar dessas enganações. 

Caminha-se para sermos vaporizados pelos vitoriosos do golpe de Estado, com Supremo, com tudo. Já vivemos sob a banalidade do mal e sob as "cortes de vencedores", pra usar uma expressão de Hannah Arendt ao apontar arbitrariedades formais no julgamento de Adolf Eichmann em 1961.

William

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Leituras de História na Revista Nossa História 1



No final de 2003, começou a circular uma revista de história que se propunha a trazer artigos e textos confeccionados por historiadores, pesquisadores e estudiosos da área. Apesar de minha formação acadêmica ter caminhado para a área de Letras, sempre fui um apaixonado por História. A revista durou três anos e eu adquiri as 36 edições. As matérias são muito interessantes.

Ao reler a primeira revista, voltei a ter contato com uma área que ainda gosto muito. Como faz falta o povo brasileiro não conhecer história, não conhecer a sua história!

Eu percebi isso claramente ao entrar para o movimento sindical em 2002. Os trabalhadores sabiam muito pouco de sua história de lutas, derrotas e conquistas. Todo dia estudava algo da história da categoria e ia para a base compartilhar o conhecimento e organizar os trabalhadores. Mas era um eterno recomeçar porque a base se renovava o tempo todo. Foram anos fazendo formação política na base de bancários.


Quando cheguei eleito como diretor de saúde na entidade de autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, em 2014, foi a mesma percepção. Os trabalhadores associados à Cassi, tanto da ativa quanto aposentados, não conheciam nada da história da entidade e nem qual o papel dela na saúde das pessoas, o modelo assistencial e os direitos que tinham. Passei 4 anos levando informações aos intervenientes do sistema Cassi, mas era um eterno recomeçar diário.

Disso tudo, tiramos uma lição cristalina: sem conhecer sua história a classe trabalhadora é facilmente manipulada pela ideologia dominante, que é evidentemente a ideologia da classe dominante. Veja onde fomos parar com o golpe de Estado de 2016. O Brasil foi totalmente destruído e entregue a uma camarilha de bandidos e representantes do mal.

Nesta edição da revista Nossa História, li artigos sobre diversos temas, inclusive sobre a independência do Brasil, data comemorada neste 7 de setembro. Que coisa triste! Com o golpe e com as fraudes organizadas pela elite traidora e lesa-pátria em parceria com o império do Norte, hoje somos uma colônia dos Estados Unidos da América. O país caminha para se transformar num pasto e numa fazenda de produção de gêneros primários para os demais países do mundo. Que tristeza!

Gostei de todas as matérias desta primeira edição da revista. Uma das poucas que não gostei, talvez por não gostar do autor, foi uma do Eduardo Bueno, sobre "Vícios de origem". Ele é daqueles que contribuíram muito para criar a desinformação ideológica de que a estrutura do Estado é algo ruim para o povo. Uma idiotice.

Gostei da matéria sobre o compositor e maestro Carlos Gomes - "Enterro de herói" e de uma matéria sobre Mário de Andrade - "Presença de Macunaíma". A história da Biblioteca Nacional é fascinante: "Aventuras de uma biblioteca". Quando fiz a visita guiada à biblioteca fiquei apaixonado por ela. Se morasse no Rio de Janeiro, eu a visitaria sempre que fosse possível.

Também gostei da entrevista com o historiador Evaldo Cabral de Mello e do artigo de José Murilo de Carvalho - "Martius e nossa história" - nos lembrando que Martius disse que a História do Brasil deveria ser escrita em estilo popular, por ser nobre, e não em estilo empolado e cheio de erudições, para que fosse de fácil acesso à população.

Bom, após ler a revista, conheço um grãozinho a mais de história que antes da leitura. Isso é bom!

Ao ler a revista, havia postado na rede social onde tenho um perfil, alguns trechos curiosos. Já que citei lá, vai aqui também.

William
Um leitor

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HISTÓRIAS DO NOME DO BRASIL

"Por essas e outras, frei Vicente do Salvador, que escreveu o primeiro livro chamado História do Brasil, ainda em 1627, disse que não vingou por aqui o nome Terra de Santa Cruz que se lhe dera em 1500. Para o frei, fora tudo obra do Diabo, que, empenhado em remover o nome cristão da terra, trabalhou para que triunfasse outro nome, no caso o de 'um pau de cor abrasada e vermelha' (o pau-brasil), mais adequado a seus propósitos." (Ronaldo Vainfas, em "Brasil de todos os pecados".

COMENTÁRIO - Com histórias como essa, fica mais fácil entender a situação em que nos encontramos, com a milícia no poder, com parte das empresas de religião mancomunadas com as milícias no poder, com parte de nossos conhecidos acreditando em mentiras e espalhando fake news 24 horas por dia...

Viver não é preciso, mas se estamos vivos é necessário estudarmos e sermos menos ignorantes. É bom também compartilharmos conhecimentos com as pessoas.

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POR QUE SOMOS "BRASILEIROS"?

Marceneiro, pedreiro, sapateiro, ferreiro, tanoeiro, brasileiro... (!!??)

"NH - E brasileiro?

Evaldo Cabral de Mello - Brasileiro, quando o nome aparece no século XVIII, era o sujeito que cortava o pau-brasil. O pau-brasil era um monopólio da Coroa, mas um monopólio arrendado - terceirizado, como se diz hoje. Tanto que originalmente, 'brasileiro' em Lisboa era dito de maneira derrogatória. Hipólito José da Costa, por volta de 1816, 1817, ainda levanta o problema no Correio Braziliense: seremos independentes daqui a pouco, como vamos chamar-nos? Para ele, havia três possibilidades: brasileiro, brasiliense e brasiliano. Brasiliano não podia ser, porque brasiliano desde o começo eram chamados os índios. Brasileiro era o cortador de pau-brasil, 'Eiro' é um sufixo de profissão, como ferreiro, marceneiro. O normal seria nos chamarmos brasilienses. E é por isso que ele chamou o seu correio de 'Braziliense'."

Fonte:

Nossa História, Ano 1, nº 1, Novembro de 2003. Fundação Biblioteca Nacional.

domingo, 6 de setembro de 2020

Despedida - Glória Abdo


(reprodução de matéria da Rede Brasil Atual)


Aos 81, morre Glória Abdo, militante histórica da luta dos bancários e do sindicalismo cidadão


Glória Abdo – pioneira da causa feminista no mundo do trabalho, do sindicalismo cidadão, da dignidade da pessoa idosa – é parte das conquistas dos bancários e da luta democrática do Brasil


Glória abominava a expressão "melhor idade". Foi referência em
causas feministas no mundo do trabalho, mãe solteira, duas vezes,
avó orgulhosa e eternamente inquieta em defesa da vida e da dignidade.
Foto: Alessandra Anselmi.

Por Paulo Donizetti de Souza / RBA

Publicado 06/09/2020 - 16h50


São Paulo – A ex-presidenta da Associação dos Bancários Aposentados de São Paulo (Abaesp), Maria da Glória Abdo, morreu neste domingo (6) na capital paulista, aos 81 anos, depois de anos de luta contra um câncer. Glória militou no movimento sindical bancário durante toda sua trajetória profissional no setor, iniciada após ingressar por concurso na Caixa Econômica estadual. O banco de fomento fundado no início do século passado virou banco múltiplo em 1990, transformado em Nossa Caixa. Em 2008, foi adquirido pelo Banco do Brasil. Com o negócio, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou a privatização do banco estadual.

Os aposentados da antiga Nossa Caixa tinham em Glória Abdo uma referência. Fosse em campanhas em defesa da população idosa ou contra ataques a direitos de trabalhadores, da ativa e aposentados – tanto nos governos neoliberais dos anos 1990 quanto no pós-golpe de 2016. Glória gostava de conversar, de namorar e festejar. Toda última sexta-feira do mês reunia companheiros de sua geração no baile dos aniversariantes do mês. Na Abaesp, ficava brava quando frequentadores afoitos passavam da hora de fechar o salão, 18h. Mas ficava feliz quando os mais jovens do sindicato, vizinho à associação, na Rua São Bento, pediam emprestada a mesa de sinuca para depois do expediente.

O movimento bancário foi passaporte para a luta política. Nascida em dezembro de 1938 em Ponta Porã (MS), Glória Abdo radicou-se em São Paulo em 1960. Ingressou no banco por concurso e lá se aposentaria três décadas depois. Começou a trabalhar em 1964 no prédio da Rua 15 de Novembro, no Centro Velho. Filiada ao Partido Comunista Brasileiro, o antigo PCB, em 1980 esteve entre os primeiros integrantes do recém-fundado Partido dos Trabalhadores. Feminista e socialista, Glória combinou ativismo político com a criação de duas filhas nascidas de “produção independente”.


Melhor idade?

Para a ex-bancária, ter sido mãe solteira por duas vezes, uma em 1967 outra em 1980, era motivo de orgulho. Adorava ser mãe e avó. E com o decorrer do tempo, a militância sindical no ramo financeiro foi ficando pequena para sua inquietude. Achava que os sindicatos podiam usar sua representatividade para influenciar a vida dos trabalhadores também fora de seus locais de trabalho. Como cidadãos. Foi, portanto, também pioneira do conceito de sindicato cidadão que marcou a reinvenção do movimento trabalhista após a redemocratização.

Em entrevista ao site do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Glória observava: “Este sindicato é um sindicato que nós podemos chamar cidadão, porque se envolve não só nas questões salariais dos bancários como também se envolve nos assuntos da cidadania e da democracia. Foi um dos que mais lutou contra a ditadura e luta ainda hoje contra este governo que está aí, de uma pessoa que não tem capacidade de governar".

Inquieta

Maria da Glória Abdo fez da Associação dos Bancários Aposentados um ponto de referência da luta em defesa da população idosa. Convidada a ajudar a organizar esse segmento dos trabalhadores nos anos 1990 – por Gilmar Carneiro, então presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo – ela construiu um grande capital político e humano. Abominava a expressão “melhor idade”, eufemismo usado pelo marketing para amenizar o momento mais delicado da vida das pessoas, justamente quando passam a ingressar numa rotina de fragilidade física, intelectual e social.

“Melhor idade?! Melhor idade é quando você passa na frente de uma construção e te assobiam. Isso sim é melhor idade. Atualmente não estão assobiando para mim, mas vão voltar a assobiar, ah, se vão…”, disse numa entrevista concedida à revista digital Longeviver. Glória fala também sobre seu engajamento na causa dos idosos em âmbito local (moradia e lazer) e federal – batalha por formulação de políticas públicas. E também nas causas das mulheres, dos jovens e da inquietude contra as injustiças que marcou sua vida.

“Perdemos uma das pessoas mais lutadoras que conheci. Fica a saudade e o bom exemplo de dignidade”, disse o ex-deputado e ex-ministro nos governos de Lula e Dilma, Ricardo Berzoini, ex-presidente do sindicato. “Lembrarei de você sempre de duas formas: incansável na luta por igualdade social e livre. Como a Glorinha era livre!!! Uma mulher sem amarras”, escreveu a atual presidenta da entidade, Ivone Silva.

Nota do Sindicato dos Bancários de S. Paulo, Osasco e Região

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região lamenta profundamente a morte, ocorrida na madrugada de domingo 6, de Maria da Glória Abdo, Glorinha dos aposentados.

A despedida será no Velório Tatuapé (Rua David Zeiger, 330), Quarta Parada, das 14h às 17h.


Legado para o movimento sindical e social

Muito querida por todos do movimento sindical e social, Glorinha foi bancária da extinta Nossa Caixa e ainda lá, na década de 1970, liderou a luta das funcionárias pelo direito a creche, que futuramente inspirou o auxilio creche/babá, conquistado e adicionado à CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), em 1981.

“Conhecemos a Glorinha, em 1976. Naquele ano, entraram dois mil bancários. Éramos uma molecada cheia de gás e com muita vontade de lutar e ela nos acolheu de pronto. Fazíamos um jornal clandestino chamado de ”O Reunião” e esse jornal era a voz dos funcionários contra a direita do banco. Muitas vezes, nos reunimos na casa da Glorinha para definir e escrever o conteúdo do jornal. Nunca teve ou demonstrou medo. Corajosa, combativa e sincera, foi uma das pessoas mais engajadas na luta da categoria bancária. Não só das mulheres, mas de todos”, lembra Antonio Saboia, diretor do Sindicato e amigo de Glorinha.


Aposentados

Glorinha também foi presidente da Abaesp (Associação dos Bancários Aposentados de São Paulo) e durante sua gestão (2013 – 2017), foi grande batalhadora pelos direitos da classe trabalhadora, em particular dos aposentados, defendeu a regulamentação da profissão de cuidador de idosos e debateu sobre políticas para pessoas idosas na cidade de São Paulo, na gestão Haddad.

Nascida em Mato Grosso do Sul, Glorinha mudou-se para São Paulo. E aqui foi reconhecida pela luta por igualdade e engajamento nos movimentos sociais com o título de Cidadã Paulistana.

O Sindicato agradece o legado e estende condolências a familiares e amigos.

Maria da Glória Abdo, presente!

Fonte: RBA

De homens e cavalos



Leão Tolstói.

Refeição Cultural

Quase nunca lembro sonhos ou pesadelos. Quase. Desta vez, tive um pesadelo e me lembro dele. Foi forte a cena, um horror! Um homem rasgava o próprio pescoço e nos olhava enquanto o sangue jorrava... despertei.

De manhã, ao acordar, me dei conta que o sonho ruim foi ainda consequência da leitura da noite anterior. Fiquei bastante impressionado com o conto de Tolstói: Kolstomer (História de um cavalo), escrito entre 1863 e 1886. Terminada a leitura da história daquele cavalo de raça malhado, fiquei com a cabeça a mil. Eu já havia lido o conto em 2008, mas não me lembrava dele.

"Sim, sou filho de Liubesni I e de Baba. Meu nome de linhagem é Mujique I. Sou Mujique I e, para os da rua, Kolstomer, assim apelidado pelo vulgo em razão de minha marcha ampla, que nunca teve igual em toda a Rússia. Não há no mundo um cavalo de sangue mais nobre que o meu..."

Em linhas gerais, o conto narra a história de um cavalo de raça, que nasce com a cor da pele diferente da de seus pares (nasceu mosqueado, malhado) e sua vida será marcada e definida por isso: a cor de sua pele. E ele terá uma vida desgraçada, mesmo sendo de linhagem nobre.

Tolstói faz várias críticas à sociedade a partir da história do cavalo Kolstomer. O escritor dá voz ao cavalo e as reflexões do animal em relação ao animal humano são profundas, duríssimas e mais atuais que nunca. O animal humano capitalista é colocado em seu devido lugar pelo animal cavalo.

Os humanos levam suas vidas baseadas na lorota, no faz de conta, na palavra e não através de fatos. É aquela lição de Cazuza "Suas ideias não correspondem aos fatos...". As principais palavras na linguagem do animal humano são os pronomes "meu", "minha", "teu", "tua". É a posse de tudo. 

"Minha casa", "minha mulher", "meu cavalo", "minha terra". Mas o sujeito nunca viveu na casa; é outro que fica com sua mulher; não é ele que alimenta e anda no cavalo; e nunca pisou na terra que diz ser sua. Todas essas verdades são apontadas pelo cavalo Kolstomer em suas observações sobre o animal humano.

E o conto é duro e violento como a vida é. A violência é como a violência que sofremos neste instante no país destruído e entregue aos fascistas, genocidas, bárbaros ignorantes, brancos da casa grande, bilionários e capatazes com os poderes nas mãos.

Enfim, o conto me deixou bolado. O final do conto é duro, é o cotidiano de todos que tiveram vidas miseráveis por preconceito, por mandonismo, por falta de oportunidades e liberdades. Dormi bastante impressionado.

Só para lembrar mais um caso de homens e cavalos, nunca me esqueço de um poema de Manuel Bandeira, que faz profunda crítica à sociedade burguesa, comparando seus membros a cavalos, enquanto observa cavalos na pista de corrida. O poema se chama "Rondó dos cavalinhos", do livro Estrela da Manhã (1936).

"Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo..."

Os versos vão se repetindo a cada estrofe, e para o leitor do poema vai ficando claro pela sonoridade das consoantes "nh... n... m... n..." (mmm) que ao olhar os graciosos cavalos correndo lá na pista, o que mais chama a atenção do eu lírico é o mastigar voraz dos animais humanos dentro do salão burguês onde se encontram num possível jóquei clube.

E, por fim mesmo, a história de Kolstomer, a brutalidade animalesca em que nos encontramos no país pós golpe de Estado e dominado pelo mal, tudo isso me fez lembrar do ambiente onde cresci, ainda no final da ditadura civil-militar dos anos 1964-1985, lá em Uberlândia. 

Eu tinha meus doze ou treze anos e via nas ruas de terra onde morava os cavalos e burros amarrados em postes sendo espancados para serem "amansados". Era muito grotesco aquilo. Às vezes, a sessão de tortura durava o dia todo. Cresci vendo aquilo. Mas a molecada também era bruta como seus familiares que espancavam cavalos...

Avançamos para um mundo um pouco mais civilizado nas décadas seguintes, com governos democrático-populares como os do Partido dos Trabalhadores no Brasil, para voltarmos à barbárie de novo agora, por golpe e entrega do poder aos semeadores do caos contra o povo. A humanidade parece não ter jeito mesmo... só acabando.

William


Bibliografia:

BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da Manhã. Editora Nova Fronteira. 14ª impressão. Rio de Janeiro, 2000.

TOLSTOI, Leão. Obra Completa, Volume III. Nova Aguilar, 2004.


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

040920 - Diário e reflexões






Hoje foi a vez do aniversário de minha mãezinha querida: 74 anos de idade. Meus parabéns e muitas felicidades, mãe! Obrigado por tudo. Meu pai e minha mãe têm uma semana toda especial porque fazem aniversário em dias próximos e também comemoram a data de casamento deles, que foi no dia 5 de setembro de 1964. Saudades de vocês! Fiquem bem!


Tirando a alegria de poder comemorar a vida de pessoas queridas, o cenário em nosso mundo é causador de sentimentos tristes. A pandemia mundial de Covid-19 segue fazendo vítimas e mais vítimas no Brasil e no mundo. Nesta semana, a mãezinha de minha tia Regina foi mais uma das vítimas dessa tragédia. Nossa solidariedade a toda a família. Nossa solidariedade às famílias das vítimas do novo coronavírus. Não perderíamos tantas pessoas caso o país não estivesse na condição em que está: entregue ao caos e ao regime do mal.

Tenho me esforçado para aprender coisas novas e ganhar novos conhecimentos, assim ocupo a mente e evito que o ódio e a depressão me dominem e com isso evito que os nossos inimigos de classe nos vençam. Se depender de minha disposição, quero estar vivo para ver a mudança. O mal ainda avança, a destruição de tudo segue com o novo regime no comando do país, mas todos os dias são novos dias e as mudanças podem ocorrer tanto pela luta e rebelião dos povos oprimidos quanto pelo imponderável, que faz parte do acaso.

É isso. Sem muitas palavras para registrar hoje neste blog, que registra instantes do que está ocorrendo no "mundo, mundo, vasto mundo", como dizia o poeta Drummond.

William

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

À la Benjamin Button... (6)


4 de julho de 2020. Nesse dia, acompanhava de forma virtual
os bancários de Brasília em seu Congresso da campanha salarial.

Refeição Cultural


Olhar para trás...

Ao olhar para trás, e tentar compreender as coisas do presente, a gente até consegue entender um pouco porque as coisas são como são. Mesmo assim, é difícil compreender que a ciência tenha avançado em todas as áreas do conhecimento e ao mesmo tempo nós tenhamos regredido tanto coletivamente, no sentido inverso do avanço das ciências.

A sociedade humana está doente, está cheia de ódio, de intolerância, de egoísmo e individualismo. As pessoas viraram robôs e agem de forma automática para quase tudo em nosso cotidiano de vida humana. Ao agirmos assim, mudamos a forma de utilizar nossa inteligência, nosso cérebro, que havia se destacado ao longo da evolução das espécies.

Sabemos que os instintos e comportamentos de manada tiveram seus papéis na preservação da vida das espécies também. Mas ao longo do tempo, nosso cérebro passou a fazer diferença e nos desenvolvemos como seres racionais e passamos a dominar a natureza, através da ciência e da tecnologia, ferramentas que os demais seres vivos não têm. Será que vamos permitir que os trogloditas acabem com a ciência e a razão?

Agora estamos andando para trás. Massas humanas são manipuladas por poucas pessoas e seus sistemas de manipulação. E a vida no planeta Terra está em risco sério por causa disso. Aqueles que nos dominam com seus sistemas tecnológicos não pensam no amanhã do planeta, só pensam em si mesmos e no instante presente.

Enfim, estou olhando para trás e ao mesmo tempo olhando para a frente. É verdade que o tempo não anda para trás, como no Curioso caso de Benjamin Button. Enquanto indivíduo, a gente fica pelo caminho a qualquer momento, já que um ser vivo morre a qualquer tempo. Enquanto espécie, quando temos consciência disso, deveríamos agir coletivamente para que outros indivíduos perpetuassem nossa espécie e a vida fosse melhor para todos.

Palavras, palavras, palavras... ao vento, ou registradas em algum suporte material.

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FACEBOOK

A partir das reflexões que tenho feito, chego à conclusão que a empresa Facebook, onde boa parte de nós brasileiros temos um perfil, pode ter tido um papel interessante para seus usuários, mas as coisas foram mudando, ou foram ficando mais claras e agora sabemos que somos manipulados e utilizados para programas de manipulação de comportamento social e destruição de sociedades inteiras, países, relações, instituições.

Fico pensando em como me livrar dessa dependência à porcaria do Facebook. Penso em como minimizar os efeitos deletérios que essa empresa faz com meus dados e minhas informações. Por que escrever no Facebook se eles programam seus algoritmos para que ninguém veja que eu existo, para que ninguém saiba o que estou publicando lá? Tudo o que eles querem são meus dados, os dados de meus contatos e informações comportamentais.

E assim nos destruímos e nos deixamos destruir. Vou andar para trás naquele espaço vil que nos manipula e entorpece e nos robotiza.

William

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Espero um dia não ter mais nenhum dado meu naquela conta da rede social que manipula o mundo com os meus dados e com os dados de meus contatos...

Havia postado lá...

27/7/20

CELSO FURTADO, RODA VIVA, de 9/02/87.

Furtado é uma referência de muitos de nós. Acabei de rever a entrevista dele na TV Cultura. Ele era Ministro da Cultura do governo Sarney.

Fico pensando a reação hoje, em tempos de "cancelamento" de pessoas, ao ouvirem ele dizer que se orgulhava do governo Sarney, um governo que, segundo ele, gerou crescimento e emprego, distribuiu riqueza, e era nacionalista...

Política sempre terá dessas contradições... E elas são importantes, temos que ouvir as pessoas e debater (e não "cancelar" ou acabar com as pessoas que pensam diferente).

Aprendi política assim.

24/7/20

VÍDEO DO HENRY BUGALHO, DE 23/7/20, COM O TÍTULO "JÁ EXISTIA ESSE ÓDIO ANTES?"

Comentei na rede social e nos comentários do vídeo do youtuber:

De onde vem o ódio que destruiu o Brasil? Bugalho, jovem filósofo que gosto muito, faz uma reflexão sobre isso. No entanto, eu fico muito incomodado desses blogueiros de grande alcança aliviarem a culpa da grande imprensa em relação à morte da política e ao envenenamento do povo brasileiro. Escrevi para ele neste vídeo a respeito disso. Abraços e tod@s.

"Olá prezado Bugalho. Em primeiro lugar, quero dizer que aqui em casa somos admiradores seus: eu, minha esposa e filho. Bugalho, às vezes me sinto incomodado ao ver você e alguns blogueiros com grande audiência não serem mais enfáticos em alguns temas relativos à grande imprensa. Neste vídeo, por exemplo, você reflete junto conosco se já existia este ódio atual em nosso país, mas em nenhum momento você se baseia nos ataques orquestrados e executados contra Lula e o PT, CUT, MST, UNE etc, ataques "ad nauseam" pelos barões dos grupos Globo, Abril, Estadão e Folha, muito claramente após a eleição de Lula em 2002, ataques ininterruptos e parciais, abusivos e criadores das chamadas fake news atuais, pois foram anos a fio criminalizando os movimentos sindicais, estudantis, dos sem-terra, sem-teto, partidos de esquerda, principalmente o PT e suas lideranças (existem trabalhos acadêmicos sobre isso, dezenas de capas de Veja, dezenas de horas de JN), construindo julgamentos públicos contra determinado setor da sociedade (a esquerda), o mais progressista, e omitindo qualquer coisa negativa em relação aos seus partidos e grupos empresariais (tucanos, a direita em geral). Pulitzer tem frases famosas dizendo que uma imprensa vil, canalha, tem o poder de fazer seus leitores vis e canalhas. Bugalho, nós não viraremos essa página da história se lideranças e formadores de opinião continuarem passando pano para esses bilionários da mídia que destruíram o povo brasileiro. Você já citou Klemperer em seus vídeos e a linguagem do 3º Reich. O que a Globo e a Veja, junto com Estadão e Folha fizeram em mais de uma década de governos do PT foi muito semelhante ao que Klemperer descreve naquele trabalho fantástico. É isso. É a minha opinião. Acho que vocês deveriam dar mais nomes aos bois, os responsáveis pela transformação dos brasileiros nesses bárbaros são os jornalões e TVs e revistas dessas famílias e banqueiros. Abraços a você e família. William Mendes."

04/7/20

ORGANIZAÇÃO DA CAMPANHA NACIONAL DA CATEGORIA BANCÁRIA

Novos tempos, novas formas de reuniões e encontros. Enquanto acompanhamos os debates virtuais dos companheir@s do Distrito Federal, vemos a lua chegando...

(Com a postagem, coloquei a foto acima, do final de tarde e início de noite daquele 4 de julho)


terça-feira, 1 de setembro de 2020

A banalidade do mal - Datas que marcam




"(...) na Romênia, até a SS ficou perplexa, e às vezes assustada, com os horrores dos pogroms espontâneos, antiquados, de escala gigantesca; muitas vezes eles intervieram para salvar judeus da mais pura barbárie, para que o assassinato pudesse ser feito de maneira que, segundo eles, era civilizada." (ARENDT, 2019, p. 210)


Refeição Cultural

Li mais um capítulo do relato de Hannah Arendt sobre o julgamento de Adolf Eichmann no ano de 1961 em Jerusalém. A experiência de acompanhar aquele evento possibilitou à filósofa o desenvolvimento do conceito de banalidade do mal. Como se pode ver, o alimento cultural é indigesto, mas é necessário conhecer as coisas.

Ontem foi dia 31 de agosto, dia que marcou o quarto ano do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (31/8/2016). Dia que oficializou a tomada do poder no Brasil pelo mal. Se houver sociedade civilizada no amanhã, essa será mais uma data como outras que a história registra como marcos de processos que levariam a tragédias humanitárias.

Hoje é dia 1º de setembro. Dia que marca o início da 2ª Guerra Mundial com a invasão da Polônia pelo regime nazifascista de Adolf Hitler em 1939. Há outras datas referidas como início desta guerra, mas esta é uma das mais consensuais pelos historiadores.

Por falar em banalidade do mal e nazismo, o dia 1º de setembro de 1939 também marcou a oficialização da palavra "eutanásia" na Alemanha nazista para assassinatos em massa de pessoas com deficiência e milhares de pessoas que eram consideradas pelos nazistas como indesejáveis de existir: judeus, comunistas etc.

Vejam abaixo uma citação do tema na Wikipediaprograma conhecido como "Aktion T4" (ver aqui o texto completo):

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Em outubro de 1939, Hitler assinou um "decreto da eutanásia" com a data retroativa a 1 de setembro de 1939, que autorizava Bouhler e Brandt a realizarem o programa de eutanásia (traduzido para o português como segue):

"O líder do Reich Philipp Bouhler e Dr. Brandt estão encarregados da responsabilidade de ampliar a competência de certos médicos, designados pelo nome, de modo que os pacientes, baseando-se no julgamento humano [menschlichem Ermessen], que forem considerados incuráveis, podem ser-lhes concedida a morte de misericórdia [Gnadentod] após exigente diagnóstico".

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Ainda sobre a banalidade do mal

No Brasil, a pandemia mundial do novo coronavírus já matou 121.381 pessoas e infectou 3,9 milhões. Isso não era necessário. Países com populações maiores ou idênticas a nossa perderam muito menos vidas porque os governos seguiram as recomendações da OMS e da ciência. Estamos sob um regime de governo de extrema direita, fascista e anticiência, que atua contra o combate à pandemia e que lidera a população rumo ao contágio e morte.

O regime demitiu dois médicos do Ministério da Saúde porque eles defendiam as recomendações da ciência e colocou no lugar mais um dos milhares de militares que tomaram conta dos postos do governo. A estratégia do novo regime é chocar com ações impensáveis para deixar o povo brasileiro com baixa estima e sem ânimo sequer para lutar. Nesta semana, o troglodita nomeou um veterinário para cuidar do tema de vacinação do povo brasileiro e afirmou que ninguém é obrigado a se vacinar.

Encerro por aqui e registro que 57.797.847 pessoas votaram nesses monstros que estão no poder e o apoio ao mal instalado no país segue acima de qualquer expectativa para uma sociedade que sonhasse com a civilidade. As pessoas ao meu redor são bolsonaristas. As coisas ainda vão piorar muito. A história ainda vai cobrar de cada homem e cada mulher a responsabilidade por toda essa destruição e por todo esse mal que tomou conta de nosso mundo.

Bolsonaristas e "isentões", as suas mãos estão cheias de sangue e suas histórias também.

William


Bibliografia:

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal. Companhia das Letras, São Paulo, 2019.