domingo, 29 de novembro de 2015
Diário - 291115 (Corrida, filmes, leituras, músicas)
Refeição Cultural
Preguiça de escrever.
Estou num domingão legal porque amanhã é feriado em Brasília e eu vou descansar um pouco, já que não tenho viagem marcada pelo meu trabalho nesta segunda e só terei alguns textos mais complexos para analisar.
CORRIDAS
Minha saúde e condição física não estão nos níveis ideais depois de um ano de trabalho como este que estou enfrentando. Após minha primeira meia maratona no início de outubro, diminuiu mais ainda meu tempo para correr e caminhar. Meu corpo também acumulou dores de treinamento para a meia maratona: nos tendões dos pés, na virilha e um pouco nas costas.
Bom, falta um mês para a minha oitava participação na São Silvestre. Treinar é preciso, para preparar o corpo para correr 15 km. Além do mais, como minha pressão arterial alterou um pouco depois desse ano de trabalho, correr e se exercitar é uma necessidade vital, além de me alimentar melhor. Esses são os efeitos práticos de ser cuidado por um médico de família da Cassi: mais consciência para o autocuidado em saúde.
Na volta às corridas, no domingo passado, voltei ao Eixão aqui em Brasília e corri 5k em 32' e andei mais 6k em 60'.
Hoje, corri no Eixão 7k em 45' e andei mais uns 5k em 50'. Foi bem difícil e o que me levou a completar o percurso correndo foi a determinação de minha mente, porque o corpo pedia que eu parasse desde o km 5. Mas foi legal. Missão cumprida para esta semana.
FILMES
Neste sábado, depois de muita insistência de minha esposa, acabei por assistir ao filme O Pianista, dirigido por Roman Polanski (2002). O filme retrata uma história real de um pianista judeu polonês, que sobreviveu ao Holocausto, escondido no Gueto de Varsóvia. O filme e a história são muito duros. Fiquei bem mal. Dormi mal. Acordei pensando a respeito. Enfim, a história mexeu comigo porque tenho escrito sobre os riscos à paz e à civilidade social que acompanham a ascensão do fascismo em nosso país e no mundo. Se der, depois escrevo sobre o filme.
LEITURAS
Contos. Até o momento neste final de semana, li contos. Vamos ver se leio alguns dos meus livros prediletos entre hoje e amanhã.
MÚSICAS
Acabei de ouvir o 6º CD de meu box com dez CDs de músicas clássicas do estilo Barroco.
Já rolou Bach, Mozart, Vivaldi, Offenbach, Grieg, Massenet, Handel, Haydn, Albinoni etc,
Pai, como sei que você visita o Blog para saber notícias minhas, receba um beijo carinhoso, pra você e tod@s aí em Uberlândia.
William Mendes
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William Mendes
domingo, 22 de novembro de 2015
Diário - 221115
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| Um casal de curicacas no entorno de casa, em Brasília - DF. |
Refeição Cultural
Domingo acabando.
Cumpri mais um compromisso com filho e esposa: assistimos ao segundo filme da trilogia "O senhor dos anéis". Ufa, já foram seis horas de filme, em quatro sentadas em frente à tela, nos poucos momentos que tenho com a família. A história e o filme deixam a gente estressado pelas batalhas e violências. Mas compromisso é compromisso.
Para voltar o ritmo cardíaco ao normal, estou ouvindo agora um de meus compositores favoritos: Johann Sebastian Bach - estou ao som dos Concertos de Brandenburgo nº 1, nº 2 e nº 3. Eu tenho uma edição especial em box com dez CDs de compositores barrocos.
Hoje, saí para correr um pouco e caminhar. Já faz algumas semanas que só caminho, e caminho quando dá. Meu condicionamento físico está ruim desde que participei de minha primeira meia maratona em 11 de outubro. A cada semana aumentam a carga horária e o estresse no trabalho. Me esforcei para correr 5 km e andar mais 6 km.
A IMPORTÂNCIA DO AUTOCUIDADO E DO MÉDICO DE FAMÍLIA
O trabalho está afetando minha saúde, assim como ocorre com os meus pares, os colegas bancários. A nossa luta pela defesa e fortalecimento da Caixa de Assistência, onde sou gestor eleito, está alterando minha saúde rapidamente. Eu sei que ocorre o mesmo com nossos bancários nos locais de trabalho, sob forte pressão por metas e assédio, além das péssimas condições de trabalho.
Pois é, estou a três semestres como gestor da nossa entidade de saúde, no modelo de autogestão compartilhada entre eleitos pelo Corpo Social e indicados pelo Banco do Brasil. Felizmente, eu tive a oportunidade de passar a ser cuidado pelo modelo assistencial da Cassi - a Estratégia Saúde da Família (ESF), onde você é cuidado e monitorado por uma equipe multidisciplinar em saúde. O modelo é o que há de melhor no cuidado dos participantes para prevenir doenças e promover saúde.
Nossa agenda de luta e o estresse diário nestes dezoito meses, já alteraram minha condição de saúde e as consequências são as tradicionais: aumento do colesterol ruim e aumento da pressão arterial. Em três visitas de acompanhamento semestral, o médico de família já identificou isso e me recomendou algumas mudanças e atenção na alimentação.
Aí algumas pessoas podem perguntar: de que está servindo eu correr e caminhar quando consigo agenda livre? Se eu não tivesse retomado as corridas, eu já estaria num estágio bem pior de saúde neste percurso de três semestres. Não tenho dúvida nenhuma!
Meu desejo e objetivo durante meu mandato é ampliar a cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) para o máximo de bancários e associados que for possível em um mandato de quatro anos, porque a Cassi precisa de estrutura para poder cuidar de mais associados no modelo de Atenção Integral à Saúde e ESF/CliniCassi e são necessárias estratégias para essa ampliação, além de recursos financeiros.
MANTER CONTATO COM A BASE SOCIAL É UMA META QUE FAREI ATÉ O FIM DO MANDATO DE REPRESENTAÇÃO
Meu trabalho me exigiu e exige muito estudo e muita negociação, desde que comecei o mandato. Mas uma das coisas mais importantes na vida de um representante eleito é não perder o contato com o Corpo Social que representa. Eu me formei assim nos mandatos eletivos que já cumpri como dirigente sindical.
Nesta semana que passou, eu falei com mais de 300 pessoas em 4 Unidades da Federação - TO, DF, SC e PR. Desde que comecei o mandato tenho feito isso. A consequência é dobrar as jornadas de trabalho. Elas acabam por ser de umas 12 horas pra mais, porque conjugo ser administrador de uma entidade de saúde, negociador que tem na estratégia buscar mobilização dos associados, e um gestor eleito prestando contas à base social que representa.
Acho isso fundamental porque na atualidade social do mundo as representações e as instituições democráticas estão em cheque e são questionadas por falta de representatividade e de cumprimento daquilo que se pactua nos processos eleitorais. Eu defendo a política e a democracia e não a disputa de hegemonia de ideias e ideais através da força, da guerra e da extinção do outro.
Eu estou cansado para começar mais uma longa semana, não deu pra descansar. Mas, amanhã cedo, estarei em pé para mais uma semana cumprindo minhas tarefas e compromissos pela entidade de saúde que administro e em nome dos associados que represento.
William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi
Post Scriptum: também publicado no blog de trabalho, com outro título.
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William Mendes
sábado, 21 de novembro de 2015
"Há uma operação de enfeitiçamento em curso", Najla Passos
“A mídia não cobre mais os acontecimentos. Ela gera versões e tenta transformá-las em verdade”, alertou o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, professor titular do Departamento de Sociologia da Unicamp e membro do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP, que participou da mesa Comunicação e Novas Tecnologias, durante os “Seminários para o avanço social”, promovido pelo Fórum 21, em São Paulo de 9 a 13 de novembro.
De acordo com ele, mesmo após o advento das redes sociais e dos 13 anos de governos petistas, o sistema da comunicação no Brasil é ainda extremamente concentrador e preocupante porque, historicamente, o PT não soube avaliar o real poder da mídia e a esquerda não conseguiu formular uma análise crítica do seu potencial de formação de consensos.
Santos afirma que, desde a década de 80, o PT já contava que, quando chegasse ao poder, teria a velha mídia brasileira ao seu lado, devido à postura dos oligopólios, como as Organizações Globo, de sempre se posicionarem a serviço dos governos de plantão. Mas não foi o que aconteceu. Para agravar, as redes sociais amplificaram o potencial da mídia de repetir versões para transformar fatos em verdade, o que gerou o quadro atual.
“A esquerda não tem uma visão crítica em relação aos meios de comunicação. E se ela não consegue ter essa relação em relação à velha mídia - se o máximo que consegue é propor a democratização e ponto - imagina com as novas mídias”, criticou.
Para o professor, o quadro é de tamanha gravidade que a relação entre verdade e mentira, entre verdade e ficção, está completamente abalada. “Nós chegamos a um ponto em que os ladrões gritam ‘pega ladrão’ para os não-ladrões. E isso cola! É uma inversão de valores gigantesca”, ironizou.
Linguagens totalitárias
O sociólogo sustenta que a dimensão totalitária que a linguagem da velha mídia, reverberada pelas redes sociais, adquiriu no país só encontra precedentes no período pré-nazista e na Guerra Fria. “A mídia é uma parte não só ativa na definição do que acontece, mas é parte ativa na criação de ficções, de versões do que ocorre”, ressaltou.
Para piorar o quadro, a esquerda não consegue sequer reagir aos sucessivos ataques, porque seus instrumentos são poucos e de curto alcance, enquanto os dos oligopólios que dominam a mídia no país vão longe e promovem uma espécie de “enfeitiçamento” contínuo. “Se você coloca só um pouquinho de voz de um lado, não é suficiente para fazer contraponto. A assimetria é enorme”, destacou.
O resultado, conforme ele, portanto, é um campo de versões e mentiras deliberadas, programadas por uma máquina poderosa, que tem uma capacidade de mobilização das mentes das pessoas bastante importante. “Não só a classe média já foi ganha, como também existe a uma capilaridade em setores beneficiados pelas políticas desse governo que começam a se submeter a este enfeitiçamento. Há uma operação de enfeitiçamento em curso”, denunciou.
Como exemplo, Santos cita as pequenas manifestações por impeachment ou a favor de “intervenção militar” que reúnem meia dúzia de manifestantes e um boneco, mas ganham um espaço enorme no noticiário e na agenda política do país, em detrimento de outras muito maiores organizadas pelos movimentos sociais. “Há todo um encadeamento de redes de transmissão que fazem com que não-acontecimentos se tornem acontecimentos, com o objetivo de manter no ar permanentemente a perspectiva de golpe”, alertou.
O não-diálogo
Para o professor, este enfeitiçamento está na base da falta de diálogo que domina o país. “Todo mundo aqui já tentou argumentar com uma dessas pessoas de direita, no sentido de demonstrar os absurdos que ela está dizendo, e bateu em um muro. O esclarecimento não resolve. Não há possibilidade de diálogo nem de discussão, porque o irracional surge. Elas não querem ser esclarecidas. São movidas pelo ódio e o ódio é visceral. E esse ódio é alimentado o tempo todo pela mídia e pelas redes sociais”, argumentou.
Para o professor, o mais grave é que o governo sequer reage a essa ofensiva, tratando essa explosão da linguagem totalitária no país como natural ou próprio da democracia. “Nem corte de grana para emissoras houve. A reação do governo é de submissão e isso estimula o avanço conservador”, acrescentou. Santos sustenta que as forças de esquerda precisam compreender os sinais de perigo e agir. “A linguagem não é só sentido e produção de conteúdo. A linguagem também é ação. E a ação da linguagem totalitária é mobilizar o negativo das pessoas”, denunciou.
O mercado da atenção
Professor de Sistemas de Informação da USP, Mário Moreto Ribeiro, fez uma comparação entre o ambiente do mundo do trabalho e o das redes sociais, que hoje exigem a atenção total do trabalhador/internauta, em uma desgastante briga por sua atenção. “Na internet hoje, o que está em disputa é essa atenção total. Não só o tempo [do internauta], mas a atenção”, afirmou.
Segundo ele, o capital se apropriou do que deveria ser espaço de interação e lazer para os trabalhadores e o transformou em mais uma mercadoria. É por isso que ele classifica o esforço exercido por milhares de usuários das redes sociais para formularem comentários e disputar a atenção de seus seguidores, gratuitamente, é um tipo de trabalho voluntário que contribui para valorizar a marca da empresa, e gerar lucro para o capital.
“Escrever no facebook também é um trabalho. Você gasta tempo, valoriza a empresa. E disputa a atenção dos colegas. Existe um mercado da atenção nas redes sociais. E a gente está disputando esse mercado quando escreve no Facebook. Mas não é um mercado aberto. Ele é controlado por uma empresa”, alertou.
Fonte: Carta Maior
COMENTÁRIO DO BLOG:
Texto fantástico. Quem me conhece ou já me viu falar sobre o tema, sabe que é tudo que tenho dito. Os sublinhados são para destacar.
domingo, 15 de novembro de 2015
Viver segue sendo muito perigoso...
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| Brasília com suas cores. Estamos em novembro, mês dos Flamboyants vermelhos e laranjas. |
Refeição Cultural - Diário 151115
Domingo em Brasília. Já estou há uma hora ouvindo a sinfonia de pássaros através da janela da sala de casa.
O mundo globalizado viu na última sexta-feira 13 os atentados terroristas em Paris. Quase duzentas pessoas perderam a vida ou estão na iminência de perdê-la. Os atentados foram assumidos pelo Estado Islâmico, um subproduto da destruição entre os anos noventa e dois mil dos países árabes e do Oriente Médio, destruição cuja responsabilidade tem forte relação com os países imperialistas do ocidente, capitaneados pelos Estados Unidos.
Como eu disse num texto anos atrás, o mundo segue hostil. O pior é que as perspectivas não são animadoras. Podemos ter um aumento da barbárie em escala mundial para as próximas décadas. Com o medo e o uso do medo, ampliam-se as intolerâncias, os preconceitos, xenofobias e tudo quanto é mazela do gênero.
Analistas e estudiosos de história e de guerras afirmam que uma eventual 3ª Guerra Mundial seria muito diferente das duas primeiras registradas no século XX. Estas foram de países de um lado e outro, mas agora o mundo é dominado por corporações, que põem governos de joelhos, e por grupos de afinidades como religião, ideologias e outros liames.
A existência é um "Grande Sertão: veredas", para citar o grande Guimarães Rosa. Ou seja, além da afirmação clássica de que o sertão é em todo lugar, temos a questão das veredas e encruzilhadas da vida para cada ser vivo. Todos os dias, a todo instante, escolhemos fazer isso ou aquilo, decidimos optar por determinado caminho.
As veredas
As veredas... o tempo inteiro em nossa vida nos pegamos escolhidos para trilhar determinado caminho, para realizar determinada tarefa. Riobaldo Tatarana nunca quis ser o que foi, nem coragem ele tinha em ser jagunço, mas lá estava ele, no meio das maiores guerras dos sertões.
Se passa o mesmo com cada um de nós. Aqui no meu mundo, na minha vida. Na sua vida. Ali em Mariana, Minas Gerais, onde uma tragédia anunciada e prevista destruiu centenas de quilômetros de meio ambiente e vida (capitalismo). Lá em Paris, na França, com os atentados terroristas desta última sexta-feira 13. Por mais que planejemos algo, as adaptações extrapolam - e muito - o que estava desenhado.
Me peguei sindicalista. Agora me peguei gestor em saúde. Estava no lugar que procuraram e estava realizando minhas lutas quando me peguei com novas tarefas. Todos escolhemos e somos escolhidos o tempo todo. Já pensaram nisso?
Para voltar nas veredas, no sertão mundo. As pessoas estavam lá em Mariana, Mariana estava lá no meio das perspectivas de exploração e destruição de tudo que significa o modelo de produção capitalista, e a hora do desastre chegou. Porque é claro que o desastre sempre vem. É claro que vamos inviabilizar a existência no mundo. Os desgraçados donos do sistema capitalista e seus lacaios e ideólogos sabem que vão destruir o planeta, mas fazem o cálculo de que não será na vez da vida deles, e então atuam na base do foda-se a geração seguinte.
As veredas... a questão das veredas e do sertão mundo serve para refletirmos sobre qualquer coisa. Dezenas de pessoas foram mortas em Paris na última sexta-feira. As informações dão conta de que era uma linda noite de sexta. E então começaram os ataques e assassinatos de civis.
Viver é perigoso...
Com os novos conhecimentos em saúde que adquiri ao ser gestor de entidade de saúde, eleito por trabalhadores, convivo com nova dor de conhecimento - desde muito novo, partilho do conceito que o conhecimento às vezes nos traz dor e sofrimento, porque não conseguimos mudar as coisas -, enfim, nos dói saber o quanto é benéfico e poderíamos melhorar a vida de toda a população se pudéssemos cuidar da saúde dela desde cedo, atuando na educação em saúde e na atenção primária.
Mais de setenta por cento das demandas de saúde quando o caso é grave, tem origem na falta de cuidado e acompanhamento de doenças crônicas. Quando a vítima chega à rede hospitalar, se houver rede hospitalar nos locais, ela tem uma chance menor de sobreviver e ficar sem sequelas e o custo para tratar sua demanda de saúde agudizada é exponencialmente mais caro. Grande parte das doenças graves são oriundas do não cuidado de questões básicas como controlar o colesterol, a diabetes e a hipertensão. De se controlar o estresse e a alimentação. De fazer exames periódicos para casos de histórico familiar.
É engraçado e trágico ao mesmo tempo. O ser humano passou a viver mais que três décadas com o passar de alguns milhares de anos porque melhorou a tecnologia das coisas cotidianas. Criamos os condimentos, sal, açúcar, fumo, álcool, gorduras saturadas, alteramos geneticamente os alimentos. Antes, a existência nos demandava esforço físico e aquilo que chamamos de atividades aeróbicas. Hoje, o humano é sedentário.
Na atualidade, os humanos vivem várias décadas a mais, porém morremos basicamente porque nossas veias e artérias entopem e explodem por falta de controle e acompanhamento do consumo de condimentos, sal, açúcar, fumo, álcool, gorduras saturadas, desequilíbrio no que se come. E tem também o estresse do mundo inseguro, caótico e da exploração humana pelo capitalismo. Explodimos também por isso.
Enfim, o mundo segue sendo o que é: um campo de batalha e em disputa por todos os seres vivos que nele habitam.
Viver segue sendo muito perigoso.
William Mendes
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quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Y del mucho leer, se le secó el celebro...
| Eu e Miguel de Cervantes, Toledo (ESP). 2009. |
"En resolución, él se enfrascó tanto en su lectura, que se le pasaban las noches leyendo de claro en claro, y los días de turbio en turbio; y así, del poco dormir y del mucho leer, se le secó el celebro de manera que vino a perder el juicio..."
Em meu trabalho atual, de gestor de entidade de saúde, eleito pelos trabalhadores, há dias em que me lembro muito desta frase famosa sobre nosso Cavaleiro da Triste Figura...
E de tanto ler, seu cérebro secou...
Aff! E o pior é que não é literatura. São súmulas, estudos, trocentas páginas sobre questões de saúde etc.
William Mendes
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domingo, 8 de novembro de 2015
Reflexões sobre a vida e nosso papel social
Refeição Cultural
Domingo. Acabou o final de semana. Entrei no casulo sábado para um respiro, mas já acabou. Vamos iniciar mais uma semana num mundo esquisito, duro, indefinido ao extremo, a considerar que o ser humano se organizou em sociedade para conquistar um pouco de segurança e estabilidade. Hoje, no entanto, o sistema capitalista organizou o mundo e as pessoas que nele habitam para o curto prazo.
Não há mais estabilidade em nada. Assim como a própria existência, frágil e à mercê de um instante final, nossas organizações sociais estão todas por um triz.
Como achar sentido na nossa existência tão curta e fugaz, no instante em que passamos por aqui?
Eu me pergunto isso e vivo buscando sentido para as coisas desde muito jovem. Já vivi algumas parcas décadas neste mundo, onde o tempo é infinitamente grande e longo se comparado ao instante que é uma simples vida humana.
Buscando sentidos e observando o mundo em que vivo, neste fim de semana li um pouco de Franz Kafka, O processo, e li um pouco de Mário de Andrade, Macunaíma. Corri e caminhei, pois sei de minha obrigação em ser resistente, como soldados em campos de batalha. Reli textos meus para rever o que já escrevi e o que pensei a respeito de coisas do mundo.
Eu tenho convicção absoluta sobre a importância da leitura de materiais mais densos como livros clássicos e obras que abordem com maior profundidade o conhecimento humano acumulado em milhares de anos. A leitura de obras densas gera a capacidade nos leitores de criarem referências para as coisas do cotidiano da vida - para as decisões a se tomar, porque você pode buscar no conhecimento adquirido com as obras clássicas uma referência sobre o que fazer e as consequências que sua decisão podem gerar.
Quando vejo do que se alimentam meus pares humanos na atualidade, através das redes sociais e ferramentas comunicacionais, produtos de poucas linhas, com imagem e som, as pautas e materiais disponibilizados, os novos "livros" editados, os vídeos, os temas, enfim as coisas que formam ou organizam o pensamento dos humanos situados no mundo em que estamos, fico pensando no que fazer, no meu papel, em como lidar com as pessoas ao meu redor.
Fico pensando em como trabalhar e representar as pessoas deste mundo novo das coisas curtas, com valores outros em relação ao que eu defendo e luto por implantar no mundo para uma vida melhor das pessoas e do próprio planeta que habitamos.
Eu sinceramente tenho dúvidas do efeito prático da minha forma de agir. Mas eu acredito que tenho que manter minha postura, minha forma de agir, mesmo sendo infinitamente minoria no que penso e defendo. No fundo, desde muito jovem, sempre senti a necessidade de não ser parte das hegemonias ao meu redor.
Acho que isso tem um pouco a ver com ser um militante de esquerda, militar por justiça social, lutar contra injustiças sociais, não ter os valores de sua vida baseados no ter... mas sim em ser algo que valha a pena.
Vou acordar nesta segunda-feira e trabalhar com firmeza pela tarefa que me designaram ao me elegerem para gerir uma entidade de saúde de trabalhadores, em nome deles.
Vou manter minha postura de não concordar com injustiças e coisas erradas. E vou manter minha franqueza em dizer o que penso e o que defendo, para as batalhas que eu for escolher para enfrentar, porque aprendi com a vida que não posso enfrentar todas as coisas erradas do mundo, mas que devo escolher as batalhas para as quais vou me dedicar.
William Mendes
Uma simples vida humana
(mas importante como todas as vidas humanas)
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sábado, 7 de novembro de 2015
Diário - 071115
Refeição Cultural
Sábado. Acordei. Tomei um copo de água. Abri a janela da sala e fiquei minutos vendo o movimento das folhas nas árvores e o movimento dos pássaros. Peguei O processo e li por uma hora. Li o terceiro capítulo.
Lembremos o começo da obra:
"Alguém devia ter contado mentiras a respeito de Joseph K., pois, não tendo feito nada de condenável, uma bela manhã foi preso..."
Passados alguns dias, o personagem começa a viver o processo. Os locais onde deve ir, a forma como as sessões do processo se dá e as pessoas com quem Joseph K. lida são coisas sem sentido, sem lógica. É algo semelhante ao mundo do faz de conta, da fantasia.
Joseph K está preso, mas está livre para ir e vir durante o processo. Mas está preso, porque o processo está em andamento.
Liberdade
Quem de nós está livre? Eu estou preso ou estou livre?
Posso ir e vir... ou seja, estou livre. Mas sou livre?
As obras de Franz Kafka, principalmente O processo, ganharam interpretações às mais variadas ao longo do século 20. É o efeito posterior de boas obras.
Eu li O processo quando era adolescente. Imagine só como era minha cabeça, meu mundo, o mundo, quando li a obra lá nos anos oitenta do Brasil miserável, de minha família em condição financeira miserável, de um mundo miserável, dividido pela Guerra Fria?
E hoje, falamos de um mundo miserável. Falam ou plantam para os jovens de hoje que o Brasil é miserável... Canalhas miseráveis!
Que merda tudo isso! Que processo kafkiano vivemos!
William
William
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domingo, 1 de novembro de 2015
O Brasil virou o cenário do processo kafkiano
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| Brasil virou cenário d'O processo... |
Refeição Cultural
"Alguém devia ter contado mentiras a respeito de Joseph K., pois, não tendo feito nada de condenável, uma bela manhã foi preso..." (O processo, Franz Kafka)
Assim começa uma das obras mais interessantes da literatura mundial. O processo, do escritor tcheco Franz Kafka (1883/1924), é obra de referência inclusive por ter dado nome a uma expressão popular "processo kafkiano" para algo absurdo que aconteça com um cidadão, algo impossível de acontecer por ir contra o sentido normal de respeito aos direitos de uma pessoa quando lida com o Estado/Sistema e coisas do gênero.
Quando nós escrevemos e falamos nos últimos anos sobre os riscos existentes em se abrir a Caixa de Pandora no Brasil, riscos motivados pela perda de limites em relação ao respeito mútuo entre a classe política e lideranças sociais, tendo como consequência o aumento das agressões recíprocas nas eleições presidenciais de 2010, disputadas entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), estávamos prevendo que, ao se estimular a barbárie na sociedade civil, seria difícil se controlar o que viria depois.
A chamada "oposição" aos governos do Partido dos Trabalhadores, que ascendeu ao poder com Lula em 2002, sendo Lula reeleito em 2006 e elegendo sua candidata Dilma Rousseff em 2010, essa "oposição", liderada pelos tucanos e pelos grupos mais à direita e reacionários do país, mas tendo como um dos pilares de sustentação as famílias donas dos meios de comunicação brasileiros - grupos Globo, Folha, Estadão e Abril -, essa "oposição" é responsável, na minha opinião, pelo avanço da intolerância entre o povo brasileiro e pela destruição do pouco de imparcialidade e igualdade que pudesse existir no Estado brasileiro em relação ao trato com os estratos sociais menos privilegiados - pobres e minorias em geral - por parte dos órgãos oficiais da chamada democracia e sua estrutura burguesa: Judiciário e sua estrutura e legislativo federal, que elegeu a bancada mais retrógrada na concepção, canalha na índole e reacionária na questão de direitos populares das últimas décadas.
Com a 4ª derrota da "oposição" para o PT de Dilma Rousseff em 2014, e já havia sido assim com a derrota da "oposição" na 3ª disputa presidencial com o PT de Lula em 2010, acelerou-se a estratégia de caça às lideranças do PT e da esquerda aliada ao Governo Federal. Após as manifestações de junho de 2013, utilizadas e manipuladas pelas máquinas e veículos de comunicação dessa "oposição" para atacar o Governo Dilma e criminalizar o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças, entramos numa nova fase do foco opositor na aniquilação e extinção do partido, das conquistas do povo brasileiro advindas com os governos do PT após 2003 e, neste momento em que escrevo, esta história está sendo escrita e vivida por todos nós.
A ascensão do partido nazista em 1933 e o período de Hitler na Alemanha do 3º Reich usou da mesma estratégia ao disputar a hegemonia dos corações e mentes de um povo, o povo alemão. Aqueles anos 20/30 viviam a novidade dos meios de comunicação de massa com rádio e cinema e os governos e donos do poder se utilizaram rapidamente daquela máquina de manipulação de consciências das populações em seus países.
PREGAR O ÓDIO e CULPAR O PT hoje através da máquina da "oposição" aos governos do PT são os mesmos eixos da estratégia de Hitler em meio a crise econômica da época (pós crash de 1929), exatamente como ocorre no mundo hoje (pós crash de 2008). PREGAR O ÓDIO E CULPAR OS JUDEUS foram os eixos estratégicos nazistas ao alimentar o ódio no povo alemão e escolher como culpado por tudo o povo judeu. O resultado da política nazista deu no que deu: Holocausto. Eu nunca me esqueci da frase do ex-senador por Santa Catarina, Jorge Bornhausen (ARENA>PDS>PFL>DEM), que em 2006, pregou a seguinte frase: "precisamos acabar com essa raça", se referindo aos políticos de esquerda e especificamente ao Partido dos Trabalhadores e simpatizantes.
Que diriam os incrédulos mais à esquerda e progressistas que a caça ao PT e petistas, menos de uma década depois, seria um processo real? A insanidade tomou conta do cotidiano das pessoas e do país. O massacre midiático, cínico, mentiroso, leviano, tirou a noção e o bom senso dos cidadãos. Agora uma corja de corruptos e corruptores históricos fazem passeatas acusando o Governo Federal e o PT e os meios de comunicação da "oposição" estampam ilações quase no sentido de dizer ao cidadão comum: cace um petista!
Estamos vivendo praticamente o processo nazista do 3º Reich no Brasil. E eu diria que o processo de acusações e ilações às lideranças petistas é kafkiano. Se é para atacar e destruir o Governo Dilma ou Lula - a maior liderança popular do país -, ou suas lideranças regionais e destruir o PT, vale qualquer coisa! Prender sem provas, escrever qualquer merda, ilação ou suspeição em TODOS os veículos de comunicação (PIG) porque pertencem ao mesmo grupo "oposição" e por aí vai.
E o pior e mais parecido com o clima da Alemanha nazista dos anos trinta e dos processos kafkianos das vítimas contra o totalitarismo desses sistemas é que OS CIDADÃOS COMUNS NÃO FAZEM NADA E TODOS LEVAM SUAS VIDAS NORMALMENTE.
A iniquidade está virando a regra. A injustiça e o tratamento desigual dos órgãos oficiais do Estado estão virando a regra. E aí estamos caminhando para o fim da democracia.
Estamos vivendo a HISTÓRIA. E é a história de amanhã da ascensão do fascismo no Brasil.
William Mendes
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Post Scriptum:
Escrevi no Facebook ao mudar a foto do perfil para esta da postagem:
Entramos novembro... vamos vivendo num mundo kafkiano. E vamos vivendo e lutando. Depois de descansar uns vinte dias após realizar meu sonho de correr a 1ª meia maratona (21K Floripa), comecei hoje a treinar para correr a São Silvestre (15K). Nada melhor que começar o treino no Parque Continental - Osasco SP, com uma subidona de quase 1K e com chuva... Vamos a luta, vamos com leveza, resistência e muita energia interior nos focos que temos!
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Minha dor ao ver o avanço da iniquidade
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| Desenho (William Mendes). |
A iniquidade está associada ao ato de ser mau, injusto e perverso. Uma pessoa iníqua transgride às leis e normais morais e éticas sem qualquer tipo de ressentimento ou escrúpulos. A iniquidade está, normalmente, relacionada com o cinismo e a falta de caráter.
A criminalidade, pecado ou injustiça são algumas das ações de quem pratica a iniquidade.
Iniquidade social
A iniquidade social acontece quando as normas e leis destinadas à sociedade, de um modo geral, não estão sendo cumpridas igualitariamente, seguindo os princípios dos Direitos Humanos, da moral e da ética.
No Brasil, por exemplo, existem vários casos de iniquidades sociais, praticados por instituições públicas e privadas, seja na área da educação escolar, sistema de saúde ou segurança pública.
(e eu acrescento nos exemplos: meios de comunicação e instituições da justiça)
A iniquidade social acontece quando as normas e leis destinadas à sociedade, de um modo geral, não estão sendo cumpridas igualitariamente, seguindo os princípios dos Direitos Humanos, da moral e da ética.
No Brasil, por exemplo, existem vários casos de iniquidades sociais, praticados por instituições públicas e privadas, seja na área da educação escolar, sistema de saúde ou segurança pública.
(e eu acrescento nos exemplos: meios de comunicação e instituições da justiça)
(Fonte: significados.com.br)
Minha tristeza ao ver o avanço da iniquidade
Cheguei há pouco do meu trabalho. Sou representante eleito pelos trabalhadores para atuar em uma entidade de saúde. Pelo papel social que exerço, ou seja, um papel político, sinto uma dor profunda ao ver o avanço da iniquidade na sociedade brasileira.
Quando vejo a perseguição focada a certos setores, segmentos e grupos sociais; o tratamento desigual, perverso, cínico e mau caráter por parte de setores que detêm o poder secular (status quo) excessivo e de forma desigual em relação aos atacados, vejo que o povo brasileiro e a sociedade estão regredindo rapidamente, influenciados por mais de uma década de ataques ininterruptos a Lula, ao Partido dos Trabalhadores e às mudanças sociais que vieram com a ascensão do PT ao Governo Federal, ataques da mídia privada, golpista e canalha - Organizações Globo et caterva.
O que os meios de comunicação privados estão fazendo com as lideranças populares do PT, aliados e simpatizantes da esquerda de uma forma geral (e seus familiares) é desumano, imoral, é nojento, é injusto.
O Brasil é um país continental, com 200 milhões de pessoas, e toda a comunicação e os meios de comunicação, em um mundo que hoje é baseado na comunicação e redes sociais, todos nós 200 milhões, estamos à mercê da manipulação e nas mãos de alguns (ALGUNS) empresários que concentram toda a formação da PAUTA que se ENFIA OUVIDOS, OLHOS E GOELA ADENTRO de cada um de nós AD NAUSEAM (repetidamente, insistentemente) em qualquer lugar onde respiramos. Não é possível resistir! Nossos amigos, familiares e conhecidos não têm como não serem envenenados! Impossível!
Não existe mais nada no mundo a não ser o foco dos empresários donos desses jornais, TVs e rádios (tudo de algumas famílias) que não seja atacar o governo de Dilma, o Lula (maior líder popular do planeta), o partido (PT) que mudou a vida do povo brasileiro e ascendeu dezenas de milhões de pessoas à condições melhores de vida. Atacar AD NAUSEAM...
O 3º Reich da Alemanha nazista de Hitler fez isso com judeus e adversários. Outros totalitarismos fizeram isso com adversários. Totalitarismos com alcunhas de direita e esquerda. E as sociedades onde isso aconteceu foram sociedades iníquas. A estratégia do ataque é tirar dos atacados a condição de humanos. Não são humanos, pares, iguais: são coisas, são petistas, são bolivarianos, são comunistas, são judeus... são negros, são homossexuais, são pobres e vagabundos...
As pessoas comuns estão sendo, já foram, envenenadas pelos meios de comunicação dos empresários, que se tornaram o partido político (PIG) mais perverso, canalha e destruidor do Brasil deste início de século XXI.
Vou parar de escrever. Não sou e não tenho os meios de comunicação. Falo para dois ou três. As famílias de empresários da Globo, Folha, Estadão, Grupo Abril, Record, Bandeirantes... e mais algumas famílias (ALGUMAS) vão enfiar na sua cabeça via TV, sites que alimentam as redes sociais, "provedores de informação/manipulação", rádios, tudo, o que e quem você deve considerar bom, honesto, corrupto, do bem, do mal... quem deve governar (não se fale mal de) quem não deve governar (fala AD NAUSEAM mal de).
Pra quem nunca entendeu porque no filme "Matrix" qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer minuto, se transformava nos agentes da Matrix (lembra do Smith?) é porque neste sistema você é uma bateria, você vai defender os interesses da Matrix, dos empresários que manipulam a todos nós.
E aí, acabou? Acabamos? Dá pra lutar contra a Matrix? Você, meu par, meu amigo, conhecido, familiar, vai ser o Smith a qualquer segundo?
William Mendes
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William Mendes
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Parabéns, Presidente Lula! Você é uma referência para mim
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| Lula em encontro de educação no Piauí, em out/2015. Foto: Ricardo Stuckert/I |
"Eu acho que cada um de nós representa alguma coisa. Eu tenho consciência do que eu represento. eu tenho consciência de para quem que eu devo fazer o governo. Eu tenho consciência de qual é o setor que eu quero privilegiar." (Lula, o filho do Brasil)
Companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, meus parabéns pelo seu aniversário, muita saúde e que você continue muito tempo conosco na luta pelo Brasil, pelo povo brasileiro e por um mundo melhor.
Você é uma referência para mim desde que virei representante eleito pelos trabalhadores.
Nós vamos vencer todo o ódio, a discriminação e a intolerância crescentes no Brasil, alimentados pela direita brasileira, cheia de fascistas e de gente que não aceita o processo democrático que você liderou e ajudou a construir em nosso país, que sofreu golpe civil-militar em 1964 e no qual o povo brasileiro lutou arduamente para reconquistar a democracia e os direitos do povo dos anos oitenta até os dias atuais.
Obrigado por tudo que já fez pelo povo e pelo nosso querido Brasil.
Vida longa, Presidente Lula!
William Mendes
domingo, 25 de outubro de 2015
Uma história da leitura - Excertos e reflexões
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| Este livro vale a pena. |
Refeição Cultural
Domingo. Estou em Brasília (DF) para recuperar o fôlego da longa semana de trabalho, que só terminou quando cheguei ao final do sábado em casa, vindo de outros estados.
Além de querer silêncio, isolamento e nenhum contato com gente, folheei dois livros: Uma história da leitura (1996) de Alberto Manguel e Don Quijote de La Mancha (1605/1615) de Miguel de Cervantes.
A vida é lutar diariamente pela própria sobrevivência e por algo que valha a pena, porque a vida é dura. Soube do resultado final no sábado das negociações salariais entre bancários do Banco do Brasil e a direção do Banco e fiquei com grande tristeza por não ver nela proposta de aportes para a nossa Caixa de Assistência, que administro como diretor eleito. Que dizer? Vida que segue na segunda-feira. Para mim, não muda nada a minha gana em realizar os projetos que defendemos que focam o modelo assistencial e a promoção de saúde.
Evidente que não vindo aportes por parte do Banco como resultado da luta e mobilização na campanha salarial, todas as partes envolvidas terão que achar solução para o déficit do Plano de Associados, no instante seguinte a uma provável aprovação das propostas negociadas entre bancários e seus sindicatos e o patrão Banco do Brasil.
Enfim, somente nos livros e nas caminhadas e corridas é que encontro algum respiro para o viver.
Seguem alguns excertos muito legais do capítulo "Primórdios", que está na parte três do livro e que conta um pouco da origem da escrita e do ato de ler. Eu digo mais, que conta a história da comunicação humana, a qual eu não tenho dúvida que tem papel fundamental em qualquer sociedade humana, na disputa de como ela se organiza e na forma como grupos se estabelecem na disputa de hegemonia nos espaços sociais e nas estruturas de poder constituídas.
Eu recomendo a compra do livro e o deleite em sua leitura.
PRIMÓRDIOS
"No verão de 1989, dois anos antes da guerra do Golfo, fui ao Iraque para ver as ruínas da Babilônia e da Torre de Babel. Era uma viagem que eu ansiara muito fazer. Reconstruída entre 1899 e 1917 pelo arqueólogo alemão Robert Koldewey, Babilônia fica a cerca de 65 quilômetros de Bagdá - um enorme labirinto de paredes cor de manteiga que foi outrora a cidade mais poderosa da Terra, perto de um monte de argila que os guias turísticos dizem ser tudo o que resta da torre que Deus amaldiçoou com o multiculturalismo..."
(...)
"Ali (ou pelo menos não muito longe dali), têm afirmado os arqueólogos, começou a pré-história do livro. Em meados do quarto milênio a.C., quando o clima do Oriente Médio tornou-se mais fresco e o ar mais seco, as comunidades agrícolas do Sul da Mesopotâmia abandonaram suas aldeias dispersas e reagruparam-se em torno de centros urbanos maiores que logo se tornaram cidades-estados..."
INVENÇÃO DA ESCRITA: PROVÁVEL MOTIVO COMERCIAL
"Com toda a probabilidade, a escrita foi inventada por motivos comerciais, para lembrar que um certo número de cabeças de gado pertencia a determinada família ou estava sendo transportado para determinado lugar. Um sinal escrito servia de dispositivo mnemônico: a figura de um boi significava um boi, para lembrar ao leitor que a transação era em bois, quantos bois estavam em jogo e, talvez, os nomes do comprador e do vendedor. A memória, nessa forma, é também um documento, o registro de tal transação."
TABULETAS ESCRITAS
"O inventor das primeiras tabuletas escritas deve ter percebido as vantagens que essas peças de argila ofereciam sobre manter a memória no cérebro: primeiro, a quantidade de informação armazenável nas tabuletas era infinita (...); segundo, para recuperar a informação as tabuletas não exigiam a presença de quem guardava a lembrança."
E aqui Manguel nos revela O NASCER DA ESCRITA
"De repente, algo intangível - um número, uma notícia, um pensamento, uma ordem - podia ser obtido sem a presença física do mensageiro, magicamente, podia ser imaginado, anotado e passado adiante através do espaço e do tempo."
CONSEQUÊNCIAS DA INVENÇÃO DA ESCRITA
"Desde os primeiros vestígios da civilização pré-histórica, a sociedade humana tinha tentado superar os obstáculos da geografia, o caráter final da morte, a erosão do esquecimento. Com um único ato - a incisão de uma figura sobre uma tabuleta de argila -, o primeiro escritor anônimo conseguiu de repente ter sucesso em todas essas façanhas aparentemente impossíveis."
NASCE O LEITOR
"Mas escrever não é o único invento que nasceu no instante daquela primeira incisão: uma outra criação aconteceu no mesmo momento. Uma vez que o objetivo do ato de escrever era que o texto fosse resgatado - isto é, lido -, a incisão criou simultaneamente o leitor..."
(...)
"O escritor era um fazedor de mensagens, criador de signos, mas esses signos e mensagens precisavam de um mago que os decifrasse, que reconhecesse seu significado, que lhes desse voz. Escrever exigia um leitor..."
(...)
"Somente quando o escritor abandona o texto é que este ganha existência."
(...)
"Toda escrita depende da generosidade do leitor."
Manguel termina essa parte da invenção da escrita e do nascer do leitor com uma frase muito legal:
"Desde os primórdios, a leitura é a apoteose da escrita."
COMENTÁRIO DO BLOG
Este livro, que conheci quando entrei na Faculdade de Letras na USP em 2001, virou um livro de cabeceira, para ser um dos que eu levaria para uma ilha ou para o isolamento - daquelas famosas perguntas "quais livros você levaria se tivesse que ir para uma ilha...".
É isso!
William Mendes
Um leitor
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Diário - 191015
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| Vamos para mais uma semana sob o Sol e calor de Brasília. Quando olho o céu daqui, lembro do "Céu que nos protege". |
Refeição Cultural
Adentramos nos primeiros minutos da segunda-feira, 19 de outubro. Passamos o final de semana morgando em casa. Um calor danado em Brasília.
LEITURAS
Li uma matéria da nova edição da revista Contra Relógio que confirmou o que eu estava planejando em relação às corridas. Depois de alcançar um objetivo ou participar de uma prova longa que te exigiu tempo, dedicação e planilha de treinamento, é necessário dar algumas semanas de descanso ao corpo. Domingo passado, participei pela primeira vez e completei uma meia maratona (21K). Durante a semana, apenas andei para não perder completamente o condicionamento físico e para dar um tempo ao corpo em relação às dores de treinos puxados. Minha próxima corrida será a São Silvestre (15K) no dia 31 de dezembro.
Li dois capítulos de um livro que sou apaixonado por ele: Uma história da leitura, de Alberto Manguel. Tive conhecimento da existência do livro nos meus primeiros meses de Faculdade de Letras na USP. Um dos professores de literatura nos pediu para lermos o capítulo "Ordenadores do Universo". Eu fiquei deslumbrado com a leitura e procurei o livro para comprar. A leitura deste livro é emocionante porque é um livro de todos nós leitores, é a nossa história ao longo da história humana após a invenção da escrita e, consequentemente, dos leitores.
FILMES E SÉRIES
Assisti a um filme cuja escolha foi aleatória. Passei os canais e escolhi aquele em que estava começando um filme. A Colônia.
Sinopse (Wikipedia):
"The Colony é um filme de ficção científica de terror canadense, escrito e dirigido por Jeff Renfroe, lançado em 2013.
No futuro, uma nova Era do Gelo afeta a Terra, destruindo quase toda a população do planeta. Os raros sobreviventes encontram abrigos subterrâneos, onde a vida é precária. Mas logo um pequeno grupo de resistentes descobre uma ameaça ainda mais perigosa do que o clima hostil"
Um filme apocalíptico, estilo distópico. Violência e barbárie é o que a história de ficção prevê para nós no futuro. Um futuro com a terra vivendo outra era glacial com falta de Sol, comida etc.
Na condição de confinamento e de escassez geral de tudo e com poucas oportunidades de sobrevivência, a ideia transmitida pelo filme é que nós rasgamos todos os pactos sociais que construímos para o convívio em sociedade.
O interessante e triste ao mesmo tempo é que, nos dias atuais parte de nós cidadãos do mundo, aqui e acolá, principalmente os grupos de direita e fascistas, testamos o tempo inteiro a quebra das regras do convívio em sociedade, coletivo e colaborativo, por outras formas mais "naturais", ou seja, no estado de natureza, onde impera a lei do mais forte, mais adaptado e com sorte de ir vivendo pelas casualidades. Se queremos mudar as regras de civilidade atuais, depois não adiantará chorar o leite derramado.
Filme violento, mas bem real quando se trata de abrir a Caixa de Pandora e se libertar todas as maldades no mundo. Caso queiram mesmo seguir com a "Banalização do mal", tese acertadamente desenvolvida por Hannah Arendt após o evento do nazismo, será difícil a recuperação no curto prazo dos limites atuais de civilidade, construídos após séculos de tentativas e erros na melhoria do convívio social e da solução pacífica e política para as controvérsias entre povos e grupos com pensamentos distintos.
ARQUIVO X - 2X13
Também vi um episódio de Arquivo X, do segundo ano, que, da mesma forma do filme A Colônia, aborda a questão da maldade e da violência humana.
O episódio "Irresistível" aborda o caso de um usurpador de cadáveres e assassino, colecionador de cabelos, unhas e dedos de suas vítimas. Episódio muito forte.
MAIS UMA SEMANA DE TRABALHO PELA FRENTE
Pois é, a semana que inicia ao amanhecer desta segunda-feira 19/10 será de muito trabalho, como usam ser todas as semanas. É minha tarefa vivê-la com toda a energia possível. Só de segunda para terça, tenho uma pauta de reunião de diretoria gigante. Gigante! São 42 súmulas para ler, analisar e definir meus votos e manifestações. Se for ler tudo, incluindo anexos, não se faz isso em menos de um dia todo, coisa de muitas e muitas horas. A coisa boa é que no calendário da semana estão incluídas agendas de idas às bases sociais da Cassi em dois estados brasileiros.
Vamos à luta porque a vida é viver por algo que vale a pena.
William
No futuro, uma nova Era do Gelo afeta a Terra, destruindo quase toda a população do planeta. Os raros sobreviventes encontram abrigos subterrâneos, onde a vida é precária. Mas logo um pequeno grupo de resistentes descobre uma ameaça ainda mais perigosa do que o clima hostil"
Um filme apocalíptico, estilo distópico. Violência e barbárie é o que a história de ficção prevê para nós no futuro. Um futuro com a terra vivendo outra era glacial com falta de Sol, comida etc.
Na condição de confinamento e de escassez geral de tudo e com poucas oportunidades de sobrevivência, a ideia transmitida pelo filme é que nós rasgamos todos os pactos sociais que construímos para o convívio em sociedade.
O interessante e triste ao mesmo tempo é que, nos dias atuais parte de nós cidadãos do mundo, aqui e acolá, principalmente os grupos de direita e fascistas, testamos o tempo inteiro a quebra das regras do convívio em sociedade, coletivo e colaborativo, por outras formas mais "naturais", ou seja, no estado de natureza, onde impera a lei do mais forte, mais adaptado e com sorte de ir vivendo pelas casualidades. Se queremos mudar as regras de civilidade atuais, depois não adiantará chorar o leite derramado.
Filme violento, mas bem real quando se trata de abrir a Caixa de Pandora e se libertar todas as maldades no mundo. Caso queiram mesmo seguir com a "Banalização do mal", tese acertadamente desenvolvida por Hannah Arendt após o evento do nazismo, será difícil a recuperação no curto prazo dos limites atuais de civilidade, construídos após séculos de tentativas e erros na melhoria do convívio social e da solução pacífica e política para as controvérsias entre povos e grupos com pensamentos distintos.
ARQUIVO X - 2X13
Também vi um episódio de Arquivo X, do segundo ano, que, da mesma forma do filme A Colônia, aborda a questão da maldade e da violência humana.
O episódio "Irresistível" aborda o caso de um usurpador de cadáveres e assassino, colecionador de cabelos, unhas e dedos de suas vítimas. Episódio muito forte.
MAIS UMA SEMANA DE TRABALHO PELA FRENTE
Pois é, a semana que inicia ao amanhecer desta segunda-feira 19/10 será de muito trabalho, como usam ser todas as semanas. É minha tarefa vivê-la com toda a energia possível. Só de segunda para terça, tenho uma pauta de reunião de diretoria gigante. Gigante! São 42 súmulas para ler, analisar e definir meus votos e manifestações. Se for ler tudo, incluindo anexos, não se faz isso em menos de um dia todo, coisa de muitas e muitas horas. A coisa boa é que no calendário da semana estão incluídas agendas de idas às bases sociais da Cassi em dois estados brasileiros.
Vamos à luta porque a vida é viver por algo que vale a pena.
William
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domingo, 18 de outubro de 2015
Diário - 181015 (O Blog Refeitório Cultural)
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| Um Por do Sol visto da janela de casa em Brasília. |
Refeição Cultural
"Toda escrita depende da generosidade do leitor" (Manguel)
Este Blog Refeitório Cultural tem um histórico e uma funcionalidade que foram variando ao longo do tempo. Já são quase oito anos no ar.
Eu o criei porque queria escrever sobre cultura, porque queria digitar e postar minhas aulas do curso de Letras, feito na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Pensei desde o início em escrever sínteses, comentários e exegeses dos livros que sempre sonhei em ler.
Ao longo do tempo, os temas foram mudando e as funcionalidades também. O Blog assumiu um papel não muito ideal de ser personalista, abrigar mais questões pessoais do que do mundo da cultura. Mas não tenho como interromper este processo. Minha vida hoje é praticamente dedicada ao trabalho e às tarefas inerentes a ele. Não me sobra tempo para ler e fazer meus comentários sobre o que li. Muito menos para refletir sobre grandes temas da dimensão humana e escrever com a técnica adequada.
No entanto, as coisas são interessantes. Meu pai tem 73 anos e, apesar de suas dificuldades e muitos problemas de saúde, ele, com seu jeito todo esforçado de sentar em frente ao computador e se manter ativo, aprendeu a entrar em meu Blog e ler o que eu escrevo. Nós temos pouco tempo para nos falarmos e moramos a centenas de quilômetros de distância. Mas com essa nova funcionalidade de meu Blog, não quero demorar muito a escrever aqui, porque pelo menos meu pai vai ler.
É maluco tudo isso. Um blog pode ter várias funcionalidades. Este era para compartilhar conhecimento, opiniões e coisas da cultura. Acabou que, além disso, ele tem as pessoalidades normais e expositoras do autor, que não foge ao estilo comum da sociedade moderna do selfie e da disputa de espaço por atenção na rede mundial.
Como o Blog acaba sendo um pouco um diário, um monólogo de mim para comigo mesmo, é muito interessante quando leio o que o autor (eu) escreveu para o leitor do amanhã e esse leitor no amanhã sou eu mesmo.
Eu reaprendo quando releio. Eu corrijo até erros de digitação e de gramática. Eu mudo o tipo da fonte da letra utilizada. Coloco uma imagem quando estava sem nenhuma. Faço comentários no tempo presente no próprio texto feito no passado. E, o mais importante, categorizo melhor a postagem - muito ao estilo dos "Ordenadores do Universo" do Manguel. Isso facilitará a procura no meu próprio Blog, que tem quase mil e trezentas postagens.
Eu li um pouco hoje do livro de Alberto Manguel, Uma história da leitura. Li dois capítulos: o capítulo "Ordenadores do Universo" e outro capítulo que aborda a pré-história do escrever, registrar a escrita, com os antigos escribas da região da Mesopotâmia e, consequentemente, da criação do ato de ler, porque passou a ter escritos para serem lidos.
Fiquei pensando muito nisso. E lembrei que eu mesmo tenho muitos escritos para serem lidos. Escritos ao longo de décadas de vida, para serem lidos por mim mesmo, que já não sou aquele que escreveu, sou outro. No próprio Blog, ler o que registrei há quase uma década é uma experiência de conhecimento pessoal diferente.
É isso. Não vou tuitar, nem por no face essa postagem. Talvez alguém leia, além de meu pai. Provavelmente eu leia daqui a cinco anos.
William
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
A despeito da Ilha Desconhecida de cada um
Refeição Cultural - Diário 121015
Estou em Florianópolis, Santa Catarina. Uma ilha.
Hoje é feriado de 12 de outubro. Uma segunda-feira.
Eu sou um amante da leitura. Fiz Faculdade de Letras e sonhei ser professor de literatura e dedicar minha vida a ler e a ensinar e a ter contato com as pessoas para ler, conversar, estudar, debater e compreender o mundo, e compreendendo-o, quem sabe mudá-lo para melhor.
As veredas por onde minha vida adentrou, levaram-me a outro destino. Aos quarenta e seis anos, quase não posso mais ler literatura. Não dá mais.
Aí, neste feriado aqui na ilha, após a aventura que vivi ontem (Meia Maratona), acabei comprando um pequeno livro de José Saramago, do tamanho máximo do que posso ler numa sentada, e embarquei na viagem. Li O Conto da Ilha Desconhecida, de 1997. Fiquei pensativo por horas após a leitura. Ainda estou.
Sinopse do livro
O conto narra o caso de um homem que pede ao rei um barco para sair em busca de uma ilha desconhecida. O pedido não é levado a sério por afirmarem que já não existem mais ilhas desconhecidas. O homem é insistente. Sua insistência constrange o rei, que acaba por ceder. O homem consegue o barco. A mulher da limpeza do palácio do rei, decide acompanhar o homem do barco por admirar sua tenacidade e a história se desenvolve a partir daí.
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| Ponte Hercílio Luz, em reforma. Uma atração turística da cidade. Passei correndo por baixo dela na meia maratona. |
Reflexões
Vivi nesta ilha uma aventura no dia anterior, um domingo, em busca de meus limites desconhecidos. Corri ontem minha primeira prova de meia maratona.
Apesar do planejamento que fiz para o condicionamento físico (ler aqui) e, posteriormente, da conclusão que tomei (ler aqui) de abortar os treinamentos na fase final pelas dificuldades que enfrentei ao longo do caminho, cá cheguei nesta ilha e, apesar dos prognósticos, embarquei na aventura e descobri novos limites.
Meu corpo está todo pedrado ainda, mas após embarcar rumo ao novo, sempre se sai diferente.
Interessante ter vindo parar em minhas mãos o livro de Saramago ao flanarmos por uma livraria. Minha esposa o pegou, me mostrou. Acabamos por levá-lo. Eu o li hoje. A busca por uma ilha desconhecida...
Comecei a ver coincidências. Eu vim a esta ilha de Florianópolis em janeiro deste mesmo ano correr uma prova de 10 km na areia (ler aqui) e foi a experiência mais diferente em corrida que havia experimentado até a meia maratona de ontem. Correr em areia é muito difícil.
As metáforas e simbolismos do pequeno conto de Saramago podem parecer simplórios, mas são instigantes.
Nos instigam e nos põem a pensar em utopias, na superação dos impossíveis já tão comuns e determinísticos que ouvimos em nosso meio social. Ai ai ai, se eu fosse viver de desânimos e pusilanimidades por me dizerem que as coisas são impossíveis... não teria ocorrido quase nada em minha vida.
Estou muito necessitado de um barco para encontrar a minha Ilha Desconhecida.
Aliás, mais um barco, porque as veredas de minha vida me colocaram em barcos com destinos quase impossíveis, ou difíceis de alcançar. E a gente ao menos está navegando com diligência. E com muito esforço e transpiração.
A metáfora do conto de Saramago valeu demais para mim.
Não é hora de parar de navegar. Ao contrário, estamos em um barco rumo a novas descobertas.
William Mendes
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