sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ordenadores do Universo



Este livro é meu refúgio para os momentos
em que a vida está foda.

Refeição Cultural - Uma história da leitura

"As categorias que um leitor traz para uma leitura e as categorias nas quais essa leitura é colocada - as categorias cultas sociais e políticas e as categorias físicas em que uma biblioteca se divide - modificam-se constantemente umas às outras, de maneira que parecem, ao longo dos anos, mais ou menos arbitrárias ou mais ou menos imaginárias. Cada biblioteca é uma biblioteca de preferências e cada categoria escolhida implica uma exclusão..."


Em fevereiro de 2001, anotei em minha agenda que havia passado na Fuvest. Foi um momento de realização pessoal muito bom. Eu não aguentava mais ser caixa executivo no Banco do Brasil do desgoverno do PSDB de FHC e sofria muito ao entrar porta adentro na Agência Vila Iara - Osasco para trabalhar todos os dias. Queria iniciar vida nova como professor, assim que pudesse.

Feita a matrícula, começava ali meu curso de Letras na USP. Foi incrível o encantamento com as aulas de introdução às literaturas diversas como as gregas e romanas, depois outras escolas da linguagem. Entrava no mundo dos estudantes que vivem de ler toneladas de textos xerocados.

Em meio a tanto texto fantástico, dois capítulos de um livro me deixaram fascinado. Tratava-se de "Os leitores silenciosos" e "Ordenadores do Universo", do livro "Uma história da leitura" de Alberto Manguel. Fiquei louco com aquele conhecimento e fui em busca de comprar o livro. Até hoje, para abstrair de meus dias difíceis, de minhas tristezas, de minhas raivas do mundo e das coisas da vida e do trabalho, abro o livro para reler algum capítulo.

Fiz isso ontem à noite. Cheguei com tanto estresse do trabalho, que nem correr meia-hora resolveu. Como última alternativa para relaxar um pouco, recorri ao Manguel. Foi legal, reli o capítulo "Ordenadores do Universo" e dormi um pouco mais relaxado. 

A gente percebe o quanto a história da humanidade é incrível e o quanto a história da leitura e dos amantes da leitura ao longo da história da humanidade é feita de resistência e de insistência no ato de ler, "aunque sean los papeles rotos por la calle" como dizia Cervantes.

O capítulo fala da criação da Biblioteca de Alexandria e depois fala de várias curiosidades a respeito da luta antológica de alguns seres humanos para preservar e guardar as produções literárias de todos os cantos do mundo e de todas as épocas da humanidade.


"Os volumes tinham de ser colecionados em grande número, pois o objetivo grandioso da biblioteca era abrigar a totalidade do conhecimento humano. Para Aristóteles, colecionar livros fazia parte das tarefas do intelectual, sendo necessário 'a título de memorando'. A biblioteca da cidade fundada por seu discípulo (Alexandre, o Grande) deveria ser simplesmente uma versão mais vasta disso: a memória do mundo..."


Ordenando meu pequeno universo de conhecimento sobre o mundo sindical, o Banco do Brasil e a Cassi

Eu sempre fui um guardador de papel. Comprador de livros, revistas. Tenho TODAS as xerox de meus anos de Faculdade de Letras. Fiz este blog com o intuito de disponibilizar cada aula, cada matéria que tive o privilégio de ter em uma faculdade pública, cujo acesso para a gente de minha origem humilde sempre foi muito restrito. Isso mudou com os governos do PT depois de 2002, o acesso às faculdades públicas virou uma realidade para nós, classe trabalhadora.

Depois de iniciar o desejo de postar tudo que aprendi com as minhas contribuições de conhecimento, o tempo foi escasseando paulatinamente após ter virado representante de trabalhadores e minha vida mudou completamente. Entrei em um mundo que é uma máquina de moer gente, o mundo da política e da disputa entre capital e trabalho, onde o nosso lado é o que é moído, massacrado.

Imaginem vocês que sempre guardei recortes de jornais e revistas para um dia serem degustados por mim e interligados com outros conhecimentos. Ao virar dirigente sindical, passei a guardar cada papel que achasse que poderia ser usado como "marcos históricos" do movimento dos trabalhadores. 

Meu intuito até bem pouco tempo era catalogar, fazer livros com esses materiais. Iria fazer um livro sobre as campanhas salariais dos bancários do Banco do Brasil entre 2003 e 2013, pois eu participei da construção nacional de cada uma delas, do início da estratégia definida até a defesa em assembleia decisiva na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região.

Depois queria fazer outro livro com o longo e maravilhoso percurso que fizemos na área de formação, quando estivemos responsáveis pela secretaria de formação da Contraf-CUT.

Sabem como terminou parte de todo o meu material guardado para a "ordenação deste Universo" do mundo sindical? Teve o mesmo fim que a maior parte de todo material de cultura humana produzido ao longo da história: perdido, eliminado, jogado no lixo. Por sorte, tenho parte dele comigo. Meu micro-cedoc de revistas Espelho Nacional, dos funcionários do BB.

E vocês acham que eu não fui chegando eleito à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil com a mesma natureza de querer estudar, conhecer a história, ver os percalços e desvios de rotas ao longo do caminho daquilo que estava definido a se fazer e NÃO fizeram? Há dois anos me dedico à Cassi, com a profundidade que minha existência permite.

Apesar de parte de meus guardados sindicais não existirem mais, temos hoje o mundo digital. Através da rede mundial de computadores, acho muita coisa da história do movimento sindical bancário, ainda mais dos últimos quinze anos.

Enfim, meus blogs já estão completando dez anos, o de trabalho, e oito anos este aqui. Eu vou organizá-los, revisitá-los, melhorar conteúdos, categorizar, enfim, organizar este meu micro-universo até o dia de minha morte.

Eu quero pertencer àquela pequena legião de pessoas amantes da leitura que de alguma forma guardou, preservou, produziu algo para deixar para as gerações humanas seguintes. E eu não quero nenhum centavo por isso.

William Mendes
Um amante da leitura


Post Scriptum:

Muita tristeza pela morte dos estudantes nesta semana devido ao acidente com o ônibus vindo de Mogi das Cruzes. Minha nossa!

Antes dessa experiência da USP, eu fui estudar Educação Física em Mogi das Cruzes, no Náutico, e sei exatamente o que foram os dois anos atravessando aquela serra entre São Paulo e Mogi. 

A vida desses estudantes que saem de uma cidade para estudar em outra é muito dura. Experimentei de tudo, fui de trem, fui de moto, e por fim, acabei optando pelos ônibus fretados.

Meus sinceros sentimentos às famílias e amigos desses jovens estudantes de Mogi das Cruzes.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Diário - 070616





Refeição Cultural - nós mamíferos humanos somos iguais

Noite de terça-feira na Capital Federal do Brasil. Já bateram onze horas e o dia está terminando. Dia de trabalho que me estressou um pouco. Mas acabou.

Cheguei em casa, trabalhei mais uma hora e saí para correr depois das oito horas. Corri quase 5k em meia hora em trote bem leve. Estava precisando. Ontem saí para andar tarde da noite, depois das 23h. No sábado e domingo corri também.

Além das corridas, estou aplicando um remédio como teste natural para baixar a pressão: ouvir um pouco de música. As músicas que marcaram um tempo de minha vida - anos oitenta e noventa. Hoje, estou indo de Bryan Ferry, Tears for Fears, Bon Jovi, Van Halen, Bruce Springsteen, Duran Duran, Talk Talk e várias outras pop da mesma época (só velharia... boa)

Será que as pessoas têm consciência do quanto o cansaço, estresse, a pressão e o assédio, o ódio e a raiva, o medo e a ansiedade, a depressão e demais sentimentos humanos afetam negativamente o nosso corpo? Não é difícil imaginar milhões de sinapses, os jorros de hormônios entrando em nossa corrente sanguínea, o coração acelerado, a pressão arterial alterada nos corpos em choque de emoções.

Estudei por dois anos (1997/98) matérias médicas e da biologia que mudaram minha visão de mundo e do ser humano quando fiz Educação Física. Não pude concluir o curso, mas meu conceito e forma de ver os animais mamíferos humanos mudou muito. Aprendi a respeitar mais as pessoas, todas as pessoas, por entender o quanto uma vida é importante.

Ao estudar anatomia em corpos humanos, fisiologia, cinesiologia do movimento, nutrição e bioquímica, sistema muscular, digestório, circulatório, respiratório, ao pegar em cérebros humanos - essa maravilha da natureza animal -, enfim, ao passar dois anos estudando a natureza animal humana, me tornei uma pessoa com um pouco mais de controle que antes, quando explodia à toa contra qualquer provocação ou imbecilidade humana. 

É impossível não fazer referência a outra experiência sociológica que me ajudou muito a ser uma pessoa com mais paciência e tolerância (mesmo tendo meus limites). Minha outra aprendizagem foi o movimento sindical e estudantil. Devo ao sindicalismo cutista a minha formação política, meu empenho nas construções e representações coletivas, formação que complementa a que tivemos de nossos pais.

Pra terminar esse instante, e no sentido inverso do quanto respeito as possibilidades infinitas que cada ser humano apresenta, eu não considero nada, absolutamente nada status, poder, roupas, porcarias do "ter" que no mundo atual valem mais do que o "ser". 

Todo humano, seja ele rico ou pobre, de qualquer etnia, orientação sexual, com algum grau de deficiência ou qualquer concepção de fé ou não fé, gênero masculino ou feminino ou com perfis sociais estereotipados (bonito/feio, gordo/magro blá blá blá), todo humano tem remela nos olhos, faz pum, defeca (porque come), transpira, tem odores etc. Tenho ojeriza a essa coisa pobre da gente "rica" que chamam etiqueta, moda, educação burguesa nhé nhé nhé. (mas respeito quem curte isso... contanto que não me meçam pela régua deles) 

Todos nós precisamos nos respeitar mais, porque somos humanos, sentimos dor, alegria, tristeza, fome, adoecemos, precisamos de carinho, afago, de um oi, um obrigado, um sorriso gratuito, um abraço apertado.

O mundo está doente. As pessoas estão doentes. Mas podemos fazer algo diferente todo dia, é só acordar e sair com desejo de fazer algo bom para o mundo, para a sociedade, para as pessoas, porque isso será bom para nós também.

Vamos dormir.

William
Um cidadão

domingo, 5 de junho de 2016

O Espelho - Esboço de uma nova teoria da alma humana, de Machado de Assis, 1882




O Espelho - Esboço de uma nova teoria da alma humana


(publicado originalmente na Gazeta de Notícias, 8 de setembro de 1882, e depois incluído em Papéis Avulsos, do mesmo ano)


Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo. 


Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu: 

— Pensando bem, talvez o senhor tenha razão. 

Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão, tornou-se difícil, senão impossível, pela multiplicidade das questões que se deduziram do tronco principal, e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, — uma conjetura, ao menos. 

— Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas... 

— Duas? 

— Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; — e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira: as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. Shylock, por exemplo. A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados; perdê-los equivalia a morrer. “Nunca mais verei o meu ouro, diz ele a Tubal; é um punhal que me enterras no coração”. Vejam bem esta frase; a perda dos ducados, alma exterior, era a morte para ele. Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma... 

— Não? 

— Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos. Pela minha parte, conheço uma senhora, — na verdade, gentilíssima, — que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a Rua do Ouvidor, Petrópolis... 

— Perdão; essa senhora quem é? 

— Essa senhora é parenta do diabo, e tem o mesmo nome: chama-se Legião... E assim outros muitos casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei. Um episódio dos meus vinte e cinco anos... 

Os quatro companheiros, ansiosos de ouvir o caso prometido, esqueceram a controvérsia. Santa curiosidade! tu não és só a alma da civilização, és também o pomo da concórdia, fruta divina, de outro sabor que não aquele pomo da mitologia. A sala, até há pouco ruidosa de física e metafísica, é agora um mar morto; todos os olhos estão no Jacobina, que concerta a ponta do charuto, recolhendo as memórias. Eis aqui como ele começou a narração: 

— Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da guarda nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Minha mãe ficou tão orgulhosa! tão contente! Chamava-me o seu alferes. Primos e tios, foi tudo uma alegria sincera e pura. Na vila, note-se bem, houve alguns despeitados; choro e ranger de dentes, como na Escritura; e o motivo não foi outro senão que o posto tinha muitos candidatos e que esses perderam. Suponho também que uma parte do desgosto foi inteiramente gratuita: nasceu da simples distinção. Lembra-me de alguns rapazes, que se davam comigo, e passaram a olhar-me de revés, durante algum tempo. Em compensação, tive muitas pessoas que ficaram satisfeitas com a nomeação; e a prova é que todo o fardamento me foi dado por amigos... Vai então uma das minhas tias, D. Marcolina, viúva do Capitão Peçanha, que morava a muitas léguas da vila, num sítio escuso e solitário, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes. Achava-me um rapagão bonito. Como era um tanto patusca, chegou a confessar que tinha inveja da moça que houvesse de ser minha mulher. Jurava que em toda a província não havia outro que me pusesse o pé adiante. E sempre alferes; era alferes para cá, alferes para lá, alferes a toda a hora. Eu pedia-lhe que me chamasse Joãozinho, como dantes; e ela abanava a cabeça, bradando que não, que era o “senhor alferes”. Um cunhado dela, irmão do finado Peçanha, que ali morava, não me chamava de outra maneira. Era o “senhor alferes”, não por gracejo, mas a sério, e à vista dos escravos, que naturalmente foram pelo mesmo caminho. Na mesa tinha eu o melhor lugar, e era o primeiro servido. Não imaginam. Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que destoava do resto da casa, cuja mobília era modesta e simples... Era um espelho que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas via-se-lhe ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom... 

— Espelho grande? 

— Grande. E foi, como digo, uma enorme fineza, porque o espelho estava na sala; era a melhor peça da casa. Mas não houve forças que a demovessem do propósito; respondia que não fazia falta, que era só por algumas semanas, e finalmente que o “senhor alferes” merecia muito mais. O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. Imaginam, creio eu? 

— Não. 

— O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado. Custa-lhes acreditar, não? 

— Custa-me até entender, respondeu um dos ouvintes. 

— Vai entender. Os fatos explicarão melhor os sentimentos: os fatos são tudo. A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada; e, se bem me lembro, um filósofo antigo demonstrou o movimento andando. Vamos aos fatos. Vamos ver como, ao tempo em que a consciência do homem se obliterava, a do alferes tornava-se viva e intensa. As dores humanas, as alegrias humanas, se eram só isso, mal obtinham de mim uma compaixão apática ou um sorriso de favor. No fim de três semanas, era outro, totalmente outro. Era exclusivamente alferes. Ora, um dia recebeu a tia Marcolina uma notícia grave; uma de suas filhas, casada com um lavrador residente dali a cinco léguas, estava mal e à morte. Adeus, sobrinho! adeus, alferes! Era mãe extremosa, armou logo uma viagem, pediu ao cunhado que fosse com ela, e a mim que tomasse conta do sítio. Creio que, se não fosse a aflição, disporia o contrário; deixaria o cunhado, e iria comigo. Mas o certo é que fiquei só, com os poucos escravos da casa. Confesso-lhes que desde logo senti uma grande opressão, alguma coisa semelhante ao efeito de quatro paredes de um cárcere, subitamente levantadas em torno de mim. Era a alma exterior que se reduzia; estava agora limitada a alguns espíritos boçais. O alferes continuava a dominar em mim, embora a vida fosse menos intensa, e a consciência mais débil. Os escravos punham uma nota de humildade nas suas cortesias, que de certa maneira compensava a afeição dos parentes e a intimidade doméstica interrompida. Notei mesmo, naquela noite, que eles redobravam de respeito, de alegria, de protestos. Nhô alferes de minuto a minuto. Nhô alferes é muito bonito; nhô alferes há de ser coronel; nhô alferes há de casar com moça bonita, filha de general; um concerto de louvores e profecias, que me deixou extático. Ah! pérfidos! mal podia eu suspeitar a intenção secreta dos malvados. 

— Matá-lo? 

— Antes assim fosse. 

— Coisa pior? 

— Ouçam-me. Na manhã seguinte achei-me só. Os velhacos, seduzidos por outros, ou de movimento próprio, tinham resolvido fugir durante a noite; e assim fizeram. Achei-me só, sem mais ninguém, entre quatro paredes, diante do terreiro deserto e da roça abandonada. Nenhum fôlego humano. Corri a casa toda, a senzala, tudo, nada, ninguém, um molequinho que fosse. Galos e galinhas tão somente, um par de mulas, que filosofavam a vida, sacudindo as moscas, e três bois. Os mesmos cães foram levados pelos escravos. Nenhum ente humano. Parece-lhes que isto era melhor do que ter morrido? era pior. Não por medo; juro-lhes que não tinha medo; era um pouco atrevidinho, tanto que não senti nada, durante as primeiras horas. Fiquei triste por causa do dano causado à tia Marcolina; fiquei também um pouco perplexo, não sabendo se devia ir ter com ela, para lhe dar a triste notícia, ou ficar tomando conta da casa. Adotei o segundo alvitre, para não desamparar a casa, e porque, se a minha prima enferma estava mal, eu ia somente aumentar a dor da mãe, sem remédio nenhum; finalmente, esperei que o irmão do tio Peçanha voltasse naquele dia ou no outro, visto que tinha saído havia já trinta e seis horas. Mas a manhã passou sem vestígio dele; e à tarde comecei a sentir a sensação como de pessoa que houvesse perdido toda a ação nervosa, e não tivesse consciência da ação muscular. O irmão do tio Peçanha não voltou nesse dia, nem no outro, nem em toda aquela semana. Minha solidão tomou proporções enormes. Nunca os dias foram mais compridos, nunca o sol abrasou a terra com uma obstinação mais cansativa. As horas batiam de século a século, no velho relógio da sala, cuja pêndula, tic-tac, tic-tac, feria-me a alma interior, como um piparote contínuo da eternidade. Quando, muitos anos depois, li uma poesia americana, creio que de Longfellow, e topei com este famoso estribilho: Never, for ever! — For ever, never! confesso-lhes que tive um calafrio: recordei-me daqueles dias medonhos. Era justamente assim que fazia o relógio da tia Marcolina: — Never, for ever!— For ever, never! Não eram golpes de pêndula, era um diálogo do abismo, um cochicho do nada. E então de noite! Não que a noite fosse mais silenciosa. O silêncio era o mesmo que de dia. Mas a noite era a sombra, era a solidão ainda mais estreita ou mais larga. Tic-tac, tic-tac. Ninguém nas salas, na varanda, nos corredores, no terreiro, ninguém em parte nenhuma... Riem-se? 

— Sim, parece que tinha um pouco de medo. 

— Oh! fora bom se eu pudesse ter medo! Viveria. Mas o característico daquela situação é que eu nem sequer podia ter medo, isto é, o medo vulgarmente entendido. Tinha uma sensação inexplicável. Era como um defunto andando, um sonâmbulo, um boneco mecânico. Dormindo, era outra coisa. O sono dava-me alívio, não pela razão comum de ser irmão da morte, mas por outra. Acho que posso explicar assim esse fenômeno: — o sono, eliminando a necessidade de uma alma exterior, deixava atuar a alma interior. Nos sonhos, fardava-me, orgulhosamente, no meio da família e dos amigos, que me elogiavam o garbo, que me chamavam alferes; vinha um amigo de nossa casa, e prometia-me o posto de tenente, outro o de capitão ou major; e tudo isso fazia-me viver. Mas quando acordava, dia claro, esvaía-se com o sono a consciência do meu ser novo e único, — porque a alma interior perdia a ação exclusiva, e ficava dependente da outra, que teimava em não tornar... Não tornava. Eu saía fora, a um lado e outro, a ver se descobria algum sinal de regresso. Soeur Anne, soeur Anne, ne vois-tu rien venir? Nada, coisa nenhuma; tal qual como lenda francesa. Nada mais do que a poeira da estrada e o capinzal dos morros. Voltava para casa, nervoso, desesperado, estirava-me no canapé da sala. Tic-tac, tic-tac. Levantava-me, passeava, tamborilava nos vidros das janelas, assobiava. Em certa ocasião lembrei-me de escrever alguma coisa, um artigo político, um romance, uma ode; não escolhi nada definitivamente; sentei-me e tracei no papel algumas palavras e frases soltas, para intercalar no estilo. Mas o estilo, como a tia Marcolina, deixava-se estar. Soeur Anne, soeur Anne... Coisa nenhuma. Quando muito via negrejar a tinta e alvejar o papel. 

— Mas não comia? 

— Comia mal, frutas, farinha, conservas, algumas raízes tostadas ao fogo, mas suportaria tudo alegremente, se não fora a terrível situação moral em que me achava. Recitava versos, discursos, trechos latinos, liras de Gonzaga, oitavas de Camões, décimas, uma antologia em trinta volumes. Às vezes fazia ginástica; outras dava beliscões nas pernas; mas o efeito era só uma sensação física de dor ou de cansaço, e mais nada. Tudo silêncio, um silêncio vasto, enorme, infinito, apenas sublinhado pelo eterno tic-tac da pêndula. Tic-tac, tic-tac... 

— Na verdade, era de enlouquecer. 

— Vão ouvir coisa pior. Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. Não era abstenção deliberada, não tinha motivo; era um impulso inconsciente, um receio de achar-me um e dois, ao mesmo tempo, naquela casa solitária; e se tal explicação é verdadeira, nada prova melhor a contradição humana, porque no fim de oito dias, deu-me na veneta de olhar para o espelho com o fim justamente de achar-me dois. Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra. A realidade das leis físicas não permite negar que o espelho reproduziu-me textualmente, com os mesmos contornos e feições; assim devia ter sido. Mas tal não foi a minha sensação. Então tive medo; atribuí o fenômeno à excitação nervosa em que andava; receei ficar mais tempo, e enlouquecer. — Vou-me embora, disse comigo. E levantei o braço com gesto de mau humor, e ao mesmo tempo de decisão, olhando para o vidro; o gesto lá estava, mas disperso, esgaçado, mutilado... Entrei a vestir-me, murmurando comigo, tossindo sem tosse, sacudindo a roupa com estrépito, afligindo-me a frio com os botões, para dizer alguma coisa. De quando em quando, olhava furtivamente para o espelho; a imagem era a mesma difusão de linhas, a mesma decomposição de contornos... Continuei a vestir-me. Subitamente por uma inspiração inexplicável, por um impulso sem cálculo, lembrou-me... Se forem capazes de adivinhar qual foi a minha ideia... 

— Diga. 

— Estava a olhar para o vidro, com uma persistência de desesperado, contemplando as próprias feições derramadas e inacabadas, uma nuvem de linhas soltas, informes, quando tive o pensamento... Não, não são capazes de adivinhar. 

— Mas, diga, diga. 

— Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e... não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior. Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho. Imaginai um homem que, pouco a pouco, emerge de um letargo, abre os olhos sem ver, depois começa a ver, distingue as pessoas dos objetos, mas não conhece individualmente uns nem outros; enfim, sabe que este é Fulano, aquele é Sicrano; aqui está uma cadeira, ali um sofá. Tudo volta ao que era antes do sono. Assim foi comigo. Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria, e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando, meditando; no fim de duas, três horas, despia-me outra vez. Com este regímen pude atravessar mais seis dias de solidão, sem os sentir... 

Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas.

Fim


Comentário do blog

Por vias diversas, peguei neste fim de semana para ler um conto de J. D. Salinger, do livro Nove Estórias (1953). Li Teddy, o último conto do livro, que narra a estória de uma criança, um garoto de dez anos, que seria uma alma em estágio avançado de autoconhecimento, que reencarnou mais uma vez para avançar em sua missão na terra para alcançar Brahma.

Comentei a respeito deste conto em postagem do livro de Salinger (ler AQUI), que coisa estranha reler neste momento tal conto escolhido a esmo, já que eu havia lido o livro em janeiro deste ano e não me lembrava mais deste conto. O estranho é que estou lendo um livro que ganhei de presente de um amigo, Jacy Afonso, que me deu o livro Um Novo Mundo - O despertar de uma nova consciência, de Eckhart Tolle. O autor fala sobre superarmos o Ego e libertar a Essência que temos, despertando para superarmos a lógica e a mente racional.

De certa forma, este conto que reli hoje do Machado de Assis, lá de 1882, aborda a mesma temática. Impressionante!

O conto aborda uma personagem que descreve aos seus pares o efeito do Ego atuando nela própria, em uma teoria que define os humanos como tendo duas almas, uma interna e outra externa. A externa seria aquela que nos vincula aos desígnios do Ego, da auto-idolatria, que nos alimenta o orgulho e estima pessoal.

Vai calhar assim! Três leituras completamente diferentes e sem terem sido escolhidas a dedo, pelo contrário, por aparecerem á esmo a este leitor, e neste momento.

É isso! Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, já dizia a personagem clássica de Shakespeare.

William

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Post Scriptum (07/8/19):


Edição ilustrada de Fernando Vilela.
Muito bem feita!

Comprei hoje no Shopping União de Osasco, nesses espaços de venda de livros baratos, a dez reais, uma edição deste conto, ilustrada por Fernando Vilela.

Li em casa em voz alta, interpretando o personagem principal. 

O conto é muito bom ao nos colocar a pensar no quanto vivemos de aparência, do quanto nos deixamos levar pelas coisas externas. 

Nove Estórias - J. D. Salinger (1953)



Edição que li do clássico norte-americano.

Refeição Cultural


NOVE ESTÓRIAS (1953)

CLÁSSICO DA LITERATURA NORTE-AMERICANA

Introdução

Li este livro do clássico escritor norte-americano em janeiro de 2016. Comecei a fazer esta postagem e ela ficou de molho nos rascunhos até hoje, quando decidi reler um dos contos. Reli o último do livro, Teddy, e resolvi finalizar a postagem no blog.


A leitura dos contos deste livro de Salinger me lembrou a leitura de seu famoso romance "O apanhador no campo de centeio", de 1951, e que li em 2012. Leia AQUI a postagem a respeito.

A linguagem direta e oral de seus personagens é uma característica marcante.

Não é um livro e um autor de reflexões profundas entremeadas às histórias e narrativas. Estou muito acostumado com o inverso do estilo dele ao ler Machado de Assis e José Saramago. Nestes, o narrador demiurgo, no estilo indireto livre, está sempre descrevendo o que os personagens pensam ou eles próprios estão a emitir opiniões e filosofias sobre tudo e todos.

Os contos do livro seguem abaixo. Mas não vou comentar todos, só alguns.


- UM DIA IDEAL PARA OS PEIXES-BANANA

Este primeiro conto tem um final chocante! Não esperamos por aquilo, mesmo percebendo pela narrativa que o personagem tem problemas psicológicos.

"Noventa e sete agentes de publicidade de Nova York estavam hospedados no hotel e, do jeito que vinham monopolizando as linhas interurbanas, a moça do 507 teve de esperar do meio-dia até quase às duas e meia para completar sua ligação..."

É interessante!

Eu fico pensando nos jovens dos anos dois mil, a geração que não imagina o que seria o mundo, uma vida humana sem a rede mundial de computadores, com tudo e todos conectados por tempo integral.

Tenho 47 anos e já vivi quatro décadas. Lembro-me perfeitamente do cotidiano do mundo nos anos 70, nos anos 80, nos 90 e este agora em que estamos. As mudanças foram impressionantes.

"monopolizando as linhas interurbanas..."

As cenas da estória se passam entre os estados de Nova York e Flórida. Justamente os dois que conheço.

Como disse, final chocante!


- TIO WIGGILY EM CONNECTICUT

"Eram quase três horas da tarde quando Mary Jane finalmente encontrou a casa de Eloise. Quando Eloise veio até o portão recebê-la, Mary Jane explicou que tudo tinha corrido às mil maravilhas, que lembrara o caminho exatamente, até a hora em que saíra da Estrada Merrick. Eloise corrigiu: - Estrada Merritt, querida - e lembrou-lhe que ela já havia achado a casa em duas visitas anteriores, mas Mary Jane limitou-se a murmurar uma frase meio ambígua, algo sobre sua caixa de Kleenex, e voltou correndo para o conversível..."

O conto se passa em um cenário com frio e neve.

A temática é parecida com a do primeiro conto. Pessoas depressivas, inclusive a criança. Frustração e mortes. As personagens são preconceituosas em relação a pessoas negras e tratam mal empregados e pessoas de outro estrato social em relação ao seus.

Há um jogo de palavras não percebido na tradução da língua inglesa para o português. Os tradutores explicam na página 29. Tio (uncle) Wiggily com (ankle) que significa tornozelo. Uma das personagens, Eloise, fala a respeito lembrando uma cena do passado onde machucou o tornozelo e ouviu de um antigo amor "Coitadinho do Tio Wiggily".


- POUCO ANTES DA GUERRA COM OS ESQUIMÓS

"Nas cinco últimas manhãs de sábado, Ginnie Mannox vinha jogando tênis nas quadras públicas do East Side com Selena Graff, sua colega de turma na escola de Miss Basehoar. Ginnie considerava Selena a maior chata da escola - que, diga-se de passagem, estava cheia de chatas - mas, por outro lado, ela nunca tinha visto ninguém trazer tantas bolas de tênis novas. O pai da Selena fabricava bolas de tênis ou coisa parecida..."

E aí, pelo começo, dá pra entender um pouco a relação utilitarista que existe entre as personagens.

De novo, vemos a tensão na relação entre brancos e negros:

"Selena tocou a campainha do apartamento e as garotas foram recebidas - ou melhor, a porta foi destrancada e deixada entreaberta - por uma empregada de cor, com quem Selena aparentemente não falava..."

Estamos nos anos 40, nos Estados Unidos, e os jovens falam muito palavrão.

Intertextualidade - No conto anterior, houve citação de escritores norte-americanos da época. Neste conto, Salinger cita Hemingway.

Também cita "A Bela e a Fera", filme de Jean Cocteau de 1946.


- O GARGALHADA

"Em 1928, quando eu tinha nove anos, pertenci, com acendrado esprit de corps, a uma associação chamada Clube dos Comanches. Todo dia às três da tarde, depois da escola, eu e outros vinte e quatro Comanches éramos apanhados pelo nosso Cacique em frente à saída dos meninos da Escola Pública 165, na Rua 109, perto da esquina com a Avenida Amsterdam. Aos socos e aos empurrões, entrávamos no ônibus adaptado do Cacique, e ele nos levava (conforme o contrato feito com nossos pais) até o Central Park..."


Crianças e memórias de crianças preenchem os contos deste livro de Salinger. Muito interessante. Vi a mesma coisa ao ler o livro de contos do brasileiro José J. Veiga, Os Cavalinhos de Platiplanto.


- LÁ EMBAIXO, NO BOTE

"Eram pouco mais de quatro horas de uma tarde excepcionalmente quente para um começo de outono. Desde o meio-dia Sandra, a empregada, já tinha ido umas quinze ou vinte vezes até a janela da cozinha que dava para o lago, voltando sempre com os lábios cerrados. Dessa vez, enquanto se afastava da janela, desatou e atou distraidamente o laço do avental, apertando tanto quanto sua vasta cintura permitia..."

É uma estória sobre um garotinho de quatro anos...

Outros contos sem comentários nesta postagem: 

- PARA ESMÉ, COM AMOR E SORDIDEZ

- LINDOS LÁBIOS E VERDES MEUS OLHOS

- A FASE AZUL DE DE DAUMIER-SMITH


- TEDDY

Este conto que reli hoje tem algo interessante para o momento da releitura. A personagem principal é um garoto de dez anos que entende ser uma pessoa desperta com consciência sobre suas outras vidas.

" - Eu tenho uma afinidade muito forte por eles. São meus pais, e nós todos fazemos parte da harmonia uns dos outros, e tudo isso. Eu quero que eles sejam felizes enquanto estão vivos, porque eles gostam de ser felizes... Mas não é assim que eles amam a mim e a Booper, minha irmã. Parecem incapazes de nos amar, a menos que consigam ficar mudando a gente um pouquinho. Eles amam os motivos que têm para nos amar quase tanto quanto amam a nós, e quase sempre mais. Assim não é tão bom."


Presente do amigo
Jacy Afonso. Leitura
coincide com o que a
personagem do conto
explica.
É engraçado, ou casualidade, ou coincidência, ou destino. Nos anos noventa, estudei por uns dois anos numa escola de autoconhecimento que se denominava gnose. Foi um momento posterior ao meu périplo por quase todos os tipos de religião no Brasil. Depois passou.

Dias atrás, um amigo do movimento sindical me deu um livro de presente e disse que eu iria gostar. O amigo é o Jacy Afonso e o livro é do autor Eckhart Tolle. Comecei a ler "Um Novo Mundo", apesar de afirmar que não tenho mais tempo de ler livros. O livro traz o tema do despertar da consciência e tem a mesma linha da escola gnóstica que frequentei duas décadas atrás.

Na estória, o garoto é complacente com as pessoas não despertas ao seu redor e até um pouco conformado com o fato de sua reencarnação ter se dado nos Estados Unidos, local pouco apropriado para completar sua missão de conhecimento na Terra.

" - De qualquer jeito, eu ia ter que tomar outro corpo e voltar à terra de novo. Ou seja, não estava tão avançado espiritualmente que, se não conhecesse essa senhora, pudesse ter morrido e ido direto para Brahma, sem nunca mais ter que voltar à terra. Mas, se eu não houvesse conhecido a tal senhora, não seria obrigado a encarnar-me num corpo americano. É muito difícil meditar e levar uma vida espiritual na América. Todo mundo pensa que você é doido; de certa forma, meu pai pensa que eu sou doido. E minha mãe... Bom, ela não acha que me faça bem pensar em Deus o tempo todo. Acha que faz mal a minha  saúde."

O livro de Eckhart Tolle aborda a questão do Ego e da Essência que temos e do quanto a razão e a inteligência bloqueiam nossa essência.

E não é que o garoto de dez anos, Teddy, de um conto de Salinger publicado em 1953 fala a mesma coisa!

" - Lógico. Você deu uma resposta normal, inteligente. Estava procurando te ajudar. Você me perguntou como é que eu consigo sair das dimensões finitas, quando tenho vontade. É claro que eu não uso lógica quando faço isso. A lógica é a primeira coisa que você tem que abandonar." (diz o garoto Teddy)

E mais adiante, o garoto repete as sugestões do livro que ganhei sobre despertar da nova consciência.

" - Sabe aquela maçã que o Adão comeu no Paraíso, de acordo com a Bíblia? Sabe o que havia naquela maçã? Lógica. Lógica e troços intelectuais..."

(...)

"Teddy continuou: - O problema é que a maioria das pessoas não quer ver as coisas como elas realmente são. Não querem nem parar de nascer e morrer o tempo todo. Todo mundo só quer ter um novo corpo, em vez de parar e ficar com Deus, que é o que é bom mesmo."

Não vou revelar o final do conto, mas é chocante e surpreendente como todos os contos do livro, as Nove Estórias.

É isso. Termino aqui, mas mais que nunca, a questão que fica é onde terminam e se terminam as coisas.

Tenho que retomar com vigor o meu pensar, o meu cismar, porque já estou com 47 anos e o tempo que fica já pode ser maior que o tempo que vem para que eu possa me encontrar e realizar tanto a minha missão pessoal, quanto a missão coletiva.

William


Bibliografia:

SALINGER. J. D. Nove Estórias. Editora do Autor. 3ª Edição.

sábado, 4 de junho de 2016

Diário - 040616



A natureza começa a secar em junho em Brasília,
mas as flores e os tons como o vermelho não nos deixam.
O sangue vermelho que corre em minhas veias é o da esquerda.

Sábado acabando aqui em Brasília. O dia foi quente. 

Saí para correr à tarde. Corrida leve e difícil. Como faz diferença no corpo da gente passar uma semana gripado, com inflamação de garganta e vias aéreas congestionadas! Também tem o efeito da carga de corrida que fiz no mês de maio: corri muito! Agora deu aquela preguiça no corpo e em junho vou fazer uma carga menor. Corri hoje 3,5k em 22'.

Liguei e falei com os pais queridos em Minas Gerais. Falamos com o filhão também no interior de São Paulo.

Li um pouco de Balzac - Ilusões Perdidas. O livro é um dos grossos volumes da coleção que ganhei A Comédia Humana. Mas o cansaço físico não me permite ter "condições físicas" para leituras de fôlego por horas. Bate o sono.

Agora de noite, sentei e ouvi hora e meia de músicas em vídeos na internet. Só som dos anos noventa e início dos dois mil, músicas que marcaram a sintonia de minha vida antes de ser dirigente sindical e tinham o ritmo de minhas ondas cerebrais. Tempos que se foram. 

Ouvir as bandas que marcaram uma época de minha vida dá uma sensação estranha, pois quase que só trabalho hoje em dia e vivo circunspecto cotidianamente. Ouvi hoje Soundgarden, The Smashing Pumpkins, The Verve, Radiohead, AudioslaveStone Temple Pilots, Oasis, Temple of the Dog.

É meio louco, dá uma vontade de fazer as coisas que eu pensava em fazer naquela época e que agora "já era" porque sou outro, o mundo é outro, tudo é outra coisa.

Mas dos anos noventa, lembrei das minhas revoltas, da miséria que o povo brasileiro vivia sob os governos desgraçados dos fernandos. Eu não aguentava mais aquela merda e até entrei em duas faculdades novamente com uma perspectiva de sair do Banco e ser professor.

Uma faculdade, a de Educação Física, não pude terminar porque era paga e não tive dinheiro. Parei na metade: foi uma das maiores frustrações de minha vida. 

Depois entrei na USP para fazer Letras, mas a vida acabou me colocando outros desafios: fui eleito dirigente sindical bancário e cá estou na atualidade representando ainda os trabalhadores. Ser professor ficou para trás. Gastei uma década para cumprir a grade obrigatória do curso.

Tristeza!

Que coisa triste, estar há quase um mês vivendo num país que tanto amamos e que sofreu um Golpe de Estado depois de experimentar anos de mudanças sociais importantes para o povo brasileiro, sob governos do Partido dos Trabalhadores.

Neste instante em que escrevo, estamos com uma camarilha de corruptos e fascistas do mesmo grupo dos tucanos que destruíram o país nos anos noventa, anos que citei acima, e agora estão aí cortando em cada dia direitos sociais do povo brasileiro conquistados desde a Constituição Federal de 1988.

Não vi ainda o povo tomar de volta o poder que lhe roubaram. Não sei, não sabemos do amanhã para nós da classe trabalhadora.

Fim da reflexão. Não pode ser o fim disso tudo.

William

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Reginaldo Moraes: Mais que um golpe, é esterilizar o voto


Comentário do blog:

Apresento este artigo de leitura fundamental para todos do campo progressista que não têm muito tempo no seu cotidiano para acompanhar textos que revelem com inteligência, com organização clara e com início meio e fim o que significam todos os riscos em jogo e as consequências que virão com o Golpe de Estado em andamento no Brasil.

É muito grave, meus amigos leitores! Pela minha origem no seio da classe trabalhadora, pobre e explorada, eu entendo que seria melhor morrer lutando para combater esse golpe safado, vil e destruidor das perspectivas de futuro para nós, o povo, do que seguir alheio no nosso pseudo-mundo de encantamento do cotidiano manipulável pela máquina midiática e imbecilizante dos grupos que deram o golpe. Morreremos do mesmo jeito na miséria com depressões e amarguras nos culpando a nós mesmos.

Leiam e entendam o que vem para nós e nossos descendentes caso não tiremos essa camarilha do governo, dos órgãos públicos que armaram o golpe "clean" e dos espaços de comunicação públicos como TVs e Rádios da mão daqueles que a cada minuto mandam em nossas corpos, mentes e desejos através das máquinas midiáticas que nos guiam para o inferno na terra.

William


(artigo publicado no Vi o Mundo em 2/06/16)


Professor Reginaldo Moraes, da Unicamp.
Crédito:Elza Fiúza/aBr

O golpe é mais do que um golpe. A resposta precisa ser dura e profunda


Os conservadores não escondem que desejam acabar com as conquistas sociais da Constituição e tornar irrelevante o sufrágio universal, com medidas como voto distrital, voto voluntário e independência do BC. Sobrecarregado pelas demandas populares, o capitalismo está sendo inviabilizado, acreditam


O golpe de maio de 2016 não surgiu de repente e do nada. Está sendo preparado e alimentado há quase dois anos, por uma campanha de sabotagem dos vários agentes da oposição, que não se resumem aos partidos políticos.

Mas o golpe não foi apenas a deposição da presidenta. E, nesse sentido, ele vem de ainda mais longe e de mais fundo. Ele é um capítulo importante, revelador, de um movimento persistente, às vezes subterrâneo, às vezes escancarado. É o movimento pela mudança do regime político brasileiro – a democracia representativa presidencialista que se consolidou com a Constituição de 1988.

Os conservadores não escondem que desejam acabar com a Constituição. Segundo as associações empresariais e seus economistas, a Constituição “não cabe no orçamento do Brasil”. O que não cabem, sempre deixam claro, são as conquistas sociais e trabalhistas, bem como as vinculações orçamentárias como os gastos com saúde e educação. Mas não é apenas isso que se quer revogar: é o direito político fundamental dessa república, o sufrágio universal.

Revogar o sufrágio universal, eliminar as eleições? Não, não se trata disso, seria pouco realista, pelo menos por enquanto. Mas algumas restrições são cogitadas: voto distrital, voto voluntário. Também não se trata de eliminar as eleições – pelo menos como antídoto as já longínquas lembranças da ditadura servem. Não é isso. O que está em marcha são seguidos experimentos, homeopáticos, visando a tornar as eleições irrelevantes.

Tornar as eleições irrelevantes – guardemos essa ideia. Eleições seguiriam existindo, mas seu efeito seria inócuo. Ou seja, trata-se de esterilizar o poder do voto. É uma receita velha dos neoconservadores, já anunciada pela famosa Comissão Trilateral em 1972: o Estado está sobrecarregado pelas demandas populares, o capitalismo está sendo inviabilizado pela democracia, resta apenas o caminho de ‘disciplinar’ a democracia submetendo-a a regras superiores, isto é, definidas por seres superiores, os guardiães do mercado e da oligarquia.

Um exemplo dessa esterilização do poder do voto? Quando se fala em independência do Banco Central ou “despolitização” de agências estatais, o que com frequência se esconde sob as palavras é o objeto da “independência”: essas instituições reguladoras da vida econômica se tornariam independentes… dos representantes políticos escolhidos pelo voto.

Ou seja, o Congresso e principalmente a Presidência não opinariam sobre coisas como taxas de juros e política monetária e creditícia.

O caminho da direita tem sido esse, em cada quarteirão do país e em cada episódio político. O que significam as campanhas para que procuradores elejam o Procurador-Geral da República, prerrogativa da Presidência? Agora, até a polícia federal quer que seu diretor-geral seja eleito – ou seja, a polícia, elemento essencial do Estado, teria sua direção escolhida pela corporação dos delegados.

Acaba eleição direta, volta colégio eleitoral e comissão dos ‘homens bons’

Tem mais. Governadores, prefeitos, ministros e presidentes passam a ser assediados pelo Ministério Público e por sua aliança escandalosa com a mídia, criando investigações paralelas, vazamentos e julgamentos públicos, linchamentos e destruição de reputações.


Agora, chegamos ao episódio do impeachment, revelador claro do processo em andamento. O Congresso foi transformado em colégio eleitoral, para decretar a cassação da presidenta eleita e a escolha de outro presidente. Acabou a era da eleição direta. Agora, temos eleição pelo colégio eleitoral, o colégio daqueles “notáveis picaretas” da Câmara Federal.

Condenação da Presidência sem crime – na verdade, mesmo os golpistas reconhecem que a motivação maior, a razão para o afastamento é a falta de apoio dos políticos. Pedalada fiscal é pretexto ridículo – que serviria para cassar mandado de vários governadores tucanos, por exemplo. E esta “falta de apoio político” foi cuidadosamente construída nesses quase dois anos de cerco e sabotagem, protagonizado pelo MP, PF, partidos de oposição, associações empresariais, igrejas evangélicas e mídia. Para falar apenas dos que estão dentro do país.

É por isso que dizemos que o que está em andamento é a mudança de regime. Já não temos uma democracia representativa presidencialista, mas um executivo estritamente escolhido por via indireta e sob os cuidados de uma “comissão supervisora” ou “de controle”, constituída por esses agrupamentos conservadores, as fortalezas do capital.

Agora, as forças progressistas têm diante de si o desafio de derrubar o governo ilegítimo. Mas, mais do que isso, de contestar essa mudança de regime, que já se enraizou nas práticas políticas do país. Isso pode inclusive implicar em novas atitudes dos partidos de esquerda com relação às eleições para o Executivo.

No quadro que temos, é impossível deixar de concorrer – isso tem impacto na eleição dos vereadores e deputados, senadores. Mas pode ser conveniente empenhar a campanha em uma denúncia do sistema e na proposta de sua derrubada. Por exemplo: o candidato a prefeito pode fazer de sua candidatura uma denúncia desse cerco censor. O que aconteceria se ele dissesse isto: “Se você votar em mim, vote também em vereadores de partidos que me apoiam. Se votar em mim para prefeito e para vereador escolher alguém que se opõe a meus programas, não quero seu voto, porque vou decepcioná-lo”? Essa é uma possibilidade. Até porque é verdadeira: um executivo eleito com dois terços da Câmara ou Congresso sabotando? Tem grande chance de trair ou de cair.

Frente de esquerda: urgente e difícil, difícil e urgente

Um outro desafio é a constituição de uma frente de esquerda. Primeiro, para derrubar o governo ilegítimo. Esse é o lado “destrutivo” da frente: contra quem? Mas precisa ter um ‘segundo’ termo, propositivo, programático. E esse precisa ser bem pensado. Talvez seja o caso de recuperar a inspiração dos cartistas ingleses, aqueles do século XIX. Um movimento por uma nova Carta do Povo. Não apenas uma Constituinte, mas também, e principalmente, uma lista de reformas de base, essenciais para esboçar o desenho de um novo país, um novo modelo de vida política: reforma tributária progressiva, reforma agrária e urbana, reforma política e limites para o financiamento privado das campanhas.

Talvez outras reformas se somem a essas. Por exemplo, uma “reforma agrária do ar” (das concessões de rádio e TV). E uma reforma da representação trabalhista: o direito dos trabalhadores à organização no local de trabalho, com acesso às informações da empresa. Não pode ser uma lista grande, mas tem que ter os alicerces de um novo pacto, popular e progressista.

A frente de esquerda é algo difícil de construir. Não pode ser uma espécie de versão ampliada do PT. Até porque o PT está hoje ainda mais cortado por divisões e tendências, explícitas ou não. E porque sua direção perdeu qualquer chance de promover alterações, sobretudo depois que resolveu abafar qualquer mudança, no último congresso do partido. A frente precisa ser ousada, agressiva, inovadora. Ao mesmo tempo, precisa ser muito, mas muito flexível e abrangente, incorporando a diversidade das oposições populares.


Fonte: Vi o Mundo, com crédito da foto de: Elza fiúza/ABr

terça-feira, 31 de maio de 2016

Diário - 310516



Olha que bela flor de maracujá. Foto feita em visita à casa
do companheiro José Wilson ontem, na hora do almoço.
Por falar em maracujá, não é que passei a apreciar a polpa
natural da fruta, pra ver se a pressão baixa um pouquinho!

Final de noite neste 31 de março. Final de mês.

Cheguei tarde da Cassi, quase dez horas da noite. Ô dia cansativo que tivemos!

Pensei, relutei, mas acabei dizendo pra esposa que eu precisava por um calção e tênis e sair pra rua e correr nem que fosse um pouquinho. Corri 3 km.

Neste mês de maio, tentei correr um pouco mais, ou seja, mais vezes no mês, por sugestão de nosso médico de família.

No entanto, a coisa mais legal e que nos dá satisfação pelo feito pessoal foi ter voltado às corridas de 10k que já não fazia há meses. 

Mas o mais legal ainda foi ter feito um mês perfeito em termos de corridas. Corri 10k nada nada em três domingos e no outro corri 9k. Nunca havia feito isso!

Fechamos o mês em que corri feito gente grande. E olha que minha agenda de trabalho foi daquelas de jornadas enormes e volumosas.

Uma coisa eu reflito comigo mesmo ao lidar com o corpo que me conduz: eu tento fazer a minha parte.

William



CORRIDAS NO MÊS DE MAIO

Domingo 1 DF..................9k Eixão 57'30" 25º

Terça 3 DF ......................2,5k 16" 23º pela manhã

Sexta 6 DF ......................5k 31' 20º noturna

Domingo 8 DF .................10k Eixão 62' 26º show!

Terça 10 DF .....................3,6k 23' 18º noturna

Domingo 15 SP ................5k 32'30" Pq. Continental 

Terça 17 DF .....................4k 25'30" 20º noturna

Quinta 19 DF ...................3,5k 23'30" 19º noturna

Domingo 22 DF ................10k Eixão 63' 26º "foi de boas"

Quinta 26 DF ....................4k 26' 18º noturna

Domingo 29 DF ................10k 63' 28º gripado, mas fiz!

Terça 31 DF ......................3k 22' 17º noturna, pra fechar mês.


Corri 12 vezes no mês. Bem melhor que média anterior. Percurso de 69,6 km.

É inegável a importância que teve para mim a educação em saúde que passamos a ter ao estarmos cadastrados na Estratégia Saúde da Família (ESF), modelo assistencial da Cassi. Passei a comer com mais atenção, meu peso diminuiu e estou tentando fazer a minha parte.

Estou com pressão alta, mas o porquê tanto pode ser por tendência de histórico familiar como pelas condições de vida que levo: estresse no trabalho, por exemplo. 

Se eu não estivesse fazendo a minha parte, as consequências poderiam ser drásticas pra mim e meus entes queridos.

Obrigado Cassi por você fazer parte de nossa vida de funcionários do Banco do Brasil.