segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Domingo 18/9/16 - Na Paulista em defesa da democracia



Paulista, 18 de setembro de 2016.

Neste domingo, 18 de setembro, pude atender ao chamado dos movimentos sociais e defensores da democracia e estive à tarde na Avenida Paulista, palco de manifestações contra o golpe que o Brasil sofreu neste ano que ficará marcado por essa merda de interrupção da democracia em nosso país.


Um dos cidadãos em ato na Paulista 
contra o golpe e pela democracia.

Eu quase não tenho estado em São Paulo por causa de meu mandato exercido em Brasília. Felizmente, deu certo neste domingo em poder ir a um evento paulista, minha terra natal.


Traços vermelhos no povo e no Masp.

A Avenida Paulista ficou muito charmosa com a nova cara domingueira, com crianças brincando sentadas na rua, todos os tipos e tribos curtindo o espaço aberto ao prazer de andar, pedalar, namorar, ouvir bandas tocando, andar de skate etc.


Paulista, palco da aranha gigante de concreto
de pernas vermelhas.

Fiquei no local até por volta de 17 horas, a concentração estava marcada para as 14 horas. Não foi um dia com grande aglomeração de pessoas como outras atividades. Mas gostei de estar lá como mais um cidadão em protesto pelo que esta camarilha de corruptos e fascistas fizeram com nossa democracia.





Infelizmente, coube mais uma vez ao aparelho de repressão do governo tucano, registrar as cenas lamentáveis de violência contra os trabalhadores, contra pessoas civis e exercendo o seu livre direito de manifestação. Agrediram covardemente uma trabalhadora ambulante, que vendia bebidas. E jogaram gás de pimenta no Eduardo Suplicy.

O povo que abra os olhos e fique atento aos chamados dos sindicatos, movimentos sociais, partidos de esquerda, artistas e intelectuais progressistas porque a agenda dos golpistas é para retroceder miseravelmente os direitos do povo a condições de mais de um século atrás.

Estava extenuado pela minha jornada de trabalho semanal, mas fiquei feliz em ter atendido ao chamado para participar do ato na Paulista neste domingo.

William
Cidadão


15/9/16

Denúncia tosca do MPF - Coletiva com o ex-presidente Lula

Coletiva do presidente Lula a respeito do processo kafkiano que o aparelho estatal golpista montou contra ele, sem provas, apenas com "convicção". Vivemos em estado de exceção, desde que os derrotados nas eleições presidenciais de 2014 resolveram partir para o golpe no desespero em não ganhar mais eleições democráticas. 

Com o apoio de setores do MPF, PF e a "operação Lava Jato", e com o beneplácito do STF, que deveria ser o guardião maior das leis no País, quebraram empresas do ramo da construção civil, destruíram a cadeia produtiva do setor de petróleo e construção naval e destruíram a economia brasileira, tudo para derrubar uma presidenta eleita com 54,5 milhões de votos, de um partido que vinha mudando a história do povo mais humilde e da classe trabalhadora após as eleições seguidas de Lula e Dilma.

A fala de Lula, em muitos momentos, resgata a história de classe, de nossa classe, quando se refere ao fazer sindical e político que está na origem da CUT e do PT.

- Ele disse que a burocracia de segundo e terceiro escalão tem mais poder que o presidente eleito... (eu sei o que é isso de burocracia no nosso mandato na Cassi)

- Opinou que a profissão mais honesta é a do político porque ele tem que pedir voto e passar pelo crivo popular o tempo todo. O concursado não, ele passa no concurso e estará lá para o resto da vida... (e eu ainda completo o que Lula quer dizer com isso, lembrando que concurso público não avalia ética, caráter, comportamento social, visão de mundo etc, somente acúmulo de certo tipo de conhecimento)

- Lula disse que o que faz ele caminhar por esse país são as ideias e a eloquência é sempre a mesma, não importa a distância que ande e nem a quantidade de pessoas que estiver presente... (faço exatamente isso em meu mandato na Cassi desde o primeiro mês)


domingo, 18 de setembro de 2016

Os pecados da tribo (1976), de J. Veiga, e o hoje



Finalizei a leitura da 6ª obra de Veiga.

Refeição Cultural - Literatura Brasileira


"Algumas pessoas bem-intencionadas, mas ingênuas, que pensavam estar prestando um serviço ao apontarem erros graves no tratamento, foram enquadradas na lei de repressão aos possangueiros, que é a pior forma de crime aqui no território..."

"É incrível como uma simples lei pode afetar o espírito das pessoas e modificar até a psicologia de toda uma comunidade..."


Domingo, 18 de setembro do ano de 2016. Há quarenta anos saía a quinta obra de José J. Veiga, um de nossos proeminentes autores da literatura brasileira dos anos sessenta e setenta.

Eu só comecei a ler Veiga neste ano, um ano estranho, diferente, de mudanças em nossos cotidianos com o que chega e muda drasticamente nossa vida, nossa rotina, e sem pedir licença, sem nenhuma consulta popular. Sem consentimento.

O ano de 2016 estava marcado para ser aquele em que o Brasil voltou a viver sob estado de exceção, sem democracia e liberdades (e direitos), com os "de fora" ou os derrotados pelo voto popular chegando e tomando o poder na mão grande e alterando drasticamente nosso mundo.

A leitura deste 6º livro de Veiga foi feita nos minutos que sobraram, entre um voo a trabalho e um momento de não cochilo em final de semana. A obra me acompanhou nos meus dias de trabalho em Brasília, nas idas ao Acre, ao Rio de Janeiro e a São Paulo.

O estranho que chega e muda - Exatamente assim são as obras de ficção de José J. Veiga, os contos, os romances, as crônicas. O estranho ou o evento estranho chegam a algum lugar e a vida daquela comunidade estará mudada para sempre. 


"Os acontecimentos nos apanharam de surpresa. Já estávamos acostumados com o batuque e com a algazarra, e até inclinados a aceitar aquela gente como bons vizinhos, quando eles de repente resolveram por os chifres de fora. Numa só noite atacaram oito canchas nas imediações e levaram tudo o que puderam carregar, inclusive crianças. Na noite seguinte, novo ataque, mais criações roubadas, mais crianças roubadas dos jacás e jiraus. Depois, quando passaram a encontrar resistência, responderam com incêndios e destruições generalizadas..." (Olha como a descrição acima é a cara da nossa história brasileira e latino-americana!)

E o que estamos vivendo neste exato momento em que escrevo? A nossa comunidade, o nosso mundo entrou num período sombrio, labiríntico e meio que sem saída após um conjunto de grupos de poder econômico organizarem um golpe contra o povo e sua jovem democracia, após anos de melhores oportunidades de vida e distribuição de riquezas.


Já li neste ano Os cavalinhos de Platiplanto (1959), A hora dos ruminantes (1966), A máquina extraviada (1967), Sombras de reis barbudos (1972), O professor burrim e as quatro calamidades (1978) e agora Os pecados da tribo (1976).

Boa parte da obra de José J. Veiga foi escrita durante os anos de exceção e sem liberdade em nosso país. Por mais que o próprio autor tenha dito em vida que não havia referência explícita entre seus contos e romances e o contexto político e social do Brasil sob ditadura civil-militar, é evidente que toda sua obra é permeada pelo clima em que o povo vivia. A censura, o controle, a falta de liberdade e os direitos do povo sem importância alguma para os poderosos, os donos do poder.


"O lago já era um clarão só, formigando com o tremor daquelas tantas luzinhas que calculei em muitos milhares já, não havia mais lugar na água para as luminárias que ainda chegavam, e os portadores as arrumavam na margem, era um quadro tão bonito que dava vontade de cantar, e foi o que fizemos espontaneamente, ninguém falava, só cantávamos, quem não sabia e não queria cantar ficava olhando como encantado, numa alegria tão rara que me deu tristeza de pensar que quando os pavios se queimassem todos e as luminárias se apagassem, como já ia acontecendo com algumas, toda aquela beleza se acabaria, e dentro de mais algumas horas, com o nascer do sol, aquela noite seria apenas uma lembrança, e dias depois um sonho talvez até inacreditável..."

Pois é. Estamos vendo o povo saindo com suas luzinhas e sonhos para as ruas, se reunindo em praças, avenidas e logradouros públicos, e dizendo palavras de ordem pela volta da democracia e lutando contra a retirada de direitos sociais, civis, políticos e humanos nos dias que correm em nosso país novamente sob estado de exceção, exatamente como nos anos em que Veiga escrevia.

Como diz o protagonista da estória, dá até tristeza de pensar que quando os pavios se queimarem e as luzes se apagarem... talvez a gente nem acredite no amanhã que o momento aconteceu e foi possível.

Nos anos sessenta, após o golpe, a elite conservadora e organizadora do golpe achou que seria coisa rápida tirar o João Goulart do poder e depois pegariam de volta a máquina estatal... e se foderam porque entregar o poder para grupos militares, policiais e de toga é entregar sua sorte civil e de leigos sem poder para um grupamento que não pensa e não liga para ser humano e para liberdades civis.

O mesmo se repete agora. Os golpistas da grande mídia, empresários e partidos de oposição ao PT que usaram a máquina estatal da estrutura burocrática da justiça e da polícia para aplicarem o golpe não sabem o que é esse segmento mandando e desmandando, escolhendo quem será vítima deles, até os desafetos pessoais.

É nesse mundo que estamos nos enfiando por causa dos organizadores do golpe, os empresários dos meios de comunicação (P.I.G.), banqueiros e donos de empresas da Fiesp, quase todos os partidos de direita e liberais como o PSDB, PMDB e lixos do tipo, o parlamento apodrecido, eleito e mantido com bilhões de reais dos setores citados anteriormente e, por fim, cidadãos concursados dos órgãos públicos que se apoderaram do aparelho do Estado para fazer política onde deveria prevalecer o respeito à lei e ao povo brasileiro.

Estamos fodidos e temos culpados por isso ao nosso redor, entre conhecidos e familiares, gente que foi manipulada ou que é mau caráter e hipócrita e que não conhece história e por isso não tem noção das consequências em trocar o convívio social em estados democráticos por estados totalitários.

Enquanto isso, vou lendo José J. Veiga e passando algumas horas no mês em contato com uma literatura que nos alerta para o estranho, o novo, o diferente, que chega e altera a nossa condição e o nosso viver...

William

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Diário - 150916 (Cansaço)





Acordei nesta quinta-feira com grande dificuldade de levantar da cama. Fiquei mais de uma hora acordando e cochilando mais alguns minutos. Bateu um cansaço danado em mim. Será que eu era Gregor Samsa...

Acabei levantando para retomar as lutas diárias que nossa função social exige. Como diz meu poeta favorito, Drummond:

"Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
"


Cheguei ontem do Rio de Janeiro quase à meia noite. Fui cumprir uma agenda de trabalho. Participei de encontro com aposentados do Banco do Brasil. Depois fiz um esforço extra na agenda e saí de Xerén, em Duque de Caxias, para ir à Unidade Cassi do outro lado do Rio de Janeiro e voltar pra embarcar no Galeão, no final da noite.

Fui conversar com os trabalhadores da nossa entidade de saúde. O esforço valeu a pena. Esse pessoal que dedica sua vida à Cassi deve ser muito respeitado por nós gestores, pelo Banco do Brasil e pelos associados de nossa operadora de autogestão em saúde.

Não sei o porquê desse cansaço grande que me segurou na cama até mais tarde... 

Na verdade eu sei sim. Saber do espetáculo dantesco que a máquina do estado de exceção em que vivemos fez com o presidente Lula me deprimiu profundamente. Uns fulanos da máquina estatal denunciaram Lula por um monte de crimes inventados. Faz parte do Golpe prender nosso líder e talvez até soltá-lo depois, mas sem poder participar da vida pública. Me disseram que a montagem foi ao vivo através das teletelas do Grande Irmão Globo.

A gente às vezes quase morre de desgosto. A caça ilegal a este homem de bem, maior liderança do povo brasileiro em toda a sua história, nos faz perder a fé e a esperança em lutar com as ferramentas legais contra as injustiças e contra o status quo, contra o sistema hegemônico e explorador do capitalismo, que sempre foi e sempre será cego em relação ao povo que a gente representa e faz parte, a classe trabalhadora e gente humilde.

Neste momento, ainda em casa, estou com muita raiva e desprezo de qualquer ser humano que foi favorável a todo esse processo de quebra da democracia e golpe nazifascista contra Dilma, Lula e o Partido dos Trabalhadores. Sinto um desprezo gigantesco pelos hipócritas e tenho dó dos manipulados que participaram disso. Mas sou um cidadão civilizado para lidar com a alteridade.

O que estão fazendo com o Lula nos avisa que não há mais normalidade alguma na vida civil. Se alguém desse Estado dantesco e golpista olhar pra mim ou pra você, cismar comigo ou com você, souber que eu existo e que não pactuo com essas aberrações do sistema totalitário em que entramos, podem expedir uma ordem de me vaporizar da normalidade civil. Qualquer um de nós que nos opusermos ao que se instalou no aparelho do estado de exceção golpista pode ser a próxima vítima a qualquer instante. Que adianta termos toda uma vida honesta e de bons princípios e ética e correção? Basta incomodarmos os deuses do estado de exceção e acabou.

A quem recorrer dentro da legalidade? A "legalidade", a lei e as instituições que deveriam proteger a legalidade e os cidadãos foram tomadas pelo estado de exceção. Fizeram parte do golpe que ceifou a democracia em nosso país.

Não há mais solução na legalidade para retomar a democracia e a liberdade verdadeira, a liberdade não autorizada pelo Grande Irmão P.I.G. e pelos novos donos do aparelho estatal.

Fico vendo lideranças do campo da esquerda discutindo nuanças se o povo que ainda luta nas ruas deve reivindicar "Diretas já" ou a volta da presidenta ilegitimamente deposta com apoio de todas as estruturas legais do Estado. Ou até se deve prevalecer o lema "Fora Temer". Os mais doidinhos de sempre, das correntes pseudo-revolucionárias pedem "Fora todos". Eu fico vendo isso e fico melancólico. Até vou pra rua quando minha agenda de trabalho permite. Mas os esperançosos na legalidade civil são quase como crianças, na minha opinião.

Não há volta da democracia dentro da legalidade civil. Este golpe foi organizado com todos os poderes do aparelho do Estado, com os envolvidos comprados a soldo de milhões. Com o apoio do país que organiza golpes no mundo há um século. E os aparelhos de manipulação estão azeitados para fazer continuar adormecida a massa humana pescada nas teletelas com bundas, futebol, novelas, aparelhos de celular e rede social, estão causando com selfs cada vez mais legais...

Podem dizer que não gostam mais do Grande Irmão Globo, mas no fundo todos querem mais é ter seu segundo de fama nas redes sociais... é tudo "mãe, tô na grobo" do mesmo jeito.

Não há solução na legalidade civil para salvar Lula, para salvar o movimento popular que está nas ruas contra o golpe e pedindo novas eleições. Esse povo vai começar a morrer, vítima dos aparelhos repressores do Estado golpista. Não dá pra enfrentar armas com o corpo nu. 

Qual órgão do Estado iria conduzir um processo de novas eleições?

O Congresso Nacional dos golpistas? O STF do salário aumentado no processo de destituição da presidenta sem crime? A OAB que sumiu, desapareceu, escafedeu-se...? Ou seria os órgãos deuses PF MPF MP que agora podem entrar em nossas casas, inventar ilações contra cidadãos ou empresas, nos prender sem Habeas Corpus e sem direito a um telefonema...? (e se for interessante, combinado com o Grande Irmão Globo)

Já sei! Vamos denunciar aos órgãos de imprensa...

Fiquei cansado e com dificuldades para levantar, mas já levantei. Vamos desempenar o corpo e sair pra luta. 

E com um problema desse que tomou conta de nossa vida civil brasileira, que espaço eu teria pra chorar o que enfrento no dia a dia dentro da entidade de saúde que administro como eleito pelos associados? Mandato em que não deixei de ser eu mesmo e passei a questionar e enfrentar coisas erradas na burocracia e nesses dois anos já sofri represálias que são difíceis de dizer aos amigos e pessoas que representamos? As perseguições e más vontades que enfrentamos nos quebram um pouco. Mas o processo é pra isso mesmo. As coisas estão mais difíceis ainda com a nova composição na gestão... mas aviso que não vou me desviar de meus princípios e conduta.

Estou terminando de reler Edward Said nesta semana porque preciso renovar minhas convicções na ética, no papel que temos que desempenhar como pessoas que têm conhecimento e que não devem se dobrar aos encantos e facilidades do poder instituído. Eu tenho que achar muita energia para manter minha linha de representação da classe a qual pertenço e dizer o que penso e o que tem que ser dito a qualquer um que seja. Mesmo com todas as consequências que sofremos com isso.

Todo a minha solidariedade ao presidente Lula. Ninguém está seguro mais neste estado de exceção, onde um bando de fascistas controlam a máquina estatal dos três poderes e são liderados pelo quarto poder (P.I.G.), contra todos que levantem a voz contra eles.

Nossa obrigação como cidadãos conscientes e conhecedores da história é registrar os fatos para deixar vestígios no amanhã contra a máquina totalitária de registro dos vencedores.

Estou com o corpo e a alma cansados, mas vamos fazer nosso papel social.

William
Cidadão de um Estado sem lei

domingo, 11 de setembro de 2016

Fim de semana em família





Refeição Cultural


Acabando o fim de semana.

Dei um tempo em computador e não entrei em internet os dois dias.

Curtimos o fim de semana com o filhão em casa e com meus dois sobrinhos. Foi bom.

Assistimos filmes, eu li um pouco, fiz caminhadas, ouvimos música, conversamos olhos nos olhos. 

Já que me contundi no mês de agosto, ainda não estou arriscando correr. Já estou fazendo umas caminhadas e em breve retomo as corridas.




Ao rever pela quarta ou quinta vez o filme do sueco Peter Cohen, Arquitetura da Destruição (1989), ficamos sempre pensativos a respeito do mundo, da sociedade e do quanto faz falta as pessoas não conhecerem história.




Também revi pela terceira ou quarta vez A Onda (2008), filme alemão que aborda a mesma temática do totalitarismo, nazismo, autocracia, fascismo. Mundos distópicos. O que aconteceu no Brasil, hoje sob Golpe de Estado, foi uma onda que vi nascer, descrevi e previ que poderia acontecer e aconteceu. Agora é o caos.

Estamos vivendo momentos importantes e decisivos na entidade de saúde de autogestão em que sou gestor eleito pelos associados. Reler Edward Said (1935-2003) e refletir sobre suas Conferências Reith (em 1993), reproduzidas no livro Representações do Intelectual, é necessário porque tenho o compromisso intelectual de dizer o que penso e alertar sobre as perspectivas de futuro para a Cassi nas decisões que serão tomadas pelos trabalhadores que represento nas próximas semanas.

Queria ler algo mais ameno, para relaxar, mas os dias não estão nem para peixe, nem para José J. Veiga...

É isso. Foi bom ter o filho em casa e os sobrinhos. E alguns instantes sem contato com o mundo em caos, em golpe, sem valores e sem noções.

Enquanto eu dei um tempo no mundo, para ficar com meu filho, esposa e sobrinhos, a polícia de repressão da Tucanolândia, em SP, realizou mais um show de barbárie agredindo nas ruas a população lutando pela volta da democracia. 

Já estamos em estado de exceção, como disse a vocês. Não há mais lei. Não há mais democracia. O Estado agora é agressor e, daqui a pouco, será um Estado criminoso, vão acabar morrendo pessoas por exercerem suas liberdades de expressão...

William

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Diário - 090916 (24 anos após 090992)



24 anos de Banco do Brasil...
E de lutas coletivas...

090992 - 090916

No dia 9 de setembro de 1992 me apresentei ao gerente da Agência Rua Clélia, em São Paulo. Era o dia da minha posse como funcionário do Banco do Brasil, aprovado em concurso nacional para escriturário (Carreira Administrativa E-1), concurso que foi até cancelado por fraude em Brasília. Tive que passar duas vezes no mesmo certame para ser chamado.

Eu já conhecia um pouco o ambiente do Banco do Brasil porque era estagiário na Agência Ceagesp, onde fiquei entre os dias 20 de fevereiro de 1992 a 8 de setembro de 1992. Me desliguei em um dia para tomar posse no outro. Eu era estudante de Ciências Contábeis na época.

Antes de minha posse no Banco do Brasil, já havia tido a oportunidade de ser bancário na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, porque fui trabalhador do Unibanco entre 20 de abril de 1988 e 31 de maio de 1990.

Na mesma época em que passei no concurso do Banco do Brasil, havia passado também no concurso da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET SP). Acabei escolhendo o BB porque a jornada de trabalho era de 6 horas. (a gente nunca sabe o que a vida nos reserva... quem diria que eu passaria a maior parte da minha vida de bancário trabalhando longas jornadas, como hoje)

Entrei no Banco do Brasil na era Fernando Collor de Mello. Meu salário inicial era de Cr$ 3.036.770,00 mensais mais 1% sobre o VP a cada 365 dias de efetivo exercício. Está escrito isso em minha carteira de trabalho. (4 anos depois, em 1996, o PSDB extinguiu de forma arbitrária esse meu direito ao anuênio, direito que está escrito até hoje em minha CTPS; e na época o pessoal das correntes sindicais de oposição à Articulação Sindical da CUT diziam que isso era "direito adquirido" e que ninguém iria mexer no meu direito... eu vivo dizendo aos meus pares o quanto conhecer história é fundamental na vida do trabalhador)

Enfim, virei bancário do BB, trabalhei na Agência Rua Clélia, depois tomei uma transferência automática para a Agência Barra Funda (o gerente geral recebeu da Super a encomenda de se livrar dos militantes do Sindicato) e por fim trabalhei na Agência Vila Iara, Osasco.

Em 2002 fui eleito diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Fui liberado para exercer atividade sindical em 5 de agosto de 2002 e depois de uma parte de minha vida dedicada à construção das lutas dos bancários do BB e demais trabalhadores, dedicada à antiga CNB/CUT (depois Contraf-CUT) e dedicada à própria Central Única dos Trabalhadores (CUT), cheguei hoje aos 24 anos de Banco do Brasil exercendo a função de Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito pelos associados, colegas da ativa e aposentados.

Passei os últimos 24 anos de minha vida lutando como trabalhador bancário do Banco do Brasil e também como trabalhador bancário do Unibanco. Eu olho para trás e reflito que busquei fazer tudo o que esteve ao meu alcance em benefício da categoria na qual estou inserido, e sigo fazendo isso, a partir do espaço de representação em que me encontro.

Entrei sob a era Collor. Enfrentei e sobrevivi - assim como parte de meus colegas - aos dois desgovernos do PSDB. Participei das lutas dos bancários por direitos nos dois governos de Lula, do PT, e dos governos Dilma, do PT. E depois de um ciclo de 24 anos de carteira assinada no Banco do Brasil, faz alguns dias que estamos todos e todas sob um governo que não foi eleito pelo povo... com agendas de destruições dos direitos dos trabalhadores em andamento...

24 anos de trabalho no Banco do Brasil é uma jornada de lutas considerável. Mas estamos aqui e seguimos lutando, porque fazemos o que tem que ser feito.

William

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

1984 é agora - Enfim, o Grande Irmão zela por nós...



O Grande Irmão Globo observa você...

Assisti ao filme 1984, de Michael Anderson, lançado em 1955 na Inglaterra. Foi a primeira adaptação do clássico de George Orwell, de 1949.

O filme é em preto e branco e eu gosto bastante de filmes antigos, mais que filmes modernos feitos com tecnologia de computadores.

O momento para assistir ao filme não poderia ser mais adequado. Quando reli o livro meses atrás, o Grande Irmão Globo e toda a camarilha de golpistas estavam no processo de derrubar o Governo Dilma, destruir Lula e o PT e acabar com a democracia brasileira.


Onde no brazil não tem uma teletela do Grande Irmão Globo
ligada, manipulando você?

Hoje, setembro de 2016, o Grande Irmão Globo venceu e seu estado totalitário está se implantando. Após derrubar o governo e reinstalar a ditadura que esse mesmo Grande Irmão havia participado desde os anos sessenta, os irmãos Marinho e seus pares do Partido da Imprensa Golpista (PIG) estão fazendo editoriais e pedindo que as polícias, os aparelhos de repressão, ataquem o povo nas ruas para que ninguém conteste o novo sistema totalitário do Partido (PIG).

Eu tanto falei e tanto escrevi durante meses do processo de construção do ódio organizado pelo Grande Irmão Globo... (e deu certo!). Um dos pilares do mundo distópico e totalitário de Orwell era "os dois minutos do ódio" e a "semana do ódio".


Depois de um intervalo entre os séculos (o maldito PT no poder),
tudo voltou ao normal na Oceania.

O Grande Irmão Globo venceu! Tudo vai voltar ao "normal" no brazil.

O Partido (PIG) domina corações e mentes. Até reconheço que exista a Resistência, assim como afirma a estória do 1984, mas a Resistência será capaz de vencer o sistema controlador do Grande Irmão Globo e seus asseclas?

Neste momento em que escrevo, madrugada de quinta-feira 8 de setembro, milhões de brasileiros (cidadãos da Oceania) estão ligados no canal aberto do Grande Irmão e nos canais por assinatura do Grande Irmão, nas opções de esporte após rodada do Brasileirão, na Globonews, nos canais que repetem programas, nos canais que apresentam sexo, até nos canais de "cultura" (é, quem disse que o Grande Irmão não vende "cultura!").


Já que a gente não aprende com o passado...
Deixemos que o Grande Irmão reescreva o passado,
e controle o futuro, a partir do presente.

Logo pela manhã, todos os membros do Partido (PIG) estarão atualizando os registros nos jornais escritos, revistas, TV e rádios, agências de criação de porcarias diversas para serem replicadas nas redes sociais por milhões de cidadãos brasileiros (da Oceania).

Sem contar que na hora do café da manhã e nos almoços, ou nos meios de transporte, lá estarão os membros do Partido da Globo ou seus pares (PIG) transmitindo nas teletelas as notícias e manipulações criando registros ou atualizando registros, para manter o sistema totalitário do Grande Irmão...

"Quem controla o passado, controla o futuro;
Quem controla o presente, controla o passado"

E o que é o passado? São os registros...

Serei eu um Winston Smith? Todos nós somos smiths e júlias?

Viva o Grande Irmão! Vida longa ao Grande Irmão!
Viva William Bonner! William Waack! Mirian Leitão! Sardenberg! Viva Luciano Huck! Viva Faustão! Viva Reinaldo Azevedo! Ehhh viva Galvão Bueno! Viva Boris Casoy! Viva Datena!

(são muitos membros do Partido - PIG -, não dá pra enumerar...)

William
Cidadão da Resistência

(Tá tudo dominado! Até o filme que comprei é do PIG, dos Frias)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Diário 070916 - Grito dos Excluídos



Com o povo na rua pelo Grito dos Excluídos - DF.

Quarta-feira, 7 de setembro. Estou em Brasília, capital do Brasil, que vive dias em Estado de Exceção, após golpe midiático-jurídico-parlamentar contra a democracia.

O cidadão brasileiro que está para além da dimensão social de representante dos trabalhadores em entidade de saúde anda muito triste ao ver o retrocesso que estamos enfrentando após tantos anos de avanços favoráveis ao povo trabalhador e mais humilde de nosso sofrido país, que volta a fazer papel de colônia dos imperialismos, sob a batuta dos golpistas vira-latas e lesas-pátrias que se apropriaram das instituições públicas do legislativo, executivo e judiciário.


Bonita manifestação na Explanada dos Ministérios.

Ao longo das semanas, eu trabalho ininterruptamente nas minhas tarefas de gestor de autogestão em saúde. Ao ver as notícias das barbaridades cometidas pelos fascistas, golpistas e pelos órgãos de repressão do aparelho do Estado, usados contra o povo que luta nas ruas, chega a nos dar desânimo em relação à esperança nas lutas dos trabalhadores contra o capitalismo e seus poucos donos exploradores.

Mas ao chegar às ruas tomadas de povo, com cheiro de povo, jeito de povo, e povo de luta... aí nosso coração se enche de energia e alegria para seguir!

Ter um dia livre para ir às ruas me juntar ao povo nas lutas foi muito bom e revigorante. Fiquei feliz por estar hoje no 22º Grito dos Excluídos, aqui em Brasília.


Olha aí o grande companheiro, amigo e poeta Jefão. Figuraça!

O evento foi muito bonito e foi marcado fortemente pela questão do "Fora Temer", por pedidos de eleições diretas já, por lemas como o "Volta Dilma" dentre vários lemas abordando os direitos das mulheres, negros, LGBT e direitos sociais. Foi a pura expressão do que estamos vivendo em nosso país.




Agradeço aos companheir@s do Sindicato dos Bancários de Brasília, que durante a semana acabaram me convidando para participar do Grito e, apesar do meu estado de cansaço, acabei acordando e indo para o ato.

Valeu a pena!

William Mendes
Cidadão brasileiro



História do Grito dos Excluídos (retirado do próprio site do evento)

A proposta do Grito surgiu no Brasil no ano de 1994 e o 1º Grito dos Excluídos foi realizado em setembro de 1995, com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas.


O que é

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.


O Grito é uma descoberta, uma vez que agentes e lideranças apenas abrem um canal para que o Grito sufocado venha a público.

O Grito brota do chão e encontra em seus organizadores suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade. O Grito não tem um “dono”, não é da Igreja, do Sindicato, da Pastoral; não se caracteriza por discursos de lideranças, nem pela centralização dos seus atos; o ecumenismo é vivido na prática das lutas, pois entendemos que os momentos e celebrações ecumênicas são importantes para fortalecer o compromisso.


Marcas do Grito

O Grito trouxe inovações à mobilização social. A Criatividade, a Metodologia e o Protagonismo dos Excluídos são marcas do Grito.

Metodologia


O Grito privilegia a participação ampla, aberta e plural. Os mais diferentes atores e sujeitos sociais se unem numa causa comum, sem deixar de lado sua especificidade.

Criatividade/Ousadia

O Grito tem a cada ano, um lema nacional, que pode ser trabalhado regionalmente, a partir da conjuntura e da cultura local. As manifestações são múltiplas e variadas, de acordo com a criatividade dos envolvidos: caminhadas, desfiles, celebrações especiais, romarias, atos públicos, procissão, pré-Gritos, cursos, seminários, palestras…

Protagonismo dos Excluídos

É fundamental que os próprios excluídos assumam a direção do Grito em todas as fases – preparação, realização e continuidade, o que ainda é um horizonte a ser alcançado.

Parcerias

O Grito foi concebido para ser um processo de construção coletiva, neste mutirão estão juntos Pastorais Sociais, Semana Social Brasileira,Movimentos Populares, sociais e sindical, Campanha Jubileu, Grito Continental, Igrejas, Mutirão contra a Miséria e a Fome.

Por que o 7 de setembro

Desde 1995, o Grito dos Excluídos realiza-se no dia 7 de setembro. É o dia da comemoração da independência do Brasil. Nada melhor do que esta data para refletir sobre a soberania nacional, que é o eixo central das mobilizações do Grito.

Nesta perspectiva, o Grito se propõe a superar um patriotismo passivo em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna. O Dia da Pátria, além de um dia de festa e celebração, vai se tornando também em um dia de consciência política de luta por uma nova ordem nacional e mundial. É um dia de sair às ruas, comemorar, refletir, reivindicar e lutar. O Grito é um processo, que compreende um tempo de preparação e pré-mobilização, seguido de compromissos concretos que dão continuidade às atividades.

Objetivo Geral

Organizar o máximo de ações que fortaleçam a organização, a mobilização e as lutas populares.

Anunciar, em diferentes lugares, sinais de esperança da construção de um mundo melhor a toda população.

Denunciar toda e qualquer injustiça cometida pelo sistema capitalista, irradiando a mensagem que as mudanças acontecerão com o povo em luta, ocupando praças e ruas por direitos e liberdade.

Leiam mais no site www.gritodosexcluidos.org

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Feliz por ver no domingo o povo paulista na rua pela democracia



Ato na Avenida Paulista em defesa da democracia e
contra o governo usurpador que assumiu o país após Golpe.

Fico feliz ao ver que o povo foi para as ruas em algumas capitais brasileiras defender a volta da democracia e em protesto ao governo usurpador que assumiu o governo de forma indireta em conluio com o Congresso Nacional mais corrupto da história do país.

A foto dos Jornalistas Livres é linda e estimulante.

A nota negativa é para o papel fascista da Polícia Militar tucana, mais uma vez despreparada e covarde ao agredir de forma gratuita a população ao voltar para casa. A gente tenta ser racional para analisar o comportamento da polícia tucana, mas tudo que eles fazem é nos convencer que são polícia política, parcial e que recebem ordens para atacar a população indefesa.

Que lixo uma situação dessas de violência contra o povo!

Parabéns ao povo paulista e brasileiro que está indo ocupar as ruas em defesa de algo sagrado para um país, a democracia e a plena liberdade de expressão de forma pacífica e lutando por seus direitos civis, sociais e políticos.

Outra coisa grave em relação à essa mesma polícia política do Tucanistão: eles rasgaram a Constituição Federal porque estão mantendo dezenas de jovens em cárcere privado sem permitir sequer que advogados os contatem.

Onde vamos parar? Depois não querem que o povo afirme em alto e bom som que é Golpe de Estado? Até as luzes da Avenida Rebouças foram apagadas (por quem?) para atrapalhar a manifestação do povo paulista.

William

domingo, 4 de setembro de 2016

O cenário brasileiro me lembra a guerra civil espanhola


(trechos em espanhol)



Refeição Cultural - A guerra civil espanhola


Antes dos conservadores derrotados nas eleições espanholas organizarem o fim do governo dos republicanos, o cenário econômico era caótico porque o mundo vivia o momento pós crash da Bolsa de Nova Iorque.

O governo espanhol emitia decretos e leis para proteger o povo, os trabalhadores rurais e urbanos, mesmo querendo respeitar o rentismo, exatamente como os governos do PT fizeram ao longo dos anos dois mil.


"(...) Las medidas de Largo Caballero fueron más dramáticas: el llamado 'decreto de términos municipales' prohibió el empleo de mano de obra foránea mientras los trabajadores del propio municipio permanecieran sin empleo. Ello neutralizó la más potente arma de los terratenientes: el poder de romper las huelgas y mantener los salarios bajos gracias a la contratación de esquiroles baratos traídos de fuera. A principios de mayo Largo Caballero hizo algo que Primo de Rivera no había conseguido: creó jurados mixtos para regular los salarios y las condiciones de trabajo en el campo, anteriormente sujetos sólo al capricho de los propietarios. Uno de los derechos que ahora iba a cumplirse era la reimplantada jornada de ocho horas. Dado que anteriormente se suponía que los braceros trabajaban de sol a sol, esto significaba que los propietarios debían pagar un sobresueldo o emplear a más hombres para hacer el mismo trabajo. Finalmente, a fin de evitar que los propietarios sabotearan estas medidas mediante lock-outs, un decreto de laboreo forzoso les impedia mantener sus tierras improdutivas. También se iniciaron preparativos para una radical ley de reforma agraria..." (pág. 36)


Ou seja, os republicanos mexeram com fogo em relação a uma estrutura secular de exploração dos trabalhadores espanhóis.

O contra-ataque dos conservadores foi implacável. Convenceram pequenos proprietários rurais e pequenos comerciantes e a classe média a ficarem contra o governo. A máquina de propaganda dos conservadores era muito mais poderosa do que a dos republicanos no governo. Vale lembrar que nos anos trinta já estava em funcionamento o poder dos meios de comunicação de massa, concentrados nas mãos dos poderosos exatamente como é hoje no século 21.


"(...) Se llevaron a cabo masivos y extraordinariamente  hábiles esfuerzos de propaganda para persuadir a los pequeños propietarios rurales del norte y el centro de España de que las reformas agrarias de la República perjudicaban sus intereses en igual o mayor medida que los de los grandes terratenientes. A los pequeños propietarios católicos y conservadores se les presentaba la República como el instrumento agitador y ateo del comunismo soviético cernido sobre sus tierras para robarlas y forzar a sus esposas e hijas a una orgía de amor libre obligatorio. Por tanto, asegurados así sus votos, en 1933 la derecha legalista iba a arrebatar el poder político a la izquierda..." (pág. 37)


Aff... tem alguma semelhança com o cenário em que o PT de Lula disputou as eleições de 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006, e mesmo após 2010 e 2014 com Dilma?

Tem alguma semelhança com o cenário em que foi eleito o pior parlamento em décadas em 2014, uma camarilha de ladrões, representantes de grupos rurais, empresariais, de igrejas, a chamada bancada BBB (boi, bíblia e bala) no Congresso Nacional?

Deu no que deu lá na Espanha... deu no que deu aqui no Brasil neste fatídico agosto e setembro de 2016. Presidenta deposta por um golpe parlamentar e uma pauta destruidora dos direitos sociais e do patrimônio público a caminho...

A história ensina, mas quem olha pra ela?

William

Amor, receita para suportar décadas de lutas proletárias



Um casal tenta a vida e quer ser
feliz mesmo vivendo em país
sob estado de exceção...
(ontem e infelizmente hoje)

Refeição Cultural - Ou... Amor, receita para suportar os golpes e seguir lutando...


Hoje é aniversário de minha mamãe querida. Ela está fazendo 70 anos de vida. Meus parabéns minha mãe amada. Obrigado sobretudo por existir.

Nesta semana meu pai completou 74 anos de idade no dia 30 de agosto. Mais uma vez, parabéns meu pai querido. Obrigado sobretudo por existir.

Amanhã, meus pais completam 52 anos de casados. Parabéns meus pais queridos.

Meus pais nasceram nos anos quarenta do século 20. 

Quando meu pai nasceu, o mundo vivia dias trágicos. Estávamos em plena 2ª Guerra Mundial. Os nazistas já vinham exterminando milhões de pessoas que eles não consideravam sequer seres humanos. Eles já haviam coisificado seus adversários e o mundo descobriu depois todas as atrocidades cometidas. Será que a humanidade aprendeu alguma coisa? 

(hoje, coisificaram os petistas e simpatizantes, pessoas comemoram violência contra petistas, morte de petistas, e pregam o ódio contra petistas... o mundo não aprendeu nada! A imprensa canalha criou uma população canalha, vil)

Quando minha mãe nasceu, a 2ª Guerra Mundial recém tinha acabado. O mundo estava destruído. Dezenas de milhões de pessoas haviam sido exterminadas pelo fascismo, nazismo, comunismo, ismos, pelo ódio, pela disputa entre os players do capitalismo. Os donos do poder já brincavam com o mundo como tabuleiro do jogo War.

Quando meus pais eram adolescentes nos anos sessenta no Brasil, na América Latina, os Estados Unidos estavam financiando golpes de Estado nos governos em praticamente todos os países da América do Sul e América Central. Começaram com a Guatemala ainda nos anos cinquenta e depois não pararam mais. 

Meus pais estavam se amando e pensando em casamento em 1964 quando o nosso querido país sofreu um Golpe de Estado organizado e patrocinado pelos empresários da comunicação no Brasil, pelos EUA, pelos partidos de oposição a Jango etc. Os jovens se casaram no dia 5 de agosto de 1964, um dia depois de minha mãe fazer 18 anos. Que contexto político, econômico e social para começar uma vida!

Quando eu nasci, em abril de 1969, os militares e demais usurpadores do poder haviam acabado de decretar o AI-5, recrudescendo a violência, o fim da liberdade, e o ataque aos direitos dos trabalhadores e povo brasileiro. Imaginem como era a vida do jovem casal, agora com dois filhos pequenos naquele mundo.

Meu filho nasceu em 1996 sob um país que vivia um regime democrático, com todos os defeitos inerentes à um país com a pior distribuição de renda do planeta. O poder político e econômico no Brasil continuava nas mesmas mãos. O cidadão Kane brasileiro é quem mandava no país: Roberto Marinho e as Organizações Globo. Junto com todos os outros desgraçados de sempre, os donos do Estadão, da Folha "ditabranda", a Fiesp, os banqueiros, os coronéis ruralistas, os rentistas etc. Os donos da mídia já tinham dito que o candidato Lula e o PT eram bandidos, comunistas, comiam criancinhas, tinham feito uma montagem vinculando o sequestro do empresário Abílio Diniz a sequestradores com a camisa do PT... meus jovens, não é de agora que fazem isso com o Lula e o PT!


O casal segue tentando a vida, mesmo 
sob novo estado de exceção.

Quem diria que no dia 4 de setembro de 2016 minha mãe completaria 70 anos de novo vivendo num país com novo Golpe de Estado... que meu pai completaria 74 anos na véspera do dia da vergonha, quando um Congresso Nacional de bandidos, dos homens brancos da Casa Grande e seus capitães do mato iriam destituir a presidenta eleita com 54,5 milhões de votos... quem diria completarem 52 anos de casados sob um Brasil que vinha soberano desde o início dos anos dois mil, que havia mudado a vida de milhões de trabalhadores como nós e que agora, de novo, vive sob estado de exceção...

Quem diria que eu fosse ver isso de novo aos 47 anos de idade, que meu filho aos 19 anos fosse conhecer aquele estado de exceção que seus avós viveram lá nos anos sessenta.

Mãe, meus parabéns pelo seu aniversário! Pai, parabéns! Obrigado por vocês existirem. Vocês são um porto seguro, uma âncora para que este filho tenha forças para abrandar o coração revoltado com as injustiças que vemos há décadas, vocês lá de trás e eu nesse quase meio século de vida.

Vida longa a vocês! Ter esposa companheira, filho tão maravilhoso, pais com tanta resiliência ao ver e viver neste cenário que descrevi, faz a gente acordar todo dia e sair para viver lutando por um mundo melhor, apesar de toda essa merda que estamos enfiados de novo.

William

sábado, 3 de setembro de 2016

Diário - 030916




Estamos em setembro. 

Meu país não vive mais sob um regime democrático. Os fascistas e vira-latas da elite de direita brasileira deram um Golpe de Estado e tiraram a presidenta Dilma Rousseff de seu mandato após não deixá-la governar desde o primeiro dia em janeiro de 2015, mandato renovado com 54,5 milhões de votos.

A máquina de repressão policial dos governos estaduais que fizeram parte da organização do golpe está agindo ferozmente para reprimir nas ruas qualquer manifestação pró democracia e contrária ao governo ilegítimo que assumiu nesta semana com o golpe parlamentar.

As motivações do golpe são aquelas que parte pequena da população mundial conhece, o mais ou menos 1 (um) por cento de cidadãos do mundo que participam de movimentos sociais e de trabalhadores e intelectuais de esquerda, que tentam enfrentar o sistema hegemônico capitalista ao longo da história, organizando e liderando movimentos de trabalhadores explorados contra o sistema. O restante da massa, uma ampla maioria, não tem consciência de classe para compreender sequer que é manipulada pelas ferramentas do sistema hegemônico.

Ao ir à padaria hoje pela manhã, me deparei com um pai e duas crianças pedindo algo para comer em frente à padaria. Comprei pães de queijo e consegui alcançá-los para lhes dar algo que comer. Fiquei pensando nas crianças, um garotinho de uns 7 a 8 anos e uma garotinha de uns 11 anos talvez. O pai ainda me perguntou se eu não tinha roupas para dar.

Os governos do Partido dos Trabalhadores fizeram uma revolução social no Brasil durante os mandatos do presidente Lula e da presidenta Dilma. Enquanto boa parte dos países do mundo tem populações totais de 30 milhões de pessoas e alguns têm populações numerosas - todos com multidões de miseráveis e homeless -, os governos do PT praticamente erradicaram a fome no Brasil, segundo conceitos das organizações internacionais. Lula e Dilma tiraram da miséria total cerca de 30 milhões de pessoas e contribuíram para a ascensão social de mais de 50 milhões de pessoas.


Crepúsculo em nosso mundo.
Foto: Ione Ribeiro.

Os donos do poder econômico, financeiro, dos meios produtivos e dos meios midiáticos não deixaram de ganhar dinheiro durante os governos de Lula e Dilma. Eles organizaram o golpe por uma questão natural, de classe, do modelo de organização capitalista: ganância! Há que se ter ganância e acumular, não se pode pensar em dividir e solidarizar.

Estamos preparados para retomar décadas de miséria, e fome, e ranger de dentes, e falta de liberdade sequer para se manifestar e reclamar e não aceitar injustiças?

Começou o novo velho mundo.

E pensar que parte de meus familiares e dos trabalhadores que represento contribuiu e apoiou isso para voltarmos a esse mundo de fodeção da classe trabalhadora e povos humildes...

Estou seco para derramar lágrimas.

William