sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Diário e reflexões - 181116



Instante de interação com pessoas no mundo real.

Refeição Cultural

Sexta-feira. Acordei cedo pensando em escrever um texto antes de sair para a agenda do dia de trabalho aqui em Porto Alegre. Como me alonguei um pouco na leitura matinal de artigos nos sites progressistas nos quais me referencio, não sobrou tempo para fazer minha postagem ainda pela manhã.

Na quinta-feira à noite, havia voltado ao hotel cansado pela longa jornada de debates, apresentações e construções coletivas na área em que atuo: gestão de saúde em operadora de autogestão. 

Terminamos no final da tarde outro dia com jornada muito positiva de reuniões de fortalecimento de nossa Caixa de Assistência. Estou no aeroporto para voltar para Brasília.

Tenho uma sensação boa em relação aos dois dias de trabalho no Rio Grande do Sul. Acredito que fortalecemos a democracia, a participação social, o espírito de pertencimento e o apreço pela nossa Caixa de Assistência. 

Ao ler os textos formativos que li pela manhã, fiquei refletindo sobre fatos ocorridos recentemente relacionados com intolerância e violência: um pai que matou o filho com vários tiros e se suicidou em seguida por não gostar do envolvimento do jovem com movimentos sociais; um dos jornalistas do Grande Irmão Globo agredido pela população em ato de rua no Rio de Janeiro aos gritos de "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo"... enfim, vejo que seguimos para tempos sombrios na sociedade humana.

Gostaria de escrever e refletir também sobre a questão das bolhas. Sim, bolhas. Tenho lido textos elucidativos sobre o efeito das bolhas em que passamos a viver com o advento dos algoritmos nas redes sociais como o Facebook. Nosso mundo virtual é feito de gente que pensa igual a gente. O problema disso é nós esquecermos o mundo real lá fora, na vida verdadeira. Quando lidamos com gente de carne e osso presencialmente, que pensa diferente de nós... aí é que temos que exercitar a tolerância e lidar com a divergência que desacostumamos na rede social.

Enfim, o texto sobre as bolhas e a intolerância e violência crescentes fica para outro momento.

Apesar de viver nas bolhas como todo mundo, não abro mão de estar com as pessoas olho no olho, como estivemos ontem e hoje com os funcionários da Cassi, com lideranças do Banco do Brasil do Rio Grande do Sul e com associados da Cassi na Conferência de Saúde que participamos.

É muito bom o velho e tradicional relacionamento humano ali, direto, com cheiros e gestos, vozes e tonalidades, imprevistos e tudo mais do mundo humano.

William

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Destruição do Brasil - o povo organizado precisa reagir



(atualizado 20/11/16, às 2:27h)




"Se é de batalhas que se vive a vida..." (Tente outra vez, Raul Seixas)


Já é madrugada de quarta-feira, 16 de novembro de 2016.

Neste feriado de terça, passamos o dia em Brasília. Eu precisava muito descansar, não fazer nada. Na segunda-feira, saí da Cassi quase onze horas da noite.

Ao acordar, peguei para ler "A tristeza pode esperar", um livro de crônicas que ganhei do amigo Maeda, coordenador do Conselho de Usuários da Cassi Rio Grande do Sul. O livro é de autoria de um dos mais renomados médicos brasileiros na área de cirurgia de pulmão. Comecei a lê-lo quando ganhei o presente e ainda não terminei a leitura. São crônicas curtas que nos levam a muitas reflexões.

Após o intervalo para buscar pães e o café da manhã, retomei a leitura e parei para ver um vídeo lançado nesta semana sobre a tragédia que a Lava Jato causou ao Brasil e ao povo brasileiro. O vídeo se chama "Destruição a jato" (está no Youtube) e vale a pena procurar e ver. 

Até 2014, ou seja, até começarem os efeitos da tal Lava Jato, o Brasil era uma ilha no mundo, com quase pleno emprego, com distribuição de renda e ascensão social desde 2003; estava fora do mapa da fome no mundo; as empresas da construção civil e toda a cadeia produtiva relativa à extração de petróleo e gás eram as que mais se desenvolviam no mundo e ocupavam espaços de concorrentes estrangeiros; o Brasil tinha reservas em dólares como nunca dantes e não dependia mais do famigerado FMI...

Até que os pequenos grupos da elite secular decidiram interromper os avanços econômicos para mudar o cenário político. Deram um Golpe de Estado civil-midiático-parlamentar. Quebraram a economia brasileira para não permitirem mais o vigor da democracia, onde o povo decide o que é melhor para ele. Uma única "operação" da "justiça", um juiz e meia dúzia de fulanos do MPF interromperam e inviabilizaram dezenas de cadeias produtivas; desempregaram milhões e milhões de cidadãos brasileiros. O Brasil já havia passado o Reino Unido em termos econômicos. Nosso Pré-sal seria um fundo para o futuro do País como aconteceu na Noruega.

Para nós que somos oriundos do movimento sindical e social, que temos consciência política e não fazemos parte da massa manipulada pelos donos dos meios de comunicação empresariais e que participamos ativamente da construção de um Brasil melhor que surgiu após a ascensão à Presidência da República dos governos do Partido dos Trabalhadores, o vídeo nos emociona e nos revolta por ver tanta destruição em tão pouco tempo; destruição inconsequente da economia de um país só para interromper os avanços que a política e a democracia estavam trazendo ao povo sempre excluído das riquezas do País.

Eu chorei e fiquei muito abalado ao ver o vídeo. Acabei saindo para caminhar uma hora e refletir. É muito triste ver o que tão pouca gente fez com o nosso País (empresários donos dos meios de comunicação e seus pares capitalistas e funcionários públicos que se empoderaram das instituições estatais dos três poderes). Assim como a máquina de propaganda nazista de Goebbels guiou o povo alemão ao ódio contra os judeus e adversários entre os anos 30 e 40 do século XX, a velha Globo dos Marinho, mais os Frias, Mesquitas, Civitas et caterva comandaram a criação do ódio entre o povo brasileiro, ódio contra o PT, contra a esquerda e suas utopias libertárias e contra qualquer pessoa ou segmento que não partilhasse de suas ideologias empresariais e de direita.  

É desolador também ver que as lideranças populares de todos os segmentos sociais não conseguiram até agora se rearticularem e reagirem para enfrentar e derrubar esses grupos de lesas-pátrias que estão destruindo uma das principais nações do mundo: o Brasil.

Eu sinto um sofrimento que adoece e desanima, mas que não posso evitar. É o sofrimento de quem vê uma batalha de vida ou morte de toda a minha classe, a classe trabalhadora, contra os donos do poder e não pode fazer nada porque está numa outra frente de batalha e esta frente já me consome, já me dedico a ela com toda a minha energia vital. Fui designado para este front atual - um mandato de gestor em nome dos associados da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde que cuida de mais de 700 mil vidas. É por esta batalha que estou vivendo a minha vida. É nela que estarei focado com a mesma energia que iniciei o primeiro dia de mandato até o último dia lá no meio do ano de 2018. Nada me desviará do compromisso assumido com todos: associados, a instituição e seus funcionários, seu modelo de saúde, as entidades e lideranças que me colocaram nesta missão.


Lideranças devem deixar vaidades de lado e construírem estratégia e pauta unificada para retomar o Brasil

Eu tenho uma crítica e uma sugestão ao movimento organizado, tanto sindical como social e popular. A crítica é que se todas as lideranças dos movimentos sociais não colocarem de lado as suas vaidades, seus egos e seus egoísmos, e buscarem unidade com pauta prioritária de salvar o Brasil e os brasileiros, não servirão para nada no contexto de destruição rápida de nosso País e de nossos direitos históricos.

A sugestão é que organizem o mais breve possível um encontro dessas lideranças desunidas dos movimentos sociais. Estou falando em algumas dezenas de pessoas, e construam a reação contra o rolo compressor do Estado totalitário tomado pelos golpistas em seus três poderes, com amplo apoio de quem os organizou, os empresários monopolistas dos meios de comunicação comerciais cartelizados.

Nós já estamos numa guerra civil. Mas só tem vítimas de um lado, o lado da classe trabalhadora. O lado de quem vive de vender sua força de trabalho, de quem não vive de rendas e heranças e de juros criminosos. O lado de quem precisa de educação pública, saúde pública, transporte público, segurança pública, previdência pública e demais obrigações do Estado.

Para começar a reação não adianta chamar greve geral com os líderes dos movimentos desunidos, se odiando reciprocamente, tentando puxar o tapete um do outro, tendo na pauta interna de cada setor deles a disputa das máquinas sindicais e estruturas um do outro. É necessário colocar JUNTOS E UNIDOS a nata dos movimentos sindicais, partidários, sociais, rurais, urbanos, intelectuais, estudantis, de grupos sociais progressistas como jornalistas, artistas, juristas e cientistas e, de preferência, do setor empresarial progressista e mais nacionalista (acredito que haja).

Seria um encontro com algumas dezenas de pessoas do campo progressista e popular para sair com calendário de organização para todas as regiões e segmentos sociais do Brasil. Tarefas de aglutinação, formação e esclarecimento de toda a destruição em andamento e atuando para descontruir a lavagem cerebral dos meios midiáticos totalitários.

Aliás, o encontro só terá ou teria alguma chance de sucesso se a estratégia não for a acusativa, a de ficar um acusando os erros do outro e se autodestruindo com ranço e ódio. SÓ FUNCIONA SE SUPERAREM A VAIDADE! O encontro deve construir a pauta. Se conseguirmos algum tipo de reação civil e revertermos algumas das desgraças já feitas e outras em andamento, avaliaríamos depois os erros cometidos e os espaços deixados para que o golpe viesse com tanto poder destruidor neste momento da história.

Eu juro que se não estivesse envolvido em nenhuma tarefa e frente de batalha (com mandato eletivo), eu estaria colocando toda a minha energia vital no enfrentamento dos golpistas lesas-pátrias que estão destruindo o presente e o futuro do nosso povo brasileiro, despossuído e excluído dos direitos em geral por séculos e por culpa da pequena elite detentora de tudo.

Ver essa destruição que o vídeo nos lembra (porque sofro diariamente ao ver tudo acontecendo), nos deprimi e adoece. Mas a solução é organizar a reação popular. Os jovens estudantes brasileiros estão dando o exemplo, mas onde estão as lideranças e as entidades organizadas com estruturas para apoiá-los e fazer a reação acontecer? Estão dispersas por aí, desunidas e desarticuladas. O povo tem que tomar para si as instituições públicas sequestradas pelos golpistas e tem que tomar para si também as estruturas privadas que estão à frente do golpe como os meios de comunicação comercial.

Eu sei que o dia nacional de luta na última sexta-feira 11 foi importante. Mas não basta. Não estamos fazendo cócegas no golpismo que assaltou todas as instituições estatais. A força repressiva está em poder dos golpistas. O legislativo federal está dominado pelos golpistas. O executivo federal está na mão dos golpistas. Parte do judiciário está apoiando os golpistas ou está inerte vendo o golpismo. Os meios midiáticos comerciais e de massa estão com os golpistas.

Sem reação popular, o futuro será de poucas perspectivas em décadas, pois será de muita miséria! Temos que reagir com unidade na luta porque a vida deve ser de esperança, deve ser olhar o horizonte com utopia, com perspectivas de amanhã melhor. Os golpistas estão livres, leves e soltos, sem nenhum pudor, sem receios, e contam com o totalitarismo dos meios comunicacionais que imperam na forma como o mundo se organiza no século 21.

Se colocarmos algumas dezenas de líderes do nosso campo num encontro e eles conseguirem focar uma estratégia de volta às bases para aglutinar o povo, esclarecer sobre o que foi o golpe, o que vem por aí e a melhor forma de reação civil, teremos uma chance de salvar as próximas décadas deste que é um dos principais países do planeta.

Se é de batalhas que se vive a vida, vamos organizar o povo e suas lideranças contra a destruição do Brasil. Peço que compartilhem esse texto e essas ideias com seus líderes e suas entidades populares, de classe e representativas.

William Mendes
Um cidadão brasileiro

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Diário e reflexões - 111116



Cenário onde corro vez por outra.

Final de sexta-feira.

Estou fechando uma semana de trabalho que não foi diferente das outras: longas jornadas e muito estresse praticamente todos os dias da semana. Dormi pouco. Longos embates políticos e estudos sobre a entidade de saúde que atuo como gestor eleito.

Ao mesmo tempo em que atuamos no presente, também estamos revendo o passado para nos orientarmos se estamos cumprindo compromissos, se estamos lutando para evitar erros já cometidos por nossos antepassados e para atualizar os registros das ações realizadas e manter um memorial que sirva até de pesquisa aos participantes da nossa autogestão.

Após rever os dois primeiros meses de mandato na Cassi, reli nesta semana em meu Blog Categoria Bancária o mês de agosto de 2014 e fico com a consciência leve pelo que li em registros de prestação de contas. Eu estava completando três meses de trabalho e já investia fortemente em estudos da entidade, mesclando viagens para estar junto às bases sociais levando informações sobre a Caixa de Assistência e fortalecendo parcerias com os associados e suas entidades representativas.

Aquele mês foi impressionante! Eu lancei o 2º Boletim Prestando Contas Cassi (ler AQUI) e fiz distribuição em locais de Brasília, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Estive em duas Conferências de Saúde - em Rondônia e Piauí. Estive em entidade de aposentados para defender o modelo solidário de custeio na Caixa de Assistência (fui com recursos próprios); assessorei as negociações entre o BB e os bancários na mesa específica sobre saúde. Detalhe: eu estive alguns dias em férias e atuei normalmente pela defesa dos interesses da Cassi e dos associados. 

É bom reler o passado recente e ver que seguimos com a mesma dedicação ao nosso mandato e respeitando os princípios que aprendemos para a representação dos trabalhadores.

Nesta semana que se encerra, os associados de nossa entidade de saúde começaram a participar de consulta plebiscitária para dizer se são favoráveis ou não a uma proposta de solução para um déficit no plano de saúde dos funcionários. A proposta foi construída em quase dois anos de negociações que envolveram as maiores entidades nacionais do funcionalismo e contou com uma unidade importante ao focar os interesses coletivos da Cassi e seus associados.


Política em baixa: não-política está levando mundo ao fascismo

O mundo está de cabeça para baixo. Quando vemos o cenário em nosso país, na América do Sul, nos Estados Unidos e no mundo em geral, percebemos um clima semelhante ao período que antecedeu as duas grandes guerras na primeira metade do século 20. Período viveu a ascensão de fascismos, nazismo e totalitarismos que levaram o mundo a guerras de extermínio.

É isso. Evidente que está difícil de cuidar da saúde e da condição física com uma agenda de trabalho como esta que levo. Não consegui fazer exercícios durante a semana e para não descumprir totalmente minha programação pensando a participação na São Silvestre, dei um jeito de correr um pouco na noite desta quinta (4k), antes de viajar, só para ser persistente com meus objetivos.

Fim de registro. Vamos para o fim de semana em que terei que trabalhar porque tenho uma pauta bem gigante de reunião de Diretoria Executiva na segunda-feira em Brasília.

William

domingo, 6 de novembro de 2016

Diário e reflexões - 061116 (São Silvestre)



(Atualizado em 27/11/16, às 21:37h)





O duro caminho para a São Silvestre



Neste domingo, acordei com o cansaço de um corpo extenuado por excesso de trabalho, pouco dormir e mal se alimentar. No sábado, havia chegado pela manhã de Belém do Pará, onde trabalhei por dois dias. Acabou que não consegui descansar direito durante o dia.

Estou vivendo um dilema em relação à minha saúde e condições físicas: meus músculos estão sensíveis e mal estou me carregando nas últimas semanas. E tenho que retomar a forma física por questão de saúde e porque vou correr a São Silvestre daqui a 55 dias. Serão provavelmente os 15 km mais difíceis de minha jornada de corridas. E olha que já participo da prova desde 2007.

Eu definitivamente preciso refletir se devo seguir na rotina que estou levando em meu trabalho ou se devo me obrigar a dormir ao menos sete horas por noite e me alimentar um pouco melhor. Além de me obrigar a dedicar algumas horas da semana a mim mesmo.

Saí para correr no Eixão com o mesmo receio que tenho sentido cada vez que saio para correr um pouco desde setembro (me contundi em agosto), porque não estou sentindo firmeza em minha musculatura da parte posterior da perna, desde o calcanhar e Tendão de Aquiles até os músculos gastrocnêmios.

Mentalizei em correr 5 km. Para quem está começando do zero faz poucas semanas, este percurso é um longão - tenho que ter humildade e reconhecer minha condição física.

Desde setembro, só corri algumas vezes. Tenho tentado fazer ao menos caminhadas, mas estou com dificuldades de agenda.

Comecei a corrida no Eixão num trote bem leve, muito concentrado nos músculos da perna. Passada leve, sem dar impacto pesado. Corri 2,5 k num sentido e voltei. A temperatura estava quente na saída (26º) e na volta começou a chover. Os músculos incomodavam, mas segui concentrado. Terminei a corrida com 33' e a temperatura baixou para 22º com a chuva. 

Feliz por ter corrido tudo bem. Mas a preocupação continua. Estou longe de alcançar condições para correr os 15 km da São Silvestre no dia 31 de dezembro. E olha que eu tenho uma agenda absurda de trabalho já programada. Minha última viagem será no dia 16 de dezembro lá no Maranhão. Não será fácil...

Além de ter que exercitar corrida nos finais de semana, restam seis a considerar que no anterior à corrida devo descansar, preciso fazer exercícios físicos para o tronco e não estou achando energia extra para isso durante a semana.

É uma autocrítica a respeito do que estou fazendo com minha vida e saúde, mas sei que ocorre o mesmo com muitas pessoas ao nosso redor, trabalhadores como nós mesmos. Por isso compartilho, porque sou uma pessoa comum como meus pares.

Vamos nos esforçar para chegar bem à São Silvestre, mas vamos estar atentos e tentar ouvir nosso corpo e ter sabedoria para dosar todas as nossas tarefas profissionais e pessoais.

William


TREINAMENTO SÃO SILVESTRE

21/09 DF ......................... 3,5k 23º corrida noturna

23/09 DF ..........................3,5k corrida noturna

09/10 MG ........................ 6k 60' 32º caminhada Pq. do Sabiá

10/10 DF ......................... 5,5k 55' 23º caminhada noturna

11/10 DF ......................... 5,5k 53' 22º caminhada noturna

12/10 PB ......................... 6K 60' 24º caminhada Praia de Tambaú

23/10 DF ......................... 2k corrida e 4k caminhada no Eixão 30º

26/10 DF ......................... 3,2k 22' 25º corrida noturna

30/10 SP ......................... 3,5k corrida e 4k caminhada no Pq. Continental

06/11 DF ......................... 5k 33' 26º corrida no Eixão, com chuva refrescante



Post Scriptum:

10/11 DF ..........................4K 27' corrida noturna

15/11 DF ...........................6k 60' caminhada no Eixão

20/11 DF ...........................7k 46' 20º no Eixão, após chuva

(Esta corrida foi de muita superação e concentração. Corri com toda a atenção do mundo em meus tendões, respiração e desejo de superar novamente meus limites atuais. Fiquei muito feliz pela realização)


Post Scriptum:

27/11 DF ..........................8k 53' 27º no Eixão

(Se a corrida do domingo passado já foi de superação, esta de hoje foi emoção e felicidade pura! Depois de uma semana de trabalho em 3 turnos - manhã, tarde, noite, incluindo dois dias em Palmas (TO) - dei uma caminhada no sábado e fiz alongamentos. Saí para correr hoje com muito desejo de superar meus limites físicos atuais e lembrando que faltam algumas semanas para os 15k da São Silvestre. Cheguei ao Eixão e saí num trote muito concentrado com passadas leves e firmes. Foco na resistência e ritmo. Fui até o Sede I do BB e voltei. Foi uma corrida de superação, as dores nos tendões dos pés não incomodaram e fiquei muito feliz com a corrida! Como diz o Dr. J.J. Camargo... "A tristeza pode Esperar")

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

É hora da reação popular em defesa dos direitos do povo brasileiro




Ditadura fascista estatal vai piorar contra o povo brasileiro. Quando começará a reação dos movimentos organizados e populares?

A estrutura estatal brasileira foi tomada pelos golpistas e por seus asseclas nos 3 níveis de poder: executivo, legislativo e judiciário. A tomada do poder estatal em todos os níveis contou com ação decisiva do chamado 4º poder: a mídia empresarial monopolizada e concentrada na mão de uma casta secular.


Estão desfazendo não só os avanços sociais dos governos federais do Partido dos Trabalhadores e de partidos com mais características progressistas e populares. Estão desfazendo as conquistas da Constituição Federal cidadã de 1988, fruto de décadas de lutas do povo contra o estado de exceção que vigorou entre 1964-85.

Fim dos direitos trabalhistas; fim dos direitos civis elementares; fim dos direitos previdenciários, fim das liberdades civis; violência dos aparelhos repressivos estatais contra o povo desarmado... Amig@s, não dá para esperar mais pela superação de vaidades menores de cada um de nós. É hora de organizar o povo para lutar pela manutenção de nossos direitos históricos.

Eu, cidadão brasileiro, conclamo as lideranças sociais de todos os segmentos organizados, lideranças sindicais, políticas, estudantis, intelectuais e do campo das artes, e também dos 3 níveis de poder que não compartilham do estado de exceção e parcial contra um segmento da sociedade, enfim, lideranças do campo progressista, que organizem rapidamente encontros e congressos e iniciem a reação civil organizada da classe trabalhadora.

Conclamo que cada um(a) e cada segmento supere as divergências internas e de leituras de eventuais erros cometidos na condução de projetos populares que cada grupo defende e se unam em nome de uma frente ampla em defesa dos direitos humanos, sociais, civis, políticos e trabalhistas. 

Nós povo brasileiro fomos enganados e manipulados pelos donos seculares de todos os meios de produção, os capitalistas, hoje donos das maiores ferramentas de comunicação global num mundo movido pelos meios midiáticos totalitários de alguns bilionários que contaram com apoio externo para destruírem um País que vinha se destacando em soluções anti-cíclicas desde que iniciou no mundo a nova fase de crise do capital com o crash do subprime em 2008. Os números sociais do Brasil registrados até o início de 2014 comprovam isso.

Boa parte das pessoas ainda não se deu conta do que vem por aí em termos de fim das liberdades e dos direitos da cidadania. Já é hora daqueles que entraram de gaiato no apoio ao golpe fazerem uma reflexão do que está ocorrendo com a imparcialidade e perseguição do aparelho estatal somente ao PT, à esquerda, aos movimentos sociais e populares. E ao mesmo tempo, amortecidos pelo efeito poderoso das ferramentas midiáticas dos bilionários, não iniciamos a reação à destruição de todos os direitos conquistados pelo povo em décadas de lutas coletivas e populares.


É hora de superar o ódio que estimularam em cada um de nós, um contra o outro. Os beneficiários de nosso ódio entre pares da mesma classe serão os poucos donos de tudo, que estão rindo em seus gabinetes e palácios enquanto não conseguimos nos unir para resistir e reagir.

A reação deve ser organizada já. O povo é maioria, mas nós do campo das esquerdas e dos movimentos sociais e populares estamos desorganizados. A hora é agora!

Conclamo que as lideranças iniciem as tratativas para salvarmos o povo trabalhador brasileiro do que está vindo por aí. Eu sei que existem pessoas capazes em cada um dos segmentos populares nacionais e locais. Pensem nisso. Conversem uns com os outros. Exijam de suas lideranças unidade na luta contra o fascismo que tomou o nosso País e o aparelho estatal de surpresa, porque a direita foi rápida no processo. Em pouco tempo, ocuparam tudo e nos deixaram sem reação ou amortecidos.

Reação civil organizada já! Organizemos encontros, fóruns e façamos uma pauta unificada básica e estratégica. Uma das primeiras necessidades é tirar o povo do amortecimento em que foi colocado e está sendo mantido.

Abraços a tod@s os meus pares da classe trabalhadora.


William Mendes

Reflexões a partir da história de Kimani Maruge



Filme "O aluno" retrata a vida do queniano Kimani Maruge.

Refeição Cultural

Assisti ao filme "O aluno" (2010) a convite de minha esposa. Havia chegado da Cassi depois das dez e meia da noite, após mais um dia com jornada de cerca de doze horas de trabalho.

O filme aborda a história real de Kimani Maruge, um notável cidadão queniano que lutou persistentemente pelo direito a se alfabetizar e estudar aos 84 anos de idade. Ele faz parte da história de luta de seu povo para libertar seu país do jugo dos colonizadores britânicos. Foi um dos combatentes revolucionários do movimento Kikuiu ou Mau Mau e nunca traiu seus juramentos patrióticos. Foi preso, torturado e viu sua família ser assassinada a sangue frio pelos britânicos (bárbaros!). Aos 84 anos, mantinha intacto seus princípios, juramentos e sonhos de uma nação queniana para seu povo. Também tinha claro que a educação é a chave para a libertação e por uma sociedade melhor e mais justa e igualitária. E lutou por isso até o fim de sua vida.

O filme já vale a pena só pelo fato de nos lembrarmos que no mundo existem pessoas como Kimani Maruge. Apesar da guinada à direita pela qual estamos passando; apesar da tristeza adoecedora que sentimos ao ver os golpistas destruírem o País que ajudamos a construir como militante de esquerda e sindicalista; apesar de ver a tendência de voltarmos a ser meros colonizados após tanto esforço do Governo Lula em sermos respeitados no mundo todo; e apesar da dor profunda de ver meus pares - os trabalhadores brasileiros e povo simples - serem tão facilmente manipulados por ferramentas ideológicas dos bilionários que ascenderam ao poder primeiro pelo golpe de estado no Brasil e agora pelo voto dos povos simples e despolitizados que escolheram a direita fascista e cruel para governá-los... apesar de tudo isso, tenho uma chama dentro de mim que queima por justiça, liberdade, igualdade, solidariedade e melhor condição de vida para o conjunto do povo e não somente para a parcela minoritária e secular que explora a massa humana de pessoas, cada uma delas, um ser humano com direitos universais.


Conhecer a história, o nosso passado e educar os trabalhadores é a chave para a libertação dos povos explorados por alguns humanos

Eu sou grato ao acesso que tive à educação pública, por mais depauperada que ela sempre tenha sido em nossa ex-colônia Brasil, porque através da alfabetização, da leitura, dos estudos, eu pude moldar meu caráter, minha ética, meus princípios. A educação obtida através de meus pais, somada à educação formal obtida na escola, me permitiu trilhar os caminhos que percorri em minha vida de trabalhador.

Também sou grato por ter tido a oportunidade de estar no seio do movimento organizado dos trabalhadores, o movimento sindical. Nenhuma escola, faculdade, mestrado, doutorado, "emebiei" e outros canudos do tipo ensinam tão bem o conteúdo de relacionamento humano em lidar com pessoas, organizá-las, ouvi-las e construir unidade e mobilização para atingimento de determinados objetivos coletivos. Essa matéria só se aprende no meio dessas bases sociais. Eu me formei efetivamente como cidadão politizado e com consciência de classe a partir do convívio com o movimento sindical. E nunca trairei os princípios que aprendi nesta vida de luta.

Eu acredito na formação e educação política através de um trabalho permanente, persistente e sistematizado de contato com as bases sociais que pretendemos organizar e representar para as lutas e conquistas daquele segmento social.

Desde que virei representante eleito por trabalhadores bancários, procurei executar com disciplina espartana meu trabalho de falar com a base, estar com ela no dia a dia, levar informações e, ao mesmo tempo, estudar muito a nossa história de lutas e conquistas e transmitir aos meus pares. Fiz isso durante meus quatro mandatos como diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região; fiz isso durante meus três mandatos na Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro; e agora, estou fazendo exatamente o mesmo durante o mandato que me deram na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Eu escrevo diligentemente em meu Blog de prestação de contas (leia AQUI) sobre a Cassi, sobre o mandato e sobre as questões afetas ao setor de saúde em que atuo com militância desde o primeiro dia de gestão. Cada vez que falo ou escrevo, procuro transmitir noções, história e conhecimentos afetos à esse eixo de direitos dos trabalhadores da comunidade Banco do Brasil: nossa autogestão em saúde.

Como boa parte dos escritores e escrevinhadores, sempre temos o desejo de melhorar nossas produções textuais, corrigir, agregar, diagramar melhor, fazer a "versão final" do texto. Estou relendo e fazendo versões finais de meus blogs sempre que posso. Mesmo estando num momento em que meu lado da classe está sendo derrotado, quero deixar meus registros como um cidadão proletário do mundo. As versões oficiais estão com os vencedores nas histórias das sociedades. As versões oficiais estão na Globo, Folha, Estadão, Editora Abril e lixos assemelhados que patrocinaram o golpe e a volta ao poder dos oligarcas e bilionários.

Reli o primeiro mês de postagens em meu Blog de trabalho, o Categoria Bancária, e recuperei imagens perdidas, links desatualizados, padronizei diagramação etc. Ao ler o mês de junho de 2014, fiquei satisfeito e com a consciência leve ao ver que mais de dois anos depois estamos fazendo exatamente o que nos comprometemos com os associados que nos elegeram. Com poucos dias de mandato, lá estava eu participando de reuniões de Conselhos de Usuários da Cassi, lá estava eu trabalhando mais de dez horas por dia em defesa da nossa entidade, dos nossos projetos e dos direitos dos associados.

Ao mesmo tempo, quando leio o que escrevi no passado, vejo o mundo em acontecimentos, vejo as leituras de contexto e conjuntura que já fazia lá atrás e que se realizaram, infelizmente. No mês de junho de 2014, vi alertas do que poderia acontecer caso a direita brasileira chegasse ao poder, e chegou por golpe e agora as previsões estão se realizando. Neste momento, a cada semana, os poderes institucionais dos legislativos, executivos e até do judiciário estão destruindo o passado de conquistas trabalhistas e sociais recentes, destruindo o presente e o futuro de nossas gerações de trabalhadores. É uma tragédia. É um tsunami conservador varrendo a história de conquistas e com máquinas totalitárias de comunicação manipulando as massas alienadas e não politizadas.

Eu acredito na reação e reconquista de espaços se o nosso lado da classe, a classe trabalhadora, derrotada neste momento de nossa história por uma direita fascista, que ocupou os aparelhos estatais de forma geral e atua com rapidez em extinguir nossos direitos e conquistas e talvez qualquer capacidade nossa de resistência, atacando partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais de jovens e despossuídos de terra e moradia, enfim, acredito na reação e para isso basta cada um de nós, com espíritos semelhantes aos de Kimani Maruge, de Lula e tantos outros como nós mesmos, sentarmos, nos unirmos por uma causa maior, deixar as vaidades de lado, e sair num trabalho organizado e disciplinado de reorganização de nossa classe trabalhadora para derrotarmos os golpistas, bilionários e traidores lesas-pátrias, mantidos a soldo por imperialistas que voltaram a tomar o poder e recolonizar nosso querido Brasil.

William


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Povo sem memória é povo condenado a sofrer


Onde ancorar nossa nau neste mundo da iniquidade?

Terminaram as "eleições" municipais brasileiras neste domingo. Sendo a urna eletrônica um instrumento seguro (seria?), o resultado do escrutínio mostra que o povo desta ex-colônia portuguesa deu permissão para os patrões bilionários e seus representantes levarem adiante a pauta de direita que vai trazer um retrocesso secular para aqueles que dependem da venda da força de trabalho de seus corpos para sobreviver.

Que falta faz ensinar história da luta de classes para os trabalhadores e seus familiares! É tão antigo e tão atual vermos a massa despolitizada sendo guiada para os matadouros através de ferramentas ideológicas bem manuseadas pelos donos de todos os meios de produção, os capitalistas que detêm os capitais, as terras, as armas, os cargos públicos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, a "lei", o circo, as migalhas de pão para distribuir, e nossos corpos a soldo barato, pois com os empregos da terceirização total seremos somente coisas, gado, mantidos somente para manutenção da reposição do exército de reserva.

O povo que conheço tem a memória mais curta que a personagem Dory, do desenho "Procurando Nemo". Segundo parte de meus colegas bancários do BB, ativos e aposentados, o "País está quebrado" e então não temos o que fazer a não ser aceitar a PEC 241 e todas as merdas que os golpistas estão fazendo como entregar a nossa Petrobras e o Pré-sal para os articuladores do golpe contra o Brasil. Povo sem memória. Até o início de 2014, antes da Lava Jato fabricada nos EUA começar a foder as empresas e os empregos no País, além do foco central de tirar o PT do poder e todo o significado disso, estávamos resistindo à crise mundial melhor que qualquer outro país do mundo.

Em pouco menos de quarenta anos, vi o mundo dar uma volta quase completa em torno do eixo político e voltar ao mesmo ponto, com os poucos capitalistas dando todas as cartas no "Tabuleiro de war" chamado Terra.

Quando nasci, meus pais viviam sob o Brasil do AI-5. Estados Unidos financiavam golpes e ditaduras em Nuestra América. Ao mesmo tempo, ao menos um povo bravo enfrentava com brio os americanos: os vietnamitas expulsaram o invasor imperialista de sua casa.

Nos anos setenta e oitenta, cresci num mundo sem liberdade, onde o Estado podia sumir conosco, invadir nossa casa, torturar nossa gente em delegacias (nunca mudou), matar os nossos entes queridos e os veículos de comunicação da elite, que financiaram o golpe junto com os americanos, diziam que trabalhador que lutava contra toda aquela miséria era terrorista, comunista, corrupto (somos corruptos... sempre a mesma lorota). 

Mas tudo ficava bem com o circo que havia. Tínhamos Chacrinha, Silvio Santos, futebol na televisão. Novelas... (não mudou nada, só os nomes... Faustão, Luciano Huck... ainda o Silvio Santos).

Veio a Constituição Cidadã de 1988 e nos garantiu diversos direitos civis, sociais, políticos, trabalhistas, humanos... (que estão sendo desfeitos por hora, por semana)

Anos noventa, depois de uma vida de miséria minha e de milhões de gentes como nós, vimos os governos Collor e FHC destruírem a coisa pública, dando e distribuindo a riqueza de nosso país e as empresas públicas do patrimônio nacional para amigos e para os estrangeiros que cobram os butins do apoio aos golpes lesa-pátria contra o povo brasileiro. Uma pequena elite, vagabunda e sem espírito nacionalista, sempre viveu em céu de brigadeiro no brazil-colônia.

Como a elite tupiniquim não é nacionalista como os árabes, nem é preciso financiar golpes com guerras civis como os imperialistas fizeram nos países árabes, para derrubar os governos nacionais e instalar as empresas americanas de petróleo no local (os países não existem mais). Aqui nossos vira-latas vendem tudo por uns trocados porque nunca foram nacionalistas.

Durante os anos dois mil, tivemos uma ascensão nunca vista em nosso país e nos países de Nuestra América com a eleição de governos de esquerda, ou nacionalistas, ou mais progressistas e populares. Diminuiu a miséria nauseabunda de séculos e séculos para os povos de ex-colônias portuguesas, espanholas, depois sob outros donos, ou seja, a tutela de ingleses e norte-americanos.

Com os novos estilos de golpes parlamentares-jurídicos-midiáticos, voltamos neste instante à condição de antes dos anos dois mil. Eu não concordo em ficar apedrejando com blá blá blá que a culpa é do PT e seus líderes, ou do chavismo, porque é simplista e desonesto o nosso lado da classe trabalhadora ficar realimentando o que a direita fez com propriedade ao organizar a retomada do poder secular. Os erros do PT devem ser analisados sob a ótica da característica do povo em nosso país: aqui não é terra de revolucionários e nosso povo não participa dos embates políticos, sequer como os nossos vizinhos latino-americanos. Fizeram repúblicas ao nosso redor quase um século antes de nós.

Estamos na merda e será difícil sair dela. No meu cálculo de cenário, serão anos e anos de sofrimento e miséria. Mas eu não isento o povo em ser manipulado tão facilmente e docilmente pelas ferramentas ideológicas dos donos do poder secular. Se quisessem, poderiam ser mais politizados e entender como as coisas funcionam no mundo.

Nós poderíamos começar a reação hoje, se a esquerda e os progressistas se unissem com um projeto único e não fossem demasiadamente humanos com seus pecados capitais como o principal deles - a vaidade.

Sem chance para nós neste momento. Na medida em que os golpistas foram avançando, nós da esquerda fomos nos dividindo mais ainda. Preciso que me provem que a esquerda consegue se unir novamente.

Gostaria de saber onde está a maior central sindical do país? E as demais centrais? Onde estão os líderes dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais progressistas? Ninguém sabe, ninguém viu. Onde estão as lideranças dos trabalhadores? Estão todos divididos, estão todos disputando as máquinas e tentando eliminar "adversários" internos enquanto o País vira vinagre.

William


Post Scriptum:

Neste segundo turno, foi a primeira vez que votei nulo em minha vida de cidadão brasileiro. Acho isso triste, nunca quis fazer isso, mas já vivemos em estado de exceção, não há mais democracia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Diário e reflexões - 281016



Flamboyant...
Simples e belo...

Estou em Brasília, Distrito Federal do Brasil.

Cheguei nesta sexta-feira de Maceió, Alagoas, onde estive trabalhando nos últimos dois dias. Confesso que estou cansadíssimo. Apesar de ter chegado antes das oito horas da noite, não tive a menor condição de andar ou correr por causa do prego que estou.

Sentei no sofá para dar um respiro. Saudades da família. Liguei para os meus pais lá em Minas Gerais, distantes de mim mais de 400 km. Depois liguei para minha esposa, que está a 1000 km de distância. Por fim, liguei para meu filho, mais de 700 km de distância e eu não o vejo há quase um mês. Esta tem sido minha vida há muitos anos, desde que assumi tarefas militantes no movimento dos trabalhadores. Lutar por um mundo melhor tem um alto custo pessoal, juro a vocês.

Estou precisando de umas férias... mas não terei descanso nem um respiro nos próximos meses. Semana que vem estarei em Belém do Pará, lutando pela causa da saúde e de nossa Caixa de Assistência, uma autogestão dos bancários do BB.

Não vou me alongar, estou deverás com o olho ardendo e com sono. Estou meio zumbi.


Flamboyant... ainda bem que existem as flores e a natureza...

Nesta semana, alternei momentos sociais de crença no ser humano, como ocorreu na minha agenda de trabalho junto à base social que represento; e momentos de nojo e total descrença no caráter e na ética do ser humano (no mundo intra-paredes), ao saber de certos comportamentos canalhas de pessoas que dão tapinhas nas suas costas em sua presença e tentam te destruir quando você não está presente. Que nojo disso!

Por fim, existem as flores, a beleza da natureza, o carinho de pessoas que respeitam a gente, existem as utopias para nos dar o caminho a seguir. Nós somos militantes e nossas lutas são causas que assumimos. Sigamos no front fazendo o bom combate e deixando as feridas secarem.

Tchau leitores amig@s.

William

Post Scriptum...

No silêncio do lar, não teve como não passar pela minha cabeça a busca do sentido de tudo isso... todo o esforço que fazemos em prol do coletivo, a doação pessoal... e fico lembrando da votação do povo paulista nas eleições de 2 de outubro deste ano, dando mais da metade dos votos válidos para aquele sujeito eleito (um bilionário que caga e anda para o povo e para a cidade) e o prefeito inovador Haddad recebeu 16% de votos. Depois do resultado desse fatídico dia para o povo paulistano, não paro de pensar no sentido de todo esforço que a gente faz em benefício dos trabalhadores para depois fazerem o que eles fizeram na cidade onde nasci...

Vemos e sentimos o gasto de nossa energia, nossa saúde, nosso tempo de vida (curto para tudo que gostaríamos de fazer) e fico pensando o sentido de tudo isso.

O capitalismo e a ideologia dos poucos donos de tudo acabam sempre vencendo porque é mais fácil ser ignorante, viver dopado com as drogas manipuladoras. É bem mais fácil pensar em si que nos outros... 

Nós escolhemos uma profissão de fé meio inglória.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Leituras de J Veiga e o sentimento de saudades



Livro com 3 estórias (1981)

Refeição Cultural

"O professor Santiago, especialista em psicobiologia, propõe a tese arrojada de que a Terra nunca deixou de ser redonda. (Por favor, não riam enquanto não conhecerem a tese do professor Santiago). Segundo ele, a Terra continua redonda como sempre foi. O que aconteceu foi que as pessoas, geração após geração, foram condicionadas desde pequenas a aceitar o dogma de que vivem numa Terra chata; e como só viam formas chatas por toda parte, acabaram se convencendo..." (Quando a Terra era redonda, José J. Veiga - 1981)


Acordei nesta manhã de segunda-feira antes do previsto em meu despertador. Estava amanhecendo e os pássaros já cantavam lá fora. Eu estava sonhando com meu filho ainda garotinho. Eu não o vejo desde o dia 2 de outubro, quando nos encontramos em Osasco para exercermos nossa cidadania e votar nas eleições municipais. Foi o primeiro voto de meu jovem filho. Foi meu primeiro voto em três décadas sem ver finalidade ou efeito prático dele, já que o País está sob Golpe de Estado e o consórcio golpista está na caça do partido em que voto.

Terminei no domingo à noite a leitura do livro de José J. Veiga - De jogos e festas, publicado em 1981. Com este volume, completo a sétima obra lida das dezesseis que pretendo ler.

As três estórias deste livro do início dos anos oitenta foram um pouco diferentes das estórias anteriores. Apesar do fundo ser o mesmo, o estranhamento do novo que chega, nelas temos o convívio com a perda da condição anterior de forma mais clara. Um irmão que morreu; um pai que perdeu a memória; um filho que morreu; família que se foi. 


Coleção J. Veiga sendo lida...

UM MUNDO CHATO

"A não ser que - essa ideia me ocorre agora, por influência de Emílio Sorensen e Urbano Santiago - a Terra seja mesmo redonda desde os primórdios, e ninguém a está vendo chata; todo mundo finge estar acreditando na chatice geral apenas por cansaço e também por preguiça de contestar o que foi decretado"


Uma metáfora fantástica no pequeno conto "Quando a terra era redonda" me chamou bastante a atenção e me lembrou a situação atual pela qual vivemos agora. O mundo não é mais redondo, foi tudo revisto e agora a Terra é chata. Isso foi decretado pelos golpistas e pelos capitalistas donos do mundo.

Essas estórias lidas nessas semanas em que não pude ver a família direito, em que me matei de trabalhar viajando o País e cumprindo aquilo a que me dispus em meu trabalho, e os enredos dessas estórias com seus finais tristes... me deixaram pensativo.


Momento leitura no final do domingo.

Fiquei tentando me lembrar e tive um sentimento de que não vi meu filho crescer desde que virei Secretário de Formação na Contraf-CUT (2009) e depois acumulei a função de coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (depois de 2012) e agora, como gestor da Cassi, passados esses quase oito anos, meu filho mora longe, eu quase não o vejo e isso me deixou incomodado ao me dar conta disso hoje.

A gente passa a vida na militância social, lutando por ideais de um mundo mais justo e solidário, por melhores condições de vida e trabalho de nossa classe trabalhadora, agora estou me matando para lutar pela causa da saúde, a partir da autogestão em saúde que atuo, e na dedicação no front de uma guerra inglória contra o sistema hegemônico, nossa família, nosso tempo e nossa saúde vai embora.

Que coisa isso!

Já deu a hora de banhar e sair correndo para o serviço. Será uma semana política dura em meu trabalho a partir das oito e meia da manhã desta segunda-feira.

Um beijo, meu filho! Sonhei com você nesta noite. Ontem estivemos lendo juntos, sua mãe e eu. Foi legal. Se cuida filhão!

William

domingo, 23 de outubro de 2016

Diário e reflexões - 231016



Amanhecer às 5h da manhã de 22/10 em Jaboatão dos Guararapes PE.
Por minhas agendas de trabalho, só pude ver essa paisagem
pela fresta de 15 cm da janela do hotel. Mas é bonita!
Anoitecer às 19h de 22/10 em Brasília DF. Nossos olhos cansados
tentam ao menos observar esse mundo bonito que há lá fora.


Refeição Cultural

Domingo em Brasília. Pássaros cantam lá fora. Neste mundo brasiliense, a fauna e flora amenizam os dramas humanos. É só olhar e ver a beleza da natureza, é só ouvir e prestar atenção.

Cheguei a Brasília no fim do sábado, vindo de Pernambuco, onde trabalhei por cinco dias em duas agendas diferentes - uma de gestão e contatos com a comunidade BB e Cassi e outra participando de um congresso de autogestões em saúde.


Urutaus camuflados - foto de Caio H. Franco (Wikipedia).

Na noite do sábado, ao ouvir um canto de pássaro noturno muito peculiar, pesquisamos em casa e descobrimos se tratar do urutau, ave fascinante também conhecida como emenda-toco ou mãe-da-lua. Costuma ficar camuflada junto a troncos e tocos de árvores. É possível encontrar essa ave em quase todo o território nacional. Ela passou a noite cantando perto de nossa casa.


Minha vida pessoal praticamente não tem prioridade alguma em nossa agenda de trabalho e militância social na área da saúde. Vivo enfiado em salas fechadas quando estou na burocracia da entidade de saúde que administro e a outra metade do tempo estou nas bases sociais lutando por dar conhecimento e pertencimento a uma comunidade de quase duzentos mil donos de uma autogestão em saúde. 

Em geral, os associados não fazem ideia do que seja a Cassi e muito menos da riqueza que é pertencer a uma estrutura de saúde privada baseada no modelo de Atenção Primária à Saúde. A Caixa de Assistência é vanguarda há duas décadas e mesmo assim sua comunidade assistida não a conhece minimamente.


Lá embaixo, esse nosso mundão
bonito. Ver o mundo sem lembrar
do que os humanos fazem com ele
é bom.

Estou em frangalhos fisicamente. Quebrado. Hoje não posso sair para correr porque meu corpo me avisa que não dá. Isso é preocupante porque daqui a algumas horas, segunda às 8:30h, eu já vou entrar de novo em uma semana extremamente difícil de trabalho com decisões e embates políticos e técnicos que nos consomem ao limite da resistência física e mental. Até nos destrói.

Terei duas reuniões de Diretoria Executiva, sendo a primeira para decidir sobre os rumos da Cassi para os próximos anos, após um Memorando de Entendimento assinado entre o Banco patrocinador do nosso plano de saúde dos trabalhadores e as entidades representativas dos associados.

Esse documento que vamos analisar no âmbito da Cassi nesta segunda 24 finalizou quase dois anos de processo negocial iniciado após 17 de dezembro de 2014, quando nos reunimos com a Comissão de Empresa dos funcionários do BB e pedimos apoio e calendário de lutas das entidades sindicais para defender a Cassi e os associados e seus direitos em saúde. 

(A vida tem dessas coisas... nesta sexta-feira 22, ao final do processo que ajudei a construir, a Contraf-CUT e demais entidades assinaram o acordo final sem sequer eu ser consultado a respeito do documento...)


Além da semana começar com esse tema de relevância para o futuro de nossa Caixa de Assistência, teremos outra reunião de Diretoria Executiva na terça 25 e as reuniões dos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Cassi. E ainda estarei lá em Alagoas na sexta 28 para participar de mais uma Conferência de Saúde no Estado.


Um gestor em saúde e militante social de esquerda num instante
de reflexão em voo de volta para casa. Livro de Hobsbawn na mão.

Pergunto a mim mesmo: onde arrumo tempo para tentar reverter o processo de perda de saúde e condições físicas com uma agenda dessas? Onde consigo tempo para alimentar minha dimensão humana da inteligência e intelectualidade? Quando sobra tempo para o convívio familiar? Quase não vejo mais a própria esposa e filho, os pais, sobrinhos. Nem os amigos.

Mas o mundo que defendemos, menos bárbaro do que aquele que está no horizonte próximo, precisa que cada militante social de esquerda ache energia diária para fazer a sua parte neste mundo de merda e caos que esta fase do capitalismo implanta neste momento em nosso planeta.


"Life's a journey not a destination
And i just can't tell just what tomorrow brings..." (Amazing, Aerosmith)

Sabe o que mais me aflige? Eu não acredito que a vida é determinista, que há um destino para cada um de nós. Como o verso da música, entendo que a vida é uma jornada... e de lutas. E não sabemos o que o amanhã nos trará...

Eu sinto que ao final dessa nossa jornada, quase todo o nosso esforço terá sido em vão. Tenho leitura de cenário bem clara sobre isso na atual quadra da história, mas a gente faz o que tem que ser feito assim mesmo. É como se fosse, ao final, uma destinação da gente (um contra-senso).

William


Post Scriptum:

Então, num repente de esforço sobre-humano, fui para o Eixão após esta postagem, por volta das 15h e com temperatura de 30º, andei 4 km e dei uma leve corrida de 2 km, preocupado com os músculos sensíveis da perna. Valeu.

domingo, 16 de outubro de 2016

Neste momento da história o mal vence e se banaliza


Nós humanos fazemos da vida
 em sociedade uma merda,
mas há a beleza da natureza.

Refeição Cultural

Domingo, saí para caminhar na praia. Preciso cuidar minimamente do corpo que me carrega para enfrentar o que vem de balas e bombas no front da guerra em que me encontro, a guerra de classes.

Não pude deixar de pensar um minuto sequer em tudo que já aconteceu com o golpe contra a democracia brasileira e contra o povo ao qual pertenço e pensar em tudo que vislumbro estar por vir no cenário político e econômico atual enquanto andei mais de uma hora.

Estou seco, estou querendo silêncio. Gostaria até de poder dormir mais e não posso. Meu corpo está cansado.

Na próxima semana e nas outras até o final do ano, tenho uma agenda insana, mas necessária, para defesa da causa que abracei: a Cassi, entidade de saúde dos bancários do BB. 

Vou conjugar até o fim do ano o que já venho fazendo desde que iniciei esta tarefa (revolucionária), enfrentar agendas de reuniões semanais na sede em Brasília, inclusive com debates e embates por causa das negociações a respeito do déficit do plano de saúde dos trabalhadores, com agendas de visitas às bases onde temos atuado incansavelmente para levar informações a respeito da Caixa de Assistência e propor parcerias em defesa da própria Cassi e do modelo assistencial de cuidar dos associados ao longo da vida.

O título desta matéria é uma afirmação dura e verdadeira na opinião deste que aqui escreve aos leitores de nosso Blog.

Eu sei que não posso fazer sequer um texto com tudo o que penso porque, no momento em que nos encontramos, as pessoas não leem nada mais que demore para ler. É o tempo do curto prazo, é o tempo só do momento, do aqui e agora, não há amanhã. É foda.


E apesar de tudo, a natureza
resiste até a nós humanos.

A derrota recente de Fernando Haddad (PT-SP) nas eleições municipais brasileiras foi algo que me colocou num nível de desesperança muito grande. Fiquei dias refletindo a respeito. Nós trabalhadores explorados pelos donos de tudo perdemos; os capitalistas e seus meios de comunicação cartelizados e monopolizados, venceram.

Milhões de pobres e remediados que tiveram suas vidas melhoradas com as políticas implantadas pelo Partido dos Trabalhadores votaram nos bilionários que estão babando para retirar todas as conquistas desses milhões de ex-miseráveis. E esses miseráveis votaram neles.

Eu não tenho mais décadas para esperar ver nascer esperanças de um mundo mais justo e solidário após acabar de ver um golpe de estado e ver nascer o mesmo clima nazifascista que o mundo viveu nos anos 20 e 30 do século XX.

O governo golpista e os 366 desgraçados congressistas que podem votar e aprovar qualquer coisa que quiserem a qualquer minuto nos próximos meses não vão deixar pedra sobre pedra da ex-república Brasil. 

O avanço dos meios de comunicação de massa das últimas décadas criou seres humanos imbecilizados, mais que em qualquer época. Todo o conhecimento do mundo está digitalizado à toa. A referência na vida das pessoas são os meios de comunicação dos bilionários. São corpos marombados e tatuados, status social, dinheiro ganho de qualquer forma, jogos e mundos eletrônicos e virtuais.

As condições de luta dos trabalhadores explorados dos séculos XVIII e XIX foram umas; outras foram as do século XX. Agora também são diferentes. Nunca tivemos um sistema que manipula, engana e direciona com tanta facilidade a própria classe explorada. Fodeu!

Eu não terei saúde para enfrentar por décadas este sistema totalitário e escravizador da rede mundial de computadores, que meus pares progressistas e de esquerda achavam, anos atrás, que viria para derrotar o poder dos poucos donos capitalistas de TV, rádios, jornais e revistas. ERRARAM! Nós perdemos. Visionário foi George Orwell com sua metáfora do Grande Irmão (Big Brother).

Neste momento da história, em nosso país sob novo golpe e nos países do mundo que estão sob ataque dos imperialistas e donos das corporações mundiais das indústrias armamentistas, de óleo e gás, farmacêuticas, das modas e marcas de carro, roupa, tênis e fetiches do tipo, nós povo explorado que precisamos de emprego deles para sobreviver, teríamos que iniciar uma contraofensiva organizada para não virarmos escravos.

Não teremos chances através do processo democrático. Porque não há mais democracia real. Não temos a quem recorrer em termos de instituições do Estado, porque o Estado está tomado e as instituições estão contra nós.

Os jovens precisariam assumir a contraofensiva. Mas quem vai organizar os jovens dispersos e desunidos, juntos a velhos líderes de "esquerda" ou eles mesmos não querendo relação alguma com ninguém da "velha política" e frágeis em si mesmos com seus sonhos e utopias num mundo totalitário dos meios de comunicação de poucos donos de tudo, que eliminam adversários em meses através dos veículos de informação e com apoio dos seus apaniguados nas estruturas do Estado, legislativo, executivo, judiciário e forças policiais, unidos contra os levantes do povo sem armas?

Eu não desisto de minhas missões e tarefas, mas sei do cenário em que estamos enfiados. Se mais da metade do povo brasileiro está entorpecido pelos golpistas e seus meios de comunicação, mais da metade do povo que represento na área da saúde e no banco público que trabalho está com os golpistas que vão nos foder.

Mas eu acordo todos os dias e saio para cumprir minha missão. Como diz o poeta maior Drummond:

"Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
" (Os ombros suportam o mundo)


Sigo a ordem de meu coração e dos votos que carrego, e a confiança que depositaram em mim mais de 30 mil pessoas. E sei que é bem provável que ao final todo o sacrifício não dará em nada. Vejam o Fernando Haddad e a vitória do bilionário desgraçado eleito pelos nossos pares trabalhadores e miseráveis que pouco se lixam para a política que determina a vida deles mesmos.

Chega. Como sempre, a gente acaba escrevendo um monte. Pra quê?

William