domingo, 16 de março de 2025

O nome da rosa: não cuspam nos livros



Refeição Cultural 

Umberto Eco, um grande pensador 


Estou lá no meio do livro, pela edição dos Mestres da Literatura Contemporânea, da Editora Record, e no recomeço, pela edição da Biblioteca Folha. 

Comecei a reler o clássico porque percebi que estava lendo mal.

Como sinto a urgência do instante, preciso dar qualidade a qualquer coisa que decida fazer. 

Das citações da postagem, a lição: não molhem o dedo no cuspe e coloquem o dedo no papel do seu livro, ou de qualquer livro ou material gráfico. 

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Releitura 

Ao reler o começo da história, captei melhor a origem da parceria do noviço beneditino Adso de Melk com o sábio franciscano frei Guilherme de Baskerville, mais ou menos entre 1324 e 1327. (no Prólogo)

O pai do noviço lutava ao lado de Ludovico da Bavaria, que disputava a coroa de imperador de Roma com Frederico de Áustria, derrotado na disputa.

Ludovico representava o grupo que era adversário do papa João XXII, Jacques de Cahors, eleito em Avignon, em 1316. Ludovico foi excomungado por Cahors, o papa.

Teses sobre a igreja de Cristo

"É preciso dizer que, justamente naquele ano, tivera lugar em Perúgia o capítulo dos frades franciscanos, e o geral deles, Michele de Cesena, acolhendo as instâncias dos 'espirituais' (sobre os quais terei ainda ocasião de falar) proclamara como verdade de fé a pobreza de Cristo, que, se tinha possuído coisa com seus apóstolos, Ele a tivera apenas como usus facti..." (p. 21, da edição da Folha)

Local

"Acontece que dobramos para ocidente enquanto nossa meta última ficava a oriente, quase seguindo a linha dos montes que de Pisa leva em direção aos caminhos de San Giacomo, parando numa terra em que os terríveis acontecimentos que lá ocorreram depois me desaconselham a identificar melhor, mas cujos senhores eram fiéis ao império e onde os abades de nossa ordem opunham-se de comum acordo ao papa herege e corrupto. A viagem durou duas semanas, entrecortadas por vários acontecimentos, e nesse tempo tive oportunidade de conhecer (nunca o suficiente, como sempre me convenço) meu novo mestre." (p. 22)

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O CONHECIMENTO HUMANO DEVE SER PRESERVADO EM MEIOS FÍSICOS

"(...) Eis, eu me disse, a grandeza de nossa ordem: durante séculos e séculos homens como esses viram irromper as ordas dos bárbaros, saquear suas abadias, precipitar os reinos em vórtices de fogo, e, no entanto, continuaram a ler à flor dos lábios palavras que eram transmitidas há séculos e que eles, por sua vez, transmitiam aos séculos vindouros. Continuaram a ler e a copiar enquanto se aproximava o milênio, por que não deveriam continuar a fazê-lo agora?" (p. 215)

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"(...) O saber não é como a moeda, que permanece fisicamente íntegra mesmo através das mais infames trocas: ele é antes como um hábito belíssimo, que se consome através do uso e da ostentação. Não é assim de fato o próprio livro, cujas páginas esfarelam-se, as tintas e os ouros se tornam opacos, se muitas mãos o tocam? Bem, estava vendo a pouca distância de mim Pacífico de Tivoli que folheava um volume antigo, cujas folhas estavam como que grudadas umas às outras por causa da umidade. Ele molhava o indicador e o polegar na língua para folhear seu livro, e a cada toque de sua saliva aquelas páginas perdiam em vigor, abri-las queria dizer dobrá-las, oferecê-las à severa ação do ar e da poeira, que teriam roído as sutis veias que no esforço encrespavam o pergaminho, teriam produzido novos mofos lá onde a saliva tinha amolecido e enfraquecido o canto da folha. Como um excesso de doçura torna mole e inábil o guerreiro, este excesso de amor possessivo e curioso predisporia o livro à doença destinada a matá-lo." (p. 217)

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Não cuspam nos livros...

William 


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