Refeição Cultural
Alberto Manguel conta em seu livro Uma história da leitura que por dois anos leu para Jorge Luis Borges já quase cego. Manguel era um jovem vivendo em Buenos Aires nos anos sessenta. Borges disse ao rapaz que sua mãe de 88 anos estava com dificuldades de ler para ele.
Tenho pensado muito esses dias no tio Léo. A situação de meu quadril me faz tentar imaginar o que o tio Léo pensava ou sentia ao perceber que suas pernas começavam a falhar e deixá-lo na mão.
Ouvindo a trilha sonora de Na natureza selvagem, história do jovem "Alex Supertramp", na verdade Chris McCandless, trilha musicada por Eddie Vedder, também fico imaginando em tudo que Chris sentiu e pensou sozinho por meses no Alasca, principalmente quando riscou as últimas palavras no ônibus mágico: "Happiness is only real when shared". Pensei muito nessa mensagem... é verdade!
A foto que está marcando as páginas do livro de Manguel é da minha avozinha Cornélia, mãe do tio Léo e de minha mãe. A vó faleceu já faz alguns anos. Minha vó e o tio Léo, o filho caçula, eram muito apegados à vida.
Borges cego, tio Léo, minha avó, Chris McCandless sozinho no Alasca...
Minha avó caiu num segundo que viu uma oportunidade de andar sozinha quando não tinha ninguém por perto... quebrou o fêmur.
A vida é tudo isso que viveu tio Léo, minha avó, McCandless, Borges... e nós.
William
16/3/25 (2h49)
Muita sensibilidade primo! Penso sempre nas escolhas e resultados deles: Léo, Maria Lúcia, Cornélia, Alice, Jorge tio, Jorge que vos escreve...O caminho é o mesmo para todos, no entanto, as formas são diferentes
ResponderExcluirÉ primo, esses dias tenho pensado muito no tio Léo. Foi foda ver o tio perder a mobilidade... abração!
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