quarta-feira, 13 de março de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 13 de março de 2024. Quarta-feira.


Dias entre coisas amenas e coisas graves...


ESTUDOS SOBRE SAÚDE SUPLEMENTAR

Andei lendo nos últimos dias um livro técnico sobre saúde suplementar. Imagino que poucas pessoas leem um livro desse tipo, inclusive o segmento que trabalhe com saúde suplementar. A vida é muito corrida e provavelmente o tempo das pessoas que estão na fase de venda de suas forças de trabalho seja gasto na correria de fazer coisas automáticas do cotidiano, com pouco tempo para estudo e reflexão. E ainda tem a opção por ficar horas na internet nas horas nas quais as pessoas não estariam trabalhando...

O livro é muito bom na questão de conceitos técnicos sobre a área que descreve e o autor escreve bem. Como sou um homem de esquerda percebi o tempo todo o quão liberal é o autor, defensor incansável do livre mercado, do mercado que se regula sozinho e do quanto deve-se evitar que governos interfiram em mercados. O livro é sobre saúde suplementar e o autor acredita piamente que saúde é uma mercadoria. Tudo bem, isso faz parte da linha hegemônica da sociedade na qual vivo. 

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SAÚDE NÃO É MERCADORIA

Claro que discordo dessa leitura: saúde não é mercadoria. Mas não posso deixar de estudar e conhecer a realidade por causa disso.

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Não vou conseguir terminar a leitura antes de um bate-papo que fui convidado a fazer com gestores e operadores de uma autogestão em saúde nesta semana. Mas depois vou terminar o livro, só tenho a ganhar com a leitura, com a atualização de um conhecimento técnico que adquiri por representar um grande segmento de pessoas quando fui gestor de uma autogestão em saúde. Soma-se a esse conhecimento de sistemas de saúde o fato de eu ter estudado por um tempo áreas de saúde, o que ampliou minha visão sobre o tema.

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POLÍTICA NO BRASIL (CHEIRO DE IMPUNIDADE NO AR)

Vendo a movimentação do mundo da política, eu fico pensando com meus botões o que se poderia ler nas entrelinhas do que é dito e narrado pelos mais diversos segmentos da sociedade e mais diversificados meios de comunicação. O momento histórico da sociedade humana é hegemonizado pela pós-verdade, pela capacidade dos agentes de imporem suas narrativas sejam elas baseadas em fatos e evidências ou pura ficção, mentira, opinião - fake news e desinformação em massa.

Eu estudo um pouco de comunicação, política e história faz umas três décadas, pelo menos. Algumas coisas que a gente vai vendo se repetir ao longo da vida vão ficando chatas, previsíveis e nos fazem avaliar que certas coisas acontecidas não foram acasos, foram planejadas e esperadas pelos agentes envolvidos. A não prisão do genocida que ganhou de presente em 2018 a presidência da república de um dos maiores países do mundo me dá a impressão que é por algum motivo que não querem dizer: querem que ele fuja.

As desculpas são as mais diversas para se adiar a prisão do líder da tentativa de novo golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023 e permanente líder e incentivador de dissolução da frágil democracia brasileira, e as desculpas são defendidas pelos mais diversos segmentos à esquerda, centro e direita. O espectro político ao qual pertenço, a esquerda, está repleto de gente que acha que o criminoso deve ficar solto enquanto durarem as fases intermináveis de investigações e oitivas etc etc. Mesmo enquanto ele e seus "parsas" destroem provas e ameaçam prováveis testemunhas.

Eu tenho a impressão que não querem e não vão prender Bolsonaro. Estão com medo de prenderem o sujeito, é o que leio nas entrelinhas. Medo ou não querem, para contemporizar com a elite golpista.

Estão todos esperando e torcendo para que ele fuja, facilitando a vida dos segmentos políticos e sociais que não pertencem aos seculares círculos do poder real no Brasil - a casa-grande e o entorno comprado por ela nas estruturas do Estado - segmentos que preferem há séculos adiar o confronto armado e definitivo entre a elite canalha e a massa de gente explorada e miserável - afrodescendentes e os demais pobres excluídos dos direitos da cidadania. A esquerda, a intelectualidade progressista, as lideranças de movimentos sociais sabem que novos golpes virão, que a injustiça vai seguir aumentando contra a nossa gente fora do 1%, mas não querem organizar o confronto final entre nós e eles. E assim eles sempre darão novos golpes e novas tomadas de poder na marra. 

REVOLUÇÃO À DIREITA NO BRASIL

Eu tenho uma leitura que o regime liderado por Temer e Bolsonaro, por sete anos, realizou uma revolução, uma revolução conservadora e também reacionária, conservadora no sentido de manutenção absoluta do poder desses segmentos seculares de todas as estruturas do Estado nacional, públicas e privadas, e reacionária no sentido de desfazer as conquistas que haviam sido conquistadas pelas massas e classes subalternas em mais de um século de lutas em todas as áreas da cidadania. 

Bolsonaro, seja um imbecil ou não, um desqualificado ou não, liderou a revolução à direita que desfez nossos direitos políticos, econômicos e sociais e ele não fez nada do que fez "dentro das quatro linhas". Tudo foi na força, na imposição, de forma autoritária e o nosso lado ficou vendo, ameaçando reagir de forma insuficiente e burocrática e chorando pelos cantos.

É o que penso, sinceramente. Espero muito ser uma leitura exagerada e errada. Errar é humano. Ficarei muito feliz se tudo correr conforme deveria correr, os processos acontecerem, os direitos de defesa e as condenações desse criminoso e de sua corja de criminosos de longa data serem respeitados etc, e torço para ver a justiça prevalecer ao final como deveria acontecer com qualquer pessoa. 

NOSSA HISTÓRIA É DE IMPUNIDADE PARA A CASA-GRANDE

Mas a história da impunidade para essa gente da casa-grande fala mais alto no Brasil. 

Aqui só pretos e pobres vão presos e morrem diariamente em penas de morte decretadas pelos capitães do mato fardados, morrem nas mãos da justiça presos sem nunca serem sequer julgados, perdem direitos, vivem na merda... essa é a história da gente da nossa classe, da classe trabalhadora, a gente que tem cor - que tem que justificar a cor! -, gente que tem o alvo desenhado em si desde que nasceu.

Feito o registro de minhas impressões e reflexões do dia.

William


Post Scriptum: é engraçado, pra não dizer que é triste... nesta semana de eleições em uma entidade corporativa que conheço, tem três chapas concorrendo. Em duas delas, tem gente que praticou mentiras e fake news contra mim, e estão por aí livres leves e soltas. As forças políticas das três chapas já se beneficiaram de alguma forma de invenções criadas para assassinar minha honra e história. A política é assim. Não deveria ser, mas é assim.


segunda-feira, 11 de março de 2024

Cuba (IV)


Heróis cubanos: Cuba preserva seu passado.

Refeição Cultural

Osasco, 11 de março de 2024. Segunda-feira.


DIFERENTE DO BRASIL, EM CUBA O GOVERNO FALA DA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA DO PAÍS TODOS OS DIAS!

Cuba e Brasil, Brasil e Cuba. Dois países com histórias seculares de dominação imperialista, dois países com uma violenta história de escravidão dos povos do continente africano, dois países com histórico de extermínio dos povos originários. Cuba e Brasil, países que mexem com o meu coração, com os meus sentimentos.

Até antes do golpe de Estado de 2016 contra a presidenta honesta Dilma Rousseff (PT), mesmo sendo um homem politizado de mais de quarenta anos de idade, eu tinha uma certa inocência política daquela mais comum no movimento organizado e nas pessoas no campo da esquerda, aquela inocência que prefere acreditar que nada de mal vai acontecer ao invés de analisar friamente a realidade e os dados materiais e se preparar para o golpe, a guerra, a morte lutando.

NO BRASIL, ACREDITA-SE DEMAIS NAS "INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS" E ELAS PARTICIPARAM DO GOLPE DE ESTADO EM 1964 E 2016

04/03/16, nas ruas defendendo
o governo Dilma.
 

Meu campo político no Brasil até que lutou contra a nova fase de golpes contra governos democráticos nas Américas e Caribe do último período, ficou nas ruas em pequenos grupos gritando "Não vai ter golpe!", duvidando que fossem prender o Lula, não acreditando que Bolsonaro poderia ser presidente do país. 

Boa parte da esquerda brasileira acreditava e segue apostando que as instituições vão funcionar e que não haverá golpe ou ruptura democrática de novo...

31/03/16, nas ruas contra o golpe,
52 anos depois de 1964.

Eu sigo com a leitura que tenho desde 2022 e 2023 de que nosso governo Lula terá dificuldade de terminar o mandato sem sofrer nova tentativa de golpe de Estado ou algum tipo de atentado contra o próprio presidente Lula. Concordo até com o jornalista Brian Mier (ouvi dele a ideia hoje na TV247) que o governo brasileiro deveria se informar com os governos cubano e venezuelano a respeito de proteção contra golpes e atentados, já que esses governos enfrentam isso com frequência.

17/04/16, nas ruas contra o golpe,
as instituições não funcionaram...

NO BRASIL, A ESQUERDA "PAGA PAU" PRA JUIZ DE DIREITA... ACHO ISSO UM EQUÍVOCO!

As pessoas do meu campo da esquerda até viraram tietes de um certo ministro da Suprema Corte colocado lá pelos traidores da pátria em 2016 e chamam ele por apelido... acho isso ridículo, um absurdo! 

O cara (o juiz apelidado) enfrentou os bolsonaristas em 2022 para salvar a própria pele, a pele deles daquela Corte, que aliás endossou o golpe de 2016 que desgraçou o país e a vida do povo brasileiro e manteve Lula preso numa masmorra por 580 dias. Mas somos assim aqui no Brasil.


EM CUBA, JOSÉ MARTÍ É A REFERÊNCIA, MARTÍ E FIDEL

Estátua de José Martí, em batalha pela
libertação de Cuba do domínio espanhol.

O povo cubano, desde o século 19, sofrendo os mesmos males e violências de todos os povos explorados das Américas e Caribe, se organizou e se rebelou para lutar por sua liberdade e autonomia em 1868, depois mais algumas vezes até 1895, quando morreu em combate uma das figuras intelectuais mais brilhantes que a espécie humana já produziu - José Martí -, e em 1898 os cubanos se libertaram dos espanhóis e já se deram conta de que não haviam se libertado do imperialismo. 


Nova luta de libertação começava, desta vez contra o mais novo império do Norte - os Estados Unidos da América -, que já estendiam suas garras sobre a maior das ilhas das Antilhas, Cuba.

EDUCAÇÃO CUBANA - Na minha opinião, várias coisas separam a história do povo cubano da história do povo brasileiro, a considerar do século 19 adiante: a Educação é uma delas. 

Os ideais martianos de liberdade e autonomia são a base da educação cubana há 150 anos. E após a Revolução, a história e a cultura fazem parte da pedagogia da educação no país.

Quando os jovens liderados por Fidel Castro se organizaram e decidiram que era a hora de enfrentar a ditadura de Fulgencio Batista em 1953 - Batista havia dado um golpe de Estado em 1952 e era bancado pelos Estados Unidos da América -, os jovens cubanos universitários eram martianos. 

Revolución es sentido del momento histórico...

Os jovens estudantes tinham como referência José Martí e a história das lutas de libertação do povo cubano desde o século anterior. E aquele processo de lutas martianas lideradas pelos jovens de 1953 no ataque ao Quartel Moncada culminou com as lutas revolucionários a partir da Sierra Maestra entre 1956 e 1º de janeiro de 1959, quando triunfa a Revolução Cubana.

Patria o muerte!

A HISTÓRIA FAZ PARTE DO COTIDIANO CUBANO

Eu acompanho as notícias de Cuba com mais atenção desde que me preparei para conhecer o país em 2023. É evidente que a forma como faço para ler do Brasil as notícias diárias da Ilha me dá a versão de um lado da história - a do regime socialista - porque leio e ouço os veículos de comunicação do governo cubano e do Partido Comunista Cubano. Mas leio críticas ao regime também, quando leio figuras como Leonardo Padura, escritor cubano importante.

No entanto, para ler e ouvir o outro lado - as versões antirrevolucionárias -, basta olhar o restante da mídia hegemônica e as mídias que os algoritmos das big techs do imperialismo apresentam a todos nós. Sempre será desproporcional a guerra cultural entre a fala da esquerda e ou dos pequenos grupos contrários ao sistema capitalista e as narrativas que falam para bilhões através das mídias do grande capital. 

O ódio à esquerda é o que mais dá likes e monetização para os direitistas e lucro para elas, as big techs.

Museu da Denúncia em Havana, Cuba.

CONHECER E ESTUDAR A HISTÓRIA É ESSENCIAL PARA A LIBERTAÇÃO DO POVO COM PASSADO COLONIAL

Enfim, o tema que me deu vontade de comentar ao refletir sobre os dois países que mexem com o meu coração - Brasil e Cuba - é a questão do momento - os 60 anos do golpe de 1964 no Brasil e os 65 anos da Revolução Cubana em 1959 - sobre falar ou não falar do passado, da história, de acontecimentos que marcaram para sempre a vida de um povo após ideias e fatos que mudaram a história.

No Brasil, o nosso governo decidiu e defende a ideia de que não se deve fazer manifestações e eventos institucionais e ou das principais organizações sociais de nosso campo da esquerda em relação aos 60 anos do golpe de Estado que colocou o país e o povo brasileiro por mais de duas décadas sob uma ditadura violenta, financiada e apoiada pelos Estados Unidos da América e pela elite do país.

Para ser médico revolucionário ou
revolucionário, tem que haver Revolução! (CHE)

Eu considero essa atitude um equívoco do nosso governo neste momento da história. O presidente Lula é a nossa maior liderança política em toda a história do Brasil e eu sei porque o presidente acha melhor contemporizar com as forças conservadoras e de extrema-direita no país, pois Lula sabe que sua correlação de forças é muito aquém do que precisaria para seguir governando e entregando minimamente aquilo que se comprometeu a fazer, e está fazendo, por mais que a comunicação do governo não consiga se sobrepor à comunicação dos inimigos, que têm o suporte das big techs com eles.

Em Cuba, todos os dias - eu disse TODOS OS DIAS - os veículos de comunicação do país trazem matérias, reportagens, efemérides sobre os heróis do povo cubano, sobre datas históricas que mudaram a vida do povo de alguma forma, não há uma escola no país que não tenha o busto ou um quadro destacando a figura de José Martí, Apóstolo da Independência do país, e isso faz toda a diferença na construção de uma mentalidade ativa e altiva do povo cubano desde a mais tenra idade. 

Lançamento do livro de Maria Leite em 2023.

Ao ler o livro da professora Maria Leite - Cuba insurgente: identidade e educação (2023), no qual a especialista apresenta estudos de quatro décadas sobre a pedagogia cubana, fica claro para mim que sem o estudo da história o povo cubano jamais teria resistido até hoje às seis décadas de bloqueio criminoso por parte dos EUA para causar miséria e humilhação ao povo que se negou a ser uma ilha de exploração dos ricos e da máfia estadunidense. Ler sobre o livro aqui.

Fidel Castro e os revolucionários
eram seguidores das ideias de
liberdade de José Martí.

Já estive em Cuba duas vezes, por duas semanas em cada vez que estive lá, e conversando com o povo cubano percebe-se com facilidade que eles têm uma educação com saber histórico anos-luz à frente do saber histórico de nosso povo brasileiro, para o qual sempre foi negada a educação libertadora defendida por Paulo Freire e outras figuras importantes da educação brasileira.

Homenagem a Che Guevara, 
em Santa Clara. O passado faz
parte da história das lutas do povo.

Quando vejo o meu governo defendendo que não falemos sobre a história, sobre a trágica história do golpe de Estado de 1964, que quase se repetiu com sucesso em 8 de janeiro de 2023, com Lula já eleito contra toda uma máquina de dinheiro e fraudes para que Bolsonaro e sua casta de militares e empresários seguissem no poder, quando vejo um equívoco desse em nosso governo, me dá um aperto no coração, uma dor no peito, que não me mata porque me acostumei a isso ao viver entre lutas, vitórias e derrotas por quase três décadas de movimento sindical e político.

José Martí,
Apóstolo da Independência.

Não se pode negar ou esconder o passado, ainda mais quando vivemos uma era onde as falsas narrativas estão vencendo o tempo inteiro porque os meios pelos quais a população mundial tem acesso a informações e desinformações são os meios concentrados das big techs, que fazem parte da guerra cultural mundial do 1% contra os 99%.

Museo de la Denuncia, La Habana.

Viva Cuba e sua aposta na educação e na preservação da história de lutas de seu povo!

Aliás, não deixem de visitar em Havana o Centro Fidel Castro Ruz e o Memorial da Denúncia, são espaços fantásticos de educação e história.

Centro Fidel Castro Ruz, Havana.

E viva o Brasil e o povo brasileiro, viva o presidente Lula, que tenho como a maior figura política de nossa história!

Viva Lula e o povo brasileiro!
Foto: Ricardo Stuckert.

Mas temos que falar e refletir sobre a história para aprender com ela e a partir das referências históricas nos organizarmos para enfrentar os novos desafios pela manutenção dos direitos do povo e pela manutenção de algo que se possa chamar de democracia, não a democracia dos donos do poder econômico, pois isso nunca foi democracia.

William Mendes


Post Scriptum: na minha opinião, o governo Lula está sob ataque organizado da extrema-direita neste momento (guerra híbrida) e acho que Lula tem que ir pra cima e nos chamar para os embates com a direita fascista. A economia cresceu, direitos sociais estão voltando, emprego aumentando e a democracia está sendo exercida. Pra cima deles, Lula!

Post Scriptum II: o texto anterior sobre as viagens a Cuba pode ser lido clicando aqui.


sexta-feira, 8 de março de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 8 de março de 2024. Sexta-feira.


Tentei escrever por mais de uma hora. Não rolou um texto como queria. Deixei pra lá. Minha cabeça estava a mil com um monte de coisas. O texto misturava alhos com bugalhos.

Aí pensei em sair para caminhar. Faço isso quando preciso espairecer as ideias. O céu carregado com nuvens negras me avisava que poderia me pegar no meio de uma tempestade.

Sentei-me de novo em minha máquina de escrever digital e pensei novamente o que poderia registrar, já que sinto necessidade de escrever alguma coisa. Humanos são animais que contam coisas, narram histórias, sentimentos, ideias, que por enquanto leem e escrevem.

Nesses dias ando lendo e escrevendo sobre Cuba, voltei de lá semana passada, estou deglutindo e digerindo informações e impressões a respeito do país que resiste bravamente há mais de seis décadas ao bloqueio econômico assassino do império do norte, bloqueio que vai alcançando o objetivo de causar uma miséria insuportável a 11 milhões de pessoas que optaram por outro modo de organização comunitária: o socialismo.

Tenho uma birra enjoada de pessoas que começam a questionar o regime socialista do povo cubano destacando a dificuldade econômica atual do país... então, tá! Viva a desgraça do capitalismo, da farsa da democracia liberal dos poucos ricos fodendo as multidões de miseráveis "livres" para virarem novos bilionários! 

A maior parte das críticas é de um simplismo que desconsidera o mais básico do básico: foder um povo economicamente é inviabilizar a vida daquele povo, seja no capitalismo, seja no socialismo, seja no regime que for.

Por esses dias, também terei que me dedicar a leitura e atualização de meus conhecimentos a respeito de sistemas e modelos de saúde suplementar porque me pediram para contribuir sobre o tema com uma palestra e eu não teria como negar porque é um compromisso ético que assumi comigo mesmo de passar adiante o que aprendi enquanto era representante da classe trabalhadora. 

Compartilhar conhecimento de forma honesta e gratuita é o mínimo que posso fazer aos meus pares do mundo do trabalho por terem me dado tudo o que tenho hoje.

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

Durante muito tempo, datas importantes para nós do mundo do trabalho eram datas nas quais eu tinha agenda cheia porque pertencia a algum tipo de organização social formalmente. 

Por mais que minha realidade hoje seja outra - sou um cancelado do movimento sindical que ajudei a fortalecer -, o corpo e a mente da gente ficam com o cacoete de seguir achando que a gente deve cumprir aquelas agendas que as organizações sociais definem em dias como hoje, 8 de março.

Aí eu me pergunto: deixo de utilizar meu parco tempo de preparação para falar sobre um tema que estou desatualizado e devo estudar para contribuir de forma satisfatória no evento ao qual me comprometi ou devo ir fazer volume de mais um ser humano na manifestação paulistana do 8 de março na Avenida Paulista? 

Para mim, essa questão sempre foi um dilema, mesmo quando eu tinha mil coisas sob minha responsabilidade em mandatos de representação e me sentia culpado se não fosse às atividades de rua do movimento.

ATO NA PAULISTA 

Enfim, acabei registrando alguma coisa sobre os sentimentos que vão em minha cabeça neste momento.

Vou comer alguma coisa e fazer volume na manifestação do 8 de março. Respeito muito a longa trajetória de lutas das mulheres. Era sobre isso que iria escrever, mas hoje não rolou.

William


Post Scriptum: estive na manifestação do dia internacional das mulheres por cerca de três horas. Choveu bastante. Gostei do ato.

Post Scriptum II: a questão do tempo e das escolhas... eu iria no sábado 9/03 a uma reunião itinerante nas bases do diretório do PT do Butantã, são reuniões nas comunidades para levantar demandas, ouvir as pessoas e organizar politicamente o povo. Vou ter que priorizar meus estudos para o bate-papo sobre autogestão em saúde que farei na semana que vem.


quarta-feira, 6 de março de 2024

Cuba (III)


Frei Betto em Cuba (2024)

Refeição Cultural

Osasco, 6 de março de 2024. Quarta-feira.


Uma das presenças marcantes na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, em Cuba, ocorrida neste mês de fevereiro, foi a de Frei Betto. O intelectual brasileiro tem uma longa história de solidariedade e amizade com Cuba e o povo cubano. Ele é muito querido no país socialista.

Ter estado em uma feira do livro na qual estava presente Frei Betto foi algo marcante. No meu caso específico, aumentou a minha impressão de que sou um homem de sorte, pois ao estar em Cuba com uma amiga do escritor - Telma Araújo -, tive a oportunidade de ouvir duas palestras dele e uma entrevista, além de conversarmos um pouco durante três dias.

Instituto Superior de Relaciones Internacionales
"Raúl Roa García" (ISRI).


Palestra para estudantes de diplomacia

O primeiro contato com essa figura extraordinária foi no Instituto Superior de Relaciones Internacionales "Raúl Roa García" (ISRI), numa palestra que o Frei ministrou para estudantes da carreira diplomática cubana e demais convidados.

O conteúdo da palestra foi inesquecível! Muita aprendizagem. Um conceito belíssimo dito por Frei Betto foi este: "Não tem que tolerar a religião dos outros, tem que respeitar".

Também me marcou o ensinamento de que devemos sempre levar um livro conosco para onde quer que tenhamos que ir, pois mesmo imaginando que não teremos tempo de ler, a gente acaba lendo, e isso fará a diferença em nossas vidas.

Depois o Frei explicou a diferença entre Ética (Universal) e Moral (usos e costumes locais), falou sobre a questão da "Ignorância invencível" e muitos outros conceitos interessantes, inclusive a questão da ética = pathos, e a visão ética de se colocar no lugar dos outros.

Hotel Nacional de Cuba.


Encontro com Frei Betto no Hotel Nacional

Já no segundo encontro com Frei Betto, no Hotel Nacional, ele me presenteou com um livro que havia ganhado e já havia dado uma olhada nele, pois é um livro que fala sobre Cuba e o Frei disse que ao saber que estou estudando a história do país achou que o livro teria mais utilidade comigo. Fomos juntos para a Fortaleza San Carlos de la Cabaña, local da Feira do Livro, pois ele havia convidado Telma para ir de carona consigo.

Foi fácil compreender a doação do livro e o desprendimento do Frei, pois no dia anterior havia ouvido a explicação sobre o desprendimento como uma qualidade nas pessoas. Ernesto Che Guevara e Francisco de Assis foram os exemplos citados na explicação. Francisco de Assis ao fazer a opção pelos artesãos prejudicados pelos teares de seu pai e Che ao abrir mão do conforto e sucesso como herói e ministro de Cuba, e de sua esposa e filhos, para lutar por outros povos explorados, lutar pela revolução mundial.

Talvez depois faça uma postagem com a síntese do que anotei das palestras de Frei Betto aos estudantes da diplomacia cubana e na Feira do Livro.

Frei Betto na 32ª Feira Int. do Livro de Havana.


Palestra de Frei Betto na Feira do Livro de Havana

Num terceiro evento com o Frei Betto, Telma Araújo e eu passamos boa parte do dia com o dominicano. Novamente, pude aprender mais coisas com o mestre ao ouvir uma entrevista dele.

"A pessoa não está navegando na internet, ela está naufragando porque é uma leitura diferente dos livros que têm início, meio e fim" (Frei Betto)

Amigas e amigos leitores, a viagem a Cuba para participar da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana foi uma experiência de provocação intelectual e de muita reflexão. Sempre tive a humildade de confessar minhas imensas lacunas culturais, pois passei boa parte da vida adulta sem tempo para ler tudo que gostaria.

Já estou firme na leitura da biografia
de Frei Betto, com prólogo de Fidel Castro.

Não havia lido ainda um livro de Frei Betto, por exemplo. Mas vejam como nunca é tarde para a leitura e para a busca por novos conhecimentos. Já li o primeiro livro dele ¿Todavía es útil el Marxismo?, que ganhei na Feira do Livro de Havana. 

Aliás, ganhei quatro livros do escritor e vou ler todos eles e comentar aqui no blog, é o mínimo que posso fazer para compartilhar esses novos conhecimentos.

E como os temas e os gostos nos unificam - Cuba, Fidel, Frei Betto, Revolução Cubana, socialismo, leitura de livros, amig@s de esquerda etc - hoje mesmo ganhei um dos livros que mais quero ler de Frei Betto, em espanhol, Fidel e a religião - Conversas com Frei Betto (1985), da amiga e militante Miriam Shibata. Viajamos juntos para Cuba ano passado.

Aliás, falando do grande líder da Revolução Cubana, a biografia de Frei Betto que estou lendo é iniciada com um prólogo dele, Fidel Castro. Um texto pra lá de emocionante!

É isso! Mais uma postagem compartilhando com vocês as novas experiências vividas em Cuba, e convidando cada uma e cada um a conhecer a República Socialista de Cuba e o povo cubano.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior dessa série sobre a minha 2ª viagem a Cuba pode ser lido aqui.


terça-feira, 5 de março de 2024

Cuba (II)




Refeição Cultural

Osasco, 5 de março de 2024. Terça-feira.


A viagem deste ano a Cuba teve como motivo principal a 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, ocorrida entre os dias 15 e 25 de fevereiro, na Fortaleza San Carlos de la Cabaña e em outros pontos da cidade de Havana. Vejam a beleza da fortaleza em algumas fotos que fiz em 2023: aqui.

Fortaleza San Carlos de la Cabaña.

Fui a Havana através de um grupo de brasileiras e brasileiros organizado por Telma Araújo, uma militante do Movimento de Solidariedade a Cuba, e uma organizadora das brigadas brasileiras a Cuba com décadas de experiência. Durante oito dias ficamos no Hotel Copacabana em Havana e viajamos até a cidade de Trinidad, passando um dos dias na cidade de Cienfuegos.

Nosso grupo solidário a Cuba.

Nosso grupo organizado por Telma Araújo esteve em Cuba com o suporte de um pacote organizado pelo Icap - Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos -, e a Amistur é a agência de viagem que nos auxilia durante a estadia no país. Cada um comprou suas passagens de ida e volta, e providenciou a documentação e o restante ficou por conta do pacote. Foi tudo excelente!

Sede do Icap em Havana.

Para vocês terem uma ideia do quanto é recomendável viajar a Cuba por uma alternativa como esta - pacotes organizados pelo Icap/Amistur - no valor que se paga (cerca de mil dólares) estão incluídas todas as refeições - café, almoço e janta -, hospedagens em hotéis, e também os traslados para todos os eventos e lugares, a busca e o retorno ao aeroporto. Neste pacote, tivemos crachás para entrada livre na Feira do livro e em todos os eventos ligados a ela.

Sede da Amistur em Havana.

Amistur - Misión: Captar y emitir hacia Cuba visitantes, grupos de turismo sociopolíticos y brigadas de solidariedad procedentes de todo el mundo, a través del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, Asociaciones de Amistad y la red de turoperadores de la Agencia, para mostrar directamente la realidad cubana, brindándoles un servicio receptivo de excelencia y una asistencia personalizada, que garanticen su más alta satisfacción, con el máximo de eficiencia, alcanzando un crecimiento sostenido de la operación del destino Cuba.

Hotel Copacabana: área das piscinas.

Quero registrar a vocês que a experiência deste ano se soma à experiência do ano passado, e ambas foram muito satisfatórias e não tivemos nenhum contratempo durante as duas semanas em Cuba. Em 2023, o passeio foi bastante diferente. Ficamos em casas de famílias cubanas - nossa base para tudo foi a Casa de Isabel - e com as informações e suporte da professora Maria Leite, grande intelectual e estudiosa sobre a pedagogia e a história de Cuba.

Casa de Isabel, ao lado do Capitólio.

Ou seja, posso dar o testemunho a vocês, amigas e amigos do blog, que são várias as maneiras de realizar o sonho de conhecer Cuba e o povo cubano, um povo alegre, inteligente e criativo, que ousou enfrentar os imperialismos desde o período colonial e ainda hoje luta com dignidade e criatividade para solucionarem os problemas da Ilha, que sofre há mais de seis décadas um embargo econômico criminoso e assassino por parte dos Estados Unidos da América.

Com Isabel, Luis e Telma.

Após o período do pacote do Icap/Amistur com todas as facilidades para passarmos 8 dias em Cuba com foco na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana, fiquei mais alguns dias na Casa de Isabel, onde sempre os brasileiros e brasileiras são acolhidos com carinho e têm à disposição o apoio logístico de Isabel e Luis para fazer passeios e viagens por toda a Ilha.

Palestra de Maria Leite sobre
o livro Cuba Insurgente.

O pacote que fizemos era até o dia 22 de fevereiro e como a Feira do Livro iria até o dia 25, pude aproveitar até o último dia as atrações diversas que faziam parte do evento cultural. Foi assim que pude ver apresentações musicais em teatros ao longo do período em Havana.

Frei Betto e Ailton Krenak.

Nas próximas postagens, vou contando um pouco a vocês as experiências extraordinárias de estar ao lado e acompanhar eventos com intelectuais brasileiras e brasileiros como Conceição Evaristo, Frei Betto, Ailton Krenak, Emicida e a professora Maria Leite, cujo livro Cuba Insurgente: identidade e educação (2023) foi um dos materiais que mais me ensinaram sobre Cuba até o momento.

Conceição Evaristo e Emicida.

Abraços e não percam tempo, se desejam conhecer Cuba, organizem suas viagens para lá. As experiências que trazemos de lá são diferentes das que estamos acostumados ao visitar outros países capitalistas como o nosso.

William Mendes


Post Scriptum: o primeiro texto desta nova série sobre Cuba pode ser lido aqui.


segunda-feira, 4 de março de 2024

Vendo filmes (XIV)



Refeição Cultural

Caminhos e veredas na eterna busca pela liberdade


Quem não está em busca da tão sonhada liberdade? Eu estou.

Ainda hoje sigo tentando me libertar do sofrimento que sinto pelo cancelamento e desprezo por parte da entidade sindical para a qual dediquei minha vida. 

O conceito de liberdade ou libertação é amplo, aberto, difuso. No momento, gostaria de me libertar do sofrimento que ainda sinto por questões de relação política e sindical. Não consegui apagar meus sentimentos não correspondidos pelo movimento ao qual fiz parte a maior parte de minha vida. Tenho avaliado que esse sofrimento é causado por vaidade. Ou seja, ainda não consegui me libertar da vaidade, esse pecado capital que dizem ser o preferido do Diabo para tentar os pobres mortais. Ainda não consegui me libertar...

Os três filmes que vi recentemente têm de alguma forma a questão da liberdade como pano de fundo. Se não têm de maneira formal, eu posso fazer a ligação com o tema usando a capacidade que os escritores devem ter de completar as lacunas que faltam numa história qualquer. Afinal de contas, quando a gente conta alguma coisa e não conhece tudo sobre ela - e ninguém conhece toda a história das coisas - a gente pode inventar um pouco, preencher as lacunas. Isso é ficção. Isso somos nós, humanos, animais que contam coisas. Ficção não é mentira, ficção é criação e arte, quando se deixa isso claro, quando não se conta ficção como se verdade fosse.

O primeiro filme é sobre um roteirista que gostaria de ser escritor. Viajando por Paris, ele tem a oportunidade de se libertar de um destino mais ou menos programado e daí temos um filme encantador. Adorei o filme de Woody Allen "Meia-noite em Paris" (2011).

O segundo filme é pesado, mas é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos sobre Batman. A ficção poderia ser considerada um filme sobre o Coringa, extraordinária interpretação do jovem Heath Ledger. A estória é sobre a busca da comunidade de Gothan City pela liberdade, pela libertação do povo do crime organizado, que tomou conta da cidade. Cara, como não gosto de filmes de super-heróis, me surpreendi!

O terceiro filme é a pura busca pela liberdade, pela libertação daquilo que a pessoa nem sabe direito o que é, mas quer se libertar daquilo que vai dentro dela. E cada um busca de sua maneira as formas de se encontrar, de se libertar de algo que vai n'alma. O filme "Livre" tem esse enredo. Se eu parar para pensar, minhas longas caminhadas há décadas têm um pouco dessa forma de busca por autoconhecimento e libertação de algo que queima dentro e não sabemos como nos livrar daquilo.

Enfim, gostei dos filmes que cito abaixo, vistos em contextos distintos, em casa por escolha aleatória, num voo atravessando o continente e num horário de jogo de futebol para não sofrer com os gritos da vizinhança (risos).

Todos os caminhos e veredas levam a destinos procurados ou ignorados. Seguimos caminhando. Sigo buscando a liberdade.

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FILMES

Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) - Direção: Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams e um elenco de excelentes atores e atrizes. Sinopse: Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores e artistas das primeiras décadas do século XX, gostaria de ser um escritor, mas acabou se tornando um roteirista de sucesso em Hollywood, o que lhe traz certa frustração. Por acaso, acaba indo a Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e lá Gil volta a se questionar sobre os rumos de sua vida.

COMENTÁRIO: Eu quase não conheço os filmes de Woody Allen. Esse filme fez sucesso e me lembro de me sugerirem vê-lo à época. Pois é, só agora fui conhecer a estória. Adorei! No enredo, Allen nos coloca em contato com diversas personalidades daquela época e o filme é muito divertido. Imaginem se eu não fiquei encantado com Ernest Hemingway (Corey Stoll)! É um filme leve, que nos apresenta de forma elogiosa a cidade de Paris e o personagem principal, Gil, se verá numa condição de decidir sobre seguir o roteiro definido para sua vida ou alterá-lo encarando alguma nova vereda que se apresente a ele.

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Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) - Direção: Christopher Nolan. Com Christian Bale no papel de Bruce Wayne/Batman, Heath Ledger no papel do Coringa. O filme tem um super elenco que inclui Morgan Freeman, Gary Oldman, Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas-caras, Michael Cane como o mordomo e Maggie Gyllenhaal como Rachel Dawes, amiga de infância de Bruce Wayne e uma das poucas pessoas que sabe quem é o Batman. 

Sinopse: O filme é uma continuação de Batman Begins (2005). Após o surgimento de Batman, os criminosos de Gothan City passaram a ter dificuldades para dominarem a cidade. Com a ajuda do tenente Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. É neste cenário que aparece um novo criminoso mascarado, o Coringa, que se oferece aos criminosos para eliminar Batman.

COMENTÁRIO: Não tenho muita afinidade com filmes de super-heróis. Estava em um voo de várias horas e, apesar de cansado, decidi escolher um filme para ver. Era a oportunidade de assistir ao famoso Batman, de Nolan. Amig@s, que filme! Nem vi passar o tempo de duas horas e meia de filme. Cenas icônicas do início ao fim! Eu já estava fascinado com o Coringa, de Joaquin Phoenix (2019), e então conheço o famoso Coringa interpretado por Heath Ledger. Cara, ele rouba a cena do herói no filme! Olha, não fiquei tão interessado em conhecer as outras versões de Batman, mas quero ver as outras interpretações do personagem Coringa, a começar pela de Jack Nicholson.

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Livre (Wild, 2014) - Direção: Jean-Marc Vallée. Com Reese Witherspoon. Sinopse: Cheryl Strayed vive momento conturbado em sua vida após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de drogas e promiscuidade. Para se libertar dessa bad toda, ela decide fazer uma imersão na natureza selvagem e parte para uma trilha gigantesca de milhares de quilômetros pela costa do Pacífico nos Estados Unidos.

COMENTÁRIO: Fiquei dias vendo esse filme disponível na Netflix. Me lembro de quando meu filho chegou em casa com o livro no qual o filme é baseado. A história de Cheryl Strayed me chamou a atenção porque essa temática das longas caminhadas faz parte da minha vida desde sempre. Para se ter uma ideia, sempre que o coração aperta, que algo me faz mal e me deixa nervoso ou irritado, a primeira solução é sair e caminhar, caminhar até cansar, até esgotar o que vai queimando por dentro. Não li o livro do meu filho, mas assisti ao filme com Reese Witherspoon. Gostei da interpretação e da história. Evidente que não recomendaria isso para ninguém (essas porraloquices). Mesmo sendo um andarilho, não recomendaria para ninguém essas longas caminhadas.

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É isso! Essas foram as reflexões a partir de filmes que vi recentemente.

Caso haja interesse de ver outras postagens desse tema, é só clicar aqui e ver a anterior.

Abraços e vejam filmes!

William Mendes


domingo, 3 de março de 2024

Cuba (I)


Minha solidariedade a Cuba e ao povo cubano.

Refeição Cultural

Osasco, 3 de março de 2024. Domingo.


Voltei de Cuba faz poucos dias. Foi minha segunda visita à República Socialista de Cuba, a maior das ilhas do Caribe. Da mesma forma que ocorreu em minha primeira visita à ilha, a viagem foi tranquila, sem imprevistos, agradável e de muita aprendizagem. Voltei muito pensativo e até agora não me senti preparado para escrever um pouco a respeito de minhas impressões e sentimentos sobre a experiência de passar mais quinze dias no país socialista.

Ano passado, em minha primeira visita a Cuba, voltei com sentimentos complexos que me faziam refletir bastante sobre o contato com o país socialista e com o povo cubano. Ao mesmo tempo em que sentia uma alegria imensa por ter conhecido um país e um povo referências para nós do campo da esquerda e que lutam contra o imperialismo (e ou capitalismo?), sentia também um aperto enorme no coração porque fiquei com a impressão que o país não resistiria muito tempo mais ao bloqueio econômico assassino imposto pelo império do norte.

Nesta segunda visita a Cuba, com programação diferente da primeira vez, com contatos e experiências novas e complementares, voltei com os mesmos sentimentos complexos até para escrever a respeito. 

Quero contar as novas sensações que experimentei e quero falar também do aperto no peito ao sentir que as dificuldades impostas ao povo por parte das centenas de medidas norte-americanas contra o país para causar miséria extrema estão surtindo efeito e, se nada for alterado, temo pela continuidade das conquistas da Revolução e libertação do povo em 1º/jan/1959. 

Só para se ter uma ideia, mesmo variando as fontes, estima-se que mais de 600 mil pessoas deixaram a ilha nos últimos anos (Cuba tem 11 milhões de cubanas e cubanos). É o maior êxodo desde 1959. O objetivo dos Estados Unidos é justamente esse: inviabilizar de qualquer forma a vida e a felicidade de um povo que escolheu outra forma de organizar a sociedade, sem ser a forma de exploração capitalista de uns sobre os outros.

Li entre ontem e hoje, três reportagens de jornalistas brasileiros que abordaram de forma séria e sem esculhambação, na minha opinião, a questão da crise econômica que tem dificultado a vida do regime socialista e do povo cubano, crise que tem o bloqueio de mais de seis décadas como motivo principal, mas que alguns analistas atribuem também a outros fatores - climáticos, a pandemia de Covid-19, etc - a crise na qual se encontra a economia do país.

Os artigos que li são do jornalista Jamil Chade, que entrevistou inclusive o escritor Leonardo Padura para fazer suas reportagens "Cuba vive maior êxodo desde a revolução" e a entrevista em si.  E li um texto de Mario Sergio Conti: "Cuba sem futuro à vista".


Enfim, espero poder aos poucos compartilhar as experiências maravilhosas que vivi nestas duas semanas em Cuba, experiências que incluem a participação na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana - e os contatos com intelectuais brasileir@s como Frei Betto, Conceição Evaristo, Ailton Krenak e Emicida -, apresentações musicais, visitas a organizações sociais que cuidam de crianças e a um Comitê de Defesa da Revolução.

A preocupação com os riscos à experiência socialista empreendida pelo povo cubano é mais por leitura de mundo que tenho, pela experiência de quem atuou na política e na organização da classe trabalhadora por décadas.


TRINCHEIRAS DE IDEIAS VALEM MAIS QUE TRINCHEIRAS DE PEDRA

Começamos assim as reflexões sobre Cuba. Meu compromisso neste blog é o que as leitoras e leitores já conhecem, é escrever fatos e opiniões de forma sincera e honesta.

Viva Cuba e viva o povo cubano! Toda a minha solidariedade a Cuba! Lutemos pelo fim do bloqueio criminoso dos Estados Unidos!

Viva a Revolução Socialista!

Abraços,

William Mendes


Post Scriptum: a postagem anterior sobre a primeira viagem a Cuba, pode ser lida aqui. A sequência dos relatos sobre esta viagem está disponível aqui.


sábado, 2 de março de 2024

José Martí: O Apóstolo da Independência de Cuba

 


Refeição Cultural

Nesta entrevista que fiz com o senhor Luis Caballero, um cubano revolucionário e historiador, ele nos conta a história de José Martí, figura humana extraordinária, e Apóstolo da Independência de Cuba, e acabamos por conhecer a própria história do povo cubano, um povo criativo e altivo, com amor-próprio e um espírito de liberdade que incomoda os imperialismos há séculos.

Estive pela segunda vez em Cuba e, a cada visita, mais fico interessado em estudar e conhecer a história desse povo rebelde e amoroso, que só quer viver a vida do jeito que eles mesmos definirem, sem a interferência impositiva de outras culturas como fizeram e fazem os países centrais do capitalismo.

O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há 63 anos é um bloqueio assassino, de lesa-humanidade, e o mundo assiste a isso da mesma forma que assiste hoje ao genocídio do povo palestino por parte do governo sionista do Estado de Israel. O mundo e os povos precisam de paz, precisam de uma nova forma de relação entre as sociedades humanas e o próprio planeta Terra.

Além das dificuldades econômicas e sociais que Cuba enfrenta de falta de gêneros básicos à vida no século XXI por causa do bloqueio do império norte-americano, o país enfrenta consequências sérias da emergência climática por estar em uma região do planeta que sofre com tufões e furacões, calor extremo e todas essas questões climáticas afetam diretamente a manutenção das condições de vida na ilha.

Enfim, ouçam o senhor Luis falando um pouco da história de Martí e do povo cubano, história que está interligada com a história de Cuba, tanto a Cuba colônia espanhola quanto a Cuba revolucionária de Fidel Castro e os demais revolucionários, que antes de serem socialistas, eram martianos.

Nosso entrevistado fala o espanhol cubano e com um pouco de atenção é possível a compreensão porque o senhor Luis mantem contato com o povo brasileiro há muito tempo.

William Mendes