sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Leituras sobre Chris McCandless e Tolstói




Refeição Cultural


Ontem, terminei a leitura do livro de Krakauer sobre a aventura de Alexander Supertramp, ou seja, McCandless, o jovem da história "Na natureza selvagem".

Continuo ouvindo a trilha sonora do filme na voz de Eddie Vedder todos os dias.

Fiquei pensando nos livros que ele leu e carregou por suas andanças. Comprei hoje e estou terminando o romance de Tolstói "A morte de Ivan Ilitch", na tradução de Boris Schnaiderman, pela Editora 34.

Tudo bem! Também estou tentando me preparar para a difícil prova de Morfologia que farei em breve (o mesmo que física quântica pra mim).

Também tenho a matéria de Filologia pra fazer um trabalho nos próximos dias.

Estou focando meu objetivo de estar no início de minha caminhada na Espanha em maio do ano que vem.

William


POST SCRIPTUM (2014)

Pois é, a vida e suas surpresas... eu tive que abortar a minha peregrinação no Caminho de Compostela pela 2ª vez. Quem sabe um dia eu a faça... (enquanto isso, vou fazendo a minha caminhada em MG todo ano como fiz novamente em 2014, onde tive a grata surpresa de fazê-la na companhia de meu filho)

As matérias da faculdade em questão foram finalizadas bem. Só descobri agora que o sistema da FFLCH acusa que devo uma matéria de Literatura Portuguesa para completar as duas grades - Português e Espanhol... é mole?

Estou a ouvir José Saramago em uma entrevista em Portugal




Essa é uma das maravilhas da tecnologia moderna. Permitir que eu possa, nesse momento, em minha casa, aos 31 minutos da madrugada, ouvir à entrevista de Saramago ao Rádio Clube Português. É fantástico!! 

Post Scriptum (10/6/21):

Havia um link que não existe mais. Esse é um dos problemas da geração de conhecimento humano na internet: depois de um tempo ele não existe mais. É fundamental a impressão e guarda de conhecimento humano em papel, livros, documentos físicos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vocábulos formais e análise mórfica (2)




Vamos lá! 

Na questão dos vocábulos formais temos as formas livres, presas e dependentes: 

FORMAS LIVRES: constituem uma sequência que pode funcionar isoladamente como comunicação suficiente. Ex.: luz, proscrever, cachorro. 

FORMAS PRESAS: sequência que só funciona ligada a outra(s). Ex.: o 'pro' de proscrever; o 'in' de infeliz; etc. 

FORMAS DEPENDENTES: é uma forma que não é livre, porque não pode funcionar isoladamente como comunicação suficiente, mas também não é presa, porque pode se disjungir da forma livre a que está ligada. 

Ex.: o artigo 'a' em "a lei" porque pode-se intercalar mais vocábulos entre eles, ou seja, "a grandiosa lei". 

Também é possível alternar a posição da forma dependente em relação a forma livre (o que não ocorre com a forma presa). É o caso dos pronomes átonos junto aos verbos. Ex.: "fala-se" pode ocorrer na forma "se fala". 

"São por isso vocábulos formais, porque são formas dependentes, em português, as partículas proclíticas átonas, como o artigo, as preposições, a partícula QUE e outras mais. São-no igualmente, como acabamos de ver, as variações pronominais átonas junto ao verbo, em vista de poderem ficar com ele em próclise ou em ênclise." 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

O vocábulo formal e a análise mórfica




O que vem a ser um vocábulo formal?

Na escrita, se entende por vocábulo o conjunto de letras que fica entre dois espaços em branco. Essa praxe não funciona em se tratando de língua oral. A língua escrita não tem em vista o vocábulo fonológico e sim o vocábulo mórfico ou formal.

Na língua oral temos duas entidades: o vocábulo fonológico e o vocábulo formal ou mórfico.

E o que é um vocábulo fonológico?

É o que corresponde a uma divisão espontânea na cadeia da emissão vocal.

E o vocábulo mórfico ou formal?

É quando um segmento fônico se individualiza em função de um significado específico que lhe é atribuído na língua.

Há certa correspondência entre as duas entidades, mas elas não coincidem sempre e rigorosamente.

Na língua oral as pausas marcam uma divisão acima dos vocábulos, que é a dos GRUPOS DE FORÇA. A verdadeira marca de delimitação vocabular é a PAUSA PROSÓDICA.

Veja alguns exemplos das descrições acima:

FALASSE = 1 vocábulo fonológico e 1 vocábulo formal.
FALA-SE = 1 vocábulo fonológico e 2 vocábulos formais.

GUARDA-CHUVA = 2 unidades fonológicas MAS único vocábulo formal.

MÉDICI (presidente) = 1 vocábulo formal e 1 vocábulo fonológico.
MEDE-SE = é o mesmo vocábulo fonológico acima, mas são 2 vocábulos formais.


O VOCÁBULO FORMAL ou MÓRFICO é a unidade onde não é possível nova divisão em duas ou mais formas livres.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso:

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.
.Problemas de Linguística Descritiva, 8ª edição, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1976.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Morfologia - Classes de Palavras




Comentário do blog:

Qualquer erro conceitual ou de interpretação da aula é de minha responsabilidade e não do professor. Eu quis compartilhar o que aprendi. O curso do prof. Emílio usou como referência muitas lições do filólogo e linguista Mattoso Câmara.

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Aulas do prof. Emílio Pagotto (FFLCH - USP)

4ª atividade - Classes de Palavras

1) As definições abaixo foram extraídas do livro Curso Prático de Gramática, de Ernani Terra (São Paulo, Ed. Scipione, 1991). Examine-as e aponte os critérios de análise gramatical empregados. Procure justificar sua resposta.

SUBSTANTIVO é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá nome aos seres em geral. São portanto substantivos:

a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares;
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres. (p. 62)

ADJETIVO é a palavra variável em gênero, número e grau, que caracteriza o substantivo indicando-lhe qualidade, estado, modo de ser ou aspecto. (p. 79)

PRONOME é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que representa ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.

CLASSIFICAÇÃO DOS PRONOMES

Há em português seis espécies de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, relativos, interrogativos. (p. 102)

ADVÉRBIO é a palavra invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou ainda outro advérbio, exprimindo determinada circunstância. (p. 173)


2) Tome o seguinte conjunto de dados e explique que tipo de problemas eles colocam para cada uma das definições acima:

a) porta portão casa casebre casinha casarão

- porta grande (grau aumentativo analítico, segundo a mesma gramática)


Em um sistema de definição de classes de palavras é importante que uma característica exclua outra.

Adjetivo e advérbio: palavras que modificam
Substantivo e verbos: palavras que são modificadas


Existe uma ausência de hierarquia de critérios para diferenciar as classes de palavras.

Aqui já temos um problema de definição em dizer que o substantivo varia em grau.

a) porta portão casa casebre casinha casarão

Tem variação de grau. MAS não é flexão. É VARIAÇÃO porque os sentidos semânticos são diferentes.

O substantivo é passível de variação, mas não são todas as palavras que variam.

"porta" e "portão" são palavras com sentidos e usos semânticos diferentes. São dois VOCÁBULOS LÉXICAIS.

"porta grande" NÃO É FLEXÃO DE GRAU! É um processo sintático. (segundo Mattoso)


b) Esta casa é mais bonita que aquela (grau comparativo de superioridade, segundo a mesma gramática)

Não é grau. Muito menos processo morfológico. É SINTÁTICO.


c) A cidade ficou muito bonita (grau superlativo absoluto analítico, segundo a mesma gramática)

Idem ao anterior. O grau não é processo morfológico.


d) Aqueles carros de portas azuis são muito caros. Eles têm grandes admiradores.

Encontrei algumas pessoas que me mostraram outras provas.

O pronome ELES não está substituindo só a palavra "carros" (substantivo). Está substituindo o sintagma nominal inteiro.

ELES [aqueles carros de portas azuis]


Observações do professor:

O ARTIGO é o limite do sintagma à esquerda. Exemplo: os meus três amigos doidos...

O PRONOME pode substituir o sintagma inteiro e não só palavras.

na letra d) AQUELES pode ser substituído por OS.

Podemos dizer que são da mesma classe aqui, pois onde cabe um cabe outro E os dois não podem ser usados juntos. [os aqueles; aqueles os]


Fim da aula

Morfologia do Português




OBJETIVOS:

-descrever o funcionamento do componente morfológico da gramática do português.

-discutir os problemas de análise da morfologia do português.

-analisar a morfologia do português a partir de seu aspecto histórico e variacional.

PROGRAMA RESUMIDO:

Identificação e classificação dos morfemas.

-Flexão: descrição e história.

-Derivação.


Estatuto Categorial das classes de palavras.

Programa:

1. Morfemas do português
2. Classes de palavras
3. Flexão nominal
4. Flexão verbal
5. Formação de palavras
5.1. Derivação
5.2. Composição
5.3. Outros processos
6. Formação histórica do léxico
7. Criação lexical contemporânea

A base de nosso curso tem sido os textos dos livros do professor Joaquim Mattoso Câmara Jr.


.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.
.Problemas de Linguística Descritiva, 8a edição, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1976.

Alongamento pode causar perda de força, diz pesquisa




A ideia de que o alongamento antes da atividade física é benéfico ao desempenho sofreu mais um golpe. Um estudo da Universidade de Nevada (EUA) mostrou que os exercícios para alongar mais utilizados, chamados estáticos, além de não garantirem a prevenção de lesões, causam perda de força nos membros inferiores. 

Publicado na edição de setembro do periódico "Journal of Strength and Conditioning Research", o estudo foi feito com atletas de alto desempenho. Divididos em grupos, os participantes realizaram alongamentos estáticos (extensão de um grupo muscular mantida por 20 a 30 segundos), alongamentos dinâmicos (extensão de grupos musculares em sentidos opostos em movimentos contínuos) e nenhum tipo de alongamento. Em seguida, realizaram exercícios de salto e flexão do joelho. Com um aparelho, foi medida a força muscular nas pernas. 

O grupo que fez alongamento estático apresentou maior perda de força muscular; em menor grau, os que fizeram o alongamento dinâmico também perderam força nas pernas, algo que não aconteceu com os participantes que não realizaram nenhum exercício para alongar os músculos. 

É a pedra de cal para a indicação do alongamento pré-exercício? Ainda não. Bill Holcomb, um dos autores do estudo, diz que aumentar a flexibilidade é importante para reduzir lesões, mas que os alongamentos estáticos devem ser feitos depois --e não antes-- do exercício. 

Holcomb também sugere uma alternativa pré-exercício: atividades para aquecer o corpo todo (como realizar um trote leve) combinadas com movimentos do alongamento dinâmico por um curto espaço de tempo (cerca de dez minutos). Porém, para atividades que exigem o uso máximo da força muscular (como salto em distância), ele desaconselha qualquer alongamento. 

O esquema proposto é sustentado por outro estudo, dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA. Apresentada em julho, a pesquisa, com 1.435 atletas de futebol feminino, mostrou que a realização de aquecimento combinado a alongamentos dinâmicos reduziu quase à metade as lesões de joelhos. 

Polêmica 

Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Universidade Federal de São Paulo, acredita que estudos como o que mostra perda de força muscular podem ser válidos para atletas de alto desempenho, mas não teriam grande influência para esportistas amadores. 

Para ele, é importante ressaltar o papel do aquecimento antes do alongamento. Embora preconizado por especialistas e professores de educação física, são poucos os praticantes que seguem a recomendação. 

"Aumentar a temperatura corpórea é necessário para produzir energia para a contração muscular e promover uma redistribuição do fluxo sanguíneo, privilegiando os músculos que serão utilizados", diz. 

Zogaib também considera controverso o alongamento dinâmico. "Os movimentos ativam todas as estruturas musculares, deixando-as de uma forma mais próxima da que o corpo vai usar na atividade seguinte. Porém, como opõem extensões com contrações, aumentam o risco de lesão se não forem feitos corretamente." 

Ricardo Munir Nahas, diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, considera que o alongamento dinâmico pode ser arriscado e deve ser praticado sob supervisão por quem tem pouca experiência. O mais importante, para ele, é manter o bom senso. "Alongar não dói. Se isso acontecer, é porque a pessoa está na posição errada ou ultrapassando os limites." 

Mara Patrícia Traina Chacon-Mikahil, professora de educação física da Universidade Estadual de Campinas, acha o alongamento dinâmico interessante quando prepara o corpo para uma atividade que combine extensões e contrações de grupos musculares opostos, como vôlei ou futebol. "A vantagem é possibilitar uma ativação neuromuscular ao mesmo tempo em que ajuda a promover o aumento do metabolismo, preparando melhor o corpo para o esforço." 

Fonte: bol notícias/Folha on line

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vou dar um jeito de ir em maio pra Espanha



Eu vou sentar o pé em tudo e firmar o pé na estrada o ano que vem e fazer essa caminhada sozinho por cerca de 30 dias. EU e EU. Pensar na vida.

Andar, andar, fazer caminhos já feitos.

Quero fazer caminhos dentro da minha cabeça. Fazer uma trilha que me leve para um objetivo qualquer onde eu não sufoque.

EU VOU!

It's settled!


Post Scriptum (12/12/15):

Eu acabei não indo como planejado à Espanha para o Caminho, mas meus caminhos me levaram à Espanha a trabalho no mesmo ano que programei. Em 2009, fui para um curso na OIT na Itália e na Espanha. Fiquei uma semana em Madri e visitei a antiga cidade de Toledo, na região de Castilha/La Mancha.

O Caminho... quem sabe um dia.

Prova de Filologia - Momentos de frustração


O Grito - Edvard Munch (litografia)

Refeição Cultural

Qual é o excremento de minha digestão cultural do último fim de semana?

É a merda da prova de Filologia que acabei de fazer na faculdade.

Tanto li sobre a tal matéria que acabei sabendo um pouquinho sobre o que trata a Filologia, conceito amplo e restrito, qual o objeto da matéria e alguns princípios da mesma.

Aí chega a tal da prova de 5 questões, sendo uma delas sobre dois autores dos quais não vi em nenhum dos textos que li - e olha que li umas trocentas páginas. Questão em branco.

Veja se tem cabimento um cara da minha idade (estudante retardado/retardatário), já estudando há uns 7 anos o tal curso de Letras e - não me vejo mais como professor de nada - e me cai uma questão com um trecho completamente ilegível de uma carta de 1801 para ser transcrita durante a prova. Eu não consegui entender mais que meia dúzia de palavras. Questão em branco. (para quê isso serviria na minha vida?)

Bom, restam as 3 questões que respondi, sendo que uma delas não irei acertar 100%, pois esqueci a metade do nome do cara citado. É o Ramus, criador das LETRAS RAMEIRAS (gostou do nome?). Estou brincando, as letras J e V são chamadas de RAMISTAS, desde o século XVI, graças a Petrus Ramus. Antes desta época, ou seja, no latim clássico, não havia distinção gráfica entre as vogais 'i' e 'u' e entre as consoantes 'i' e 'u'.

CARA, tô de saco cheio de tentar acabar esse curso inútil, como tudo que fiz de inútil até hoje nessa porra de vida inútil.

(acho que isso foi um desabafo)

Fim.


Post Scriptum: fiz duas matérias no 2º semestre de 2008 e fui aprovado em ambas: na Filologia Portuguesa (FLC0284) passei com nota 7,0 e na Morfologia do Português (FLC0276) passei com nota 8,0.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Filologia - Edição crítica (César Nardelli Cambraia)




Capítulo 6 

Pode-se dizer que a edição crítica é o objeto por excelência da crítica textual, pois é em sua elaboração que a técnica de estabelecimento do texto exige maior sofisticação. 

Duas etapas fundamentais: o estabelecimento do texto crítico (crítica textual) e sua apresentação (ecdótica). 

ESTABELECIMENTO DO TEXTO CRÍTICO 

Recensão e reconstituição 

RECENSÃO: ESTUDO DAS FONTES (é a sua tradição). Tradição direta, basicamente manuscrita e impressos. A tradição indireta são traduções, paráfrases, citações etc. 

LOCALIZAÇÃO E COLETA DAS FONTES: os principais são os CATÁLOGOS. Em especial os diversos catálogos das bibliotecas nacionais. Também os manuais de história da literatura e os ensaios críticos. 

COLAÇÃO: comparar os testemunhos em busca de LUGARES-CRÍTICOS (ponto do texto em que os testemunhos divergem). Das lições (palavras ou grupos de palavras) temos as VARIANTES. Para apuração dessa fase escolhe-se um TESTEMUNHO DE COLAÇÃO, texto de melhor condição e mais completo. 

ESTEMÁTICA: relação genealógica entre os testemunhos de um texto. Os ESTEMAS são árvores genealógicas que se constroem graficamente para representar a relação entre os testemunhos de um dado texto. 

RECONSTITUIÇÃO DO TEXTO: 

Princípios: 

Reconstituição por testemunhos – a lição do maior número de testemunhos é preferível; 

- a lição mais antiga é preferível; 

- a lição do melhor testemunho é preferível; 

- a lição mais difícil é preferível; 

- a lição mais breve é preferível; 

- a lição que explica a origem de outra é preferível; 

- métrica; 

- estilo; 

- contexto. 

Reconstituição por conjectura: o editor vê-se obrigado a contar com o seu conhecimento e com a sua intuição para restituir o que teria sido a forma genuína da passagem de um texto. 

APRESENTAÇÃO DO TEXTO CRÍTICO 

Depois de cumpridas todas as etapas para a fixação do texto crítico chega-se à fase em que se deve organizar todo o material pesquisado para ser apresentado ao público-leitor: esta fase diz respeito mais propriamente à parte específica da ecdótica. 

Bibliografia: 

CAMBRAIA, César Nardelli. Introdução à crítica textual. SP, 2005, editora Martins Fontes.

Interface Linguística Histórica e Filologia




Texto de Marilza de Oliveira 

INTRODUÇÃO 

A filologia remonta ao período alexandrino e teve como objetivo restaurar os textos deturpados em virtude das sucessivas cópias. 

Linha do tempo: grande interesse nos séculos III e II a.C. para edições críticas de Hesíodo e Homero; desinteresse no período medieval devido à doutrina cristã, que eliminava e refazia arbitrariamente várias passagens das obras clássicas; volta do interesse da investigação filológica no período humanista. No século XIX a Filologia ganha o estatuto de ciência por ter princípios científicos. Surge a Linguística Histórica. 

A FILOLOGIA PORTUGUESA 

Ao longo do tempo, os especialistas se dividiram entre os que entendiam a filologia como um estudo amplo de tudo sobre a língua e literatura, como Carolina Michaëlis, Serafim da Silva Neto e José de Vasconcelos. 

Chaves de Melo passa a diferenciar a Filologia Portuguesa da Linguística Portuguesa, sendo esta o produto histórico-social e aquela a ciência para estabelecer, explicar e comentar textos. 

Modernamente, IVO CASTRO diz que a FILOLOGIA se limita ao exercício de verificar se um texto que vai ser lido e interpretado dá garantias de estar tão próximo quanto possível daquilo que o seu autor escreveu. 

“desempenhar a sua missão, que não é estética nem semântica, mas técnica e, de certo modo, ética: a missão de interrogar os objectos escritos sobre a proveniência e a sua existência antes de os declarar aptos a serem lidos pelos outros” 

Este conceito de Ivo Castro está diretamente relacionado com a LINGUÍSTICA HISTÓRICA. 

TIPOS DE EDIÇÃO DE UM TEXTO: MODERNIZADORA E CONSERVADORA 

Uma edição modernizadora faz intervenções no texto, atualizando ou uniformizando grafias, pontuação e estruturas morfossintáticas, pode facilitar a leitura do texto para historiadores, sociólogos, economistas etc. 

Para os linguistas e estudiosos da língua é necessária a edição conservadora. 

A EDIÇÃO AUTORIZADA PARA O ESTUDO LINGUÍSTICO 

Segundo Megale é importante que a edição “ofereça lição autêntica do testemunho, com os ‘erros’ que possa ter (1988:18)” 

Spina (1994:84-88) apresenta 4 tipos de EDIÇÕES CONSERVADORAS: 

a) a reprodução fac-similar – só poderá ser compulsada por especialistas em paleografia. 

b) a reprodução diplomática – reproduz as abreviações e os erros contidos no manuscrito. 

c) a reprodução semidiplomática – desdobra as abreviações, redivide as palavras e propõe uma pontuação, avançando na interpretação do texto. 

d) a edição crítica – busca estabelecer o texto como foi escrito pela primeira vez confrontando manuscritos, anotando variantes, corrigindo os erros tipográficos e interpretando os passos obscuros. 

Michaëlis é uma das que defendem que uma edição SEMI-DIPLOMÁTICA com desdobramentos de abreviações (em itálico) e uma EDIÇÃO CRÍTICA possam ser usadas por um linguista. 

Já Cambraia (1999) sustenta que as intervenções do editor podem trazer problemas ao linguista, pois sinais de pontuação e uso de maiúsculas e minúsculas tem informações sintáticas e semânticas. 

A DATAÇÃO E A PROCEDÊNCIA DO TEXTO 

Além do rigor da reprodução do texto-fonte, a filologia objetiva levantar informações que possam caracterizar o texto-fonte em termos de datação e procedência, informações altamente relevantes para o linguista que está preocupado com a história da língua. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS DE MARILZA DE OLIVEIRA 

Ao selecionar um texto medieval para a constituição de seu corpus, o diacronista deverá estar atento e capacitado para enfrentar os problemas gerados pelo processo de transmissão manuscrita e o problema da escolha da edição, que deverá ser aquela que apresenta os critérios mais rígidos, ou conservadores, de transcrição do texto. Mas não só. O linguista deve estar atento também ao aparato das variantes, fonte inestimável de informações sobre variação linguística. 

Ao buscar a lição autêntica do testemunho, o trabalho filológico pode dar inestimável contribuição para o estudo da história da língua. De fato, o arrolamento de alguns poucos aspectos morfossintáticos feitos (nos textos da Demanda do Santo Graal e no Orto do esposo) fornecem evidências empíricas para a hipótese da deriva do Português Brasileiro. 

Bibliografia: 

LIMA-HERNANDES, Maria Célia & FROMM, Guilherme (ORG). Domínios da linguagem v. SP, Plêiade, 1ª edição, 2005.

Filologia: História concisa da escrita (Charles Higounet)




AULA DE FILOLOGIA SOBRE O TEXTO: 

CAPÍTULO 4 

1) Primeiros momentos: s. VII ao VI a.C. em movimentos 

a) hipótese mais tradicional: o alfabeto latino e o etrusco seriam empréstimos diretos das escritas gregas da Itália. 

b) hipótese com mais crédito: Roma teria recebido indiretamente sua escrita por meio dos etruscos. 

2) Século I a.C.: alfabeto latino com 23 letras 

2.1) século III – variação C e G. ex: Caius ou Gaius 

2.2) Cícero – Y e Z do alfabeto jônico nas transcrições de palavras gregas; Y e W: glides (semivogais). Ex: queijo = K e J = queyjo 

2.3) Não se distinguiam ‘i’ e ‘u’ vogais de ‘i’ e ‘u’ consoantes. No latim clássico não havia ‘j’ e ‘v’. INRI = Iesus Nazarenus Rex Iudiorum 

Uino ueritas 

Os escribas da Idade Média, tanto quanto os latinos, não distinguiram 'i' e 'j', e 'u' e 'v'. As letras 'j' e 'v' são chamadas de RAMISTAS, do nome do humanista francês do século XVI, Petrus Ramus (Pierre de la Ramée). 

“O alfabeto latino é, definitivamente, um alfabeto grego ocidental transformado, por uma forte influência etrusca, em um dos alfabetos itálicos” 

3) O ALFABETO LATINO É UM ALFABETO GREGO (OCIDENTAL) TRANSFORMADO. 

4) Século I: alfabeto latino firma-se. A partir daqui, teremos mudanças gráficas. (já são 23 letras) 

5) A ESCRITA ROMANA ATÉ O SÉCULO II 

A escrita romana da época clássica é conhecida por dois grandes tipos de monumentos, as INSCRIÇÕES e os PAPIROS. 

Havia dois tipos de suporte, SUPORTES DUROS e SUPORTES SUAVES, ou seja, as inscrições eram feitas em pedra, metal, argila, paredes, tabuletas de cera e utilizava-se cinzel, estilete ou pincel. 

Nos SUPORTES DUROS prevaleciam as LETRAS CAPITAIS (de forma, caixa alta). 

Nos SUPORTES SUAVES prevaleciam as LETRAS CURSIVAS (de mão). 

DERRUBA-SE A HIPÓTESE DE ACIOLLI (1996), QUE AS LETRAS CAPITAIS (MAIÚSCULAS) ERAM “ANCESTRAIS” DE TODAS AS LETRAS. 

Século I: 

Escrita comum clássica pequena e cursiva 

Emprego da escrita em caixa alta, com traço pesado, utilizada para edições de luxo. 

“O testemunho dos papiros e das inscrições mostra que os romanos praticavam no século I duas escritas não-especializadas: uma, a ‘escrita comum clássica’, pequena, ágil, cursiva, com diferenças gráficas de um documento para outro, utilizada tanto para livros como para atas; a outra, a ‘maiúscula’, geralmente de módulo maior, pesada, utilizada para as edições de luxo, os editais, as reproduções das atas.” 

ERA O SUPORTE E O MATERIAL QUE DEFINIAM A LETRA MAIS APROPRIADA. 

O TERMO ESCRITA ‘CURSIVA’ NÃO DEVERIA SE OPOR A ESCRITA ‘MAIÚSCULA’, POIS A CURSIVIDADE É UMA QUALIDADE GRÁFICA QUE ESSAS CATEGORIAS BEM DISTINTAS DE ESCRITA PODEM POSSUIR. 

6) Séculos III e IV: (Jean Mallon) 

Nova escrita comum 
Uncial 

7) Séculos V e VI: 

Adotada nos novos reinos ocidentais, “quebrando” a ideia de escritas nacionais como a “lombarda”, a “visigoda” e a “merovíngia”. 

8) As origens da escrita carolíngia, séculos V – VIII, crescem as atividades monacais, influenciando o tipo de letra. 

Scriptoria eclesiásticos são responsáveis pelo surgimento de algumas variedades locais de letras. 

Informações auxiliares: 

Escrita bustrofédon – escrita que consistia em linhas alternadas da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, como o sulco que um arado faz numa lavoura. Ocorre frequentemente nas inscrições gregas mais antigas. (Michaelis) 

Papiro – é uma planta (Egito) 
Pergaminho – é de pele de animal (cabra ou carneiro) 
Reunião – é um códice 

Bibliografia: 

HIGOUNET, Charles. História concisa da escrita. SP, Parábola Editorial, 2003.

domingo, 9 de novembro de 2008

O que é ser de esquerda - por Mino Carta


Mino Carta, usa como referência o regime de Stalin para falar sobre ser de esquerda ou direita.

O ponto de vista dele evidencia dois princípios básicos para uma pessoa ou um regime serem de esquerda.

Segundo ele, sem LIBERDADE e BUSCA DA IGUALDADE não se é de esquerda.

É um ponto de vista bastante interessante, não acham?



Fonte: Blog do Mino

Aulas de Filologia do professor Marcelo Módolo




OBJETIVOS DA MATÉRIA: 

Apresentar uma introdução à Filologia Portuguesa, stricto e lato sensu. Mostrar a necessidade de busca do texto fidedigno, como edição de documentos, manuscritos ou impressos. Valorizar o estado de língua em que foi escrito originalmente o documento. 

PROGRAMA: 

1) Conceito e objeto da Filologia, 2) Relações com a Diplomática, com a Codicologia e com a Paleografia, 3) O documento original e a cultura de sua época, 4) A Crítica Textual, 5) O exame de testemunhos, 6) Os tipos de edição, 7) As etapas do trabalho filológico, 8) Critérios de edição do manuscrito medieval, 9) Critérios de edição do manuscrito moderno, 10) Estudos de língua em manuscritos brasileiros editados. 

Sobre os conceitos de filologia a partir dos autores estudados, o professor os separou entre os que usam o conceito amplo e os que usam o conceito de crítica textual. 

Amplo: Carolina Michaëlis e Leite de Vasconcelos. 

Crítica textual: Coseriu (romeno); Herculano de Carvalho (português); Malmberg (sueco). 

A filologia foi perdendo ‘nacos’ e ficou a crítica textual, ou seja, voltada à edição de textos. 

O autor Maximiano de Carvalho acha melhor essa delimitação, pois a linguística já tomou as outras partes para si. 

Filologia = crítica textual = edótica. 

RELAÇÕES COM AS DEMAIS DISCIPLINAS FILOLÓGICAS: 

a) paleografia: não apenas técnica de decifração de escritas antigas, mas história da formação e evolução dos sistemas gráficos de representação verbal e ainda classificação e tipologia dos alfabetos, das práticas e dos materiais escriptórios; 

b) Codicologia: estudo do livro manuscrito como artefato, com relevo para os materiais, processos e arquitetura da sua confecção, para os centros produtores (ex: scriptoria e chancelarias medievais) e para a sua circulação; 

c) Manuscriptologia: disciplina muito recente, analisa autógrafos (manuscritos ou dactiloscritos), com o fim de, nos traçados da escrita, da rasura e da reescrita, reconstituir o percurso visível da gênese do texto. 

NORMAS PARA UMA EDIÇÃO SEMIDIPLOMÁTICA (texto do prof. Megale) 

USOS DE CADA TIPO DE EDIÇÃO: 

FAC-SIMILADA +++ = PALEOGRÁFICOS 

DIPLOMÁTICA ++ = LINGÜÍSTICOS E FILOLÓGICOS 

SEMIDIPLOMÁTICA + = LITERÁRIO 

MODERNIZADA = LEIGOS, DIVULGAÇÃO, HISTORIADORES (conteúdo) 

EDIÇÃO CRÍTICA = QUALIDADE DAS PUBLICAÇÕES e EDIÇÕES DE LIVROS. 

Observações feitas durante a transcrição de manuscritos em aula: 

As palavras proparoxítonas comumente eram escritas e faladas com a redução do número de sílabas. Exemplos: Árvore (arvre); abóbora (abobra) fósforo (fósfro) etc 

Até o século XVI havia alternância i – j e u – v


Corrida 'dominical'




('dominical'... são minhas aulas de morfologia... aqui, Houaiss admite que é relativo ao dia de domingo, apesar de ser também relativo àquele que tem o domínio, e mesmo concernente ao Senhor...) 

Corri um pouco hoje. Cerca de 4,2 km com subida, em 27'. Estava bem quente e é o que preciso, pois o dia da corrida de São Silvestre costuma ser um dos mais quentes do verão. 

Estou com a resistência física baixa. Um pouco fatigado. Se pensar em meu objetivo principal em corridas, que é melhorar o meu tempo na São Silvestre, terei que fazer um treinamento especial até 31 de dezembro. 

Na quinta pela manhã, corri 3 km em 18' e também percebi o estresse. Meus músculos posteriores da perna estão dando sinais de fraqueza. 

Vamos lá.