domingo, 13 de março de 2016

A metamorfose (1912) – Franz Kafka




Refeição Cultural - Literatura tcheca

“Gregor Samsa acordou naquela manhã de sonhos agitados e viu-se na sua cama transfigurado num enorme inseto. Estava deitado sobre suas costas, tão duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, pode ver o ventre curvo, castanho, dividido por pregas arqueadas, sobre o qual o cobertor, dificilmente se sustinha e estava a ponto de cair completamente. As inúmeras pernas, deploravelmente finas se comparadas com o resto do corpo, balançavam desamparadas diante dos seus olhos.

- O que me aconteceu?, pensou...”



Assim começa uma das estórias mais fantásticas e mais dramáticas da literatura clássica mundial. Fiz a leitura pela terceira vez nestes meus 46 anos. O momento por que passa meu país, do absurdo golpismo e fascismo que tomou conta do cotidiano do Brasil, nos remete a leituras que versam sobre mundos distópicos, sobre mundos dramáticos e nos remete a obras de cunho melancólico e depressivo.

Ao longo de um século, várias foram as leituras críticas e interpretativas das obras do autor tcheco Franz Kafka. Neste momento em que reli o drama de Gregor Samsa, evidenciou-me metáforas dramáticas sobre o peso de ser proletário num mundo capitalista e ainda ter que cuidar da família.


“Não parecia um sonho. Seu quarto, um verdadeiro quarto humano, apenas bastante simples, continuava tranquilo entre as quatro paredes bem familiares. Por cima da mesa, se espalhava, aberta, uma série de amostras de tecidos – Samsa era caixeiro-viajante – e estava pendurada uma fotografia que ele, recentemente, havia recortado de uma revista ilustrada e mandara colocar numa linda moldura dourada. Exibia uma moça de chapéu e estola de pele, sentada, a estender um enorme regalo também de peles, no qual todo o seu antebraço desaparecia.”


Fica evidente a condição de Gregor Samsa, proletário. Aliás, a primeira demonstração da metáfora para o trabalho que maltrata está na reflexão de Gregor logo na segunda página, quando lamenta o quanto seu trabalho é cansativo.


“ – Ah, meu Deus! Pensou – Que trabalho cansativo escolhi. Viver viajando, dia sim, dia não. A agitação comercial é mais irritante que o próprio trabalho do escritório, além disso há a cansativa necessidade de viajar, sempre preocupado com troca de trens, fazendo refeições a qualquer hora, num convívio humano superficial que nunca se torna íntimo. Aos diabos com tudo isso!”


Aff! Se eu trocar o transporte citado por ele (trem) por avião, posso utilizar essa expressão do cansaço de viver viajando. Aliás, eu poderia ter escolhido o conforto de passar meu mandato sentado no escritório da sede da empresa que administro, mas não é de minha natureza e nem meu perfil ficar sem ir às bases sociais que represento. A consequência é dobrar as jornadas de trabalho para dar conta do dia a dia do escritório, e da agenda de viagem às bases.


Logo em seguida, Gregor imobilizado na cama como um inseto, lembra o quanto gostaria de dormir mais um pouco porque “o ser humano precisa de seu sono”. Lembra que não pode ter regalias como os comerciantes para quem vende os produtos e nem como o seu chefe, que tem que suportar falando sentado do alto de sua mesa para baixo ao lidar com Gregor. Tudo porque ele tem que trabalhar ainda uns cinco anos para pagar uma dívida de seus pais.

Por fim, ali imobilizado, começa o desespero de Gregor por sua condição porque ele vai perder o trem para o trabalho.


“Mas, e agora, o que deveria fazer? O próximo trem sairia às sete horas; para embarcar precisaria correr como louco, o mostruário ainda não estava na mala e ele mesmo não se sentia preparado e ativo. E mesmo que pegasse o trem, seria inevitável uma repreensão do chefe, pois o contínuo da firma teria esperado junto ao trem das cinco e fazia muito tempo que havia comunicado sua ausência. O contínuo era uma criatura do chefe, invertebrado e sem pensamentos próprios...”


Alguma semelhança com o que os trabalhadores vivem nos seus locais de trabalho cada vez mais degradados por assédio, condições humilhantes, e colegas puxando o tapete uns dos outros?


E a questão da dedicação total ao patrão, não querendo faltar nem quando está doente?


“E, se avisasse que estava doente? Mas isso seria desagradável e suspeito, pois durante os cinco anos de serviço Gregor nunca tinha adoecido. Certamente o chefe o visitaria com o médico do seguro de saúde, censuraria os pais pela preguiça do filho e não aceitaria desculpas, apoiado no médico, para quem não existia doentes, só pessoas inteiramente saudáveis, mas refratárias ao trabalho. E, será que estava tão enganado, dessa vez? Certamente, com exceção de uma sonolência inútil depois de tão longo sono, Gregor sentia-se muito bem e até mesmo com uma fome especialmente forte...”


Já no início do século passado, havia a relação complicada entre alguns médicos e os capitalistas para atestarem que o empregado estava bom para trabalhar e não parar a produção.

(poderia seguir incluindo excertos marcantes, mas vale a pena recomendar que o leitor e a leitora abram o livro e leiam a obra)

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Enfim, a releitura da obra neste momento me fez sentir uma tristeza e uma certa impotência doída.

Neste momento histórico (2016), os empresários capitalistas preparam um Golpe de Estado no Brasil contra um governo e um partido que mudaram objetivamente, após a eleição de um metalúrgico nordestino em 2002, a vida de dezenas de milhões de miseráveis e de proletários, gente à margem da sociedade como, por exemplo, os milhões de brasileiros afrodescendentes em um Brasil que foi o último país a abolir a escravidão dos seres humanos de pele negra.

Os patrões, os capitalistas, parte da estrutura burguesa montada para a manutenção do status quo burguês, que inclui o poder de polícia para ser usado para controle e repressão dos proletários rebeldes e não submissos e, no mundo moderno, os donos dos meios de comunicação, que são os mesmos capitalistas donos dos meios de vida e dos meios de produção, enfim, esses golpistas manipulam a população para se juntarem a eles no golpe e perseguir e aniquilar os movimentos sociais mais importantes do país e protetores dos direitos das minorias – sindicatos, movimento rural, estudantil, partidário de esquerda.

Estamos vivendo um momento kafkiano, mas não ficcional.


William Mendes

sábado, 12 de março de 2016

Opinião: Atos de 13/3 convocados por golpistas e corruptos





Neste domingo, dia 13 de março de 2016, acontece mais um ato no Brasil chamando o povo para as ruas, convocado por uma caterva de corruptos, corruptores, patrões e empresários, partidos de direita, grupos neonazistas, sociedades secretas marcadas por todo tipo de ódio e preconceito, todos liderados pelos meios de comunicação concentrados nas mãos de famílias bilionárias que já têm em seu histórico um mar de sangue por participarem de golpes civis e militares e derrubada de governos que tinham maior afinidade com o povo trabalhador e mais humilde do país.

Eu tenho 46 anos de idade (nasci no ano seguinte ao AI 5) e minha primeira infância foi marcada por lembranças dos efeitos de viver em um país nos anos 70 e 80 que era governado por militares após o golpe civil-militar de 1964 perpetrado pelos mesmos grupos econômicos e midiáticos que estão convocando o povo brasileiro para as ruas para construir um cenário de derrubada do governo Dilma Rousseff e a volta aos anos de exceção em nosso querido Brasil.

É minha obrigação e meu dever alertar sobre as consequências trágicas advindas de golpes, é meu dever como representante eleito pelos trabalhadores nos últimos 15 anos para desempenhar tarefas e mandatos que têm relação direta com os direitos que esses trabalhadores têm e reivindicam. 

Há 15 anos sou eleito por trabalhadores para organizá-los, representá-los, mobilizá-los e defender os interesses desses milhares de trabalhadores. Eu me tornei neste período um estudioso dos temas do mundo do trabalho e da história de luta dos trabalhadores brasileiros. Mudei minha vida completamente em função de minha militância social. Todos que me conhecem sabem disso.

É muito difícil lutar contra o sistema hegemônico. Lutar contra os capitalistas, contra os donos do poder porque são donos de tudo. Eles detêm todos os meios materiais para manipular a massa de trabalhadores, achacar seus líderes e representantes, comprar consciências, e sobretudo, desde o advento da criação dos meios de comunicação de massa, lá no início do século XX, os donos do poder e donos dos meios de comunicação, independente da linha ideológica, passaram a deter o poder total de manipular as populações.

Todo o século XX é marcado pelo peso dos meios de comunicação no início, meio e fim de golpes, de guerras, de manipulações nos Estados e países.

Você trabalhador que não vive e não é parte dos grupos que são donos do poder econômico não tem e nunca terá benefícios em apoiar empresários, banqueiros, grupos conservadores e contrários aos direitos humanos e contrários ao conjunto de reivindicações cotidianas da classe trabalhadora. 

Você trabalhador não tem vantagem alguma em ficar ao lado desses grupos que pregam ao longo de nossa história derrubar governos que fizeram mais pelo povo trabalhador e humilde, os milhões de excluídos da Casa Grande, como os governos de Lula e Dilma, de João Goulart, do segundo governo de Getúlio ou Juscelino.

Os trabalhadores que represento há tantos anos viveram a pior década de suas vidas nos anos 90, durante o período em que estava no poder os grupos que estão convocando para as manifestações deste domingo. Passei uma boa parte de minha vida estudando sobre isso e lutando contra toda a desgraça que foram os governos do PSDB somados a todas as famílias da imprensa golpista e manipuladora. 

Os trabalhadores não devem jamais ficar contra as entidades da classe trabalhadora como os sindicatos e associações de defesa dos direitos trabalhistas, civis, sociais e humanos.

Eu vi mortes e suicídios dentro do Banco do Brasil nos anos 90, entrei no BB em 1992. Eu vi muita miséria nos anos 70 quando eu era criança no Brasil dos governos ditadores apoiados pela imprensa golpista e pelos empresários e banqueiros. Vi muita miséria nos anos 80. Vi muita miséria nos anos 90. 

E vi o povo brasileiro ascender como nunca antes em nosso querido Brasil. Vi o clima de democracia sob os governos do PT permitir políticas e avanços históricos no valor dos salários dos brasileiros (e a elite odeia isso); vi as políticas afirmativas e sociais melhorarem a situação dos negros e descendentes de negros. Vi dezenas de milhões de miseráveis (o tal exército de reserva do capitalismo) ascenderem às condições das tais classes médias (poder de consumir coisas que eram de poucos). Vi o Brasil enfrentar a nova crise do capitalismo (crash de 2008) de forma muito melhor que os países centrais no mundo.

Protestar é um direito sagrado que nós voltamos a conquistar com o fim da ditadura civil-militar imposta ao Brasil e aos brasileiros em 1964 por aqueles que estão chamando os trabalhadores para a rua neste domingo, 13/3. Foi a Rede Globo, o Estadão, a Folha, a Editora Abril, a Fiesp, parte dos empresários e banqueiros e ruralistas que colocaram o Brasil no silêncio, no fim das liberdades e na miséria por décadas.

Não é do interesse da classe trabalhadora estar ao lado dos golpistas contra o governo Dilma, contra os partidos de esquerda, contra os movimentos sociais, não é de interesse das minorias ainda vítimas dos preconceitos seculares do modelo capitalista estarem ao lado daqueles que querem vender e leiloar as riquezas do Brasil e continuarem roubando nosso país no silêncio da parceria com os meios de comunicação que fazem manipulação de massa a todos nós, com uma forma de totalitarismo de comunicação que nos é impossível não ser manipulados e não defender os interesses deles, às vezes nos colocando contra quem está do nosso lado.

Trabalhadores e povo que são vítimas históricas dos golpistas que nos convocam para sermos parceiros deles no golpe contra o Brasil e contra a democracia, não sejamos manipulados por eles. O que é bom para a Rede Globo/Marinhos, Estadão/Mesquitas, Folha/Frias, Abril/Civitas, Fiesp, Paulinho da Força, Bolsonaros e Malafaias, parte do judiciário que não atua de forma igualitária, e demais tranqueiras do gênero, não é bom para a classe trabalhadora que representamos.

É minha opinião e peço uma reflexão profunda aos meus colegas da Comunidade Banco do Brasil, uma comunidade que tanto já sofreu em decorrência de golpes na democracia, cortes de direitos civis, sociais e trabalhistas ao longo destes mais de 200 anos de Banco do Brasil e comunidade que tanto respeito nestes longos anos de representação.

William Mendes
Cidadão brasileiro
Funcionário do BB desde 1992
Representante dos trabalhadores

domingo, 6 de março de 2016

Diário - 060316



Flamboyants brasilienses sob céu nublado.

Domingo nublado em Brasília.

Tenho trabalhado tanto no meu limite físico e psicológico, que tenho estado imprestável aos sábados. Termino a sexta-feira acabado, de maneira que quedo prostrado no dia seguinte.

Há quinze dias, passei o fim de semana deitado por ter dado alguma crise de estresse. Gastei uma semana para me recuperar fisicamente.

Bom, hoje, o domingo foi melhor.

Saí para correr por volta das três horas no Eixão quase deserto. Estava precisando disso. Lembrei-me de quando eu corria na BR em Uberlândia na adolescência.

Enquanto corria cerca de 6,5 km em uns 40 minutos, refletia a respeito de minha saúde. Francamente, eu deveria trocar algumas horas de minhas leituras e estudos, trabalho e embates pela Caixa de Assistência que administro como eleito, por um pouco mais de corrida, um pouquinho de lazer e umas horinhas a mais de sono. Minha energia está sendo consumida com a jornada que estou levando.

Entretanto, o contexto em que vivemos no setor de saúde, na política e economia e no qual cheguei à gestão da Cassi, não me permite fazer o mandato diferente. A intensidade tem que ser essa que estou aplicando, a máxima possível.

Eu já não dedico tempo para mais nada além da Cassi, outros eixos do conhecimento e das dimensões da vida humana que tanto me interessam como política, economia, mundo do trabalho, artes e literatura; nem falo da família. Mas o desafio para mim será achar umas 4 horas na semana para atividade física e descanso porque senão o diretor de saúde cairá pelo caminho.

Bom, neste fim de semana li um pouquinho Franz Kafka, O Processo e A Metamorfose, e o livro da Denise Paraná, Lula - o filho do Brasil. Li o capítulo da entrevista com Marisa, esposa de Lula, feita em 1994. Muito bom! Eles são gente como a gente. É por isso que nós estamos do mesmo lado nas lutas sociais neste mundo da exploração dos mais humildes e dos trabalhadores por parte dos capitalistas e seus lacaios.

É isso!


MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO

O Brasil está passando neste momento por ensaios de Golpe de Estado por parte de um consórcio fascista liderado pelas famílias donas da mídia, somadas com os partidos de oposição ao PT e com a ajuda de alguns agentes públicos que tomaram de assalto os órgãos públicos de polícia. Esse grupo fascista e golpista quer derrubar o governo do Partido dos Trabalhadores e interromper a democracia mais uma vez, como fizeram nos anos sessenta.

Não podemos permitir isso. O povo brasileiro está dando mostras de que vai reagir a qualquer tentativa de golpe, porque diferente dos outros golpes de Estado no século XX, desta vez o povo passou mais de 12 anos experimentando o direito de ter acesso aos bens humanos como qualquer capitalista e burguês sempre teve. Será que esse povão vai aceitar voltar à miséria de onde foi retirado pelos governos do Partido dos Trabalhadores?

Veremos os próximos capítulos desta guerra humana.

William

sábado, 5 de março de 2016

O processo kafkiano... no Brasil



Uma de minhas edições do livro.

"- Não pode haver dúvidas - prosseguiu K. em voz muito baixa, pois sentia-se feliz com a viva atenção dos ouvintes; naquela quietude os sussurros reprimidos, e apenas audíveis, eram mais estimulantes do que os aplausos mais entusiasmados -, não pode haver dúvidas, senhores, de que por trás das manifestações desta justiça, por trás da minha detenção, consequentemente, para falar de mim, e do interrogatório de hoje, encontra-se uma grande organização em atividade. Uma organização que não apenas emprega guardas corruptos, inspetores e juízes de instrução imbecis, mas também tem ao seu dispor uma hierarquia judiciária de um nível elevado, aliás do mais elevado nível, com o seu indispensável e numeroso séquito de empregados, funcionários, policiais e outros auxiliares, talvez até carrascos - e não estremeço ao pronunciar esta palavra. E qual o sentido dessa grande organização, senhores? Prender inocentes e mover-lhes processos sem razão e, na maioria das vezes, sem resultado, como no meu caso. Como seria possível, no absurdo do conjunto de um sistema como este, que a venalidade* dos funcionários não viesse à luz?" (página 49)

(O Processo, Franz Kafka (1883/1924)


Refeição Cultural

Seria cômico, se não fosse trágico. Juro!

Esta passagem da célebre obra de Franz Kafka descreve o que aconteceu ontem no Brasil, sexta-feira, 4 de março de 2016. Cada frase acima descreve o processo de tomada dos órgãos de justiça brasileiros por parte de alguns agentes públicos, pessoas físicas, que tomaram de assalto os órgãos públicos que deveriam servir de proteção às leis e aos cidadãos brasileiros.

Uma parte dos agentes públicos, partidarizados politicamente, se uniu às forças de oposição ao partido político (PT) que venceu as últimas 4 eleições para a Presidência da República, e esses agentes públicos estão rasgando a Constituição Federal, os direitos individuais dos cidadãos e perderam completamente o limite, executando prisões políticas sem provas, sem acusações e inclusive com a intenção de torturar psicologicamente por meses pessoas presas sem crime até que elas aceitem falar o que os agentes públicos querem.

Essa merda é o que está acontecendo com parte da justiça brasileira.

Nesta sexta 4, um juiz que deixaram até o momento mandar e desmandar, parar o que quiser no país, mandar prender quem bem entender, em qualquer lugar, associando qualquer coisa e qualquer pessoa a um processo ao qual ele está designado, enfim, esse sujeito, mandou levar coercitivamente para depor (preso) o presidente Lula, sem sequer convidá-lo antes, o maior e melhor presidente que o Brasil já teve, reconhecido no mundo todo e aqui, onde saiu após dois mandatos com 80% de aprovação e fez sua sucessora, a primeira presidenta do país. 

O tal juiz armou todo o circo de humilhações ao presidente e seus familiares e amigos, combinado com as emissoras de TV e imprensa golpista, conhecidos no Brasil como PIG (Partido da Imprensa Golpista), como o maior partido de oposição ao PT e aos avanços incontestáveis em direitos sociais para milhões de brasileiros e brasileiras após a posse de Lula e o PT no governo federal em 2002.

Onde vamos parar? Espero que não sigamos o roteiro da obra fantástica de Franz Kafka e nem do personagem Joseph K.

William


*Venalidade:

1. Qualidade de venal, do que pode ser vendido.

2. Fig. Qualidade daquele que se vende, prostitui ou deixa se corromper por dinheiro ou outros valores.


Fonte: Dicionário Aulete

Estou do lado de Lula e dos trabalhadores




Só quem veio da pobreza, só quem trabalhou em tudo quanto é serviço de merda desde os 11 anos de idade, só quem foi explorado a vida inteira por essa elite vira-latas nojenta, sabe e entende o que foi a mudança neste país empreendida pelo presidente Lula e pelo PT.

Lula, você é uma referência para mim, referência em ser representante dos trabalhadores e saber para quem governa e quais são as dificuldades em enfrentar os capitalistas e os lacaios deles, e alguns capitães do mato, inclusive os poderes de polícia, feitos para nos bater, nos espancar e nos deixar calados aceitando a exploração.

Não mexam com o presidente Lula, não mexam! 

Eu odeio iniquidade! Eu odeio ingratidão! Mas hoje sou uma pessoa melhor porque aprendi no movimento sindical e movimento social, a não deixar o ódio me dominar.

Presidente Lula, eu sei bem o que é isso, quanto mais atacados formos, mais fortes ficaremos para cumprir nossas missões em defesa dos trabalhadores, da justiça VERDADEIRA, da liberdade e da democracia.

William Mendes
Cidadão brasileiro

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Livro: O velho e o mar, Hemingway (5ª leitura)




Refeição Cultural

"As aves têm uma vida mais dura do que a nossa, excetuando as aves de rapina e as mais fortes. Por que existiriam aves tão delicadas e tão frágeis, como as andorinhas-do-mar, se o mar pode ser tão violento e cruel? O mar é generoso e belo. Mas pode tornar-se tão cruel e tão rapidamente, que aves assim, que voam mergulhando no mar e caçando com as suas fracas e tristes vozes, são demasiado frágeis para enfrentá-lo" (Santiago, pensando no momento em que uma andorinha cansada pousou na linha tesa)



Reli neste fim de semana, a obra clássica de Ernest Hemingway, O velho e o mar (1952).


Cada leitura, um contexto, um momento de vida. O leitor é outro a cada volta ao clássico. Essa obra me toca profundamente há muito tempo. O personagem Santiago é a representação de cada pessoa humilde dos povos explorados do mundo. 


Santiago é minha tia Alice, é minha avó, minha mãe e pai. Santiago sou eu. Somos nós que vivemos do trabalho, explorados pelos contextos no mundo onde os capitalistas, herdeiros de herdeiros de herdeiros, comem banquetes e jogam fora os peixes comprados a preço de nada de pescadores, que passam fome.


Santiago é cada ser de fé que sabe que a vida simplesmente é e que tem que acordar e sair e lutar e enfrentar o mundo, seja com sua simplicidade de visão das coisas ou não, e viver é uma questão de seguir.


Hoje, neste fim de semana, uma parte da leitura me tocou profundamente: o mantra sincero do velho Santiago clamando que gostaria que o garoto Manolin estivesse com ele em alto-mar. E hoje nosso filho foi embora, fazer-se na vida, estudar e buscar realizações e sua felicidade. Ficamos nós em casa e creio que nosso mantra será como o de Santiago... queria que o garoto estivesse aqui...


Sempre penso no velho Santiago quando estou enfrentando "o mundo" em meu trabalho, na política, nas crises, quando sou atacado de forma vil nos bastidores de meu mundo. O velho Santiago não tem escolha em sua jornada de vida, a não ser enfrentar a natureza e as crises da vida, mesmo que seja crise de azar, e faz o que deve ser feito.


O velho Santiago é um grande exemplo pra mim há muito muito tempo.


A vida segue todo dia. A gente vive e enfrenta o amanhã com o que sobrou de ontem. Não tem outro jeito.


É algo a se espelhar, o velho Santiago e aquele mundo mar.


William



Post Scriptum:


Há uma semana, após uma jornada intensa de lutas como toda semana, tive uma reação física que me deixou quebrado, deve ter sido um choque de estresse. Levei a semana toda para voltar à normalidade, mas hoje já saí e corri no Eixão aqui em Brasília. Mas lancei o barco ao mar todos os dias, normalmente. Vamos para mais uma semana em busca do que defendemos no trabalho e na vida. O pescador tem que sair e pescar...


Ler AQUI postagem minha anterior sobre o livro.

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Bibliografia:

HEMINGWAY, Ernest. O velho e o mar. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2001.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A extinção de um projeto nacional - Roberto Requião





Por Roberto Requião, ao discursar no Senado

Eu confesso que somatizei a nossa derrota no Plenário de ontem. Eu amanheci exausto, adoecido, frustrado.

De repente, eu tomo consciência de que o sentimento de nacionalidade do Brasil está fragilizado, porque algumas lideranças nas quais o povo depositava a confiança e a esperança foram engolidas em um processo de corrupção, e isso abre um espaço terrível para que interesses que não são propriamente do Brasil caminhem, de forma firme e forte, em um processo de fragilização e mesmo de extinção de um projeto nacional. Isso é muito triste.

No mundo, qualquer pessoa sabe das implicações geopolíticas da questão do petróleo.

Sabemos que os Estados Unidos gastaram bilhões de dólares para tomar conta do Iraque, muito pouco preocupado com Saddam, que foi seu aliado e mantido pela própria CIA durante muito tempo para combater os iranianos.

A guerra e manutenção de tropas no Iraque preocupa basicamente em manter em suas mãos as reservas de petróleo.

Estamos diante de uma guerra geopolítica. Os Estados Unidos arriscam a própria sustentabilidade do seu território com as venenosas operações de shale gas, baixa os preços internacionais, traz a Arábia Saudita para esse jogo, para enfraquecer Venezuela, Rússia e outros países importantes que vivem do petróleo. Os baixos preços do petróleo são uma estratégia geopolítica.

Eu diria mais, repetindo o que já disse mil vezes desta tribuna, depois da derrota do nazismo, na última guerra, cresceu na Europa, o Estado social, o Estado com as garantias trabalhistas, o Estado preocupado com a educação do povo, o Estado preocupado com os direitos humanos, o Estado que se volveu para as necessidades da sociedade e, de certa forma, acabou com o predomínio absoluto do capital.

E este Estado, hoje, sofre um ataque brutal, a partir da ação de Mamon – Mamon em hebraico, significa dinheiro, não é nem deus, nem diabo, é o dinheiro, assim descrito na Bíblia. Mamom tenta recuperar os seus espaços perdidos com o avanço do Estado de Bem Estar Social.

Para recuperar seu espaço, Mamon, praticamente liquidou com a economia da Espanha, da Itália, de Portugal…

Seu projeto tem um tripé: o primeiro deles, é a fragilização do Estado, com a autonomia dos bancos centrais. Uma proposta onde o Estado se resume a um gendarme, um guardião que se oporá às revoltas populares diante da exploração do capital.

O segundo objetivo é a precarização do Parlamento, com o domínio absoluto do capital financeiro, que se coloca acima dos partidos, financia campanhas, partidos políticos e candidatos, e os Parlamentares se transformam em mandaletes dos interesses do capital vadio.

Não tem mais ideologia, não tem ideal, não tem patriotismo, não tem nenhum sentimento de nacionalidade.

E o terceiro objetivo é bem claro, é a precarização do trabalho, o fim das leis trabalhistas, que encontrará a oposição frontal do nosso Senador Paim, o Senador do trabalho no plenário do Senado Federal.

Mas dentro desse pacote e com esse amortecimento da consciência nacional, com a frustração causada pela corrupção evidente de alguns líderes partidários que tinham a confiança e eram depositários da esperança do povo, nós ficamos extremamente fragilizados.

A Presidente Dilma já se manifestou, como era de se esperar, contra essa proposta de José Serra.

Porque ela não tem sentido, quando diz que quer retirar a exclusividade da Petrobras no pré-sal, porque a empresa está com um endividamento alto. Não tem sentido, porque não existe uma empresa de petróleo no mundo que não esteja fragilizada financeiramente com os preços baixos.

O prejuízo de todas elas é enorme, muito maior do que o da Petrobras. E maior do que o da Petrobras porque a Petrobras tem uma reserva gigante de petróleo do mundo com baixos custos de exploração – US$8,00 ou US$9,00 o barril –, um petróleo que está garantindo lucros, mesmo na crise. E também porque o pré-sal está entre o Rio e São Paulo, os grandes centros consumidores, processadores e onde estão os principais terminais logísticos da Petrobras.

O pré-sal é o ouro para a Petrobras.

As petroleiras não vão investir hoje no Brasil de forma nenhuma porque estão quebradas, estão em dificuldades e porque o petróleo está sobrando no mundo.

Então, por que, de repente, aporta no Senado, com essa violência e esse desejo absoluto de velocidade, essa modificação do modelo?

Atende a quem? Atende a que interesses? Por que não querem o debate? Por que raios não foi para as comissões normais e se tentou submetê-la a uma comissão montada pelo Presidente do Senado, sem a indicação dos partidos? O que é que está atrás disso? Será que só eu enxergo esse açodamento súbito e violento? Qual é a dificuldade de um debate claro em cima da questão do petróleo?

Não vai haver investimento no Brasil, mas as grandes empresas que trabalham com petróleo no mundo vão se assegurar das reservas brasileiras como reservas estratégicas para o domínio no petróleo no futuro.

Os apressadinhos que querem votar isso para ontem, sem discussão, açodadamente, sem que o povo saiba dizem que “o petróleo não pode ficar enterrado”, “o petróleo não vai valer nada no futuro”.

Como o petróleo não vai valer nada se tem 3 mil derivados!

Não existe um Senador ou uma Senadora neste plenário que não porte ou não tenha, em seus trajes, algum componente que tenha a participação da indústria a partir de um derivado do petróleo.

Não tem nenhum sentido essa história de que não vai valer nada.

E a Petrobras pode — e o Senador Lobão liquidou os argumentos de Romero Jucá numa reunião da Bancada –, sim, extrair petróleo em poços novos sem nenhuma dificuldade, sequer financeira.

Com 50, 100 bilhões de barris de reserva, não teria dificuldade de financiamento neste Planeta. O mundo está inundado de dinheiro com esses tais quantitative easing.

Agora, por que o açodamento? De repente, Senador Serra, ligo para o meu gabinete e dizem: “Não, mas o WikiLeaks publicou documentos sigilosos da embaixada americana e republicados na Folha de S. Paulo, que o Senador Serra teria prometido trabalhar para acabar com a lei que dava exclusividade à Petrobras na exploração do pré-sal”.

O SR. JOSÉ SERRA (Bloco Oposição/PSDB – SP) – Sr. Presidente, pela ordem. Não só fui citado como foram feitas alusões absolutamente indevidas à minha pessoa. Portanto, peço um aparte.

O SR. PRESIDENTE (Dário Berger. Bloco Maioria/PMDB – SC) – Vou conceder a V. Exª….

O SR. ROBERTO REQUIÃO (Bloco Maioria/PMDB – PR) – Isso fica me trazendo preocupação. O que há por trás desse açodamento e dessa velocidade? O que há de urgência nesse processo? Por que essa abertura? Por que a entrega do patrimônio que se consubstancia nas jazidas petrolíferas brasileiras? Por que esse Governo fragilizado por uma série de problemas e com medo do impeachment não age com mais energia?

Antes de ontem, nós votamos aqui o aumento de um imposto que, a meu ver, parecia completamente absurdo, sobre lucros de capital. Eu dizia, lá do plenário, utilizando o microfone, que um estudante que tenha comprado, há 40 anos, um apartamento por R$10 mil, iria vendê-lo agora ou transferi-lo para um herdeiro e ele estaria valendo R$2 milhões. Pagaria imposto sobre R$1.990,00? Isso é justo?

Não, mas o plenário, obedecendo à ordem do Governo e à visão liberal que atravessa esta República neste momento, votou a favor. Foram 11 votos contrários.

Sou a favor do imposto pesado em cima dos lucros de capital, mas no exemplo citado há exagero. Mas a base seguiu o governo.

Ontem mesmo, quando boa parte dessa mesma base votou na sua maioria pela urgência de votar o projeto de entrega do pré-sal. Os muitos votos que conseguimos foram votos de consciência, não foram votos orientados. O governo orientou o que?

Mas nós estamos em cima de uma proposta de aspecto fundamentalmente entreguista, não ajuda o Brasil. É preciso que a gente marque posição.

Não sei qual é a intenção disso. É favorecer a Chevron? É a favorecer a Shell? É prejudicar o País? Não há urgência, não há necessidade e não se extrai petróleo no mundo hoje. Nenhuma delas, nem a Petrobras.

E insisto: se a Petrobras pudesse contar com preços maiores, poderia facilmente investir ainda mais do que já está investindo no pré-sal. O governo também poderia pedir para seus bancos aumentarem os empréstimos para a empresa. O Banco dos Brics e os chineses já ofereceram muito dinheiro para financiar os projetos da Petrobras.

Mas há o constrangimento do Governo com essa pressão midiática, há esse enfraquecimento da consciência nacionalista do País e há o avanço de ideias liberais.

É o fim de um projeto nacional. É a valorização absoluta do dinheiro.

E eu me lembro, Senador Serra, do Papa Francisco em Davos.

O capital é bom quando ele é investido, produz empregos, produz bens, inovação tecnológica, mas não pode o interesse pelo dinheiro, o jogo geopolítico das grandes potências subordinar uma proposta de crescimento de um projeto nacional que seria tão importante para os estudantes brasileiros.

Vou repetir. Não adianta leiloar o pré-sal agora. Não vai haver investimento enquanto o preço estiver lá embaixo, mas o preço não ficará para sempre lá embaixo. O pré-sal é uma garantia do futuro do País.

O pré-sal é muito melhor e muito maior do que o shale gas dos Estados Unidos que tantos por aqui enchem a boca para falar.

O shale gas tem um pico de extração em um primeiro momento. No segundo ano a produção já cai na metade e o reservatório tem um declínio rápido.

Muitas primeiras empresas americanas que começaram explorando essa suposta panaceia já estão falidas. E é por isso que eles vem para cá para querer pegar o pré-sal para elas.

E estão com muita pressa para começar esses leilões já na “nova lei”. Em breve o preço do pré-sal vai aumentar. A Rússia e a Arábia Saudita, junto com a Venezuela, estão anunciando uma contenção na produção.

A corrupção é séria. Eu quero ver essa gente toda na cadeia, punida, mas a corrupção não é a responsável pela circunstancial crise financeira que a Petrobras atravessa.

O grande problema da Petrobras foi o aumento brutal dos investimentos com o sonho de viabilizar logo recursos para a educação e para a saúde. O erro foi aí.

Não previram a jogada geopolítica dos Estados Unidos, baixando o preço do petróleo no mercado mundial. Não previram que o dólar subiria tanto. Investiram muito, se endividaram em dólar e o dólar disparou em relação ao real. Esse é o maior problema, mas que logo será solucionado com o retorno dos preços aos seus patamares normais.

E nós, no Senado da República, temos que ter consciência do que estamos fazendo. Não devemos irrefletidamente, sem nenhuma razão lógica, votar apressadamente no projeto do Senador José Serra, que, quer ele queira ou não, é um projeto entreguista e prejudica o Brasil. Prejudica o futuro do País, a viabilidade de um projeto nacional.

É um projeto que prejudica a Petrobras porque, é graças ao pré-sal que a Petrobras está sobrevivendo à crise, e que será ultrapassada rapidamente. O preço do petróleo vai voltar para o patamar dos US$80 e estará tudo isso resolvido.

E essa justificativa nova de que a Petrobras pode ficar como operadora preferencial da extração de petróleo, numa imagem que eu já coloquei com clareza, é como se uma família em dificuldade fosse instada, em uma dificuldade passageira, resolvível em médio prazo, fosse instada a vender a propriedade.

Mas daí o comprador lhe garante: Vocês vão vender a propriedade, mas a esposa do proprietário terá preferência, se quiser continuar como cozinheira da família que vai comprar o imóvel.

Essa proposta não tem cabimento, é antinacional e é preciso que se registre um protesto com toda a energia.

O Governo está fraco, a situação do Brasil é de fragilidade institucional e nós estamos entregando o futuro do Brasil para a Shell.

Senador José Serra, dá uma olhada lá para traz e veja quantos lobistas do petróleo estão frequentando o plenário do Senado. Está cheio de lobistas aqui, mas onde estão os trabalhadores, os petroleiros que eu conversei lá fora? Eles não puderam entrar, né? Os trabalhadores brasileiros, nossos petroleiros não puderam entrar no plenário hoje. Por que?



COMENTÁRIO DO BLOG (atualizado às 2h)

A frase que me impactou imediatamente no discurso do senador Requião foi a primeira.

"Eu confesso que somatizei a nossa derrota no Plenário de ontem. Eu amanheci exausto, adoecido, frustrado."

Quando somos apaixonados pelas causas e lutas que empreendemos, colocamos nossa energia vital naquilo que acreditamos. Eu só faço política, militância e representação dos trabalhadores assim.

Para sobreviver e canalizar minha energia total para a causa em que estou empenhado, a Cassi, eu tenho abstraído de acompanhar toda a tragédia na vida política brasileira, com avanço das pautas conservadoras, liberais e fascistas, com o avanço do golpe contra o meu país, meu governo e meu povo.

Juro que sei o que o Senador sentiu na noite da votação no Congresso Nacional e como ele amanheceu.

Estou muito triste pelo que o meu país está passando.

Entretanto, enquanto eu tiver saúde e energia e acreditar nas possibilidades dos seres humanos, estarei lutando pelas causas dos trabalhadores e dos povos contra o sistema capitalista, seus donos e seus lacaios, contra vários burgueses tupiniquins vira-latas e seus lacaios, capitães do mato.

William Mendes
Cidadão e militante de esquerda

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O mundo da burocracia versus o mundo real





Refeição Cultural

Durante toda a minha vida de militante de causas sociais, tive que enfrentar as paredes de madeira, concreto, pedra, metal e o escambau!


Existe um mundo real, cheio de necessidades, onde está o povo faminto de comida, de cultura, de oportunidades, de direitos e de justiça. Eu sou desse mundo real: roupa, cheiro, gostos, ar que respiro.


Existem as sociedades organizadas, os leviatãs - sistemas de convivência humana -, onde alguns animais humanos imperam por herança, força, costume e outras merdas do gênero e dominam tudo, mandam em tudo, estão acima de leis feitas para aquele povo do mundo real, a plebe (que merda é a lei?).


Criam-se esses sistemas de convivência coletiva para darem certa segurança e estabilidade aos animais humanos. Em algum momento da história, a iniquidade domina e impera. A revolta vem. O que era para evitar a barbárie, cria a barbárie.


Ao final, parece que todo processo humano, bem ou mal intencionado, vai terminar no caos, na barbárie.


Aquele povo ao qual eu pertenço do mundo real, cheio de necessidade, será a vítima primeira desse caos.


O que vale a pena ser feito?


Eu não vou deixar de enfrentar as burocracias feitas para impedir melhorias no mundo real de onde venho e ao qual pertenço. Ao menos enquanto não for representante de mim mesmo e sim da coletividade que represento.


Custe o que custar.


William

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Instantes


Sabe aquele mundo de bastidores que às vezes cito em minhas reflexões em blog? Neste instante, 1:45h, estava refletindo sobre os tais acontecimentos de bastidores. Este mundo não é um lugar para romantismo, é duro como a natureza real não-romantizada. Vamos dormir um pouquinho, porque no front a guerra não pára e o soldado há que lutar, às vezes, muito mais com alma que com armas. Bora...

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Caos - sentido pré-determinado não há, nós é que temos que fazer com que a vida tenha sentido





Refeição Cultural - Diário 200216

No mundo externo ao meu mundo atual, focado na missão eleita em que estou, só vejo o caos e a construção da barbárie social.

Pessoas físicas se apoderaram de órgãos públicos como Polícia Federal, ministérios públicos vários, tribunais de justiça, Congresso Nacional et caterva, instituições feitas para funcionarem como guardiães da democracia e da justiça e igualdade de direitos sociais viraram aparelhos de um segmento social para perseguir outro setor da sociedade e atuar ao contrário do que deveriam fazer.

Polícia Militar de governos estaduais acionada para espancar uma parte de uma manifestação a pedido da outra parte como ocorreu em SP nesta semana quando denúncias mostram a PM paulista sendo chamada a espancar os simpatizantes do ex-presidente Lula da Silva.

Movimentos sindicais e sociais em pé de guerra, aberta ou disfarçada, uns contra os outros.

Ideias e posturas fascistas passando a dominar a massa, a partir da lavagem cerebral dos veículos totalitários de comunicação concentrados na mão de poucos bilionários anti-povo. 

Ainda as comunicações, sistema de comunicações globais, numa era em que as populações estão virando apêndices de aparelhos eletrônicos, com suas vidas e desejos totalmente dominados e manipulados pelas máquinas que transmitem a pauta e induzem o que fazer e para onde ir...

Caralho, para onde estamos indo?

Outro dia, vi de novo na madrugada o filme Guerra dos Mundos, quando extraterrestres invadem a Terra e começam a nos dizimar sem chances de defesa... os humanos foram salvos por parasitas e vírus para os quais os ET não tinham resistência, igual os invasores europeus fizeram com tribos indígenas séculos atrás.

Acho que nós mesmos conseguiremos nos exterminar fácil fácil... e ainda tem uns vírus novos para nos ferrar como os zika vírus da vida.


E O MEU MUNDO, UMA AREIA DENTRO DO MUNDO GERAL?

Depois de uma semana intensa e exaustiva de trabalho, na qual estive em três estados brasileiros, dormi muito pouco, busquei abstrair de todo caos que impera no mundo e no meu mundo, e consegui fazer com leveza e firmeza aquilo a que me determinei a fazer, volto para Brasília e logo pela manhã de sábado vejo como o mundo está caótico.

Se um dia eu pudesse escrever um livro sobre os bastidores do nosso mundo de lutas sociais, eu o faria. Mas também não sei se valeria a pena.

Talvez o melhor para todos no meu entorno e até para mim mesmo seja manter disciplinadamente meu trabalho focado na missão que tenho atualmente e só (só), com ou sem apoios, sendo respeitado ou desrespeitado por onde menos se espera, e muito firme nos compromissos que assumi com os associados da entidade de saúde onde cumpro mandato eletivo.

Fora da janela de casa, o mundo está o caos e com tendência a piorar.

Estou esperando chegarem esposa e filho depois de uma semana dura para todos nós. No entanto, a semana dura foi superada com obstinação e gana de propósito. Meu filho está matriculado na Unesp, minha esposa conseguiu empreender o zilhão de coisas que tinha que fazer sem poder contar com minha ajuda. Eu consegui ao menos fazer com leveza e paixão meu trabalho de fortalecer a Cassi e firmar parcerias com a base social para ampliar a cobertura do modelo de saúde de cuidar das pessoas.

Mas tem tanta merda de bastidor que está me matando, que dá vontade de gritar e escrever sobre todas elas.

Aprendi a fazer cara de paisagem assim que virei negociador em nome dos trabalhadores e passei a lidar com todo tipo de situação onde o comportamento é fundamental.

Mas tem dia que é difícil calar perante tanta merda. Talvez a gente adoeça por isso...

O mundo e a existência não têm que ter um sentido pré-determinado. Eu não acredito nisso. A existência é o caos, ou pode virar o caos em um segundo. Nós é que temos que fazer nossa existência ter sentido e fazer valer a pena estarmos vivos e estarmos fazendo algo para o meio social humano, além de só pensarmos em nós mesmos.

Chega.

William

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Diário - 180216


Entardecer em Brasília.

Já é madrugada de quinta-feira. Pela manhã, viajo para Macapá (AP) para trabalhar na gestão de nossa entidade de saúde dos trabalhadores.

Estive lá em agosto de 2015 quando realizamos a 1ª Conferência de Saúde da Cassi AP. Estamos voltando agora para aprofundar a relação com a comunidade local do Banco do Brasil e aperfeiçoar a gestão administrativa no Estado.

Nesta quarta, depois de mais um longo dia de trabalho na sede da Cassi em Brasília, cheguei com grande cansaço mental, pois li textos e relatórios e estudei números o dia inteiro. Decidi sair para correr na noite quente brasiliense para tirar o estresse da mente.

Foi uma corrida de 5k em meia hora muito revigorante. Gostei muito. Voltei às ruas e alamedas da Asa Sul depois de quase dois meses viajando e pouco estando no DF. As árvores estão lindas, os cheiros das plantas nos cativam, o clima está quente, mesmo correndo quase às onze horas da noite. 

No domingo passado (14), lá em Osasco, fiz uma corrida semelhante. Estava muito calor, já era mais de 22h e eu estava correndo ao redor do Parque Continental. Corri 6k em 36'. Naquela mesma semana, havia conseguido correr 3k em 16'55".

É isso, vamos forçar a barra fisicamente para não amolecermos com o cansaço de todas as nossas batalhas.

William Mendes

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Vencendo o "inferno astral" com paciência e firmeza



Esposa e filho em um dia feliz a passeio em janeiro de 2016.

Refeição Cultural - Diário 170216

Quando era adolescente, tinha um ditado onde cresci que dizia "tem dia que de noite é foda!".

Estamos atravessando uns dias do chamado "inferno astral" em casa. Mas entendo que não devemos agir como o personagem do famoso filme "Um dia de fúria", interpretado por Michael Douglas.

Neste momento, estou a mil quilômetros de esposa e filho. Eles lá em São Paulo precisando de meu amparo. Eu cá em Brasília cumprindo meus deveres de gestor eleito de entidade de saúde dos trabalhadores. E olha que, na segunda, saí logo cedo pela manhã para cumprir agenda de reuniões com trabalhadores em SP e a esposa ficou responsável por terminar o que ficamos fazendo o final de semana inteiro: ensacando as coisas da casa por causa do pó de quebrar banheiro e cozinha.

Nem conto que naquela segunda fiquei horas e horas no aeroporto de Congonhas fechado por causa do temporal e fui chegar a Brasília quase onze horas da noite, tendo uma pauta gigante de súmulas para ler. Enfim, ainda quase não dormi nesta semana. A esposa também.

Minha esposa está sozinha responsável por zilhões de responsabilidades domésticas nossas. O nosso pequeno apê está interditado com pedreiro. A esposa e filho estão em um hotel. 

A mamãe de nosso filho vai com ele nesta semana para o interior de SP, quase 400 km, para o filhão fazer a matrícula na Unesp. Ele foi aprovado em Biologia. Por displicência de adolescente que deixa tudo para última hora, tiveram que correr na segunda-feira para providenciar documentos que ainda faltavam.

Ontem, terça-feira, esposa e filho tiveram que passar o dia em hospital e meu filho está com dengue. Mas ele tem que ir amanhã fazer matrícula na Unesp. Temos que achar casa para o filho morar em Jaboticabal.

Hoje pela manhã, mal a esposa descansou um pouco do dia inteiro em hospital, o pedreiro liga dizendo que a chave quebrou na fechadura e eu precisei acudir na solução. Acionei logo cedo o seguro 24h do Banco do Brasil e me prometeram que o chaveiro iria ao prédio entre 90 minutos a duas horas. Não foram no prazo dado.

Minha esposa está com trocentas coisas para resolver ao mesmo tempo. Eu estou quase sem dormir porque tenho agendas importantes em nossa entidade de saúde. Terei que viajar amanhã cedo para o Amapá. Estou há horas e horas lendo, realizando estudos e produzindo documentos de trabalho.

Enfim, às vezes, dá um aperto no peito por sempre deixar a família em segundo plano por causa de nossos compromissos profissionais. No meu caso ainda, é muito mais que compromisso profissional, é compromisso político e militância que escolhi fazer quando passei a representar trabalhadores.

Mas as coisas vão se resolver. O chaveiro acabou de chegar (depois de eu ter que reclamar na seguradora em nova ligação). Meu filho vai melhorar em alguns dias. Acho que vai dar certo irem fazer a matrícula. Minha agenda de trabalho vai ser cumprida. Já estamos quase conseguindo um local para o filho morar lá no interior.

E a luta continua porque a vida da gente é brigada mesmo.

Beijos Noni e melhoras filhão. Tenham paciência que tudo se resolverá.

William Mendes


Post Scriptum (releitura em 5/6/16, domingo):

Pelos dias seguintes ao mal-estar do filho, acho que não foi Dengue que o Mário teve, foi virose. O filhão está instalado lá no interior e terminando o primeiro semestre. Agora estamos refazendo o contrato da casa em que ele está, porque o rapaz que o abrigou na chegada está indo morar fora do Brasil.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Burguesia brasileira quer pulverizar conquistas sociais da era petista




Burguesia vira-latas e fascista opera para apagar a história de conquistas do povo brasileiro durante os governos do Partido dos Trabalhadores


Domingo de Sol na capital paulista.

É muito duro conter a ira e nossos instintos mais agressivos quando vemos em operação em nosso querido Brasil um processo iníquo e sem verdades factuais para apagar o período de maiores avanços para a classe trabalhadora a qual nós pertencemos. Aliás, se considerar a máquina midiática fascista de alimento ao ódio, totalitária a ponto de não conseguirmos nos isolar do massacre midiático, até que administro muito bem meus sentimentos de raiva a tudo isso contra o meu povo e a minha classe social.

Na minha opinião de militante de esquerda e ex-dirigente sindical, um dos maiores erros dos governos do Partido dos Trabalhadores foi não enfrentar e acabar com o monopólio de toda a comunicação brasileira mantida na mão de poucas famílias bilionárias que manipulam os 200 milhões de cidadãos deste país, famílias que têm na sua história cinco séculos de manipulação a favor da miséria do povo, onde herdeiros do período colonial, capitães hereditários e famílias do entorno ao poder desde o Império, República Velha e Nova - uma porcentagem pequena de brancos ou descendentes destes -, detêm tudo, meios de produção, de comunicação, todos os espaços da política, ainda hoje baseada no poder do "voto censitário": financiamento privado de campanhas.

Essa é a máquina social dos poucos detentores do poder real, onde o público e o privado nunca se diferenciaram, não é à toa que a política de tratamento para os pobres, os negros, os excluídos, trabalhadores revoltados com a miséria e outras minorias sempre foi a polícia dessas burguesias, a "lei". A lei foi feita para manutenção do status quo e não para fazer justiça social no país Senzala, quintal dos imperialismos. Com essa estrutura, onde nós não tivemos quase direito algum, convivem dezenas de milhões de macunaímas, riobaldos tataranas, policarpos quaresmas, fabianos retirantes como o próprio Lula. Gente miserável que, na virada do século e milênio, passou a ser a prioridade dos governos federais do Partido dos Trabalhadores.

O PT tem em sua gênese, a ideia de conquistar espaços de poder nesta estrutura viciada que foi feita para a Casa Grande nos cinco séculos de construção desta Senzala Brasil, quintal dos impérios. O PT nunca foi revolucionário. Foi se moldando para conquistar espaços nos parlamentos municipais, estaduais e federal. Depois galgou o poder executivo em algumas prefeituras e estados. Depois de longo caminho, o maior líder do partido, o metalúrgico retirante Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder e os números mostram que nós, povo brasileiro proletário e humilde, que vive do trabalho e não de herança e rendas, tivemos uma ascensão histórica em pouco mais de uma década de governos do PT. E olha que em termos econômicos, uma década é muito pouco para efeitos de medidas econômicas e sociais de um governo.

Os dois mandatos do metalúrgico e retirante nordestino Lula da Silva e os dois mandatos da mulher Dilma Rousseff, que integrou grupos revolucionários em defesa da democracia no Brasil durante o período de governos ilegais e ditadores, não focaram a mãe das batalhas - A REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA E O FIM DO MONOPÓLIO NAS COMUNICAÇÕES, visto que ao final dos anos noventa e início do século XXI, o mundo se tornaria um mundo virtual.

A era das comunicações instantâneas, da revolução cultural das redes sociais e da geração "cara na tela" não são nada mais do que consequências culturais advindas com as mudanças e fases do sistema hegemônico capitalista. Sociólogos como o americano Richard Sennet dizem que vivemos a era do Capitalismo Flexível, que tem como um de seus efeitos uma geração com a visão de mundo de curtíssimo prazo, a qual ele atribui um certo comportamento sem compromissos com laços históricos de ética e caráter. Ele descreve isso em seu livro "A corrosão do caráter".

Os governos do PT não enfrentaram a mãe das batalhas. Tirar o poder de meia dúzia de famílias que fazem o que bem entendem há décadas com a vida, com o comportamento, com o cérebro de nossa classe trabalhadora, da tenra infância até nossos últimos dias de vida. Esse é o maior crime do metalúrgico presidente Lula da Silva. Não ter enfrentado o monopólio da mídia. 

Hoje, vemos idosos, gente com cara de boazinha, adolescentes, pobres, remediados e abastados, virarem bichos com ódio reproduzindo como papagaios aquilo que se pauta na mídia totalitária de poucos donos, acusações e criminalizações a partir de ilações, montagens falsas, ataques ilegais e que sequer respeitam a constituição brasileira. Há uma canalhice no ar, há uma hipocrisia instalada. Boa parte das pessoas sabe que o que Globo, Estadão, Folha, Editora Abril e seus veículos de TV, rádio, internet e papel estão fazendo é mentira, mas como os atacados já foram coisificados, não são mais gente ou instituições, são petistas, são do "governo", não tem problema fazer todo tipo de sacanagem: a população aceita o jogo.

Para nós que gostamos de história e conhecemos um pouco das engrenagens dessa máquina totalitária, porque ela é repetição histórica, afirmo a vocês que não há nenhuma diferença para o que fez a máquina nazista desde a ascensão de Hitler em 1933 e o período do Terceiro Reich. O povo alemão gastou décadas após o fim do nazismo para se livrar da linguagem do 3º Reich.


PROGRAMAS DO PT MELHORARAM A VIDA DO POVO, MAS NÃO TOCARAM NO PODER DAS FAMÍLIAS DONAS DAS COMUNICAÇÕES

Os programas e projetos dos governos Lula e Dilma fizeram de tudo pelo povo pobre e trabalhador brasileiro. Até meados de 2013, os programas do governo mantiveram as conquistas sociais do povo, que compunha até então, a maior quantidade histórica de brasileiros nas faixas de renda a que chamam "classe média" (eu não gosto deste conceito). Programas de governo revolucionários por sinal, visto que mudaram em pouco mais de uma década a vida de dezenas de milhões de brasileiros. Querem que citemos alguns:

- Bolsa Família
- Luz para Todos
- Minha Casa, Minha Vida
- Mais Médicos
- Maior Salário Mínimo em décadas
- PAC e Pré-Sal
- PróUni e Fies
- Política de cotas
- Criação da CGU e todo o aparato contra a corrupção
- Criação de milhões de empregos por fortalecer a produção e comércio nacionais

Pois é, mas se tem uma coisa que não mudou na era de governos do PT é o fato de qualquer tapera, qualquer casa de pau-a-pique, todos os butecos e hall de hotéis, lugares abertos ao público, desde a comunidadezinha lá no meio dos rios da Amazônia, e também em todos os grandes centros, em todos os lugares desta terra ainda vista pela burguesia vira-latas brasileira como Senzala Brasil, em todos os pontos do nosso querido Brasil, quem pauta o que esses 200 milhões de brasileiros vão ter que ver, falar, pensar, comentar, opinar, respirar, ouvir, AD NAUSEAM, é o que produz como fonte de informação de massa, as famílias Marinho, Civita, Mesquita e a família Frias.

O cenário que entramos é o de uma sociedade distópica, caótica, irreal e bárbara, é semelhante ao "1984" de George Orwell e também ao "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley. A tela, ou o jornal, ou a revista, ou as ondas de rádio, ou as fontes do que o pessoal compartilha nas redes sociais, automaticamente, sem nenhuma necessidade de verificação da veracidade, se espalha e entra por nossos poros. Não há onde se esconder. Se você está em férias e quer se desligar, juro, você vai chegar no meio de um mundo isolado e vai ter uma TV ligada com os fascistas da Globo falando ali naquele buraco de mundo... "poder imagético da verdade..."

Esse foi o maior crime que cometeram os governos do Partido dos Trabalhadores nos dois mandatos de Lula da Silva e nestes mandatos de Dilma Rousseff.

Essa mídia totalitária conseguiu estragar as gerações atuais com um ódio nunca visto no Brasil. Qualquer que seja o final desta história da Senzala Brasil, levaremos décadas para resgatar nossas gerações do ódio criado por um grupo que não soube e jamais aceitaria perder um pouquinho do poder total da terra de exploração chamada brazil.

William Mendes
Cidadão brasileiro

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Chegamos, enfim, à era do Grande Irmão!



O crepúsculo. Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

No meu perfil ("conta") da rede social da empresa Facebook, que fatura zilhões de dinheiros utilizando nossos dados, gostos etc, tem duas perguntas interessantes. Uma relacionada ao meu trabalho de gestor de saúde, outra relacionada ao sistema capitalista, que critiquei postando um vídeo de Noam Chomsky.

O Universo tem bilhões de anos. A vida no planeta Terra também tem seus bilhões de anos. O animal mamífero humano apareceu no Planeta há muito pouco tempo. Comparando a idade de existência deste pálido ponto azul que habitamos no Universo, seria a última folha em milhares delas, de um grosso livro de história deste mundo em questão.

O animal humano é, sem dúvida, uma grande evolução da natureza. Desenvolvemos o cérebro, nos tornamos onívoros e comemos qualquer porcaria existente no local, criamos cultura e linguagem, desenvolvemos tecnologia para sobreviver em qualquer ambiente e alterá-lo por necessidade ou por comodidade. Criamos tecnologia para matar em escala. Por fim, criamos meios de comunicação que aceleraram a velocidade do mundo e da vida e encurtaram as distâncias em todo o Planeta e fora dele, indo para o espaço.

Quando começo a desenvolver as ideias em uma reflexão como esta em que estou avançando por degraus as ideias, já olhei pra cima, vi três parágrafos e lembrei que devo acelerar para o fim do texto porque os humanos hoje não toleram algo maior que alguns parágrafos ou poucos minutos.

Vivemos uma incomunicabilidade na era das comunicações.

Não sei onde a raça humana vai parar.

Depois eu respondo lá na conta da empresa Facebook às duas questões que me fizeram. Aliás, onde detenho esta conta para falar com o mundo, este blog, também pertence a uma empresa, o Google.

Eu se tivesse desenvolvido o texto que iniciei nos três primeiros parágrafos, abordaria o que virou o mundo e o nosso país, dominado por pouquíssimos animais humanos que detêm a propriedade dos meios de comunicação globais. É o maior sistema totalitarista que a humanidade já viveu em seus poucos milhares de anos. Se eu, um nada, um indivíduo, virar a bola da vez de um desses animais donos da mídia global, por qualquer desafeto ou interesse contrariado desses deuses que podem definir se sou culpado de algo ou não, estarei massacrado no dia seguinte em todos os meios de comunicação espalhados como o ar em cada lar (no caso, ar infecto), em cada aparelho de celular neste pálido ponto azul que habitamos.

Estarei pulverizado, exatamente como no visionário e apocalítico "1984", de George Orwell. Os meios midiáticos de comunicação global na mão de poucos animais humanos são o Grande Irmão, a temida ficção que virou realidade no século 21.

William

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Diário - 070216



Alvorada em meu mundo de Ozz... Osasco. Fev/2016.

Domingo em Osasco, São Paulo. Dia de calor e Sol. No sábado à noite, choveu intensamente por aqui.

Pela manhã, caminhei um pouco para ir buscar pães. O supermercado fica à quase uma hora de caminhada ida e volta. Refleti sobre várias coisas nesta hora, pois tinha acabado de reler algumas páginas d'O Leviatã (1651), de Thomas Hobbes.

Após o café, fui ao Parque Continental para correr. Fiz uma corrida intensa e sob forte calor. Tenho que fazer algo para tentar recuperar um pouco de minha energia vital. Estou muito aquém do que minhas lutas me exigem. E eu não tenho escolhas, minhas lutas têm de ser feitas.

Planejei que para este ano preciso aumentar um pouco a intensidade das corridas, já que não terei como aumentar distâncias e tempos dedicados às corridas. Para um cara de 46 anos, que perdeu muita massa muscular por deixar o foco na própria saúde em segundo plano por uma jornada insana de trabalho, é muito difícil diminuir tempo em corrida. O corpo sente demais. Falta ar, falta músculo, falta energia.

Meu trote é entre 6 e 7 minutos. Baixar o tempo de 6 minutos no quilômetro é dureza.

Nos últimos dias, consegui fazer duas corridas boas. Corri 3k em 17' no Eixão em Brasília e depois corri 3,5k em 19'40". Neste último tiro, senti bastante fisicamente.

Hoje corri dois tiros e foram bem interessantes. Fiz uma corrida de 2k em 11' e depois fiz 1k em 5'. Foi intenso e quase coloquei os bofes pra fora. Pra relaxar, caminhei mais 2k em 19'.

Eu não quero e não posso deixar o cansaço e a dureza da vida me derrubarem fisicamente. Farei a minha parte. Se quebrar no meio do caminho, será em pé e com a cabeça erguida, focando ter energia para as lutas que estou empenhado.

William


Post Scriptum (terça, 9/02/16):

Corrida no Pq. Continental à tarde. Fiz 3k em 16'55". Caminhei mais uns 4k. A tentativa de melhorar a força muscular e a velocidade vai dar muito trabalho.