domingo, 17 de abril de 2016

1984 é agora... É possível resistir à tortura totalitária?



A jovem Dilma Rousseff, que resistiu à tortura totalitária
e foi julgada sem crime nos anos 60/70 e hoje, 2016, enfrenta
com a mesma grandeza, o mesmo ataque totalitário e o
julgamento sem crime por parte de criminosos.
Não passarão!

" 'Se eu pudesse salvar Júlia dobrando a minha dor, seria capaz? Sim, seria.' Mas não passava de uma decisão intelectual, tomada por saber que devia tomá-la. Não a sentia. Naquele lugar não era possível sentir nada, exceto dor e presciência da dor. Além disso, era possível desejar, por qualquer motivo, que a dor aumentasse, quando já a sofria bastante? Era uma pergunta que ainda não podia responder..."

Instantes depois da primeira agressão que arrebentou o cotovelo de Winston com uma porrada de bastão:

"O guarda ria-se das suas contorções. Ao menos uma dúvida fora esclarecida. Nunca, por nenhuma razão, se poderia desejar que a dor aumentasse. Da dor, só se podia desejar uma coisa, que parasse. Nada no mundo era tão horrível como a dor física. Em face da dor não há heróis, não há heróis, ele pensou e tornou a pensar, torcendo-se no chão, segurando à toa o braço esquerdo invalidado."

(1984, de George Orwel, lançado em 1949)


COMENTÁRIO DO BLOG

Hoje, 17 de abril de 2016, um domingo, é um dia triste na história do nosso querido e amado Brasil.

Daqui a pouco começa no Congresso Nacional uma sessão símbolo da vergonha nacional. Um bando de parlamentares em parceria com o Grande Irmão Globo e demais mídias golpistas iniciam a votação para tentar a aprovação do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, reeleita em outubro de 2014 com 54,5 milhões de votos. 

Os golpistas haviam avisado que se o povo brasileiro votasse na reeleição do PT a presidenta Dilma não iria governar. E de fato, efetivamente, desde o resultado, empresários da comunicação (P.I.G.), da Fiesp e os partidos derrotados, liderados pelo PSDB, pararam o Brasil e a economia do país. Tiveram apoio importante de setores da justiça brasileira, tomada por pessoas que se comportam de forma partidária, em órgãos que deveriam ser imparciais e deveriam mediar divergências entre o executivo e o legislativo, mas sem tomar partido em disputas políticas.

A sessão do impeachment é liderada por uma corja de gente covarde, de gente acusada de corrupção de alto calibre, mas que está deixada livre e solta para comandar o golpe contra aquela que não tem crime algum. Pelo contrário, a presidenta tem em sua trajetória, uma história impecável de dedicação ao Brasil e aos brasileiros, lutando contra o regime de exceção da ditadura civil-militar dos anos 60/80, que afundou o país em um período tétrico para as liberdades e direitos civis, políticos e humanos. Não por coincidência, hoje são os mesmos grupos empresariais que arquitetaram aquele golpe de 1964 que lideram o Golpe de Estado em 2016.

Já nos anos de juventude, a hoje presidenta Dilma Rousseff, mãe, avó, senhora idosa, presidenta eleita, já na juventude enfrentou o atentado à sua honra, à sua vida. Foi presa sem crime, foi julgada sem crime, e pior, foi seviciada e torturada por covardes por trás de cargos e proteção de órgãos oficiais do Estado brasileiro. EXATAMENTE COMO HOJE SE REPETE.

Será que o 1984 de George Orwell será agora? Aquela história e aquele cenário totalitário do Grande Irmão, poderia ser o hoje totalitário cenário do Grande Irmão Globo/P.I.G./Temer/Cunha/Fiesp e setores fascistas da sociedade?

Vou pra rua agora, avolumar o lado de quem está a favor da democracia e do povo brasileiro contra esses golpistas liderados pelo Grande Irmão Globo.

Não passarão! Não vai ter golpe, e se tiver, vai ter luta!

William Mendes
Cidadão e defensor da democracia.


Post Scriptum (21/4/16):

O Golpe foi consumado. Os corrutos da Câmara, liderados pelo Eduardo Cunha, aprovaram por 367 x 137 a abertura do processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff sem que ela tenha cometido crime algum de responsabilidade.

Minha esperança de que o povo brasileiro reagiria, e que se houvesse golpe, haveria luta, não se realizou. Ninguém invadiu o Congresso, ninguém iniciou a reação imediata no domingo mesmo e a semana já está terminando e o Grande Irmão Globo e demais golpistas seguem a vida corrupta deles normalmente.

O sistema de comunicação totalitário já cria clima diferente nos meios informativos e de lavagem cerebral sobre as etapas do novo momento do Brasil a se vencer, as reformas necessárias onde o povo é que vai se foder... enquanto isso, alguns tristes e outros felizes, curtem o feriado de 21 de abril.

As teletelas farão o serviço de apagar o passado, revisá-lo, para que o Grande Irmão Globo/P.I.G. sempre esteja certo em seus prognósticos e previsões

Minha dúvida é quando começarão os grandes expurgos, onde nós que éramos contrários ao golpe seremos vaporizados.

Talvez venha aí a pax dos túmulos.

Que dizer? Sem palavras.

William

sábado, 16 de abril de 2016

1984 é agora... Distribuir riqueza põe elite em risco




"Pois se o lazer e a segurança fossem por todos fruídos, a grande massa de seres humanos normalmente estupidificada pela miséria aprenderia a ler e aprenderia a pensar por si; e uma vez isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde veria que não tinha função a minoria privilegiada, e acabaria com ela. De maneira permanente, uma sociedade hierárquica só é possível na base da pobreza e da ignorância..."


COMENTÁRIO DO BLOG

Brasil, 16 de abril de 2016. Sábado.

Estamos no auge da tensão política em nosso país.

Está marcada para este domingo, sessão no Congresso Nacional para votar a abertura de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, reeleita para o cargo em 2014 com 54,5 milhões de votos de cidadãos brasileiros.

A votação do impeachment é mais uma etapa do Golpe de Estado em marcha no Brasil desde a vitória da presidenta Dilma. Foi avisado a ela e aos brasileiros que, caso ela ganhasse, não governaria. E de fato, pararam a economia e o país por não aceitarem o resultado das urnas. Prejudicaram milhões de brasileiros por isso desde 2014.


O P.I.G. lidera o Golpe de Estado, junto a tucanos,
Fiesp e Temer e Cunha, tudo limpinho e cheiroso.

O Golpe de Estado é organizado por um sindicato de @#%*¨&, como avaliam diversos intelectuais e analistas políticos progressistas, ou seja, estão à frente do golpe a oposição partidária, liderada pelo PSDB, um partido sem projeto que dialogue com a maioria do povo brasileiro, mas também estão os empresários donos dos meios de comunicação oligopolizados, que no Brasil ganharam o nome de P.I.G. porque atuam como um partido (Partido da Imprensa Golpista). Mas não só eles, temos também Fiesp, rentistas, e setores dos órgãos de justiça, tomados por pessoas que se comportam partidariamente, maculando o poder judiciário, que deveria equilibrar os demais poderes - legislativo e executivo. Caiu a máscara e agora vemos também a foto do vice-presidente Temer e o querido e honesto Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

A frase acima em epígrafe foi retirada da obra distópica e apocalíptica "1984", um mundo totalitário onde o Grande Irmão tudo controla e dirige em relação à vida dos cidadãos. Eu comparo o Grande Irmão ao poder da Rede Globo e demais  meios de comunicação dos empresários golpistas, que orquestram o golpe neste momento contra o Governo Dilma e contra o povo brasileiro que resistem contra o Golpe de Estado e em defesa da democracia.

O grande motivo por trás do golpe, já que não há crime algum da presidenta Dilma, é interromper os governos do PT, que de forma incontestável, tanto do ponto de visto interno como de fora do país, foram os governos que mais distribuíram renda ao povo e tiraram milhões e milhões de pessoas da miséria absoluta nos anos dois mil, mas isso evidentemente põe em risco os interesses dos donos de tudo, porque em algum momento nós povo proletário e subproletário ("proles") podemos perceber que esses 5% detentores de todas as riquezas não servem para nada...

E aí...

Atenção! Atenção! A senzala está avisando que não vai aceitar o Golpe não! O povo está se mobilizando e já estamos tomando as ruas e locais do país para avisar que se os golpistas do Congresso fizerem merda, vai feder geral...

É o povo lutando contra o Grande Irmão (Globo/Temer/Cunha/tucanos/Fiesp).


É melhor aceitarem a democracia, porque os proles estão saindo do controle da Rede Globo...


William Mendes
Cidadão brasileiro e democrata

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Diário - 130416


Pra não dizer que
não falei das flores.

Fim de dia nesta quarta-feira 13 de abril, em Brasília, Capital do Brasil em crise e com Golpe de Estado em marcha. O nosso mundo pode ser o caos na próxima semana.

Tanto ontem quanto hoje, decidi sair do trabalho (já de noite, como de costume) e não mais trabalhar ao estar em casa. Isso está me arrebentando, além da tristeza pelo que estão fazendo com o nosso querido país.

Saí para correr e salvar minha vida (pelo menos, eu não sou Macunaíma e não tenho preguiça). Só correndo para tentar me manter em condições de aguentar minhas tarefas e minhas lutas.

Corri na noite brasiliense de 22 graus de temperatura, um trote leve de 31', cerca de 5 km. Depois, assisti a um episódio antigo de Arquivo X, lá do segundo ano da série, só para relaxar (2X23 - Luz Suave). Liguei para os meus pais para ver como estão.

Nesta quinta-feira, viajo cedo para trabalhar em Salvador, Bahia, até sexta.

É isso.


Enquanto caminho e corro, há esperança, apesar de não ler...

01/04 sexta DF...................caminhada noturna 35'

02/4 sábado DF...................caminhada noturna 50'

03/04 domingo DF...............corrida 8k 48'30" 28º Eixão ritmo show

05/04 terça DF....................corrida 6k 38' e 24º noturna

09/04 sábado MG................corrida 5k 29'20" 31º Pq. do Sabiá ritmo show

10/04 domingo MG..............corrida 5k 34' 28º Pq. do Sabiá trote regenerativo

13/04 quarta DF..................corrida 5k 31' 22º noturna pra relaxar do estresse

Mas a pressão arterial, só com remedinho agora...


Post Scriptum em 02/5/16

17/04 domingo DF...............corrida 5k 32' 28º Eixão às 14:30h

20/04 quarta DF..................corrida 5k 31' 22º noturna

22/04 sexta DF....................corrida 6k 38' 22º noturna

24/04 domingo DF...............corrida 7k 44' 26º às 15:15h


Corri 9 vezes no mês (52k) e caminhei mais 2 vezes.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Artigo: A República da cobra: somente tolos ridicularizam discurso de ódio


Foto de juristas pró-impeachment que ilustra artigo abaixo.
Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom. Agência Brasil.

COMENTÁRIO DO BLOG:

Reprodução de artigo do Prof. Dr. Salah H. Khaled Jr., publicado em 10/4/16, no site da Carta Maior, sob licença copyleft.

Este artigo sintetiza reflexões que frequentemente faço neste blog. Ele é de leitura e reflexão fundamental após a abertura da Caixa de Pandora em nosso país, que caminha para o fascismo ou algo pior no próximo período. Os sublinhados são meus.

William Mendes




A República da cobra: somente tolos ridicularizam discurso do ódio

Não são poucos os massacres que decorreram de ações de pessoas que sinceramente acreditavam que lutavam pelo que é justo.

Autor: Prof. Dr. Salah H. Khaled Jr.



Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em nome do que é justo e correto. Em nome da família. Em nome da liberdade. Em defesa da sociedade. Em defesa da autonomia da vontade. Pela libertação do mal. Pela regeneração do corpo social.

Palavras de ordem. Lemas que agregam. Causas que unem estandartes e que afastam – pelo menos temporariamente – diferenças periféricas. Poucas coisas conseguem reunir um todo heterogêneo como um inimigo comum. A eleição de um inimigo – bem como a crença em um projeto que aponta para o eventual triunfo sobre ele – capacita para o sacrifício em prol do objetivo perseguido. Eventuais diferenças podem ser resolvidas no campo reorganizado de um tabuleiro no qual foi exorcizada a principal causa de dissenso. Em outras palavras, os vencedores podem decidir sobre a distribuição de espólios uma vez que a resistência aos seus esforços tenha evaporado.

Que a guerra em nome do bem comum seja empreendida: paz na Terra aos homens de boa vontade.

Não são poucos os massacres que a humanidade conheceu ao longo da história e que decorreram de ações de pessoas que sinceramente acreditavam que lutavam pelo que é justo. É incomum que alguém tenha uma imagem negativa de si mesmo: as pessoas constroem suas próprias justificativas para as escolhas que adotam e os inimigos que elegem. São heróis ou heroínas de suas próprias narrativas, que – não raro – capacitam práticas de extermínio que resultam em inomináveis tragédias.


Como o título indica, estou discutindo aqui a fala proferida por Janaína Paschoal no evento em defesa do impeachment que ocorreu na última segunda-feira, 4 de abril, na Faculdade de Direito da USP. É pouco provável que o leitor não tenha lido sobre o assunto, que foi retratado inúmeras vezes. Algumas análises ultrapassaram o limite da civilidade: atribuíram coloridos pejorativos com base na suposta "histeria" da professora e tentaram desacreditá-la com base nos clientes que já defendeu. Trata-se de uma linha de raciocínio que aposta em estereótipos machistas e que indiretamente ataca a própria advocacia, como se o fato dela ter sido advogada de acusados específicos a diminuísse enquanto pessoa. Não vejo como isso possa servir a qualquer propósito louvável. São análises equivocadas e estigmatizantes. Não tenho simpatia por elas e seguirei um caminho completamente diferente, como inclusive outros já fizeram. A crítica não deve sacrificar a dignidade acadêmica ou utilizar estratégias desonrosas para diminuir eventuais adversários, que não devem ser tidos como inimigos. Desnecessário dizer que a minha posição é de compromisso com a legalidade democrática e repúdio ao impeachment, como já deixei claro inúmeras vezes.

Não discutirei aqui a pessoa da professora, sua trajetória política e acadêmica ou qualquer detalhe nesse sentido, embora certamente mereça menção o fato dela ser uma das subscritoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Não irei me deter na teatralidade, ou seja, no aspecto performativo da fala e na intensidade dos gestos que a acompanharam. Logicamente, a manifestação se deu em moldes fundamentalmente distintos dos acadêmicos, enquanto o evento – embora abertamente de caráter político – foi estruturado como evento da academia e, logo, representativo do engajamento de parcela significativa de professores da casa. Mas este aspecto não é contemplado senão indiretamente nas breves linhas que compartilho aqui.

O que me parece digno de apreciação é o conteúdo do discurso e os sentidos que ele potencialmente funda. É sob este aspecto que é preciso discutir – pelo menos brevemente – a fala sobre a "República da cobra". Não porque com isso exista qualquer intenção de diminuição ou redução de quem efetivamente fez o discurso em questão, mas porque creio que ele merece atenção pelo que representou dentro de um contexto específico, que é o de choque entre forças favoráveis e desfavoráveis ao impeachment.

Parece óbvio que não é uma fala jurídica ou sequer acadêmica. Não há qualquer respeito pelos cânones que circunscrevem o espaço conceitual do pensamento jurídico, nem qualquer intenção de reivindicação do suporte de cientificidade que é típico de manifestações acadêmicas. Janaína Paschoal não fala como acadêmica naquele momento. Não fala como jurista. Fala como ativista política, para uma plateia que se mostra imensamente entusiasmada com o discurso. A receptividade da fala é enorme, como pode ser percebido pelos inúmeros aplausos durante as pausas dramáticas que ocorrem entre um trecho e outro. Quem assiste ao vídeo em casa pode não gostar. Mas para quem estava lá, a sensação parece ter sido de que ela "ganhou o dia". E isso certamente merece atenção.

Poderíamos dizer – e muitos inclusive disseram – que a fala diminuiu a estatura acadêmica da professora em questão. Reconheço minha condição de ignorante e confesso que não conheço sua produção acadêmica. Mas sua trajetória como advogada é amplamente conhecida, inclusive por quem não advoga, como é meu caso. Com certeza é tentador para quem se encontra no espectro político oposto – na questão específica do impeachment – "caricaturizar" Janaína Paschoal, ou seja, despi-la de sua humanidade e grosseiramente retratar sua "perda de controle". Mas a fala não pode ser compreendida fora do contexto no qual foi proferida, sob pena de que a eventual análise não seja mais do que um exercício fútil de leviandade. Tentarei escapar dessa armadilha nos parágrafos restantes desta coluna.

O discurso proferido por Janaína carrega forte conotação moral e emotiva, complementada pelo emprego da bandeira do Brasil e a utilização de uma camisa amarela. Em vários momentos, ela fala como se não falasse por si mesma, mas pela nação: "nós somos muitos..." é um expediente típico de discursos construídos como artifícios de sedução. Eles visam o prazer do ouvinte: sua participação emocional e engajamento profundo em uma cerimônia de louvor à causa. Um olhar atento sobre o conteúdo da fala e a reação da plateia revela um ritual de celebração voltado para o frenesi coletivo, construído sob o signo da libertação da opressão: "eles derrubam um, levantam-se dez [...] dominando as nossas mentes, as almas dos nossos jovens".

Janaína exerce um efeito de aproximação com o público presente que objetiva uma profunda identificação: individualidades devem se diluir em um amálgama maior de emancipação coletiva de consciências. Ela fala praticamente o tempo todo como quem reivindica a condição de porta-voz de uma coletividade: "nós não vamos baixar a cabeça..." é um dos muitos exemplos que caracterizam a estratégia adotada e amplamente bem sucedida.

A linguagem produz subjetividades, desqualificando não apenas os inimigos metaforicamente referidos, mas também seus aliados circunstanciais: "os professores de verdade querem mentes e almas livres" conforma um ardil particularmente performativo, por exemplo. O discurso pode soar inicialmente superficial, mas há uma clara intenção de conexão com um público-alvo específico, que consome uma dieta cultural que consiste basicamente no pensamento charlatão que acusa a academia de doutrinação marxista. A conexão produz filiação. Quem ouve se sente tocado, mesmo que inconscientemente.

Janaína está entre aliados e potenciais amigos com interesses comuns. Sabe para quem fala e o que muitos dos que estão lá querem ouvir. A pregação é para convertidos. Não é para consumo externo. Não há nenhuma necessidade de convencer opositores ou eventuais indecisos: o momento é de celebração de uma vitória que é tida como iminente, como é explicitado nos últimos instantes do discurso.

Despersonalizada discursivamente como representante de uma coletividade insurgente, é somente no final da fala que a própria Janaína "surge" referindo o pai, como heroína mítica que promoverá a libertação da nação e supostamente comandará uma legião enviada por Deus para "cortar as asas da cobra": "nós queremos libertar o país do cativeiro de almas e mentes... não vamos abaixar a cabeça pra essa gente que se acostumou com discurso único... acabou a república da cobra!".

E assim ela encerra: a vitória está ao alcance da mão e com ela, o gozo: o equivalente político de um orgasmo anunciado.

Confesso que assisti várias vezes. Na primeira delas, fiquei estarrecido. Na segunda, senti medo e náuseas. Foi somente a partir da terceira vez que consegui analisar o conteúdo da fala com alguma objetividade.

O discurso efetivamente comemora o desfecho triunfal de uma verdadeira cruzada contra o mal. O oposto de Deus só pode ser o Diabo e é contra ele que Janaína se insurge. Não disponho de capacidade para intuir a subjetividade da professora. Mas se fosse preciso dar um palpite, diria que tenho certeza quase que absoluta de que ela realmente acredita no que diz. E precisamente por isso seu discurso é tão perigoso. Os lugares explorados na fala em questão remetem ao que de pior a história produziu em termos de demagogias políticas absorvidas pelas massas. Um discurso assentado em tais pilares tem um poder de mobilização social gigantesco. Ele apela para estruturas profundas de compreensão e, logo, produz subjetivamente um pronunciado efeito de adesão. E isso é particularmente perigoso quando a fala em questão é um discurso de ódio que convoca para o enfrentamento e sinaliza com a intensificação de conflitos sociais. O fato da emissora da mensagem não ter ciência de que profere discurso de ódio não atenua em nada seu conteúdo: apenas demonstra que o ódio pode falar através de pessoas, como muitas vezes falam as próprias estruturas, inclusive as míticas.

Nós nos acostumamos a desqualificar discursos voltados para o convencimento emocional. Muitas vezes eles são ridicularizados e não são percebidos como o que realmente representam: ameaças para uma cultura de respeito à alteridade. Uma tradição significativa do pensamento chega a considerar que discursos repletos de efeitos de sedução são algo alienígena perante as virtudes da racionalidade. Terrível engano. Discursos como o de Janaína transcendem os limites formais de lugares e padrões preestabelecidos: são fala, figura e gesto, dotados de uma racionalidade que lhes é muito própria e que complementa sistemas "racionais" de compreensão do mundo com modos afetivos de conhecimento. E é comum que modos afetivos tenham peso muito maior nas decisões do que o que costumamos chamar de "racionalidade". Não que a dicotomia moderna entre razão e emoção ainda mereça qualquer credibilidade.

Tolos são aqueles que taxam efeitos de sedução como simples irracionalidade e histeria. Tolos são aqueles que empregam estereótipos de misoginia como se agissem em defesa da democracia. Tolos são aqueles que subestimam a capacidade de discursos de ódio para conclamar as massas para a destruição da liberdade.

Quem sabe um pouco mais procurará compreender o adversário, que não deve ser visto como inimigo. A República pode não ser da cobra, mas a serpente do fascismo ameaça engolir a todos nós.


Fonte: Carta Maior, com fotos de Fabio Rodrigues Possebom/Agência Brasil.

sábado, 9 de abril de 2016

Diário - 090416 (E Post Scriptum)



Meus acarás, sobreviventes das mudanças em minha vida.

Post Scriptum (domingo, 10/4/16, 23:40h):

Estou em Brasília. Cheguei há pouco, vindo de Uberlândia. No fim de semana revi meus pais, sobrinhos e alguns familiares queridos. Foi a formatura de minha sobrinha Stefani, nova cidadã brasileira formada em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia.

Fiz minha obrigação de limpar meu aquário com os acarás. Precisei deixá-los com minha mãe desde que comecei meu mandato na Cassi, passando a morar em Brasília, porém viajando muito o tempo todo.

Após um dia tranquilo na companhia da família, bateu um grande desejo de ir ao Parque do Sabiá me despedir daquele lugar que tanto gosto. Meu pai foi solícito e me deu carona pra lá novamente.

Apesar de termos almoçado tarde, e eu ter pouco tempo antes de pegar o voo para Brasília, fui fazer nova corrida no Parque. Desta vez, fui bem leve, trote sem compromisso com o tempo e fiz os 5 km em 34'. Foi uma das corridas em que mais namorei as árvores e os pássaros ao redor. Sem contar os lagos.

Enfim, agora de noite, vi um programa de literatura falando sobre A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Emocionante! Eu li o livro e ele é de uma grande mensagem que vale para os dias atuais pré colapso de nossos sistemas democráticos e da política como solução pacífica das controvérsias, e não a intolerância e a guerra.

Acabou meu final de semana. Minha família está lá em Minas. Minha família está lá em São Paulo (esposa e filho). Eu cá a trabalho.

A vida e as lutas seguem.

William


Parque do Sabiá. Melhor lugar do mundo para corridas.
Foto de dezembro de 2015.

Sábado de forte calor em Uberlândia, Minas Gerais. Depois de meses, pude vir à casa de meus pais visitá-los. Também é data especial porque minha querida sobrinha Stefani tem festa de formatura. Parabéns garota!

Se tem uma coisa que não posso deixar de fazer em Uberlândia, é ir ao Parque do Sabiá. Um dos locais mais agradáveis que eu conheço no mundo para correr e andar em meio à natureza, lago, pássaros e muito verde.

Fiz uma corrida deliciosa com Sol a pino de meio-dia. Corri 5 km em 29'20". Foi a primeira vez que faço o percurso em menos de meia hora. É o local que favorece tanto.

No almoço feito pela mama, comi um arroz com feijão, frango cozido, milho refogado e alface que... minha nossa! Vai tá bão assim lá no céu!

Passamos a tarde conversando sobre conhecimentos gerais e decidindo os rumos do mundo.

Agora à noite, tem a festa da menina formanda... vou fazer um esforço e ir algumas horas (eu não sou muito fã de festas).

Amanhã, vou limpar meu aquário. A mama assumiu o cuidado dos nossos três acarás sobreviventes das mudanças em nossas vidas após meu novo trabalho em Brasília, após junho de 2014.

William


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Diário - 040416



(atualizado 6/04/16)




Já é madrugada de segunda-feira 4, de uma nova semana de trabalho em que tenho agendas em Brasília e no Maranhão. Além disso, vou a Uberlândia (MG) no final de semana. 

Mas a semana sempre começa com pautas gigantes para serem lidas para a reunião de Diretoria de terça-feira. Enfim, esta semana será igual às outras: muitas horas de trabalho.

O domingo foi o dia de ficar em minha casa provisória em Brasília (porque sou morador de Osasco, SP). Foi meu aniversário. Fiquei com a esposa em casa. O filhão tá lá no interior de SP.

Saí para correr no Eixão à tarde. Fiz uma corrida maravilhosa! Curti muito e me senti vivo, com energia para lutar minhas lutas, mesmo agora que completei 47 outonos e que estou com a saúde sentindo a carga de trabalho. Corri 8 km em 48'30" com calor de 28º e fiz com um ritmo constante do início ao fim. Foi demais e com o Eixão vazio.

Assisti neste fim de semana a dois filmes muito bons. Perfume de Mulher (1992), com Al Pacino, e Os Miseráveis (2012), musical. Estava devendo isso à minha esposa. Também vi um pouco de programas sobre natureza.

Li um pouco do livro 1984, de George Orwell, mas não avancei o quanto queria.

Como foi meu aniversário, decidi ler todas as mensagens, todas, e responder uma por uma, porque sempre defendi que cada pessoa é única e muito importante. Pensei se fazia uma resposta geral ou não. 

Acontece que sempre afirmo que minha preferência pelo contato presencial nas bases sociais que represento é porque nada substitui o olho no olho. Achei melhor, então, responder a cada pessoa que se dignou a me mandar alguma mensagem ou palavra pela data de meu aniversário.

Li mensagens que me emocionaram muito! E agradeci por elas. Também recebi telefonemas e outras formas de felicitação. E ganhei uma bela orquídea azul de minha esposa.

Vamos em frente, nossa luta segue nesta semana. Quero estar cada dia mais focado na boa representação dos trabalhadores e nos princípios que me norteiam como ser humano e como militante social de esquerda.

William


Post Scriptum (00:35h de 6/04/16):

Entramos na madrugada de quarta-feira. Trabalhei até umas 20h. Em casa, medi a pressão e vi o marcador apontar 13,5 x 10,5. Que merda, meu! A porcaria do remédio que estou tomando não está servindo para nada? Saco!

Saí pra rua e corri 6k em 38' com temperatura amena de 22º.

Que foda isso!

domingo, 3 de abril de 2016

Diário - 030416


Meu presente: flores!
Bela orquídea azul.

"O que somos é feito do que fomos, de modo que convém aceitar com serenidade o peso negativo das etapas vencidas." (Antonio Candido)


Aniversário - Balanço


O domingo amanheceu bem bonito aqui em Brasília, Capital de meu querido Brasil. Acordei cedo e fui buscar pães. Antes disso, medi a pressão arterial e tomei o remédio de pressão - decidi dias atrás que iria tomar o remédio para fazer a minha parte em me manter nas lutas (viva hoje o que sobrou de ontem...).

Tive a surpresa de receber em casa um vaso de flores, orquídeas azuis, de minha esposa. Coisa linda! Obrigado Noni, adoro flores e plantas!

Estou de passagem por esta cidade, cumprindo um mandato como gestor eleito em entidade de saúde dos trabalhadores do banco em que trabalho. A mudança em minha vida foi radical. Mais radical ainda foi a mudança na vida de minha família por isso.

Completei 47 anos de vida. Olhando para o percurso feito, e para os sonhos que tinha, fico ao menos com a consciência leve pelo aprendizado tirado nas veredas por onde andei. Se não realizei alguns sonhos pessoais importantes, pude ajudar pessoas algumas vezes. Isso é bom porque a vida humana não deve ser só um pensar em si, mas um viver para a coletividade do lugar que nos abriga.

Estou feliz pela oportunidade de ter meus pais comigo e poder contribuir no cuidado deles. Feliz por ter irmã e sobrinhos que estão percorrendo o bom caminho, os dois jovens estão cumprindo suas etapas formativas e são cidadãos de bem. 


Feliz por ter um filho maravilhoso que também iniciou a etapa formativa de sua vida, mesmo os pais sofrendo pela distância do rapaz. Feliz por ter uma esposa que é companheira e me apoia numa jornada de trabalho que alterou a vida dela e, mesmo assim, ela me dá forças para cumprir minha atual tarefa profissional.

Feliz porque sei que muitas pessoas gostam da gente, respeitam o nosso trabalho e respeitam a nossa postura como cidadão deste mundo confuso e em grave crise de valores.



Mesmo em um mundo de crises, há flores,
e céu, e pôr do sol, e lua e estrelas.
Passei a observar muito mais a natureza ultimamente.

O amanhã será de lutas, como deve ser

Quanto ao amanhã, que dizer de um mundo que se tornou tão instável e incerto? Eu não me aparto das consequências que podem advir da quebra da institucionalidade democrática em meu país. Não há como se isolar das graves consequências da intolerância fascista que toma conta de minhas irmãs e irmãos brasileiros.

Quem diria que aos 47 anos fosse ter que enfrentar os mesmos receios de minha adolescência: os graves riscos de um país sem liberdade e democracia! Um país policialesco onde o cidadão pode ter sua casa e sua vida invadida por órgãos e agentes do Estado que não seguem lei alguma. Que atuam por serem próximos a certos grupos sociais e atuam de forma seletiva contra outros segmentos sociais (o meu). Isso que vivemos hoje com a Operação Lava Jato é o fim da justiça brasileira.

Eu cresci e sobrevivi num mundo hostil. Tive uma adolescência dura e de más condições financeiras. Eu fui intolerante até vinte e poucos anos, como reflexo do mundo que vivi. Fui evoluir e me tornar uma pessoa melhor, após me envolver com o movimento sindical e social. Aprendi muito. Tenho muito que aprender. E agradeço ao movimento sindical pela pessoa que me tornei.

Vou viver a próxima etapa de minha vida como tem vivido quase todo cidadão que é militante social, democrata, com princípios de esquerda e progressistas. Vou viver dia após dia, porque hoje e amanhã serão dias de batalhas por aquilo que acreditamos.

Eu tenho lado, vivo e luto por uma sociedade justa, igualitária e sem preconceitos. Atuo em defesa da classe trabalhadora. Cumpro meus mandatos eletivos disponibilizando o melhor de mim nas tarefas a realizar. Sei o que represento e aceito até morrer pelo que acredito.

Sigamos nas lutas!

William

sábado, 2 de abril de 2016

Os Miseráveis, os de Victor Hugo e os de hoje





Refeição Cultural

Então, acabei cedendo aos convites insistentes de minha esposa e assisti ao filme musical Os Miseráveis, de 2012, dirigido por Tom Hooper.

Por que começo assim a postagem? Explico.

Como amante da leitura, sempre evitei conhecer através de filmes obras clássicas que não pude ler ainda, porque tenho preferência pela leitura e pelo efeito da leitura: é o seu cérebro que cria todo o cenário, é seu cérebro que vê as personagens. Cada leitor, uma história, apesar do mesmo enredo, começo e fim.

Ao ver um filme, uma interpretação de alguém sobre uma obra, jamais será a mesma coisa ler a obra depois. Imaginem vocês, alguém que viu a adaptação da Rede Globo do clássico de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas (1956), pegar o livro para ler depois que viu o que a família Marinho fez com o clássico em 1985, ao contar na saída o que Guimarães escondeu até as últimas páginas do grosso volume?

Enfim, acabei cedendo aos apelos em casa e vendo o filme com minha esposa por causa de uma leitura de perspectiva e cenário em minha vida pessoal. 

Completo 47 anos amanhã e venho acumulando livros para ler desde a adolescência. Mas desde a adolescência, como subproletário e depois proletário, tudo que faço é trabalhar cada dia mais, com jornadas de trabalho cada vez piores (maiores) e, se achava que isso iria melhorar com o passar dos anos, com o avançar da idade, me enganei completamente.

Neste momento de minha existência, ainda foi possível estar pior do que o ontem em relação à jornada de trabalho. Eu não tenho tempo de ler meus livros, nunca tive, na minha vida foi só trabalho e militância social e com o avançar da idade, até a saúde muda e os riscos em seguir vivendo vão modificando também.




"Miséria é miséria, em qualquer canto..." (Titãs)

Enfim, assisti ao filme. E fiquei pensando a respeito. Dois séculos de diferença entre o cenário descrito por Victor Hugo na França pós Revolução burguesa e o nosso belo mundo de hoje, 2016. Que merda! Não mudou nada! Vivemos num mundo de miseráveis! Os Jean Valjean, as Fantine, as Cosette, os Javert, os trambiqueiros e sem caráter de um lado e os idealistas do outro, tudo e todos seguem na mesma. 

Os capitalistas e donos de tudo continuam uns miseráveis desgraçados, egoístas, egocêntricos, preconceituosos, pouco se importam com o mundo que estão destruindo e com as vidas humanas que destroem todos os dias.

Os outros miseráveis, as vítimas, continuam alienados politicamente, ingratos com os seus pares que tentam organizá-los para enfrentar os miseráveis exploradores. Os miseráveis vítimas, são manipulados e ficam contra aqueles que dedicam suas vidas lutando para mudar a condição de proletários e miseráveis sem nada. Ficam até contra as suas entidades de classe, como os sindicatos de trabalhadores. É tão insano, que acabam apoiando os sindicatos de seus patrões (Fiesp, Fenaban)!

Alguns miseráveis explorados acumulam um pouco de recursos e bem estar, a partir da venda de suas forças de trabalho (ou até por sorte) e depois passam a defender as posições dos exploradores e algozes contra os seus próprios pares da mesma classe.

Preferem acreditar nos capitalistas, seus intelectuais orgânicos e capitães do mato - pagos a grandes soldos -, e preferem acreditar em suas máquinas de lavagem cerebral (meios de comunicação de massas, P.I.G.), do que acreditar nos seus representantes e em suas entidades representativas como sindicatos, entidades estudantis, organizações de sem-teto e sem terra e até os artistas e intelectuais orgânicos do lado da classe trabalhadora.

Se os meios de comunicação dos donos de tudo levantarem suspeição contra as entidades e representantes do lado dos miseráveis explorados, estes vão até pensar um pouquinho e, mais cedo ou mais tarde, pela insistência da mentira dita mil vezes (olha a técnica nazista aí), vão acabar dizendo: - fora os sindicatos!, - fora os esquerdistas!, - tudo menos esses vermelhinhos corruptos!... (Afinal, segundo os capitalistas e seus meios de comunicação, nós somos um povo fedido, pobre, mal vestido, feio, suado, vagabundos...)

Se há corrupção dos donos do poder e do dinheiro, não tem problema, é quase que um direito natural deles porque eles são chiques, branquinhos, limpinhos, se vestem bem, defendem a família "tradicional" e a religião, são bonitos (o que os tratamentos de beleza não fazem hoje!), comem caviar, usam seda e não saem nos meios de comunicação como suspeitos de nada, então, por lógica da verdade imagética, são honestos.

E tem miseráveis explorados do nosso lado da classe trabalhadora que ainda nos confortam dizendo que nossas instituições de trabalhadores e todos lá são ruins e fazem coisas erradas, ou corruptas, menos a gente... (tolinhos!) Essa postura não resiste ao primeiro dia que os capitalistas inventarem algo contra nós e jogarem a suspeição em seus meios de comunicação para serem martelados mil vezes. Aí já era, viraremos mais do mesmo ("sabia que era tudo a mesma coisa...") 

Francamente, o mundo do cenário d'Os Miseráveis de Victor Hugo não mudou absolutamente nada para o nosso mundo de hoje.

Aos 47 anos, olho o amanhã com o pessimismo da inteligência, não tem outra forma racional de ver toda a miséria que grassa em nosso mundo, mas com o otimismo da postura interior de basear a minha vida na ação diária contra as iniquidades que imperam ao nosso redor. Mesmo com a ingratidão que nos golpeia vez por outra. 

A luta de classes não vai acabar, então temos mais é que lutar, já que temos lado, independente da alienação que há do nosso próprio lado, a alienação dos miseráveis explorados, que, às vezes, nem disso se dão conta.

Seguimos porque temos mandato de representação do nosso lado da classe, a classe dos miseráveis explorados (mesmo que parte não se dê conta disso).

William

sexta-feira, 1 de abril de 2016

31 de março - Uma outra história



31/3. Dia em que o povo foi pras ruas defender a democracia.

Neste 31 de março de 2016 a história do Brasil foi outra. Não ficou marcada como outra data trágica para o Brasil e o povo brasileiro. Naquele 31 de março de 1964 os golpistas venceram e derrubaram o Governo de João Goulart. Neste 31 de março, os mesmos golpistas de então, agem em conluio para derrubar o Governo Dilma e derrotar a democracia brasileira. Mas...

Desta vez, nós o povo estivemos nas ruas e gritamos alto NÃO VAI TER GOLPE, VAI TER LUTA! Gritamos com amor pelo povo e pela democracia e com raiva de alguns golpistas quererem destruir nossa nação.


Congresso Nacional. Deveria ser a casa do povo...

Eu estive neste dia histórico nas ruas a favor da democracia, da legalidade constitucional e do povo brasileiro. Cerca de um milhão de pessoas tomaram as ruas do país em defesa das nossas liberdades, direitos civis, políticos e sociais.

Post Scriptum (2): apesar do sono, saí do banho e lembrei de algo que queria ter registrado: a emoção que senti por várias horas em meio ao povo, ao meu povo, deu-me uma energia fenomenal! Como é bom estar no meio do povo em luta! Este é o meu lugar, ao lado do povo simples e trabalhador de meu país. Emoção que alimenta!


O povo na rua contra o golpe à democracia.
Explanada dos Ministérios.

Fiz parte da história!

Não vai ter golpe! Vai ter luta!

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi (eleito)


Post Scriptum (1): nossa! Que sono doido, estou dormindo em cima da postagem... depois releio e vejo se redação está correta...

quinta-feira, 31 de março de 2016

Diário - 310316


O céu que vejo a partir de meu
mundo momentâneo em Brasília.


Madrugada de 31 de março. Último dia do mês.

Os dias de trabalho seguem sendo longos. Longas as jornadas, complexos os problemas a enfrentar. Estresse elevado nas tensões diárias.

Eu quero estar bem fisicamente e em condições estáveis de saúde. Minha família precisa de mim. Eu preciso estar bem para as batalhas diárias. Meu País vive neste 31/3 o mesmo risco de golpe na democracia que o Brasil viveu naquele trágico 31/3/1964.

Eu me esforço pra fazer as coisas que têm que ser feitas e se tem uma característica humana que não me pertence é a pusilanimidade.

Saí correndo feito um doido neste mês de março pelas ruas brasilienses ou paulistas por causa de minha pressão arterial ter se elevado de forma perigosa.

Eu recebi a sugestão de meu médico de família para passar a tomar remédio para pressão. Tomei alguns dias e parei, indignado comigo mesmo de ter que depender de remédio de doente crônico.

Comecei então a correr e andar para ver se a pressão abaixava... Não abaixou. Agora fica variando entre 13/14 x 9,5/11. Isso vai me arrebentar por dentro e pode me dar um treco grave qualquer hora dessas.

Não tem mais jeito. A partir da manhã desta quarta 30/3 decidi que tenho que tomar o remédio todos os dias pra ver se essa merda de pressão volta pra baixo.

Triste pelo fato do que me ocorreu. É meio chato a gente reconhecer que virou crônico de alguma doença. Isso deve acontecer com muitos colegas nossos associados da Cassi: a dificuldade de aceitar isso e passar a se tratar.

Eu tenho uma missão a cumprir e pessoas a cuidar e se tomar esse remédio para pressão for ajudar nisso, vou tomar, mesmo que isso me deixe meio triste.

Nesta noite de quarta, saí para correr após chegar de um dia de muito estresse na Cassi. Vai saber a quanto foi meu pico de pressão nas horas de maior raiva ou decepção...

Saí de casa para correr depois das 22h. Corri quase meia hora. Deu saudades das poucas vezes que meu filho correu comigo nas alamedas ao redor de onde moro em Brasília. Deu saudades. Meu filho está no interior de SP fazendo faculdade já faz um mês.

Vamos dormir.

William


CORRIDAS E CAMINHADAS DE MARÇO

DF 6/03 domingo.............6,5k 41' 26º Eixão

DF 7/03 segunda..............35' caminhada noturna

DF 9/03 quarta.................5,0k 31' 20º noturna

SP 13/3 domingo..............5,0k 31' Pq. Continental

DF 15/3 terça....................5,5k 34' 21º noturna

DF 16/3 quarta..................5,0k 32' 23º noturna

DF 19/3 sábado.................55' caminhada noturna

DF 20/3 domingo..............6,5k 40' 26º Eixão

DF 21/3 segunda...............3,2k 21' 23º noturna

DF 26/3 sábado.................5,0k 33' 21º


DF 27/3 domingo...............6,0k 36' 21º Eixão

DF 28/3 segunda...............3,0k 21' 21º noturna

DF 29/3 terça.....................46' caminhada noturna

DF 30/3 quarta..................4,6k 29' 20º noturna


Olhando para mim mesmo em um espelho, sei que sou uma pessoa que não se encaixa na famosa descrição da música do velho Raul.

"Eu que não me sento
no trono de um apartamento
com a boca escancarada cheia de dentes
esperando a morte chegar..."

(Ouro de Tolo, Raul Seixas)


Post Scriptum (15/04/17, feriado de Páscoa):

Eu não segui tomando o remédio para pressão alta. Depois de alguns meses, eu parei. Em tese, minha pressão está estável em 12/13 x 8,5/9. Estou sozinho em Brasília. Minha esposa está há semanas lá em Jaboticabal com meu filho.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Diário - 280316 (E post scriptum noturno)



Parada na leitura da pauta de reunião
 para uma corrida noturna. Juro que me
 esforço para ter energia pros embates
 em defesa dos associados da Cassi.

Post Scriptum (em 28/3/16, às 22:50h):

Após um gostoso final de semana em família, a segundona foi daquelas por causa da longa jornada de trabalho.

Parei minha leitura da pauta da reunião de Diretoria de terça-feira por volta das 21:30h e saí para dar uma andada noturna em Brasília. Acabei decidindo por fazer um trote regenerativo de 3k em uns 21' e um pouco de alongamento.

Juro que eu estou tentando manter minimamente minha saúde para aguentar a carga de trabalho... corri três dias seguidos.

Se tem uma coisa que eu preciso desejar às pessoas que serão eleitas no processo eleitoral da Cassi, que tem eleição entre 11 e 22 de abril, é muita saúde e disposição porque afirmo a vocês que não é um trabalho fácil. Defender os direitos dos associados da Cassi por tempo integral, o mês todo, o ano todo, não é fácil. Haja saúde!

William



Eixão em Brasília, que fecha aos domingos para a população.

Vamos começar a nossa semana de trabalho aqui em Brasília, Capital de nosso querido país. A agenda não prevê viagens, porém é a semana de reunião dos órgãos de governança da nossa entidade de saúde, o que equivale a jornadas de leituras e reuniões de manhã, tarde e noite.

Em relação ao final de semana de feriado de Páscoa, foi bem legal estarmos reunidos em família e matar saudades do filho que está cursando faculdade no interior de São Paulo.

Almoçamos juntos, comemos pizza e conversamos um pouco.

Aproveitei para ler um pouco e escrever em meu blog de cultura e praticar um pouco de atividade física.

Fiz uma corrida no Eixão neste domingo muito prazerosa. Tenho aproveitado o Eixão à tarde porque não tem praticamente ninguém e a sensação de correr em pista vazia é muito boa. Fiz uma corrida de 6 km em 36' com Sol e temperatura de 21º.

Agora vamos para a nossa semana de trabalho...

William

domingo, 27 de março de 2016

1984 é agora... Cony diz "Dilma e Lula. Desejo que ambos se f..."



"Imortal" Carlos Heitor Cony, em artigo na
Folha de 27/3/16 deseja que a presidenta
Dilma e Lula se f...
Foto: Wikipedia

O FASCISMO E A COISIFICAÇÃO DOS ADVERSÁRIOS

" - Os proles não são seres humanos..." (1984, de George Orwell)


Uma das características do fascismo e dos regimes que pregam o ódio e a eliminação dos adversários ou de qualquer pessoa que não pactua com as ideias desse mesmo grupo ou regime é a coisificação dos seres humanos que pertencem ao grupo que se quer eliminar.

O nazismo coisificou seus adversários, principalmente o povo judeu. Eles não eram gente, eram "judeus". Os comunistas não eram gente, eram "comunistas". As pessoas com deficiência então, não eram nada...

Há uma construção perigosa no Brasil liderada e organizada pela mídia golpista e pela oposição ao partido que ascendeu ao poder pelo voto popular desde 2002, o Partido dos Trabalhadores.

Da forma como caminha a construção do ódio montada pelos golpistas, passa-se uma ideia de que pessoas que são simpatizantes ao Governo de Dilma Rousseff ou simpatizantes de Lula da Silva, não são gente. São "petistas", "petralhas", "bolivarianos" etc.

A coisificação permite ao ser humano ser capaz das coisas mais bárbaras e impensáveis como, por exemplo, a tortura. Para se torturar um ser humano é necessário que o torturador o veja como uma coisa, não como um igual, um humano.

No Jornal Folha de São Paulo deste domingo, 27/3/16, o "imortal" escritor e jornalista desejou em seu artigo que a Presidenta Dilma Rousseff e o ex presidente Lula da Silva se f... Isso já virou rotina no país, infelizmente, mas quando uma pessoa como Cony faz uma manifestação dessas, está na hora de pararmos e pensarmos a respeito do rumo das coisas.

Registro com tristeza aqui no blog meu comentário feito na rede social Facebook:


Um escritor "conceituado" como Carlos Heitor Cony, um "imortal" (minha nossa!) utilizar um espaço como o jornal Folha (já deixou de ser jornal faz tempo... né), enfim, um escritor e jornalista mandar a presidenta eleita, uma senhora de idade e avó, além da autoridade que o cargo lhe dá, e o ex presidente Lula da Silva, uma das pessoas mais respeitadas no mundo, irem se f... mostra que está na hora de pararmos o trem descarrilado do Golpe de Estado... porque o que virá por aí pode ser pior que o fascismo e o nazismo com seu holocausto ao que Hitler coisificou através de seu ódio (judeus não eram gente, eram... judeus)



William
Cidadão e defensor da democracia

1984 pode ser agora... P.I.G. quer golpe pra parar história?




"Winston e Júlia sabiam - de modo que nunca baniam do espírito - que não podia durar muito o que estava acontecendo. Havia ocasiões em que a morte vindoura parecia tão palpável quanto a cama que ocupavam, e então se agarravam com uma espécie de desesperada sensualidade, como uma alma danada se agarra ao último bocado de prazer quando faltam apenas cinco minutos para soar a hora. Mas havia também ocasiões em que tinham a ilusão não apenas de segurança como de permanência. Tinham a impressão de que, enquanto estivessem naquele quarto, nenhum mal lhes poderia advir. Chegar até lá era difícil e perigoso, mas o quarto era um santuário. Era como se Winston olhasse dentro do peso de papel, com sensação de ser possível penetrar aquele mundo de vidro, e que, uma vez dentro dele, o tempo se imobilizaria. Com frequência se entregavam a sonhos escapistas conscientes. A sorte haveria de ajudá-los, indefinidamente, e continuariam a aventura até o fim da vida natural (...) Na verdade, não havia fuga. Não tinham intenção de executar nem o único plano praticável: o suicídio. Viver dia a dia, semana a semana, esticando um presente que não tinha futuro, parecia um instinto irresistível, como os nossos pulmões sempre procuram inspirar, enquanto existe ar"


VIVER NA INSTITUCIONALIDADE, GOZAR DE PAZ SOCIAL E REGRAS DEMOCRÁTICAS É A MELHOR COISA DO MUNDO

A descrição que temos da história dos povos durante os regimes de exceção são dessa natureza descrita pelos personagens acima, dessa sensação lúgubre de falta de liberdade para as coisas mais simples como viver da forma que deseja, amar quem quiser amar, expressar o que bem entender.

O direito às pessoas falarem, escreverem e se manifestarem até de forma questionável hoje só foi conquistado no Brasil após mais de duas décadas de luta unitária da sociedade civil para por fim ao regime de exceção dos militares entre os anos de 1964 e 1985, pode-se estender até 1988 porque foi quando conseguimos aprovar a Constituição Federal com direitos e garantias fundamentais para os cidadãos.

A Constituição anterior datava da época da ditadura militar, era restritiva de direitos civis, sociais e políticos, e a causa foi o apoio dos mesmos grupos civis que estão liderando agora nova tentativa de quebra da institucionalidade democrática: donos dos meios de comunicação, banqueiros, empresários, partidos políticos que perderam as eleições e querem interromper o governo eleito pelo voto popular e acabar com seus programas sociais com mais avanços históricos que todos os anteriores juntos.


NO CENÁRIO DA OCEANIA, A HISTÓRIA PAROU... É ISSO QUE QUEREMOS APÓS O GOLPE À DEMOCRACIA?

"- Que importa? - indagou, impaciente. - É sempre uma horrível guerra depois da outra, e a gente sabe que o noticiário é todo falso mesmo.

(...)

Então por que te preocupas? Não vivem matando gente, o tempo todo?


(...)

Todos os registros foram destruídos ou falsificados, todo livro reescrito, todo quadro repintado, toda estátua, rua e edifício rebatizados, toda data alterada. E o processo continua, dia a dia, minuto a minuto. A história parou. Nada existe, exceto um presente sem-fim no qual o Partido (P.I.G. e golpistas) tem sempre razão..."


P.I.G. E GOLPISTAS IMPONDO UMA "ORTODOXIA" NA MASSA MANIPULADA (NÃO PENSAR...)

"Winston percebeu como era fácil aparentar ortodoxia, sem ter a menor noção do que fosse ortodoxia. De certo modo, o ponto de vista do Partido (P.I.G.) se impunha com mais êxito às pessoas incapazes de compreendê-lo. Aceitavam as mais flagrantes violações da realidade porque jamais percebiam inteiramente a enormidade do que se lhes exigia, e não estavam suficientemente interessadas para observar o que acontecia..."


COMENTÁRIO FINAL

1984 é agora...


William
Cidadão e defensor da democracia
Contrário ao totalitarismo dos meios de comunicação