sexta-feira, 21 de junho de 2024

Cedoc do Refeitório Cultural (1)



Refeição Cultural

Ao longo de décadas, o autor deste blog de cultura adquiriu diversos materiais de leitura e estudos das mais diversas áreas do conhecimento humano.

Por quase duas décadas, venho publicando com certa regularidade textos em dois blogs, um de cultura e outro sindical. Tenho ainda um terceiro blog focado em imagens, mas neste a frequência das publicações é bem menor.

Avalio que seja interessante organizar o conjunto dos materiais de mídias culturais que acumulei e produzi ao longo da vida de estudos e buscas por conhecimento. 

Boa parte do que tenho de mídia influenciou de alguma forma o que postei no blog Refeitório Cultural, a partir de 2007, e no blog A Categoria Bancária, a partir de 2006. Passar a escrever de forma pública foi uma oportunidade para me desenvolver enquanto pessoa e como dirigente de uma categoria profissional.

Então, agora, é começar a organização do centro de documentação que foi referência e bibliografia básica daquilo que produzo de textos há bastante tempo nestas páginas de cultura, conhecimento e opinião.

William Mendes

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Paulo Henrique Amorim
e "O quarto poder"

FILMES E DOCUMENTÁRIOS 

(Audiovisual)

Vi nestes dias documentários muito bons e alguns deles com histórias incríveis da classe trabalhadora.

1. HISTÓRIAS E SONHOS COM TODAS AS LETRAS

Documentário apresenta o projeto de alfabetização de jovens e adultos "Todas as Letras" entre os anos de 2005 e 2008. Foram mais de 200 mil pessoas beneficiadas pelo projeto.

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2. 1º DE OUTUBRO DE 1981 - DIA NACIONAL DE LUTA (DF)

Documentário produzido pelos companheiros de Brasília sobre a mobilização organizada por integrantes da Comissão Nacional Pró-CUT formada a partir da Conferência Nacional da Classe trabalhadora (Conclat), realizada em agosto de 1981, na Praia Grande, SP. Há no vídeo depoimentos bem legais.

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3. POR DENTRO DO SISTEMA

O vídeo é um documentário sobre o Sistema financeiro do Brasil, passando pelas principais mudanças estruturais e os impactos sobre o mundo do trabalho e a organização sindical até a criação da Contraf-CUT, em 2006. Eu era secretário de imprensa da nossa confederação. 

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4. A GRANDE VIRADA - 30 ANOS DA RETOMADA

Documentário organizado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região para comemorar os 30 anos da vitória da nossa chapa de oposição nas eleições de 1979. O vídeo original foi produzido em 1989 e foi vencedor do prêmio Vladimir Herzog. Eu fazia parte da direção do Sindicato em 2009.

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5. A DÉCADA DA PERVERSIDADE (BRASIL E RS, DE COLLOR A FHC)

O vídeo foi produzido pelo SindBancários em 2010 abordando a terrível década dos anos noventa fazendo um contraponto com a década de oitenta, sendo esta de grandes manifestações e avanços populares conseguidos através de grandes mobilizações do povo brasileiro.

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6. MEMÓRIA SINDICAL - AUGUSTO CAMPOS

O documentário foi produzido por Crivelli Advogados Associados em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2014 e traz entrevistas com a grande liderança e figura humana Augusto Campos. Muita emoção neste material. A matriz de meu fazer político e sindical na categoria bancária vem de pessoas como Augusto Campos e Luiz Gushiken.

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7. PALESTRA DE PAULO HENRIQUE AMORIM: LANÇAMENTO DO LIVRO "O QUARTO PODER", NO CEARÁ

É um privilégio ter o vídeo do bate-papo do grande jornalista PHA no Ceará, ocorrido em 18 de setembro de 2015. Eu estava na cidade, em Fortaleza, para participar da VIII Conferência de Saúde da Cassi no Estado e após o encerramento de nosso evento, ainda peguei a parte final da apresentação do jornalista.

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8. 30 ANOS DEPOIS LULA RELEMBRA A 1ª CONCLAT

Uma das preciosidades que tenho em meu cedoc é o vídeo com o presidente Lula comentando a 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, ocorrida em agosto de 1981 na Praia Grande, SP. O documentário foi produzido em 2011 pela CUT e pela Tatu Filmes.

Quando vi pela primeira vez o documentário, senti emoções inesquecíveis. Era secretário de formação da Contraf-CUT e ao ver as imagens e os debates dos trabalhadores que culminaram com a criação de uma Comissão Nacional Pró-CUT, me vi naquelas concepções e práticas sindicais, senti um pertencimento incrível ao que fazia como dirigente de uma categoria nacional 30 anos depois daquele evento divisor de águas no sindicalismo brasileiro.

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Aos poucos, irei organizar o centro de documentação (cedoc) que foi referência e fonte de cultura e informações para o autor dos blogs Refeitório Cultural e A Categoria Bancária.


Post Scriptum: o texto seguinte sobre meu cedoc pode ser lido aqui.


quinta-feira, 20 de junho de 2024

26 de 100 dias



26. Ontem, enquanto esperava dentro daquela máquina horrível de ressonância magnética - quase meia hora ouvindo aqueles sons psicodélicos -, minha mente fez suas viagens pelas imagens e emoções vividas nos últimos 25 dias de buscas de sentidos.

Ao acordar hoje, fui reler o texto 1 dos 100 dias para avaliar o primeiro quarto da centena de dias de minhas buscas pessoais de alguma coisa... "I Still Haven't Found What I'm Looking For..." (quer dizer, encontrei as respostas sim, agora busco sentidos para seguir)

Estava naquela máquina ontem para cumprir o que disse no início da jornada ou ciclo de cem dias: estou fazendo uns exames médicos para descobrir o estado do corpo que me conduz. Efetivamente, pelas dores na região, minha estrutura do quadril deve estar toda fodida. 

Em relação à sarcopenia que sofri nos últimos anos, só interrompi os trabalhos de fazer um pouco de musculação nos períodos nos quais viajei. Tenho que conseguir recuperar alguma coisa da estrutura muscular interna de meu quadril, pernas, adbome e costas.

Nos dias nos quais não fiz exercício de reforço muscular local, corri. Enquanto corria, focava combater meus níveis de colesterol ruim e pressão arterial alta. Estou fazendo a minha parte em nome da responsabilidade e relação que tenho com os entes queridos. 

Se tiver uma merda de infarto ou algum tipo de acidente vascular pelo estado de meu sangue e sistema circulatório, quero que meus familiares mais próximos saibam que estou fazendo a minha parte para estar vivo. E dá um trabalho da porra fazer isso!

Nos 25 dias de buscas e reflexões, fiz musculação 6 vezes e corri 5 vezes, sendo corridas intensas: em todas elas, corri focado no tempo ou na distância. Diminuí o tempo nas de 5,6K e fiz uma de 13K. É meu esforço para melhorar o corpo que me conduz.

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CEDOC DO REFEITÓRIO CULTURAL 

Em relação à parte do primeiro texto onde me pergunto sobre o que fazer da vida, sigo refletindo, enquanto fuço nos meus amontoados de mídias de história, cultura etc. 

Ações - Cuidar da saúde para estar no mundo já falei acima. Dar algum suporte às pessoas queridas mais próximas, estou tentando (apesar da impressão ruim das relações humanas atuais). Organizar a minha relação de toda uma vida com a cultura e o conhecimento que tive a oportunidade de adquirir, é um desafio: o que fazer?

O que pensei nesses 25 dias foi em organizar uma espécie de centro de documentação (cedoc) relacionado aos blogs Refeitório Cultural e A Categoria Bancária. A parte mais produtiva e de aquisição de conhecimentos de meu percurso existencial coincidiu com o período de grande produção textual nos blogs.

O foco do cedoc deve ser o blog Refeitório Cultural. O outro, o sindical, foi muito importante e me salvou a vida quando sofri um lawfare de nossos inimigos entre 2017 e 2018. No entanto, confirmei na prática o que um antigo companheiro sindical nos ensinava: não existe gratidão na política. O Sindicato e a corrente política para os quais dediquei minha vida, cagam para a minha contribuição à nossa história.

A organização do cedoc do Refeitório Cultural pode ser o caminho para minha ocupação pessoal no cotidiano existencial. 

É isso. Vamos para a aventura de mais um dia. Estou assistindo a uma de minhas preciosidades, uma palestra do jornalista Paulo Henrique Amorim, de 2015. Quis a natureza que ele deixasse de viver de um instante ao outro, com um infarto fulminante na madrugada de 10 de julho de 2019.

Não falo que a vida é um instante?

William 


quarta-feira, 19 de junho de 2024

25 de 100 dias



25. Cheguei a São Paulo. Estive em Uberlândia nos últimos dias. Entendi que devo ir com mais frequência à cidade para cuidar de meus pais idosos. Dar suporte à minha família é um de meus papéis sociais. 

Felizmente, em relação aos últimos dois meses, que foram bem complicados, achei meus pais melhores. Minha irmã está se recuperando de uma chikungunya que contraiu logo após uma dengue. 

E nossa pequena Olga está bem, ela ficou internada uma semana com Gripe A e nos deu um susto grande. Sábado 15/6, ela fez dois aninhos.

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Anomia

Nós vivemos um período complicado no Brasil. A sociedade brasileira vive uma verdadeira anomia após a abertura da Caixa de Pandora pelos golpistas que interromperam a democracia com o golpe de Estado "com o Supremo com tudo" em 2016. 

A longa noite de terror que durou até a vitória da frente ampla liderada por Lula em 2022 trouxe uma cultura de descumprimento das regras sociais e institucionais que regiam o comportamento do povo brasileiro. 

O bolsonarismo, na minha opinião, é a causa e a consequência dessa anomia no Brasil. Nos tornamos um povo bárbaro, que não respeita regras, que passam a perna nos outros. Uma tristeza isso.

Reparem se não é fato o que estou afirmando. 

Para dar um exemplo, cito o cotidiano de quem utiliza transporte por aplicativos. Em cinco dias, tive vários problemas com motoristas de uber. 

Um sujeito safado não deu baixa na corrida para receber duas vezes. Outro motorista me avisou que estão fazendo isso em corridas pagas em dinheiro. Ontem, um motorista mudou o trajeto e a corrida custou 50% a mais. Nosso mundo está infestado de vigaristas!

Sobre a anomia, pensem nos produtos nos supermercados: embalagens menores a cada momento, preços maiores, e os consumidores feitos de idiotas na cara de pau. Uma sociedade de "empresários" vigaristas.

Enfim. Vamos pra casa no Mundo de Oz, Osasco.

William 

terça-feira, 18 de junho de 2024

24 de 100 dias



24. Ainda estou em Uberlândia. Volto para São Paulo hoje à noite. 

Pensando um pouco sobre a questão do que devo fazer de minha vida de agora adiante, avalio que devo fazer o que estou fazendo: cuidando de algumas pessoas para as quais ainda posso dar algum suporte material (não tenho ilusão alguma quanto à questão do que penso, falo, escrevo: minhas ideias não servem pra nada).

Estou indeciso quanto ao que fazer da vida em relação ao tempo que dedico a ler e escrever. O que quero com as leituras? Qual o sentido de escrever sobre coisas para as quais não tenho relevância alguma? É um dilema como aquele de falar para pessoas coisas que entram por um ouvido e saem pelo outro delas. No fundo, nossa vida virou uma conversa de cegos, surdos e mudos que não se conhecem e não conseguem se comunicar. 

Enquanto um sujeito ou uma sujeita chamados de influenciadores falam de tudo - às vezes sem saber de nada - e influenciam milhões de pessoas, um reles cidadão não influenciador não convence sequer uma criança de dois anos, um jovem de uns vinte e tantos anos e um idoso de oitenta a fazerem ou não fazerem alguma coisa explicando que aquilo é errado e ou pode trazer consequências irreversíveis para a vida da pessoa. 


Outro dia, citei uma fala inútil minha para meu pai, sobre não passar um pano imundo nas lentes dos óculos, e aproveitei para dizer que todos nós fazemos coisas estúpidas, todos nós! Um pouco da questão que abordei tem relação com uma certa frustração por perceber que não conseguimos mais dialogar com as pessoas, inclusive aquelas de nossas relações. 

Tenho o privilégio de ter neste momento da existência os meus pais vivos. São duas pessoas super inteligentes, criativas, como costuma ser a geração deles. Meu pai quase não consegue andar por questões de saúde, mas inventa coisa pra fazer o dia inteiro, desmonta e monta coisas, conserta umas e estraga outras tentando arrumar rsrs e fuça fuça em tudo. Minha mãe, idem, se tem alguma coisa que já está velha, não funciona na cozinha, na casa, ela faz funcionar. Na vida, costurou, desenhou, pintou, escreve, corta cabelo. Nossos pais aprenderam a fazer de tudo, como os povos originários e tradicionais sabiam fazer. E as novas gerações, como são? São diferentes, são outros tempos, devem ser especialistas em algo (mas não deveriam ignorar tanto as demais dimensões da vida).


Enfim, estou buscando sentidos para o meu viver. Dar suporte material a algumas pessoas já é ter algum sentido. Foi uma escolha acertadíssima pegar a maior parte de minha remuneração de membro da classe trabalhadora e investir na manutenção da vida de meus familiares mais próximos. Há dez anos que posso fazer isso. Para mim, de nada valeria dinheiros sem as pessoas que amamos.

Tudo muda o tempo todo e todo mundo tem que se virar. Me esforçar para viver é um ato de responsabilidade e um fato social. Não sou imprescindível na família, mas tenho consciência do papel que exerço e do suporte que posso dar para as pessoas terem mais oportunidades em suas próprias vidas.

Quanto à questão do mundo lá fora, aí é complicado! Preciso encontrar algum sentido no que leio e escrevo. 

Qual o sentido de ler e escrever sobre política, mundo do trabalho e sindical, Cassi, partidos, governos, temas complexos e dos quais tenho algum conhecimento e experiência se tudo isso é inútil para mim e para os outros? Por que não consigo superar a realidade de que não pertenço mais a esse mundo?

Esse dilema segue nessa busca dos 100 dias...

William


Post Scriptum: vejam o que disse sobre a criatividade da geração dos meus pais... eu preocupado se meu tênis seca ou não até a hora de viajar e meu pai inventou um sistema de captação dos últimos raios solares...



segunda-feira, 17 de junho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Uberlândia, 17 de junho de 2024. Segunda-feira. 


Estou no Parque do Sabiá, comendo açaí em frente ao lago. São oito horas da noite. Acabei de correr 13 Km. Este lugar tem um poder extraordinário sobre mim. Isso aqui é vida!

Enquanto relaxo após a corrida, ouço os quero-queros aqui do meu lado.

Ano passado, na semana do Natal, cheguei a Uberlândia sem acreditar ser possível correr a São Silvestre, que não corria há três anos. São 15 Km o percurso.

Vim ao Parque do Sabiá três vezes, nos dias 22, 24 e 26 de dezembro. O que aconteceu comigo foi incrível!

Eu estava com o condicionamento ruim, estava com dificuldades em superar meus limites de corrida. Além dos desgastes e dores no quadril, tive uma contusão no início dos treinos para a São Silvestre, em outubro. Lascou tudo. Quase desisti.

Corri um pouquinho em novembro e andei bastante. Uma coisa que me lembro, é que precisava correr um pouco, andar para recuperar o fôlego e voltar a correr. Achei que nunca mais embalaria nas corridas.

Aí, chego ao Paraíso, o Parque do Sabiá. Sei que naqueles três dias do período natalino, fui dando meu trotinho, andava, corria e calculava a pisada leve para não machucar o quadril desgastado. E mergulhei em mim para encontrar energia vital. 

Amig@s, naqueles três dias fiz percursos de 10 Km e no último treino, tinha a convicção de participar da São Silvestre e tentar os 15 Km. 

Deu tudo certo e completei a prova sem lesão e de forma tranquila. Foi inesquecível!

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Avalio que melhorei de lá para cá. 


Acabei de correr 13 Km em 97'. Corri direto, tranquilo, batimentos cardíacos normais, menos de 175 bpm.

Minha pisada na corrida precisa ser macia, com pouco impacto, tipo ninja correndo rsrs. Tenho me esforçado para isso.

Enfim, estou satisfeito com a corrida. Foi um momento feliz.

Amo este Parque do Sabiá!

William 


23 de 100 dias



23. Muitas pessoas sofrem o mesmo tipo de dor. Algumas dores não têm cura. São dores universais e já que os médicos não vão resolver as causas delas, vão só ensinar as pessoas a lidarem com elas, às vezes, é sofrer e seguir adiante. 

Conversando com minha mãe, ouvi a essência dessa descrição da dor da ingratidão, da falta de reconhecimento e de como essa dor não tem cura quando a causa dela ainda existe. 

De certa forma, a conversa com minha mãe me lembrou a conversa com minha companheira professora aposentada. Me lembrou meus próprios sentimentos ao acordar e perceber que estava sonhando com o mundo do trabalho de uma vida inteira ao qual não pertenço mais.

Dores pessoais que são dores universais. A dor que não tem cura. As causas externas das dores das pessoas que sofrem porque se sentem esquecidas e apagadas das histórias das vidas de outras pessoas físicas e jurídicas não vão deixar de existir, porque simplesmente a vida dessas pessoas seguiu.

Vejo nossas vidas e compreendo melhor o que antes procurava encontrar, as respostas para as perguntas existenciais. O conhecimento também é saber compreender por que as coisas são como são. Compreender não é aceitar. É reconhecer que certas coisas não são passíveis de mudança. 

É isso. Reflexões sobre a vida ao olhar para dentro de mim mesmo e ao conviver com pessoas que fizeram e fazem parte do meu caminho existencial. 

Sigo caminhando. Devemos seguir caminhando. Às vezes, é caminhando que entramos em novas veredas e novos caminhos, sem sequer perceber que as mudanças já começaram. A vida é isso.

William 

 

domingo, 16 de junho de 2024

22 de 100 dias



22. Eu gostaria de dar tons otimistas a esses textos diários que decidi fazer sobre um ciclo de 100 dias de vida. Isso seria mais apropriado para pessoas que são ou já foram de exposição pública. 

No entanto, a realidade se impõe. 

Quando penso, por exemplo, na política, o que vejo honestamente é um cenário e uma tendência à disrupção da ordem democrática brasileira e mundial e quase fim da sociabilidade humana. Só não percebe isso quem prefere se iludir ou vive capturado pelas abstrações alienantes da atualidade. 

Quando penso nas relações pessoais como, por exemplo, as familiares, avalio que será um desafio cada dia maior para as pessoas manterem suas relações familiares ativas. Os humanos nesta quadra da história foram muito influenciados pelo modo de vida capitalista, no qual tudo tem valor de troca, tudo é mercadoria, inclusive as pessoas humanas. Só temos valor de utilidade, inclusive para as relações pessoais. Prestem atenção nisso, olhem ao redor.

Ou seja, pensando num curto ciclo de dias de existência, uma centena, percebo o quanto é desafiador voltar a uma condição melhor nas relações familiares. Eu tenho o desejo de melhorar as relações familiares. Esse querer já é um passo. Estou pensando maneiras de realizar isso. No momento, o desafio é grande. Aqui nas Minas Gerais, as relações se esgarçaram muito. Ainda não desisti.

Fiquei feliz ao ouvir os relatos de minha companheira, que passou a tarde com a família em São Paulo. Fiquei feliz! Um ponto para todos nós. 

Seguimos na busca de mudanças positivas. 

William


Natais - 1974



Refeição Cultural 

Estou em Uberlândia, cidade onde moram meus pais, irmã e sobrinhos, onde moram diversos familiares, cidade onde passei minha adolescência complicada. 

Entendi que preciso vir com mais frequência à cidade, para estar com a família daqui.

Nesta série de textos sobre os natais de minha família, venho refletindo sobre nossa história familiar e, de forma simples, abordando algum contexto geral da época, local e ou internacional, para situar aquela gente simples em meio à multidão humana. 

Comecei pelo ano de 1968, quando meus pais ficaram grávidos de mim. Meus pais já tinham a Telma, com um ano e meio de idade. Aquele foi o ano do recrudescimento da ditadura brasileira, pois em 13 de dezembro o ditador Artur da Costa e Silva emitiu o Ato Institucional n° 5 (AI5).

De certa forma, nos seis primeiros textos, expressei minha leitura da sociedade humana atual e anotei preocupações sobre o presente e o futuro da humanidade. 

Por fim, também tenho refletido sobre as mudanças em nossa família, reflexo das mudanças no comportamento humano em geral, na minha opinião, e pelo que posso observar da sociedade ocidental da qual faço parte. 

Nós todos estamos mudando rapidamente, sendo mudados na verdade, e a cada dia será um desafio maior a manutenção de qualquer relação baseada em laços de família, amor e amizade. 

Essas relações dificilmente resistirão a qualquer divergência de ideias e opiniões. As relações humanas serão cada dia mais episódicas e utilitárias. É o que avalio.

Dito isso, sigamos refletindo e olhando para o passado, lutando pelo presente e tentando alterar as tendências de fim das relações humanas que não estejam vinculadas a interesses egoístas, de valores materiais e de poder.

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NATAL DE 1974

No Natal, eu já estava com quase seis anos de idade. Como será que foi o nosso Natal em família?

Naquele ano, um incêndio de grandes proporções atingiu o Edifício Joelma em São Paulo, matando 189 pessoas e ferindo 293. Crescemos ouvindo o pai falar sobre essa tragédia. 

No mundo, tivemos em abril uma vitória popular importante: A Revolução dos Cravos, em Portugal, depôs a ditadura do Estado Novo que já durava décadas. As colônias portuguesas estavam em luta aberta por suas independências também. 

Por aqui, eu morava naquele sobradinho alugado no Rio Pequeno e não me lembro de nada em específico daquele período. 

Conversando com minha mãe, ela me contou como eles se viravam para pagar as contas e criar os dois filhos. Meu pai era taxista e minha mãe era uma costureira de mão cheia, como se dizia. E mesmo assim, com duas rendas, a vida deles era difícil. A ditadura era boa para a elite, os ricos.

Quanto a mim, o menino de cinco para seis anos, era quase um "privilegiado", pois só brincava.

Tenho em casa carrinhos de ferro em miniaturas fabricados no ano de 1974. Talvez tenha ganhado eles nesse ano ou pouco depois, quiçá no Natal. 

São da marca Matchbox, da série Superfast: um Mustang amarelo e um Renaut laranja. Eu brincava com eles no tapete da sala e na frente do sobrado onde morávamos. Tenho os carrinhos na estante até hoje.

Brasil afora, muitas crianças da minha idade não tinham o que comer e, ao invés de brincarem, trabalhavam... 

Só fui conhecer essa realidade de trabalhar com uns onze anos de idade, quando saímos de São Paulo e fomos para Minas Gerais...

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Na foto da postagem, apresento três carrinhos que alegraram a minha infância. Na época, as crianças de nossa geração tinham habilidades manuais. Não era um mundo digital.  Alterávamos e criávamos coisas com cinco, seis, sete anos de idade. Antes dos dez, eu fazia pipas, cerol, carrinho de rolimã etc.

William 


sábado, 15 de junho de 2024

21 de 100 dias



21. Pela manhã, vejo meu pai se dirigindo a um amontoado de panos de tirar pó das coisas, trapos. Ele está com os óculos na mão procurando algo para limpá-los. Falo a ele pra não passar nenhum daqueles panos porque eles vão arranhar e inviabilizar os óculos. Meu pai pega o primeiro daqueles panos que alcança e passa nos óculos... o mundo está assim. As pessoas estão assim.

Como pessoa observadora do mundo, faz tempo que venho tirando algumas conclusões sobre nossa espécie, sobre o quanto estamos regredindo enquanto espécie homo sapiens. É minha impressão. 

Coisas estúpidas sempre fizemos. Do nada alguém faz alguma bobagem com consequências talvez irreversíveis porque as pessoas cometem coisas estúpidas - tipo aquelas de perder a vida em penhascos para tirar uma simples foto. 

No entanto, me parece que nós estamos nos tornando uma espécie de seres estúpidos. 

E a estupidez é uma pandemia, não adianta falarmos que somos os bons etc e que estamos vacinados contra o vírus da estupidez. 

Fico indignado comigo mesmo quando percebo que cometi uma estupidez qualquer. É uma praga isso! 

Para ficar no tema dos óculos, do início da reflexão, o primeiro arranhão em meu óculos novo e caro à epoca foi por estupidez minha.

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Enfim, neste 21°dia de busca de sentidos, mudanças e realizações pessoais, fomos na festa de aniversário da Olga, que completou dois aninhos. 

Minha mãe e eu visitamos minha tia, primo e sua companheira. 

Fui ao Parque do Sabiá para correr e ficar um pouco só, em companhia da natureza. 

William 


sexta-feira, 14 de junho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Uberlândia, 14 de junho de 2024. Sexta-feira. 


Efeméride do dia: em 14/06/1928 nasceu Ernesto Guevara de la Serna, em Rosário, Argentina. Que o exemplo do Comandante CHE siga sendo uma referência para todas as pessoas que lutam por um mundo mais justo, fraterno e sustentável! Hasta la victoria, siempre, comandante CHE!


Enquanto caminhava no Parque do Sabiá refletia sobre algumas coisas inacreditáveis que estão acontecendo em nosso país. 

Os temas que refleti são pesados, mas a beleza do cenário, a luminosidade do fim de tarde, o lusco-fusco, mereceu a captura do instante numa foto, que abre a postagem. 

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GOVERNO LULA/PT INSISTE EM NÃO CONCEDER REAJUSTE AOS PROFESSORES 

É inacreditável a insistência do governo Lula em não dar reajuste adequado de salários aos professores universitários. 

Minha opinião: que porra de birra tosca é essa nesta altura do campeonato entre a civilização X a barbárie, quando a barbárie deu tudo aos bárbaros durante os regimes de exceção fascistas de Temer e Bolsonaro? Os caras passaram 7 anos dando aumento e promoções e benefícios para militares, forças de repressão e apaniguados e o Lula e seus subalternos não querem dar reajuste aos professores... que merda isso!

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A HIPOCRISIA DA QUESTÃO DO ABORTO

Outra coisa que já encheu o saco é a esquerda escamotear os debates sobre as pautas de "costumes"...

Minha opinião: "costumes" é um eufemismo para não chamar cada questão por aquilo que ela significa. No caso do aborto se trata de dois temas de fato: direitos humanos e propriedade. 

Vou falar sobre o que pouco se fala: a questão de os homens acharem que mulheres são coisas, propriedades da sociedade dos machos.

Propriedade é o motivo central para existir a questão do "aborto" como algo que interesse a qualquer porra de pessoa que não seja a única interessada direta: a mulher que tem em si um óvulo fecundado por algum espermatozoide, desses que os homens passam a vida jogando na privada ou no lixo quando batem uma punheta.

São várias as formas de uma mulher ou menina ou criança ter um óvulo fecundado, muitas delas através de violência ou formas não consentidas pela pessoa do gênero feminino (que pode ser vítima de estupro). 

Os homens do século 21 ainda acham que as mulheres são suas propriedades. Sempre agiram assim. A forma de manter suas propriedades é através da violência direta ou de outras ferramentas como as ideologias. Inclusive, a religião é uma forma de ideologia como outra qualquer. 

Por focar quase sempre a questão eleitoral - episódica e imediata -, a esquerda que conhecemos no Brasil escamoteia o tema aborto e só se posiciona quando não tem jeito mesmo... é uma vergonha isso! 

Para ser direto, afirmo que ter ou não ter uma gravidez adiante e uma criança dessa gravidez é uma decisão absolutamente da mulher com o óvulo fecundado por algum espermatozoide.

O corpo da pessoa é só dela, quando ela não está escravizada. Não importa qual o gênero da pessoa humana. O meu corpo é meu, faço com ele o que quiser: corto um braço, entupo ele com colesterol, dou o cu se quiser, faço essas cirurgias estúpidas de lipo que matam pessoas por erro médico toda hora etc. 

Nem é preciso entrar na questão das estatísticas gigantescas do número de mulheres que criam crianças sozinhas, sem o macho dono do espermatozoide envolvido na gravidez. Via de regra, em qualquer dificuldade, o homem foge, abandona a pessoa mãe. 

Enfim, que chateação acompanhar essa birra sem sentido do nosso governo Lula em relação aos professores e trabalhadores das universidades federais e essa hipocrisia asquerosa da questão do aborto, com o Congresso atual querendo tipificar como assassinato o aborto.

Pimenta no cu dos outros não arde...

Peço perdão aos leitores e leitoras do blog por usar neste texto de opinião palavrões. Me perdoem! Achei necessário. 

William 


20 de 100 dias



20. Estou em Uberlândia, visitando a família. Estar com as pessoas queridas é um objetivo neste momento da existência. Ontem à noite, passei algumas horas com minha irmã Telma e o cunhado Tulio, e o Kalvin. Comemos pão de queijo, bolo, café e chá, afinal de contas estamos em Minas Gerais. 

Hoje já andei bastante, estou procurando solução para o aquário de minha mãe, que está com vazamento. Ela tem dois acarás. Comprar outro como pensei vai sair muito caro. Vou andar mais para ver como resolvo o problema. 

Andando pelo bairro, já me encontrei com um familiar - o Vinícius - e até domingo vou ver mais pessoas da família. 

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BRASIL SE DESFAZENDO

O mundo humano está complicado. As consequências decorrentes das eleições legislativas de 2022 estão a todo vapor na pior base parlamentar da história do Brasil. 

As eleições foram realizadas sob cenário muito adverso para nós que lutamos por um mundo mais justo e sustentável e nossos inimigos têm maiorias simples e qualificada para derrubar novamente o nosso presidente eleito, Lula, e estão votando "leis" que não podem ser acatadas por nós. 

Sempre expliquei que o povo da classe trabalhadora e suas lideranças não devem ser papagaios de auditório e ficar repetindo mantras estúpidos do tipo "lei não se discute, se cumpre...".

Não se discute o caralho! Se cumpre o cacete!

Esse Congresso vai votar que mulheres e crianças estupradas são assassinas se fizerem aborto e nós vamos "cumprir a lei"?

Esse Congresso comprado com dinheiro público do orçamento secreto vai votar a volta da escravidão e nós vamos acatar a tal "lei"?

Nossas lideranças devem ter postura de lideranças e atiçar o povo pra luta!

William 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

19 de 100 dias



19. Uma das coisas que sei que devem ser mais frequentes na minha vida é estar com pessoas presencialmente. Nos próximos dias estarei com meus pais e familiares de Minas Gerais. Isso é imprescindível.

Dentro do conceito de "carpe diem", avalio que devemos estar sempre que possível com pessoas queridas e que acrescentem algo positivo em nossa existência.

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FREI BETTO

Na estrada, lendo a biografia do dominicano Frei Betto, na parte na qual ele e companheiros estão como presos políticos no presídio paulista de Presidente Venceslau, no Natal de 1972, tem uma cena emocionante quando a advogada Eny Moreira promove um abraço aos 400 presos, durante a Missa do Galo (p. 203). 

Eu me lembrei de minha palestra em Curitiba, em 2019, quando promovi também um abraço coletivo para despertar os participantes do encontro - era um final de tarde e o pessoal estava cansado pelos debates do dia. 

Nada como um bom e carinhoso abraço para energizar as pessoas!

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O capítulo "Libertad aplazada", termina com a liberdade dos dominicanos, após cumprirem pena de prisão política, e com Frei Betto recebendo a notícia em agosto de 1974 da morte de Frei Tito, na França. O suicídio foi a única maneira que a vítima encontrou de se ver livre de seu torturador Sérgio Paranhos Fleury.

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O capítulo seguinte é muito didático ao falar sobre a Teologia da Libertação (TdL): "La Teología de la Liberación y la nueva Iglesia".

Frei Betto desenvolveu uma prática em seu cotidiano no cárcere que o auxiliou em suas reflexões e descobertas pessoais: a produção de cartas para o contato com o mundo exterior. 

Estou ficando sem luz solar no ônibus ao final de tarde na estrada. Vou encerrar a leitura e a postagem sobre meus dias de buscas.

Não consigo fazer citações do livro sobre Frei Betto. 

Gostei de uma passagem do capítulo que explica a essência da Teologia da Libertação, que coloca a injustiça social como pecado praticado por aqueles que exploram o povo. 

Houve uma conferência católica na Colômbia em 1968 que definiu as bases da TdL. Os irmãos Leonardo Boff e Clodovis Boff foram importantes formuladores da TdL.

Os cristãos devem se empenhar em combater as estruturas sociais que causam a miséria do povo.

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Enfim, pôr do sol na estrada. Vamos abraçar os familiares em Uberlândia. 

William 


Post Scriptum: é a primeira vez que faço postagem diretamente do celular, não tinha esse hábito. 


quarta-feira, 12 de junho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 12 de junho de 2024. Quarta-feira.


Nos últimos dias, tenho trabalhado em casa a organização de minha coleção de mídias, uma quantidade de materiais que fui adquirindo ao longo de décadas de vida. São livros, revistas, apostilas, mídias audiovisuais, papéis e mais papéis.

Cada documento é um encanto maior que o anterior. Ao assistir a alguns vídeos e documentários sobre a luta da classe trabalhadora brasileira, sinto um espírito de pertencimento que emociona a gente ao relembrar toda aquela luta da qual fui semente e participei nos meus trinta anos de categoria bancária.

Hoje, estou com o sentimento disperso, não tenho conseguido sentir pertencimento como senti ao longo de minha vida de trabalhador da categoria bancária. Avalio que são diversos os motivos que me fazem estar em busca de sentidos e motivações enquanto militante que viveu de forma intensa e por dentro as principais lutas da classe trabalhadora dos anos noventa para cá.

AUGUSTO CAMPOS

A riqueza do material que tenho é grande! Nesses últimos dias, li entrevistas de grandes figuras da nossa categoria bancária que participaram da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT). Li depoimentos de Gilmar Carneiro, Olívio Dutra, Jacy Afonso e Luiz Azevedo. Que histórias incríveis! (ver comentário aqui)

Uma figura foi central no depoimento de todos eles: Augusto Campos.

Hoje, ao ver um documentário de 2014, com entrevistas realizadas em outubro daquele ano com o companheiro Augusto Campos, um material excepcional feito pelo pessoal do Crivelli Advogados Associados em parceria com o Sindicato, senti emoções profundas ao ouvir uma de nossas referências e ver que o que fui durante a representação sindical e o que sou como pessoa traz na essência as ideias e conceitos de figuras humanas como o Augustão. (diria que só não sou tão pacifista quanto ele foi)

O fazer sindical junto às bases, a forma democrática de organizar a classe trabalhadora, a clareza da necessidade de organizar o povo de forma ampla, não só olhando para o seu grupo, e uma das concepções que marcaram a criação da CUT, a de que as proposições das direções sindicais precisam ter ressonância na massa, a representatividade de uma liderança se dá quando a massa compartilha das ideias dessa liderança, acredita ser possível conquistar aquilo pelo qual estão lutando.

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OS TEMPOS DUROS DEVEM SER ENFRENTADOS COM UNIDADE, CRIATIVIDADE E SOLIDARIEDADE DE CLASSE

Essa geração do Augusto Campos, Gushiken, Lula, Olívio Dutra, Genoino, José Dirceu, Dilma Rousseff, Marisa Letícia, e tantas companheiras e companheiros que nos legaram o Brasil da Constituição Federal de 1988 enfrentaram a violência dos donos do poder econômico em todas as suas formas mais perversas e nos garantiram direitos e esperanças de uma vida melhor desde meados do século passado.

Ao ver o cenário atual, brasileiro e mundial, vejo semelhanças com os cenários dos tempos mais complexos que a humanidade vivenciou no século vinte: as duas guerras mundiais, as diversas formas de totalitarismo como o nazismo, o fascismo, o macarthismo e os erros do comunismo real, as guerras e ditaduras coloniais patrocinadas pelo imperialismo e os inúmeros conflitos que causaram extermínio e miséria de populações. Por trás de todos eles, todos, o capitalismo.

Tempos duros! Tempos duros!

E todos nós que temos formação política, que somos de esquerda, que fomos forjados na ideologia de lideranças como as que citei aqui, todos nós, sabemos que a vida é luta, que a vida é um bem precioso, sabemos que a humanidade precisa ser educada e ter acesso aos conhecimentos e culturas diversas para poder se libertar das opressões e das ignorâncias e manipulações dos donos do poder econômico, sabemos que não há chances para a humanidade sob a hegemonia do capitalismo. Só com a derrota do capitalismo poderemos salvar a vida no planeta Terra.

William Mendes


18 de 100 dias



18. Enquanto caminhava hoje pela manhã, pensei tanta coisa que acho uma pena as ideias se perderem depois que se chega em casa. Refletia sobre a minha busca de sentidos e objetivos para um viver de curto prazo: realizar alguma coisa a cada centena de dias.

O que quero ter feito até dois de setembro, primeira centena de dias de vida desde que pensei nesta forma episódica de viver em ciclos curtos de existência? 

100 dias pode ser muito tempo e pode ser tempo nenhum para determinadas coisas da existência e da natureza.

Uma pessoa pode melhorar sua saúde em 100 dias ou pode ter sua condição de saúde fodida em uma centena de dias... (minhas dores no quadril vão melhorar ou piorar, por exemplo?)

Uma pessoa pode aprender algo que mude sua vida em 100 dias e pode também passar a viver de negacionismo e desinformação numa espiral tão maluca que vire uma merda em forma humana...

Eu olho ao meu redor e o que vejo é horrível! Que merda virou o mundo! Da mesma forma que olho para fora, olho para dentro de minha vida e também percebo que não estou satisfeito. Sou um homem de sorte, por um lado, e sou uma pessoa que não tem encontrado realização pessoal, por outro. Que fazer?

Não defini um ou mais objetivos claros para perseguir em meu primeiro ciclo de 100 dias. Com o passar dos dias de busca de sentidos e de mudanças para a condição de insatisfação permanente, tenho obtido algumas noções de coisas a fazer.

Tenho que melhorar minha condição de saúde integral. Estou mais atento a isso. Sem a realização dessa tarefa, qualquer outra vai pro saco! Sem saúde e energia não sou nem estou no mundo de forma plena.

Tenho grande insatisfação por ter me tornado uma pessoa desorganizada na vida pessoal, sendo alguém que atuou para organizar o mundo lá fora durante minha militância e representação política. Casa de ferreiro, espeto de pau!

Avaliei nestes 18 dias de buscas por mudanças e sentidos que preciso organizar as mídias que tenho de cultura em geral. Fazer uma espécie de centro de documentação (cedoc), que inclua os livros que tenho, filmes, revistas, apostilas, cadernos, os mais de 5 mil textos que fiz em blogs e que estão em nuvens... ou seja, podem se perder a qualquer momento.

NUVENS

Uma das coisas que pensei enquanto caminhava é sobre essa questão das nuvens. É um erro crasso da humanidade confiar em depositar nossos conhecimentos e culturas em nuvens... ou seja, em meios digitais que estão mantidos em máquinas dos grandes donos do mundo, dos capitalistas, um bando de fdp fascistas que estão destruindo a humanidade e a natureza com todas as formas de vida.

É um erro não guardarmos nossos conhecimentos e culturas em meios físicos. As nuvens, os tais meios digitais servem de backup, mas não se pode deixar que toda a nossa produção humana esteja somente nas máquinas dos fdp donos do mundo, uns merdas como os donos das big techs!

Enfim, enquanto vou vivendo, acho que tenho que organizar o meu cedoc e que isso sirva pra alguma coisa (ou não), mas que esteja por aqui em algum lugar disponível. Podem pôr fogo depois, não sabemos o dia de amanhã. 

Que eu deveria organizar a quantidade enorme de conhecimentos e culturas que sei que tenho, isso deveria! Então, mãos à obra, caralho!

Fiz isso nos últimos dias.

William


terça-feira, 11 de junho de 2024

17 de 100 dias



17. Uma das coisas que estou fazendo mais uma vez e quem sabe agora eu vá adiante nesses 100 dias de busca de sentidos é manusear e definir o que faço com a grande quantidade de mídias que tenho guardadas em casa sobre a história do movimento sindical e dos trabalhadores do Brasil. Ainda tenho que ver o que farei com as pilhas de materiais xerocados da Faculdade de Letras e com as centenas de revistas que tenho.

Estou apartando um grupo de materiais de formação para enviar a um companheiro de Belém (PA) que demonstrou interesse pelo material que anunciei e estou preparando outro grupo de materiais para um companheiro e amigo do BB de Guarulhos, aqui na região metropolitana de São Paulo. E um amigo do sindicato me pediu o material específico que tenho sobre negociação coletiva.

Seguindo no manuseio das mídias de estudos e cultura do mundo do trabalho, vou organizar um pequeno cedoc próprio, catalogado para facilitar o uso. Parte do que estou avaliando vai ficar neste meu acervo cultural.

Somarei ao cedoc os cadernos dos blogs de cultura e sindical, que tenho revisado e impresso aos poucos. Esse trabalho de organização vai compilar de certa forma minha formação política e cidadã dos últimos vinte e poucos anos de vida, a fase adulta de maior produção intelectual deste homo sapiens.

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A DÉCADA DA PERVERSIDADE (BRASIL E RS, DE COLLOR A FHC)

Hoje vi o vídeo produzido em 2010 pelo SindBancários abordando a terrível década dos anos noventa fazendo um contraponto com a década de oitenta, sendo esta de grandes manifestações e avanços populares conseguidos através das mobilizações do povo brasileiro.

O documentário tem quase uma hora e os depoimentos me fizeram recordar um período duro de nossas vidas de classe trabalhadora. Além de Collor, tivemos os dois governos do Fernando Henrique Cardoso, de privatizações e ataque violento aos direitos do povo trabalhador. Durante aquele período, dezenas de pessoas cometeram suicídio nas empresas públicas que sofreram processos de enxugamento e assédio moral institucional. Foi terrível!

É isso!

William