terça-feira, 14 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (VII)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

VII. Encerramento da etapa colonial

Furtado termina a primeira parte do livro, que explicou os fundamentos da ocupação do território brasileiro pelos portugueses, demonstrando o quanto é antiga a vira-latice de nossas elites em relação a algum dos imperialismos dos últimos séculos.

Não é difícil entender o animal humano que ocupa a presidência do país neste momento ir lamber as botas sujas de sangue do mandatário dos Estados Unidos dias atrás ao lermos sobre a história do Brasil.

Resumindo a etapa final da colônia portuguesa, que passaria a abrigar a corte portuguesa e depois seria o Brasil independente de Portugal (e dependente da Inglaterra), temos o seguinte cenário:

Portugal consegue sair do jugo dos espanhóis (1640), mas não pode ficar sem escolher alguma potência para ser um mero vassalo. A potência escolhida para se submeter é a Inglaterra. Por uns dois séculos os ingleses farão com que Portugal e a colônia brasileira sejam um entreposto comercial deles. 

Ouro de tolo - Depois do monopólio do açúcar perder força por causa da concorrência do açúcar das Antilhas, vem a etapa da extração de ouro no Brasil. Os benefícios do ouro ficaram todos com a Inglaterra. Portugal viveu com o ouro o que a Espanha havia vivido no século anterior. Não desenvolveu nada economicamente relevante enquanto teve ouro disponível para repassar tudo aos ingleses.

Mesmo após a independência, quando muda o ciclo do ouro para o do café, o Brasil seguirá muito tempo sendo vassalo de alguma potência... 

Em 2022, o Brasil se veria vassalo de uma potência de novo e o seu "presidente" (biologicamente temos que reconhecer que ele é um ser humano...) beijando os pés de uma velha raposa lá no império do Norte pedindo ajuda para continuar no poder na colônia em benefício deles, dos de fala inglesa...

Nada de novo no front... o garimpo ilegal na Amazônia segue destruindo tudo nas terras brasileiras em benefício de uns poucos canalhas... uma serra inteira vai ser cavocada e desfeita em Belo Horizonte em benefício de mais algum filho da puta... e assim seguimos no século XXI

William

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Leia aqui os comentários do próximo capítulo.


segunda-feira, 13 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (VI)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

VI. Consequências da penetração do açúcar nas Antilhas

É interessante como este capítulo parece um filme dirigido por Celso Furtado. Ele vai descrevendo os acontecimentos e os leitores vão vendo causas e consequências das coisas relativas ao Brasil, às Antilhas e aos Estados Unidos. Lógico, estamos vendo as disputas entre os colonizadores europeus - Portugal, Espanha, Países Baixos (depois Holanda), Inglaterra e França.

Em resumo, o filme é assim: os portugueses conseguem expulsar os holandeses das terras do Nordeste da colônia portuguesa (meados do século XVII). Os holandeses fazem acordos com colonos franceses e ingleses das Antilhas para começar lá uma produção de cana-de-açúcar. As ilhas eram colônias de povoamento de brancos europeus, mas a monocultura de açúcar precisa de escala e muita mão de obra, problema solucionado com os escravos africanos. Consequências: bau-bau colônia de povoamento de brancos... a produção de açúcar dá certo nas Antilhas. Colonos brancos vão rareando e a população de origem africana vai aumentando exponencialmente.

As colônias de povoamento dos ingleses e franceses nas terras setentrionais - Nordeste dos Estados Unidos e Canadá - não tinham produção comercial de larga escala, era outra lógica, produção mais familiar. Com a cana-de-açúcar antilhana, abre-se um mercado exportador de víveres e da indústria naval. A agricultura de subsistência nas Antilhas perde espaço para as terras de cana-de-açúcar. As florestas norte-americanas viram caixas para açúcar e barcos comerciais e ali nasce uma indústria naval importante. A cana-de-açúcar antilhana dá lugar também à produção de bebidas alcoólicas e à concorrência com as bebidas das metrópoles e daí vem o contrabando... etc.

É um resumão. As populações das Antilhas e do Nordeste dos EUA e Canadá foram definidas de acordo com o tipo de desenvolvimento que foi nascendo ali. Estamos falando da 2ª metade do século XVII para a 1ª metade do século XVIII. Nos grandes latifúndios de cana-de-açúcar, mão de obra escrava africana; nas propriedades pequenas nas colônias de ingleses e franceses (EUA e Canadá) contratos de mão de obra de servidão temporária de brancos europeus. Os interesses dos colonos nos Estados Unidos foram ficando cada dia mais conflitantes com os interesses da metrópole... etc.

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COMENTÁRIO

É isso! Quando eu vejo esse Brasilzão bolsonarista dos desgraçados do agro "pop" e de uns filhos da puta coronéis, latifundiários e canalhas de colarinho branco representantes da casa-grande... que merda! É a mesma colônia de séculos atrás, estando nós no século XXI. Aff! Temos que acabar com isso, gente! Independência popular, já! Fora com essa elite do atraso!

#ForaBolsonaro e todo o mal que ele representa para o Brasil e o povo brasileiro!

William

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A Amazônia está salva? (CartaCapital, 381, 22/02/2006)



Refeição Cultural - CartaCapital 381

A AMAZÔNIA ESTÁ SALVA?


Em fevereiro de 2006, a matéria de capa de CartaCapital nos apresentava a pergunta "A Amazônia está salva?" e ainda na capa apresentava o tema central que leríamos na revista: "Pela primeira vez na história, há consensos entre ambientalistas, seringueiros e madeireiros em torno de um novo modelo de exploração da floresta. Resta ver se o governo fará cumprir a lei inovadora".

A revista é de 22/02/06.

Terminei a leitura da revista inteira neste domingo, 12/06/22, ouvindo "Bachianas Brasileiras" de Heitor Villa-Lobos. A leitura de uma edição de CartaCapital com as notícias de fevereiro de 2006, 16 anos atrás, me fez sentir uma mescla de sentimentos bons e ruins. Bons porque o Brasil avançava em benefício do povo; ruins porque o golpe nos fez regredir ao pior tempo de nossa história.

A matéria de capa, por exemplo, nos transporta a um tempo, uma época, em que o Brasil e o povo brasileiro viviam um período de tentativas de conciliação de classes, de busca de consensos políticos, de construção de uma sociedade através do diálogo e em paz (sem guerra declarada). Tempos de governos do Partido dos Trabalhadores: na época vivíamos o primeiro governo Lula.

Durante os governos do PT, o Brasil e o povo brasileiro eram focos de curiosidade do mundo inteiro. Nosso povo era um dos povos mais felizes do mundo, mesmo tendo as cicatrizes de nosso passado de mazelas oriundas da colonização de exploração do solo e do povo por séculos. 

Avançávamos em todas as áreas sociais e nos projetávamos para sermos um dos países mais importantes do século XXI. Repito: em paz, ou seja, sem o ódio como política e sem a eliminação do "outro" como se prega no bolsonarismo oriundo da casa-grande, na "elite do atraso" como nos ensina Jessé Souza.

AMAZÔNIA HOJE - Onde estão Bruno e Dom? Neste momento em que escrevo este texto, uma segunda-feira 13/06/22, as notícias estampadas nos portais do mundo inteiro seguem cobrando informações do governo brasileiro a respeito do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, desaparecidos no Amazonas na última semana. 

Além do sumiço de Bruno e Dom, inumeráveis notícias nos envergonham na atualidade bolsonarista. Povos indígenas perseguidos, estuprados e assassinados por garimpeiros e invasores livres para barbarizarem à vontade terra e povo amazônicos. Essa é a realidade 16 anos depois da conciliação que buscaria um caminho melhor para a Amazônia e seus povos.

A questão amazônica e tudo relativo ao Brasil viraram temas de destruição, morte e miséria após o golpe de 2016, após Temer e Bolsonaro. O país virou um continente dominado pelo crime organizado e pelas milícias. Uma terra de privilégios para uns poucos abastados (o 1%) e um país de fome, de desalento e retrocessos para o conjunto da população brasileira (os 99%).

A edição traz ainda o Dr. Sócrates em artigo "Educação no esporte" cobrando exigência de conclusão do ensino fundamental para os futuros jogadores de futebol; tem uma matéria sobre o Haiti, feita por Antonio Luiz M. C. Costa, que é uma verdadeira aula de história; Delfim Neto em artigo cobrava uma 3ª via (tema antigo da elite quando se fala de liderança do PT) enquanto criticava os tucanos e aparentemente não engolia Lula já despontando nas pesquisas para as eleições daquele ano.

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Li a revista porque não sei o que fazer com dezenas e dezenas de revistas CartaCapital com tamanha quantidade de história do Brasil. Sei que devo me desfazer delas. Não conseguia ler as revistas à época porque mal dormia pelo tanto que trabalhava ininterruptamente como dirigente da classe trabalhadora. Eu era sindicalista fazia 4 anos e tudo que era relativo à história da luta de classes eu lia, estudava e repassava aos trabalhadores que representava.

Tenho muita dó de jogar tudo fora... mas sei que não tenho o que fazer com essa quantidade enorme de material de uma época de estudos e militância política.

É isso!

William


domingo, 12 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (V)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

V. As colônias de povoamento do hemisfério norte

Ao reler esse capítulo de Furtado, a gente acaba relembrando na forma de novo conhecimento informações que sabíamos lá atrás e que esquecemos no dia a dia do viver.

Após ler o capítulo, ficaram mais claros meus conceitos de colonizações diferentes nas Américas comparando as de espanhóis e portugueses com as de ingleses e franceses, principalmente. Os ibéricos vieram aqui pra explorar metais preciosos e qualquer coisa que pudesse favorecer as metrópoles e eles próprios. Lógico que em poucas palavras estou resumindo demais isso tudo, mas é mais ou menos assim.

Os ingleses e franceses enviaram populações por bem e por mal - convidando, expulsando, sequestrando, para pagar penas de crimes etc - para colonizar novas terras e para a metrópole se ver livre de grupos inteiros de pessoas indesejadas. Valeu tudo quanto é sacanagem no processo: expulsar pessoas com crenças e origens diferentes, se ver livre de gente que perdeu as terras e as ocupações para os nobres, reis e gente que roubava as terras deles etc.

Furtado nos diz que a condição dessa massa de gente que veio forçada da Europa para as ilhas do Caribe e para a América do Norte não era muito diferente da condição das pessoas sequestradas no continente africano para serem vendidas como escravos nas Américas.

Enfim, que interessante ler 3 ou 4 páginas de um livro tão fundamental como esse de Celso Furtado. Os ensinamentos nos dão melhor compreensão de nossa origem e dos motivos que levam as coisas hoje a serem como são: estou falando de materialismo histórico, percebem?

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COMENTÁRIO

Enquanto isso, milhões milhões milhões de pessoas das mais variadas idades, origens, condições pessoais e sociais estão gastando o dia inteiro - dia, tarde, noite, madrugada - em vídeos de curto tempo ou de longo tempo com "influenciadores" falando o que acham sobre tudo - de Física Quântica a futebol - ou fazendo alguma pregação de ódio ou palhaçada que dê curtidas e divirtam as pessoas ininterruptamente... e com os algoritmos das redes enviando mais e mais vídeos e as pessoas tendo mais e mais dificuldades para parar de ver e de rolar a tela para baixo...

São os "Dois minutos de ódio" do clássico 1984... (só que com a tecnologia do século XXI são as 24 horas de ódio).

Que foda lidar com tudo isso! Mas não podemos desistir dos seres humanos, não podemos... senão desistimos do próprio planeta em que vivemos...

William

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sábado, 11 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (IV)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

IV. Desarticulação do sistema

E então os holandeses, os batavos, descobriram os segredos do açúcar português-brasileiro e bau-bau monopólio... o que era doce e caro - o pozinho na mesa dos endinheirados da Europa - ficou mais barato e os portugueses perderam a exclusividade do comércio do açúcar... 

Furtado nos explica que no começo do século XVII os holandeses controlavam praticamente todo o comércio dos países europeus por mar. Distribuir açúcar sem a cooperação deles era inviável. Holandeses entraram em guerra com os espanhóis nessa época. Vale lembrar que Portugal ficou sob domínio espanhol por dezenas de anos. Os holandeses ocuparam terras no Nordeste e aprenderam toda a técnica da produção de açúcar... adeus, monopólio.

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COMENTÁRIO

Seria tão simples para o povo brasileiro entender como os desgraçados do agro "pop" estão ferrando com as nossas vidas se o povo brasileiro tivesse acesso à cultura, à educação, ao conhecimento e acesso a bons veículos de comunicação... seria...

Mas os tempos são de desinformação total, inclusive com fontes de milhões de mentiras (fake news) oriundas dos logradouros onde ficam os golpistas que representam o Brasil formalmente lá no palácio de vidros... enfim, a destruição do pouco acesso à educação formal que existia antes do golpe de 2016 é projeto de dominação do povo desta ainda colônia.

Vamos mudar isso em outubro, gente? Pelo amor dos nossos filhinhos, netos, tataranetos (e por amor-próprio também)!!!

William

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Diário e reflexões (11/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 11 de junho de 2022. Sábado frio.


Estava ouvindo Eddie Vedder nesta manhã de sábado. Suas músicas nos levam para a essência do que somos - um universo de possibilidades a partir das projeções de nosso cérebro humano. Músicas melodiosas, suaves acordes de guitarra que nos fazem viajar, letras com substância - amor, natureza, buscas pessoais... Voz inconfundível e potente do cantor. O mundo da cultura nos salva! Ouvi uma playlist vinculada ao filme e à história de Chris McCandless - Na natureza selvagem. Viagem, viagens...

Ao ouvir Eddie Vedder, ao me lembrar de McCandless, me lembrei de Jesse Koz e seu cãopanheiro Shurastey. Ao me lembrar deles, me lembrei do conceito humano "liberdade". E junto com a abstração "liberdade" veio o seu complemento conceitual "felicidade".  Liberdade e felicidade, duas abstrações humanas que preenchem os sonhos de parte considerável dos animais da espécie humana.

Conheci as histórias de McCandless e Jesse Koz após eles viverem suas vidas, após experimentarem o viver de forma muito mais intensa que a amplíssima maioria de nós, animais humanos engaiolados nas selvas de pedra de nossos cotidianos envenenados com as coisas coisas coisas da abstração humana "capitalismo". Dois caras que me fazem pensar muito nos significados da existência humana, da minha principalmente...

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Preciso reencontrar minhas atitudes perdidas. Tenho alguns lugares pra ir. Preciso ver algumas pessoas. Tenho coisas a desfazer. Tenho uma imensidão de coisas pra conhecer, estudar, saber. Cultura pode nos salvar. Como sei que não sei nada! Quero aprender muita coisa ainda. Estou aberto ao novo, ao mundo.

Sigo buscando, procurando...


sexta-feira, 10 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (III)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

III. Razões do monopólio

Neste curto capítulo, Furtado demonstra que os espanhóis se entupiram tanto com o ouro roubado dos povos da meseta mexicana e do altiplano andino que acabaram gerando consequências econômicas negativas para a Espanha: inflação interna, excesso de importação de quase tudo e também desestimularam as atividades produtivas (século XVI). Com isso, deixaram de aproveitar as boas condições que teriam para produzir monoculturas nas colônias espanholas e seus colonos passaram maus bocados, pois a metrópole não ajudava porra nenhuma no desenvolvimento das colônias.

Os portugueses, que tinham que descobrir alguma forma de rendimento das terras do Brasil, não encontrando metais preciosos de imediato, foram para a monocultura da cana-de-açúcar, eles tinham o conhecimento das técnicas desde o século XV.

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COMENTÁRIO

Olhando o nosso passado de invasões de bárbaros vindos do Norte (os brancos europeus eram os bárbaros invasores), e vendo o que virou o Brasil após o golpe de 2016 "com o Supremo com tudo", fica fácil entender porque o nosso país tem milhões de pessoas com fome, não tem atividade econômica que gere emprego e renda com direitos para o povo, e tem uns filhos da puta que vivem das monoculturas que devastam tudo e enchem o c... deles de dinheiro para viverem em seus palácios de cristal, alguns por aqui e outros em cidades do chamado 1º mundo. No governo central, tem um celerado que não faz absolutamente nada para apoiar o desenvolvimento dos estados e municípios e o povo está por sua conta e risco...

Será que os colonos e as senzalas vão se revoltar contra as metrópoles e as casas-grandes em outubro de 2022? O dia das eleições é o único dia que o voto da senzala vale o mesmo que o da casa-grande, mas na senzala tem muito mais gente...

Ou falando diferente:

Será que o povo vai acordar a tempo de mudar um pouco essa realidade ancestral miserável nas eleições de outubro de 2022 e eleger parlamentares de esquerda e Lula presidente?

William

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quinta-feira, 9 de junho de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (II)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

II. Fatores do êxito da empresa agrícola

Neste capítulo, Furtado nos explica como se deu a questão de se fazer valer a pena manter as terras brasileiras sob o domínio português. Os espanhóis encontraram ouro logo de cara nas terras que ocuparam, cometendo o genocídio dos povos maias, astecas, incas e demais etnias das Américas e roubando o ouro e demais metais preciosos desses povos. O objetivo principal era o ouro, mas não encontrando o metal no Brasil, o que fazer para dar alguma serventia a essas terras?

Produzir açúcar. Os portugueses dominavam a técnica há décadas e com o financiamento dos holandeses foi possível dar alguma serventia ao solo continental do Brasil. Os fatores de produção incluíam a questão da mão de obra e a solução foi desenvolver em larga escala o comércio de seres humanos, outra "indústria" portuguesa. Sequestrar homens e mulheres no continente africano e vendê-los como escravos no Brasil... assim foi possível desenvolver a indústria da cana-de-açúcar e comercializar aquele pozinho branco doce e delicioso para as mesas dos nobres e abastados europeus...

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COMENTÁRIO

Que merda isso! Passados 500 anos temos no mesmo solo, o Brasil, mais de 100.000.000 (cem milhões) de pessoas passando fome e uns poucos filhos da puta com milhões de hectares de nosso solo produzindo commodities para exportação... nada de novo no front... o agro não é pop, é de uns desgraçados que há séculos odeiam o Brasil e o povo brasileiro. 

No capitalismo feijão, arroz, trigo, milho, carne animal, soja, leite e frutas não são alimentos, são mercadorias, são capital para os capitalistas. E tem um monte de gente pobre, que não é capitalista, que defende os verdadeiros capitalistas de continuarem f... com todo mundo.

William

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Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (I)

Primeira parte

Fundamentos econômicos da ocupação territorial 

I. Da expansão comercial à empresa agrícola

É interessante nesse 1º capítulo alguns conceitos que Celso Furtado nos explica. A colonização nas Américas a partir do século XV é consequência da expansão comercial europeia e não devido a novas colônias de povoamento. As colônias europeias aqui eram de exploração. Espanhóis se enriqueceram com o ouro dos povos andinos e da América Central e os portugueses acabaram por empreender a empresa agrícola.

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COMENTÁRIO

Vejam o que são os vícios de origem... 500 anos depois banqueiros, empresários, artistas, youtubers, corruptos de todos os naipes, incluindo os desses segmentos que citei, ainda veem o Brasil como terra de exploração e após espoliarem o povo voltam pra suas moradias em Miami, Portugal, Paris, Nova Iorque, Londres e outras metrópoles do Norte que nos roubaram por séculos. E os desgraçados ainda falam mal do Brasil. São uns filhos da puta!

Que merda! São nossos vícios de origem...

William

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terça-feira, 7 de junho de 2022

Diário e reflexões (07/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 7 de junho de 2022. Noite chuvosa de terça-feira. 


As lições que aprendi com a militância da esquerda sustentaram a minha existência até aqui

Graças ao Sistema Único de Saúde previsto em nossa Constituição Federal de 1988, tomamos a 4ª dose de vacina contra o Covid-19 e tomei a vacina contra o vírus Influenza por ser hipertenso. Não pagamos por essa proteção vacinal no posto de saúde de nosso bairro, fomos beneficiados por existir ainda neste país um sistema público de cuidados e acolhimento da população que aqui vive. Esse direito só existe porque existem pessoas do campo da esquerda e que defendem direitos universais e um Estado que proveja direitos aos cidadãos. 

Se dependêssemos do que pensam e defendem os capitalistas, liberais e direitistas não haveria direito algum e nada seria público, tudo seria serviços e produtos para quem pudesse comprar e pagar. No entanto, os liberais e direitistas também estavam lá no posto de saúde para tomar as vacinas. São uns filhos da puta hipócritas! Isso sim!

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Dias atrás escrevi um texto onde afirmo que o Mal é a base da cultura do lugar onde nasci (ler aqui). Nele, teço minha opinião pessimista em relação ao presente e ao futuro, falo sobre o ser humano e sobre a história de exploração de nosso país continental. Um colega bancário aposentado me sugeriu em comentário que eu colocasse um pouco de dialética nos textos que faço. Pensei a respeito e ele tem razão. 

Eu deveria ao menos alternar textos onde confesso minha descrença com as coisas com textos que estimulassem os leitores que tenho a terem mais esperança e ânimo para se engajarem nas lutas sociais que caracterizam a nossa espécie. Afinal de contas, enquanto houver humanos, haverá história e a certeza que temos é que a mudança é a realidade material: tudo muda e nada é para sempre.

A grande lição de minha vida foi a convivência com os movimentos sociais e com cada militante de esquerda que trombei nessa vida. Sem essa convivência e aprendizado eu não teria chegado vivo até aqui na jornada de minha vida. Não teria. Por mais que tenha tido meus momentos de felicidade compartilhada antes dos trinta anos, amores, carinhos, amizades, a forma como via a existência não me permitiria chegar vivo até aqui. A esquerda me deu uma ética da vida, da luta, do esperançar. A esquerda me deu um como-fazer, uma prática de viver. E sou grato por tudo isso.

Ou seja, posso até fazer diagnósticos das situações miseráveis e bárbaras que preenchem o nosso mundo atual, mas a lição da esquerda é que além dos diagnósticos, temos que pensar propostas de mudanças e temos que nos envolver de alguma forma nessas buscas por mudanças. Atitude, essa é a lição da esquerda e dos movimentos sociais. Atitude! Essa é A Lição!

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JESSE & SHURASTEY: INSPIRAÇÃO!

Termino esse registro de reflexões falando sobre o jovem Jesse e seu cãopanheiro Shurastey e seu fusca cascudo Dodongo. Eles deixaram para nós uma história inspiradora, de busca da felicidade e da liberdade. E aqui peço licença para deixar a minha opinião sobre uma das principais lições de Jesse: Atitude! Que rapaz de atitude!

Acabei de assistir a primeira temporada da viagem deles, editada por Jesse em seu canal do YouTube. Foram dez vídeos com os melhores momentos de suas aventuras desde a saída de Balneário Camboriú, com destino a Ushuaia, na Patagônia argentina, e depois a volta passando por Chile, Argentina de novo e Paraguai. Que loucura! Que loucura invejável! Estou apaixonado por eles, pelo que eles significaram no mundo! É tudo muito louco, mas tudo muito feliz, de muita liberdade... e muita sorte!

O coração fica apertado, os olhos marejados, a garganta entalada... vinte e poucos anos... um rapaz e seu golden retriever e um fuca 1978...

O tempo todo fico lembrando meus vinte e poucos anos... motos, viagens, acampamentos, estradas, cavernas, cachoeiras, rapel, saltos de paraquedas... 

A felicidade simples e pura, bruta, desses dois, Jesse e Shurastey, são demais! Não quero falar do fim da jornada deles. Quero falar da jornada deles!!! Meus sentimentos aos familiares e amig@s. Jesse, Shurastey, amo vocês!

William


domingo, 5 de junho de 2022

Diário e reflexões (05/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 5 de junho de 2022. Domingo.

O que se passa em minha mente neste momento? Diversas coisas. No âmbito pessoal, preocupação com pessoas da família. No aspecto social, diversas preocupações me tocam, coisas que geram uma tristeza desoladora e que não temos como interferir, somos impotentes em relação aos acontecimentos. 

Estou também muito reflexivo com a história do jovem Jesse e seu cachorro Shurastey, que faleceram dias atrás após cinco anos de uma das aventuras mais incríveis que já vi ser feita por um jovem, seu cachorro e seu fusca 1978, o Dodongo. Eles estavam próximos de atingir o objetivo final, o Alasca.

Sobre o Jesse e seu cão golden retriever, soube do acidente que interrompeu a viagem deles dois ou três dias depois do fato e desde então passei a ver os vídeos editados por Jesse em seu canal do YouTube. São vídeos incríveis! Qualquer hora vou escrever a respeito. A história desse rapaz e seu adorável amigo fizeram com que eu voltasse no tempo e estou o tempo todo revendo meus vinte e poucos anos...

Estou vendo a edição do jeito que ele organizou, estou terminando a etapa 1 de sua trip, a viagem a Ushuaia, a primeira desde que saiu de Balneário Camboriú (SC), em maio de 2017. Olhando minha agenda de trabalho da época (31/3) estive na região no mesmo período, visitando as unidades de saúde da Cassi em Florianópolis, Joinville e Balneário Camboriú.

A vida nos ensina com o passar dos anos de vivência o quanto somos impotentes e limitados para interferir nos acontecimentos da vida e nas escolhas das pessoas. Achei até interessante ver uma chamada em página de jornais de uma jornalista dizendo que o fato de ter virado mãe foi algo difícil para ela porque ela gostava de ter controle de sua própria vida... isso é uma espécie de ilusão, nós não temos controle sobre nossa vida nem sobre a vida de ninguém. A vida é assim, uma jornada imprevisível, por mais que se tente planejar e prever tudo! (me lembrei de quando li A idade da razão, de Sartre...)

Enfim, a questão mais importante sobre a vida e os acontecimentos cotidianos da vida e do viver é a forma como as pessoas lidam com as coisas. Posso aproveitar o exemplo do jovem Jesse para dizer o que penso: a atitude de Jesse em relação aos acontecimentos que foram se passando ao longo dos cinco anos de aventuras é uma atitude a se observar e refletir. O rapaz fez muita porraloquice, coisa que 99% das pessoas não fariam, mas a atitude dele diante das dificuldades é muito louvável! O cara encarava os problemas de uma forma excepcional, de boas. Sou daqueles que endossam o que Jesse fez. Ele foi feliz demais! Talvez eu e vocês nunca tenhamos chegado aos pés dele em grau de realizações e felicidade...

Por fim, das diversas preocupações com o Brasil, o mundo, os seres humanos e a natureza como um todo, tenho vivido uma bad terrível em relação aos brasileiros e brasileiras. Tô num momento de descrença total nos seres humanos. Todos sabemos que os poucos beneficiários do atual modelo econômico e político que vigora no mundo, o capitalismo e o neoliberalismo, estão pouco se lixando para a destruição de tudo e nenhum de nós faz nada para impedir que isso continue até o fim. É uma loucura! Onde estão os exércitos de voluntários para proteger nossos biomas da destruição por meia dúzia de filhos da puta? Não tem... segue a destruição... os caras tão passando a boiada...

Registrado alguns instantes do que penso.

William

O Mal é a base da cultura do lugar onde nasci


O Mal é a base da cultura do lugar onde nasci

Ao observar o mundo do meu ponto de vista de hoje, uma coisa fica martelando na minha cabeça o tempo todo: o Mal sempre vence. Não é preciso ficar elucubrando conceitos definitivos sobre o que seriam as definições e significados do termo "mal". Em geral, qualquer animal da espécie homo sapiens saberia definir algo como "mal" se tivesse interesse.

O homem colocado na presidência do país neste momento é um representante do Mal, da maldade, da ruindade. Isso é claro e evidente sob quaisquer definições que se queiram escolher para definir o Mal. Não ter empatia em relação ao sofrimento das pessoas do país que governa, não ter feito absolutamente nada durante o mandato em benefício dos direitos da classe trabalhadora e do povo e incentivar diuturnamente o ódio, a violência e a mentira como prática cotidiana são exemplos de maldade deliberada.

Já em relação à cultura das classes dominantes do país, vermos centenas e milhares de pessoas morrerem por causa de fortes chuvas e enchentes e desabamentos por morarem em barracos e casas precárias em encostas e morros e beiras de rios de esgoto nas grandes metrópoles enquanto alguns animais humanos detêm centenas de casas e apartamentos fechados e vazios para especularem e alugarem e fazerem negócios é um claro exemplo de que o Mal sempre vence.

Aprovarem uma lei que autoriza os banqueiros e rentistas donos de tudo a tomarem o único imóvel das famílias por falta de pagamento das mensalidades, donos inclusive dos milhares de imóveis fechados para especularem enquanto milhares de pessoas estão nas ruas ou nos locais com risco de morte, é um exemplo evidente de que o Mal sempre vence.

O Mal, a maldade, a ruindade é a base da cultura cotidiana do país onde nasci, um país que foi nomeado como "Brasil" após a invasão de homens brancos vindos do outro lado do oceano Atlântico, um país que nunca foi colônia de povoamento durante os séculos de expansões dos povos do norte, do continente europeu. Aqui é terra de cortar, cavar, matar, plantar, destruir, matar, minerar e mandar a riqueza para lá... para além-mar.

Aqui nas terras das Américas central e do sul os povos vieram para explorar e encontrar riquezas para benefício de suas terras e seus povos do norte, das metrópoles. Se duvidam, leiam Celso Furtado ou Eduardo Galeano. Passados 500 anos, cinco séculos, a terra onde nasci segue sendo destruída para benefício de alguns filhos da puta colonizadores desta terra de exploração. E essa gente odeia o Brasil, bom é morar em Miami, Portugal, Paris, Nova Iorque, Londres. 

O Mal sempre vence... é só ver a ignorância crassa ao nosso redor, nas pessoas "boazinhas" e simplórias ao nosso redor e em algum momento descobrir que de cada três ou quatro uma delas é bolsonarista, defende apoia e acha que o representante do Mal é o ideal de político e líder dessa gente.

Neste momento de minha existência, depois de tudo que vivi nesses 53 outonos e invernos, não consigo ter paciência e energia para tentar mudar as pessoas através do diálogo. Talvez o Mal tenha vencido minha esperança.

Como posso defender a Serra do Curral de ser cavocada e destruída em benefício de um filho da puta qualquer? Como faço para defender a floresta amazônica e os biomas do Pantanal e do litoral e os povos indígenas da morte - a bala e por veneno e por doenças e por miséria - incentivada pelo regime do Mal instalado na presidência desta terra? Como faço para lutar contra o Mal vencendo como sempre?

Não me convenço mais do "paz e amor"... não acredito mais na conciliação (nem na que o Lula tá montando com os desgraçados que nos levaram a isso)... não tenho mais o vigor necessário para ser soldado numa guerra com as mesmas armas que os inimigos usam contra nós... (Mandela ensina: são os inimigos que definem as armas...)

Como vencer o Mal? Falando com o meu vizinho "bonzinho" que tem como ídolo o verme no poder e os "pastores" da igreja ou muquifo (vendilhões do templo) que frequenta para pedir orientação e deixar suas parcas moedas de prata e cobre?

Pra mim não dá, desse jeito eu não milito nessa guerra, é saber do resultado por antecedência e insistir feito um besta, um tonto...


sábado, 4 de junho de 2022

Lembranças (Buscando a solidão me peguei na multidão)


Buscando a solidão me peguei na multidão

- Me lembro que sempre gostei de ficar sozinho, de ter momentos de solidão para ficar no meu canto, sem falar com ninguém. Num certo período da adolescência, até me imaginava um filósofo, um monge vivendo num lugar afastado de tudo e todos, um ermitão. Eu era bem religioso. Não tenho como saber se esse desejo de estar só era motivado por questões práticas do cotidiano como, por exemplo, viver em casa apertada com mais pessoas e não se ter oportunidade de isolamento para ler, estudar, ficar na sua sem ter que olhar e ou falar com alguém. O que as memórias me apresentam é que eu chorava por fora ou por dentro de agonia por querer silêncio e solidão e estar numa casa ou num quarto com gente ao meu lado. Morar com pais, primos e avó, pessoas estranhas, enfim, morar com os outros me trazia um desejo profundo de morar só e viver no meu mundo. Pra se ter uma ideia, são fortes as lembranças de me pegar nas praças de alimentação de shopping center para ficar sozinho (alone in the crowd) e no silêncio do burburinho da multidão. Era assim que estudava e lia.

- Me lembro de momentos cotidianos de uma leve satisfação pessoal por estar no meu canto, no meu micromundo, casas de quarto e cozinha, ou quarto sala e cozinha ou casas ou apartamentos maiores, foram várias experiências e muitas mudanças pra lá e pra cá. Tinha pouquíssimas coisas, tanto da casa quanto de uso pessoal. Me sentia com certo domínio sobre aquela parca posse pessoal. Uma moto, aparelhos de ouvir músicas e vídeos, uma jaqueta de couro, livros e revistas, geladeira fogão cama e alguns pratos, talheres e panelas. Fins de semana de classe trabalhadora, de lavar roupa, limpar casa, cozinhar e coisas afins. Algum alimento de cultura.

- Me lembro que da 5ª série em diante, de alguma forma me pegava no meio de algum agito, alguma representação de sala de aula ou de grupo de estudantes. Acho que mesmo quando não levantava o dedinho ao perguntarem quem podia ser o candidato ou representante da turma, os outros vinham com aquele papo furado de me indicarem para a representação (a gente indica o William...). Afinal de contas era eu que iria perder tempo com aquilo enquanto os outros iam embora na hora do vamos-ver. Como a gente se indignava com as merdas que achava errado, era meio natural falar "põe o William" pra participar disso ou daquilo... Essa coisa foi acontecendo comigo até o fim de minha vida laboral no Banco do Brasil. Acabou fazendo parte de minha jornada de vida. Com essa coisa dos outros me enfiarem nisso ou naquilo, me envolvi nas lutas estudantis do fundamental, do colegial, da primeira faculdade (e que orgulho me indicarem para orador da turma!), da segunda faculdade que não terminei (mas fiz umas brigas lá com a direção e mudamos regras que prejudicavam os alunos), da terceira faculdade. Foi assim que me peguei síndico do condomínio onde adquiri casa própria. Foi assim que fui conselheiro de usuários da Cassi SP logo que o conselho foi criado lá no início dos anos dois mil. Foi assim que fui parar no Sindicato e na Confederação dos bancários e depois na Cassi como diretor de saúde. Acabou sendo minha vida toda essa coisa de representar pessoas ou lutas por alguma coisa. 

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De um desejo de estar só, de uma necessidade de alguma coisa que não sabia, de alguma busca que parecia pedir isolamento e silêncio, fui encontrando veredas que me levaram a multidões. Greves estudantis com centenas de colegas na antiga Faculdade de Economia e Administração de Osasco, no Jardim das Flores, greves com milhares de alunos na FFLCH-USP (fiz parte da organização da inesquecível greve de 104 dias em 2002), greves com dezenas e centenas de milhares de bancários do país. Anos e anos de assembleias com milhares de bancários e bancárias e eu ao microfone conversando com a categoria que representava. Defendi as propostas negociadas com o patronato em todas as assembleias decisivas em São Paulo entre os anos de 2003 e 2013.

A vida andou, girou, capotou, fui pelas veredas e voltei por elas, e cá estou. Por mais que eu queira me envolver novamente no contato com as multidões, estou nuns dias de total desacorçoo em relação ao ser humano. Acho que as ferramentas de tecnologia das redes sociais e algoritmos das big techs estragaram o ser humano, de verdade. Acho que temos que "salvar" os seres humanos (e temos que salvar o planeta Terra dos seres humanos). Mas nos tornamos intolerantes demais para nos salvarmos. Ninguém ouve mais ninguém (só se você concordar com a pessoa, o outro). Ao ouvir o animal humano abrir a boca e começar a falar o blá blá blá daquilo que viramos nas últimas décadas... não me dá vontade alguma de ouvir, esperar o momento e argumentar com a pessoa. Tenho uma impressão que a coisa de conversar dialogar argumentar e mudar opiniões não rola mais depois do que viramos.

É foda! Estou errado. Eu sei. Nem monge posso ser mais já que não tenho mais crença alguma em coisas da fé da mística do além. Respeito a visão de mundo daqueles que acreditam em seus deuses e mitos, mas sequer as pessoas respeitam quem não acredita nisso, dizem que respeitam mas não respeitam nada. Daqui a pouco, alguma empresa-igreja vai acabar crucificando e queimando a gente de novo, como fizeram ao longo dos milênios de história dos homo sapiens.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Lembranças (A busca da felicidade)


A busca da felicidade

- Me lembro que uma das coisas que mais me deixou bolado ao tomar conhecimento da história do jovem Alexander Supertramp - o pseudônimo do norte-americano Chris McCandless, que saiu cortando os Estados Unidos como andarilho com o objetivo de chegar ao Alasca - foi a mensagem que ele nos deixou ao final de sua jornada de busca pela felicidade (ele chegou ao Alasca): "happiness only real when shared". Após dois anos perambulando à margem da sociedade, McCandless descobriu que os momentos de felicidade que mais marcaram pra ele foram aqueles nos quais ele estava com outras pessoas. Na época assisti ao filme sobre sua vida - Na Natureza Selvagem (2008) -, li o livro de Jon Krakauer e ouvi por meses a fio a trilha sonora do filme, feita por Eddie Vedder. Fiquei mals por muito tempo com a história de McCandless. Sua aventura se deu entre os anos 1990 e 1992. Em 2008 eu estava perto dos 40 anos e passei um tempo avaliando minha vida, minhas tristezas e infelicidades, e procurando momentos de felicidade e percebi que Chris tinha razão. Os momentos felizes que vinham em minha memória eram momentos de felicidade compartilhada... eu estava com alguém. Estar feliz sozinho é diferente de estar feliz com alguém.

- Me lembro o tempo todo nos últimos dias da história do jovem Jesse Koz e seu fiel amigo Shurastey, seu cão da raça retriever, e também de seu fusca 1978, o Dodongo. Eu não o seguia, não o conhecia, e acabei tomando conhecimento dessa dupla incrível após a notícia do acidente que tirou a vida deles quase chegando ao Alasca, dias atrás (na segunda-feira 23/5/22). Jesse e seu amigo saíram em uma jornada em busca da liberdade e da felicidade em 2017, após o jovem de 24 anos não aguentar mais a rotina massacrante de trabalhador em loja de shopping center em Balneário Camboriú (SC). A dupla e o Dodongo saíram sem destino e assim foram parar no "fim do mundo", em Ushuaia, na Patagônia Argentina, e de lá começaram a aventura pelos Estados brasileiros e pelos países da América do Sul e Central, até que a pandemia de Covid-19 interrompeu a viagem deles. Lá em Ushuaia, Jesse havia definido seu grande objetivo e destino, o Alasca. Nos últimos meses, eles estavam nos Estados Unidos e quase chegaram ao destino final... 

"Life's a Journey, Not a Destination
And I Just Can't Tell Just What Tomorrow Brings
" (Amazing, Aerosmith)

Pois é, após ver diversos vídeos e momentos dessa jornada, a cabeça da gente lida com um turbilhão de pensamentos sobre a vida. Como diz a música da banda Aerosmith "A vida é uma jornada, não um destino...". Tudo que vi até agora me dá a impressão que esse rapaz e seu fiel amigo mostraram ao mundo do capitalismo e da futilidade de tudo o que pode ser a felicidade e a liberdade tão desejadas por quase todo mundo. A vida é a própria jornada, a própria jornada é a vida e ela pode ser feliz. O que mais vi até agora nos vídeos de Jesse e Shurastey é a felicidade pura e simples... eles foram felizes até o último instante de suas vidas, foram 5 anos de felicidade, mais de 80 mil quilômetros de felicidade. Felicidade compartilhada! Compartilhada inclusive com milhares de pessoas que os seguiam.

- Me lembro que ontem passei o dia pensando em uma forma de buscar alguma mudança na vida. Não rolou nada. Faz meses que estou lidando com uma busca por algo. Interessante que essa busca de algo já dura décadas em minha vida. Até adotei quando era jovem o lema da música "I Still Haven't Found What I'm Looking For", da banda irlandesa U2, como uma espécie de metáfora de minha vida: uma busca de algo que ainda não havia encontrado. Na verdade a gente passa a vida em busca da felicidade, da liberdade, da realização de coisas boas para a nossa vida. Olho pra trás e vejo que fiz coisas boas, e fiz coisas ruins também. Mas que foda! As décadas de existência passaram e me pego neste momento com a mesma busca de toda uma vida... e ainda não encontrei a felicidade. Cheguei a achar que havia achado um sentido, um significado para o viver. Até signifiquei mesmo o viver nas últimas décadas. Mas voltei ao início de toda a busca. Lógico que falo da felicidade sem nenhuma ilusão de uma felicidade permanente. Não estou feliz. Muita coisa faz parte desse sentimento. Não conseguiria ser feliz com a cabeça que tenho hoje, com a miséria e a destruição das pessoas e do mundo como estamos vendo neste momento da história do Brasil e do mundo. Cada um, cada um. Estou infeliz ou triste, ou os dois... mas não desisti. Sigo buscando.

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Não sonhei solução alguma para a minha mudança de estado. Aliás, sonhei com os contextos aos quais vivi e pertenci e já não pertenço mais. Jesse e Shurastey são uma das coisas mais fantásticas que poderíamos conhecer neste momento macabro do mundo e do capitalismo que coisifica tudo.


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Lembranças (Mudanças)

Posse na Cassi, em junho de 2014.

Mudanças

- Me lembro que minha vida mudou radicalmente em dois 1º de junho, o de 2014 e o de 2018. Mudanças radicais, mudanças que marcaram minha pessoa e as pessoas próximas a mim. Mudanças para o bem e para o mal. A vida não mudou sua característica principal: mudanças. E hoje passei o dia pensando a respeito da questão. Preciso de uma mudança para seguir.

- Me lembro daquelas coisas coisas coisas que acumulamos e fico bestificado com essa característica de certos seres humanos. Somos acumuladores, somos criadores de necessidades desnecessárias; supérfluas dizem aqueles que ainda não perderam de todo o vocabulário da linguagem. Como adquirir a sabedoria para se desfazer de tudo que não é necessário? Como?

- Me lembro que uma das motivações para sermos acumuladores é a vaidade. Somos animais vaidosos. Também somos animais precavidos, acumulamos coisas para uma eventual necessidade delas, os humanos desenvolveram o cérebro e com isso passaram a prever e prover, passaram a pensar no amanhã. Mas a vaidade está também nas motivações para acumularmos coisas. Seres vaidosos.

- Me lembro que passei o dia pensando em alguma forma de mudança, diria que os últimos tempos tiveram a mudança como uma busca a ser alcançada. Ao olhar para trás vejo muita coisa de mim mesmo. Desânimo. As mudanças que marcaram e definiram minha trajetória foram mudanças impulsionadas pelos outros, não por mim... que foda!

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Espero dormir e sonhar com alguma mudança. Espero acordar com alguma mudança na cabeça. Espero me lembrar de buscar e encontrar uma mudança e seguir adiante.