quarta-feira, 20 de julho de 2016

Diário - 200716



Avenida com calçadão,
onde corri em Manaus.

Correndo pelo país afora...

Estou em Manaus, Amazonas. Noite de quarta-feira. Calor úmido de 25 graus.

Acabei de fazer algo diferente para relaxar, após um dia de trabalho muito produtivo em defesa da nossa Caixa de Assistência e do modelo assistencial de Atenção Integral e Estratégia Saúde da Família (ESF). Estou aqui para cumprir agenda de nosso planejamento da Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento. Vamos fazer um esforço de visitar todos os estados brasileiros, buscando parcerias pela promoção de saúde junto ao Banco do Brasil e às entidades representativas e lideranças do funcionalismo.

Chegando ao hotel por volta de oito horas da noite (21h em Brasília), pensei se cumpria ou não cumpria meu compromisso comigo mesmo de tentar correr caso tivesse oportunidade. Coloquei kit na mochila para isso. No hotel em que estou há local para atividade física na cobertura, mas eu não sou muito fã de andar em esteira.

O hotel é perto da Cassi e ao sair da unidade vi pessoas caminhando num calçadão e o nosso gerente André me disse que o local é interessante para correr. Lá de cima do hotel, olhei a avenida lá embaixo, pensei... pensei... coloquei tênis e calção é fui pra rua.


Foi muito legal! Corri cerca de 5k em 33' num trotinho tranquilo. 

Pensa num calor noturno bem úmido que você transpira e pinga igual chuveiro com registro velho... Foi show!!! Corri em Manaus!!!

No domingo, lá em Osasco SP, já havia corrido no Parque Continental, que fazia tempo que eu não visitava, e na quinta, quando voltamos de passeio ao Uruguai, corri em frente a Prefeitura de Osasco, na praça.

Beleza! Amanhã vamos para Boa Vista, Roraima, também para cumprir nossa agenda de trabalho em defesa da Cassi.

Abraços aos amig@s e aos meus pares da classe trabalhadora,

William

domingo, 17 de julho de 2016

Diários de leitura - A Hora dos Ruminantes





Refeição Cultural - A Hora dos Ruminantes

Estava passeando com a família em um shopping de Osasco no sábado 16 quando decidimos entrar em uma livraria. Ao namorar os livros nas estantes, acabei me presenteando com um livro do José J. Veiga.

Por muitos anos quis conhecer a obra de Veiga, mas não havia chegado o momento adequado de ler seus livros. Comprei certa vez o seu primeiro livro Os Cavalinhos de Platiplanto (1959) e o deixei guardado em minha coleção de livros a serem lidos algum dia (são centenas).

Em janeiro deste ano de 2016 foi quando decidi ler os 12 contos de seu primeiro livro, Os Cavalinhos... Gostei bastante!

Desta vez, a Fortuna apresentou a mim, em meio a zilhões de livros, o segundo livro de José J. Veiga - A Hora dos Ruminantes (1966). Peguei na hora e fui para o caixa.

Neste domingo 17, minha intenção era acordar cedo para correr. Que nada, depois de ler algumas súmulas da pauta de reunião da próxima terça em meu trabalho até altas horas no sábado, acordei doido pra pegar o livro e começar a ler.

Sentei e comecei a aventura. Parei para o café e continuei. Parei para correr no Parque Continental, e foi duro correr 5k porque estava com o corpo pesado pelos dias de passeio e comilança. Almocei e voltei para dentro da estória d'A Hora dos Ruminantes. Como a gente vive meio cansado, tive um sono bravo depois do almoço, mas cheguei a ler em pé várias páginas. Finalmente, no final da noite, acabava a leitura do segundo livro de José J. Veiga.

Emocionado! Emocionante! Estou me virando para ler algo de prazer neste ano, além de minhas leituras e estudos relativos a meu trabalho. Já li neste ano Saramago, muito Machado de Assis, José J. Veiga, J. D. Salinger, Luis Sepúlveda, estou lendo Balzac, estou lendo Eduardo Galeano.

A estória que li hoje é muito interessante! Me fez pensar muito e fazer analogias com o absurdo dos tempos sombrios que correm na atualidade.

Meu desejo era já fazer a postagem a respeito do livro, com citações e comentários, mas o domingo já acabou e agora tenho que retomar estudos e escritos a respeito de meu trabalho como gestor de entidade de autogestão em saúde.

Mas ler o livro de José J. Veiga, que a Fortuna colocou em minhas mãos neste fim de semana, e ter me desligado por algumas horas para viver todos os acontecimentos passados em Manarairema, foi muito legal, fez com que cada instante valesse a pena.

Seguimos a vida, seguimos as lutas.

William

sábado, 16 de julho de 2016

Diários de viagem e reflexões (Uruguai)


Portal da cidadela antiga, com Palacio Salvo
e monumento a Artigas ao fundo.

Refeição Cultural - Uruguai

A seguir, registro como memória, alguns dias que passamos no Uruguai.

070716 - quinta

Saímos de Guarulhos, em São Paulo, para passearmos alguns dias no Uruguai. Eu já havia estado no país a trabalho certa vez, quando fiquei na Capital.

Nosso pacote de viagem nos levaria a Montevidéu, a Punta del Este e a Colônia de Sacramento. A ideia era desligar um pouco do trabalho e da política, se bem que desta última, a tarefa é mais difícil. A cabeça dos pais, principalmente da mãe, estaria dividida entre o passeio e a preocupação com o filho, que já segue sua vida de jovem longe dos pais, lá no interior de São Paulo, onde estuda.

A viagem pela companhia aérea Gol foi tranquila. Saímos do Brasil quase às onze horas e chegamos à Montevidéu pouco depois das treze horas. Em homenagem ao Uruguai e pensando o contexto político em meu país e na América Latina, fui acompanhado das palavras de Eduardo Galeano, grande escritor e intelectual uruguaio.

Mensagem da juventude uruguaia para o sujeito
interino na presidência de nosso país.

Eu olhava as paisagens de Nuestra América na janela do avião e lia as descrições profundas de Galeano sobre as desgraças cometidas contra nós povos das Américas, por séculos, pelos imperialistas brancos europeus e norte-americanos.

Sua obra Las venas abiertas de América Latina, apesar de ter sido escrita e publicada no início dos anos setenta, é extremamente atual. Passamos por um período curto com um pouco mais de perspectivas de soberania nacional em nossos países, entre o final dos noventa e a atualidade, período que havia começado com a eleição de Hugo Chaves na Venezuela, e depois seguimos bem com a eleição de Lula da Silva, os Kirchner e diversos governos populares em nossos países. Este curto período mais popular e propício à soberania nacional está ameaçado com golpes e eleições de governos de direita mais recentemente.

Artigas esteve à frente de uma
das primeiras reformas agrárias
da América Latina, no início da
República Oriental do Uruguai.
Estou amargo, azedo em relação aos mamíferos humanos. O processo de construção do Golpe de Estado em nosso querido Brasil me azedou o espírito por causa da alienação de meus pares proletários, e com a manipulação tradicional das massas pelos mesmos donos do poder secular, corruptores da casa-grande e usurpadores da res pública, num patrimonialismo que podemos ver descrito em Eduardo Galeano, como também em Celso Furtado, usurpação da coisa pública pelos senhores brancos, os imperialistas e seus descendentes europeus desde sempre (criollos ou crioulos). Até quando as Américas serão imensos continentes quintais de exploração e diversão dos brancos europeus e americanos? Seremos eternamente isso?

Na van que levou o grupo de brasileiros aos hotéis em Montevidéu, fiquei calado em nome dos "dias de descanso" ao ouvir um casal e familiares do interior de São Paulo conversando e falando suas abobrinhas e perguntando se no Uruguai também tinha a Dilma ou não... (imbecis). Tenho me esforçado a não comprar discussões políticas gratuitas desde que deixei de ser dirigente sindical e assumi um outro papel de representação social. Mas às vezes essas coisas nos consomem. A vontade era de começar uma discussão dentro da porra da van explicando para aqueles palhaços que no Uruguai não tinha "Dilma" mas tinha seu grande apoiador Mujica, que fez seu sucessor nas eleições presidenciais uruguaias, Tabaré Vásquez. Enfim, mesmo em férias, a gente não deixa de pensar, ver, olhar e refletir.

Após o check in no hotel no centro de Montevidéu, pudemos dar uma andada ao final da tarde. Não estava tão frio quanto poderia estar nesta época do ano. O Uruguai estava lotado de turistas brasileiros.

080716 - sexta

Nosso dia foi marcado por uma saída a passeio para a cidade de Punta del Este. O ônibus nos pegou cedo no hotel e saiu pegando turistas por quase uma hora dentro de Montevidéu.

Casapueblo, idealizada por Carlos Páez Vilaró.

Uma das atrações principais do dia foi a visita a Casapueblo, uma belíssima construção que foi ao mesmo tempo residência e ateliê de seu idealizador, o uruguaio Carlos Páez Vilaró, falecido em 2014, e hoje é museu e hotel. A Casapueblo está em Punta Ballena, que fica a 13 km de Punta del Este, no departamento de Maldonado.

Em Punta del Este, vimos nas areias da praia local a famosa escultura "La mano" ou "Los dedos" ou ainda "Hombre emergiendo a la vida", do artista chileno Mario Irarrázabal, obra feita entre 1981 e 1982. Bem interessante a escultura.

Obra de arte imponente em Punta del Este, Uruguai.

O passeio incluiu uma passagem do ônibus por um bairro de gente rica e famosa, uma "Beverly Hills" de Punta del Este. Essa parte do roteiro me deixou enojado. Fiquei pensando no espírito de vira-latas que faz parte da cultura da burguesia latino-americana, construída a partir da ideologia da classe dominante branca e crioula (os descendentes dos imperialistas e colonizadores desses séculos de destruição de Nuestra América).

Nada seria mais interessante que desapropriar todas aquelas mansões vazias daquele bairro inteiro para transformar aquilo em um bairro para milhares de pessoas da classe trabalhadora...

O passeio durou o dia todo e voltamos a Montevidéu de noite. Almoçamos uma parrilla e tomamos uma Patricia, cerveja uruguaia. Comprei um livro interessante numa livraria local de Punta del Este com os contos completos de Edgar Alan Poe. Paguei algo como 54 reais.

090716 - sábado

O clima do dia contribuiu para que pudéssemos andar à vontade pela cidade de Montevidéu. Fez sol e um friozinho tranquilo. A ideia era tentar fazer uma visita guiada ao edifício mais famoso do país, o Palacio Salvo, construído entre 1923 e 1928 e que foi o prédio mais alto da América do Sul até 1935.

Observando e sendo observados pelo gigante
 de concreto Palacio Salvo, de 1928.

Deu certo e a experiência foi bem legal. Eu gosto de construções engenhosas que ressaltam a capacidade e inteligência humana, quando o quesito é nossa capacidade de alterar a natureza, manusear os elementos constantes dela própria e nossa destreza humana em inventar coisas e resolver problemas. O mamífero humano é capaz das coisas mais extraordinárias possíveis, para o bem e, infelizmente, para o mal também.

Um dos poucos passeios que pude fazer quando estive em Nova Iorque a trabalho, anos atrás, foi encarar a fila gigante para uma visita ao Empire State Building, de 1931, com 102 andares e 381 metros até o telhado. Quando estive em Buenos Aires, na Argentina, não entrei no Palacio Barolo, irmão do Palacio Salvo, mas pude bater umas fotos estando em frente a ele. Assim como no Brasil sou grande admirador do Edifício Martinelli, no centro de São Paulo, também torre mais alta das Américas em seus anos iniciais, inaugurado em 1929, com 39 andares e 130 metros de altura (abriga nosso Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região).


Torre Antel - outro arranha-céu de Montevidéu, abriga
 a empresa estatal de telecomunicações, inaugurada
 em 2002, com 32 andares e 158 metros de altura.

Nosso grupo ganhou um extra raro na visita de sábado porque no momento em que descíamos da torre do Palacio Salvo, o morador do apartamento mais alto, único no andar, estava lá e nos convidou para entrar, o que nos permitiu ir até a sacada de 360º vendo toda a cidade de Montevidéu. Foi bem interessante!

Além disso, no passeio guiado fomos também ao terraço do 10º andar. Hoje, o edifício é residencial e tem centenas de moradores.

Ainda o sábado...

Teatro Solís, obra majestosa de Montevidéu. Tivemos
o privilégio de assistir à peça O Otelo Oriental.

Quando fomos à tarde visitar o belo Teatro Solís, inaugurado em 1856, aproveitamos a oportunidade de haver sessão à noite e voltamos às 21h para assistir a uma peça teatral - O Otelo Oriental. Pudemos conhecer o teatro por dentro da melhor forma possível. É belíssimo! A peça foi interessante e abordou a questão da influência inglesa sobre o Uruguai nos anos vinte do século 19, num enredo em que Brasil e Argentina disputavam espaços comerciais no país e ao final, saiu vencedor um terceiro, os ingleses com um tratado de livre comércio. Ai ai ai..., me lembrei do Eduardo Galeano e d'As veias abertas da América Latina...

E para o sábado ser mais completo ainda...


Una carne ancha y una cerveza Patricia
en el Mercado del Puerto.

Antes da noite teatral, fomos ao Mercado del Puerto comer as famosas carnes uruguaias e tomar uma cerveja Patricia. Enfim, foi um sábado repleto de cultura, diversão e comilança.

100716 - domingo

O domingo foi o nosso último dia em Montevidéu. Como o sábado foi intenso, resolvemos pegar leve. Fizemos o passeio no ônibus que passa pelos principais pontos turísticos da cidade. Mas não descemos em lugar nenhum porque as principais atrações estavam fechadas (ex: Assembleia Legislativa e Estádio Centenário). Foram duas horas de tour.


Assembleia Legislativa, palácio inaugurado em 1925
com arquitetura do neoclassicismo. Não conseguimos
fazer a visita guiada porque era fim de semana.

O passeio no bus turístico foi o que achei mais caro em Montevidéu. Diria que não valeu a pena. Foram 572 pesos cada, ou seja 1.144 pesos, que daria algo como 140 reais o casal. Só para se ter uma ideia do quanto foi caro, o passeio guiado no Palacio Salvo custou 200 pesos cada (algo como 50 reais o casal). E a peça de teatro no Solís custou 300 pesos o casal (uns 36 reais).

Por fim, comemos de novo no Mercado del Puerto e retornamos ao hotel. Fiz fotos bem bonitas em Montevidéu. Li um pouco do livro de Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina (1971).

Una calle en julio...
Como disse no início da postagem, estou muito azedo com os mamíferos humanos. Tudo o que vejo e percebo no meio social em que vivo e frequento é o resultado de séculos de exploração dos colonizadores e exploradores imperialistas e seus descendentes criollos sobre nós classe trabalhadora originária dessas terras americanas ou descendentes miscigenados dessa massa explorada que para cá foi trazida como gado para superproduções e acumulação primária do capitalismo europeu e americano. Meu azedume é a tradução de ver novamente o mesmo ciclo de caídas dos governos mais populares e a nova tomada de poder por golpes jurídico-parlamentares ou por manipulação do povo alienado nos processos eleitorais das Américas.

Nos dias seguintes, estivemos na Colônia de Sacramento.

110716 - segunda

Logo pela manhã, demos saída no hotel em Montevidéu e fomos de van para a Colônia de Sacramento, fundada em 1680, distante 177 km da capital uruguaia, indo para o lado ocidental, adentrando ao Río de la Plata. Chegamos quase ao meio-dia.

Um belo Pôr do Sol em Colônia de Sacramento, Uruguai.

Enquanto não podíamos fazer o check in antes das 14h, saímos para andar e já conhecer a parte histórica da Colonia. Almoçamos no centrinho velho e retornamos para dar entrada na pousada que ficamos até quarta-feira. Posada Del Virrey (muito agradável).

Numa única andada, deu para ver as ruínas da antiga cidade, as muralhas, a torre, a igreja principal e os casarões seculares. À noite, saímos para comer.

Ali, pensei comigo, seria boa oportunidade para ler e dormir, andar e refletir um pouco antes da volta à rotina desgastante em que minha vida se transformou nos últimos anos de militância política como representante eleito por trabalhadores, primeiro em entidades sindicais, e agora em entidade de saúde.

120716 - terça

Leseira... leitura pela manhã... Las venas abiertas de América Latina...

Saímos a flanar por las calles da Colônia. Subimos ao topo do farol para ver o Pôr do Sol no Río de la Plata.

Farol de Colônia, erguido sobre
 uma das antigas torres do
Convento São Francisco Xavier.

130716 - quarta

Leseira pela manhã e última saída a caminhar pela Colônia de Sacramento.

Andamos mais de 5 km indo da pousada até a antiga Plaza de Toros, de 1910. Depois pegamos um ônibus local com moradores e trabalhadores, que andou pelos bairros até chegar novamente ao centro histórico. Almoço... um café... e Pôr do Sol no cais local. Imagens fantásticas!

Saímos do Uruguai na manhã de quinta-feira.

Valeu a pena o passeio! Postarei mais fotos no blog anexo a este (clique aqui).

William

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Diário - 150716





Estou em Osasco, São Paulo. Hoje é sexta-feira.

Estive no Uruguai, viajando a passeio com a esposa por alguns dias. Também estive lendo a obra imprescindível do grande escritor uruguaio Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. Já li a metade do livro escrito e publicano no início dos anos setenta. Gostaria que meu filho e todos os jovens do mundo o lessem, os jovens dos países imperialistas e os jovens dos países vítimas do imperialismo. Gostaria que os adultos e os apoiadores do golpe fascista no Brasil o lessem.

É muito nojento o papel histórico das burguesias latino-americanas vira-latas em intermediar a exploração de nossas gentes a troco de uns vinténs por parte dos imperialistas. Quando vejo em andamento a pauta dos golpistas e lembro o quanto isso é antigo, dá uma revolta, um nojo, que é difícil não ter náuseas. É difícil não ficar triste e revoltado.

Estou reflexivo, cismando com tudo que vivencio e que terei pela frente a partir de segunda-feira, quando voltar para o campo de batalha em que se situa a existência minha e de todos nós da classe trabalhadora mundial, num mundo voltando aos períodos de maiores barbaridades sociais.

Eu me solidarizo com todas as vítimas e entes queridos envolvidos no massacre ocorrido ontem em Nice, na França, quando uma pessoa assassinou dezenas de pessoas com um caminhão. Me solidarizo com gente, com pessoas, mas estou amargo mesmo é com tudo que está acontecendo embaixo de nossos narizes aqui no Brasil e por aí no mundo capitalista "civilizado". 

Como suportar a barbaridade diária de viver sob um Golpe de Estado onde até o mundo mineral sabe a intenção dos desgraçados, da parcialidade contra nós povo trabalhador e movimentos sociais e a favor da cleptocracia secular? Como fazer cara de paisagem para aqueles ao meu redor que compartilham dessa merda toda? Inclusive os pobres, os trabalhadores e os remediados manipulados pela máquina totalitária dos meios de comunicação dos golpistas?

Ao ler a história de nossos países da América Latina, eu fui revendo coisas que já conheço e fui agregando novos conhecimentos sobre a nossa história de explorados, de povos assassinados barbaramente, ao mesmo tempo que também assassinados lentamente pela fome, pela miséria e pela dor invisível de milhões de pessoas, gente insignificante para os meios de comunicação manipuladores de massas, todos todos dos donos do poder capitalista, parceiros dos imperialistas e latifundiários que tudo podem.

A gente carrega tanta responsabilidade nos ombros pelos papéis sociais que exercemos e, ao mesmo tempo, sabemos que podemos fazer tão pouco frente ao massacre das máquinas burocráticas dos endinheirados e seus asseclas e lacaios, colocados nas posições adequadas nas máquinas que tentamos disputar e gerir em nome dos trabalhadores, que vamos sendo consumidos física e psicologicamente quando não aceitamos nos dobrar ao "modus operandi" do patrimonialismo secular que pouco liga e se importa com gente, com trabalhadores, com humildes.

Ainda para piorar, tudo que vemos no campo em que atuamos, o campo popular, dos trabalhadores, da esquerda e dos movimentos sociais, tudo o que vemos é cisão, personalismos, comportamentos não adequados à gravidade que a classe trabalhadora vive, precisando desesperadamente de unidade contra os ataques mais agressivos que já vivemos nas últimas décadas, tanto no Brasil, como nas Américas e também no mundo, ao pensarmos nós povo todo fora do circuito dos 2 a 5% que tudo detém na aldeia global.

Até que ponto podemos lutar contra o sistema hegemônico desses 2 a 5% detentores de tudo, e em pleno movimento de ataque no tabuleiro nacional e mundial, sem remorso algum pelas iniquidades públicas e veladas praticadas, quando o nosso lado está todo esfacelado e desunido?

Este ator social que vos fala, por mais que sinta certa solidão pelas fraturas de meu campo social, vai seguir trabalhando diuturnamente pela Cassi, pelos associados que representa, pelo modelo de saúde que acredita e entende ser o melhor para todo o sistema e, de antemão, peço perdão à minha família pela ausência e falta de tempo que seguirei tendo com eles por causa de meu compromisso com o mandato que exerço. Apenas me dedico do jeito que deveria ser feito por qualquer um em papel de representação semelhante.

William

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Diário - 060716 (Férias? A gente não para de pensar)





Refeição Cultural

- Olá mundo! Pra onde tu caminhas? O que será dos seres vivos nos próximos anos e o que vai rolar com os mamíferos humanos nesses próximos tempos de desconstrução social?

Quando li o livro de Domenico de Masi, O ócio criativo, anos atrás, fiquei pensando como seria aquela sociedade descrita como o futuro próximo e que, a bem da verdade, já era real na época, mundo humano onde não se separaria mais o trabalho, o jogo, o lazer e tudo seria junto ao mesmo tempo. Só tem uma questão nisso: não mudou o fato de que os donos do mundo capitalista continuam sendo alguns e que todo o restante são os bilhões que vendem sua força de trabalho para comer, se reproduzir e ter algum consumo mínimo da produção capitalista.

Eu trabalho 24 horas por dia e não queria trabalhar 24 horas por dia. Mas o que é trabalho e o que não é trabalho? Hoje é o primeiro dos dez dias em que estou exercendo um direito previsto no meu contrato de trabalho bancário e no meu termo de cessão para um mandato de representação em entidade dos bancários do banco em que trabalho. Conforme o conceito que se queira utilizar, posso dizer que trabalhei o dia todo!

Meu trabalho é político. Meu trabalho é técnico. Meu trabalho é com gente. Representar gente. Entender de gente. Tentar influenciar gente. Lutar diariamente para melhorar a vida da gente. Ficar pensando até dormindo como fazer para que nossa missão e tarefas tenham sucesso.

E quando olho o mundo de hoje, seis de julho de dois mil e dezesseis, século vinte e um, fico perplexo com o que vejo. Se a existência humana em sociedade é com evolução linear positivista, se ela é em pêndulos com idas e vindas entre tragédias e momentos gloriosos ou se é em ciclos ou espirais, eu não sei... mas eu sei que tá foda e vejo maus momentos nos próximos anos, tanto para a minha geração como para a de nossos filhos e netos...

Quando olho o meu mundo, um universozinho de nada quando pensamos o planeta Terra e o planeta homem, eu vejo só desagregação, cisões, ódios, gente perdida e desanimada, uns meio boquiabertos com as coisas, outros sem entender, outros revoltados, muitos pusilânimes, eu vejo que por mais que um ser humano tente fazer o que deve ser feito, e eu tento, vejo que o momento é duro para nós, mamíferos humanos, ao considerarmos o lado da classe trabalhadora, o lado dos fodidos que não são donos da máquina capitalista mundial. Vamos passar maus bocados porque nosso lado sequer está ciente do que tá rolando.

Se alguns tiverem interesse, vejam um pouco nos espaços progressistas e de esquerda o que é a disputa global pela hegemonia do petróleo para estas décadas do século 21. Tem gente que não tem a menor noção do que é o poder das empresas americanas de petróleo, e a indústria armamentista do Tio Sam, e da indústria farmacêutica do Tio Sam... Eles estão destruindo toda a soberania dos países que têm em seu solo petróleo, gás e minerais. Operação Lava Jato... que merda é essa, além de um plano para destruir a economia do país, entregar o pré-sal aos americanos. Já avançou bem depois de seu início, quebrou a indústria brasileira no setor, quebrou a indústria de construção civil no país, talvez não tenha volta. Enfim, eu sou só um bobo dando minha opinião...

O mundo todo tá rachado! Hoje li sobre racha no PSTU. Li sobre racha em diretoria de sindicato de bancários de grande importância. Tem rachas internos em tudo quanto é lugar, principalmente no campo dos movimentos sociais, sindicais e dos partidos de esquerda (sei que também tem nos de direita, mas eles têm os meios, o poder, não é a mesma coisa de racha no campo dos trabalhadores). 

E os rachas nas famílias e nos grupos de amigos ou conhecidos? Eu praticamente não tenho mais relacionamento com familiares que apoiam a direita, o golpe e os golpistas, as posições fascistas que querem foder a classe trabalhadora que represento e à qual pertenço, aliás eu, minha esposa, meu filho e a maior parte das pessoas de meu convívio ou ex-convívio, mas entendi que é difícil fazê-las verem isso.

As coisas viraram uma merda depois da crise capitalista de 2008 com a quebra de alguns bancos picaretas americanos e o tal do subprime. E nós que dizíamos em coro que não queríamos que o povo trabalhador pagasse a conta... nos fodemos de novo... como sempre na história da disputa de classes.

Leio nosso amigo e grande lutador Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, nos pedindo para que o nosso lado não desanime. Eu também falo isso todo dia. Acordemos e saiamos para a luta e para fazer nossas tarefas revolucionárias... (não venham me dizer que lutar por saúde pública e autogestão em saúde de trabalhadores não seja algo revolucionário!!!). Faço meu trabalho revolucionário todos os dias. Muitos de nós fazemos. Mas é pouco se pensarmos que não há unidade mínima entre nós. Eu vejo meus amig@s e companheir@s se destruindo uns aos outros após os rachas recentes e choro por dentro todos os dias.

Quando vejo a que ponto chegou neste momento, dia seis de julho de dois mil e dezesseis, a canalhice, podridão e descaramento dos corruptos que tomaram conta do país com o Golpe de Estado, quando vejo a impunidade dos desgraçados do Grande Irmão Globo e demais mídias cartelizadas, dos políticos do PSDB, PMDB e tranqueiras do tipo e seus asseclas enfiados nos órgãos públicos e máquina do Estado nacional, fico meio que catártico. Acho que um monte de militantes de esquerda como eu Brasil afora deve estar assim.

O que vou responder para minha esposa, para alguns amigos, quando me falam que não vale a pena eu pagar pra trabalhar várias vezes como faço desde que cheguei ao meu mandato porque me impõem burocracias para impedir que eu trabalhe. Vocês acham que é simples alguém da família saber que você não dorme para trabalhar, gasta do bolso para trabalhar e ainda tem gente o tempo todo atuando em vários espaços para te frear, te prejudicar e ainda se dão bem... Mas a gente explica que no nosso campo de formação política, nossa ética nos ensinou que vamos dar toda a nossa capacidade para fazer o que tem que ser feito para aqueles e aquilo que representamos.

Chega de desabafar. Eu me sinto um idiota por saber o que está acontecendo no mundo. Me sinto mais idiota quando vejo a Rede Globo em cada bar, casa, hall de hotel, TV de táxi, em cada canto do país, onde até pra mijar e fazer cocô a gente escuta a transmissão dos meios midiáticos deles ou tem uma "revista" ou "jornal" dos transmissores das ordens (deles) a serem seguidas pelas massas de meu povo.

E fiquei pensando estes dias: como posso ficar bravo com pessoas queridas e próximas a mim por gostarem de ver novelas nos canais desses desgraçados que fodem o mundo? Eu sou um amante da literatura e a literatura moderna surgiu a partir de romances e novelas de ficção que têm um caráter interessante na constituição do conhecimento humano. Que merda! O capitalismo se apropria de tudo em benefício dele, é assim que funciona. E o povo é envolvido de forma quase impossível de escapar.

Será que vamos todos terminar como o personagem Winston Smith do "1984"? Será que vou terminar odiando e tendo ojeriza de Política como se trabalha tão bem na direita capitalista, para afastar o povo da política e deixar que eles nos fodam sem nenhuma organização sindical ou política com capacidade de intervir e se opor ao patrimonialismo secular dos donos do capital, fazendo o que querem com a coisa pública assim como fazem com o seu patrimônio privado (que inclui sua mulher, filhos, semoventes, escravos, tudo coisificado)?

Tchau, gente.

William

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Diário - 040716


Instantes... olhei o céu e captei esse belo momento.

E a segunda-feira acabou.

Amanheci em São Paulo, trabalhei por lá, e regressei a Brasília ao final do dia. Na quarta-feira, saio de férias por dez dias. Estou precisando muito de alguns dias. Vai saber se vou conseguir desligar das coisas.

Estive em São Paulo para conversar com lideranças do Banco do Brasil na Contraf-CUT a respeito da Cassi. Teremos um período de debates, busca de consensos e soluções para a sustentabilidade de nossa Caixa de Assistência. Foi uma conversa política necessária e terá reflexos sobre minha postura em relação às negociações sobre a Cassi. Agradeço o convite e o apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região, que arcou com as despesas de passagens e hospedagem.

Dei uma corridinha noturna em Brasília,
mas o corpo custou a me levar por 4k.

Voltei à noite para Brasília e fui fazer algo por mim, saí para correr um pouco na noite candanga. Estou precisando mesmo de uns dias porque o próprio corpo está travadão até para uma corrida de 4k e senti o mesmo ao correr 5k no sábado. Difícil corrida... só a obstinação nos carrega. E devo sempre lembrar o que leio com frequência sobre corrida na revista Contra-Relógio: descanso também é treino!

Eu não posso vacilar com a saúde e com a energia e resistência de meu corpo porque está chegando o dia de fazer minha caminhada de introspecção lá em Minas Gerais. Serão 75 km ininterruptos para chegar ao objetivo.

Que diferença faz ter lido na sexta-feira a pauta toda da reunião de Diretoria Executiva desta terça. Hoje pude focar outros trabalhos pela Cassi. Em compensação, trabalhei até tarde na sexta.

Entrei uns minutos na rede social Facebook, onde divulgo os links de minhas matérias dos blogs e acabei lendo comentários em um dos grupos em que divulgo minhas postagens a respeito da Cassi. Fiz algumas explicações sobre comentários do pessoal, mas ali realmente não é lugar de estabelecer debates entre Diretor da Cassi e associados, até porque existem canais específicos para que todos sejam ouvidos. Ali é mais para divulgar, mostrar que tem um local na internet onde presto contas do que faço, penso etc.

Vamos dormir porque bateu um sono tremendo.

William

domingo, 3 de julho de 2016

As veias abertas da América Latina sangram...




Refeição Cultural

"Incorporadas desde siempre a la constelación del poder imperialista, nuestras clases dominantes no tienen el menor interés en averiguar si el patriotismo podría resultar más rentable que la traición o si la mendicidad es la única forma posible de la política internacional..." (Eduardo Galeano)


Está acabando o final de semana. É tão curto que mal dá pra gente descansar um pouco.

Além de ficar quietinho em casa em Brasília com a esposa, e correr um pouco no sábado e pedalar neste domingo (ver AQUI), o que fiz de mais interessante foi pegar o livro de Eduardo Galeano e ler umas sessenta páginas.

A obra fantástica "Las venas abiertas de América Latina" foi publicada em 1971 e sua atualidade nos assusta, nos intimida, nos humilha por saber que, se por um lado, iniciamos um período de enfrentamento soberano ao modo aniquilador de exploração dos imperialismos europeus e americano com governos mais populares da metade dos anos noventa até bem pouco tempo, por outro lado, agora estamos de novo sofrendo uma reviravolta com golpes de estado como em Honduras, Paraguai e Brasil, além da eleição da direita na Argentina e no Peru.

É de dar nojo o que os espanhóis e portugueses fizeram com os povos que aqui estavam e suas nações constituídas há centenas de anos. O massacre e o volume de pessoas exterminadas covardemente, com armas desproporcionais é semelhante ao número de mortos nas guerras mundiais do século XX. Foram exterminados dezenas de milhões de seres humanos. Mas aqui nas Américas não foi guerra de exército contra exército, foi extermínio puro e simples.

Começou aqui faz séculos, nossa história colonial de exploração para acumulação de capitais para europeus e americanos. Passados séculos, havíamos iniciado aqui nas Américas do Sul e Central governos mais progressistas, populares, oriundos do próprio povo trabalhador ou originário da terra, soberanos e focados nos próprios povos, mas durou pouco. Já neste momento os imperialistas retomam suas colônias de exploração através de golpes e intervenções canalhas para derrubar os governos populares.

Quando vejo figuras como essas que estão à frente do Golpe de Estado no Brasil, figuras que já têm em seu currículo crimes de entrega de nosso patrimônio aos estrangeiros a preço de nada, ou corrupção da grossa mesmo, encoberta porque eram eles e eles sempre puderam, com os imperialistas estrangeiros só pagando a eles umas gorjetas, umas propinas como aconteceu nos anos noventa, eu sinto ao mesmo tempo um ódio mortal por esses lesa-pátrias e assassinos de nosso povo, assassinos pelas mortes diárias através da miséria que eles querem ver de volta. Mas sinto também um desprezo tão grande por todos os alienados que de qualquer forma apoiaram o Golpe que aí está...

Pensem vocês que esses desgraçados, passados séculos, estão para destruir os poucos direitos trabalhistas que conquistamos com sangue, suor e lágrimas. Querem foder nossos direitos em aposentadoria, e eles praticamente vivem de nos explorar, sem trabalhar. Querem entregar nossas riquezas de novo para alguns capitalistas estrangeiros. Cortar todas as políticas afirmativas e sociais. Tirar o país do povo novamente.

E por que o povo não se revolta? Porque há um sistema midiático de pão e circo. E esse sistema com meia dúzia de dominadores há décadas segue intocável. Por que aceitamos? Por que milhões deixam que uns poucos nos manipulem, nos coloquem na condição de nada (nihil) contra o sistema hegemônico?

Vou parar por aqui. Estou muito revoltado em ver que não há reação do povo à altura do ataque desferido ao Brasil e ao próprio povo, que segue curtindo o futebol, a Globo, lendo os jornais e revistas dos desgraçados e, se mandarem nos pegar (aqueles que se revoltam ou reagem), é comum que o próprio povo explorado avise aos buldogues da polícia deles onde estamos.

Será que o povo dessas veias abertas da América Latina merece o que os seculares exploradores fazem conosco?

Será que nossa negritude, nossa mestiçagem, nossa origem nestas terras, sem nome difícil de falar, sem termos olhos claros, a pele branquinha com cabelos escorridos loiros, nossa mescla índio negro cafuzo cabelos não lisos sangue e pobreza de origem nos faz piores que esses exploradores europeus e americanos seculares?

William

sábado, 2 de julho de 2016

Diário - 020716



Olha o charme do pequeno saruê, gambazinho
que vi aqui em Brasília.

Sábado, Planalto Central, início da noite após uma tarde ensolarada com 23º de temperatura e 36% de umidade no ar.

Dia de ficar em casa para o mínimo de descanso. Saí para uma corrida à tarde e refleti sobre a realidade. Só de não correr uma semana toda por causa de trabalhar de manhã, tarde e noite todos os dias, tive dificuldade em correr 5k.

Eu voltei a correr com regularidade depois de alguns meses de mandato pela Cassi, vivendo em Brasília. Percebi que o nível de estresse ininterrupto seria destruidor e tinha que pensar em algum antídoto ou algo que amenizasse o efeito do trabalho. Desde outubro de 2014 não parei mais de correr.

Eu tenho uma certeza: se por algum motivo eu não pudesse correr com regularidade, sei que minha vida e saúde não iriam muito longe.

No mês que vencemos, junho, tentei manter uma regularidade na atividade física, mesmo com agenda dura e longa de trabalho. Até comprei uma bike dias atrás e achei uma delícia pedalar no Eixão no domingo passado.

Morar em Brasília tem uma vantagem em relação à grande parte de centros urbanos brasileiros: vivemos em meio à natureza do cerrado. Querendo, e eu sempre quis, é só olhar e ver plantas multicores, animais silvestres e um céu de fazer inveja a qualquer cidade grande.


Tempo de ipês rosa...

Não corri nesta semana que passou, mas numa ida à padaria dias desses, vi um saruezinho bonitinho. Basta olhar a natureza e lá vem gavião, pássaros vários, e as flores. Agora são os ipês roxos e rosas. Em grandes buquês em árvores pequenas, médias e grandes.

Bom, neste mês vai ser difícil correr porque vou viajar muito. Já fico preocupado com esse fato, pensando minha saúde. Mas vamos com esperança de cuidar um pouco de mim mesmo para dar conta dos desafios e do próprio viver, porque temos pessoas queridas que nos querem bem.

Corridas no mês de junho:

Sábado 4 DF ...........................3,5 k 22'30" 26º

Domingo 5 DF ........................5,0 k 32'30" 29º

Segunda 6 DF ..........................35' de caminhada noturna

Terça 7 DF ...............................4,7 k 30' 19º noturna

Quinta 9 DF .............................5,0 k 32' 19º noturna

Sexta 10 DF .............................40' de caminhada 22º

Domingo 12 DF .......................6,5 k 40' 25º

Terça 14 DF ..............................5,0 k 32' 13º noturna - "que frio"

Domingo 19 SP .........................4,0 k 25' Pq. Continental

Segunda 20 DF ..........................35' de caminhada - hora do almoço

Terça 21 DF ...............................4,0 k 26' 20º noturna

Quinta 23 DF .............................5,5 k 35' 17º noturna

Sábado 25 DF ............................5,0 k 32' 15º noturna

Domingo 26 DF .........................60' de bike no Eixão

Consegui correr 10 vezes no mês, em geral bem tarde da noite ou no fim de semana. Corri 48,2 k e andei um pouco também, além de estrear minha bike na semana passada.

- Enfim, corpo meu, eu me esforço para mantê-lo funcionando a contento. Então, me dê o retorno de saúde que espero.

William

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Diário - 270616



Flores, flores, Brasília é a terra das flores multicoloridas...

Já estamos na segunda-feira e estou trabalhando desde bem cedo nas leituras e estudos sobre a Cassi - acabei de estudar o Relatório Anual de 1996 e apartar nele alguns dados interessantes e agora tenho uma pauta grande para estudar para a reunião de Diretoria desta terça-feira. 


Esta é uma paineira rosa com
frutos após a florada.

Mas quero mesmo é registrar a alegria que foi o final de semana que acabou. Meu filho foi embora há pouco para a cidade onde estuda no interior de São Paulo. Eu não o via fazia um mês. Tivemos um final de semana legal.

Pudemos assistir a um filme da preferência de meu filho, pra dar risada: Deadpool. Ele curtiu os pais e foi mimado daquele jeito... Filho, te amamos e conte conosco nos caminhos da vida. Beijão!

Já este que vos fala, aproveitou o fim de semana para ler, ler, estudar algumas coisas, praticar exercícios e curtir a família.


Fala que não é show ver os ipês da temporada em Brasília...
Ao fundo, o prédio do Banco do Brasil.

No sábado, corri 5k no fim do dia e no domingo estreei a minha bike andando no Eixão por cerca de uma hora. Foi bem legal e tive uma sensação muito boa de vento no rosto ao voltar a pedalar. E é óbvio que a paisagem de Brasília contribui muito para o lazer ao ar livre.

Li contos de Machado de Assis, li o romance Ilusões Perdidas, de Balzac, e revisei textos deste meu blog cultural. Falei bastante com os pais em Minas Gerais por telefone, já que não nos vemos faz tempo.


Além das corridas que já realizo pra tentar equilibrar
a saúde com o estresse elevado que vivemos no dia a dia,
vou pedalar também de vez em quando.

Agora é focar numa semana em que vou trabalhar aquelas tradicionais 60 a 70 horas em nosso mandato eletivo na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

William

domingo, 26 de junho de 2016

A antiga produção de papel - Ilusões Perdidas, Balzac





Refeição Cultural - A antiga produção do papel


Terminei a leitura da primeira parte do romance Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac, obra escrita entre 1835 e 1843.

Ilusões Perdidas é um dos romances mais volumosos dos 89 contidos n'A Comédia Humana. A primeira parte é "Os dois poetas" e vai até a página 190. Tem passagens muito interessantes e descritivas do mundo retratado, ou seja, a França da primeira metade do século 19, que inclui o período pós Revolução Francesa, o período do terror entre 1793/94 e o período de Napoleão.

Agora é encarar a segunda parte do romance... que vai da página 191 até a 568. Iremos num ritmo lento, lento e tranquilo, porque minha vida tem pouco espaço para o deleite literário. Sem contar que estou o tempo todo lendo outras literaturas de interesse e relendo meus escritos nos blogs para torná-los definitivos e revistos (até nova revisão...)

Vou transcrever aqui um trecho desta parte que me chamou muito a atenção: a história da produção do papel. Balzac nos dá uma aula falando a respeito do material utilizado, onde é feito, vantagens e desvantagens de acordo com a qualidade e origem etc. É muito interessante! 

Hoje, achamos bem simples e quase todo mundo sabe que aqueles desertos verdes de florestas de eucaliptos são para a produção de papel. Mas imaginem a história deste invento humano...


Ilusões Perdidas, A Comédia Humana - Balzac

O papel, origem e materiais na confecção e a impressão

"O papel, produto não menos maravilhoso que a imprensa, à qual serve de base, existia há muito tempo na China quando, pelos condutos ignorados do comércio, chegou à Ásia Menor, onde, por volta do ano de 750, segundo algumas tradições, se fazia uso de um papel de algodão triturado e reduzido a pasta. A necessidade de substituir o pergaminho, cujo preço era excessivo, fez com que se encontrasse, por uma imitação do papel bombyx (tal era o nome do papel de algodão no Oriente), o papel de trapos, dizem uns que em Basileia, em 1170, por gregos refugiados; afirmam outros que em Pádua, em 1301, por um italiano chamado Pax. Assim, o papel se aperfeiçoou lenta e obscuramente; mas o certo é que já no tempo de Carlos VI fabricava-se em Paris a cartolina para cartas de jogar. Quando os imortais Faust, Coster e Guttemberg inventaram O LIVRO, artesãos, desconhecidos como tantos grandes artistas dessa época ajustaram o fabrico do papel às necessidades da tipografia. Nesse século XV, tão vigoroso e tão simples, os nomes dos diferentes formatos de papel, bem como os nomes dados aos caracteres tipográficos, levaram a marca da ingenuidade do tempo. Assim o Raisin, o Jesus, o Colombier, o papel Pot, o Ecu, o Coquille, o Couronne, tomaram esses nomes do cacho de uvas, da imagem de Nosso Senhor, da coroa, do escudo, do pote, enfim da filigrana marcada no meio da folha, como mais tarde, sob Napoleão se pôs uma águia: daí o papel chamado Grande Águia. Assim também se chamaram aos caracteres Cícero, Santo Agostinho, Grande Cânon, segundo os livros de liturgia, as obras teológicas e os tratados de Cícero nos quais esses caracteres foram pela primeira vez empregados. O itálico foi inventado pelos Aldos, em Veneza: daí seu nome. Antes da invenção do papel mecânico, cujo comprimento é ilimitado, os maiores formatos eram o Grande-Jesus e o Grande-Colombier, embora este último servisse quase só para atlas ou para gravuras. Sem dúvida, as dimensões do papel de impressão estavam subordinadas às das prensas. Na época de que David falava, a existência do papel de bobina parecia uma quimera na França, embora já Denis Robert d'Essonne houvesse, em 1799, inventado, para o fabricar, uma máquina que Didot-Saint-Léger tentou posteriormente aperfeiçoar. O papel velino, inventado por Ambroise Didot, data somente de 1780. Este rápido bosquejo demonstra insofismavelmente que todas as grandes aquisições da indústria e da inteligência são feitas com excessiva lentidão e por agregações despercebidas, exatamente como procede a natureza. Para chegar à sua perfeição, a escrita, a linguagem talvez... passou pelo mesmo tatear que a tipografia e a fabricação do papel...". (páginas 146/147)


Comentário final

Essa aula foi do próprio narrador das Ilusões Perdidas, Balzac. O casal de personagens enamorados estava conversando quando David Séchard falou de problemas futuros na produção do papel francês. Aí o narrador pediu uma licença ao leitor (cara, isso é muito moderno!) e começou a narrar a explicação acima. Vejam como foi:

"A uma pergunta da jovem operária, que não sabia o que significava 'pasta', David lhe deu sobre o papel explicações que não estarão desfocadas numa obra cuja existência material se deve tanto ao papel como à imprensa; mas esse longo parêntese entre um enamorado e sua amada ganhará sem dúvida em ser aqui resumido". (página 146)

Minha vontade é fazer nova postagem, agora dando a palavra ao personagem impressor, David Séchard, explicando os problemas da produção do papel e os efeitos para a tipografia francesa na primeira metade do século 19. É outra bela parte da história do papel e da impressão.

Amig@s leitores, postagens como essa dão trabalho, mas para o autor do blog, valem a pena.

Abraços,

William

sábado, 25 de junho de 2016

Diário - 250616



Uma flor no meio do caminho.
A forma como olhamos para a frente.


Refeição Cultural - Estudar, refletir e se posicionar

Sábado em Brasília, cidade onde resido provisoriamente porque exerço um mandato eletivo em uma entidade de saúde dos trabalhadores. É a vida do ser social que se molda às necessidades e compromissos dos papéis sociais que assumimos na existência.

Estamos esperando o nosso filho nos visitar por dois dias para matar saudades, porque hoje ele vive a centenas de quilômetros de distância para estudar. Eu não o vejo há um mês.

Depois de percorrer dez Estados brasileiros nesses primeiros meses do ano, a trabalho, pois determinei a mim mesmo fazer um mandato muito próximo às bases sociais que representamos, vou ficar algumas semanas mais focado em estudos e trabalhos internos de gestão para me preparar tanto para os graves debates que teremos sobre sustentabilidade da entidade que administramos, como também para retomar uma agenda gigante de visitas a mais dezessete Estados no segundo semestre.


Enquanto vivo, observo
o que há ao redor. Temos
a natureza humana e a
natureza do entorno.
Confesso a vocês que a forma como eu mesmo me impus de exercer o mandato na Cassi, de mesclar a teoria e a prática, os estudos da intelectualidade com a permanência nas bases que represento, é uma forma de representação que extenua o ser, mas é a única forma que sei fazer política.

Decidi estudar duas décadas da Cassi para dar a minha opinião franca no momento que formos debater e propor soluções para a questão do déficit antigo e recorrente do plano de saúde dos funcionários do banco. Me lembro muito do livro que li do intelectual Edward Said - Representações do Intelectual -, obra na qual o autor abordava o papel central do intelectual em se posicionar exatamente com a sua opinião sobre o tema tratado, sem se calar por motivos de alianças políticas ou envolvimentos outros que não sejam o que ele entenda ser o melhor para aquilo que opina.

Ao final dos estudos que estou fazendo a respeito da Caixa de Assistência que administro junto com outros atores, tanto indicados pelo patrocinador-patrão, o Banco do Brasil, quanto outros eleitos pelos associados, vou expressar o que entendo ser melhor para os associados e para a Cassi, coloquei associados na frente porque a Cassi existe em função deles e deve seguir existindo porque é melhor para eles, os associados.

Imaginem vocês que estou relendo autores e textos meus mesmo, de vários anos passados, porque a leitura de bons autores como Machado de Assis e outros dos quais sou admirador nos faz refletir e relembrar o que somos e melhorar nossos conceitos de mundo e de existência.

Os contos que reli nesta semana, O Alienista e Na Arca, de Machado, têm relação profunda com as questões de loucuras e vaidades de meu mundo de gestor de entidade de saúde da comunidade Banco do Brasil e de ex-dirigente sindical num mundo cindido com ódios e rancores nos movimentos sociais e ainda mais num país que sofreu um Golpe de Estado e que tem, no momento, a pior condição política, econômica e social possível para conquistar direitos para trabalhadores ou mantê-los.

Que merda essas crises, heim!

Enfim, vou estudar muito nessas semanas, já estou fazendo isso. Até ao deitar, o cérebro fica trabalhando e buscando soluções para a entidade de saúde que administro e que aprendi a amar e respeitar pelo que ela, a Cassi, representa para mais de setecentos mil vidas da comunidade Banco do Brasil.

Seguimos adiante buscando fazer o melhor possível como cidadão e como ser humano.

William
Cidadão do mundo