segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Diário e reflexões - 290118 (A injustiça se espalha como um vírus)


(atualizado às 0h50 de 30/1/18)





Tenho vivido uma agenda de trabalho e luta no mandato que exerço na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil de forma tão intensa pela complexidade de problemas que estamos enfrentando, que mal consigo dormir o suficiente e sequer posso ler, ver um filme ou praticar atividades físicas como precisaria.

Vou cumprir meu período de férias nesses dias, mas tenho muita coisa a fazer e resolver em relação à nossa luta e militância pela Cassi e pelos direitos dos trabalhadores que represento. Tenho ainda questões de família para cuidar em poucos dias de ausência no trabalho. Não serão dias de curtição e repouso.

A INJUSTIÇA COMO REGRA CONTRA O POVO

Eu fico pensando pasmado onde o cidadão Lula da Silva encontra energia e equilíbrio para sobreviver ao massacre totalitário infligido a ele pelos grupos que mandam nas estruturas do nosso brazil-colônia. Sua esposa não resistiu. As pessoas que tiveram a sorte de não passarem por nenhum processo em suas vidas de assédio moral, de acusações vis e injustas contra as suas honras e contra a moral de cada uma delas não conseguiriam medir o quanto um ser humano sofre com tais processos.

A tortura psicológica e física leva as vítimas à morte. O corpo não aguenta, explode. Os órgãos internos entram em falência. A psique da vítima se destrói. Muitos psicólogos e intelectuais dos séculos 20 e 21 produziram reflexões acerca do processo de extermínio nazista nos campos de concentração.

O assassinato físico de milhões de pessoas nos campos de concentração foi a etapa final de um longo processo de mais de uma década no seio da Alemanha nazista após a ascensão do 3º Reich de Adolf Hitler, onde o assassinato moral era a moda e o cotidiano, a destruição de segmentos de seres humanos através da coisificação de pessoas e grupos sociais transformados em lixo social, responsáveis por qualquer mazela que o país alemão sofresse: judeus, pessoas com deficiência, comunistas, políticos da oposição ao governo nazista, todos fora do círculo de poder eram coisas, eram culpados de todo o mal.

É muito triste ver meu país viver no século 21 um processo semelhante ao da Alemanha nazista dos anos trinta e quarenta do século 20. O grupo que aplicou o golpe se instalou nas principais instâncias da república, com apoio e pressão de alguns empresários donos de todos os meios de comunicação de massa, e o Golpe caminha acelerado para recrudescer mais ainda os efeitos contra o povo, que foi vítima da manipulação totalitária dos meios midiáticos responsáveis pelo fim da jovem democracia brasileira.

O que é pior e não tem gerado a reação popular devida é que o processo de condenação sem crime e sem provas e por motivações políticas do grupo que tomou o país de assalto gera mudança no cotidiano das pessoas no país, todas, desde as comuns e desconhecidas até as personalidades dos diversos segmentos sociais. O exemplo vindo desse julgamento de "petistas" a partir da Lava Jato e a partir do STF no caso que chamaram de "mensalão", e a criminalização dos movimentos sociais por parte dos representantes do Golpe nos órgãos do Estado, esses processos viciados já estão destruindo a sociabilidade nas relações diárias privadas e públicas, na vida civil de forma geral.

A abertura da Caixa de Pandora manuseada pela oposição aos governos do PT e contrária aos avanços sociais para o povo brasileiro, ameaçando a paz social que tanto dissemos neste blog ao longo dos anos de 2015 e 2016, significou liberar todas as maldades e elas repercutem mais na vida da grande massa da população que necessita do Estado para assegurar os direitos humanos e sociais básicos da cidadania.

Os sinais enviados a nós por uma pequena casta nos espaços do judiciário, por cerca de 400 lesas-pátrias no Congresso Nacional e por um executivo ocupado por Golpe de Estado são sinais de que a lei não é para todos, a justiça tem lado; sinais que a injustiça social será a regra, e eles eliminam direitos do povo com acordos de jantares e bilhões de dinheiros públicos repartidos entre eles. Em canetadas vão-se direitos de trabalhadores e segmentos sociais conquistados em décadas de lutas.

Vem aí um período de muito sofrimento para o povo e a classe trabalhadora a qual pertenço. A esperança que tenho na luta é porque a história da humanidade é feita de idas e vindas. Acredito que em algum minuto de qualquer dia desses o povo vai sair às ruas e dar o troco que essa pequena elite e seus asseclas merecem, ao estilo das estórias narradas pelo grande José Saramago.

Seguimos nas lutas porque somos humanos, estamos vivos e não pactuamos com injustiças sociais e domínio de minorias em prejuízo do povo.

William

sábado, 20 de janeiro de 2018

Jeferson Miola: A incrível semelhança entre os casos Lula e Dreyfus


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores e amig@s! 

Eu tenho dedicado as últimas semanas de minha vida a reler e estudar todo o caminho que percorri nesses quatro anos de atuação política como gestor eleito pelos trabalhadores associados a maior autogestão do país, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. No pouco tempo livre que me sobra em finais de semana e madrugadas, apesar do cansaço, não faço outra coisa que organizar o memorial das lutas que fizemos.

Estou trabalhando arduamente na produção e registro de tudo que foi possível fazer em defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores que represento e em defesa da autogestão em saúde sem fins lucrativos com um modelo inovador de atenção primária e medicina de família. Este esforço e trabalho pessoal de reler centenas e centenas de postagens feitas nos dois blogs ao longo de 4 anos de lutas vale a pena porque foi feito com uma dedicação sincera às causas coletivas que represento.

O processo de quebra da institucionalidade em nosso país, processo golpista feito para interromper as mudanças sociais que estavam em curso em benefício do povo brasileiro desde o início dos anos dois mil, é um processo que expõe, que deixa desprotegido qualquer cidadão brasileiro. A destruição dos direitos constitucionais, dos direitos coletivos e individuais do povo brasileiro, por uma casta que organizou o golpe, com apoio e em favor de um pequeno grupo de empresários e rentistas da burguesia vira-latas tupiniquim e em favor dos Estados Unidos, abriu um período de estado de exceção que durará muito tempo.

Nós avisamos que se as instituições do Estado permitissem e até fizessem parte do golpe e das ilegalidades que vinham sendo cometidas contra dois presidentes, Lula da Silva e Dilma Rousseff, e contra um segmento social, petistas e simpatizantes, seria aberto um tempo de exceções na vida civil brasileira. Isso está acontecendo nos cotidianos das cidades, das empresas, das instituições e cenas da vida diária.

Hoje, qualquer pessoa pode ter sua honra atacada, sua honestidade e seu caráter colocados em prova e até sofrer algum tipo de processo ilegítimo ou julgamento formal ou informal baseado em mentiras, ilações, denúncias anônimas, arbitrariedades burocráticas e totalitárias orquestradas por tecnocratas subservientes ao poder e ao status quo dominante. E SEMPRE CONTRA O LADO MAIS FRACO, O LADO QUE DE ALGUMA FORMA REPRESENTA O POVO, O TRABALHADOR, A MUDANÇA DE STATUS QUO.

Eu e cada um de vocês estamos à mercê de processos arbitrários e injustos no Brasil pós Lava Jato, pós Golpe de Estado em favor da elite, da casa-grande e do império americano.

Leiam abaixo o texto do excelente articulista Jeferson Miola, lembrando o Caso Dreyfus com o que vem acontecendo com o cidadão Lula da Silva.

Abraços, William

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Lula e Dreyfus - Perseguição injusta e condenações sem provas. 

Caso Lula e Caso Dreyfus: qual a reação ao arbítrio?

por Jeferson Miola, no Facebook


Lula não está sendo julgado; ele está sendo condenado sem provas, num processo enviesado e carente de fundamentos jurídicos.

A condenação arbitrária do ex-presidente no TRF4 são favas contadas.

O regime de exceção perpetrará esta violência jurídica mesmo que a falsa acusação, forjada pela Lava Jato para condená-lo – a suposta propriedade de um apartamento triplex – tenha sido totalmente desmanchada em decisão recente da juíza Luciana Corrêa Tôrres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

A juíza determinou a penhora do imóvel para a empresa Macife S/A, credora da OAS que ajuizou a empreiteira para cobrar dívidas.

A penhora comprova cabalmente que o apartamento pertence, de fato e de direito, à empreiteira OAS – e não ao Lula. Este fato soterra a acusação fraudulenta, e, portanto, o processo contra Lula deveria ir para a lixeira.

O Brasil e o mundo assistem não a um julgamento justo e legal do maior líder popular do país, mas sim a um processo kafkiano, no qual a condenação foi concebida de antemão, num quadro de guerra jurídica permanente [lawfare], perseguição midiática e emprego do direito penal do inimigo.

A narrativa da Rede Globo e da mídia hegemônica, que reverbera as vozes fascistas da Lava Jato e da oligarquia golpista, cinicamente busca confundir o direito do Lula a um julgamento justo e honesto com a defesa da sua impunidade.

Defender o direito de todo cidadão a um julgamento justo e legal – desde que existam, de fato, razões materiais para qualquer pessoa ser processada judicialmente – é o mínimo que se deve fazer para proteger a democracia e o devido processo legal.

Lula não está nem acima nem abaixo das leis e da Constituição do Brasil.

Com este julgamento de exceção, porém, a classe dominante coloca Lula à margem das leis e da Constituição; subtrai dele o direito inerente a todo ser humano, de não ser condenado sem provas.

A farsa jurídica montada para condenar Lula é um passo em direção ao totalitarismo.

Nos estudos sobre a gênese do nazismo, do anti-semitismo e dos processos totalitários, Hannah Arendt analisou o Caso Dreyfus, ocorrido no final do século 19 – que guarda semelhanças com o Caso Lula.

Alfred Dreyfus foi perseguido por ser o único oficial do exército francês de origem judaica, e foi acusado de alta traição por supostamente colaborar com os alemães durante a guerra franco-prussiana na disputa pelas terras da Alsásia-Lorena, ricas em carvão.

Num processo baseado em documentos falsos e provas forjadas, como ocorre com Lula, Dreyfus foi condenado, por unanimidade, à prisão perpétua.

Para o autor William Shirer, a condenação de Dreyfus “convencera grande parte da população de que os judeus [no regime de exceção, Lula e os petistas são os estigmatizados] eram responsáveis não só pela chocante corrupção nos altos círculos políticos e financeiros, como também por traírem segredos militares em favor dos odiados alemães, solapando com isso a segurança da nação, que ainda sofria com a recuperação após a derrota que lhe fora infligida pela Prússia em 1870” [A Queda da França: o colapso da Terceira República].

No livro As origens do totalitarismo, Hannah Arendt disserta que, “como eram judeus, tornava-se possível transformá-los em bodes expiatórios quando fosse mister aplacar a indignação do público.

Os antissemitas podiam imediatamente apontar para os parasitas judeus de uma sociedade corrupta para ‘provar’ que todos os judeus de toda parte não passavam de uma espécie de cupim que infestava o corpo do povo”.

20 anos mais tarde, depois de verdadeiro e honesto julgamento, Dreyfus foi finalmente inocentado.

Com Lula não será diferente. Em breve tempo esta farsa monstruosa, montada para impedir seu retorno à presidência do Brasil, também será escancarada.

Exigir o direito de um julgamento justo para o ex-presidente Lula não é sinônimo de privilégio e de impunidade; é um dever para a defesa do Estado de Direito e da democracia.

Lula será vítima do arbítrio e de uma violência jurídica monumental. É preciso, por isso, se perguntar: qual a reação democrática e popular diante deste arbítrio anunciado de antemão?

Uma realidade é inescapável: as instituições, o judiciário e o congresso estão totalmente dominados pelas lógicas fascistas e golpistas.

A soberania popular, a desobediência civil e o direito à insurgência contra toda tirania e arbítrio são dispositivos democráticos do Estado de Direito que precisa ser urgentemente restaurado no Brasil.


Fonte: Viomundo

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"Uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade" - A pós-verdade desde Goebbels


Apresentação do Blog:

Olá prezad@s leitores. O artigo abaixo é muito interessante e atual. Tenho chamado a atenção nos meios sociais em que convivo para o fato da pós-verdade, uma mentira que causa efeitos irreparáveis porque ela é feita para influenciar pessoas em determinados contextos e depois dos resultados dela não adianta mais a verdade objetiva e material ser identificada, pois o dano já foi causado ou a consequência pretendida por quem plantou a mentira com mais capacidade de distribuição e velocidade já aconteceu.

Estamos num contexto de total degeneração dos valores éticos e morais neste começo de século 21. Eu fico me perguntando como um ser humano que participa de construções e tramoias canalhas baseadas em mentiras tem coragem de olhar nos olhos das pessoas. Fico me perguntando ainda como outros seres humanos ou instituições, segmentos, grupos, também têm coragem de se aproveitarem de falsidades para prejudicarem os outros.

Esses tempos que chegamos serão de muitas pós-verdades e de destruições de pessoas e instituições sérias. Apesar do nojo e repulsa que isso nos causa, porque ainda temos muita gente formada e educação para a prática da ética, da moral e com caráter, temos que seguir adiante, com força nos princípios que nos constituem.

Leiam o texto de Ian Martin Vargas, ele nos alerta sobre as pós-verdades.

Abraços, William 

(Post Scriptum: a imagem do nazista Goebbels abaixo foi escolha minha para ilustrar o texto)

Joseph Goebbels, Ministro da
Propaganda do Nazismo.

A pós-verdade e o fascismo: uma ameaça antidemocrática

Publicado no Justificando, em 5/jan/18.


Recentemente foi compartilhada por milhares de pessoas nas redes sociais a informação de que o cantor Pabllo Vittar seria beneficiado pela Lei Rouanet em cerca de R$ 5 milhões de reais para uma produção musical. A notícia trazia o fato paralelo de que o Hospital de Câncer teria sido fechado por ausência de verba, fato este que trouxe imediata indignação coletiva de muitas pessoas que, antes da informação, possuíam algum tipo de preconceito com o cantor e com a representatividade LGBT no meio cultural.

Surpresa! A informação era falsa e compõe um dos diversos casos de notícias incorretas espalhadas virtualmente ao longo de 2017.

Governo de Goiás está distribuindo bonecas com órgão sexual trocado”; 


Maria do Rosário e Jean Wyllys se uniram para defender pedófilos

Estes e tantos outros exemplos vêm ocorrendo assiduamente nas redes sociais brasileiras. O fenômeno, porém, é mundial. Desde as eleições americanas em 2016, o termo “Pós-verdade” vem sendo citado em estudos, artigos, debates intelectuais e até entrou para o dicionário Oxford.

Tal fato se deu, principalmente, após o uso massivo de informações falsas e difamatórias utilizadas no Brexit britânico e na campanha eleitoral dos Estados Unidos de 2016 que culminou com a vitória do inescrupuloso Donald Trump. Todavia faz-se necessário aprofundarmos nas raízes desse fenômeno coletivo de ampla disseminação de informações espúrias e que possui indubitável uso político.

O termo pós-verdade foi utilizado pela primeira vez em meados dos anos 1990 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich e referia-se a supressão da verdade dos fatos. Segundo o dicionário Oxford o termo se relaciona com as circunstâncias onde fatos objetivos possuem menor importância e influência em moldar a opinião pública do que os apelos emocionais e crenças morais na maneira com que se transmitem as informações. Há, evidentemente, uma apatia em relação à verdade.

As notícias falsas e a desinformação são espalhadas virtualmente em um ritmo e nível global assustador e correlacionam-se a um dos efeitos da globalização.

A evolução da globalização caminhou junto com a evolução tecnológica e, desde os anos 1990, do crescimento da influência da Internet. Nesse contexto o surgimento das redes deu lugar a um espaço virtual de interação e propagação de informações. Alguns autores, como Levy [2], que esquadrinham o ciberespaço em análises sociológicas e filosóficas veem a mudança da esfera pública pela influência das redes sociais como positiva uma vez que fornece aos cidadãos maior capacidade de expressão, aquisição de informações e associação. Segundo Levy isso colaboraria para aumentar a capacidade cívica do povo de pressionar governos e obtendo assim maior transparência e diálogo democrático.

Grandes nomes como o filósofo alemão Jürgen Habermas [3] observam nas redes sociais da Internet um perfil potencializador de participação política mais efetiva que combina colaboração, interação, mediação, acessibilidade a informações e mobilização. Outros como Luhmann [4], discordam. Para Luhmann, em sua teoria da comunicação, há a ideia de que os meios de comunicação modernos não contribuem para melhoria da participação política ou interação e sim colaboram para a produção contínua do que chamou de “irritações”.

Nesse sentido o avanço das redes sociais teria representado uma certa ruptura paradigmática entre a emissão e a recepção das mensagens. O emissor, a origem e validade da informação perderam importância dando lugar ao teor emocional e moral. Fato este verificado diuturnamente na divulgação de notícias difamatórias e espúrias feitos no Brasil por grupos como MBL, alguns youtubers e think tanks de extrema-direita e que trabalham em regime de cooperação para desqualificação das esquerdas no geral.

Esse fundamentalismo comunicacional nas redes sociais criou uma espécie de histeria coletiva, quando o falso exercício de direitos fundamentais como liberdade de expressão, liberdade de imprensa e o direito de livre associação dão lugar à proliferação dos discursos de ódio, segregacionismo, racismo, machismo, misoginia, anti-sindicalismo, anti-socialismo. Os indivíduos que compartilham as informações sem verificar a originalidade do conteúdo, contribuem para ganho de força eleitoral dos grupos políticos que fazem oposição a qualquer grupo ou político progressista.

O compartilhamento desenfreado de notícias falsas acarreta na estruturação de um fenômeno político já conhecido no passado: o fascismo.

Não mais aquele fascismo dos tempos de Mussolini e Hitler, grandes expoentes do ultraconservadorismo e extrema-direita (em frustrantes tempos em que se fala que o nazismo é de esquerda), mas um fascismo cultural virtual, tecnocrático. Não é mais apenas a mídia tradicional que serve o fascismo com sua parcialidade como a demonstrada pelo saudoso crítico do fascismo Umberto Eco [5] em seu último romance Número Zero, onde um grupo de jornalistas preparam um jornal que não tem interesse informativo mas apenas em difamar e chantagear a serviço de seu editor, mas também a própria população através das redes e da falta de consciência ao reverberar fatos falsos. Porém, nitidamente existe um uso político por trás.

Assim como o Ministério da Verdade na obra de Orwell [6], as informações desleais propaladas nas redes sociais servem a grupos reacionários para amplificar e legitimar o ódio. Assim como nos Estados Unidos, segundo Chomsky [7] os governos fazem uso da mídia para angariar apoio da população e assim legitimar entrada nos confrontos militares.

A mesma direita que incansavelmente acusa inconcebivelmente os direitos e liberdades defendidos por progressistas e humanistas de “politicamente correto” e fruto do marxismo cultural da hegemonia gramsciana, possui agora uma produção constante e articulada de um possível “fascismo cultural” que utiliza das redes para legitimar poder político e enfraquecer as esquerdas e, acima disso, prejudicar a democracia, o pluralismo político e a cidadania.

Portanto faz-se necessário repensar a falta de consciência das redes e a instrumentalização das mesmas para fins político-partidários através da disseminação de difamações coletivas quase que instantâneas. Bauman [8] já apontava para tal perigo das redes de inibirem o medo dos chamados “caçadores” da sociedade de partirem para o ataque raivoso sobre os indivíduos a quem nutrem ódio. O império das mentiras e manipulação das massas não pode voltar a vigorar.

Concluímos com uma famigerada frase tão concernente e atual que relaciona-se com o fenômenos das fake news e seu uso político, proferida pelo pai da propaganda nazista:

"Uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade" – Joseph Goebbels



Ian Martin Vargas é graduando em Direito pelo Centro Universitário Dinâmica Cataratas. Ativista sindical e dos direitos humanos.

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[2] LÉVY, P. A mutação inacabada da esfera pública. In: LEMOS, A.; LÉVY, P. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. São Paulo: Paulus, 2010.

[3] HABERMAS, J. Mudança estrutural na esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003

[4] LUHMANN, Niklas. Introdução à teoria dos sistemas. tradução de Ana Cristina Arantes Nasser – Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

[5] ECO, Umberto. Número Zero. 1. ed. Record, 2015.

[6] ORWELL, George. 1984. Companhia das Letras: São Paulo, 2009.

[7] CHOMSKY, Noam. Mídia. Propaganda política e manipulação. Tradução: Fernando Santos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

[8] BAUMAN, Zymunt. Medo líquido. Rio de Janeiro, Zahar, 2008.


domingo, 7 de janeiro de 2018

Leitura: Aquele mundo de Vasabarros (1982) - José J. Veiga



Primeira leitura literária do ano: José J. Veiga.

Refeitório Cultural

"Se houve algum dia quem desejasse conhecer Vasabarros por dentro, esse desejo se desvanecera há muito tempo. Vasabarros agora era um lugar situado fora dos caminhos e das cogitações do mundo..."


Nesta primeira postagem do ano aqui no blog, busquei no autor goiano José J. Veiga a já conhecida surpresa do fantástico, do estranho, do incomum ao adentrar em suas estórias. Queria uma espécie de distância dos sentimentos tristes que tomam conta de mim e do mundo que habito, o Brasil, o maior país sul-americano, que enfrenta uma virada política espantosa após golpe de Estado em 2016.

Conheci o autor goiano naquele ano do Golpe. Li os sete primeiros livros dele em ordem cronológica, e posso dizer que sei que sua obra não é leve no sentido de ser descontraída, porque todas elas nos põem a pensar muito. Mas é literatura da melhor qualidade! Já li Os cavalinhos de Platiplanto (1959), A hora dos ruminantes (1966), A estranha máquina extraviada (1967), Sombras de reis barbudos (1972), Os pecados da tribo (1976), O professor Burrim e as quatro calamidades (1978), De jogos e festas (1980).

Quando falo que optei por começar o ano com Veiga pensando em afastar a tristeza, é porque em dezembro comecei a ler um romance que havia lido na adolescência e que senti necessidade de rever: Nada de novo no Front (1928), do alemão Erich M. Remarque, a respeito da 1ª Guerra Mundial. Pesado! E quis lê-lo novamente porque tenho leitura que o crescimento do fascismo, do ódio e da intolerância vai nos levar para a guerra. Não terminei ainda. Não quis começar o ano comentando este romance.

Peguei o livro de Veiga no sábado achando que era leitura rápida. Era nada! Acabei lendo o romance nos dois dias, intercalando a ficção com outras coisas a fazer com a família (ver animes com o filho e esposa, correr e pedalar e amenidades). Também intercalei o lazer com o trabalho exaustivo que estou fazendo de releituras e pesquisas em relação ao balanço de meu mandato na Cassi.

Amig@s leitores, Aquele mundo de Vasabarros é o nosso mundo hoje. Incrível! Pode ser o Brasil. Pode ser o Rio de Janeiro e sua grave crise institucional. Pode ser os Estados Unidos e seu presidente impensável. Pode ser qualquer lugar, qualquer empresa. Que metáfora!

Os governantes de Vasabarros são o Simpatia e a Simpateca. Os conselheiros do lugar são os senescas; temos os órgãos de investigação e repressão - os merdecas e os mijocas. Uns poucos privilegiados vivem nas partes altas das grandes construções. Nos calabouços e entranhas do lugar, além dos ratos e bichos, vivem todas as pessoas, sem direito a rir, reclamar, cantar... sem direito a qualquer coisa. Por qualquer erro ou por se pegar envolvida em algo, até sem ter culpa, a pessoa era condenada à morte sendo enfiada dentro de uma barrica.

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"A vida em Vasabarros tinha mudado muito desde a assunção do atual Simpatia. Antes ainda havia um pouco de claridade, havia uma relativa alegria nas pessoas, e um certo entusiasmo pelo que elas faziam, apesar da preocupação doentia com os regulamentos, esse um mal de todos os tempos. Mas com o novo Simpatia o arrocho aumentou, as pessoas foram perdendo os restos de alegria, de cordialidade, de confiança em si mesmas..."

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Os filhos do senhor Simpatia e da senhora Simpateca - Andreu e Mognólia, ambos no início da adolescência - começam a questionar a si mesmos e aos pais e conselheiros porque as coisas são como são, tristes, com tanta miséria para todo mundo com exceção deles da família do governante etc.

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"- Por que tem que ser assim, seu Zinibaldo? - perguntou Mognólia de repente.
- Assim como?
- Esses meninos, gente igual a mim e Andreu, viverem vigiados, castigados por qualquer brincadeira que fazem, não poderem ter um cachorrinho, um gato, um passarinho para distraí-los. Só trabalho e obediência o tempo todo. Acha direito, seu Zinibaldo?
- É a lei - disse o senesca evasivamente.
- O senhor não acha que essa lei devia cair? - perguntou Mognólia.
- Cair? Lei não cai. Está aí para ser aplicada.
- Está vendo, Mogui? Está tudo errado, mas não pode ser discutido. É a lei. A nossa lei - disse Andreu..."

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Ao correr da estória, fui vendo situações as mais absurdas possíveis e fui percebendo o quanto a ficção se mistura com a realidade. Esse diálogo acima é básico.

Eu fico me perguntando até quando o povo brasileiro vai aceitar cumprir as "leis" que os golpistas que assaltaram o poder nos impuseram - os três órgãos do poder da república sul-americana chamada Brasil (agora brazil?). A cada mês desde que o Golpe foi perpetrado a partir de abril de 2016 nos são retirados direitos, nosso patrimônio público é dilapidado e doado, nossa moral e nossa soberania são achincalhadas pela camarilha de ladrões que ocupou setores do executivo, legislativo e judiciário.

O final do romance traz mensagens interessantes para reflexão.

Ainda durante os desfechos finais, outro diálogo me chamou a atenção, porque sempre disse isso para as pessoas com quem convivo e para aquelas que represento, os trabalhadores.

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"- É. Está parecendo tapera.
- E vai ficar cada vez pior, se você não se compenetrar. Você agora é o dono. Tem que se compenetrar.
Outro silêncio longo. O céu lá em cima havia mudado de azul claro em azul escuro. Alguns pássaros já voltavam para seus ninhos na jaqueira e nos furos das paredes.
- E se a gente fugisse? Eu e você?
- Fugisse pra onde?
- Sei lá. Pra outras terras. O resto do mundo não pode ser triste como isso aqui.
- Sei não. Não conheço o resto do mundo. Mas se for melhor, não será porque os que vivem lá fizeram ele melhor?"

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Amig@s leitores, eu vejo o mundo assim. Acho que temos que fazer o que deve ser feito para mudar as coisas para melhor. A nossa vida, o nosso trabalho, a nossa comunidade, os nossos direitos, o nosso comportamento. Tudo.

Abraços a tod@s. O livro é fácil de encontrar em sebos e sites de vendas virtuais. Eu comprei assim por dez reais.

William

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva do Refeitório Cultural - Muita aprendizagem e pronto para as lutas em 2018



Cantinho da leitura e dos trabalhos intelectuais.

Refeição Cultural

Esta postagem fecha o ano neste nosso espaço de reflexões e cultura. Que ano complexo estamos terminando! Foram 114 textos escritos para dividir com leitores que nos acompanham o que aprendemos com leituras novas, o que pensamos a respeito de questões diversas de política, filosofia, sociedade e cultura em geral.

Entre janeiro e agosto, consegui imprimir uma sequência de leituras que marcaram bastante o meu ano como um ser humano sedento por novos conhecimentos. A partir de setembro passei a focar a revisão e organização do blog nas horas vagas. Estou encadernando os textos dos últimos 4 anos.

Terminei diversos livros que fui lendo vagarosamente ao longo do tempo. Conheci autores novos. Reli livros que me marcaram em épocas diversas da existência. Aprofundei o conhecimento em autores clássicos. Li muitos livros de poesia (fez falta ficar tanto tempo sem o prazer do contato com poemas). Vi vários filmes clássicos que tenho guardado há tempos. Conheci coisas novas como os animes. 

Enfim, nas poucas horas de folga que tenho em meu trabalho como gestor eleito pelos trabalhadores do Banco do Brasil na maior Caixa de Assistência do país (a Cassi), trabalho que representa uma luta diária na defesa dos direitos dos associados e da própria autogestão em saúde, busquei nas leituras subsídios para melhorar como ser humano e cidadão do mundo.

Registro abaixo as leituras e os links quando fiz comentários a respeito delas e deixei sugestão de leitura aos amig@s que nos acompanham:

1. LTI - A linguagem do 3º Reich (1947, ALE), de Victor Klemperer (ler AQUI).

2. Fausto (1770-1831, ALE), de Goethe (ler AQUI).

3. O Rio (1953, BRA), de João Cabral de Melo Neto (ler AQUI).

4. O sol também se levanta (1926, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).

5. Mar morto (1936, BRA), de Jorge Amado (ler AQUI).

6. Libertinagem (1930, BRA), de Manuel Bandeira (ler AQUI).

7. Estrela da manhã (1936, BRA), de Manuel Bandeira (ler AQUI).

8. Memorial de Aires (1908, BRA), de Machado de Assis (ler AQUI).

9. Discurso da servidão voluntária (Século XVI), de Etienne de La Boétie (ler AQUI).

10. Paisagens com figuras (1954, BRA), de João Cabral de Melo Neto.

11. Morte e vida severina (1954, BRA), de João Cabral de Melo Neto (ler AQUI).

12. Uma faca só lâmina (1955, BRA), de João Cabral de Melo Neto.


Essas leituras foram feitas em janeiro, estando em férias, o que me permitiu grande fôlego para ler e ler. Quase todas elas foram revisitas de leituras antigas e autores. A exceção foram os autores Victor Klemperer e La Boétie.


13. Manual inútil da televisão (2016, BRA), de Paulo Henrique Amorim (ler AQUI).

14. A corrosão do caráter (1998, EUA), de Richard Sennett (ler AQUI).

15. O perfume (1985, ALE), de Patrick Süskind (ler AQUI).

16. A morte de Ivan Ilitch (1886, RUS), de León Tolstói (ler AQUI).

17. Lula, o filho do Brasil (2002, BRA), de Denise Paraná (ler AQUI).


Leituras de fevereiro. Depois de um bom tempo de leitura, consegui finalizar o livro de Denise Paraná sobre a história de Lula até o momento anterior à sua eleição para presidente em 2002. Fiz a 3ª leitura dessa obra central de Tolstói e além do livro de Süskind, vi o filme baseado na obra.


18. O azarão (1999, AUS), de Markus Zusak (ler AQUI).

19. Comunidades imaginadas (1991, EUA), de Benedict Anderson (ler AQUI).


Em março terminei um livro que gastei anos para concluir, o de Anderson. E conheci um autor novo, o australiano Zusak. No mês seguinte li outro livro dele, pois ambos tratam de mesmos personagens. Terminei a série de anime Death Note (ler AQUI), que assisti com meu filho. Agora estamos vendo (eu, esposa e filho) o anime Naruto. Já passamos de 50 episódios.


20. Adeus às armas (1929, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).

21. Estorvo (1991, BRA), de Chico buarque (ler AQUI).

22. Bom de briga (2000, AUS), de Markus Zusak (ler AQUI).

23. Felicidade fechada (2017, BRA), Miruna Genoino (ler AQUI).


Foi emocionante ler o clássico de Hemingway em abril. Conheci Chico como escritor de romances. E foi duro o depoimento da filha de Genoino, descrevendo toda a injustiça que ele sofreu.


24. Distraídos venceremos (1987, BRA), de Paulo Leminski (ler AQUI).

25. Ponciá Vicêncio (2003, BRA), de Conceição Evaristo (ler AQUI).



Em maio, curti Leminski e conheci a autora Conceição Evaristo. Que emocionante e tocante o livro de Evaristo, abordando com primor o universo e a condição das mulheres negras em condições sociais de muita vulnerabilidade.


26. O BB de bombachas (2016, BRA), organizado por Alcy Cheuiche (ler AQUI).

27. La vie en close (1991, BRA), de Paulo Leminski (ler AQUI).

28. Por quem os sinos dobram (1940, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).

29. Benjamim (1995, BRA), de Chico Buarque (ler AQUI).

30. O ex-estranho (1996, BRA), de Paulo Leminski.

31. Winterverno (2001, BRA), de Paulo Leminski (ler AQUI).


Em junho deste ano, completei a leitura de um dos livros mais marcantes da carreira de Hemingway. Após ter lido em abril seu livro que se passa durante a 1ª Guerra Mundial, Adeus às armas, conheci Por quem os sinos dobram, cujo cenário é a Guerra Civil Espanhola. Esse livro mexeu muito comigo. Continua mexendo, ao ter a consciência política do que estamos vivendo no Brasil.

Ainda em junho li o segundo romance de Chico Buarque e completei a leitura das poesias de Leminski.


32. A guerra dos mundos (1898, ENG), de H. G. Wells (ler AQUI).

33. O chamado da floresta (1903, EUA), de Jack London - mas li uma adaptação para jovens (ler AQUI).


A leitura de Wells foi fantástica. Eu não tinha a menor noção do quanto é boa a ficção deste clássico autor inglês.


34. Alguma poesia (1930, BRA), de Carlos Drummond de Andrade (ler AQUI).

35. Cataratas do Iguaçu (BRA), de Maurício Bevervanso.

36. Cataratas e a floresta Iguaçu (2008, BRA), de Alex P. Schorsch (ler AQUI).

37. Olhos D'Água (2014, BRA), de Conceição Evaristo (ler AQUI).


Neste ano, tive a oportunidade de visitar as Cataratas do Iguaçu duas vezes. É sempre uma experiência fantástica e eu sugiro que a pessoa que não conheça ainda essa maravilha da natureza, que reserve uns 3 dias e vá até lá. É algo único.


38. A quinta-coluna (1938, EUA), de Ernest Hemingway (ler AQUI).


Terminei as leituras do ano com mais um clássico de Hemingway. Foi uma experiência enriquecedora ler tantos livros deste grande autor da literatura mundial.

Depois de agosto, peguei para ler vários livros, mas estão todos no ritmo de minha pouca disponibilidade de leituras do prazer.



Natal em família. Faltou a maninha querida.

BALANÇO DE 2017

O ano foi muito duro para a ampla maioria dos cidadãos brasileiros. A exceção ficou por conta do pequeno grupo de humanos e corporações que aplicou o golpe de Estado e nos colocou sob estado de exceção e na condição de desfazimento do Brasil, da soberania nacional e dos direitos do povo simples e trabalhador.

Eu fechei mais um ano de lutas ininterruptas pelos direitos dos trabalhadores associados à entidade de saúde em que sou gestor eleito. Na verdade, estamos completando um mandato de quatro anos. E também estou fazendo no blog Categoria Bancária (acessar AQUI) textos de balanço de nosso trabalho à frente de uma das diretorias da entidade, a de Saúde e Rede de Atendimento (própria).

As pessoas não têm muita noção do quanto é sofrida a vida de um representante de trabalhadores quando seus mandatos decidem enfrentar poderes instituídos. Estamos terminando esse longo período de lutas em defesa dos trabalhadores que representamos enfrentando armações feitas para atacar aqueles que atuam com firmeza nos propósitos, comprometimento com as causas coletivas e transparência pouco comuns em mandatos de representação. No meu caso, tudo que fiz em nome de nossos colegas representados na última década publiquei em centenas de postagens e boletins virtuais, e também divulguei presencialmente nas bases sociais do país todo.

Estamos vivendo no Brasil e também no mundo a era da inversão dos valores sociais da ética, da solidariedade, da verdade, da justiça. O que está em vigor, na moda, após o crescimento de ideais fascistas, ultraconservadores, é a iniquidade, a pós-verdade construída pelos poucos donos do poder que têm os instrumentos para estabelecer suas mentiras e versões, suas ilações, como se fossem os fatos.

Começo 2018 cheio de energia, disposição e força para enfrentar tudo e todos que estejam contra a classe trabalhadora a qual pertenço. Fechei o mês de dezembro e o ano com boas condições físicas, porque sou um instrumento de luta de nossa classe e sei que devo me cuidar para as batalhas que participamos por um mundo melhor. Não sabemos do futuro, do acaso. Não sabemos se uma doença nos atingirá, nem se uma fatalidade ocorrerá, um acidente etc. Não sabemos se alguma trama nos impedirá de lutar. Mas sem essas possibilidades, estamos firmes para defender as causas coletivas dos trabalhadores da ativa e aposentados.

ESPORTE E SAÚDE - Apesar de não ter me inscrito na São Silvestre 2017, por opção e decisão consciente, porque a organização está maltratando demais os participantes da prova que participo há quase uma década, corri 12k no Eixão de Brasília neste dia 31 e me senti leve e resistente. 

Por que coloco nas postagens algo tão pessoal como minhas corridas? Porque sou um simples cidadão da classe trabalhadora e, além de atuar na área da saúde, sou um militante social que luta por um mundo melhor e para isso temos que atuar em todas as áreas da dimensão humana. Cultura, conhecimento, saúde e condições físicas são básicos para nós humanos e da classe trabalhadora.

Deixo a tod@s que nos leem um forte abraço e um desejo de bom Ano Novo com o convite para as lutas pelas causas da solidariedade, da igualdade de oportunidades, pelo respeito ao próximo e tolerância ao outro, pela liberdade plena dos seres humanos, pela recuperação de uma justiça que seja para todos e não parcial em favor da casa-grande e contra o povo e suas causas. Pelo desenvolvimento com distribuição de renda a todo o povo.

Seguimos firmes nas lutas e estamos prontos!

William


Post Scriptum: 

Neste mês de dezembro fiz excelente corridas: 4k (dia 2, DF), 4k (dia 6, DF), 3k (dia 7, DF), 9k (dia 10, DF), 1,5k / 2,2k / 3,2k / 4,5k / 2,2k (nas areias de Porto de Galinhas - PE), 3,2K (dia 23, DF), 10k (dia 24, DF), 5k (dia 26, DF) e 12k no Eixão para fechar o ano. Foram 63,8k no mês. Faz tempo que não cumpria uma sequência boa como essa.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Feliz Nascimento a vocês da classe trabalhadora!


(atualizado às 9h52 de 25/12/17)


Refeição Cultural - 25 de dezembro

Que dizer a vocês que nos acompanham através deste Blog nesta data de 25 de dezembro?

Em meu coração se apertam vários sentimentos ao mesmo tempo, emoções difusas e antagônicas que se misturam e marejam os olhos e dão nó na garganta. Data que faz menção ao nascimento do filho de Deus. Estou triste e decepcionado com os seres humanos e ao mesmo tempo estou muito focado e obstinado em não desistir desses mesmos seres humanos, atuando diariamente para mudar as atitudes das pessoas porque assim podemos mudar o mundo para melhor.

Eu tive educação católica. Cresci num mundo duro e convivi com violências e misérias, principalmente após os dez anos de idade. Como diz o personagem do Grande sertão: veredas, Riobaldo Tatarana, corajoso eu não era muito, mas tive que me fazer. As condições duras me fizeram endurecer e enfrentar o mundo.

A referência num Deus onipresente, onipotente e onisciente me freou de fazer muitas merdas na vida ao longo da adolescência. Tenho certeza que me fizeram superar vivo aquela fase da vida. Os dogmas sobre os pecados apontados pelo cristianismo, os mandamentos do próprio Deus, não fazer aos outros o que não se quer para si mesmo etc, tudo isso balizou a formação de meu caráter, a minha ética.

Aí chego ao início dos anos dois mil e vejo mudanças positivas para o povo brasileiro ao qual pertenço, o povo mais simples, o povo da classe trabalhadora. Como militante social, ajudei a construir em quase vinte anos aquele país que vinha melhorando. Aí chego perto dos cinquenta anos de idade e vejo a merda que virou o mundo em pouco mais de dois anos de virada política após novo golpe de Estado contra a democracia em meu país.

A abertura da Caixa de Pandora, por parte dos golpistas bandidos, que libertaram todos os males e maldades para ganharem o mundo, o nosso mundo, vai mostrando a cada semana, a cada mês, que as maldades contra as pessoas simples, contra os trabalhadores, contra o povo ao qual pertenço, não têm fim. A cada dia, maldades inimagináveis são realizadas, em todos os meios públicos e privados. O Estado Nacional ferrando o povo em benefício do pequeno grupo que aplicou o golpe. Desfazimento de nosso país com entrega de nosso patrimônio para outros países imperialistas. Pessoas se sentindo à vontade para exercitar as novas maldades antes refreadas e agora incentivadas. Racismo, violências contra mulheres, minorias, trabalhadores, idosos, pessoas sem posses.

A construção do golpe contra os avanços que vinham ocorrendo para o povo brasileiro começou antes das eleições de 2014. A estratégia da anti-política colocou no Congresso Nacional o pior grupamento de parlamentares da história da República, grupo que executaria toda a desgraça que se desenhava para o caso de um quarto governo do Partido dos Trabalhadores: foi avisado pela elite e pela oposição política que o PT não poderia ganhar, e se ganhasse, não iria governar. A organização do golpe estava bem estruturada desta vez.

Os apoiadores do golpe contra a democracia e o povo brasileiro contaram também com uma organização de fortes interesses corporativos nos órgãos do terceiro poder da República, setores da Justiça. E nada seria possível sem a maior e mais fantástica máquina de manipulação ideológica desde o advento dos meios de comunicação de massa a partir dos anos 30 e 40 do século passado. No mundo do século 21, onde a vida é baseada nas redes sociais e no mundo virtual, ter todas as formas de comunicação dominadas por poucas pessoas (famílias e corporações do PIG) vai nos levar a um mundo totalitário jamais imaginado sequer por Huxley, Orwell e outros autores dos clássicos de ficção de mundos distópicos como "1984".

Ao ver dominados pelos golpistas os poderes da vida social em forma de República - executivo, legislativo, judiciário e mundo empresarial, incluso o da grande imprensa -, e o que esses poderes estão fazendo com a maior liderança do povo brasileiro, o presidente Lula, numa avalanche de parcialidade* estatal para eliminar da vida política aquele no qual o povo deposita esperanças da volta de dias melhores é de uma dor imensa, é de causar uma indignação que nos faz reviver todos os sentimentos negativos que tivemos na adolescência e que gastamos anos para superar: trocar o sentimento pessoal de raiva e ódio contra as injustiças sociais pela fé nas lutas coletivas, pela democracia e pela Política.

Ao se instalar um Estado de exceção, parcial, que favorece uma casta privilegiada e que atua contra todo o restante do povo, seus direitos sociais, suas lideranças e suas instituições, vivemos hoje uma vida cotidiana que incentiva algumas corporações, alguns grupos e algumas pessoas a praticarem o mau, a canalhice, a fraude, a incivilidade, a barbárie e a injustiça contra os mais fracos, contra os que não estão na condição de poder, ou que estão no poder defendendo a classe trabalhadora. Isso não pode seguir assim.

Eu vejo com preocupação todos os casos de injustiças contra instituições, contra cidadãos e contra os direitos coletivos e individuais do povo; vejo com preocupação casos como o deste simples cidadão que vos fala: após quase quatro anos de total e absoluta dedicação à causa que represento, como gestor eleito pelos trabalhadores associados de uma entidade de autogestão em saúde, estou terminando o ano vendo a construção de uma injustiça que ainda não posso divulgar por causa de ritos formais da instituição em que atuo. 

Como manter a fé na humanidade e nas instituições da sociedade perante tudo o que temos visto, vivido e combatido tanto nestes quatro anos de dedicação fiel aos direitos dos associados que represento na Cassi quanto de dedicação às causas dos trabalhadores e do Brasil para todos que ajudamos a construir? Eu respondo: enquanto estivermos vivos e tivermos uma causa a defender, as causas dos trabalhadores e do povo, não haverá desistência de nossa parte. A gente faz o que tem que ser feito. 

NATAL É NASCIMENTO, É ESPERANÇA!

Nas próximas semanas estaremos no ano de 2018, o ano que exigirá mudança de comportamento dos trabalhadores e do povo que está sofrendo as consequências da destruição de nosso país e dos nossos direitos por parte do pequeno grupo que tomou conta dos poderes do Estado Nacional.

Como Natal é Nascimento, é uma data que nos lembra do filho de Deus, que pregou a compaixão, a solidariedade, a divisão das riquezas da sociedade entre todos, o amor ao próximo, o perdão e a tolerância aos diferentes, enfim, que cada um de nós da classe trabalhadora receba o espírito desse Nascimento para lutarmos por um mundo que represente tudo isso que o filho de Deus pregou, independente da fé de cada um em alguma religião.

Eu preciso ter fé na humanidade porque sou ser humano, sou um ser social, preciso dos outros, preciso de um mundo onde possa viver em paz, com justiça, com oportunidades, com liberdade, com tolerância, com segurança, amor e fraternidade.

Feliz Natal a cada um(a) de vocês que nos leem e acompanham!

William Mendes
Cidadão brasileiro


*Post Scriptum:

Ao reler o texto pela manhã, vi que havia escrito a palavra errada. Quis dizer parcialidade e não imparcialidade como estava escrito. Corrijo e aviso em respeito às pessoas que já haviam lido a mensagem de Natal.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Diário e reflexões - 181217 (Vamos de mãos dadas porque as lutas serão duras)




"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo..."


(Início de Tabacaria, poema de Álvaro de Campos, um dos pseudônimos de Fernando Pessoa)

Para onde nós humanos caminhamos? Para onde estamos levando o destino do planeta Terra? Para que tem servido todo o conhecimento acumulado por nós ao longo de milhares de anos de desenvolvimento intelectual?

Quando olho para qualquer área do conhecimento humano e vejo que o que se conhece não tem quase que serventia alguma para as decisões pessoais, corporativas e coletivas, públicas ou privadas, bate uma decepção grande e quase dá um desencanto com o lutar por um mundo melhor, aproveitando-se as possibilidades advindas com as informações disponíveis a tod@s em qualquer canto do planeta.

Porém, apesar da tristeza e até raiva ao ver toda a merda ao nosso redor, sempre digo que desistir de lutar não é uma opção. Não falo isso por romantismo. É porque se ligarmos o botão do dane-se, do vou largar tudo e "pensar só em mim", aí é que lascou-se! Nós humanos não somos NADA sozinhos! Somos seres sociais, nós precisamos de nos relacionarmos com outros humanos.

O mundo tem mais de sete bilhões de humanos. Tem tecnologia para alimentar a todos e prover as mais diversas sociedades com uma vida plena para os cidadãos considerando as necessidades vitais, sociais e culturais. Mas boa parte dos humanos ainda sofre por carência absoluta de itens básicos para a existência e sofre violência de forma que a vida é tão ameaçada cotidianamente como no antigo "estado de natureza", antes de nos tornarmos humanos, quando éramos caça e fazíamos parte da cadeia alimentar de outros seres.

Por que os bilhões de humanos aceitam que alguns detenham todas as riquezas materiais e culturais, os meios de produção, de comunicação, de sobrevivência e que esses poucos detenham o poder político, seja por convencimento (política), seja por força?

Um estudioso e filósofo do século 19, Marx, nos alertava sobre os rumos que o capitalismo tenderia a tomar como algo característico de sua natureza: a concentração. Assim como não deveria ser normal algumas famílias e corporações deterem mais da metade da riqueza do mundo e do Brasil, não deveria ser aceitável a Disney comprar a 21th Century Fox. Não deveria ser normal um país do tamanho do Brasil ter 5 grandes bancos e no momento haver um projeto de eliminar os que são públicos em benefício dos banqueiros privados.

Como aceitar um país como o Brasil ter a Globo? Como aceitar que um juiz de primeira instância destrua um país que vinha se destacando no mundo após a crise internacional do subprime? Como suportar ver dezenas de milhões de humanos sem uma reação à altura dos ataques que eles estão sofrendo em TODOS os seus direitos por uns poucos, talvez milhares de asseclas e apaniguados da mesma estrutura que deu o golpe no país contra os 200 milhões de brasileiros?

Por vários motivos, respondo eu: por medo, por pusilanimidade para a luta, por preguiça, por manipulação e ferramentas ideológicas daqueles poucos que detêm tudo, pois eles pagam e compram os profissionais para dominar e manipular os zilhões de humanos de minha classe, a classe trabalhadora, aquela que não detém os meios e as riquezas e que precisa vender sua força de trabalho, seus corpos e mentes, para sobreviver neste mesmo mundo. Por vários dos humanos ligarem a chavinha do "dane-se" e falarem que não é com eles (sou imparcial, neutro, apolítico blá blá blá).

Que saco saber de tudo isso e se sentir impotente para mudar a realidade porque sozinhos não somos NADA.

É com esse conhecimento de que só a luta coletiva pode senão mudar a realidade perversa contra o meu lado, o da classe trabalhadora, pode ao menos organizar as pessoas para enfrentar melhor a exploração e o massacre contra essa nossa classe, que entrei para o movimento sindical em abril de 2002, na categoria bancária.

Neste final de ano e início de 2018 estou completando 16 anos de vida dedicada às lutas coletivas através de mandatos ou sindicais ou de representação em entidades de trabalhadores como a Cassi. Antes de abril de 2002, quando fui eleito pela primeira vez para representar meus colegas bancários no Sindicato, meu percurso era no movimento estudantil, contribuindo com meus pares para enfrentar os problemas que tínhamos para ter oportunidade de formação e capacitação para poder alcançar uma vida digna nas sociedades em que estamos inseridos.

A vida política é tão difícil quando se busca levar a sério os princípios e premissas da democracia representativa que se não tivermos uma estrutura física e psicológica que suporte pressões, assédios e intensos momentos de estresse, além de formação moral e ética, educação de berço e firmeza de propósito nos valores que pregamos e defendemos, não se aguenta muito ser um representante de pessoas. Eu comparo a intensidade do que vivi nestes mais de 15 anos como frentes de batalha de guerras reais.

Se eu olhar para trás, acho que tive muita resistência neste período de representação. Liderei períodos de longo estresse em que vi vários companheiros precisarem se recolher para se recuperarem do estrago físico e psicológico de nossas batalhas de lutas de classe. Eu me dedico muito ao que faço, ponho minha vida nas lutas e preparo-me fisicamente e mentalmente para defender as causas que represento. E mesmo assim, às vezes, dou algum colapso físico como dias atrás em que fiquei mal 3 dias. Mas deixo claro que devo muito a muita gente pelo apoio que sempre tenho nos momentos difíceis. Devo e agradeço a tod@s que nos dão ombro na hora dos enfrentamentos em nome das causas que defendemos.

Vem muita coisa por aí contra nós, nós brasileiros (o povo), nós classe trabalhadora (ativos e aposentados, que precisam entender que são "trabalhadores"), nós bancários do Banco do Brasil e as diversas entidades representativas e associativas, nós associados da Cassi e Conselhos de Usuários. Vem muita coisa difícil por aí.

Este cidadão que presta contas do que faz em seus mandatos de representação e que publica também suas opiniões e partilha informações em seus blogs de trabalho e cultura afirma:

- Não sou NADA sem o apoio das pessoas para quem atuo;
- Não sou NADA sem o apoio das entidades representativas com as quais nos relacionamos.

E digo o mesmo sobre a nossa Caixa de Assistência (Cassi):
- Não somos NADA sem unidade e disposição de luta coletiva.

Como diria o poeta Drummond, vamos de mãos dadas porque os tempos serão difíceis.

Eu sigo à disposição das lutas, pois sou das lutas; tenho lado, e o meu lado é o da classe trabalhadora.

William

domingo, 10 de dezembro de 2017

Na vida e nas lutas, desistir não é uma opção!



(atualizado em 11/12/17, às 13h)

Naruto Uzumaki, garoto órfão não se deixa abater
pelas adversidades da vida em momento algum.

Refeição Cultural

Está terminando o domingo. Estou em casa com a família, que bom! Momentos juntos não são comuns em minha atual jornada de lutas.

Não estou lendo literatura neste semestre com a frequência que gostaria porque minhas demandas no trabalho tomam conta de minha agenda praticamente em todos os dias do mês. Mas a dedicação é necessária e tudo bem, é por uma boa causa: a Cassi e os associados.

Neste sábado, trabalhei em casa até umas 19 horas. Estudei toda a pauta da reunião de Diretoria Executiva do início da semana. Teremos uma agenda bem cheia na segunda e terça-feira. Inclusive com reunião prévia das entidades representativas e mesa de prestação de contas sobre o Memorando de Entendimentos acordado entre o BB e os associados.


Três coisas que me levaram à reflexão neste fim de semana

Desde o ano passado, tenho visto alguma série ou anime com meu filho. Mesmo estando distantes, temos algo para vermos juntos e comentarmos. Tem sido bem legal isso.

Depois de assistir ao anime Death Note (ler comentários AQUI), começamos a ver agora Naruto. Meu filho conheceu a história do garoto ninja e seus amigos quando ele tinha uns dez ou onze anos. Diferente do Death Note, que contém 37 episódios, esse anime vai demorar muito tempo para vermos tudo, porque são centenas de episódios. Mas eu e minha esposa estamos indo bem, já chegamos ao 40.

Para dizer da impressão ou da mensagem que mais me chamou atenção até agora na história do garoto sem família, e que sofre com a forma como as pessoas de sua aldeia o tratam - com preconceito e discriminação - foi que ele não vive de chororô pelos cantos e não deixa que nada o impeça de olhar para a frente e seguir com determinação seu objetivo de ser o melhor ninja da aldeia. 

Apesar do garoto não ser um destaque na escola e na academia de artes marciais, suas atitudes perante a vida são algo a se pensar.


Um homem em situação de rua
e seus companheiros, seus animais.
Aí, entre o sábado e o domingo, fiquei muito pensativo ao observar uma pessoa em situação de rua, um sem-teto, que estacionou (com sua carroça) em frente do prédio onde moramos em Brasília no final da tarde de sábado e só foi embora no domingo pela manhã.

O homem chegou, arriou o seu cavalo, fixou a carroça na árvore e aos poucos fomos vendo seus amigos e companheiros. A cena chamou a nossa atenção. Além de seu cavalinho simples, ele tinha 3 cachorros, sendo um filhote em fase de adestramento, 3 galinhas e um gatinho filhote. Todos ficaram soltos ao redor dele e de sua carroça, brincando, ciscando, exceto o cachorro filhote, que corria atrás de quem passava perto, latindo e com intenção de brincar. Acho que alguns moradores não gostaram. Seu dono, mancando bastante, ia atrás dele e dizia "- vem com o papai". Mas, em momento algum, ele bateu nos seus animais. Quando anoiteceu, todos se recolheram dentro da carroça e, pela manhã, já haviam partido. 

Imaginem quantas pessoas em nosso mundo estão nessas condições. O que eles comeram? Como se viram diariamente? Quando começou a chover, todos ficaram quietinhos dentro da carroça. Todo ser humano tem direitos. Onde estão os dele?

Eu pensei muito a respeito e não concordo com o rumo que nosso país tomou após o Golpe de Estado, nem concordo com a forma como o mundo está hegemonizado pelo sistema e modelo capitalista. Outro mundo é necessário, com melhores condições de existência para todos e todas.

Em relação ao título desta reflexão, em que afirmo que desistir não é uma opção na vida ou nas lutas, esse homem que vimos por algumas horas está lutando, está sobrevivendo. Aliás, está cuidando de seus companheiros.

Por fim, neste domingo, fiz uma corrida que me deixou satisfeito. Ao longo deste ano que está terminando, tive muita dificuldade de correr com a regularidade que gostaria. Mas corri o possível. 

Agora, terminando o ano, entre novembro e dezembro, já consegui voltar a correr mais de 5k. Corri recentemente 6k, depois 7,5k, depois 8k (dias atrás) e hoje fui para o Eixão quase deserto, por causa das chuvas, e corri 9k. Foi muita concentração e fiquei feliz comigo mesmo. Sei que isso é bom para fortalecer não só minha resistência física e minha saúde, mas minha mente e minhas energias.

Fim do domingo, vamos pras lutas nesta segunda-feira.

William