domingo, 6 de fevereiro de 2022

Decamerão - 1º clássico sob a pandemia de Covid



Refeição Cultural


Noite de domingo, 6 de fevereiro de 2022. Osasco, SP.

A pandemia mundial de Covid-19 já está em seu terceiro ano. 

O início de 2020 foi marcado pelo aparecimento de um vírus que se espalhava rapidamente e uma porcentagem das vítimas tinha complicações e necessidades de internação e por debilitar muita gente isso causava colapso dos sistemas de saúde no mundo. No Brasil, as primeiras pessoas infectadas pelo novo coronavírus foram entre fevereiro e março de 2020.

Pela primeira vez em décadas o mundo parou literalmente. Talvez algo parecido tenha ocorrido durante a quebra da bolsa de Nova York, em 1929, e durante a 2ª Guerra Mundial.

Me lembro que nós passamos a cumprir a quarentena de evitar sair de casa a partir do dia 18 de março de 2020. Minha esposa e meu filho não colocaram o pé para fora de casa por longos meses, praticamente até outubro daquele ano. Eu era o único que saía para as necessidades vitais de manutenção da família.

De lá para cá, a humanidade lidou com a pandemia. O mundo capitalista lidou com a pandemia à sua maneira, de forma capitalista, é claro. Os países ricos produziram vacinas e vacinaram seus cidadãos (uma parte deles não quis se vacinar); venderam a vacina para os países que pudessem comprar a mercadoria. E o resultado de tudo isso foi a pandemia se desenvolvendo em ondas, que contagiam e matam mais e depois menos. Temos países e continentes com quase 100% de vacinados e outros com porcentagens pequenas de vacinados.

Segundo o site da Johns Hopkins University, até este domingo já morreram no mundo 5,7 milhões de pessoas; 394,5 milhões foram infectadas (as sequelas pós-Covid chegam a um quarto das vítimas); já foram administrados 10 bilhões de doses de vacinas (mas no continente africano...). 

O Brasil... ahh, o Brasil! O Brasil tem Bolsonaro! Aqui a vacina chegou tarde. Enquanto o governo genocida negava a vacina, os bolsonaristas negociavam propinas para termos vacinas no país (CPI investigou a questão). Nossos amigos, familiares e conhecidos morreram por causa disso. Até hoje são 632.095 mortes e 26 milhões de contaminados. Mas o governo segue atuando contra a vacina e o vírus tem no bolsonarismo o maior aliado para nos contaminar e nos matar.

Enfim, eu li o Decameron nos primeiros meses da pandemia no Brasil. Li durante 100 dias. Foi uma novela por dia. Sobrevivi ao período e sobrevivi até hoje. Sou um privilegiado. Muitas pessoas queridas se foram entre nós.

Durante a leitura diária das narrativas de Boccaccio, eu postava em rede social algum comentário rápido sobre a leitura e às vezes falava algo sobre a política e o país daqueles dias. 

Abaixo, seguem alguns comentários que postei dos primeiros dias de leitura. Ao reler os comentários, achei eles interessantes. O comentário sobre a obra, após o término da leitura, pode ser lido aqui.

Abraços aos amig@s leitores. Se fosse para dizer algo, eu diria para lerem os clássicos. Mas os tempos são esquisitos. Não se dá sugestão de nada para ninguém. Mesmo vivendo sob o modismo dos "influenciadores". Registro no blog de cultura uma modesta impressão de instantes do tempo que corre no mundo.

William

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19/04/20

De 100, já foram 18 novelas em 18 dias... só faltam 82 dias e histórias do Decameron

Enquanto isso no país jabuticaba em tempos de quarentena pela peste Covid-19, o ditador demente alçado a rei nu após uma facada fake, esfrega remela do nariz na mão, dá ela a súditos a beijá-la, tosse tosse e junto aos seus loucos súditos loucos conspiram pelo fechamento do regime... isso aqui é mais ficção que qualquer ficção possível...

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18/04/20

17 dias, 17 novelas do Decameron (e pra de hoje, fica meu protesto pelo tanto que ela é machista e sexista. Dou uma banana pro narrador da história, o jovem Pânfilo)

A novela contada por Pânfilo narra os descaminhos da jovem Alatiel, filha do sultão da Babilônia, o senhor Beminedab. Ela passou 4 anos de infortúnios e sequestros e a vida a levou a ficar com 9 homens diferentes, e, segundo o conto, a culpa seria praticamente dela, por ser a mulher mais linda do mundo.

Na vida real, eu vivo no mundo da pandemia do Covid-19 e no Brasil da psicopatia bolsonarista, onde nascer mulher é fruto de "uma fraquejada", elas devem vestir rosa e serem boas donas do lar - e milhões de mulheres apoiam o psicopata, a ministra e os "pastores" que afirmam isso...

ACABA LOGO, MUNDÃO! Que dia cai o meteoro que vai acabar com essa forma de vida que não deu certo na Terra?

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17/04/20

16 dias, 16 estórias do Decameron

Hoje, li a estória da senhora Berítola Caracciolo, que depois de tantas desventuras, chegou até a viver com cabras em uma ilha. Por fim, a Fortuna lhe sorriu e ela recuperou toda a família e ainda ganhou duas noras.

Meu azedume não me permite alimentar grandes esperanças e desfechos miraculosos da Fortuna para mudar a realidade mundial.

Ou os 99% acabam com a merda do capitalismo ou ele acaba conosco e o planeta.

#PeloFimDoCapitalismo

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16/04/20

15 dias, 15 narrativas em Decameron, de Giovanni Boccaccio

Hoje li a estória de Andreuccio di Pietro. Ele foi enganado por uma jovem mulher que lhe roubou 500 florins, caiu num fosso de merda, depois foi enganado por dois ladrões de caixões e ficou preso com um defunto... por fim, a Fortuna lhe sorriu e ele ainda voltou pra casa com recursos maiores do que antes de sair.

Hoje estou meio azedo. Fui à feira pegar algumas frutas, comprar pastéis e garapa. Depois de quase meia hora numa fila gigante (novidades de tempos de Covid-19), o pastel acabou na minha vez de pedir (todos os sabores)...

Passei o dia fazendo um texto e, ao final, senti de novo aquela sensação de coisa pouco útil e proveitosa. Qual o sentido de fazer isso agora que não pertenço a mais nada?

Estou azedo. O 1% segue vencendo tudo e o povo segue se f...

A Fortuna está por aí, é fato! Cada um faça a sua leitura da sorte.

Eu sei que apesar da fila inútil do pastel, sou privilegiado pela Fortuna...

Mas tô azedo!

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15/05/20

14a novela do Decameron, lida nessa quarentena da nova Peste (Covid-19) que assola o mundo no século XXI.

A 2a jornada das 7 moças e 3 rapazes reunidos nos arredores de Florença, fugindo da Peste de 1350, tem como temática o efeito da Sorte ou Fortuna sobre os personagens das novelas contadas.

Na que li hoje, o mercador Landolfo Ruffollo, depois de ficar muito pobre, faz-se corsário. Como tal, fez fortuna novamente. Preso e emboscado pelos genoveses, perde tudo. O barco genovês onde ia preso naufraga. Ele é salvo por uma moça pobre que o recolhe da praia. Termina rico de novo por ter se salvado em cima de um baú de joias.

No Brasil da pandemia do bolsonarismo (talvez pior que a do Covid-19) a Fortuna continua a favor dos banqueiros e empresários, dos lesas-pátrias, da gente da casa-grande mais tosca do Planeta.

- Ó deuses! Ó deuses! Por que ao menos os povos não bolsonaristas não são salvos por vossas benevolências?

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14/04/20

13º dia de novelas do Decameron (faltam 87 histórias, 87 dias)

Li hoje a história narrada pela jovem Pampineia. Esta 2a jornada tem como temática das novelas o efeito da Sorte ou da Fortuna na vida dos personagens. Agora, conhecemos a história de três irmãos de uma tradicional família de Florença que herdam grande fortuna do pai, gastam tudo de forma desregrada e ao final da história são resgatados por um sobrinho de nome Alexandre, que por obra da Fortuna se casa com a filha do rei da Inglaterra.

Gostaria que a Fortuna se lembrasse um pouco do povo brasileiro... mas talvez os deuses estejam só assistindo de camarote toda a desgraça que assola nosso país. Vai ver eles se encheram de ver pobre de direita, o povo preto que é racista, os funcionários públicos que são contra o Estado, os religiosos que pregam ódio e morte e arminha ao invés de amor e solidariedade etc... Essa terra é uma verdadeira jabuticaba planetária... até a Fortuna deve ter nos esquecido...

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13/04/20

Decameron, 12a novela, 12° dia

O mundo enfrenta duas novas pestes, a pandemia do vírus Covid-19 e a pandemia da ignorância que derrete cérebros humanos nos países atacados. No Brasil a peste é conhecida como Bolsonarismo.

Hoje li a história do mercador Rinaldo d'Asti, devoto de São Juliano, invocado na região (de Bolonha) como protetor dos viajantes.

A história tem final feliz, os maus são enforcados e o bem prevalece.

E no Brasil? Os maus serão desmascarados? Encontrarão punições?

Eu não morro de jeito nenhum! Quero ver cair esses desgraçados do mal!

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12/04/20

11a novela, 11° dia do Decameron

Ufa! O dia quase acabou sem eu cumprir minha meta de ler as 100 novelas do Decameron em 100 dias.

Acabei de ler a 1a novela da 2a jornada, agora sobre a liderança da jovem Filomena.

As coincidências entre ficção e vida real: na novela, "Martellino, fingindo-se aleijado, age como pessoa que se cura pela graça de Santo Arrigo" e quase morre enforcado por descobrirem sua farsa, No Brasil...

No país jabuticaba, o picareta na presidência (fraude) insinuou que a facada (?!*$&) e sua recuperação foram como uma ressurreição... (quando a farsa vai ter fim?)

Difícil, viu!

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10/04/20

9º dia, 9ª novela do Decameron (no 10º dia fiz postagem no blog)

Nesta sexta-feira santa de 10 de abril, coincidiu da história narrada pela jovem Elisa ser referente a uma nobre dama da Gasconha que foi até o Santo Sepulcro, na Terra Santa, prestar seus agradecimentos e na volta, ao passar pela Ilha de Chipre, sofreu ofensas de homens maus. Mesmo sabendo que o rei local faria pouco caso das reclamações dela buscando justiça foi até ele e deu-lhe uma lição de moral que o cara mudou seu comportamento a partir de então, punindo os agressores e não permitindo mais abusos e injustiças em seu reino.

Enquanto isso, aqui na vida real, nosso rei nu aproveitou sua posição ímpar para fazer tudo ao contrário do que se recomenda no planeta Terra, que enfrenta uma pandemia mortal causada por um vírus, o Covid-19, que se transmite através do contato e de secreções. Autoridades sanitárias e de saúde recomendam isolamento social e quarentena. O imbecil, que deveria ser o exemplo por ser o rei nu da nação brasilis, mais uma vez saiu pelas ruas de Brasília abraçando miseráveis apoiadores miseráveis, esfregando as mãos no nariz e boca e se esfregando com loucos apoiadores loucos...

Boccaccio, me ajuda! O que fazemos com essa peste do século XXI?

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09/04/20

8° dia, 8a novela

O tema avareza continua em pauta, mas agora Guilherme Borsiere enfrenta a avareza do senhor Ermino dos Grimaldi através da CORTESIA.
Enquanto isso, parte dos brasileiros aderiram ao bolsonarismo, uma doença mental e comportamental nada cortês com as pessoas não infectadas por tal vírus.

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08/04/20

7° dia, 7a novela do Decameron.

A história narrada nos fala da AVAREZA dos homens. O jovem Filóstrato conta a lição de moral que o senhor Bergamino deu no avaro senhor Cane della Scala, através da novela de Primasso e do Abade de Cligni.

Avareza! Que tema propício em tempos de falência total do modo de produção capitalista e concentração de toda a riqueza humana nas mãos de uns abastados desumanos.

Passados séculos de desigualdades, é hora de reinventarmos o mundo... como tá não dá mais!!! (Não é mesmo, Boccaccio?)

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07/04/20

6ª novela, 6º dia

A jovem Emília nos conta a história de um "santo" inquisidor, devoto de São João Barba de Ouro, uma ironia de Boccaccio para indicar que o servo de Deus em questão era um picareta que só queria extorquir as pessoas a partir da fé e inocência delas.

Nossa! Será que essa história nos faz lembrar de alguma coisa do cenário atual?

Pois é... Idade Média (ou dos medianos, ou dos medíocres... Idade das Trevas... a que estamos vivendo agora).

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06/04/20

Decameron (Boccaccio) - 5º dia, 5ª novela

Hoje li a quinta estória da primeira jornada do Decameron, contada pela jovem Fiammeta. Ela nos conta da artimanha da marquesa de Monferrato para não permitir nenhum abuso do rei da França, querendo se aproveitar dela enquanto seu marido, o marquês, estava em viagem.

Sinceramente, ao ver o cenário real da pandemia de cá (a do bolsonarismo, não a do vírus Covid-19), e a pandemia de lá, da ficção de Boccaccio, inspirada pela pandemia real da peste do século XIV, é tão estarrecedor o comportamento das pessoas que vejo ao meu redor, que pareço viver num mundo mais ficcional que a própria ficção.

O bolsonarismo supera qualquer ficção inventada pelos grandes clássicos... como foi que aconteceu dos apoiadores e seguidores desses caras perderem qualquer senso de racionalidade que os faziam humanos até dias atrás? Eles se parecem muito com aqueles corpos de zumbis dos filmes e seriados... é inacreditável!

Bolsonaro, se não for imortal, ainda pode ter o final de vida que teve o senhor Ciappelletto, ou melhor, São Ciappelletto, intercessor de todos nós junto a Deus!

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05/04/20

4º dia, 4ª novela... (1353 é agora, domingo de "jejum" do Bolsonaro e alguns "pastores" enganadores do povo)

Ao ler a história de hoje, que envolve um abade e um monge safados abusando de uma jovem moça do campo, lembrei-me de um professor da USP que nos dizia que ler os clássicos é melhor e mais atual que ler as notícias de nosso cotidiano. É verdade!

Se os canalhas manipuladores de gente, abusando da miséria, inocência e ignorância das pessoas, estão fazendo neste domingo o que o clássico de Boccaccio já abordava em seus contos e novelas 670 anos atrás como crítica social em forma de arte, é sinal que alguma coisa precisa mudar...

Não estamos melhores enquanto sociedade humana séculos depois da idade média...

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04/04/20

100 novelas em 100 dias...

"Faltam 97 novelas ou histórias. Serão 97 dias. Não tenho pressa, estou em quarentena mesmo. Vamos ver se chegamos ao fim das dez jornadas com as dez narrativas em cada uma delas, o que equivale às 100 histórias, que no meu caso serão narradas (lidas) em 100 dias..."

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Bibliografia:

BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. Imortais da Literatura Universal, Nova Cultural, São Paulo, 1996.

Informações sobre a pandemia do Covid-19 do site da Johns Hopkins University.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

À la Benjamin Button... (18)




Refeição Cultural

Olhar para trás...


Estamos no início de fevereiro de 2022. Mais uma vez, me deu vontade de olhar para trás e relembrar acontecimentos e reflexões feitas nos últimos dois anos, anos das pandemias de Covid-19 e de bolsonarismo no Brasil.

No filme sobre Benjamin Button, o personagem nasce com todas as consequências físicas de uma longa vida, está quase à morte com o corpo todo envelhecido. Mas sobrevive e rejuvenesce a cada dia e assim vai remoçando diáriamente, ao longo de décadas, até voltar a ser um bebê.

Uma parte do filme que me tocou bastante foi a do velho relojoeiro que fez o relógio da estação de trem com o mecanismo invertido, com os ponteiros andando para trás, o tempo voltando. Com isso, ele desejava ver seu jovem filho voltando à vida, voltando no tempo e não indo para a guerra. É uma bela imagem! O tempo voltando e nossas ações voltando atrás, evitando-se talvez as merdas que fizemos. Talvez.

Revi postagens que fiz na rede social nesses dois anos e apartei algumas aqui para guardá-las. Como tenho encadernado meus textos do blog, eu ou alguém próximo pode ser que leia algum dia esses registros de um tempo pessoal e coletivo e tome contato com um outro momento do Brasil em relação ao presente que esteja vivendo.

Tem registros sobre a destruição do Brasil sob o regime bolsonarista. Tem registros sobre a autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil. Tem registros de lamentos meus em relação à vida após a saída do palco das lutas onde tive papel importante como dirigente eleito pelos trabalhadores. 

Tem registros de críticas minhas ao movimento de esquerda pela inação em relação ao regime da extrema direita. Críticas exageradas, talvez. Avalio hoje que não tenho moral para criticar nada, nem criticar alguém. Não tenho. O melhor é calar. Não consigo lidar sequer com problemas pessoais e de família, que moral tenho para falar do mundo lá fora?

Será que algo seria diferente se o relógio da estação estivesse voltando no tempo? Será que as pessoas que amo estariam em outra condição que não a da autodestruição pelo alcoolismo? Será que eu mesmo teria tomado atitudes em relação aos problemas pessoais que não resolvo há anos e seria menos procrastinador?

O tempo não volta. Não tem como sabermos.

E neste momento, o único que existe? Estou ou estamos resolvendo os problemas que identificamos? 

William

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21/10/21

"A ESQUERDA DE SEMPRE

Breno Altman postou no dia 21 de outubro de 2021 um comentário a respeito da derrota da PEC 5, que alteraria o conselho do MP. Ele disse:

'LAMENTÁVEL
Um viva ao comportamento das bancadas do PT e do PCdoB, que votaram quase integralmente na PEC 5, que reformularia o Conselho Nacional do MP e foi rejeitada por falta de 11 votos. Exatamente oito votos do PSOL (a deputada Samia Bonfim está de licença), que voltou a se dobrar ao populismo lavajatista, mais uma abstenção do PT e duas do PCdoB.'

E Breno explicou seu lamento no comentário:

'DOENÇA MORTAL
Não existe ilusão mais liberal-burguesa do que a defesa da autonomia corporativa dos aparatos de justiça e repressão, como é o caso do MP. Ninguém os elege, ninguém os controla, e sua composição representa a elite senhorial. Quando esse vírus mortal será varrido da esquerda?'

Eu postei um comentário a respeito do fato, e registro aqui para guardar o que disse no dia e ainda penso o mesmo meses depois.

'A ESQUERDA BRASILEIRA se faz de instrumento da casa-grande. Não vislumbro a libertação do povo brasileiro da alienação. Estamos perdidos. É caçar um rumo na vida e deixar que a 'esquerda' mantenha o status quo pra sempre (enquanto o capitalismo inviabiliza a vida na terra).

Quando eu tinha uns onze ou doze anos, eu ia ao bairro Umuarama em Uberlândia, munido de um balde e uns apetrechos e batia a campainha daquelas casas enormes com jardins bonitos e quando o dono da residência atendia, o moleque perguntava se o bacana queria lavagem no carrão parado na garagem. Uns me diziam merdas por ter incomodado, outros aceitavam e deixavam o moleque lavar o carro ou com sorte os carros e ganhar um trocado.

Quando eu era ajudante de encanador, ajudante do seu Joaquim, ele riscava no cômodo da construção onde era pra quebrar com talhadeira, ponteiro e marreta as paredes e o concreto do piso para passar os canos. Uma vez, uma mulher (proprietária) entrou na obra e descobriu que algum peão usou o vaso sanitário de um dos banheiros da construção. Ela chamou o seu Joaquim aos berros, falou um monte e mandou arrancar aquele vaso por causa disso.

Eu odiei a burguesia, a elite, a casa-grande, os ricos e a injustiça que esses desgraçados causam ao mundo desde que me entendo por gente. Eu não entendia nada de política, nada. Eu só sabia qual era o meu lugar na sociedade humana em que vivia. Não fui um jovem militante de movimentos sociais como várias pessoas que conheço. Mas briguei contra injustiças em todas as escolas por onde passei desde o ensino fundamental. Depois entendi que isso era política.

Depois de trinta anos de idade foi que virei dirigente sindical e aprendi política de forma mais orgânica, por dentro das lutas políticas como agente que pertence a um movimento. Fiquei envolvido nessas lutas com mandatos eletivos por duas décadas. Me transformei radicalmente, meu ódio aos desgraçados do 1% e seus lacaios e capitães do mato passou a ser controlado porque na política se busca construir uma sociedade através da convivência e da disputa de maiorias através do voto.

Depois veio o golpe que minha geração vivenciou e ainda vive, o de 2016. No golpe anterior em 1964, eu nasci e vivi nele como criança e adolescente, com menos noção das coisas. Vendo tudo que vivi após me politizar, nos últimos 20 anos, e ver o contexto e a conjuntura em que nos encontramos no mundo, me faz ter noções razoáveis de por que as coisas se dão como nesse caso da esquerda brasileira que nada mais faz do que arrotar palavras de ordem e no fundo no fundo a maioria das pessoas "de esquerda" só querem ser aceitas pela casa-grande, como os agregados e jagunços e apadrinhados ao longo dos séculos na relação casa-grande e senzala.

Francamente, não vamos sair dessa! Me vem à cabeça diversas teses que li e ouvi ao longo de uns trinta e tantos anos de estudos e pesquisas como um curioso do mundo e da história (até no darwinismo penso ao ver o comportamento humano, tanto o do 1% quanto o dos 99%). Não quero ser determinista, não acredito nisso. Mas a tendência é que as coisas sigam como estão ("hoping for the best/but expecting the worst (Alphaville)". A esquerda parece não ter capacidade de reverter o quadro de dominação do 1%. Não tem. E isso significa que a vida humana e a biodiversidade na Terra também têm poucas chances de permanência e melhoria porque o 1% vai acabar com tudo, com todos e com eles próprios, porque é uma classe constituída por um monte de BOSTAS, UNS IGNORANTES, apesar de toda a dinheirama e poder que tem, esses burgueses são uns BOSTAS.

Mas se pensarmos no darwinismo vamos ver a quantidade de animais que ficam enquanto uns outros desaparecem... belos e "nobres" animais se foram e alguns outros estão por aí: gado, ratos etc.

Após o domínio das big techs a democracia como a conhecemos nos últimos séculos não existe mais, basta assistir a um dos diversos documentários que falam sobre o tema: exemplo - O dilema das redes, de 2020. Talvez por isso a esquerda seja tão perdida e seja um reles instrumento nas mãos da casa-grande. Esquerda, direita, centro, isentões, toda a gente é essa gente que está por aí, manipulada por máquinas e algoritmos, mesmo quando acham que não são passíveis de manipulação.

QUE MERDA! (mas não me deixo morrer, a vida é uma oportunidade a cada instante, a cada acordar. Eu sigo, na minha, mas sigo. Mas não ando querendo dizer e escrever mais nada...)

William'"

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29/7/21

"INSTANTES: NO QUE EU ESTOU PENSANDO?

(postagem da foto que abre este texto) No que eu estou pensando? Em tanta coisa. Sobre a Covid e sobre a hipocrisia dos políticos. Sobre bolsonaro e hitler e sobre apoiadores de animais como esses. Sobre hipocrisia. Sobre hipocrisia. Sobre hipocrisia. Sobre incêndios que ardem consumindo tudo no brazil. Cheguei a pegar o Fahrenheit 451 pra reler. O fogo consome tudo no brazil... Se bolsonaro e hitler tivessem 1 apoiador, 1 um hum, já seria um problema do mundo...

No que eu estou pensando? No meu compromisso com a companheira dirigente sindical que me convidou para falar um pouco sobre a Cassi. Então, vou ler algumas horas sobre a Cassi, praticamente no meu blog porque para falar de alguns temas da Cassi acumulei ali bastantes informações. Sobre CGPAR 23, sobre os planos de mercado que a direção atual acha que vão melhorar a "empresa", sobre algumas questões mais que eu achar que valha a pena comentar sobre a autogestão neste momento. Vou reler também algumas matérias sindicais que li nestes dias.

No que estou pensando? Nem dá pra falar. Mas acho que as coisas vão piorar muito para o povo brasileiro, os pobres que sabem que são pobres, os remediados que acham que não são pobres, os alienados que acham que não são alienados, os isentões que mentem que são isentões. A coisa vai piorar muito. A história está acontecendo agora, pessoas vão morrer, como sempre. Mas em algumas épocas as pessoas morriam fazendo parte de uma luta coletiva, de um objetivo conjunto, então havia pertencimento, éramos parte de uma causa. Hoje vamos morrer individualmente, sem pertencer a um projeto de mundo. Triste isso.

Vamos ler sobre a Cassi. Sobre isso eu sei alguma coisinha. Apesar que às vezes saber sobre isso traz muitos problemas pros sabedores. Vamos ler... tenho uma gratidão grande por tod@s que nos apoiaram durante nossas lutas de representação dos trabalhadores."

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24/2/21

"INSTANTES: SOU DAQUELES PRESCINDÍVEIS (RSRS)

O dia vai terminando. Tive momentos de reflexão sobre o destino da sociedade humana. Sei que é ousado pensar sobre algo tão importante e total como o destino da humanidade. Mas entendo que pensar o mundo é direito e obrigação de alguém politizado (mesmo estando fora das frentes de luta). Confesso que não sei o que fazer para contribuir para a luta social por mudanças que melhorem a vida das pessoas neste momento. Estive envolvido em projetos coletivos por duas décadas e sei que contribuí de alguma forma para a construção daquele Brasil que avançava lentamente na melhoria da vida do povo durante os governos democráticos e populares do Partido dos Trabalhadores, porque eu era um militante orgânico das lutas sociais com mandatos de representação de trabalhadores.

Hoje, retirado, ainda não encontrei a forma de contribuir para a coletividade. Minha contribuição foi uma oportunidade que tive entre 2002 e 2018. Não me vejo pleiteando funções políticas no movimento social e não tenho a natureza admirável daqueles e daquelas que construíram e lideraram as lutas históricas e diárias da classe trabalhadora brasileira. Fiz o meu melhor enquanto tive papéis a desempenhar no movimento sindical enquanto eu coube nele.

Avalio que meu espaço de contribuição foi possível enquanto o movimento social em geral era mais aberto às divergências. Isso mudou da mesma forma que as pessoas mudaram, da mesma forma que o mundo mudou. As redes sociais e outras questões comportamentais mudaram as pessoas. A política que fazíamos de construir projetos e unidade com debates abertos e de opiniões diferentes não funciona mais, paciência e tolerância eram comportamentos básicos, que não existem mais. Vida que segue... não deixei de ser de esquerda, pelo contrário, a cada dia que passa mais certeza tenho a respeito do socialismo e da necessidade do fim do capitalismo para que a vida continue no planeta.

Continuo preocupado com a vida das pessoas, com o sentimento de indignação com a injustiça social. Mas sei que na esquerda institucional não tem mais espaço para a divergência como aprendi em duas décadas de convivência com o movimento organizado. E sei que todos perdemos com isso. Vejam a realidade ao nosso redor.

Não me encontrei ainda nesses dois anos e meio fora do movimento organizado. Suspeito inclusive que o movimento organizado não se encontrou mais após o golpe de Estado (2016) e após essas mudanças comportamentais que as pessoas e a sociedade sofreram. É duro confessar que estamos perdidos... é mais duro ainda vermos as notícias diárias nos últimos anos e vermos que não existe oposição que inspire simpatia e esperança no combate ao regime neofascista e à onda de extrema direita que tomou conta da sociedade brasileira neste momento da história.

Instantes... fiquei pensando o que poderia ser neste momento de minha vida e da sociedade em que vivemos. Se eu tivesse competência, seria escritor. Não acho que tenha competência para isso. Talvez eu pudesse ser só "blogueiro", mas isso é algo tão vago... sou blogueiro há uns 13 anos, mas tive leitores consideráveis enquanto meu lugar de fala foi de representante formal dos trabalhadores.

Hoje, meus blogs têm um acesso mensal até considerável para espaços de produção de texto, porque vídeos e imagens é que chamam atenção. Enfim, sigo procurando algo que possa contribuir para mudar o mundo. Pelo meu conhecimento de mundo e de luta contra o capitalismo, sei que manter informações em redes sociais como o Facebook é muito complicado porque somos commodities do capitalismo e isso me incomoda muito: ser banco de dados para ser usado pelo sistema é foda. Gostaria de apagar todas as minhas informações em redes sociais, mas isso é difícil de fazer. Já os blogs são sites, são um pouco diferentes de redes sociais.

Enfim, ainda estou procurando uma forma de contribuir com o movimento de esquerda, de mudanças do mundo horrível que vemos ao nosso redor. Escrevo em blog, mas pouca gente lê blogs hoje.

Abraços aos amig@s que leram minha reflexão desse instante.

William"

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03/01/21

"COMPANHEIRO WANDERLEY CRIVELLARI, PRESENTE!

Até quando vamos receber notícias de perdas de vidas por causa dessa desgraça de vírus? É muita tristeza! E saber que o vírus é estratégico para o regime da morte instalado no governo do país após o golpe de Estado, por isso não temos vacina, não temos plano de enfrentamento à pandemia, por isso temos as palhaçadas diárias do genocida no poder... 

Cada ser humano que apoia esse genocida no governo, direta ou indiretamente, tem sua parcela de culpa nessas mortes por Covid-19, cada apoiador... Que merda tudo isso! Que merda!

Perdemos nesta manhã um grande ser humano, uma figura memorável e que nos ensinou muito no movimento sindical bancário.

Companheiro Wanderley Crivellari, presente!"

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06/09/20



"COMPANHEIRA MARIA DA GLORIA ABDO, PRESENTE!

Hoje, nossa querida companheira Glorinha nos deixou, nossa guerreira e inspiração de lutas em defesa dos trabalhadores, dos aposentados e de todas as pessoas humildes e simples. Estou muito triste, muito mesmo. Amor e admiração eram alguns dos sentimentos que poderiam expressar nossa gratidão a essa mulher guerreira. Glorinha é daquelas pessoas imprescindíveis, pela presença, pelas atitudes, pelos exemplos, pelo humor e pelo valor que ela nos ensinava sobre a vida. Estou triste, mas estou grato a ela, a sua família que a dividiu conosco e grato por ela nos mostrar que um guerreiro tem que lutar sempre! Presente, companheira Glorinha!"

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29/05/20

"DICIONÁRIO DA ESCURIDÃO, POR BOB FERNANDES

15 anos, 15 anos resumidos em palavras e frases selecionadas pelo excelente jornalista Bob Fernandes. 15 anos nos quais lutamos a favor do povo, dos trabalhadores, das empresas e patrimônio público, da democracia, da justiça social, da solidariedade e direitos em saúde, da conscientização de classe, lutamos pelo crescimento econômico com distribuição de renda, 15 anos fortalecendo a inclusão social e a igualdade de oportunidades.

15 anos nos quais vi todos os movimentos da direita, da extrema direita, dos bilionários e da casa-grande, 15 anos resumidos por Bob Fernandes. Em cada palavra e frase que o jornalista pronunciou eu fui vendo o passado... 2005... 2006... 2016... 2018... 2020...

Ver o vídeo aqui."

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15/04/20 (ainda)

"CENSURA, INVISIBILIDADE, CALAÇÃO DE BOCA DOS DISSONANTES

Os algoritmos dos donos dos provedores mundiais de redes sociais vieram pra ficar. Nós reles mortais não temos ideia do que vem por aí... as contas e perfis em qualquer rede social não são nossos, são deles, dos provedores. A cada instante, perfis são invisibilizados e seus contatos não veem o que o perfil publica, perfis são bloqueados, e com o avanço das crises e dos controles sobre as populações ficaremos cada dia mais isolados.

Eu tenho quase 1500 contatos e quase ninguém vê o que publico, o que penso, o que compartilho (se muito, dezenas). Em parte porque não pago nada ao provedor para que me vejam. Mas o que vem por aí será impensável para os milhões de usuários das mídias sociais desses donos do mundo, o 1%.

Caso vocês queiram ver o que publico, marquem o meu perfil como "ver primeiro" ao invés de "padrão" quando você entrar em meu perfil do Facebook.

Abraços aos amig@s e contatos"

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15/04/20

"INSTANTES: A CRISE DO CAPITALISMO ACHOU UM ÁLIBI PARA EXPLORAR MAIS E AUMENTAR AS TAXAS DE LUCRO DOS CAPITALISTAS: A PANDEMIA DE COVID-19

Nem sei o que dizer ao me atualizar diariamente em relação às desgraças que se fazem contra a nossa classe trabalhadora: MP 905 que destrói direitos históricos de bancários e trabalhadores em geral; pandemia do Covid-19 servindo de pretexto para encobrir as merdas da quebra mundial da economia capitalista; o 1% ferrando mais ainda os 99% e as mídias corporativas manipulando todos nós como otários; alguns humanos (mortais) articulando o fim das liberdades civis e impondo o controle absoluto sobre cada ser humano no planeta...

Porra, não pensei que estaria vivo para ver tudo isso sendo montado e ninguém fazendo nada para impedir... onde está a esquerda? Ou melhor, onde está a inteligência daqueles que se denominam de esquerda? Onde está o movimento organizado da classe trabalhadora, onde estão as organizações dos 99% explorados?

Preferiria um meteoro se chocando com a Terra e acabando com tudo de uma vez do que ver a vitória do 1% sem reação alguma! (e os caras destruindo a vida no planeta do mesmo jeito...)

Estamos sem reação... até que dia valerá a pena simplesmente viver ou sobreviver (fiquei pensando no filme A estrada (The road), de 2009. Valerá a pena viver nisso que está vindo por aí?)

William"

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09/04/20

"DATAFOLHA: 83% NÃO SE ARREPENDERAM DE VOTAR EM BOLSONARO!

Cara, francamente, depois de toda a desgraça que este sujeito já fez (e seu clã e os dementes de seu desgoverno), se for fidedigna esta pesquisa, quer dizer que 48 milhões de humanos (?) no Brasil seguem apoiando esse apocalipse no país...

Eu ia ofender essas pessoas... mas não vou não! Tomara que tod@s soframos até a destruição total do mundo que vivíamos! E que boa parte de nós (eles e nós) nos encontremos nos mesmos escombros do que era nossa urbi...

Vamos todos pro inferno!"

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01/04/20

"APELO AOS 57.797.847 ELEITORES DO CLÃ BOLSONARO E DESSA GENTE COMO ELES ELEITA NO PROCESSO ELEITORAL DE 2018

- Primo, tio, prima, vizinhos e colegas do BB, você que me conhece e que votou nesses bolsonaros, por favor, eu faço um apelo a vocês.

- Intercedam pela vida de seus entes queridos!

O vírus da pandemia mundial não tem ideologia. Mais que isso: um país em guerra civil não tem leis, não tem segurança. Pode acontecer de os desesperados nas ruas caçarem vocês dentro de suas casas...

#PagueLogoBolsonaro
#FiquemEmCasa

Peço a vocês que contatem seus eleitos e cobrem que eles parem de apostar no caos, na fome, na convulsão social, PAREM de compartilhar fake news do bolsonarismo!

Bolsonaro não é doente, ele comete crimes cotidianamente previstos na lei!

Cobrem que o governo bolsonaro pague logo os recursos para a população sem renda, porque o presidente de vocês quer apostar na convulsão social, na fome e desespero de milhões de pessoas.

Repito, não há segurança durante uma guerra civil, durante uma convulsão social, vocês podem sofrer inclusive estando dentro de suas casas.

Pensem em vocês mesmos (não vou pedir que pensem nos outros, seria muito isso). Os eleitos por vocês querem o caos e vocês e nós, os comuns, seremos as vítimas da crise civilizatória nas cidades e no país.

Algum dia vocês já se imaginaram morando no Afeganistão, no Iraque ou outro país destruído pelos amigos do Norte do clã bolsonaro?

Intercedam junto aos seus eleitos em 2018 para que paguem os recursos aprovados pelo Congresso e que parem de apostar no caos e nas mentiras só para se manterem no poder.

William"

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30/03/20 (ainda)

"TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM NA CASSI...

A Previ suspendeu o processo eleitoral em face do atual cenário nacional e internacional de pandemia de Covid-19. O Economus idem. Agora a Anabb informa a suspensão do processo eleitoral pelo mesmo motivo. (informações em seus sites)

ENQUANTO ISSO... A Cassi recebeu diversos apelos (entidades representativas e até uma das chapas concorrentes) para que suspendesse o processo pelo mesmo motivo que as outras entidades suspenderam as eleições. Porém, o processo foi mantido com um baixo índice de participação política porque os bancários estão desesperados tendo que se arriscarem a ir para os locais de trabalho e talvez contraírem o novo coronavírus (ou seja, pouco debateram as eleições). E os aposentados estão em quarentena em suas casas, muitos deles isolados e com outras preocupações como serem grupo de risco da pandemia.

É triste! Até se parece um pouco com o que ocorre no âmbito da política nacional, onde um cidadão na presidência vai na contramão de todo o planeta Terra em relação às medidas para lidar com a pandemia do coronavírus.

A Cassi é o nosso maior patrimônio, não tenho dúvidas. É sempre impressionante ver a capacidade com que ela segue adiante em detrimento de algumas decisões de suas administrações.

A Cassi segue acolhendo usuários e sendo eficiente em seu modelo assistencial de ESF/APS tendo um sistema com umas 150 equipes de família e cerca de 180 mil pessoas cuidadas com menor custo assistencial em relação aos modelos do mercado que não se baseiam em Atenção Primária e Medicina de Família e Comunidade.

Obrigado e parabéns aos profissionais de carreira do quadro da Cassi! Vocês são muito importantes para todos nós da comunidade de assistidos da autogestão dos funcionários do BB.

William"

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30/03/20

"PANDEMIAS NO BRASIL

O Brasil enfrenta duas pandemias letais: o Covid-19 e o bolsonarismo. As duas doenças se combatem com solidariedade: amor ao próximo e distribuição da riqueza produzida pelos humanos a todos os humanos.

A pandemia bolsonarista é mais grave que a pandemia de Covid-19. Ela ataca o cérebro humano e os olhos; suas vítimas respiram, mas são cegas e irracionais.

Espero que vençamos as duas pandemias!

#ForaBolsonaros
#FiqueEmCasa
#ImpostoSobreFortunas"

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26/03/20

"INSTANTES: UM SOLO DE GUITARRA

Se o pulmão falhasse, se esse vírus me pegasse, não seria ruim me despedir ouvindo os solos de guitarra de Jeff Beck nessa bela música de Rod Stewart, "People Get Ready". Mas como diz o poeta Drummond, chegou um tempo em que não adianta morrer, e a vida é uma ordem, a vida sem mistificação. É tempo de viver para ver cair os inimigos do povo, esses insanos no poder e os bilionários que não se importam com as vidas das pessoas, que só pensam em seus lucros. Solo de guitarra, arrepios e vida, vida, viver!"

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22/03/20

"FAKE NEWS DA PRESIDÊNCIA

É DE ADOECER... Ao ver uma foto dos 4 bolsonaros hoje gravando aquela fake news de cura do Covid-19, eu fiquei me perguntando como o Brasil fez isso? Aquilo era a representação da Presidência, do Senado e da Câmara... gente... boa noite."

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21/03/20

"INSTANTES: APELO

Enquanto o povo italiano chora a morte de 627 cidadãos na sexta-feira, o mentecapto na "presidência" (fraude!) do Brasil diz que o coronavírus é uma "gripezinha"... PEÇO AJUDA aos 57.797.847 brasileir@s responsáveis por esse hospício que tirem esse demente de onde o colocaram! Por favor, salvem as vidas dos brasileiros! Estou falando de salvar seus pais, avós, filhos, amigos, conhecidos. TIREM ESSA COISA DE LÁ!"

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15/03/20

"PENA E VERGONHA!

É o que sinto ao ver esses celerados bolsonaristas dando bananas para a pandemia do coronavírus e para as leis e para as questões mais básicas da civilidade humana. Ao ver hoje o sujeito que dizem ser "presidente" (fraude!) incentivando atos contra a democracia e talvez até passando vírus para a multidão (seis de sua comitiva pegaram o vírus), eu tento exercer a empatia, me colocar no lugar das pessoas que conheço e entender por que elas apoiam essa barbárie demente. Ao fazer isso, eu consegui não sentir raiva delas.

Senti PENA e muita VERGONHA!"

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08/03/20

"DITADURA E FECHAMENTO DO REGIME

Eu fico p. com o autoengano (ou hipocrisia mesmo) desse povo da "esquerda" e "democrata" e que diz não ser "apoiador" do governo que fica pedindo posição da grande imprensa e seus jornalistas e alguns tolinh@s que dizem que algum veículo de comunicação estaria contra o novo regime (tipo o lixo do grupo Globo, por fazer umas cosquinhas no governo).

Todo avanço ilegal do novo regime gera 2 dias de "oh, absurdo!" e depois a vida segue (o golpe segue). Gente, leiam como Hitler avançou nos anos 1930.

Lula diz que Bolsonaro não comete crime. FHC idem. STF idem. Os presidentes do Congresso (ridículos) e blá blá blá.

Na semana das manifestações nazifascistas de 15 de março, chamadas pelo novo regime, teremos na Globo e Record gente do governo ou o governo nos principais programas de domingo 8 de março (que dia pro bolsonarismo brilhar na TV!) e em horário nobre...

Tá tudo normal, segue o avanço do Brasil rumo a colombianização...

(Tamo f...)"

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02/03/20

Comentário meu sobre matéria do canal Brasil247 na qual Lula disse: "Não podemos derrubar um presidente porque não gostamos dele". Isso depois do inominável praticar crimes diários desde o início do mandato.

"PACIÊNCIA TEM LIMITE...

"A não ser que ele (Bolsonaro) cometa um ato de insanidade, cometa um crime de responsabilidade, a gente então possa fazer o impeachment dele, mas se não fizer isso, nós não podemos achar que nós podemos derrubar um presidente porque não gostamos dele. Não podemos", defendeu.

COMENTÁRIO MEU: Lula, o sujeito já cometeu uns 400 crimes de responsabilidade em 400 dias de mandato! Porra, tá de brincadeira?

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Post Scriptum (15 minutos depois, após ler a matéria com partes da entrevista de Lula):

Francamente, Lula é muito importante aos olhos do mundo pra passar a mão na cabeça desse sujeito que está na presidência do Brasil. E isso após dezenas de crimes de responsabilidade. Nem se Lula estivesse focado em ser santo, não deveria fazer isso.

TÔ DE SACO CHEIO dessa merda de alguns petistas ficarem de nhé nhé nhé ao verem a destruição de tudo, e com base em crimes, e ficarem dando mole com discursinho de paz e amor aos inimigos do povo.

Se fosse possível, ligava o foda-se no coração e não ligava mais pra destruição diária de tudo, já que nossas lideranças ficam com calminha enquanto tudo acaba.

Merda do c..."

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01/03/20

"PREZADO COLEGA ARNALDO JORDÃO, PRESENTE!

Nosso querido colega da comunidade BB, Arnaldo Jordão, nos deixou neste fim de semana. Grande figura e de fácil convivência. Estivemos juntos em diversos espaços e por muito tempo - Sindicato, Complexo São João do BB, AABB SP, AFABB SP - Cantava e tocava Beatles. Meus sinceros sentimentos à família e amig@s. Arnaldo Jordão, presente!"

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29/02/20

"INSTANTES: ESCOLHA PELO CAOS

Os brasileiros escolheram um mundo bárbaro, sem leis, selvagem. Nada funciona no cotidiano e as pessoas estão por suas contas e riscos. Povo miserável, que optou por um país miserável."

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23/02/20

"'NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM'? A VERDADE É QUE ESTAMOS SÓS E VULNERÁVEIS!

A verdade é que estamos sós, estamos indefesos, estamos vulneráveis, não usamos armas e o cenário político sinaliza que o golpe de 2016 permitiu a destruição do Brasil para sempre (nada será como antes). E estamos sob controle de forças externas também.

O crime organizado chegou ao poder e é detentor da repressão estatal. A violência vai explodir, o país não vai se recuperar e todos vão sofrer mais do que já sofrem. Haverá muita morte e violência, principalmente contra nós, povão, mas também contra desafetos da casta no poder (ninguém vai te defender do 'guarda da esquina'). Não haverá justiça. Nem saída institucional.

Esta terra caminha para ser uma ditadura totalitária de direita, com paramilitares, milícias, cartéis, forças repressivas e bandidagem tudo junto e misturado e dentro do Estado, respondendo ao mando de algumas famílias e sujeitos e suas corporações (uma espécie de colombianização).

Repito: estamos sós e não temos defesa contra a violência que virá. O caos será o cotidiano. Não vejo chances de reação e resistência dos movimentos progressistas e democráticos porque o ódio e a intolerância nos tomaram a todos. Sem chances de unidade entre nós do 'campo popular'.

É bom pensarmos formas de sobrevivermos a tudo o que virá (vai ser foda, porque não adianta por camisa de super-herói e nem achar que somos rambos ou Mad Max).

Poucos jornalistas e articulistas têm isso claro, mas destaco Nassif como um exemplo de profissional que faz boas leituras de cenário. Ele vem alertando diariamente que o Brasil caminha num caminho sem volta.

Ninguém solta a mão de ninguém? Já faz um tempo que vejo no mundo político em que atuei por duas décadas, que basta alguém não concordar com a cor da roupa que o outro usa, basta não dizer amém para uma proposta qualquer, que as rupturas avançam onde deveria haver 'unidade'.

Estamos sós... essa é a verdade! E o que vem por aí pode ser um horror. Venceu a vaidade, venceu o ódio, venceu o egocentrismo. Venceu a ignorância (a do não saber e a da explosão à toa). Perdemos os humanos, perdemos!

É foda! A gente escreve nessas merdas de redes sociais e internet e só se fragiliza com isso, alimenta os inimigos, as máquinas e robôs que manipulam nossas informações para ampliar o caos contra nós mesmos.

Que merda! Estamos sós, por isso que facilitamos a vida dos inimigos do povo publicizando nossas fragilidades nas ferramentas deles - nossos perfis são concessões das empresas planetárias que dominaram o mundo. Além de usarem nossos dados, ainda nos invisibilizam a hora que quiserem.

Estamos sós como sempre estivemos. Desde criança e adolescente estávamos sós, mas não confessávamos isso em público como hoje, quando escrevemos isso em máquinas que catalogam a informação de estarmos sós e à mercê dos inimigos do povo, os donos das ferramentas e dos meios de produção e exploração. Aliás, sabem o metro quadrado em que estamos no planeta.

Chega de confissão para estas máquinas! Estamos sós, mas estamos vivos e não concordamos com o rumo das coisas no mundo.

William"

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18/02/20

"NÃO HÁ SAÍDA INSTITUCIONAL...

Opinião de cidadão: não há saída institucional para resistir ao que está em processo no Brasil. Não há!"

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07/02/20

"MEU APOIO E SOLIDARIEDADE AOS COMPANHEIR@S E BANCÁRI@S DO BB

Nessa quinta-feira 06, os trabalhadores do BB realizaram um dia Nacional de Lutas e protestos contra as barbaridades perpetradas pela direção do banco nesse contexto do novo regime político do país, regime de ultradireita e destruição total dos direitos do povo brasileiro.

Deixo minha solidariedade e apoio às lutas tão necessárias para resistirmos e revertermos toda essa desgraça que se abateu sobre nós. 

AVANTE!"

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05/02/20

"INSTANTES... (CARPE DIEM, APRENDA ALGO NOVO, REFLITA SOBRE ALGO QUE PASSOU, PENSE O QUE PODE SER DIFERENTE AMANHÃ)

1h da madrugada de quarta.

Aprendi mais umas coisinhas da língua japonesa (após aprender o Hiragana, agora estou aprendendo frases afirmativas, interrogativas e partículas); revi um pouco da língua inglesa (li um artigo da CNN que postei no perfil da rede social); li alguns relatos/contos em língua espanhola de um excelente livro de Margo Glantz; conversei com estranhos brasileiros durante toda a semana que passou, inclusive hoje, tentando entender porque perdemos os seres humanos (Nossa, vejo nas pessoas o que Mino Carta e Jessé Souza nos explicam... chocante!).

Estou muito decepcionado com o rumo do movimento de luta da classe trabalhadora no qual militei por mais de duas décadas. Mas as coisas são como são...

Enfim, estou vivo. A idade vai chegando todos os dias, e com ela a experiência. Tenho que ativar meu cérebro, minha inteligência, meus sistemas que fazem o corpo estar vivo. Não fazer nada errado e contra as pessoas. Ajudar ao próximo ou pelo menos não atrapalhar as pessoas.
Seguimos... O amanhã não pode ser de mesmice. Temos que esperançar e não ficar sem esperança. O amanhã é o imponderável, sempre..."

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07/01/20

Comentário sobre matéria a respeito da coalizão de esquerda vencedora das eleições na Espanha.

"ESQUERDA 167 X 165 DIREITA, PSOE ELEGE 1° MINISTRO NA ESPANHA

No Brasil, as oportunidades da solidariedade e dos direitos dos trabalhadores seriam outras se as forças ditas de esquerda e progressistas tivessem a sabedoria de se unirem por algo maior: um projeto coletivo. Eu não vi isso nas eleições da Cassi em 2018 e o resultado foi a vitória da direita e do patrão."

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

010222 - Diário e reflexões



Refeição Cultural


Ayrton Senna

Dentre as infinidades de coisas acumuladas ao longo de uma vida, peguei 4 revistas sobre a morte de Ayrton Senna. O corredor brasileiro morreu no dia 1º de maio de 1994. Jogar fora ou guardar as revistas e seguir sendo um acumulador?

Eu morava na Avenida Flora, em Osasco, quando Senna morreu. A lembrança daquele dia é bem nítida em minha memória. Trabalhava no Banco do Brasil fazia pouco tempo. Estava terminando a faculdade de Ciências Contábeis.

Exatamente naquele domingo, 1º de maio, era o primeiro dia de uma convivência em comum com minha namorada. No dia anterior, havíamos feito as mudanças e começávamos naquele dia uma nova etapa de nossas vidas.

Me levantei e liguei a televisão. Senna bateu no muro de concreto a 300 Km/h e morreu na hora. Em nenhum momento acreditei naquela patifaria de fingirem que ele não estava morto. Morreu Ayrton Senna. Dei a notícia para a Ione, que ficou arrasada.

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Li as 4 revistas. Elas foram publicadas pouco depois do acidente e morte de Senna. Três delas têm mais imagens que textos. A Veja tem mais texto, deu trabalho ler a revista inteira. Vi nas revistas várias personalidades da época. Hebe, Fleury, Maluf, FHC, Itamar, Xuxa etc. 

A loira, recentemente disse que os presos brasileiros deveriam ser cobaias humanas para servirem pra alguma coisa (Mengele, lá do inferno, sentiu inveja dela). O governador da época foi o do massacre do Carandiru. O ex-prefeito paulista é o condenado por roubar o erário público. FHC nem preciso falar nada. Só no BB onde eu trabalhava, tivemos dezenas de suicídios por causa do sociólogo presidente e seu desmonte das empresas públicas.

Enquanto lia as matérias fui me lembrando do homem Ayrton. Religioso que via divindades nas curvas das pistas de corrida (tipo Jesus na goiabeira). A revista Veja conta isso na página 58. Senna é "competitivo" a ponto de não medir ações para ganhar uma prova ou um campeonato, valendo até bater no carro do principal concorrente ao título. Era o cara que afirmava que o importante era ganhar e não competir.

Suponhamos que Senna estivesse vivo... Fiquei perguntando a mim mesmo qual seria a posição do cidadão Ayrton em relação ao regime de extrema direita que tomou o Brasil de assalto após o golpe de 2016... Talvez nem fosse bolsonarista, talvez fosse só mais um desses anticomunistas ou antipetistas toscos que vemos por aí nas classes abastadas. Basta lembrar de umas figuras como Roberto Carlos, Neymar, Pelé, Regina Duarte, um monte de sertanejos etc... já consigo imaginar. 

Pesquisei na internet a posição da irmã dele. As primeiras imagens dela que vieram foram com o inominável presidente genocida e miliciano, antes e depois de eleito em 2018. Depois vi matérias informando que o juiz suspeito ("juge") está em contato com a irmã do Senna para pensar seu provável governo caso vire presidente do Brasil em 2022.

Qual seria a do ídolo Ayrton Senna? Não temos como saber de qual lado da história o patriota estaria neste momento trágico do Brasil... mas eu suspeito, eu imagino.

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A REALIDADE MATERIAL E NOSSAS IDEIAS E AÇÕES

Enfim, li as 4 revistas sobre a morte do ídolo Ayrton Senna (do Brasil) em maio de 1994. Fiquei pensando a respeito do Brasil e de nós povo brasileiro. 

Fiquei pensando nos conceitos sobre a questão do materialismo histórico. A realidade material produz as ideias e os desejos nas pessoas comuns. Não são as ideias que produzem a realidade material nas sociedades. Basta ver minha lista de desejos nos anos oitenta e noventa... ter uma casa própria, ter uma moto, ter telefone e internet, ter coleção disso ou daquilo... eram as ideias de minha realidade.

O William dos anos oitenta era um jovem com as ideias dos anos oitenta, ideias em vigor no local onde vivia no Brasil sob ditadura e sob o poder da casa-grande, sob o poder das igrejas católicas e dos donos dos meios de comunicação, com as ideias que vigoravam hegemonicamente naquele período. Minhas ideias eram as ideias que eram hegemônicas e que vigoravam inclusive entre nós, pobres e miseráveis.

A mesma coisa se deu nos anos noventa. Minhas ideias e ações também foram condizentes com o que tive acesso e com a hegemonia que prevaleceu no meu mundo dos anos noventa. Idem para a primeira década dos anos dois mil.

Minhas ideias e comportamentos só mudaram quando minha realidade material me colocou diante de novas concepções de mundo. Não sou hoje como a maioria de meus familiares - conservadores e de direita, mesmo sendo pobres ou remediados achando que são ricos - porque tive acesso a outros meios sociais, o movimento organizado dos trabalhadores. Novas referências de leitura, cursos universitários etc.

Enfim, para algumas coisas como essas vou seguir sendo um acumulador. Vou guardar as 4 revistas. Pelo menos agora eu li essas coisas que comprei em 1994. Tenho zilhões de materiais para ler e ver se guardo ou descarto. Zilhões. Tenho como tarefa primária organizar as coisas que queria estudar e conhecer.

Decidi que por enquanto não vou mais ler romances, literatura, nas próximas semanas ou meses. Eu tenho que resolver algumas coisas na vida. Não vou mais procrastinar comodamente enquanto a vida passa porque estou numa condição confortável em relação aos meus pares da classe trabalhadora. 

E percebo que estamos todos sós. Mas temos que seguir vivos.

William


sábado, 29 de janeiro de 2022

290122 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Sábado, 29 de janeiro de 2022. Manhã quente e chuvosa em Osasco.


"Nenhum homem é uma Ilha, um ser inteiro, em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da Terra. Se um Pequeno Torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti." (John Donne. In: HEMINGWAY, 2014, p. 6)


Que tenho para registrar nesse diário virtual, que não deixa de ser um livro de memórias? Registrar coisas é importante. Eu mesmo ao reler postagens antigas me surpreendo com as anotações de eventos, pensamentos e épocas que vivemos. O animal humano evoluiu em relação aos outros animais após expandir suas abstrações mentais para fora de si mesmo, registrando coisas fora de seu corpo mortal e deixando culturas para os que viessem depois de si.

COMENTÁRIO SOBRE A MORTE DO CHARLATÃO OLAVO DE CARVALHO

Ao avaliar o comportamento de parte das pessoas dos movimentos sociais aos quais militei por décadas me dei conta que tive muita sorte de ter tido minha formação política décadas antes dos dias atuais. 

Lideranças políticas do movimento sindical comemoraram de forma pública a morte de uma pessoa... (Isso seria impensável na época em que fui formado politicamente por lideranças políticas de esquerda)

Ao ouvir o filósofo youtuber Henry Bugalho falar a respeito do tema, gostei muito das explicações que ele dá em relação à diferença entre compaixão/empatia e ética. 

Não é ético comemorar a morte de ninguém. Essa é uma questão básica para os seres humanos que pretendem evoluir e alcançar um estágio acima dos instintos animais que todos nós temos. 

Quando entrei para o movimento sindical eu era muito impulsivo, agressivo, cheio de ódio e com altos e baixos nos momentos de tristeza e depressão. Era a favor da pena de morte, por exemplo. Não entendia políticas afirmativas. Tinha preconceito em relação a orientação sexual não heterossexual. Por ter passado em concurso público, talvez caísse facilmente na lábia da "meritocracia".

Ao conhecer a ideologia da esquerda na qual militei precisei de muito estudo e debates e reflexões pessoais para entender que não devemos ser a favor do Estado matar pessoas. O Estado deveria ser o ponto da convivência social que ultrapassa nossos instintos animais. 

Eu posso matar pessoas, e se fizer isso devo arcar com as consequências determinadas pelo Estado. Usam muito o exemplo de um estuprador pego em flagrante delito para justificar matar as pessoas. Olho por olho, dente por dente. Código de Hamurabi.

O Estado não deve matar pessoas. O sistema de justiça não funciona. A justiça não é imparcial, ela é falha, ela julga de forma parcial. Julga de forma política, de acordo com os preconceitos de classe e de acordo com as ideologias vigentes. No caso da pena de morte, ao matar pessoas não há volta. 

Para ver como opera a "justiça" burguesa, basta ver a operação Lava Jato, montada no imperialismo para destruir o Brasil. Eu escrevi contra a tal ficha limpa assim que o PT caiu nessa lábia em 2010. Deu a merda que deu! Ser de esquerda já é ser "ficha suja" para a burguesia, o que inclui as instituições do Estado burguês. 

Moro, o juiz suspeito segundo o STF, além de não estar preso, anda por aí querendo ser candidato a presidente. Dallagnol é dono de apartamentos de luxo. Esses canalhas são "ficha limpa". Até o acusado de operador das rachadinhas, o tal Queiroz, é "ficha limpa". 

Enfim, tenho compreendido um pouco melhor a questão do materialismo histórico. As pessoas que estão por aí, hoje, são fruto deste momento da história e do acúmulo histórico até aqui. Os tempos são de ódio, de intolerância, de pós-verdade, de mentiras em massa. 

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É quase impossível não agirmos como nossos inimigos, os extremistas de direita. Mas temos que resistir, temos que agir com a ética da esquerda.

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Tenho a impressão que se tivesse chegado ao movimento sindical nesse momento eu não teria mudado tanto quanto mudei ao chegar ao movimento e ali aprender política entre os anos oitenta e meados da década que terminou.

Já me alonguei e deixo pra depois outros registros que faria. O mundo dos animais humanos tem um pouquinho mais de chances de ser melhor quando morrem pessoas como esse Olavo de Carvalho, que passou décadas influenciando pessoas a transformarem o mundo num lugar pior para se viver. 

No dia que ouvi o Henry Bugalho falando a respeito de uns conceitos filosóficos sobre a questão da morte do sujeito acima, me lembrei do pensamento que Ernest Hemingway escolheu para abrir seu grande clássico Por quem os sinos dobram. E olha que fiquei impactado com a leitura dessa obra. Violência extrema nas cenas de guerra entre nazifascistas e o pessoal das esquerdas; esquerdas divididas, é bom lembrar.

Não se deve comemorar a dor das pessoas que perdem alguém (por empatia, por compaixão), não se deve comemorar a morte da esposa ou do neto de Lula, nem a de Olavo de Carvalho ou da mãe do Bolsonaro. E isso não quer dizer que eu não ache que o mundo seria melhor sem esses inimigos de classe, esses fascistas, nazistas e extremistas de direita. Mas deveria haver algum tipo de ética até na guerra. Afinal, o que nos faz diferentes dessa gente odiosa como os bolsonários?

Essa é minha opinião, opinião que provavelmente tenho porque convivi com o movimento sindical durante os trinta anos nos quais fui bancário sindicalizado e dirigente. Sem o contato e a convivência com a esquerda organizada provavelmente eu fosse hoje um sujeito conservador ou até de direita como a maioria dos meus familiares e vizinhos. O materialismo histórico explica muita coisa.

William


Bibliografia:

HEMINGWAY, Ernest. Por quem os sinos dobram. Tradução: Luiz Peazê. 13ª edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

44. Razão e sensibilidade - Jane Austen



Refeição Cultural - Cem clássicos

Terminei a leitura do 4º livro do ano. Após ler um autor afegão, um autor russo, um autor indiano, agora li uma autora inglesa, Jane Austen, escritora que viveu entre o final do século XVIII e o início do XIX, falecendo relativamente jovem, aos 41 anos de idade.

Peguei o romance Razão e sensibilidade para ler no início de 2019 e após ler mais da metade do livro parti para outras leituras sem finalizar a obra. O romance é dividido em três partes e eu estava terminando a parte dois. Neste início de ano decidi pegar alguns livros de leitura inacabada e finalizá-los. O livro de Austen foi um deles.

Achei uma anotação interessante nas páginas do livro. Disse que era importante ler Jane Austen dentro de meus objetivos de ler os clássicos, mas que sentia uma necessidade grande de ler Moby Dick, Gulliver e Robinson Crusoé. Não larguei Austen no meio para lê-los em 2019, mas ano passado li dois deles. Agora falta Gulliver.

RAZÃO E SENSIBILIDADE

O romance narra a estória da família Dashwood, mãe e três filhas, tendo como protagonistas Elinor e Marianne. Além da sra. Dashwood e da filha Margaret, as irmãs têm um meio irmão, John Dashwood, do primeiro casamento do pai delas. Quando o pai das meninas morre, a propriedade e as rendas dele ficam para o filho homem e as quatro mulheres têm que deixar a casa da família e mudar o estilo de vida.

Austen, que assina seus romances com o pseudônimo de "By a Lady", descreve como é a vida das mulheres naquela sociedade inglesa. As mulheres são coisas, são mercadorias para arranjos entre famílias para manutenção e ampliação de propriedades e rendas através de casamentos. 

Pela literatura podemos conhecer um pouco das características das sociedades. Foi essa a impressão que tive através deste clássico inglês e das leituras anteriores, quando mergulhei no Afeganistão da 2ª metade do século XX (Khaled Hosseini), na Rússia do final do século XIX (Anton Tchekhov) e na Índia atual (Aravind Adiga).

A Razão

"Elinor, a filha mais velha cujo conselho fora tão acertado, tinha um poder de compreensão e uma firmeza de julgamento que a haviam tornado, apesar de ter apenas dezenove anos, conselheira da mãe e a qualificavam para contrabalançar, em proveito das quatro, a ligeireza de raciocínio da sra. Dashwood, que comumente a levava a cometer imprudências. A srta. Dashwood tinha excelente coração - era afetuosa e de sentimentos fortes, mas sabia como controlá-los. Esta era uma sabedoria que a mãe dela ainda estava por adquirir e que nenhuma de suas duas irmãs se mostrava interessada em aprender." (p. 12)

A Sensibilidade

"As habilidades de Marianne eram, em alguns aspectos, quase iguais às de Elinor. Era sensível e inteligente, mas descontrolada: suas tristezas e suas alegrias eram intensas e sem a menor moderação; generosa, amável e atenciosa, ela era tudo, menos prudente. A semelhança física entre Marianne e a irmã impressionava.

Elinor via com grande consternação o excesso de sensibilidade da irmã, porém a sra. Dashwood valorizava e estimulava esse traço de caráter..." (p. 12/13)

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Curiosidades e costumes

PALITEIRO DE DENTES

"No entanto, a correção dos olhos e a delicadeza do gosto desse senhor situavam-se muito aquém do cavalheirismo. Ele queria adquirir alguns estojos para palitos de dentes com determinados tamanhos, formas e ornamentos...

(...)

Afinal, a decisão foi tomada. O marfim, o ouro, e a madrepérola foram os escolhidos e o cavalheiro informou qual seria o dia máximo até o qual sua existência poderia continuar sem os estojos de palitos de dentes." (p. 210/211)

Perceberam a ironia de Austen?

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MULHER MERCADORIA

"(...) Acredito que ele deve encontrar-se indeciso até o presente momento; a pequena fortuna que você tem como dote deve estar fazendo com que ele hesite; os amigos devem tê-lo advertido a respeito. Mas algumas daquelas simples atenções e encorajamento em que as mulheres são tão hábeis irão fisgá-lo, apesar de ele mesmo." (p. 213/14)

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UMA SOCIEDADE DE GENTE DESQUALIFICADA

"(...) Contudo, não existia uma desgraça particular nisso, uma vez que era esse o caso da maioria dos convidados; quase todos deixavam de ser agradáveis por apresentar uma dessas desqualificações: falta de razão, natural ou adquirida, falta de elegância, falta de espírito e falta de caráter." (p. 223)

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FAMÍLIA, PROPRIEDADE E ESTADO (COMO JÁ DIZIA ENGELS)

"(...) A mãe explicou-lhe suas generosas intenções, se ele se casasse com lady Morton; disse-lhe que, quando casados, se instalarão na propriedade de Norfolk que, livre de impostos territoriais, rende bem umas mil libras por ano; quando o caso tornou-se desesperado, ofereceu-lhe uma pensão de mil e duzentas libras. Em oposição a tanta generosidade, caso ele persistir naquele relacionamento inferior, a penúria irá esperar pelo casal. Suas próprias duas mil libras é tudo que ele terá; a mãe nunca mais quererá vê-lo e, além de não lhe oferecer a menor assistência, caso ele venha a dedicar-se a qualquer profissão, a sra. Ferrars fará o que puder para impedir que ele progrida no trabalho." (p. 257)

Entenderam como vive essa burguesia nojenta, ontem e hoje? De rendas, de propriedades, do Estado e da exploração daqueles que produzem essas riquezas todas.

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BIBLIOTECAS, LEITORAS E LEITURAS

"(...) e Marianne, que sempre tinha o dom de descobrir a biblioteca em qualquer casa que se encontrasse, mesmo que não costumasse ser utilizada pela família, não demorou a estar com um livro nas mãos." (p. 293)

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VOU SEGUIR LENDO OS CLÁSSICOS

Enfim, mais uma lacuna cultural preenchida. Agora já conheço pelo menos uma obra de Jane Austen. Espero conhecer ao menos uns 20 autores e autoras e obras clássicas neste ano de leituras.

William


Bibliografia:

AUSTEN, Jane. Razão e sensibilidade. Tradução: Therezinha Monteiro Deutsch. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2002.


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Leitura: O amanhã não está à venda - Ailton Krenak



Refeição Cultural

"Há muito tempo não programo atividades para 'depois'. Temos que parar de ser convencidos. Não sabemos se estaremos vivos amanhã. Temos de parar de vender o amanhã." (Krenak)


Reli as reflexões de Ailton Krenak compartilhadas conosco no início da pandemia mundial do novo coronavírus, Covid-19. Quanta sabedoria esse homem nos transmite em seu breve texto O amanhã não está à venda (2020).

Com os índios e povos originários aprendemos uma lição importante: não somos proprietários da Terra, somos parte dela, somos só um dos bichos que vive nela. E durante a pandemia o bicho homem poderia ter aprendido muita coisa, mas parece que não aprendeu nada!

KRENAK: "Como posso explicar a uma pessoa que está fechada há um mês num apartamento numa grande metrópole o que é o meu isolamento? Desculpem dizer isso, mas hoje já plantei milho, já plantei uma árvore..."

Por que se passaram mais de três anos com o clã de milicianos no poder em plena liberdade de destruição da natureza, dos direitos sociais do povo e da vida das pessoas? Por que não foram investigados, julgados, condenados e presos pela imensidão de coisas irregulares que o Brasil inteiro sabe que eles estão envolvidos? 

Na minha opinião porque a casa-grande dessa eterna colônia de exploração tem interesses na manutenção dos bolsonaros no poder. Os dados econômicos demonstram que os donos do poder, os bilionários, os capitalistas, ganharam muito com essa milícia no poder... são apenas business, negócios, já que tudo é mercadoria à venda no capitalismo.

KRENAK: "Temos que abandonar o antropocentrismo; há muita vida além da gente, não fazemos falta na biodiversidade. Pelo contrário. Desde pequenos aprendemos que há listas de espécies em extinção. Enquanto essas listas aumentam, os humanos proliferam, destruindo florestas, rios e animais. Somos piores que a Covid-19. Esse pacote chamado de humanidade vai sendo descolado de maneira absoluta desse organismo que é a Terra, vivendo numa abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos."

Pensando no que Krenak nos expõe sobre o amanhã e a ideia de que para a sociedade humana atual tudo é mercadoria, fica mais fácil entender os efeitos das fortes chuvas em Minas Gerais e na Bahia neste ano. A alienação das pessoas, o não relacionar causas e consequências de atos e decisões humanas na exploração da natureza faz com que as pessoas atribuam às chuvas em excesso e não à destruição da natureza pela mineração todos os danos econômicos e sociais das últimas semanas. A destruição seria coisa de Deus e não coisa dos homens.

Quando Krenak nos fala sobre a pandemia e sobre o vírus vemos um ponto de vista muito mais sistêmico na abordagem do que os pontos de vista de várias pessoas chamadas de "especialistas". Nos acostumamos tanto ao mundo artificial que criamos que nos esquecemos que "tudo é natureza".

KRENAK: "A nossa mãe, a Terra, nos dá de graça o oxigênio, nos põe para dormir, nos desperta de manhã com o sol, deixa os pássaros cantar, as correntezas e as brisas se moverem, cria esse mundo maravilhoso para compartilhar, e o que a gente faz com ele?"

O líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor Ailton Krenak não tem medo de dizer o que pensa em relação à política e à economia. No mundo em que vivemos, as decisões políticas são decisões que definem se as pessoas vão viver ou morrer, não só uma pessoa, talvez milhares, milhões, bilhões de pessoas.

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KRENAK: "Michel Foucault tem uma obra fantástica, Vigiar e punir, na qual afirma que essa sociedade de mercado em que vivemos só considera o ser humano útil quando está produzindo. Com o avanço do capitalismo, foram criados os instrumentos de deixar viver e de fazer morrer: quando o indivíduo para de produzir, passa a ser uma despesa. Ou você produz as condições para se manter vivo ou produz as condições para morrer. O que conhecemos como Previdência, que existe em todos os países com economia de mercado, tem um custo. Os governos estão achando que, se morressem todas as pessoas que representam gastos, seria ótimo. Isso significa dizer: pode deixar morrer os que integram os grupos de risco. Não é ato falho de quem fala; a pessoa não é doida, é lúcida, sabe o que está falando."

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O texto de Krenak termina profundo em reflexões assim como começou. A ideia de querer voltar à "normalidade" anterior à pandemia seria o mesmo que não termos aprendido nada com a experiência da pandemia. O mundo já vinha doente e continua.

"Quem está apenas adiando compromissos, como se tudo fosse voltar ao normal, está vivendo do passado. O futuro é aqui e agora, pode não haver o ano que vem." (Krenak)

Os ensinamentos desse sábio indígena servem para todos nós. Quando vejo as coisas na minha modesta dimensão pessoal, a vida de meus entes queridos, a Cassi, o mundo do trabalho e o sindicalismo, as empresas públicas como o Banco do Brasil onde passei boa parte de minha vida, as questões do mundo das letras etc, vejo muita incerteza em relação ao amanhã. 

CONCLUO - Pelo andar da carruagem na política brasileira para 2022 e adiante, me parece que talvez só queiramos voltar à "normalidade" quando vejo a ligação de Lula com Alckmin, apoiada por boa parte do movimento de "esquerda". Essa insistência numa suposta conciliação de classes (para mim rompida após 2016) demonstra que NÃO queremos mudar nada! Não queremos avançar rumo a outra forma de vida social, não queremos abandonar o capitalismo, que segue inviabilizando a vida na Terra. Só queremos continuar a destruição do mundo pelo capitalismo... Isso é foda!

Obrigado, Ailton Krenak, por compartilhar um pouco de sua sabedoria conosco.

William


Bibliografia:

KRENAK, Ailton. O amanhã não está à venda. São Paulo. Companhia das Letras, 2020.