quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O nome e suas flexões


(muitas frases aqui são citações do texto do professor Mattoso Câmara)


Relembrando...

Radical e tema são distintos. O tema vem a ser o radical ampliado por uma vogal determinada, que entra na flexão dos nomes e dos verbos.

Além dos verbos em temas 'a', 'e' e 'i', há nos nomes os temas em -a (rosa, poeta, planeta), os temas em -o /u/ átono final (livro, tribo, cataclismo) e os temas em -e /i/ átono final (dente, ponte, análise).

Assim, não se confunde a desinência de feminino -a, que aparece especialmente nos temas em -o (lobo, loba) e a vogal temática em -a, que não é marca de gênero (cf. poeta, masculino; artista, masculino ou feminino, conforme o contexto).


Os NOMES se dividem em SUBSTANTIVOS e ADJETIVOS. O contexto mostra qual é determinado e qual é determinante.

Ex:
- marinheiro brasileiro = marinheiro (subst.) de nacionalidade brasileira (adj.);
- brasileiro marinheiro = brasileiro (subst.) de profissão marinheiro (adj.).


ADJETIVOS: a maioria tem temas em -o e -e. Os em -o têm a flexão de feminino em -a e os em -e não têm flexão, são neutros.

Ex:
- homem corajoso, mulher corajosa;
- homem grande, mulher grande.


SUBSTANTIVOS: podem ter feminino em -a quando são de tema em -e ou quando são atemáticos.

Ex:
- mestre-mestra; autor-autora; peru-perua.


INCOERÊNCIA NA APRESENTAÇÃO TRADICIONAL DAS GRAMÁTICAS

A flexão de gênero é exposta de uma maneira incoerente e confusa nas gramáticas tradicionais do português. É ruim a forma de associação ao sexo dos seres para se falar da natureza semântica das palavras.

O gênero abrange todos os nomes no português e não só os nomes de seres e, mesmo nestes, há problemas, pois para os animais temos os chamados substantivos EPICENOS, como cobra, sempre feminino, e tigre, sempre masculino.

Na realidade, o gênero é uma distribuição em classes mórficas, para os nomes, da mesma sorte que o são as conjugações para os verbos.

O mais que podemos dizer, porém, em referência ao gênero, do ponto de vista semântico, é que o masculino é uma forma geral, não-marcada, e o feminino indica uma especialização qualquer (jarra é uma espécie de jarro, barca um tipo especial de barco, como ursa é a fêmea do animal chamado urso)


NÃO É COERENTE confundir com flexão a RELAÇÃO SEMÂNTICA entre as palavras HOMEM e MULHER. Aqui, não se trata de flexão de gênero como afirmam as gramáticas.

O processo nesse caso é lexical ou sintático e não de flexão.


Na descrição da flexão de gênero em português não há lugar para os chamados 'nomes que variam em gênero por heteronímia'. O que há são substantivos privativamente masculinos, e outros, a eles semanticamente relacionados, privativamente femininos.

Nos casos de imperador-imperatriz, galo-galinha, perdigão-perdiz, o que ocorre não é um processo de flexão de gênero e sim um caso de derivação com os sufixos -TRIZ, -INHA, -ÃO.

IMPORTANTE: 

A flexão de gênero é uma só, com pouquíssimos alomorfes: o acréscimo, para o feminino, do sufixo flexional -a (/a/ átono final) com a supressão da vogal temática, quando ela existe no singular: lob(o) + a = loba; autor + a = autora.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

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