sábado, 8 de novembro de 2008

Usos antigos das palavras filologia e gramática

Só do século XVIII em diante, os estudos sob os rótulos de filologia e gramática conseguiram progressivamente maiores avanços e melhor caracterização dos seus objetivos e métodos.

No século XIX passou-se a designar as ciências da linguagem. A palavra LINGUAGEM não em sentido geral, mas apenas referida à LINGUAGEM HUMANA ARTICULADA.

GRAMÁTICA – estudo ou conhecimento especulativo da língua como saber prático.

Vocabulário Português e Latino, de D. Rafael Bluteau:
FILOLOGIA – estudo das letras humanas... é a parte das ciências, que tem por objeto as palavras, e propriedade delas.


FRANCISCO ADOLFO E O USO DAS PALAVRAS LINGÜÍSTICA, GLOTOLOGIA E FILOLOGIA

Com a designação de lingüística ou lingüística geral ou teoria da linguagem, chegou-se a solução de restituir à palavra FILOLOGIA o sentido primitivo que lhe atribuía como tarefa principal a equivalente ao que hoje se denomina CRÍTICA TEXTUAL.

“filologia propriamente dita é o conjunto de conhecimentos que se referem à literatura dum ou mais povos e à língua que serve de instrumento a essa literatura, considerados principalmente como a mais completa manifestação do espírito desse povo ou desses povos.”.

Depois Adolfo Coelho explica que o estudo da língua é só auxiliar, pois o foco são os monumentos literários da língua.

“a glotologia não tem por fim o estudo prático das línguas para as falar ou escrever, nem o estudo das línguas como meio para o estudo das literaturas... a glotologia é uma ciência histórica, como a filologia, e não uma ciência natural.”.


O SENTIDO DE FILOLOGIA PORTUGUESA PARA CAROLINA MICHAËLIS, LEITE DE VASCONCELOS E SEUS SEGUIDORES EM PORTUGAL E NO BRASIL

Saussure: “A língua não é o único objeto da filologia, que quer, antes de tudo, fixar, interpretar, comentar os textos; este primeiro estudo a leva a se ocupar também da história literária, dos costumes, das instituições, etc; em toda parte ela usa seu método próprio, que é a crítica”.

Carolina e Leite de Vasconcelos, diferentemente de Saussure, defendiam o emprego amplo da expressão filologia portuguesa. Ou seja:

“o estudo científico, histórico e comparado da língua nacional em toda a sua amplitude, não só quanto à gramática (fonética, morfologia, sintaxe) e quanto à etimologia, semasiologia, etc., mas também como órgão da literatura e como manifestação do espírito nacional”

Na origem da Usp (1934), a concepção de filologia usada foi essa de sentido amplo envolvendo a língua e a literatura, com a colaboração do professor português Francisco Rebelo Gonçalves.

Com o professor Joaquim Matoso Câmara Júnior, na Universidade do Distrito Federal (de 1935-38), instituiu-se uma cadeira autônoma de LINGÜÍSTICA GERAL, mostrando o alcance da teoria da linguagem e da sua utilização como base dos estudos das lingüísticas especiais.

A obra PRINCÍPIOS DE LINGÜÍSTICA GERAL (como funcionamento para os estudos superiores de língua portuguesa), do professor Matoso Câmara e prefácio de Sousa da Silveira, é um marco na evolução dos estudos das ciências da linguagem no Brasil.

Já em 1952, Manuel da Silva Neto, na explicação do seu MANUAL DE FILOLOGIA PORTUGUESA, mantinha a linha mais ampla:

“Por filologia portuguesa devemos entender todos os estudos referentes à nossa língua e literatura. Não pareça estranho incluir-se a literatura no rol dos estudos filológicos, pois ela é a execução estética da matéria lingüística”

Rol que segundo Leite de Vasconcelos, Carolina Michaëlis, Sousa da Silveira e Serafim da Silva Neto incluem como disciplinas da filologia:

-estudos de lingüística portuguesa sincrônica e diacrônica;
-história da literatura;
-estudos da literatura oral e do folclore;
-versificação portuguesa;
-crítica textual aplicada a textos em língua portuguesa.

Bibliografia:

CONFLUÊNCIA. Revista do Instituto de Língua Portuguesa. N.23 – 1º semestre de 2002, Rio de Janeiro.

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