domingo, 11 de agosto de 2024

Natais - 1978



Refeição Cultural 

Uberlândia, 11 de agosto de 2024. Domingo. 


Essas memórias e reminiscências sobre nossos natais em família, que estou produzindo desde 2022, têm um pouco de inspiração na obra da escritora mexicana Margo Glantz. Gosto da poética prosaica dela sobre o passado familiar. 

A obra "Las Genealogías" me abriu novas perspectivas na forma de escrever e contar histórias pessoais e opinativas a partir da história da própria família. A prosa de Glantz é muito interessante. 

Essa informação é só um registro de influência em minha escrita.

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DIA DOS PAIS

No Brasil, é domingo de Dia dos Pais. 

Dias dedicados a mães e dias dedicados a pais são tradições culturais. 

Imagino que o Dia das Mães funcione de forma diferente em relação ao dos pais num país onde mais da metade das famílias são chefiadas pelas mulheres.

O Boletim Especial 8 de Março, Dia da Mulher, feito pelo Dieese em 2023 (fonte: site da CUT) revelou que:

"dos 75 milhões de lares do país, 50,8% tinham liderança feminina, o correspondente a 38,1 milhões de famílias. Já as famílias com chefia masculina somaram 36,9 milhões."

Apesar de vermos movimentações parecidas em redes sociais de apreço e afeto aos pais e às mães, o fato concreto é que cada vez mais aumentam os registros de nascimentos sem constar os nomes dos pais.

O Brasil registrou mais de 172 mil certidões de nascimento sem o nome dos pais em 2023 (aumento de 24,5% em sete anos). 

Comento isso por ser hoje Dia dos Pais e o Brasil ser um país com milhões de pais ausentes. 

Não é o nosso caso, de minha irmã e eu. O pai está conosco e neste fim de semana pudemos confraternizar com ele, apesar de nosso pai ter se tornado uma pessoa de difícil convivência, infelizmente. 

Registro o meu respeito a todos os pais que exercem seus papéis de pais na plenitude.

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NATAL DE 1978

O Natal de todos nós católicos brasileiros e do mundo seria celebrado pelo novo Papa João Paulo II, o polonês Karol Józef Wojtyla. 

Ele foi eleito Papa após a morte de João Paulo I, que morreu após 33 dias de papado. 

Eu estava com nove anos e minha mãe se esforçou para seguir os ritos e dogmas da igreja católica. 

Frequentei o catecismo na igreja São Patrício, no bairro Rio Pequeno onde morava, mas não completei o curso. 

Tenho pouca lembrança sobre isso, mas suspeito que a culpa por não concluir o catecismo tenha sido minha e não da professora. 

Acho que dei trabalho a ela e deixei de fazer o curso. 

No mundo futebolístico, a Argentina foi campeã da Copa do Mundo de Futebol, realizada no próprio país sob ditadura militar. 

Uma das coisas que me lembro é que o título foi muito suspeito, diziam que o time do Peru entregou o ouro (o jogo), perdendo de 6x0 para a Argentina, tirando o Brasil da final por saldo de gols. 


No meu histórico escolar daquele ano constam 3 matérias de Educação Geral e minha avaliação foi até boa: Comunicação e Expressão (B); Estudos Sociais (A); Ciências (B).

Eu estudava no Prof. Adolfino de Arruda Castanho. Passei lá dia desses. Nossa escola pública está resistindo bravamente até hoje, felizmente! São mais de 600 alunos.

William Mendes 


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


78 de 100 dias



78. Domingo dos pais... estou no Parque do Sabiá, Uberlândia. Tentei correr e parei depois de alguns quilômetros. Faz tempo não me sentia tão sem energia vital.

O clima familiar está tão estranho que ninguém falou nada pra ninguém sobre o tal dia dos pais. Ainda ontem falei umas coisas para o meu pai por não conseguir me manter calado vendo as coisas da rotina deles, um cotidiano nada amistoso e acolhedor. Difícil confraternizar qualquer data.

Está terminando minha invenção de 100 dias em busca de mudanças e sentidos... o que mudou? Qual sentido encontrei?

Tirando o envelhecimento de 78 dias, envelhecimento talvez acelerado se considerar que minhas dores no quadril e outras se apresentando a mim me lembram mais a existência que prazeres físicos e psicológicos, tirando isso, pouca coisa mudou.

Quais as perspectivas de vida que tenho pela frente? Perspectivas diversas, muito maiores do que as da maioria dos seres humanos nesta terra onde vivemos e morremos. Falo analisando de forma racional. No papel tenho quase todas as possibilidades do mundo pela frente.

E na vida cotiana real, a de hoje aqui onde estou e a de amanhã e da semana e do mês?

Estou sem energia vital. Não gosto disso. Quero alterar essa situação. 

Vamos ver se consigo.

William

PS: depois da caminhada, meu pai e eu nos abraçamos e nos parabenizamos durante o almoço.


sábado, 10 de agosto de 2024

77 de 100 dias



77. Tentava correr sem pensar no meu pai. Não era possível. Estava com muita bronca por causa das atitudes dele. Se seguisse correndo, iria ter um treco. Parei. Dei um tempo para abstrair. Recomecei o percurso caminhando. 

Estou no Parque do Sabiá, Uberlândia. Vim para a cidade fazer a romaria até Água Suja e passar o dia dos pais com meus pais. Nem fiz a romaria, nem imagino um domingo dos pais de confraternização. 

Meu pai é uma pessoa complicada, me parece que ele não quer que ninguém goste dele. Que coisa triste!

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HIERARQUIA DAS MORTES APONTA O FIM DOS DIREITOS HUMANOS 

Imagino que todos no Brasil estejam sensibilizados com as 62 pessoas que morreram ontem em um acidente aéreo no país. Todos, inclusive a imprensa da casa-grande, dos donos do poder neoliberal capitalista.

Sei que nem todos estão sensibilizados com as mais de 90 pessoas mortas numa escola palestina na Faixa de Gaza pelo governo sionista de Israel no mesmo período de um dia do acidente aéreo brasileiro (fonte: Ópera Mundi). Muitas mulheres e crianças... vejam na imprensa se há destaque para essas mortes.

Segundo nossas abstrações mentais, algumas vidas valem nossos sentimentos, outras não valem nada, nem ligamos. É assim a espécie animal homo sapiens. Nossa inteligência poderia nos tornar seres éticos... poderia. 

DIREITOS SÃO CRIAÇÕES HUMANAS E DEVEMOS LUTAR POR ELES, OU DESAPARECEM

Na natureza não existe uma ética porque ética é uma habilidade do animal humano. Direitos humanos são criações da ética humana. 

Não existe na natureza direitos humanos, direitos pombais, direitos lagartais ou coisas do tipo. Não há uma lei para os carcarás respeitarem quando querem invadir ninhos ou áreas e predarem suas vítimas. 

Sem direitos, sem direitos humanos, o que nos diferencia dos animais irracionais?

William


Natais - 1977



Refeição Cultural

Uberlândia, 10 de agosto de 2024. Sábado.


Nas próximas semanas, meus pais farão aniversário, assim esperamos. Meu pai vai fazer 82 anos e minha mãe 78 anos de idade. 

Uma data que seria motivo para grandes comemorações é o dia 5 de setembro, data que marcará 60 anos de casamento dos meus pais. Na cultura brasileira chamaríamos o tempo de união deles de "Bodas de Diamantes".

Seis décadas de convivência não é qualquer coisa, são muito anos de vida em comum. Eu gostaria de fazer algum evento para relembrar a data e rememorar alguns momentos dessa história que uniu duas pessoas, duas famílias e gerou novas famílias.

Os tempos atuais, no entanto, não facilitam a intenção de organizar um evento que relembre a data. As relações familiares me parecem cada vez mais desafiadoras, porque nós todos mudamos demais nas últimas duas décadas. 

Eu até tenho minhas teorias, acho que as big techs (plataformas que dominam o mundo) e suas redes antissociais, de intrigas e ódios, com seus algoritmos manipuladores, abalaram profundamente as relações entre os seres humanos.

Por mais que hoje a convivência de duas pessoas na casa dos setenta e oitenta anos não seja uma relação boa como poderia ser, todos nós da família temos lembranças de momentos nessas décadas passadas que foram de grande superação e até de conquista, por vencer algo que quase nos destruiu, e algumas vezes até tivemos momentos de grandes alegrias, como se espera da convivência familiar.

Eu imagino que muitas famílias estão com dificuldades de relacionamento entre seus componentes, pois reafirmo que as tecnologias do momento afetaram excessivamente a vida das pessoas, e as questões relativas às crises dos ambientes sociais onde as famílias vivem - as cidades e países - também trazem os problemas para o ambiente doméstico. 

Somos uma sociedade humana cindida em quase todos os sentidos sociais. Não à toa, estamos à beira de uma ou várias guerras entre povos e nações, inclusive guerras internas aos países, guerras civis porque ninguém se aguenta mais. A intolerância e a anomia tomaram conta das comunidades humanas neste primeiro quarto do século 21.

Enfim, pelo que já especulei com minha mãe, não faremos nada em relação às datas que se aproximam. Como tenho refletido nesta série sobre os momentos de confraternização dos natais em família, nem sequer consigo vislumbrar o Natal do ano em que estamos.

Provavelmente todos passarão a data num canto por aí. 

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NATAL DE 1977

No Natal, eu já tinha mais de oito anos. É dessa fase que tenho as melhores lembranças da infância, de uns seis até os dez anos de idade (aos dez, fomos embora de São Paulo). 

Eu não me lembro da reunião de família do Natal, mas me lembro que brincava muito na rua, que soltava pipa (que também chamávamos de "quadrado", "peixinho", "maranhão", "raia", dependia do formato) e eu mesmo derretia cola de sapateiro e misturava com vidro moído para fazer cerol (uma loucura!). Me lembro dos postes da rua cheios de linhas secando o cerol. 

Sei que no planeta bola, Pelé se despedia do futebol marcando seu último gol da carreira, jogando pelo Cosmos New York e vencendo o Santos por 2x1 em uma partida amistosa (acho) no Giants Stadium. Pelé é considerado o rei do futebol. 

Anos depois, o rei Pelé veria o Brasil ser desclassificado pela Croácia nas quartas de final da Copa de 2022 e veria também o craque Messi ser, finalmente, campeão do mundo com a seleção Argentina em 18 de dezembro de 2022, batendo a França nos pênaltis. A Copa foi em dezembro por causa do calor do Catar. 

Pelé faleceu dias depois, em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer.

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É isso. Mais uma rememoração de família conjugada com uma referência do mundo onde vivemos.

William Mendes


Post Scriptum: o texto seguinte desta série pode ser lido aqui.


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Leituras Capitais




Refeição Cultural - CartaCapital ed. 1322

A revista semanal liderada por Mino Carta é sempre uma leitura para nos dar noções do que se passou de relevante nos últimos dias na política, na economia e na cultura de nosso país, e ainda traz duas ou três matérias relativas a outras nações do mundo.

Não é toda semana que leio a revista, mas sempre que posso, leio CartaCapital da primeira à última página. Com isso, fico bem inteirado sobre temas relevantes do momento. Eu não leio noticiários em páginas de internet diariamente. Preservo um pouco de minha sanidade fazendo isso.

Nesta edição, li as matérias sobre as eleições da Venezuela e respeito a opinião dos articulistas, porém discordo da análise deles. É assim que funciona o debate respeitoso sobre política.

Uma das matérias mais interessantes desta edição foi o artigo do senador Jaques Wagner (PT) trazendo luz sobre os investimentos públicos no esporte olímpico e paraolímpico.

Enfim, sigamos nos informando em boas fontes jornalísticas e atuemos contra notícias falsas ou com clara intenção de manipular pessoas.

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"E AGORA, MADURO?

A falta de transparência do processo eleitoral coloca a Venezuela em pé de guerra" 

Com esse título, a revista CartaCapital tomou posição e lado, na minha opinião de leitor. Não vejo isso como problema, a revista sempre foi clara com seus leitores. 

Aliás, me posiciono de cara: não é verdade que "a falta de transparência" colocou o país em pé de guerra. É só vermos o comportamento dos EUA reconhecendo a "vitória" de quem não ganhou (outro Juan Guaidó) e seus lacaios venezuelanos, os atuais fantoches Corina e González, que estimulam uma guerra civil em carta dias depois do resultado, para ter claro que nunca foi uma questão de "transparência" ou "atas".

Dito isso, reafirmo que estou do outro lado da opinião de CartaCapital, eu me posiciono em favor da Revolução Bolivariana, do chavismo e da soberania do povo venezuelano. Há um golpe imperialista em andamento, para se apropriar do petróleo do país e não existe mais "perdão" para supostas inocências democráticas. 

Qualquer pessoa minimamente alfabetizada e politizada sabe que é do petróleo que se trata a intromissão dos EUA nas eleições venezuelanas.

Vão pedir transparência ao Biden, Trump, Kamala, Macron, ao genocida Netanyahu e ao raio que parta essa gente e esses países do Norte imperialista!

E repito a minha vergonha e decepção com a postura de nosso governo em não se posicionar a favor de Maduro como os EUA fizeram em favor da oposição bancada por eles, que inventou um resultado e o império decadente e seus lacaios estão aceitando como "verdadeiro".

It's the economy, stupid!... (lembram-se disso?)

Enfim, dos três textos referentes à matéria de capa, só gostei do tom do texto do professor Belluzzo, resgatando a história da Venezuela. O de Sergio Lirio e o do professor Aldo Fornazieri, não gostei. Atenção: não gostei dos textos e das opiniões deles. Sigo respeitando muito ambos, são opiniões diferentes. 

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ESPORTE TAMBÉM É POLÍTICA 

Como disse na abertura, é esclarecedor o artigo do senador Jaques Wagner (p. 29) nos informando sobre os números e resultados dos 20 anos de criação do programa Bolsa Atleta pelo presidente Lula (criado em 2004). 

Além do Bolsa Atleta, o senador informa sobre os outros programas e montantes de recursos públicos que beneficiaram (98%) ou beneficiam ainda (87,3%) a quase totalidade dos atletas da delegação brasileira (276) nas Olimpíadas de Paris, França. 

O Brasil ganhou mais medalhas nesses 20 anos de patrocínio do governo federal aos atletas olímpicos (84) e paraolímpicos (267), em 5 edições com Bolsa Atleta, do que em 80 anos sem apoio governamental aos atletas. Foram 66 medalhas em 15 edições antes de Lula (PT). Isso significa IGUALDADE DE OPORTUNIDADES! Por isso temos visto tantas pretas e pretos e pessoas periféricas levantando medalhas. Nossa delegação tem 153 mulheres em 276 atletas (55%). 

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OUTRAS SEÇÕES DA REVISTA

Gostei da matéria de política falando sobre as estratégias do Partido dos Trabalhadores no Nordeste para ampliar o número de prefeitos nos Estados nordestinos.

Eu compreendo as concepções e práticas do partido por ter passado mais de duas décadas de minha vida de representação estudando um pouco a origem e as características do PT e de suas principais lideranças desde a sua fundação em 1980.

Aliás, sempre votei no PT, mesmo quando não era filiado ao partido. Dia desses, escrevi sobre isso (ver aqui). Neste período de eleições municipais, vou escrever sobre política no blog A Categoria Bancária (aqui) e vou apoiar a candidatura de Guilherme Boulos e Luna Zarattini (vereadora) em São Paulo, cidade onde nasci, e vou apoiar a candidatura de Emídio de Souza em Osasco, onde resido.

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CULTURA

A edição veio recheada de boas reportagens sobre cultura. Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia em nova turnê após décadas é uma maravilha. Eu me lembro que foi através de CartaCapital que vi o lançamento do álbum novo "Noturno", de Bethânia, durante a pandemia de Covid-19 que ouvi e adorei.

Todas as matérias são interessantes e estimulantes.

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SAÚDE

O artigo "Uma questão de classe", de Arthur Chioro, sobre as eleições no Conselho Federal de Medicina (CFM) é elucidativo para as pessoas que não acompanham o dia a dia do setor de saúde brasileiro.

Chioro cita um certo número de casos na área da saúde para demonstrar o quanto regredimos em relação à ética profissional no setor. Depois dos casos absurdos, ele nos explica a importância do CFM como um órgão público de fiscalização.

"No Brasil, desde 1951, essa responsabilidade é atribuída, por lei, a uma autarquia federal, o Conselho Federal de Medicina (CFM), que possui o papel de fiscalizar e normatizar a prática médica e é formado por dois médicos (um titular e um suplente) de cada unidade federada, eleitos por seus pares".

E as eleições se deram nesta semana que passou e os resultados nos Estados e DF foram muito ruins, o conservadorismo prevaleceu e os riscos seguirão altos, tanto para os profissionais da área quanto para a população brasileira exposta a práticas questionáveis e não científicas.

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É isso! Foi uma leitura que me deixou com noções boas sobre os temas que abordou.

William Mendes

76 de 100 dias



Opinião 

Brasil voltou a falar grosso com os periféricos e fino com os imperialistas 

76. Era para estar na estrada ou me preparando para pegar a estrada nesta sexta-feira. Abortei a romaria entre Uberlândia e Água Suja. Estou triste por isso. Frustrado! (vida que segue)

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DIPLOMACIA BRASILEIRA DECEPCIONANTE

Me sinto dividido entre o pessimismo da razão e o otimismo da ação consciente da luta política. 

A razão e o conhecimento acumulados em décadas de estudos e a experiência da representação política, ao mesmo tempo que me deixam com dúvidas no alcance das mudanças necessárias, me impõem a necessidade de acreditar na ação política transformadora.

Fico decepcionado com a atitude pusilânime da diplomacia brasileira que não está respeitando a nossa própria Constituição Federal em seu Artigo 4°, incisos III, IV e V, nas relações internacionais, como expliquei em texto opinativo dias atrás (ler aqui).

O Brasil está desrespeitando a autodeterminação dos povos (III), a não-intervenção (IV) e a igualdade entre os Estados (V) no caso da Venezuela. 

E também da Nicarágua, que não sei de detalhes, mas sei que Israel atacou formalmente o governo brasileiro e não teve nem recebeu o mesmo tratamento de expulsão de seu embaixador. Ou seja, fala grosso com uns e fino com outros. Vergonha!

Éramos de diplomacia ativa e altiva nos governos anteriores do PT. 

Vamos voltar a ser mais ativos e altivos, presidente Lula?

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ELEIÇÕES MUNICIPAIS 

Ontem, aconteceu o primeiro debate com candidaturas a Prefeitura de São Paulo. 

Das cinco candidaturas presentes no debate da Bandeirantes, três são terríveis para a nossa classe trabalhadora e para o povo paulistano: o atual prefeito Nunes, um tal de Marçal e o apresentador Datena. Guilherme Boulos e Tabata Amaral são candidaturas melhores para o povo paulistano. 

Meu apoio nesta eleição é para as propostas da candidatura de Guilherme Boulos. 

Pela experiência que tenho na política, não tenho dúvidas de que o melhor para nós paulistanos é eleger Boulos e uma base parlamentar importante na Câmara de São Paulo. 

Avalio que Boulos se saiu muito bem ontem. Foi propositivo, cortês, apontou questões sérias sobre a atual gestão da cidade e podemos recuperar São Paulo com uma gestão progressista e humanista liderada por Boulos e por nossas bancadas parlamentares. 

Para a Câmara de São Paulo vou apoiar a candidatura da jovem vereadora Luna Zarattini, pois venho acompanhando seu trabalho desde o início. Ela é espetacular como representante das causas populares. Falarei mais sobre Luna neste período eleitoral. 

É isso! O otimismo da ação transformadora precisa prevalecer em todos nós. 

Sigamos lutando.

William Mendes


quinta-feira, 8 de agosto de 2024

75 de 100 dias



75. Acordei e fiquei refletindo sobre o que fazer. Minha mãe não teve uma noite tranquila. Meus familiares mineiros não estão com a saúde em plenas condições. 

No primeiro dia em Uberlândia, tentei resolver algumas coisas da casa. 

Hoje, para refletir, fui andar no Parque do Sabiá, aquele lugar especial. Andei com pássaros-pretos, bem-te-vis e com as exóticas curicacas. Decidi não fazer a romaria por diversos motivos... 

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Por duas décadas, fui um dirigente político da categoria bancária. Vivi a política nacional por dentro, não só a sindical, mas a partidária por ter sido militante da maior tendência da CUT e do Partido dos Trabalhadores. 

Ao observar o cenário nacional e internacional e ao compreender o contexto histórico no qual nos encontramos, sei que nossos desafios no campo da esquerda e dos grupos que lutam por um mundo livre do capitalismo são desafios revolucionários. 

O que poderia fazer para dar algum sentido em minha existência hoje? Já sei de meu papel social, que procuro cumprir com responsabilidade. Mas e o tesão por algo pessoal? Um objetivo pessoal? Os religiosos e místicos perseguem objetivos inventados que os eternizam em outros mundos, outras vidas... sei como eles pensam... fui assim por décadas. 

75 de 100 dias e não encontrei sentidos novos nem mudanças significativas. 

Snif

William 


Natais - 1976



Refeição Cultural 

Uberlândia, 8 de agosto de 2024. Quinta-feira. 


Cheguei ontem à casa de meus pais para fazer a romaria de Uberlândia a Água Suja, região do Triângulo Mineiro. Faço essa caminhada há quase quatro décadas. 

A minha impressão sobre quase tudo no ambiente familiar me deixou bem triste. Melancólico. Vou inclusive decidir nas próximas horas se farei a romaria ou se vou desistir desse dia na estrada, dia de introspecção e monólogo interior sob forte estresse físico e mental como é andar 80 Km.

Ao ver a condição de saúde de meus familiares, a casa, as coisas da casa, e perceber a minha própria condição de saúde, fiquei pensando em palavras que representassem a condição das coisas, da forma como percebo o nosso universo familiar. 

Degenerescência? Decrepitude? Decadência?

O mais triste é que essas palavras poderiam tranquilamente, na minha opinião, descrever a condição do mundo, da sociedade humana, das relações entre as pessoas, da ética e dos valores da sociedade humana neste momento da nossa história na Terra.

Ao mesmo tempo, é óbvio que o novo sempre vem, a todo instante, o velho vai sendo substituído pelo novo. A natureza nos ensina a certeza da mudança. Tudo muda o tempo todo. Lembremos: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma...

Se prevalecessem as abstrações humanas mais "humanistas" que seriam em tese mais solidárias e que criam direitos universais, as mudanças constantes seriam num sentido. 

Se, no entanto, prevalecem as abstrações humanas do capitalismo neoliberal, como ocorre neste momento global, as mudanças caminham aceleradamente no sentido inverso ao que poderia ser. O fim para nós. 

Comecei esta série de textos sobre os natais pensando em resgatar a história da família num contexto de confraternizações de Natal ao longo de décadas e citando referências de época para situar essa gente brasileira em sua ambiência cultural e histórica.

Avalio que o difícil não será escrever sobre o passado. O difícil será resistirmos até o próximo Natal, o deste ano em curso. Que dirá o Natal seguinte.

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NATAL DE 1976

Naquele Natal eu já estava com sete anos e, olhando para trás, começo a ter memórias dessa época. 

A foto da abertura pode ser de meus primeiros tempos de Adolfino, onde me alfabetizei.

Tenho lembranças boas dessa fase da vida em São Paulo. 

Em algum Natal dessa fase, teve até um papai Noel que entrou na sala do sobradinho no Rio Pequeno falando "ho ho ho". As crianças - eu, irmã e companhia - fingiram que estavam dormindo nos quartos lá em cima, mas estávamos todos olhando pelo canto da escada. Ele colocou os presentes na árvore de Natal na sala e se foi. 

Como disse, eu já estudava na E. E. Prof. Adolfino de Arruda Castanho. Fiz da 1ª à 4ª série lá. Minha avaliação na 1ª série foi "A" em "Comunicação e Expressão". Vi isso numa caderneta antiga.

Na escola, morríamos de medo da loira do banheiro ou loira do algodão, algo assim (medos de crianças, lendas urbanas). Quando algum moleque gritava "olha a loira do algodão!" a gente saia mijando com o pinto na mão. 

Sei que naquele ano faleceu o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), no mês de agosto, vítima de um acidente de carro na Via Dutra. 

Meu pai e mais um monte de gente sempre falou e fala ainda hoje que JK foi assassinado pela ditadura através da simulação do acidente. Vai saber. Oficialmente, foi acidente.

É isso. O Natal de 1976 da nossa família de trabalhadores se deu num país sob ditadura e prometendo a todos que o futuro seria melhor. 

Não sou determinista e acredito que os humanos são seres capazes de mudar tendências e fazer história. 

Porém, neste momento, após cinco décadas de destruição do planeta Terra pelo capitalismo, nem futuro melhor vislumbramos para o amanhã. 

William Mendes 


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


quarta-feira, 7 de agosto de 2024

74 de 100 dias


Diversidade zero...


Opinião 

74. Enquanto sobrevoava as terras brasileiras do Oeste de São Paulo e Minas Gerais ocupadas pelos bilionários do agro, refletia sobre a roda de conversa que participei com Gilmar Mauro, liderança do MST, semanas atrás. 

Em dez anos ou menos, as terras e biomas brasileiros estarão destruídos, e os desgraçados que enriqueceram destruindo tudo terão ido para outros países, gozar da riqueza e da impunidade em fancy restaurants


Da janela do avião se vê aquele mundo sem diversidade, um deserto de porcarias do agro.

Interromper essa destruição causada por essas casas-grandes é mais importante que tudo, pois não teremos mais a natureza para vivermos nela.

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NÃO AGUENTO MAIS IMPUNIDADE E INJUSTIÇA 

Enquanto reflito sobre essa injustiça que inviabiliza a vida, a paz e o avanço da sociedade humana, outras tramoias e canalhices estão em andamento para salvar os piores bandidos do mundo, aqueles que causaram um genocídio no Brasil, que roubaram milhões de dinheiros do erário público. 

Seus cúmplices e pau-mandados nas estruturas do Estado estão operando para a impunidade total dessa canalha que destruiu o Brasil. 

Como aguentamos isso? 

Eu não sei se aguento.

Não sei se quero aguentar isso.

Não aguento mais impunidade e injustiça!

William Mendes 


terça-feira, 6 de agosto de 2024

73 de 100 dias


A bomba atômica.

Opinião

73. O dia 6 de agosto é um dia para nunca ser esquecido pela sociedade humana. O dia da infâmia! O dia no qual os Estados Unidos da América lançaram sobre a cidade de Hiroshima, Japão, uma bomba atômica, no ano de 1945, matando imediatamente dezenas de milhares de pessoas e centenas de milhares depois devido às consequências dos efeitos radioativos da bomba. Três dias depois, 9 de agosto, os mesmos EUA lançariam outra bomba atômica sobre Nagasaki. Não podemos esquecer esse ato de lesa-humanidade ao assassinar centenas de milhares de pessoas - crianças, mulheres, idosos, civis, pessoas que não estavam em campos de batalha - para demonstrar o poder de morte de um governo sobre os demais povos em confrontos e guerras.

Terminei recentemente a leitura de um clássico japonês das Histórias em Quadrinhos que me trouxe muitas emoções - Gen Pés Descalços -, de Keiji Nakazawa, um desenhista e criador de mangás (mangaká) cuja história pessoal se confunde com a história do personagem principal, Gen Nakaoka, um garoto de seis anos que sobreviveu à bomba atômica. A leitura das mais de 2000 páginas da obra me proporcionou momentos de muita reflexão, sofrimento e conscientização.


Gen Pés Descalços,
em 10 volumes.

TEREMOS NOVAS BOMBAS E NOVAS GUERRAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA?

O que a humanidade aprendeu com o assassinato de meio milhão de pessoas com os lançamentos das bombas atômicas nos anos quarenta? 

Se pararmos para refletir a partir do cenário mundial neste exato momento, veremos que não aprendemos muita coisa. 

Estamos à beira de uma conflagração de guerras inumeráveis ou de envolvimento de grandes países do mundo em uma guerra polarizando os Estados Unidos e seus vassalos de um lado e seus inimigos escolhidos de outro. Uma espécie de 3ª Guerra Mundial.

A atual guerra na Ucrânia, uma guerra por procuração, provocada segundo muitos analistas de geopolítica internacional pelos movimentos da Otan e pelos Estados Unidos, que desrespeitaram acordos desde os anos noventa e foram convidando e incluindo todos os países vizinhos da Rússia a serem membros da Otan expondo o povo russo a um risco real de ataques a sua soberania.

A guerra de extermínio e expulsão do povo palestino da Faixa de Gaza e da Palestina, promovida pelo governo sionista de Israel, com apoio dos Estados Unidos, guerra que já matou mais de 40 mil palestinos - crianças, mulheres, idosos, civis e pessoas que não estavam em campos de batalha - repete o roteiro das guerras conhecidas pelos historiadores no último século.

A nova tentativa dos Estados Unidos em derrubar o governo da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo, de forma injustificável, ao declarar que a dupla Edmundo González e Maria Corina Machado são vencedores de uma eleição com números criados da cabeça deles, só na base da narrativa inventada, é um passo perigoso na atual conjuntura global. Será que os países do BRICS e aliados vão aceitar essa provocação e ingerência para tomar os poços de petróleo do povo venezuelano na mão grande?

Poderia ficar aqui citando as provocações dos Estados Unidos a diversos países com o intuito de causar um ambiente de conflito global - Irã, China, Rússia etc.

Esses são os tempos...

Lembrem-se do dia 6 de agosto de 1945!

Lembrem-se do dia 9 de agosto de 1945!

Estamos livres e distantes de novas bombas de destruição em massa?

BLOQUEIOS ECONÔMICOS SÃO COMO BOMBAS ATÔMICAS EM RELAÇÃO AOS SEUS EFEITOS SOBRE AS POPULAÇÕES VÍTIMAS

Estamos livres das bombas de destruição em massa chamadas bloqueios econômicos e comerciais, os tais embargos disparados pelos Estados Unidos a hora que querem e ao país que eles acharem que devem disparar essas bombas de destruição econômica que só causam miséria e mortes às populações civis de seus inimigos? 

(vejam o que o povo cubano sofre há décadas com essa bomba norte-americana chamada "bloqueo". Vejam as consequências para o povo venezuelano...)

Lembrem-se do dia 6 de agosto!

E tenhamos consciência do mal que as guerras e as bombas causam às pessoas.

William Mendes


segunda-feira, 5 de agosto de 2024

72 de 100 dias



72. Nesta segunda-feira pela manhã, enquanto ouvia no programa "Cubanias", nº 155, a excelente entrevista de Lina Noronha ao "youtuber" cubano Gilo Fezzo (ver programa aqui), soube da conquista de mais uma medalha de nossa atleta Rebeca Andrade, agora de ouro. Que legal ver nossas brasileiras e brasileiros estarem competindo porque tiveram oportunidade para isso!

ESPORTE TAMBÉM É POLÍTICA 

Na edição desta semana da revista CartaCapital (n° 1322), há um excelente artigo do senador Jaques Wagner (p. 29) nos informando sobre os números e resultados dos 20 anos de criação do programa Bolsa Atleta pelo presidente Lula (criado em 2004). 

Além do Bolsa Atleta, o senador informa sobre os outros programas e montantes de recursos públicos que beneficiaram (98%) ou beneficiam ainda (87,3%) a quase totalidade dos atletas da delegação brasileira (276) nas Olimpíadas de Paris, França. 

O Brasil ganhou mais medalhas nesses 20 anos de patrocínio do governo federal aos atletas olímpicos (84) e paraolímpicos (267), em 5 edições com Bolsa Atleta, do que em 80 anos sem apoio governamental aos atletas. Foram 66 medalhas em 15 edições antes de Lula (PT). Isso significa IGUALDADE DE OPORTUNIDADES! Por isso temos visto tantas pretas e pretos e pessoas periféricas levantando medalhas. Nossa delegação tem 153 mulheres em 276 atletas (55%). 

ATLETISMO CUBANO É VÍTIMA DO BLOQUEIO IMPERIALISTA

Por outro lado, achei muito importante a explicação de Gilo Fezzo sobre os motivos pelos quais Cuba não é hoje uma potência mundial nas Olimpíadas como era décadas atrás. Após mais de 6 décadas de bloqueio dos EUA com o objetivo de causar miséria ao povo cubano por ter escolhido o socialismo como modelo econômico, político e social, o país precisa focar seus recursos disponíveis nas questões mais vitais como rede e insumos hospitalares, alimentação, educação, moradia etc. Esporte de competição exigiria um investimento em recursos que o país não dispõe no momento. 

Por isso sempre acusamos aqui o crime de lesa-humanidade do imperialismo com esses embargos e bloqueios a outros povos e países do mundo. Cuba e Venezuela sofrem no momento um embargo criminoso e injustificável por parte dos Estados Unidos da América que inviabiliza a normalidade econômica, política e social desses países. Isso em nome de uma suposta "democracia" em um país cujo sistema político é uma PLUTOCRACIA, os ricos e suas empresas estão no poder, não o povo.

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CAPITALISMO OU SOCIALISMO?

É isso! Reflitam sobre essas questões que apontei aqui. 

Onde está a democracia (povo no poder) arrotada pelos Estados Unidos? 

Que sistema causa miséria generalizada em mais de 90% da população (beneficiando o 1%) e qual modelo traz mais justiça social e igualdade de oportunidades? O modelo do cada um por si ou o modelo da solidariedade?

William Mendes 


domingo, 4 de agosto de 2024

71 de 100 dias



71. Enquanto fechava os olhos, pela manhã, para apreciar o vento que acariciava meu corpo no banco do condomínio, pensei na temática do filme "Blade Runner" (1982): o tempo, a busca por mais tempo de vida. 

De forma natural, me veio à lembrança o genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza. Nas últimas horas, dezenas de pessoas foram mortas em uma escola e em um campo de refugiados pelas bombas dos soldados israelenses. 

É impossível não se sentir constrangido por estar sentado ao sol, em paz na brisa, sem risco de morte aparente, sabendo que os soldados sionistas e o governo de Netanyahu estão matando pessoas como nós, seres humanos, por causa de um projeto político de colonização de um espaço de chão no planeta Terra. E com apoio e armas dos Estados Unidos, que por sinal querem a qualquer custo o petróleo de nossos vizinhos venezuelanos.

Como é possível no século atual interligado por som e imagem ter-se normalizado o assassinato diário de civis, de mulheres, crianças e não-combatentes pelo Estado de Israel? Os sionistas assassinam diplomatas e lideranças civis como se isso fosse algo normal e aceitável. 

IDEOLOGIA DA CLASSE DOMINANTE - E a imprensa tradicional e comercial, dos donos do capital (donos das big techs, por sinal), atua com obediência canina para tirar do foco o genocídio de um povo (invisibilização de pauta) e colocar outras pautas na agenda cotidiana. Isso se chama manipulação das massas, de seus leitores e espectadores: se trata de ideologia, imposição de ideias de um grupo como se fossem as ideias de interesse de outros grupos. É uma prática tão vil e nojenta quanto o próprio genocídio que a imprensa esconde e normaliza.

Aí volto ao tema do tempo, da busca por mais tempo de vida... eu mesmo, enquanto me esforçava para diminuir o tempo do percurso que corri, pensava no efeito prolongador da vida em meu corpo animal que a corrida pode me proporcionar, melhorando meus níveis de colesterol, minha estrutura do sistema circulatório e a capacidade do coração e pulmões. 

No filme de Ridley Scott, o replicante Roy Batty (Rutger Hauer) procura seu criador para pedir mais tempo de vida para ele e sua amada, Pris (Daryl Hannah), pois os robôs nexus-6 vivem por 4 anos e nem um segundo a mais.

Fico pensando nessa questão do tempo, de mais tempo de vida. Penso nos meus irmãos palestinos neste exato instante, sem água, comida, sem um chão pra viver em paz. Penso nos ensinamentos de José Martí, que nos legou que "Patria es humanidad" e reflito sobre essa questão do tempo de vida: 

De alguma forma, devemos contribuir para mudar o mundo, tornar o mundo um lugar melhor para todas as pessoas e formas de vida. Minha vida não pode ser só focada no meu prazer pessoal. Temos que contribuir para mudar o mundo. 

Por isso estudo e escrevo. Para compartilhar minhas ideias, para defender um mundo sem exploração dos humanos por outros humanos, para defender uma vida mais sustentável no planeta Terra, para alertar que não é possível "humanizar" o capitalismo. Para salvar a vida e o mundo, temos que derrotar os capitalistas e suas ideologias. 

William Mendes 


sábado, 3 de agosto de 2024

70 de 100 dias



70. Superação... superar a preguiça de praticar atividades físicas... superar as dores de um corpo que já não acompanha os mandos da razão... superar o pessimismo da razão!

Eu vou encarar a estrada na semana que vem. Não seria nada de excepcional se fossem outros tempos. Natureza. Agora andar 80 Km se tornou algo temerário pra quem isso era coisa comum. Natureza!

Dez semanas depois que demarquei uma centena de dias para viver diariamente buscando sentidos e mudanças, fiz alguns exames médicos, vi como meu corpo de mamífero está, fiz algumas atividades de aquisição de conhecimentos, abracei algumas pessoas queridas... e nada mais.


Pensei algumas coisas sobre a sequência do viver. Mas não defini nada. 

Tentar manter meu sistema locomotor funcionando é uma prioridade. Não sei como agiria sem mobilidade...

É isso, por enquanto. 

William 


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

69 de 100 dias



69. Os acasos moldam nossos dias, diria até nossas vidas. Quem já leu textos meus sabe que falo sobre os acasos da existência. São as veredas deste grande sertão que é a vida.

Hoje era pra eu ter andado umas dezenas de quilômetros. Havia planejado isso, fazer mais um teste físico para mensurar minha energia para andar os 80 Km da semana que vem. Andei 31,5 Km na semana passada. Os acasos mudaram meu dia (risos). Tudo bem! 

Ao aceitar o convite da companheira Lina Noronha para fazer uma live sobre política (ver aqui), cuja pauta central foi a eleição presidencial na Venezuela, senti a necessidade de organizar meu dia para ler boas fontes sobre o tema.

Deu tudo certo, acho que o programa foi legal. Agradeço a Lina pelo convite. Nos conhecemos em Havana, na Casa de Isabel. Sigo à disposição das causas da esquerda, do mundo do trabalho e do socialismo. 

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Acho que vou aproveitar que não andei uns 50 Km e vou dormir mais cedo. Ando cansado.

Amig@s leitores, um outro mundo é possível. Para mudarmos a tendência de fim do mundo, temos que apostar na educação e na cultura, para mudarmos as pessoas e com isso mudarmos o mundo. O conhecimento liberta, como ensina José Martí!

William Mendes 


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

68 de 100 dias



68. Cuba e Venezuela, cada país e povo, do seu jeito, hoje representam alternativas reais e não teóricas ao modelo de Estado imposto pelo imperialismo norte-americano, que é uma plutocracia na qual o capital governa e o povo não manda nada.

Cuba era assim até os anos cinquenta com o regime ditatorial de Fulgencio Batista, assassino e corrupto bancado pelos Estados Unidos. A Venezuela também era uma plutocracia até o início da Revolução Bolivariana, com Hugo Chávez. 

Nos dois países, a miséria atingia a quase totalidade do povo antes da Revolução Cubana e do chavismo.

Com as revoluções cubana e bolivariana, os Estados Unidos decidiram impor bloqueios econômicos aos dois países com o objetivo de causar miséria, desespero e revolta às suas populações para que elas culpem o governo pelo que estão sofrendo.

Entenderam o resumo simplificado do que se passa neste momento em Cuba e na Venezuela? Neste momento e desde muito tempo!

Como humanista, pessoa de esquerda e socialista, jamais poderia ter dúvidas em me posicionar a favor do governo revolucionário cubano ou chavista em qualquer processo imperialista para desestabilizar e interromper os processos autóctones de autonomia desses dois povos em relação a qualquer grupo que represente o outro lado, o imperialista, o neoliberal, o capitalista. 

Jamais! Neste momento no/do mundo estou com Díaz-Canel e os cubanos e com Nicolás Maduro e o povo venezuelano. 

A extrema-direita não tem a maioria neste momento nem em Cuba nem na Venezuela e por isso se utiliza das ferramentas do nazifascismo com suas máquinas de manipulação de massas e com golpes sórdidos de toda ordem.

Viva Cuba! Viva a Venezuela! Viva a Revolução Cubana! Viva a Revolução Bolivariana!

Há que se ter lado, e o meu jamais será o do imperialismo do velho "Ocidente", os EUA e a Europa.

William Mendes