terça-feira, 21 de julho de 2009

Filme: O Homem de La Mancha, de Arthur Hiller




Li Don Quijote de La Mancha entre novembro de 2005 e fevereiro de 2006.


Foram 1.100 páginas de uma de minhas maiores aventuras literárias (assim como foi a leitura de Ulisses de James Joyce).


Li a Edición del IV Centenario, Alfaguara, de la Real Academia Española y Asociación de Academias de la Lengua Española.


Após esta experiência literária, fui atrás da história iconográfica da obra. Consegui 3 filmes: Man of La Mancha, Don Quijote de Orson Welles e El Quijote, além de um especial da Discovery Channel.


Assisti ao filme com Peter O'Toole e Sofia Loren. É belíssimo e emocionante! Gostei muito.


Creio que conhecer o livro e um pouco da vida de Miguel de Cervantes ajuda muito na compreensão e envolvimento durante a apresentação.


Gostei da construção do roteiro, intercalando criador e criatura: Cervantes e dom Quixote.


Outra impressão fortíssima é a imagem de O'Toole como Quixote. Eu só o conheço atuando em outra obra de fôlego - Laurence da Arábia. Em ambos os filmes, sua incorporação da personagem é fantástica!


Recomendo que os amantes da leitura e do cinema achem um tempo em suas vidas para ler os dois tomos de Cervantes, o de 1605 e o de 1615, ou seja, as 3 saídas de dom Quixote. E complementem a própria imaginação de leitor, buscando em filmes, desenhos e pinturas as famosas construções da imagem mitológica do Cavaleiro da Triste Figura e seu fiel escudeiro Sancho Pança.


A obra nos modifica. Nos faz perceber que desde sempre e até o fim, haverá aquele que luta e busca um mundo mais justo e solidário.






Elenco:

Peter O'Toole (Don Quixote de la Mancha / Miguel de Cervantes / Alonso Quijana)

Sophia Loren (Aldonza / Dulcinea)

James Coco (Sancho Panza / Criador de Cervantes)


Sinopse

Durante a Inquisição na Espanha, Miguel de Cervantes (Peter O'Toole) é preso como herege, por propagar pensamentos subversivos. Ele é jogado em um calabouço, ocupado também por ladrões e assassinos, e é "julgado" pelos prisioneiros. Para se defender, Cervantes conta a história de um homem idoso, que passa os dias e as noites lendo e só consegue ver a injustiça e a trapaça triunfarem. Ele se torna um cavaleiro errante, conhecido como Don Quixote de la Mancha, que decide lutar contra as injustiças do mundo. Durante o "julgamento" Cervantes se transforma em Don Quixote, para poder fazer a sua defesa.


Ficha técnica do filme:
Título Original: Man of La Mancha
Gênero: Musical
Tempo de Duração: 129 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1972
Estúdio: Produzioni Europee Associati
Distribuição: United Artists
Direção: Arthur Hiller
Roteiro: Dale Wasserman, baseado em livro de Miguel de Cervantes
Produção: Arthur Hiller
Música: Mitch Leigh
Fotografia: Giuseppe Rotunno
Desenho de Produção: Luciano Damiani
Figurino: Luciano Damiani
Edição: Robert C. Jones


Fonte: Adorocinema.com

A condição "Ceteris Paribus" na Economia

Ainda sobre a concepção e a natureza das leis econômicas, devemos nos ater ao conceito da condição Ceteris Paribus.

As leis e funções econômicas são baseadas não nas ações e reações de um único e isolado agente econômico, mas no resultado estatístico da observação do comportamento de um grande número de indivíduos, nos diz Rossetti.

Para isso "torna-se necessário um número estatisticamente significativo de observações. Algumas dessas observações poderão ser atípicas, não se situando nas faixas de normalidade definidas pelo comportamento do conjunto" p.71

Para trabalhar com 2 exemplos, peguemos a lei da procura QP = f(P) e a função consumo C = f(Y).

Essas formulações são feitas a partir da observação de que há uma relação funcional de dependência entre as quantidades procuradas (QP) e os preços (P) na lei da procura e há uma comprovação estatística das relações entre a Renda Pessoal Disponível (Y) e o Consumo Agregado (C) na função consumo.

As variáveis QP e C são respectivamente dependentes das variáveis P e Y.

Rossetti nos explica que essas relações funcionais simples, a despeito de seu caráter estatístico, são influenciadas por uma pluralidade de causas.

"A validade das leis formuladas implica que sejam mantidos inalterados todos os demais fatores que podem interferir nas magnitudes assumidas pelas variáveis sob observação" p.72

CONDIÇÃO CETERIS PARIBUS
"Trata-se de uma expressão subjacente ao caráter essencial das leis econômicas. É uma condição que significa, literalmente, mantidos inalterados todos os demais fatores; ou, ainda permanecendo iguais todos os demais elementos" p.72

Por fim, as leis da Economia estão sempre contingenciadas pela condição ceteris paribus.

Então, diz-se ceteris paribus, as quantidades procuradas constituem uma função dos preços...


Bibliografia:
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 16a Edição de 1994. Ed. Atlas.

domingo, 19 de julho de 2009

Formação Econômica do Brasil, Celso Furtado




E como a formação econômica do Brasil tem relação profunda com a expansão comercial europeia, notadamente neste caso, da portuguesa, iniciemos com Luís de Camões e o poema Os Lusíadas:


CANTO PRIMEIRO

19

Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Proteu são cortadas,

20

Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
Onde o governo está da humana gente,
Se ajuntam em concílio glorioso,
Sobre as cousas futuras do Oriente.
Pisando o cristalino Céu fermoso,
Vêm pela Via Láctea juntamente,
Convocados da parte do Tonante,
Pelo neto gentil do velho Atlante.


PRIMEIRA PARTE

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

III. Razões do monopólio

Este capítulo é relativamente curto e basicamente nos apresenta um "curta metragem" do ocorrido na Espanha na época.

Enquanto vimos que Portugal precisou pensar uma forma de manter a posse das terras da América, trazendo para cá uma produção agrícola de cana-de-açúcar com a maior parte da mão de obra de escravos africanos, a Espanha optou por seguir com a exploração de metais, principalmente o ouro, e basicamente com a mão de obra dos povos da América.

As consequências econômicas vieram naturalmente para a Espanha. A fartura de metais preciosos levou a uma forte inflação, que piorou com o fato de a produção local ser deixada de lado em nome das importações dos produtos de outros países - que cresciam com isso - e a Espanha viveu a lua de mel do ouro da América para depois cair na lua de fel da falta de investimento na produção interna do país.

"Esse afluxo de metais preciosos alcançou enormes proporções relativas e provocou profundas transformações estruturais na economia espanhola (...) Sendo a Espanha o centro de uma inflação que chegou a propagar-se por toda a Europa."

COMENTÁRIO POSTERIOR DO BLOG: 

Alguém se lembrou de comparar os 2 últimos partidos que presidiram o Brasil entre 1995-2002, PSDB/DEM, e entre 2003-2010, PT/PCdoB? No (des)governo dos demotucanos, o Brasil era uma Espanha-Metrópole que quebrou a produção interna do país e no governo do PT de Lula da Silva, o Brasil se transformou num país com crescimento interno e que negocia com diversos países do mundo e não somente como país dependente de comércio com EUA e Europa.


VOLTANDO AO TEXTO DA POSTAGEM

Isso influenciou por 3 séculos tanto o desenvolvimento socioeconômico da Espanha quanto o de suas colônias na América. Esta, demorou sobremaneira para sair das culturas de subsistência. Aquela, caiu no atraso econômico em relação aos demais países da Europa.

Celso Furtado nos diz que caso a Espanha tivesse aproveitado melhor algumas condições existentes - como as terras de melhor qualidade para produzir o açúcar, terras da América Central mais próximas da Europa e a mão de obra nativa mais apropriada ao plantio - Portugal teria muita dificuldade de se estabelecer como ocorreu.


CONCLUSÃO DE FURTADO

"Cabe, portanto, admitir que um dos fatores do êxito da empresa colonizadora agrícola portuguesa foi a decadência mesma da economia espanhola, a qual se deveu principalmente a descoberta precoce dos metais preciosos"


COMENTÁRIO FINAL: da outra vez que li esse capítulo fiz a seguinte observação: "Várias casualidades resultaram em sermos brasileiros-portugueses e não brasileiros-espanhóis".


Bibliografia:

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. In: Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Publifolha 2000.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Planos e níveis da linguagem (II), lendo Bechara

Recapitulando:

A linguagem humano tem 3 planos:
-UNIVERSAL ou do falar em geral;
-HISTÓRICO ou da língua concreta;
-INDIVIDUAL ou do dircurso realizado.

Tem 3 pontos de vista diferentes da atividade cultural e real de falar:
-atividade criadora ou Enérgeia;
-competência ou dínamis;
-produto da fala ou érgon (texto).

Tem 3 planos de saber linguístico correspondentes aos 3 níveis acima:
a) O saber elocutivo ou competência linguística geral.
b) O saber idiomático ou competência linguística particular.
c) O saber expressivo ou competência textual.

JUÍZOS DE VALOR
Distinguem-se 3 tipos de juízos de valor referentes às conformidades do falar com o respectivo saber linguístico:

a) Ao saber elocutivo corresponde a norma da congruência, isto é, os procedimentos em consonância com os princípios do pensar, autônomos ou independentes dos juízos que se referem à língua particular e ao texto.
ex: "tudo certo, como dois e dois são cinco" (não é incongruência, pois o falante sabe que a frase é uma anulação metafórica = "a coisa não está certa")

b) Ao saber idiomático corresponde a norma da correção, isto é, a conformidade de falar (em) uma língua particular segundo as normas de falar historicamente determinado e corrente na comunidade que a pratica.

Língua histórica é igual à soma das línguas comunitárias. ex: A Língua Portuguesa é o conjunto do português de Portugal, do Brasil, do português popular, do português baiano etc.

O juízo de valor concernente à correção é juízo de "suficiência" ou "conformidade" somente com o saber idiomático historicamente determinado para uma comunidade.

c) Ao saber expressivo corresponde a norma de adequação à constituição de textos levando em conta o falante, o destinatário, o objeto ou a situação, critério mais complexo.

Bechara nos alerta que "muitas vezes se diz que 'alguém escreve mal o português', quando, na realidade se quer fazer referência ao saber elocutivo ou ao expressivo, porque escreve sem congruência ou sem coerência, ou ainda com pouca clareza".

3 tipos de conteúdo linguístico

a) Plano linguístico geral: corresponde a designaçao (ou referência) a uma realidade extralinguística.

b) Plano linguístico particular: corresponde ao significado

c) Plano do discurso: corresponde ao sentido, ou seja, o dito é o especial conteúdo linguístico que se expressa mediante a designação e o significado. ex: "dar com os burros n'água" = ter insucesso.

Bibliografia:
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37a. Edição Revista e Ampliada. 16a. Reimpressão. Editora Lucerna, RJ 2006.

Leitura: Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado



Celso Furtado. Foto: internet.

Comecemos com um pouco de Camões e Os Lusíadas:

CANTO PRIMEIRO

3
Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram,
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram;
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.


PRIMEIRA PARTE

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

II. Fatores do êxito da empresa agrícola

Portugal contou com um conjunto de fatores favoráveis ao empreendimento da empresa agrícola na América.

Ele já tinha décadas de experiência em produção de açúcar nas ilhas do Atlântico. Antes de desenvolver a técnica de refino de açúcar, somente os venezianos conheciam o segredo.

As crises de superprodução não são coisas somente do capitalismo moderno. Já em 1496 houve uma crise de superprodução de açúcar.

Celso Furtado, no entanto, nos diz sobre a importância para a Europa da entrada dos portugueses no mercado açucareiro:

"Uma das consequências principais da entrada da produção portuguesa no mercado fora a ruptura do monopólio, que mantinham os venezianos, do acesso às fontes de produção."

Parceria de portugueses e flamengos:

"A contribuição dos flamengos - particularmente dos holandeses - para a grande expansão do mercado do açúcar, na segunda metade do século XVI, constitui um fator fundamental do êxito da colonização do Brasil (...) eram nessa época o único povo que dispunha de suficiente organização comercial para criar um mercado de grandes dimensões para um produto praticamente novo, como era o açúcar."

Furtado nos fala da eficiência dos holandeses em "marketing" para colocar o produto açúcar no mercado: "torna-se evidente a importância da etapa comercial para o êxito de toda a empresa açucareira".

Coube aos capitalistas holandeses não só o financiamento da refinação e comercialização do açúcar, como eles também "participaram no financiamento das instalações produtivas no Brasil bem como no da importação da mão de obra escrava". Noel Deer (The History of Sugar) diz que o negócio era mais dos holandeses que dos portugueses.

Resolvidos os problemas de técnica de produção, criação de mercado e financiamento, restou o problema da mão de obra: escravos africanos.

Na Europa de então, a mão de obra era um fator de produção caro devido ao aquecido mercado com as índias orientais. Além disso, as condições de trabalho na colônia exigiriam maior atrativo financeiro para que alguém topasse vir para cá.


O FOCO ECONÔMICO ERA O OURO!

"O que importa ter em conta é que houve um conjunto de circunstâncias favoráveis sem o qual a empresa não teria conhecido o enorme êxito que alcançou. Não há dúvida que por trás de tudo estavam o desejo e o empenho do governo português de conservar a parte que lhe cabia das terras da América, das quais sempre se esperava que um dia sairia o ouro em grande escala."

Celso Furtado conclui: "O êxito da grande empresa agrícola do século XVI - única na época - constituiu, portanto, a razão de ser da continuidade da presença dos portugueses em uma grande extensão das terras americanas."


COMENTÁRIO DO BLOG (1): 

A empresa agrícola era para manter a possessão da América em custos razoáveis. O foco econômico sempre foi o extrativismo do ouro.

COMENTÁRIO DO BLOG (2): 

A questão execrável da escravidão, utilizada durante a expansão comercial europeia, sempre existiu. Nesse período, foram vítimas os africanos. Em outros tempos, sempre foram vítimas os povos derrotados.


Bibliografia:

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. In: Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Publifolha 2000.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Leitura de Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado


Lula e Celso Furtado (2003). 
Foto Wikipedia: Marcello Casal Jr.

Nada melhor para começar a leitura dessa história da expansão comercial europeia, do que as primeiras estrofes de Os Lusíadas, de Luís de Camões.


CANTO PRIMEIRO

1

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da taprobana*,
E em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

*(nome clássico da Ilha de Ceilão; ou Sumatra, cfe. Camões)

2

E também as memórias gloriosas
Daqueles reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando
- Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.


PRIMEIRA PARTE

Fundamentos econômicos da ocupação territorial

I. Da expansão comercial à empresa agrícola

A descoberta das terras americanas é um episódio da expansão comercial da Europa.

O grande feito português na segunda metade do século XV foi eliminar os intermediários árabes, antecipar-se à ameaça turca, quebrar o monopólio dos venezianos no Mediterrâneo e baixar o preço dos produtos em relação ao comércio de especiarias e manufaturas entre a Europa e o oriente (estudo de Antonio Sérgio).

Portugal e Espanha começaram a sofrer pressões dos demais países com relação às sua posses:

"O início da ocupação econômica do território brasileiro é em boa medida uma consequência da pressão política exercida sobre Portugal e Espanha pelas demais nações europeias. Nestas últimas prevalecia o princípio de que espanhóis e portugueses não tinham direito senão àquelas terras que houvessem efetivamente ocupado."

No entanto, a primeira motivação da ocupação foi "a miragem do ouro que existia no interior das terras do Brasil".

Século XVI: o primeiro século na América foi de pouca utilização econômica:

"Os traços de maior relevo do primeiro século da história americana estão ligados a essas lutas em torno de terras de escassa ou nenhuma utilização econômica."

Enquanto a Espanha centrou forças na defesa de suas terras mineradoras desde a Flórida até a embocadura do Rio da Prata, coube à Portugal pensar em medidas que inserissem as terras coloniais de forma permanente no fluxo de bens destinados ao mercado europeu - a exploração agrícola.


COMENTÁRIO DO BLOG: 

O cultivo da terra foi o fator determinante para sermos, hoje, galho da árvore portuguesa e não espanhola.


Bibliografia:

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. In: Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro. Publifolha 2000.

Caminhada e matemática da alimentação

Somando-se o que andei hoje pela manhã e à noite dá cerca de 6 km.

Os estudos atuais sobre a fisiologia do corpo mostram que a atividade física também vale quando praticada de forma intercalada.

O que as pessoas têm que ter em mente é observar o que ingerem de calorias ao longo do dia em relação ao que consomem de calorias. É evidente que além dessa matemática há que se ter em conta a qualidade do que se consome de alimentos, ou seja, balancear todos os componentes da cadeia alimentar e moderar o que é menos saudável.

Eu sou contrário a qualquer dieta que diga que as pessoas não possam comer algo. É só não exagerar em nada.

domingo, 12 de julho de 2009

Refeição Cultural 30 - Livros e filmes no tempo certo

Muita coisa a digerir.

Tenho procurado mesclar coisa antiga e coisa nova. Livro antigo e livro novo. Filme antigo e filme novo.

As coisas no tempo certo. O tempo certo de cada um, na verdade.

Só estou lendo certas obras agora. Só estou vendo certos filmes agora. Só estou ouvindo certas músicas agora (listen to e não hear).

Assisti ao filme 2001, uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick. Achei o filme... hipnótico. Estou assistindo à trilogia de Krzysztof Kieślowski sobre as cores e os ideais franceses. Ontem, assisti ao primeiro da trilogia - A liberdade é azul. Hoje, assisti ao segundo filme - A igualdade é branca. Amanhã, assistirei ao terceiro da série - A fraternidade é vermelha. Todos da década de 90.

Gosto muito de filmes não-americanos. São muito diferentes. As tomadas; as luzes; o foco e o olhar do diretor. A velocidade. Enfim, são muito diferentes.

Estou lendo várias coisas ao mesmo tempo. Buscando desesperadamente ser menos ignorante em vários autores e assuntos. Esse desejo e necessidade de cultura são meus. Me pertencem.

É evidente que tenho que digerir tudo isso. Transformar. Moldar o Ser e ser melhor para mim mesmo e para o mundo ao meu redor.

É isto!

sábado, 11 de julho de 2009

Poema - Famílias


Família...
Famílias...
Ao Norte. Ao Sul.
Famílias.

Aos pais, o dever filial.
Desejo filial. Por amor.
Mulher, Filho, dever patriarcal.
Desejo patriarcal? Por amor?

Mulher que gosta da sogra.
Mulher que não gosta do sogro.
A sogra que gosta da nora.
Mulher que não gosta do sogro.

O filho na encruzilhada.
Cuidados com toda a família.
Do filho, da nora.
Da sogra, do sogro.
Duas famílias... um soldo.
Famílias que não se bicam...
E um soldo.

Cuidar da família.
Cuidar das famílias.
O filho, o pai, um soldo.
Famílias que não se bicam.

O filho pensando nos pais.
O pai pensando no filho.
O filho precisa do pai.
Os pais precisam dos filhos.
O filho sofre...

Incompletudes...


Wmofox, anos 2000

As revoluções após o Outubro Vermelho - Hobsbawm





Seguindo na leitura do capítulo Revolução Mundial, de Hobsbawm.

"Na verdade, a típica revolução pós-Outubro do Breve Século XX, deixando de lado algumas explosões localizadas, seria ou iniciada por um golpe (quase sempre militar), capturando a capital, ou o resultado final de uma luta armada extensa e em grande parte rural." p.83


GOLPES MILITARES À ESQUERDA

"Os militares fazem parte do tecido da história revolucionária latino-americana, embora raras vezes tenham tomado o poder nacional, e não por muito tempo, por causas declaradamente esquerdistas. Por outro lado, para surpresa da maioria dos observadores, em 1974 um clássico putsch militar de jovens oficiais desiludidos e radicalizados pelas longas guerras coloniais de retaguarda derrubou o mais velho regime direitista então operando no mundo: a 'Revolução dos Cravos em Portugal'". p.83


GUERRA DE GUERRILHAS

A guerrilha como caminho para a revolução é uma descoberta tardia dos revolucionários.

"A própria palavra 'guerrilha' não fazia parte do vocabulário marxista até depois da Revolução Cubana de 1959." p.84

"Os bolcheviques, que travaram tanto guerra irregular quanto regular durante a Guerra Civil, usavam o termo partisan, que se tornou padrão nos movimentos de resistência inspirados pelos soviéticos durante a 2a. GM" p.84

Mao Tsé-tung foi um defensor da nova estratégia de insurreições.

"como dedicado admirador de A margem da água, grande romance clássico sobre banditismo social chinês, que as táticas de guerrilha eram parte tradicional do conflito social chinês." p.85

Hobsbawm faz uma referência às caminhadas do grupo de Luís Carlos Prestes no Brasil, lembrando que depois dele nenhuma esquerda fez o mesmo até a revolução sandinista, décadas depois.


SEGUNDA ONDA DE REVOLUÇÕES SOCIAIS

"A segunda onda de revolução social mundial surgiu da Segunda Guerra, como a primeira tinha surgido da Primeira - embora de uma maneira absolutamente diferente. Desta vez era a própria guerra, e não a repulsa a ela, que levava a revolução ao poder." p.86


GUERRILHAS FORA DA ZONA URBANA

"A guerra de guerrilha se mantém com mais facilidade no mato, montanhas, florestas ou terrenos semelhantes, em território de população escassa, distante das principais populações. Nas palavras de Mao, o campo iria cercar a cidade para conquistá-la." p.86


GUERRA FRIA: DISPUTA DE PESADELOS

"a Guerra Fria que se instalou no mundo após a segunda onda de revolução mundial foi uma disputa de pesadelos. Fossem ou não justificados, os medos do Oriente ou Ocidente eram parte da era da revolução mundial nascida em Outubro de 1917." p.88


EM SÍNTESE

"Em suma, a história do Breve Século XX não pode ser entendida sem a Revolução Russa e seus efeitos diretos e indiretos. Não menos porque se revelou a salvadora do capitalismo liberal, tanto possibilitando ao Ocidente ganhar a Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha de Hitler quanto fornecendo o incentivo para o capitalismo se reformar, e também - paradoxalmente - graças à aparente imunidade da União Soviética à Grande Depressão, o incentivo a abandonar a crença na ortodoxia do livre mercado." p.89


Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos - o breve século XX 1914-1991. Companhia das Letras. 2a. Edição, 33a. Reimpressão.

Conto: Uma alma simples, Gustave Flaubert

Em meus estudos prazerosos de literatura neste fim de semana, reli este conto de Flaubert. Eu o li pela primeira vez em 2001 quando comecei a estudar a matéria Introdução à Literatura na Usp.

Ele é usado em aulas de literatura para nos ensinar as diversas técnicas literárias existentes. Neste conto, estudamos Narrativa, uma sequência de ações, fatos e acontecimentos.

Das marcações feitas em minha xerox, várias delas são observações bem interessantes.

O primeiro capítulo do conto, um capítulo bem curto, já nos apresenta uma síntese da história. Nos diz o quê, quando, onde, porque e quem. Observemos:

Capítulo I

Durante meio século, as burguesas de Pont-l'Evêque invejaram à Sra. Aubain a sua criada Felicidade.

Por cem francos ao ano, cozinhava e arrumava a casa, cosia, lavava, engomava; sabia enfrear um cavalo, engordar as criações, bater manteiga, e permaneceu fiel à sua ama - que não era, entretanto, pessoa agradável.

Esta desposara um belo moço pobre, que morrera no começo do ano de 1809, deixando-lhe dois filhos muito novos e uma porção de dívidas. Vendeu, então, os imóveis, exceto a quinta de Toucques e a de Geffosses, cujas rendas iam, quando muito, a 5.000 francos, e deixou sua casa de Saint-Melaine, mudando-se para outra menos dispendiosa, que pertencera a seus avós, situada atrás do mercado.


Quando: a história abrange meio século XIX.
Onde: Pont-l'Evêque, França.
Quem: a burguesia francesa, na figura da ama desagradável e sua família; a serva simplória Felicidade.
O quê e porque: a história de uma serva que faz tudo por quase nada e dá inveja disso aos outros burgueses, uma alma simples.

A descrição do primeiro capítulo é notável. Nos seguintes, Flaubert segue nos dando todas as informações necessárias, em poucos parágrafos.

A patroa: Sra. Aubain, que não era pessoa agradável.
Os filhos da patroa: Paulo e Virgína, um de sete anos, o outro de apenas quatro.
A empregada: Felicidade, de rosto magro e a voz aguda e aos 25 anos, davam-lhe 40.

As marcações temporais serão uma constante na história. A vida da personagem principal é uma modorra só. A economia da obra deixará isso bem claro.

FELICIDADE
Já moça, não deixa um rapaz se aproveitar dela porque "ela não tinha a inocência das mocinhas - os animais haviam-na instruído". No entanto, ela não cedeu sua pureza, mas perdeu o seu amor.

APEGOS, PERDAS, SUBSTITUIÇÕES
Em sua vida simplória, Felicidade foi se agarrando a alguém ou algo e foi perdendo, perdendo, e para seguir, buscava uma substituição para esse apego.

Apegou-se ao namorado, depois a Virgínia e Paulo, depois ao sobrinho Vítor, depois ao papagaio, à patroa etc.

Sequência de substituições:
Namorado
Virgínia e Paulo
Vítor
Morre Virgínia
Morre Vítor
Sra. aubain (cena do quarto = nivelamento)
Soldados
O velho (tio Colmiche)
O papagaio

(Como diz Macunaíma, AI, QUE PREGUIÇA!)

Outra hora continuo...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A poesia em 1930, de Mário de Andrade


Mário de Andrade, pintura de Lasar Segall.

Mário destaca a aparição em 1930 de 4 livros de "poetas feitos", segundo ele, "quatro livros de poetas na força do homem", destacando que já não são moços e sim poetas. Drummond - Alguma poesia. Manuel Bandeira - Libertinagem, Augusto Schmidt - Pássaro Cego e Murilo Mendes - Poemas.

(aqui focarei Manuel Bandeira)



POESIA CONTEMPORÂNEA: O RITMO


"A poesia brasileira muito que tem sofrido destas inconveniências (da aurora), principalmente a contemporânea, em que a licença de não metrificar botou muita gente imaginando que ninguém carece de ter ritmo mais e basta ajuntar frases fantasiosamente enfileiradas pra fazer verso-livre".


Desprovido o poema de metro e rima, fica o... talento. (Mário de Andrade)



Mário faz duras críticas aos que põem em livros poesias juvenis e pueris: "escrevam se quiserem, mas não se envolumem".



FIM DA IMPERSONALIZAÇÃO DAS MÉTRICAS TRADICIONAIS


"Verso livre é justamente aquisição de ritmos pessoais. Está claro que se saímos da impersonalização das métricas tradicionais, não é pra substituir um encanto socializador por um vácuo individual. O verso livre é uma vitória do individualismo... Beneficiemos ao menos dessa vitória".



COMENTÁRIO DO BLOG: Este é um individualismo positivo, pois que trata do subjetivismo do ser humano.



Libertinagem, é um livro de cristalização de Manuel Bandeira, da sua psicologia e não da sua poesia, já madura. Cristaliza seu ideal estético: Mário diz "libertação pessoal".



POÉTICA


"Estou farto de lirismo comedido
Do lirismo bem comportado...
(...)
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação."

A aula de teoria literária de Mário de Andrade é tão complexa que fica difícil escolher trechos para destacar.



BANDEIRA E POESIA: AMANTES BEM CASADOS


"Bandeira lembra esses amantes bem casados que, depois de tanta convivência, acabam se parecendo fisicamente um com o outro. Assim a rítmica dele acabou se parecendo com o físico de Manuel Bandeira. Raro uma doçura franca de movimento. Ritmo todo de ângulos, incisivo, em versos espetados, entradas bruscas, sentimento em lascas, gestos quebrados, nenhuma ondulação. A famosa cadência oratória da frase desapareceu. Nesse sentido, Manuel Bandeira é o poeta mais civilizado do Brasil: não só pelo abandono total do enfeite gostoso, como por ser o mais... tipográfico de quantos, bons, possuímos. Quero dizer: se a gente contar na Poesia a maneira dela se realizar, desde o grito inicial à poesia cantada, à manuscrita que se decora, à recitada com acompanhamento, à declamada, à poesia, enfim concebida exclusivamente pra leitura de olhos mudos: Manuel Bandeira é dentre os poetas vivos nossos o que prescinde mais do som. A poesia dele, na infinita maioria atual, é poesia pra leitura...".


No poema O Cacto, o último verso diz bem o ritmo de então de Manuel Bandeira:


"Era belo, áspero, intratável."



DUALISMO CURIOSO: ESSÊNCIA "INTRATÁVEL" x O LÍRICO


"Aliás se dá mesmo uma luta permanente entre essa essência 'intratável' do indivíduo Manuel Bandeira e o lírico que tem nele. Vem disso o dualismo curioso que a gente percebe nas obras dele, passando de jogos com valor absolutamente pessoal, duma detalhação por vezes pueril (no sentido etimológico da palavra), difícil de compreender ou de sentir com intensidade pra quem não privou com o homem, a concepções profundas, duma beleza extremada e interesse geral. Interesse em que não entra mais o conhecimento pessoal do poeta, ou coincidência psicológica com ele. As melhores obras do poeta, Andorinha, O Anjo da Guarda, A Virgem Maria, Evocação do Recife, Teresa, Noturno da Rua da Lapa, pra citar apenas o Libertinagem, são as poesias em que por mais pessoais que sejam assuntos e detalhes, mais o poeta se despersonaliza, mais é toda a gente e menos é caracteristicamente ritmado. A própria Evocação do Recife que atinge o recesso da família chamada nominalmente (Totônio Rodrigues, dona Aninha Viegas), é bem a maneira por que toda a gente ama o lugarinho natal...".


(SEGUE O ESTUDO...)



Bibliografia:


ANDRADE, Mário de. Aspectos da literatura brasileira. Livraria Martins Editora S.A., São Paulo, 1974, 5ª. edição.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Eternas lacunas culturais

E vamos em frente, superando as lacunas culturais que temos.

Outro dia, assisti a um filme muito bom sobre professores e jovens de periferia com problemas reais (ia dizer jovens problemáticos, mas é melhor da outra forma) e a história faz referência ao famoso caso da garota judia-holandesa Anne Frank.

O filme é Escritores da Liberdade, de 2007, e a referência é O diário de Anne Frank.

Bom, estou lendo o livro, depois de tantos anos só ouvindo a respeito dele. Melhor, achei um filme baseado na história, em preto e branco bem antigo e já o consegui.

Estou lendo As viagens de Gulliver, grande clássico do século XVIII.

Até dias atrás eu não sabia quem era Mariátegui, agora já sei alguma coisa.

Cara, ainda não conheço e não sei nada de Malcolm X, Foucault, Rosa Luxemburgo, Theodor Adorno, e sei quase nada de Noam Chomsky.

Ou seja, até o fim de minha existência, o caminho para ser menos ignorante é bem longo. AINDA BEM!

Sicko, S.O.S Saúde - Michael Moore (2007)




O documentário é chocante. Descortina o que é a ideologia do império americano em relação à saúde.

TESE AMERICANA DE SAÚDE

Sistema Universal de Saúde é algo ideologicamente asqueroso: "Saúde Socializada" = coisa de comunistas!

ENTÃO, as corporações e alguns experts (e espertos!) e também políticos organizaram um sistema totalmente privado de saúde. Quem tem dinheiro paga e (acha que) é "atendido" (se ferra, depois!); quem não tem dinheiro, não é atendido! (se ferra antes! E que morra da porta para fora dos hospitais, é lógico! Tudo muito clean)

MAS, então, vêm as METAS e os LUCROS. 

Metas das empresas de saúde para REJEITAR uma porcentagem determinada (%) de pedidos de atendimentos por período, para que haja mais lucros para os donos, e mais mortes para os assegurados e seus familiares, por PEDIDOS NÃO ATENDIDOS.

COMENTÁRIO:


Cara, a gente fica se perguntando o tempo todo e, quase sempre, perplexos:

Por que a sociedade contemporânea, que já atingiu conhecimento humano e tecnológico suficiente no século XXI para exigir do poder público direitos universais gratuitos como Saúde, Educação, Transporte, Moradia e Lazer, por que não cobram isso e votam nos programas que implementem esses direitos?

AS COISAS DEVERIAM SERVIR À VIDA HUMANA!


e não o contrário:


A VIDA HUMANA SERVIR ÀS COISAS!

Segue o filme de Michael Moore:


Representações do intelectual - Edward W. Said, 1994



Livros e autores como Edward Said e Alfredo Bosi
nos colocam a pensar.

Li este livro em 2008 e relendo trechos dele novamente para aprofundar o conhecimento, vejo o quanto as ideias de Said são sensatas, verdadeiras e pouco ouvidas e seguidas na contemporaneidade mundial.


INTELECTUAL

Seu papel público deve ser o de um outsider, um "amador" e um perturbador do status quo.


O PREÇO A PAGAR

"Mas não há como evitar a realidade inescapável de que tais representações por intelectuais não vão trazer-lhes amigos em altos cargos nem lhes conceder honras oficiais. É uma condição solitária, sim, mas é sempre melhor do que uma tolerância gregária para com o estado das coisas"


PAPÉIS DO INTELECTUAL

Uma das tarefas do intelectual reside no esforço em derrubar os estereótipos e as categorias redutoras que tanto limitam o pensamento humano e a comunicação.


NEM ESQUERDA, NEM DIREITA

"Aquelas figuras cujo desempenho público não pode ser previsto nem forçado a enquadrar-se num slogan, numa linha partidária ortodoxa ou num dogma rígido"


PADRÕES DE VERDADE

"O que tentei sugerir é que os padrões de verdade sobre a miséria humana e a opressão deveriam ser mantidos, apesar da filiação partidária do intelectual enquanto indivíduo, das origens e de lealdades ancestrais. Nada distorce mais o desempenho público do intelectual do que os floreios retóricos, o silêncio cauteloso, a jactância patriótica e a apostasia retrospectiva e autodramática"


AUTONOMIA x INTERESSES PARTICULARES

"Pessoas bem relacionadas promovem interesses particulares, mas são os intelectuais que deveriam questionar o nacionalismo patriótico, o pensamento corporativo e um sentido de privilégio de classe, raça ou sexo"


INTELECTUAIS MODERNOS = IDEÓLOGOS

"O mundo está mais abarrotado do que nunca de profissionais, especialistas, consultores; numa palavra, povoado de intelectuais cujo papel principal é conferir autoridade com seu trabalho enquanto recebem grandes lucros"


FALAR AO PODER COM INDEPENDÊNCIA

Como os intelectuais têm nacionalidade, língua, tradição, crença e normalmente patrão, Said nos diz:

"Por isso, a meu ver, o principal dever do intelectual é a busca de uma relativa independência em face de tais pressões. Daí minhas caracterizações do intelectual como um exilado e marginal, como amador e autor de uma linguagem que tenta falar a verdade ao poder"


IMPOTÊNCIA PARA MUDAR REALIDADES

"Ao sublinhar o papel do intelectual como um outsider, tenho tido em mente o quão impotentes nos sentimos tantas vezes diante de uma rede esmagadoramente poderosa de autoridades sociais - os meios de comunicação, os governos, as corporações etc - que afastam as possibilidades de realizar qualquer mudança"


(COMENTÁRIO: Lembro-me da crise política brasileira em 2005 - o tal mensalão nunca comprovado - e a tentativa de golpe contra o governo do presidente Lula da Silva, golpe organizado pela elite de direita e os seus veículos midiáticos. Eles massacraram os intelectuais vinculados ao Partido dos Trabalhadores ou simpatizantes como a filósofa Marilena Chauí, o professor Antonio Candido, a economista Maria da Conceição Tavares, o sociólogo Emir Sader dentre outros)


Edward Said cita James Baldwin e Malcolm X como figuras que melhor o definem e inspiram: "definem o tipo de trabalho que mais influenciou minhas representações da consciência do intelectual".


Achei o livro fantástico e ainda o releio para apreender os sentidos e refletir bastante sobre o papel que tenho que representar todos os dias. Sei que não sou intelectual, mas estudo diariamente para tentar ser menos ignorante e para contribuir com o movimento social do qual participo.



Bibliografia:

SAID, Edward W. Representações do intelectual - As Conferências Reith de 1993. Tradução de Milton Hatoum. Editora Companhia das Letras, 2005.