segunda-feira, 22 de novembro de 2010

FLM0617 - Literatura Espanhola: Século XVI - Módulos 3 a 6

Vamos começar os estudos pelos módulos da segunda parte do curso, depois do Lazarillo.

- MÓDULO 3: Diálogo humanista y prosa varia: El diálogo de la lengua de Juan de Valdés (fragmento) y Diálogo de Mercurio y Carón de Alfonso de Valdés (fragmento). (son hermanos gemelos)



- Prosa varia: Las Seiscientas Apotegmas de Juan Rufo (fragmento) y Silva de varia lección de Pedro Mexía (fragmento).


- Prosa varia: Menosprecio de corte y alabanza de aldea de Antonio de Guevara (fragmento).


- MÓDULO 4: El teatro popular: Los pasos de Lope de Rueda.


- MÓDULO 5: La poesía: lírica y poesía tradicional: El romance, la poesía tradicional: Flor nueva de romances viejos. (Preparación de apuntamientos de lectura de "La poesía lírica: tradición y renovación" de Nadine Ly que será entregue en la próxima clase, 10/11). (NÃO ENTREGUEI)


- La poesía de Garcilaso y las Anotaciones de Fernando de Herrera.


- La poesía mística y San Juan de la Cruz.


- MÓDULO 6: Introducción a la poética de Pinciano (1596): La Philosophía Antigua Poética (fragmento).

domingo, 21 de novembro de 2010

Consegui embalar umas corridas e caminhadas

Finalmente, consegui embalar alguns dias andando e correndo.

No sábado, caminhei uns 5 km e hoje fiz uma boa corrida de 5 km em 30'30" com sol a pino.

Cara, tenho outra prova daqui a alguns dias de literatura espanhola e tenho muitos textos e autores para conhecer e me inteirar minimamente pois perdi algumas aulas. Vamos lá, novamente, buscar energia no quarentão para mais essa tarefa.

ONDE SE INFORMAR? EM QUALQUER FONTE DE INFORMAÇÃO FORA DO P.I.G

*
"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração."

*Drummond no poema "Os ombros suportam o mundo" in: Alguma Poesia


(é mais para uma reflexão das pessoas comuns - maioria absoluta da população -, digo "comuns" no sentido de "não-militantes", que já sabem do que estou falando)

Temos uma realidade factual no Brasil: nossa imprensa tradicional e comercial é podre e antidemocrática. ELA NÃO INFORMA, AO CONTRÁRIO, DESINFORMA. É LEVIANA, MAL INTENSIONADA E MANIPULADORA. Nós a chamamos de P.I.G - Partido da Imprensa Golpista, pois ela atua como um partido de oposição ao governo desde a eleição de Lula da Silva, no início do século XXI.

As principais empresas canalhas que representam o P.I.G são as Organizações Globo dos Marinho, o grupo Folha dos Frias, o grupo Estado dos Mesquita e a editora Abril dos Civita. Esses aí têm uma ficha corrida de fazer inveja a qualquer grupo fascista e neonazista do mundo moderno.

As pessoas progressistas do mundo têm hoje uma alternativa para buscar boas informações de forma rápida e gratuita: a rede mundial de comunicação - a internet.

Eu, por exemplo, para me informar vou direto aos sites cujos links estão neste blog e em menos de uma hora, descubro o que o P.I.G e a direita estão dizendo ou tramando e também me informo em termos de melhorar meus conhecimentos.

Cada pessoa pode escolher entre 5 e 10 sites confiáveis, em relação a produção de informação, e deixar de uma vez por todas de se expor às baixarias dessa imprensa comercial e tradicional golpista, o P.I.G.

Abraços e sigamos buscando um mundo melhor.

sábado, 20 de novembro de 2010

Nossa guerreira Dilma Rousseff, Presidenta do Brasil, diz (sob tortura em 1970) porque combatia a ditadura militar


APESAR DE ESTAR ENOJADO COM A ATITUDE DA IMPRENSA GOLPISTA E DOS DERROTADOS DA DIREITA NA ELEIÇÃO BRASILEIRA E NÃO CONCORDAR COM ESTA EXPOSIÇÃO NOJENTA DO PROCESSO FRAUDULENTO DA DITADURA CONTRA A MILITANTE SOCIALISTA DILMA ROUSSEFF, DESTACO AQUI UM PEQUENO EXCERTO DO DEPOIMENTO - ARRANCADO SOB TORTURA - DE NOSSA PRESIDENTE ELEITA DILMA ROUSSEFF EXPLICANDO PORQUE COMBATIA A DITADURA MILITAR BRASILEIRA:



"Em depoimento à Justiça Militar, em 21 de outubro de 1970, Dilma contou ao juiz da 1ª Auditoria da 2ª Circunscrição Judiciária Militar que foi seviciada quando esteve presa no Dops, em São Paulo. O auditor não perguntou quais tinham sido as sevícias. No interrogatório, Dilma explicou ao juiz por que aderiu à luta armada. O trecho do depoimento é este: "Que se declara marxista-leninista e, por isto mesmo, em função de uma análise da realidade brasileira, na qual constatou a existência de desequilíbrios regionais de renda, o que provoca a crescente miséria da maioria da população, ao lado da magnitude riqueza de uns poucos que detêm o poder e impedem, através da repressão policial, da qual hoje a interroganda é vítima, todas as lutas de libertação e emancipação do povo brasileiro. Dessa ditadura institucionalizada optou pelo caminho socialista"." (trecho de matéria nojenta no site do jornal O Globo, de 19/11/2010)


PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF, TENHO MUITO ORGULHO DE TI COMO BRASILEIRA, COMO MULHER, COMO MILITANTE SOCIALISTA, COMO REPRESENTANTE DE UM POVO QUE QUER UM PAÍS MELHOR SOB O REGIME DEMOCRÁTICO.

OBRIGADO DILMA ROUSSEFF!

ESTAREI DEFENDENDO O SEU GOVERNO ATÉ COM MINHA VIDA, SE PRECISO FOR!

William Mendes, brasileiro, blogueiro progressista.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma prova de Literatura Portuguesa




Refeição Cultural

Se me perguntassem se estou preparado para a prova de Literatura Portuguesa de hoje, teria que dizer que sim e que não.

Não estou com o conteúdo da matéria lido e absorvido. É fato. Perdi várias aulas por causa do meu trabalho sindical; não consegui fôlego e tempo para ler vários textos críticos; pior, não li um dos livros obrigatórios, o de Lobo Antunes - Os cus de Judas (1979).

Mas mesmo faltando tanto conteúdo, aprendi alguns conceitos interessantes nesta semana. No mínimo, o estudo aguçou minha curiosidade e interesse em vários temas e autores: Neo-Realismo Português, Fernando Pessoa, António Lobo Antunes, Maria Alzira Seixo, Carlos Reis, a fascinante Literatura Portuguesa, a história de Portugal e, por paixão já sentida, a obra e a vida de José Saramago.

Mas o que é uma prova? É um misto de postar conteúdos com uma boa escrita e reflexão acerca do pedido temático feito. É alinhavar coisas.

Pode ser que eu não me saia bem nisso hoje, mas tudo bem! É como venho refletindo já faz tempo. Entrei na faculdade de Letras e acabei indo ser sindicalista. Infelizmente, passei pelo curso. Não fiz o curso. Concluir ou não concluir já não faz diferença alguma para mim.

Lembrei-me de uma frase de Joana Carda, do romance A jangada de pedra de José Saramago, que fica martelando em minha cabeça, e já faz muito tempo!: "O que tem de ser, tem de ser, e tem muita força, não se pode resistir-lhe, mil vezes o ouvi à gente mais velha, Acredita na fatalidade, Acredito no que tem de ser".

É isso! O que tiver de ser, será.


Correndo... para respirar entre um texto e outro


Nesta semana de leituras para a prova de hoje, acabei dando um jeito de sair correndo na quarta e na quinta. Foi minha maneira de buscar fôlego.

Corri 5 km na quarta com uma intensidade boa e em circuito com aclives leves - fiz em 31'. Ontem, corri 4 km com ritmo menor e com uma subida final de 1 km - fiz em uns 25'.

A atividade física é fundamental para qualquer pessoa, mas muitas vezes, mesmo quando queremos praticá-la, nos deixamos levar pelas obrigações várias esquecendo que sem o nosso corpo não há vida para as outras coisas.


Leitura de "A jangada de Pedra" - José Saramago


José Saramago

Clássico de Literatura Portuguesa


- COMOVIDO, DECLARO MEU AMOR À LITERATURA!

Terminei neste instante, na madrugada de sexta-feira, a leitura d'A jangada de pedra.

O livro é surpreendente! A estória é fantástica! O autor é um gênio!

Quedei paralisado ao final do livro. Um turbilhão de excitação mental impera no momento.

Ao mesmo tempo que fico pensando nas possibilidades aludidas na ficção criada, fico pensando no meu mundo. Por que não fui lidar com a literatura como profissão? Por que não vou em busca de ler as dezenas de obras que sonho em conhecer (muitas delas descansam nas minhas estantes)? Por que não faço isso que tanto me muda, tanto me ensina, tanto me faz refletir acerca do mundo, da vida e do sentido de tudo?

Por que nunca fui o condutor deste veículo Vida? Devido às casualidades, aos acasos que atravessam os nossos caminhos todos os dias. Devido às coincidências...

O MUNDO TODO É DE COINCIDÊNCIAS

Se parasse para refletir sobre algumas citações deste narrador fabuloso do "relato" ocorrido com a Península Ibérica, poderia crer em sua mensagem: as coincidências movem o mundo, explicam o mundo, ou melhor, o mundo é feito de coincidências.

"E a simultaneidade dos factos também não deveria surpreender ninguém, foi apenas mais uma dessas coincidências que fazem a vida organizada do mundo, bom é que algumas possam ser claramente identificadas, uma vez por outra, para ilustração dos cépticos" p.266

Aproveitando as reflexões do narrador desta aventura ibérica, vejo a minha aventura ao longo do tempo.

Quando entrei na USP querendo ser professor, entrei depois no movimento sindical. Senti o peso da responsabilidade da representação e nunca mais consegui ter um olhar de prioridade para o desafio das Letras.

Quando me preparava para sair por aí no mundo em busca de algo, entrei em um emprego "estável" na época. Era a minha aprovação em um concurso público nos anos noventa. Quem diria que passaria tanto tempo sendo bancário!?

Quando achei que estava em um curso superior, que entrei por casualidade, mas que passei a adorar, e seria um excelente profissional da educação física, tive que abandoná-lo na metade do percurso por falta de recursos financeiros. É uma das maiores frustrações que carrego até hoje.

Quando disse que não iria mais estudar ao terminar o segundo colegial, um colega me convenceu a fazer faculdade de Ciências Contábeis. Acabei completando o curso e durante o percurso virei bancário de banco público.

Quando menos esperei, acabei virando pai.

Eu que nunca quis entrar em dívida imobiliária, quando vi - e agradeço - fui convencido a comprar um apartamento em cooperativa e hoje tenho onde morar.

O narrador da aventura ibérica deve ter razão. A vida é organizada por sequências de coincidências a cada segundo, em milhões e milhões de eventos no universo e, algumas vezes, notamos algumas delas.

Que mais poderia ser a vida, o mundo, senão um amontoado de casualidades e coincidências em que nós humanos acabamos por meter nomes e inventar deuses e metafísicas em tudo?

E amanhã? Eventos vários virão, e você não está salvo deles! (ou diria que eles lhe salvarão?)


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FLC0383 Literatura Portuguesa IV - autores estudados

Carlos de Oliveira


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Carlos de Oliveira (Belém do Pará, 10 de Agosto de 1921 — Lisboa, 1 de Julho de 1981) foi um escritor português.


Nascido no Brasil,[1] filho de imigrantes portugueses, veio aos dois anos para Portugal. Fixou-se em Cantanhede, mais precisamente na vila de Febres, onde o pai exercia Medicina. Em 1933 muda-se para Coimbra, onde permanece durante quinze anos, a fim de concluir os estudos liceais e universitários. Ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1941, onde estabelece amizade, convívio intelectual e solidariedade ideológica e política com outros jovens, entre os quais Joaquim Namorado, João Cochofel ou Fernando Namora. Termina a licenciatura em Ciências Histórico-Filosófias em 1947, instalando-se definitivamente em Lisboa, no ano seguinte. Periodicamente volta a Coimbra e à Gândara. Em 1949 casa-se com Ângela, jovem madeirense que conhecera na Faculdade, que será sua companheira e colaboradora permanente.


Data de 1942 o seu primeiro livro de poemas, Turismo, que contava com ilustrações de Fernando Namora, e surge integrado na colecção Novo Cancioneiro. Em 1943 publicou o seu primeiro romance, Casa na Duna. Em 1944, o romance Alcateia, será apreendido, lançando nesse mesmo ano a segunda edição de Casa na Duna.


Em 1945 publica um novo livro de poesias, Mãe Pobre. Os anos 1945 e seguintes serão, para Carlos de Oliveira, bem profícuos quanto à integração e afirmação no grupo que veicula e auspera por um "novo humanismo", com a participação nas revistas Seara Nova e Vértice e a colaboração no livro de Fernando Lopes Graça - Marchas, Danças e Canções – colectânea de poesias de vários poetas, musicadas por aquele, canções que vieram a ser conhecidas por "heróicas".


Em 1953 publica Uma Abelha na Chuva, o seu quarto romance e, unanimemente reconhecido como uma das mais importantes obras da literatura portuguesa, estando integrado nos conteúdos programáticos da disciplina de português no ensino secundário.


Em 1957 organiza, com José Gomes Ferreira, numa abordagem do imaginário popular os dois volumes de Contos Tradicionais Portugueses, alguns deles posteriormente adaptados ao cinema por João César Monteiro.


Em 1968 publica dois novos livros de poesia, Sobre o Lado Esquerdo e Micropaisagem e colabora com Fernando Lopes no filme por este realizado e terminado em 1971, Uma Abelha na Chuva, a partir da obra homónima. Publica em 1971 O Aprendiz de Feiticeiro, colectânea de crónicas e artigos, e Entre Duas Memórias, livro de poemas, pelo qual lhe é atribuído no ano seguinte o Prémio de Imprensa. Em 1976 reúne toda a sua poesia em Trabalho Poético, dois volumes, apresentando os livros anteriores, revistos, e os poemas inéditos de Pastoral, livro que será publicado autonomamente no ano seguinte. Publica em 1978 o seu último romance Finisterra, paisagem povoada de inspiração gandaresa, obra que lhe proporciona a atribuição do Prémio Cidade de Lisboa, no ano seguinte.


Morre na sua casa em Lisboa a 1 de Julho de 1981, com 60 anos incompletos.


Obras

Poesia

Turismo (1942);

Mãe Pobre (1945);

Colheita Perdida (1948);

Descida aos Infernos (1949);

Terra de Harmonia (1950);

Cantata (1960);

Micropaisagem (1968, 1969);

Sobre o Lado Esquerdo, o Lado do Coração (1968, 1969);

Entre Duas Memórias (1971);

Pastoral (1977).


Romance

Casa na Duna (1943; 2000);

Alcateia (1944; 1945);

Pequenos Burgueses (1948; 2000);

Uma Abelha na Chuva (1953; 2003);

Finisterra: paisagem e povoamento (1978; 2003).


Crónicas

O Aprendiz de Feiticeiro (1971, 1979).


Antologia

Poesias (1945-1960) (1962);

Trabalho Poético (1976; 2003).


Referências

1. ↑ Portal da Literatura. Página visitada em 14 de maio de 2009.(em português)

Refeição Cultural 62 - Leituras aceleradas pela pressão do tempo

Ontem, li mais de cem páginas da "Jangada" de Saramago. O livro é fascinante. O autor é fascinante. Porém, ler com essa pressão do tempo é muito ruim. Fiquei mais de 5 horas em pé, pois só assim conseguia ler sem dormir.

Amanhã, tenho prova de literatura portuguesa e o livro de Saramago é só um item do programa. Acabei não lendo nem os livros todos nem todos os textos críticos. Caso não vá bem na prova, lembrei-me há pouco que poderei fazer uma segunda prova de recuperação (se tirar nota mínima). Espero não precisar.

Terminado esse esforço concentrado para essa matéria, terei outra prova daqui a dez dias - de literatura espanhola do século XVI. Também tenho muitos textos e autores a estudar.

Sinceramente, passados nove anos em que comecei meu curso de letras na Usp e não ver o resultado desse esforço ter sido encaminhado para eu ser professor universitário é muito frustrante. Fui ser sindicalista. Não consegui ser um intelectual e viver disso.

É pena!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

FLC0383 Literatura Portuguesa IV Bloco I

(aula do professor Helder - uma colega de classe me emprestou as anotações)

MENSAGEM - FERNANDO PESSOA

O livro "Mensagem" de Fernando Pessoa trata de um IDEAL DE NAÇÃO.

Qual seria o diálogo do livro com o projeto colonial português?

A passagem do século XIX para o XX é complicada para Portugal e muitos processos alí ocorridos nos permitem embasar a leitura de Mensagem.

EUROPA: a partir do meio do século XIX começam a surgir movimentos político-sociais. Utopias e ideais revolucionários tomam conta do imaginário popular.

Também é neste século que ocorre a perda da colônia brasileira, prejudicando a indústria portuguesa. A situação econômica do país se agrava sobremaneira.

Em 1880 há comemorações sobre a morte de Camões, na tentativa de revitalizar o espaço cultural português, além de estimular o imaginário do povo.

Este exercício de melhorar a imagem de Portugal perante os portugueses falhou quando a Inglaterra deu o Ultimato Britânico de 1890.

O evento foi uma humilhação para os portugueses.

Em 1908 morre o rei e dois anos depois proclamam a república (uma nação que desde o século XII era uma monarquia). Isso gerou forte impacto no país.

A dúvida interna no momento era de como seria a estrutura dessa república. O período seguinte foi de grande tensão e em 20 anos o país teve 10 presidentes. A economia também ficou prejudicada durante todo esse período.

Na década de 30 começa a ditadura de António de Oliveira Salazar. O modela da ditadura era "republicano" porém só ele ganhava a eleição. A ditadura durou até a Revolução dos Cravos em 1974.

Este é o contexto no qual o livro Mensagem é escrito por Fernando Pessoa.

O Movimento da Renascença criado em Portugal queria salvar a cultura portuguesa. Teixeira de Pascoaes cria o movimento chamado Saudosismo, que é uma filosofia estética. Também é neste contexto que Pessoa escreve seu livro.

O Saudosismo é o traço identitário do percurso da nação portuguesa. Há um vínculo estreito com o passado, de como os portugueses lidam com a própria história.

O período dos descobrimentos é o grande período português e a coletividade via no século XVI a grandeza da nação portuguesa.

O Saudosismo usa esse mecanismo, de olhar para o passado, para recuperar a glória no presente. É uma forma de compensar a realidade caótica vivida pelo país no presente vivido.

CONTEXTO POLÍTICO E ECONÔMICO CAÓTICO + SAUDOSISMO = MENSAGEM

O Saudosismo traz à tona o Mito Sebastianista, que é de certa forma elitista porque apenas D. Sebastião seria capaz de salvar o país, a população receberia a "salvação" e não participaria do processo de salvação.

FERNANDO PESSOA (1888-1935)

- o livro Mensagem é de 1935 (o único livro publicado em vida)
- em 1915 cria a Revista Orpheu
- cria também a Portugal Futurista
- participa da Revista Presença (mais ligada à questão estética)

Sua poesia está muito calcada no simbolismo, tenta criar alguns "ismos", onde predominam o obscuro, o opaco, o não delineado.

Ao deixar no subjetivo os sentidos, você os delimita melhor, pois cada pessoa sente de uma forma particular.

Mito fundador de Lisboa: poema Ulisses, da primeira parte do Mensagem.

Ulisses


O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

O poema se constrói de uma charada, não é muito claro. O poema polissemiza as possibilidades. O poema sugere muitas coisas e não delimita nada.

MENSAGEM
1a parte:
Brasão
-Os campos
-Os castelos
-As quinas
-A coroa
-O timbre

2a parte:
O mar português
(com 12 poemas)

3a parte:
O Encoberto
-Os símbolos
-Os avisos
-Os tempos

A primeira parte, que é sobre o Brasão, conta a história de Portugal até o descobrimento (o que também faz Camões). É algo bem didático. Narra a história até 1510 (viagem até Goa). Os portugueses tomam Goa dos árabes em 1510.

A segunda parte é de Portugal já império marítimo. Traz a ideia da ambiguidade do mar nessa conquista e das dores sofridas e das alegrias trazidas.

A terceira parte é o mito do Encoberto e o futuro de Portugal e o sebastianismo. É a figura que vem, é o caminho para o Quinto Império.

Sebastianismo - Estudos de Literatura Portuguesa


(atualizado em 8/11/15)


Bandeira Portuguesa

FLC0383 - Literatura Portuguesa IV - Bloco I do programa


- Mensagem - de Fernando Pessoa

- Do sebastianismo ao socialismo - de Joel Serrão

- A nau de Ícaro - de Eduardo Lourenço


JOEL SERRÃO

O sebastianismo - origem e metamorfoses do mito

"É fácil de persuadir ao coração a aquelas coisas que deseja" (D. Francisco Manuel de Melo, Alterações de Évora, 1637)


1. O sebastianismo como objecto de reflexão histórica

Joel Serrão começa o texto enaltecendo alguns autores que muito refletiram acerca do sebastianismo ou messianismo, tão arraigados à ideia de patriotismo português. Cita Oliveira Martins com sua "História de Portugal" de 1879, Sampaio Bruno em "O Encoberto" de 1904 e outros autores do início do século XX.

Certo autor, Antonio Sérgio, afirma que esse fenômeno do sebastianismo teria relação com uma sociologia cultural e que seria fruto de dadas condições bem concretas na história: a iminência da perda da independência nacional e a morte de D. Sebastião (1578).

Diz Antonio Sérgio: “o messianismo terá vida (ou poderá tê-la) enquanto se impuser a este povo, a contrapor à sua fictícia e tão efêmera grandeza, o espetáculo persistente da sua lúgubre decadência”.

Quando chega a virada do século XIX e pelas primeiras décadas do XX, os poetas portugueses remoçam a ideia do sebastianismo. Fernando Pessoa prega confessadamente o “nacionalismo místico, sebastianismo racional”.

Conclusão interessante podemos ver na fala do historiador João Lúcio de Azevedo sobre o sebastianismo: “nascido da dor, nutrindo-se da esperança, é na história o que é na poesia a saudade, uma feição inseparável da alma portuguesa”.

O desfecho de Joel Serrão a esta introdução ao sebastianismo e messianismo nos mostra a importância que ele dá ao tema para a análise da história de Portugal:

Cremos, na verdade, que de poucos problemas como este dependerá, na esfera das motivações ideológicas, a compreensão do nosso presente, assim como a legitimidade ou a inanidade das esperanças postas no porvir de todos nós”.


Viu só a afirmação?!


2. Sobre as origens e as metamorfoses do mito

As origens desses mitos são antigas. Temos como exemplos Nostradamus (1503-66), temos Sto. Isidoro de Sevilha (século VII) e temos o sapateiro de Trancoso, ou seja, Bandarra e suas Trovas (1530-40).

Causas que poderiam ajudar na fixação desses mitos, aqui no caso português: “Simplesmente, as circunstâncias nacionais, a partir dos meados do século – a viragem da estrutura (1545-52), a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir (1578) e a anexação de Portugal por Filipe II (1580) -, soprariam cinzas, não de todo apagadas, em que jazia a esperança mística da revelação do Encoberto. É que o Encoberto seria, afinal, o jovem rei, pretensamente sumido nas plagas marroquinas! Mais ou menos popularizadas, as Trovas, com a sua linguagem de teor anfibológico, adaptavam-se à maravilha aos anseios de todos quantos desejavam travar acontecimentos que, de outra forma, se diriam, logicamente, inelutáveis”.

Depois, as trovas de Bandarra foram dando vazão a outras interpretações. Em 1640, os portugueses associaram a restauração do reino com D. João IV às Trovas de Bandarra.

Para ajudar, o jesuíta P. Antônio Vieira seguiu pregando a ideia messiânica do Quinto Império, que não veio com D. João IV, que morreu antes.

Mas, “E, falecido o rei (1656) sem que o sonho imperial principiasse a tomar corpo, a intermerata dialéctica do jesuíta não se sentiu peada nos seus voos: é que D. João IV ressuscitaria!”.

O profetismo e o messianismo lusitanos de Antônio Vieira assinalam o momento mais alto da metamorfose da crença sebástica que em torno da Restauração se articulou e se desenrolou”.

O Sebastianismo poderia ser uma estratégia que envolveria o populacho na tese da Restauração, de natureza evidentemente aristocrática.

Lá pelo século XVIII, essas teses messiânicas não tiveram muita vez não, pois o poderoso Marquês de Pombal, como esclarecido, não permitia isso.

O que poderia ser o fim do sebastianismo, com a internação em manicômios no século XIX dos sebastianistas remanescentes, acaba não sendo, pois os literatos acabariam por ressuscitar o fenômeno.

Vários autores poetas viriam a modular tons diversos do tema: “Que El-Rei Menino não tarda a surgir”.

Tivemos entre 1912/16 a Renascença Portuguesa, que “buscou, mediante o saudosismo, uma fundamentação poético-religioso-filosofante da lusitanidade republicana”.


Fernando Pessoa seria a própria encarnação de El-Rei regressado à Pátria quando escreve em primeira pessoa do singular quando a D. Sebastião se refere:


Terceira Parte:

O Encoberto

PAX IN EXCELSIS


I. Os Símbolos

D. Sebastião


’Sperai! Caí no areal e na hora adversa

Que Deus concede aos seus

Para o intervalo em que esteja a alma imersa

Em sonhos que são Deus.


Que importa o areal e a morte e a desventura

Se com Deus me guardei?

É O que eu me sonhei que eterno dura,

É Esse que regressarei.



(aulas seguintes...)


3. O sebastianismo, fenômeno sociocultural

4. Em jeito de conclusão provisória

FLC0383 - Literatura Portuguesa IV - A jangada de pedra

A JANGADA DE PEDRA – JOSÉ SARAMAGO


Aula do professor Helder 5/11/10

Questões de metalinguagem e Iberismo

Questões sobre a vida de Saramago (ver mais detalhes no texto de Maria Alzira Seixo)



Diferente de Lobo Antunes, José Saramago não era acadêmico. Ele nasceu em 1922, ou seja, na madurez literária foi contemporâneo de Lobo Antunes – mas este esteve um tempo na África.

Saramago sempre esteve envolvido com o meio comunista.

Em 1975, após a Revolução dos Cravos, Saramago vai trabalhar na imprensa. Ele ataca muito Mário Soares, chefe do primeiro governo constitucional de Portugal. Um pouco depois toda a equipe do jornal é demitida.

O cidadão Saramago é bastante polemista, tanto com a política e o poder como com a igreja. Recentemente, anos 2000, ele também falou muito sobre os ataques de Israel ao Líbano, chegando a comparar os israelenses aos nazistas.

Saramago escreve “Terra do pecado” em 1947 e nem gosta muito de citar essa obra em sua bibliografia.

Na década de 60, ele retoma a atividade literária com livros de poemas.

Saramago e Lobo Antunes têm um trato refinado com a palavra, mesmo quando não estão fazendo poesia.

Nos anos 70, Saramago publica quatro livros de crônicas.

A ideia da crônica é uma constante em Saramago. Mesmo em "A jangada de pedra" (1986) o narrador e personagens assumem um papel meio característico do jornalismo. Entretanto, em seguida às descrições jornalísticas e factuais, ele passam a sonhar e viajar ao estilo de crônicas com reflexões e ficções.

Ainda nos anos 70 Saramago publica um livro de contos.

A década de 80 vai marcar a entrada definitiva de Saramago no mundo da literatura com uma poética e um estilo todo próprio como, por exemplo, sua forma peculiar de pontuar, ou seja, não pontuar.

• Levantado do Chão, 1980

• Memorial do Convento, 1982

• O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984

• A Jangada de Pedra, 1986

• História do Cerco de Lisboa, 1989

Nesse núcleo de sua obra nos anos 80, há um diálogo com a ideia de império português. "A jangada de pedra" discute o futuro de Portugal.

Os personagens principais dessas obras são, em geral, da classe proletária. Ele recria a história de Portugal com alguns personagens reais misturados a histórias alucinantes e alucinadas de reinvenções do país.

Mensagem:

COMO O DOM DA PALAVRA PODE MUDAR E RECONTAR O PASSADO E POR CONSEGUINTE O FUTURO.

O livro "A jangada de pedra" é uma proposta ibérica.

Com várias citações do livro em sala de aula, ficou a questão levantada: ser ibérico ou não? Europeu ou ibérico? (lembrar que na época da publicação da obra, Portugal estava se filiando a CEE)

ALEGORIA DA OBRA:

IDENTIDADE IBÉRICA X IDENTIDADE EUROPEIA

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FLC0383 - Literatura Portuguesa IV - A jangada de pedra

FRAGMENTO 4

(passagens e frases interessantes)

"ESTA OLIVEIRA É CORDOVIL, ou cordovesa, ou cordovia, tanto faz, que estes três nomes lhe dão, sem diferença, na terra portuguesa..."

"[...] muito mais importaria falar destes três homens que debaixo da oliveira estão sentados, um que é Pedro Orce, outro Joaquim Sassa, o terceiro José Anaiço, acasos prodigiosos ou deliberadas manipulações os terão reunido neste lugar."

PEDRO ORCE VEM DE... PEDRO ORCE

"Por trás destas encostas, mas não visível daqui, há uma aldeia onde Pedro Orce tem vivido, e por um acaso, primeiro deles, se o é, têm ele e ela o mesmo nome, o que não retira nem acrescenta verosimilhança ao conto...

A EUROPA FICA PARA TRÁS RAPIDAMENTE...

"De acordo com as últimas medições, a velocidade de deslocação da península estabilizou-se à roda dos setecentos e cinquenta metros por hora, mais ou menos dezoito quilómetros por dia..."

QUEM SÃO OS TRÊS PERSONAGENS?

"[...] Sabemos a três minutos que Pedro Orce vive na aldeia que está escondida por trás destes acidentes, sabíamos desde o princípio que Joaquim Sassa veio duma praia do norte de Portugal, e José Anaiço, agora o ficámos a saber de ciência certa, pelos campos do Ribatejo andava a passear quando encontrou os estorninhos, e tê-lo-íamos logo sabido se tivéssemos dado atenção suficiente aos pormenores da paisagem."

JOAQUIM SASSA

"Meteu-se ao caminho (saiu de uma praia do norte de Portugal), no Dois Cavalos velho (carro), não se despediu da família, doridamente, pois família não tem..."

QUESTÕES DE GIBRALTAR

Os britânicos afirmam que não importa a distância que fique Gibraltar, ela seguirá sendo britânica...

CARACTERÍSTICAS DE JOAQUIM SASSA

"[...] mas Joaquim Sassa quem é, um homem ainda novo, tem os seus trinta e tal anos, mais perto dos quarenta que dos trinta, vem um dia em que não se pode evitar, as sobrancelhas são pretas, os olhos castanhos à portuguesa, nítida a cana do nariz, são feições realmente comuns, saberemos mais dele quando se voltar par nós"

"[...] Sassa, não Souza, e o que significava, ficou a saber que era uma árvore corpulenta da Núbia, lindo nome, de mulher, Núbia, lá para os lados do Sudão, África Oriental..."

"[...] o rosto de Joaquim Sassa aparece completo, de algumas feições falámos antes, o resto está conforme, cabelos castanho-escuros, lisos, as faces magras, o nariz realmente comum, os lábios parecem cheios apenas quando falam..."

ENCONTRO DE JOAQUIM SASSA E JOSÉ ANAIÇO

"De dentro de casa uma voz de homem perguntou, Quem é, e Joaquim Sassa respondeu, Faz favor, mágicas palavras que substituem identificação formal, a linguagem está cheia destes e outros mais difíceis enigmas"

Bibliografia:

SARAMAGO, José. A jangada de pedra. Companhia de Bolso. Edição 2010. (livro de 1986)

Partilhar o conhecimento


Foto: 2010.

Refeição Cultural 61

Quando leio ou vejo programas que pensam o mundo e a existência, existência do próprio mundo e da vida humana, fico pensando no que fazer da minha vida.

Gostaria muito de viver profissionalmente do estudo e da criação e transmissão do saber para todos.

Gostaria de ajudar a fazer o conhecimento ser bom para melhorar a sociedade como um todo, e não o contrário, como ocorre normalmente, ou seja, o conhecimento humano é feito para benefício e privilégio de alguns em detrimento de uma massa humana carente dos efeitos deste conhecimento. Aliás, essa massa humana é sempre usada como ferramenta dos privilegiados.

De fato, creio que isso só seria viável, se eu deixasse de ser um homem de ação - um sindicalista -, para ser um homem de reflexão e criação de técnicas e métodos para pôr o conhecimento GRATUITO à disposição das classes sociais menos esclarecidas por falta de acesso e oportunidades.

Esse foco no partilhamento gratuito do conhecimento, mais humano que técnico, seria para canalizar o saber - lembremos que não somos isentos, nunca o seremos e ninguém o é - canalizar o saber para melhorar o mundo em prol da maior distribuição da riqueza produzida, com solidariedade, igualdade e respeito à liberdade e às diferenças.

Ou seja, com a implantação do socialismo democrático.

É isso!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

FLC0383 - Literatura Portuguesa IV - "Mensagem" de Fernando Pessoa

Achei muito interessante a informação gratuita disponível no wikipédia sobre o livro Mensagem.

Criação

O título original do livro era Portugal. Influenciado por um amigo, Pessoa considera "Mensagem" um título mais apropriado, pelo nome "Portugal" se encontrar "prostituído" no mais comum dos produtos. Pessoa constrói a palavra "mensagem" a partir da expressão latina: Mens agitat molem, isto é, "A mente move a matéria", frase da história de Eneida, de Virgílio, dita pela personagem Anquises quando explica a Enéias o sistema do Universo. Pessoa não utiliza o sentido original da frase, que denotava a existência de um princípio universal de onde emanavam todos os seres.


Segundo uma carta datada de 13 de Janeiro de 1935 a Adolfo Casais Monteiro, Mensagem foi o primeiro livro que o poeta conseguiu completar. Pessoa mesmo explica que esse fato demonstra o porquê de não ter publicado outro livro como a prosa de um de seus heterônimos ou a poesia em seu próprio nome.


Numa carta de 1932 de Pessoa a João Gaspar Simões, seu primeiro biógrafo, vemos que a intenção do poeta era publicar primeiramente a Mensagem para somente mais tarde divulgar outras obras como o Livro do Desassossego, do semi-heterônimo Bernardo Soares, e a poesia dos heterônimos.


Foi publicado primeiramente em Dezembro de 1934, com edição da Parceria António Maria Pereira, em Lisboa. A segunda edição, de 1941, possui correções feitas por Pessoa à primeira edição e foi editada pela Agência Geral das Colônias.


Um mês após a sua primeira publicação, ganhou o prêmio na segunda categoria do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) que o premiou com o mesmo valor em dinheiro da primeira categoria.


MENSAGEM

Primeira Parte:
Brasão


BELLUM SINE BELLO

I. Os Campos

O dos Castelos

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar ’sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.


O das Quinas

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Cristo definiu:
Assim o opôs à Natureza
E Filho o ungiu.

II. Os Castelos

Ulisses

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.


Viriato

Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memória em nós do instinto teu.

Nação porque reincarnaste,
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste —
Assim se Portugal formou.

Teu ser é como aquela fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.


O Conde D. Henrique

Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.

À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
“Que farei eu com esta espada?”

Ergueste-a, e fez-se.


D. Tareja

As nações todas são mistérios.
Cada uma é todo o mundo a sós.
Ó mãe de reis e avó de impérios,
Vela por nós!

Teu seio augusto amamentou
Com bruta e natural certeza
O que, imprevisto, Deus fadou.
Por ele reza!

Dê tua prece outro destino
A quem fadou o instinto teu!
O homem que foi o teu menino
Envelheceu.

Mas todo vivo é eterno infante
Onde estás e não há o dia.
No antigo seio, vigilante,
De novo o cria!


D. Afonso Henriques

Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!


D. Dinis

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.


D. João, o Primeiro

O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.

Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.

Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.


D. Filipa de Lencastre

Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?

Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Graal,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!


III. As Quinas

D. Duarte, Rei de Portugal

Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.

Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.

D. Fernando, Infante de Portugal

Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.

Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são Seu nome
Dentro em mim a vibrar.

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.


D. Pedro, Regente de Portugal

Claro em pensar, e claro no sentir,
É claro no querer;
Indiferente ao que há em conseguir
Que seja só obter;
Dúplice dono, sem me dividir,
De dever e de ser —

Não me podia a Sorte dar guarida
Por eu não ser dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
Calmo sob mudos céus,
Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo mais é com Deus!


D. João, Infante de Portugal

Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;

Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita —
O todo, ou o seu nada.


D. Sebastião, Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?


IV. A Coroa

Nun’Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

’Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!


V. O Timbre

A cabeça do grifo:
O infante D. Henrique

Em seu trono entre o brilho das esferas,
Com seu manto de noite e solidão,
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras —
O único imperador que tem, deveras,
O globo mundo em sua mão.

Uma asa do grifo:
D. João, O Segundo

Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra —
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.

Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu
E parece temer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu.


A outra asa do grifo:
Afonso de Albuquerque

De pé, sobre os países conquistados
Desce os olhos cansados
De ver o mundo e a injustiça e a sorte.
Não pensa em vida ou morte,
Tão poderoso que não quer o quanto
Pode, que o querer tanto
Calcara mais do que o submisso mundo
Sob o seu passo fundo.
Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.
Criou-os como quem desdenha.


(O texto está muito bem apresentado no endereço abaixo)
Fonte: http://www.pessoa-mensagem.blogspot.com/