domingo, 7 de abril de 2019

Por que têm tanto medo de Lula livre?


Lula. Foto de Ricardo Stuckert.

Por que têm tanto medo de Lula livre? Já alcançaram o objetivo, que era impedir a minha eleição

Luiz Inácio Lula da Silva

Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.

Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.

Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.

Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.

Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente da República (2003-2010)


Artigo do Presidente Lula
Publicado no jornal FSP


COMENTÁRIO DO EDITOR DO BLOG

Minha solidariedade e gratidão eterna a esse homem que é o símbolo de nossas lutas por um mundo melhor, mais justo e solidário, focado na inclusão social dos pobres através do orçamento do Estado e na igualdade de oportunidades, focado no amor ao próximo, na paz entre as pessoas e entre os povos, com base na tolerância a alteridade.

Lula, você é minha referência e enquanto persistir a injustiça contra ti não tem a menor possibilidade de sermos felizes e de encontrarmos um pouco de paz.

#LulaLivre

William


Texto e Discurso em Língua Espanhola (I) - Noções de texto e discurso


Um dia azul em Osasco (SP).
Foto de William Mendes.

Refeição Cultural

Desde a criação do blog Refeitório Cultural, há mais de uma década (criado no final de 2007), um dos objetivos deste espaço de cultura é compartilhar os ensinamentos do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP), por se tratar de uma universidade pública e por querer retransmitir para todos os cidadãos interessados aquilo que tive a oportunidade de aprender através dos recursos do povo.

Entrei no curso de Letras da USP no início dos anos dois mil, mas acabei tendo dificuldades de agenda por causa do meu trabalho e este fato alongou minha permanência no curso para o cumprimento da grade curricular. Com o passar dos anos na graduação em Português-Espanhol, e com a participação em cada uma das muitas disciplinas que fiz, foi ficando impossível postar as aulas, inclusive porque escrevê-las demanda um trabalho imenso de revisão das anotações para não postar coisas sem sentido.

Fui aceito para retornar à graduação e completar alguns créditos para colar grau em uma das duas disciplinas que havia feito. Achei melhor retornar ao curso que colar grau só em uma das graduações feitas.


Esta disciplina abordará aspectos da Língua Espanhola como, por exemplo, os processos de configuração textual em espanhol, incluindo técnicas discursivas, práticas de leitura e escrita e interpretação de sentidos nos textos e discursos.

Vou postar o que for possível sobre as aulas, e sempre com a minha visão e interpretação das anotações da matéria, isentando os professores de qualquer responsabilidade pelo que escrevo aqui. Esta matéria faço com o professor Adrián, que é muito bom.

A parte relativa aos objetivos, programa resumido e programa é uma reprodução do oferecimento da matéria no site da Universidade e é de domínio público.

Abraços aos leitores que se interessarem pelo tema.

William


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Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)

Letras Modernas

Texto e Discurso em Língua Espanhola


Objetivos:


A disciplina abordará aspectos do funcionamento da língua espanhola de especial interesse para o processo de configuração textual e para o reconhecimento das determinações discursivas nesse processo. Visa ainda ao desenvolvimento e consolidação de práticas de leitura e escrita nos alunos e à reflexão sobre sua projeção didática.

Programa Resumido:

Desenvolvimento e consolidação de práticas de leitura e escrita nos alunos e à reflexão sobre sua projeção didática.

Programa:

I. Conceitos e unidades para o estudo do texto e do discurso.
Gêneros de discurso e outros modos de agrupar séries textuais. Tipos de sequência textual.
O paratexto e sua função configuradora.
As vozes no texto. Reconhecimento de marcas de heterogeneidade.

II. Referenciação. A construção e retomada de objetos no texto.
As relações de correferência. O papel das palavras fóricas: demonstrativos, pronomes, artigo.
A correferência lexical e a produção de sentido.
As reformulações, exemplos e definições.

III. O contraste argumentativo. A contraposição de objetos e perspectivas.
Construções contrastivas e opositivas: coordenação, disjunção, enumeração, paralelismo sintático, formas distributivas, antonímia. Papel contrastivo dos pronomes tônicos.
Construções adversativas e concessivas: os conectivos adversativos e a orientação argumentativa. A factualidade nas concessivas, a alternância de modos e seus efeitos de sentido.

Fonte: Uspdigital.usp.br

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(anotações das aulas em língua espanhola e portuguesa. As incorreções no texto são de minha responsabilidade porque não sou um falante fluente do espanhol)

Texto e Discurso em Língua Espanhola

FLM0630

Clase 1

28 de febrero de 2019.


(aula do professor Adrián. Quando citar partes de textos dados em classe, a referência intelectual e produtiva é de nosso professor. Eventual equívoco conceitual é de minha responsabilidade)


La unidad 1 tendrá como contenidos:

"1. Conceptos y unidades para el estudio del texto y del discurso.

Nociones de texto y discurso. Géneros de discurso y otros modos de agrupar series textuales. Las voces en el texto. Reconocimiento de marcas de heterogeneidad." (programa)


La unidad 1 va a estudiar conceptos más generales y que sirven para muchas lenguas. Las unidades 2 y 3 serán más específicas para el estudio de la lengua española.

Para desarrollar los conceptos de "texto" y "discurso", el profesor trajo algunas reflexiones de autores y especialistas en lenguaje. Reproduzco abajo los extractos con las citas. Los alumnos tuvieron en clase análisis de textos dados como ejemplos por el profesor.


1. Maingueneau, Dominique. Análise de textos de comunicação. 6ª edição ampliada. São Paulo: Cortez, p. 64, grifo no original.

"Texto" emprega-se igualmente com um valor mais preciso quando se trata de apreender o enunciado como um todo, como constituindo uma totalidade coerente. O ramo da linguística que estuda essa coerência chama-se precisamente "linguística textual". Com efeito, tende-se a falar de "texto" quando se trata de produções verbais orais ou escritas, estruturadas de forma a perdurarem, a se repetirem, a circularem longe de seu contexto original.

2. Orlandi, Eni. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 1988, p. 59.

Um texto, tal como ele se apresenta enquanto unidade (empírica) de análise, é uma superfície linguística fechada nela mesma: tem começo, meio e fim. Como diz Pêcheux (1969) é impossível analisar um discurso como texto, enquanto superfície fechada nela mesma, "mas é necessário referi-lo ao conjunto de discursos possíveis a partir de um estado definido das condições de produção". Ou seja, é preciso tomar o texto como discurso, enquanto estado determinado de um processo discursivo. O conceito de discurso deve aí ser entendido enquanto conceito teórico que corresponde a uma prática: efeito de sentido entre locutores.

3. Fiorin, José Luiz. "Da necessidade de distinção entre texto e discurso". Em Brait, Beth e Souza e Silva, Maria Cecília (orgs.) Texto ou discurso? São Paulo: Contexto, 2012, p. 148.

Há diferenças entre texto e discurso. Este é da ordem da imanência, e aquele do domínio da manifestação. Cabe lembrar, inicialmente que imanência e manifestação pertencem à metalinguagem e, por conseguinte, não portam nenhum índice de valor a eles associados na linguagem-objeto: imanente não é o mais profundo, o mais importante, etc. A manifestação é a presentificação da forma de uma dada substância, o que significa que o discurso é do plano do conteúdo e o texto do plano da expressão. Em outras palavras, este é da ordem do sensível, enquanto aquele é do domínio do inteligível. O texto é a manifestação de um discurso. Assim, o texto pressupõe logicamente o discurso, que é, por implicação, anterior a ele.

4. Possenti, Sírio. "Observações esparsas sobre discurso e texto". Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 44, 2003, p. 212.

Um discurso nunca equivale a um texto, seja porque pode "haver" mais de um discurso em um mesmo texto (por efeito do interdiscurso), seja principalmente, porque um discurso se materializa tipicamente em uma dispersão de textos (como assinalou Foucault).

5. Orlandi, Eni. Análise de discurso. Princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2004, p. 63.

O texto é a unidade que o analista tem diante de si e da qual ele parte. O que faz ele diante de um texto? Ele o remete imediatamente a um discurso, que, por sua vez, se explicita nas suas regularidades por referência a uma ou outra formação discursiva, que, por sua vez, ganha sentido porque deriva de um jogo definido pela formação ideológica dominante naquela conjuntura.

6. Agenot, Marc. Interdiscursividades. Hegenomías y disidencias. Cordoba: UNC, 2010.

Convengamos, de manera puramente empírica, em llamar "discurso social" a todo lo que se dice y escribe en un estado de sociedad, todo lo que se imprime, todo lo que se habla y se representa hoy en día en los medios de comunicación electrónicos; todo lo que se narra y se argumenta, si postulamos que narrar y argumentar son los dos grandes modos de puesta en discurso. O mejor, llamemos "discurso social" no al todo empírico, cacofónico e al mismo tiempo redundante, sino a los sistemas cognitivos, a las distribuciones discursivas, a los repertorios tópicos que en una sociedad dada organizan lo narrable y lo argumentable, aseguran una división del trabajo discursivo, según las jerarquías de distinción y las funciones ideológicas que se han de cumplir y preservar.

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Aun la clase 1

28 de febrero de 2019.


Para la clase fue sugerida la lectura de dos artículos para reflexiones a respecto de la temática de la disciplina. Los artículos están citados abajo:

- “Roma”, una película en español subtitulada en español (Fuente: elpais.com/cultura – Madrid/México - 9/1/2019)

- “Manifiesto de la comunidad científica, académica y docente por la paz en Venezuela” (Fuente: eldesconcierto.el – Chile - 5/2/2019)


Yo hice la lectura de los artículos después de la clase porque fue mi primera participación en la disciplina. Los textos son muy buenos y nos llevan a reflexionar sobre las cuestiones ideológicas y discursivas que fueran destacadas en la clase por el profesor.


Apuntamientos hechos en la clase:

- diferencias y relaciones entre “texto” y “discurso”.

- intertextualidad – polifonía – dialogismo


Texto: “Roma” – extractos y comentarios:

“Es parroquial, ignorante y ofensivo para los propios españoles”

- “parroquial” – algo de un territorio pequeño; no tiene referencia con tema religioso; provinciano.

“enciende un debate sobre el español como una lengua común”

- lengua común X algo provinciano – ¿es o no es provinciano “traducir” de español al español? (solamente en España Netflix presentó la película con subtítulo en español de España)


FÍJENSE: términos: presupuesto – implícito – preconstruido

ELEMENTOS DEL DISCURSO EN EL TEXTO 


- oposición global X local – presupuesto de que “global” sería algo mejor que “local”.

- hay otros presupuestos en el texto: “En esa riqueza de la lengua compartida abunda un libro de inminente aparición…” – la lengua española es rica.

Acá tenemos también el mercado como eje. Hay una posición del mercado editorial en el texto al informar que son más de 500 millones de lectores y “apenas 20 de cada 10.000 palabras gráficas son de uso no general”, o sea, no hay necesidad de traducción entre los hablantes del español.

- aun con el eje de mercado: el español es una lengua global; imagen de bajo riesgo al invertir en el mercado editorial en lengua española.


POLIFONÍA

Cuando algo sueña a… es polifonía.

Ej.: el párrafo que dice sobre la vigilancia de la Real Academia: “una entidad que agrupa a las 23 instituciones que vigilan el buen uso del idioma”.


INTERTEXTUALIDAD

Cuando hay citas en los textos.


DIALOGISMO

Algo contra argumentativo; que se anticipa a un argumento.

Ej.: “No es para entender los diálogos; es para colonizarlos”.



Texto 2: “Manifiesto de la comunidad científica, académica y docente por la paz en Venezuela”

Un ejemplo de marca de discurso en el texto:

“Rechazamos decididamente otra intervención militar en nuestro continente. Parece que, como una vez dijera José martí, en Venezuela está llegando ‘la hora de los hornos y no se ha de ver más que la luz’.”

- claramente se ve la referencia al golpe de estado en Chile en los años setenta con apoyo de los EEUU, aunque no esté escrito en el texto. Es una marca del discurso.



(lembrando que o objetivo deste blog é partilhar conhecimento dentro do conceito de copy left)


sexta-feira, 5 de abril de 2019

A honestidade de Marx em O Capital




Refeição Cultural

"13 'Todos os fenômenos do universo, provocados pela mão do homem ou pelas leis gerais da física, não constituem, na realidade, criações novas, mas apenas transformação da matéria. Associação e dissociação são os únicos elementos que o espírito humano acha ao analisar a ideia de produção; o mesmo ocorre com a produção do valor' (valor de uso, embora o próprio Verri, nessa polêmica com os fisiocratas, não saiba claramente de que valor está falando) 'e da riqueza, quando a terra, o ar e a água transformam-se, nos campos, em trigo, ou quando, pela intervenção do homem, a secreção de um inseto se transforma em seda, ou diversas peças de metal se ordenam para formar um despertador.' (Pietro Verri, Meditazioni sulla economia política, impresso, primeiro, em 1771, na edição dos economistas italianos, de Custodi, parte moderna, v. XV, pp. 21 e 22)"

(Exemplo de exatidão com que Marx faz citações e dá aos autores citados o devido crédito, e de como ele faz a crítica técnica e científica - na citação acima entre parênteses - em relação a eventual juízo de valor que faça da citação, se for o caso)


Estou lendo o volume 1 da obra máxima de Karl Marx, O Capital. Por diversas questões em minha existência de trabalhador, só agora aos 50 anos de idade pude encarar com atenção a leitura desse clássico.

Já li alguns clássicos da produção humana ao longo de minha vida, a maior parte deles pertencentes a área da literatura. Livros como Ulisses, de James Joyce, Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes, A Montanha Mágica, de Thomas Mann, Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e outros mais.

O mundo em que vivo - o Brasil no ano 2019 - passa por um momento dramático em sua história. Talvez o mundo que conhecemos há décadas ou séculos (pela leitura da História) nunca mais seja o mesmo depois do momento em que vivemos. O planeta Terra também vive momentos dramáticos e definidores sobre o futuro da vida humana.

A realidade passou a ser definida ou a ter grande influência da pós-verdade. Estamos numa época em que as versões sobre as coisas, a partir de pessoas ou setores com capacidade operativa, superam os fatos objetivos; a mentira passou a se sobrepor à verdade por força das ferramentas tecnológicas da atualidade.

As também chamadas fake news, mentiras divulgadas como informação verdadeira, passaram a ter efeito por causa de uma certa robotização dos seres humanos, transformados em seres interconectados por aparelhos pessoais que permitem a manipulação de grande massa de humanos até por sistemas robotizados de produção de mentiras. 

O comportamento humano é manipulável a partir de agora - manipulável em escala. Os limites e alcance disso ainda são desconhecidos, mas são incalculáveis os riscos para a existência humana em sociedade.


MARX: UM ESCRITOR ATENTO À LINGUAGEM E ÀS REFERÊNCIAS

É nesse contexto de pós-verdade do século XXI que leio com surpresa Karl Marx, que escreveu por décadas ao longo do século XIX, falecendo em 1883. Ele já publicava textos profundos nos anos quarenta daquele século e publicou O Capital em 1867, com edições revistas e melhoradas, publicadas na Alemanha, França, e depois Inglaterra e Estados Unidos (já sob responsabilidade de Engels). 

Impressiona nos prefácios às edições de 1867, 1873, 1883 e 1890 (em alemão), e na edição francesa entre 1872 e 1875, e ainda na edição de 1886 em inglês, e também pelas cem páginas que já li, o quanto Marx é cuidadoso em seu compromisso com a verdade, com a citação de fatos que descreve (com as devidas fontes) e com as opiniões que emite a partir de seus estudos; vemos o quanto é fiel nas citações de temas e seus autores originais. Sua honestidade intelectual é cativante ao leitor destes tempos de mentiras.

Quando ele critica um autor, ele é claro nisso, quando enaltece outro, o faz da mesma forma. E ainda buscou melhorar a linguagem discursiva nas edições posteriores num esforço de seu trabalho científico e extremamente técnico se tornar acessível aos trabalhadores comuns.

De onde brota tanto ódio e desinformação a respeito deste filósofo e cientista político e sua obra? As pessoas são influenciadas a odiarem Karl Marx ou a se dizerem marxistas ou antimarxistas sem nunca terem lido uma linha de suas obras.

Por fim, dá certo desânimo pensar objetivamente no alcance obtido por grandes autores de ontem e de hoje, em relação ao público leitor ou ouvinte. Quantas pessoas liam as obras dos séculos passados? Quantas leem hoje? Machado de Assis, por exemplo, escrevia no Rio de Janeiro para um possível público leitor de alguns milhares no final do século passado. 

Grandes pensadores e escritores da atualidade conseguem algumas dezenas de milhares de receptores (leitores e espectadores), enquanto alguns vídeos com cem por cento de fake news atingem dezenas de milhões de receptores.

É com isso que lidamos hoje!

William


Post Scriptum:

Publicações sobre minha leitura de O Capital - clicar AQUI.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O mistério das violetas


Por que ambas foram cuidadas com o mesmo
carinho e atenção, e uma floresceu
e a outra morreu? Mistério.
Me pareceu uma alegoria
da vida humana.

Refeição Cultural

Há quase um ano, trouxe para casa dois vasos de violetas. Elas estavam na casa de meus pais, lá em Minas Gerais. Ficaram lá, quando mudamos para Brasília. Ao voltar para casa, após anos trabalhando fora, trouxe as violetas de volta.

Uma floresceu, está vistosa, exuberante. A outra definhou, foi minguando, até que morreu. É um mistério da natureza.

Quando passei a cuidar delas, dei exatamente o mesmo tratamento às duas. Aguei as violetas exatamente da mesma maneira, inclusive os recipientes são idênticos. 

Dei atenção a elas com todo o carinho com que cuido de flores e plantas. Ficaram no mesmo lugar em relação à temperatura e luminosidade.

Logo que elas chegaram a Osasco, tiveram infestação de pulgões. Eu tive a paciência de pegar um palito de dentes e tirar os pulgões diariamente das reentrâncias das folhas e caules. Todo santo dia fazia isso. Até que vencemos os pulgões.

O tempo passou. Cuidei delas com dedicação, tirando folhas velhas para brotarem novas folhas. Coloquei terra nova nos dois vasos.

Uma delas foi ficando viçosa, folhas novas brotando de tempo em tempo. Verde verde. Folhas durinhas. 

Por algum motivo, a outra não se desenvolveu. Foi sobrevivendo com as mesmas folhas. Foi minguando. Minguando.

Eis aí as duas. Uma floresceu e a outra morreu.

Hoje, fiquei pensando nessas duas violetas.

Me parece que ocorre o mesmo na existência humana, quando analisamos a vida sob determinada ótica.

Ao longo da existência, construímos relações humanas, relações sociais. Alimentamos e cuidamos de relações com entes queridos e conhecidos; nutrimos amizades e relacionamentos nos diversos espaços sociais em que vivemos. Damos e buscamos afetos, amizade, amor.

Algumas relações se fortalecem, florescem e dão flores, frutos. Outras, por mais que sejam cuidadas com a mesma atenção, não vão adiante, minguam; às vezes, até nos traem. Morrem.

A vida na Terra me parece um pouco como o mistério dessas duas violetas. Por mais que cuidemos e alimentemos os seres, as relações, o amor, a amizade; por mais que sejamos zelosos, solidários, com as vidas, com as relações humanas; umas darão flores e frutos; outras vão minguar e morrer.

Mistérios da vida!

William

domingo, 31 de março de 2019

Marx: a forma geral do valor das mercadorias




Refeição Cultural

"As mercadorias só encarnam valor, na medida em que são expressão de uma mesma substância social, o trabalho humano." (Karl Marx, O Capital)


A) A FORMA SIMPLES, SINGULAR OU FORTUITA DO VALOR

x da mercadoria A = y da mercadoria B, ou

x da mercadoria A vale y da mercadoria B

20 metros de linho = 1 casaco, ou

20 metros de linho valem 1 casaco


B) FORMA TOTAL OU EXTENSIVA DO VALOR

z da mercadoria A = u da mercadoria B, ou = v da mercadoria C, ou = w da mercadoria D, ou = x da mercadoria E, ou = etc.

(20 metros de linho = 1 casaco, ou = 10 quilos de chá, ou = 40 quilos de café, ou = 1 quarta de trigo, ou = 2 onças de ouro, ou = 1/2 tonelada de ferro, ou = etc.)


A forma extensiva do valor relativo

"O valor de uma mercadoria, do linho, por exemplo, está agora expresso em inúmeros outros elementos do mundo das mercadorias. O corpo de qualquer outra mercadoria torna-se o espelho onde se reflete o valor do linho."

Marx nos explica que desse modo se revela a massa de trabalho humano homogêneo e que por isso não importa a forma corpórea assumida pelo trabalho, seja ela qual for, casaco, trigo, ferro, ouro etc.

E completa dizendo que "ao valor não importa a forma específica do valor de uso em que se manifesta".

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"Não é a troca que regula a magnitude do valor da mercadoria, mas, ao contrário, é a magnitude do valor da mercadoria que regula as relações de troca."
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A forma de equivalente particular

Cada mercadoria, casaco, chá, trigo, ferro etc, é considerada equivalente na expressão do valor do linho e, portanto, encarnação de valor, afirma Marx.

Além disso, as variadas espécies de trabalho contidas nas mercadorias são trabalho humano em geral.


Defeitos da forma total ou extensiva do valor

A cadeia de equivalência não terminaria nunca porque sempre vai haver uma nova mercadoria. Falta uma forma unitária de manifestação do trabalho humano. Marx cita outros defeitos dessa forma.


A forma geral do valor

1 casaco                       =   |
10 quilos de chá           =   |
40 quilos de café          =   |
1 quarta de trigo          =   |
2 onças de ouro            =   |   20 metros de linho
1/2 tonelada de ferro   =   |
x de mercadoria A         =   |
etc. mercadoria             =   |


Mudança do caráter da forma do valor na expressão acima:

Marx nos explica que diferente das formas anteriores, as mercadorias expressam, agora, seus valores (1) de maneira simples, isto é, numa única mercadoria e (2) de igual modo, isto é, na mesma mercadoria. É uma forma de valor simples, comum a todas as mercadorias, portanto, geral.

VALORES DE TROCA

"(...) o valor de cada mercadoria, igualado ao linho, se distingue não só do valor de uso dela mas de qualquer valor de uso, e justamente por isso se exprime de maneira comum a todas as mercadorias. Daí ser esta a forma que primeiro relaciona as mercadorias como valores, umas com as outras, fazendo-as revelarem-se, reciprocamente, valores de troca."

O filósofo nos mostra que "a realidade do valor das mercadorias só pode ser expressa pela totalidade de suas relações sociais, pois essa realidade nada mais é que a 'existência social' delas, tendo a forma do valor, portanto, de possuir validade social reconhecida".

EQUIVALÊNCIA GERAL

A forma geral do valor relativo do mundo das mercadorias imprime à mercadoria eleita equivalente, o linho, o caráter de equivalente geral. No exemplo que Marx nos dá fica bem claro isso.

10 quilos de chá = 20 metros de linho
40 quilos de café = 20 metros de linho
logo
10 quilos de chá = 40 quilos de café
1 quilo de café = 1/4 da substância do valor, o trabalho, contida em 1 quilo de chá

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"Considera-se sua forma corpórea (o linho) a encarnação visível, a imagem comum, social, de todo trabalho humano. O trabalho têxtil, o trabalho privado que produz linho, ostenta, simultaneamente, forma social, a forma de igualdade com todos os outros trabalhos. As inumeráveis equações em que consiste a forma geral de valor equiparam, sucessivamente, ao trabalho contido no linho qualquer trabalho encerrado em outra mercadoria e convertem, portanto, esse trabalho têxtil em forma geral de manifestação do trabalho humano sem mais qualificações."
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Para finalizar essa parte da explicação acima, vem o complemento da lição de Marx em suas palavras:

"Assim, o trabalho objetivado no valor da mercadoria é representado não só sob o aspecto negativo em que se põem de lado todas as formas concretas e propriedades úteis dos trabalhos reais; ressalta-se, agora, sua própria natureza positiva. Ele é, agora, a redução de todos os trabalhos reais a sua condição comum de trabalho humano, de dispêndio de força humana de trabalho."

A conclusão deste ponto é que a forma geral do valor, que torna os produtos do trabalho mera massa de trabalho humano sem diferenciações, mostra, através de sua própria estrutura, que é a expressão social do mundo das mercadorias. 


Desenvolvimento mútuo da forma relativa do valor e da forma de equivalente

Marx explica cada uma das formas acima e as limitações delas. A terceira forma, proporciona ao mundo das mercadorias forma relativa generalizada e social do valor, por estarem e enquanto estiverem excluídas todas as mercadorias, com exceção de uma única, da forma equivalente geral.


Transição da forma geral do valor para a forma dinheiro

Estando uma mercadoria na forma de equivalente geral (forma C acima, o linho) ela pode ser considerada como mercadoria-dinheiro.

"Então, mercadoria determinada, com cuja forma natural se identifica socialmente a forma equivalente, torna-se mercadoria-dinheiro, funciona como dinheiro. Desempenhar o papel de equivalente universal torna-se sua função social específica, seu monopólio social, no mundo das mercadorias."

Terminando essa parte C da forma geral do valor das mercadorias, Marx vai entrar na próxima parte D, na forma dinheiro de valor, que fica para a próxima postagem.

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COMENTÁRIO FINAL

Estou terminando a parte I que trata da "Mercadoria" para entrar em seguida da parte II que trata de "O processo de troca".

Aos poucos, estamos vencendo a primeira centena de páginas dos estudos de Marx sobre O Capital.

Volto a dizer que estou postando literalmente trechos da obra de Marx para não incorrer em interpretações equivocadas de seus ensinamentos. Não sou marxista, não sou estudioso de Marx, no momento sou leitor da obra O Capital.

Mergulhar em leituras e estudos tem sido uma forma de buscar manter a sanidade num mundo de trumps e bolsonaros. Não podemos deixar a perplexidade e a tristeza nos levar para o buraco. Temos que resistir, e estudar é uma forma de resistência.

Leitura é uma forma de resistência! Por isso passei horas deste domingo 31 de março com a atenção nos ensinamentos de Marx.

É isso.

William
Um leitor


Post Scriptum:

A postagem anterior está AQUI e dela se vai para as anteriores.


sábado, 30 de março de 2019

Leitura: El Popol-Vuh



Refeição Cultural

El Popol-Vuh - Livro dos conselhos ou Livro da comunidade

A leitura desta obra se dá no contexto de estudos da literatura hispano-americana, com o tema das invasões dos europeus a partir do século XV, sobretudo os espanhóis, e nos leva a uma reflexão amarga sobre a destruição dos povos originários que aqui nas Américas viviam. Eram culturas riquíssimas as dos maias, astecas, incas, dentre outros povos e culturas.

E o que mais nos choca é ver no século XXI a repetição das diversas formas de colonização, exploração e destruição de culturas e povos das Américas Central e do Sul, e também do Caribe, por parte dos norte-americanos sobretudo e também por parte dos europeus.

A leitura aqui na postagem é de estudos, é de aprendizagem. Vamos então reproduzir alguns pontos da obra, encontrada em meio virtual, para que a postagem dê um apanhado geral sobre El Popol-Vuh.

O texto está em espanhol.


Sobre a obra:

Traducción de la versión francesa del profesor Georges Raynaud, director de estudios sobre las religiones de la América Precolombina, en la Escuela de Altos Estudios de París, por los alumnos titulares de la misma MIGUEL ÁNGEL ASTURIAS y J. M. GONZÁLEZ DE MENDOZA

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Instituto Cultural Quetzalcoatl de Antropología Psicoanalítica, A.C.


BREVE NOTICIA

El Popol-Vuh, que puede traducirse Popol, comunidad, consejo, y Vuh, libro, Libro del Consejo o Libro de la Comunidad, fue pintado. Lo dice el texto: “Este libro es el primer libro pintado antaño”. ¿El primer libro? ¿Querrá significarse con esto el más importante, algo así como la Biblia? “Pero su faz está oculta”, sigue el texto. ¿Oculta, por qué? ¿Fue destruido? ¿Fue quemado? ¿Se consumió en la ciudad de Utatlán, entregada a las llamas, reducida a cenizas por el Conquistador? “Su faz está oculta al que ve”, añade el texto, lo que mueve a pensar que no está oculta para el que, sin ver, conserva dicha faz en la memoria y la transmite oralmente. 


Originalmente, el Popol-Vuh fue pintura, memoria, palabra, y en esta forma de tradición oral se conserva hasta mediados del siglo XVI, época en que vuelve a ser escrito, por un indígena, antiguo sacerdote quizá, en lengua quiché, con caracteres latinos. Este manuscrito, que constituye el verdadero original del Popol-Vuh, llega a manos de Fr. Francisco Ximénez, cura párroco de Santo Tomás Chuilá, población guatemalteca llamada actualmente Chichicastenango, a principios del siglo XVIII. Por eso se conoce el Popol-Vuh con el nombre de “Manuscrito de Chichicastenango”.


Descubrirlo el Padre Ximénez, varón versadísimo en lenguas indígenas, y entregarse a su estudio y traducción del quiché al castellano, todo es uno. Pero el perilustre dominico no se contenta con traducir el Popol-Vuh. Para dar testimonio incuestionable de la autenticidad del texto y curarse en salud ante las autoridades religiosas, tal similitud hay entre el Génesis indígena y algunos pasajes de la Biblia, hace algo que la posteridad jamás le pagará bastante: al par de su versión castellana, en columna paralela, copia del texto quiché, es decir, que no sólo nos lega su traducción, sino la transcripción del texto indígena.


El Padre Ximénez realiza dos versiones. Una primera literal, que no le satisface, y una segunda, más cuidada, que incluye en el primer tomo de la “Crónica de la Provincia de Chiapa y Guatemala”, obra monumental que del archivo de los dominicos pasa en 1854 —con otros documentos del Padre Ximénez—, a la Biblioteca de la Universidad de San Carlos Borromeo. A partir de ese momento el libro sagrado de los quichés va a ser traducido a otras lenguas. El Dr. Carl Scherzer copia el texto en la Biblioteca de la Universidad de Carolina, y traducido al alemán lo publica en Viena, en 1857, bajo el título de “Las historias del origen de los indios de esta Provincia de Guatemala”. El abate Carlos Esteban Brasseur de Bourbourg llega a Guatemala, desde Francia, atraído por la luz de ese manuscrito prodigioso, se afinca en el país, estudia y profundiza la lengua quiché y traduce el Popol-Vuh al francés, versión que publica en París, en 1891, con el título de “Popol-Vuh, le livre sacre et les mythes de l”antiquité américaine”.


Varias otras traducciones se han hecho desde entonces, y se han publicado algo más de treinta y dos volúmenes, en todas las lenguas, interés que crece de día en día por tratarse de uno de los documentos milenarios de la humanidad.


De estas traducciones, citaremos las últimas. La del licenciado J. Antonio Villacorta y el profesor Flavio Rodas, publicada en Guatemala, en 1927, con el texto quiché fonetizado; la del licenciado Adrián Recinos, el cual encontró en la Biblioteca de Ewberry, de Chicago, el primer texto del Padre Ximénez, la traducción más literal, pero no la mejor, dado que el mismo autor la mejoró enormemente, y fue su segunda versión, ya más dueño del idioma quiché, la que incluyó en su famosa historia. De ésta, el profesor Georges Raynaud, después de más de cuarenta años de estudio, toda una vida, realizó su versión francesa ajustada al texto con rigor científico, sin restarle por ello su primigenia hermosura, su vuelo poético, su frescor vegetal, su hondura misteriosa. Dos de sus alumnos en la Escuela de Altos Estudios de París, el mexicano J. M. González de Mendoza y el guatemalteco Miguel Ángel Asturias, vierten al español, bajo la dirección del propio profesor Raynaud, la traducción del Popol-Vuh, hasta ahora considerada como la mejor, y la publican en París, en 1927, con el título de “Los Dioses, los Héroes y los Hombres de Guatemala Antigua”, de la que después se han hecho varias ediciones, siendo merecedora de citarse, en primer lugar, la de la Biblioteca del Estudiante Universitario [“El Libro del Consejo”], en las publicaciones de la Universidad Nacional Autónoma de México.


Y es la versión del Profesor Georges Raynaud, la de mayor autoridad científica, la que ahora publicamos, en la traducción al español de González de Mendoza y Miguel Ángel Asturias, seguros de que por igual ha de interesar al investigador, al sociólogo, al poeta, al escritor, al artista y al curioso lector que ame los mitos antiguos, y en este caso, el de cómo los dioses formaron el mundo americano y cómo fue creado el hombre de maíz.


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1. Do que vai tratar o livro

"Aquí comenzaremos la antigua historia llamada Quiché. Aquí escribiremos, comenzaremos el antiguo relato del principio, del origen, de todo lo que hicieron en la ciudad Quiché los hombres de las tribus Quiché."


2. O início, a origem

"He aquí el relato de cómo todo estaba en suspenso, todo tranquilo, todo inmóvil, todo apacible, todo silencioso, todo vacío, en el cielo, en la tierra. He aquí la primera historia, la primera descripción."

"Primero nacieron la tierra, los montes, las llanuras; se pusieron en camino las aguas; los arroyos caminaron entre los montes; así tuvo lugar la puesta en marcha de las aguas cuando aparecieron las grandes montañas. Así fue el nacimiento de la tierra cuando nació por [orden] de los Espíritus del Cielo, de los Espíritus de la Tierra, pues así se llaman los que primero fecundaron, estando el cielo en suspenso, estando la tierra en suspenso en el agua; así fue fecundada cuando ellos la fecundaron: entonces su conclusión, su composición, fueron meditadas por ellos."


3. A criação dos animais, que não veneravam aos deuses

"Estando pues todos terminados, venados, pájaros, les fue dicho a los venados, a los pájaros, por los Constructores, los Formadores, los Procreadores, los Engendradores: “Hablad, gritad; podéis gorjear, gritar. Que cada uno haga oír su lenguaje según su clan, según su manera”.

Mas:

"'En adelante decid nuestros nombres, alabadnos, a nosotros vuestras madres, a nosotros vuestros padres. En adelante llamad a Maestro Gigante [Relámpago], Huella del Relámpago, Esplendor del relámpago, Espíritus del Cielo, Espíritus de la Tierra, Constructores. Formadores, Procreadores. Engendradores. Habladnos, invocadnos, adoradnos', se les dijo. Pero no pudieron hablar como hombres: solamente cacarearon, solamente mugieron, solamente graznaron; no se manifestó [ninguna] forma de lenguaje, hablando cada uno diferentemente. Cuando los Constructores, los Formadores, oyeron sus palabras impotentes, se dijeron unos a otros: 'No han podido decir nuestros nombres, de nosotros los Constructores, los Formadores'. 'No está bien...

(...)

"Nuestra adoración es imperfecta si vosotros no nos invocáis."


4. A criação imperfeita de homens de terra, de barro, que não veneravam os deuses

"De fierra hicieron la carne. Vieron que aquello no estaba bien, sino que se caía, se amontonaba, se ablandaba, se mojaba, se cambiaba en tierra, se fundía; la cabeza no se movía; el rostro [quedábase vuelto] a un solo lado; la vista estaba velada; no podían mirar detrás de ellos; al principio hablaron, pero sin sensatez. En seguida, aquello se licuó, no se sostuvo en pie. Entonces los Constructores, los Formadores, dijeron otra vez: 'Mientras más se trabaja, menos puede él andar y engendrar'. 'Que se celebre, pues, consejo sobre eso', dijeron. Al instante deshicieron, destruyeron una vez más, su construcción, su formación, y después dijeron: '¿Cómo haremos para que nos nazcan adoradores, invocadores?'..."


5. A criação de homens de madeira, que também não veneraram os deuses

"'Que así sean, así, vuestros maniquíes, los [muñecos] construidos de madera, hablando, charlando en la superficie de la tierra'. —'Que así sea', se respondió a sus palabras. Al instante fueron hechos los maniquíes, los [muñecos] construidos de madera; los hombres se produjeron, los hombres hablaron; existió la humanidad en la superficie de la tierra. Vivieron, engendraron, hicieron hijas, hicieron hijos, aquellos maniquíes, aquellos [muñecos] construidos de madera. No tenían ni ingenio ni sabiduría, ningún recuerdo de sus Constructores, de sus Formadores; andaban, caminaban sin objeto. No se acordaban de los Espíritus del Cielo; por eso decayeron."


6. Insatisfeitos, os deuses se livram dos humanos com uma inundação

"En seguida [llegó] el fin, la pérdida, la destrucción, la muerte de aquellos maniquíes, [muñecos] construidos de madera.

Entonces fue hinchada la inundación por los Espíritus del Cielo, una gran inundación fue hecha: llegó por encima de las cabezas de aquellos maniquíes, [muñecos] construidos de madera (...) Y su muerte fue esto: fueron sumergidos; vino la inundación, vino del cielo una abundante resina."

No capítulo de destruição dos homens de madeira, há uma descrição forte da vingança dos animais que estavam sob o jugo dos homens, inclusive suas vasilhas se regozijaram sobre a destruição deles. Dizem os antigos que os macacos são os antigos descendentes daqueles homens de madeira.

Havia também um tal Principal Guacamayo (e seus filhos); ele foi derrotado junto aos homens de madeira na inundação. O orgulho era o principal defeito de Principal Guacamayo.


7. Depois nos é contado como Sabio Pez-Tierra, filho de Principal Guacamayo, derrota com estratégia a quatrocentos jovens

"Estando todos ebrios, los cuatrocientos jóvenes no tenían ya Sabiduría; entonces su casa fue derribada sobre sus cabezas por Sabio Pez-Tierra, y acabaron por ser todos destruidos. Ni uno ni dos de aquellos cuatrocientos jóvenes se salvaron; fueron matados por Sabio Pez-Tierra, hijo de Principal Guacamayo. Así murieron los cuatrocientos jóvenes. Se dice también que entraron en la constelación llamada a causa de ellos el Montón, pero esto no es quizás más que una fábula. Aquí contaremos también la derrota de Sabio Pez-Tierra por los dos engendrados Maestro Mago, Brujito."


8. Os capítulos seguintes tratam de histórias de nascimento e morte de personagens da mitologia do povo maia quiché.

A versão que estou estudando tem 91 páginas. A leitura passou a ser cansativa a partir de aqui. São várias aventuras descrevendo personagens que significam origens de alguma coisa, ou que explicam algo.

Estou na primeira terça parte da obra. Vou seguir a leitura depois.

William
Um leitor

quinta-feira, 28 de março de 2019

O Vergalho - Brás Cubas (Prudêncio é o povo brasileiro)



Ilustração de Marilia Bruno, de uma bela edição
do livro de Machado, feita pela Panda Books, em 2018. 
Recomendo a aquisição e leitura.

Refeição Cultural

"O Vergalho

Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava (chicoteava) outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras: - 'Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!' Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.


- Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado!

- Meu senhor! gemia o outro.

- Cala a boca, besta! replicava o vergalho.

Parei, olhei... justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio, - o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a benção; perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele.

- É, sim nhonhô.

- Fez-te alguma coisa?

- É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.

- Está bom, perdoa-lhe, disse eu.

- Pois não, nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!

Saí do grupo, que me olhava espantado e cochichava as suas conjeturas. Segui caminho, a desfiar uma infinidade de reflexões, que sinto haver inteiramente perdido; aliás, seria matéria para um bom capítulo, e talvez alegre. Eu gosto dos capítulos alegres; é o meu fraco. Exteriormente, era torvo o episódio do Valongo; mas só exteriormente. Logo que meti mais dentro a faca do raciocínio achei-lhe um miolo gaiato, fino e até profundo. Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, - transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!"

(Capítulo LXVIII, O vergalho, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, 1881)


Amig@s leitores, o personagem Prudêncio, negro, ex-moleque, agora adulto, escravo alforriado, e açoitador de outro negro, escravo dele, é, na minha opinião, uma alegoria perfeita do povo brasileiro pobre, "remediado", de direita e conservador; é o povo manipulado por conceitos inventados para situá-lo como "classe média", e que no fundo não passa de pobre que não reconhece que é pobre.

Peguei na estante para ler um pouco de Machado de Assis para poder respirar. Ver toda a destruição do Brasil e da brasilidade, ver o desfazimento de uma nação nos faz faltar o ar. Aos que têm um pouco de consciência política, que sinceramente, não é muita gente.

Prudêncio é o povo brasileiro de hoje, é a ampla maioria dos 57.797.847 eleitores do governo atual; não são prudêncios todos os eleitores votantes desta coisa que viramos porque os da casa-grande votaram com consciência de classe.

Prudêncio são meus colegas bancários, são os metalúrgicos, os professores, os funcionários públicos, os PJ (pessoa jurídica) que trabalham como terceirizados e se acham empreendedores, classe média. Prudêncio é o empregado que era assediado e que ganhou uma funçãozinha qualquer e passa a assediar seus colegas.

Esses prudêncios votam na direita, votam nos banqueiros, nos brancos da elite, nos nhonhôs, e querem distância das organizações e lideranças que representam a sua classe, a de pobre e de trabalhador, é gente que vive de vender força de trabalho, mas não se enxerga como tal.

Povo miserável, país miserável!

William

sexta-feira, 22 de março de 2019

Marx: a forma relativa do valor da mercadoria e a forma equivalente




Refeição Cultural

"É curioso o que sucede com essas conceituações reflexas. Um homem, por exemplo, é rei porque outros com ele se comportam como súditos. Esses outros acreditam que são súditos, porque ele é rei." (Marx, em "O Capital")


Comprei semanas atrás o primeiro volume do livro O Capital - Crítica da Economia Política, de Karl Marx. Penso que teria sido mais proveitoso estudar esta obra clássica do pensamento humano em outra época, enquanto era um representante do meio social em que vivia. Agora, a leitura é mais por curiosidade.

Nesta obra, nos é informado no sumário que vamos ler sobre o "processo de produção do capital". A primeira parte do volume 1 nos apresenta o tema "Mercadoria e Dinheiro". Estou lendo sobre a mercadoria. 

Para mim, a leitura está sendo trabalhosa, talvez por dificuldade intelectual de minha parte. Além disso, leio várias coisas ao mesmo tempo, de maneira que estudo numa sentada algumas páginas de Marx e volto ao livro dias depois. 

No entanto, é inevitável perguntar a mim mesmo neste momento de minha existência: ler ou não ler Marx? Para não desanimar, fico com a lembrança de um texto que estudei no passado sobre ler ou não ler os clássicos e a resposta do autor para a questão era: é melhor ler do que não ler os clássicos.

Foi baseado nesse estímulo acima, que passei algumas horas com Marx neste dia.


A FORMA DO VALOR OU O VALOR DE TROCA

"As mercadorias vêm ao mundo sob a forma de valores de uso, de objetos materiais, como ferro, linho, trigo etc. É a sua forma natural, prosaica. Todavia, só são mercadorias por sua duplicidade, por serem ao mesmo tempo objetos úteis e veículos de valor. Por isso, patenteiam-se como mercadorias, assumem a feição de mercadoria, apenas na medida em que possuam dupla forma, aquela forma natural e a de valor."

E Marx nos recorda que as mercadorias só encarnam valor na medida em que são expressões de uma mesma substância social, o trabalho humano. Ele nos fala sobre um certo valor escondido: "Partimos do valor de troca ou da relação de troca das mercadorias, para chegar ao valor aí escondido".

Os estudos dessa temática vão elucidar a gênese da forma dinheiro do valor.

Todo o trecho que li faz as explanações baseado na fórmula abaixo:


A FORMA SIMPLES, SINGULAR OU FORTUITA DO VALOR

x da mercadoria A = y da mercadoria B, ou

x da mercadoria A vale y da mercadoria B

20 metros de linho = 1 casaco, ou

20 metros de linho valem 1 casaco


OS DOIS POLOS DA EXPRESSÃO DO VALOR: A FORMA RELATIVA DO VALOR E A FORMA DE EQUIVALENTE

"O valor da primeira mercadoria apresenta-se como valor relativo; ela se encontra sob a forma relativa do valor. A segunda mercadoria tem a função de equivalente ou se acha sob a forma de equivalente."

O valor do linho só pode ser expresso relativamente, em outra mercadoria.

Mais adiante o autor nos explica como identificar em que forma a mercadoria se encontra:

"Para saber se uma mercadoria se encontra sob a forma relativa do valor ou sob a forma oposta, a de equivalente, basta reparar a posição que ocasionalmente ocupa na expressão do valor, se é a mercadoria cujo valor é expresso ou se é mercadoria através da qual se expressa o valor."


A FORMA RELATIVA DO VALOR

O filósofo nos lembra que para comparar quantitativamente duas coisas diferentes é preciso convertê-las antes em uma mesma coisa: somente como expressões de uma mesma substância são grandezas homogêneas, por isso, comensuráveis.

"(...) é necessário admitir, simultaneamente, que linho e casacos, como grandezas de valor, são expressões de uma mesma coisa, ou coisas da mesma natureza. Linho = casaco é o fundamento da equação."

E segue:

"Nessa relação, o casaco representa a forma de existência do valor, é a figura do valor, pois somente nessa qualidade é idêntico ao linho..."


TRABALHO HUMANO CRISTALIZADO

"Ao dizermos que, como valores, as mercadorias são trabalho humano cristalizado, nossa análise as reduz a uma abstração, a valor, mas não lhes dá forma para esse valor, distinta de sua forma física."

No valor das mercadorias está contida a força humana de trabalho, tanto do tecelão do linho quanto do alfaiate dos casacos, neste sob a forma concreta e naquele sob a forma abstrata de trabalho humano (na equação 20 metros de linho = 1 casaco).

Duas citações deixam isso evidente para nós:

- "Só a expressão da equivalência de mercadorias distintas põe à mostra a condição específica do trabalho criador de valor, porque ela realmente reduz à substância comum, a trabalho humano, simplesmente, os trabalhos diferentes incorporados em mercadorias diferentes."

- "A força humana de trabalho em ação ou o trabalho humano cria valor, mas não é valor. Vem a ser valor, torna-se valor, quando se se cristaliza na forma de um objeto. Para expressar o valor do linho como massa de trabalho humano, temos de expressá-la como algo que tem existência material diversa da do próprio linho e, ao mesmo tempo, é comum a ele e a todas as outras mercadorias."

Marx nos diz que o valor da mercadoria linho está expresso pelo corpo da mercadoria casaco, o valor de uma mercadoria pelo valor de uso da outra.

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"Por meio da relação de valor, a forma natural da mercadoria B torna-se a forma do valor da mercadoria A, ou o corpo da mercadoria B transforma-se no espelho do valor da mercadoria A. Ao relacionar-se com a mercadoria B como figura do valor, materialização de trabalho humano, a mercadoria A faz do valor de uso B o material de sua própria expressão de valor. O valor da mercadoria A, ao ser expresso pelo valor de uso da mercadoria B, assume a forma relativa."
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Antes de entrar no ponto da forma equivalente, as páginas seguintes discorreram sobre a questão dos efeitos da produtividade na confecção das mercadorias.


A FORMA EQUIVALENTE

"Já vimos que a mercadoria A (o linho) ao exprimir seu valor por meio do valor de uso de mercadoria diferente, a mercadoria B (o casaco), imprime a esta última forma de valor peculiar, a forma de equivalente. O linho revela sua condição de valor, ao igualar-se ao casaco, sem que este adote uma forma de valor diferente de sua forma corpórea. Na realidade, o linho expressa sua própria condição de valor por ser o casaco por ele diretamente permutável. Assim, a mercadoria assume a forma de equivalente, por ser diretamente permutável por outra."

Na forma de equivalente, o valor de uso se torna a forma de manifestação do seu contrário, ou seja, do valor.

Marx explica que não podendo a mercadoria transformar seu próprio corpo em expressão de seu próprio valor, tem ela de relacionar-se com outra mercadoria, considerada equivalente, ou seja, fazer da figura física de outra mercadoria sua própria forma de valor.

E nos fala sobre o valor de troca: "(...) Em outras palavras, o valor de uma mercadoria assume expressão fora dela, ao manifestar-se como valor de troca".

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"Examinando mais de perto a expressão do valor da mercadoria A, contida na sua relação de valor com a mercadoria B, vimos que, dentro do seu domínio, se considera a forma natural da mercadoria A figura de valor de uso, e a forma natural de mercadoria B apenas forma de valor. A contradição interna, oculta na mercadoria, entre valor de uso e valor, patenteia-se, portanto, por meio de uma oposição externa, isto é, através da relação de duas mercadorias, em que uma, aquela cujo valor tem de ser expresso, figura apenas como valor de uso, e a outra, aquela na qual o valor é expresso, é considerada mero valor de troca. A forma simples do valor de uma mercadoria é, por conseguinte, a forma elementar de manifestar-se a oposição nela existente, entre valor de uso e valor."
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ALÉM DA DÚVIDA DO LER OU NÃO LER, A DO ESCREVER OU NÃO

A próxima parte da leitura, vai abordar ainda a forma total ou extensiva do valor, a forma de equivalente particular, defeitos da forma total ou extensiva do valor, forma geral do valor, até chegar na transição da forma geral do valor para a forma dinheiro do valor.

Além da dúvida deste leitor que vos fala, sobre ler ou não ler Marx, ainda fica outra dúvida tão difícil quanto a primeira: escrever ou não escrever a respeito do que leio? 

Escrevi por mais de uma década no blog. O ato de escrever exige muita disciplina e esforço. Por outro lado, o esforço ao escrever gera aprendizagem e memorização por reflexão naquele que escreve.

Talvez por isso ainda escreva alguma coisa aqui no blog nesta altura dos acontecimentos e mudanças sociais no meu mundo.

Abraços aos leitores que por aqui passarem.

William


Post Scriptum:

As demais postagens sobre O Capital estão disponíveis a partir da anterior (AQUI).