quinta-feira, 20 de março de 2008

Sintaxe do Português: termos da oração


Cerejeiras na USP.

SINTAXE DO PORTUGUÊS

Aula de 27.2.08

Comentário do blog: a postagem e as interpretações das aulas que tive são de minha responsabilidade. Este blog é para compartilhar conhecimento, opiniões e informações de forma gratuita. Qualquer dúvida que o(a) leitor(a) tenha em relação ao conteúdo é interessante que se busque outras fontes para comparar e avaliar qual entenda ser a fonte mais adequada.

Estudo dos chamados ‘termos da oração’.

Estamos estudando um texto de Maria Eugênica L. Duarte – autora gerativista.

Nosso curso com a professora Maria Célia Lima-Hernandes tem por objetivo o foco funcionalista.

Por que o sujeito é um argumento externo?

Existem estruturas com 3, 2, 1 ou nenhum argumento:

3- Ele deu o dinheiro aos pobres.

2- Isso interessa aos alunos.

1- Chegou uma encomenda.

0- Choveu.

O sujeito é chamado argumento externo porque sua relação é com o mundo real (caso nominativo). Já os argumentos internos são dos casos acusativo e dativo – objeto direto e indireto. Eles dependem sintaticamente do verbo.

Nas aulas tradicionais de Sintaxe, os professores tendem a pedir para os alunos encontrarem primeiro o sujeito de uma oração/sentença. Outros pedem para identificar o verbo (menos ruim).

- João comeu abacaxi.

A autora Maria Eugênia apresenta a ideia de ‘predicador’. No caso acima é o verbo comeu.

O verbo comer pede dois argumentos: alguém/algo come alguém/algo.

A Sintaxe busca olhar a função de uma palavra ou termo dentro de um todo. Ela precisa da Semântica.

Para a Gramática Funcional, não existem fronteiras entre as partes da Gramática Tradicional (GT): Fonética, Semântica, Morfologia etc.

A Sintaxe Funcional trabalha com gradação, categorização etc. Uma palavra pode ter uma função sintática mais pra ‘x’ que ‘y’ função.

O sujeito estabelece relação e posição. Exige concordância (Bechara).


---------


(texto atualizado em 16/12/19, às 17h56)

Caminho de Santiago: decisões a tomar





Estive ontem na Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela (link aqui) em São Paulo para pegar informações.

Tenho decisões a tomar quanto ao planejamento de meu Caminho. O principal é decidir quando irei.

Pelas explicações que recebi, percebi que fazer o caminho em julho deve ser o caos, por ser mês de férias e estar tudo lotado, tanto o caminho quanto os abrigos de peregrinos. Sem contar os preços mais altos para tudo, a começar pelas passagens.

O maior problema são minhas aulas da faculdade. Já comecei e larguei a matéria de Sintaxe duas vezes. Não posso mais ser reprovado nela. Como são cerca de 35 dias, eu faltaria umas 10 aulas.

Ir em junho pode ser menos ruim em termos de lotação do caminho, mas não resolve muito em relação à faculdade. Poderia ir em agosto e perder o primeiro mês de aula.

Quanto à decisão de onde sair, por onde ir e como se locomover, estou chegando a conclusões: começarei em Saint-Jean-Pied-de-Port; penso que farei o voo SP-Madri-SP, sendo que estou com vontade de ir de trem entre Madri e Pamplona - deve ser muito bonito.

Segundo a Associação, devo fazer o seguro saúde e usar um cartão pré-pago internacional com um crédito determinado.

Ou seja, finalizo a semana definindo algumas coisas, mas faltando decidir a principal: que dia sair do Brasil.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Caminhando rumo a Santiago


Os pés que nos conduzem pelos caminhos.

Tenho que focar algum progresso para esta semana no que diz respeito à preparação para o meu Caminho de Santiago.

Visitarei a Associação em São Paulo responsável pela emissão do "Pasaporte del peregrino", localizada na Vila Mariana. 


Já sei que o passaporte só é emitido após a compra das passagens para a viagem, porém preciso definir também se irei para a França ou para a Espanha.

Estou me decidindo por sair de Saint-Jean-Pied-de-port, na França.

A data para a viagem também está se definindo, porque meu semestre na faculdade vai até o final de junho. É provável que eu saia do Brasil no início de julho.

Também preciso ver a aquisição de materiais necessários como mochila, tênis (para amaciá-lo por 90 dias), saco de dormir, uma pequena câmera fotográfica etc.

Até sexta, terei cumprido algumas dessas obrigações.


sábado, 15 de março de 2008

What's this life for - Creed




Hurray for a child
that makes it through.
If there's any way
because the answer lies in you.
They're laid to rest
before they've known just what to do.
Their souls are lost
because they could never find.

What's this life for?

I see your soul, it's kind of gray.
you see my heart, you look away.
You see my wrist, i know your pain.
I know your purpose on your plane.
Don't say a last prayer
because you could never find.

What's this life for?

But they ain't here anymore.
Don't have to settle the score
'cause we all live
under the reign of one King.
They ain't here anymore.
Don't have to settle the goddamn score
cause we all live
under the reign of one King...

-------------------------

COMENTÁRIO:

Feeling: as a matter of fact, in spite of I don't believe in God (perhaps believe in nature, in all kind of life), some kind of songs like this one makes many people thinking about the existence.


Música que gosto muito, pois além de ser um tremendo som, tem uma letra filosófica.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Uma História Real - Filme de David Lynch, 1999


Richard Farnsworth em papel magistral.

Refeição Cultural - Uma História Real

Direção: David Lynch, 1999

Com: Richard Farnsworth (Alvin Straight), Sissy Spacek (Rose Straight), Harry Dean Stanton (Lyle Straight) e elenco.


Uma É engraçado!

Poucos filmes ou lembranças umedecem-me com relativa eficiência os sofridos olhos secos e ardidos. (é sempre bom qualquer vestígio de lágrima para aqueles que têm o problema de vista seca e ardor 24 horas por dia e noite)

Algo no filme me toca profundamente.

Não usaria o verbo "saber" para dizer o que é. O melhor é usar o verbo "sentir" para falar a respeito: sentir arrepios, sentir os olhos marejarem, sentir o coração apertado, sentir uma simpatia enorme por Alvin...

*Carregar uma amargura, um erro, por toda a vida, simplesmente porque não há nada a se fazer, a não ser conviver com aquilo;

*Lutar e vencer um dos sentimentos mais duros e mesquinhos que compõem a natureza humana: algo que poderíamos chamar rancor, orgulho; não-dar-o-braço-a-torcer, fazer-se-de-durão-a-qualquer-custo, falta colossal de humildade;

*A capacidade infinita e surpreendente de superação e inventividade do ser humano quando se deseja do fundo do coração atingir um objetivo;

*Aquela lentidão em que se passa o filme, a história, as paisagens, o cortador de gramas, a fala daquele velhinho tão único, mas ao mesmo tempo tão comum. Como precisaríamos de um pouco mais de lentidão nos dias de hoje!

Posso dizer que o filme me faz um bem danado. E é um paradoxo, pois aperta o peito e dá um nó geral na garganta. Mas também é esse um dos segredos da sétima arte.

Post Scriptum em 2012:


Cena do filme com Sissy Spacek.
Sissy Spacek

Assistindo ao filme Carrie com a jovem Sissy Spacek em 1976 e a vendo no filme em 1999 em uma interpretação brilhante e difícil como a filha do personagem principal, vemos o quanto a atriz é merecedora de nossa admiração.

Palmas para Sissy Spacek...


Post Scriptum em julho de 2014:

Ao reler a postagem, acabei por assistir novamente ao filme. Cada vez que revejo a história de Alvin Straight, mais reflito sobre a vida.

No início de 2014 tive muitas decepções em relação a pessoas que considerava muito, algumas delas tinha afinidade como irmãos têm.

Alvin (73 anos) nos dá um exemplo de perseverança e de grandeza ao passar por cima do orgulho e ir ao encontro de seu irmão Lyle (que sofreu um derrame), atravessando 240 milhas (390 km) entre Iowa e Wisconsin para pôr fim a um rompimento que durou anos e que ocorreu num momento de bebedeira.

O que vivi no início deste ano me endureceu muito. Tive que superar rapidamente uma grande decepção e seguir. Estou agora muito focado em superar tudo isso, inclusive buscando a reconciliação e a unidade em nome de algo maior - o projeto da classe trabalhadora que representamos.

Nisso o filme é uma grande lição, superar rompimentos e ter força e determinação nesta tarefa que tenho pela frente.


Enredo (Wikipedia) - contém spoiler


Alvin Straight has not shown up to his regular bar meeting with his friends. He is eventually found lying on his floor at home, although he insists that he "just needs a bit of help getting up". His daughter Rose takes her reluctant father to see a doctor, who sternly admonishes Alvin to give up tobacco. He also tells Alvin that he should start using a walker. Alvin refuses. Alvin then learns that his brother Lyle has suffered a stroke. Longing to visit him, but unable to drive, Alvin gradually develops a plan to travel to Mount Zion on his riding lawn-mower and towing a small homemade travel-trailer, to the consternation of his family and friends.

Alvin's first attempt fails: after experiencing difficulty starting the old mower's motor, he doesn't get far before the machine breaks down. Alvin arranges for his mower to be transported back home on a flatbed truck, where he takes out his frustrations on the mower with a shotgun blast. At the John Deere dealer, he purchases a newer lawn tractor from a salesman who is generous but describes Alvin as being a smart man, "until now".

Alvin continues on his quest. He passes a young female hitchhiker who later approaches his campfire and says that she could not get a ride. In conversation, Alvin deduces that she is pregnant (although this is not physically obvious) and has run away from home. Alvin tells her about the importance of family by describing a bundle of sticks that is hard to break. The next day Alvin emerges from the trailer to find that she has left him a bundle of sticks tied together.

Later, a huge group of RAGBRAI cyclists race past him. He later arrives at the cyclists' camp and he is greeted with applause. He speaks with them about growing old. When he is asked about the worst part of being old, he replies, "remembering when you was young".

The next day, Alvin is troubled by the massive trucks passing him. He then interacts with a distraught woman who has hit a deer, and is being driven to distraction by the fact that she continually hits deer while commuting, no matter how hard she tries to avoid them. She drives away in a tearful huff, and Alvin, who had started to run short of food, cooks and eats the deer, then mounts the antlers above the rear doorway of his trailer as a tribute to the deer and the sustenance it had provided.

Alvin's brakes fail as he travels down a steep hill; he struggles to maintain control of the speeding tractor and finally manages to bring the vehicle to a complete stop. Some people help get Alvin's mower and trailer off the road. They later discover that the mower also has transmission problems.

Now beginning to run low on cash, Alvin borrows a cordless phone from a homeowner – gently refusing an invitation to come indoors – and calls Rose to ask her to send him his Social Security check. He then leaves money on the doorstep to pay for his telephone call. A local motorist offers Alvin a ride the rest of the way to Lyle's, but Alvin declines, stating that he prefers to travel his own way. An elderly war veteran takes him into town for a drink, and Alvin tells a story about how he is haunted by a memory of accidentally shooting one of his military comrades.

Alvin's tractor is fixed and he is presented with an exorbitant bill by the mechanics, who are twins and are constantly bickering. Alvin successfully negotiates the price down, and explains his mission, which he calls "a hard swallow to [my] pride," but "a brother is a brother." The mechanic twins seem to relate to this.

Later, Alvin camps in a cemetery and chats with a priest who recognizes Lyle's name and is aware of his stroke. The priest says that Lyle did not mention he had a brother. Alvin replies that "neither one of us has had a brother for quite some time." Alvin wants to make peace with Lyle and is emphatic that what happened ten years ago does not matter. "I say, 'Amen' to that, brother," the priest replies.

The next obstacle Alvin must overcome is apparent engine trouble, just a few miles from Lyle's house. Alvin stops in the middle of the road, unsure of how to proceed. A large farm tractor driving by then stops to help, but this time the problem was evidently just a few drops of bad gas, because the lawn-tractor's engine sputters to life again after sitting for a few minutes. The gracious farmer then leads the way on his own tractor, to make sure Alvin gets there okay.

Lyle's house is dilapidated. Using two canes, Alvin makes his way to the door. He calls for his brother. Lyle invites Alvin to sit down. Lyle looks at Alvin's mower-tractor contraption and asks if Alvin had ridden that thing just to see him. Alvin responds simply, "I did, Lyle." The two men sit together silently and look up at the stars.


quinta-feira, 13 de março de 2008

Sintaxe do Português: sintaxe funcional


Flores uspianas.

SINTAXE DO PORTUGUÊS

Aula de 25.2.08

Comentário do blog: a postagem e as interpretações das aulas que tive são de minha responsabilidade. Este blog é para compartilhar conhecimento, opiniões e informações de forma gratuita. Qualquer dúvida que o(a) leitor(a) tenha em relação ao conteúdo é interessante que se busque outras fontes para comparar e avaliar qual entenda ser a fonte mais adequada.

Sintaxe Funcional

Antes a divisão era entre Normativa x Descritiva.

Normativa = modelo do ensino básico: regras para bom uso da língua.

A Gramática era modular = ideia de gramática internalizada. A maioria dos pesquisadores focou a Sintaxe.

Dentro dos formalistas havia o Gerativismo (modelo do Chomsky).

Gerativismo = tem uma concepção de que o cérebro não é modular, é sistêmico. As mudanças alteram tudo.


AS MUDANÇAS

As gerações mudam a linguagem e seu uso. Via de regra, essas mudanças são de responsabilidade dos adolescentes, pelo seu desejo de mudar e inovar.

Funcionalistas = não aceitam as regras das gramáticas normativas (GT) por elas acharem que nada muda.

É importante lançar mão de outros módulos da Linguística: Fonética, Pragmática etc para se estudar a gramática da língua.

É preciso entender algo inovador na língua. Vejamos alguns casos:

- Eu vou à padaria comprar pão (verbo + verbo).

- Eu vou ao açougue comprar carne (verbo + verbo).

Com o tempo o verbo ir, que significava deslocamento mudou e passou a ser auxiliar de futuro.

- Eu vou (à padaria) comprar pão. = Eu vou comprar pão.

- Eu vou (ao açougue) comprar carne. = Eu vou comprar carne.

O verbo ir (vou) deixou de ser verbo pleno e passou a informação inferior.

Hoje, temos até expressões como vou ir/vou vir.

-------------------------------
Atualmente, o verbo IR não tem só o sentido de deslocamento espacial e sim de auxiliar de futuro.
-------------------------------

Existem muitas expressões hoje em dia com sentidos semânticos e formações sintáticas inovadoras:

- “Si pá...”;

- “Tipo assim...”; 


- “tipo...” etc.

"Tipo" vem do grego (pancada/marca); depois do latim (pessoa, que deixa marcas); português (tipo de tipografia e depois pessoa).

Hoje, virou um CLASSIFICADOR.

- “chutar o balde”.

O objeto direto (o balde) foi engolido, incorporado na expressão. A expressão é intransitiva.

- “Aí ele pegou e disse...” (a pessoa não pegou nada fisicamente).

O verbo pegar não é auxiliar. Aqui seria algo como VERBOS SERIAIS.

Outro exemplo dessa categoria: 


- “Chegou chegando...”.

-----

(texto atualizado em 16/12/19, às 15h35)

quarta-feira, 12 de março de 2008

As reflexões pelo Caminho já iniciado




Olha!!

Hoje, refletindo um pouco dentro de um ônibus lotadíssimo, por quase 2 horas, no trânsito caótico dessa porcaria de cidade em que trabalho (Grande São Paulo), que emplaca 800 carros novos por dia, indo para a faculdade, cheguei à conclusão de que não quero mais isso para a minha vida. Sinceramente, estou saturado dessa metrópole e de seu estilo de não-vida.

Estou saturado do ar podre e poluído e de não conseguir me locomover em menos de 3 horas por dia.

Ninguém merece isso!!

O fato é que, assim como preciso de um tempo só para mim, como faço nos momentos em que estou só e com os meus livros, ou quando faço uma vez por ano a minha caminhada em Minas Gerais, tenho que decidir muita coisa para o viver de amanhã.

Nessa nossa vida é preciso fazer valer a pena.


Por outro lado, lendo um pouco nas últimas manhãs, percebi que isso sim é fazer valer a pena. Como amo a literatura!

Crônica: Romaria 2006 - Um teste de perseverança, resistência e humildade


Com a família querida.

Refeição Cultural

Tem um saber popular que diz que todo mundo precisa, às vezes, de um recolhimento ou isolamento para reflexão e busca pessoal.

Encontro esse meu momento todas as vezes que vou a Minas Gerais para fazer a caminhada entre as cidades de Uberlândia e Romaria, um percurso que varia de 73 a 90 quilômetros, dependendo de onde se sai.

Passeio ao sol

Neste ano (2006) saí do trevo da cidade (trevo para Araxá), às 11 horas da manhã de sexta-feira, sol a pino, e procurei levar pouco peso na mochila.

Apesar do caminho estar lá como sempre, este que vai por ele é outro a cada ano, inclusive com a quilometragem da vida maior.

De posse de um panfletinho com as distâncias entre cada um dos pontos de referência para o romeiro, iniciei os primeiros 6,7 Km do trevo de saída para Araxá até os Olhos D’água.

Tinha como meta não perder muito o ritmo de fazer cada quilômetro andado na faixa dos 10’ (minutos), pois sempre começo andando bem e vou terminar me arrastando a mais de 20’ o Km.

Em 2005, fiz o percurso em 23 horas.

Cheguei às 12:10h. Descansei 15’ e saí para 8,1 Km até a ponte do Rio das Velhas. Percebi que estava adiantado no tempo em relação à multidão de gente que sai para a Romaria no entardecer de sexta-feira, ou seja, pegaria estrada com bem poucos romeiros.

Depois de uma boa descida, cheguei à ponte às 14h. O ritmo estava bom. Eu estava bem. Nem gosto de lembrar que no ano anterior cheguei ali com os pés arrebentados, o que viria a me trazer muito sofrimento até o fim.

Descansei 15’ e saí para uma senhora subida de uns 4 Km até o trevo de Miranda. Apesar do sol escaldante, cheguei às 14:50h. Minha estratégia desta vez de ir trocando as meias a cada parada para não andar com elas úmidas foi positiva. Enquanto usava um par, o outro secava pendurado na mochila.

Saí para andar 7,8 Km até o Posto Triângulo. 100 minutos depois, cheguei. Ainda estava bem – pés e corpo.

Descansei 15’ e saí às 16:45h pensando em andar ao menos mais 6 Km antes de anoitecer.

Passei pelo trevo de Araguari às 17:30h e vi, às 18 horas, um pôr do sol maravilhoso, acentuando aquela paisagem ressequida tão comum na região no mês de agosto.

Parei no Posto N. Sra. Da Guia às 18:50h para comer meu lanche (pão com mortadela). Já havia andado 36 Km e estava relativamente bem, mas já percebia a prenhez de meus pés: creio que esperava 3 bolhas.

Então, fez-se noite (total)

Saí às 19:10h para uma esticada de 11 Km até a Antena.

A estrada estava bem deserta. Breu total. Um céu com estrelas de pegar com a mão (infelizmente não temos esta visão na Grande São Paulo).

Normalmente, esta ida até a Antena é muito sofrida, pois é muito longe e quando os romeiros veem a luz vermelha e acham que chegaram ainda faltam uns 5 Km.

Nasce a lua: a noite vira dia

Assim como vi o sol se pôr em minhas costas, vi nascer à minha frente uma lua cheia esplendorosa em seu segundo dia. É interessante não se sentir só quando você está acompanhado por nosso astro maior ou nosso satélite. Já estando somente com aqueles milhões de estrelas, a sensação é outra.

Cheguei à barraca de ajuda aos romeiros da Antena às 22h. Estava cansado. Tomei a famosa sopa de legumes reconfortante.

Conversei um pouco com os conhecidos que fui fazendo ao longo do caminho. Descansei 40’. Já estava com 2 bolhas.

Saí para outra esticada maior ainda. Agora teria que andar 12,5 Km até o Posto Santa Fé.

Por incrível que pareça (quando lembro anos anteriores!) cheguei ao posto à 1h da manhã, ou seja, fiz em 140’. Caminhava para fazer o meu melhor tempo.

Já estava com 3 bolhas.

A barraca de ajuda ali é a do Exército Brasileiro. Tapei minhas bolhas com esparadrapo, comi um belo pão com manteiga e café e parti. Agora só faltavam 3 pontos ou 14 Km.

Saí à 1:30h para andar 6 Km até o Atalho. Dores nas bolhas e pelo corpo. Mas eu estava muito concentrado. Cheguei às 3h.

Desde que saí da Antena andei praticamente 5 horas pela madrugada sem encontrar ninguém na estrada. Era eu, a lua e meu walkman - que os mais novos nem devem saber o que é: um aparelho portátil de tocar fita-cassete, antecessor pré-histórico do iPod.

Este é meu velho toca-fita. Acreditem!
Ele tem mais de 20 anos. Funciona normalmente.
A troca de fita desperta o sono na madrugada.

Não parei para descanso, pois corre-se o risco de travar geral. Agora faltavam 8 Km até a igreja da cidade.

Este percurso final é pelo mato, por estradas de terra e cascalho, com aquela terra vermelha. Tem uma descida absurda, difícil de se controlar o corpo extenuado e, após atravessar um riozinho, tem uma subida de mais de 1 Km de terra que arrebenta qualquer um.

Existe uma mescla de dor e esperança, quando você está chegando, indescritível. Andei a última hora ouvindo dezenas de galos anunciando o amanhecer na cidade.

Cheguei à Igreja de N. Sra. Da Abadia às 5 horas da manhã (desta vez fiz em 18 horas). Não é preciso ter religião alguma para sentir tamanha emoção e alívio.

Impressões marcantes

Sempre tento descobrir o que me faz todo ano aguardar ansiosamente o dia de pôr os pés na estrada para mais uma caminhada. Esta foi minha 7ª vez.

Tenho algumas respostas, não todas.

Se eu fizer um "brainstorm" ou "toró de parpite" virão facilmente algumas coisas.

O pôr do sol fantástico;
O céu de pegar estrelas com a mão;
Aquela lua maravilhosa;
Saber suportar a dor, as dores;
Aquele povo tão brasileiro na estrada!;
Aqueles ipês amarelos na paisagem;
A vontade supera tudo;
As pessoas se ajudando;
Apesar de mais velho, fiz meu melhor tempo (18 horas);
O velhinho ao meu lado no ônibus da volta fez em 13 horas (sejamos humildes!);
É um bom período para se pensar a vida;
Sinceramente, as bolhas não são nada!

Voltei reconfortado.

Ainda posso muita coisa. Isso é bom!

William Mendes
(Apenas um entre tantos)
13 de agosto de 2006

terça-feira, 11 de março de 2008

As dicas dos peregrinos: um sinal de irmandade



Dentro de minhas pesquisas para o Caminho de Santiago, descobri uma fonte importante de informação: os peregrinos.

É algo que nos remete para o lado bom da natureza humana (às vezes, tão esquecida por nós nos dias que correm).

Iniciei meus contatos com peregrinos e já estou colhendo bons frutos.

Uma boa dica que recebi hoje é que um bom par de tênis macio, confortável e resistente é o suficiente para a caminhada. Também é importante que seja um com bom sistema de ventilação ao invés de impermeável.

Uma papete ou um chinelo de borracha também é interessante, mas não para fazer os percursos diários e sim para o descanso e passeio pelos locais de permanência de um dia para o outro.

Aí posso, inclusive, lembrar de minhas experiências, pois na última semana fui caminhar de papete e fiz uma bolha na planta do pé. Também nunca fiz o caminho entre Uberlândia e Água Suja (MG) sem estar com tênis.

Aliás, esse amigo peregrino que me deu a dica está correto no que diz respeito ao mínimo de peso possível para levar: os pés, costas e joelhos agradecerão muito ao longo do percurso.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Caminhando a Santiago de Compostela



Seguindo minhas pesquisas e minha preparação para o Caminho, andei e corri no sábado e domingo. Sábado fiz 8 km e domingo mais 8 km só andando.

Venho descobrindo um pouco de coisas a cada dia.

Meu Caminho já está difícil. Estou cansado, puxando matérias difíceis na faculdade, projetos no meu trabalho - secretaria de imprensa da Contraf-CUT, dentre outras coisas.

É e será preciso muita perseverança.

sábado, 8 de março de 2008

Meus caminhos - Linguagem




Na verdade, neste semestre sigo meus objetivos de curto e de longo prazo. Além de focar o Caminho de Santiago de Compostela, sigo buscando o caminho do conhecimento no mundo das Letras.

Que quero dizer com isso? Que desejo cumprir meu objetivo de terminar minha faculdade de Letras e ser professor.

Para isso, preciso aprender português. Não que eu não saiba. É que preciso conhecer as regras gramaticais e linguísticas em geral. Nunca soube isso.

É duro chegar quase aos quarenta anos sem saber "gramatiquês". Tenho essa lacuna desde quando fiz meu ensino fundamental e médio lá nos idos dos anos 70 e 80 (período da ditadura civil-militar no Brasil).

Depois que entrei na USP ainda acabei descobrindo que tem um universo de teorias da linguagem até que interessantes, porém muito complicadas.

Aprendi o idioma espanhol. Daquele jeito, é claro (para o gasto)! Hoje, quero aprender mais profundamente a língua portuguesa e quando começo a estudar percebo que não é fácil.

Mas vamos seguindo meu caminho das Letras; de Santiago; da busca de minhas razões e porquês.

Caminho de Santiago: documentos e pesquisas




Ufa! Hoje dei sequência na documentação necessária para minha viagem (ainda não parei para descobrir quanto de grana terei que arrumar para realizar meu caminho).

Nas pesquisas que estou fazendo, já percebi que terei que ser muito determinado e ousado para cumprir meu objetivo.

Só para começar, lidei com a difícil questão da definição de prioridades. Estava decidido a comprar uma moto Honda 750 Four como aquela que tive. Foi um dos poucos bens materiais que já tive, que me desfiz dele e que sinto falta. Era um objetivo ousado, pois não tenho grana para comprar uma moto daquela atualmente.

Bom, são ossos do ofício, já que dias atrás decidi-me a realizar meu Caminho de Santiago, interrompido em 2002. Esse é o foco agora.

Hoje descobri o quanto é caro para tirar um passaporte: R$156,07. Fazer o cadastro do passaporte não foi difícil. O problema é que o agendamento eletrônico só tem vaga para o mês de maio. Não posso correr o risco de esperar tanto para tirar um documento tão essencial. Terei que ir pessoalmente nas delegacias da Polícia Federal para providenciar o mesmo.

Além disso, já estou sabendo que todo estrangeiro deve comprovar portar 60 euros para cada dia de permanência por lá. (é mole?)

Ademais, se for desembarcar na França, preciso de um tal seguro médico internacional. Se for na Espanha, parece que não precisa. Pelas informações que obtive em uma comunidade em que me cadastrei no Orkut, parece não ser tão difícil providenciar o seguro por aqui. Também parece que posso andar com menos dinheiro em espécie e ter um cartão de crédito internacional com extratos comprovando valores disponíveis para saques por lá.

É isso.

Tenho muito que procurar. Tenho muito que descobrir: dentro de mim.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Santiago: o caminho da documentação




Hoje, fui dar sequência na documentação que estou recolhendo para tirar o meu passaporte.

Antes, vi uma matéria que já tem me trazido preocupação: o fato de a Espanha estar proibindo a entrada de brasileiros ao país assim que pisam no aeroporto. Muitas vezes de forma arbitrária. Na matéria que li diz que 30 estudantes foram maltratados pelos agentes espanhóis.

Outro fato que preciso descobrir, também constante na matéria, é em relação à necessidade de as pessoas terem que portar dinheiro vivo, o equivalente a 70 euros para cada dia de permanência. Isso deve estar errado até porque ninguém anda mais com dinheiro nos bolsos no mundo todo.

Bom, mas falando da documentação, fui buscar meu título de eleitor e ao chegar ao cartório eleitoral, tive que aguardar a confecção de outro, pois eles haviam rasgado o meu documento novo por ele ter sido mal acondicionado no arquivo.

Achei interessante o fato de ter que aceitar uma falsidade, uma mentira, na gravação de meus dados pessoais, pois o sistema não admite a opção de "união estável" no quesito "estado civil".

A sociedade brasileira toda mudou no último século: o código civil; a Constituição Federal etc. Mas foi preciso "mentir" para o sistema do cartório eleitoral porque ou se é "casado" (e apresenta a certidão) ou se é "solteiro". A senhora que me atendeu "gravou-me" como solteiro.

É isso. Novo caminho percorrido - buscar um documento que mudei há 5 anos.

Falta muito. 

Mas... tô caminhando...

terça-feira, 4 de março de 2008

Caminho de Santiago: os inícios




Iniciado o Caminho, estou procurando documentos nos guardados de casa (mexer em pastas e papéis velhos), pois há uma relação necessária para tirar o passaporte.

Já de cara, descobri que mudei meu título de eleitor há 5 anos e nunca fui buscar o documento porque eu votava somente com a identidade. Coisa de brasileiro (dizem) deixar as coisas para última hora (sei não, acho que é coisa de humano).

Depois de um bom tempo remexendo as tranqueiras, achei o certificado de reservista.

Bom, um primo me sugeriu ligar para um senhor que já fez o caminho e pegar umas dicas.

Já informei de meu projeto aos meus queridos pais.

É isso!

sábado, 1 de março de 2008

Meu Caminho de Santiago




Hoje caminhei 9 km em horário mais quente - 13h - porque lendo sobre a melhor época para se fazer o caminho, descobri que não poderei fazê-lo na primavera, período de abril, maio e junho e que tem a temperatura mais amena.

Considerando meu semestre na faculdade e meu trabalho, planejo ir entre a segunda quinzena de junho e o mês de julho. (não poderia tirar férias, pois é momento de início de campanha salarial e temos eleição este ano no sindicato mas, como já disse, adiei meu projeto também por seis anos em prol da militância)

Ou seja, farei o caminho no auge do verão espanhol e a temperatura pode chegar a 38 graus.

Além da desvantagem do calor, dizem também que o período tem muito estudante e turista, e que isso faz com que os albergues e refúgios estejam normalmente cheios e sem vagas para dormir. Terei que me preparar para isso, pois não tenho alternativa.

Devo providenciar o passaporte, de preferência encaminhando o pedido nesta semana vindoura.