quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

090222 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 9 de fevereiro de 2022. Quarta-feira.


Após ler 4 livros em janeiro, decidi dar um tempo com leituras de romances e clássicos da literatura mundial. Tenho coisas a resolver que vêm sendo adiadas por uma certa comodidade e por opção de focar algo que dê prazer pessoal como a leitura. Acho que vou ter saudades de uma boa leitura por prazer.

Estou trabalhando a revisão e impressão de meus textos produzidos neste blog ano passado. São 275 postagens. A releitura me permite fazer uma retrospectiva cultural e uma avaliação pessoal. A revisão está dando muito trabalho, boa parte das postagens são reflexões e comentários sobre a leitura de mais de 50 livros e sobre a vida. Faltam ainda ler e imprimir umas 70 postagens, os últimos 3 meses e meio do ano de 2021.

Outra empreitada que precisa ser feita definitivamente neste momento de minha vida é a avaliação de milhares de papéis, documentos, revistas, livros etc, acumulados ao longo de décadas como adulto que adquiria materiais com a intenção de estudar e melhorar os conhecimentos gerais sobre o mundo e a existência. 

São coisas muito interessantes, mesmo as mais antigas. No entanto, eu sou outro, o momento é outro, o mundo é outro. Até para jogar fora ou doar alguma coisa é necessário o escrutínio de tudo aquilo. Foda! Eu quis ser poliglota, quis ser erudito, quis ser professor. Acabei sendo o que fui, um bancário, um sindicalista, um representante da classe trabalhadora. Um eterno estudante. E agora estou fora daquele mundo e boa parte daqueles materiais perderam o sentido para mim. 

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Singer e a tese do lulismo.

LULISMO EM 2010... LULISMO EM 2022. BINGO!!!

Li uma entrevista da BBC Brasil com o jornalista e cientista político André Singer, de 19/2/2010, muito interessante.

Na época, eu tinha interesse no tema como uma liderança da categoria bancária. Cheguei a ler o longo artigo de Singer sobre sua tese do lulismo. Vi muito sentido na teoria. Ainda hoje vejo sentido.

Os eleitores de Lula mudaram entre a eleição de 2002 e 2006. Os eleitores de Dilma e do PT em 2010 também já tinham características diferentes. 

Ao ler o artigo hoje, 12 anos depois, pude ver muita coerência com o Brasil que temos. Uma parte dos eleitores de Lula não é nem de esquerda, nem de direita. São pobres e remediados conservadores nos costumes, não gostam de "baderna" nem agitação, não são militantes de lutas sociais. Só querem as coisas que todos deveriam ter e um Estado que ajude as pessoas a terem esses bens de consumo.

Dá uma dó danada jogar o texto fora. Mas eu tenho zilhões de textos assim, papéis, papéis. E agora já é uma leitura só para mim, não sou representante de nada, não sou influenciador de ninguém. Nem as pessoas próximas a mim querem opinião de alguma coisa. A opinião da gente não serve mais, nem nas merdas de bolhas nas quais vivíamos na última década de algoritmos.

Mas valeu a leitura. Singer demonstra muita perspicácia em suas teorias e leituras de mundo.

No verso do texto encontrei um rascunho meu de uma palestra para bancári@s falando sobre o papel dos delegados sindicais. Contei a origem da organização da categoria bancária desde os anos oitenta etc e tal. Eu fazia muito isso. 

Feito o registro.

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BRASIL DE NAZISTAS, RACISTAS, MILICIANOS E TORTURADORES

Opinião

Sei que é inútil comentar alguma coisa sobre os fatos diários dos absurdos que passamos a viver desde o golpe de Estado em 2016. Bolsonaro está no poder porque ele foi colocado lá pela casa-grande brasileira. Ele foi colocado lá pela imprensa golpista e seus empresários. 

O golpe contra a democracia, contra o povo, contra o Brasil foi um conluio que envolveu os donos do poder: os caras que usam talheres à mesa (não são bolsonários na etiqueta) e estão nas instituições do Estado nacional. Temer e o clã Bolsonaro e toda a alcateia eleita em 2018 são frutos desse processo conduzido pela casa-grande.

O rapaz YouTuber e o deputado que fizeram apologia ao nazismo e defenderam o direito de haver um partido nazista no Brasil (Monark e o Kataguiri) são produtos do processo de destruição da política conduzido pela casa-grande brasileira. Dois anos atrás, um apresentador do SBT (Marcão do povo, em 8/4/20) defendeu que o presidente fizesse campos de concentração para os doentes por Covid-19. Falou isso no ar.

Mas o marco, o divisor de águas, da mudança do Brasil mais justo que vínhamos construindo para essa desgraça na qual estamos, ocorreu no dia da votação no Congresso Nacional do afastamento da presidenta Dilma Rousseff (17 de abril de 2016), afastada sem crime algum, mesmo tendo sido eleita com 54,5 milhões de votos. 

Dilma, mulher, mãe, cidadã brasileira, foi torturada na ditadura brasileira de 1964-85. Os depoimentos na Comissão da Verdade revelaram horrores vividos pelas vítimas de tortura. Pancadas, afogamentos, choques, estupros, atos inimagináveis feitos algumas vezes com os filhos das vítimas vendo aquilo. Ratos colocados nos órgãos genitais das mulheres. Os torturadores eram "o pavor" das vítimas. Dilma sobreviveu às torturas.

Naquele dia da votação do afastamento de Dilma, o então deputado Jair Bolsonaro pegou o microfone da Câmara Federal, em rede nacional, e disse estar votando em homenagem ao torturador Ustra, "o pavor de Dilma Rousseff". Apesar de ser inacreditável, aquele homem fez isso.

Esse criminoso não saiu preso, não foi processado, não foi excluído da vida política e pública do país. Pelo contrário, seguiu cometendo crimes como esse e por conluio de todas as instituições do Estado chegou à presidência em 2018, num processo político viciado e cheio de fraudes e ilegalidades como as fake news

Aqui estamos em fevereiro de 2022. Brasil destruído pelo golpe de 2016, depois daquela excrescência lesa-pátria da Lava Jato, depois das "eleições" de 2018; 633 mil mortos por Covid depois, cá estamos nesta situação que estamos...

Chega por hoje.

(só pra lembrar: são "ficha limpa" os bolsonaros, o Queiroz, o Moro e mais dezenas de gente dessa laia)

William


terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Lembranças - Capítulo 6



2007

Ao manusear as pilhas de papéis e documentos guardados, peguei para folhear uma das diversas agendas que tenho. 

Na época, era diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, era representante da Fetec-CUT SP na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil e também era secretário de imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a nossa Contraf-CUT. Para completar, era estudante de Letras na Universidade de São Paulo.

Ao ver as anotações diárias na agenda, vi o quanto eu me esforçava para conseguir ler um pouco de literatura e cultura em geral, mesmo tendo uma rotina sindical que me tomava completamente a agenda de vida.

Me inscrevi em 6 disciplinas no 1º semestre da faculdade. Era sempre complicado conjugar a agenda sindical com os estudos de graduação em Letras. Felizmente, fui aprovado em todas as matérias naquele semestre.

FLC0285 - Teorias do Texto Escrito I - Fatores de Textualidade (8,3)

FLM0267 - Escrita e Argumentação em Língua Espanhola (6,0)

FLM0269 - Tópicos Contrastivos Acerca do Funcionamento da Língua Espanhola e do Português Brasileiro I (7,5)

FLM0273 - Literatura Espanhola do Século XVII (8,0)

FLM0277 - Literatura Hispano-americana: Romantismo, Modernismo e Vanguardas (8,3)

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JANEIRO DE 2007

Estive em férias a maior parte do mês. Viajei com meu filho de 10 anos para Uberlândia (MG) e deixei ele com os avós e primos e fui para Barra do Garças (MT) visitar tios e primos. Estava lendo vários livros ao mesmo tempo naquele mês: Thomas Mann, Tolstói, Dostoiévski, Cervantes. 

Através dos registros, me lembrei que o tio Zé teve um infarto e foi operado em SP: deu tudo certo. Meu pai também estava com problemas de pressão alta lá em MG, foi parar no hospital.

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PENSAMENTOS

Reflexões após ler Fernando Pessoa (Alberto Caieiro):

"Hoje, apenas seguia as instruções de Caieiro e observava ao redor... (praça de alimentação na Sta. Cruz):
- Deus! (Deus?)
- Não gostei do que vi!
Como dialogar com aquela massa?
Beleza... feiura... (tão subjetivo!)
Tribos, grupos... gente estranha!
Será que dá pra dialogar?
"

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Outra reflexão: avalio por que abandonei a música no meu dia a dia:

"A música...
Acho que compreendo por que me apartei dela: nada remexe mais meus instintos de liberdade; nada cutuca tão fundo nas possibilidades. Todas elas amainadas na opção feita do contrato social. Nem os livros fuçam tanto nesse íntimo...
"

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Reflexão sobre saber e não saber:

"Sei muito.
Sei nada.
Sei muito de algumas coisinhas.
Sei nada de quase tudo.

É assim com a gente moderna;
é assim com os técnicos:
de tudo... não são quase nada! (Wmofox)
"

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Durante os dias em Barra do Garças, estive na fazenda com o tio Léo. Matei a saudade de subir ao Cristo e ficar lá em cima ouvindo o silêncio da cidade lá embaixo, no Vale do Araguaia, vendo o rio que separa Aragarças (GO) de Barra do Garças (MT). O topo da Serra: antigamente, era uma subida sobre pedras, cascalhos e mato. Fizeram uma escadaria: 1220 degraus...

Na agenda sindical, havia ido ao Rio de Janeiro para tratar de questões relativas à Previ. Também havíamos feito um dia nacional de lutas por questões da Cassi. Dia desses, fiz uma postagem de Memórias no blog A Categoria Bancária sobre esse período. Ler aqui.

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FEVEREIRO DE 2007

CITAÇÕES

"- Señor, una golondrina sola no hace verano..." (CERVANTES, Don Quijote de La Mancha, 1605)

"Porque eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura...
" (PESSOA, Fernando [Alberto Caieiro], O Guardador de Rebanhos, VII)


Essas duas citações na agenda nos lembram bem o que somos e como podemos ser mais fortes, quando unidos nas lutas de classe. 

Sindicalizações: nesse ano de 2007 tive o privilégio de priorizar a ida às posses de funcionários novos do Banco do Brasil, para apresentar o Sindicato e nossa história de lutas. Só na primeira segunda-feira do mês, eu sindicalizei 16 colegas novos.

O viés sindical do mês de fevereiro pode ser lido aqui numa postagem de Memórias que fiz recentemente.

Pelas anotações na agenda, percebe-se que eu corria e caminhava com muita frequência; vi vários filmes no mês; estava lendo livros de peso como Don Quijote de La Mancha e A montanha mágica.

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MARÇO DE 2007

A agenda tem anotações com os detalhes sobre as negociações sindicais entre nós e a direção do Banco do Brasil sobre a PLR dos funcionários. Fiz um texto de Memórias relatando as lutas sindicais desse mês. A direção do banco impôs uma proposta de PLR com prática antissindical em relação aos colegas que participaram da greve de 2006: ler aqui.

Morte na família - A anotação triste do mês foi no dia 20, dia no qual fizemos a assembleia de avaliação da proposta de PLR do BB em nossa base sindical. Meu primo Cleiber, de Barra do Garças (MT), sofreu um acidente grave de moto. Eu havia estado com ele e família semanas antes, nas minhas férias. Meu primo faleceu em maio e eu estive no velório e enterro, ao lado de meus tios e primos.

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ABRIL DE 2007

CITAÇÃO

"- Con todo eso, te hago saber, hermano Panza, que no hay memoria a quien el tiempo no acabe, ni dolor que muerte no le consuma." (CERVANTES, Don Quijote de La Mancha)


Em termos sindicais, abril foi um mês de grandes debates políticos e organizativos na corrente política à qual eu militava - a Articulação Sindical -, foi mês de seminários e encontros que definiram estratégias para o movimento sindical bancário.

Eu tinha propostas de atividades sindicais contra o Banco do Brasil, mas as lideranças de outras bases sindicais e até companheiros de São Paulo avaliaram que não havia condições no momento de realizar boas atividades.

Como secretário de imprensa da Confederação, eu também estava envolvido com questões e pautas afeitas à secretaria. Fiz um texto de Memórias que abrange esse período. Ler aqui.

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MAIO DE 2007

CITAÇÃO

"O futuro é um carro sem motorista em alta velocidade. Você tem que ser o motorista. Você tem de planejar. Tem de decidir a direção a tomar. Quer que as decisões sejam tomadas pelos outros? Não seja apenas um passageiro." (Milo O. Frank)


Meus registros na agenda mostram que fizemos atividades sindicais por conta de questões do BB relativas à reestruturação do banco que afetavam a vida dos trabalhadores. Estive em Brasília por causa de audiência pública no Congresso Nacional. Também ocorreram atividades sindicais sobre a Emenda 3. 

Eu me ausentei alguns dias por causa do falecimento de meu primo que morava no Mato Grosso.

No final do mês voltei a Brasília para um encontro nacional dos funcionários do Banco do Brasil por conta da reestruturação.

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JUNHO DE 2007

Pelas anotações, vejo que o mês foi de lutas no BB por isonomia de direitos em relação aos funcionários antigos e aos pós 1998. Fiz dois artigos de contribuição sobre a campanha nacional dos bancários. Não estava tendo aulas na FFLCH-USP porque estávamos em greve (que acabou na assembleia de 25/6).

Luiz Gushiken - Que legal a lembrança! Que saudades! Tivemos reunião dia 18/6 no Auditório Azul do Sindicato no Edifício Martinelli com nosso Samurai, o companheiro Gushiken.

Casa própria - Outro momento memorável na vida deste trabalhador foi a anotação do dia 28/6: peguei a escritura do meu apartamento de cooperativa. Ufa! A casa própria! Paguei o ap. desde 1997. Até a moto que tinha foi vendida para comprar minha moradia.

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JULHO DE 2007

A agenda sindical era intensa no período. Nas pautas de lutas, questões relativas à reforma estatutária da Cassi, Emenda 3 contra a classe trabalhadora, plano de cargos e salários no BB, isonomia de direitos, questões da CABB, dentre outras. 

Estávamos num debate intenso sobre formas de contratação de remuneração variável na categoria bancária. Eu era contrário à proposta formulada internamente pela nossa corrente política. Puxei um longo debate na corrente e no meio sindical. Fui vencido, mas fizemos o bom combate de ideias.

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AGOSTO DE 2007

Mês de correria para nós. Além da questão da campanha dos bancários com reuniões do Sindicato, da Contraf-CUT e do Comando Nacional, eu era o responsável pela comunicação da confederação e ainda fazia reuniões com os bancários nas dependências do BB em São Paulo (OLT).

Sede nova da Contraf-CUT - No dia 24/8 foi a inauguração da sede nova da nossa confederação na Líbero Badaró, 158. Sede própria. Fiz parte dessa história! Legal!

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SETEMBRO A DEZEMBRO DE 2007

A agenda tem mais algumas anotações em setembro, reuniões políticas de campanha salarial, plenárias com bancários e dias de lutas, e depois não tem mais anotações. Parei de anotar diariamente na agenda. Acho que já começava a usar mais o blog sindical A Categoria Bancária, além de estar com agenda pesada para fazer diversas matérias na USP.

No dia 15/9, um sábado, tivemos um "encontrão", uma plenária entre a diretoria do Sindicato e uma grande quantidade de bancárias e bancários mais próximos ao dia a dia da entidade sindical e que nos ajudavam a tomar decisões sobre as estratégias e as negociações com os bancos. Eram centenas de trabalhadores cadastrados e contatados naquilo que chamamos Organização por Local de Trabalho (OLT).

A campanha dos bancários terminou em 2007 sem uma greve prolongada como em anos anteriores, foram utilizadas outras estratégias de mobilização como dias de luta, passeatas etc. No dia 28/9, por exemplo, tivemos um dia de paralisação nacional. 

Os acordos com Fenaban, BB e Caixa e outros bancos federais foram aprovados ao longo da primeira semana de outubro. Algumas bases sindicais não aprovaram todas as propostas inicialmente e só depois os acordos foram sendo fechados e assinados. Em São Paulo, por exemplo, a proposta da Caixa Federal só foi aprovada em assembleia no dia 9/10.

Em relação à dimensão sindical de minha vida no ano de 2007, fiz uma série de textos chamados Memórias no blog A Categoria Bancária, acesso ao blog aqui. Lá eu me baseei em minhas postagens e agendas sindicais do próprio blog e as Memórias estão bem mais completas. 

Aqui minhas lembranças foram mais baseadas naquilo que estava anotado em uma agenda da época. São instantes de vida e militância. 

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UM ESTUDANTE INSISTENTE

Termino essas lembranças do ano de 2007 com o registro de meu esforço no 2º semestre para avançar nas disciplinas da graduação de Letras em nossa querida Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo.

Eu sonhei em ser professor. Primeiro entrei em uma faculdade de Educação Física nos anos noventa e tive que interromper a graduação no meio do curso porque não tinha mais como pagar as mensalidades. Foi uma das maiores frustrações de minha vida.

Depois entrei na Faculdade de Letras da USP em 2001 com o mesmo intuito de ser professor. A vida se desenvolveu de outra forma. Entrei na direção do Sindicato no ano seguinte à minha aprovação no difícil vestibular da Fuvest. É evidente que minha ética me obrigou a priorizar a representação dos trabalhadores ao invés de meu curso de Letras. Todo segundo semestre eu largava por causa da campanha salarial dos bancários. 

Sabem quando foi que concluí o curso e peguei meu diploma? Faz poucos meses. Colei grau em Português e Espanhol em 2021.


Enfim, como diz um refrão da música da banda Aerosmith, na bela canção Amazing:

"Life's a journey not a destination

and I just can't tell just what tomorrow brings"


No 2º semestre de 2007 me inscrevi em 6 disciplinas e felizmente consegui aprovação em todas elas. Foi um feito modesto, mas foi um feito para mim, sendo diretor do Sindicato, representante de SP na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB e secretário de imprensa da Contraf-CUT. 

Fui um estudante insistente!

FLC0286 - Teorias do Texto Escrito II - Argumentação e Discurso (8,5)

FLC0301 - Literatura Brasileira IV (8,0)

FLM0268 - Variedade e Alteridade na Língua Espanhola (9,4)

FLM0270 - Tópicos Contrastivos Acerca do Funcionamento da Língua Espanhola e do Português Brasileiro II (7,7)

FLM0274 - Literatura Espanhola Contemporânea (9,0)

FLM0278 - Literatura Hispano-americana Contemporânea (8,5)

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Fim de mais uma lembrança. A vida é uma jornada, não um destino.

William


Post Scriptum:

Capítulo 1, ler aqui.

Capítulo 2, ler aqui.

Capítulo 3, ler aqui.

Capítulo 4, ler aqui.

Capítulo 5, ler aqui.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Decamerão - 1º clássico sob a pandemia de Covid



Refeição Cultural


Noite de domingo, 6 de fevereiro de 2022. Osasco, SP.

A pandemia mundial de Covid-19 já está em seu terceiro ano. 

O início de 2020 foi marcado pelo aparecimento de um vírus que se espalhava rapidamente e uma porcentagem das vítimas tinha complicações e necessidades de internação e por debilitar muita gente isso causava colapso dos sistemas de saúde no mundo. No Brasil, as primeiras pessoas infectadas pelo novo coronavírus foram entre fevereiro e março de 2020.

Pela primeira vez em décadas o mundo parou literalmente. Talvez algo parecido tenha ocorrido durante a quebra da bolsa de Nova York, em 1929, e durante a 2ª Guerra Mundial.

Me lembro que nós passamos a cumprir a quarentena de evitar sair de casa a partir do dia 18 de março de 2020. Minha esposa e meu filho não colocaram o pé para fora de casa por longos meses, praticamente até outubro daquele ano. Eu era o único que saía para as necessidades vitais de manutenção da família.

De lá para cá, a humanidade lidou com a pandemia. O mundo capitalista lidou com a pandemia à sua maneira, de forma capitalista, é claro. Os países ricos produziram vacinas e vacinaram seus cidadãos (uma parte deles não quis se vacinar); venderam a vacina para os países que pudessem comprar a mercadoria. E o resultado de tudo isso foi a pandemia se desenvolvendo em ondas, que contagiam e matam mais e depois menos. Temos países e continentes com quase 100% de vacinados e outros com porcentagens pequenas de vacinados.

Segundo o site da Johns Hopkins University, até este domingo já morreram no mundo 5,7 milhões de pessoas; 394,5 milhões foram infectadas (as sequelas pós-Covid chegam a um quarto das vítimas); já foram administrados 10 bilhões de doses de vacinas (mas no continente africano...). 

O Brasil... ahh, o Brasil! O Brasil tem Bolsonaro! Aqui a vacina chegou tarde. Enquanto o governo genocida negava a vacina, os bolsonaristas negociavam propinas para termos vacinas no país (CPI investigou a questão). Nossos amigos, familiares e conhecidos morreram por causa disso. Até hoje são 632.095 mortes e 26 milhões de contaminados. Mas o governo segue atuando contra a vacina e o vírus tem no bolsonarismo o maior aliado para nos contaminar e nos matar.

Enfim, eu li o Decameron nos primeiros meses da pandemia no Brasil. Li durante 100 dias. Foi uma novela por dia. Sobrevivi ao período e sobrevivi até hoje. Sou um privilegiado. Muitas pessoas queridas se foram entre nós.

Durante a leitura diária das narrativas de Boccaccio, eu postava em rede social algum comentário rápido sobre a leitura e às vezes falava algo sobre a política e o país daqueles dias. 

Abaixo, seguem alguns comentários que postei dos primeiros dias de leitura. Ao reler os comentários, achei eles interessantes. O comentário sobre a obra, após o término da leitura, pode ser lido aqui.

Abraços aos amig@s leitores. Se fosse para dizer algo, eu diria para lerem os clássicos. Mas os tempos são esquisitos. Não se dá sugestão de nada para ninguém. Mesmo vivendo sob o modismo dos "influenciadores". Registro no blog de cultura uma modesta impressão de instantes do tempo que corre no mundo.

William

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19/04/20

De 100, já foram 18 novelas em 18 dias... só faltam 82 dias e histórias do Decameron

Enquanto isso no país jabuticaba em tempos de quarentena pela peste Covid-19, o ditador demente alçado a rei nu após uma facada fake, esfrega remela do nariz na mão, dá ela a súditos a beijá-la, tosse tosse e junto aos seus loucos súditos loucos conspiram pelo fechamento do regime... isso aqui é mais ficção que qualquer ficção possível...

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18/04/20

17 dias, 17 novelas do Decameron (e pra de hoje, fica meu protesto pelo tanto que ela é machista e sexista. Dou uma banana pro narrador da história, o jovem Pânfilo)

A novela contada por Pânfilo narra os descaminhos da jovem Alatiel, filha do sultão da Babilônia, o senhor Beminedab. Ela passou 4 anos de infortúnios e sequestros e a vida a levou a ficar com 9 homens diferentes, e, segundo o conto, a culpa seria praticamente dela, por ser a mulher mais linda do mundo.

Na vida real, eu vivo no mundo da pandemia do Covid-19 e no Brasil da psicopatia bolsonarista, onde nascer mulher é fruto de "uma fraquejada", elas devem vestir rosa e serem boas donas do lar - e milhões de mulheres apoiam o psicopata, a ministra e os "pastores" que afirmam isso...

ACABA LOGO, MUNDÃO! Que dia cai o meteoro que vai acabar com essa forma de vida que não deu certo na Terra?

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17/04/20

16 dias, 16 estórias do Decameron

Hoje, li a estória da senhora Berítola Caracciolo, que depois de tantas desventuras, chegou até a viver com cabras em uma ilha. Por fim, a Fortuna lhe sorriu e ela recuperou toda a família e ainda ganhou duas noras.

Meu azedume não me permite alimentar grandes esperanças e desfechos miraculosos da Fortuna para mudar a realidade mundial.

Ou os 99% acabam com a merda do capitalismo ou ele acaba conosco e o planeta.

#PeloFimDoCapitalismo

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16/04/20

15 dias, 15 narrativas em Decameron, de Giovanni Boccaccio

Hoje li a estória de Andreuccio di Pietro. Ele foi enganado por uma jovem mulher que lhe roubou 500 florins, caiu num fosso de merda, depois foi enganado por dois ladrões de caixões e ficou preso com um defunto... por fim, a Fortuna lhe sorriu e ele ainda voltou pra casa com recursos maiores do que antes de sair.

Hoje estou meio azedo. Fui à feira pegar algumas frutas, comprar pastéis e garapa. Depois de quase meia hora numa fila gigante (novidades de tempos de Covid-19), o pastel acabou na minha vez de pedir (todos os sabores)...

Passei o dia fazendo um texto e, ao final, senti de novo aquela sensação de coisa pouco útil e proveitosa. Qual o sentido de fazer isso agora que não pertenço a mais nada?

Estou azedo. O 1% segue vencendo tudo e o povo segue se f...

A Fortuna está por aí, é fato! Cada um faça a sua leitura da sorte.

Eu sei que apesar da fila inútil do pastel, sou privilegiado pela Fortuna...

Mas tô azedo!

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15/05/20

14a novela do Decameron, lida nessa quarentena da nova Peste (Covid-19) que assola o mundo no século XXI.

A 2a jornada das 7 moças e 3 rapazes reunidos nos arredores de Florença, fugindo da Peste de 1350, tem como temática o efeito da Sorte ou Fortuna sobre os personagens das novelas contadas.

Na que li hoje, o mercador Landolfo Ruffollo, depois de ficar muito pobre, faz-se corsário. Como tal, fez fortuna novamente. Preso e emboscado pelos genoveses, perde tudo. O barco genovês onde ia preso naufraga. Ele é salvo por uma moça pobre que o recolhe da praia. Termina rico de novo por ter se salvado em cima de um baú de joias.

No Brasil da pandemia do bolsonarismo (talvez pior que a do Covid-19) a Fortuna continua a favor dos banqueiros e empresários, dos lesas-pátrias, da gente da casa-grande mais tosca do Planeta.

- Ó deuses! Ó deuses! Por que ao menos os povos não bolsonaristas não são salvos por vossas benevolências?

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14/04/20

13º dia de novelas do Decameron (faltam 87 histórias, 87 dias)

Li hoje a história narrada pela jovem Pampineia. Esta 2a jornada tem como temática das novelas o efeito da Sorte ou da Fortuna na vida dos personagens. Agora, conhecemos a história de três irmãos de uma tradicional família de Florença que herdam grande fortuna do pai, gastam tudo de forma desregrada e ao final da história são resgatados por um sobrinho de nome Alexandre, que por obra da Fortuna se casa com a filha do rei da Inglaterra.

Gostaria que a Fortuna se lembrasse um pouco do povo brasileiro... mas talvez os deuses estejam só assistindo de camarote toda a desgraça que assola nosso país. Vai ver eles se encheram de ver pobre de direita, o povo preto que é racista, os funcionários públicos que são contra o Estado, os religiosos que pregam ódio e morte e arminha ao invés de amor e solidariedade etc... Essa terra é uma verdadeira jabuticaba planetária... até a Fortuna deve ter nos esquecido...

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13/04/20

Decameron, 12a novela, 12° dia

O mundo enfrenta duas novas pestes, a pandemia do vírus Covid-19 e a pandemia da ignorância que derrete cérebros humanos nos países atacados. No Brasil a peste é conhecida como Bolsonarismo.

Hoje li a história do mercador Rinaldo d'Asti, devoto de São Juliano, invocado na região (de Bolonha) como protetor dos viajantes.

A história tem final feliz, os maus são enforcados e o bem prevalece.

E no Brasil? Os maus serão desmascarados? Encontrarão punições?

Eu não morro de jeito nenhum! Quero ver cair esses desgraçados do mal!

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12/04/20

11a novela, 11° dia do Decameron

Ufa! O dia quase acabou sem eu cumprir minha meta de ler as 100 novelas do Decameron em 100 dias.

Acabei de ler a 1a novela da 2a jornada, agora sobre a liderança da jovem Filomena.

As coincidências entre ficção e vida real: na novela, "Martellino, fingindo-se aleijado, age como pessoa que se cura pela graça de Santo Arrigo" e quase morre enforcado por descobrirem sua farsa, No Brasil...

No país jabuticaba, o picareta na presidência (fraude) insinuou que a facada (?!*$&) e sua recuperação foram como uma ressurreição... (quando a farsa vai ter fim?)

Difícil, viu!

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10/04/20

9º dia, 9ª novela do Decameron (no 10º dia fiz postagem no blog)

Nesta sexta-feira santa de 10 de abril, coincidiu da história narrada pela jovem Elisa ser referente a uma nobre dama da Gasconha que foi até o Santo Sepulcro, na Terra Santa, prestar seus agradecimentos e na volta, ao passar pela Ilha de Chipre, sofreu ofensas de homens maus. Mesmo sabendo que o rei local faria pouco caso das reclamações dela buscando justiça foi até ele e deu-lhe uma lição de moral que o cara mudou seu comportamento a partir de então, punindo os agressores e não permitindo mais abusos e injustiças em seu reino.

Enquanto isso, aqui na vida real, nosso rei nu aproveitou sua posição ímpar para fazer tudo ao contrário do que se recomenda no planeta Terra, que enfrenta uma pandemia mortal causada por um vírus, o Covid-19, que se transmite através do contato e de secreções. Autoridades sanitárias e de saúde recomendam isolamento social e quarentena. O imbecil, que deveria ser o exemplo por ser o rei nu da nação brasilis, mais uma vez saiu pelas ruas de Brasília abraçando miseráveis apoiadores miseráveis, esfregando as mãos no nariz e boca e se esfregando com loucos apoiadores loucos...

Boccaccio, me ajuda! O que fazemos com essa peste do século XXI?

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09/04/20

8° dia, 8a novela

O tema avareza continua em pauta, mas agora Guilherme Borsiere enfrenta a avareza do senhor Ermino dos Grimaldi através da CORTESIA.
Enquanto isso, parte dos brasileiros aderiram ao bolsonarismo, uma doença mental e comportamental nada cortês com as pessoas não infectadas por tal vírus.

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08/04/20

7° dia, 7a novela do Decameron.

A história narrada nos fala da AVAREZA dos homens. O jovem Filóstrato conta a lição de moral que o senhor Bergamino deu no avaro senhor Cane della Scala, através da novela de Primasso e do Abade de Cligni.

Avareza! Que tema propício em tempos de falência total do modo de produção capitalista e concentração de toda a riqueza humana nas mãos de uns abastados desumanos.

Passados séculos de desigualdades, é hora de reinventarmos o mundo... como tá não dá mais!!! (Não é mesmo, Boccaccio?)

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07/04/20

6ª novela, 6º dia

A jovem Emília nos conta a história de um "santo" inquisidor, devoto de São João Barba de Ouro, uma ironia de Boccaccio para indicar que o servo de Deus em questão era um picareta que só queria extorquir as pessoas a partir da fé e inocência delas.

Nossa! Será que essa história nos faz lembrar de alguma coisa do cenário atual?

Pois é... Idade Média (ou dos medianos, ou dos medíocres... Idade das Trevas... a que estamos vivendo agora).

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06/04/20

Decameron (Boccaccio) - 5º dia, 5ª novela

Hoje li a quinta estória da primeira jornada do Decameron, contada pela jovem Fiammeta. Ela nos conta da artimanha da marquesa de Monferrato para não permitir nenhum abuso do rei da França, querendo se aproveitar dela enquanto seu marido, o marquês, estava em viagem.

Sinceramente, ao ver o cenário real da pandemia de cá (a do bolsonarismo, não a do vírus Covid-19), e a pandemia de lá, da ficção de Boccaccio, inspirada pela pandemia real da peste do século XIV, é tão estarrecedor o comportamento das pessoas que vejo ao meu redor, que pareço viver num mundo mais ficcional que a própria ficção.

O bolsonarismo supera qualquer ficção inventada pelos grandes clássicos... como foi que aconteceu dos apoiadores e seguidores desses caras perderem qualquer senso de racionalidade que os faziam humanos até dias atrás? Eles se parecem muito com aqueles corpos de zumbis dos filmes e seriados... é inacreditável!

Bolsonaro, se não for imortal, ainda pode ter o final de vida que teve o senhor Ciappelletto, ou melhor, São Ciappelletto, intercessor de todos nós junto a Deus!

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05/04/20

4º dia, 4ª novela... (1353 é agora, domingo de "jejum" do Bolsonaro e alguns "pastores" enganadores do povo)

Ao ler a história de hoje, que envolve um abade e um monge safados abusando de uma jovem moça do campo, lembrei-me de um professor da USP que nos dizia que ler os clássicos é melhor e mais atual que ler as notícias de nosso cotidiano. É verdade!

Se os canalhas manipuladores de gente, abusando da miséria, inocência e ignorância das pessoas, estão fazendo neste domingo o que o clássico de Boccaccio já abordava em seus contos e novelas 670 anos atrás como crítica social em forma de arte, é sinal que alguma coisa precisa mudar...

Não estamos melhores enquanto sociedade humana séculos depois da idade média...

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04/04/20

100 novelas em 100 dias...

"Faltam 97 novelas ou histórias. Serão 97 dias. Não tenho pressa, estou em quarentena mesmo. Vamos ver se chegamos ao fim das dez jornadas com as dez narrativas em cada uma delas, o que equivale às 100 histórias, que no meu caso serão narradas (lidas) em 100 dias..."

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Bibliografia:

BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. Imortais da Literatura Universal, Nova Cultural, São Paulo, 1996.

Informações sobre a pandemia do Covid-19 do site da Johns Hopkins University.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

À la Benjamin Button... (18)




Refeição Cultural

Olhar para trás...


Estamos no início de fevereiro de 2022. Mais uma vez, me deu vontade de olhar para trás e relembrar acontecimentos e reflexões feitas nos últimos dois anos, anos das pandemias de Covid-19 e de bolsonarismo no Brasil.

No filme sobre Benjamin Button, o personagem nasce com todas as consequências físicas de uma longa vida, está quase à morte com o corpo todo envelhecido. Mas sobrevive e rejuvenesce a cada dia e assim vai remoçando diáriamente, ao longo de décadas, até voltar a ser um bebê.

Uma parte do filme que me tocou bastante foi a do velho relojoeiro que fez o relógio da estação de trem com o mecanismo invertido, com os ponteiros andando para trás, o tempo voltando. Com isso, ele desejava ver seu jovem filho voltando à vida, voltando no tempo e não indo para a guerra. É uma bela imagem! O tempo voltando e nossas ações voltando atrás, evitando-se talvez as merdas que fizemos. Talvez.

Revi postagens que fiz na rede social nesses dois anos e apartei algumas aqui para guardá-las. Como tenho encadernado meus textos do blog, eu ou alguém próximo pode ser que leia algum dia esses registros de um tempo pessoal e coletivo e tome contato com um outro momento do Brasil em relação ao presente que esteja vivendo.

Tem registros sobre a destruição do Brasil sob o regime bolsonarista. Tem registros sobre a autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil. Tem registros de lamentos meus em relação à vida após a saída do palco das lutas onde tive papel importante como dirigente eleito pelos trabalhadores. 

Tem registros de críticas minhas ao movimento de esquerda pela inação em relação ao regime da extrema direita. Críticas exageradas, talvez. Avalio hoje que não tenho moral para criticar nada, nem criticar alguém. Não tenho. O melhor é calar. Não consigo lidar sequer com problemas pessoais e de família, que moral tenho para falar do mundo lá fora?

Será que algo seria diferente se o relógio da estação estivesse voltando no tempo? Será que as pessoas que amo estariam em outra condição que não a da autodestruição pelo alcoolismo? Será que eu mesmo teria tomado atitudes em relação aos problemas pessoais que não resolvo há anos e seria menos procrastinador?

O tempo não volta. Não tem como sabermos.

E neste momento, o único que existe? Estou ou estamos resolvendo os problemas que identificamos? 

William

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21/10/21

"A ESQUERDA DE SEMPRE

Breno Altman postou no dia 21 de outubro de 2021 um comentário a respeito da derrota da PEC 5, que alteraria o conselho do MP. Ele disse:

'LAMENTÁVEL
Um viva ao comportamento das bancadas do PT e do PCdoB, que votaram quase integralmente na PEC 5, que reformularia o Conselho Nacional do MP e foi rejeitada por falta de 11 votos. Exatamente oito votos do PSOL (a deputada Samia Bonfim está de licença), que voltou a se dobrar ao populismo lavajatista, mais uma abstenção do PT e duas do PCdoB.'

E Breno explicou seu lamento no comentário:

'DOENÇA MORTAL
Não existe ilusão mais liberal-burguesa do que a defesa da autonomia corporativa dos aparatos de justiça e repressão, como é o caso do MP. Ninguém os elege, ninguém os controla, e sua composição representa a elite senhorial. Quando esse vírus mortal será varrido da esquerda?'

Eu postei um comentário a respeito do fato, e registro aqui para guardar o que disse no dia e ainda penso o mesmo meses depois.

'A ESQUERDA BRASILEIRA se faz de instrumento da casa-grande. Não vislumbro a libertação do povo brasileiro da alienação. Estamos perdidos. É caçar um rumo na vida e deixar que a 'esquerda' mantenha o status quo pra sempre (enquanto o capitalismo inviabiliza a vida na terra).

Quando eu tinha uns onze ou doze anos, eu ia ao bairro Umuarama em Uberlândia, munido de um balde e uns apetrechos e batia a campainha daquelas casas enormes com jardins bonitos e quando o dono da residência atendia, o moleque perguntava se o bacana queria lavagem no carrão parado na garagem. Uns me diziam merdas por ter incomodado, outros aceitavam e deixavam o moleque lavar o carro ou com sorte os carros e ganhar um trocado.

Quando eu era ajudante de encanador, ajudante do seu Joaquim, ele riscava no cômodo da construção onde era pra quebrar com talhadeira, ponteiro e marreta as paredes e o concreto do piso para passar os canos. Uma vez, uma mulher (proprietária) entrou na obra e descobriu que algum peão usou o vaso sanitário de um dos banheiros da construção. Ela chamou o seu Joaquim aos berros, falou um monte e mandou arrancar aquele vaso por causa disso.

Eu odiei a burguesia, a elite, a casa-grande, os ricos e a injustiça que esses desgraçados causam ao mundo desde que me entendo por gente. Eu não entendia nada de política, nada. Eu só sabia qual era o meu lugar na sociedade humana em que vivia. Não fui um jovem militante de movimentos sociais como várias pessoas que conheço. Mas briguei contra injustiças em todas as escolas por onde passei desde o ensino fundamental. Depois entendi que isso era política.

Depois de trinta anos de idade foi que virei dirigente sindical e aprendi política de forma mais orgânica, por dentro das lutas políticas como agente que pertence a um movimento. Fiquei envolvido nessas lutas com mandatos eletivos por duas décadas. Me transformei radicalmente, meu ódio aos desgraçados do 1% e seus lacaios e capitães do mato passou a ser controlado porque na política se busca construir uma sociedade através da convivência e da disputa de maiorias através do voto.

Depois veio o golpe que minha geração vivenciou e ainda vive, o de 2016. No golpe anterior em 1964, eu nasci e vivi nele como criança e adolescente, com menos noção das coisas. Vendo tudo que vivi após me politizar, nos últimos 20 anos, e ver o contexto e a conjuntura em que nos encontramos no mundo, me faz ter noções razoáveis de por que as coisas se dão como nesse caso da esquerda brasileira que nada mais faz do que arrotar palavras de ordem e no fundo no fundo a maioria das pessoas "de esquerda" só querem ser aceitas pela casa-grande, como os agregados e jagunços e apadrinhados ao longo dos séculos na relação casa-grande e senzala.

Francamente, não vamos sair dessa! Me vem à cabeça diversas teses que li e ouvi ao longo de uns trinta e tantos anos de estudos e pesquisas como um curioso do mundo e da história (até no darwinismo penso ao ver o comportamento humano, tanto o do 1% quanto o dos 99%). Não quero ser determinista, não acredito nisso. Mas a tendência é que as coisas sigam como estão ("hoping for the best/but expecting the worst (Alphaville)". A esquerda parece não ter capacidade de reverter o quadro de dominação do 1%. Não tem. E isso significa que a vida humana e a biodiversidade na Terra também têm poucas chances de permanência e melhoria porque o 1% vai acabar com tudo, com todos e com eles próprios, porque é uma classe constituída por um monte de BOSTAS, UNS IGNORANTES, apesar de toda a dinheirama e poder que tem, esses burgueses são uns BOSTAS.

Mas se pensarmos no darwinismo vamos ver a quantidade de animais que ficam enquanto uns outros desaparecem... belos e "nobres" animais se foram e alguns outros estão por aí: gado, ratos etc.

Após o domínio das big techs a democracia como a conhecemos nos últimos séculos não existe mais, basta assistir a um dos diversos documentários que falam sobre o tema: exemplo - O dilema das redes, de 2020. Talvez por isso a esquerda seja tão perdida e seja um reles instrumento nas mãos da casa-grande. Esquerda, direita, centro, isentões, toda a gente é essa gente que está por aí, manipulada por máquinas e algoritmos, mesmo quando acham que não são passíveis de manipulação.

QUE MERDA! (mas não me deixo morrer, a vida é uma oportunidade a cada instante, a cada acordar. Eu sigo, na minha, mas sigo. Mas não ando querendo dizer e escrever mais nada...)

William'"

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29/7/21

"INSTANTES: NO QUE EU ESTOU PENSANDO?

(postagem da foto que abre este texto) No que eu estou pensando? Em tanta coisa. Sobre a Covid e sobre a hipocrisia dos políticos. Sobre bolsonaro e hitler e sobre apoiadores de animais como esses. Sobre hipocrisia. Sobre hipocrisia. Sobre hipocrisia. Sobre incêndios que ardem consumindo tudo no brazil. Cheguei a pegar o Fahrenheit 451 pra reler. O fogo consome tudo no brazil... Se bolsonaro e hitler tivessem 1 apoiador, 1 um hum, já seria um problema do mundo...

No que eu estou pensando? No meu compromisso com a companheira dirigente sindical que me convidou para falar um pouco sobre a Cassi. Então, vou ler algumas horas sobre a Cassi, praticamente no meu blog porque para falar de alguns temas da Cassi acumulei ali bastantes informações. Sobre CGPAR 23, sobre os planos de mercado que a direção atual acha que vão melhorar a "empresa", sobre algumas questões mais que eu achar que valha a pena comentar sobre a autogestão neste momento. Vou reler também algumas matérias sindicais que li nestes dias.

No que estou pensando? Nem dá pra falar. Mas acho que as coisas vão piorar muito para o povo brasileiro, os pobres que sabem que são pobres, os remediados que acham que não são pobres, os alienados que acham que não são alienados, os isentões que mentem que são isentões. A coisa vai piorar muito. A história está acontecendo agora, pessoas vão morrer, como sempre. Mas em algumas épocas as pessoas morriam fazendo parte de uma luta coletiva, de um objetivo conjunto, então havia pertencimento, éramos parte de uma causa. Hoje vamos morrer individualmente, sem pertencer a um projeto de mundo. Triste isso.

Vamos ler sobre a Cassi. Sobre isso eu sei alguma coisinha. Apesar que às vezes saber sobre isso traz muitos problemas pros sabedores. Vamos ler... tenho uma gratidão grande por tod@s que nos apoiaram durante nossas lutas de representação dos trabalhadores."

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24/2/21

"INSTANTES: SOU DAQUELES PRESCINDÍVEIS (RSRS)

O dia vai terminando. Tive momentos de reflexão sobre o destino da sociedade humana. Sei que é ousado pensar sobre algo tão importante e total como o destino da humanidade. Mas entendo que pensar o mundo é direito e obrigação de alguém politizado (mesmo estando fora das frentes de luta). Confesso que não sei o que fazer para contribuir para a luta social por mudanças que melhorem a vida das pessoas neste momento. Estive envolvido em projetos coletivos por duas décadas e sei que contribuí de alguma forma para a construção daquele Brasil que avançava lentamente na melhoria da vida do povo durante os governos democráticos e populares do Partido dos Trabalhadores, porque eu era um militante orgânico das lutas sociais com mandatos de representação de trabalhadores.

Hoje, retirado, ainda não encontrei a forma de contribuir para a coletividade. Minha contribuição foi uma oportunidade que tive entre 2002 e 2018. Não me vejo pleiteando funções políticas no movimento social e não tenho a natureza admirável daqueles e daquelas que construíram e lideraram as lutas históricas e diárias da classe trabalhadora brasileira. Fiz o meu melhor enquanto tive papéis a desempenhar no movimento sindical enquanto eu coube nele.

Avalio que meu espaço de contribuição foi possível enquanto o movimento social em geral era mais aberto às divergências. Isso mudou da mesma forma que as pessoas mudaram, da mesma forma que o mundo mudou. As redes sociais e outras questões comportamentais mudaram as pessoas. A política que fazíamos de construir projetos e unidade com debates abertos e de opiniões diferentes não funciona mais, paciência e tolerância eram comportamentos básicos, que não existem mais. Vida que segue... não deixei de ser de esquerda, pelo contrário, a cada dia que passa mais certeza tenho a respeito do socialismo e da necessidade do fim do capitalismo para que a vida continue no planeta.

Continuo preocupado com a vida das pessoas, com o sentimento de indignação com a injustiça social. Mas sei que na esquerda institucional não tem mais espaço para a divergência como aprendi em duas décadas de convivência com o movimento organizado. E sei que todos perdemos com isso. Vejam a realidade ao nosso redor.

Não me encontrei ainda nesses dois anos e meio fora do movimento organizado. Suspeito inclusive que o movimento organizado não se encontrou mais após o golpe de Estado (2016) e após essas mudanças comportamentais que as pessoas e a sociedade sofreram. É duro confessar que estamos perdidos... é mais duro ainda vermos as notícias diárias nos últimos anos e vermos que não existe oposição que inspire simpatia e esperança no combate ao regime neofascista e à onda de extrema direita que tomou conta da sociedade brasileira neste momento da história.

Instantes... fiquei pensando o que poderia ser neste momento de minha vida e da sociedade em que vivemos. Se eu tivesse competência, seria escritor. Não acho que tenha competência para isso. Talvez eu pudesse ser só "blogueiro", mas isso é algo tão vago... sou blogueiro há uns 13 anos, mas tive leitores consideráveis enquanto meu lugar de fala foi de representante formal dos trabalhadores.

Hoje, meus blogs têm um acesso mensal até considerável para espaços de produção de texto, porque vídeos e imagens é que chamam atenção. Enfim, sigo procurando algo que possa contribuir para mudar o mundo. Pelo meu conhecimento de mundo e de luta contra o capitalismo, sei que manter informações em redes sociais como o Facebook é muito complicado porque somos commodities do capitalismo e isso me incomoda muito: ser banco de dados para ser usado pelo sistema é foda. Gostaria de apagar todas as minhas informações em redes sociais, mas isso é difícil de fazer. Já os blogs são sites, são um pouco diferentes de redes sociais.

Enfim, ainda estou procurando uma forma de contribuir com o movimento de esquerda, de mudanças do mundo horrível que vemos ao nosso redor. Escrevo em blog, mas pouca gente lê blogs hoje.

Abraços aos amig@s que leram minha reflexão desse instante.

William"

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03/01/21

"COMPANHEIRO WANDERLEY CRIVELLARI, PRESENTE!

Até quando vamos receber notícias de perdas de vidas por causa dessa desgraça de vírus? É muita tristeza! E saber que o vírus é estratégico para o regime da morte instalado no governo do país após o golpe de Estado, por isso não temos vacina, não temos plano de enfrentamento à pandemia, por isso temos as palhaçadas diárias do genocida no poder... 

Cada ser humano que apoia esse genocida no governo, direta ou indiretamente, tem sua parcela de culpa nessas mortes por Covid-19, cada apoiador... Que merda tudo isso! Que merda!

Perdemos nesta manhã um grande ser humano, uma figura memorável e que nos ensinou muito no movimento sindical bancário.

Companheiro Wanderley Crivellari, presente!"

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06/09/20



"COMPANHEIRA MARIA DA GLORIA ABDO, PRESENTE!

Hoje, nossa querida companheira Glorinha nos deixou, nossa guerreira e inspiração de lutas em defesa dos trabalhadores, dos aposentados e de todas as pessoas humildes e simples. Estou muito triste, muito mesmo. Amor e admiração eram alguns dos sentimentos que poderiam expressar nossa gratidão a essa mulher guerreira. Glorinha é daquelas pessoas imprescindíveis, pela presença, pelas atitudes, pelos exemplos, pelo humor e pelo valor que ela nos ensinava sobre a vida. Estou triste, mas estou grato a ela, a sua família que a dividiu conosco e grato por ela nos mostrar que um guerreiro tem que lutar sempre! Presente, companheira Glorinha!"

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29/05/20

"DICIONÁRIO DA ESCURIDÃO, POR BOB FERNANDES

15 anos, 15 anos resumidos em palavras e frases selecionadas pelo excelente jornalista Bob Fernandes. 15 anos nos quais lutamos a favor do povo, dos trabalhadores, das empresas e patrimônio público, da democracia, da justiça social, da solidariedade e direitos em saúde, da conscientização de classe, lutamos pelo crescimento econômico com distribuição de renda, 15 anos fortalecendo a inclusão social e a igualdade de oportunidades.

15 anos nos quais vi todos os movimentos da direita, da extrema direita, dos bilionários e da casa-grande, 15 anos resumidos por Bob Fernandes. Em cada palavra e frase que o jornalista pronunciou eu fui vendo o passado... 2005... 2006... 2016... 2018... 2020...

Ver o vídeo aqui."

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15/04/20 (ainda)

"CENSURA, INVISIBILIDADE, CALAÇÃO DE BOCA DOS DISSONANTES

Os algoritmos dos donos dos provedores mundiais de redes sociais vieram pra ficar. Nós reles mortais não temos ideia do que vem por aí... as contas e perfis em qualquer rede social não são nossos, são deles, dos provedores. A cada instante, perfis são invisibilizados e seus contatos não veem o que o perfil publica, perfis são bloqueados, e com o avanço das crises e dos controles sobre as populações ficaremos cada dia mais isolados.

Eu tenho quase 1500 contatos e quase ninguém vê o que publico, o que penso, o que compartilho (se muito, dezenas). Em parte porque não pago nada ao provedor para que me vejam. Mas o que vem por aí será impensável para os milhões de usuários das mídias sociais desses donos do mundo, o 1%.

Caso vocês queiram ver o que publico, marquem o meu perfil como "ver primeiro" ao invés de "padrão" quando você entrar em meu perfil do Facebook.

Abraços aos amig@s e contatos"

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15/04/20

"INSTANTES: A CRISE DO CAPITALISMO ACHOU UM ÁLIBI PARA EXPLORAR MAIS E AUMENTAR AS TAXAS DE LUCRO DOS CAPITALISTAS: A PANDEMIA DE COVID-19

Nem sei o que dizer ao me atualizar diariamente em relação às desgraças que se fazem contra a nossa classe trabalhadora: MP 905 que destrói direitos históricos de bancários e trabalhadores em geral; pandemia do Covid-19 servindo de pretexto para encobrir as merdas da quebra mundial da economia capitalista; o 1% ferrando mais ainda os 99% e as mídias corporativas manipulando todos nós como otários; alguns humanos (mortais) articulando o fim das liberdades civis e impondo o controle absoluto sobre cada ser humano no planeta...

Porra, não pensei que estaria vivo para ver tudo isso sendo montado e ninguém fazendo nada para impedir... onde está a esquerda? Ou melhor, onde está a inteligência daqueles que se denominam de esquerda? Onde está o movimento organizado da classe trabalhadora, onde estão as organizações dos 99% explorados?

Preferiria um meteoro se chocando com a Terra e acabando com tudo de uma vez do que ver a vitória do 1% sem reação alguma! (e os caras destruindo a vida no planeta do mesmo jeito...)

Estamos sem reação... até que dia valerá a pena simplesmente viver ou sobreviver (fiquei pensando no filme A estrada (The road), de 2009. Valerá a pena viver nisso que está vindo por aí?)

William"

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09/04/20

"DATAFOLHA: 83% NÃO SE ARREPENDERAM DE VOTAR EM BOLSONARO!

Cara, francamente, depois de toda a desgraça que este sujeito já fez (e seu clã e os dementes de seu desgoverno), se for fidedigna esta pesquisa, quer dizer que 48 milhões de humanos (?) no Brasil seguem apoiando esse apocalipse no país...

Eu ia ofender essas pessoas... mas não vou não! Tomara que tod@s soframos até a destruição total do mundo que vivíamos! E que boa parte de nós (eles e nós) nos encontremos nos mesmos escombros do que era nossa urbi...

Vamos todos pro inferno!"

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01/04/20

"APELO AOS 57.797.847 ELEITORES DO CLÃ BOLSONARO E DESSA GENTE COMO ELES ELEITA NO PROCESSO ELEITORAL DE 2018

- Primo, tio, prima, vizinhos e colegas do BB, você que me conhece e que votou nesses bolsonaros, por favor, eu faço um apelo a vocês.

- Intercedam pela vida de seus entes queridos!

O vírus da pandemia mundial não tem ideologia. Mais que isso: um país em guerra civil não tem leis, não tem segurança. Pode acontecer de os desesperados nas ruas caçarem vocês dentro de suas casas...

#PagueLogoBolsonaro
#FiquemEmCasa

Peço a vocês que contatem seus eleitos e cobrem que eles parem de apostar no caos, na fome, na convulsão social, PAREM de compartilhar fake news do bolsonarismo!

Bolsonaro não é doente, ele comete crimes cotidianamente previstos na lei!

Cobrem que o governo bolsonaro pague logo os recursos para a população sem renda, porque o presidente de vocês quer apostar na convulsão social, na fome e desespero de milhões de pessoas.

Repito, não há segurança durante uma guerra civil, durante uma convulsão social, vocês podem sofrer inclusive estando dentro de suas casas.

Pensem em vocês mesmos (não vou pedir que pensem nos outros, seria muito isso). Os eleitos por vocês querem o caos e vocês e nós, os comuns, seremos as vítimas da crise civilizatória nas cidades e no país.

Algum dia vocês já se imaginaram morando no Afeganistão, no Iraque ou outro país destruído pelos amigos do Norte do clã bolsonaro?

Intercedam junto aos seus eleitos em 2018 para que paguem os recursos aprovados pelo Congresso e que parem de apostar no caos e nas mentiras só para se manterem no poder.

William"

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30/03/20 (ainda)

"TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM NA CASSI...

A Previ suspendeu o processo eleitoral em face do atual cenário nacional e internacional de pandemia de Covid-19. O Economus idem. Agora a Anabb informa a suspensão do processo eleitoral pelo mesmo motivo. (informações em seus sites)

ENQUANTO ISSO... A Cassi recebeu diversos apelos (entidades representativas e até uma das chapas concorrentes) para que suspendesse o processo pelo mesmo motivo que as outras entidades suspenderam as eleições. Porém, o processo foi mantido com um baixo índice de participação política porque os bancários estão desesperados tendo que se arriscarem a ir para os locais de trabalho e talvez contraírem o novo coronavírus (ou seja, pouco debateram as eleições). E os aposentados estão em quarentena em suas casas, muitos deles isolados e com outras preocupações como serem grupo de risco da pandemia.

É triste! Até se parece um pouco com o que ocorre no âmbito da política nacional, onde um cidadão na presidência vai na contramão de todo o planeta Terra em relação às medidas para lidar com a pandemia do coronavírus.

A Cassi é o nosso maior patrimônio, não tenho dúvidas. É sempre impressionante ver a capacidade com que ela segue adiante em detrimento de algumas decisões de suas administrações.

A Cassi segue acolhendo usuários e sendo eficiente em seu modelo assistencial de ESF/APS tendo um sistema com umas 150 equipes de família e cerca de 180 mil pessoas cuidadas com menor custo assistencial em relação aos modelos do mercado que não se baseiam em Atenção Primária e Medicina de Família e Comunidade.

Obrigado e parabéns aos profissionais de carreira do quadro da Cassi! Vocês são muito importantes para todos nós da comunidade de assistidos da autogestão dos funcionários do BB.

William"

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30/03/20

"PANDEMIAS NO BRASIL

O Brasil enfrenta duas pandemias letais: o Covid-19 e o bolsonarismo. As duas doenças se combatem com solidariedade: amor ao próximo e distribuição da riqueza produzida pelos humanos a todos os humanos.

A pandemia bolsonarista é mais grave que a pandemia de Covid-19. Ela ataca o cérebro humano e os olhos; suas vítimas respiram, mas são cegas e irracionais.

Espero que vençamos as duas pandemias!

#ForaBolsonaros
#FiqueEmCasa
#ImpostoSobreFortunas"

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26/03/20

"INSTANTES: UM SOLO DE GUITARRA

Se o pulmão falhasse, se esse vírus me pegasse, não seria ruim me despedir ouvindo os solos de guitarra de Jeff Beck nessa bela música de Rod Stewart, "People Get Ready". Mas como diz o poeta Drummond, chegou um tempo em que não adianta morrer, e a vida é uma ordem, a vida sem mistificação. É tempo de viver para ver cair os inimigos do povo, esses insanos no poder e os bilionários que não se importam com as vidas das pessoas, que só pensam em seus lucros. Solo de guitarra, arrepios e vida, vida, viver!"

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22/03/20

"FAKE NEWS DA PRESIDÊNCIA

É DE ADOECER... Ao ver uma foto dos 4 bolsonaros hoje gravando aquela fake news de cura do Covid-19, eu fiquei me perguntando como o Brasil fez isso? Aquilo era a representação da Presidência, do Senado e da Câmara... gente... boa noite."

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21/03/20

"INSTANTES: APELO

Enquanto o povo italiano chora a morte de 627 cidadãos na sexta-feira, o mentecapto na "presidência" (fraude!) do Brasil diz que o coronavírus é uma "gripezinha"... PEÇO AJUDA aos 57.797.847 brasileir@s responsáveis por esse hospício que tirem esse demente de onde o colocaram! Por favor, salvem as vidas dos brasileiros! Estou falando de salvar seus pais, avós, filhos, amigos, conhecidos. TIREM ESSA COISA DE LÁ!"

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15/03/20

"PENA E VERGONHA!

É o que sinto ao ver esses celerados bolsonaristas dando bananas para a pandemia do coronavírus e para as leis e para as questões mais básicas da civilidade humana. Ao ver hoje o sujeito que dizem ser "presidente" (fraude!) incentivando atos contra a democracia e talvez até passando vírus para a multidão (seis de sua comitiva pegaram o vírus), eu tento exercer a empatia, me colocar no lugar das pessoas que conheço e entender por que elas apoiam essa barbárie demente. Ao fazer isso, eu consegui não sentir raiva delas.

Senti PENA e muita VERGONHA!"

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08/03/20

"DITADURA E FECHAMENTO DO REGIME

Eu fico p. com o autoengano (ou hipocrisia mesmo) desse povo da "esquerda" e "democrata" e que diz não ser "apoiador" do governo que fica pedindo posição da grande imprensa e seus jornalistas e alguns tolinh@s que dizem que algum veículo de comunicação estaria contra o novo regime (tipo o lixo do grupo Globo, por fazer umas cosquinhas no governo).

Todo avanço ilegal do novo regime gera 2 dias de "oh, absurdo!" e depois a vida segue (o golpe segue). Gente, leiam como Hitler avançou nos anos 1930.

Lula diz que Bolsonaro não comete crime. FHC idem. STF idem. Os presidentes do Congresso (ridículos) e blá blá blá.

Na semana das manifestações nazifascistas de 15 de março, chamadas pelo novo regime, teremos na Globo e Record gente do governo ou o governo nos principais programas de domingo 8 de março (que dia pro bolsonarismo brilhar na TV!) e em horário nobre...

Tá tudo normal, segue o avanço do Brasil rumo a colombianização...

(Tamo f...)"

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02/03/20

Comentário meu sobre matéria do canal Brasil247 na qual Lula disse: "Não podemos derrubar um presidente porque não gostamos dele". Isso depois do inominável praticar crimes diários desde o início do mandato.

"PACIÊNCIA TEM LIMITE...

"A não ser que ele (Bolsonaro) cometa um ato de insanidade, cometa um crime de responsabilidade, a gente então possa fazer o impeachment dele, mas se não fizer isso, nós não podemos achar que nós podemos derrubar um presidente porque não gostamos dele. Não podemos", defendeu.

COMENTÁRIO MEU: Lula, o sujeito já cometeu uns 400 crimes de responsabilidade em 400 dias de mandato! Porra, tá de brincadeira?

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Post Scriptum (15 minutos depois, após ler a matéria com partes da entrevista de Lula):

Francamente, Lula é muito importante aos olhos do mundo pra passar a mão na cabeça desse sujeito que está na presidência do Brasil. E isso após dezenas de crimes de responsabilidade. Nem se Lula estivesse focado em ser santo, não deveria fazer isso.

TÔ DE SACO CHEIO dessa merda de alguns petistas ficarem de nhé nhé nhé ao verem a destruição de tudo, e com base em crimes, e ficarem dando mole com discursinho de paz e amor aos inimigos do povo.

Se fosse possível, ligava o foda-se no coração e não ligava mais pra destruição diária de tudo, já que nossas lideranças ficam com calminha enquanto tudo acaba.

Merda do c..."

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01/03/20

"PREZADO COLEGA ARNALDO JORDÃO, PRESENTE!

Nosso querido colega da comunidade BB, Arnaldo Jordão, nos deixou neste fim de semana. Grande figura e de fácil convivência. Estivemos juntos em diversos espaços e por muito tempo - Sindicato, Complexo São João do BB, AABB SP, AFABB SP - Cantava e tocava Beatles. Meus sinceros sentimentos à família e amig@s. Arnaldo Jordão, presente!"

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29/02/20

"INSTANTES: ESCOLHA PELO CAOS

Os brasileiros escolheram um mundo bárbaro, sem leis, selvagem. Nada funciona no cotidiano e as pessoas estão por suas contas e riscos. Povo miserável, que optou por um país miserável."

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23/02/20

"'NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM'? A VERDADE É QUE ESTAMOS SÓS E VULNERÁVEIS!

A verdade é que estamos sós, estamos indefesos, estamos vulneráveis, não usamos armas e o cenário político sinaliza que o golpe de 2016 permitiu a destruição do Brasil para sempre (nada será como antes). E estamos sob controle de forças externas também.

O crime organizado chegou ao poder e é detentor da repressão estatal. A violência vai explodir, o país não vai se recuperar e todos vão sofrer mais do que já sofrem. Haverá muita morte e violência, principalmente contra nós, povão, mas também contra desafetos da casta no poder (ninguém vai te defender do 'guarda da esquina'). Não haverá justiça. Nem saída institucional.

Esta terra caminha para ser uma ditadura totalitária de direita, com paramilitares, milícias, cartéis, forças repressivas e bandidagem tudo junto e misturado e dentro do Estado, respondendo ao mando de algumas famílias e sujeitos e suas corporações (uma espécie de colombianização).

Repito: estamos sós e não temos defesa contra a violência que virá. O caos será o cotidiano. Não vejo chances de reação e resistência dos movimentos progressistas e democráticos porque o ódio e a intolerância nos tomaram a todos. Sem chances de unidade entre nós do 'campo popular'.

É bom pensarmos formas de sobrevivermos a tudo o que virá (vai ser foda, porque não adianta por camisa de super-herói e nem achar que somos rambos ou Mad Max).

Poucos jornalistas e articulistas têm isso claro, mas destaco Nassif como um exemplo de profissional que faz boas leituras de cenário. Ele vem alertando diariamente que o Brasil caminha num caminho sem volta.

Ninguém solta a mão de ninguém? Já faz um tempo que vejo no mundo político em que atuei por duas décadas, que basta alguém não concordar com a cor da roupa que o outro usa, basta não dizer amém para uma proposta qualquer, que as rupturas avançam onde deveria haver 'unidade'.

Estamos sós... essa é a verdade! E o que vem por aí pode ser um horror. Venceu a vaidade, venceu o ódio, venceu o egocentrismo. Venceu a ignorância (a do não saber e a da explosão à toa). Perdemos os humanos, perdemos!

É foda! A gente escreve nessas merdas de redes sociais e internet e só se fragiliza com isso, alimenta os inimigos, as máquinas e robôs que manipulam nossas informações para ampliar o caos contra nós mesmos.

Que merda! Estamos sós, por isso que facilitamos a vida dos inimigos do povo publicizando nossas fragilidades nas ferramentas deles - nossos perfis são concessões das empresas planetárias que dominaram o mundo. Além de usarem nossos dados, ainda nos invisibilizam a hora que quiserem.

Estamos sós como sempre estivemos. Desde criança e adolescente estávamos sós, mas não confessávamos isso em público como hoje, quando escrevemos isso em máquinas que catalogam a informação de estarmos sós e à mercê dos inimigos do povo, os donos das ferramentas e dos meios de produção e exploração. Aliás, sabem o metro quadrado em que estamos no planeta.

Chega de confissão para estas máquinas! Estamos sós, mas estamos vivos e não concordamos com o rumo das coisas no mundo.

William"

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18/02/20

"NÃO HÁ SAÍDA INSTITUCIONAL...

Opinião de cidadão: não há saída institucional para resistir ao que está em processo no Brasil. Não há!"

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07/02/20

"MEU APOIO E SOLIDARIEDADE AOS COMPANHEIR@S E BANCÁRI@S DO BB

Nessa quinta-feira 06, os trabalhadores do BB realizaram um dia Nacional de Lutas e protestos contra as barbaridades perpetradas pela direção do banco nesse contexto do novo regime político do país, regime de ultradireita e destruição total dos direitos do povo brasileiro.

Deixo minha solidariedade e apoio às lutas tão necessárias para resistirmos e revertermos toda essa desgraça que se abateu sobre nós. 

AVANTE!"

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05/02/20

"INSTANTES... (CARPE DIEM, APRENDA ALGO NOVO, REFLITA SOBRE ALGO QUE PASSOU, PENSE O QUE PODE SER DIFERENTE AMANHÃ)

1h da madrugada de quarta.

Aprendi mais umas coisinhas da língua japonesa (após aprender o Hiragana, agora estou aprendendo frases afirmativas, interrogativas e partículas); revi um pouco da língua inglesa (li um artigo da CNN que postei no perfil da rede social); li alguns relatos/contos em língua espanhola de um excelente livro de Margo Glantz; conversei com estranhos brasileiros durante toda a semana que passou, inclusive hoje, tentando entender porque perdemos os seres humanos (Nossa, vejo nas pessoas o que Mino Carta e Jessé Souza nos explicam... chocante!).

Estou muito decepcionado com o rumo do movimento de luta da classe trabalhadora no qual militei por mais de duas décadas. Mas as coisas são como são...

Enfim, estou vivo. A idade vai chegando todos os dias, e com ela a experiência. Tenho que ativar meu cérebro, minha inteligência, meus sistemas que fazem o corpo estar vivo. Não fazer nada errado e contra as pessoas. Ajudar ao próximo ou pelo menos não atrapalhar as pessoas.
Seguimos... O amanhã não pode ser de mesmice. Temos que esperançar e não ficar sem esperança. O amanhã é o imponderável, sempre..."

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07/01/20

Comentário sobre matéria a respeito da coalizão de esquerda vencedora das eleições na Espanha.

"ESQUERDA 167 X 165 DIREITA, PSOE ELEGE 1° MINISTRO NA ESPANHA

No Brasil, as oportunidades da solidariedade e dos direitos dos trabalhadores seriam outras se as forças ditas de esquerda e progressistas tivessem a sabedoria de se unirem por algo maior: um projeto coletivo. Eu não vi isso nas eleições da Cassi em 2018 e o resultado foi a vitória da direita e do patrão."

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

010222 - Diário e reflexões



Refeição Cultural


Ayrton Senna

Dentre as infinidades de coisas acumuladas ao longo de uma vida, peguei 4 revistas sobre a morte de Ayrton Senna. O corredor brasileiro morreu no dia 1º de maio de 1994. Jogar fora ou guardar as revistas e seguir sendo um acumulador?

Eu morava na Avenida Flora, em Osasco, quando Senna morreu. A lembrança daquele dia é bem nítida em minha memória. Trabalhava no Banco do Brasil fazia pouco tempo. Estava terminando a faculdade de Ciências Contábeis.

Exatamente naquele domingo, 1º de maio, era o primeiro dia de uma convivência em comum com minha namorada. No dia anterior, havíamos feito as mudanças e começávamos naquele dia uma nova etapa de nossas vidas.

Me levantei e liguei a televisão. Senna bateu no muro de concreto a 300 Km/h e morreu na hora. Em nenhum momento acreditei naquela patifaria de fingirem que ele não estava morto. Morreu Ayrton Senna. Dei a notícia para a Ione, que ficou arrasada.

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Li as 4 revistas. Elas foram publicadas pouco depois do acidente e morte de Senna. Três delas têm mais imagens que textos. A Veja tem mais texto, deu trabalho ler a revista inteira. Vi nas revistas várias personalidades da época. Hebe, Fleury, Maluf, FHC, Itamar, Xuxa etc. 

A loira, recentemente disse que os presos brasileiros deveriam ser cobaias humanas para servirem pra alguma coisa (Mengele, lá do inferno, sentiu inveja dela). O governador da época foi o do massacre do Carandiru. O ex-prefeito paulista é o condenado por roubar o erário público. FHC nem preciso falar nada. Só no BB onde eu trabalhava, tivemos dezenas de suicídios por causa do sociólogo presidente e seu desmonte das empresas públicas.

Enquanto lia as matérias fui me lembrando do homem Ayrton. Religioso que via divindades nas curvas das pistas de corrida (tipo Jesus na goiabeira). A revista Veja conta isso na página 58. Senna é "competitivo" a ponto de não medir ações para ganhar uma prova ou um campeonato, valendo até bater no carro do principal concorrente ao título. Era o cara que afirmava que o importante era ganhar e não competir.

Suponhamos que Senna estivesse vivo... Fiquei perguntando a mim mesmo qual seria a posição do cidadão Ayrton em relação ao regime de extrema direita que tomou o Brasil de assalto após o golpe de 2016... Talvez nem fosse bolsonarista, talvez fosse só mais um desses anticomunistas ou antipetistas toscos que vemos por aí nas classes abastadas. Basta lembrar de umas figuras como Roberto Carlos, Neymar, Pelé, Regina Duarte, um monte de sertanejos etc... já consigo imaginar. 

Pesquisei na internet a posição da irmã dele. As primeiras imagens dela que vieram foram com o inominável presidente genocida e miliciano, antes e depois de eleito em 2018. Depois vi matérias informando que o juiz suspeito ("juge") está em contato com a irmã do Senna para pensar seu provável governo caso vire presidente do Brasil em 2022.

Qual seria a do ídolo Ayrton Senna? Não temos como saber de qual lado da história o patriota estaria neste momento trágico do Brasil... mas eu suspeito, eu imagino.

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A REALIDADE MATERIAL E NOSSAS IDEIAS E AÇÕES

Enfim, li as 4 revistas sobre a morte do ídolo Ayrton Senna (do Brasil) em maio de 1994. Fiquei pensando a respeito do Brasil e de nós povo brasileiro. 

Fiquei pensando nos conceitos sobre a questão do materialismo histórico. A realidade material produz as ideias e os desejos nas pessoas comuns. Não são as ideias que produzem a realidade material nas sociedades. Basta ver minha lista de desejos nos anos oitenta e noventa... ter uma casa própria, ter uma moto, ter telefone e internet, ter coleção disso ou daquilo... eram as ideias de minha realidade.

O William dos anos oitenta era um jovem com as ideias dos anos oitenta, ideias em vigor no local onde vivia no Brasil sob ditadura e sob o poder da casa-grande, sob o poder das igrejas católicas e dos donos dos meios de comunicação, com as ideias que vigoravam hegemonicamente naquele período. Minhas ideias eram as ideias que eram hegemônicas e que vigoravam inclusive entre nós, pobres e miseráveis.

A mesma coisa se deu nos anos noventa. Minhas ideias e ações também foram condizentes com o que tive acesso e com a hegemonia que prevaleceu no meu mundo dos anos noventa. Idem para a primeira década dos anos dois mil.

Minhas ideias e comportamentos só mudaram quando minha realidade material me colocou diante de novas concepções de mundo. Não sou hoje como a maioria de meus familiares - conservadores e de direita, mesmo sendo pobres ou remediados achando que são ricos - porque tive acesso a outros meios sociais, o movimento organizado dos trabalhadores. Novas referências de leitura, cursos universitários etc.

Enfim, para algumas coisas como essas vou seguir sendo um acumulador. Vou guardar as 4 revistas. Pelo menos agora eu li essas coisas que comprei em 1994. Tenho zilhões de materiais para ler e ver se guardo ou descarto. Zilhões. Tenho como tarefa primária organizar as coisas que queria estudar e conhecer.

Decidi que por enquanto não vou mais ler romances, literatura, nas próximas semanas ou meses. Eu tenho que resolver algumas coisas na vida. Não vou mais procrastinar comodamente enquanto a vida passa porque estou numa condição confortável em relação aos meus pares da classe trabalhadora. 

E percebo que estamos todos sós. Mas temos que seguir vivos.

William