segunda-feira, 10 de novembro de 2008

HISTÓRIA CONCISA DA ESCRITA – CHARLES HIGOUNET

AULA DE FILOLOGIA SOBRE O TEXTO:

CAPÍTULO 4
1) Primeiros momentos: s.VII ao VI a.c. em movimentos

a) hipótese mais tradicional: o alfabeto latino e o etrusco seriam empréstimos diretos das escritas gregas da Itália.
b) hipótese com mais crédito: Roma teria recebido indiretamente sua escrita por meio dos etruscos.

2) Século I a.c.: alfabeto latino com 23 letras

2.1) século III – variação C e G. ex: Caius ou Gaius
2.2) Cícero – Y e Z do alfabeto jônico nas transcrições de palavras gregas; Y e W: glides (semivogais). Ex: queijo = K e J = queyjo
2.3) Não se distinguiam ‘i’ e ‘u’ vogais de ‘i’ e ‘u’ consoantes. No latim clássico não havia ‘j’ e ‘v’.
INRI = Iesus Nazarenus Rex Iudiorum

Uino ueritas

Os escribas da Idade Média, tanto quanto os latinos, não distinguiram i e j, e u e v. As letras j e v são chamadas de RAMISTAS, do nome do humanista francês do século XVI, Petrus Ramus (Pierre de la Ramée).

“O alfabeto latino é, definitivamente, um alfabeto grego ocidental transformado, por uma forte influência etrusca, em um dos alfabetos itálicos”

3) O ALFABETO LATINO É UM ALFABETO GREGO (OCIDENTAL) TRANSFORMADO.

4) Século I: alfabeto latino firma-se. A partir daqui, teremos mudanças gráficas. (já são 23 letras)

5) A ESCRITA ROMANA ATÉ O SÉCULO II

A escrita romana da época clássica é conhecida por dois grandes tipos de monumentos, as INSCRIÇÕES e os PAPIROS.

Haviam dois tipos de suporte, SUPORTES DUROS e SUPORTES SUAVES, ou seja, as incrições eram feitas em pedra, metal, argila, paredes, tabuetas de cera e utilizava-se cinzel, estilete ou pincel.

Nos SUPORTES DUROS prevaleciam as LETRAS CAPITAIS (de forma, caixa alta).

Nos SUPORTES SUAVES prevaleciam as LETRAS CURSIVAS (de mão).

DERRUBA-SE A HIPÓTESE DE ACIOLLI (1996), QUE AS LETRAS CAPITAIS (MAIÚSCULAS) ERAM “ANCESTRAIS” DE TODAS AS LETRAS.

Século I:
Escrita comum clássica pequena e cursiva
Emprego da escrita em caixa alta, com traço pesado, utilizada para edições de luxo.

“O testemunho dos papiros e das inscrições mostra que os romanos praticavam no século I duas escritas não-especializadas: uma, a ‘escrita comum clássica’, pequena, ágil, cursiva, com diferenças gráficas de um documento para outro, utilizada tanto para livros como para atas; a outra, a ‘maiúscula’, geralmente de módulo maior, pesada, utilizada para as edições de luxo, os editais, as reproduções das atas.”

ERA O SUPORTE E O MATERIAL QUE DEFINIA A LETRA MAIS APROPRIADA.

O TERMO ESCRITA ‘CURSIVA’ NÃO DEVERIA SE OPOR A ESCRITA ‘MAIÚSCULA’, POIS A CURSIVIDADE É UMA QUALIDADE GRÁFICA QUE ESSAS CATEGORIAS BEM DISTINTAS DE ESCRITA PODEM POSSUIR.

6) Séculos III e IV: (Jean Mallon)
Nova escrita comum
Uncial

7) Séculos V e VI:
Adotada nos novos reinos ocidentais, “quebrando” a idéia de escritas nacionais como a “lombarda”, a “visigoda” e a “merovíngia”.

8) As origens da escrita carolíngia, séculos V – VIII, crescem as atividades monacais, influenciando o tipo de letra.
Scriptoria eclesiásticos são responsáveis pelo surgimento de algumas variedades locais de letras.

Informações auxiliares:

Escrita bustrofédon – escrita que consistia em linhas alternadas da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, como o sulco que um arado faz numa lavoura. Ocorre freqüentemente nas inscrições gregas mais antigas. (Michaelis)

Papiro – é uma planta (Egito)
Pergaminho – é de pele de animal (cabra ou carneiro)
Reunião – é um códice

Bibliografia:

HIGOUNET, Charles. História concisa da escrita. SP, Parábola Editorial, 2003.

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