sábado, 22 de novembro de 2008

Metrópolis, filme de Fritz Lang, de 1926

Sabadão. Cansaço geral. Necessidade de estudar para minha prova de morfologia. Mas estou procrastinando, protelando, enrolando. (É puro cansaço)

Bom, aproveitei o fato da Net ter programado o filme Metrópolis para hoje e acabei assistindo a ele. Essa sempre foi mais uma de minhas infindáveis lacunas culturais. Nesse caso, cinematográfica.

Interessante o filme. Mas também o achei cansativo.

Buscando algum comentário a respeito da obra na internet achei um bem detalhado no site Repórter Social. (atenção, pois ele revela o enredo do filme)


O SOCIAL NO CINEMA - "Metrópolis", de Fritz Lang: exclusão e opressão dos trabalhadores nas grandes cidades

por FLÁVIO AMARAL

A visão do futuro que o diretor alemão Fritz Lang apresenta na década de 1920 no seu clássico “Metrópolis” é sombria. Em grandes cidades, dominadas por arranha-céus, um cenário de exclusão e opressão. Operários tratados como máquinas, explorados por grandes corporações econômicas, submetidos a péssimas condições de trabalho seriam totalmente excluídos da sociedade.

O filme, produzido em 1926, refletia o pessimismo da época. A Revolução Industrial atingia o ápice. Os operários, com poucos direitos, eram explorados e desumanizados em regimes de trabalho massacrantes. Os donos do capital tornavam-se cada vez mais ricos e poderosos enquanto a classe trabalhadora tinha cada vez menos chance de uma vida digna. Lang, através de um filme de ficção científica, projeta o futuro de 100 anos depois como a extrapolação de uma realidade que podia ser verificada nos países industrializados da época.

As cidades cresciam em ritmo frenético, divididas em bairros nobres e áreas operárias. O diretor alemão projeta metrópoles monstruosas em que a divisão geográfica por classes sociais atinge limites perturbadores. Na superfície, em solos valorizados, os que fazem parte das classes privilegiadas ocupam imponentes edifícios. Os mais ricos se divertem em jardins paradisíacos e em bordéis suntuosos. Totalmente excluídos, os operários vivem na “Cidade dos Trabalhadores”, onde moram em prédios muito mais frios e homogêneos, enterrados no subsolo. De lá não saem. Trabalham nas máquinas que alimentam e fazem funcionar a cidade na superfície e é lá, em cavernas escondidas, que fazem suas reuniões proibidas para discutirem a exploração a que são submetidos.

Ao contrário do discurso revolucionário, inspirado pelo marxismo, que ganhava força na Europa, principalmente após a Revolução Russa de 1917, Lang retrata operários bem menos politizados. Maria, a grande líder da “Cidade dos Trabalhadores” não tem um discurso baseado divisão de classes sociais e necessidade de união da classe trabalhadora contra os opressores capitalistas. Seu discurso é messiânico. A exploração e o sofrimento devem continuar até que chegue o “escolhido”, aquele que irá salvar os trabalhadores da opressão. Para ela, o conflito e a revolta não levariam a nada, não seriam capazes de melhorar a vida de ninguém.

Mas Joh Fredersen, o grande detentor do poder e do capital quer o conflito. A revolta dos trabalhadores seria pretexto para se usar a força, utilizar todo o poder da repressão para criar uma realidade ainda mais opressora. Com a ajuda de um cientista desequilibrado, aprisiona e substitui a líder Maria por um moderno robô, criado para não só agir, mas sentir como um ser humano. A falsa líder incita a revolta e dá início a uma violenta rebelião. Máquinas são destruídas, a “Cidade dos Trabalhadores” é inundada, os operários invadem a superfície. Mortes, perseguições, destruição: o caos se instala em Metrópolis.

Eis que surge o “escolhido”, o único capaz de levar paz e conciliar os interesses dos dois lados conflituosos. Ele é Freder Fredersen, o jovem filho do grande capitalista. Ao contrário do pai, Freder sensibiliza-se com a situação dos operários. Em uma visita ao subsolo, fica horrorizado com o sofrimento dos trabalhadores para manterem as máquinas funcionando. Assume o lugar de um deles e sente na própria pele a difícil vida de desumanização provocada pela rotina mecânica, pela vida de rebanho, pela escravização do trabalho. Freder, apaixonado por Maria, resolve defender os operários. Liberta a amada e, juntos, salvam as crianças da inundação na Cidade dos Trabalhadores. Em meio ao caos da revolta, consegue o que parecia impossível: um aperto de mão entre o capitalista opressor e um dos líderes dos operários. Sela a paz e une os dois mundos antagônicos.

“Metrópolis” previa a exacerbação dos conflitos do capitalismo industrial. Traçava um futuro sombrio, com cidades segregadas, humanos robotizados e opressão das classes trabalhadoras. Mas a saída, pelo filme, não é o conflito. Lang não crê na união dos trabalhadores, não acredita na revolução do proletariado como solução. Acredita na visão humanista e conciliadora partindo do próprio capitalismo. Diante do pessimismo da época, a saída para melhorar o quadro de exclusão, opressão e exploração só viria com a mudança de posicionamento daqueles que detêm o poder econômico. O Estado, totalmente inexistente no filme, não teria nenhuma finalidade.

A única solução para um mundo mais digno e justo seria uma postura responsável do poder econômico, com industriais mais preocupados com as condições de vida de seus funcionários. Em um mundo em que a polarização entre comunismo e capitalismo começava a despontar, Lang já apontava para uma terceira via, uma idealista e romântica visão de responsabilidade social dos empresários.

Fonte: http://www.reportersocial.com.br/noticias.asp?id=1104&ed=cultura

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