quarta-feira, 17 de março de 2021

Moby Dick - Acab vai à caça da baleia branca



Refeição Cultural

"- Saca-rolhas! - gritou Acab. - Sim, Queequeg, os arpões ficam todos retorcidos e cravados nela. Sim, Daggoo, o seu jorro é enorme como um feixe de trigo, branco como uma pilha da nossa lã de Nantucket, depois da grande tosquia anual. É verdade, Tashtego, a sua cauda em forma de leque é como uma vela no meio de um vendaval. Morte e inferno, marinheiros! Vós vistes, Moby Dick! Moby Dick! Moby Dick!" (p. 198)


Estamos à bordo do baleeiro Pequod, saídos de Nantucket, Massachusetts - Nordeste dos Estados Unidos -, sob o comando do capitão Acab e os demais oficiais e marinheiros, os pilotos Starbuck, Stubb, Flask e seus arpoadores Queequeg, Daggoo e Tashtego, e juntos ao marinheiro que nos conta a estória, Ismael.

Este foi o 7º dia de leitura desta clássica e épica aventura proporcionada a nós leitores do mundo por Herman Melville, em 1851.

Na primeira semana de leitura, li entre segunda e sábado e descansei no sétimo dia... Para descansar, li um livro no domingo - Becos da Memória, de Conceição Evaristo - e outro na segunda - O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. Retomei agora Moby Dick e vamos mais alguns dias na viagem pelos mares do mundo. Já passei da página 200.

Estamos no período mais mortal da pandemia mundial de Covid-19 no Brasil de regime genocida. Lendo quieto em casa, estou atendendo ao apelo de parte das autoridades políticas e de saúde do Brasil e do mundo. 

Temos que ficar em casa. Para quem tem condições é um dever cidadão e humanista evitar ao máximo sair e se aglomerar com outras pessoas para evitar pegar o vírus e disseminar sua contaminação para os nossos semelhantes. 

Estamos chegando a 300 mil mortos no país e o sistema de saúde colapsou, quase não há leitos disponíveis na maior parte dos Estados brasileiros. As pessoas podem morrer em consequência dos efeitos da infecção pelo vírus Sars-Cov-02 e por qualquer outra necessidade hospitalar. Entendem isso?

Lendo em casa, estou fazendo a minha parte como cidadão, como ser humano consciente e educado. Ficando em casa, faço o possível para sobreviver a essa tragédia humanitária que vivemos. Quero viver porque a vida vale a pena, quero viver para amar e estar com as pessoas, quero viver para ler os clássicos da literatura e para contribuir para um mundo melhor de alguma forma. 

Quero viver para ver julgados e condenados os genocidas e criminosos no poder.

Leiam! Não deixem a literatura morrer! Não deixem seus cérebros atrofiarem suas capacidades cognitivas!

Aos interessados na postagem anterior, clique aqui.

William


Bibliografia:

MELVILLE, Herman. Moby Dick. Tradução de Berenice Xavier. São Paulo: Publifolha, 1998.


terça-feira, 16 de março de 2021

Livro: O Pequeno Príncipe - Saint-Exupéry



Refeição Cultural - Cem clássicos

Estamos vivendo tempos difíceis, tempos de pandemia, tempos de bolsonarismo no Brasil, regime da morte que a história classificará no futuro como classificou os regimes fascistas e nazista da primeira metade do século XX.

Nesta segunda-feira, 15 de março, acabei relendo O Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, livro de 1943. Foi uma leitura por acaso, mas já que estou contando meus clássicos, lá vai a postagem pra contar mais uma obra lida.

Meu blog é um diário aberto, começou com intenções bem legais de compartilhamento de conhecimentos - What I Know Is (wiki) -, lá na época do nascimento da Wikipedia, e a vida foi caminhando e o mundo mudando. 

Fui blogueiro quando fui estudante de Letras, fui blogueiro quando fui dirigente sindical e diretor de entidade de saúde, em mandatos de representação. Tudo isso passou. O blog seguiu. Agora sou blogueiro, um cidadão do planeta terra. Não poderia dizer que sou escritor. Menos, né! Será que posso dizer que sou "blogueiro"? "O que você faz? Sou blogueiro..." (não sei, mas é tão ruim não ser nada...)

Enfim, acordei nesta terça 16 pensando nisso (por que ainda escrevo no blog? Acho que é porque é horrível não ser nada). 

Ontem, não pude sair para correr no fim da noite porque começou o horário com restrições de circulação a partir das 20h (a pandemia está mortal demais!) e eu vinha correndo depois desse horário. Aí peguei O Pequeno Príncipe, que estava de bobeira sobre o móvel, pois minha esposa acabara de colocar uma capa de plástico na velha edição. É uma leitura que sempre emociona... você é responsável por aquilo que cativas...

A edição que li é de 1974, com ilustrações originais em aquarelas do próprio autor e com tradução de Marcos Barbosa.

A outra edição que li e fiz postagem foi uma edição em inglês. A postagem de 2011 pode ser lida aqui. Nela estão diversas citações e passagens interessantes da obra clássica. A leitura de ontem foi mais descompromissada.

Li dois livros em dois dias, no domingo e na segunda. No domingo li um belo romance de Conceição Evaristo, Becos da Memória (ler aqui). Essas leituras foram feitas no intervalo de uma leitura clássica de maior fôlego que comecei na semana passada, Moby Dick. Voltarei agora para Melville.

Vamos vivendo. Vamos lendo. O ser humano mudou após o advento das redes sociais e das tecnologias da informação e da comunicação. Já não nos bastamos, agora só achamos que valemos alguma coisa se somos reconhecidos pelo mundo externo a nós mesmos. A gente escreve por causa dessa coisa que viramos.

William


segunda-feira, 15 de março de 2021

Livro: Becos da Memória - Conceição Evaristo



Refeição Cultural

INTRODUÇÃO

Estamos no mês de março. Estamos no Brasil de regime neofascista e genocida em consequência de um golpe de Estado ocorrido em 2016 - desta vez colocaram no poder os maiores corruptos e lesas-pátrias jamais colocados no poder somando todos os golpes brasileiros. O Brasil é o epicentro da pandemia mundial de Covid-19 e o regime no poder é o maior parceiro do vírus Sars-Cov-2. Brasil e brasileiros, párias do mundo!

Estamos em um dos países mais racistas do mundo, país onde a escravidão humana permanece até hoje, de forma disfarçada desde 13 de maio de 1888, quando deram uma canetada jogando na miséria milhões de pessoas de pele preta para que morressem de fome sem pão, sem terra, sem trabalho. País com 5 séculos de escravidão. País que mais mata negros no mundo, de morte matada e de morte morrida (matada também, sem direitos de cidadania).

Neste domingo, 14 de março de 2021, completaram-se 3 anos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, metralhados por milicianos do Rio de Janeiro, a mando de alguém ainda não revelado pelas autoridades. O Brasil não é para amadores. As forças políticas que organizaram o golpe e a destruição do país estão no poder, infiltradas em todas as instituições da sociedade através de seus representantes, serventes, lacaios e capitães do mato modernos. 

(Sabem quem foi solto neste 14 de março, dia do assassinato de Marielle Franco? O deputado troglodita e fascista que se elegeu às custas de quebrar uma placa em homenagem à Marielle... ele estava preso por ameaçar autoridades e neste domingo foi para prisão domiciliar... esse é o Brasil: solto no dia da morte de Marielle!)

BECOS DA MEMÓRIA

"Escrevo como uma homenagem póstuma à Vó Rita, que dormia embolada com ela, a ela que nunca consegui ver plenamente, aos bêbados, às putas, aos malandros, às crianças vadias que habitam os becos de minha memória. Homenagem póstuma às lavadeiras que madrugavam os varais com roupas ao sol. Às pernas cansadas, suadas, negras, aloiradas de poeira do campo aberto onde aconteciam os festivais de bola da favela..." (p. 17)

A "introdução" no início da postagem é a descrição do contexto em que peguei para ler neste domingo pela manhã o livro Becos da Memória, da escritora Conceição Evaristo, livro escrito por ela nos anos oitenta e publicado em 2006 e depois republicado em outras edições - a minha é de 2017 pela Pallas Editora. É o 3º livro que tenho o privilégio de ler desta intelectual mineira, mulher negra e com uma escrita que nos toca profundamente e nos põe a pensar a vida e o mundo após cada leitura sua. (ler aqui sobre Ponciá Vicêncio e aqui sobre Olhos D'Água)

Amig@s, passei o dia de domingo na companhia das personagens do livro Becos da Memória. Foi inevitável passar o dia revirando os becos de minha memória. Lia Evaristo e via o bairro Marta Helena, onde cresci em Uberlândia, Minas Gerais. Lia Evaristo e visitava as diversas casinhas onde moramos, onde morei (em MG e em SP). Lia Evaristo e via a condição da gente pobre, favelada, da gente preta, da gente miscigenada de peles multicores, mas com cabelo "ruim", como ensinam os brancos que cultuam os preconceitos.

Li Evaristo e passei o dia visitando os becos de minha memória... eu tenho pele branca, tenho irmã preta, tenho família de pele multicor. Família de cabelo "ruim". Todos viemos da pobreza descrita na obra de Evaristo, que aborda o mundo miserável e as condições injustas e absurdas da gente de pele preta escravizada e depois "libertada" na condição de morte sem pão, sem terra, sem trabalho, como os ascendentes da personagem Maria-Nova.

Evaristo nos conta, na edição que tenho, um pouco da história e da gênese do romance. É bem interessante.

"Foi o meu primeiro experimento em construir um texto ficcional con(fundindo) escrita e vida, ou, melhor dizendo, escrita e vivência. Talvez na escrita de Becos, mesmo que de modo quase que inconsciente, eu já buscasse construir uma forma de escrevivência."

GÊNESE: "Em poucos meses, minha memória ficcionalizou lembranças e esquecimentos de experiências que minha família e eu tínhamos vivido, um dia. Tenho dito que Becos da memória é uma criação que pode ser lida como ficções da memória. E, como a memória esquece, surge a necessidade de invenção."

NADA É VERDADE, NADA É MENTIRA: "Entre o acontecimento e a narração do fato, há um espaço em profundidade, é ali que explode a invenção. Nesse sentido venho afirmando: nada que está narrado em Becos da memória é verdade, nada que está narrado em Becos da memória é mentira. Ali busquei escrever a ficção como se estivesse escrevendo a realidade vivida, a verdade."

BANZO: "Na roça, às vezes, meu pai contava histórias e dizia sempre de uma dor estranha, que nos dias de muito sol, apertava o peito dele. Uma dor que era eterna como Deus e como o sofrimento.

     "Totó entendia, era menino, mas, de vez em quando, sentia aquela punhalada no peito. Uma dor aguda, fria, que sem querer fazia com que ele soltasse fundos suspiros. O pai de Totó chamava aquela dor de banzo." (p. 19/20)

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BANZO... uma dor no peito que podemos muito bem nominar a dor que sentimos desde o golpe de Estado no Brasil, desde aquela sessão do congresso em que o lixo fascista falou de Ustra... aquela dor que passamos a sentir no peito ao ver as ofensas a Dilma, ao ver a prisão injusta de Lula, ao ver as 270 mil mortes por Covid-19 por culpa do regime fascista, a dor no peito a cada absurdo, a cada perda, a cada humilhação que sofremos como brasileiros por sermos do país dos bolsonaros. Banzo...

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Amig@s leitores, leitura profunda! Passei o domingo visitando os becos da memória...

- Marielle vive porque seus ideais são os nossos ideais!

William


Bibliografia:

EVARISTO, Conceição. Becos da Memória. 1. ed. - Rio de Janeiro: Pallas, 2017.


sábado, 13 de março de 2021

Moby Dick - Uma aula sobre baleias (em 1851)



Refeição Cultural

Ufa! O sábado 13 de março está terminando. Hoje foi o 6º dia de leitura do clássico do escritor norte-americano Herman Melville. Não li pela manhã como ocorreu entre segunda e sexta-feira. Tive uma agenda cultural diferente (agenda de quarentena de pandemia mundial de Covid-19). 

Pela manhã, assisti ao filme de Francis Ford Coppola, O poderoso chefão, de 1972. Foram mais de 3 horas de filme. Havia relido o livro semanas atrás (ver comentário aqui). Agora vou ver os três filmes baseados no clássico de Mario Puzo. Eu não gosto de ver filmes antes de ler ou reler os livros nos quais eles foram baseados.

A leitura de hoje de Moby Dick foi um pouco cansativa, talvez porque eu estivesse cansado. Para se ter uma ideia, li umas dez páginas e vi que não estava bom o meu entendimento e acabei relendo tudo. Entendo que minha fase de leitor me exige um pouco isso, ser um leitor atento. Enfim, vou até descansar da viagem pelos mares no domingo e ler outra coisa.

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MOBY DICK

"Entretanto, se passarmos em revista todas as alusões sobre o Leviatã feitas pelos grandes poetas da antiguidade, ficareis convencidos de que a baleia da Groelândia era para eles o monarca sem rival dos mares. Chegou porém o tempo de se fazer nova proclamação. Aqui é Charing Cross! Ouvi todos, bom povo: a baleia da Groelândia foi deposta. Reina agora o grande cachalote!" (p. 166)


Li 6 capítulos neste sábado. Conheci Acab, o capitão principal do baleeiro Pequod. Ele perdeu uma perna em uma de suas pescas de baleia. Tem uma perna postiça.

"mal notei que não pouco da sua fealdade predominante era devido àquela perna branca, exótica, sobre a qual ele se mantinha. Antes de mais nada, já me ocorrera a ideia de que aquela perna de marfim fora fabricada com o osso polido da mandíbula de um cachalote." (p. 155)

O papel do narrador na estória é muito importante, ele é um narrador personagem. Ismael é membro da tripulação do Pequod. Ele nos lembra também da importância de alguns membros do navio. Abaixo, ele está falando dos três pilotos:

"Na verdade, dificilmente se poderiam encontrar melhores tripulantes e oficiais, cada qual à sua maneira, e todos três eram americanos: um natural de Nantucket, outro de Vineyard e o terceiro do cabo Cod." (p. 154)

O capítulo "Cetologia" é magistral! Eu fiquei impressionado com as descrições científicas sobre peixes e baleias com direito a citações da época, atualizadas até o ano anterior ao lançamento da obra, 1851. 

Claro que a obra é literatura de ficção, mas a qualidade da técnica ficcional chama a atenção do leitor, auxilia na economia da obra e dá verossimilhança à narrativa. Li até um trecho para meu filho que estuda Biologia para ele ver que legal.

"Não pretendo dar uma descrição anatômica minuciosa das várias espécies ou - pelo menos aqui - apresentar uma longa descrição. Meu objetivo é simplesmente traçar o esquema de uma sistematização da cetologia. Sou arquiteto e não construtor." (p. 167)

O narrador descreve um conceito da época:

"em alguns setores debate-se ainda a questão de saber se a baleia é ou não um peixe. No seu Sistema da natureza, 1776 da era cristã, Lineu declara: 'Portanto, separo as baleias dos peixes'. Mas pelo que sei, até o presente ano de 1850, os tubarões, os sáveis e os arenques, contra o decreto de Lineu, dividem ainda a posse dos mares com o Leviatã." (p. 167)

Logo abaixo, o narrador manda sua opinião e segue adiante com sua narrativa.

"Deve-se dizer, evitando toda polêmica, que adoto a antiga tese de que a baleia é um peixe e recorro ao santo Jonas para me apoiar." (p. 167)

Bem, vamos respeitar porque a narrativa é dele e não nossa (rsrs).

Enfim, serão páginas e páginas de descrição de baleias, segundo o conceito adotado pelo narrador.

Encerro a postagem e vamos descansar um pouco de Moby Dick. A leitura não é leve como foram alguns dos livros que li recentemente. Sei que estou superando uma lacuna cultural importante, uma ficção referencial na linguagem contemporânea.

Abraços aos leitores amig@s. Caso haja interesse em ver postagens anteriores, é só começar por esta aqui, que vai da mais recente até a primeira, em retrospectiva. Para ler na ordem cronológica, é só acessa o blog por plataformas que mostrem a página inteira.

William


Bibliografia:

MELVILLE, Herman. Moby Dick. Tradução de Berenice Xavier. São Paulo: Publifolha, 1998.


sexta-feira, 12 de março de 2021

120321 - Diário e reflexões



Opinião (ou reflexão, ou explosão, sei lá o que é isso!)


Brasil dos bolsonaros, dos bolsonaristas (e dos isentões). Dos cafajestes da casa-grande manipuladora dos miseráveis brasileiros (até dos miseráveis com alguns tostões, dos idiotas tipo "sou classe média"). Sexta-feira de mais uma semana mortal de Covid-19. São 275.105 mortes desde que se noticiou a primeira morte pelo novo coronavírus há um ano. Mas aqui é o país dos bolsonaros, a expansão das armas de fogo de todos os calibres segue firme e forte, e agora armas sem rastros de origem.

Mas ainda tem patrimônio público pra entregar pros golpistas, pros gringos, pros "empresários" de colarinho branco, pra casa-grande, então o genocídio seguirá nos próximos dias semanas meses, ao custo de umas 60 a 90 mil mortes por mês (só por Covid-19, fora os milhares de mortos por falta de leitos em hospitais para qualquer outra necessidade - até dos "classe média" com algum tostão). E os doentes, então? Seremos uma terra de sequelados pela Covid-19 e pelas doenças severinas, que nos levam a diversas mortes severinas.

Mas ainda tem direitos sociais do povo brasileiro pra eliminar. Esta semana mesmo foderam os servidores públicos em troca de uns trocados de auxílio emergencial para o povo (PEC 186). Os servidores não terão mais reajustes por uma porrada de anos, igual fizeram com o SUS e a educação... mas fiquem tranquilos, os banqueiros e rentistas continuam com os seus direitos sociais garantidos!

Então, segue o genocídio, com apoio de todas as outras instituições da sociedade burguesa e capitalista brasileira. Apoio do parlamento. Apoio dos meios midiáticos empresariais. Apoio dos órgãos de "justiça". Apoio dos bilionários. Apoio de parte dos "crentes". E, lógico, apoio de uma parte da população que se identifica e se vê representada pela canalha que colocaram no poder. Se os bolsonaros não tivessem apoio, não estávamos nesta situação infernal.

Essa é a realidade pra registrar. Que mais além de mortes? Tem a volta de Lula ao cenário político. Mas ainda assim, tem as mortes sem prazo pra acabarem. Tem uma esperança por aí ao vermos Lula. Mas não veremos uma mudança para melhor da noite para o dia, não é assim que funciona. Por enquanto, o cenário dos próximos dias semanas e meses é de mortes... unfortunately!

Estou azedo neste fim de dia. Às vezes, isso é preciso, depois de tantos anos de desgraça ao nosso redor é difícil manter o humor e a paciência o tempo todo.

É isso. Eu não tenho medo de morrer. Nunca tive. Mas se tiver um AVC ou infarto (ou uma diarreia mortal) a qualquer momento e morrer, como aconteceu nesta semana com o senhor da feira com quem comprava bananas toda semana (faleceu após um AVC), poderia dizer que estou preparado para o fim? Não sei, talvez ficassem coisas várias a serem feitas ainda. 

E se o vírus desgraçado estiver em mim e eu morrer? Morto não sentiria nada, mas seria uma tristeza para algumas pessoas amadas. (sabe, é tão chocante receber a notícia de mortes como a do senhor da barraca da feira... a vida é um instante. Eu comecei a perguntar o nome de todo mundo com quem lidamos diariamente e nem cheguei a perguntar o nome dele. Que foda essas mortes assim! Meus sentimentos aos familiares e amigos dele)

Chega de registros por hoje. Tô meio de saco cheio. Amanhã estarei melhor...

William


Moby Dick - Nos lançamos ao mar



Refeição Cultural

"Ao mesmo tempo preparou o Senhor um grande peixe, que engoliu a Jonas: e Jonas esteve no ventre do peixe três dias e três noites. (Jonas, II, 1.)"  (MELVILLE, 1998, p. 11)


A leitura de Moby Dick nesse 5º dia foi num horário diferente do planejado. Tenho tentado dormir mais cedo para acordar um pouco mais cedo para ler de manhã, mas nesta madrugada despertei antes das 6h e não consegui dormir mais. Então embarquei no Pequod com a tripulação e nos lançamos ao mar. (caso haja interesse na postagem anterior, é só clicar aqui)

Consegui ler bem e avançar na narrativa. Já se foram 150 páginas e parei e deixei para amanhã o capítulo chamado "Acab". Finalmente vamos ter contato com o capitão Acab (ou Ahab em inglês). Já estamos em alto mar, zarpamos de Nantucket com destino aos Mares do Sul, pelo que entendi, vamos descer todo o Atlântico e contornar o Cabo Horn, lá no Extremo Sul da Patagônia para atingir o Pacífico.

Eu confesso que a leitura de Moby Dick para um militante político como fui a vida toda em um momento da vida nacional como este não é fácil, não é fácil. Mas é necessário! Para minha sanidade e para sobreviver, já que uma das coisas que posso fazer para contribuir socialmente com o povo brasileiro é ficar em casa, com a família, e evitar pegar o vírus e transmiti-lo aos outros.

Viajar é preciso, e a literatura de ficção e certos tipos de leituras nos permitem isso. Concentrando, consigo viajar com Melville; sem concentração, a cabeça se pega nas desgraças do momento. Mas é importante tentar a leitura literária. 

OPINIÃO: me incomoda tanto pensar que pouca gente do povo tem lido, os trabalhadores não devem estar lendo quase nada, as pessoas do povo estão trabalhando como escravos, estão por sua conta e risco sem direitos básicos; os que poderiam ler mais estão o dia todo em jogos e nas redes sociais, e ainda têm as séries, que vieram para capturar os antigos leitores de literatura. Não sou contra jogos nem séries, mas sei que essas coisas estão matando a leitura e a capacidade literária da humanidade.

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O TUBARÃO QUE HABITA EM NÓS

"Não ponhas a perder o nosso arpoador. Nunca se viu dizer que arpoadores religiosos fossem hábeis no ofício. A religião tira-lhes de dentro o tubarão. E um arpoador que não tenha em si um pouco de tubarão não vale um caracol." (p. 118)

Esse fragmento está na parte da estória em que os capitães do Pequod estão escolhendo a tripulação para se lançar por 3 anos ao mar na pesca da baleia. Estão avaliando se aceitam o canibal Queequeg ou não. Eles o aceitaram após ele demonstrar o quanto é bom com o arpão.

Ao entrar no capítulo "Indo para bordo", parei a leitura por um instante. Era perto de 7 horas da manhã. Estava lendo na cozinha. Ouvia os passarinhos lá fora. Olhei pela janela (a foto da postagem) e vi os bem-te-vis brincando na piscina vazia do prédio em frente. Vi passarem diversas maritacas. Me lembrei das viagens a Porto de Galinhas, o cheiro do mar, os bem-te-vis brincando por lá. A ficção nos ajuda a viajar, tanto na obra quanto na imaginação.

O FRIO DO NORDESTE DOS EUA NO NATAL

"Finalmente a âncora foi levantada, içaram-se as velas e deslizamos pelo mar afora. Era um Natal frio e rude, e à medida que o breve dia nórdico surgia da noite encontramo-nos quase em pleno oceano hibernal (...) imensos flocos de gelo, encurvados, pendiam da popa." (p. 133)

Essa passagem de Moby Dick me trouxe a lembrança dos dias que passei em Nova York em uma semana de dezembro de certo ano. Foi uma lembrança tão fácil, pois me lembrei do frio e do gelo no alto do Empire State Building, do gelo na baía em frente à Estátua da Liberdade e do frio que senti naqueles dias.

Enfim, li capítulos muito interessantes nesta manhã de 5º dia de leitura. O capítulo "O advogado" discorre sobre a profissão dos baleeiros naquela época, meados do século XIX. Falou-se de séculos de caça à baleia pelo mundo, até sobre o mundo antigo.

Por fim, Ismael, narrador e personagem presente no navio Pequod, nos apresentou as 3 duplas de pilotos e arpoadores. Um dos pilotos teve um capítulo só para ele, Starbuck. Ele faz dupla com Queequeg num dos botes. Os outros dois pares são Stubb, o 2º piloto, com Tashtego, e o 3º piloto Flask com Daggoo Aasvero.

Na leitura de amanhã, estaremos no Pequod com o capitão Acab e sua tripulação. Se os fados me permitirem, é claro. 

(os tempos estão terríveis! Há instantes, soube da morte do senhor que me atendia numa das barracas da feira. Teve um AVC... como somos frágeis!)

William


Bibliografia:

MELVILLE, Herman. Moby Dick. Tradução de Berenice Xavier. São Paulo: Publifolha, 1998.


quinta-feira, 11 de março de 2021

Moby Dick - Conhecemos o navio Pequod



Refeição Cultural

"Todos os homens tragicamente grandes têm em si algo de mórbido." (MELVILLE, 1998, p. 101)


Nesta manhã de quinta-feira, li dois capítulos de Moby Dick. Foram tantas as informações que acabei parando neles. No capítulo chamado "Chowder", vemos Ismael e Queequeg se hospedarem na estalagem A Panela, na ilha de Nantucket. Chowder é uma espécie de guisado de peixes ou mexilhões com carne de porco e outras coisas.

O nativo Queequeg tem uma espécie de ídolo negro chamado "Yojo", um pequeno artefato, para o qual dirige suas orações. Lá no início da narrativa, quando Ismael conheceu Queequeg na Estalagem do Jorro, soubemos que ele tem consigo uma machadinha de índios norte-americanos, um tomahawk, que também serve de cachimbo a ele, que fuma através do cabo.

O capítulo seguinte - "O navio" - é muito importante por trazer diversas informações para o desenvolvimento da estória. Ismael sempre nos lembra que seu futuro está nas mãos dos fados, da providência. Essa questão dos fados se mostra mais uma vez ao Queequeg sugerir que Ismael vá sozinho ao cais para acertar em qual baleeiro eles vão se lançar ao mar. Yojo foi o responsável por essa decisão de Ismael ir sozinho ao cais.

Assim conhecemos o navio Pequod, "todos os leitores devem saber muito bem que é o nome de uma célebre tribo de índios de Massachusetts, hoje tão extinta como os antigos medos". (p. 96)

Pequod é um navio pequeno e antigo, com mais de meio século de viagens pelos mares. Seu antigo comandante é o capitão Peleg, que junto com o capitão Bilbad, são proprietários da embarcação, que tem ainda outros proprietários acionistas: viúvas, órfãos e magistrados. Pequod é de propriedade coletiva.

Ismael pergunta pelo capitão atual do navio e descobre alguma coisa sobre ele, seu nome é Acab (Ahab em inglês), nome com origem nas escrituras sagradas, como a maioria dos nomes dos moradores de Nantucket, local colonizado pelos quacres, uma seita antiga. O capitão Acab perdeu uma perna na última viagem no baleeiro, num embate com uma baleia.

PLR (Participação nos Lucros e Resultados)

Pasmem! E não é que fui encontrar PLR na obra clássica Moby Dick! A vida da classe trabalhadora é dura já faz muito tempo! Essa questão de remuneração variada, invenção dos proprietários para explorar os trabalhadores despossuídos de seus meios de subsistência ao compartilhar os riscos e embolsar os lucros é antiga.

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"Sabia já que no negócio da pesca de baleia não se pagavam salários, mas todos os marinheiros, inclusive o capitão, tinham certa participação nos lucros. Essas porções eram chamadas tantos e proporcionais ao grau de importância dos respectivos cargos desempenhados." (. 103)

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Para aqueles que achem que isso é um bom negócio para o trabalhador, é só ver o que o próprio Ismael calcula logo adiante. Ele imagina poder sobreviver durante os 3 anos de serviços porque o dinheiro dará para ele comer e só.

"E, ainda que o tanto de 275 avos fosse o que se convencionava chamar um tanto muito fracionado, era, ainda assim, melhor do que nada; e se tivéssemos uma viagem proveitosa, o dinheiro talvez desse para pagar a roupa que eu gastasse, sem falar na minha alimentação durante três anos a bordo, pela qual não teria de pagar nem um centavo." (. 104)

Que coisa, heim! A exploração dos seres humanos é uma coisa muito antiga. É a mesma lógica da escravidão moderna, um proprietário de terras coloca um monte de gente para trabalhar nas suas colheitas e as pessoas gastam o que ganham para comer na própria fazenda. Ao final, ainda estão devendo. O mesmo nas fábricas de roupas, sapatos, peças etc. Nos bancos temos os PRs, programas por resultado: um diretor e um gestor ganham 100 mil e um trabalhador na ponta ganha 500 reais.

É isso! Fim das leituras por hoje, 4º dia de viagem com Moby Dick. Se houver interesse em ler as outras postagens sobre a leitura é só clicar aqui, a última feita.

William


Bibliografia:

MELVILLE, Herman. Moby Dick. Tradução de Berenice Xavier. São Paulo: Publifolha, 1998.


quarta-feira, 10 de março de 2021

Lula é o sol, é inspiração e referência



Lula é o sol, é inspiração e referência do fazer político

O que registrar nesta terça-feira, 10 de março de 2021? O fato mais importante e de maior destaque no Brasil e repercutido em diversos países do mundo foi o discurso e a entrevista coletiva do presidente Lula, que desde ontem recuperou seus direitos políticos após serem canceladas as condenações fraudulentas da Lava Jato em um julgamento do STF, que analisou a suspeição de Moro.

Lula fez mais um discurso histórico para o Brasil e para o mundo. Lula nos dá muito orgulho de estarmos ao lado dele e do lado certo da história neste momento tão triste pelo qual passam o país e o povo brasileiro, momento trágico de desfazimento do próprio Estado nacional e de todo o arcabouço civilizatório conquistado lentamente por séculos de lutas e reivindicações do povo. O golpe de Estado de 2016 foi o mais destruidor da história do país.

Ainda não consegui ver e ler todo o discurso de Lula, pude ver o final do discurso e a parte da coletiva de imprensa. Vou rever com paciência a aula de nosso estadista. Por falar em aulas de estadistas, também estou terminando de ver a entrevista do Genoíno ao Luis Nassif, de hoje também. Que personalidades! Lula e Genoíno. Referências de tudo que fiz durante os 16 anos de mandatos de representação da classe trabalhadora.

Com a história e com os exemplos do presidente Lula, o seu fazer político, sindical e partidário, aprendemos a estar sempre nas bases de representação, sempre nos locais de trabalho falando com os colegas bancários que representava. Com Lula e com as forças políticas que surgiram após aquele período de lutas contra a ditadura, contra a exploração da classe trabalhadora e lutas a favor da democracia, aprendi a ética da política (e não "na" política, como explica Marilena Chauí).

Durante mais de uma década como dirigente sindical aprendi a organizar os bancários, ouvir as reivindicações, mobilizar a categoria e enfrentar os banqueiros. Entre 2003 e 2013 falei com milhares de trabalhadores em assembleias, concentrações bancárias e locais de trabalho ao longo do ano todo e não somente durante alguns dias de campanha salarial. Com Lula, aprendi a falar a verdade para os trabalhadores. 

Quando Lula falou do seu jeito de fazer política, de seu gosto por abraçar, por estar entre os trabalhadores, de ir aos locais mais longínquos para ouvir e apresentar suas ideias para as pessoas, eu me emocionei, porque é assim que fiz política também. Lula citou visitas ao Acre, Roraima, Rondônia e diversos Estados, me lembrei na hora do mandato nacional que tivemos na autogestão em saúde dos bancários do Banco do Brasil. 

Assim como pensa e age o presidente Lula, também fui ao Acre, Amapá, Roraima, Amazonas, Sergipe, Tocantins, a todos os locais, os mais estruturados e os mais simples, mais distantes, com menos eleitores. Viajei horas para ir ao interior conversar com os colegas sobre a Cassi e direitos em saúde. E fui com meus recursos muitas vezes, porque tentaram me impedir de fazer meu trabalho e as pessoas desses locais mereciam a visita do diretor assim como os associados de São Paulo, Rio de janeiro e demais Estados maiores.

Lula, tenho humildade e orgulho de dizer que fiz exatamente como você fazia em seus mandatos. Sempre dialoguei com todas as forças políticas no movimento sindical, com todas as instituições que tinham relação com a Cassi quando fui diretor eleito, falei com o patrão e patrocinador o tempo todo, falei com as entidades representativas e suas lideranças, falei com os trabalhadores e os associados de cada unidade da federação. 

Lula, durante 4 anos de mandato como diretor de saúde dos colegas do BB, estive em 166 agendas públicas para prestar contas do que fazíamos, para informar os trabalhadores da ativa e aposentados, para defender os direitos em saúde deles, para defender a associação Cassi, para organizar e mobilizar todos os envolvidos e para buscar parcerias em prol da saúde e da Cassi, inclusive junto aos adversários políticos, buscando unidade naquilo que era possível, lutar pela saúde das pessoas e pela autogestão com modelo de referência, com atenção primária, medicina de família, prevenção e promoção de saúde.

Lula, obrigado por ser essa referência que você sempre foi. Certa vez, numa reunião política, uma liderança nossa do Banco do Brasil nos disse que certas figuras políticas são como o sol, a gente tem que aprender a ver pra onde a luz do sol está apontando e seguir a luz. Obrigado por ser nossa referência em ética, em prática política e democracia.

Durante os 16 anos em que fui representante eleito de trabalhadores, busquei seguir os princípios e práticas sindicais da CUT e do Partido dos Trabalhadores, apesar de sempre ter sido um militante sindical e não partidário.

Bom retorno, companheiro Lula! Vimos como você traz esperança e alegria para o povo e para a militância e as pessoas progressistas do país e do mundo.

William


Moby Dick - Chegamos a Nantucket



Refeição Cultural

Fui dormir mais cedo. Acordei mais cedo. Estou tentando mudar um pouco os hábitos e estabelecer uma rotina de leitura. Não é fácil mudar costumes. Se quiser ler os clássicos que gostaria de ler, terei que ter disciplina. Afinal de contas, disciplina é liberdade, já dizia o poeta Renato Russo.

A leitura de um grande clássico exige disciplina e até inventividade. Foi assim que superei as mais de 800 páginas do Decameron, de Giovanni Boccaccio, no início da pandemia mundial de Covid-19. Naquela oportunidade, decidi que leria uma narrativa por dia e assim foi feito, cem dias de leitura. Teve dia que precisei ler em pé por causa do sono, mas li.

Chegamos a Nantucket. "Chegamos" porque o leitor viaja com o personagem da ficção. Ontem, pesquisei sobre alguns dos cenários de Moby Dick. Li sobre a cidade de New Bedfort, a ilha de Nantucket, sobre Massachussets e Nova York. O narrador da estória, Ismael, saiu de Manhattan para o Nordeste dos EUA, com o objetivo de se lançar ao mar como marinheiro num baleeiro, partindo de Nantucket.

Na leitura de hoje, conhecemos mais a respeito do nativo dos Mares do Sul, Queequeg, personagem exótico na Estalagem do Jorro em New Bedfort, onde Ismael ficou no final de semana e teve que compartilhar a mesma cama com o nativo.

Vimos um sermão do padre Mapple sobre o profeta Jonas e a passagem dele no ventre de uma baleia. Já na travessia para a ilha Nantucket, o nativo Queequeg é maltratado pelo capitão da embarcação, uma escuna, e mesmo assim o nativo lhe salva porque ele caiu no mar gelado e quem o buscou foi justamente o canibal dos Mares do Sul.

É isso. Se eu mantiver a leitura de 30 páginas por dia, conseguirei ler Moby Dick em três semanas. Caso tenham interesse, leiam aqui a postagem anterior.

William


terça-feira, 9 de março de 2021

A fraude Lava Jato e a pandemia de Covid-19



Opinião:

A fraude Lava Jato e a pandemia de Covid-19

Pois é, pois é... as pessoas deveriam ter vergonha na cara... deveriam, mas como as redes sociais mudaram o comportamento das pessoas, talvez para sempre, elas não têm vergonha. Então, eu fico envergonhado por elas, por aquelas que conheço de longa data.

Vendo o desfazimento da fraude Lava Jato, eu fico pensando nos meus familiares, em alguns amigos e em vários conhecidos... fico pensando neles quando vejo sem euforia e sem emoção as denúncias da Vaza Jato e as decisões duras (e tardias) de alguns ministros do STF a respeito das putarias da quadrilha de Curitiba em relação às criminalidades cometidas por aquela operação fraudulenta chamada Lava Jato contra cidadãos brasileiros, contra instituições públicas e privadas do país, contra a economia brasileira. 

Eu e muita gente do campo progressista sempre soubemos que aquilo tudo era uma operação de destruição do país, dos direitos do povo e dos partidos de esquerda e movimentos sociais e suas lideranças populares. Mas as pessoas que embarcaram nessa destruição de tudo, que apoiaram e endossaram as injustiças e ilegalidades, crimes mesmo, injustiças e crimes contra pessoas inocentes só porque eram de esquerda e a favor do povo, essas pessoas dificilmente sentirão vergonha na cara. Suas personalidades foram alteradas pelo envenenamento ininterrupto dos meios midiáticos e pelas redes sociais e seus algoritmos. Elas nem sabem que mudaram por isso.

Quantos conhecidos, familiares e amigos continuam e vão continuar chamando as lideranças políticas da esquerda de corruptas ("não têm prova de crimes, mas não importa, são corruptos assim mesmo!")? Quantas dessas pessoas que conheço teriam coragem e a humildade de dar um passo atrás e procurar entender em que momento foram manipuladas para o ódio cego, para a negação da realidade, para agirem contra a ciência que trouxe a humanidade até aqui? Quantas vão reconhecer que é possível fazer política para o bem de todos no país e em paz sem precisar de violência, ódio ódio e mais ódio e intolerância? 

- Oi! Tem alguém aí? Tem algum apoiador da Lava Jato, dos tucanos, dessa imprensa golpista e canalha, apoiador desses mafiosos milicianos no poder? Tem algum conhecido meu por aí, apoiador dessa tragédia toda? Se tem, olha que merda fizeram com nossa vida, com nosso mundo, com nosso país!

Hoje morreram 1972 pessoas de Covid-19. Já morreram 268.370 brasileiras e brasileiros. Já se contaminaram pelo vírus 11,12 milhões de pessoas nesta terra da jabuticaba. Alguns estudos mostram que 1/4 dos infectados por Covid-19 acabam morrendo depois por causa das diversas sequelas que a doença deixa em nossos corpos, mesmo nas pessoas que foram assintomáticas. 

Os outros 200 países do mundo estão lidando com a pandemia de forma científica e preocupados com a vida das pessoas. Aqui o regime fascista atua em favor do vírus e pela morte dos brasileiros. É um genocídio!

Não fomos vacinados ainda e não tem vacina para todos nós porque os criminosos no poder não querem nos vacinar, eles estão no poder por voto de gente como vocês! Vocês apoiadores dessa merda toda têm noção disso? Vocês têm consciência que eu, vocês e nossos entes queridos podemos morrer de uma semana pra outra por causa do voto de vocês na direita e extrema direita? Caralho! 

É isso que eu queria dizer e registrar hoje, terça 9 de março de 2021! 

A pandemia é uma tragédia da natureza, mas poderia ser tratada de forma diferente pelas autoridades políticas no Brasil se os representantes do povo no poder fossem outros, se os políticos em maioria nos executivos e legislativos não fossem os políticos votados e ainda apoiados por essa gente do bolsonarismo, do lavajatismo, do morismo, dos negacionistas, da extrema direita, essa gente ignorante porque quer ser ignorante.

Vejo toda essa merda que virou nosso mundo de forma desapaixonada, porque os riscos de uma guerra civil e diversos golpes e mortandades são grandes no Brasil. Apesar das decisões do STF de hoje e de alguns parcos acontecimentos contra os golpistas no poder, não vejo nada de novo no front.

William

Post Scriptum:

Não bastaram as prisões de pessoas inocentes que passaram longos meses na cadeia sem crimes, sem provas: prisões políticas. Um reitor de uma universidade pública se suicidou por causa das humilhações e dos abusos sofridos por parte dessa gente desumana e fascista mancomunada naquela operação fraudulenta para destruir o país, prejudicar politicamente segmentos sociais das camadas populares e influenciar nas eleições do Brasil e enriquecer os desgraçados que controlavam a operação. Quem vai pagar pela morte do reitor Cancellier?


Moby Dick - Preparos para nos lançarmos ao mar



Refeição Cultural

"Porém a fé é um chacal que se alimenta entre os túmulos e mesmo desses dilemas mortais tira a sua esperança mais fundamental" (p. 60)


E assim como dissemos ontem, nos desligamos do mundo pela manhã e embarcamos com Melville nas aventuras do personagem Ismael em busca de se lançar ao mar num baleeiro como um simples marinheiro.

Após ser apresentado a Ismael, hoje acompanhamos as aventuras dele numa hospedaria em New Bedford, cidade na costa Leste dos Estados Unidos, em Massachusetts. Ele está na Estalagem do Jorro e quer chegar à ilha Nantucket, tradicional local de pesca da baleia.

A descrição dos acontecimentos na estalagem é bem exótica, pra dizer o mínimo. Não há quartos disponíveis e o dono do local sugere que Ismael divida uma cama com outro hóspede. Ele é obrigado a aceitar pelas circunstâncias.

O companheiro de cama de nosso narrador é uma espécie de selvagem canibal vindo do outro lado do mundo: 

"o arpoador em questão acaba de chegar dos Mares do Sul e trouxe consigo, da Nova Zelândia, um lote de cabeças embalsamadas..." (p. 42)

Ao fim e ao cabo, eles dormem juntos, Ismael acorda abraçado com o sujeito de nome Queequeg, que não larga sua machadinha pra nada (um tomahawk).

TÉCNICA NARRATIVA

A composição da estória é bem interessante, o narrador dialoga com os leitores assim como vemos em outros escritores como Machado de Assis:

"Mas Queequeg, como os leitores devem ter compreendido, era um homem em fase de transição: nem lagarta nem borboleta." (p. 52)

A descrição do cenário da estória é bem legal, da hospedaria, das regiões costeiras tanto em Manhattan ("cidade do velho Manhatto") quanto em New Bedford.

Gostei de algumas filosofadas do narrador. Ele cita Adão e fala do tempo passado em relação a ele, 60 séculos.

Num momento de lembranças da infância do narrador, ele se lembrou que pedia para que sua madrasta o castigasse batendo nele ao invés de colocá-lo de castigo... na hora lembrei de minha infância pedindo o mesmo pra minha mãe (rsrs). Eu odiava ficar de castigo!

Seguimos na aventura. Em breve, nos lançaremos ao mar. 

Ver a postagem anterior aqui.

William


Bibliografia:

MELVILLE, Herman. Moby Dick. Tradução de Berenice Xavier. São Paulo: Publifolha, 1998)


segunda-feira, 8 de março de 2021

Moby Dick



Refeição Cultural

Após finalizar a leitura de Madame Bovary (1856), do escritor francês Gustave Flaubert, fiquei matutando a respeito do próximo clássico a ser lido por mim, refletindo sobre qual seria a próxima viagem no tempo em relação aos grandes clássicos da literatura mundial. 

São tantos clássicos a ler que a gente fica completamente perdido sobre a escolha de qual seria o próximo se houvesse a chance de ser o último a ser lido, ainda mais quando a vida humana se tornou tão instável e algo tão sem valor para os donos do poder (eles são responsáveis pelas diversas mortes severinas que nos ameaçam o tempo todo como as mortes por Covid-19 no Brasil).

Pensei comigo se pegava algum livro relacionado às causas políticas das mulheres por estarmos no mês de março. Não! Estou muito decepcionado com os seres humanos para ter mulheres ou homens, pretos ou pobres a pesarem na minha escolha de leitura de ficção. Às vezes, eu não consigo perdoar os povos por não fazerem nada em relação aos poucos que dominam tudo. É muita paz na miséria pro meu gosto.

Tinha em mente escolher um entre três livros de ficção: Moby Dick (1851), do norte-americano Herman Melville; As viagens de Gulliver (1726), do irlandês Jonathan Swift e As aventuras de Robinson Crusoé (1719), do inglês Daniel Defoe. Pelo que se pode perceber, todos eles são de séculos passados e seus personagens se lançaram ao mar em busca de aventuras ou de mudanças em suas vidas.

Fui dormir no domingo pensando a respeito da escolha do livro e na segunda-feira pela manhã, 8 de março, decidi pela leitura de Moby Dick. O livro é um catatau com 650 páginas. Vou estabelecer uma rotina de leitura. Vou ler pelas manhãs, com o celular desligado. 

Assim fiz no primeiro dia de leitura, li pouco, mas iniciei a jornada. A leitura neste 8 de março não foi fácil. O celular desligado de manhã sendo a data uma referência para a luta das mulheres faz a gente estar com a atenção dividida entre a leitura e a pauta das mulheres. Queria escrever algumas linhas a respeito.

Ao ligar o celular, soube da decisão de um dos caras da justiça responsável pela prisão injusta do presidente Lula por 580 dias numa masmorra em Curitiba: anulou condenações... a gente até desconfia. Aí que ler e escrever sobre literatura ficou mais difícil ainda. O sujeito "anulou" as condenações inventadas contra Lula, mas tudo indica que tem outras tramoias por trás disso (opinião minha). Tramoias do tipo livrar a cara dos canalhas corruptos da Lava Jato e continuar a perseguição a Lula em outras instâncias.

MOBY DICK

Enfim, iniciei a jornada literária. As primeiras páginas são fragmentos de textos com citações sobre baleias, textos de várias fontes e séculos diversos. Em seguida, conhecemos o narrador da estória. Ismael nos apresenta suas justificativas para se lançar ao mar como um simples marinheiro de um navio de pesca de baleias. Diz querer fugir do spleen (uma espécie de melancolia ou mal-estar com a vida), elogia o elemento água, fala sobre o destino (Providência) e enaltece a humildade e o ato de servir.

Ficamos sabendo que ele vai atravessar o país para se lançar ao mar pela costa do Pacífico. Ele tem alguns tostões no bolso e escolhe uma hospedaria para pernoitar no fim de semana até que se inicie sua jornada pelos mares. 

(post scriptum: ao seguir na leitura e pesquisar sobre o cenário, percebi que o narrador personagem Ismael foi de Nova York para Massachusetts, a Nordeste. Seu desejo era chegar a Nantucket, uma ilha, mas precisou passar o final de semana em New Bedford, região tradicional no século XIX pela caça à baleia. Eu me confundi porque ele quer chegar ao Pacífico através do Cabo Horn, no Extremo Sul do continente americano, na Patagônia)

É isso. Vamos seguir com a leitura nos próximos dias...

William

Post Scriptum:

Sempre que pego um livro de séculos atrás para ler é inevitável pensar na condição de confecção da obra. É algo fascinante porque por mais que tentemos imaginar a condição do escritor e da escritura do texto, não conseguimos nos colocar na condição deles. Hoje se escreve em tela de computador, se compra as comidas pela internet, se tem luz no conforto de nossas casas etc. Imaginem Melville em 1850 na costa leste dos Estados Unidos: o café da manhã, os materiais de composição do texto, papéis e tinteiro, o local, a luz etc. Conseguem imaginar? Para mim, foi fácil esquentar no fogão um pãozinho amanhecido, um leite com café solúvel e sentar-me na cozinha pra ler a obra dele. É isso!


8 de março



8 de março

Depois de uma vida envolvido nos movimentos sociais, principalmente o sindical, eu não sei o que dizer neste dia. As coisas ficaram tão estranhas na sociedade humana na atual fase do capitalismo e neoliberalismo que chegamos aonde chegamos.

Vivo num país no qual os piores seres humanos estão no poder em todas as instâncias do Estado burguês... o mal está nos executivos e legislativos por voto! Estamos sob a hegemonia de pensamento único ditado pelo capital.

A maioria do povo é composta por mulheres e por gente de pele preta ou parda, e por pobres pobres pobres. Essa maioria colocou o mal no poder. O mal no poder destruiu e segue destruindo todas as conquistas que as mulheres e o povo de pele preta haviam conquistado em décadas de lutas, suor, sangue e lágrimas.

O ódio, o medo e a intolerância são os sentimentos que prevalecem nos seres humanos neste momento da história, inclusive naqueles e naquelas que pertencem aos movimentos sociais. Se erro na palavra dita no dia 8 de março posso ser até hostilizado e "cancelado" pelo pessoal do meu lado da história. 

Se diz ou não se diz "parabéns" ou "felicidades" pelo seu dia? O dia é de luta, de consciência ou de comemorações? Poderia ser tudo isso e muito mais, mas as pessoas estão tão sem paciência, tão guetizadas, bolhas e mais bolhas.

As últimas eleições foram há poucos meses, em novembro passado, o mal saiu vencedor em quase todos os recantos do país (o pensamento de direita e conservador é o mal para os povos do mundo), o mal venceu nos milhares de municípios.

O país no qual vivo segue tendo uma maioria de mulheres e gente de pele preta. Mas o mal segue prevalecendo pelo voto. Os direitos das mulheres e das pessoas de pele preta ou parda continuam a ser destruídos, os direitos básicos da imensa maioria das pessoas que dependem da venda de sua força de trabalho para sobreviver seguem sendo eliminados e uma pequena parcela de seres humanos acumula cada vez mais todos os bens e riquezas produzidos pelos seres humanos. (mas não tem revolução nem desordem, tudo segue em paz)

O mal segue tendo maioria nas representações nos executivos e legislativos. Parte do povo deste país segue apoiando o genocida machista, racista e sexista que lidera a mortandade e destruição do país. Quando se fala em 15%, 25% ou 1/3 de apoio estamos falando de 30 milhões de pessoas, 50 milhões de pessoas, estamos falando, por exemplo, de 57.797.847 mulheres, gente de pele preta, pobres das mais diversas esferas e de boa parte dos espertos que pertencem ao 1% que manipula todo o restante do povo.

Que dizer neste 8 de março? Talvez dizer que nós seres humanos temos muito que aprender e muito que lutar para quem sabe um dia vivermos numa sociedade igualitária, justa, solidária e sustentável.

William

sábado, 6 de março de 2021

Por que ler os clássicos?



(redação melhorada algumas vezes até 14h35, de 7/3/21)

Refeição Cultural

Em um momento deste sábado, 6 de março, comentava com minha esposa sobre uma questão trivial e doméstica: uma suposta diminuição de cabelos e uma tendência a ficar careca, coisa estranha no meu caso porque isso não é um fator genético em minha família e sempre tive muito cabelo. Avaliei que o fato talvez se deva à questão do estresse psicológico que tenho vivido desde o golpe de Estado no Brasil e suas trágicas consequências. 

As pessoas conscientes estão sofrendo tanto com a destruição do Brasil que os efeitos poderiam ser semelhantes a traumas de guerra ou situações de extremo desgaste emocional, e os efeitos no corpo podem ser terríveis em situações assim. 

Na hora do comentário, corri à estante, peguei um livro, abri certa página e li para ela, com lágrimas nos olhos:

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"(Sarajevo, 1946.) Aqui, como em Belgrado, vejo nas ruas um considerável número de moças cujos cabelos estão ficando grisalhos, ou já o estão completamente. Têm os rostos atormentados mas ainda jovens, enquanto as formas dos corpos traem ainda mais claramente sua juventude. Parece-me ver como a mão desta última guerra passou pelas cabeças desses seres frágeis [...]

     Tal visão não pode ser preservada para o futuro; estas cabeças logo se tornarão mais grisalhas ainda e desaparecerão. É uma pena. Nada poderia falar tão claramente sobre nossa época às futuras gerações quanto essas jovens cabeças grisalhas, das quais se roubou a despreocupação da juventude.

     Que pelo menos tenham um memorial nesta notinha. 

           Signs by the roadside (Andric, 1992, p. 50)" (in: HOBSBAWM, Era dos extremos, São Paulo: Companhia das Letras, 2006) 

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Se pessoas como eu, com experiência e certo coro grosso - que vivi décadas enfiado nas lutas sindicais e do mundo das guerras entre capital e trabalho - sentem os efeitos psicológicos da destruição total do presente e das perspectivas de futuro, imagino como estão sofrendo e estão perdidos os jovens como nossos filhos e sobrinhos, dos quais "se roubou a despreocupação da juventude", jovens que estavam no meio do caminho em suas graduações universitárias e sentiram na pele toda a destruição causada por esses desgraçados no poder por golpe e por manipulação do comportamento do povo brasileiro através das ferramentas tecnológicas e políticas da atualidade, ferramentas sob o poder da elite porque são necessários recursos financeiros elevados para o efeito desejado em escala.

O ato de ler clássicos como Hobsbawm nos capacita para a argumentação ao obtermos referências sobre a vida como ocorreu comigo no instante em que citei a passagem do livro Era dos extremos. Italo Calvino nos fala sobre isso em seu artigo memorável.


Hoje terminei a leitura de mais um livro clássico da literatura mundial - Madame Bovary, publicado por Flaubert em 1856. Ler os grandes romances, ensaios e textos filosóficos nos faz crescer mentalmente, nos faz ter referências na análise dos diversos contextos da vida e da sociedade humana.

O contexto da pandemia mundial de Covid-19 e a saída da condição de venda de minha força de trabalho para o modo de produção capitalista após quase quarenta anos de trabalho têm permitido que eu tente ler um pouco mais leituras literárias, históricas e filosóficas ao sabor do meu desejo. Não tanto quanto eu imaginei porque minha cabeça política me vincula a todo o sofrimento causado pela destruição do mundo que ajudei a construir nas últimas décadas e isso emperra minha capacidade de leitura.

Italo Calvino enumera um conjunto de conceitos muito interessantes em relação aos motivos para se ler os clássicos. E de fato, se eu pensar rapidamente nos últimos que li, virão em meu auxílio os conceitos que Calvino argumenta em seu artigo. Ganhar experiência e referência é um deles. Veja o que ele diz em relação às leituras na juventude, por exemplo:

"Podem ser (talvez ao mesmo tempo) formativas no sentido de que dão uma forma às experiências futuras, fornecendo modelos, recipientes, termos de comparação, esquemas de classificação, escalas de valores, paradigmas de beleza: todas, coisas que continuam a valer mesmo que nos recordemos pouco ou nada do livro lido na juventude." (CALVINO, Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000)

Em tempos de morte como os tempos que vivemos, com um regime genocida no poder e com a pandemia mundial, livros como A Rosa do Povo, de Drummond, nos fornecem dezenas de versos e pensamentos para dizer, escrever, pensar, gritar, sentir, acolher ao próximo, enfim... nesses dias estou dizendo o tempo todo "o essencial é viver!", verso final do poema "Passagem da Noite".

E assim nos lapidamos, crescemos e ganhamos referências novas com os livros recentemente lidos desde o início até o fim e de uma vez, do ano passado pra cá, ou iniciados há muitos anos e retomados e terminados agora, como foram os casos dos livros do Eduardo Galeano, do Hobsbawm, do Boccaccio (mais apropriado para se ler na pandemia, impossível!), dentre outros. Que dizer, então, da releitura de O processo, de Kafka, para se pensar o Brasil, a Lava Jato, o golpe "com Supremo com tudo"? Quem nunca citou um trecho de poemas de Brecht que atire a primeira pedra (rsrs).

E agora, finalizei a leitura sobre a estória de Ema Rouault (Bovary, após se casar com Carlos). Valeu a pena ler esse clássico? Valeu. Impressiona saber que não mudou muito na atualidade a condição da mulher, a visão da sociedade burguesa em meados do século XIX na França, o racismo, a mercantilização de tudo, o embate entre a ciência e a religião, o patriarcalismo, o machismo, tudo tudo é muito atual se pensarmos que o livro foi escrito num contexto de capitalismo e burguesia de 165 anos atrás.

Enfim, em meio a tanta miséria e tristeza por sermos um povo tão bárbaro e ignorante como o Brasil se mostrou ao mundo após o golpe de 2016, é melhor lermos os clássicos do que não lermos, como diz Calvino ao finalizar seu artigo.

Abraços e se cuidem, se puderem, evitem sair nessas semanas em que estamos num crescendo da contaminação e mortes por Covid-19.

William

Post Scriptum:

Por que a cachaça na foto dos clássicos? Porque só tomando uma dose pra comemorar o meu feito literário! Achei que nunca fosse acabar livros como A era dos extremos, Decamerão e Madame Bovary. Viva! Saúde!


quinta-feira, 4 de março de 2021

Genocídio - A culpa não é do inominável no poder



Opinião

O genocídio que está em andamento no Brasil não é culpa do sujeito que ocupa a cadeira da presidência. Não é ele o responsável. Francamente, aquele inumano troglodita e seus familiares e demais bandidos são apenas parte do sistema responsável no país pelas mortes por Covid-19, pelas mortes dos indígenas, pelas mortes pela matança descontrolada e sem punição das forças públicas armadas e matando quem bem entendem nas periferias e nas ruas das cidades.

Aquele sujeito abjeto e demoníaco não é o culpado pelo genocídio em andamento. Ele é um sujeito mau, isso está claro, é obcecado por maldades, mas ele é o executor do projeto em andamento, por isso não caiu ainda.

Se os donos dos meios de comunicação quisessem, se os caras que colocaram ele no poder quisessem, se ainda não tivessem interesses escusos, canalhas e talvez inconfessáveis, se a canalha toda que colocou esse psicopata no poder quisesse, já teriam tirado ele de lá, ou tirariam ele de lá em poucas semanas.

Mas ainda tem patrimônio público pra entregar, ainda tem riqueza pública pra roubar, ainda tem alguns direitos sociais pra destruir, ainda tem gente demais pra reivindicar direitos sociais e constitucionais ao Estado, ou melhor, ainda tem gente que poderia reivindicar seus direitos caso a máquina de manipulação fosse utilizada para movimentar as massas.

Há um genocídio em andamento no Brasil. Os bilionários ficaram mais bilionários ainda durante a pandemia mundial de Covid-19. Os bilionários ficaram mais bilionários ainda após o golpe de Estado perpetrado pelos responsáveis pelo genocídio em andamento. 

O troglodita psicopata inominável não é o culpado pelo genocídio. Os culpados pelo genocídio estão comendo de talheres de prata, usam perfumes caros, roupas de grife, estão falando mentiras todos os dias nos meios de comunicação, com suas caras de poste, estão cagando e andando para as centenas de milhares de mortes em andamento.

Há um genocídio em andamento! Que desgraça! A gente sofre por ter um mínimo de conhecimento de mundo, e a gente se pergunta se seria melhor ser ignorante como os ignorantes (porque sofrem menos ou nem sofrem), mas é melhor ter consciência política e leitura de mundo do que ser um completo ignorante.

Há um genocídio em andamento. O genocídio só continua porque aqueles que colocaram o inominável no poder ainda querem ele lá, porque ainda tem patrimônio público pra roubar, direitos sociais pra destruir.

Essa é minha opinião. Numa sociedade com pena de morte institucionalizada, o culpado pela execução das sentenças de morte não é o carrasco que aperta o botão ou que puxa a alavanca da forca ou da guilhotina. Isso é assim há séculos.

Há um genocídio em andamento. Há um grupo de gente ficando mais bilionária a cada segundo. Que merda tudo isso!

Pelo fim do capitalismo. Pela construção de uma sociedade socialista.

William