segunda-feira, 6 de abril de 2020
060420 (d.C.) - Diário e reflexões
Estou com raiva de um monte de coisas, mas seguimos na mesma: resistência e desejo de viver, nem que seja para ver as mudanças que virão, que podem ser pra melhor ou pra pior. Uma coisa é certa: não quero a volta da "normalidade" de antes da pandemia do Covid-19
Que dizer sem ofender ou agredir as pessoas, o que sinto em relação ao humano que num cenário de pandemia do novo coronavírus se comporta como se nada estivesse acontecendo no mundo? Nada! Pelo contrário, ao invés de só ficar na sua "porraloquice" suicida de não aceitar as sugestões de ficar em casa, tendo condições de ficar, a pessoa sai o tempo todo de casa se colocando como vetor dos vírus que necessitam de corpos humanos para se espalharem!
E o que dizer se esses "porralocas" fazem parte dos chamados grupos de risco, com idade avançada, com doenças crônicas ou outras características que facilitem o contágio pelo vírus e o agravamento da condição de saúde (pessoas bolsonaristas?) e podem ampliar em muito a busca por leitos hospitalares, sobrecarregando o sistema de saúde existente, fazendo com que aumentem e muito as chances das demais pessoas afetadas pelo vírus morrerem sem atendimento?
E se as pessoas que incentivam isso são conhecidas, populares e influenciadoras? E se forem autoridades públicas e políticos, então? E se forem as pessoas que podem elas mesmas fazerem o isolamento em suas luxuosas mansões e o interesse delas seja claramente para manter em circulação milhares de pessoas que elas exploram para lhes arrancar toda a mais-valia possível e se elas morrerem pouco importa, já que o exército de miseráveis e famintos disponível é enorme?
Qualquer pessoa livre, ou que desejaria estar livre, ou que pudesse ser livre, sabe que a liberdade de poder sair e andar por aí, de fazer o que der na telha é algo essencial da natureza humana. Ninguém tá fazendo o isolamento e a quarentena enfurnado em casa porque quer! Aliás, já sabemos que uma imensidão de gente precisa circular e trabalhar; uma outra imensidão de gente não tem casa pra ficar, não tem comida, não tem nada. Mas e pessoas como nós que temos uma remuneração mensal que nos permite ficar em casa, junto aos nossos entes queridos? Temos que ficar perambulando por aí?
Cara, que raiva dessa gente ignorante, insensível e provocadora que está ao nosso redor, gente até de nossa relação! Na convivência em sociedade, todos têm que fazer a sua parte, e pouco adianta a gente ficar se esforçando para ficar confinado em casa porque entendeu o porquê enquanto outros não colaboram! Se numa casa com quatro ou cinco pessoas, uma só decidir ser a "porraloca" enquanto as outras acatam as sugestões das autoridades, aquela que se expõe pra cima e pra baixo pode contrair o vírus e matar todos dentro daquele ambiente. Que nome daríamos pra isso? O que contaminou todos os outros é o quê?
Sabemos que as autoridades de saúde e da ciência do mundo todo nos pedem para praticar o isolamento social e a quarentena em casa, para que se reduza a rapidez com que o vírus se espalha, fazendo com que os sistemas de saúde colapsem, sem condições de atender a todos que precisarem de atendimento médico num curto espaço de tempo, e atendimento com estrutura auxiliar de manutenção da vida. Milhares de pessoas estão morrendo diariamente em países chamados de desenvolvidos! Seus sistemas de saúde colapsaram.
Chega por hoje! Estou com vontade de falar umas merdas e isso não é bom! Imaginem a minha indignação, então, quando olho ao meu redor com a consciência política que desenvolvi ao longo de décadas de movimento de luta dos trabalhadores e vejo cenas cotidianas esdrúxulas como, por exemplo, parte do povo brasileiro ver em Mandetta o salvador da pátria do governo Bolsonaro... Pelo amor dos meus filhinhos! O cara coloca um jaleco do SUS e parece que ele passou a valorizar o nosso Sistema Único de Saúde que quer ver privatizado e destruído!
Imaginem, então, a loucura que é ver a porcaria da Rede Globo ser quase que a única opção de canais abertos no Brasil continental para o povão ver as atualizações da pandemia do Covid-19, já que as emissoras do Sílvio Santos e do Edir Macedo são canais oficiais do bolsonarismo. A mesma coisa com a Bandeirantes e a nova CNN. Gente, é uma situação apocalíptica.
Temos que sobreviver, e contar com a ajuda da ciência, da razão dos poucos que a tem, com ajuda da paciência, com ajuda da sorte, do acaso, dos deuses, dos orixás, do universo.
Ahh, ia me esquecendo: se for para as coisas voltarem ao "normal" do atual modo de produção capitalista, com 1% detendo todos os meios de produção e toda a riqueza produzida no mundo; zilhões de miseráveis sem nada e ou se matando de trabalhar ininterruptamente só para comer e se reproduzir; esses caras do 1% destruírem o planeta Terra porque não pensam nos outros nem no amanhã etc... É melhor que não voltemos ao ontem, porque já não dava mais. Ou se expropria e distribui toda a riqueza desses desgraçados do 1% ou é melhor acabar o mundo!
William
sábado, 4 de abril de 2020
Leitura: Decamerão (1353) - Giovanni Boccaccio
Refeição Cultural
Hoje é sábado, dia 4 de abril de 2020 (d.C.)*.
Estamos vivendo uma pandemia mundial. O mundo parou literalmente desde o início do ano. A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) foi identificada inicialmente na China e depois se espalhou pelo planeta (que alguns animais humanos dizem ser plano, apesar de serem bípedes e com telencéfalos altamente desenvolvidos, como disse o cineasta Jorge Furtado, no documentário Ilha das Flores, de 1989).
Neste momento, já passa de um milhão o número de pessoas atingidas pelo vírus e mais de 60 mil perderam suas vidas, sendo que Itália, Espanha e demais países da Europa foram fortemente atingidos. Agora a pandemia avança nas Américas, e um dos novos epicentros dela são os Estados Unidos. Semanas atrás, o presidente de lá e o de cá afirmaram que a pandemia era um exagero, coisa de gente alarmista, e que não passava de uma "gripezinha".
No Brasil, os efeitos da pandemia começam a aparecer. Como o Brasil é diferente de tudo no planeta - país jabuticaba, onde preto é racista, pobre é de direita e funcionário público é contra o Estado -, temos aqui uma situação trágica de ordem política, social e econômica que torna imprevisível o que virá com o avanço da pandemia. (O país já se encontra destruído com a pandemia do bolsonarismo)
O país sofreu um golpe de Estado em 2016 e o pouco que havia de civilidade e normalidade institucional republicana foi se desfazendo ao longo dos anos até chegarmos ao momento atual: fraudes eleitorais fizeram com que tivéssemos na cadeira da presidência um ser chamado Jair Bolsonaro. Aliás, sua prole está na Câmara, no Senado e dizem haver parentes e amigos do clã enfiados até nos almoxarifados do poder.
É nesse cenário real que peguei para ler o clássico de Giovanni Boccaccio. O Decamerão foi composto entre os anos de 1348 e 1353, após a peste que devastou a Europa naquele período. No romance, dez jovens, sendo sete moças e três rapazes, narram cem novelas em dez dias ou jornadas, origem grega do nome Decamerão. Eles se reúnem numa propriedade nos arredores de Florença e ali se revezam narrando as histórias de amor, de aventuras, de sabedorias, de vilanias, de sofrimento etc. Talvez este seja um dos livros mais apropriados do mundo para lermos neste momento da história.
Estamos em quarentena em casa. A quarentena é sugestão das autoridades sanitárias e médicas do mundo todo. Em alguns lugares é ordem, em outros é sugestão. Chamam de isolamento social horizontal ou vertical. Mas no Brasil, como disse, tudo é diferente do mundo. Os degenerados no poder federal atuam contra tudo e todos. Querem que todos peguem a doença, conquanto que seus financiadores e apoiadores bilionários não parem a exploração da mais valia da massa de miseráveis brasileiros. Segundo os empresários que financiaram o bolsonarismo, não tem problema "morrer uns 7 mil".
Por fim, para o momento, digo que li o proêmio (um prefácio), onde o autor-narrador descreve o porquê da obra e depois li uma espécie de introdução dentro da primeira jornada, descrevendo o cenário em que se passam os acontecimentos do romance no qual os personagens estão reunidos e contando histórias.
Já li três novelas, as narrativas com as histórias dos personagens senhor Ciappelletto, senhor Giannotto e senhor Melquisedeque. Li uma por dia: anteontem, ontem e hoje.
Faltam 97 novelas ou histórias. Serão 97 dias. Não tenho pressa, estou em quarentena mesmo. Vamos ver se chegamos ao fim das dez jornadas com as dez narrativas em cada uma delas, o que equivale às 100 histórias, que no meu caso serão narradas (lidas) em 100 dias. Que essa peste não me pegue! A do coronavírus, quero dizer! Porque a do bolsonarismo nos pegou a todos, querendo ou não, apoiando ou não essa doença. As consequências estão aí. É um salve-se quem puder.
Estamos vivos, então sigamos...
William
*Diversos analistas e intelectuais afirmam que o mundo mudou após a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Dizem que nada será como antes na forma como a sociedade atual está organizada. Eu estou brincando com o conceito antes e depois do Covid-19 (a.C. - d.C.).
Marcadores:
A morte,
Brasil,
CEM Clássicos,
Contos,
Giovanni Boccaccio,
História,
Itália,
Leituras de livros,
Literatura Italiana,
Medo,
Pandemia,
Política,
Refeição Cultural,
Tempo,
William Mendes
sexta-feira, 3 de abril de 2020
030420 (d.C.) - Diário e reflexões
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Carlos Drummond de Andrade, em Sentimento do Mundo, 1940)
Acordei cedo nesta sexta-feira 3 para ir buscar os pães que encomendamos ontem; eles foram entregues na portaria do prédio. Estamos em quarentena em tempos de pandemia do Covid-19. Moro na região mais afetada pelo vírus no Estado de São Paulo, a região Oeste que inclui a cidade de Osasco. Já soubemos de dois casos confirmados no condomínio onde moramos. Essa pandemia faz parecer que vivemos um jogo fatal de roleta russa: terei sorte ou azar?
Hoje faz cinquenta e um anos que nasci. Não estou nem feliz nem triste. Só estou aqui, estou vivo. Nunca sabemos o dia de amanhã. Antes da pandemia do novo coronavírus a gente podia morrer de infarto, câncer, AVC, por violência ou por acidente. Essas mortes são muito comuns na nossa sociedade e nas estatísticas da comunidade a qual pertenço, a dos bancários do banco público BB. Também poderia morrer de qualquer outra coisa, é lógico! Até por engasgo ou por uma "gripezinha" com agravamentos.
Ao olhar para trás, ao olhar ao redor, ao olhar para o amanhã, a gente sente tanta coisa esquisita, sentimentos difusos, tristezas, algumas sensações de alívio por ter feito a coisa certa, desilusões, gratidões diversas. O momento não nos ajuda a sentir felicidade alguma, sequer esperanças a gente consegue vislumbrar quando olha o que viraram as pessoas do nosso mundo, do nosso cotidiano; o tiozinho da padaria ou da portaria do condomínio; sua tia ou seu colega de infância.
Ao olhar ao redor, sinto que a vida me deu mais do que eu esperava, tendo ou não merecido. Estou melhor que meus pares da classe trabalhadora. Estar bem é bom porque não fiz nada errado e posso ajudar de alguma maneira pelo menos as pessoas de minha relação pessoal que precisem de apoio, e também posso ajudar os outros; mas isso me dá um aperto estranho no peito, uma vontade de chorar, algo difícil de explicar. Me sinto mal por ver meus pares sofrendo tanto nos locais de trabalho, ou desempregados, ou contaminados pela ignorância doentia do bolsonarismo. Eu fui dirigente sindical e tentei fazer formação política a vida toda. Onde erramos?
Ao olhar para trás, nem posso me demorar, porque senão corro o risco de voltar a sentir coisas ruins que senti por muito tempo na vida. Vivi o ódio intensamente, vivi o sentimento de morte também. Desde a adolescência, eu sentia um ódio mortal pelos ricos, pela burguesia, pelos lacaios puxa-sacos dos patrões, pelos exploradores das pessoas como eu e meus pares, os pobres, os que não nasceram em berço de ouro, os que não tinham ou viviam de heranças. Se eu não tivesse tido a oportunidade na vida de ter conhecido o movimento social, o estudantil primeiro e principalmente o sindical, eu poderia ser um boçal bolsonarista, violento, preconceituoso, uma pessoa má. Poderia achar que o que consegui na vida foi por "meritocracia", só porque estudei pra cacete e passei num concurso público. Sou grato à vida por ter me tornado uma pessoa melhor após o movimento sindical.
O que comemorar ao viver num mundo onde a ética, o humanismo, o amor, a solidariedade e empatia com o próximo não são valorizados, pelo contrário, tudo o que defendemos de nobre virou quase sentença de morte? Somos desprezados por sermos de esquerda, por defendermos direitos trabalhistas, sociais, direitos humanos! O ser abjeto na cadeira da presidência do Brasil não é somente aquele ser em si mesmo, ele representa um movimento, representa parte expressiva das pessoas que estavam entre nós. O bolsonarismo é um movimento anterior ao Bolsonaro. Alguns familiares, vizinhos de anos de convivência, os colegas do banco, essas pessoas estavam oprimidas pelo "politicamente correto" e não podiam expressar seus ódios aos pretos, aos pobres (mesmo sendo pobres), aos gays, a tudo e todos. A nós!
Pensando bem, não é verdade o que disse acima, que não estou nem triste nem feliz. No fundo no fundo, estou triste. Estamos tristes. Mas como diz o poeta Drummond, chegou um tempo em que não adianta morrer e a vida é uma ordem, a vida sem mistificação.
Está sofrendo quem não se contaminou ainda com essa pandemia bolsonarista (pandemia do mal); está sofrendo quem tem em si amor pelo próximo, sofremos ao ver o que está ocorrendo com os outros (o sofrimento coletivo é devido às decisões políticas das pessoas); está sofrendo quem é humanista, quem tem alguma religião (fé) e não é hipócrita (Deus, Cristo, não tem nada a ver com ódio, armas, matar, cada um por si, que se f... o outro etc); sofre quem se importa com os seres vivos, além de si mesmo.
Enfim, estão tristes pessoas como nós, eu e você que às vezes lê o que escrevo (não acredito que alguém do tipo bolsonarista perca seu tempo lendo minhas reflexões e lamentos sabendo quem sou).
Em relação ao sentimento de gratidão, seria difícil enumerar a gratidão que tenho pelas pessoas que de alguma forma consideram a gente, que se lembram de forma carinhosa ou respeitosa da pessoa que somos, que fomos, e que queremos ser, defendendo um outro tipo de mundo, uma sociedade justa, igualitária, tolerante, com liberdade e distribuição das riquezas humanas para todos. Isso não é utopia, isso é possível, basta educar as pessoas para isso, basta colocar o Estado para atingir esse fim. Nada é impossível para os seres humanos.
Se aquelas causas mais frequentes de mortes não me acharem, e nem essa merda de coronavírus, estarei vivo tentando ser uma pessoa boa, útil para a sociedade humana e para as pessoas próximas também.
Boa sexta-feira a tod@s e fiquem em casa aqueles que puderem. E se cuidem aqueles que por diversos motivos são obrigados a estarem se expondo aos riscos tanto do Covid-19 quanto aos demais riscos do viver numa sociedade hoje contaminada pelo bolsonarismo.
William
Marcadores:
A morte,
Banco do Brasil,
Brasil,
Crônicas e textos meus,
Diário,
Esquerda,
Ética,
Humanismo,
Ideologia,
Instantes,
Pandemia,
Política,
Tempo,
William Mendes
quinta-feira, 2 de abril de 2020
020420 (d.C.) - Diário e reflexões
"Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então
Tudo passa, tudo passará
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas para contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe para trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos"
(Metal contra as nuvens, Legião Urbana. Epígrafe em Post Scriptum)
Acordei por volta de 8h30 desta manhã de quinta-feira. Como de costume, peguei o celular no criado mudo e passei a primeira meia hora do dia vendo notícias e amenidades. O mundo enfrenta uma pandemia. No Brasil, a contabilidade oficial de pessoas que contraíram até ontem o novo coronavírus (Covid-19) aponta 6,9 mil pessoas e 245 vítimas fatais. Os números reais são muito maiores porque as autoridades competentes afirmam que a subnotificação é enorme. Países como Itália, Espanha e agora Estados Unidos estão contabilizando quase mil mortos por dia. Essa é a tal "gripezinha" que alguns néscios afirmam não ser motivo para se fazer quarentena.
Estamos obedecendo à quarentena recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas principais instituições do mundo civilizado por ser a melhor forma de adiar o contágio do vírus e com isso evitar o colapso dos sistemas de saúde existentes em cada localidade porque uma porcentagem das vítimas precisa de internação e auxílio de aparelhos respiratórios por duas a três semanas para tentarem reagir aos efeitos do Covid-19. O mundo parou. Especialistas dizem que nada será como antes.
Como uma pessoa que adora literatura e conhecimentos gerais ligados à cultura eu deveria estar lendo muito neste período de quarentena e isolamento social. No entanto, não estou com a cabeça boa para o deleite da leitura literária. Minha vida de dedicação à luta de classes e de representação dos trabalhadores por quase duas décadas dificulta muito a capacidade que temos que ter de abstrair do cenário dramático em que se encontram meus irmãos, o povo trabalhador, os pobres, as pessoas humildes que são a ampla maioria da população desta terra de exploração chamada Brasil. A sensação de impotência bloqueia parte essencial de nossa capacidade intelectiva e de sentir prazer.
Faço parte de uma comunidade de pessoas com uma história importante no país: a comunidade de funcionários da ativa e aposentados do Banco do Brasil, o maior banco público do país e que tem mais de dois séculos de serviços prestados ao povo brasileiro. Fazemos parte da parcela pequena da sociedade brasileira que consegue sobreviver durante a pandemia porque temos casa para morar, um rendimento mensal regular por termos sido assalariados a vida toda e com essas condições básicas da cidadania diria que estamos em condição privilegiada ao olharmos ao nosso redor num dos países de pior distribuição de renda do planeta e ainda sob golpe de Estado que destruiu o Brasil e os direitos básicos de dezenas de milhões de pessoas.
Me sinto incomodado ao saber que meus colegas da ativa estão trabalhando e estão expostos a condições terríveis de trabalho. Fui sindicalista e uma das características que marcaram minha vida de representação foi o fato de sempre ter estado junto a eles na base. Por 16 anos tive mandatos eletivos e por 16 anos estive ao lado dos bancários do Banco do Brasil de todas as formas, sobretudo presencial. As coisas mudaram muito no país em pouquíssimo tempo após o golpe de 2016. Canalhas se apossaram do Estado nos 3 poderes e acabaram com direitos trabalhistas, com direitos em saúde, acabaram os sistemas de proteção do cidadão; até a esperança de meus pares da classe trabalhadora feneceu. E isso me traz muita tristeza e sensação de impotência.
Enfim, não quero me alongar muito nestas reflexões que venho fazendo durante a quarentena e as pandemias que enfrentamos, a do novo coronavírus que mudou o mundo para sempre e a pandemia da ignorância, fanatismo e do ódio a tudo, representada pelo bolsonarismo. O fato é que fazer politicagem com a pandemia como estão fazendo os néscios do novo regime e seus apoiadores, indo contra as necessidades de isolamento social e quarentena, fará com que eles tenham em suas mãos o sangue das vítimas fatais que poderiam estar vivas entre seus entes queridos. E o cenário para os mais pobres será dantesco, com cenas de mortandade inesquecíveis.
Como um guerreiro que esteve ao lado do povo pobre e trabalhador a vida toda, reconheço minha impotência no contexto do momento, mas também busco em meu coração, em meu cérebro e no sangue que corre em minhas veias e artérias a energia que me fez caminhar com uma garra e gana incansáveis ao defender meus pares e as nossas instituições e direitos. Conclamo que busquemos e encontremos a energia necessária que sempre moveu as pessoas da esquerda em busca de um mundo melhor, mais plural e coletivo, com mais amor e solidariedade, com mais justiça para todos.
Minha solidariedade a todas as pessoas que estão trabalhando e se expondo ao risco de morte, aos colegas bancários que representei por tanto tempo, aos trabalhadores dos serviços essenciais para os milhões de pessoas que dependem do apoio do Estado para exercer os seus direitos humanos. Não seríamos nada sem vocês.
Viver! Sobreviver às duas pandemias! Recomeçar e reconstruir um mundo melhor para as pessoas!
William
Post Scriptum: na tentativa de sobreviver para ver o mundo renascer após as pandemias, estou me cuidando como posso. É o mínimo que posso fazer pelos meus entes queridos e pela luta da classe trabalhadora. Não contrair e não espalhar o vírus é um dever de cada um de nós. Devemos também contribuir como pudermos com aqueles que estão precisando e com aqueles que estão nas linhas de frente pela manutenção do cotidiano da sociedade sob crise.
Temos muito ainda por fazer
Não olhe para trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos"
(Metal contra as nuvens, Legião Urbana. Epígrafe em Post Scriptum)
Acordei por volta de 8h30 desta manhã de quinta-feira. Como de costume, peguei o celular no criado mudo e passei a primeira meia hora do dia vendo notícias e amenidades. O mundo enfrenta uma pandemia. No Brasil, a contabilidade oficial de pessoas que contraíram até ontem o novo coronavírus (Covid-19) aponta 6,9 mil pessoas e 245 vítimas fatais. Os números reais são muito maiores porque as autoridades competentes afirmam que a subnotificação é enorme. Países como Itália, Espanha e agora Estados Unidos estão contabilizando quase mil mortos por dia. Essa é a tal "gripezinha" que alguns néscios afirmam não ser motivo para se fazer quarentena.
Estamos obedecendo à quarentena recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas principais instituições do mundo civilizado por ser a melhor forma de adiar o contágio do vírus e com isso evitar o colapso dos sistemas de saúde existentes em cada localidade porque uma porcentagem das vítimas precisa de internação e auxílio de aparelhos respiratórios por duas a três semanas para tentarem reagir aos efeitos do Covid-19. O mundo parou. Especialistas dizem que nada será como antes.
Como uma pessoa que adora literatura e conhecimentos gerais ligados à cultura eu deveria estar lendo muito neste período de quarentena e isolamento social. No entanto, não estou com a cabeça boa para o deleite da leitura literária. Minha vida de dedicação à luta de classes e de representação dos trabalhadores por quase duas décadas dificulta muito a capacidade que temos que ter de abstrair do cenário dramático em que se encontram meus irmãos, o povo trabalhador, os pobres, as pessoas humildes que são a ampla maioria da população desta terra de exploração chamada Brasil. A sensação de impotência bloqueia parte essencial de nossa capacidade intelectiva e de sentir prazer.
Faço parte de uma comunidade de pessoas com uma história importante no país: a comunidade de funcionários da ativa e aposentados do Banco do Brasil, o maior banco público do país e que tem mais de dois séculos de serviços prestados ao povo brasileiro. Fazemos parte da parcela pequena da sociedade brasileira que consegue sobreviver durante a pandemia porque temos casa para morar, um rendimento mensal regular por termos sido assalariados a vida toda e com essas condições básicas da cidadania diria que estamos em condição privilegiada ao olharmos ao nosso redor num dos países de pior distribuição de renda do planeta e ainda sob golpe de Estado que destruiu o Brasil e os direitos básicos de dezenas de milhões de pessoas.
Me sinto incomodado ao saber que meus colegas da ativa estão trabalhando e estão expostos a condições terríveis de trabalho. Fui sindicalista e uma das características que marcaram minha vida de representação foi o fato de sempre ter estado junto a eles na base. Por 16 anos tive mandatos eletivos e por 16 anos estive ao lado dos bancários do Banco do Brasil de todas as formas, sobretudo presencial. As coisas mudaram muito no país em pouquíssimo tempo após o golpe de 2016. Canalhas se apossaram do Estado nos 3 poderes e acabaram com direitos trabalhistas, com direitos em saúde, acabaram os sistemas de proteção do cidadão; até a esperança de meus pares da classe trabalhadora feneceu. E isso me traz muita tristeza e sensação de impotência.
Enfim, não quero me alongar muito nestas reflexões que venho fazendo durante a quarentena e as pandemias que enfrentamos, a do novo coronavírus que mudou o mundo para sempre e a pandemia da ignorância, fanatismo e do ódio a tudo, representada pelo bolsonarismo. O fato é que fazer politicagem com a pandemia como estão fazendo os néscios do novo regime e seus apoiadores, indo contra as necessidades de isolamento social e quarentena, fará com que eles tenham em suas mãos o sangue das vítimas fatais que poderiam estar vivas entre seus entes queridos. E o cenário para os mais pobres será dantesco, com cenas de mortandade inesquecíveis.
Como um guerreiro que esteve ao lado do povo pobre e trabalhador a vida toda, reconheço minha impotência no contexto do momento, mas também busco em meu coração, em meu cérebro e no sangue que corre em minhas veias e artérias a energia que me fez caminhar com uma garra e gana incansáveis ao defender meus pares e as nossas instituições e direitos. Conclamo que busquemos e encontremos a energia necessária que sempre moveu as pessoas da esquerda em busca de um mundo melhor, mais plural e coletivo, com mais amor e solidariedade, com mais justiça para todos.
Minha solidariedade a todas as pessoas que estão trabalhando e se expondo ao risco de morte, aos colegas bancários que representei por tanto tempo, aos trabalhadores dos serviços essenciais para os milhões de pessoas que dependem do apoio do Estado para exercer os seus direitos humanos. Não seríamos nada sem vocês.
Viver! Sobreviver às duas pandemias! Recomeçar e reconstruir um mundo melhor para as pessoas!
Post Scriptum: na tentativa de sobreviver para ver o mundo renascer após as pandemias, estou me cuidando como posso. É o mínimo que posso fazer pelos meus entes queridos e pela luta da classe trabalhadora. Não contrair e não espalhar o vírus é um dever de cada um de nós. Devemos também contribuir como pudermos com aqueles que estão precisando e com aqueles que estão nas linhas de frente pela manutenção do cotidiano da sociedade sob crise.
Marcadores:
A morte,
Brasil,
Crônicas e textos meus,
Diário,
Esporte e saúde,
Esquerda,
Ética,
Ideologia,
Instantes,
Pandemia,
Política,
Tempo,
William Mendes
terça-feira, 31 de março de 2020
310320 (d.C.) - Diário e reflexões
O mundo mudou! Nada será como antes. O mundo era um antes do Covid-19 (a.C.) e será outro depois do Covid-19 (d.C.). Ele será como nós o fizermos...
O mundo que conhecíamos não existe mais. O mundo mudou para sempre e vamos ter dificuldades em aceitar isso e compreender a extensão disso a partir de agora.
Ao assistir ontem a mais uma explanação do biólogo Atila Iamarino no programa Roda Viva sobre o que é e quais as consequências da pandemia do novo coronavírus, o Covid-19, fiquei refletindo a respeito dessa nova realidade. É tudo chocante!
Como disse em outra postagem: - Respire e sinta o quanto é bom respirar, inspirar o oxigênio do ar e seus pulmões realizarem as trocas gasosas necessárias, retirando de si o CO2 e enviando para o seu corpo o O2. Uma coisa tão simples e involuntária que a gente nem percebe o quanto é bom respirar e viver.
O Covid-19 afeta os pulmões e os biólogos, médicos e cientistas explicam que o novo coronavírus é diferente de resfriados e dos tipos de gripes que já conhecemos.
O corpo humano realiza dois tipos de respiração, a celular e a pulmonar. A primeira utiliza oxigênio para sintetizar energia vital e a segunda, nos brônquios e alvéolos pulmonares, troca o gás carbono produzido nas células pelo oxigênio que respiramos. Sem a respiração pulmonar não temos a respiração celular e morremos.
O mundo mudou para sempre. Nós fomos dormir dias atrás e acordamos para uma nova realidade mundial. Os países do mundo já foram afetados independentemente do tipo de economia e sistema político que tenham.
A rapidez com que o vírus se espalha de um vetor ao outro, uma vítima a outra, é muito grande e como nosso sistema imunológico não conhece esse vírus, não temos defesa para ele e parte das pessoas afetadas tem necessidade de auxílios médicos e respiração artificial por duas ou três semanas para tentar reagir ao vírus e sobreviver.
Não é uma "gripezinha". É o que a ciência explica. O Covid-19 se espalha muito rápido e colapsa os sistemas de saúde de qualquer local do mundo, sem ideologia alguma. Ele lota e interrompe a capacidade de atendimento de sistemas de saúde na China, nos EUA, na Rússia, em qualquer cidade grande ou pequena, capitalista, socialista, ou qualquer nomenclatura que queiram usar.
A letalidade é maior ou menor de acordo com as características de determinados grupos de pessoas. Pessoas com mais idade, pessoas com baixa imunidade física, pessoas com certas doenças crônicas são exemplos de grupos que têm letalidade maior. Não é uma doença que só mata pessoas idosas. E lembro aqui que ao colapsar os sistemas de saúde pela demanda altíssima, a pandemia faz vítimas fatais diversas por não ter como atender as outras demandas agudas como AVC, infarto, acidentes etc.
Uma das formas de retardar a expansão do vírus e a rapidez com que ele contagia as pessoas é fazendo isolamento social, é isolando as pessoas que estão com o vírus (quarentenas). Só que em geral não sabemos quem está com o vírus. Como não há sintomas durante muitos dias, a pessoa contaminada vai transmitindo o vírus para um monte de gente. Dali a semanas, uma quantidade enorme de gente vai precisar de auxílio médico para sobreviver: então o sistema de saúde colapsa.
O mundo mudou nesses três meses do aparecimento do novo coronavírus. E ouvindo o biólogo Atila explicar os efeitos desse vírus e de outros que possam aparecer semelhantes a este (que já marcou a gente em seu começo), ficou mais fácil entender que o mundo como o conhecemos morreu, era um mundo antes do Covid-19 (a.C.), em que viajávamos pra lá e pra cá, em que nos aglomerávamos em todo local, em que não temos saneamento básico e, por outro lado, temos hábitos culturais de pouca higiene. Nada será como antes em nosso cotidiano dos comuns.
O mundo agora é desconhecido, é mais arriscado do que já era. É verdade que provavelmente virá alguma vacina contra o Covid-19 como temos vacinas para as gripes comuns, a exemplo do que ocorre com a vacina trivalente, que contém antígenos de dois subtipos de Influenzavírus A e um subtipo de Influenzavírus B, mas uma vacina produzida em um ano pode não ser eficaz para o ano seguinte, porque o vírus evolui substituindo estirpes antigas por novas (fonte: Wikipedia).
Enfim, avalia-se que nada será como antes. E não sabemos como serão os próximos dias, nem onde vivemos, nem no resto do mundo.
Posso estar com esse vírus em mim há dias e não saber ainda. Posso não estar e pegar do contato que vou fazer com outros para continuar vivendo, comendo, realizando as coisas básicas da vida. Posso pegar o vírus e meu organismo dar conta dele, ou não.
A gente tem receio até quando a garganta arranha, como acontece normalmente: uma gripe ou um resfriado nesta época de outono. Mas pode não ser uma gripe ou resfriado. Pode ser a peste, o Covid-19. Mas não há testes para todos, sequer para aqueles que apresentam os sintomas conjugados de febre, tosse e dificuldades para respirar.
O mundo mudou. As viagens e contatos humanos não serão mais os mesmos que antes do isolamento social, das quarentenas. Agora vivemos os dias e semanas depois do aparecimento do Covid-19 (d.C.).
Após assistir a entrevista com o Atila eu já peguei o telefone e liguei para meus pais e sobrinhos; fiz ligação com imagem para vê-los. Não sei quando vou abraçar e beijar mais as pessoas queridas.
Respiremos e façamos o dia mais proveitoso, refletindo sobre o que realmente importa no instante de vida que temos. Será que esse evento fará as pessoas mudarem alguma coisa?
Adianta tanto egoísmo e egocentrismo, não ligando para as pessoas ao nosso redor? Sabendo que todos respiramos o mesmo ar, tocamos as mesmas coisas, que um ser humano não faz nada sem o outro?
William
sábado, 28 de março de 2020
280320 - Diário e reflexões
Hoje é sábado. Tivemos um dia ensolarado em nossa querida Osasco, São Paulo.
O mundo enfrenta uma pandemia do novo coronavírus (Covid-19) desde o início do ano. Até o momento, os números oficiais apontam que já foram contaminados mais de meio milhão de pessoas e já morreram mais de 23 mil. Após a pandemia atingir fortemente países como Itália e Espanha em número de mortos (mais de 10 mil italianos perderam suas vidas), agora é a vez do número de infectados crescer exponencialmente nos Estados Unidos e demais países das Américas.
------------------------------
ATENÇÃO - Você que neste momento está lendo esta postagem, faça o seguinte: pare um instante. Inspire o ar profundamente... devagar... e expire. Faça mais uma ou duas vezes. E então?
Eu me arrepiei. Me emocionei... O simples fato de respirar! Essa é uma função biológica básica da vida. E às vezes nem ligamos para isso, já que é algo involuntário à consciência do ser vivente.
Esse vírus invisível, que atravessa vidros de lotéricas à prova de balas (eu juro que o imbecil na presidência do Brasil citou que os trabalhadores das lotéricas estão protegidos pelo vidro... vejam na internet), enfim, esse vírus ataca os pulmões e as pessoas não conseguem respirar, dizem que é como morrer afogado no seco. Que terrível deve ser isso.
-------------------------------
Neste sábado, os números oficiais do Ministério da Saúde (fonte: Carta Capital) apontam para 114 mortos e 3904 casos no país (devem ser muitos mais, só que estão destruindo as instituições de pesquisa de dados); a ampla maioria dos casos é no Estado de SP, e um dos epicentros é onde eu moro, região Oeste da grande São Paulo. (respirei profundamente... como é bom respirar!)
A gente nunca imagina o quanto a vida pessoal e coletiva, social, pode mudar de uma hora para outra por causa das decisões humanas e por eventos considerados naturais, vindos da natureza (vejam o que 57 milhões de eleitores fizeram conosco em 2018!).
Neste momento, meus entes queridos mais próximos, minha família de uma forma geral, meus amigos, estão respirando. Conhecidos meus já começam a apontar a perda de conhecidos vitimados pelo Covid-19. O amanhã num mundo de pandemia ninguém sabe.
Boa parte dos países fortemente atingidos pela pandemia tem em seus governos líderes e partidos de diferentes matizes ideológicas, mas todos caminham na mesma direção no combate à pandemia; são países com culturas seculares ou milenares e as populações têm civilidade. No Brasil nós temos Bolsonaro, bolsonaros...
O golpe de Estado em nosso país em 2016 foi o divisor de águas para a sociedade brasileira. Para se interromper os governos do PT, os avanços para o povo pobre e trabalhador por mais de uma década, apostou-se na destruição do país. Gente lesa-pátria da elite canalha e seus lacaios instalados no aparelho estrutural e ideológico do Estado dizimou não só o país como também aprisionou as mentes de parte do povo brasileiro.
Desculpem, amig@s leitores, a gente começa a pensar sobre a situação dramática em que nos encontramos e começamos a nos alongar. Estou sem ânimo para isso.
O que registro nestas reflexões de hoje é que o dia lá fora foi bonito. Eu fui ao mercado para comprar algumas coisas para casa. Quis comprar máscaras cirúrgicas para usar nas saídas de casa e não as encontrei em três farmácias. O mercado local em que fui estava lotado, corredores cheios, impossível não trocar o mesmo ar com as pessoas.
A questão de tentar limpar tudo com álcool e produtos de limpeza, a gente faz o que pode, mas como diz a minha mãezinha de 74 anos, é muito difícil porque se o vírus estiver em alguma coisa que entrou na casa, vai ser uma questão de sorte ou azar; ela diz que só Deus para proteger mesmo...
Outro dia ajudei a Rosângela no farol perto de casa. Conversei com ela alguns minutos. Ela pede ajuda naquele ponto já faz um tempo. É dramática a condição dela. Hoje conversei com o Henrique, que também é uma pessoa em situação de rua aqui da região. Com as ruas vazias, tá bem difícil pra eles.
Quando penso nas pessoas que estão nesta condição, Rosângela, Henrique, os moradores das favelas e periferias, minha família que é muito simples e sempre contou com ajudas diversas uns dos outros, me sinto um privilegiado, e isso porque tive trabalho, tive salário, tive teto pra morar, tive o que comer. Todo ser humano deveria ter esses direitos básicos porque o mundo tem riqueza para isso (só que está na mão de alguns humanos, menos de 1% deles).
Termino essa postagem respirando... respirando. Estou vivo! Estamos vivos. Mas pessoas estão morrendo por causa da miséria, por causa da pandemia, por causa do egoísmo. E tem uns bilionários que querem fazer de mim e de você uma porcaria de número. Dizem que tudo bem morrer "uns 7 mil". Não é possível que o mundo siga assim!
William
Marcadores:
A morte,
Brasil,
Crônicas e textos meus,
Democracia,
Diário,
História,
Instantes,
Osasco,
Pandemia,
Política,
PT,
São Paulo,
William Mendes
sexta-feira, 27 de março de 2020
Eleições Cassi em tempos de pandemia
Opinião
"Creio que não seria má ideia telefonar ao ministério a pedir informações sobre como está a decorrer o acto eleitoral aqui e no resto do país, ficaríamos a saber se este corte de energia cívica é geral, ou se somos os únicos a quem os eleitores não vieram iluminar com os seus votos..." (SARAMAGO, Ensaio sobre a lucidez, 2004)
A literatura mundial tem muita matéria disponível para ilustrarmos o cenário que vivemos nesses tempos disruptivos ou quase distópicos. Os "Ensaios" de Saramago são obras que poderiam se encaixar como uma luva no caso brasileiro para explicar no que nos transformamos em tão pouco tempo com as consequências da Lava Jato, a negativa do PSDB em reconhecer o resultado das eleições presidenciais de 2014 e o golpe de Estado em 2016. Vejamos um diálogo de personagens de Saramago:
"- Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem." (SARAMAGO, Ensaio sobre a cegueira, 1995)
Uma década antes da visão dantesca de destruição total do país sob a égide de Temer e do clã Bolsonaro e apoiadores babando ódio de tudo e todos, nosso país caminhava para ser a quinta economia do mundo, nossas empresas cresciam e vendiam serviços no mundo todo e o crescimento interno ia muito bem; o país era respeitado pela diplomacia mundial; havia oportunidades para todos e as pessoas eram felizes independente de suas posições pessoais de mundo; o desemprego era baixo e havia ascensão nos direitos em geral; havia liberdade e democracia e melhor distribuição da riqueza produzida no país. Pois é, essa era a realidade há poucos anos.
Mas não vou falar do Brasil agora. Quero falar é sobre o processo eleitoral da nossa querida Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, a mais antiga autogestão do país e que até pouco tempo era e poderia continuar sendo a maior autogestão em saúde dos trabalhadores do Brasil. Uma associação que era inclusiva e solidária em seu modelo de custeio mutualista intergeracional, no qual todo associado principal, a matrícula funcional, pagava a mesma porcentagem de seus rendimentos para participar do sistema de saúde com os mesmos direitos de acesso.
Hoje se encerram as eleições para parte da direção da entidade. É a primeira eleição regida pelas regras do novo estatuto social, que foi levado à consulta do corpo social faz poucos meses. Aliás, o resultado da consulta ao corpo social que gerou o novo estatuto está sendo questionado na justiça por divergências de entendimento por parte de segmentos de associados.
Antes do processo eleitoral, o país já vivia o cenário de destruição política, econômica e social que todos sabemos. A própria autogestão também vinha de processos desgastantes de embates entre capital e trabalho - patrocinador e associados -, desgastes oriundos de divergências normais entre os grupos políticos da comunidade BB por causa dos recorrentes desequilíbrios econômico-financeiros da operadora, e não vamos entrar aqui no mérito dos motivos diversos dos déficits dos planos de saúde da autogestão.
Ao olhar o painel de votação no site da Cassi do dia de ontem, 26 de março, uma certeza podemos ter ao analisarmos os números até às 17h: é uma das piores participações sociais em processos eleitorais na história recente da Cassi.
Será que isso é consequência da falta de "energia cívica" como diz a personagem de um dos "Ensaios" de Saramago?
A Cassi tem desafios difíceis pela frente. Os associados e futuros não associados - mas que seguirão sendo da comunidade BB e que deveriam estar associados à Cassi - têm desafios maiores ainda, caso queiram resgatar seus direitos na Caixa de Assistência. E uma das formas de organizar boas lutas por direitos é termos democracia na associação, termos boa participação social (pertencimento) e, consequentemente, boa representatividade dos dirigentes eleitos (estarem empoderados politicamente).
O processo eleitoral da Cassi deveria ter sido interrompido, suspenso, refeito, ou coisa do gênero, assim que o fator externo "pandemia do coronavírus - Covid-19" começou a alterar a normalidade do cotidiano do povo brasileiro, fato que coincidiu com o início da votação a partir da semana passada, dia 16 de março. Algumas decisões precisam de sensibilidade dos líderes dos processos e nem tudo deve estar alheio aos fatores que afetam a vida dos seres humanos, como se na sociedade humana tudo fosse "uma questão técnica".
Que representatividade terão os vencedores dessa corrida eleitoral na Cassi com os baixíssimos índices de participação de bases sociais importantíssimas da Caixa de Assistência? Estou usando os superlativos de propósito. A pandemia é superlativa e os 90 mil bancários estão com a cabeça em muitas coisas, como suas saúdes, a de suas famílias, seus medos e ansiedades pela exposição ao vírus etc, menos nas eleições da Cassi. O mesmo se dá com os aposentados: muitos estão sozinhos em quarentena, sem o carinho e companhia dos filhos e netos, ansiosos e com medo. Mil coisas passam por suas cabeças, menos a eleição da Cassi.
Até ontem, a participação dos associados do Rio de Janeiro para a eleição da diretoria e conselho deliberativo era de 30,13%, menos de 1/3 do eleitorado. Pior ainda para a eleição do conselho fiscal, 26,4%. Outros colégios eleitorais gigantes como SP, MG, DF e BA tinham índices de participação entre 33% e 40%. É muito baixo! Sem contar que não sabemos quantos eleitores decidiram votar "branco" ou "nulo", como ocorreu no "Ensaio sobre a lucidez" de Saramago.
Dos 166 mil associados com direito a voto, somente 64 mil votaram até ontem para diretoria e CD, cerca de 38%. Que representatividade política terão os eleitos para falar de igual para igual com o patrocinador nestes tempos difíceis que a Cassi enfrentará para sobreviver em um sistema de saúde brasileiro fragilizado por crise nunca vivida no setor? E pergunto isso, independente de vencer a chapa a, b, c, d, e, f. Quando fomos eleitos em 2014, só a nossa chapa obteve 31,5 mil votos (de 84 mil votos válidos). Em 2016, a chapa vencedora obteve 30,5 mil e em 2018 a chapa vencedora obteve 36,9 mil votos num processo com quase 100 mil votos válidos.
Enfim, acho lamentável a decisão tomada pela Cassi em manter o processo eleitoral em meio ao cenário externo que paralisou o país nas últimas duas semanas (e o mundo nos últimos meses). Entendo que seria mais adequado e mais oportuno que o processo se realizasse em outro momento. Seria melhor para todos, todos os envolvidos na gestão e na utilização de nossa Caixa de Assistência. Precisaremos de muita informação correta e unidade para que a Cassi supere o cenário dramático que virá do setor de saúde brasileiro.
William Mendes
Associado Cassi e Previ
Bibliografia:
SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
SARAMAGO, José. Ensaio sobre a lucidez. São Paulo, Companhia das Letras, 2004.
Site da Cassi, hotsite eleições 2020.
terça-feira, 24 de março de 2020
240320 - Diário e reflexões
Opinião
Pronunciamento irresponsável da maior autoridade política do país em cadeia nacional de TV pode ter uma estratégia: dividir e gerar raiva e ódio entre as pessoas
A fala do "presidente" (fraude!), contrária ao que dizem as autoridades sanitárias do mundo todo em relação à pandemia do Covid-19, pode ter um objetivo, uma estratégia: dividir a população para ter um segmento de apoio cego e irrestrito durante eventual caos e crise humanitária, política e econômica no país daqui algumas semanas.
O "presidente" repetiu para seus apoiadores o que seu ídolo do Norte também vem dizendo: que não se deve levar a sério o isolamento social para conter o avanço da pandemia. É evidente que há uma estratégia alinhada da direita bilionária organizada mundialmente para arregimentar parte das populações apavoradas e raivosas no mundo em provável crise econômica e humanitária que o mundo viverá. Há uma construção de narrativa, de versão.
Bolsonaro fez um pronunciamento em cadeia nacional repetindo o que já está combinado com seus apoiadores e financiadores da campanha presidencial, campanha amplamente questionada por suspeita de uso de estratégias ilegais como, por exemplo, ser favorecida pela produção de fake news contra os adversários ao custo de milhões de reais não contabilizados oficialmente.
O pronunciamento repetiu o que dizem seus aliados donos de bilhões - o empresário papagaio verde-amarelo, o empresário do "você está despedido!", o empresário dos hambúrgueres, dentre outros. Bilionários insensíveis que dizem que não tem problema algum morrer umas 7 mil pessoas porque a maioria seria de "velhos" mesmo ou gente doente que já iria morrer de qualquer maneira.
Bolsonaro consegue nos surpreender porque faz o que ninguém faria, porque nós estamos acostumados com a razão e esse momento político ao qual chegamos após o golpe de Estado no Brasil é de insânia e fanatismo, não de razão e diálogo. Talvez por isso o "clã" e aliados tenham chegado ao poder após o golpe e ruptura da normalidade. Lembra quando alertávamos sobre a abertura da Caixa de Pandora?
Bolsonaro consegue nos surpreender porque faz o que ninguém faria, porque nós estamos acostumados com a razão e esse momento político ao qual chegamos após o golpe de Estado no Brasil é de insânia e fanatismo, não de razão e diálogo. Talvez por isso o "clã" e aliados tenham chegado ao poder após o golpe e ruptura da normalidade. Lembra quando alertávamos sobre a abertura da Caixa de Pandora?
Talvez o personagem Capitão Nascimento tenha sido visionário no filme "Tropa de Elite 2 - o inimigo agora é outro" (2010). Na ficção, o crime organizado saiu das periferias da antiga capital federal e chegou às instâncias de poder do Estado burguês.
O cenário é novo e é bom que todos reflitam sobre essa nova realidade à luz da história do país. Em mais de um século de república no Brasil não tivemos uma guerra civil durante os frequentes golpes de Estado organizados pelas elites da casa grande porque os líderes no poder não queriam o nosso sangue derramado.
Getúlio em 1954 preferiu morrer e adiou um golpe em dez anos; Jango aceitou ser deposto pelo golpe sem estimular reação popular; os petistas Lula e Dilma idem, em relação ao golpe de 2016. Agora é diferente! Como diz o jornalista Nassif, esse grupo no poder não é da mesma natureza dos anteriores.
O cenário é novo e é bom que todos reflitam sobre essa nova realidade à luz da história do país. Em mais de um século de república no Brasil não tivemos uma guerra civil durante os frequentes golpes de Estado organizados pelas elites da casa grande porque os líderes no poder não queriam o nosso sangue derramado.
Getúlio em 1954 preferiu morrer e adiou um golpe em dez anos; Jango aceitou ser deposto pelo golpe sem estimular reação popular; os petistas Lula e Dilma idem, em relação ao golpe de 2016. Agora é diferente! Como diz o jornalista Nassif, esse grupo no poder não é da mesma natureza dos anteriores.
Temos no poder, de forma legítima ou questionável, alguém que sempre defendeu uma guerra civil, "matar uns 30 mil", ditadura, violência e mais violência, eliminação daqueles que pensam diferente. E tem como apoio setores poderosos como, por exemplo, parte do segmento de evangélicos, uma linha religiosa em ascensão no Brasil.
Estamos vendo a construção de um cenário caótico no país de forma proposital. É preocupante o andamento das coisas. Minha preocupação é com as pessoas, os seres humanos, com cada pessoa que se perca nessas guerras, seja contra a pandemia do novo coronavírus, seja pela disputa de hegemonia de poder na sociedade humana.
Espero estar errado. Ficarei feliz.
William
Marcadores:
Artigos,
Brasil,
Crônicas e textos meus,
Democracia,
Diário,
Direita,
Direitos Humanos,
Esquerda,
Guerras,
História,
Ideologia,
Instantes,
Pandemia,
Política,
William Mendes
segunda-feira, 23 de março de 2020
230320 - Diário e reflexões
Apelos
O Brasil não acordou ainda para o que pode ser o cotidiano daqui a duas semanas. O ser humano do século 21 experimenta as coisas mais impensáveis e distópicas que os melhores autores ficcionais pensaram em obras de arte literária e visual ao longo dos últimos séculos.
Boa parte do conhecimento humano foi catalogado, disponibilizado na rede mundial - a internet - e ao mesmo tempo parte dos seres humanos regrediu intelectualmente ao período mental talvez dos hominídeos de dezenas de milhares de anos atrás. Qualquer embusteiro engana milhões de seres humanos nas coisas mais comezinhas.
É nesse cenário que o Brasil e os demais países do mundo lidarão daqui adiante com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que desde janeiro se espalha pelo mundo, ampliando o cenário já trágico da economia global, que vivia uma enorme crise do modo de produção capitalista e das doutrinas neoliberais de Estado mínimo e de permitir que alguns indivíduos (o 1%) acumulem "livremente" toda a riqueza humana enquanto os 99% vagam miseravelmente pelos esgotos do mundo.
Especialistas das áreas de ciências biológicas e médicas alertam que daqui a duas ou três semanas o Brasil passará a viver as consequências da expansão exponencial do Covid-19 e seus agravamentos com necessidade de internação e respiração artificial e o sistema de saúde público e privado vai colapsar e as pessoas começarão a morrer sem atendimento para todos. Isso não é ficção, é o quadro dos países que já chegaram nessa fase que se aproxima no Brasil.
ATENÇÃO: não morrerão só as vítimas do Covid-19 (alguns insensíveis dizem que é doença que só mata "velhos" - absurdo ouvir isso!), morrerão eu e vocês se tivermos infarto, AVC, apendicite, acidente de trânsito, se tivermos infecção, se cairmos em casa e quebrarmos o fêmur, tiro ou facada etc. Não importa o dinheiro e o plano de saúde porque não haverá vagas nos hospitais.
E nós não temos governo. O povo brasileiro está largado à própria sorte, o que já era bem complicado com o caos gerado pela destruição econômica e social já em andamento por causa do golpe de Estado, Temer e a demência coletiva bolsonarista. Mas os efeitos da pandemia daqui a alguns dias pode trazer uma convulsão social por fome, medo, raiva, pela falta de um Estado que dê apoio e esperança a milhões de pessoas.
Apelo às direções dos bancos
Todos nós que atuamos no segmento bancário ao longo de nossas vidas, trabalhadores da ativa e aposentados e seus respectivos representantes, fazemos um apelo para que as direções dos bancos dispensem os bancários imediatamente. O risco que eles estão sofrendo e toda a população por causa disso é incalculável pela capacidade de transmissão sem sintomas do vírus Covid-19.
Eu lidei por 4 anos com as estruturas de poder do maior banco público do país, viajei o Brasil de ponta a ponta em 165 agendas de gestão como diretor de saúde da autogestão Cassi. Conheci a capacidade de envolvimento dos administradores do BB quando o assunto é saúde. Tem muita gente boa nas posições de decisão do banco e este é o momento capital de cada gestor fazer o apelo pra cima, para seu superior e orientar que as pessoas sejam dispensadas nas redes às quais eles fazem a gestão.
Dispensem as pessoas, mantendo somente o necessário como os sindicatos estão pleiteando. Cada gestor que fizer isso estará salvando vidas, vidas e mais vidas. Por favor, dispensem os trabalhadores!
Apelo para que promovam o impedimento dos psicopatas do governo*
Esse apelo não sou eu, um simples cidadão, que está fazendo. Diversas autoridades intelectuais e lideranças das mais diversas linhas de pensamento político do país estão conscientes que cada dia a mais de governo Bolsonaro pode equivaler a milhares de mortos num dos momentos mais dramáticos do Brasil e do mundo após as guerras mundiais, Crash de 1929 e pandemias que devastaram o mundo como a de Gripe Espanhola de 1918.
É necessário que uma comissão da sociedade civil assuma o poder neste cenário e que tenhamos uma parceria nacional entre Governo Federal e Estados para enfrentar o próximo período da pandemia que pode durar meses e anos.
Assim como outros países com governos sérios no mundo, é necessário proteger a vida das pessoas, dar recursos do Estado para que fiquem em casa e assistência básica para os milhões de cidadãos que não têm casa neste momento de pico da pandemia e recessão econômica que será uma das consequências dela.
Apelo aos governantes que apoiem o povo com recursos, com renda básica imediatamente
São Paulo não chegou ainda ao momento de descalabro social e colapso que ocorrerá daqui a duas ou três semanas e a quarentena estadual passará a vigorar a partir desta terça 24, ficando abertos somente os estabelecimentos de necessidades básicas à vida das pessoas. A população deve ficar em casa nas próximas semanas (aqueles que têm um teto para viver). Antes do colapso, já vemos diferenças nas ruas.
Aqui em casa, eu sou a pessoa definida para sair e providenciar as coisas necessárias para a quarentena. Ao ir ao mercado a pé hoje pela manhã, já percebi muitas mudanças nas ruas quase desertas. Sabemos que muita gente está em situação de rua, pedindo ajuda às pessoas para viver. Um senhor me pediu ajuda dizendo que não comia desde ontem, e ao ajudá-lo ele começou a chorar... na volta uma senhora de uns 70 anos me pediu algo para comer, e após ela receber o alimento, ficou olhando a esmo. Amigos, que será dessas pessoas daqui alguns dias? E dos desempregados? E daqueles que vendem coisas para voltar com algum recurso para casa?
As pessoas precisam de dinheiro e é o Estado que deve fornecer para todos, como Suplicy defende há décadas (renda básica da cidadania). Milhões de seres humanos sem dinheiro algum, nem chance de consegui-lo para sobreviver, farão qualquer coisa que a natureza roendo o estômago lhes impulsionar a fazer. Podemos viver uma convulsão social.
Apelo à direção da Cassi
Faço um apelo à direção da Cassi que suspenda o processo eleitoral em andamento desde o dia 16 da semana passada. Não é possível manter essa falta de sensibilidade, essa visão burocrática das coisas, e achar que nada está acontecendo no Brasil e no mundo.
Os índices de participação estão baixos obviamente porque a coisa que menos importa para os bancários apavorados sendo obrigados a irem aos locais de trabalho com risco de contraírem o vírus é votar no processo eleitoral da Cassi. Dessa forma, o resultado não será um resultado representativo e justo, mesmo que digam que é "legal" ou coisa do tipo.
Interrompam essa eleição porque isso não é o mais importante para o momento que atravessamos! A direção da Cassi poderia envidar todos os esforços para dar os argumentos técnicos necessários às direções regionais e geral do Banco do Brasil do quanto é melhor os trabalhadores tomarem todos os cuidados que as autoridades sanitárias estão recomendando como, por exemplo, ficarem em casa.
Apelo para que as pessoas contatem umas às outras para acolher pessoas isoladas e dar conforto a elas
Por fim e não menos importante.
Façamos uma corrente de solidariedade e acolhimento durante esse período de quarentena que temos que fazer para salvar vidas e evitar ou amenizar as consequências da pandemia na vida de cada brasileiro e brasileira.
Os 4 anos de aprendizado que experimentei ao ser gestor da nossa Caixa de Assistência, e atuar na área da saúde especificamente, me deram a oportunidade de compreender o conceito de acolhimento com que a Cassi trabalha.
Nós temos aproximadamente 174 mil pessoas dos planos de saúde da Cassi com mais de 59 anos. É um número muito grande de pessoas que podem estar isoladas, sozinhas em casa, por serem a população com maior risco em relação ao Covid-19.
Além dessas pessoas mais idosas, a população de trabalhadores e aposentados e pensionistas do BB e da Cassi também tem uma legião de pessoas com uma, duas ou mais comorbidades e são pessoas crônicas que precisam de atenção, medicação de uso contínuo e outros cuidados como, por exemplo, atenção e apoio psicológico.
Contatem essas pessoas, pergunte como elas estão, conversem com elas, dividam angústias mas também falem de amenidades, lembranças. Enfim, acolham essas pessoas. Cada pessoa é única e o isolamento sem poder fazer a rotina que anima cada uma delas diariamente pode ser algo difícil e podemos contribuir para amenizar o desconforto dessa quarentena.
É isso! Vamos superar esse momento e vamos sair melhores dele.
William
*Post Scriptum:
Após ouvir um debate entre o jornalista Luis Nassif, a psicanalista Ana Laura Prates e a procuradora regional da república Eugênia Augusta Gonzaga, fiquei convencido de que agi por impulso ao reivindicar como muita gente a "interdição" do cidadão na presidência. Ele deve ser impedido e não "interditado". Interdição de pessoas nem existe mais na legislação brasileira desde 2015, segundo as informações no debate que vi. Peço que os interessados vejam a discussão em vídeo, é muito esclarecedora: aqui
Em linhas gerais, não seria nem estratégico nem correto tratar o caso Bolsonaro com uma lógica de patologização de seus atos como se ele fosse louco porque há uma luta histórica na questão manicomial. Os crimes desse cidadão estão previstos nas leis e normas, basta que se apliquem as leis para impedi-lo. Se o sujeito fosse considerado inimputável, ele não seria responsabilidade pela quantidade de crimes e quebras de decoro que pratica diuturnamente. Além de ser uma forma bastante despolitizada de tratar o caso Bolsonaro e seu clã na política.
Marcadores:
A morte,
Banco do Brasil,
Brasil,
Cassi,
Crônicas e textos meus,
Democracia,
Diário,
Distopia,
Economia,
Pandemia,
Política,
William Mendes
domingo, 22 de março de 2020
220320 - Diário e reflexões
![]() |
| Domingo coronavírus, sol lá fora e apreensão cá dentro. |
Como pertencemos a grupos sociais, me preocupo também com os bancários e com os colegas aposentados e com a enorme incidência de cronicidades em suas condições de saúde
O mundo enfrenta uma pandemia de coronavírus, Covid-19, desde o início do ano. Após ser identificado na Ásia, inicialmente na China, e depois passar por outros países orientais, chegou à Europa, atravessou os oceanos e agora é a vez das Américas.
As consequências mais mortais ou menos mortais da pandemia têm sido relacionadas com a forma como cada governo lidou com ela, fazendo quarentenas menos ou mais restritivas, mitigação ou supressão de circulação, distanciamento social e isolamento de infectados, rapidez nas medidas, orientações adequadas, boa estrutura de atendimento à saúde ou não para as vítimas agravadas.
A recomendação para todos nós é de quarentena, não sair de casa. Se precisar sair, que seja para o estritamente necessário como comprar mantimentos, medicamentos ou algo de elementar para a sobrevivência e que se faça toda a higienização preventiva explicada pelo meios informativos.
Eu gostaria de ocupar o tempo da quarentena forçada pela pandemia para fazer uma das coisas que mais gosto na vida: ler e estudar. Mas eu não consigo! É da minha natureza pensar o homem, pensar a sociedade, pensar o mundo. Minha natureza é de um cidadão politizado e militante, e de envolvimento com as questões sociais.
É enorme a minha preocupação com os milhões de cidadãos que não têm como ficar em casa porque não têm casa, estão nas ruas; com os milhões de brasileiros que vivem nas favelas e periferias, sem a menor condição de "isolamento" num barraco onde moram cinco, dez, quinze pessoas, e desempregadas; preocupação com os milhões de pessoas que voltaram para a pobreza e extrema pobreza sem ajuda de programas sociais e sem emprego formal e direitos, por causa do golpe de Estado e dos celerados, corruptos e psicopatas que assumiram o país após o fim da democracia.
A pandemia já demonstrou por onde passou que uma das consequências que ela traz é o colapso dos sistemas de saúde e é por isso que as autoridades internacionais e os países que já estão lidando com a doença em seu avanço e pico orientam que as medidas de mitigação e se possível de contenção de circulação sejam feitas o quanto antes, para evitar o pico de pessoas contaminadas e com necessidade de atendimento com internação e respiração artificial. O sistema não dá conta da demanda de uma vez de casos muito acima da estrutura existente.
ME PREOCUPO TAMBÉM COM OS COLEGAS BANCÁRIOS, OS APOSENTADOS E OS DOENTES CRÔNICOS DA COMUNIDADE BB
Estou preocupado também com as pessoas da comunidade bancária à qual pertenço, à qual passei a minha vida laboral defendendo como dirigente sindical e como gestor de saúde em meu último mandato de representação, na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Quem me conheceu durante minha atuação de dirigente, sabe do trabalho que fiz pelos bancários do BB e pela Cassi, seu modelo de saúde e os direitos em saúde dos associados.
Eu quase não dormi por 4 anos para conhecer o sistema, para defender os bancários, para desenvolver estudos que comprovassem a eficiência do modelo assistencial da autogestão Cassi, para viajar o país e apresentar a Caixa de Assistência, envolver os intervenientes do sistema, dar pertencimento aos associados, pedir parcerias em saúde com os órgãos regionais do Banco do Brasil e para fortalecer o sistema de participação e fiscalização dos participantes: os conselhos de usuários, os sindicatos e associações em todo o território nacional.
Depois que deixei o movimento sindical e a representação de classe, nesses quase dois anos, praticamente deixei de escrever sobre as questões relativas a essa dimensão social de nossa vida. Uma vez ou outra, o coração aperta, o cérebro não para de me cutucar e sou obrigado a sentar e escrever alguma coisa. Foi assim que opinei poucas vezes sobre os debates da Cassi após sair do movimento.
A pandemia que chegou ao Brasil tem feito com que eu não consiga fazer mais nada por ficar pensando naqueles que defendi e representei por tanto tempo na vida: os bancários em geral e os bancários da ativa e aposentados do Banco do Brasil. E aí não tem como não pensar na Cassi, no modelo assistencial de Estratégia Saúde da Família (ESF) e Atenção Primária em Saúde (APS), os programas de saúde que deixamos funcionando bem - apesar da falta de recursos e investimentos -, no quadro de funcionários da Cassi (um patrimônio nosso) e nos usuários do sistema, sobretudo nos milhares e milhares de participantes crônicos acompanhados pela ESF em todos os Estados e DF.
Eu sei que não deveria ficar horas e horas com a cabeça focada nessas questões da comunidade BB como fiquei por quase duas décadas de representação porque os associados têm seus representantes, mas é difícil não me preocupar. A gente acaba abrindo documentos e mais documentos, fontes e mais fontes de dados sobre a Cassi, seu sistema e os participantes. Porque eu conheci profundamente a autogestão. E me desespero ao ver de longe tudo que estão desfazendo em nossa Caixa de Assistência, a começar pela quebra da solidariedade, palavra que volta à agenda mundial por causa de uma pandemia que pode alterar os rumos da sociedade mundial hegemonizada pelo modelo econômico e político neoliberal de Estado mínimo e concentração de renda como nunca visto.
Finalizo esta reflexão dividindo com vocês minha preocupação após olhar e relembrar um pouco a grandeza dos números da Cassi em relação ao perfil de sua população idosa e crônica, parte dela já cuidada pelo modelo assistencial ESF/CliniCassi. O modelo e o perfil populacional evidenciam a importância dos programas de saúde para uma comunidade de brasileiros e brasileiras cujo número de pessoas com mais de 59 anos é de 174 mil assistidos e que em algumas bases da Cassi no país chegam a representar 46% dos participantes do Plano de Associados, e a grande maioria é de pessoas com doenças crônicas, ou seja, grupos de risco em relação à pandemia que chega ao Brasil.
De verdade, me preocupo com as mudanças que fizeram nos últimos dois anos no Programa de Assistência Farmacêutica (PAF) da Cassi, um programa que sempre foi essencial para o bom funcionamento do modelo assistencial da nossa autogestão. A título de exemplo, no início de 2018, tínhamos mais de 10 mil cadastrados em São Paulo, assistidos pelo programa e que recebiam os medicamentos em casa, e estamos falando de 645 municípios do Estado. A Cassi mudou o processo conforme matéria informativa em seu portal em 23/11/18 (ler reprodução abaixo) e hoje os participantes precisam sair e comprar os medicamentos. Será que esses participantes crônicos estarão medicados nos próximos meses de quarentena que o país vai enfrentar?
Como ex-gestor do modelo assistencial e associado, também vi com preocupação as mudanças ocorridas na Limaca (lista de materiais e medicamentos abonáveis pela Cassi). Aliás, através de uma das matérias que fala das mudanças (em 26/12/19), também soube que outras bases com milhares de participantes com doenças crônicas (MG, RJ e ES), bases com enormes quantidades de idosos, a Cassi mudou o modelo de acesso, não fornecendo mais os medicamentos por distribuidores logísticos e exigindo que as pessoas comprem por conta própria e peçam reembolso.
Espero que todos esses participantes estejam medicados. O nosso programa tinha como uma de suas premissas o fato de ser solidário no acesso ao medicamento, independente se o associado crônico estivesse nas grandes cidades, com mais acesso a redes de farmácias, ou em locais afastados dos grandes centros. A autogestão mantinha estáveis pessoas com doenças crônicas, evitando assim agravamentos e crises agudas, que exigem a busca de rede credenciada e internações hospitalares, infinitamente mais onerosas e com mais riscos para os assistidos.
Imaginem a dificuldade de acesso que teriam os participantes crônicos da Cassi em eventuais crises e agravamentos por não tomarem os medicamentos de uso contínuo em um sistema de saúde colapsado pela pandemia.
Bom domingo a todos e todas. E fiquem em casa, por favor!
William
Post Scriptum:
Imaginem vocês a dificuldade que um participante terá para conseguir encontrar medicamentos à base de cloroquina após o sujeito na Presidência do Brasil fazer um vídeo falando fake news a respeito desse medicamento sem nenhuma confirmação ainda sobre eventual eficácia dele no combate ao Covid-19?
--------------------------
CASSI muda fornecimento de materiais e medicamentos do PAF em SP
Publicado em: 23/11/2018
Os participantes do estado de São Paulo atendidos pelo Programa de Assistência Farmacêutica (PAF) terão acesso ao benefício exclusivamente pela modalidade de reembolso. A medida é válida desde o dia 23 de novembro.
A compra de materiais e medicamentos autorizados pelo PAF deverá ser feita pelo próprio associado, no local de sua escolha, com posterior pedido de reembolso eletrônico. Os medicamentos e materiais serão reembolsados na forma autorizada pela CASSI.
A ferramenta de solicitação de reembolso já está disponível no site da Caixa de Assistência, na área logada (Serviços para você) do perfil Associados. O recurso possibilita que os pedidos sejam encaminhados pela internet, por meio da digitalização da documentação exigida. Para a Assistência Farmacêutica, é necessário:
• Envio de nota fiscal ou cupom fiscal* contendo: data de emissão; nome e CNPJ da entidade; discriminação e quantidade dos materiais e medicamentos adquiridos - miligramagem no caso de medicamentos -, valores unitários e totais.
O sistema exigirá que o participante digite o número de autorização fornecido pela Unidade.
Existem entregas de medicamentos em andamento com previsão de chegada às residências dos participantes até o dia 30/11/2018. Assim, a CASSI orienta verificar o estoque de medicamentos recebidos anteriormente e, nos casos possíveis, realizar a compra após esta data.
A distribuição dos medicamentos antineoplásicos (oncológicos) de uso oral domiciliar e de fornecimento obrigatório, em razão de normativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não será alterada. Ou seja, tais medicamentos continuarão a serem entregues pela CASSI no local indicado pelo participante.
Em caso de dúvidas, contate a CASSI São Paulo ou a CliniCASSI mais próxima por meio do “Fale com a CASSI”, no site www.cassi.com.br, opção “Canais de Atendimento”.
Fonte: Cassi
Marcadores:
Banco do Brasil,
Brasil,
Cassi,
Crônicas e textos meus,
Diário,
Esporte e saúde,
Ética,
História,
História dos bancários,
Ideologia,
Instantes,
Pandemia,
William Mendes
sábado, 21 de março de 2020
200320 - Diário e reflexões
![]() |
| Hibisco branco foi a flor que veio à mente para ilustrar a reflexão. |
A sexta-feira foi de busca de informações, preocupações diversas com as pessoas, com os pais e familiares, com o país e o povo brasileiro, com a comunidade bancária à qual pertenço, a dos trabalhadores da ativa e aposentados do Banco do Brasil. Aliás, uma comunidade com características muito especiais que vou abordar qualquer dia desses nas reflexões que estamos fazendo. Estou indignado em ver os banqueiros exigindo que os bancários sigam trabalhando e se expondo à pandemia.
Nas reflexões de ontem (ler aqui), falei do quanto é importante que todos nós comecemos a contatar as pessoas que conhecemos e inclusive as pessoas que pudermos contatar mesmo sem conhecê-las ainda, mas que estejam em condições de isolamento, como idosos e pessoas com doenças crônicas que precisem tomar todos os cuidados para evitar o contágio do Covid-19, segmento da população que apresenta risco maior por causa da baixa imunidade e maior idade.
Ao ver a forma como o "governo" brasileiro vem tratando a pandemia é inevitável que qualquer pessoa com consciência humana se sinta revoltada e indignada. Nós não temos governo! O "presidente" (fraude!) e o seu ministro Posto Ipiranga não têm a menor consideração pelos seres humanos. Caia um meteoro na Terra ou a pandemia extermine a totalidade do povo por não ter atendimento de saúde, os caras nem cogitam colocar recursos de verdade no salvamento das vidas do povo brasileiro.
Durante quatro anos tive a oportunidade de atuar como gestor de saúde em uma das maiores operadoras de autogestão do país. Foi um aprendizado exponenciado que muda a vida de qualquer dirigente e administrador. A partir dessa experiência minha consciência de classe e conhecimento de sistemas de saúde me permitem ter hoje mais noções de causas e consequências das decisões políticas que os burocratas e capitalistas tomam em relação ao tema, como a trágica Emenda 95, que congelou os investimentos na saúde por 20 anos.
A destruição proposital do Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) pode ter como consequência uma das maiores tragédias humanitárias da história de nosso país simplesmente por sucatear o maior sistema público de saúde do planeta, em relação aos números e grandezas. Congelar as verbas da saúde por 20 anos como fizeram após o golpe de Estado em 2016 já se mostrava um crime hediondo e de lesa-humanidade antes do advento da pandemia. Bilhões de reais foram retirados da saúde do povo brasileiro.
O ataque ao SUS ocorreu num momento trágico, ou seja, ao mesmo tempo em que milhões de pessoas voltaram à miséria, sem direitos básicos e sem planos privados de saúde - sistema de saúde suplementar que também enfrenta crise há anos. E agora chegou uma pandemia global num país com muito mais pobreza por causa da pauta dos golpistas destruidores de direitos humanos e ainda temos dificuldades de calcular a extensão do que pode acontecer com a chegada do novo coronavírus ao Brasil sem governo.
Estou com o coração apertado ao pensar nos milhões de trabalhadores sem teto e moradores das favelas e periferias das cidades brasileiras, e dos trabalhadores assalariados que começam a ser despedidos em massa e estou preocupado com os milhões de trabalhadores informais que não terão dinheiro algum para comer e sobreviver, enquanto o 1% no poder continua com suas retóricas vazias, e usando a tática que levou a ultradireita ao poder: mentir, mentir, fazer uma merda diária para tirar atenção do essencial e seguir desviando o foco dos problemas do povo.
Dramático o cenário! Mas não podemos esmorecer. Espero ver o Brasil e os brasileiros superarem a tragédia humanitária que se aproxima e superarmos essa cegueira que tomou conta de nós ao nos manipularem para termos ódio e intolerância, medo e egoísmo, de forma a permitirmos que alguns canalhas da casa grande capturassem nossas consciências a ponto de perdermos a razão e o país ter chegado a colocar no poder esse bando de lunáticos e corruptos lesas-pátrias.
Por fim, como sugeri ontem, consegui contatar duas pessoas hoje pelas quais tenho grande apreço e carinho, dois colegas da comunidade Banco do Brasil. São aposentados que seguem na luta por justiça e por um mundo melhor para a classe trabalhadora. Os contatos me deixaram feliz, partilhamos angústias e nos animamos mutuamente (uma das conversas durou uns quarenta minutos rsrs). São pessoas idosas e que merecem todo o nosso carinho e atenção, pois dedicaram a vida inteira à defesa dos direitos dos bancários e dos brasileiros.
Seguimos firmes. Vamos enfrentar a pandemia. Vamos enfrentar a cegueira política que se abateu sobre o povo brasileiro. Vamos viver e vamos ver ainda o nascer de um país que vai superar essa demência coletiva chamada bolsonarismo.
William
Marcadores:
Amizade,
Banco do Brasil,
Brasil,
Crônicas e textos meus,
Diário,
Ética,
História,
História dos bancários,
Ideologia,
Pandemia,
Política,
Solidão,
William Mendes
Assinar:
Postagens (Atom)











