quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Diário e reflexões - Retrospectiva 2025

(texto em produção...


Refeição Cultural

Quarta-feira, 31 de dezembro de 2025.


Retrospectiva

Ao finalizar o ano, costumo fazer uma retrospectiva nesta página sobre fatos, impressões e acontecimentos que marcaram a vida pessoal do autor do blog e o mundo no qual vivo, um lugar redondo e único para todos os seres viventes.

Ao pesquisar os acessos que o blog teve ao longo do ano que termina, fiquei impressionado com os números, o que me faz seguir tendo muita responsabilidade e honestidade naquilo que escrevo como personagem da sociedade humana. Foram mais de 480 mil acessos no ano. 

Agradeço às leitoras e leitores do blog pela troca de conhecimentos de forma gratuita. Esse é o objetivo do blog desde sua criação no final do ano de 2007. 

Como aprendi com o professor Ladislau Dowbor numa palestra lá no começo de minha jornada, diferente de uma coisa material como um relógio, um tênis ou algum objeto, quando compartilhamos conhecimento, o saber coletivo aumenta, se modifica, e novos conhecimentos brotam. Acredito nisso!

Meus blogs, este de cultura e sua extensão em imagens e o de política sindical - A Categoria Bancária -, são uma espécie de biblioteca deste personagem do mundo humano, uma coleção de textos e saberes, como a Wikipedia. No meu caso é um "What I Know Is" (WIKI) do William Mendes. Por isso, estou sistematizando e encadernando os mais de 6 mil textos produzidos em duas décadas.

O ano de 2025 foi intenso como todo ano é, porque viver é um desafio diário, e ele trouxe mudanças pessoais e coletivas, para mim e para vocês. 

No meu caso, por exemplo, publiquei um livro. Algo novo! O mundo humano e o planeta Terra também experimentaram coisas novas. 

A mudança segue sendo uma realidade da Natureza, tudo muda o tempo todo, seja de forma instantânea, seja de forma lenta, não perceptível em uma vida humana.

Enfim, que fiz ou o que rolou nos últimos doze meses do ano?

---

POLÍTICA 

Falo pouco ou quase nada sobre a política em nosso país e no mundo. Não tenho mais importância nessa questão como tive quando era outro ator social. 

O ex-presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, foi processado, julgado e condenado a 27 anos de prisão por tentativa de Golpe de Estado. Ele foi preso, uma notícia boa! Mas segue impune pela morte de centenas de milhares de pessoas durante a pandemia e sua gestão criminosa.

O presidente Lula está bem de saúde e segue melhorando a vida do povo brasileiro. Votamos em Lula, do Partido dos Trabalhadores, para que o pobre fosse incluído no orçamento do Estado. Com todas as críticas que tenhamos em relação ao governo Lula 3, sejamos honestos para afirmar que nas atuais condições políticas do país, o maior estadista do Brasil fez mais do que qualquer outro de nosso campo político faria em seu lugar. Eu não tenho dúvidas sobre isso.

As pessoas que representam o projeto político para o qual me dediquei nos últimos anos, e votei nelas, seguem atuando de forma combativa e ética. 

Fiz campanha e votei nas candidaturas do JuntOz, em Osasco, e Luna Zarattini, em São Paulo. São mandatos que nos dão muito orgulho! Luna, Heber, Gabi e Matheus são inspiração e esperança de renovação do PT. 

Em 2022, votei no presidente Lula, votei no Padilha e no Marcolino. Esses políticos nos honram muito, pois trabalham incansavelmente pelo povo brasileiro e pelo país. 

LITERATURA E LEITURAS

Não li o quanto gostaria, mas li bastante em 2025. Conheci autores novos e poéticas novas. Isso é bom! Os comentários sobre as leituras estão nos links.

1. Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva (aqui)

2. ¿Por qué la Revolución Cubana? - Org. Juan Carlos R. Luz (aqui)

3. Flores das "Flores do Mal" de Baudelaire - Guilherme de Almeida (aqui)

4. Prufrock e outras observações - T. S. Eliot (aqui)

5. Maiakóvski: poemas - B. Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos (aqui)

6. El gaucho Martín Fierro - José Hernández (aqui)

7. Bagagem - Adélia Prado (link)

8. Crisálidas - Machado de Assis (link)

9. Ismaelillo - José Martí (link)

10. Poemas - T. S. Eliot (link)

11. Cachorro Velho - Teresa Cárdenas (link)

12. A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói (link)

13. Papéis Avulsos (I) - Machado de Assis (link)

14. Primeiras Estórias - João Guimarães Rosa (link)

15. Coração de Vidro - José Mauro de Vasconcelos (link)

16. O Picapau Amarelo - Monteiro Lobato (link)

17. Aventuras de Hans Staden - Monteiro Lobato (link)

18. O Saci - Monteiro Lobato (link)

19. Fábulas - Monteiro Lobato (link)

20. Nada mais será como antes - Miguel Nicolelis (link)

21. Deuses humanos - H. G. Wells (link)

22. Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT - William Mendes (link)

23. Desafios do Sindicalismo no Brasil Contemporâneo - Luiz Azevedo (link)

24. Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo - Entrevistas de Juarez Guimarães (link)

25. Garimpeiro do cotidiano - Francisco Ferreira Alexandre (link)

26. Cassems 15 anos - autogestão em saúde: um sonho possível - Eronildo B. Silva (link)

27. Pequena coreografia do adeus - Aline Bei (link)


(texto em produção...)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O sentido da vida (17)



Registrar histórias que vivenciou


Passou os últimos anos somando nas lutas populares como mais um militante, fazendo volume. Isso importa na resistência. Aprendeu isso no sindicalismo. 

Qual seria, entretanto, o sentido de sua vida naquele momento existencial, num ambiente de maior risco de fim ou de perda de sua memória, seus registros?

Já sabia que estar vivo era importante pelo suporte a outras vidas. Já é um sentido da vida.

Talvez outro sentido seja registrar o que sabe ou viveu sobre algo específico da sociedade humana, algo que tenha algum conhecimento a mais que a média das pessoas. 

O mundo pode até acabar, as coisas podem deixar de existir. Mas isso vem ocorrendo há muito tempo no mundo. 

Se sabemos de algo do passado é porque alguém registrou ou porque sobrou por aí na natureza. E outro alguém estudou e pesquisou aquilo.

Suas memórias sobre a Cassi são só suas e talvez ele devesse registrar isso e deixar por aí no mundo. As coisas que fez, que soube, que defendeu, que entregou, deveriam vir a público, porque existiram. 

Seria algo a se fazer ainda, algo que desse algum sentido ao existir, essa coisa instável, efêmera e possível por uma soma de acasos. 

Num instante, não se existe mais. Num instante aquele cérebro colapsa, a memória se perde.

---

domingo, 28 de dezembro de 2025

Livro: Pequena coreografia do adeus - Aline Bei



Refeição Cultural

LITERATURA

 

"era um lugar inóspito para você derramar o seu amor

uma terra infértil, não chove

pelo contrário, o sol torra cada pedaço de vida de um jeito

que não sobra nada no horizonte e ainda assim

       eu nasci." (p. 18)


O livro de Aline Bei, "Pequena coreografia do adeus" (2021), é um presente para os amantes da boa leitura. 

Adorei a leitura! Viajei com Júlia!

-------------

"já tentei indicar uns livros pra ele, mas o Vegas me diz que é um homem de ação. respondo que ler é viver muitas vidas além da sua

- e se isso não for ação - termino, depositando a conta em sua mesa -, eu não sei mais o que é.

- ainda vou tentar esse negócio de leitura. por você, hein, Julinha.

- não, Vegas. faça por você. - pisco." (p. 159/160)

-------------

A poética de Aline Bei é única e a escritora está apenas em seu segundo romance com este livro. 

Incrível ela ter um estilo tão seu em tão pouco tempo!

Li o primeiro romance dela, "O peso do pássaro morto" (2017), e também fiquei impressionado com a história e sua linguagem poética (comentário aqui). 

Me peguei várias vezes viajando nas memórias através da personagem Júlia Terra, tão única e tão nós!


"imaginei que 

talvez

o trabalho do Vegas tenha sido tão local que

não era mesmo de se conhecer. 

desde quando sabemos de todas as coisas que acontecem no mundo se mal sabemos o que se passa no fundo do nosso coração?" (p. 213)

Amiga e amigo leitores, o livro da jovem escritora Aline Bei nos enche de esperança...

Esperança na juventude, na literatura, na mudança, na vida.

William 

28/12/25


Bibliografia:

BEI, Aline. Pequena coreografia do adeus. 1a ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

Dirce Mendes: Creio em Ti



Textos de minha mãe (2)

---

CREIO EM TI

Ó Deus, que grande é o Seu poder e a Sua graça!

É maravilhoso, Senhor, crer em Vós. Sem Vós, nada somos, nada temos.

Vejo-Vos, em todas as coisas: do mais pequenino grão de areia ao mais alto pico existente; do menor ao maior pássaro; da mais singela à mais esnobe flor; do menor ao maior ser existente. 

Estás em tudo, com toda perfeição e amor!

Por isso, Vos amo e adoro como meu Mestre e Senhor!

Sua Serva.

---

Comentário:

Foi com essa fé e essa cultura de religiosidade que fui criado, aculturado no Brasil dos anos setenta e oitenta. 

Minha mãe deve ter salvado minha vida nos anos de revolta e violência da adolescência com a criação religiosa que me passou.

Muitas vezes, no momento da decisão mais difícil, sozinho, me lembrei dessa cultura de um outro mundo, para não cometer o erro irreversível...

Estou aqui por ti, mãe! Até hoje. 

Palmério: A vida é dura pra quem é mole



Textos de meu pai (2)

---

A VIDA É DURA PRA QUEM É MOLE

Eu nunca tive uma vida fácil. Porém, a minha vida sempre foi comandada pela fé e pela esperança, que é a última que morre. Só espero que ela morra primeiro que eu, até mesmo porque eu não tenho pressa para morrer.

Quando você nasce, você recebe um monte de bombas para serem desarmadas ao longo da estrada. Não se pode vacilar no caminho. Cada bomba que encontrar, você deve desativá-la e seguir.

Sabemos que não temos o direito de errar porque se a bomba explodir é o seu fim. Portanto, cada vez que desarma uma bomba, você tem o direito de escolher um novo caminho e tudo dependerá de sua habilidade. 

A sua vida (sua jornada) se inicia no dia que você nasce e termina no dia que Deus determina. Porém, independente de sua idade, praticamente tudo dependerá do que você escolheu durante o percurso de sua vida. Escolha bem!

Quem planta vento, colhe tempestade. 

Palmério. Eu avisei. 

---

Comentário:

Percebo nesta reflexão de meu pai a questão das veredas que percorremos na vida, nos levando a destinos diferentes conforme a escolha trilhada. 

Interpreto de forma tranquila o título tirado de uma expressão popular um pouco dura, entendo que meu pai está falando de persistência e força de vontade. Eu tive isso na minha caminhada. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Nostalgia

 


1989

Papéis velhos. O ano apontado neles é 1989. Eu morava em Osasco, se não me engano, na casa de fundo de Dona Ivone, e trabalhava no Unibanco da Raposo Tavares. 

Estava fazendo curso de língua inglesa, no English Center, na Avenida Rebouças, em São Paulo. 

Na folha de rascunho com a logomarca do Unibanco, fiz um esboço de carta aos meus pais, que moravam em Uberlândia, MG. 

No esboço, um treino de escrita em inglês, sugiro a meus pais virem a SP em agosto. Meu pai faria 47 anos por aqueles dias e minha mãe 43 anos, no início de setembro.

Eu já namorava a Ione, em junho de 1989, tinha 20 anos de idade, era bancário e morador de Osasco.


Eu gostava de desenhar. Um dom que devo ter herdado de minha mãe, que sempre teve várias habilidades artísticas e manuais. 

Meu pai também foi um inventor de soluções pra tudo. Pra se ter uma ideia, até chuveiro aquecido com cano de PVC ele já fez. Aquecimento solar.

O antigo volante da Sena, da Caixa Econômica Federal, é uma lembrança dos primeiros anos como jovem trabalhador brasileiro, anos oitenta. Quase todo mundo sonhava com um dinheiro fácil para resolver a vida...

É isso! A vida fluiu e os acasos me trouxeram até aqui.

William 

25/12/25

Dirce Mendes: A vida é a razão maior para tudo



Textos de minha mãe (1)

---

A VIDA É A RAZÃO MAIOR PARA TUDO

Obrigada, Senhor!


Deus, de infinita bondade e amor, obrigada por tudo que o Senhor nos oferece!

Obrigada por este dia, obrigada pelo sol que nos aquece, obrigada Senhor; por tudo que há de belo na natureza. 

Pelos pássaros que cantam, pelas flores que enfeitam as ruas e os jardins. 

Obrigada pelo ar que respiramos, pelo sorriso de uma criança. 

Obrigada, Senhor! Pelo alimento que todos os dias nos dá.

Obrigada, Senhor! Até pelas lágrimas que derramamos.

Obrigada pelas estrelas, que tornam o céu tão lindo! Fazendo-nos acreditar, cada vez mais, no Seu poder e na Sua graça!

Obrigada pela decadência de um velho, obrigada pela dor de um doente!

Enfim, Senhor! Obrigada por todas as coisas boas e também as que não são boas. 

Isto é vida! Razão maior de agradecimento, tesouro, que todos devemos agradecer e lutar pela sua conservação, razão maior de aceitarmos tudo, com paciência, carinho e abnegação.

A própria vida que Deus nos conserva é a razão: de toda alegria, todo sofrimento e dor, e de tudo o que nos possa acontecer. Isto chama-se vida e é a razão maior para tudo. 

Enfim, Senhor, obrigada por esta razão maior!

Obrigada!

Sua Serva

Dirce Mendes

---

Comentário:

Meu pai e minha mãe sempre gostaram de escrever seus pensamentos e percepções da vida e do mundo. Meus pais tiveram poucas oportunidades de formação escolar. Como são muito inteligentes, sempre tentaram exercer seus dons e habilidades pessoais. 

Escrever é apenas uma das características que herdei de meus pais. 

Ao publicar alguns textos deles, farei a adaptação que achar necessária na escrita, pois o objetivo é registrar a essência da reflexão deles, o meu entendimento do conteúdo, a ideia central. 


Palmério: A vida na terceira idade. 75 anos amando a natureza



Textos de meu pai (1)

-

A VIDA NA TERCEIRA IDADE. 75 ANOS AMANDO A NATUREZA

Palmério, este cara sorriu pra vida


Para que você conheça a terceira idade, você tem que passar pela primeira e a segunda. Quando você entra na terceira, a sua opinião é descartada porque nesta fase da vida já começam a dizer que você já está gagá.

Feliz daquele que consegue relatar a história de sua vida; no final, dizer que foi muito bom viver intensamente cada momento; se você não tem do que se arrepender, isto significa que a sua média de aproveitamento do que viveu foi ótima.

Se me perguntar qual foi o melhor momento de minha vida, direi todos. Cada um a seu tempo foi ótimo. Tudo que deixou muita saudade foram momentos felizes de nossas vidas. Os que não gostamos de recordar têm que ser apagados. 

A vida mal começa, já se chega ao fim. Portanto, não se deve perder tempo se lamentando. Viva a cada momento de sua vida como se fosse o único. 

O amanhã a Deus pertence, trate as pessoas ao seu lado como gostaria de ser tratado e viverá muito mais feliz.

Palmério

---

Comentário:

Meu pai e minha mãe sempre gostaram de escrever seus pensamentos e percepções da vida e do mundo. Meus pais tiveram poucas oportunidades de formação escolar. Como são muito inteligentes, sempre tentaram exercer seus dons e habilidades pessoais. 

Escrever é apenas uma das características que herdei de meus pais. 

Ao publicar alguns textos deles, farei a adaptação que achar necessária na escrita, pois o objetivo é registrar a essência da reflexão deles, o meu entendimento do conteúdo, a ideia central. 

Instantes (11h22)



Refeição Cultural


LEITURAS 

"tirei a roupa

que ficou embolada

num canto

a folha de um texto ruim." (p. 188)


O texto de Aline Bei já me fez viajar nas minhas vidas várias vezes. 

A personagem Júlia é única, como toda vida é, mas Júlia é também cada um de nós, de nossos personagens em nossas vidas passadas e presente. 

Já fui Júlia quando morei nas diversas casas e nas diversas vidas compartilhadas em ambientes opressores tristes inóspitos para uma vida saudável. 

"Para Ed, essa era a hora mais temida: seu tio voltava para casa. Era um homem barbudo, caminhava pesadamente pela vida, cheirava a álcool e a destruição..." (p. 189)

Houve um tempo no qual eu só encontrava refúgio para ler numa praça de alimentação de algum shopping center... o burburinho era o meu silêncio, meu acalanto... alone in the crowd...

---

Incrível sentir às vezes o mesmo sentimento de décadas atrás já embrenhado em veredas que não levarão a novos destinos...

William 

25/12/25

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Livro: Cassems 15 anos - autogestão em saúde: um sonho possível



Refeição Cultural

Reli o livro comemorativo dos 15 anos de existência da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul. Eu o ganhei do presidente da autogestão, o dr. Ricardo Ayache, em 23/08/17, quando visitei o Hospital Cassems Campo Grande. Naquela data, estava cumprindo agenda como diretor de saúde da nossa autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, a Cassi (ler aqui).

Antes de 2017, eu já vinha acompanhando a Cassems por estudar sistemas de saúde, sobretudo os modelos de autogestão. Os servidores de Mato Grosso do Sul criaram a Caixa de Assistência em 2001, pois o Previsul havia falido e os servidores estavam sem plano de saúde. A sugestão e o incentivo foram do governador à época, Zeca do PT, e de Gleisi Hoffmann, que trabalhava em seu governo (ler aqui).

Um dos motivos para reler o livro sobre a história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul foi voltar a ter algum contato com as lideranças sindicais do Banco do Brasil e tomar conhecimento das questões em debate relativas a autogestão dos funcionários do BB, a Cassi. Uma das pautas debatidas pela comunidade de associados ativos e aposentados e o patrocinador é o déficit atual e alternativas de custeio. O tema é recorrente na Cassi desde sua criação há oito décadas.

Quando participei da gestão da Cassi, como diretor de saúde eleito, entre 2014 e 2018, o déficit do Plano de Associados era uma das questões centrais no dia a dia da autogestão e do funcionalismo do banco. Ao estudar a história de nossa Caixa de Assistência, vi que a questão sempre esteve presente na agenda.

Como gestor da Cassi, tratei de estudar o mercado onde as operadoras e autogestões atuam e passei a conhecer como funciona o setor de saúde, inclusive conheci um pouco a respeito de nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e as regulações vigentes.

A Cassems surgiu em 2001 após o Previsul ter falido e os servidores de Mato Grosso do Sul ficarem sem plano de saúde e de previdência. O livro conta detalhes da história da autogestão. 

Uma das questões que mais me chamaram a atenção quando era gestor da Cassi e ainda hoje, quase uma década depois, é a opção das direções da Cassems pela verticalização, por investir em estruturas próprias de saúde para enfrentar o agressivo mercado privado de venda de serviços de saúde - a chamada "rede credenciada" -, nome mais conhecido pelos usuários de planos de saúde.

Enfim, é sempre bom reler livros que nos trazem novos conhecimentos e que nos fazem refletir sobre as coisas. A Cassems e seus associados acertaram muito com suas escolhas em relação a criarem estrutura verticalizada de saúde. 

A autogestão vai completar 25 anos em 2026 e pelo que percebo estão no caminho correto. São quase 200 mil beneficiários, em números contidos no livro. É muita gente! São 10 hospitais e uma estrutura robusta de atendimento em saúde.

Autogestões como a Cassi e outras entidades de saúde de trabalhadores deveriam estudar a história de sucesso da Cassems, que, aliás, se inspirou na Cassi para ser criada.

É isso! Sigamos lendo, estudando e diminuindo nossa incompletude.

William

23/12/25

Instantes (9h41)



Refeição Cultural


Opinião


O imponderável 

Em duas décadas de política brasileira, meus blogs registraram momentos da história do país através do olhar de um personagem da classe trabalhadora, um bancário sindicalista da Articulação Sindical da CUT. Aquele cidadão escrevia com o sentimento dos acontecimentos em sua vida, na sua categoria profissional e em seu país. E no mundo, que é um só e redondo.

O blogueiro vivenciou e registrou os melhores e os piores momentos dos governos do Partido dos Trabalhadores, e os melhores e piores momentos da classe trabalhadora brasileira, que foi beneficiada pelos governos do PT e prejudicada com a queda do partido. 

Viu Lula eleger sua sucessora em 2010, após ter mais de 80% de aprovação. Viu as manifestações de 2013 e tudo começar a mudar. Viu um sujeito do STF impedir Dilma de nomear Lula seu Ministro de Estado. Viu tudo que aquele juiz inepto e sua quadrilha fizeram a partir da República de Curitiba. Viu tudo que a Globo fez.

Nos blogs estão os relatos e sentimentos daquele trabalhador bancário sindicalista, as dores do processo injusto do impeachment da presidenta Dilma. As dores das prisões ilegais de figuras históricas como Dirceu e Genoino. Da prisão do Vaccari. Depois as dores da prisão absurda do presidente Lula. 

Nos textos dos blogs perpassam todas as dores indescritíveis do "governo" do traidor, o da "ponte para o futuro". Todo o sofrimento daquela longa noite de terror do governo Bolsonaro, o genocídio do povo brasileiro durante a pandemia sob governo de um inepto. Ineptos fizeram o que quiseram e tudo começou "com o Supremo com tudo".

O personagem dos blogs sempre falou sobre os imponderáveis que podem mudar tudo, da noite para o dia. Uma morte de ministro do STF de avião que cai. Um lunático que dá facada em alguém etc.

Estamos terminando o ano que antecede 2026 com a máquina midiática de nossos inimigos de classe - os donos do poder (que também são fascistas e extremistas de direita) - apontada para o sujeito da suprema corte apontado até pelos meus colegas de classe como responsável por salvar a república durante a nova tentativa de golpe de Estado em 2023. 

O motivo de eventual queda do sujeito: dinheiro e poder, mel e melado que lambuza gente que gosta de mel e melado.

Na política brasileira, tudo é circunstancial. Pauta e agenda definem a realidade do país em benefício sempre dos privilegiados da casa-grande. Bilhões de dinheiros roubados podem não dar em nada, e um chocolate ou tapioca podem mudar o destino de alguém. Um pedalinho ou uma cota de cooperativa habitacional, idem.

O ano de 2026 para todos nós - todas todxs todes - é completamente imprevisível neste momento, na minha modesta opinião de ex-dirigente político da esquerda brasileira. 

William 

23/12/25

domingo, 21 de dezembro de 2025

Instantes (18h18)



Refeição Cultural

Voltei de uma pedalada pelas ruas do Parque. O cansaço que sinto pode ser de vários tipos. Pode ser o psicológico pelo fim do ano no calendário. Pode ser pela leitura da minha realidade. A impotência claustrofóbica de não conseguir mudar o cotidiano. Caminhei décadas pelo mundo, experimentei muita coisa, conquistei coisas que são consideradas para medir sucesso ou fracasso na vida. Coisas. Tenho muitas coisas. Mais coisas do que preciso. No entanto, olho para trás e vejo que tinha o que talvez quisesse hoje: uma casinha de pobre com pouca coisa, mas limpinha. Um corpo que pudesse sair ao domingo para um trote de 10K. O cansaço que sinto pode ser de vários tipos. Não posso fazer pelos outros algo que eles mesmos não queiram pra si. Não posso. O ser humano é uma espécie animal complexa. Cansaço. Cansado do cotidiano. Cansado de não achar solução para mudar o cotidiano-gaiola.

Post Scriptum: 18h32

Cansado...

21/12/25

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Instantes (20h15)



Refeição Cultural

LEITURAS

"O 'populismo', como noção para explicar a política brasileira de 1930 a 1964, tornou-se uma das mais bem-sucedidas imagens que se firmaram nas Ciências Humanas no Brasil. O ano de 1930 seria o início do 'populismo na política brasileira'; 1945 marcaria rearranjos institucionais que teriam permitido a sua continuidade na experiência democrática; 1964, finalmente, significaria o seu colapso." (Jorge Ferreira, na Introdução de "O populismo e sua história: debate e crítica", 2001)


Li o texto de Jorge Ferreira de introdução aos artigos reunidos no livro "O populismo e sua história: debate e crítica". Achei interessante a abordagem e apresentação de Ferreira aos artigos reunidos em 2001. 

O texto estava em minhas pilhas de papéis velhos. 

---

LULA NÃO É POPULISTA 

Aí fui reler um excerto de uma entrevista da professora filósofa Marilena Chaui, em meu blog; entrevista concedida à Revista Cult n° 133, de março de 2009 (excerto aqui).

A filósofa explica o uso inadequado do conceito de populismo ao se referirem a Lula, e me encantei mais uma vez com Chaui. Ela é demais!

Leiam o excerto para entenderem.

---

O tema populismo foi tratado por Jorge Ferreira e articulistas em 2001 e por Marilena Chaui em 2009.

Imaginem hoje, 2025, após governos como Milei, Trump et caterva, o quanto o populismo poderia ser estudado e debatido para ser combatido por nós, que não somos populistas.

É isso! Sigamos lendo para sermos menos ignorantes.

William Mendes 

16/12/25


domingo, 14 de dezembro de 2025

O sentido da vida (16)



Servir ao próximo e ao planeta Terra


Acompanhar o pai em um procedimento cirúrgico. Acompanhar a esposa num procedimento cirúrgico. Zelar pela vida de entes queridos. Ajudar de alguma forma as pessoas.

Tentar de alguma maneira sistematizar e preservar a história de sua classe, mesmo sendo só alguma coisa de uma imensidão de histórias de lutas, preservar até por amor e por dó de ver tanta coisa bonita se perder, ser apagada.

Fazer um esforço grande e disciplinado para preservar a si mesmo, para poder fazer as coisas que entende que devem ser feitas, por ética e até por amor.

Buscar sentidos até para se manter vivo e assim fazer o que entende ser correto fazer, mesmo vivendo meio que em função das coisas que entende serem necessárias. 

O sentido da vida... tomara que o acaso e a natureza sigam favoráveis à sua existência. E que a sorte lhe traga um fim digno quando chegar a hora

---

sábado, 13 de dezembro de 2025

Vendo filmes (XXXIII)


O grito de Crisóstomo.


Refeição Cultural


O DIVERSO É O COMUM

Certa vez, quando era adolescente, cheguei numa madrugada, vindo da rua, e dei um longo grito no quintal de minha avó, onde morávamos, e assustei muita gente. Foi um ato insano. Foi um grito de dor. Não deveria ter feito aquilo, mas fiz. Devia estar numa deprê impossível de suportar.

Ao assistir ao filme "O filho de mil homens" me lembrei na hora desse episódio de minha vida ao ver Crisóstomo gritar em frente ao mar para aliviar sua dor e sua solidão.

Vi por esses dias três filmes que me deixaram pensativo, filmes cuja temática central diria ser as idiossincrasias desse fantástico animal que somos, os seres humanos, únicos na natureza enquanto espécie que cria abstrações que dominam os criadores e únicos no comportamento mesmo sendo bilhões de indivíduos da mesma espécie. 

Os filmes "O filho de mil homens" (2025), "O pior vizinho do mundo" (2022) e "Papai" (2023) se interligaram em minhas reflexões ao me fazerem pensar nas complexidades das relações humanas, nas violências dolorosas dos preconceitos humanos e nas possibilidades de mudança contidas em cada um de nós, enquanto seres incompletos e biologicamente preparados para as adaptações aos ambientes aos quais estamos inseridos como seres vivos e tentando sobreviver. 

Crisóstomo (Rodrigo Santoro), Otto (Tom Hanks), Clark (Sean Penn) e as personagens com as quais interagem e convivem ou por um curto espaço de tempo ou por toda uma vida refletem a questão que me deixou bolado nesses dias: o quanto somos diversos e o quanto a solidão de alguma forma marca a vida de boa parte da sociedade humana, muitas vezes pelo fato de não nos encaixarmos naqueles padrões violentos impostos a nós por outros.

O rapaz que gritou no quintal de casa numa madrugada lá nos anos oitenta sentia uma dor impossível de suportar no peito. Crisóstomo grita quando precisa aliviar a dor que sente no peito. A solidão nesses casos não era solitude, era incompletude. 

Otto encontrou certo dia a cor em sua vida, o motivo de seguir adiante. Depois sua vida ficou cinza, opaca. O rapaz que não se encontrava na vida, que vivia a esmo num mundo cinza, encontrou a cor nas veredas que trilhou, depois encontrou sentidos nas coisas que lhe destacaram para fazer.

Na conversa entre Clark e a jovem Girlie vemos os acasos do destino que definem as vidas de todos nós, fuck esse papo furado de controle da situação... controle o cacete! Ninguém controla nada! Assim foi minha vida também... de vereda em vereda...

Quando vi, estava fora de casa. Quando vi, brigava com todo mundo, queria viver, queria morrer, queria amar. Quando vi era pai, aventureiro, sindicalista, tinha emprego fixo quase sob tortura de um governo desgraçado.

Acho que Crisóstomo nunca foi condutor. Otto nunca foi condutor. Incrível, mas Clark não conduziu sua vida, o acaso a definiu. Nunca conduzi minha vida. Ela foi indo, indo, a esmo. Só fiz foi tentar fazer o correto da jornada.

Concluí muita coisa da existência. Vejo o diverso a cada olhar ao redor... Vejo muita dor e solidão também... Queria poder aliviar a dor de muita gente...

Hoje nem gritar eu posso...

Como nos ensina Rubem Alves em seu texto perfeito "O nome" (ler aqui), vivemos numa gaiola, o nosso nome, e já se esperam tudo de mim, e de Crisóstomo, e de Otto, e de Clark, e de cada um de vocês.

O que nos salva das gaiolas dos nomes são os imponderáveis que a existência nos apresenta a cada amanhecer e anoitecer. 

Enfim, as histórias das personagens desses filmes, suas dores, as violências e preconceitos que viveram, os encontros e as descobertas, as relações humanas pelo simples fato de existirem, me fazem encerrar de forma otimista as reflexões.

Amanhã será outro dia, por muito tempo ainda. Não só para mim, um personagem do mundo, mas para todos nós, viventes desse mundo cheio de diversidade. 

---

FILMES


O filho de mil homens (2025) 

Direção: Daniel Rezende. Roteiro: Daniel Rezende, Valter Hugo Mãe, Duda Casoni. Com: Rodrigo Santoro, Miguel Martines, Juliana Caldas, Johnny Massaro, Rebeca Jamir, Grace Passô e elenco.

Sinopse (Netflix):

Em uma pequena vila, um pescador solitário (Crisóstomo) com o sonho de ter um filho se conecta, de forma extraordinária, a um grupo de pessoas e seus segredos.

Comentário: 

O filme retrata de forma surpreendente as questões complexas ligadas às relações humanas, abordando o quanto a violência e as diversas formas de preconceitos podem afetar a vida das pessoas, alterando o curso de suas histórias.

-


O pior vizinho do mundo (2022)

Direção: Marc Forster. Roteiro: David Magee Com: Tom Hanks, Mariana Treviño, Rachel Keller, Manuel Garcia-Rulfo, Cameron Britton, Juanita Jeannings, Mack Bayda.

Sinopse (Netflix):

Decepcionado com o mundo e cansado da dor do luto, um aposentado rabugento planeja pôr um fim nesse sofrimento, mas tudo muda quando conhece uma família cheia de vida.

Comentário:

Filme muito bom! Otto é o vizinho ranzinza que gosta das coisas certas e das regras respeitadas em seu condomínio de casas, algo muito difícil de se ver. Ao longo da história, vamos conhecendo as particularidades de Otto e fica mais fácil entender como cada um de nós é diferente e único no tecido social chamado sociedade humana.

---

Cena do filme "Daddio"

Papai (Daddio), de 2023. 

Direção: Christy Hall. Com: Sean Penn e Dakota Johnson.

Sinopse (Wikipedia):

Após aterrissar no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, uma jovem toma um táxi para regressar ao seu apartamento em Manhattan, Nova York. Durante a corrida, e o trânsito intenso por causa de um acidente, ela e o taxista Clark conversam sobre diversos temas, inclusive os relacionados à vida pessoal deles.

Comentário:

Poderia parecer uma história sem verossimilhança o nível da conversa entre a jovem passageira e o motorista se não tivéssemos o hábito de pegar táxi ou aplicativo e de repente começar a ouvir as histórias mais absurdas ou até mesmo contar a um estranho questões de foro íntimo. Gostei do filme e fiquei pensando também sobre as idiossincrasias de cada ser humano.

-

É isso! 

Essa foi mais uma postagem da série sobre filmes.

O texto anterior pode ser lido aqui.

William

domingo, 7 de dezembro de 2025

O sentido da vida (15)


Letras - USP


Compartilhar conhecimento de forma gratuita


Ainda antes de ser sindicalista, havia conhecido o prazer da cultura ao assistir aulas de literatura na USP como ouvinte. 

O convite veio de seu amigo Sérgio, quando trabalharam juntos no Banco do Brasil. 

O prazer daquele alimento espiritual o marcou para sempre. As salas de aulas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas eram verdadeiros refeitórios culturais. 

Anos depois, virou aluno da FFLCH-USP, da Letras. E criou um blog para compartilhar de forma gratuita tudo que aprendesse com os mestres das Letras e com seus estudos e vivências políticas e sindicais. 

Talvez esse seja o seu propósito de vida, o sentido de sua vivência única: partilhar a cultura que teve oportunidade de adquirir.

Agora quer sistematizar seus textos na forma de livros e compartilhar esses registros. De forma gratuita! 

Sua intenção é jamais receber um tostão que seja por seus textos. As veredas que trilhou na vida lhe permitiram viver com seu benefício de fundo de pensão. 

Andou pensando numa forma de arrecadar alimentos para grupos sociais em dificuldades ou medicamentos para o povo cubano com seus livros, mas precisa burilar melhor a forma de fazer isso.

--- 

sábado, 6 de dezembro de 2025

Instantes (12h56)



Refeição Cultural

LEITURAS 

"E assim é o caminho da vida, não é o que a gente planejou... [eu trabalhar] na Belgo Mineira." (p. 38)

João Paulo Pires de Vasconcelos: metalúrgico sindicalista e deputado constituinte por MG

Ao ler a entrevista do companheiro João Paulo fiquei pensando muitas coisas sobre a vida da classe trabalhadora. 

Já no início, refleti sobre a citação acima: sobre os caminhos da vida, muitas vezes sem planejamento. 

Quando vi, estava no Banco do Brasil da era FHC, quando vi estava brigando ao lado dos colegas contra as desgraças das demissões, assédios, suicídios. Quando vi era sindicalista cutista...

A entrevista é esclarecedora sobre o que somos, nós militantes da maior central sindical das Américas, a CUT. 

As contradições sobre diversos temas são naturais e o debate é sempre necessário para se definir a melhor estratégia para a classe trabalhadora. 

João Paulo nos conta sobre as difíceis decisões sobre defender ou ser contra a CLT, ser contra ou a favor de imposto sindical e outras grandes questões no mundo do trabalho. 

"Eu falei: 'escuta aqui, vocês de São Paulo estão em uma realidade diferente. Vocês não podem enxergar só o próprio umbigo' (...) 'olha, lá em Monlevade, a empresa ameaça o trabalhador na hora da admissão dele dizendo que ele não pode se filiar ao sindicato...' (p. 45)

Como metalúrgico mineiro, a fala sobre nós de São Paulo foi na veia, me lembrei na hora de minhas tarefas de convencer companheir@s de outras bases - Nordeste, Sul, Centro Norte - sobre a campanha unificada entre bancários de bancos públicos e privados assim que Lula (PT) foi eleito em 2002.

Eu era do maior sindicato de bancários do país e com base hegemonizada por bancos privados e dialoguei com muitas lideranças defendendo que a campanha com mesa única e CCT para todos era o melhor para nós de bancos públicos federais.


Agradeço de coração a toda a equipe do projeto de entrevistas que gerou o livro "A geração que criou a CUT" (2023). Esses registros são a nossa história que precisa ser preservada e estudada.

O companheiro João Paulo faleceu no ano passado, aos 92 anos de idade. 

Por causa do livro, pude conhecer a história que ele nos contou. 

William Mendes

06/12/25 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Instantes (12h23)



Refeição Cultural


LEITURAS 

"E a minha chapa, me botaram em uma chapa - quer dizer, me botaram em uma chapa, que eu nem sei porquê! - Mas acho que é porque eu era uma pessoa, digamos, não comprometida com nenhum grupo político, e a nossa chapa ganhou!" (A geração que criou a CUT. Enid Diva Marx Backes, p. 23)


Ao ler a entrevista da companheira Enid para o excelente livro "A geração que criou a CUT" (2023) fiquei pensando em várias coisas de nossa história de militância política. 

Eu virei sindicalista por acaso, no início dos anos dois mil. Isso é muito comum: quando menos se espera, a pessoa indignada com injustiças já é militante de alguma causa. 

Nos anos noventa, talvez por instinto de sobrevivência, eu era mais um entre os milhares de lutadores do BB que brigavam com os gestores do banco contra os absurdos da era FHC. Era o contato do Sindicato nos locais de trabalho. Um delegado sindical sem estabilidade alguma. 

Assim com nos conta Enid, eu não era militante orgânico de corrente política alguma. Era só um brigador, um indignado. Aliás, foi nessa condição que me reuni com umas quatro pessoas numa salinha da Letras, na FFLCH-USP em 2002, para decidirmos iniciar a maior greve da história da USP, greve de 104 dias com a conquista de quase uma centena de novos professores. 

Anos após ter entrado na direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região é que fui compreender as concepções e práticas sindicais da geração que criou a CUT. E juro a vocês, procurei seguir essas concepções e práticas enquanto representei meus colegas bancários e a classe trabalhadora. 

Reli no livro "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT" o capítulo 12, sobre a história da PLR na categoria e depois no BB, e senti uma leveza em minh'alma por ver que alguma coisa aprendi dessa geração fantástica que criou a nossa Central Única das e dos Trabalhadores. 

William Mendes 

04/12/25

domingo, 30 de novembro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 30 de novembro de 2025. Domingo. 


NOVEMBRO 

O que poderia registrar sobre o mês de novembro? Quais fatos e acontecimentos marcaram o meu mês de novembro e o mundo onde habito?

---

O MUNDO, MUNDO, VASTO MUNDO

Sobre o mundo eu não sinto vontade de registrar nada em especial. Posso tecer alguns comentários, entretanto.

Os Estados Unidos seguem ameaçando com guerras e mortes os países e governos que não se submetem a eles. Querem derrubar o governo de Maduro na Venezuela, estão f... a Ucrânia por não precisarem mais do país para suas guerras por procuração. Voltaram atrás em questões de tarifas contra o governo Lula porque a decisão estúpida estava f... o povo norte-americano: It’s the economy, stupid!

O meu governo, o 3º governo Lula, que ajudei a eleger, segue fazendo o possível para entregar ao povo brasileiro alguns dos compromissos que Lula assumiu ao colocar seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores nas eleições presidenciais em 2022, contra o genocida e corrupto que estava no poder. 

As correlações de forças não ajudam muito o governo Lula, pois a política foi destruída durante a longa noite de Temer e Bolsonaro.

Lula conseguiu a aprovação da isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até cinco mil reais por mês naquele Congresso Nacional corrupto e de lacaios da casa-grande. O presidente conseguiu beneficiar dezenas de milhões de pessoas das classes populares e com menos acessos aos direitos da cidadania. Grande feito melhorar a vida do povo!

O 3º governo Lula também está entregando realizações surpreendentes na área da saúde, com o trabalho do ministro Padilha: o SUS avança. Milhões de brasileiras e brasileiros estão passando a ter acesso a medicamentos e materiais médicos de forma gratuita através do programa Farmácia Popular, quase extinto no governo passado, do genocida que foi acusado na CPI da Pandemia de praticar nove crimes diferentes, inclusive contra os direitos humanos.

Um acontecimento marcou o mês de novembro de 2025: a condenação definitiva do ex-presidente Bolsonaro e de alguns militares de alta patente. O sujeito que estimulou o contágio por Covid-19 e zombou de pessoas que morreram por não conseguirem respirar durante a pandemia não foi condenado por essas mortes (ainda), e nem pelas acusações de roubo, mas começou a cumprir sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de Golpe de Estado. Sujeito desprezível!

O Brasil sediou a COP30 em Belém do Pará e considero válido o esforço feito pelo governo Lula de tentar envolver os países do mundo em uma busca conjunta sobre as questões da emergência climática. 

Francamente, sem discutir o fim do capitalismo, do lucro, da mais-valia, da produção de mercadorias desnecessárias aos povos do mundo, do uso responsável dos recursos naturais como a água, não estaremos no planeta nas próximas décadas, não falo séculos, falo décadas. Porém, a culpa da questão climática não é do presidente Lula, esse político estadista é sincero em suas intenções de preservação dos biomas e da vida humana.

A imprensa comercial, o jornalismo venal dos donos do poder secular, nunca foi tão criminosa como na atualidade. Nunca! A violência contra as mulheres virou uma epidemia no Brasil e a mídia canalha em todos os seus meios aliena a população brasileira escondendo o motivo central da violência: a pregação dos líderes políticos que ela apoia, apoiou e mantém no poder, ou seja, a extrema-direita e a pequena elite do 1% de privilegiados. Essa é minha leitura e opinião. A mídia deu espaço a todo o lixo pregado por Bolsonaro e pelo bolsonarismo. Está aí o resultado!

---

ESTE SER QUE HABITA O MUNDO


“That one last shot’s a permanent vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life’s a journey, not a destination
And I just can’t tell just
What tomorrow brings, yeah

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn’t listen
To all that righteous talk, oh yeah
Well, I was out on the street
Just tryin’ to survive
Scratchin’ to stay alive…”

(Amazing, Aerosmith)

Não tendo grandes buscas filosóficas como tive ao longo da vida, minha busca de sentidos hoje é diferente das etapas vencidas. Compreendi a vida, agora é achar sentidos para seguir vivendo.

Olhando para trás, poderia tranquilamente dizer que aprendi a rastejar antes de caminhar e hoje sei mais que nunca que a vida é uma jornada e não um destino. Nunca se sabe o que o amanhã nos trará...

Estando retirado das lutas sindicais que me formaram como pessoa e cidadão brasileiro durante minha vida de bancário e, principalmente, após os trinta anos de idade, quando virei sindicalista, hoje estou mais concentrado em sistematizar o percurso que percorri nessas quase três décadas após assumir uma representação política na categoria na qual trabalhei a maior parte da vida.

Escrevi durante a pandemia mundial de Covid, em meu blog sindical, memórias que depois foram reunidas em um livro chamado “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT”. O livro vem ganhando o mundo. Não é um livro comercial, é uma espécie de depoimento de alguém que acredita na educação e na formação política porque o autor é fruto dessa experiência.

Em novembro, consegui presentear mais algumas pessoas com o livro. Seguirei fazendo isso. Alguns textos ou temas tratados no livro podem não ter muito sentido para todos os tipos de públicos, mas alguns capítulos podem ser interessantes para qualquer tipo de público, seja dirigente sindical, seja militante de esquerda, seja trabalhador da categoria bancária. É também um livro para as pessoas que me conhecem hoje ou que já conviveram comigo.

As reflexões contidas nos textos do livro, todos independentes, descrevem as concepções e práticas políticas que me politizaram e isso se deu com a militância da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principalmente através do Sindicato de minha base de trabalho e da corrente política que me influenciou como dirigente de centenas de milhares de bancários por cerca de duas décadas.

---

SISTEMATIZAÇÃO DOS TEXTOS DOS BLOGS

O trabalho de leitura, diagramação e encadernação de milhares de textos escritos em meus blogs ao longo de duas décadas está em andamento e não sei quando vou conseguir terminar essa sistematização. Mas tenho que terminar esse trabalho.

O personagem que registrou todas aquelas histórias da categoria bancária, que viveu e sentiu tudo que está escrito nas páginas dos blogs de cultura e sindical é um brasileiro que escolheu fazer esses registros e compartilhar esses textos abrindo mão de outras coisas na vida. 

O material histórico pode não ter importância para muita gente deste momento do mundo, mas como estudioso da sociedade humana, sei que o material tem sua importância histórica.

Enfim, sigamos fazendo as coisas que entendo que devem ser feitas.

Entendo que partilhar o que sei é a minha função no mundo até que eu não exista mais ou até que minha essência, meu ser, não possa mais fazer isso.

Por fim, visitei meus familiares em Uberlândia neste mês, fiz o que pude por eles, li o que foi possível, e tive minha rotina alterada após a edição do livro, pois estou encontrando pessoas do mundo político neste período de distribuição de minhas memórias.

William Mendes


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Instantes (23h52)



Refeição Cultural

Opinião


BOLSONARO E GENERAIS NA PRISÃO NÃO GARANTE UM AMANHÃ MELHOR PARA O POVO BRASILEIRO

Após minha sessão de exercícios na modesta academia do condomínio, andei por alguns minutos pelo estacionamento para apreciar as luzes diversas proporcionadas pelo pôr do sol e início da noite. Fiquei pensando a vida e o mundo sob a exuberância do céu.

Nesta terça-feira, 25 de novembro de 2025, começaram a cumprir pena de prisão após trânsito em julgado o ex-presidente da república Jair Messias Bolsonaro e alguns militares de alta patente - eles foram condenados por tentativa de golpe de Estado. Os caras tramaram até a morte do presidente eleito Lula, do vice-presidente Alckmin e do ministro do STF Moraes.

Do ponto de vista formal, hoje foi um dia que podemos considerar histórico para o Brasil por vermos pela primeira vez neste país militares de alta patente cumprirem pena por tramarem mais um golpe de Estado, coisa que fazem desde o nascimento do regime republicano por aqui, em 1889. A república foi instituída por um golpe de Estado contra o imperador.

Como cidadão brasileiro e militante político de esquerda formado no movimento sindical cutista e no Partido dos Trabalhadores tive o cuidado de tratar a condenação e prisão de Bolsonaro e dos militares com reserva e discrição. 

Algo em minha experiência de décadas como dirigente eleito da classe trabalhadora me instou a não seguir os impulsos naturais que clamaram por comemorações legítimas ao ver esses sujeitos condenados por todo o mal que fizeram ao Brasil e ao povo brasileiro.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão. O bolsonarismo é um fenômeno brasileiro que deve ser considerado ainda hoje como algo inédito e que merece toda a nossa atenção. O sujeito teve 58 milhões de votos em outubro de 2022, mesmo após tudo o que vimos e sabemos que ele fez. 

O líder da extrema-direita brasileira perdeu por 2 milhões de votos a eleição para o maior líder político de esquerda que o Brasil já teve, Luiz Inácio Lula da Silva: 50,9% a 49,1%. Por um milhão de votos a menos de um e a mais do outro, Lula perderia para Bolsonaro. Algo que eu consideraria incrível, mas o fato é esse. 

Não há ninguém no nosso campo político que não conheça alguém bolsonarista ou que odeie Lula ou a esquerda. Não há! O amanhã é absolutamente incerto e as pessoas estão muito mudadas. As big techs têm relação profunda com isso. Alteraram e seguem alterando o nosso comportamento e a nossa maneira de ver o mundo a cada minuto que passa.

Enfim, Bolsonaro e os generais estão presos. E o futuro segue absolutamente incerto, na minha modesta opinião. É bom que meus companheir@s e a parte progressista deste país tenham isso em mente.

O imponderável mora no amanhã. Nunca sabemos o que nossos inimigos vão fazer no dia seguinte. E o mundo está a beira de guerras imprevisíveis e a destruição do planeta segue e os psicopatas estão no poder das bombas e das moedas.

E ainda temos a natureza atuando em todos nós. Hoje estou aqui, respirando, refletindo e escrevendo. Amanhã posso não estar.

Se a esquerda tiver juízo, buscará unidade como nunca conseguiu antes. Vejam a história do Brasil... vejam a nossa história do movimento de esquerda brasileiro...

É uma ponderação em face dos acontecimentos.

William Mendes

25/11/25