quinta-feira, 3 de abril de 2008

I still haven't found what I'm looking for





Composição: U2

I have climbed the highest mountains
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you.

I have run, I have crawled
I have scaled these city walls
These city walls
Only to be with you.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

I have kissed honey lips
Felt the healing in her fingertips
It burned like fire
These burning desire.

I have spoke with the tongue of angels
I have held the hand of a devil
It was warm in the night
I was cold as a stone.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

I believe in the Kingdom Come
Then all the colours will bleed into one
Bleed into one.
But yes, I'm still running.

You broke the bonds
And you loosed the chains
Carried the cross of my shame
Oh my shame, you know I believe it.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

But I still haven't found
What I'm looking for.
But I still haven't found
What I'm looking for.

Fonte: site www.U2.com

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Post Scriptum (30/5/19):

Ontem, ao andar pelas ruas arborizadas da Universidade de São Paulo, refletia sobre essa música, que de certa forma é uma espécie de lema em minha vida desde que a conheço.

O pior é que sou ateu e a música é gospel. Na verdade, muitos nomes de músicas, livros e filmes valem mais que o próprio conteúdo: "O céu que nos protege", "Cem anos de solidão" (livro maravilhoso), "Ainda não encontrei o que procuro".

Ainda não encontrei o que procuro... que foda!

Saí do Banco do Brasil depois de quase 27 anos de trabalho. Quase 30 anos de bancário. Deixei de representar a classe trabalhadora como eleito depois de quase 20 anos de representação. Hoje, tenho recursos para a manutenção da minha vida e de meus entes queridos. Mas não estou feliz. Não estou em paz.

Estava andando na USP porque voltei a ser estudante de graduação da Letras. Eu queria terminar algo que ficou incompleto, que não fiz de forma satisfatória, porque minha prioridade era a representação e a luta dos trabalhadores. Agora voltei e não estou feliz, está estranho e sem sentido estar lá agora. Pra quê?

Na minha lista de objetivos, feita naquele período duro da adolescência, quando temos que sobreviver todos os dias, tinha desejos que eu hoje poderia realizar como, por exemplo, ter uma Harley Davidson e sair andando por aí. Não quero mais. Não tem sentido isso.

Quis fazer o caminho de Santiago de Compostela por quase três décadas. Cheguei a planejar a ida por duas vezes. Abortei ambas por causa de meus compromissos com a militância social. Poderia ir agora. Não sei se vou mais. Tá esquisito.

Tinha o sonho de correr e completar uma maratona. Cheguei a correr uma meia e a emoção de completar os 21k foi inesquecível. Hoje, teria condições de planejar uma rotina de treinos de seis meses a um ano e realizar esse sonho. Uma ressonância magnética na região do quadril revela que tenho alterações estranhas nos ossos, desgastes nos fêmures, desvio na região lombar etc. Que merda é essa que já me traz dores há meses?

E, por fim, o que mais está me matando, talvez nos matando, é o fato de o povo do meu país ter escolhido um fascista para governar o Brasil. Ele e sua família são acusados de envolvimento com milícias, defendem a destruição do patrimônio nacional, empresas públicas, destruição da natureza, fim dos direitos do povo, pregam o ódio e a ignorância. Estar vivendo isso, e saber que foram as pessoas que optaram por isso, está me matando de verdade. Talvez daí venha a falência do corpo que sempre enfrentou batalhas e batalhas. Isso tem sido demais.

Chega de comentar por hoje. Ainda não encontrei o que procuro...

Poema - Três de abril




O dia amanheceu feio. É como dizem, pois está nublado e opaco.

Aguei minhas plantas, replantei uma begônia e dei comida aos peixes.

É meu aniversário. Evento totalmente arbitrário. Sabemos das revoluções planetárias, mas também da politicagem na invenção de calendários.

Não estou nem feliz nem triste. Só estou como a maioria dos dias: buscando algo que não alcancei ainda, talvez a paz. Buscando mudanças. Buscando sentidos.

Agoniado talvez pelo tempo que segue incólume. Agoniado talvez por ter poucas lembranças saudosas do último ciclo de vida.

Nestes dias, semanas, semestre, tenho decisões a tomar e coisas a encaminhar (como todo mundo, aliás). Decisões profissionais, políticas e pessoais. Todas muito imbricadas.

Fico agradecido àquelas pessoas que me respeitam e estimam.

Fui.

Sintaxe do Português - Gramaticalização


Flores Dama da Noite.

O que é gramaticalização? (informações do artigo de Luane da C. P. L. Fragoso)

O processo de gramaticalização pode ser encontrado em todas as línguas e pode envolver qualquer tipo de função gramatical. Através desse processo, itens lexicais e construções sintáticas passam a assumir funções referentes a organização interna do discurso ou a estratégias comunicativas. É um processo unidirecional através do qual esses elementos, em determinados contextos assumem funções gramaticais, e uma vez gramaticalizados, continuam a desenvolver outras funções gramaticais. A unidirecionalidade é uma característica básica do processo.



Post Scriptum:

Eu não tenho mais o artigo em mãos, para citar corretamente a fonte. Essa postagem foi feita dentro do processo de estudos de línguas e linguagem, do curso de Letras, na graduação na FFLCH/USP.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Leitura: "A arte como procedimento" de Chklovski





O autor é um dos formalistas russos da primeira metade do século XX.

No início ele apresenta a tese de Potebnia sobre "A arte é pensar por imagens", onde este diz não existir arte, e particularmente poesia, sem imagem.

A poesia seria uma maneira particular de pensar, a saber um pensamento por imagens. Isto levaria a uma economia e a uma leveza relativa.

Mais adiante, um dos alunos de Potebnia, Ovsianiko-Kulikovski, se viu obrigado a isolar a poesia lírica, a arquitetura e a música, e a ver aí uma forma singular de arte, arte sem imagens, e a defini-las como artes líricas que se dirigem imediatamente às emoções.

Essa teoria toda levou a seguinte teoria: "A arte é antes de tudo criadora de símbolos"

Chklovski, contrariando essa teoria, entende que o caráter estético de um objeto é o resultado de nossa maneira de percebê-lo.

Existem dois tipos de imagens:

-imagem como meio prático de pensar (prosaico)

-imagem como meio de reforçar a impressão (poético)

A IMAGEM POÉTICA É UM DOS MEIOS DE CRIAR UMA IMPRESSÃO MÁXIMA.

A imagem poética é um dos meios da língua poética. A imagem prosaica é um meio de abstração.



Bibliografia:

CHKLOVSKI, V. A arte como procedimento.

Artigo - O apagão ferroviário de São Paulo


Opinião

Socorro! Alguma mídia imparcial, por favor, que faça uma reportagem aprofundada sobre o descaso com o transporte público sobre trilhos!

por William Mendes*


O que podemos fazer para a grande mídia deixar de nos chamar de idiotas e achar que somos alienados e tontos manipuláveis? Pelo amor de Deus (força de expressão por estar em um país religioso)! Será que existe alguma mídia (jornal, revista, rádio ou TV) que poderia discutir, pesquisar, falar a respeito, dar publicidade, fazer matéria investigativa de qualidade etc etc sobre o apagão ferroviário do Estado de São Paulo?

O transporte ferroviário de São Paulo foi completamente sucateado nos últimos 16 anos de governos tucanos. Qualquer cidadão hoje percebe que há poucos funcionários de carreira (concursados); não houve investimento no aumento da malha ferroviária nessas duas décadas; virou lugar-comum em horários de pico esperar quase dez minutos por um trem do metrô (e o som do alto-falante fica inventando mil desculpas, como coisa ou gente caída nos trilhos, falta de energia elétrica e blá-blá-blá); até as escadas rolantes agora vivem quebradas!

O governo paulista, defensor do Estado mínimo, terceirizou a construção da Linha 4 do Metrô com um contrato de menor preço fechado, onde o grupo ganhador faz a obra como achar melhor. 

O resultado é que em toda a história de construção do sistema metroviário no Estado, nunca houve tantos acidentes e problemas como agora com essa porcaria de terceirização. A cidade virou um queijo suíço por onde passou a construção e, se houver novos acidentes, é provável que os jornalões continuem atribuindo os casos ao acaso, azar, ou fatalidade - quando ninguém tem culpa. 

Veja a versão do grupo responsável, publicada hoje (facilmente "achável" quando se trata de ser informação positiva ou neutra para o Governo do Estado tucano): Consórcio da linha 4 do metrô de SP culpa "rocha gigante" por tragédia na obra de Pinheiros.

Os trens da CPTM então, nem se fale! Vivem lotados, com vagões sucateados, pisos remendados (às vezes, parecem afundar quando pisamos). Sem contar que se fala a cada período de eleição que serão criadas novas linhas e malhas ferroviárias e aí ficamos vendo os desenhos nos gráficos eternamente! De vez em quando se faz um tremendo auê para se entregar um trem novo ou repintado...

E tudo isso em um momento em que chegamos à conclusão que não dá mais para se andar em São Paulo sobre veículos automotores porque a cidade parou. Não há mais ruas para os carros existentes! Acabou! Não se anda mais no trânsito na Grande São Paulo.

Como deveria ser bom vivermos num país com uma imprensa severa e firme em relação a qualquer governo, de qualquer partido, em qualquer veículo de informação. Que fossem verdadeiras essas frases publicitárias: "De rabo preso com o leitor"; "o leitor em primeiro lugar"; "compromisso com a verdade"; blá-blá-blá.

Como cidadão, não posso esmorecer. Não posso deixar de lutar por um mundo melhor (para o povo, não só para os ricos) e com respeito ao próprio planeta que nos acolhe.

*William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf-CUT

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Post Scriptum:

Matéria citada na postagem em link:

27/03/2008 - 18h01



Consórcio da linha 4 do metrô de SP culpa "rocha gigante" por tragédia na obra de Pinheiros

Fabiana Uchinaka

da Redação (UOL)

O Consórcio Via Amarela -formado pelas empreiteiras OAS, CBPO (do grupo Odebrecht), Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez- divulgou nesta quinta-feira um laudo geológico, encomendado pelo grupo, que diz que uma rocha gigante foi a responsável pelo acidente nas obras da futura estação Pinheiros da linha 4 do Metrô de São Paulo. O desabamento de parte do túnel, no dia 12 de janeiro de 2007, matou sete pessoas.

O laudo, assinado pelo engenheiro britânico Nick Barton, PhD em mecânica das rochas pelo Imperial College, em Londres, diz que o surgimento da cratera no local da obra foi causado pelo deslizamento de uma rocha de 15 mil toneladas, localizada em cima do túnel do metrô, que, segundo o especialista, "por azar não foi detectada" em nenhuma das 11 perfurações feitas em torno do local durante o período de planejamento da obra. As sondagens de solo são pequenas escavações verticais para diagnóstico do terreno feitas antes do início da obra.

De acordo com Barton, a rocha gigante e dura no meio de uma formação rochosa menos densa provocou uma instabilidade na cobertura do túnel. Segundo ele, houve um "problema de resistência" entre materiais com densidade, rigidez e peso diferentes. Além disso, o formato da rocha gigante, mais estreita no topo e mais larga na base, compromete o "efeito de arco" que sustenta a cobertura do túnel.

O especialista acredita ainda que a rocha gigante apresentava falhas e desgastes, que permitiram infiltração de água no local. A lama que se formou na lateral da rocha teria criado uma espécie de "lubrificação" que acabou provocando seu deslocamento.

Para ele, o deslizamento foi "uma fatalidade". "Nada teria impedido o acidente. Todos os métodos conhecidos existentes na engenharia teriam falhado", disse.

No entanto, o promotor Arnaldo Hossepian, que cuida das investigações criminais sobre o ocorrido, acredita ser muito difícil que pessoas não sejam responsabilizadas criminalmente por imperícia, negligência ou imprudência. Um dos possíveis exemplos de negligência é a falta de um plano de contingenciamento que parasse o trânsito e a circulação de pedestres, como o que foi adotado após a assinatura de um Tac (Termo de ajustamento de conduta) entre o MP, o Consórcio Via Amarela, o Metrô e o IPT.

O engenheiro Marcio Pellegrini, representante legal e diretor de contratos do Via Amarela, afirmou que o consórcio "não contribuiu em nada" para o acidente acontecer. Ele defende que foram adotados todos os procedimentos padrão para este tipo de obra. "A chance de um colapso desses ocorrer é a mesma de um raio cair duas vezes no mesmo local", comparou.

Barton é um dos maiores especialistas em túneis e rochas e já publicou diversos trabalhos sobre o assunto em nível mundial. Foi premiado nos Estados Unidos, Portugal, Noruega e Argentina, entre outros países.

Nas investigações oficiais sobre a causa do acidente, um outro laudo deve ser divulgado no próximo mês de agosto pelo Instituto de Criminalística. A Via Amarela diz que vai continuar investigando as causas do acidente.

segunda-feira, 31 de março de 2008

As pedras do Caminho


Caminhos tortuosos como os galhos dessa árvore.
Foto de William Mendes.

Meu objetivo em fazer o Caminho de Santiago de Compostela tem feito com que eu reflita sobre os caminhos da vida. A relação é muito semelhante.

Por esses dias, os caminhos têm sido tortuosos e pedregosos.

Entretanto, é assim mesmo que chegamos a quase tudo na vida. Vou dando passos por aí onde não há caminhos, como já dizia o poeta espanhol Antonio Machado. Aliás, segue aqui algumas estrofes de seu poema mais conhecido, e que é bastante atemporal:


Proverbios y cantares de "Campos de Castilla"

I

Nunca perseguí la gloria
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse.

II

¿Para qué llamar caminos
a los surcos del azar?...
Todo el que camina anda,
como Jesús, sobre el mar.

IV

Nuestras horas son minutos
cuando esperamos saber,
y siglos cuando sabemos
lo que se puede aprender.

VIII

En preguntar lo que sabes
el tiempo no has de perder.
Y a preguntas sin respuesta
¿quién te podrá responder?

XXIX

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.


Antonio Machado

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sintaxe do Português - Aula de 26.3.08



"Todos os fenômenos da língua são instáveis"

Roteiro de estudo de caso:

*Item: palavra ou estrutura.

*Mudança: homonímia ou polissemia?

*Velocidade: gradual ou abrupta?

*Quem muda a sintaxe da linguagem?

*Como verificar? Por tendência ou recontato?

*Direções da mudança.


Item (estrutura) a ser estudado por mim: "com certeza"

Nossas aulas são de Sintaxe Funcionalista.

Buscar a origem dos usos da palavra ou expressão. Qual a história da origem? A partir daí, ver se há homonímia ou polissemia. São filhas da mesma mãe, quer dizer, têm a mesma raiz?

No meu caso, de onde vem "certeza" e depois "com certeza"?

Como percebe-se a mudança?

Pesquisar dados sincrônicos e diacrônicos. Ver possibilidade de "pancronia", ou seja, mesclar os dois.

Sugestões de dicionários etimológicos (prof. Cunha)

(Na sala, criticaram a gramática de Luft, dizendo ser ela uma "gerativa")

SINCRONIA = recorte de um momento qualquer no tempo: corpus de hoje, do século XVIII etc.

DIACRONIA = pular tempos para buscar mudanças.

PANCRONIA = (termo polêmico entre linguistas) mesclar os dois sistemas. Alguns linguistas diriam que deveria haver um corpus que desse conta de toda a história do termo estudado.

Uma forma de pesquisar seria utilizando dicionários sincrônicos editados em várias épocas diferentes. Ex: um Houaiss de hoje e um da década passada, um Aurélio de hoje e outro de duas décadas atrás (com isso, pode-se ir vendo as novas acepções para a palavra)

Pesquisar professora Elizabeth Traugott.

Qual a velocidade com que as mudanças ocorrem?

Antes os estudos eram históricos, diacrônicos (eram em jatos, abruptos). Via-se como um termo era usado no século XX, achava em documentos o uso no século XIX, no XVIII etc. Com isso, a impressão de "jatos de mudança".

Depois vieram leituras sincrônicas, com conclusões de que as mudanças são sistêmicas (Saussure). A língua é dinâmica (mudanças graduais).

Chomsky - formalista

Labov - é o sistema social

Depois veio uma mescla das teses. Antes a criança já nascia com a linguagem genética; depois a linguagem vem com o contexto e convívio social; mais adiante são os jovens e não as crianças que operam mudanças na língua (idade de contestação); mais recentemente pergunta-se se os adultos não operam mudanças na língua também.

Esta é uma das áreas de pesquisa: como verificar tendências de mudança e recontato? quem opera mudanças na sintaxe?

Muitas pesquisas têm indicado o fator CONTATO SOCIAL como grande responsável por mudanças entre faixas etárias distintas.

Trabalharemos com um corpus de português culto (gravações de conversas com professores universitários)

Como ver tendências? comparando, por exemplo, corpus de faixas etárias distintas ou de mesmas faixas mas de períodos distintos (gravações atuais x projeto NURC da década de 70)

DIREÇÃO DAS MUDANÇAS

Estão ocorrendo deslizamentos, gramaticalização, lexicalização etc? (movimentações de sentidos das palavras para mais/menos concreto e mais/menos abstrato)

Temos 10 classes de palavras:

Substantivos, adjetivos, artigos, preposições, conjunções, advérbios, interjeições, verbos, pronomes e numerais.

Desses, os mais abstratos são as preposições (ligam palavras) e as conjunções (ligam orações).

Talvez ache em minha pesquisa com a estrutura "com certeza" o fenômeno da "DISCURSIVIZAÇÃO" (usos a cargo de discursos)

Pesquisar o que é GRAMATICALIZAÇÃO.

Sugestões: livro Introdução à gramaticalização; também há uma tese disponível da professora Maria Célia.


William

quarta-feira, 26 de março de 2008

A caminhada do Caminho anda lenta...



A caminhada do Caminho de Santiago de Compostela anda lenta por estes dias.

Estou com a atenção absorvida pelos problemas de meu trabalho e da faculdade.

De meus objetivos, tenho focado fazer esta viagem e terminar minha graduação em Letras, apesar que não quero me formar por me formar, pois canudo de nível superior eu já tenho.

Quero ser professor. Aliás, almejo desde adolescente ser um intelectual e sei o quanto isso é difícil quando as origens não favorecem o caminho. 


Para complicar minha meta, entrei na faculdade em 2001 e depois virei dirigente sindical, o que me fez deixar em segundo plano as Letras nos últimos 6 anos. 

Agora, ainda preciso terminar a graduação, chacoalhar e fixar minimamente algum conhecimento de proveito, fazer Licenciatura e depois Mestrado... põe tempo nisso, heim!

Bom, tenho uma palestra daqui a poucos dias sobre o Caminho de Santiago. Também tenho agendamento para o fim de abril da confecção de meu passaporte de viagem.

Mas as coisas andam lentas (e talvez seja o que busco mesmo).

segunda-feira, 24 de março de 2008

Artigo: Comparações de análise sintática: Bechara X Hildebrando



Comparações de análise sintática:

Prof. Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, 37ª edição 1999, 16ª reimpressão de 2006)

X
Prof. Hildebrando A. de André (Gramática Ilustrada, 3ª edição de 1982)

COMPLEMENTO NOMINAL

Hildebrando:

Complemento nominal é o termo da oração que completa a significação transitiva de um nome. Vem sempre ligado por preposição.

Na explicação do complemento, Hildebrando faz uma comparação com os complementos verbais – objeto direto e indireto.

- “matar os mosquitos” – ação transitiva “matar” com o objeto direto “os mosquitos”.

- “matança dos mosquitos" – ação transitiva “matança” com o complemento nominal “dos mosquitos”.

Outros exemplos: “confiar em Deus” – “confiança em Deus”; “gostar do vinho” – “gosto pelo vinho”; “assaltar o banco” – “assalto ao banco”.

Diz ser comum os nomes que pedem complementos nominais serem da mesma raiz de verbos transitivos.

Exemplos que não têm relação com raízes verbais: “ávido por dinheiro”; “caridoso com os pobres”; “eficácia contra a doença”.

As palavras que pedem complementos nominais são substantivos, adjetivos e, mais raramente, advérbios:

Ex.: “leitura do livro” (substantivo); “prejudicial à lavoura” (adjetivo); “favoravelmente aos jovens” (advérbio).

Bechara:

O gramático utiliza subdivisões para classificar as “expansões de substantivos”, de acordo com a realidade comunicada e de certas relações gramaticais dela.

Na comparação com Hildebrando, este diz serem os complementos nominais semelhantes aos complementos verbais – objeto direto e indireto, enquanto Bechara apresenta diversas categorias de complementos:

- “a resolução do diretor” – CN subjetivo (o diretor resolveu).

- “a prisão do criminoso pela polícia” – CN subjetivo passivo (o criminoso foi preso).

- “a remessa dos livros” – CN objetivo (alguém remeteu os livros).

- “a resposta ao crítico” – CN objetivo indireto (alguém respondeu ao crítico).

- “o assalto pelo batalhão” – Complemento de agente ou de causa eficiente.

- “a ida a Petrópolis” – CN circunstancial.

De modo geral, a gramática tradicional tem apontado complementos nominais restritos a processos de nominalizações que envolvem substantivos, a adjetivos ou a advérbios. Mas há outros que devem sua presença a traços semânticos do núcleo nominal, independentes de nominalizações. (Bechara p.454)

-Substantivos relacionais – relações entre indivíduos: o pai de Eduardo; a tia do Daniel; a colega de Georgete. Também referidos a partes constitutivas de uma entidade: os braços da dançarina; o galho da árvore.

-Substantivos icônicos – designam representação, tais como retrato, quadro, fotografia, filme, película etc quando referidos a entidades retratadas, pintadas etc.

Note-se a diferença entre:

(1) O retrato de Machado de Assis (termo argumental).

(2) O retrato da galeria (adjunto adnominal).


(3) O quadro do Grito do Ipiranga de Vítor Meirelles do Museu de Belas Artes.

- do Grito do Ipiranga (termo argumental);

- de Vítor Meirelles (termo argumental);

- do Museu de Belas Artes (adjunto adnominal).

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domingo, 23 de março de 2008

Crash - No Limite, de Paul Haggis (2004)


Poster do filme. Fonte: Wikipedia

Refeição Cultural - Crash: No Limite

Direção: Paul Haggis - 2004

Com: Matt Dillon (oficial John Ryan), Sandra Bullock (Jean Cabot), Brendan Fraser (Rick Cabot), Don Cheadle (detetive Grahan Waters), Ryan Phillippe (oficial Hanson), Ludacris (Anthony), Michael Peña (Daniel Ruiz), Jennifer Esposito (Ria), Thandie Newton (Christine Thayer), Terrence Howard (Cameron Thayer) e outros.


Assisti por esses dias a um filme que entra para minha galeria de preferidos. “Crash - No Limite”. Eu o coloco na mesma prateleira de “Um Dia De Fúria” (1993), “Beleza Americana” (1999) e “Pão e Rosas” (2000).

A palavra-chave para o filme é: uma sociedade doente.

Infelizmente, retrata-se ali a cidade de Los Angeles, que por sinal é um espelho da sociedade norte-americana. Na verdade, penso que a sociedade mundial está doente, com raríssimas exceções.

Temos ali um retrato das sociedades capitalistas modernas. E que se dizem democráticas.

Cenas cotidianas

- Uma asiática que ofende a uma suposta latina em uma batida de trânsito; garota que está no carro com um negro que é policial; negro que é irmão de outro negro, ladrão de carros; ladrão que anda com outro negro que diz que tudo é preconceito contra sua raça, até o jeito de olhar da garçonete no fast food ou da branca que vem pela calçada com seu marido; casal que finge não ser preconceituoso quando vê os dois negros se aproximando; negros que, por acaso, assaltam esses brancos e levam o seu carro e atropelam um asiático...

- enquanto isso, na casa das vítimas brancas ocorre uma rusga, pois a mulher branca acha seu marido condescendente com gente como o chaveiro que trocou a fechadura de sua casa, e que ela pensa ser bandido por ter aparência de latino com tatuagens; 

- em outro canto da cidade, um árabe é maltratado em uma loja de armas por seu dono branco que o ofende chamando-lhe de Bin Laden; 

- enquanto isso, ainda, um casal de negros endinheirado é parado na rua por um policial branco racista que quer descontar a raiva em alguém por seu pai estar doente e então humilha o casal alisando a mulher na vistoria, observado pelo outro policial loiro - que depois troca de parceiro por se achar certinho e incorruptível...

A partir daí desenrola-se a trama toda.

Durante os 100 minutos de filme, tudo o que se vê é a explicitação da falsa democracia norte-americana, da falsa liberdade norte-americana, da falsa terra de oportunidades norte-americana, da falsa competência norte-americana, em resumo, da falsidade norte-americana.

O que temos ali é preconceito, medo, falta de liberdade, falta de ética, falta de direitos (humanos e sociais). Será que é aquilo que o mundo precisa? Aquela é a sociedade ideal na qual se inspiram os liberais? Seria aquela a tal democracia racial? Ou étnica?

Um outro mundo é possível.

E o final do filme nos mostra que não é dali que vamos tirar a referência de outra sociedade necessária ao mundo.

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Post Scriptum em 2012

O SUL É A NOVIDADE DO SÉCULO XXI

Que tal mudarmos o nosso olhar mais para baixo no Atlas Geográfico?

Ali pelo lado do México, onde a população fez grande resistência à suposta fraude eleitoral arquitetada pela elite burguesa, na eleição mais conturbada das últimas décadas, quando Obrador foi roubado, pois ganhou a eleição, mas não levou (2004).

Ou então, podemos olhar para Cuba, que resiste há décadas ao embargo imperialista norte-americano. Se, por um lado, a falta de liberdade não é ideal e falta, inclusive, o direito a mais partidos políticos; por outro lado, é o lugar do mundo onde mais se investe em educação e saúde pública para todos.

Continuando a ir para o Sul, podemos dar uma parada ali na Venezuela, onde a Revolução Bolivariana de Hugo Chávez provoca arrepios aos imperialistas.

Descemos mais até passar pela potência Brasil, que em detrimento de erros cometidos aqui e acolá, mudou a vida de quase 80 milhões de pessoas que viviam à margem da própria vida e que agora parecem querer que as mudanças continuem com o governo democrático-popular de Dilma Rousseff, que sucede ao melhor governo da história do país, sob a batuta de Lula da Silva.

Ainda podemos passar pela Bolívia, Uruguai, Chile (apesar de retroceder à direita com Piñera), Equador e Argentina.

É um filme interessante.

Quando assisti aos outros três que citei, também quedei-me pensando nesta questão da sociedade “moderna” doentia em que vivemos.

Apesar de difícil (por nadar contra a corrente) muitos querem um outro mundo. E é por isso que nós socialistas, progressistas, esquerdistas, sindicalistas, saímos todos os dias de casa a buscar.

Um outro mundo é possível.

William Mendes

(Por um mundo mais solidário, com mais oportunidades e menor acumulação por poucos)

(comentado em 2006, quando ainda não tinha o blog, e revisto em 2012)

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Post Scriptum (02/11/19)

Quinze anos se passaram desde que o filme foi lançado. Quanta coisa aconteceu de lá pra cá. Quanta coisa! Os Estados Unidos são governados pelo empresário troglodita Donald Trump. O Brasil sofreu um golpe de Estado em 2016, derrubaram a Dilma Rousseff, sem crime de responsabilidade, sequestraram o ex-presidente Lula, que se candidatou para suceder o golpista Temer em 2018, e segundo as pesquisas seria eleito em primeiro turno... inventaram uma tal Lava Jato, uma organização criminosa dentro da estrutura estatal, e até hoje Lula segue preso, mesmo após toda a operação Lava Jato e os bandidos que a comandam serem desmascarados pelo site The Intercept Brasil, provando que armaram um conluio para destruir as cadeias produtivas do Brasil, roubarem o pré-sal, destruírem os direitos do povo brasileiro e doar o patrimônio público aos gringos. Todo mundo da elite está envolvido nesse projeto de destruição do país: o golpe foi "com o Supremo, com tudo" como demonstraram as gravações vazadas dos golpistas. Que canseira de descrever isso. CRASH... é bem isso... ah, já ia me esquecendo. As milícias e máfias ascenderam ao poder e estão nas instituições estatais do Brasil. O cara que ocupa a cadeira presidencial por golpe em 2018 e fraude nas eleições é o fascista troglodita Jair Bolsonaro. Todos os seus filhos têm mandatos e a famiglia toda manda no país. Elegeram fascistas no RJ, em SP e diversos Estados brasileiros. CRASH... 

2 Filhos de Francisco, de Breno Silveira (2005)


Poster do filme, 2005.

Refeição Cultural - 2 Filhos de Francisco

Direção: Breno Silveira - 2005

Com: Ângelo Antônio (Francisco Camargo, pai da dupla mirim), Márcio Kieling (Mirosmar ou Zezé Di Camargo), Thiago Mendonça (Welson ou Luciano), Dira Paes (Helena Camargo, a mãe), Paloma Duarte (Zilú Godói).


Confesso que sou mesmo “nacionalista da gema” parafraseando a máxima carioca.

Cada vez que assisto a um novo filme brasileiro, mais me orgulho do quanto evoluímos na sétima arte.

Alguns filmes mexem conosco por tocar lá no nosso passado, na nossa história, por nos levar às nossas origens. Este então, transportou-me para a região de minha família.

O filme, que conta a história dos filhos de Francisco, na verdade, conta também a história de um montão de brasileiros como meu pai, meus tios e dezenas de primos. 

Tem um colorido de Brasil, tem cheiro e gosto de um Brasil que talvez pensem que está no passado, mas que basta pegar um ônibus e ir até alguns rincões do país para ver que vivemos no século XXI nas grandes capitais e nos séculos XX, XIX... quando nos afastamos delas.

Por que acho que o filme é bom?

É bom porque consegue ser um filme que não idolatra a figura dos cantores retratados na história. É bom porque não é um filme-comercial de música sertaneja.

É bom porque é um filme dos franciscos, dos joões, das marias. (apesar dos Mirosmar, Wesley, Mival etc - tão nosso, tão brasileiro!! - me lembra até de meus primos Miguel, Maurílio, Marciléu, Marli, Marceli...)

É bom porque assistimos com aquele saudosismo sempre inexplicável de dizer que antes as coisas eram melhores, mesmo sem serem de forma objetiva (ou serem opiniões forçosamente pessoais) – coisa talvez de quem já passou dos trinta!

O filme é bom para aqueles que já viveram por aquelas terras de Minas e Goiás e a cada instante vai identificando a cor, a textura, o contexto daquelas regiões que, apesar de serem ricas para uns, são paupérrimas para vários.

Já havia assistido ao filme no ano passado, porém, ao vê-lo novamente, me emocionei ao lembrar do principal objetivo de Lula quando chegou ao poder: melhorar a condição de vida de milhões de miseráveis nesta terra de riqueza mal distribuída.

Dos nove filhos de minha avó paterna mais os cinco de minha avó materna, praticamente todos passaram necessidades como esta família-francisco retratada.

Se é verdade que falta muito ainda para não vermos mais famílias naquelas condições de subsistência, é verdadeiro também o fato de que a possibilidade é muito maior quando temos alguém no comando do país com vontade política de priorizar a atenção aos milhões de excluídos.

É um filme com as nossas cores.

(comentei em 27.11.06, na época não tinha ainda o blog Refeitório Cultural)

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Post Scriptum (02/11/19):

Pois é, quanta coisa não resiste ao tempo! 

A estória do filme é boa (enredo): dois garotos pobres, do interior de um país, conseguem vencer na vida como cantores de música sertaneja. O rapaz fica com a moça no final. E viveram felizes para sempre. 

Agora, se for para falar dos sujeitos que inspiraram os personagens do enredo do filme, lascou! O cantor trocou a mocinha - depois que ela ficou mais velha - por uma moça da metade da idade dela. Dizem as notícias de famosos que ele escondeu o patrimônio para não dividi-lo com a ex-esposa. 

Os sertanejos, que foram até um certo momento da vida do país próximos a partidos e líderes populares, depois de fortuna formada, viraram a casaca e agora estão do lado dos endinheirados, que organizaram um golpe de Estado no país. É isso! E a vida real segue...

Podem assistir ao filme como ele é e deve ser: uma estória de ficção, com final feliz.

A Paixão de Cristo - Mel Gibson (2004)


Foto divulgação

Refeição Cultural - A Paixão de Cristo

Direção: Mel Gibson - 2004

Com: Jim Caviezel (Jesus de Nazaré), Maia Morgenstern (Maria de Nazaré), Monica Bellucci (Maria Madalena), Rosalinda Celentano (Satanás). 

Impressões...

Após assistir ao filme A Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson, vi-me impelido a fazer alguns comentários sobre ele.

Vê-se claramente que o filme quer atingir o seu público pela catarse imagética. Os diálogos que existem são tão poucos e tão inexpressivos que quase não se fazem necessários.

Em primeiro lugar, quero deixar já a minha opinião sobre o que achei da obra: grotesca!

Como humanista, saí do cinema com um grande aperto no coração. Doía mesmo! De tanta repulsa que senti ao ver tanto sangue. Já vi filmes que me chocaram bastante pela tortura a seres humanos. Mas como esse, ainda não consegui me lembrar de nenhum.

Gostaria de saber, de fato, qual a intenção do diretor, em escolher um banho de sangue e sangue e sangue para fazer um filme retratando um homem que viveu dois mil anos atrás e que pregou a paz, a não violência, o amor a todos, a esperança em um reino metafísico e na existência de um ser superior e que segundo Suas palavras, criou a tudo e a todos.

Confesso que não percebi nada da tal polêmica de que o filme pregaria o ódio aos judeus. Também achei infantis aquelas bestas “óliudianas” que apareciam para Judas e Jesus.

É interessante observar que o diretor conseguiu fazer um filme que não passa nenhuma mensagem pregada pela personagem retratada: Jesus Cristo. Perdeu a oportunidade de colocar diálogos importantes entre Este e os apóstolos, entre Ele e seu Pai, só para ficar nas passagens mais conhecidas dos evangelhos.

Muitos filmes sobre Cristo já foram feitos, daqueles antigos “café com leite” e foram muito melhores do que este.

E, para não falar que a questão de considerar o filme tão ruim é de ordem dogmática, vale salientar que se o objetivo do diretor era questionar a tradição cristã retratando Jesus de forma diferente daquela pregada pela igreja e por seus seguidores, muitos diretores já fizeram obras melhores que chocaram também o público, principalmente os cristãos, mas com qualidade superior no roteiro e na linha ideológica contrastante como, por exemplo, “A última tentação de Cristo” (1988), de Martin Scorsese, que, por sinal, também não gostei.

A única coisa que penso que se possa aproveitar da catarse sanguinolenta proporcionada pelo filme é a oportunidade de chamar a atenção para o cuidado que se deve ter ao lidar com massas e multidões. Ou seja, lidar tanto com grupos excluídos, necessitados e subjugados, quanto com grupos de dominadores, vencedores e mais organizados socialmente requer clareza do que se busca e aonde se quer chegar.

É importante conhecer sempre a tênue linha que separa a fraternidade da barbárie. Assim como os homens do Sinédrio levaram uma massa a pedir a troca e crucificação de um bandido condenado por um inocente, pode-se ver atualmente populações festejarem americanos queimados e pendurados no Iraque, bandidos em um presídio felizes a jogarem pedaços de presos pelo telhado, soldados nazistas exterminando milhares de judeus em fornos, crianças e adolescentes arrebentando uns aos outros com camisas de clubes rivais no futebol e daí por diante.

Sempre penso que devemos ter muita atenção ao que dizemos e em nossos atos, seja para com nossos filhos e amigos ou para com nossos adversários, por mais que, muitas vezes, estejamos “putos da vida” com eles.

É possível mudarmos sempre, tanto para melhor, quanto para pior (socialmente falando). Depende muito do contexto em que estamos. É pena não poder hoje desejar que o humano seja mais Humano, porque nestes dias que correm, as pessoas valem pelo que compram e têm, e não pelo que são...

Mas muitos de nós trabalhamos para mudar isso, é ou não é?


(Escrevi estas impressões em 2004, após o lançamento do filme)

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Post Scriptum (31/3/18):

Assisti novamente ao filme. Já se passaram catorze anos desde que vi o filme pela primeira vez. Tanta coisa mudou! Eu, meu mundo, o mundo. Sigo achando a violência extremada, um exagero. Mas ela é bem o retrato da maldade humana. É muito real. Somos maus mesmo! 

Uma coisa eu mudei de opinião em relação ao texto original que escrevi: entendo que o filme incita, no mínimo, muita raiva em relação ao povo judeu, pela forma como ele foi mau com o cidadão Jesus Cristo. É isso!

Post Scriptum (20/12/19):

Revi o filme mais uma vez e, se já havia mudanças importantes de visão em março em 2018 como disse acima, o que poderia dizer agora, após o primeiro ano do Brasil governado pela milícia, pelo fascismo? Os fariseus do Sinédrio chegaram ao poder central, as leis são usadas para caçar e aniquilar qualquer pessoa que pense diferente deles. Assassinatos, chacinas, tiros na "cabecinha" ordenados por governantes. O símbolo dos governantes no poder são armas, cartuchos de balas, dedo indicador e polegar modelo "arminha". O ódio venceu. Jesus perdeu. E a destruição de tudo segue acelerada em Seu nome.

Edison - Poder e Corrupção (2005)


Poster do filme de 2005.

Refeição Cultural - Edison

Direção: David Burke - 2005

Com: Kevin Spacey (Wallace), Morgan Freeman (Moses Ashford), Justin Timberlake (Josh Pollack), LL Cool J. (Deed), Dylan McDermott (Lazerov) e Piper Perabo (Willow).


O que separaria no jornalismo de hoje um verdadeiro repórter que investiga e busca matérias de um repórter que só faz matéria que o seu chefe ou editor manda?

Qual a diferença entre os principiantes que publicam tirinhas nas colunas sociais e escrevem em espelho o que o chefe manda, de jornalistas e repórteres que vão atrás da notícia e que veem detalhes em fatos que podem revelar o impensável?

Perspicácia...

Curiosidade...

Tino investigativo...

Desejo de ser premiado...

Vontade de aparecer para agradar a namorada...


O simples “- Obrigado” de um réu para um tira (testemunha) em um julgamento leva Josh Pollack, um jornalista em início de carreira (Justin Timberlake), a fazer o que o seu editor-chefe Ashford (Morgan Freeman) não pediu: uma matéria cheia de conjecturas e suspeições sem prova alguma, ao invés do fato: a sentença do julgamento que ele foi cobrir.

Daí adiante, a trama segue com tiras e tiros, drogas e muito dinheiro sujo nos pilares de sustentação de uma sociedade podre.

Além da trilha sonora muito boa nas horas em que Freeman aparece em sua casa, chama a atenção os ensinamentos do velho editor Moses Ashford sobre o que é usar de forma correta o chamado 4º poder, e que, muitas vezes, as decisões que um jornalista deve tomar quando descobre uma verdade podem lhe custar muito caro, incluindo a perda de vidas.

A cena que mais curti foi ver o velho Morgan Freeman dançando sozinho em seu apartamento.

Gostei do filme e recomendo ele para quem gosta do tema jornalismo e reportagem.

Ver aqui detalhes do filme na Wikipedia.

(comentei originalmente em 10.2.07, quando ainda não tinha o blog)

Rocky Balboa - Sylvester Stallone (2006)



Refeição Cultural - Rocky Balboa

Direção: Sylvester Stallone - 2006

Com Sylvester Stallone (Rocky), Burt Young (Paulie), Milo Ventimiglia (Robert Balboa, o filho), Antonio Tarver (Mason) 

(ler aqui sobre o filme: Wikipedia).


Assisti “Rocky - Um lutador", de 1976 (ler aqui), quando tinha uns 14 anos. É evidente que eu não tinha ideologia alguma. O que eu tinha era ódio, raiva e rancor da vida e da sociedade em que vivia.

É interessante a capacidade que alguns personagens têm de cativar as pessoas. E não podemos confundir isso com o ator que os interpreta, mesmo quando afirmam haver semelhanças entre eles.

Simpatizo com o personagem Rocky e sua história de luta, assim como tenho ojeriza a tudo que Sylvester Stallone e o Tio Sam representam para o mundo.

A catarse da sétima arte, assim como na música, literatura, pintura, dentre outras artes, tem muita relação com o momento em que a pessoa entra em contato com ela e por isso sempre afirmo ser contrário a estereótipos que, em geral, bloqueiam a visão profunda e completa do ser.

Nunca esquecerei, por exemplo, a sensação vivida no dia em que fiquei diante do quadro “O grito” de Edvard Munch, ou de quando li a saga do velho Santiago em “O velho e o mar" de Hemingway (ler aqui). Na oportunidade, tive grande identificação visual com um, e de vida com o outro.

Hoje, tenho uma visão socialista e da busca coletiva do bem comum. Não foi esse o caso para mim quando garoto, na década de 80. Pobre e cheio de frustrações, a ideia de um ferrado na vida que luta, luta e luta e supera tudo para vencer era e é cativante. Ou não foi assim que alguns de nós saímos do serviço braçal, passamos em concursos públicos e, uns poucos, passaram nos famigerados vestibulares das grandes universidades públicas?

Era real a vida daquele garoto magricela, que havia mudado de São Paulo com 10 anos de idade e chegado a um lugar estranho e hostil. E num curto espaço de tempo passou a ter raiva e ódio de tudo e todos. (mas aquela adolescência é outra história...)

Assistir a Rocky Balboa trouxe-me um aperto no coração. O filme lida com sentimentos e sensações sempre difíceis: o envelhecimento; a perda da pessoa querida; conviver com a solidão; viver entre os comuns após a fama; e a sempre possível relação difícil entre pais e filhos.

De fato, a garotada que assistir ao filme pode não entender o que Balboa quer dizer com “ainda tenho coisas guardadas aqui dentro, no porão...”. Mas acho que muitos daquela geração sabem o que é isso.

- Um lutador tem que escolher suas lutas...

- Um lutador tem que lutar...

- Não é só uma questão de bater mais forte... é uma questão de saber suportar a dor... de persistência...

O filme satisfez a minha expectativa.

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Post Scriptum (17/12/19):

Revi o filme e o contexto atual fez com que me emocionasse novamente com a estória da personagem e com os fatos que relatei na postagem acima.

Nosferatu, o Vampiro da Noite - Werner Herzog (1979)


Klaus Kinski em interpretação brilhante!

Refeição Cultural - Nosferatu, The Vampyre

Direção: Werner Herzog - 1979 

Com: Klaus Kinski (Conde Drácula), Bruno Ganz (Jonathan Harker) e Isabelle Adjani (Lucy Harker). Ver comentário da Wikipedia aqui.


- Que delícia assistir a filmes clássicos!

Este filme é simplesmente deslumbrante. Herzog acertou em cheio nesta refilmagem. Inclusive ele produziu parte do filme no mesmo cenário em que F. W. Murnau gravou Nosferatu em 1922, a pequena cidade de Wismar, no norte da Alemanha, segundo a Wikipedia (aqui).

O desempenho de Klaus Kinski, a fotografia e a trilha sonora são pontos altos do filme.

Eu já havia assistido ao filme Nosferatu, de Murnau (aqui), e esta refilmagem ficou muito boa.

As cenas de Jonathan Harker nas montanhas da Transilvânia são demais: as corredeiras, o anoitecer, o lusco-fusco da transição do dia para a noite.

É muito legal a chegada do Conde Drácula à pacata cidade portuária de Wismar, na Alemanha. E com o navio, os ratos, e com os ratos, a peste.

A peste e a morte... e a loucura. A cena da última ceia em praça pública em meio a centenas de ratos é impactante.

Impressionam os milhares de ratos pela cidade e por todos os lados (na época, não havia efeitos de computador, eram milhares de ratos mesmo).

No entanto, o melhor mesmo é cada minuto em que aparece Nosferatu. E a maquiagem na bela Isabelle Adjani realçando a brancura cadavérica da personagem é muito bem-feita.

- Que expressão de cansaço!

- Que diacho de vida eterna pesada!

O conde Drácula não reclama sangue. Reclama amor. 
E o final nos mostra isto.

Filme belíssimo! Recomendo a obra de arte aos amantes do cinema.

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Post Scriptum (17/12/19):

Revi o filme e continuo achando a produção impactante. Vivendo em uma época em que todos os efeitos de filmes são feitos numa tela de computador, a gente fica impressionado ao ver uma produção conseguir quase dois mil ratos para gravar um filme. Pensem nos deslocamentos e cenários reais para gravar filmes décadas atrás... é fantástico!