segunda-feira, 24 de março de 2008

Comparações de análise sintática: Bechara x Hildebrando



Comparações de análise sintática:

Prof. Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, 37ª edição 1999, 16ª reimpressão de 2006)

X
Prof. Hildebrando A. de André (Gramática Ilustrada, 3ª edição de 1982)

COMPLEMENTO NOMINAL

Hildebrando:

Complemento nominal é o termo da oração que completa a significação transitiva de um nome. Vem sempre ligado por preposição.

Na explicação do complemento, Hildebrando faz uma comparação com os complementos verbais – objeto direto e indireto.

- “matar os mosquitos” – ação transitiva “matar” com o objeto direto “os mosquitos”.

- “matança dos mosquitos" – ação transitiva “matança” com o complemento nominal “dos mosquitos”.

Outros exemplos: “confiar em Deus” – “confiança em Deus”; “gostar do vinho” – “gosto pelo vinho”; “assaltar o banco” – “assalto ao banco”.

Diz ser comum os nomes que pedem complementos nominais serem da mesma raiz de verbos transitivos.

Exemplos que não têm relação com raízes verbais: “ávido por dinheiro”; “caridoso com os pobres”; “eficácia contra a doença”.

As palavras que pedem complementos nominais são substantivos, adjetivos e, mais raramente, advérbios:

Ex.: “leitura do livro” (substantivo); “prejudicial à lavoura” (adjetivo); “favoravelmente aos jovens” (advérbio).

Bechara:

O gramático utiliza subdivisões para classificar as “expansões de substantivos”, de acordo com a realidade comunicada e de certas relações gramaticais dela.

Na comparação com Hildebrando, este diz serem os complementos nominais semelhantes aos complementos verbais – objeto direto e indireto, enquanto Bechara apresenta diversas categorias de complementos:

- “a resolução do diretor” – CN subjetivo (o diretor resolveu).

- “a prisão do criminoso pela polícia” – CN subjetivo passivo (o criminoso foi preso).

- “a remessa dos livros” – CN objetivo (alguém remeteu os livros).

- “a resposta ao crítico” – CN objetivo indireto (alguém respondeu ao crítico).

- “o assalto pelo batalhão” – Complemento de agente ou de causa eficiente.

- “a ida a Petrópolis” – CN circunstancial.

De modo geral, a gramática tradicional tem apontado complementos nominais restritos a processos de nominalizações que envolvem substantivos, a adjetivos ou a advérbios. Mas há outros que devem sua presença a traços semânticos do núcleo nominal, independentes de nominalizações. (Bechara p.454)

-Substantivos relacionais – relações entre indivíduos: o pai de Eduardo; a tia do Daniel; a colega de Georgete. Também referidos a partes constitutivas de uma entidade: os braços da dançarina; o galho da árvore.

-Substantivos icônicos – designam representação, tais como retrato, quadro, fotografia, filme, película etc quando referidos a entidades retratadas, pintadas etc.

Note-se a diferença entre:

(1) O retrato de Machado de Assis (termo argumental).

(2) O retrato da galeria (adjunto adnominal).


(3) O quadro do Grito do Ipiranga de Vítor Meirelles do Museu de Belas Artes.

- do Grito do Ipiranga (termo argumental);

- de Vítor Meirelles (termo argumental);

- do Museu de Belas Artes (adjunto adnominal).

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