sexta-feira, 16 de julho de 2021

33. Odisseia - Homero



Refeição Cultural - Cem clássicos

Completei a leitura de mais uma obra da literatura clássica mundial, Odisseia, atribuída ao aedo Homero. Foi uma leitura engajada e eu a realizei de forma bem satisfatória, haja vista que a linguagem não é uma linguagem comum.

Essas postagens dos "cem clássicos" são postagens que estou fazendo aos poucos para avaliar o que já avancei no sonho, porque tenho um sonho antigo, quase da adolescência, em ler uma centena de obras clássicas da produção cultural do mundo. 

Já postei 33 obras, mas não quer dizer que só li essa quantidade. Alguns clássicos lidos ainda serão anotados aqui no blog. Sem contar que os critérios definidos para considerar uma obra "clássica" serão arbitrariamente definidos pelo autor do blog, eu mesmo.

Meu primeiro contato com a Odisseia foi em 2001, ano em que comecei a estudar na Universidade de São Paulo. Vejam como as coisas foram tardias para mim no mundo dos clássicos. Entrei na Faculdade de Letras da USP aos 32 anos. Para acompanhar as aulas de Literatura Grega no ciclo básico era urgente ler o clássico de Homero.

Minha edição em prosa da Odisseia foi da editora Cultrix, na tradução do professor Jaime Bruna, da USP. Eu a adquiri logo que comecei o curso. Tenho até a notinha dentro do livro. Paguei 19 reais no dia 18/4/01. Anotei no livro que terminei a leitura em julho daquele ano. Posso dizer que foi um dos primeiros clássicos que li ao entrar na universidade.

Agora, duas décadas depois, vivi a experiência de reler o clássico, e posso dizer que praticamente senti a sensação de ser a primeira leitura porque eu não me lembrava de quase nada.

Li a Odisseia, na tradução de Manuel Odorico Mendes, numa edição especialíssima da Edusp, a cargo do professor Antonio Medina Rodrigues. Eu tive o privilégio de ser aluno do Medina e nunca - nunca - me esqueci das aulas dele na FFLCH. O cara era demais! Ele interpretava os deuses e suas sacanagens gesticulando em sala de aula. Algumas alunas ficavam vermelhas de vergonha (rsrs). Professor Medina, presente!

A leitura atual foi num contexto completamente diferente em relação à primeira leitura da epopeia homérica. Antes, iniciava um curso de Letras, agora sou um ex-bancário de banco público retirado das lides sindicais, lendo em casa num contexto de pandemia mundial de Covid-19.

O blog tem postagens a respeito da leitura caso alguma pessoa se interesse em ler.

Anoto por fim o projeto mental que acabei projetando a partir da leitura deste clássico grego em versos odoricianos. Vou ler na sequência, nessa trilha clássica, a Ilíada e a Eneida, ambas traduzidas por Odorico Mendes. Já as tenho. Depois vou ler A divina comédia, de Dante e, por fim, vou reler Os Lusíadas, de Camões. Um belo projeto de leitura, né não?

Assim como Medina e Haroldo de Campos, gostei muito da "transcriação" de Odorico Mendes. A edição do Medina traz um texto de Campos - "Odorico Mendes: o patriarca da transcriação" e traz apresentação e prefácio com diversos estudos do professor Medina: é uma obra à parte, diga-se de passagem. Explicações magníficas, inclusive sobre traduções.

Enfim, missão cumprida! Mais um clássico lido e mais projetos de leituras a realizar.

Leiam os clássicos!

William


Odisseia (Homero) - O fim (XXII a XXIV)



Refeição Cultural

"Na sala, circunspecto, ele examina
Se inda algum respirava, e em pó sangrento
Jaziam todos: qual a praia curva
Arrasta a malha os peixes, que, empilhados
Na areia, mudos cobiçando as vagas,
À luz do Sol em breve o alento exalem,
Tais os procos ali se amontoavam." (LIVRO XXII, v. 281-287, p. 365)


(esta postagem contém spoiler do final da Odisseia, alerta para quem não conhece ainda a história)


Finalizei a leitura dos últimos três livros da Odisseia, de Homero. Foram 75 dias de convivência com as desventuras de Ulisses, de Telêmaco, de Penélope, da deusa Palas (Minerva) e dos diversos personagens que constam nesta epopeia grega.

No livro XXII, conheci a ira de Ulisses (já havíamos ouvido falar da ira de Aquiles). A vingança do herói foi implacável em relação aos pretendentes de Penélope, que consumiam os rebanhos e patrimônio da família. Ele não perdoou sequer as servas que se relacionaram com os invasores. As cenas são dignas de um filme de Tarantino.


No livro XXIII, vemos o reencontro de Ulisses e Penélope. A deusa Palas até adia a chegada do dia, retardando a carroça com os ginetes que trazem o sol pela manhã... A Aurora dedirrósea...

"   Ele com isto em lágrimas rebenta,
Mais ao peito cingindo a casta esposa.
Da praia quando à vista os naufragados,
Por Netuno e por vagas sacudidos,
Poucos no vasto pélago nadando,
Sujos da maresia, à morte escapam,
Não têm maior prazer do que a rainha
Teve ali. Não despega os alvos braços
Do colo do consorte; e a ruiva Aurora
Os encontrara, se não fosse Palas:
A olhicerúlea, prolongando as sombras,
No Oceano a retinha em áureo trono,
Sem que até ao coche alípedes ginetes
Lampo e Faéton, que a luz no mundo espalham.
" (LIVRO XXIII, v. 174-187, p. 377)

Ainda neste livro XXIII temos uma espécie de resumo dos eventos que vimos ao longo da epopeia de Odisseu, nos versos 236 a 262.


No último livro, XXIV, vemos as almas dos pretendentes mortos chegarem ao Hades, e lá encontram outros heróis e guerreiros mortos na Guerra de Tróia. 

Ao ouvir sobre a vingança de Ulisses, narrada pela alma de Anfimédon, Agamêmnon se admira de Penélope, que foi fiel ao esposo enganando os pretendentes por 3 anos, fazendo e desfazendo a mortalha que tecia. Lembrando que Agamêmnon foi morto na traição, por sua esposa Clitemnestra e o amante.

"   Grita Agamêmnon: 'Venturoso Ulisses,
Possuis mulher de uma virtude rara!
Do varão que pudica amou primeiro
Nunca olvidou-se; obtém perene glória,
Que hão de inspirados celebrar cantores.
" (LIVRO XXIV, v. 155-160, p. 388)

Ulisses ainda reencontra seu pai, Laertes, e juntos - avô, pai e filho - enfrentam a fúria dos familiares dos pretendentes mortos por Ulisses. Mas os deuses não permitem que a guerra civil se inicie em Ítaca e atuam para impor a paz.

Termina assim a odisseia de Ulisses, após vinte anos de desventuras para retornar a sua Ítaca, esposa e filho, após os gregos vencerem os troianos.

William


Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).


quinta-feira, 15 de julho de 2021

Odisseia (Homero) - Antes do massacre dos pretendentes e desafio do arco



Refeição Cultural

"Teoclimeno a vozes profetiza:
'Misérrimos, que noite vos rodeia
De alto a baixo! Que lúgubre ululado!
Estou já vendo lagrimosas faces,
Em sangue estas paredes e estes postes,
Cheio o vestíbulo e a brilhante sala
De espectros, que ao profundo Erebo descem!
Morre o Sol, e se esparge e adensa a treva!'" (LIVRO XX, v. 280-287, p. 342)


A leitura dos livros XX e XXI da Odisseia, de Homero, foi muito prazerosa. Não tive dificuldades com os decassílabos de Odorico Mendes. 

As notas do professor Medina auxiliam muito os leitores pouco familiarizados com a linguagem e com as referências históricas.

No início do Livro XX, Medina comentou: "Os antigos chamavam este livro simplesmente de 'Antes do Massacre dos Pretendentes'...". (p. 333)

Já no início do Livro XXI, Medina diz: "Este livro nos põe diante da célebre prova do arco, que antecipa o massacre dos pretendentes e que para Austin é o centro de todo aquele processo de autoconhecimento representado na Odisseia..." (p. 345)


O DESAFIO DE PENÉLOPE

"Vós que, pretexto de esposar-me, ausente
Meu marido, estragais toda esta casa,
Ouvi-me. O arco eis aqui do nobre Ulisses,
E eu proponho um certame: quem mais fácil
O atese e freche atravessando os olhos
Das machadinhas doze, hei de segui-lo
Da conjugal estância, farta e bela,
Da qual me lembrarei té nos meus sonhos'.
" (LIVRO XXI, v. 51-58, p. 347)


Faço só mais uma citação deste Canto, a da humilhação de um dos pretendentes, Eurímaco:

"   O arco Eurímaco ao lume aquenta e vira,
Mas nem sequer o verga; no orgulhoso
Peito suspira, e suspirando fala:
'Ai de mim e dos mais! Bem que as deseje,
Não choro as núpcias, que Ítaca e outras ilhas
Têm muitas belas; choro a clara prova
De superar-nos tanto o grande Ulisses:
Oh! Futuro desdouro!'...
" (CANTO XXI, v. 179-186, p. 350)


É isso! Os últimos três livros trarão o desfecho dessa epopeia homérica. Quem tiver interesse em ler a postagem anterior, é só clicar aqui. Quem tiver interesse em ver um vídeo onde comento essa leitura dos livros XX e XXI é só clicar aqui.

Abraços! Leiam e salvem seus cérebros e a essência do homo sapiens.

William


Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).


quarta-feira, 14 de julho de 2021

Por uma sociedade socialista



Refeição Cultural

A leitura de um pequeno livro sobre a vida e a obra do professor Florestan Fernandes reforçou minhas reflexões sobre a necessidade de lutar pelo fim do sistema capitalista e pela construção de uma sociedade socialista.

A humanidade e as demais formas de vida do planeta Terra correm sério risco de desaparecerem por causa da forma como a natureza vem sendo utilizada pela atual sociedade humana e o capitalismo está diretamente relacionado com a destruição das formas de vida em nosso único lugar de existência.

A espécie humana se desenvolveu de forma extraordinária ao longo do tempo de sua existência. Diferente das demais formas de vida, o homo sapiens criou o mundo que nós conhecemos hoje através da inteligência e da tecnologia. Nosso cérebro se desenvolveu e passou a criar abstrações, imaginou coisas e as criou. Assim sobrevivemos aos desafios da natureza e chegamos até aqui.

Nos últimos 250 anos, em linhas gerais, uma forma de produção de bens passou a dominar as diversas sociedades humanas espalhadas pelo planeta Terra, o modo de produção capitalista e tudo o que isso significa.

Nesse curto espaço de tempo, se considerarmos que nossa espécie já habita a Terra há alguns milhares de anos, nós exaurimos perigosamente o planeta.

A vida é uma oportunidade única para todas as espécies existentes, inclusive para a espécie humana. O conhecimento que produzimos nessa longa caminhada dos seres humanos nos permite estabelecer padrões de vida muito bons para toda a humanidade. Temos inteligência e tecnologia para atravessarmos os próximos séculos se tivermos responsabilidade.

A base do sistema capitalista é inviável à vida. 

Precisamos nos unir para lutar pela vida da espécie humana e pela diversidade de modos de vida na Terra, de forma que possamos ter um futuro. 

Durante décadas atuei nos movimentos organizados da classe trabalhadora. Os movimentos populares são bons espaços para reflexão sobre essa questão que estou trazendo: lutar pelo fim do capitalismo.

Tenho uma impressão que a questão de lutar pelo socialismo e pelo fim do capitalismo saiu das pautas prioritárias dos movimentos organizados. Quando se fala do tema é como se estivéssemos falando de algo absolutamente fora do horizonte, fora das metas pessoais e coletivas das pessoas, dos humanos.

Precisamos retomar a luta pelo socialismo, pelo cooperativismo, pelo associativismo, pela solidariedade, pela vida. O capitalismo é o oposto a tudo isso.

O socialismo deve fazer parte de nossos sonhos, de nossos esforços diários, de nossas metas.

Como indivíduos, somos um instante de vida, mas se pertencermos a uma coletividade com objetivos comuns seremos mais que indivíduos, nossos entes queridos não estarão sós e sem um braço amigo em nossa ausência.

Temos que lutar por uma sociedade socialista.

William

Florestan Fernandes - Vida e obra



Refeição Cultural

"A Constituição instituiu um 'estado de direito', com liberdades políticas, garantias individuais e direitos sociais que só têm vigência se não afetam uma concepção obstinadamente reacionária da ordem legal e da iniciativa privada. O que consagra uma dualidade constitucional: há uma Constituição escrita, que exprime a 'vontade da Nação', mas converte-se em biombo para esconder o arbítrio e a violência; há uma Constituição consuetudinária, produzida pelo ânimo bélico das classes possuidoras e de suas elites dirigentes, consagrada pelo governo e por suas forças de repressão policial-militar e, frequentemente, judiciária. Essa dualidade constitucional é um desafio e um freio para a ação política dos trabalhadores livres e semilivres, os segmentos radicais da pequena burguesia e das classes médias. É preciso exterminá-la, porque ela institui a violência a partir de cima, a 'legitimidade' de um código não escrito que anula o texto constitucional, servindo somente para demonstrar o quanto a "Nova República" é sucessora hipócrita da ditadura militar e como se renova o despotismo da grande burguesia." (Florestan sobre a Constituinte e a Constituição, p. 162. Citação da Revista Teoria e Debate, nº 8, São Paulo, out/nov/dez de 1989)


Entre ontem e hoje, li o livro Florestan Fernandes - Vida e obra (2004), de Laurez Cerqueira. Anos atrás, havia lido quase a metade do livro e, como fazia sempre, não havia terminado. Agora li de uma vez.

A história de vida e militância do professor Florestan Fernandes é de nos fazer chorar. Aliás, por três vezes, chorei ao ler passagens do livro. 

Tenho muito orgulho de ter sido aluno da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH). Florestan foi professor de Sociologia I na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, até ser expulso (aposentado compulsoriamente com rendimentos proporcionais) em 1969 pelo Ato Institucional nº 5 da ditadura civil-militar.

A minha impressão é que Florestan é um excluído da intelectualidade brasileira comemorada pela burguesia. Ouve-se muito mais sobre Caio Prado Jr., Sérgio Buarque, Darcy Ribeiro, Gilberto Freyre etc. Ele é um socialista, um defensor do socialismo e esse deve ser o motivo pelo qual a burguesia comemore outros pensadores e não ele.

Os capítulos do livro nos dão uma boa noção sobre a vida de nosso querido pensador socialista. Vejam abaixo o sumário do livro:

1 - De "Vicente" a Florestan

2 - Construir a sociologia científica e interpretar o Brasil

3 - 1964: Um golpe no sonho, um corte na produção intelectual acadêmica

4 - O cientista militante e a esperança no socialismo

5 - O professor Florestan Fernandes no Congresso Constituinte

6 - Compromisso e coerência

Foram capítulos de muita emoção na leitura. A infância pobre, com mãe solteira, trabalhando desde muito menino pelas ruas de São Paulo. O garoto franzino que se defendeu de marmanjos muito maiores nas ruas. A falta de condições de estudar até mesmo a educação básica.

Depois o adolescente e adulto que lia até 15 horas por dia para recuperar o tempo perdido com a falta de condições de estudar por questões de sobrevivência. Depois a vida de intelectual, professor e militante das causas sociais.

Ao ler sobre seu período de enfrentamento à truculência da ditadura a gente fica muito comovido. Depois vimos suas lutas como intelectual parlamentar na Constituinte e no mandato seguinte na Câmara Federal. A convivência com Lula e a bancada do PT e as lições ao mesclar a academia com a política: os acordos possíveis. A defesa da Educação; a LDB.

Seu espírito de servidor público. Sua ética e sua prática como critério da verdade, coisa que aprendi ao ser dirigente sindical. A dramaticidade de sua doença - hepatite-C - e a forma trágica de sua morte nos deixam sem palavras.

Que história de vida! Que homem da esquerda brasileira!

Mexeu muito comigo a história de Florestan Fernandes...

Refletindo sobre... que refeição cultural... que lição de vida.

William


Bibliografia:

CERQUEIRA, Laurez. Florestan Fernandes - Vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2004. 4ª reimpressão, out/2009.


terça-feira, 13 de julho de 2021

130721 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1165


MAR DE LAMA

A edição de Carta Capital desta semana trouxe o seguinte conteúdo:

No editorial de Mino Carta: Celebramos a patetice. São Paulo teima em comemorar uma guerra de secessão que não houve.

A Semana: Indústria/Novos ares? Josué Gomes da Silva vai comandar a Fiesp.

E mais: Rachadinha/Cheques voadores. O STF arquiva a investigação sobre os depósitos para Michelle Bolsonaro.

Pedro Serrano: Entre o circo e a apuração. Para ter êxito, a CPI da Pandemia não pode se perder na encenação e no histrionismo.

Na matéria de capa, por André Barrocal: Fardados no jogo sujo. A CPI reúne cada vez mais pistas sobre os militares metidos em negociatas na saúde. A possível prevaricação e a guerra suja de Bolsonaro tenta proteger os parceiros.

Seu País, por Ana Flávia Gussen: A fome de empreender. Metade dos trabalhadores por conta própria ganha até mil reais e 77% deles são informais, revela pesquisa.

E mais, por Celso Amorim: O Deep State vem ao Brasil. O que William Burns, diretor da CIA, tinha a tratar em Brasília com Bolsonaro e dois ministros militares?

Flávio Dino: Política sem farda. O uso político do Judiciário ou das Forças Armadas representa intromissão indevida no jogo democrático.

Manuela D'Ávila: A violência política de gênero. É impossível dissociar o bolsonarismo do machismo. Enfrentar a misoginia é enfrentar a extrema-direita.

Aldo Fornazieri: Labirinto sem luz. Cai o mito do herói dedicado ao combate à corrupção, mas os seguidores de Bolsonaro preferem não enxergar a realidade que os cerca.

Economia, por Carlos Drummond: Passos no escuro. Cresce o risco de apagão, mas o governo foge do custo político de um racionamento, o que só agrava o problema.

E mais, por Paulo Dantas da Costa: Imposto global. A tímida proposta do G-7 está longe de se parecer com uma reforma tributária mundial.

Nosso Mundo, por Emma Graham-Harrison e Akhtar Mohammad Makoii, de Herat: Deixados para trás. Com a retirada das tropas estrangeiras, o Afeganistão segue desestruturado e o Taleban ressurge.

E mais, por Richard McGregor: Cem anos que abalaram o mundo. A trajetória do Partido Comunista Chinês, da primeira reunião em Xangai à construção de uma superpotência.

Plural, por Pedro Alexandre Sanches: Uma estranha fruta negra. O filme Estados Unidos vs. Billie Holiday atribui a guerra judicial enfrentada pela cantora de jazz ao conteúdo antirracista da canção Strange Fruit.

E mais, por Janes Jorge: A São Paulo de Vargas. Ao contrário da retórica do feriado de 9 de Julho, a capital e o estado deram muitos votos e apoio ao estadista.

Afonsinho: Messi no clube. O time do Passe Livre ganhou um reforço considerável, Lionel Messi, a pulga genial.

COMENTÁRIO

Voltar a ler a revista equivaleu a trocar tempo de leitura de livros por leitura de informações políticas. A gente fica deprê ao ler sobre o Brasil e o mundo, mas tem valido a pena porque a variedade dos temas, como demonstrado acima, nos deixa menos alienado. Somos seres sociais, queiramos ou não.

A matéria sobre os trabalhadores informais e de baixa renda é chocante. Deram o golpe no Brasil e no povo para isso, para termos um exército de reserva, uma multidão de miseráveis e famintos no país. Racismo e misoginia venceram com Temer e Bolsonaro. Veja um trecho da miséria exposta: 

"As disparidades sociais, raciais e de gênero se evidenciam quando se analisa o topo da pirâmide: conforme a renda aumenta, mais branco, mais rico e mais masculino se torna o perfil. Mudam também as atividades. Se o negro tem majoritariamente como fonte de renda atividades como construção civil (65%), comércio (57%), serviços e alimentação (61%), o homem branco figura no topo em serviços de educação e saúde (67%), atividades de informação, comunicação e financeiras, imobiliárias (64%)" (p.19)

Os artigos desta edição são excelentes!

Esther Solano faz um apelo aos jovens para não desistirem da política, porque as raposas velhas vão decidir e ferrar a vida deles. Coisa básica!

Manuela D'Ávila é certeira como sempre na questão do machismo e a extrema-direita. Temos que enfrentar essa praga!

O artigo do Boaventura de Sousa Santos nos lembra que a democracia virou um faz de conta. Enquanto a democracia liberal deveria ser com processos confiáveis e certos e resultados incertos, agora vivemos o contrário: "As elites transformaram o jogo em um processo incerto com resultado certo, a favor de seus interesses". (p. 47)

Fecho o comentário com uma ótima lição de Rita Von Hunty em relação ao governador do RS que de forma oportunista tenta levar vantagem em ser gay neste momento do país.

"Não bastasse o apoio a Bolsonaro, a origem e a atuação política, Leite também expressa de maneira contraproducente para a comunidade LGBTQIA+. Ao defender que gostaria de ser pensado como um governador gay e não um 'gay governador', ele inverte sujeito e predicado. Leite não 'é' governador, ele apenas exerce esse cargo nesta fase de sua vida. Leite 'é' gay, ao menos que possa assumir outra identidade sexual, e deveria lutar em nome daqueles que, como ele, sabem o que essa identidade implica na vida em sociedade no Brasil..." (p. 57)

Achei ótima a observação da articulista. Esse cara não é um governador gay, ele é um gay privatista, gay tucano (ou seja, golpista), é um gay antipovo. Aí sim, os qualificativos estão adequados a ele. A orientação sexual dele não importa.

Enfim, mais informado estou.

William


sábado, 10 de julho de 2021

100721 - Diário e reflexões



Refeição Cultural


ENTRE O AMOR E O ÓDIO, FICO COM LULA, COM O AMOR

O AMOR - Assisti nesta manhã de sábado ao encontro de Lula com o pessoal da cultura e dos movimentos sociais. Foi impossível não se emocionar ao ouvir as lideranças dos artistas e dos movimentos. Foi impossível não se emocionar ao ouvir Lula demonstrar sua gratidão aos artistas, às lideranças e ao povo brasileiro pelo apoio que recebeu durante todo o período de acusações falsas, fake news e os 580 dias preso injustamente. 

OUVIR A BASE, O POVO - Uma fala de Lula me emociona sempre, a que ele fala das dezenas de conferências que fez em seu governo para ouvir as propostas do povo nas mais diversas áreas. Tive a honra de fazer dezenas de conferências de saúde e dezenas de reuniões de saúde nos 26 Estados e no DF durante o mandato que fiz na Cassi. Estar sempre entre os trabalhadores, nas bases, foi a maior lição que aprendi na minha vida, na representação das pessoas. 

O ÓDIO - Ao terminar o evento que assisti na internet, ao ver as informações da manhã, soube que o inominável que ocupa a cadeira da presidência da república esteve desfilando de moto em Porto Alegre e, como de hábito, abriu a boca para proferir palavras de baixo calão e ódio, ódio, mentiras, ofensas contra autoridades do país e oposições a ele e ao que ele significa. O site do UOL reproduziu uma fala do genocida ofendendo um ministro do STF, Bolsonaro afirmou que o presidente do TSE, Barroso, defende pedofilia: "é a pedofilia o que ele defende". Nesta semana, o sujeito disse em sua live semanal: "caguei" para a CPI. Esse é o cara que elegeram em 2018, que comete crimes diariamente. E pensar que amig@s, familiares e conhecidos apoiaram (ou apoiam ainda) esse ser desprezível, inumano...

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É isso, fico com o amor, fico com Lula e com o que ele significa. Fico com os ideais da esquerda, com o socialismo. Fico com a solidariedade, com a amizade, com a justiça e a democracia. Fico com a ciência, a educação, a liberdade, o respeito à alteridade. Fico com a vida!

#ForaBolsonaro

William


sexta-feira, 9 de julho de 2021

Retrato do artista quando jovem - James Joyce



Refeição Cultural

"   - Podem voltar para os seus lugares, vocês dois.

     Fleming e Stephen ergueram-se, encaminhando-se para os seus bancos, e se sentaram. Stephen, rubro de vergonha, abriu correndo um livro com a mão fraca e se inclinou sobre ele, a face bem perto da página.

     Era injusto e cruel, porque o médico lhe havia dito para não ler sem os óculos! E ele já escrevera para casa, aquela manhã mesmo, para que lhe mandassem um outro par. E o Pe. Arnall tinha dito que ele não precisava estudar até que os novos vidros chegassem. Portanto, ter sido chamado de fingido diante da classe, e ter apanhado de palmatória quando sempre tirava o cartão de primeiro ou de segundo e era o chefe dos Iorkistas! Como podia o prefeito dos estudos saber que era patranha? Tinha sentido os dedos do prefeito tocarem-no quando apresentara a mão; até cuidara que lhe ia apertar as mãos num cumprimento, pois os dedos do prefeito estavam macios e firmes; mas depois, logo depois, tinha ouvido o zunido da manga da batina e a pancada. Fora crueldade, e não fora nada bonito fazê-lo ajoelhar no meio da classe, depois; e o Pe. Arnall dissera a ambos que podiam voltar para os seus lugares, sem fazer nenhuma distinção entre eles..." (JOYCE, 1987, p. 62/63)


A cena descreve o jovem Stephen Dedalus sendo castigado com a palmatória no colégio sem ter feito nada de errado. Ao castigarem outro garoto aproveitaram para castigar ele também, por escolha aleatória, porque estava sem óculos durante uma lição em sala de aula. Antes dessa cena, lemos outra descrevendo o açoite dos garotos com palmatória. É nojento e cruel saber que isso era a norma nas escolas de outras épocas.

Stephen Dedalus é uma espécie de alter ego de James Joyce, que enfrentou sérios problemas de visão em sua vida. Neste primeiro capítulo do livro, também vemos discussões entre irmãos (tios) na família de Stephen por causa de diferenças religiosas entre católicos e protestantes, algo muito presente na vida dos irlandeses.

Ao terminar a leitura dessa obra de Joyce, terei completado a trilogia dele mais significativa, na minha opinião. Já li diversas vezes os contos de Dublinenses (1914) e estou relendo o grande clássico Ulysses (1922), o qual havia lido duas décadas atrás. A experiência da leitura é outra, tanto porque sou outro quanto porque as traduções são diferentes, primeiro li a de Houaiss e agora leio a de Galindo. Retrato do artista quando jovem é intermediário aos dois, lançado em 1916. A tradução é de José Geraldo Vieira.

Estou terminando a leitura em versos da Odisseia, de Homero, obra referência de Joyce para a odisseia de Leopold Bloom por Dublin, em Ulysses. Stephen Dedalus, personagem que leio no Retrato, é o mesmo Dedalus da epopeia joyceana pela Dublin do dia 16 de junho de 1904.

É isso, seguimos lendo e buscando conhecimento e cultura para que suportemos com resiliência o Mal e tenhamos resistência para viver, mesmo que tristes, por causa da realidade que enfrentamos no Brasil pós golpe da casa-grande e pós predomínio da banalidade do mal com o bolsonarismo e a destruição do Estado nacional e das instituições do país.

Quero sobreviver mais um pouco porque ainda tenho pessoas que dependem de mim. Estudar, ler e escrever são tarefas revolucionárias em tempos de ignorância, apagamento da história das lutas da classe trabalhadora e predomínio da pós-verdade por parte dos capitalistas e seus ideólogos e lacaios.

Resistir!

William


Bibliografia:

JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem. Tradução de José Geraldo Vieira. Ediouro/92340, 1987.


quinta-feira, 8 de julho de 2021

Instantes (madrugada 080721)

Ouvindo Rolling Stones: "Anybody Seen My Baby?" (relembrar uma língua é algo importante para exercitar a memória e a atividade cerebral. Mais que relembrar, reaprender, porque é disso que se trata. Sem contar a batida... o som... a guitarra... o baixo... o ritmo)

Estar novamente contatando a outra língua que comecei a aprender, uma língua bem diferente daquela que falo, é outra forma de exercitar o cérebro. A língua japonesa é um desafio interessante para o cérebro de um ocidental por causa do som, da organização sintática diferente, por causa dos signos escritos - ideogramas e alfabetos diferentes do nosso. Não tenho pretensão profissional alguma em relação a esse estudo, só quero conhecer mesmo.

Talvez acabe a leitura da Odisseia em versos em dois dias. É outra língua, efetivamente. A forma de organização sintática adotada pelo tradutor do grego para o português é completamente diferente da língua cotidiana que usávamos até pouco tempo, há algumas décadas (agora eu não sei dizer que linguagem humana existirá nos próximos anos, nem humanos é certo haver em apenas cem anos...). Minha versão é de Odorico Mendes, um maranhense do século XIX.

A linguagem comunica. A linguagem permite a interação entre os homo sapiens, até entre humanos e alguns animais. A linguagem engana. Com ela se corrompe, com ela se destrói vidas, mundos. Com a linguagem se mata, se salva vidas. A linguagem convence animais humanos a se tornarem idiotas, ignorantes, se ensina a odiar aquelas pessoas que poderiam aprender a amar.

Agora estou ouvindo David Bowie: "Absolute Beginners"...

Que serão dos livros? Dos meus e dos demais livros do mundo? Não sei.

Que será da história de luta dos bancários? Da classe trabalhadora brasileira e mundial? Não sei.

Que será da autogestão Cassi? Nas últimas décadas, gerações de militantes lutaram para criar e desenvolver um sistema de saúde solidário e preventivo. Estão destruindo a associação. É tão triste que até encheu meus olhos d'água pra escrever isso. Sou sentimentalista. Que será da Cassi? Não sei.

Que será dos 99% de humanos do mundo que estão escravizados pelo 1% no controle de tudo? Não sei.

Vamos dormir. (vou apertar o botão 'publicar" e terminar de ouvir "Run, Baby, Run" de Sheryl Crow...)

William

PS: Acabei ouvindo ainda "Gimme Shelter" ao vivo com U2, Mick Jagger e Fergie no Madison Square Garden em 2009. Agora vamos encerrar.


quarta-feira, 7 de julho de 2021

Odisseia (Homero) - Ulisses reconhecido pela ama



Refeição Cultural

"   Palpando, a cicatriz conhece a velha,
Nem pode o pé suster; cai dentro a perna,
E a bacia retine e se derrama,
Dor a assalta e prazer; nos olhos água,
Presa às faces a voz, lhe afaga o mento,
E balbucia enfim: 'Tu és, meu filho,
És Ulisses; depois que te hei palpado,
Ora por meu senhor te reconheço'.
" (LIVRO XIX, v.354-361, p.328)


Leitura dos livros XVIII e XIX da epopeia, vimos cenas clássicas como a do encontro de Ulisses com sua ama, que o reconheceu ao tocar a cicatriz da ferida no joelho, feita por um javali quando ele ainda era uma criança.

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Também vemos o encontro de Ulisses com Penélope, vinte anos depois. Ela não o reconhece porque a deusa Minerva o disfarçou num velho forasteiro para que ele consiga realizar sua vingança, matando os inimigos em sua casa e retomando suas posses.

"   À pressa o escano de tosões coberto,
Lhe trouxe a velha; ao divo herói sentado
Penélope interroga: 'Hóspede, vamos,
Quem és? De que família? De que pátria?'
" (LIVRO XVIII, v.76-79, p. 320)

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Outra cena antológica é a que se conta o estratagema de Penélope que tece e desfaz o manto para enrolar os pretendentes que querem desposá-la. A estratégia dela dura três anos, mas depois ela tem que terminar a confecção da mortalha. Ela conta isso ao velho hóspede, que na verdade é Ulisses.

"Saudosa a prantear consumo a vida!
Urgem-me os procos, e eu maquino enganos.
Um gênio me inspirou tramar imensa
Larga teia delgada, e assim lhes disse:
'- Amantes meus, depois de morto Ulisses,
Vós não me insteis, o meu lavor perdendo,
Sem que do herói Laertes a mortalha
Toda seja tecida, para quando
No sono longo o sopitar o fado:
Nenhuma Argiva exprobre-me um funéreo
Manto rico não ter quem teve tanto.' -
A diurna obra desfazia à noite,
E os entretive ilusos por três anos;
Mas, gastas luas e horas, veio o quarto,
E então, por traça de impudentes servas
Apanhando-me, encheram-me de afrontas,
E a concluir a teia me forçaram.
" (LIVRO XVIII, v. 103-119, p. 321)

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Nestes versos abaixo, vemos a origem do nome do herói Ulisses, dado a ele por seu avô materno Autólico.

"   Veio Autólico a Ítaca ubertosa
De seu neto ao nascer; e, mal cearam,
Põe-lhe o infante aos joelhos Euricléia:
'Tu o almejavas tanto, agora inventa
Um nome ao filho da querida filha'.
    Disse o avô: "Genro meu, minha Anticléia,
Eu ressentido contra muitos venho
De um e outro sexo na selvosa terra;
Um nome lhe imporei, chama-se Ulisses,
Crescido, a casa a visitar materna,
Vindo ao Parnaso, onde as riquezas tenho,
Hei de brindá-lo e despedir contente'.
" (LIVRO XIX, v. 306-317, p. 327)

Sobre o significado do nome, o tradutor Odorico Mendes fez nota explicando ao leitor:

"O nome Ulisses ou Odisseus vem do verbo odýssö, 'irar-se'. Querem muitos que a história da ferida, a qual vai seguindo, seja uma interpolação. Pode ser que haja acrescentamentos; porém, Homero, em ambos os seus poemas, não perde ocasião de contar-nos sucessos ainda mais longos, e estes, interessantes como pertencentes ao seu herói, é provável que os não quisesse omitir." (Nota 309-312, p. 327)


Enfim, foram dois livros ou cantos com episódios bem clássicos da Odisseia.

Estamos chegando ao fim de mais um clássico da literatura mundial.

William


Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).


terça-feira, 6 de julho de 2021

060721 - Diário e reflexões (Carta Capital)



Refeição Cultural - Carta Capital 1164


VACINOGATE

Terça-feira, 6 de julho. Finalizei a leitura de mais uma edição da excelente revista Carta Capital. A matéria de capa traz a continuação das investigações e denúncias sobre a corrupção da corja de milicianos no poder do país (por fraudes e golpes à democracia). 

A revista aprofunda a matéria da semana anterior sobre os crimes ao erário público às custas de milhares de vidas perdidas para a Covid-19. Homens do regime genocida no poder negociavam desde o início do ano vacinas com propina através de empresas picaretas enquanto o sujeito na presidência dizia publicamente ser contra comprar vacinas e rejeitava as vacinas propostas pelos próprios fabricantes. 

Enquanto o Brasil só vacinou 12,1% de sua população graças aos desgraçados no poder, outros países avançam na imunização. Nos EUA tiraram o irmão siamês do genocida daqui e já vacinaram 45,5% da população. O genocida no poder é responsável por uns 3/4 dos brasileiros mortos por Covid-19, segundo alguns cientistas que já foram ouvidos pela CPI no Congresso. Mortos hoje: 525.112 (fonte: Johns Hopkins University)

Na seção "Seu País" li matéria sobre o meio ambiente, que continua sendo destruído mesmo com a saída do canalha Salles. Sobre violência, li uma matéria alertando para as mudanças na lei que os caras no Congresso querem fazer para dificultar a saída temporária e a progressão de pena de detentos. Lembrando que no Brasil existem 209 mil presos provisórios, sem julgamento ou condenação!!! São 702 mil presos e a criminalidade só aumenta no país miserável e desigual. Por fim, a chacina de Jacarezinho, ocorrida em maio, que matou 27 "suspeitos" aponta para o que já imaginamos: execução por parte da polícia. Agora querem colocar sob sigilo de 5 anos as investigações. É Brasil...

Na seção "Nosso Mundo" me inteirei sobre a continuação da política do Trump com o governo Biden e Kamala Harris. Ela é filha de imigrantes e agora diz "Não venham!" para os imigrantes. Esperar o que daquela nação? Outra matéria muito boa foi sobre as eleições no Peru, vencidas pelo professor Castilho e até agora a filha do ditador e bandido preso, Fujimori, não aceitou a derrota. Tudo indica que vai dar merda. A burguesia não aceita perder eleição. É a mesma coisa em todos os países, eu não acredito mais em democracia nos moldes das que conheço, as democracias "liberais" burguesas.

Nesta edição, as matérias mais legais ficaram para a seção "Plural". A matéria sobre os norte-americanos do QAnon é de surpreender porque a gente nunca consegue imaginar até onde foi a demência humana. Os EUA estão tomados por malucos. Essa gente trumpista é algo inacreditável. Eles ensinaram os bolsonaristas como se deve ver o mundo. As teorias que eles acreditam é algo que só bolsonarista pra acreditar também.

Por fim, a matéria sobre "Em busca do leitorado perdido" traz informações importantes. O número de leitores do Brasil caiu de 56 para 52 milhões após 2015. E o número de pessoas que nunca leu um livro aumentou de 44 para 48 milhões. Acreditem! Mas fiquei feliz ao ver um trecho da pesquisa que fala dos autores mais lidos no Brasil:

"O autor mais querido do País, entre 14 mais citados, evidente, é Machado de Assis, mas pontificam também, pela ordem, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Coelho. Clarice Lispector aparece num surpreendente 9º lugar, e os únicos estrangeiros citados são William Shakespeare e o pastor evangélico peruano Alejandro Bullón." (p. 61)

É isso. Voltei a ler a revista faz 3 edições. Vou renovar a assinatura, principalmente para apoiar o jornalismo de Carta Capital.

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Ao ouvir uma entrevista hoje do relator da CPI no Congresso, Renan Calheiros, ao jornalista Luis Nassif, fiquei impressionado com os dados que os congressistas já coletaram sobre a roubalheira do clã no poder e seus acólitos. Gente, centenas de milhares de pessoas morreram por ganância desses corruptos nas oportunidades de ganhar propinas na compra de vacinas. É chocante! É um genocídio! Francamente!

Quero viver para ver esses corruptos no poder respondendo processos penais aqui e nas cortes internacionais.

William

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Odisseia (Homero) - De volta a Ítaca (XV a XVII)



Refeição Cultural

"   Aqui, deitado um cão, de orelhas tesas
A cabeça levanta, Argos tem nome:
Hoje langue, e o nutria o próprio Ulisses,
Antes que se embarcasse. Costumava
Lebre caçar e corças e veados;
Ora de bois e mus no esterco o deixam,
Que às portas se amontoa, enquanto os servos
Para estrume da lavra o não carregam.
Jazia ali de carrapatos cheio,
E meigo, assim que a seu senhor fareja,
As orelhas bulindo, agita o rabo;
Mas não pôde acercar-se. O bom Laércio
Uma lágrima enxuga às escondidas,
E questiona o pastor: 'Um cão tão belo
Pasmo que esteja, Eumeu, nesse monturo;
Talvez, com tanto garbo, ágil não fosse,
E à mesa por formoso é que o tratavam'.
(...)
    Argos nesse momento, após vinte anos
Seu dono a contemplar, morreu de gosto." (LIVRO XVII, v.213-229 e 241-242, p. 295-296)


A cena do encontro do cão Argos com seu dono, Ulisses, é de chorar. Na hora nos lembramos do cão da raça akita, Hachiko, da história de amizade entre o cachorro e seu dono. A Odisseia, de Homero, é tudo isso, é a referência clássica para diversas cenas reais e das narrativas ficcionais nos últimos 2800 anos.

No Livro XV, voltamos a ver o jovem Telêmaco, que abriu a epopeia nos primeiros quatro livros - a "Telemaquia". Vendo sua casa e patrimônio serem dilapidados pelos varões de Ítaca, que queriam desposar sua mãe, Penélope, o filho de Ulisses saiu em busca de informações sobre o pai nos primeiros cantos da epopeia.

Neste momento em que estou da leitura da Odisseia, Ulisses finalmente chegou a sua amada Ítaca, 20 anos depois de terminada a Guerra de Troia. Apoiado pela deusa Minerva, ele está disfarçado de velho e chega a sua casa para avaliar os intrusos e as condições para derrotá-los e retomar seu reino.

Cito abaixo, uma nota explicativa do professor Medina, a nota 1 do Canto XVII, que explica esta parte da epopeia.

"Este livro XVII é propriamente a narrativa da Volta de Ulisses a seu palácio. Embora a cena inicial seja recapitulativa e acessória, o desenvolvimento deste livro tem as mesmas grandes qualidades dos livros XIII e XIV. Ulisses e Eumeu vão para a cidade, encontram a fonte onde está o altar das ninfas, topam com o insolente servidor Melântio; depois, a chegada ao palácio, com o admirável episódio do cão Argos, que reconhece o dono, depois a cena em que Ulisses passa a mendigar de mesa em mesa, e amaldiçoa Antino. A resposta que Ulisses manda dizer a Penélope, através de Eumeu, faz com que haja íntima união entre este livro e o décimo nono, onde a conversa dos cônjuges realmente se realizará." (MEDINA, Nota 1 ao LIVRO XVII)

Caminhamos para os momentos finais dessa epopeia homérica.

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TRILHA CLÁSSICA

Meu planejamento de leitura nesta linha de clássicos antigos já está definida em minha mente. Terminando a Odisseia, vou ler a Ilíada, também na tradução em versos de Odorico Mendes. Um livro conta a Guerra de Troia e a "Ira de Aquiles" e o outro a volta atribulada de um dos heróis gregos - Odisseu, rei de Ítaca.

Depois da Ilíada, vou ler a Eneida, de Virgílio. Consegui adquirir a tradução de Odorico Mendes. Após a Guerra e a destruição de Troia, após acompanhar as desventuras de Odisseu (Ulisses na forma latina), vou ler a epopeia de Eneias, troiano sobrevivente que iria fundar uma nova civilização, Roma e o Império Romano.

Por fim, lida essa sequência clássica, vou fechar a trilha com a leitura de A divina comédia, de Dante Alighieri. Nela, o próprio autor da Eneida, o poeta Virgílio, guia Dante pelos mundos do além-túmulo. Até hoje, só li o "Inferno". Não segui na leitura do livro.

É isso, espero que os deuses e a Fortuna me permitam viver os próximos meses para empreender essa trilha literária clássica. Parte da cultura ocidental dos últimos 3 mil anos provém dessas obras e desses autores.

Alguém topa fazer esse roteiro de leitura?

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Na outra trilha clássica, estou na releitura de Ulysses, de James Joyce. Após Joyce, vou ler As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e Robinson Crusoe, de Daniel Defoe. Dessa trilha, li recentemente Moby Dick, de Herman Melville. 

Lembrando o final do clássico texto de Italo Calvino sobre "Por que ler os clássicos", ele nos ensina que "é melhor ler do que não ler os clássicos".

Seguimos lendo...

William


Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).


sábado, 3 de julho de 2021

#3J Fora Bolsonaro!



Sábado, 3 de julho de 2021.

Hoje, participei novamente das manifestações populares pelo #ForaBolsonaro. Centenas de localidades no Brasil e no mundo reivindicaram o impeachment daquele ser desprezível que ocupa a presidência por causa de fraudes eleitorais ocorridas em nosso país em 2018. Foi um golpe continuado desde 2016. Sei que é um risco para a saúde e a vida participar de aglomerações durante a pandemia, mas é um dever de cidadania estar nas ruas lutando pela vida das pessoas, pelos direitos do povo e pelo futuro de nossos filhos, sobrinhos e jovens.

Desta vez eu não levei o celular, então minha participação foi mais atenta. Normalmente a gente vai a algum evento e só pensa em registrar a coisa ficando em segundo plano a experiência em si. Inclusive em relação às quase duas horas de transportes públicos que peguei: hoje eu não fui um dos inúmeros seres humanos isolados em suas telas de celular. Olhar e ver como estão as pessoas é algo chocante, estamos escravizados, nós é que servimos às máquinas e não elas a nós. Que encalacrada nos metemos nesta quadra da história humana...

Cheguei à Paulista pouco depois das 15 horas, horário definido para o ato #ForaBolsonaro. Mais uma vez, foi encantador ver a quantidade enorme de jovens ocupando os espaços públicos de lutas. Além dos jovens, foi bom voltar a ver os movimentos organizados. Foi bom demais ver as gerações que tanto lutaram antes de nós e nos legaram direitos que estão ameaçados ou sendo retirados. A Paulista estava lotada! Agora no fim da noite, as matérias apontavam que foi a maior das 3 manifestações na Paulista. Já tivemos a #29M, #19J e a de hoje.

Fiquei ouvindo as falas das lideranças por quase duas horas em frente ao Masp. Depois encontrei um companheiro do Banco do Brasil e sua companheira. Ficamos conversando sobre política. Acabei ficando mais do que havia planejado. Esperei para encontrar mais dois companheir@s do BB e encerrei minha participação no ato. Segui com a passeata em seu início, por volta das 18 horas e voltei para casa.

As manifestações dos movimentos populares, das forças de esquerda e progressistas e dos jovens e estudantes são manifestações pacíficas. Sempre são atividades com muita música, muita energia positiva e solidariedade e respeito. Por isso, é necessário que as lideranças do movimento avaliem com muita atenção o que os infiltrados estão fazendo. Não há inocência na luta de classes. 

Nossos inimigos estão se movimentando para contra-atacar a força das manifestações para derrotar o regime nazifascista no poder. Pela 2ª vez, infiltrados quebraram agências bancárias, colocaram fogo e a polícia não fez nada. Ou seja, todos ao redor viram, filmaram e a força policial não viu? Estranho! As imagens deixam claro que não eram pessoas do movimento pacífico. É preciso adotar estratégias para lidar com esses infiltrados de nossos inimigos. Os capitalistas de sempre estão aguardando a hora de manipular a sociedade com os seus meios midiáticos para colocar as pessoas contra o movimento.

Enfim, foi um bom dia de lutas populares pelo impeachment do verme e genocida no poder, lutas pelo auxílio emergencial para o povo, por vacina para todos, contra a privatização do patrimônio público, pela educação e saúde, pela apuração das corrupções escancaradas dos milicianos no poder e seus asseclas.

O movimento popular acumulou forças hoje. Espero que tudo corra bem com os manifestantes de hoje. Eu me cuidei o máximo possível. Só os momentos das aglomerações no metrô e no trem é que me deixaram muito apreensivo. Mas enquanto eu observava as pessoas no transporte, vi o quanto o povo está indefeso, exposto ao vírus. A ampla maioria das pessoas usa máscaras muito ruins, que não protegem quase nada em relação ao vírus no ar, porque são máscaras que ficam caindo do rosto, de pano e todas sem aderência ao rosto. Gente, essa é a vida do povo todos os dias da semana! Largados à própria sorte (azar)!

Sem um governo que lidere a luta contra a pandemia de vírus, é muito difícil vencermos a guerra contra a Covid-19. Hoje em São Paulo era dia de vacinação dedicada à 2ª dose. Sabem quantas pessoas foram tomar a vacina? Umas 3 mil... era para 90 mil pessoas tomarem a 2ª dose. Entendem? Não existe campanha de vacinação sem um governo liderando a campanha de esclarecimento e chamamento. É um genocídio porque é a estratégia do regime no poder. A estratégia é que todos se contaminem, aqueles que não morrerem, sorte deles (!?). Os desgraçados no poder acham que as pessoas estarão imunizadas. Nem a ciência conseguiu aferir isso em relação ao coronavírus. Pode ser que tenhamos que nos vacinar contra esse vírus por muito tempo, anualmente.

Enfim, hoje lutamos contra a ignorância e os manipuladores do povo, lutamos contra o genocídio e os genocidas. Lutamos pelo Brasil e o povo brasileiro.

William


sexta-feira, 2 de julho de 2021

Odisseia (Homero) - Ulisses acolhido pelo servo Eumeu (XIV)



Refeição Cultural

"E o Satúrnio o proteja. Ora me explanes
Quem és, de que família, de que terra,
Os infortúnios teus; que exímios nautas
E em que navio aqui te conduziram?
A Ítaca não creio a pé viesses.'
    Começa Ulisses: 'Narrarei sincero.
Se de espaço a lograr teu vinho e pasto,
Incumbido o serviço a outros sendo,
Fôssemos nesta choça, inda que um giro
Decorresse anual, não me era fácil
Expor as penas que infligiu-me a sorte.
" (LIVRO XIV, v. 145-155, p. 251)


Retomando a leitura da clássica epopeia de Homero, Odisseia, vemos agora o herói Ulisses de volta a sua amada Ítaca. Estamos na segunda parte da epopeia.

Ulisses foi trazido a Ítaca pelos Feácios. A deusa Minerva (Palas Atena) modificou a aparência do herói para que ele se pareça com um velho. Assim ele pode executar sua missão de chegar até a casa de sua amada Penélope, matar os inimigos e retomar suas posses.

O velho foi acolhido por Eumeu, servo de Ulisses que cuida de seus porcos. Após a tradição ser cumprida - o hóspede ser alimentado, agasalhado e bem recebido - o servo ouve a história da origem e andanças do estranho.

Agora vamos para o Livro ou Canto XV, e nele voltaremos a encontrar o jovem Telêmaco, que vimos lá nos quatro primeiros cantos, na "Telemaquia".

Para a leitura da postagem anterior, clicar aqui.

William


Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).


quinta-feira, 1 de julho de 2021

O verdadeiro criador de tudo - Miguel Nicolelis



Refeição Cultural

"Educação, oportunidades e justiça ilimitadas, não ganância, deveriam ser o mote que impulsiona o universo humano no futuro." (p. 355)

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"(...) o nosso cérebro permanece maleável ao longo de toda a vida. Isso implica que, por meio da educação crítica, pode-se desmistificar a natureza das abstrações mentais, como o mercado e o sistema financeiro, demonstrando que são apenas criações do ser humano, não produto de intervenção divina." (p. 355)


Terminei a leitura do livro do neurocientista Miguel Nicolelis muito emocionado, às lágrimas. Ganhei o livro O verdadeiro criador de tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos (2020) no dia de meu aniversário. É um livro de ciência, mas é sobretudo um livro de um intelectual humanista, de um "homem cultivado", como diz Mircea Eliade. 

Desde pequeno tive o espírito curioso ou uma certa curiosidade filosófica em relação à existência e ao mundo. Ao longo das últimas décadas procurei respostas às minhas questões filosóficas nos mais variados espaços de conhecimentos: nas religiões, nos estudos formais, nas leituras literárias e nas leituras de áreas do saber humano. Nas lutas sociais e coletivas tive minha aprendizagem mais aprofundada que nunca.

Tive contato com diversas matrizes religiosas ocidentais, orientais e de origem africana. Estudei áreas variadas na educação formal: fiz Ciências Contábeis, fiz Educação Física e não concluí e fiz Letras. Estudei várias áreas do direito como concurseiro em certa época de minha vida. Nessas quase quatro décadas de adulto, sempre estive procurando respostas e sentidos.

A leitura do livro sobre o cérebro humano neste momento de minha vida e neste momento da sociedade humana foi algo que mexeu bastante comigo. Busquei muitas explicações para os acontecimentos do mundo e os comportamentos humanos nas leituras de História. Toda leitura feita me acrescentou alguma coisa, é verdade, mas avalio que Nicolelis me trouxe respostas sobre várias questões que martelam em nossa cabeça de cidadão curioso e politizado.

Nicolelis escreve muito bem, a considerar que o livro passa a primeira metade falando sobre Biologia, Anatomia, Fisiologia, sistemas do corpo humano e demais áreas médicas e da ciência. Talvez meu conhecimento de Anatomia e estudos do corpo humano adquirido duas décadas atrás tenha contribuído para que minha leitura não fosse superficial na parte mais espinhosa do livro.

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"Do ponto de vista da visão cerebrocêntrica discutida neste livro, a era dos excessos de Hobsbawm (Era dos Extremos) pode ser descrita como o período em que uma abstração mental - o capitalismo - tornou-se poderosa o suficiente para reconfigurar a dinâmica das interações humanas em escala global, cruzando o perigoso patamar que, no limite, pode jogar a humanidade em um buraco negro do qual ela não mais se libertará." (p. 361)

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Na segunda parte do livro, o neurocientista Nicolelis nos faz pensar e pensar e refletir e avaliar a vida e a sociedade e ao final estamos profundamente imersos nos destinos da humanidade. Ou mudamos o rumo das coisas ou não haverá futuro para a espécie humana. Precisamos superar o modo de vida capitalista ou não seguiremos enquanto espécie no planeta Terra.

Tudo que existe na sociedade humana atual é fruto da criação do cérebro humano, todas as abstrações que nos pautam a vida, todas as coisas produzidas, tudo. O cérebro humano deu sentido às coisas que existem, além de criar tudo que há entre nós. 

Algumas abstrações se tornaram maiores que seus criadores como, por exemplo, a Igreja do Mercado e o deus dinheiro. Também a abstração Culto das Máquinas. Neste momento da história humana, ou retomamos a importância humana como centro das coisas ou pereceremos enquanto espécie.

Durante décadas tive receio em relação à Inteligência Artificial. Era uma das pessoas que temia que as máquinas adquiririam vida própria e colocariam sob ameaça as outras espécies animais, sobretudo a humana. Nicolelis me explicou a falácia da "Inteligência Artificial", algo impossível de se realizar. 

A inteligência é animal, uma máquina não pode ser inteligente no sentido da criação humana. Só nós somos inteligentes, por enquanto (pode ser que fiquemos limitados como as máquinas se não mudarmos o rumo das coisas).

Foi um dos livros mais esclarecedores que li na minha vida. Olho o mundo de forma diferente a partir da leitura de Nicolelis. Não fiquei nem mais triste nem mais feliz, mas me tornei uma pessoa mais consciente a respeito da existência das coisas. 

Já não havia espaço para visão mística em minha vida, mas agora as coisas estão mais claras do que nunca. Mas meu humanismo saiu reforçado após essa experiência. Como animal humano, ainda homo sapiens, podemos mudar o rumo da destruição de tudo, e isso é algo valioso, saber que podemos fazer coisas incríveis e aparentemente "impossíveis" como, por exemplo, nos livrarmos do capitalismo.

É isso. Professor Miguel Nicolelis, muito obrigado pela experiência e conhecimento compartilhados. Muito obrigado!

Mais que nunca, é fundamental lutar pela vida, pela educação, pela ciência, pela ética, pelo amor, pela solidariedade, pelo cooperativismo. E para seguirmos a vida é preciso gritar #ForaBolsonaro!

William


Bibliografia:

NICOLELIS, Miguel. O Verdadeiro Criador de Tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos. São Paulo: Planeta, 2020.